RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524 1
PROJETO COMUSAÚDE: ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO AO IDOSO NÃO
ALFABETIZADO
PROYECTO COMUSAÚDE: ESTRATEGIAS DE COMUNICACIÓN PARA ANCIANOS
INALFABETOS
COMUSAÚDE PROJECT: COMMUNICATION STRATEGIES FOR THE ILLITERATE
ELDERLY PEOPLE
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA 1
e-mail: marineiva.oliveira@unoesc.edu.br
Solange Maria ALVES 2
e-mail: solange.alves@uffs.edu.br
Como referenciar este artigo:
OLIVEIRA, M. M. C.; ALVES, S. M. Projeto ComuSaúde:
Estratégias de comunicação ao idoso não alfabetizado. Revista
Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n.
00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524
| Submetido em: 22/03/2023
| Revisões requeridas em: 15/05/2023
| Aprovado em: 29/07/2023
| Publicado em: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), Chapecó SC Brasil. Professora do Programa de Pós-
graduação- Mestrado em Educação.
2
Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Chapecó SC Brasil. Professora do Programa de Pós-
graduação- Mestrado em Educação.
Projeto ComuSaúde: Estratégias de comunicação ao idoso não alfabetizado
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524 2
RESUMO: O texto em tela materializa parte de pesquisa que vem sendo realizada no âmbito
do grupo de pesquisa e como parte de pré-requisitos para obtenção de título de pós-doutorado
em educação. Tem como objetivo analisar as estratégias de comunicação utilizada no campo da
saúde com idosos não alfabetizados. A partir da perspectiva histórico-cultural do
desenvolvimento humano se tece explicitações acerca do projeto ComuSaúde realizado com
idosos não alfabetizados moradores de um município do Oeste de Santa Catarina. Por meio de
uma pesquisa de abordagem qualitativa, etnográfica, com observações e registros nos
momentos de orientações acerca de medicações aos idosos. Como resultados, esta pesquisa
destaca o projeto ComuSaúde como uma via de resgate da dignidade humana aos sujeitos frutos
da exclusão do direito a apropriação da linguagem escrita.
PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização. Saúde. Idosos não alfabetizados.
RESUMEN: El texto en pantalla materializa parte de la investigación que se ha llevado a cabo
dentro del grupo de investigación y como parte de los requisitos previos para la obtención del
título de postdoctorado en educación. El objetivo de este estudio es analizar las estrategias de
comunicación utilizadas en el campo de la salud con los ancianos sin éxito. Desde la
perspectiva histórico-cultural del desarrollo humano, hay explicaciones sobre el proyecto
ComuSaúde realizado con ancianos analfabetos residentes en un municipio del oeste de Santa
Catarina. A través de una investigación cualitativa, etnográfica, con observaciones y registros
en los momentos de orientación sobre medicamentos a los ancianos. Como resultados, esta
investigación destaca el proyecto ComuSaúde como una forma de rescatar la dignidad humana
a los sujetos resultantes de la exclusión del derecho a la apropiación del lenguaje escrito.
PALABRAS CLAVE: Alfabetización. Salud. Adultos mayores analfabetos.
ABSTRACT: The current text materializes part of the research that has been carried out within
the research group and as part of the prerequisites for obtaining the postdoctoral degree in
education. The aim of this study is to analyze the communication strategies used in the field of
health with unsuccessful elderly. From the historical-cultural perspective of human
development, there are explanations about the ComuSaúde project carried out with illiterate
elderly residents in a municipality in the West of Santa Catarina. Through a qualitative,
ethnographic research, with observations and records in the moments of orientation on
medicines to the elderly. As results, this research highlights the ComuSaúde project as a way
to rescue human dignity to the subjects resulting from the exclusion of the right to appropriation
of written language.
KEYWORDS: Literacy. Health. Illiterate seniors.
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA e Solange Maria ALVES
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introdução
O termo alfabetização se manifesta intensamente no campo educacional a partir da
Proclamação da República em 1889, quando o processo da leitura e da escrita ganha visibilidade
e passa a compor uma etapa de escolarização no Brasil. Processo destinado ao ensino da leitura
e da escrita, a alfabetização é complexa e envolve ações especificamente humanas. Essas ações
impõem a necessidade de inclusão dos não alfabetizados no mundo da cultura escrita, exigindo,
assim, a formulação de meios e modos que potencializem o acesso da leitura e da escrita a
todos.
No Brasil, com a Proclamação da República, a alfabetização foi institucionalizada, ou
seja, ganhou um espaço específico e lugar no debate sobre a ascensão social da nova nação
republicana, pois saber ler e escrever era condição mínima exigida para o cidadão nos padrões
republicanos. Em específico, foi a partir da primeira cada republicana, com as reformas da
instrução pública, que as práticas sociais de leitura e de escrita se tornaram práticas
escolarizadas condicionadas à organização sistematizada que possibilitariam a formação do
cidadão para o desenvolvimento político e social do país, pois dentre os propósitos dos
republicanos, a ascensão social e econômica também recaiu sobre os braços da alfabetização
que assumia a responsabilidade pela nova sociedade letrada.
Diante dessa responsabilidade e de outras que a escola passou a assumir nesses
aproximadamente 130 anos, diversas mudanças ocorreram na história da alfabetização,
especialmente no ano de 1930, com o processo de unificação das “iniciativas políticas em todas
as esferas da vida social, a educação e, em particular, a alfabetização passaram a integrar
políticas e ações dos governos estaduais como áreas estratégicas para a promoção e sustentação
do desejado desenvolvimento nacional” (MORTATTI, 2006, p. 330).
Desse momento até hoje, a educação é controlada e mensurada por resultados de
avaliações que apresentam os índices de aprendizagem da leitura e da escrita, mecanismos para
apresentar a (in)eficiência da escola pública. Na alfabetização, esses índices, resultantes da
história da alfabetização marcada pelas disputas, ora por métodos de ensino, ora por teorias de
aprendizagem, culminaram no desenvolvimento de programas de alfabetização cujo foco é a
formação do alfabetizador com vistas ao aumento nos resultados das avaliações.
Neste contexto histórico, Graff (1994) sinalizou que a história deixou a cargo da
escolarização do ensino da leitura e da escrita dois domínios: primeiro o domínio ontológico,
que se refere à busca da essência do ato de alfabetizar e do que constitui esse ato; o segundo, o
domínio axiológico, pautado nos valores e concepções da alfabetização.
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Sob análise desses dois domínios, Graff (1994) apontou que o progresso econômico
desejado que se vinculou ao processo de alfabetização é um mito, pois pensar que a
alfabetização é a salvação dos problemas sociais é um mito necessário para assegurar a
hegemonia do sistema político vigente em cada época. O mito, segundo o autor, é decorrente
da valorização que cristaliza a concepção econômica e de ascensão social de quem está na
condição de alfabetizado em detrimento às condições de conseguir ensinar e aprender a ler e a
escrever a todos e todas.
Ainda, para o autor, a alfabetização é tomada como aparelho hegemônico para controlar
a classe desfavorecida economicamente que passa a ser manipulada, mesmo que de forma
oculta, pelas vias de novas políticas no campo da educação (GRAFF, 1994), exemplo da
Política Nacional da Alfabetização (PNA). Com base nas escritas de Gramsci (2002),
conceituamos hegemonia como a criação de um bloco ideológico que permite à classe dirigente
manter o monopólio intelectual para fortalecer sua dominância. Esse movimento de controle
põe na esteira do ensino os promotores da escolarização, ou seja, nossos alfabetizadores e
alfabetizadoras, que se tornam trabalhadores mais morais, ordeiros, disciplinados, obedientes e
conformados, valores esperados pela hegemonia da economia moral da alfabetização (GRAFF,
1994; MORTATTI, 2006).
Para Mortatti (2006), a via para superação dessa dominância é fortalecemos a concepção
de que a alfabetização é um processo que possibilita a autonomia que é o movimento de
apreender os conhecimentos historicamente elaborados rumo à emancipação, que é a condição
de uso consciente desses saberes em diferentes contextos sociais.
Assim como a autora, defendemos que a alfabetização deva ser posta em debate como
o processo resultante da elaboração histórica e cultural de signos que são compartilhados
socialmente e que impulsionam um salto qualitativo no psiquismo humano. Como um campo
do saber ler e escrever que são ações tipicamente humanas que possibilitam ao sujeito adentrar
no território complexo do mundo simbólico elaborado pelo próprio ser. É descobrir a magia da
linguagem e por ela se comunicar, aprender e se conscientizar.
Porém, essa compreensão não é atividade fácil aos sujeitos do processo de alfabetização,
é uma prática que precisa se desvencilhar das amarras que, ao longo da história, considerou
como prioridade, índices avaliativos em detrimento das condições sociais, econômicas e
políticas de quem alfabetiza e de quem precisa ser alfabetizado. Uma história que apaga a
importância da humanização para além da economia proporcionada pela aprendizagem da
leitura e da escrita.
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA e Solange Maria ALVES
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Dessa forma, identificar como os sujeitos, frutos de um processo excludente que os
retirou o direito de aprender a ler e a escrever sobrevivem nas comunidades letradas, é a
temática posta em debate neste trabalho. A partir de uma pesquisa de abordagem qualitativa,
etnográfica com idosos não alfabetizados, enfermeira e agentes de saúde de um bairro de uma
cidade do Oeste de Santa Catarina, objetivamos analisar as estratégias de comunicação
utilizadas no campo da saúde com idosos não alfabetizados.
Para atender ao objetivo proposto, este trabalho está organizado em quatro seções: na
primeira, contextualizamos o processo histórico da alfabetização brasileira, especialmente a
institucionalização da alfabetização no país. Na segunda seção, apresentamos a metodologia.
Na terceira seção, explicitamos sobre a linguagem, a realidade brasileira e os idosos não
alfabetizados. Na quarta, destacamos a análise acerca do projeto ComuSaúde, seguida das
escritas finais.
Institucionalização da alfabetização
Como um dos principais processos de ascensão social, aprender a ler e a escrever se
tornaram condições mínimas aos sujeitos de direito no período republicano inicial. As
exigências para o desempenho em leitura e escrita começou a se intensificar nas primeiras
décadas de 1900 quando ocorreu a passagem da sociedade agrária para a industrial, pois para o
novo momento, novas formas de trabalho se instauravam no país.
Na continuidade dessa história, na Era Vargas, o acesso à educação se expandiu, porém
a dualidade na educação também se intensificou, uma ensinava os futuros governantes e a outra
ensinava a classe trabalhadora a escrever, ler e calcular, essa segunda com a objetividade de
formar a mão de obra que seria controlada pelos que aprendiam a governar, isso porque, ensinar
as classes desfavorecidas economicamente foi decorrente da “[...] necessidade de treiná-los para
uma nova disciplina de trabalho [...]” (GRAFF, 1994, p. 86).
Com essa dualidade, o país chegou em 1920 com 71,2% das pessoas que ainda não
sabiam ler e escrever. Diante desse dado, o movimento do Manifesto dos Pioneiros para uma
Educação Nova (1932) se apresenta no país, tendo como líderes Lourenço Filho, Fernando de
Azevedo e Anísio Teixeira (BECALLI, 2007). Esse movimento colou à baila a crítica ao método
tradicional de ensino e proclamou pelo protagonismo do estudante, além de intensificar o
discurso crítico acerca da dualidade da escola, apontando essa dualidade como a principal causa
do fracasso na alfabetização.
Projeto ComuSaúde: Estratégias de comunicação ao idoso não alfabetizado
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Após esse manifesto, o Brasil viveu outros momentos de mudanças, infelizmente muitas
delas colocavam a educação como espaço de (de)formação de mão de obra para o mercado de
trabalho, cujo esvaziamento científico era latente e distanciava a educação da possibilidade de
garantir a todos o enriquecimento da formação humana capaz de emancipar os cidadãos
(FRIGOTTO, 2011).
No campo da alfabetização, essas mudanças, especialmente a partir do ano de 2000, em
nível nacional, focalizaram a formação de quem alfabetiza, emergindo assim programas de
formação de professores alfabetizadores, como exemplos o Programa de Formação Continuada
de Professores Alfabetizadores (Profa - 2000), o Programa de Formação Continuada de
Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental (Pró-letramento - 2005) e o Pacto
Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC- 2012) que foi encerrado quando se iniciou
o movimento constitutivo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Movimento que
trouxe à tona a Política Nacional de Alfabetização (PNA-2019) (BRASIL, 2012b; 2019).
A PNA é o documento vigente que orienta os novos programas de formação do
alfabetizador e as práticas alfabetizadoras, instituída pelo Decreto 9.765, de 11 de abril de
2019, é apresentada pelo governo brasileiro como um marco na educação, especialmente por
auxiliar no “progresso científico, econômico e social de um povo” (BRASIL, 2019, p. 5).
Essa contextualização demarca o campo da escolarização brasileira para o ensino da
leitura e da escrita, especialmente de crianças, porém, ler e escrever é direito de todos
indiferente da idade ou condição social. Por isso, refletir acerca do processo de alfabetização
dos sujeitos não alfabetizados demarca a condição de refletir as (im)possibilidades de
emancipação e autonomia desses sujeitos frutos desse processo histórico que valorizou a
qualificação simplista da mão de obra barata em detrimento da tomada de consciência pela
apropriação da linguagem humana que potencializaria o desenvolvimento humano e que
desmantelaria o processo opressor e esvaziado impregnado no ensino da leitura e da escrita no
Brasil.
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA e Solange Maria ALVES
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Metodologia
A linguagem é elemento central da alfabetização e, neste trabalho, analisamos a
linguagem pela via da perspectiva histórico-cultural de Vigotski e da teoria dialógica de
Bakhtin. O método apropriado para conduzir a análise sobre nosso objeto de pesquisa, nas suas
relações e determinações, é o materialismo histórico-dialético que, nesta pesquisa, permite
estabelecermos reflexões sobre a realidade de idosos não alfabetizados no contexto da saúde
sobre as práticas sociais de linguagem nas orientações quanto a medicamentos e,
principalmente, sobre o papel da alfabetização na humanização de todos.
A partir da definição do método, esta investigação caminha pela via da pesquisa de
abordagem qualitativa, etnográfica, via que permite aproximação com a realidade e inserção no
ambiente pesquisado por meio de observação e análise das interações, esses que são os
instrumentos para coletas de dados nesta pesquisa. Essa via metodológica se materializa no
acompanhamento dos encontros realizados pelas quatro agentes de saúde, com dez idosos de
um bairro localizado em um município do Oeste de Santa Catarina. Neste bairro, as agentes de
saúde se reúnem quinzenalmente com os idosos para verificar o uso correto de medicações,
explicando horários, quantidade e qual medicação deve ser usada. Esses idosos não são
alfabetizados, por isso nossa imersão, para identificar as práticas de linguagem utilizadas neste
espaço como forma de superar o fracasso deixado pela educação.
O bairro escolhido decorre do levantamento realizado junto à Secretaria Municipal de
Saúde (SMS) que objetivou identificar qual bairro do município possuía o maior percentual de
pessoas idosas não alfabetizadas. Participam, deste projeto, o total de dez idosos. Para
apresentarmos os resultados da pesquisa, usaremos o S para identificar o bairro, AS para as
agentes de saúde, ES para a enfermeira supervisora e a letra inicial de cada nome para identificar
os idosos, aos que possuem a mesma letra inicial acrescentaremos em um deles a letra inicial
do sobrenome.
Por meio dos oito momentos de observações, que ocorreram de forma quinzenal com a
duração aproximadamente de duas horas cada uma, nos meses de setembro e outubro de 2022,
e somadas a análise das interações identificadas nesses encontros, procuramos analisar como
vêm sendo desenvolvidas as práticas de linguagem nas orientações acerca dos medicamentos
aos idosos não alfabetizados, apresentando os espaços e tempos destinados para esses
momentos. Esses encontros foram gravados e posteriormente transcritos. Além disso,
utilizamos o diário de campo para registros de situações não verbalizadas, mas observadas pelas
pesquisadoras.
Projeto ComuSaúde: Estratégias de comunicação ao idoso não alfabetizado
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A linguagem, a realidade e os idosos não alfabetizados
No início desta pesquisa, contextualizamos a institucionalização e os determinantes
econômicos da alfabetização que, ao longo da história, foi vista como a salvação da nação
iletrada, principalmente a salvação da economia. E, atualmente, destacamos a PNA fruto desse
processo e agente de manutenção dessa lógica (MORTATTI, 2019).
Manutenção quando, dentre outros elementos, põe em evidência em sua linha do tempo
o documento “Aprendizagem Infantil: uma abordagem da neurociência, economia e psicologia
cognitiva, publicado pela Academia Brasileira de Ciências” (BRASIL, 2019, p. 15). Ainda, na
fala de Roger Beard, um dos especialistas que auxiliam na escrita do caderno da PNA, este
afirma: “Por isso uma alfabetização dequalidade pode não apenas prejudicar os indivíduos,
mas também afetar toda a economia nacional.” (BRASIL, 2019, p. 16). Ou, ainda, no artigo 4º
ao tratar dos objetivos da política de alfabetização, destaca-se “III. assegurar o direito à
alfabetização a fim de promover a cidadania e contribuir para o desenvolvimento social e
econômico do País” (BRASIL, 2019, p. 50).
Esses fragmentos e outros que perpassam a valorização da economia na PNA
evidenciam que a preocupação com a ascensão econômica ainda está cristalizada nos processos
de ensino da leitura e da escrita, que a preocupação em formar mão de obra é iminente e a
despreocupação com os muitos brasileiros não alfabetizados não é debate de primeiro plano.
Não negamos que a ascensão econômica seja importante e que a alfabetização contribua
para isso, porém, a alfabetização deve ser compreendida para além desses ditames capitalistas.
A alfabetização é o campo da linguagem que humaniza, que transforma e emancipa. É um
direito de todos indiferente da idade e condição social.
Para Vigotski (2007), é pela linguagem que o indivíduo se humaniza e se torna um ser
social. A linguagem é o campo da comunicação humana formado por um conjunto de sistemas
de signos e de instrumentos compartilhados socialmente e elaborados culturalmente por meio
da mediação simbólica que possibilita, além da comunicação a organização social e a tomada
de consciência do sujeito. Por isso, a linguagem é para além da economia, ela é indispensável
no processo de humanização de homens e mulheres.
Ao adentrar no campo da linguagem da leitura e da escrita, diferentemente da linguagem
oral, pois essa reside na complexificação da linguagem em sua aliança com o pensamento, ela
atua com sistemas visuais de orientação gráfica que são objetivações da humanidade e se
apresentam como uma nova e desafiadora tarefa orientada a partir de fundamentos psicológicos,
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linguísticos e pedagógicos, sistematizados na prática de ensino escolarizada (DANGIÓ,
MARTINS, 2017).
Essa prática de ensino, de acordo com Luria (2012, p. 143) deve considerar que a
criança, ao entrar na escola “já adquiriu um patrimônio de habilidades e destrezas que a
habilitará a aprender a escrever em um tempo relativamente curto”. Contudo, o ensino da leitura
e da escrita ocorre num território desafiador que muitas vezes é condicionado por orientações
que retiram do professor a autonomia do ato educativo.
Como ato educativo da linguagem, compreendemos a ação do ensino objetivado à
apropriação da escrita em relação à cultura humana, em relação às objetivações produzidas
historicamente com a objetividade de produzir a humanização dos indivíduos. Como afirmou
Saviani (1991, p. 21), “o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em
cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto
dos homens”.
No campo da linguagem, a apropriação das formas de escrita e leitura é essencialmente
e tipicamente humana e, portanto, deve ser possibilitada a todos como condição de
humanização. Contudo, ao longo da história da educação, o que não é exclusividade da
alfabetização, a escola, lugar do ensino sistematizado e da produção da humanização, foi, e
continua sendo, mas agora de forma camuflada pelo discurso de termos no Brasil uma Base
Nacional Comum Curricular (BNCC), dualista, mas um “dualismo perverso da escola pública
brasileira: escola do conhecimento para os ricos, escola do acolhimento social para os pobres”
(LIBÂNEO, 2012, p. 1).
Esse acolhimento social é a via da manutenção das desigualdades sociais, do estado
mínimo e perverso. Com esta pesquisa, vivenciamos uma história com sujeitos, de outros
tempos, frutos dos debates iniciais da preocupação com a quantificação da alfabetização em
detrimento da qualificação, acesso e permanência de todos. Os sujeitos desta pesquisa fazem
parte da estatística que evidencia o alto índice de pessoas não alfabetizadas no Brasil.
O Resultado da pesquisa intitulada “Todos Pela Educação” realizada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), aponta que cerca de 40,8% do total
dos brasileirinhos e das brasileirinhas de até 8 anos de idade não estão alfabetizados. Ainda, a
mesma pesquisa destaca que projetos sociais tentam mudar esse cenário, dando para as crianças
mais pobres a oportunidade de ler. Dentre os projetos, é destacado na pesquisa o nomeado como
"Nunca desista dos seus sonhos" que organiza uma biblioteca infantil dentro de creches e
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escolas carentes. Um exemplo da manutenção da escola do acolhimento social para os pobres,
como disse Libâneo (2012).
Quando analisamos os dados do IBGE (2010) sobre a população idosa, são
aproximadamente 6 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais que não sabem ler e nem
escrever. Desses, 56,6% moram sozinhos. Esses dados apontam a fragilidade da educação no
país, pois saber ler e escrever são condições mínimas de dignidade humana. Contudo, como as
limitações de nossa educação não são de hoje, sabemos dos desafios acerca da herança do
fracasso deixado pelo ensino da leitura e da escrita.
Herança do fracasso que retira, principalmente da população idosa a autonomia, pois,
se compreendemos que ler e escrever é condição mínima para autonomia nas sociedades
letradas, como vivem esses idosos não alfabetizados? Como se relacionam com as práticas de
leitura e escrita? Ainda, o índice de uso de medicamentos nessa fase da vida é elevado, como
esses se organizam com as orientações de horário, dosagem e a tipologia medicamentosa que
são orientadas por meio da escrita?
Nesse contexto da população idosa não alfabetizada, temos, no Brasil, o Plano Nacional
de Educação (PNE) cuja meta 9 trata da erradicação do analfabetismo, porém, essa meta ainda
não foi atingida e a vigência do documento se encerra em 2024. Dessa forma, ficamos
esperançosos, no sentido do esperançar proposto por Paulo Freire (2014), que é o ato de fazer
e acreditar que acontecerá. Por isso, essa pesquisa é um ato de esperançar, pois explicitamos a
necessidade de pensarmos em programas educacionais para os milhares de brasileiros que ainda
não sabem ler e nem escrever e que não estão em idade de alfabetização institucionalizada de
acordo com os documentos vigentes, a exemplo, a PNA.
Não podemos negar que algumas tentativas de alfabetização da população idosa foram
organizadas, dentre elas, os projetos sociais de acolhimento aos idosos e a possibilidade de
matrícula nos espaços de Educação de Jovens e Adultos, medidas paliativas, mas importantes
que acabam por assumir a responsabilidade de contribuir com a escolarização dos idosos,
especialmente aqueles não alfabetizados. Neste trabalho, trouxemos para o debate o projeto
ComuSaúde da pessoa idosa (CS) realizado em um município do Oeste de Santa Catarina pelas
unidades de saúde com idosos não alfabetizados.
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ComuSaúde da Pessoa Idosa
O projeto ComuSaúde da pessoa idosa (CS) objetiva estabelecer meios de comunicação
com idosos não alfabetizados, principalmente acerca das orientações de uso de medicamentos.
O projeto é desenvolvido em um município do Oeste de Santa Catarina em todos os bairros
devido aos vários casos de idosos usarem medicações de forma incorreta, em horários e
quantidades erradas” (ES, 2022).
No bairro S, os encontros acontecem quinzenalmente com a duração de
aproximadamente duas horas cada um. Esses encontros são conduzidos pelas Agentes de Saúde
da Unidade sob a supervisão de uma enfermeira. O objetivo desses encontros é orientar e
explicar aos idosos o uso dos medicamentos, até mesmo acompanhar para verificar se estão
usando de forma correta, pois não sabem ler, nem escrever e moram sozinhos” (ES, 2022).
Sobre a organização dos encontros, os sujeitos foram orientados a sentar em formato de
roda de conversa (RC), característica que marca a intencionalidade de diálogo e que coloca os
sujeitos no plano horizontal do discurso, ou seja, todos os enunciados importam na roda. A RC
implica um exercício de escuta e de fala em que se agregam vários interlocutores, construída
por meio da interação com o outro. Essa interação ocorre pelo processo do dialogismo que são
“as relações de sentido que se estabelecem entre dois enunciados” (BAKHTIN, 1997, p. 346)
num território que promove a circulação de significações das agentes de saúde (AS) e dos
idosos num movimento capaz de atuar na linguagem simbólica, pelas práticas culturais de
comunicação que podem emergir das e nas interações historicamente situadas.
Ao iniciar as RC, as AS sempre iniciavam pedindo para que os idosos contassem sobre
algo que aconteceu no decorrer dos dias em que não se encontraram, nesse momento os
enunciados compartilhavam as angústias, as alegrias e os momentos difíceis que haviam
vivenciados. Foi difícil, passei mal na segunda-feira e tomei o remédio da caixinha verde,
depois dormi. Acordei com a vizinha chamando vô, ”, (Idoso A). Outro, foi legal, saiu o
financiamento e comprei com liquidificador, agora pra fazer as vitaminas batidinhas(Idoso
H).
Na sequência, as AS verificavam com cada idoso os remédios, pois, além dos encontros
para as RD, também eram entregues as medicações. Neste segundo momento, observamos que
elas entregavam aos idosos caixas dos remédios com cores diferentes. Olha, este da cor
amarela é apara tomar de meio dia, momento em que o sol está forte(AS1, 2022). As cores
eram utilizadas nas caixinhas de remédios sempre articulando as cores com elementos como, o
Projeto ComuSaúde: Estratégias de comunicação ao idoso não alfabetizado
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sol ao meio-dia, o preto, à noite e o azul pela amanhã. A quantidade era registrada na caixa com
riscos.
Nós criamos essas estratégias das cores, mas por exemplo, quando eles tomam
mais que um ao meio-dia, ou em outro horário, tentamos encapar as caixas
com a mesma cor, mas com tons diferentes e orientamos a prestar atenção.
Infelizmente esses idosos moram sozinhos e precisam ter autonomia, muitos
deles tomaram medicações erradas, um até internou, pois tomava três de
noite e tomou três do mesmo, é que pensamos em tons diferentes da mesma
cor. São estratégias, mas se eles soubessem ler e escrever seria tudo diferente,
eles não sofreriam tanto na dependência de cor (AS 2, 2022).
Essas profissionais da saúde acabam por encontrar estratégias de linguagem para
orientar aos idosos que não sabem ler e, ao realizarem essas ações, atuam no campo da mediação
simbólica.
Como exemplos de ferramentas psicológicas e de seus sistemas complexos
podem servir: o idioma; as distintas formas de numeração e de cálculo; os
recursos mnemotécnicos; a simbologia algébrica; as obras de arte; a escrita;
os esquemas; os diagramas; os mapas; os desenhos; todas as formas possíveis
de signos convencionais, etc. (VIGOTSKI, 1987, p. 182).
Nas pesquisas, Vigotski (1987) identificou a significação e mediação por signo e
instrumento. A mediação por signo constitui uma atividade interna dirigida para o controle do
próprio sujeito, e a com instrumento é orientada externamente, para o controle da natureza, mas
ambos acarretam mudanças no funcionamento cognitivo. Nesta pesquisa, os sujeitos interagem
mediados por significações simbólicas e “são ferramentas que auxiliam nos processos
psicológicos e não nas ações concretas” (VIGOTSKI, 2007, p. 30).
As cores nas caixas de remédios se tornaram um signo psicológico que foi dirigido para
o controle do próprio sujeito - idoso, auxiliando-o na solução de problemas como: lembrar,
representar, comparar, relatar, planejar, entre outras ações internas que foram possibilitadas e
potencializadas pelas elaborações das ações realizadas pelas AS dirigida à consciência do idoso.
A verdadeira essência da memória humana está no fato de os seres humanos
serem capazes de lembrar ativamente com a ajuda de signos. Poder-se-ia dizer
que a característica básica do comportamento humano em geral é que os
próprios homens influenciam sua relação com o ambiente e, através desse
ambiente, pessoalmente modificam seu comportamento, colocando-o sob seu
controle (VIGOTSKI, 1987, p. 58).
Assim, foi possível observar que os idosos, a partir da mediação simbólica realizada
pelas cores nas caixas de remédios, possibilitavam as funções psicológicas superiores, embora
não soubessem ler e nem escrever, mas reconheciam outros signos que possibilitam o
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA e Solange Maria ALVES
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desenvolvimento das capacidades cognitivas de internalizar os signos compartilhados e
transformá-los em elementos mediadores (GALUCH; SFORNI, 2009).
Compreendemos e defendemos a leitura e a escrita como chaves para o acesso ao saber
sistematizado, pois a apropriação desse saber é condição para o desenvolvimento humano, mas
sabemos que nem todos tiveram e têm acesso a esses saberes e estratégias como as
desenvolvidas pelo projeto analisado. Este possibilita evidenciar as fragilidades de nossa
educação e a necessidade de resgatar a dignidade das pessoas não alfabetizadas e lhes
possibilitar adentrar no território letrado, dominando a linguagem escrita, como sistema
simbólico presente na cultura em que estão inseridos.
Contudo, vale destacar que observamos que em algumas caixas de remédios haviam
algumas letras, sobre isso, a AS3 esclarece estamos com esse projeto em funcionamento tem
cinco meses, é recente, pensamos em fazer por fase, primeiro as cores, depois, como alguns já
lembram, escrevemos a letra M de manhã, T de tarde e N de noite”. As AS compreendem a
importância do conhecimento da linguagem escrita, pois esse possibilita romper com a condição
que lhes priva da linguagem escrita elaborada e utilizada pelo conjunto dos seres humanos.
Nesse contexto, o projeto nos fornece elementos de reflexão acerca da importante luta
que devemos travar em prol do acesso de todos à alfabetização, da garantia de que todos saibam
ler e escrever. O projeto nos conduz a pensar acerca da formação humana, essa que deve ser
considerada como a via para o desenvolvimento das capacidades cognitivas, que garante a
internalização de conhecimentos que se transformam em elementos mediadores, com os quais
o sujeito pode estabelecer com os objetos, fatos e fenômenos uma relação que dispensa o
contato com o mundo perceptível (GALUCH; SFORNI, 2009).
Por fim, destacamos que mesmo desprovidos dessa formação humana no campo da
linguagem escrita, as ações objetivadas das AS possibilitaram aos idosos agirem de acordo com
os instrumentos simbólicos de que dispõem para organizar mentalmente a sua atividade de vida
destacando, assim, a importância da linguagem no processo de socialização humana, além de
evidenciar a importância do resgate da dignidade desses idosos que foram desprovidos do
direito de ler e de escrever.
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Escritas finais
Refletir sobre as objetivações do processo de alfabetização é sempre uma tarefa
complexa, pois é nesse movimento reflexivo que as fragilidades emergem. Nesta pesquisa, que
objetivou analisar as estratégias de comunicação utilizada no campo da saúde com idosos não
alfabetizados, foi possível evidenciar que ao longo da história esses sujeitos não foram
colocados à baila das preocupações dos documentos e programas nacionais acerca da
alfabetização.
Ademais, a história da alfabetização deixa marcas atenuadas que sulcam a exclusão
camuflada pela ascensão social. Uma nação com sujeitos desprovidos do direito de saber ler e
escrever é uma nação excludente, seletiva e limitadora do desenvolvimento humano. Ainda,
sabemos que, com o passar dos anos, os sujeitos acabam por realizar o uso de medicações de
forma mais recorrente e a saber qual medicação, a quantidade e o horário são condições
mínimas para o bem-estar, porém, aos idosos não alfabetizados esse momento de vida se torna
o momento de dependência, que suprime desses sujeitos sua autonomia.
Por isso, dialogar acerca do processo de alfabetização de forma intersetorial é
necessário, especificamente em contextos partilhados por sujeitos não alfabetizados, pois
possibilita destacar a necessidade de pesquisas comprometidas com as dimensões individuais e
coletivas dos sujeitos que se interrelacionam no território das linguagens oral e escrita.
A partir dessa pesquisa, destacamos a necessidade de abrir espaço para programas
educacionais de alfabetização que se articulem ao campo da saúde e que possam contribuir com
o enfrentamento de problemáticas relacionadas à aprendizagem da leitura e da escrita,
excluindo às desigualdades por meio de condições de participação e inserção nas diferentes
esferas sociais da linguagem.
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA e Solange Maria ALVES
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaríamos de agradecer a Universidade Federal da Fronteira Sul,
especialmente à professora Solange Maria Alves pelo acolhimento e à Universidade do
Oeste de Santa Catarina pela Liberação da professora Marineiva Moro de Oliveira para
cursar seu Pós-doutorado.
Financiamento: Não há fomento de instituição.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho respeitou eticamente todos os envolvidos e as instituições
envolvidas.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais não serão disponibilizados por
questões éticas.
Contribuições dos autores: Ambas as autoras realizaram as observações, a descrição e a
análise dos dados.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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PROYECTO COMUSAÚDE: ESTRATEGIAS DE COMUNICACIÓN PARA
ANCIANOS ANALFABETOS
PROJETO COMUSAÚDE: ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO AO IDOSO NÃO
ALFABETIZADO
COMUSAÚDE PROJECT: COMMUNICATION STRATEGIES FOR THE ILLITERATE
ELDERLY PEOPLE
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA 1
e-mail: marineiva.oliveira@unoesc.edu.br
Solange Maria ALVES 2
e-mail: solange.alves@uffs.edu.br
Cómo hacer referencia a este artículo:
OLIVEIRA, M. M. C.; ALVES, S. M. Proyecto
ComuSaúde: Estrategias de comunicación para ancianos
analfabetos. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação,
Araraquara, v. 18, n. 00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524
| Presentado en: 22/03/2023
| Revisiones requeridas en: 15/05/2023
| Aprobado en: 29/07/2023
| Publicado en: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad del Oeste de Santa Catarina (Unoesc), Chapecó Santa Catarina (SC) Brasil. Profesora del
Programa de Postgrado- Maestría en Educación.
2
Universidad Federal de la Frontera Sur (UFFS), Chapecó Santa Catarina (SC) Brasil. Profesora del Programa
de Postgrado - Maestría en Educación.
Proyecto ComuSaúde: Estrategias de comunicación para ancianos analfabetos
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524 2
RESUMEN: El texto en pantalla materializa parte de la investigación que se ha llevado a cabo
dentro del grupo de investigación y como parte de los requisitos previos para la obtención del
título de postdoctorado en educación. El objetivo de este estudio es analizar las estrategias de
comunicación utilizadas en el campo de la salud con los ancianos sin éxito. Desde la perspectiva
histórico-cultural del desarrollo humano, hay explicaciones sobre el proyecto ComuSaúde
realizado con ancianos analfabetos residentes en un municipio del oeste de Santa Catarina. A
través de una investigación cualitativa, etnográfica, con observaciones y registros en los
momentos de orientación sobre medicamentos a los ancianos. Como resultados, esta
investigación destaca el proyecto ComuSaúde como una forma de rescatar la dignidad humana
a los sujetos resultantes de la exclusión del derecho a la apropiación del lenguaje escrito.
PALABRAS CLAVE: Alfabetismo. Salud. Ancianos analfabetos.
RESUMO: O texto em tela materializa parte de pesquisa que vem sendo realizada no âmbito
do grupo de pesquisa e como parte de pré-requisitos para obtenção de título de pós-doutorado
em educação. Tem como objetivo analisar as estratégias de comunicação utilizada no campo
da saúde com idosos não alfabetizados. A partir da perspectiva histórico-cultural do
desenvolvimento humano se tece explicitações acerca do projeto ComuSaúde realizado com
idosos não alfabetizados moradores de um município do Oeste de Santa Catarina. Por meio de
uma pesquisa de abordagem qualitativa, etnográfica, com observações e registros nos
momentos de orientações acerca de medicações aos idosos. Como resultados, esta pesquisa
destaca o projeto ComuSaúde como uma via de resgate da dignidade humana aos sujeitos
frutos da exclusão do direito a apropriação da linguagem escrita.
PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização. Saúde. Idosos não alfabetizados.
ABSTRACT: The current text materializes part of the research that has been carried out within
the research group and as part of the prerequisites for obtaining the postdoctoral degree in
education. The aim of this study is to analyze the communication strategies used in the field of
health with unsuccessful elderly. From the historical-cultural perspective of human
development, there are explanations about the ComuSaúde project carried out with illiterate
elderly residents in a municipality in the West of Santa Catarina. Through a qualitative,
ethnographic research, with observations and records in the moments of orientation on
medicines to the elderly. As results, this research highlights the ComuSaúde project as a way
to rescue human dignity to the subjects resulting from the exclusion of the right to appropriation
of written language.
KEYWORDS: Literacy. Health. Illiterate seniors.
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA y Solange Maria ALVES.
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Introducción
El término alfabetización se manifiesta intensamente en el campo educativo a partir de
la Proclamación de la República en 1889, cuando el proceso de lectura y escritura gana
visibilidad y comienza a componer una etapa de escolarización en Brasil. Un proceso dirigido
a la enseñanza de la lectura y la escritura, la alfabetización es compleja e involucra acciones
específicamente humanas. Estas acciones imponen la necesidad de incluir a los analfabetos en
el mundo de la cultura escrita, lo que requiere la formulación de medios y formas que mejoren
el acceso de la lectura y la escritura para todos.
En Brasil, con la Proclamación de la República, la alfabetización se institucionalizó, es
decir, ganó un espacio y un lugar específicos en el debate sobre la ascensión social de la nueva
nación republicana, porque saber leer y escribir era la condición mínima requerida para el
ciudadano en los estándares republicanos. En particular, fue a partir de la primera década
republicana, con las reformas de la instrucción pública, que las prácticas sociales de lectura y
escritura se convirtieron en prácticas escolares condicionadas a la organización sistematizada
que posibilitara la formación del ciudadano para el desarrollo político y social del país, porque
entre los propósitos de los republicanos, la ascensión social y económica también recayó sobre
los brazos de la alfabetización que asumió la responsabilidad de la nueva sociedad alfabetizada.
Frente a esta responsabilidad y otras que la escuela comenzó a asumir en estos
aproximadamente 130 años, se produjeron varios cambios en la historia de la alfabetización,
especialmente en el año 1930, con el proceso de unificación de "iniciativas políticas en todas
las esferas de la vida social, la educación y, en particular, la alfabetización comenzaron a
integrar políticas y acciones de los gobiernos estatales como áreas estratégicas para la
promoción y apoyo del desarrollo nacional deseado" (MORTATTI, 2006, p. 330, nuestra
traducción).
Desde ese momento hasta hoy, la educación es controlada y medida por los resultados
de las evaluaciones que presentan los índices de aprendizaje de lectura y escritura, mecanismos
para presentar la (in)eficiencia de la escuela pública. En alfabetización, estos índices,
resultantes de la historia de la alfabetización marcada por disputas, a veces por métodos de
enseñanza, a veces por teorías de aprendizaje, culminaron en el desarrollo de programas de
alfabetización cuyo enfoque es la capacitación de la alfabetización con miras a aumentar los
resultados de las evaluaciones.
En este contexto histórico, Graff (1994) señaló que la historia ha dejado dos dominios a
la escolarización de la enseñanza de la lectura y la escritura, primero el dominio ontológico que
Proyecto ComuSaúde: Estrategias de comunicación para ancianos analfabetos
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se refiere a la búsqueda de la esencia del acto de alfabetización y lo que constituye este acto, el
segundo, el dominio axiológico, basado en los valores y concepciones de la alfabetización.
Bajo el análisis de estos dos dominios, Graff (1994) señaló que el progreso económico
deseado que estaba vinculado al proceso de alfabetización es un mito, porque pensar que la
alfabetización es la salvación de los problemas sociales es un mito necesario para asegurar la
hegemonía del sistema político vigente en cada época. El mito, según el autor, se debe a la
valorización que cristaliza la concepción económica y la ascensión social de quienes están en
condición de alfabetizados en detrimento de las condiciones de poder enseñar y aprender a leer
y escribir a todos.
Sin embargo, para el autor, la alfabetización es tomada como un aparato hegemónico
para controlar a la clase económicamente desfavorecida que comienza a ser manipulada, aunque
sea de manera oculta por las formas de las nuevas políticas en el campo de la educación
(GRAFF, 1994), ejemplo de la Política Nacional de Alfabetización (PNA). Basándonos en los
escritos de Gramsci (2002) conceptualizamos la hegemonía como la creación de un bloque
ideológico que permite a la clase dominante mantener el monopolio intelectual para fortalecer
su dominio. Este movimiento de control pone en la estela de la enseñanza a los promotores de
la escolarización, es decir, nuestros literatos y literatos, que se convierten en trabajadores más
morales, ordenados, disciplinados, obedientes y conformados, valores esperados por la
hegemonía de la economía moral de la alfabetización (GRAFF, 1994; MORTATTI, 2006).
Para Mortatti (2006), la forma de superar este dominio es fortalecer la concepción de
que la alfabetización es un proceso que permite la autonomía que es el movimiento de
aprehender el conocimiento históricamente elaborado hacia la emancipación, que es la
condición del uso consciente de este conocimiento en diferentes contextos sociales.
Al igual que el autor, argumentamos que la alfabetización debe ser debatida como el
proceso resultante de la elaboración histórica y cultural de signos que se comparten socialmente
y que impulsan un salto cualitativo en la psique humana. Como campo del saber hacer, la lectura
y la escritura, que son acciones típicamente humanas que permiten al sujeto entrar en el
complejo territorio del mundo simbólico elaborado por el propio ser. Es descubrir la magia del
lenguaje y que se comunique, aprenda y tome conciencia.
Sin embargo, esta comprensión no es una actividad fácil para los sujetos del proceso de
alfabetización, es una práctica que necesita deshacerse de los vínculos que a lo largo de la
historia ha considerado como una prioridad, índices evaluativos en detrimento de las
condiciones sociales, económicas y políticas de quienes alfabetizan y de quienes necesitan ser
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA y Solange Maria ALVES.
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alfabetizados. Una historia que borra la importancia de la humanización más allá de la economía
que proporciona aprender a leer y escribir.
Así, identificar cómo los sujetos, frutos de un proceso excluyente que les quitó su
derecho a aprender a leer y escribir, sobreviven en comunidades alfabetizadas, es el tema
debatido en este trabajo. A partir de una investigación cualitativa, etnográfica con ancianos
analfabetos, enfermeros y agentes de salud de un barrio de una ciudad del oeste de Santa
Catarina, el objetivo fue analizar las estrategias de comunicación utilizadas en el campo de la
salud con ancianos analfabetos.
Para cumplir con el objetivo propuesto, este trabajo está organizado en cuatro secciones,
en la primera contextualizamos el proceso histórico de la alfabetización brasileña,
especialmente la institucionalización de la alfabetización en el país. En la segunda sección,
presentamos la metodología. En la tercera sección, explicamos sobre el idioma, la realidad
brasileña y los ancianos analfabetos. En el cuarto, destacamos el análisis sobre el proyecto
ComuSaúde, seguido de los escritos finales.
Institucionalización de la alfabetización
Como uno de los principales procesos de ascensión social, aprender a leer y escribir se
convirtió en condiciones mínimas para los sujetos de derecho en el período republicano
temprano. Las demandas de rendimiento en lectura y escritura comenzaron a intensificarse en
las primeras décadas de 1900 cuando se produjo la transición de la sociedad agraria a la
industrial, pues para el nuevo momento, se establecieron nuevas formas de trabajo en el país.
En la continuidad de esta historia, en la Era Varga, el acceso a la educación se expandió,
pero la dualidad en la educación también se intensificó, uno enseñó a los futuros gobernantes y
el otro enseñó a la clase obrera a escribir, leer y calcular, esto último con la objetividad de
formar la fuerza de trabajo que sería controlada por aquellos que aprendieron a gobernar, Esto
se debe a que la enseñanza de las clases económicamente desfavorecidas se debió a la "[...] la
necesidad de capacitarlos para una nueva disciplina de trabajo [...]" (GRAFF, 1994, p. 86,
nuestra traducción).
Con esta dualidad, el país llegó en 1920 con el 71,2% de las personas que aún no sabían
leer ni escribir. Ante estos datos, el movimiento del Manifiesto de los Pioneros por una Nueva
Educación (1932) se presenta en el país, teniendo como líderes a Lourenço Filho, Fernando de
Azevedo y Anísio Teixeira (BECALLI, 2007). Este movimiento planteó la crítica al método de
enseñanza tradicional y proclamó el protagonismo del estudiante, además de intensificar el
Proyecto ComuSaúde: Estrategias de comunicación para ancianos analfabetos
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discurso crítico sobre la dualidad de la escuela, señalando esta dualidad como la principal causa
de fracaso en la alfabetización.
Después de este manifiesto, Brasil experimentó otros momentos de cambio,
lamentablemente muchos de ellos colocaron la educación como un espacio de (des)formación
del trabajo para el mercado laboral, cuyo vaciamiento científico estaba latente y alejó la
educación de la posibilidad de garantizar a todos el enriquecimiento de la formación humana
capaz de emancipar a los ciudadanos (FRIGOTTO, 2011).
En el campo de la alfabetización, estos cambios, especialmente desde el año 2000, a
nivel nacional, se han centrado en la capacitación de quienes saben leer y escribir, surgiendo
así programas de capacitación para alfabetizadores, como el Programa de Educación Continua
para Alfabetizadores (Profa - 2000), el Programa de Educación Continua para Maestros de los
Grados Iniciales de la Enseñanza Primaria (Pró-letramento - 2005) y el Pacto Nacional por la
Alfabetización en Edad Adecuada (PNAIC-2012), que se cerró cuando se inició el movimiento
para constituir la Base Curricular Nacional Común (BNCC). Movimiento que sacó a la luz la
Política Nacional de Alfabetización (PNA-2019) (BRASIL, 2012b; 2019).
El PNA es el documento actual que guía los nuevos programas de alfabetización y
prácticas de alfabetización, instituidos por el Decreto No. 9.765, del 11 de abril de 2019, es
presentado por el gobierno brasileño como un hito en la educación, especialmente para ayudar
en el "progreso científico, económico y social de un pueblo" (BRASIL, 2019, p. 5, nuestra
traducción).
Esta contextualización delimita el campo de la escolarización brasileña para la
enseñanza de la lectura y la escritura, especialmente de los niños, sin embargo, la lectura y la
escritura son un derecho de todos, independientemente de la edad o la condición social. Por lo
tanto, reflexionar sobre el proceso de alfabetización de los sujetos analfabetos delimita la
condición de reflejar las (im)posibilidades de emancipación y autonomía de estos sujetos frutos
de este proceso histórico que valoró la calificación simplista de la mano de obra barata en
detrimento de la conciencia por la apropiación del lenguaje humano que potenciaría el
desarrollo humano y que desmantelaría el proceso opresivo y vaciado impregnado en la
enseñanza de la lectura y la escritura en el Brasil.
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA y Solange Maria ALVES.
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Metodología
El lenguaje es un elemento central de la alfabetización y en este trabajo analizamos el
lenguaje a través de la perspectiva histórico-cultural de Vygotsky y la teoría dialógica de
Bakhtin. El método adecuado para realizar el análisis sobre nuestro objeto de investigación, en
sus relaciones y determinaciones, es el materialismo histórico-dialéctico que en esta
investigación nos permite establecer reflexiones sobre la realidad de los ancianos analfabetos
en el contexto de la salud sobre las prácticas sociales del lenguaje en las orientaciones sobre
medicamentos y, principalmente, sobre el papel de la alfabetización en la humanización de
todos.
A partir de la definición del método, esta investigación recorre el camino de la
investigación de enfoque cualitativo, etnográfico, una forma que permite la aproximación con
la realidad y la inserción en el entorno investigado a través de la observación y el análisis de las
interacciones, estos son los instrumentos para la recolección de datos en esta investigación. Este
abordaje metodológico se materializa en el seguimiento de las reuniones realizadas por los
cuatro agentes de salud, con diez ancianos de un barrio ubicado en un municipio del oeste
catarinense. En este barrio, los agentes de salud se reúnen quincenalmente con los ancianos para
verificar el uso correcto de los medicamentos, explicando horarios, cantidad y qué
medicamentos se deben usar. Estos ancianos no están alfabetizados, por lo que nuestra
inmersión para identificar las prácticas lingüísticas utilizadas en este espacio como una forma
de superar el fracaso dejado por la educación.
El barrio elegido surge de la encuesta realizada con el Departamento Municipal de Salud
(SMS) que tuvo como objetivo identificar qué barrio de la ciudad tenía el mayor porcentaje de
ancianos analfabetos. Un total de diez personas mayores participan en este proyecto. Para
presentar los resultados de la investigación, utilizaremos la S para identificar el barrio, AS para
los agentes de salud, ES para la enfermera supervisora y la letra inicial de cada nombre para
identificar a los ancianos, a los que tengan la misma letra inicial agregaremos en uno de ellos
la letra inicial del apellido.
A través de los ocho momentos de observaciones, que ocurrieron quincenalmente con
una duración aproximada de dos horas cada uno, en los meses de septiembre y octubre de 2022,
y sumados al análisis de las interacciones identificadas en estas reuniones, buscamos analizar
cómo se han desarrollado prácticas lingüísticas en las orientaciones sobre los medicamentos a
ancianos analfabetos presentando los espacios y tiempos destinados a esos momentos. Estas
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reuniones fueron grabadas y posteriormente transcritas. Además, utilizamos el diario de campo
para registrar situaciones que no fueron verbalizadas pero observadas por los investigadores.
Lengua, realidad y ancianos analfabetos
Al inicio de esta investigación contextualizamos la institucionalización y los
determinantes económicos de la alfabetización que a lo largo de la historia fue vista como la
salvación de la nación analfabeta, especialmente la salvación de la economía. Y, actualmente
destacamos el PNA fruto de este proceso y agente de mantenimiento de esta lógica
(MORTATTI, 2019).
Mantenimiento cuando, entre otros elementos, destaca en su línea de tiempo el
documento "Aprendizaje infantil: una aproximación a la neurociencia, la economía y la
psicología cognitiva, publicado por la Academia Brasileña de Ciencias" (BRASIL, 2019, p. 15,
nuestra traducción). Sin embargo, en el discurso de Roger Beard, uno de los expertos que
ayudan en la redacción del cuaderno de la PNA, afirma: "Es por eso por lo que la alfabetización
de mala calidad no solo puede dañar a las personas, sino también afectar a toda la economía
nacional" (BRASIL, 2019, p. 16, nuestra traducción). O, todavía, en el artículo 4 cuando se
trata de los objetivos de la política de alfabetización, se destaca "III. garantizar el derecho a la
alfabetización para promover la ciudadanía y contribuir al desarrollo social y económico del
país" (BRASIL, 2019, p. 50, nuestra traducción).
Estos fragmentos y otros que impregnan la valoración de la economía en el PNA
muestran que la preocupación por el ascenso económico todavía está cristalizada en los
procesos de enseñanza de la lectura y la escritura, que la preocupación por formar mano de obra
es inminente y la falta de preocupación por los muchos brasileños analfabetos no es un debate
en primer plano.
No negamos que el ascenso económico es importante y que la alfabetización contribuye
a ello, pero la alfabetización debe entenderse más allá de estos dictados capitalistas. La
alfabetización es el campo del lenguaje que humaniza, transforma y emancipa. Es un derecho
de todos, independientemente de la edad y la condición social.
Para Vigotski (2007), es a través del lenguaje que el individuo se humaniza y se
convierte en un ser social. El lenguaje es el campo de la comunicación humana, formado por
un conjunto de sistemas de signos e instrumentos compartidos social y culturalmente
elaborados a través de la mediación simbólica que hace posible, además de la comunicación, la
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organización social y la conciencia del sujeto. Por lo tanto, el lenguaje está más allá de la
economía, es indispensable en el proceso de humanización de hombres y mujeres.
Al entrar en el campo del lenguaje de la lectura y la escritura, a diferencia del lenguaje
oral, porque este reside en la complejización del lenguaje en su alianza con el pensamiento,
actúa con sistemas visuales de orientación gráfica que son objetivaciones de la humanidad y se
presentan como una tarea nueva y desafiante orientada desde fundamentos psicológicos,
lingüística y pedagógica, sistematizada en la práctica de la enseñanza escolar (DANGIÓ,
MARTINS, 2017).
Esta práctica docente, según Luria (2012, p. 143, nuestra traducción) debe considerar
que el niño al ingresar a la escuela "ya ha adquirido un patrimonio de habilidades y destrezas
que le permitirán aprender a escribir en un tiempo relativamente corto". Sin embargo, la
enseñanza de la lectura y la escritura ocurre en un territorio desafiante que a menudo está
condicionado por orientaciones que quitan al maestro la autonomía del acto educativo.
Como acto educativo del lenguaje, entendemos la acción de enseñar dirigida a la
apropiación de la escritura en relación con la cultura humana, en relación con las objetivaciones
producidas históricamente con la objetividad de producir la humanización de los individuos.
Como afirma Saviani (1991, p. 21, nuestra traducción), "el trabajo educativo es el acto de
producir, directa e intencionalmente, en cada individuo individual, la humanidad que es
producida histórica y colectivamente por el conjunto de los hombres".
En el campo del lenguaje, la apropiación de las formas de escritura y lectura es esencial
y típicamente humana y, por lo tanto, debe ser posible para todos como condición de
humanización. Sin embargo, a lo largo de la historia de la educación, que no es exclusiva de la
alfabetización, la escuela, lugar de enseñanza sistematizada y producción de humanización, fue,
y sigue siendo, pero ahora camuflada por el discurso de tener en Brasil una Base Nacional
Común Curricular (BNCC), dualista, pero un "dualismo perverso de la escuela pública
brasileña: escuela del conocimiento para los ricos, escuela de acogida social para los pobres"
(LIBÂNEO, 2012, p. 1, nuestra traducción).
Esta recepción social es la forma de mantener las desigualdades sociales, el estado
mínimo y perverso. Con esta investigación experimentamos una historia con temas, de otros
tiempos, frutos de los debates iniciales de la preocupación por la cuantificación de la
alfabetización en detrimento de la calificación, el acceso y la permanencia de todos. Los sujetos
de esta investigación forman parte de las estadísticas que evidencian la alta tasa de analfabetos
en Brasil.
Proyecto ComuSaúde: Estrategias de comunicación para ancianos analfabetos
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El resultado de la investigación titulada "todo por la educación" realizada por el Instituto
Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE, 2010), señala que alrededor del 40,8% del total de
brasileños y brasileños hasta 8 años de edad no saben leer y escribir. Sin embargo, la misma
investigación destaca que los proyectos sociales intentan cambiar este escenario, dando a los
niños más pobres la oportunidad de leer. Entre los proyectos, se destaca en la investigación el
llamado "Nunca renuncies a tus sueños" que organiza una biblioteca infantil dentro de jardines
de infantes y escuelas pobres. Un ejemplo del mantenimiento de la escuela de acogida social
para los pobres, como dijo Libâneo (2012).
Cuando analizamos los datos del IBGE (2010) sobre la población anciana, hay
aproximadamente 6 millones de brasileños de 60 años o más que no saben leer ni escribir. De
estos, el 56,6% vive solo. Estos datos apuntan a la fragilidad de la educación en el país, ya que
saber leer y escribir son condiciones mínimas de la dignidad humana. Sin embargo, como las
limitaciones de nuestra educación no son de hoy conocemos los desafíos sobre el legado de
fracaso que deja la enseñanza de la lectura y la escritura.
Herencia del fracaso que quita, especialmente de la población anciana, la autonomía,
porque, si entendemos que la lectura y la escritura son una condición mínima para la autonomía
en las sociedades alfabetizadas, ¿cómo viven estos ancianos analfabetos? ¿Cómo se relacionan
con las prácticas de lectura y escritura? Aun así, la tasa de uso de medicamentos en esta fase de
la vida es alta, ¿cómo se organizan estos con las orientaciones de tiempo, dosis y tipología de
medicamentos que se guían a través de la escritura?
En este contexto de la población anciana analfabeta, tenemos en Brasil con el Plan
Nacional de Educación (PNE) cuyo objetivo 9 se ocupa de la erradicación del analfabetismo,
sin embargo, este objetivo aún no se ha alcanzado y la validez del documento está terminando
en 2024. De esta manera, estamos esperanzados, en el sentido de esperanzar propuesto por
Paulo Freire (2014), que es el acto de hacer y creer que sucederá. Por lo tanto, esta investigación
es un acto de esperanza, porque explicamos la necesidad de pensar en programas educativos
para los miles de brasileños que aún no saben leer o escribir y que no están en edad de
alfabetización institucionalizada según los documentos actuales, por ejemplo, la PNA.
No podemos negar que se organizaron algunos intentos de alfabetización de la población
anciana, entre ellos, los proyectos sociales de acogida de ancianos y la posibilidad de
matricularse en los espacios de Educación de Jóvenes y Adultos, medidas paliativas, pero
importantes que terminan asumiendo la responsabilidad de contribuir a la escolarización de los
ancianos, especialmente de los analfabetos. En este trabajo, llevamos al debate el proyecto
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ComuSaúde de los ancianos (CS) realizado en un municipio del oeste de Santa Catarina por las
unidades de salud con ancianos analfabetos.
ComuSaúde de los Ancianos
El proyecto ComuSaúde de los ancianos (CS) tiene como objetivo establecer medios de
comunicación con ancianos analfabetos, especialmente en lo que respecta a las orientaciones
de uso de medicamentos. El proyecto se desarrolla en un municipio del oeste de Santa Catarina
en todos los barrios "debido a los varios casos de ancianos que usan medicamentos
incorrectamente, en momentos y cantidades incorrectas" (ES, 2022, nuestra traducción).
En el barrio S las reuniones tienen lugar quincenalmente con una duración aproximada
de dos horas cada una. Estas reuniones son conducidas por los Agentes de Salud de la Unidad
bajo la supervisión de una enfermera. El propósito de estos encuentros es "orientar y explicar
a los ancianos el uso de medicamentos, incluso hacer un seguimiento para verificar si los están
usando correctamente, porque no saben leer, ni escribir y vivir solos" (ES, 2022, nuestra
traducción).
En cuanto a la organización de los encuentros, los sujetos fueron instruidos para sentarse
en el formato de un círculo de conversación (RC), característica que marca la intencionalidad
del diálogo y que coloca a los sujetos en el plano horizontal del discurso, es decir, todas las
declaraciones importan en el círculo. La RC implica un ejercicio de escuchar y hablar en el que
se agregan varios interlocutores, construidos a través de la interacción con el otro. Esta
interacción ocurre a través del proceso de dialogismo, que son "las relaciones de significado
que se establecen entre dos declaraciones" (BAKHTIN, 1997, p. 346, nuestra traducción) en un
territorio que promueve la circulación de significados de los agentes de salud (SA) y los
ancianos en un movimiento capaz de actuar en lenguaje simbólico, por las prácticas culturales
de comunicación que pueden surgir de y en interacciones históricamente situadas.
Al iniciar la RC las AS siempre comenzaban pidiendo a los ancianos que contaran algo
que sucedía durante los días en que no se reunían, en ese momento las declaraciones compartían
la angustia, las alegrías y los momentos difíciles que habían vivido. "Fue difícil, me enfermé el
lunes y tomé la medicina de la caja verde, luego dormí. Me desperté con el vecino llamando:
abuelo, abuelo" (Anciano A, nuestra traducción). Otro, "fue genial, salió el financiamiento y lo
compré con una licuadora, ahora puedes hacer las vitaminas del batido" (Anciano H, nuestra
traducción).
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Posteriormente, la AS verificó con cada anciano los medicamentos, porque, además de
las reuniones para la RD, también se entregaron los medicamentos. En este segundo momento,
observamos que entregaban a los ancianos cajas de los medicamentos con diferentes colores.
"Mira, este color amarillo es para tomar al mediodía, cuando el sol es fuerte" (AS1, 2022,
nuestra traducción). Los colores se usaban en las cajas de medicinas siempre articulando los
colores con elementos como el sol al mediodía, el negro por la noche y el azul por mañana. La
cantidad se registró en la caja con riesgos.
Creamos estas estrategias de color, pero, por ejemplo, cuando toman más de
una al mediodía, o en otro momento, tratamos de cubrir las cajas con el mismo
color pero con diferentes tonos y les decimos que presten atención.
Desafortunadamente estos ancianos viven solos y necesitan tener autonomía,
muchos de ellos ya han tomado medicamentos equivocados, uno incluso
hospitalizado, porque tomó tres por la noche y tomó tres de lo mismo, luego
pensamos en diferentes tonos del mismo color. Son estrategias, pero si
supieran leer y escribir todo sería diferente, no sufrirían tanto en dependencia
del color (AS 2, 2022, nuestra traducción).
Estos profesionales de la salud terminan encontrando estrategias lingüísticas para guiar
a los ancianos que no saben leer, y al realizar estas acciones actúan en el campo de la mediación
simbólica.
Como ejemplos de herramientas psicológicas y sus complejos sistemas
pueden servir: lenguaje; las diferentes formas de numeración y cálculo;
recursos mnemotécnicos; simbología algebraica; obras de arte; escritura; los
regímenes; los diagramas; los mapas; los dibujos; todas las formas posibles de
signos convencionales, etc. (VIGOTSKI, 1987, p. 182, nuestra traducción).
En las investigaciones, Vigotski (1987) identificó el significado y la mediación por signo
e instrumento. La mediación por signo es una actividad interna dirigida al control del propio
sujeto, y la que tiene instrumento está orientada externamente, al control de la naturaleza, pero
ambas conllevan cambios en el funcionamiento cognitivo. En esta investigación, los sujetos
interactúan mediados por significados simbólicos y "son herramientas que ayudan en procesos
psicológicos y no en acciones concretas" (VIGOTSKI, 2007, p. 30, nuestra traducción).
Los colores en las cajas de medicina se convirtieron en un signo psicológico que se
dirigió al control del sujeto: el anciano mismo, ayudándolo a resolver problemas como:
recordar, representar, comparar, informar, planificar, entre otras acciones internas que fueron
posibles y potenciadas por las elaboraciones de las acciones realizadas por las AS dirigidas a la
conciencia de los ancianos.
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA y Solange Maria ALVES.
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La verdadera esencia de la memoria humana radica en el hecho de que los
humanos son capaces de recordar activamente con la ayuda de signos. Podría
decirse que la característica básica del comportamiento humano en general es
que los hombres mismos influyen en su relación con el medio ambiente y, a
través de este entorno, modifican personalmente su comportamiento,
poniéndolo bajo su control (VIGOTSKI, 1987, p. 58, nuestra traducción).
Así, fue posible observar que los ancianos a partir de la mediación simbólica realizada
por los colores en las cajas de medicina habilitaron las funciones psicológicas superiores,
aunque no sabían leer ni escribir, pero reconocieron otros signos que posibilitan el desarrollo
de habilidades cognitivas para internalizar los signos compartidos y transformarlos en
elementos mediadores (GALUCH; SFORNI, 2009).
Entendemos y defendemos la lectura y la escritura como claves para acceder al
conocimiento sistematizado, porque la apropiación de este conocimiento es una condición para
el desarrollo humano, pero sabemos que no todos tuvieron y tienen acceso a este conocimiento
y estrategias como las desarrolladas por el proyecto analizado. Esto permite resaltar las
fragilidades de nuestra educación y la necesidad de rescatar la dignidad de las personas
analfabetas y permitirles entrar en el territorio alfabetizado, dominando el lenguaje escrito,
como un sistema simbólico presente en la cultura en la que se insertan.
Sin embargo, cabe mencionar que observamos que en algunas cajas de medicamentos
había algunas letras, sobre esto, AS3 aclara "tenemos este proyecto en funcionamiento desde
hace cinco meses, es reciente, pensamos en hacerlo por fase, primero los colores, luego, como
algunos ya recuerdan, escribimos la letra M por la mañana, T por la tarde y N por la noche".
Las AS entienden la importancia del conocimiento de la lengua escrita, porque permite romper
con la condición de que les priva de la lengua escrita elaborada y utilizada por todos los seres
humanos.
En este contexto, el proyecto nos proporciona elementos de reflexión sobre la
importante lucha que debemos librar por el acceso de todos a la alfabetización, la garantía de
que todos sepan leer y escribir. El proyecto nos lleva a pensar en la formación humana, que
debe ser considerada como la forma de desarrollar habilidades cognitivas, que asegura la
internalización del conocimiento que se convierte en elementos mediadores, con los cuales el
sujeto puede establecer con objetos, hechos y fenómenos una relación que prescinde del
contacto con el mundo perceptible (GALUCH; SFORNI, 2009).
Finalmente, destacamos que incluso sin esta formación humana en el campo del
lenguaje escrito, las acciones objetivadas de las AS permitieron a los ancianos actuar de acuerdo
con los instrumentos simbólicos que tienen para organizar mentalmente su actividad de vida,
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destacando así la importancia del lenguaje en el proceso de socialización humana, además de
evidenciar la importancia de rescatar la dignidad de estos ancianos que fueron privados del
derecho a leer y escribir.
Escritos finales
Reflexionar sobre las objetivaciones del proceso de alfabetización es siempre una tarea
compleja, porque es en este movimiento reflexivo donde emergen las fragilidades. En esta
investigación que tuvo como objetivo analizar las estrategias de comunicación utilizadas en el
campo de la salud con ancianos analfabetos, fue posible evidenciar que a lo largo de la historia
estos temas no fueron puestos a la atención de las preocupaciones de los documentos y
programas nacionales sobre alfabetización.
Además, la historia de la alfabetización deja marcas atenuadas que surcan la exclusión
camuflada por la ascensión social. Una nación con sujetos desprovistos del derecho a saber leer
y escribir es una nación que excluye, selectiva y limita el desarrollo humano. Aun así, sabemos
que, a lo largo de los años, los sujetos terminan realizando el uso de medicamentos de manera
más recurrente y saber qué medicación, la cantidad y el tiempo son condiciones mínimas para
el bienestar, sin embargo, para los ancianos analfabetos este momento de la vida se convierte
en el momento de dependencia que suprime la autonomía de estos sujetos.
Por lo tanto, es necesario dialogar sobre el proceso de alfabetización de manera
intersectorial, específicamente en contextos compartidos por sujetos analfabetos, ya que
permite resaltar la necesidad de investigaciones comprometidas con las dimensiones
individuales y colectivas de los sujetos que están interrelacionados en el territorio de las lenguas
orales y escritas.
A partir de esta investigación, destacamos la necesidad de abrir espacios para programas
de alfabetización educativa que se articulen al campo de la salud y que puedan contribuir a la
confrontación de problemas relacionados con el aprendizaje de la lectura y la escritura
excluyendo las desigualdades a través de condiciones de participación e inserción en las
diferentes esferas sociales del lenguaje.
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CRediT Author Statement
Agradecimientos: Nos gustaría agradecer a la Universidad Federal de la Frontera Sur,
especialmente a la profesora Solange Maria Alves por la bienvenida y a la Universidad del
Oeste de Santa Catarina por la liberación de la profesora Marineiva Moro de Oliveira para
asistir a su Postdoctorado.
Financiación: No hay financiación institucional.
Conflictos de intereses: Sin conflictos de intereses.
Aprobación ética: El trabajo respetó éticamente a todos los involucrados y a las
instituciones involucradas.
Disponibilidad de datos y material: Los datos y materiales no estarán disponibles por
razones éticas.
Contribuciones de los autores: Ambos autores realizaron las observaciones, descripción y
análisis de los datos.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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COMUSAÚDE PROJECT: COMMUNICATION STRATEGIES FOR THE
ILLITERATE ELDERLY PEOPLE
PROJETO COMUSAÚDE: ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO AO IDOSO NÃO
ALFABETIZADO
PROYECTO COMUSAÚDE: ESTRATEGIAS DE COMUNICACIÓN PARA ANCIANOS
ANALFABETOS
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA 1
e-mail: marineiva.oliveira@unoesc.edu.br
Solange Maria ALVES 2
e-mail: solange.alves@uffs.edu.br
How to reference this article:
OLIVEIRA, M. M. C.; ALVES, S. M. ComuSaúde Project:
Communication strategies for the illiterate elderly people. Revista
Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n.
00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524
| Submitted: 22/03/2023
| Revisions required: 15/05/2023
| Approved: 29/07/2023
| Published: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
University of Oeste de Santa Catarina (UNOESC), Chapecó SC Brazil. Professor of the Graduate Program -
Master in Education.
2
Federal University of Fronteira Sul (UFFS), Chapecó SC Brazil. Professor of the Graduate Program - Master
in Education.
Comusaúde Project: Communication strategies for the illiterate elderly people
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524 2
ABSTRACT: The current text materializes part of the research that has been carried out within
the research group and as part of the prerequisites for obtaining the postdoctoral degree in
education. The aim of this study is to analyze the communication strategies used in the field of
health with unsuccessful elderly. From the historical-cultural perspective of human
development, there are explanations about the ComuSaúde project carried out with illiterate
elderly residents in a municipality in the West of Santa Catarina. Through a qualitative,
ethnographic research, with observations and records in the moments of orientation on
medicines to the elderly. As results, this research highlights the ComuSaúde project as a way
to rescue human dignity to the subjects resulting from the exclusion of the right to appropriation
of written language.
KEYWORDS: Literacy. Health. Illiterate seniors.
RESUMO: O texto em tela materializa parte de pesquisa que vem sendo realizada no âmbito
do grupo de pesquisa e como parte de pré-requisitos para obtenção de título de pós-doutorado
em educação. Tem como objetivo analisar as estratégias de comunicação utilizada no campo
da saúde com idosos não alfabetizados. A partir da perspectiva histórico-cultural do
desenvolvimento humano se tece explicitações acerca do projeto ComuSaúde realizado com
idosos não alfabetizados moradores de um município do Oeste de Santa Catarina. Por meio de
uma pesquisa de abordagem qualitativa, etnográfica, com observações e registros nos
momentos de orientações acerca de medicações aos idosos. Como resultados, esta pesquisa
destaca o projeto ComuSaúde como uma via de resgate da dignidade humana aos sujeitos
frutos da exclusão do direito a apropriação da linguagem escrita.
PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização. Saúde. Idosos não alfabetizados.
RESUMEN: El texto en pantalla materializa parte de la investigación que se ha llevado a cabo
dentro del grupo de investigación y como parte de los requisitos previos para la obtención del
título de postdoctorado en educación. El objetivo de este estudio es analizar las estrategias de
comunicación utilizadas en el campo de la salud con los ancianos sin éxito. Desde la
perspectiva histórico-cultural del desarrollo humano, hay explicaciones sobre el proyecto
ComuSaúde realizado con ancianos analfabetos residentes en un municipio del oeste de Santa
Catarina. A través de una investigación cualitativa, etnográfica, con observaciones y registros
en los momentos de orientación sobre medicamentos a los ancianos. Como resultados, esta
investigación destaca el proyecto ComuSaúde como una forma de rescatar la dignidad humana
a los sujetos resultantes de la exclusión del derecho a la apropiación del lenguaje escrito.
PALABRAS CLAVE: Alfabetización. Salud. Adultos mayores analfabetos.
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA and Solange Maria ALVES.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524 3
Introduction
The term literacy is intensely manifested in the educational field from the Proclamation
of the Republic in 1889, when the process of reading and writing gains visibility and starts to
compose a stage of schooling in Brazil. Process aimed at teaching reading and writing, literacy
is complex and involves specifically human actions. These actions impose the need to include
non-literate people in the world of written culture, thus requiring the formulation of means and
modes that enhance access to reading and writing for all.
In Brazil, with the Proclamation of the Republic, literacy was institutionalized, that is,
it gained a specific space and place in the debate on the social ascension of the new republican
nation, since knowing how to read and write was a minimum condition required for citizens by
republican standards. Specifically, it was from the first republican decade, with the reforms of
public education, that the social practices of reading and writing became school practices
conditioned to the systematized organization that would enable the formation of citizens for the
political and social development of the country, because among the purposes of the republicans,
social and economic ascension also fell into the arms of literacy, which assumed responsibility
for the new literate society.
Faced with this responsibility and others that the school began to assume in these
approximately 130 years, several changes occurred in the history of literacy, especially in the
year 1930, with the process of unification of “political initiatives in all spheres of social life,
education and, in particular, literacy became part of state government policies and actions as
strategic areas for promoting and sustaining the desired national development” (MORTATTI,
2006, p. 330, our translation).
From that moment until today, education has been controlled and measured by the
results of assessments that show reading and writing learning indices, mechanisms to show the
(in)efficiency of public schools. In literacy, these indices, resulting from the history of literacy
marked by disputes, sometimes by teaching methods, sometimes by learning theories,
culminated in the development of literacy programs whose focus is the training of literacy
teachers with a view to increasing the results of assessments.
In this historical context, Graff (1994) indicated that history left two domains in charge
of the teaching of reading and writing: first, the ontological domain, which refers to the search
for the essence of the act of literacy and what constitutes this act; the second, the axiological
domain, based on the values and conceptions of literacy.
Comusaúde Project: Communication strategies for the illiterate elderly people
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Under analysis of these two domains, Graff (1994) pointed out that the desired economic
progress that was linked to the literacy process is a myth, because thinking that literacy is the
salvation of social problems is a necessary myth to ensure the hegemony of the current political
system in each season. The myth, according to the author, is a result of the appreciation that
crystallizes the economic conception and social ascension of those who are literate to the
detriment of the conditions of being able to teach and learn to read and write to everyone.
Still, for the author, literacy is taken as a hegemonic device to control the economically
disadvantaged class that starts to be manipulated, even if in a hidden way, by means of new
policies in the field of education (GRAFF, 1994), example of the National Policy Literacy
Program (PNA). Based on the writings of Gramsci (2002), we conceptualize hegemony as the
creation of an ideological bloc that allows the ruling class to maintain an intellectual monopoly
to strengthen its dominance. This control movement puts the promoters of schooling in the
wake of teaching, that is, our literacy teachers, who become more moral, orderly, disciplined,
obedient and conformed workers, values expected by the hegemony of the moral economy of
literacy (GRAFF, 1994; MORTATTI, 2006).
For Mortatti (2006), the way to overcome this dominance is to strengthen the concept
that literacy is a process that enables autonomy, which is the movement of apprehending
historically elaborated knowledge towards emancipation, which is the condition for the
conscious use of this knowledge in different social contexts.
Like the author, we defend that literacy should be debated as the process resulting from
the historical and cultural elaboration of signs that are socially shared and that drive a qualitative
leap in the human psyche. As a field of knowing how to read and write, which are typically
human actions that allow the subject to enter the complex territory of the symbolic world
elaborated by the being itself. It's discovering the magic of language and communicating,
learning and becoming aware of it.
However, this understanding is not an easy activity for the subjects of the literacy
process, it is a practice that needs to break free from the ties that, throughout history, considered
as a priority, evaluative indices to the detriment of the social, economic and political conditions
of those who teach literacy and who needs to be literate. A story that erases the importance of
humanization beyond the economy provided by learning to read and write.
In this way, identifying how subjects, the result of an exclusionary process that took
away their right to learn to read and write, survive in literate communities, is the topic discussed
in this work. Based on a qualitative, ethnographic approach research with non-literate elderly
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA and Solange Maria ALVES.
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people, nurses and health agents in a neighborhood in a city in western Santa Catarina, we
aimed to analyze the communication strategies used in the field of health with non-literate
elderly people.
To meet the proposed objective, this work is organized into four sections: in the first,
we contextualize the historical process of Brazilian literacy, especially the institutionalization
of literacy in the country. In the second section, we present the methodology. In the third
section, we explain the language, the Brazilian reality and illiterate elderly people. In the fourth,
we highlight the analysis about the ComuSaúde project, followed by the final writings.
Institutionalization of literacy
As one of the main processes of social ascension, learning to read and write became
minimum conditions for legal subjects in the early republican period. The requirements for
performance in reading and writing began to intensify in the first decades of the 1900s when
the transition from agrarian to industrial society took place, because for the new moment, new
forms of work were being established in the country.
In the continuity of this story, in the Vargas Era, access to education expanded, but the
duality in education also intensified, one taught future rulers and the other taught the working
class to write, read and calculate, the latter with the objectivity of train the workforce that would
be controlled by those who learned to govern, because teaching the economically disadvantaged
classes was due to the “[...] need to train them for a new work discipline [...]” (GRAFF, 1994,
p. 86, our translation).
With this duality, the country arrived in 1920 with 71.2% of people still unable to read
and write. Given this data, the movement of the Manifesto of the Pioneers for a New Education
(1932) appears in the country, having as leaders Lourenço Filho, Fernando de Azevedo and
Anísio Teixeira (BECALLI, 2007). This movement highlighted the criticism of the traditional
teaching method and proclaimed the role of the student, in addition to intensifying the critical
discourse about the duality of the school, pointing to this duality as the main cause of failure in
literacy.
After this manifesto, Brazil experienced other moments of change, unfortunately many
of which placed education as a space for the (de)training of manpower for the labor market,
whose scientific emptying was latent and distanced education from the possibility of
guaranteeing everyone the enrichment of human training capable of emancipating citizens
(FRIGOTTO, 2011).
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In the field of literacy, these changes, especially from the year 2000 onwards, at the
national level, focused on the training of those who teach literacy, thus emerging training
programs for literacy teachers, such as the Program for Continuing Education of Literacy
Teachers (Profa - 2000), the Continuing Education Program for Teachers in the Early Years of
Elementary Education (Pro-literacy - 2005) and the National Pact for Literacy at the Right Age
(PNAIC- 2012) which ended when the constitutive movement of the National Common
Curricular Base began (BNCC). Movement that brought to light the National Literacy Policy
(PNA-2019) (BRASIL, 2012b; 2019).
The PNA is the current document that guides the new literacy training programs and
literacy practices, instituted by Decree No. 9765 of April, 11, 2019. It is presented by the
Brazilian government as a turning point in education, specifically for helping in “scientific,
economic and social progress of a people” (BRASIL, 2019, p. 5, our translation).
This contextualization demarcates the field of Brazilian schooling for the teaching of
reading and writing, especially for children, however, reading and writing is everyone's right,
regardless of age or social condition. Therefore, reflecting on the literacy process of non-literate
subjects marks the condition of reflecting on the (im)possibilities of emancipation and
autonomy of these subjects, fruits of this historical process that valued the simplistic
qualification of cheap labor to the detriment of awareness by the appropriation of human
language that would enhance human development and that would dismantle the oppressive and
emptied process impregnated in the teaching of reading and writing in Brazil.
Methodology
Language is a central element of literacy and, in this work, we analyze language through
Vygotsky's historical-cultural perspective and Bakhtin's dialogic theory. The appropriate
method to conduct the analysis on our research object, in its relationships and determinations,
is the historical-dialectical materialism which, in this research, allows us to establish reflections
on the reality of illiterate elderly people in the context of health on the social practices of
language in the guidelines regarding medication and, mainly, on the role of literacy in the
humanization of all.
From the definition of the method, this investigation follows the path of research with a
qualitative, ethnographic approach, a path that allows approximation with reality and insertion
in the researched environment through observation and analysis of interactions, which are the
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instruments for data collection in this search. This methodological path materializes in the
follow-up of the meetings held by the four health agents, with ten elderly people from a
neighborhood located in a municipality in the west of Santa Catarina. In this neighborhood,
health agents meet fortnightly with the elderly to check the correct use of medication,
explaining times, quantity and which medication should be used. These elderly people are not
literate, hence our immersion, to identify the language practices used in this space as a way of
overcoming the failure left by education.
The neighborhood chosen stems from the survey carried out by the Municipal Health
Secretariat (SMS) that aimed to identify which neighborhood in the municipality had the
highest percentage of illiterate elderly people. A total of ten seniors participates in this project.
To present the research results, we will use the S to identify the neighborhood, AS for the health
agents, ES for the supervising nurse and the initial letter of each name to identify the elderly, to
those who have the same initial letter we will add one of them the initial letter of the surname.
Through the eight moments of observations, which took place every two weeks, lasting
approximately two hours each, in the months of September and October 2022, and added to the
analysis of the interactions identified in these meetings, we sought to analyze how the practices
have been developed of language in the guidelines about medication for illiterate elderly people,
presenting the spaces and times destined for these moments. These meetings were recorded and
later transcribed. In addition, we used the field diary to record situations not verbalized, but
observed by the researchers.
Language, reality and illiterate elderly
At the beginning of this research, we contextualized the institutionalization and
economic determinants of literacy which, throughout history, was seen as the salvation of the
illiterate nation, mainly the salvation of the economy. And, currently, we highlight the PNA as
a result of this process and an agent for maintaining this logic (MORTATTI, 2019).
Maintenance when, among other elements, it highlights in its timeline the document
“Childhood Learning: an approach to neuroscience, economics and cognitive psychology,
published by the Brazilian Academy of Sciences” (BRASIL, 2019, p. 15, our translation). Still,
in the speech of Roger Beard, one of the specialists who helped in the writing of the PNA
notebook, he states: “That is why poor-quality literacy can not only harm individuals, but also
affect the entire national economy” (BRASIL, 2019, p. 16, our translation). Or, still, in article
4, when dealing with the objectives of the literacy policy, it is highlighted “III. ensure the right
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to literacy in order to promote citizenship and contribute to the social and economic
development of the country” (BRASIL, 2019, p. 50, our translation).
These fragments and others that pervade the valuation of the economy in the PNA show
that the concern with economic ascension is still crystallized in the processes of teaching
reading and writing, that the concern with training manpower is imminent and the lack of
concern with the many Brazilians illiterate is not a foreground debate.
We do not deny that economic ascension is important and that literacy contributes to it,
however, literacy must be understood beyond these capitalist dictates. Literacy is the field of
language that humanizes, transforms and emancipates. It is a right of all regardless of age and
social status.
For Vigotski (2007), it is through language that the individual is humanized and becomes
a social being. Language is the field of human communication formed by a set of systems of
signs and instruments socially shared and culturally elaborated through symbolic mediation that
enables, in addition to communication, social organization and the subject's awareness.
Therefore, language goes beyond economics, it is indispensable in the process of humanizing
men and women.
By entering the field of reading and writing language, unlike oral language, as this lies
in the complexification of language in its alliance with thought, it works with visual systems of
graphic orientation that are objectivations of humanity and present themselves as a new and
challenging task oriented from psychological, linguistic and pedagogical foundations,
systematized in school teaching practice (DANGIÓ, MARTINS, 2017).
This teaching practice, according to Luria (2012, p. 143, our translation) should consider
that the child, upon entering school “has already acquired a wealth of skills and abilities that
will enable him to learn to write in a relatively short time”. However, the teaching of reading
and writing takes place in a challenging territory that is often conditioned by guidelines that
deprive the teacher of the autonomy of the educational act.
As an educational act of language, we understand the action of teaching aimed at the
appropriation of writing in relation to human culture, in relation to objectivations historically
produced with the objectivity of producing the humanization of individuals. As Saviani (1991,
p. 21, our translation) stated, “educational work is the act of producing, directly and
intentionally, in each unique individual, the humanity that is historically and collectively
produced by the group of men”.
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In the field of language, the appropriation of forms of writing and reading is essentially
and typically human and, therefore, must be made possible for everyone as a condition of
humanization. However, throughout the history of education, which is not exclusive to literacy,
the school, the place of systematized teaching and the production of humanization, was, and
continues to be, but now in a camouflaged way by the discourse of terms in Brazil, a National
Base Common Curricular (BNCC), dualistic, but a “perverse dualism of the Brazilian public
school: school of knowledge for the rich, school of social acceptance for the poor” (LIBÂNEO,
2012, p. 1, our translation).
This social welcome is the way to maintain social inequalities, the minimal and perverse
state. With this research, we experience a story with subjects from other times, fruits of the
initial debates of the concern with the quantification of literacy to the detriment of qualification,
access and permanence of all. The subjects of this research are part of the statistics that show
the high rate of illiterate people in Brazil.
The result of the research entitled “Todos Pela Educação” carried out by the Brazilian
Institute of Geography and Statistics (IBGE, 2010), points out that about 40.8% of the total
number of Brazilian boys and girls up to 8 years old are illiterate. Still, the same research
highlights that social projects try to change this scenario, giving the poorest children the
opportunity to read. Among the projects, the one named "Never give up on your dreams" stands
out in the research, which organizes a children's library within day care centers and needy
schools. An example of maintaining the school of social acceptance for the poor, as Libâneo
(2012) said.
When we analyze data from the IBGE (2010) on the elderly population, there are
approximately 6 million Brazilians aged 60 or over who cannot read or write. Of these, 56.6%
live alone. These data point to the fragility of education in the country, as knowing how to read
and write are minimum conditions of human dignity. However, as the limitations of our
education are not new, we are aware of the challenges surrounding the legacy of failure left by
the teaching of reading and writing.
Inheritance of failure that removes autonomy, especially from the elderly population,
because if we understand that reading and writing is a minimum condition for autonomy in
literate societies, how do these illiterate elderly people live? How do they relate to reading and
writing practices? Still, the rate of medication use at this stage of life is high, how are these
organized with the guidelines for time, dosage and type of medication that are oriented through
writing?
Comusaúde Project: Communication strategies for the illiterate elderly people
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In this context of the illiterate elderly population, we have, in Brazil, the National
Education Plan (PNE) whose goal 9 deals with the eradication of illiteracy, however, this goal
has not yet been reached and the validity of the document ends in 2024. We are hopeful, in the
sense of hope proposed by Paulo Freire (2014), which is the act of doing and believing that it
will happen. Therefore, this research is an act of hope, as we explain the need to think about
educational programs for the thousands of Brazilians who still cannot read or write and who are
not at an institutionalized literacy age according to the current documents, the example, the
PNA.
We cannot deny that some attempts to teach literacy to the elderly population were
organized, among them, social projects to welcome the elderly and the possibility of enrolling
in Youth and Adult Education spaces, palliative measures, but important that end up assuming
the responsibility of contribute to the education of the elderly, especially those who are illiterate.
In this work, we bring to the debate the ComuSaúde project for the elderly (CS) carried out in
a municipality in the west of Santa Catarina by health units with illiterate elderly people.
ComuSaúde of the Elderly
ComuSaúde project for the elderly (CS) aims to establish means of communication with
illiterate elderly people, mainly regarding guidelines for the use of medication. The project is
developed in a municipality in the west of Santa Catarina in all neighborhoods “due to several
cases of elderly people using medications incorrectly, at the wrong times and amounts(ES,
2022, our translation).
In Bairro S, meetings take place every two weeks, lasting approximately two hours each.
These meetings are conducted by the Unit's Health Agents under the supervision of a nurse.
The purpose of these meetings is to guide and explain to the elderly the use of medicines, even
to monitor them to verify that they are using them correctly, as they do not know how to read or
write and live alone” (ES, 2022, our translation).
Regarding the organization of the meetings, the subjects were instructed to sit in a
conversation circle (RC) format, a characteristic that marks the intentionality of dialogue and
that places the subjects in the horizontal plane of the discourse, that is, all utterances matter in
the circle. CR implies a listening and speaking exercise in which several interlocutors are added,
built through interaction with the other. This interaction occurs through the process of
dialogism, which are “the relationships of meaning that are established between two utterances”
(BAKHTIN, 1997, p. 346, our translation) in a territory that promotes the circulation of
Marineiva Moro Campos de OLIVEIRA and Solange Maria ALVES.
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meanings of health agents (HC) and elderly people in a movement capable of acting in
symbolic language, through the cultural practices of communication that can emerge from and
in historically situated interactions.
When starting the CR, the AS always started by asking the elderly to talk about
something that happened during the days when they did not meet, at that moment the statements
shared the anxieties, joys and difficult moments they had experienced. “It was hard, I felt sick
on Monday and I took the medicine from the green box, then I slept. I woke up with the neighbor
calling – grandpa, grandpa ”, (Elderly A, our translation). Another, “it was cool, the financing
came out and I bought it with a blender, now I can make smoothies(Elderly H, our translation).
Next, the AS checked the medicines with each elderly person, because, in addition to
the meetings for the RD, the medications were also delivered. In this second moment, we
observed that they gave the elderly medicine boxes with different colors. Look, this yellow one
is to be taken at midday, when the sun is strong” (AS1, 2022, our translation). The colors were
used in the medicine boxes always articulating the colors with elements such as the sun at noon,
black at night and blue for tomorrow. The quantity was registered in the box with risks.
We created these color strategies, but for example, when they take more than
one at noon, or at another time, we try to cover the boxes with the same color,
but with different tones and we advise them to pay attention. Unfortunately,
these elderly people live alone and need autonomy, many of them have already
taken the wrong medication, one even had to be hospitalized, as he took three
at night and took three of the same, that's when we think of different shades
of the same color. These are strategies, but if they knew how to read and write,
everything would be different, they wouldn't suffer so much from color
dependency (AS 2, 2022, our translation).
These health professionals end up finding language strategies to guide elderly people
who cannot read and, when carrying out these actions, they act in the field of symbolic
mediation.
As examples of psychological tools and their complex systems can serve: the
language; the different forms of numbering and calculation; mnemonic
resources ; the algebraic symbology; works of art; the writing; the schemes;
the diagrams; the maps; the drawings; all possible forms of conventional signs,
etc. (VIGOTSKI, 1987, p. 182, our translation).
In research, Vygotsky (1987) identified meaning and mediation by sign and instrument.
Mediation by sign is an internal activity aimed at controlling the subject himself, and mediation
by instrument is externally oriented towards controlling nature, but both entail changes in
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cognitive functioning. In this research, subjects interact mediated by symbolic meanings and
“are tools that help in psychological processes and not in concrete actions” (VIGOTSKI, 2007,
p. 30, our translation).
The colors on the medicine boxes became a psychological sign that was directed towards
the subject's own control - the elderly person, helping him to solve problems such as:
remembering, representing, comparing, reporting, planning, among other internal actions that
were made possible and potentiated by the elaborations of the actions carried out by the AS
directed to the conscience of the elderly.
The very essence of human memory lies in the fact that human beings are able
to actively remember with the help of signs. It could be said that the basic
characteristic of human behavior in general is that men themselves influence
their relationship with the environment and, through this environment,
personally modify their behavior, placing it under their control (VIGOTSKI,
1987, p. 58, our translation).
Thus, it was possible to observe that the elderly, from the symbolic mediation carried
out by the colors on the medicine boxes, enabled higher psychological functions, although they
did not know how to read or write, but they recognized other signs that enable the development
of cognitive capacities to internalize the shared signs and transform them into mediating
elements (GALUCH; SFORNI, 2009).
We understand and defend reading and writing as keys to accessing systematized
knowledge, as the appropriation of this knowledge is a condition for human development, but
we know that not everyone had and still has access to this knowledge and strategies such as
those developed by the analyzed project. This makes it possible to highlight the weaknesses of
our education and the need to rescue the dignity of non-literate people and enable them to enter
the literate territory, dominating the written language, as a symbolic system present in the
culture in which they are inserted.
However, it is worth mentioning that we observed that some medicine boxes had some
letters, about this, AS3 clarifies we have this project running for five months, it is recent, we
thought of doing it by phase, first the colors, then, like some remember, we wrote the letter M
in the morning, T in the afternoon and N in the evening(our translation). The AS understand
the importance of knowledge of written language, as this makes it possible to break with the
condition that deprives them of the written language elaborated and used by all human beings.
In this context, the project provides us with elements for reflection on the important
struggle that we must wage in favor of everyone's access to literacy, the guarantee that everyone
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knows how to read and write. The project leads us to think about human formation, which
should be considered as the path for the development of cognitive abilities, which guarantees
the internalization of knowledge that becomes mediating elements, with which the subject can
establish with objects, facts and phenomena a relationship that dispenses with contact with the
perceptible world (GALUCH; SFORNI, 2009).
Finally, we emphasize that even lacking this human training in the field of written
language, the objectified actions of AS enabled the elderly to act in accordance with the
symbolic instruments they have to mentally organize their life activity, thus highlighting the
importance of language in the process of human socialization, in addition to highlighting the
importance of rescuing the dignity of these elderly people who were deprived of the right to
read and write.
Final writings
Reflecting on the objectivations of the literacy process is always a complex task, as it is
in this reflective movement that weaknesses emerge. In this research, which aimed to analyze
the communication strategies used in the field of health with non-literate elderly people, it was
possible to show that throughout history these subjects were not raised about the concerns of
national documents and programs about literacy.
Furthermore, the history of literacy leaves attenuated marks that furrow the exclusion
camouflaged by social ascension. A nation with subjects deprived of the right to know how to
read and write is an excluding, selective and limiting nation of human development. We also
know that, over the years, subjects end up using medications more recurrently and knowing
which medication, quantity and time are minimum conditions for well-being, however, for
illiterate elderly people, this moment of life becomes the moment of dependence, which
suppresses their autonomy from these subjects.
Therefore, dialogue about the literacy process in an intersectoral way is necessary,
specifically in contexts shared by illiterate subjects, as it makes it possible to highlight the need
for research committed to the individual and collective dimensions of subjects that interrelate
in the territory of oral and written languages.
Based on this research, we highlight the need to make room for educational literacy
programs that are linked to the field of health and that can contribute to facing problems related
Comusaúde Project: Communication strategies for the illiterate elderly people
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023080, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524 14
to learning to read and write, excluding inequalities through conditions of participation and
insertion in the different social spheres of language.
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.17524 16
CRediT Author statement
Acknowledgments: We would like to thank the Federal University of Fronteira Sul,
especially Professor Solange Maria Alves for welcoming us, and the University of Oeste de
Santa Catarina for releasing Professor Marineiva Moro de Oliveira to attend her post-
doctorate.
Financing: There is no institutional funding.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The work ethically respected all those involved and the institutions
involved.
Availability of data and material: Data and materials will not be made available for ethical
reasons.
Authors' contributions: Both authors performed the observations, description and data
analysis.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.