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Estar presente é estar incluído? Análise de situações em que a inclusão escolar não acontece
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– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1339-1355, jun. 2022. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.2.17001
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ESTAR PRESENTE É ESTAR INCLUÍDO? ANÁLISE DE SITUAÇÕES EM QUE A
INCLUSÃO ESCOLAR NÃO ACONTECE
1
¿ESTAR PRESENTE ES ESTAR INCLUIDO? ANÁLISIS DE SITUACIONES EN LAS
QUE LA INCLUSIÓN ESCOLAR NO SE PRODUCE
BEING PRESENT IS BEING INCLUDED? ANALYSIS OF SITUATIONS IN WHICH
SCHOOL INCLUSION DOES NOT HAPPEN
Bárbara Amaral MARTINS
2
Miguel Claudio Moriel CHACON
3
RESUMO
: Estudantes público da Educação Especial devem frequentar, preferencialmente,
escolas regulares de ensino. Apesar dos avanços em termos legislativos e de matrículas, nem
sempre a inclusão escolar acontece, verdadeiramente, no interior das instituições escolares. Por
isso, objetivamos descrever e analisar situações de sala de aula em que a inclusão escolar não
acontece de fato. Participaram 16 professoras e 22 alunos público da Educação Especial
matriculados em escolas públicas de Corumbá e Ladário em Mato Grosso do Sul. Os dados
foram coletados por meio de filmagens e analisados a partir do Protocolo de Observação de
Situações Educacionais Inclusivas. Quatro situações de sala de aula foram consideradas não
inclusivas e revelaram a falta de atenção individualizada das professoras aos estudantes público
da Educação Especial, ausência de flexibilização curricular, oferecimento de atividades
desvinculadas do trabalho desenvolvido pelos demais alunos e falta de respostas pedagógicas
condizentes com o nível de desenvolvimento desses discentes.
PALAVRAS-CHAVE
: Educação especial. Inclusão escolar. Exclusão educacional. Público-
alvo da educação especial.
RESUMEN
: Los estudiantes públicos de Educación Especial deben asistir preferentemente a
las escuelas regulares. A pesar de los avances legislativos y de matrícula, la inclusión escolar
no siempre ocurre dentro de las instituciones escolares. Por lo tanto, nuestro objetivo es
describir y analizar situaciones en el aula en las que la inclusión escolar no ocurre realmente.
Los participantes fueron 16 maestros y 22 estudiantes públicos de Educación Especial
matriculados en escuelas públicas de Corumbá y Ladário en Mato Grosso do Sul. Los datos
fueron recolectados a través de filmaciones y analizados del Protocolo de Observación para
Situaciones Educativas Inclusivas. Cuatro situaciones de aula se consideraron no inclusivas y
revelaron la falta de atención individualizada de los docentes a los estudiantes públicos de
Educación Especial, la ausencia de flexibilidad curricular, la oferta de actividades no
1
O presente artigo resulta da pesquisa de doutorado da primeira autora.
2
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Corumbá – MS – Brasil. Professora Adjunta no curso de
Pedagogia e no Programa de Pós-Graduação em Educação. Doutorado em Educação (UNESP). ORCID:
https://orcid.org/0000-0003-4278-1661. E-mail: barbara.martins@ufms.br
3
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília – SP – Brasil. Professor do Departamento de Educação
Especial e do Programa de Pós-Graduação em Educação. Doutorado em Educação Brasileira (UNESP). ORCID:
https://orcid.org/0000-0002-6473-8958. E-mail: miguelchacon@marilia.unesp.br
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relacionadas con el trabajo desarrollado por los otros estudiantes y la falta de respuestas
pedagógicas consistentes con el nivel de desarrollo de estos estudiantes.
PALABRAS CLAVE
: Educación especial. Inclusión escolar. Exclusión educativa. Público
objetivo de la educación especial.
ABSTRACT
: Public students in Special Education should preferably attend regular schools.
Despite advances in terms of legislation and enrollment, school inclusion does not always truly
happen inside school institutions. Therefore, we aimed to describe and analyze classroom
situations in which school inclusion does not really happen. The participants were 16 teachers
and 22 public students from Special Education enrolled in public schools in Corumbá and
Ladário, Mato Grosso do Sul. The data was collected through filming and analyzed using the
Protocol for Observation of Inclusive Educational Situations. Four classroom situations were
considered not inclusive and revealed a lack of individualized attention from teachers to public
students of Special Education, lack of curricular flexibility, offering activities unrelated to the
work developed by other students and lack of pedagogical responses consistent with the level
of development of these students.
KEYWORDS
: Special education. School inclusion. Educational exclusion. Target audience for
special education.
Introdução
A educação inclusiva não é um fim em si mesma, pois é parte de um projeto amplo que
visa à inclusão social daqueles que, historicamente, estiveram à margem dos direitos e da
participação cidadã plena. É um conceito que abrange toda e qualquer diversidade e apregoa
uma escola que seja para todos, sem exceções. Contudo, este texto focaliza a inclusão escolar
de um público específico, composto por aqueles que são alvo da Educação Especial: alunos
com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação
(AH/SD).
O paradigma da inclusão instaurou a necessidade de reconstrução da escola tanto em
aspectos estruturais quanto organizacionais e relacionais, mas, em virtude de as escolas
especializadas terem sido compreendidas, durante muito tempo, como o único espaço onde as
necessidades dos estudantes com desenvolvimento atípico poderiam ser respondidas, cultivou-
se um preconceito a respeito das condições de desenvolvimento e aprendizagem desse alunado,
no sistema regular de ensino (MAGALHÃES; CARDOSO, 2011). De acordo com Carvalho
(2014, p. 100), “[...] a proposta inclusiva tem provocado uma verdadeira crise de identidade na
escola, levando-a a ressignificar seu papel, suas crenças, políticas e práticas pedagógicas.” Tal
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ressignificação é necessária, na medida em que não basta empreender adequações nas estruturas
físicas e adquirir materiais. É preciso rever crenças e transformar concepções ligadas à
diversidade, à função da escola, ao processo de ensino-aprendizagem, ao currículo, à gestão
escolar etc (SANTOS, 2011).
De fato, as escolas procuram seguir os princípios e diretrizes estabelecidos pelo sistema
educacional, sem que todas disponham do aparato financeiro, técnico e material necessário
(CARVALHO, 2014), para que todas as crianças e adolescentes possam frequentar esses
espaços e aprender em conjunto. Consequentemente,
[...] ainda convivemos com elevados índices de exclusão traduzidos, dentre
outros indicadores, por alunos que nunca ingressaram na escola, defasagem
idade/ano, evasão escolar, estratégias de aceleração adotadas para compensar
fracassos e evitar a repetência, baixa qualidade das respostas educativas das
escolas, insatisfatórias condições de trabalho dos educadores, sua formação
inicial e continuada, natureza da gestão escolar, dentre inúmeros outros
(CARVALHO, 2016, p. 59).
Nessa perspectiva, não podemos tomar como bem-sucedidas as situações supostamente
inclusivas, em que discentes com deficiência, TEA ou AH/SD são isolados ou esquecidos em
sala de aula, negligenciados, subestimados, superprotegidos ou infantilizados, relegados a
cuidadores, auxiliares ou intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) etc., pois tais
ações, ao invés de impulsionar o desenvolvimento – conforme o que se espera da escola –,
acabam por fragilizá-lo, na medida em que o fato de simplesmente inserir o educando no espaço
físico do ensino regular não basta para que a aprendizagem ocorra, tampouco para que
aconteçam interações propícias ao desenvolvimento (MATOS; MENDES, 2015; SANTOS,
2021).
Não se trata, portanto, de inserir, fisicamente, este ou aquele aluno nesta ou
naquela turma do ensino comum. Há que se considerar o risco de expor essa
pessoa a uma situação similar à vivida em espaços segregados, com a
diferença de estar presente no espaço físico das salas regulares sem estarem,
nelas, verdadeiramente integradas (CARVALHO, 2014, p. 97).
Todavia, vale lembrar que a educação escolar não é neutra e, juntamente com os
conhecimentos que socializa, dissemina os valores que legitima, podendo atuar em favor da
transformação social ou não. Isso exige assumir que educar é um ato político que se situa sob
diversas variáveis e contribui para a mudança ou para a conservação da sociedade. Nesse
processo, os profissionais da educação compartilham da importante responsabilidade pela
formação de cidadãos conscientes e participativos (CARVALHO, 2014).
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A negação de seu caráter político, o qual está associado às concepções que sustentam o
fazer pedagógico e determinam as finalidades da escola, impõe o risco de que as práticas
adotadas e os discursos oficiais se tornem contraditórios, inclusive porque a educação brasileira
tem sua história marcada pela exclusão e o elitismo, traços que ainda não estão completamente
superados, resultando num estereótipo de aluno ideal que não contempla aquele que se afasta
do padrão de normalidade, visto que as sociedades de classes, como é a nossa, são marcadas
pela disputa pelo poder hegemônico (CARVALHO, 2014). Conforme Carneiro e Dall’Acqua
(2016, p. 18), o fato de a convivência respeitosa entre todos nunca ter-se constituído em uma
realidade escolar e social dificulta a efetivação da inclusão, de modo que “[...] nossa história
foi escrita até aqui pela cultura da dominação de uns sobre os outros, sempre permeada por
critérios de pertencimento estabelecidos arbitrariamente”. Esse quadro precisa ser revertido!
Meletti (2013) esclarece que a aproximação/distanciamento da norma idealizada
determina o quão aceito será o indivíduo, em um dado contexto sociocultural, ressaltando que
os processos de exclusão são inerentes ao sistema capitalista. Sob esse prisma, Carvalho (2014)
adverte que ao olharmos para as práticas de sala de aula, sem considerar as influências e
implicações do contexto educacional e social, onde forças políticas atuam, corremos o risco de
analisar o cenário educativo superficialmente:
Ainda que disfarçadas, as teorias do capital humano renascem para atender às
necessidades do crescimento econômico dos países regidos pelas regras do
mercado, nos quais a competitividade traduz-se como lei dos mais fortes.
Estes são assim considerados pelo mérito de dispor dos conhecimentos
(teóricos e práticos) que mais importam aos interesses do capital
(CARVALHO, 2014, p. 74).
As influências do capitalismo são observadas na precariedade dos serviços da área da
saúde essenciais para o desenvolvimento, como é o caso da estimulação precoce (OLIVEIRA,
2018), e tornam-se progressivamente mais nítidas no interior das instituições de ensino, na
medida em que, especialmente nas escolas privadas, o processo de alfabetização se inicia cada
vez mais precocemente, não há espaço para o diálogo e os resultados são mais importantes que
os processos (CARVALHO, 2013). O preparo para a aprovação em exames se sobrepõe à
constituição do cidadão crítico e provido de valores morais e sociais.
A desigualdade social e a exclusão são características do sistema capitalista e, nesse
contexto, Dall’Acqua e Carneiro (2016) expõem que cerca de 30% dos alunos que ingressam
no 1º ano do Ensino Fundamental são reprovados ou abandonam a escola, durante os três
primeiros anos, o que não significa que os demais atinjam níveis de aprendizagem satisfatórios.
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Se a realidade nacional se encontra distante do almejado, piores são as condições de
determinados estados e municípios, uma vez que as disparidades na arrecadação de recursos
financeiros são significativas. Embora a União, por meio do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), complemente o orçamento educacional dos
estados que não conseguem arcar com os custos mínimos de cada aluno (BRASIL, 2007), as
diferenças econômicas regionais persistem, afetando a educação, visto que, conforme dados do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), no ano de
2017, as redes públicas com maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) nos
anos iniciais do Ensino Fundamental localizam-se nas regiões Sul e Sudeste do país: São Paulo
com 6,5, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina com 6,3. No outro extremo, Sergipe aparece
com o pior resultado (4,3), seguido de Amapá (4,4), Rio Grande do Norte, Pará e Maranhão
(estes com 4,5). Nos resultados mais atuais, referentes ao ano de 2019, os estados com os
maiores índices permanecem os mesmos (com exceção do Ceará – 6,3): São Paulo – 6,5, Paraná
– 6,4, Minas Gerais – 6,3 e Santa Catarina – 6,3, assim como os de menor índice também
reincidem: Sergipe – 4,6, Rio Grande do Norte, Pará e Amapá – 4,7, Maranhão – 4,8. (BRASIL,
2022).
Segundo Dorziat (2013, p. 998),
[...] a escola para todos, embora pareça ser concretizada com a abertura de
suas portas para receber os excluídos, atendendo supostamente aos ideais
progressistas, tende em seu interior, a continuar cumprindo seu papel de
mantenedora do sistema instituído, inaugurando, assim, uma nova e paradoxal
forma de exclusão.
Sob esse prisma, pesquisas alertam que as conquistas voltadas ao público da educação
especial localizam-se muito mais no âmbito legal do que nas práticas educacionais/sociais
(LEONARDO; BRAY; ROSSATO, 2009; MORGADO; FISCARELLI, 2016). As escolas não
podem recusar a matrícula desses estudantes, porém, nem sempre a garantia de acesso vem
acompanhada de oportunidades de aprendizagem e sucesso acadêmico, devido à falta de
atenção às suas necessidades (SANTOS, 2011). Assim, há um distanciamento entre o
apregoado oficialmente e o realizado no contexto escolar, espaço marcado pela incongruência,
visto que abriga tanto a conscientização quanto a discriminação (MATOS; MENDES, 2015).
Nessa linha, Carvalho (2014, 2016) esclarece que a educação inclusiva depende de ações
que ultrapassam o âmbito escolar, envolvendo os aspectos sociais (saúde, alimentação,
transporte), as quais devem estar acompanhadas da redução dos níveis de injustiça e
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desigualdade. Além disso, acredita nos benefícios da integração entre os programas
educacionais com os de outros setores.
No que concerne ao que é especificamente escolar, a autora ressalta a importância da
criação de culturas inclusivas pautadas na democracia e valorização da diversidade; elaboração
de projetos político-pedagógicos alicerçados em concepções inclusivas, a fim de que busquem
caminhos para fazer com que todos aprendam, resguardadas as suas individualidades;
desenvolvimento de atividades pedagógicas que partam dos conhecimentos e vivências dos
estudantes e incentivem a participação.
Ressalta-se que tanto a prevenção como a remoção das barreiras para a participação e a
aprendizagem constituem uma responsabilidade de todos os envolvidos: professores,
estudantes, funcionários, gestores e familiares, em colaboração, não sendo justo, tampouco
acertado, culpar exclusivamente o corpo docente (CARVALHO, 2016).
Em relação às barreiras à aprendizagem, especificamente, as adaptações curriculares
tendem a representar estratégias importantes para a superação de obstáculos. Carvalho (2014,
p. 103) define as adaptações curriculares como “[...] modificações espontaneamente realizadas
pelos professores e, também, em todas as estratégias que são intencionalmente organizadas para
dar respostas às necessidades de cada aluno, particularmente dos que apresentam dificuldades
na aprendizagem”. Tais adaptações não correspondem à elaboração de um currículo à parte,
mas na realização de ajustes no currículo disponível à turma, podendo compreender alterações
nos objetivos, conteúdos, metodologias, temporalidade e avaliação. Entretanto, Fonseca,
Capellini e Lopes Júnior (2010) esclarecem que o conceito de adaptação curricular foi mal
compreendido, ocasionando a completa substituição do currículo comum pela elaboração de
um Plano de Ensino Individualizado (PEI), de sorte a estabelecer o que o aluno deveria
aprender, durante o ano letivo. Com vistas a uma adequação terminológica, surgiu o conceito
de flexibilização curricular, significando aquilo que é maleável, destituído de rigidez. Os
autores elucidam que há uma distinção entre adaptação e flexibilização curricular, pois a
primeira é reservada somente aos estudantes que demandam apoio generalizado e não se
beneficiam do currículo comum, em razão das limitações derivadas da deficiência, enquanto a
segunda é cabível a qualquer aluno, seja ou não público da Educação Especial.
Assim, Carvalho (2016) destaca a importância da flexibilização curricular como
estratégia de garantir aprendizagens enriquecedoras e significativas, pautadas na possibilidade
de desenvolvimento das potencialidades de cada um. Com efeito, a flexibilização curricular é
importante, porque permite abarcar as diferenças individuais dos discentes, de maneira que a
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escola possa se reorganizar em favor das necessidades apresentadas (MAGALHÃES;
CARDOSO, 2011).
Tendo em vista que a inclusão escolar requer não apenas a presença, mas a participação
e a aprendizagem dos alunos da Educação Especial em contextos regulares. Esta pesquisa tem
por objetivo descrever e analisar situações de sala de aula em que a inclusão escolar não
acontece de fato.
Procedimentos metodológicos
Esta pesquisa foi realizada em seis escolas públicas localizadas nas cidades de Corumbá
(três municipais e uma estadual) e Ladário (duas municipais), no interior do estado de Mato
Grosso do Sul.
Participaram professoras e aluna/os de turmas de Ensino Fundamental I frequentadas
por estudantes com altas habilidades/superdotação (AH/SD) ou deficiência intelectual (DI),
estes localizados a partir de relações fornecidas pelas secretarias de educação e aqueles,
identificados durante um processo conduzido na escola estadual de Corumbá (MARTINS;
CHACON, 2022).
A pesquisa envolveu 16 professoras e 22 estudantes público da educação especial que
deram assentimento quanto à participação e cujos pais expressaram o consentimento por meio
da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, tal como as professoras
(Certificado de Apresentação de Apreciação Ética – CAAE n. 47297315.9.0000.5406).
Os dados foram coletados por meio de filmagens em sala de aula, programadas com
antecedência e realizadas por meio de duas filmadoras digitais de alta resolução. Ao todo, foram
19 sessões de filmagem, que somaram 13h57m de gravação
4
.
As gravações provenientes da dupla de câmeras foram unidas e editadas com o auxílio
do
software Movie Maker,
quando foram selecionados os episódios mais significativos de cada
filmagem, tendo em vista o objetivo da pesquisa. Nesta fase, cada filmagem ficou sintetizada
em, aproximadamente, 15 minutos
e ocorreu a submissão à análise de quatro juízes com base
no Protocolo de Observação de Situações Educacionais Inclusivas (MARTINS; CHACON,
2021). Os juízes tinham titulação mínima de Mestre em Educação e desenvolviam pesquisas na
área da Educação Especial.
4
Como era inevitável que outros estudantes, além dos focalizados no estudo, aparecem nas gravações, foi
necessário solicitar autorização para os responsáveis por todos das turmas. No caso de autorizações não
concedidas, tais estudantes eram reposicionados na sala de maneira a não serem capturados pelo foco das câmeras.
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Durante o processo de análise dos dados, as respostas dos juízes foram sistematizadas a
partir do número de indicações recebidas em cada item do protocolo, cujas opções eram: sim,
não e não se aplica, as quais se convertiam em pontuações. Quando, ao menos, três juízes
coincidissem no julgamento de determinado item, representando um índice de concordância de
75%, aceitava-se a classificação atribuída. Havendo empate, consultávamos a análise realizada
pela própria pesquisadora anteriormente a submissão aos juízes para a tomada de decisão.
Concluída a síntese entre a avaliação dos juízes, cada protocolo poderia apresentar uma
pontuação total entre -26 e 26, de maneira que foram consideradas inclusivas as filmagens em
que a totalização era positiva e não inclusivas, aquelas cujo total era menor que 1. Essa
classificação foi confirmada pela análise qualitativa de cada situação educacional registrada.
Resultados
Dentre as 19 filmagens realizadas em 16 salas de aula distintas, 15 retratavam situações
educacionais consideradas inclusivas; ao passo que quatro, não atendiam aos princípios da
inclusão escolar e é a essas que nos deteremos. Os episódios que exibem situações didáticas
analisadas como não inclusivas estão sinteticamente descritos no Quadro 1.
Quadro 1
– Síntese dos episódios cujas atividades registradas foram consideradas não
inclusivas
Turma:
4º ano
Estudante(s) público da Educação Especial:
Aluno com Síndrome de Down e aluna com DI.
Atividade(s) desenvolvida(s):
Pintura.
Agrupamento:
Os alunos estão enfileirados em carteiras individuais.
Descrição:
Os estudantes da Educação Especial contornam e pintam com tinta, a bandeira do Brasil enquanto
os demais fazem atividades sobre a pirâmide alimentar no livro de ciências, envolvendo leitura silenciosa e
desenho.
O aluno com síndrome de Down come seu lanche na sala durante a aula.
Pontuação:
-
12
Turma:
2º ano
Estudante(s) público da Educação Especial:
Dois alunos com DI
Atividade(s) desenvolvida(s):
Colagem de palitos
Agrupamento:
A turma está enfileirada, em carteiras individuais e os alunos com DI estão em uma mesma
mesa, juntamente com a auxiliar de classe.
Descrição:
Enquanto a turma exercita a adição em um jogo da
velha de soma, os alunos com DI colam palitos
de fósforo em um caderno de desenho, de acordo com os números indicados no caderno e com a ajuda da
auxiliar de classe.
Pontuação:
-
5
Turma:
3º ano
Estudante(s) público da Educação Especial:
Um aluno com DI.
Atividade(s) desenvolvida(s):
Estudo do gênero textual Poema.
Agrupamento:
Grupos de quatro alunos.
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Descrição:
Foi realizada a leitura coletiva do poema escrito na lousa, seguida da leitura fei
ta pela professora.
Cada dois alunos receberam uma ficha com palavras e frases do texto para circular, conforme eram sorteadas.
O aluno com DI apenas observava seu colega fazer a atividade. Em seguida, receberam uma folha com
exercícios de completar lacunas, enumerar os versos e circular as estrofes do poema trabalhado. O aluno com
DI copiava as respostas do colega ao lado.
No decorrer da aula, em alguns momentos, o aluno se balançava na cadeira, assobiava, olhava para
fora da janela e chamava os
colegas, parecendo estar entediado.
Pontuação:
-
4
Turma:
4º ano
Estudante(s) público da Educação Especial:
Dois alunos com indicadores de AH/SD
Atividade(s) desenvolvida(s):
Resolução de problemas matemáticos
Agrupamento:
Carteiras individuais enfi
leiradas
Descrição:
Todos os alunos copiam e resolvem dois problemas matemáticos envolvendo a subtração de
centenas e a multiplicação de valor monetário com numerais decimais. Um dos alunos com indicadores de
AH/SD é convidado a resolver um dos problemas
na lousa. As atividades propostas estão aquém dos
conhecimentos e habilidades dos alunos com indicadores de AH/SD.
Pontuação:
-
7
Fonte: Elaborado pelos autores
A exclusão dos alunos com DI nas turmas de 4º e 2º anos é nítida, na medida em que
recebem propostas de atividades totalmente desvinculadas do que realizam os demais
estudantes da sala. Na turma de 2º ano, inclusive, os alunos com deficiência ficam sob a
responsabilidade de uma auxiliar de sala, contratada como estagiária, a qual prepara e conduz
as atividades desenvolvidas. De fato, esses alunos estão incluídos no mesmo espaço físico que
as outras crianças sem necessidades educacionais especiais (NEE), porém, estão excluídos da
dinâmica pedagógica preparada para os colegas. Dessa maneira, o que se observa é
simplesmente a inserção espacial dos alunos com DI, representando o que Carvalho (2014)
denomina como
exclusão na inclusão
. Para Effgen e Almeida (2012, p. 31), quando o professor
disponibiliza currículos menos enriquecidos ao público da Educação Especial, coloca-o à
margem do processo educacional, caracterizando “[...] uma exclusão produzida dentro do
próprio processo de inclusão”, o que desfavorece a garantia do direito de todos ao
conhecimento. Por trás dessa exclusão velada está o descrédito nas potencialidades do aluno e
a visão de que lhe basta conviver com os demais integrantes do grupo, sem a preocupação em
propiciar o apoio necessário para seu desenvolvimento (ALBUQUERQUE; MACHADO,
2011). Nessa lógica, cabe ao professor ter o tato adequado para reconhecer as diferenças, sem
transformá-las em sustentáculos da desigualdade (VIEIRA; RAMOS, 2012), o que exige uma
real aceitação da inclusão desse alunado, acompanhada da compreensão de que o
desenvolvimento está relacionado às oportunidades disponibilizadas. Na perspectiva de
Magalhães (2011), é imprescindível que o professor seja levado a questionar suas concepções
e analisar os sentimentos despertos na interação com estudantes que constituem o público da
Educação Especial, a fim de que desconstrua preconceitos e imagens estereotipadas.
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Vale notar que as atividades oferecidas aos alunos com DI da turma de 4º ano não
parecem estar voltadas a objetivos de aprendizagem, mas ao preenchimento do tempo, uma vez
que não houve qualquer contextualização para o contorno e pintura da bandeira do Brasil. A
realização de atividades desse tipo (pintura, desenho, colagem), muitas vezes improvisadas,
está ligada à representação do estudante como alguém impossibilitado de aprender
(ALBUQUERQUE; MACHADO, 2011). A descontextualização de atividades oferecidas a
alunos com deficiência também foi observada por Effgen (2012). Similarmente, sublinha-se o
fato de o aluno com síndrome de Down comer seu lanche em sala, enquanto os demais fazem
suas tarefas, algo semelhante ao relatado por Carvalho (2013) a respeito do caso do menino
Bernardo, que, em uma das escolas por onde passou, era infantilizado e não reconhecido como
aluno por professores e colegas.
Autores alertam que a proposta inclusiva tem sido interpretada com alguns equívocos e
entre eles temos a confusão de inclusão com inserção espacial e o privilégio dos aspectos
interpessoais, que visam apenas à socialização, em detrimento da aprendizagem (CARVALHO;
2016). Tal visão é tomada como reducionista, porque “[...] inserir esses aprendizes nas escolas
comuns, como ‘figurantes’, além de injusto, não corresponde ao que se propõe no paradigma
da educação inclusiva e, de igual modo, não vamos contribuir para seu desenvolvimento
integral” (CARVALHO, 2016, p. 114, grifo da autora).
Na sala de 3º ano, a proposta é que o aluno com DI execute os mesmos exercícios que
seus colegas, porém, a professora não o orienta individualmente e a organização em grupos,
nesse caso, não favorece a aprendizagem, porque, apesar da proximidade física, não havia
interação acerca da realização das tarefas, apenas a cópia de respostas, direção contrária da
proposta inclusiva, pois, sob esse prisma, o trabalho educativo deve centrar-se na aprendizagem
e, assim, o aluno deixa de ser concebido como “[...] um mero copiador e memorizador de
informações que recebe em sala de aula, ou que extrai de livros” (CARVALHO, 2014, p. 121).
Segundo Oliveira (2018), a escola tem demonstrado dificuldades na inclusão de
estudantes com deficiência intelectual, as quais vão desde a identificação até a condução do
processo de ensino-aprendizagem.
Já na sala de 4º ano frequentada pelos alunos com indicadores de AH/SD, seus
potenciais são desconsiderados, ao desenvolverem atividades que estão aquém de seus
conhecimentos e capacidades. Nessa perspectiva, Cruz (2014) destaca a invisibilidade dos
estudantes com AH/SD, ao examinar as concepções de professores de Educação Especial e seu
impacto na identificação desse alunado. Contudo, salientamos que, além de identificar, é
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Estar presente é estar incluído? Análise de situações em que a inclusão escolar não acontece
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– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1339-1355, jun. 2022. e-ISSN: 1982-5587
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preciso que os professores estejam conscientes da necessidade de intervir diante da diversidade,
caso contrário, a rotulação não extingue a “invisibilidade”. Como estratégias de intervenção,
sugere-se: solicitar tarefas de casa mais elaboradas que as dos colegas; pedir análises mais
aprofundadas e resolução de problemas, durante as atividades de classe; incentivar a interação
com os colegas; disponibilizar recursos materiais ou permitir que realizem atividades paralelas
de seu interesse, para o preenchimento do tempo ocioso; orientá-los sobre os aspectos em que
podem melhorar etc. Parece claro que essas medidas objetivam o desenvolvimento de
habilidades, mas, inclusive, devem zelar pelos aspectos sociais e emocionais desses educandos
(MENDONÇA; MENCIA; CAPELLINI, 2015; SÁNCHEZ ANEAS, 2013).
Todos os alunos precisam ter liberdade para expressar seus conhecimentos, dúvidas e
opiniões, assim como as condições para realizar as atividades voltadas para sua aprendizagem
e desenvolvimento. De acordo com Magalhães (2011), isso exige que o professor seja capaz de
instaurar relações afetivas e empáticas, superando visões que inferiorizem e desrespeitem as
singularidades de cada um.
Dado o exposto, Carvalho (2016) ressalta que a exclusão nem sempre é tão claramente
visível como o é a separação física, porque, muitas vezes, aquela pode assumir formas
simbólicas, as quais talvez sejam as responsáveis pelas formas visíveis. Nesse sentido, a autora
assinala, ainda, a perversidade da negação da diferença/necessidade, algo que é comum,
principalmente, no que tange aos estudantes com AH/SD.
A observação e registro de tais situações não inclusivas nos leva a refletir e traz à tona
preocupações acerca do estágio na formação docente. Enquanto componente curricular
obrigatório da formação inicial de professores, o estágio visa a proporcionar experiências e
elementos para a reflexão sobre a atuação pedagógica e para a construção da identidade
profissional, mediante a interação do futuro professor com os profissionais, os discentes e as
práticas daquele local (LIMA, 2009). Ao deparar-se com situações em que o estudante com
NEE é excluído, negligenciado ou tem suas capacidades depreciadas, o estagiário pode se tornar
descrente da inclusão escolar e desenvolver uma baixa autoeficácia para educar na diversidade.
É sob essa ótica que Sharma e Sokal (2015) alertam para os riscos do estágio junto a professores
cujas práticas não sejam efetivamente inclusivas. Aliás, enfatiza-se que os resultados da
pesquisa conduzida pelos referidos autores revelaram que os participantes de um curso de 30
horas, com prática em sala de aula inclusiva, tiveram suas atitudes para a inclusão
desfavorecidas após a formação.
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Bárbara Amaral MARTINS e Miguel Claudio Moriel CHACON
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Mais do que a criação e aplicação de técnicas e metodologias inovadoras, a educação
inclusiva é um compromisso ético e político que a escola assume, diante do direito à educação
que toda criança possui. Esse compromisso justifica e orienta a reformulação das práticas
pedagógicas, as quais têm como finalidade a aprendizagem e o desenvolvimento dos discentes
(CARVALHO, 2013).
Nessa direção, faz-se necessária a construção de um novo paradigma de escola, a fim de
que esta se sustente sobre os pilares da democracia, da justiça e da cidadania (CARNEIRO;
DALL’ACQUA, 2016). Para tanto, é preciso que as políticas educacionais inclusivas sejam
fruto de debates com a sociedade e considerem os contextos reais, com seus pontos favoráveis
e desfavoráveis, acompanhadas dos recursos necessários para que possam ser implementadas,
porque “[...] é a educação que permite ao homem assimilar a experiência historicamente
acumulada e culturalmente organizada” (CARVALHO, 2014, p. 101).
Logo, o ambiente escolar
desempenha um importante papel na formação da autonomia do cidadão, a partir dos saberes e das
habilidades que desenvolve (ROSIN-PINOLA; DEL PRETTE, 2014), devendo proporcionar a
interação com o conhecimento e a apropriação cultural, científica e tecnológica do que a
humanidade construiu.
É preciso garantir condições para que todos participem das atividades educacionais,
englobando ajustes e flexibilizações curriculares sempre que as necessidades do estudante assim o
exigirem (ROSIN-PINOLA; DEL PRETTE, 2014). Além das necessárias diferenciações e do uso
de recursos e estratégias que assegurem a aquisição de conhecimentos, Effgen e Almeida (2012)
chamam a atenção para o próprio currículo, alertando que, quando a seleção de conteúdos não é
problematizada e alicerçada na intencionalidade, pode desencadear processos excludentes.
Felizmente, as situações não inclusivas são minoria no conjunto das filmagens realizadas,
porém, deveriam ser inexistentes, sobretudo porque as gravações foram previamente agendadas, o
que tende a gerar uma certa preparação especial em relação ao ambiente e as atividades propostas.
Isso nos leva a refletir sobre a formação dessas professoras. Qual o conceito de inclusão escolar que
jaz sob suas práticas? Quais os conhecimentos que possuem acerca da flexibilização curricular?
Como se deu (e dá) a formação dessas educadoras em relação ao público da Educação Especial? A
ausência de respostas para tais questões revela uma limitação desta pesquisa, bem como implicações
para futuras pesquisas.
A presença de estudos teóricos e práticos a respeito do público da Educação Especial, tanto
na formação inicial quanto continuada, é fundamental. Soma-se a isso a necessidade de recursos
humanos e materiais que viabilizem a construção de práticas verdadeiramente inclusivas e
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Estar presente é estar incluído? Análise de situações em que a inclusão escolar não acontece
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colaborativas, comprometidas com a justiça social e cujo objetivo maior é o desenvolvimento
máximo de cada aluno, a partir do reconhecimento e respeito às suas singularidades.
Considerações finais
Assumindo o objetivo de descrever e analisar situações de sala de aula em que a inclusão
escolar não acontece de fato, realizamos filmagens em escolas públicas no interior do estado de
Mato Grosso do Sul e identificamos quatro situações de sala de aula em que os estudantes
público da Educação Especial não recebiam os apoios e estímulos necessários às respostas
educacionais corretas diante de suas peculiaridades. Tais situações eram marcadas pela ausência
de atenção individualizada por parte das professoras, de flexibilização curricular e de desafios
à aprendizagem adequados ao nível de desenvolvimento desses discentes, sem perder a relação
com o trabalho desenvolvido pelo grupo que compõe a turma.
É imprescindível explicitar que a presença da pesquisadora e das câmeras em sala de
aula, inevitavelmente, altera a naturalidade das situações didáticas. A vivência cotidiana pode
desvelar cenários ainda mais excludentes, seja em número ou na intensidade das práticas não
inclusivas, porém, o professor não pode ser culpabilizado, pois, é antes, vítima de um sistema
social competitivo, meritocrático, desigual e injusto.
Urge reverter essa realidade educacional em favor da socialização equitativa dos saberes
historicamente acumulados e da formação da autonomia cidadã, o que exige conhecimentos
(técnicos, disciplinares, políticos e teóricos), compromisso social e criticidade por parte dos
docentes, assim como investimentos financeiros, orientação e acompanhamento constantes por
parte dos sistemas educacionais.
AGRADECIMENTOS
: O presente estudo foi realizado com apoio da Universidade Federal
de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES).
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Bárbara Amaral MARTINS e Miguel Claudio Moriel CHACON
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– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1339-1355, jun. 2022. e-ISSN: 1982-5587
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Estar presente é estar incluído? Análise de situações em que a inclusão escolar não acontece
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– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1339-1355, jun. 2022. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.2.17001
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Como referenciar este artigo
MARTINS, B. A.; CHACON, M. C. M. Estar presente é estar incluído? Análise de situações
em que a inclusão escolar não acontece.
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Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1339-1355, jun. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.2.17001
Submetido
em
: 04/01/2022
Revisões requeridas
: 17/03/2022
Aprovado em
: 21/04/2022
Publicado em
: 30/06/2022
Processamento e edição: Editoria Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, padronização e tradução.
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¿Estar presente es estar incluido? Análisis de situaciones en las que la inclusión escolar no se produce
RIAEE
– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1342-1358, jun. 2022. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.2.17001
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¿ESTAR PRESENTE ES ESTAR INCLUIDO? ANÁLISIS DE SITUACIONES EN LAS
QUE LA INCLUSIÓN ESCOLAR NO SE PRODUCE
1
ESTAR PRESENTE É ESTAR INCLUÍDO? ANÁLISE DE SITUAÇÕES EM QUE A
INCLUSÃO ESCOLAR NÃO ACONTECE
BEING PRESENT IS BEING INCLUDED? ANALYSIS OF SITUATIONS IN WHICH
SCHOOL INCLUSION DOES NOT HAPPEN
Bárbara Amaral MARTINS
2
Miguel Claudio Moriel CHACON
3
RESUMEN
: Los estudiantes públicos de Educación Especial deben asistir preferentemente a
las escuelas regulares. A pesar de los avances legislativos y de matrícula, la inclusión escolar
no siempre ocurre dentro de las instituciones escolares. Por lo tanto, nuestro objetivo es
describir y analizar situaciones en el aula en las que la inclusión escolar no ocurre realmente.
Los participantes fueron 16 maestros y 22 estudiantes públicos de Educación Especial
matriculados en escuelas públicas de Corumbá y Ladário en Mato Grosso do Sul. Los datos
fueron recolectados a través de filmaciones y analizados del Protocolo de Observación para
Situaciones Educativas Inclusivas. Cuatro situaciones de aula se consideraron no inclusivas y
revelaron la falta de atención individualizada de los docentes a los estudiantes públicos de
Educación Especial, la ausencia de flexibilidad curricular, la oferta de actividades no
relacionadas con el trabajo desarrollado por los otros estudiantes y la falta de respuestas
pedagógicas consistentes con el nivel de desarrollo de estos estudiantes.
PALABRAS CLAVE
: Educación Especial. Inclusión escolar. Exclusión educativa. Público
objetivo de la Educación Especial.
RESUMO
: Estudantes público da Educação Especial devem frequentar, preferencialmente,
escolas regulares de ensino. Apesar dos avanços em termos legislativos e de matrículas, nem
sempre a inclusão escolar acontece, verdadeiramente, no interior das instituições escolares.
Por isso, objetivamos descrever e analisar situações de sala de aula em que a inclusão escolar
não acontece de fato. Participaram 16 professoras e 22 alunos público da Educação Especial
matriculados em escolas públicas de Corumbá e Ladário em Mato Grosso do Sul. Os dados
foram coletados por meio de filmagens e analisados a partir do Protocolo de Observação de
Situações Educacionais Inclusivas. Quatro situações de sala de aula foram consideradas não
inclusivas e revelaram a falta de atenção individualizada das professoras aos estudantes
público da Educação Especial, ausência de flexibilização curricular, oferecimento de
1
Este artículo es el resultado de la investigación doctoral del primer autor.
2
Universidad Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Corumbá – MS – Brasil. Profesora Adjunta en el curso de
Pedagogía y del Programa de Posgrado en Educación. Doctorado en Educación (UNESP). ORCID:
https://orcid.org/0000-0003-4278-1661. E-mail: barbara.martins@ufms.br
3
Universidad Estatal Paulista (UNESP), Marília – SP – Brasil. Profesor del Departamento de Educación Especial
y del Programa de Posgrado en Educación. Doctorado en Educación Brasileña (UNESP). ORCID:
https://orcid.org/0000-0002-6473-8958. E-mail: miguelchacon@marilia.unesp.br
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Bárbara Amaral MARTINS y Miguel Claudio Moriel CHACON
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1343
atividades desvinculadas do trabalho desenvolvido pelos demais alunos e falta de respostas
pedagógicas condizentes com o nível de desenvolvimento desses discentes.
PALAVRAS-CHAVE
: Educação Especial. Inclusão escolar. Exclusão educacional. Público-
alvo da Educação Especial.
ABSTRACT
: Public students in Special Education should preferably attend regular schools.
Despite advances in terms of legislation and enrollment, school inclusion does not always truly
happen inside school institutions. Therefore, we aimed to describe and analyze classroom
situations in which school inclusion does not really happen. The participants were 16 teachers
and 22 public students from Special Education enrolled in public schools in Corumbá and
Ladário, Mato Grosso do Sul. The data was collected through filming and analyzed using the
Protocol for Observation of Inclusive Educational Situations. Four classroom situations were
considered not inclusive and revealed a lack of individualized attention from teachers to public
students of Special Education, lack of curricular flexibility, offering activities unrelated to the
work developed by other students and lack of pedagogical responses consistent with the level
of development of these students.
KEYWORDS
: Special Education. School inclusion. Educational exclusion. Target audience
for Special Education.
Introducción
La educación inclusiva no es un fin en sí misma, ya que forma parte de un amplio
proyecto dirigido a la inclusión social de quienes históricamente han estado al margen de los
derechos y la plena participación ciudadana. Es un concepto que engloba cualquier diversidad
y proclama una escuela que es para todos, sin excepciones. Sin embargo, este texto se centra en
la inclusión escolar de un público específico, compuesto por aquellos que son el objetivo de la
Educación Especial: estudiantes con discapacidades, trastorno del espectro autista (TEA) y altas
habilidades / superdotados (AH / SD).
El paradigma de inclusión estableció la necesidad de reconstrucción de la escuela tanto
en aspectos estructurales como organizativos y relacionales, pero, debido a que las escuelas
especializadas fueron entendidas, durante mucho tiempo, como el único espacio donde se
podían responder las necesidades de los estudiantes con desarrollo atípico, se cultivó un
prejuicio sobre el desarrollo y las condiciones de aprendizaje de este estudiante, en el sistema
de educación regular (MAGALHÃES; CARDOSO, 2011). Según Carvalho (2014, p. 100),
"[...] la propuesta inclusiva ha provocado una verdadera crisis de identidad en la escuela,
llevándola a resignificar su rol, creencias, políticas y prácticas pedagógicas". Tal resignificación
es necesaria, ya que no es suficiente hacer ajustes en las estructuras físicas y adquirir materiales.
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¿Estar presente es estar incluido? Análisis de situaciones en las que la inclusión escolar no se produce
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– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1342-1358, jun. 2022. e-ISSN: 1982-5587
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Es necesario revisar creencias y transformar concepciones relacionadas con la diversidad, la
función escolar, el proceso de enseñanza-aprendizaje, el currículo, la gestión escolar, etc.
(SANTOS, 2011).
De hecho, las escuelas buscan seguir los principios y lineamientos establecidos por el
sistema educativo, sin contar con todos con el equipamiento económico, técnico y material
necesario (CARVALHO, 2014), para que todos los niños, niñas y adolescentes puedan asistir
a estos espacios y aprender juntos. Por consiguiente
[...] aún vivimos con altas tasas de exclusión traducidas, entre otros
indicadores, por estudiantes que nunca han ingresado a la escuela, brecha de
edad /año, deserción escolar, estrategias de aceleración adoptadas para
compensar los fracasos y evitar la repetición, baja calidad de las respuestas
educativas de las escuelas, condiciones de trabajo insatisfactorias de los
educadores, su educación inicial y continua, naturaleza de la gestión escolar,
entre muchos otros (CARVALHO, 2016, p. 59).
Desde esta perspectiva, no podemos tomar como exitosas las situaciones supuestamente
inclusivas, en las que los estudiantes con discapacidades, TEA o AH/SD son aislados u
olvidados en el aula, descuidados, subestimados, sobreprotegidos o infantilizados, relegados a
cuidadores, auxiliares o intérpretes de lengua de señas brasileña (LIBRAS) etc., porque tales
acciones, en lugar de impulsar el desarrollo – como se espera de la escuela – terminan
debilitándolo, en la medida en que el hecho de simplemente insertar al estudiante en el espacio
físico de la educación regular no es suficiente para que se produzca el aprendizaje, ni para las
interacciones conducentes al desarrollo (MATOS; MENDES, 2015; SANTOS, 2021).
No se trata, por lo tanto, de insertar físicamente a este o aquel estudiante en
esta o aquella clase de escuela común. Es necesario considerar el riesgo de
exponer a esta persona a una situación similar a la experimentada en espacios
segregados, con la diferencia de estar presente en el espacio físico de las
habitaciones regulares sin estar verdaderamente integrado en ellas
(CARVALHO, 2014, p. 97).
Sin embargo, vale la pena recordar que la educación escolar no es neutral y, junto con
el conocimiento que socializa, difunde los valores que legitima, pudiendo actuar a favor de la
transformación social o no. Esto requiere asumir que educar es un acto político que está bajo
varias variables y contribuye al cambio o conservación de la sociedad. En este proceso, los
profesionales de la educación comparten la importante responsabilidad de la formación de
ciudadanos conscientes y participativos (CARVALHO, 2014).
La negación de su carácter político, que se asocia con las concepciones que sustentan la
práctica pedagógica y determinan los propósitos de la escuela, impone el riesgo de que las
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prácticas adoptadas y los discursos oficiales se vuelvan contradictorios, incluso porque la
educación brasileña tiene su historia marcada por la exclusión y el elitismo, rasgos que aún no
están completamente superados. resultando en un estereotipo estudiantil ideal que no contempla
al que se desvía del estándar de normalidad, ya que las sociedades de clases, como es la nuestra,
están marcadas por la disputa por el poder hegemónico (CARVALHO, 2014). Según Carneiro
y Dall'Acqua (2016, p. 18), el hecho de que la convivencia respetuosa entre todos nunca se haya
constituido en una escuela y realidad social dificulta la inclusión, por lo que "[...] nuestra
historia ha sido escrita hasta ahora por la cultura de dominación de unos sobre otros, siempre
permeada por criterios de pertenencia establecidos arbitrariamente". ¡Esta pintura necesita ser
revertida!
Meletti (2013) aclara que la aproximación/distanciamiento de la norma idealizada
determina cuán aceptado será el individuo, en un contexto sociocultural dado, enfatizando que
los procesos de exclusión son inherentes al sistema capitalista. Desde esta perspectiva, Carvalho
(2014) advierte que, al mirar las prácticas en el aula, sin considerar las influencias e
implicaciones del contexto educativo y social, donde actúan las fuerzas políticas, corremos el
riesgo de analizar superficialmente el escenario educativo:
Aunque disfrazadas, las teorías del capital humano renacen para satisfacer las
necesidades de crecimiento económico de los países regidos por reglas de
mercado, en las que la competitividad se traduce como una ley de los más
fuertes. Estos son considerados así por el mérito de tener los conocimientos
(teóricos y prácticos) que más importan a los intereses del capital
(CARVALHO, 2014, p. 74).
Las influencias del capitalismo se observan en la precariedad de los servicios de salud
esenciales para el desarrollo, como la estimulación temprana (OLIVEIRA, 2018), y se hacen
progresivamente más claras dentro de las instituciones educativas, ya que, especialmente en las
escuelas privadas, el proceso de alfabetización comienza cada vez más temprano, no hay
espacio para el diálogo y los resultados son más importantes que los procesos (CARVALHO,
2013). La preparación para la aprobación en los exámenes se superpone con la constitución del
ciudadano crítico y provisto de valores morales y sociales.
La desigualdad social y la exclusión son características del sistema capitalista y, en este
contexto, Dall'Acqua y Carneiro (2016) exponen que alrededor del 30% de los estudiantes que
ingresan al 1er año de la escuela primaria son desaprobados o abandonan la escuela durante los
primeros tres años, lo que no significa que los demás alcancen niveles satisfactorios de
aprendizaje.
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Si la realidad nacional está lejos de lo deseado, peores son las condiciones de ciertos
estados y municipios, ya que las disparidades en la recaudación de recursos financieros son
significativas. Aunque la Unión, a través del Fondo para el Mantenimiento y Desarrollo de la
Educación Básica (FUNDEB), complementa el presupuesto educativo de los estados que no
pueden pagar los costos mínimos de cada estudiante (BRASIL, 2007), persisten diferencias
económicas regionales, afectando la educación, ya que, según datos del Instituto Nacional de
Estudios e Investigaciones Educativas Anísio Teixeira (INEP), en 2017, las redes públicas con
el Índice de Desarrollo de la Educación Básica (IDEB) más alto en los primeros años de la
escuela primaria se encuentran en las regiones Sur y Sudeste del país: São Paulo con 6,5, Minas
Gerais, Paraná y Santa Catarina con 6,3. En el otro extremo, Sergipe aparece con el peor
resultado (4,3), seguido por Amapá (4,4), Rio Grande do Norte, Pará y Maranhão (estos con
4,5). En los resultados más actuales, referidos al año 2019, los estados con las tasas más altas
siguen siendo los mismos (con la excepción de Ceará – 6,3): São Paulo – 6,5, Paraná – 6,4,
Minas Gerais – 6,3 y Santa Catarina – 6,3, así como aquellos con la tasa más baja también reina:
Sergipe – 4,6, Rio Grande do Norte, Pará y Amapá – 4,7, Maranhão – 4,8. (BRASIL, 2022).
Según Dorziat (2013, p. 998),
[...] la escuela para todos, aunque parece realizarse con la apertura de sus
puertas para recibir a los excluidos, supuestamente atendiendo a ideales
progresistas, tiende dentro, a seguir cumpliendo su papel de mantenedor del
sistema establecido, inaugurando así una nueva y paradójica forma de
exclusión.
Desde esta perspectiva, la investigación advierte que los logros públicos de la educación
especial se ubican mucho más en la esfera jurídica que en las prácticas educativas/sociales
(LEONARDO; BRAY; ROSSATO, 2009; MORGADO; FISCARELLI, 2016). Las escuelas no
pueden negarse a inscribir a estos estudiantes, sin embargo, la garantía de acceso no siempre va
acompañada de oportunidades de aprendizaje y éxito académico, debido a la falta de atención
a sus necesidades (SANTOS, 2011). Así, existe una distancia entre lo proclamado oficialmente
y el realizado en el contexto escolar, un espacio marcado por la incongruencia, ya que alberga
tanto conciencia como discriminación (MATOS; MENDES, 2015).
En esta línea, Carvalho (2014, 2016) aclara que la educación inclusiva depende de
acciones que vayan más allá del entorno escolar, involucrando aspectos sociales (salud,
alimentación, transporte), que deben ir acompañados de la reducción de los niveles de injusticia
y desigualdad. Además, cree en los beneficios de integrar los programas educativos con los de
otros sectores.
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Bárbara Amaral MARTINS y Miguel Claudio Moriel CHACON
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Con respecto a lo que es específicamente la escuela, el autor destaca la importancia de
crear culturas inclusivas basadas en la democracia y valorar la diversidad; elaboración de
proyectos político-pedagógicos basados en concepciones inclusivas, para que busquen formas
de hacer que todos aprendan, protegiendo sus individualidades; desarrollo de actividades
pedagógicas que partan de los conocimientos y experiencias de los estudiantes y fomenten la
participación.
Se enfatiza que tanto la prevención como la eliminación de barreras a la participación y
el aprendizaje constituyen una responsabilidad de todos los involucrados: docentes, estudiantes,
empleados, gerentes y familiares, en colaboración, no siendo justos ni correctos, culpando
exclusivamente al profesorado (CARVALHO, 2016).
En relación con las barreras al aprendizaje, específicamente, las adaptaciones
curriculares tienden a representar estrategias importantes para superar los obstáculos. Carvalho
(2014, p. 103) define las adaptaciones curriculares como "[...] cambios realizados
espontáneamente por los profesores y también en todas las estrategias que se organizan
intencionalmente para responder a las necesidades de cada estudiante, particularmente aquellos
que tienen dificultades de aprendizaje". Dichas adaptaciones no corresponden a la elaboración
de un currículo aparte, sino a la realización de ajustes en el currículo disponible para la clase,
pudiendo incluir cambios en objetivos, contenidos, metodologías, temporalidad y evaluación.
Sin embargo, Fonseca, Capellini y Lopes Júnior (2010) aclaran que se malinterpretó el concepto
de adaptación curricular, provocando la sustitución completa del currículo común por la
elaboración de un Plan De Enseñanza Individualizado (PEI), a fin de establecer lo que el
estudiante debe aprender durante el año escolar. Con miras a una adecuación terminológica,
surgió el concepto de flexibilidad curricular, es decir, lo maleable, carente de rigidez. Los
autores dilucidan que existe una distinción entre adaptación y flexibilidad curricular, porque la
primera está reservada solo para estudiantes que demandan apoyo generalizado y no se
benefician del currículo común, debido a limitaciones derivadas de la discapacidad, mientras
que la segunda es apropiada para cualquier estudiante, sea o no público de Educación Especial.
Así, Carvalho (2016) destaca la importancia de la flexibilidad curricular como estrategia
para asegurar un aprendizaje enriquecedor y significativo, basado en la posibilidad de
desarrollar el potencial de cada uno. De hecho, la flexibilidad curricular es importante, porque
permite cubrir las diferencias individuales de los estudiantes, para que la escuela pueda
reorganizarse a favor de las necesidades presentadas (MAGALHÃES; CARDOSO, 2011).
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Considerando que la inclusión escolar requiere no solo la presencia, sino la participación
y el aprendizaje de los estudiantes de educación especial en contextos regulares. Esta
investigación tiene como objetivo describir y analizar situaciones en el aula en las que la
inclusión escolar no ocurre realmente.
Procedimientos metodológicos
Esta investigación se llevó a cabo en seis escuelas públicas ubicadas en las ciudades de
Corumbá (tres municipales y una estatal) y Ladário (dos municipales), en el interior del estado
de Mato Grosso do Sul.
Los participantes fueron docentes y estudiantes de la escuela primaria I clases atendidas
por estudiantes con altas habilidades/superdotados (AH/SD) o discapacidad intelectual (DI),
localizados a partir de relaciones provistas por los departamentos de educación y aquellos,
identificados durante un proceso realizado en la escuela estatal de Corumbá (MARTINS;
CHACÓN, 2022).
En la investigación participaron 16 docentes y 22 estudiantes públicos de educación
especial que dieron su consentimiento a la participación y cuyos padres expresaron su
consentimiento a través de la firma del Formulario de Consentimiento Libre e Informado, así
como los docentes (Certificado de Presentación de Apreciación Ética - CAAE n.
47297315.9.0000.5406).
Los datos se recogieron a través de la filmación en el aula, se programaron de antemano
y se realizaron a través de dos videocámaras digitales de alta resolución. En total, hubo 19
sesiones de rodaje, que totalizaron 13h57m de grabación.
4
Las grabaciones del par de cámaras se unieron y editaron con la ayuda
del software
Movie Maker,
cuando se seleccionaron los episodios más significativos de cada película, en
vista del objetivo de la investigación. En esta fase, cada película se sintetizó en
aproximadamente 15 minutos y se produjo el sometimiento al análisis de cuatro jueces con base
en el Protocolo de Observación de Situaciones Educativas Inclusivas (MARTINS; CHACÓN,
2021). Los jueces tenían un grado mínimo de Maestría en Educación y desarrollaron
investigaciones en el área de Educación Especial.
4
Como era inevitable que otros alumnos, además de los enfocados en el estudio, aparecieran en las grabaciones,
fue necesario solicitar autorización para los responsables de todas las clases. En el caso de los permisos no
concedidos, dichos estudiantes fueron reposicionados en la sala para no ser capturados por el enfoque de las
cámaras.
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Durante el proceso de análisis de datos, las respuestas de los jueces se sistematizaron en
función del número de indicaciones recibidas en cada ítem del protocolo, cuyas opciones
fueron: sí, no y no aplica, que se convirtieron en puntajes. Cuando al menos tres jueces
coincidieron en la sentencia de un ítem determinado, representando una tasa de acuerdo del
75%, se aceptó la clasificación asignada. Si había empate, se consultaba el análisis realizado
por la propia investigadora antes de la presentación a los jueces para la toma de decisiones. Una
vez finalizada la síntesis entre la evaluación de los jueces, cada protocolo pudo presentar una
puntuación total entre -26 y 26, de manera que se consideró inclusiva la filmación en la que la
totalización fue positiva y no inclusiva, aquellas cuyo total fue inferior a 1. Esta clasificación
fue confirmada por el análisis cualitativo de cada situación educativa registrada.
Resultados
Entre las 19 filmaciones en 16 aulas diferentes, 15 retrataron situaciones educativas
consideradas inclusivas; mientras que cuatro no cumplieron con los principios de inclusión
escolar y estos son los que nos detendremos. Los episodios que exhiben situaciones didácticas
analizadas como no inclusivas se describen sintéticamente en el Gráfico 1.
Cuadro 1 -
Resumen de los episodios cuyas actividades registradas se consideraron no
inclusivas
Clase:
4º año
Estudiante público de Educación Especial: Estudiante
con Síndrome de Down y estudiante con DNI.
Actividad(es) desarrollada(s):
Pintura.
Agrupación:
Los estudiantes se ponen en cola en portafolios individuales.
Descripción:
Los estudiantes de Educación Especial van por ahí y pintan con tinta la bandera de Brasil, mientras
que los demás hacen actividades sobre la pirámide alimentaria en el libro de ciencias, que implican lectura
silenciosa y dibujo.
El estudiante con síndrome de Down come su merienda en el aula durante la clase.
Puntuación:
-
12
Clase:
2º año
Estudiante Público de Educación Espec
ial:
Dos estudiantes con DI
Actividad(es) desarrollada (s
): Pegar palillos de dientes
Agrupación
: La clase está alineada, en portafolios individuales, y los estudiantes con identificación están en la
misma mesa, junto con el asistente de clase.
Descripción:
Mientras la clase ejercita la adición en un juego de suma antigua, los estudiantes con DI pegan
cerillas en un libro de dibujo, de acuerdo con los números indicados en el cuaderno y con la ayuda del ayudante
de clase.
Puntuación:
-
5
Clase
:
3er año
Estudiante Público de Educación Especial:
Un estudiante con identificación.
Actividad(es) desarrollada(s): Estudio
del género textual Poema.
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Agrupación:
Grupos de cuatro alumnos.
Descripción:
Se realizó una lectura colectiva del poema
escrito en la pizarra, seguida de la lectura realizada por
el profesor. Cada dos estudiantes recibieron un formulario con palabras y frases del texto para que circularan a
medida que se dibujaban. El estudiante con DI solo vio a su colega hacer la actividad. Luego recibieron una
hoja con ejercicios para llenar vacíos, enumerar los versos y hacer circular las estrofas del poema trabajado. El
estudiante con DI copió las respuestas del colega a su lado.
En el transcurso de la clase, a veces, el estudiante se balanceaba en la silla, silbaba, miraba por la
ventana y llamaba a sus compañeros de clase, pareciendo estar aburrido.
Valoración:
-
4
Clase:
4º año
Estudiante Público de Educación Especial:
Dos estudiantes con indicadores AH/SD
Actividad(es) desarrol
lada (s
): Resolución de problemas matemáticos
Agrupación:
Carteras individuales en cola
Descripción:
Todos los estudiantes copian y resuelven dos problemas matemáticos que implican restar cientos
y multiplicar el valor monetario con números decimales. Uno de los estudiantes con indicadores AH / SD está
invitado a resolver uno de los problemas en la pizarra. Las actividades propuestas no alcanzan los conocimientos
y habilidades de los estudiantes con indicadores AH / SD.
Puntuación:
-
7
Fuente: Elaboración propia
La exclusión de los alumnos con DI en las clases de 4º y 2º de Primaria es clara, ya que
reciben propuestas de actividades totalmente alejadas de lo que hacen el resto de los alumnos
del aula. En la clase de 2º año, incluso, los alumnos con discapacidad están bajo la
responsabilidad de un auxiliar de aula, contratado como pasante, que prepara y realiza las
actividades desarrolladas. De hecho, estos alumnos están incluidos en el mismo espacio físico
que otros niños sin necesidades educativas especiales (NEE), pero están excluidos de las
dinámicas pedagógicas preparadas para sus compañeros. Así, lo que se observa es simplemente
la inserción espacial de estudiantes con DI, representando lo que Carvalho (2014) llama como
exclusión en la inclusión
. Para Effgen y Almeida (2012, p. 31), cuando el docente proporciona
currículos menos enriquecidos al público de Educación Especial, lo coloca al margen del
proceso educativo, caracterizando "[...] una exclusión producida dentro del propio proceso de
inclusión", lo que no favorece la garantía del derecho de todos al conocimiento. Detrás de esta
exclusión velada está el descrédito en el potencial del estudiante y la opinión de que él / ella
tiene suficiente para vivir con los otros miembros del grupo, sin la preocupación de
proporcionar el apoyo necesario para su desarrollo (ALBUQUERQUE; MACHADO, 2011).
En esta lógica, corresponde al docente tener el tacto adecuado para reconocer las diferencias,
sin transformarlas en soportes de desigualdad (VIEIRA; RAMOS, 2012), lo que requiere una
aceptación real de la inclusión de este estudiante, acompañada de la comprensión de que el
desarrollo está relacionado con las oportunidades disponibles. Desde la perspectiva de
Magallanes (2011), es fundamental que el docente sea llevado a cuestionar sus concepciones y
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analizar los sentimientos que despiertan en la interacción con los alumnos que constituyen el
público de Educación Especial, con el fin de deconstruir prejuicios e imágenes estereotipadas.
Vale la pena señalar que las actividades ofrecidas a los estudiantes con DI de la clase de
4to grado no parecen estar enfocadas en objetivos de aprendizaje, sino en el llenado del tiempo,
ya que no hubo contextualización para el contorno y la pintura de la bandera brasileña. La
realización de actividades de este tipo (pintura, dibujo, collage), a menudo improvisadas, está
ligada a la representación del alumno como alguien incapaz de aprender (ALBUQUERQUE;
MACHADO, 2011). La descontextualización de las actividades ofrecidas a los estudiantes con
discapacidad también fue observada por Effgen (2012). Del mismo modo, se destaca el hecho
de que el alumno con síndrome de Down come su merienda en el aula, mientras que los demás
realizan sus tareas, algo similar al relatado por Carvalho (2013) respecto al caso del niño
Bernardo, quien, en uno de los colegios por donde pasó, fue infantilizado y no reconocido como
alumno por profesores y compañeros.
Los autores advierten que la propuesta inclusiva ha sido interpretada con algunos
conceptos erróneos y entre ellos tenemos la confusión de inclusión con inserción espacial y el
privilegio de los aspectos interpersonales, que apuntan solo a la socialización, en detrimento
del aprendizaje (CARVALHO; 2016). Tal punto de vista se toma como un reduccionista,
porque "[...] insertar a estos aprendices en escuelas ordinarias como 'extras', además de ser
injusto, no corresponde a lo que se propone en el paradigma de la educación inclusiva y,
asimismo, no contribuiremos a su desarrollo integral" (CARVALHO, 2016, p. 114, grifo del
autor).
En la sala de 3er grado, la propuesta es que el alumno con DI realice los mismos
ejercicios que sus compañeros, sin embargo, el profesor no lo guía individualmente y la
organización en grupos, en este caso, no favorece el aprendizaje, pues, a pesar de la proximidad
física, no hubo interacción sobre la realización de las tareas, solo la copia de respuestas,
dirección contraria a la propuesta inclusiva, porque, desde esta perspectiva, el trabajo educativo
debe centrarse en el aprendizaje y, así, el alumno ya no es concebido como "[...] una mera
copiadora y memorizadora de información que recibes en el aula, o que extraes de los libros"
(CARVALHO, 2014, p. 121).
Según Oliveira (2018), la escuela ha demostrado dificultades en la inclusión de
estudiantes con discapacidad intelectual, que van desde la identificación hasta la conducción
del proceso de enseñanza-aprendizaje.
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En la sala de 4º grado a la que asisten los estudiantes con indicadores AH / SD, sus
potenciales se ignoran al desarrollar actividades que no alcanzan sus conocimientos y
habilidades. En esta perspectiva, Cruz (2014) destaca la invisibilidad de los estudiantes con
AH/SD, al examinar las concepciones de los docentes de Educación Especial y su impacto en
la identificación de este estudiante. Sin embargo, enfatizamos que, además de identificar, los
docentes deben ser conscientes de la necesidad de intervenir frente a la diversidad, de lo
contrario el etiquetado no extingue la "invisibilidad". Como estrategias de intervención, se
sugiere: solicitar tareas más elaboradas que las de los colegas; pedir más análisis y resolución
de problemas durante las actividades de clase; fomentar la interacción con los colegas;
proporcionar recursos materiales o permitirles realizar actividades paralelas de interés para
llenar el tiempo de inactividad; ellos sobre los aspectos en los que pueden mejorar, etc. Parece
claro que estas medidas apuntan al desarrollo de habilidades, pero incluso deben cuidar los
aspectos sociales y emocionales de estos estudiantes (MENDONÇA; MENCÍA; CAPELLINI,
2015; SÁNCHEZ ANEAS, 2013).
Todos los estudiantes necesitan tener libertad para expresar sus conocimientos, dudas y
opiniones, así como las condiciones para realizar actividades dirigidas a su aprendizaje y
desarrollo. Según Magallanes (2011), esto requiere que el maestro sea capaz de establecer
relaciones afectivas y empáticas, superando visiones que inferiorizan e irrespetan las
singularidades de cada uno.
Dado lo anterior, Carvalho (2016) señala que la exclusión no siempre es tan claramente
visible como la separación física, porque, a menudo, puede asumir formas simbólicas, que
pueden ser responsables de las formas visibles. En este sentido, el autor también señala la
perversidad de la negación de la diferencia/necesidad, algo que es común, especialmente, con
respecto a los estudiantes con AH/SD.
La observación y registro de este tipo de situaciones no inclusivas nos lleva a reflexionar
y plantear preocupaciones sobre las prácticas en la formación del profesorado. Como
componente curricular obligatorio de la formación inicial docente, la pasantía tiene como
objetivo proporcionar experiencias y elementos para la reflexión sobre el desempeño
pedagógico y para la construcción de la identidad profesional, a través de la interacción del
futuro docente con profesionales, estudiantes y prácticas allí (LIMA, 2009). Cuando se enfrenta
a situaciones en las que el estudiante con NEE es excluido, descuidado o tiene sus habilidades
depreciadas, el aprendiz puede convertirse en un creyente en la inclusión escolar y desarrollar
una baja autoeficacia para educar en la diversidad. Es desde esta perspectiva que Sharma y
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Sokal (2015) advierten sobre los riesgos de las pasantías con maestros cuyas prácticas no son
efectivamente inclusivas. De hecho, se destaca que los resultados de la investigación realizada
por estos autores revelaron que los participantes de un curso de 30 horas, con práctica en el aula
inclusiva, tenían sus actitudes hacia la inclusión en desventaja después de la capacitación.
Más que la creación y aplicación de técnicas y metodologías innovadoras, la educación
inclusiva es un compromiso ético y político que asume la escuela, dado el derecho a la
educación que tiene todo niño. Este compromiso justifica y orienta la reformulación de las
prácticas pedagógicas, que tienen como objetivo el aprendizaje y el desarrollo de los estudiantes
(CARVALHO, 2013).
En este sentido, es necesario construir un nuevo paradigma escolar, para que pueda
basarse en los pilares de la democracia, la justicia y la ciudadanía (CARNEIRO;
DALL'ACQUA, 2016). Para ello, es necesario que las políticas educativas inclusivas sean el
resultado de debates con la sociedad y consideren los contextos reales, con sus puntos
favorables y desfavorables, acompañados de los recursos necesarios para que se implementen,
porque "[...] es la educación la que permite al hombre asimilar la experiencia históricamente
acumulada y culturalmente organizada" (CARVALHO, 2014, p. 101).
Por lo tanto, el entorno
escolar juega un papel importante en la formación de la autonomía ciudadana, basada en los
conocimientos y habilidades que desarrolla (ROSIN-PINOLA; DEL PRETTE, 2014), y debe
proporcionar interacción con el conocimiento y apropiación cultural, científica y tecnológica de lo
que la humanidad ha construido.
Es necesario asegurar condiciones para que todos puedan participar en las actividades
educativas, abarcando ajustes curriculares y flexibilidades siempre que las necesidades del
estudiante así lo requieran (ROSIN-PINOLA; DEL PRETTE, 2014). Además de las necesarias
diferenciaciones y el uso de recursos y estrategias que aseguren la adquisición de conocimientos,
Effgen y Almeida (2012) llaman la atención sobre el propio currículo, advirtiendo que, cuando la
selección de contenidos no está problematizada y basada en la intencionalidad, puede desencadenar
procesos excluyentes.
Afortunadamente, las situaciones no inclusivas son minoritarias en todas las filmaciones
realizadas, sin embargo, deben ser inexistentes, sobre todo porque las grabaciones fueron
programadas previamente, lo que tiende a generar una cierta preparación especial en relación con
el entorno y las actividades propuestas. Esto nos lleva a reflexionar sobre la formación de estos
maestros. ¿Cuál es el concepto de inclusión escolar que se encuentra bajo sus prácticas? ¿Qué
conocimientos tienes sobre la flexibilidad curricular? ¿Cómo capacitaron (y dieron) estos
educadores la capacitación en relación con el público de educación especial? La ausencia de
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¿Estar presente es estar incluido? Análisis de situaciones en las que la inclusión escolar no se produce
RIAEE
– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1342-1358, jun. 2022. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.2.17001
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respuestas a tales preguntas revela una limitación de esta investigación, así como implicaciones
para futuras investigaciones.
La presencia de estudios teóricos y prácticos sobre el público de Educación Especial, tanto
en educación inicial como continua, es fundamental. A esto se suma la necesidad de recursos
humanos y materiales que permitan la construcción de prácticas verdaderamente inclusivas y
colaborativas, comprometidas con la justicia social y cuyo objetivo principal sea el máximo
desarrollo de cada alumno, basado en el reconocimiento y respeto a sus singularidades.
Consideraciones finales
Asumiendo el objetivo de describir y analizar situaciones de aula en las que la inclusión
escolar no ocurre realmente, filmamos en escuelas públicas del interior del estado de Mato
Grosso do Sul e identificamos cuatro situaciones de aula en las que los estudiantes públicos de
Educación Especial no recibieron el apoyo y los estímulos necesarios para las respuestas
educativas correctas en vista de sus peculiaridades. Tales situaciones estuvieron marcadas por
la ausencia de atención individualizada por parte de los docentes, flexibilidad curricular y
desafíos para el aprendizaje adecuados al nivel de desarrollo de estos estudiantes, sin perder la
relación con el trabajo desarrollado por el grupo que compone la clase.
Es fundamental explicar que la presencia del investigador y de las cámaras en el aula
altera inevitablemente la naturalidad de las situaciones didácticas. La experiencia cotidiana
puede desentrañar escenarios aún más exclusivos, ya sea en número o en intensidad de prácticas
no inclusivas, pero no se puede culpar al docente, porque en cambio es víctima de un sistema
social competitivo, meritocrático, desigual e injusto.
Es urgente revertir esta realidad educativa en favor de la socialización equitativa del
conocimiento históricamente acumulado y la formación de la autonomía ciudadana, que
requiere conocimientos (técnicos, disciplinarios, políticos y teóricos), compromiso social y
criticidad por parte de los docentes, así como inversiones financieras, orientación y monitoreo
constantes por parte de los sistemas educativos.
AGRADECIMIENTOS
: Este estudio se realizó con el apoyo de la Universidad Federal de
Mato Grosso do Sul (UFMS) y la Coordinación para el Perfeccionamiento del Personal de
Educación Superior (CAPES).
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Bárbara Amaral MARTINS y Miguel Claudio Moriel CHACON
RIAEE
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Cómo hacer referencia a este artículo
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situaciones en las que la inclusión escolar no se produce.
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Estudos em Educação
, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1342-1358, jun. 2022. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.2.17001
Enviado en
: 04/01/2022
Revisiones requeridas
: 17/03/2022
Aprobado en
: 21/04/2022
Publicado en
: 30/06/2022
Procesamiento y edición: Editora Ibero-Americana de Educação.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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Being present is being included? Analysis of situations in which school inclusion does not happen
RIAEE
– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1332-1348, June 2022. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.2.17001
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BEING PRESENT IS BEING INCLUDED? ANALYSIS OF SITUATIONS IN WHICH
SCHOOL INCLUSION DOES NOT HAPPEN
1
ESTAR PRESENTE É ESTAR INCLUÍDO? ANÁLISE DE SITUAÇÕES EM QUE A
INCLUSÃO ESCOLAR NÃO ACONTECE
¿ESTAR PRESENTE ES ESTAR INCLUIDO? ANÁLISIS DE SITUACIONES EN LAS
QUE LA INCLUSIÓN ESCOLAR NO SE PRODUCE
Bárbara Amaral MARTINS
2
Miguel Claudio Moriel CHACON
3
ABSTRACT
: Public students in Special Education should preferably attend regular schools.
Despite advances in terms of legislation and enrollment, school inclusion does not always
truly happen inside school institutions. Therefore, we aimed to describe and analyze
classroom situations in which school inclusion does not really happen. The participants were
16 teachers and 22 public students from Special Education enrolled in public schools in
Corumbá and Ladário, Mato Grosso do Sul. The data was collected through filming and
analyzed using the Protocol for Observation of Inclusive Educational Situations. Four
classroom situations were considered not inclusive and revealed a lack of individualized
attention from teachers to public students of Special Education, lack of curricular flexibility,
offering activities unrelated to the work developed by other students and lack of pedagogical
responses consistent with the level of development of these students.
KEYWORDS
: Special education. School inclusion. Educational exclusion. Target audience
for special education.
RESUMO
: Estudantes público da Educação Especial devem frequentar, preferencialmente,
escolas regulares de ensino. Apesar dos avanços em termos legislativos e de matrículas, nem
sempre a inclusão escolar acontece, verdadeiramente, no interior das instituições escolares.
Por isso, objetivamos descrever e analisar situações de sala de aula em que a inclusão
escolar não acontece de fato. Participaram 16 professoras e 22 alunos público da Educação
Especial matriculados em escolas públicas de Corumbá e Ladário em Mato Grosso do Sul.
Os dados foram coletados por meio de filmagens e analisados a partir do Protocolo de
Observação de Situações Educacionais Inclusivas. Quatro situações de sala de aula foram
consideradas não inclusivas e revelaram a falta de atenção individualizada das professoras
aos estudantes público da Educação Especial, ausência de flexibilização curricular,
1
The present article is the result of the first author's doctoral research.
2
Federal University of Mato Grosso do Sul (UFMS), Corumbá – MS – Brazil. Adjunct Professor in the
Pedagogy course and in the Graduate Program in Education. PhD in Education (UNESP). ORCID:
https://orcid.org/0000-0003-4278-1661. E-mail: barbara.martins@ufms.br
3
São Paulo State University (UNESP), Marília – SP – Brazil. Professor at the Department of Special Education
and at the Graduate Program in Education. PhD in Brazilian Education (UNESP). ORCID:
https://orcid.org/0000-0002-6473-8958. E-mail: miguelchacon@marilia.unesp.br
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Bárbara Amaral MARTINS and Miguel Claudio Moriel CHACON
RIAEE
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oferecimento de atividades desvinculadas do trabalho desenvolvido pelos demais alunos e
falta de respostas pedagógicas condizentes com o nível de desenvolvimento desses discentes.
PALAVRAS-CHAVE
: Educação especial. Inclusão escolar. Exclusão educacional. Público-
alvo da educação especial.
RESUMEN
: Los estudiantes públicos de Educación Especial deben asistir preferentemente a
las escuelas regulares. A pesar de los avances legislativos y de matrícula, la inclusión escolar
no siempre ocurre dentro de las instituciones escolares. Por lo tanto, nuestro objetivo es
describir y analizar situaciones en el aula en las que la inclusión escolar no ocurre
realmente. Los participantes fueron 16 maestros y 22 estudiantes públicos de Educación
Especial matriculados en escuelas públicas de Corumbá y Ladário en Mato Grosso do Sul.
Los datos fueron recolectados a través de filmaciones y analizados del Protocolo de
Observación para Situaciones Educativas Inclusivas. Cuatro situaciones de aula se
consideraron no inclusivas y revelaron la falta de atención individualizada de los docentes a
los estudiantes públicos de Educación Especial, la ausencia de flexibilidad curricular, la
oferta de actividades no relacionadas con el trabajo desarrollado por los otros estudiantes y
la falta de respuestas pedagógicas consistentes con el nivel de desarrollo de estos
estudiantes.
PALABRAS CLAVE
: Educación especial. Inclusión escolar. Exclusión educativa. Público
objetivo de la educación especial.
Introduction
Inclusive education is not an end in itself, as it is part of a broad project that aims at
the social inclusion of those who, historically, have been on the margins of rights and full
citizen participation. However, this text focuses on the school inclusion of a specific public,
composed of those who are the target of Special Education: students with disabilities, autistic
spectrum disorder (ASD), and high abilities/super ability (HS/SD).
The paradigm of inclusion established the need for reconstruction of the school in
structural, organizational and relational aspects, but, because specialized schools have long
been understood as the only place where the needs of students with atypical development
could be met, a prejudice was cultivated about the conditions of development and learning of
these students in the regular education system (MAGALHÃES; CARDOSO, 2011).
According to Carvalho (2014, p. 100), "[...] the inclusive proposal has caused a real identity
crisis in the school, leading it to resignify its role, its beliefs, policies and pedagogical
practices." Such resignification is necessary, insofar as it is not enough to undertake
adaptations in physical structures and acquire materials. It is necessary to review beliefs and
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Being present is being included? Analysis of situations in which school inclusion does not happen
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– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1332-1348, June 2022. e-ISSN: 1982-5587
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transform conceptions related to diversity, the function of the school, the teaching-learning
process, the curriculum, school management, etc. (SANTOS, 2011).
In fact, schools seek to follow the principles and guidelines established by the
educational system, without all of them having the necessary financial, technical and material
apparatus (CARVALHO, 2014), so that all children and adolescents can attend these spaces
and learn together. Consequently,
[...]We still live with high levels of exclusion, translated, among other
indicators, by students who never entered school, age/grade gaps, school
dropouts, acceleration strategies adopted to compensate for failures and to
avoid grade repetition, low quality of educational responses in schools,
unsatisfactory working conditions for educators, their initial and continuing
training, the nature of school management, among many others
(CARVALHO, 2016, p. 59).
From this perspective, we cannot take as successful the supposedly inclusive situations
in which students with disabilities, ASD or HS/SD are isolated or forgotten in the classroom,
neglected, underestimated, overprotected or infantilized, relegated to caregivers, assistants or
interpreters of Brazilian Sign Language (LIBRAS), etc., because such actions, instead of
boosting the development - as expected from the school - end up weakening it, to the extent
that the fact of simply inserting the student in the physical space of regular education is not
enough for learning to occur, nor for interactions conducive to development to take place
(MATOS; MENDES, 2015; SANTOS, 2021).
It is not a matter, therefore, of physically inserting this or that student in this
or that regular education class. One must consider the risk of exposing this
person to a situation similar to that experienced in segregated spaces, with
the difference that they are present in the physical space of regular
classrooms without being truly integrated in them (CARVALHO, 2014, p.
97).
However, it is worth remembering that school education is not neutral and, along with
the knowledge it socializes, disseminates the values it legitimizes, and may act in favor of
social transformation or not. This requires us to assume that education is a political act that
takes place under several variables and contributes to change or to preserve society. In this
process, education professionals share the important responsibility for the formation of
conscious and participatory citizens (CARVALHO, 2014).
The denial of its political character, which is associated with the conceptions that
support the pedagogical work and determine the purposes of the school, imposes the risk that
the practices adopted and the official speeches become contradictory, even because Brazilian
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Bárbara Amaral MARTINS and Miguel Claudio Moriel CHACON
RIAEE
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education has its history marked by exclusion and elitism, traits that are not yet completely
overcome, resulting in a stereotype of ideal student that does not contemplate the one who
departs from the standard of normality, since class societies, such as ours, are marked by the
dispute for hegemonic power (CARVALHO, 2014). According to Carneiro and Dall'Acqua
(2016, p. 18), the fact that respectful coexistence among all has never been constituted in a
school and social reality hinders the effectiveness of inclusion, so that "[...] our history was
written so far by the culture of domination of some over others, always permeated by
arbitrarily established criteria of belonging. This situation needs to be reversed!
Meletti (2013) clarifies that the approximation/distancing from the idealized norm
determines how accepted the individual will be in a given sociocultural context, pointing out
that the exclusion processes are inherent to the capitalist system. From this perspective,
Carvalho (2014) warns that when we look at classroom practices, without considering the
influences and implications of the educational and social context, where political forces act,
we run the risk of analyzing the educational scenario superficially:
Although in disguise, the theories of human capital are reborn to meet the
needs of economic growth in countries governed by the rules of the market,
in which competitiveness is translated as the law of the strongest. The latter
are thus considered by the merit of having the knowledge (theoretical and
practical) that matters most to the interests of capital (CARVALHO, 2014, p.
74).
The influences of capitalism are observed in the precariousness of health services
essential for development, such as early stimulation (OLIVEIRA, 2018), and become
progressively clearer within educational institutions, to the extent that, especially in private
schools, the literacy process begins earlier and earlier, there is no room for dialogue, and the
results are more important than the processes (CARVALHO, 2013). The preparation for
passing exams takes precedence over the formation of critical citizens with moral and social
values.
Social inequality and exclusion are characteristics of the capitalist system and, in this
context, Dall'Acqua and Carneiro (2016) expose that about 30% of students who enter the 1st
year of elementary school fail or drop out during the first three years, which does not mean
that the others reach satisfactory levels of learning.
If the national reality is far from what is desired, the conditions of certain states and
municipalities are worse, since the disparities in the collection of financial resources are
significant. Although the Union, through the Fund for Maintenance and Development of
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Being present is being included? Analysis of situations in which school inclusion does not happen
RIAEE
– Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 2, p. 1332-1348, June 2022. e-ISSN: 1982-5587
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Basic Education (FUNDEB), supplements the educational budget of the states that cannot
afford the minimum costs for each student ( BRAZIL, 2007), regional economic differences
persist, affecting education, since, according to data from the National Institute for
Educational Studies and Research Anísio Teixeira (INEP), in 2017, the public networks with
the highest Basic Education Development Index (IDEB) in the early years of elementary
education are located in the South and Southeast regions of the country: São Paulo with 6.5,
Minas Gerais, Paraná, and Santa Catarina with 6.3. At the other extreme, Sergipe has the
worst result (4.3), followed by Amapá (4.4), Rio Grande do Norte, Pará and Maranhão (the
latter with 4.5). In the most current results, referring to the year 2019, the states with the
highest indexes remain the same (with the exception of Ceará - 6.3): São Paulo - 6.5, Paraná -
6.4, Minas Gerais - 6.3 and Santa Catarina - 6.3, as well as those with the lowest index also
recur: Sergipe - 4.6, Rio Grande do Norte, Pará and Amapá - 4.7, Maranhão - 4.8. (BRAZIL,
2022).
According to Dorziat (2013, p. 998),
[...]the school for all, although it seems to be concretized by opening its
doors to receive the excluded, supposedly attending to progressive ideals,
tends inside to continue fulfilling its role of maintaining the established
system, thus inaugurating a new and paradoxical form of exclusion.
From this perspective, research shows that the achievements aimed at the public of
special education are located much more in the legal sphere than in educational/social
practices (LEONARDO; BRAY; ROSSATO, 2009; MORGADO; FISCARELLI, 2016).
Schools cannot refuse the enrollment of these students, however, the guarantee of access is
not always accompanied by opportunities for learning and academic success, due to the lack
of attention to their needs (SANTOS, 2011). Thus, there is a gap between what is officially
proclaimed and what happens in the school context, a space marked by incongruence, since it
harbors both awareness and discrimination (MATOS; MENDES, 2015).
In this line, Carvalho (2014, 2016) clarifies that inclusive education depends on
actions that go beyond the school environment, involving social aspects (health, food,
transportation), which must be accompanied by the reduction of levels of injustice and
inequality. In addition, he believes in the benefits of integration between educational
programs with those of other sectors.
Regarding what is specifically school, the author emphasizes the importance of
creating inclusive cultures based on democracy and appreciation of diversity; development of
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political-pedagogical projects based on inclusive concepts, in order to seek ways to make
everyone learn, safeguarding their individualities; development of educational activities that
start from the knowledge and experiences of students and encourage participation.
It should be noted that both the prevention and removal of barriers to participation and
learning are a responsibility of all involved: teachers, students, employees, managers and
family members, in collaboration, and it is not fair or right to blame only the faculty
(CARVALHO, 2016).
Regarding the barriers to learning, specifically, curricular adaptations tend to represent
important strategies for overcoming obstacles. Carvalho (2014, p. 103) defines curricular
adaptations as "[...] modifications spontaneously made by teachers and, also, in all strategies
that are intentionally organized to provide answers to the needs of each student, particularly
those with difficulties in learning." Such adaptations do not correspond to the elaboration of a
separate curriculum, but in making adjustments to the curriculum available to the class, and
may comprise changes in objectives, content, methodologies, temporality, and assessment.
However, Fonseca, Capellini and Lopes Júnior (2010) clarify that the concept of curricular
adaptation has been misunderstood, leading to the complete replacement of the common
curriculum by the preparation of an Individualized Teaching Plan (IEP), in order to establish
what the student should learn during the school year. In order to adapt the terminology, the
concept of curricular flexibility emerged, meaning that which is malleable, devoid of rigidity.
The authors clarify that there is a distinction between adaptation and curricular flexibility,
since the first is reserved only for students who require generalized support and do not benefit
from the common curriculum, due to limitations arising from disability, while the second is
applicable to any student, whether or not he or she is a public of Special Education.
Assim, Carvalho (2016) destaca a importância da flexibilização curricular como
estratégia de garantir aprendizagens enriquecedoras e significativas, pautadas na possibilidade
de desenvolvimento das potencialidades de cada um. Com efeito, a flexibilização curricular é
importante, porque permite abarcar as diferenças individuais dos discentes, de maneira que a
escola possa se reorganizar em favor das necessidades apresentadas (MAGALHÃES;
CARDOSO, 2011).
Given that school inclusion requires not only the presence, but the participation and
learning of Special Education students in regular settings. This research aims to describe and
analyze classroom situations in which school inclusion does not really happen.
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Being present is being included? Analysis of situations in which school inclusion does not happen
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Methodological Procedures
This research was conducted in six public schools located in the cities of Corumbá
(three municipal and one state school) and Ladário (two municipal schools), in the interior of
the state of Mato Grosso do Sul.
Teachers and students from elementary school classes attended by students with high
abilities/super abilities (AH/SD) or intellectual disabilities (ID) participated. The latter were
located based on reports provided by the education secretariats and the latter were identified
during a process conducted in the state school of Corumbá (MARTINS; CHACON, 2022).
The research involved 16 teachers and 22 public special education students who gave
their consent to participate and whose parents expressed their consent by signing the Informed
Consent Form, as did the teachers (Certificate of Ethical Appraisal - CAAE
n.47297315.9.0000.5406).
The data were collected by means of filming in the classroom, scheduled in advance
and performed using two high-resolution digital camcorders. In all, there were 19 filming
sessions, totaling 13h57m of recording
4
.
The recordings from the camera duo were merged and edited with the MovieMaker
software, when the most significant episodes of each footage were selected, taking into
account the research objective. In this phase, each footage was synthesized in approximately
15 minutes and submitted to the analysis of four judges based on the Protocol for Observation
of Inclusive Educational Situations (MARTINS; CHACON, 2021). The judges had at least a
Master's degree in Education and developed research in the field of Special Education.
During the data analysis process, the judges' answers were systematized based on the
number of indications received in each item of the protocol, whose options were: yes, no, and
not applicable, which were converted into scores. When at least three judges coincided in the
judgment of a certain item, representing a 75% agreement rate, the attributed classification
was accepted. If there was a tie, we consulted the analysis made by the researcher herself
before submitting it to the judges for decision making. Once the synthesis between the judges'
evaluations was concluded, each protocol could present a total score between -26 and 26, so
that the films in which the total score was positive were considered inclusive, and non-
4
As it was inevitable that other students, besides those focused on in the study, would appear in the recordings, it
was necessary to request permission from those responsible for all of the classes. If permission was not granted,
these students were repositioned in the room so as not to be captured by the focus of the cameras.
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inclusive were those whose total was lower than 1. This classification was confirmed by the
qualitative analysis of each educational situation recorded.
Results
Among the 19 filmings made in 16 different classrooms, 15 portrayed educational
situations considered inclusive; while four did not meet the principles of school inclusion, and
it is to these that we will refer.The episodes that show educational situations analyzed as not
inclusive are synthetically described in Table 1.
Table 1 –
Summary of the episodes whose recorded activities were considered not inclusive
Class
:
4
th grade
Public student(s) in Special Education
: student with Down Syndrome and student with ID.
Activity(ies) developed
: Painting.
Grouping
: Students are lined up at individual desks.
Description
: The special education students outline and paint the Brazilian flag while the others do
activities about the food pyramid in the science book, involving silent reading and drawing.
The student with Down syndrome eats his snack in class during class.
Score
:
-
12
Class
: 2nd grade
Special Education Public Student(s):
Two students with ID
Activity(ies) performed
: Sticking sticks together
Grouping
: The class is lined up at individual desks and the students with ID are at the same table, along
with the teacher's aide.
Description
: While the class exercises addition in a summation game, the students with ID glue
matchsticks into a drawing booklet, according to the numbers indicated in the booklet and with the help of the
class helper.
Score
:
-
5
Class
: 3rd grade
Student(s) with special needs education
: One student with ID.
Activity(ies) developed
: Study of the textual genre Poe
m.
Grouping
: Groups of four students.
Description
: The poem written on the blackboard was read collectively, followed by the reading done
by the teacher. Every two students received a card with words and phrases from the text to circulate as they were
drawn. The student with ID just watched his classmate do the activity. Then they received a sheet of paper with
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exercises to complete the gaps, enumerate the verses, and circulate the stanzas of the poem. The student with ID
copied the answers of the classmate next to him.
During the course of the lesson, at times, the student would rock in his chair, whistle, look out the
window, and call out to his classmates, appearing to be bored.
Score
:
-
4
Class
: 4th grade
Special Education Public
Student(s):
Two students with ASD indicators
Activity(ies) performed
: Math problem solving
Grouping
: Individual desks lined up
Description:
All students copy and solve two math problems involving the subtraction of hundreds and
the multiplication of monetary value with decimal numbers. One of the students with ASD indicators is asked to
solve one of the problems on the board. The proposed activities fall short of the knowledge and skills of students
with indicators of ASD
.
Score:
-
7
Source: Devised by the authors
The exclusion of students with ID in the 4th and 2nd year classes is clear, to the extent
that they receive proposals for activities totally unrelated to what the other students in the
class do. In the 2nd grade class, the students with disabilities are under the responsibility of a
classroom assistant, hired as an intern, who prepares and conducts the developed activities. In
fact, these students are included in the same physical space as the other children without
special educational needs (SEN), but they are excluded from the pedagogical dynamics
prepared for their classmates. Thus, what is observed is simply the spatial insertion of
students with ID, representing what Carvalho (2014) calls exclusion in inclusion. For Effgen
and Almeida (2012, p. 31), when the teacher makes less enriched curricula available to the
Special Education audience, he puts them at the margins of the educational process,
characterizing "[...] an exclusion produced within the inclusion process itself," which
undermines the guarantee of the right of all to knowledge. Behind this veiled exclusion is the
discredit in the potential of the student and the view that it is enough to live with the other
members of the group, without concern for providing the necessary support for their
development (ALBUQUERQUE; MACHADO, 2011). In this logic, it is up to the teacher to
have the appropriate tact to recognize the differences, without turning them into supports of
inequality (VIEIRA; RAMOS, 2012), which requires a real acceptance of the inclusion of
these students, accompanied by the understanding that development is related to the
opportunities made available. From Magalhães' (2011) perspective, it is essential that the
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teacher is led to question his conceptions and analyze the feelings aroused in the interaction
with students who are the audience of Special Education, in order to deconstruct prejudices
and stereotypical images.
It is worth noting that the activities offered to students with ID in the 4th grade class
do not seem to be aimed at learning objectives, but at filling time, since there was no
contextualization for the outline and painting of the Brazilian flag. The performance of such
activities (painting, drawing, collage), often improvised, is linked to the representation of the
student as someone unable to learn (ALBUQUERQUE; MACHADO, 2011). The
decontextualization of activities offered to students with disabilities was also observed by
Effgen (2012). Similarly, it highlights the fact that the student with Down syndrome eats his
snack in class, while the others do their chores, something similar to what was reported by
Carvalho (2013) regarding the case of the boy Bernardo, who, in one of the schools he went
through, was infantilized and not recognized as a student by teachers and classmates.
Authors warn that the inclusive proposal has been interpreted with some
misconceptions and among them we have the confusion of inclusion with spatial insertion and
the privilege of interpersonal aspects, which aim only at socialization, to the detriment of
learning (CARVALHO; 2016). Such a view is taken as reductionist, because "[...] insert these
learners in ordinary schools, as 'extras', besides being unfair, does not correspond to what is
proposed in the paradigm of inclusive education and, likewise, we will not contribute to their
full development." (CARVALHO, 2016, p. 114, emphasis added).
In the 3rd grade classroom, the proposal is that the student with ID performs the same
exercises as his classmates, however, the teacher does not guide him individually and the
organization in groups, in this case, does not favor learning, because, despite the physical
proximity, there was no interaction about the performance of tasks, only the copying of
answers, contrary direction of the inclusive proposal, because, under this prism, the
educational work should focus on learning and, thus, the student is no longer conceived as
"[....] a mere copier and memorizer of information he receives in the classroom, or that he
extracts from books" (CARVALHO, 2014, p. 121).
According to Oliveira (2018), the school has shown difficulties in the inclusion of
students with intellectual disabilities, which range from the identification to the conduction of
the teaching-learning process.
Already in the 4th grade classroom attended by students with HS/SD indicators, their
potentials are disregarded, as they develop activities that fall short of their knowledge and
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abilities. From this perspective, Cruz (2014) highlights the invisibility of students with ASD
when examining the conceptions of Special Education teachers and their impact on the
identification of these students. However, we emphasize that, in addition to identifying, it is
necessary that teachers are aware of the need to intervene in the face of diversity, otherwise,
labeling does not extinguish the "invisibility". As intervention strategies, we suggest: asking
for more elaborate homework assignments than their classmates; asking for deeper analyses
and problem solving during class activities; encouraging interaction with classmates; making
material resources available or allowing them to do parallel activities of their interest to fill in
idle time; guiding them about the aspects in which they can improve, etc. It seems clear that
these measures aim to develop skills, but they should also take care of the social and
emotional aspects of these students (MENDONÇA; MENCIA; CAPELLINI, 2015;
SÁNCHEZ ANEAS, 2013).
All students must have freedom to express their knowledge, doubts and opinions, as
well as the conditions to perform the activities aimed at their learning and development.
According to Magalhães (2011), this requires the teacher to be able to establish affective and
empathetic relationships, overcoming visions that inferiorize and disrespect the singularities
of each one.
Given the above, Carvalho (2016) points out that exclusion is not always as clearly
visible as physical separation, because it can often take symbolic forms, which may be
responsible for the visible forms. In this sense, the author also points out the perversity of the
denial of difference/need, something that is common, especially when it comes to students
with HS/SD.
The observation and record of such non-inclusive situations leads us to reflect and
brings to light concerns about the internship in teacher education. As a mandatory curricular
component of initial teacher training, the internship aims to provide experiences and elements
for reflection on the pedagogical performance and the construction of professional identity,
through the interaction of the future teacher with professionals, students and practices of that
place (LIMA, 2009). When faced with situations in which students with SEN are excluded,
neglected or have their abilities belittled, trainees may become disbelievers of school
inclusion and develop low self-efficacy to educate in diversity. It is in this light that Sharma
and Sokal (2015) warn of the risks of interning with teachers whose practices are not
effectively inclusive. Moreover, it is emphasized that the results of the research conducted by
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these authors revealed that the participants of a 30-hour course, with practice in an inclusive
classroom, had their attitudes towards inclusion disfavored after the training.
More than the creation and application of innovative techniques and methodologies,
inclusive education is an ethical and political commitment that the school assumes, given the
right to education that every child has. This commitment justifies and guides the
reformulation of pedagogical practices, which aim at the learning and development of
students (CARVALHO, 2013).
In this direction, it is necessary to build a new paradigm of school, so that it is
supported on the pillars of democracy, justice and citizenship (CARNEIRO; DALL'ACQUA,
2016). Therefore, it is necessary that inclusive educational policies are the result of debates
with society and consider the real contexts, with their favorable and unfavorable points,
accompanied by the necessary resources so that they can be implemented, because "[...] it is
education that allows man to assimilate the historically accumulated and culturally organized
experience" (CARVALHO, 2014, p. 101). Therefore, the school environment plays an
important role in shaping the autonomy of the citizen, from the knowledge and skills that
develops (ROSIN-PINOLA; DEL PRETTE, 2014), and should provide interaction with
knowledge and cultural, scientific and technological appropriation of what humanity has built.
It is necessary to ensure conditions for everyone to participate in educational activities,
encompassing adjustments and curricular flexibility whenever the student's needs so require
(ROSIN-PINOLA; DEL PRETTE, 2014). In addition to the necessary differentiations and the
use of resources and strategies that ensure the acquisition of knowledge, Effgen and Almeida
(2012) draw attention to the curriculum itself, warning that when the selection of content is
not problematized and grounded in the intentionality, it can trigger exclusionary processes
.
Fortunately, the non-inclusive situations are a minority in the set of filmings made, but
they should be non-existent, especially because the recordings were previously scheduled, which
tends to generate a certain special preparation in relation to the environment and the proposed
activities.This leads us to reflect on the training of these teachers. What is the concept of school
inclusion that lies beneath their practices? What knowledge do they have about curricular
flexibility? How was (and is) the training of these educators in relation to the Special Education
public? The absence of answers to these questions reveals a limitation of this research, as well as
implications for future research.
The presence of theoretical and practical studies about the Special Education public, both
in initial and continuing education, is fundamental. Added to this is the need for human and
material resources that enable the construction of truly inclusive and collaborative practices,
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committed to social justice and whose main goal is the maximum development of each student,
from the recognition and respect for their singularities.
Final remarks
Assuming the goal of describing and analyzing classroom situations in which school
inclusion does not actually happen, we filmed in public schools in the interior of the state of
Mato Grosso do Sul and identified four classroom situations in which students in Special
Education did not receive the necessary support and stimuli for the correct educational
responses to their peculiarities. Such situations were marked by the absence of individualized
attention from the teachers, of curricular flexibility, and of learning challenges appropriate to
the level of development of these students, without losing the relationship with the work
developed by the group that makes up the class.
It is essential to explain that the presence of the researcher and the cameras in the
classroom inevitably changes the naturalness of the didactic situations. The daily experience
may unveil even more excluding scenarios, either in number or in the intensity of the non-
inclusive practices, but the teacher cannot be blamed, because he/she is a victim of a
competitive, meritocratic, unequal, and unfair social system.
It is urgent to reverse this educational reality in favor of equitable socialization of
knowledge historically accumulated and the formation of citizens' autonomy, which requires
knowledge (technical, disciplinary, political and theoretical), social commitment and
criticality on the part of teachers, as well as financial investments, guidance and constant
monitoring by educational systems.
ACKNOWLEDGMENTS:
The present study was carried out with the support of the Federal
University of Mato Grosso do Sul (UFMS) and the Coordination for the Improvement of
Higher Education Personnel (CAPES).
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Revista Ibero-Americana de Estudos
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Submitted
: 04/01/2022
Revisions required
: 17/03/2022
Approved
: 21/04/2022
Published
: 30/06/2022
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
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