RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633 1
ENSINO DE LUTAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: RELATOS DE UMA
PESQUISA-AÇÃO
LA ENSEÑANZA DE DEPORTES DE COMBATE EN LA EDUCACIÓN FÍSICA
ESCOLAR: INFORMES DE UNA INVESTIGACIÓN-ACCIÓN
TEACHING COMBAT SPORTS IN SCHOOL PHYSICAL EDUCATION: REPORTS OF
AN ACTION-RESEARCH
Daniel Giordani VASQUES 1
e-mail: daniel.vasques@ufrgs.br
Flávio Py MARIANTE NETO 2
e-mail: flaviomariante@hotmail.com
Maitê Venuto de FREITAS 3
e-mail: venutodefreitas@gmail.com
Como referenciar este artigo:
VASQUES, D. G.; MARIANTE NETO, F.; FREITAS, M. V.
Ensino de lutas na Educação Física Escolar: Relatos de uma
pesquisa-ação. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633
| Submetido em: 16/01/2023
| Revisões requeridas em: 27/02/2023
| Aprovado em: 13/04/2023
| Publicado em: 01/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre RS Brasil. Doutor em Ciências do
Movimento Humano pela UFRGS (Professor do Departamento de Expressão e Movimento e do Programa de Pós-
Graduação em Ciências do Movimento Humano).
2
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas RS Brasil. Doutor em Ciências do Movimento Humano
pela UFRGS (Professor do Departamento de Educação Física).
3
Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA), Porto Alegre RS Brasil. Doutora em Ciências do Movimento
Humano pela UFRGS (Professora da Secretaria Municipal de Educação).
Ensino de lutas na Educação Física Escolar: Relatos de uma pesquisa-ação
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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RESUMO: Esse estudo trata de analisar uma intervenção pedagógica do ensino de lutas no
currículo de Educação Física de uma escola pública federal. A pesquisa-ação se deu na
ministração de sete aulas de lutas para turmas do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. A partir
da observação participante foram produzidos diários de campo, construídos nos estranhamentos
do professor-pesquisador. As práticas pedagógicas visaram o uso de poucos materiais e que
elementos éticos/atitudinais fossem empregados cotidianamente. O texto apresenta: 1) uma
percepção dos saberes iniciais dos estudantes; 2) a proposta de ensino de lutas; e 3) uma
avaliação da proposta pedagógica. A proposta se alia a uma educação interessada nas emoções
dos indivíduos, não somente na perspectiva da incorporação de controles e autocontroles, mas
na lógica também de desenvolvimento da autonomia e do conhecimento de si, e da construção
de espaços seguros de catarse e de liberação dos impulsos.
PALAVRAS-CHAVE: Lutas. Educação Física Escolar. Intervenção. Proposta pedagógica.
Ética.
RESUMEN: Este estudio analiza una intervención pedagógica con deportes de combate en el
currículo de Educación Física de una escuela pública. La investigación-acción se desarrolló
en la enseñanza para clases de y años. A partir de la observación participante, fueron
elaborados diarios de campo, construidos a partir de la extrañeza del profesor-investigador.
Las prácticas pedagógicas usaron pocos materiales y los elementos éticos/actitudinales fueran
utilizados en el día a día. El texto presenta: 1) una percepción de los conocimientos iniciales
de los estudiantes; 2) la propuesta de la enseñanza de deportes de combate; y 3) una evaluación
de la propuesta pedagógica. La propuesta se conjuga con una educación interesada en las
emociones de los individuos, no solo desde la perspectiva de incorporar controles y
autocontroles, sino también desde la lógica de desarrollar la autonomía y el autoconocimiento,
y construir espacios seguros de catarsis y liberación de impulsos.
PALABRAS CLAVE: Deportes de combate. Educación Física Escolar. Intervención.
Propuesta pedagógica. Emociones.
ABSTRACT: This study analyzes a pedagogical intervention for teaching combat sports in the
Physical Education curriculum of a federal public school. The action-research took place in
teaching classes in the 8th and 9th years of Elementary School. From the participant
observation, field diaries were produced, built on the strangeness of the professor-researcher.
Pedagogical practices aimed at the use of few materials and that ethical/attitudinal elements
were used on a daily basis. The text presents: 1) a perception of the students' initial knowledge;
2) the proposal of teaching combat sports; and 3) an evaluation of the pedagogical proposal.
The proposal combines with an education interested in the emotions of individuals, not only
from the perspective of incorporating controls and self-controls, but also from the logic of
developing autonomy and self-knowledge, and building safe spaces for catharsis and liberation
of impulses.
KEYWORDS: Combat sports. School Physical Education. Intervention. Pedagogical proposal.
Ethics.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO e Maitê Venuto de FREITAS
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Introdução
As lutas, artes marciais ou esportes de combate
4
, são uma manifestação da cultura
corporal de movimento que pelo menos três décadas têm sido reconhecidas pelos espaços
acadêmico-científicos como um importante conteúdo da Educação Física na escola. Ainda nos
anos 1990, obras importantes dessa disciplina, como o Coletivo de Autores (1992) e os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (BRASIL, 1997), reconheceram a importância do
ensino das lutas na Educação Física escolar. Desde então, parece não haver, ao menos no campo
acadêmico-científico, dúvidas razoáveis sobre a legitimidade do seu espaço curricular.
No ‘chão da escola’, ou seja, no campo empírico, parece, no entanto, ainda haver
dificuldades para a implementação efetiva e regular das lutas. Uma das razões apontadas para
isso trata dos argumentos que associam o ensino de lutas com o aumento da agressividade e da
violência entre os estudantes. Estudos apontam que tal associação é um estigma (ALMEIDA et
al., 2021), uma distorção do ensino das lutas (UENO; SOUSA, 2014), e que as práticas
pedagógicas na escola devem distanciar as lutas da ideia de violência (MOURA et al., 2019).
Não dúvida que o elemento central do ensino das lutas é atingir, derrubar ou
imobilizar o adversário, no entanto, isso pode ser feito dentro de regras, relativamente
rígidas, que preveem precisamente o controle da violência. Além disso, controlar os seus
próprios impulsos agressivos é uma estratégia fundamental para o lutador saber a hora de atacar
e de defender e típica do desenvolvimento do esporte contemporâneo como elemento
civilizador (ELIAS, 2019). Nesse sentido, cabe ainda destacar que as lutas são constituídas por
elementos éticos de respeito ao corpo do oponente e de regras sociais que visam a impedir o
uso de técnicas fora do espaço de lutas. Assim, elencar regras, elementos éticos e de controle
das emoções
5
é parte componente do ensino de lutas.
Parece haver, no imaginário social, certa associação entre uma prática corporal ‘ser de
contato’ e ‘ser violenta’. Os textos de Mariante Neto, Vasques e Freitas (2021) e de Myskiw et
al. (2015) são bons exemplos para ajudar a entender esses processos. Os autores mostram, a
4
Apesar de serem usados aqui como sinônimos, dado que o objeto de estudo é o seu trato no espaço escolar, tais
conceitos pressupõem sentidos específicos. Lutas são disputas com vistas a subjugar o oponente usando técnicas
e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de determinado espaço (BRASIL, 1997); artes
marciais não têm somente o intuito de guerrear, mas também possuem aspectos filosóficos, de autoconhecimento
e de autocontrole (MORENO; FERREIRA, 2017); esportes de combate pressupõem, por sua vez, a ideia de
competição e de regras pré-estabelecidas de forma a padronizar as formas de disputa e controlar a violência.
5
Entendemos controle das emoções no sentido de Elias (2019), para quem o percurso do processo civilizador,
observado em longo prazo e permeado de tensões, tende a diminuir as possibilidades de manifestações emocionais
e impulsivas dos indivíduos. Os esportes e, no caso, as lutas cumprem uma função libertadora dos indivíduos ao
possibilitar espaços para a manifestação de certas emoções, ainda que de forma controlada.
Ensino de lutas na Educação Física Escolar: Relatos de uma pesquisa-ação
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partir do MMA e do futebol de várzea, os modos esperados de agir dentro do jogo, ou seja, as
etiquetas nos contatos corporais e os limites aceitáveis e não aceitáveis para agir de modo
agressivo. A partir desses elementos, pode-se entender que as práticas corporais são espaços
sociais que demandam aprendizados das nuances, das sensibilidades, dos limites e das etiquetas
dos contatos físicos e das emoções, de forma a produzir sensações de excitação agradável para
os praticantes.
Outro argumento empregado para sustentar a dificuldade de implementação das lutas na
escola trata da dificuldade dos professores em atuar com esse conteúdo. Estudos mostram certos
desconfortos docentes em trabalhar com lutas, sobretudo porque não tiveram componentes
curriculares na sua formação inicial (HEGELE; GONZÁLEZ; BORGES, 2018), e ressaltam a
importância da formação continuada para o trato desse conteúdo (BORGES et al., 2021).
Alguns estudos destacam também a falta de infraestrutura nas escolas (RUFINO; DARIDO,
2015), e propõem que o formato das disciplinas de graduação deve ser alterado para privilegiar
abordagens estruturadas em similaridades e nos princípios das lutas (MATOS et al., 2015), e
não em abordagens que privilegiem o ensino de uma ou outra modalidade de luta.
Na literatura estrangeira, chama a atenção a existência de poucas pesquisas sobre o
ensino de lutas na escola. O estudo de revisão realizado por Pereira et al. (2022) mostrou que a
maioria dos artigos selecionados (n=6) havia sido publicada em periódicos brasileiros, pelo que
consideraram que os pesquisadores brasileiros estão mais preocupados com a introdução das
lutas na escola, possivelmente, ainda segundo eles, pela inclusão das lutas nos documentos
educacionais brasileiros, como os PCNs (BRASIL, 1997) e a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) (BRASIL, 2017).
Este estudo é parte de um projeto de pesquisa que trata de uma proposição de ensino das
lutas na escola. Algumas propostas foram apresentadas nos últimos anos. Rufino (2012)
preocupou-se com quatro elementos para o ensino das lutas na escola (porque ensinar, o que
ensinar, como ensinar e como avaliar), sendo que a principal contribuição parece ser a
importância dada às dimensões conceitual, procedimental e atitudinal do conteúdo.
Posteriormente, em livro didático, o mesmo autor (RUFINO, 2014) elencou as
características gerais das lutas (enfrentamento físico, regras, oposição, objetivo centrado no
corpo do outro, ações simultâneas e imprevisibilidade), as dificuldades para seu ensino
(preconceito, falta de materiais e formação insuficiente) e a classificação baseada nas distâncias
(lutas de curta, média, longa e de distância mista). A partir disso, propôs o ensino de lutas a
partir de jogos e listou aspectos que considera essenciais e os que considera importantes para o
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ensino das lutas por faixa etária dos estudantes; por fim, a obra apresenta dez planos de aula
para guiar o trabalho do professor.
A BNCC (BRASIL, 2017) também apresenta uma proposta de ensino das lutas na escola
a partir da 3ª série do Ensino Fundamental, e faz um esforço para elencar “lutas do Brasil” em
separado às “lutas do mundo” (p. 233). Apesar de essa proposta se destacar ao propor
competências e habilidades por série/etapa de ensino e de inserir a cultura corporal de
movimento na área das Linguagens, tal proposição para o ensino das lutas responde pouco às
problemáticas do campo, como a associação com a violência, a falta de materiais e os mal-
estares docentes para a sua implementação; bem como pouca ênfase à reflexão sobre a
dimensão atitudinal de ensino.
A partir desses elementos, ressaltamos que esse estudo trata de uma experiência de
ensino e de ações pedagógicas de intervenção docente no ensino das lutas em uma escola
pública federal. Em vista da acumulabilidade do conhecimento, não é nossa aspiração ‘inovar’
ou nos pretendermos alheios à produção desenvolvida. De todo modo, acreditamos termos
incluído nas nossas práticas pedagógicas questões que podem somar ao desenvolvimento do
ensino de lutas na escola. Elas serão mais bem apresentadas ao longo do texto, porém cabe
destacar aqui que a prática pedagógica foi intencionada com o uso de poucos recursos materiais
e que elementos éticos/atitudinais com vistas ao controle das emoções e da agressividade, e
ao respeito às regras do jogo e sociais foram empregados cotidianamente como
intencionalidades pedagógicas durante a intervenção. Com base nesses elementos, o texto em
tela tem como objetivo analisar uma intervenção pedagógica do ensino de lutas no currículo de
Educação Física de uma escola pública federal.
Procedimentos metodológicos
Este texto trata-se de um relato de uma pesquisa-ação (BETTI, 2009; TRIPP, 2005), a
qual tem como intenção a construção de conhecimentos para aperfeiçoar a prática pedagógica,
e se aproxima da noção freireana de que “não ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”
(FREIRE, 1996, p. 29). Assim, a pesquisa não se trata de um elemento novo no ato de ensinar,
pois é “parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa”. No caso em
questão, tratou-se de pesquisar o ensino das lutas como conteúdo da disciplina de Educação
Física escolar.
Ensino de lutas na Educação Física Escolar: Relatos de uma pesquisa-ação
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Entre maio e julho de 2022 foram ministradas sete aulas para quatro turmas das séries
finais do Ensino Fundamental de uma escola pública federal, sendo duas turmas de oitavo ano
e as outras duas de nono ano. As aulas foram orientadas pelo próprio pesquisador, que atua
como professor da escola. O planejamento das aulas foi elaborado pelos autores desse texto,
composto de pesquisadores e professores da área, como uma das etapas do projeto de pesquisa
que este estudo integra.
A produção dos dados se deu por meio observação participante e da elaboração de 14
diários de campo, os quais eram gravados oralmente logo após a(s) aula(s) e, posteriormente,
transcritos. Os diários foram sendo confeccionados a partir dos interesses iniciais da pesquisa,
que tratavam da proposição do ensino de lutas, e dos estranhamentos do pesquisador. Nessa
perspectiva, cabe destacar que o professor tinha relativamente pouca vivência com lutas e com
o ensino de lutas. Ao mesmo tempo, era professor da escola há mais de quatro anos, era
conhecido pelos estudantes e tinha experiência com o ensino da Educação Física escolar. Dessa
forma, os processos de estranhamento se deram, em parte, frente ao que lhe era familiar, no
caso, a escola e a Educação Física escolar; mas também perante o que lhe era um pouco mais
alheio, no caso, as lutas. Os diários foram sendo produzidos, desse modo, a partir das
sensibilidades percebidas na intimidade do chão da escola’ e na aproximação com as atividades
de lutas ali elaboradas. Os protocolos dessa pesquisa foram aprovados pelo Comitê de Ética
para pesquisas com seres humanos.
Os dados foram organizados de modo a: 1) apresentar uma percepção dos saberes
iniciais dos estudantes sobre lutas; 2) descrever a proposta de ensino das lutas em relação aos
espaços e materiais; aos conteúdos, conceitos e estratégias; às atividades e saberes corporais; e
à dimensão atitudinal; e 3) apresentar uma avaliação da proposta pedagógica. O texto a seguir
está organizado dessa forma, e intenciona relatar as proposições, tensões, reflexões e manejos
docentes durante esse período.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO e Maitê Venuto de FREITAS
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Saberes iniciais
No primeiro dia de aula foi aplicado um questionário para as quatro turmas envolvidas
no projeto. Os alunos sabiam que o conteúdo a ser trabalhado seria ‘lutas’, que o
planejamento fazia parte das conversas cotidianas em aula e ‘nos corredores’ da escola, porém,
tinham muitas dúvidas sobre o que era essa prática corporal, sobre como seria trabalhada e,
sobretudo, que sentidos seriam dados a essa prática no currículo da disciplina. Assim, sem
explicar quase nada, foi entregue uma folha impressa com cinco questões, que foram
respondidas individualmente e de forma anônima.
Os 102 alunos que responderam ao questionário inicial (54 meninos, 38 meninas, 10
não preencheram a pergunta sobre gênero) tinham idades de 12 a 16 anos, sendo que a maioria
afirmou ter 13 ou 14 anos (n=75). A primeira pergunta era: “Quais modalidades de lutas (artes
marciais, esportes de combate) você conhece? Cite elas”. As modalidades mais conhecidas
pelos estudantes foram boxe (n=50), caratê (n=48), capoeira (n=48), jiu jitsu (n=42), judô
(n=39) e muay thai (n=32), porém, outras 15 modalidades de lutas também foram citadas. Sete
estudantes não souberam nomear nenhuma luta.
A segunda questão perguntou se o estudante havia praticado alguma modalidade de
luta, qual, onde e por quanto tempo. Grande parte dos estudantes afirmou não ter praticado
(n=39), sendo que a capoeira (n=22) e, nos meninos, o judô (n=8), foram as mais praticadas. A
escola tem certa tradição no ensino da capoeira como conteúdo da Educação Física desde as
séries iniciais, então, é provável que muitos consideraram essa experiência para responder à
questão. Ainda, destacamos que 15 alunos afirmaram terem praticado lutas por mais de um ano
e outros cinco estudantes por mais de cinco anos. Era comum que esses alunos com experiência
em lutas ajudassem, ou participassem entusiasticamente nas aulas; um praticava esgrima, outra
caratê, outros jiu jitsu, capoeira ou muay thai.
A terceira pergunta versava sobre os costumes de assistir a lutas na televisão ou na
internet. Enquanto os meninos afirmavam assistir/terem assistido boxe (n=14), caratê (n=13),
judô (n=12) e ‘UFC’ (n=11), e somente cinco afirmaram não assistirem/terem assistido; as
meninas viram boxe (n=12) ou não assistem/assistiram (n=11). Essa diferença de gênero não
foi perceptível no acesso à prática, mas sim no alcance ao consumo das lutas na televisão. Esse
parece ser um espaço que as meninas daquele grupo não tinham acesso, interesse ou incentivo
para participar. É plausível supor que essas diferenças de acesso resultem em percepções
diferentes sobre as lutas e em um maior afastamento das meninas desses espaços de prática
corporal.
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A quarta pergunta visava entender a opinião dos estudantes sobre as lutas. As respostas
foram diferentes em função do gênero. Os meninos falaram em ‘aspectos positivos’ das lutas
(n=28), em ‘defesa pessoal’ (n=16) e em ‘violência’ (n=7), e poucos mencionaram aspectos
negativos (n=5). As meninas, por sua vez, salientaram ‘aspectos positivos’ (n=14), mas também
os ‘negativos’ (n=8). Por fim, perguntou-se a opinião dos estudantes sobre ter aula de lutas na
Educação Física, pelo que a maioria respondeu de forma ‘positiva’ (n=73), apesar de alguns
(n=12) verem de forma ‘negativa’.
Após o preenchimento desse questionário, conversamos, além dos tópicos do
questionário, sobre o conteúdo, os formatos, os sentidos e as etiquetas a serem implementadas
a partir daquele momento.
Uma proposta de ensino
O conteúdo seria ministrado não por modalidade de luta, mas, inspiradas na proposta de
Rufino (2014), as aulas ocorreriam a partir de uma lógica de distância entre os lutadores, assim
teríamos aulas de lutas de média distância, curta distância, longa distância e de distância mista.
Desse modo, os alunos não aprenderiam o boxe, o caratê, o jiu jitsu, o sumô, a esgrima ou o
MMA, mas os princípios e estratégias para atingir, desequilibrar ou excluir o adversário de um
certo espaço. Quedas e imobilizações não fizeram parte das aulas, porque entendemos, naquele
contexto, que elas demandam maior tempo de aprendizado para poderem ser feitas em
segurança.
Um elemento discursivo docente importante foi o controle das emoções e dos impulsos
agressivos como um elemento inerente dos aprendizados da luta e como parte dos aprendizados
desse conteúdo na escola. Em todas as aulas era falado para os estudantes que ‘luta não é briga’
e que o lutador ‘tem que controlar os impulsos agressivos e saber o momento certo de atacar e
de se defender’. Aliamo-nos, nesse sentido, ao entendimento de Moura et al. (2019), para quem
as práticas pedagógicas de lutas na escola devem distanciar essas práticas corporais da ideia de
violência. Um trecho de diário de campo relembra o discurso docente de que “as lutas podem
ajudar no equilíbrio das emoções, no saber quando desferir os golpes” (Diário de campo, 17
mai. 2022). Outro trecho, abaixo, apresenta esse discurso e a intencionalidade docente em torno
das emoções no ensino das lutas.
A questão das emoções chama muita atenção. O meu discurso foi no sentido
de que a luta demanda do lutador um controle emocional muito grande, e eu
fiz esse discurso, para as turmas, de que o ódio, a raiva, a impulsividade, não
podem ser muito utilizados nas lutas, por que o lutador tem que saber a hora
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certa de atacar e de se defender. Então, o controle sobre suas emoções e
impulsos tem que ser muito grande. [...] Nas minhas palavras na aula, é uma
espécie de jogo dentro de certas regras onde os lutadores têm que saber o
momento certo de agir para ganhar. Essa lógica desconstrói a ideia de que o
lutador é impulsivo. No meu discurso, eu citei que, ao contrário disso, o
lutador deve ter um equilíbrio emocional que conta de ele saber o momento
exato de agir e de recuar. Nesse sentido ainda, falei que, afora algumas
exceções, quem treina luta raramente briga porque sabe controlar suas
emoções (Diário de campo, 19 maio 2022).
O discurso sobre as emoções ganhou força naquele contexto tendo em vista os reajustes
emocionais que foram necessários nesse período de volta à presencialidade na escola, após
quase dois anos de ensino remoto por conta das restrições sanitárias aplicadas em virtude da
pandemia de coronavírus que acometeu o mundo. Não foram raras as descrições nos diários de
campo de situações em aula de choros, tristezas, raivas, bem como relatos de quadros de
depressão e ansiedade em estudantes dessas turmas. Desse modo, falar sobre emoções e propor
elementos de controle emocional que são, ao mesmo tempo, espaços de liberação das emoções
e de excitação agradável (ELIAS, 2019), pareceu uma intencionalidade pedagógica importante.
Apesar de reiterarmos a separação entre luta e briga, na escola, tal cisão não se sem
uma intervenção pedagógica que incuta nos estudantes uma dimensão ética e regras condizentes
que impeçam ou previnam ações violentas. Dois princípios éticos foram elencados,
apresentados e utilizados cotidianamente nas aulas. O primeiro trata da limitação dos usos dos
golpes ao espaço controlado das aulas, e o segundo trata do respeito ao corpo do colega. Eles
estão descritos no trecho de diário de campo a seguir.
Todas as lutas são ensinadas com base nesses dois princípios: o princípio
primeiro de que aquelas técnicas e estratégias que se aprendem na aula de
lutas, no treino de lutas, podem ser empregadas, utilizadas, dentro do
contexto das lutas. Isso vale para a nossa aula de Educação Física, onde as
técnicas e estratégias aprendidas na aula podem ser utilizadas na aula, em
um contexto de igualdade de chances, com controle dos golpes e com respeito
ao corpo dos colegas, o corpo que está disponibilizado por cada um ali para o
aprendizado do outro. Então, respeito ao corpo do colega é um princípio muito
importante. Eu foquei hoje na aula os dois princípios, eu frisei em vários
momentos (Diário de campo, 19 maio 2022).
No universo das lutas esses princípios são tratados, de modo geral, como elementos
constitutivos das lutas e dos lutadores. Imaginamos serem raros os espaços de ensino de lutas
que não preconizam o respeito ao corpo do colega e a restrição ao uso de golpes, técnicas e
estratégias fora do espaço controlado a não ser, logicamente, em casos pontuais de defesa
pessoal. No currículo da escola, a intenção do aprendizado de tais princípios se apresenta como
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uma dimensão atitudinal do conteúdo, a qual está por vezes demasiadamente implícita dentro
da objetividade característica do ensino dos conteúdos da Educação Física.
Assim, jogamos luz nesses elementos éticos como uma dimensão fundamental no ensino
das lutas na escola, não somente como estratégias que intencionam evitar violências físicas nas
aulas, mas também como elementos que auxiliam no ensino dos autocontroles dos impulsos,
principalmente aqueles ligados à agressividade. Tratar as lutas como espaços de construção de
uma ética de respeito ao próximo e de autocontrole dos impulsos violentos se coaduna com
perspectivas contemporâneas e críticas da educação e auxilia na desconstrução de estereótipos
de violência das lutas.
Ainda em relação às intencionalidades, cabe destacar que visamos trabalhar com pouco
material, tendo em vista a importante preocupação histórica da Educação Física de propor
estratégias de ensino que sejam aplicáveis em escolas com poucos recursos, e atentos às
preocupações de Rufino e Darido (2015) sobre a dificuldade de implementação do ensino das
lutas em decorrência de pouca infraestrutura. Parecem mesmo pouco democráticas propostas
do ensino de lutas na escola que exijam quimonos, luvas ou sacos de pancada, por exemplo.
Utilizamos, nesse percurso pedagógico, dois materiais: tatames, em algumas aulas, para que os
alunos pudessem cair no chão com mais segurança e pudessem ficar sem calçado, mas
protegidos do chão frio (as temperaturas, em alguns dias de aula, eram próximas a C); e
também ‘macarrões de piscina’, especificamente para as aulas de lutas de longa distância.
Assim, a ampla maioria das atividades se deu sem materiais.
A seguir, apresentamos um quadro com a descrição das aulas. Não é nosso interesse
aqui, ao apresentar nossa proposta de ensino das lutas, engessar a criatividade do professor ou
desconsiderar a realidade de determinado contexto social. Entendemos, ao contrário, que
apresentar formatos objetivos e acessíveis de ensino das lutas na escola pode auxiliar na
implementação efetiva desse conteúdo na escola, a partir mesmo da inspiração, da provocação
e da transformação do formato aqui detalhado.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO e Maitê Venuto de FREITAS
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Quadro 1 Conteúdos e roteiros das aulas.
Objetivos/conteúdos
Roteiro da aula
Reconhecer e organizar/localizar o
conteúdo dentro das práticas corporais
Fazer discussões conceituais iniciais
Vivenciar primeiros jogos no tatame
com lutas de média distância
Aplicação do questionário
Discussão sobre as respostas dos questionários
(modalidades, violência, regras, preconceito)
Apresentação do conteúdo: conceito luta (contato, regras,
oposição, simultaneidade, imprevisibilidade), lógica das
distâncias, valores (uso da técnica no espaço, respeito ao
corpo)
Prática no tatame de jogos de lutas de média distância
(encostar no ombro, joelho do colega)
Lutas de média distância (base, guarda,
jab e direto)
Jogos de média distância
Socos: 1. Base (perna na frente e outra atrás, largura dos
ombros, joelho semiflexionados, não se troca de base); 2.
Guarda (queixo pra dentro, mão da frente fechada na
frente do queixo; mão atras do lado do queixo, triangulo,
cotovelo fechado para as costelas); 3. Jab (mão da frente,
mão gira, dedos indicador e médio, força do giro do
quadril); 4. Direto (mão de trás, gira mão e quadril)
Sequências sozinhos. Depois bate nas mãos do colega
(bate sempre na mão contrária)
Cotoveladas (mesma lógica do soco)
Média distância (cotoveladas e
joelhadas)
Jab e direto (brincadeiras de encostar no topo da cabeça
com os dedos)
Cotoveladas (diferenças entre distâncias)
Jab, direto, cotovelada jab
Joelhada (ponta do joelho, movimento de quadril jogar
o quadril pra frente, colega apara com as duas mãos,
mirar o estômago) colchonetes, brincadeira do clinch
(cotovelo fechado, posição de domínio, fuga levantar a
cabeça e ir para trás)
Jab, direto, joelhada, cotovelo
Curta distância (desequilíbrio e
conquista de território)
Regras para não derrubar
Dimensão conceitual: sumô desequilibra para tirar
adversário do espaço, judô desequilibra para cair
De pé, de cócoras - desequilibrando (pés em paralelo,
tirou o pé do chão, larga)
Retirar de um espaço - Su
Curta distância (desequilíbrio e
conquista de território)
Repetir aula anterior
De pé, de cócoras e sentado no chão
Uso de duas mãos, agarrar no antebraço
Ritual das lutas
Longa distância
Lutas com implemento
Esgrima (história e regras)
Cabo de guerra (individual, em grupo, coletivo)
Jornal ou ‘macarrão’ (encostar em diferentes partes do
corpo)
Avaliar os conhecimentos aprendidos
Avaliar a percepção dos estudantes sobre
lutas
Avaliação/questionário 2
Fonte: Elaboração dos autores
Ensino de lutas na Educação Física Escolar: Relatos de uma pesquisa-ação
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633 12
O quadro apresenta alguns elementos dos conteúdos e dos roteiros que foram
desenvolvidos nas aulas. Cabe destacar que uma aula de lutas de distância mista estava prevista
para ser ministrada antes da avaliação final, porém o professor teve suspeita de Covid-19 e se
afastou do trabalho por dois dias. As professores que o substituíram trabalharam outros
conteúdos. Assim, não foi possível implementar, tendo em vista que a ‘aula 7’ foi a última antes
do recesso de julho, e não parecia fazer sentido continuar o conteúdo com apenas uma aula no
retorno das férias. Ainda, cabe destacar que os alunos tinham duas aulas de Educação Física na
semana, porém cada aula era ministrada por um professor. Logo, as aulas de lutas ocorriam
uma vez por semana e tinham duração de 40 minutos.
Os jogos de lutas foram as principais atividades de todas as aulas. Ocasionalmente havia
algumas atividades de repetição e outras de golpes combinados, para que os alunos pudessem
reconhecer no corpo certos golpes, posições e estratégias mais importantes nas lutas. Os jogos
tinham como objetivo, nas lutas de média distância, encostar com a mão, ou a ponta dos dedos,
em certa parte do corpo do adversário (cabeça, ombro, joelho ou pé) e, ao mesmo tempo, o
jogador não poderia permitir que o adversário tocasse nele. Nas lutas de curta distância, os jogos
eram de derrubar o colega, segurando nas mãos, antebraços ou braços ainda, estando em pé,
de cócoras ou ajoelhados. Outros jogos visavam a excluir o adversário de um certo espaço: o
tatame ou os espaços da quadra esportiva como o círculo central, por exemplo. Nas de longa
distância, os jogos se davam em torno de encostar o ‘macarrão’ no adversário.
As atividades de repetição foram evitadas, porém, considerou-se importante que os
alunos soubessem o que são, como e porque se faz nas lutas a base, a guarda, o jab, o direto, a
cotovelada e a joelhada. A partir desses aprendizados, tais elementos foram incluídos nas
atividades de jogos e foram criadas situações de ‘golpes combinados’, quando um lutador
golpeia e outro recebe os golpes combinados previamente. Na perspectiva das aulas, os golpes
combinados eram uma forma de jogo colaborativo, no qual não vencedor, mas a conquista
e a satisfação em conseguir realizar a sequência proposta pelo professor. Ali, diversas
sequências foram feitas, sendo que estas envolveram os golpes aprendidos anteriormente.
Dessa forma, os saberes corporais eram considerados em relação com os elementos
éticos e com alguns conhecimentos acumulados historicamente pelo mundo das lutas. A última
aula foi dedicada a observar como os estudantes percebiam as lutas após a ministração desse
conteúdo.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO e Maitê Venuto de FREITAS
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Avaliação
A avaliação contou com a aplicação de um questionário no último dia de aula, composto
de seis questões que visavam verificar a apreensão conceitual das distâncias (curta, média e
longa) e dos elementos trabalhados, bem como a percepção sobre violência. Além disso, duas
questões repetiram-se em relação ao primeiro questionário: uma sobre a opinião em relação às
lutas e outra sobre ter esse conteúdo nas aulas de Educação Física.
Responderam-no 101 estudantes (57 meninos, 39 meninas e 5 com gênero não
identificado). Ao perguntar exemplos de modalidades de lutas de curta distância, a maioria
indicou respostas adequadas por exemplo, judô (n=43), sumô (n=36) e jiu jitsu (n=25) ,
apesar de aproximadamente 20% das respostas
6
(n=52) indicarem modalidades que não são de
curta distância ou não terem sido preenchidas. Tal percentual ocorreu de modo similar nas lutas
de média distância foram citados principalmente o boxe (n=42), o caratê (n=25) e a capoeira
(n=16) e nas de longa distância na qual a esgrima (n=68) foi destacadamente a mais citada.
Ao pedir que os alunos descrevessem elementos trabalhados nas aulas jab, direto, guarda,
base, desequilíbrio e contragolpe , pôde-se verificar que cerca de 60% dos estudantes
souberam descrevê-los.
As faltas recorrentes de alguns estudantes nessas aulas, a novidade das lutas no currículo
da escola e a pouca experiência de alguns estudantes em lutas, bem como as dificuldades de
transposição dos saberes corporais para uma estratégia de avaliação conceitual, podem ser
elementos que justifiquem que apenas uma parcela dos estudantes soube responder
corretamente à avaliação conceitual. Cabe destacar, nessa perspectiva, que tal avaliação se deu
de modo anônimo e não visava a avaliar individualmente os estudantes, mas entender
possibilidades e limitações da intervenção. A partir desses elementos, entendemos que os
processos avaliativos poderiam ser qualificados ao observar os saberes corporais a partir das
suas características.
Ao questionar a relação com a violência após a intervenção, verificou-se que a maioria
dos estudantes apresentou nas suas respostas uma compreensão adequada do distanciamento
entre lutas e violência, ressaltando termos como: “saúde”, “cultura”, “defesa”, expressão”,
“controle”, “lazer” e “esporte”. Questionamos também sobre a importância dos cumprimentos
e saudações entre os lutadores, em um entendimento que tais rituais concretizam na luta o
distanciamento dos impulsos agressivos, da ‘briga’ e da violência. Nesse caso, os alunos
6
O estudante poderia indicar mais de uma modalidade, portanto o percentual é representativo de um somatório de
modalidades e não de indivíduos.
Ensino de lutas na Educação Física Escolar: Relatos de uma pesquisa-ação
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expressaram termos como “respeito”, “amizade”, “agradecimento”, desejo de “sorte” ou
“parabéns”, e “cultura”.
Ao perguntar a “opinião” dos estudantes sobre lutas, apenas sete estudantes se
manifestaram de forma ‘negativa’, enquanto 89 apresentaram significados relacionados a
características ‘positivas’, a “esporte”, “defesa”, “saúde” e “cultura”, sendo que não houve
percepções diferentes entre os meninos e as meninas. Respostas similares ocorreram na questão
seguinte, relacionada ao ensino de lutas na Educação Física escolar. As aproximações do ensino
de lutas com esses conceitos caros à Educação Física parece ser um objeto interessante de
observação e intervenção. Afinal, é pedagogicamente relevante entender de que noções de
esporte, de saúde e de cultura eles estão tratando.
Considerações finais
A proposta pedagógica de ensino das lutas atingiu certos objetivos ao aproximar esse
conteúdo daqueles grupos de estudantes e ao possibilitar o aprendizado de saberes corporais,
conceituais e atitudinais do universo das lutas, ressignificados de modo a possibilitar a atuação
docente, a implementação com poucos materiais, a prática de todos os estudantes com sucesso
e os interesses de uma educação que visa à democracia, ao humanismo e ao combate às
violências.
Esse relato de uma pesquisa-ação cumpre uma função de mostrar os caminhos traçados,
as possibilidades e dificuldades, as estratégias e mudanças de direção. De todo modo, ela
apresenta elementos e, assim, abre espaço para a construção e escrita de um estudo propositivo
de ensino das lutas na escola, que é, de fato, o interesse principal do projeto de pesquisa.
A principal novidade aqui afora o pouco material e o trabalho com distâncias talvez
seja em comparação com as propostas de Rufino (2012; 2014) e a BNCC (BRASIL, 2017)
a ênfase dada aos elementos éticos/atitudinais, os quais foram empregados cotidianamente
como intencionalidades pedagógicas durante a intervenção. O trato pedagógico das lutas, assim,
se sustentou em uma educação interessada nas emoções dos indivíduos, não somente na
perspectiva da incorporação de controles e autocontroles, mas na lógica também de
desenvolvimento da autonomia e do conhecimento de si, e da construção de espaços seguros de
catarse e de liberação dos impulsos, no sentido de Elias (2019).
Por fim, cabe destacar uma reflexão de um professor que teve pouco contato anterior
com as lutas. Ensinar exige pesquisar, assim, o agrupamento das lutas por distâncias não exime
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o trabalho docente de estudar, se preparar e planejar; tampouco diminui o objeto, tendo em vista
a centralidade daquilo que é comum entre elas. Ensinar lutas foi uma forma de aprender sobre
elas, tanto na prática docente com os estudantes quanto com o grupo de pesquisa. Em que pesem
as condições concretas de trabalho docente que dificultam tempo e disposição para tarefas além
da cansativa rotina de algumas dezenas de horas de aula por semana para centenas de alunos,
cabe, por fim, mencionar a importância na prática docente do desafio de exercer a curiosidade
de ensinar aquilo que nos está mais alheio. É nesses lugares do desconhecido que se
materializam as mais ricas práticas educativas.
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633 17
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https://revistas.ufg.br/fef/article/view/29540. Acesso em: 31 out. 2022.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não aplicável.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob o parecer número 4.354.756.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Daniel Giordani Vasques contribuiu com a redação
rascunho original, revisão e edição, conceituação, investigação, metodologia e análise dos
dados. Flávio Py Mariante Neto contribuiu com a redação revisão e edição,
conceituação, investigação e metodologia. Maitê Venuto de Freitas contribuiu com a
conceituação, investigação e metodologia.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633 1
LA ENSEÑANZA DE DEPORTES DE COMBATE EN LA EDUCACIÓN FÍSICA
ESCOLAR: INFORMES DE UNA INVESTIGACIÓN-ACCIÓN
ENSINO DE LUTAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: RELATOS DE UMA
PESQUISA-AÇÃO
TEACHING COMBAT SPORTS IN SCHOOL PHYSICAL EDUCATION: REPORTS OF
AN ACTION-RESEARCH
Daniel Giordani VASQUES1
e-mail: daniel.vasques@ufrgs.br
Flávio Py MARIANTE NETO2
e-mail: flaviomariante@hotmail.com
Maitê Venuto de FREITAS3
e-mail: venutodefreitas@gmail.com
Cómo hacer referencia a este artículo:
VASQUES, D. G.; MARIANTE NETO, F.; FREITAS, M. V. La
enseñanza de deportes de combate en la Educación Física Escolar:
Informes de una investigación-acción. Revista Ibero-Americana
de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023.
e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633
| Enviado en: 16/01/2023
| Revisiones requeridas el: 27/02/2023
| Aprobado en: 13/04/2023
| Publicado el: 01/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre RS Brasil. Doctor en Ciencias del
Movimiento Humano por la UFRGS (Profesor del Departamento de Expresión y Movimiento y del Programa de
Posgrado en Ciencias del Movimiento Humano).
2
Universidad Luterana de Brasil (ULBRA)), Canoas RS Brasil. Doctor en Ciencias del Movimiento Humano
por la UFRGS (Profesor del Departamento de Educación Física).
3
Alcaldía de Porto Alegre (PMPA), Porto Alegre RS Brasil. Doctora en Ciencias del Movimiento Humano
por la UFRGS (Profesora del Departamento Municipal de Educación).
La enseñanza de deportes de combate en la Educación Física Escolar: Informes de una investigación-acción
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633 2
RESUMEN: Este estudio analiza una intervención pedagógica con deportes de combate en el
currículo de Educación Física de una escuela pública. La investigación-acción se desarrolló en
la enseñanza para clases de y años. A partir de la observación participante, fueron
elaborados diarios de campo, construidos a partir de la extrañeza del profesor-investigador. Las
prácticas pedagógicas usaron pocos materiales y los elementos éticos/actitudinales fueran
utilizados en el día a a. El texto presenta: 1) una percepción de los conocimientos iniciales de
los estudiantes; 2) la propuesta de la enseñanza de deportes de combate; y 3) una evaluación de
la propuesta pedagógica. La propuesta se conjuga con una educación interesada en las
emociones de los individuos, no solo desde la perspectiva de incorporar controles y
autocontroles, sino también desde la lógica de desarrollar la autonomía y el autoconocimiento,
y construir espacios seguros de catarsis y liberación de impulsos.
PALABRAS CLAVE: Deportes de combate. Educación Física Escolar. Intervención.
Propuesta pedagógica. Ética.
RESUMO: Esse estudo trata de analisar uma intervenção pedagógica do ensino de lutas no
currículo de Educação Física de uma escola pública federal. A pesquisa-ação se deu na
ministração de sete aulas de lutas para turmas do e anos do Ensino Fundamental. A partir
da observação participante foram produzidos diários de campo, construídos nos
estranhamentos do professor-pesquisador. As práticas pedagógicas visaram o uso de poucos
materiais e que elementos éticos/atitudinais fossem empregados cotidianamente. O texto
apresenta: 1) uma percepção dos saberes iniciais dos estudantes; 2) a proposta de ensino de
lutas; e 3) uma avaliação da proposta pedagógica. A proposta se alia a uma educação
interessada nas emoções dos indivíduos, não somente na perspectiva da incorporação de
controles e autocontroles, mas na lógica também de desenvolvimento da autonomia e do
conhecimento de si, e da construção de espaços seguros de catarse e de liberação dos impulsos.
PALAVRAS-CHAVE: Lutas. Educação Física Escolar. Intervenção. Proposta pedagógica.
Ética.
ABSTRACT: This study analyzes a pedagogical intervention for teaching combat sports in the
Physical Education curriculum of a federal public school. The action-research took place in
teaching classes in the 8th and 9th years of Elementary School. From the participant
observation, field diaries were produced, built on the strangeness of the professor-researcher.
Pedagogical practices aimed at the use of few materials and that ethical/attitudinal elements
were used on a daily basis. The text presents: 1) a perception of the students' initial knowledge;
2) the proposal of teaching combat sports; and 3) an evaluation of the pedagogical proposal.
The proposal combines with an education interested in the emotions of individuals, not only
from the perspective of incorporating controls and self-controls, but also from the logic of
developing autonomy and self-knowledge, and building safe spaces for catharsis and liberation
of impulses.
KEYWORDS: Combat sports. School Physical Education. Intervention. Pedagogical proposal.
Ethics.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO y Maitê Venuto de FREITAS
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introducción
La lucha, las artes marciales o los deportes de combate
4
, son una manifestación de la
cultura corporal del movimiento que desde hace al menos tres décadas han sido reconocidos
por los espacios académico-científicos como un contenido importante de la Educación Física
en la escuela. Todavía en la década de 1990, importantes trabajos sobre esta disciplina, como
el Colectivo de Autores (1992) y los Parámetros Curriculares Nacionales (PCNs) (BRASIL,
1997), reconocieron la importancia de la enseñanza de las luchas en la Educación Física escolar.
Desde entonces, no parece haber, al menos en el ámbito académico-científico, dudas razonables
sobre la legitimidad de su espacio curricular.
En el "piso de la escuela", es decir, en el campo empírico, parece, sin embargo, que
todavía hay dificultades para la implementación efectiva y regular de las luchas. Una de las
razones esgrimidas para ello son los argumentos que asocian la enseñanza de las peleas con el
aumento de las agresiones y la violencia entre los estudiantes. Los estudios indican que tal
asociación es un estigma (ALMEIDA et al., 2021), una distorsión de la enseñanza de las luchas
(UENO; SOUSA, 2014), y que las prácticas pedagógicas en la escuela deben distanciar las
luchas de la idea de violencia (MOURA et al., 2019).
No hay duda de que el elemento central de la enseñanza de las luchas es golpear, derribar
o inmovilizar al adversario, sin embargo, esto solo puede hacerse dentro de reglas relativamente
estrictas que prevean precisamente el control de la violencia. Además, controlar los propios
impulsos agresivos es una estrategia fundamental para que el luchador sepa cuándo atacar y
defender y propia del desarrollo del deporte contemporáneo como elemento civilizador
(ELÍAS, 2019). En este sentido, también hay que señalar que las peleas están constituidas por
elementos éticos de respeto al cuerpo del oponente y a las normas sociales que tienen como
objetivo evitar el uso de técnicas fuera del espacio de lucha. Por lo tanto, enumerar las reglas,
los elementos éticos y el control de las emociones
5
es una parte componente de enseñanza de
los combates.
4
Aunque aquí se utilizan como sinónimos, dado que el objeto de estudio es su tratamiento en el ámbito escolar,
tales conceptos presuponen significados específicos. Las peleas son disputas dirigidas a someter al oponente
utilizando técnicas y estrategias de desequilibrio, magulladuras, inmovilización o exclusión de un determinado
espacio (BRASIL, 1997); Las artes marciales no solo están destinadas a la guerra, sino que también tienen aspectos
filosóficos, de autoconocimiento y autocontrol (MORENO; FERREIRA, 2017); Los deportes de combate
presuponen, a su vez, la idea de competencia y reglas preestablecidas para estandarizar las formas de disputa y
controlar la violencia.
5
Entendemos el control de las emociones en el sentido de Elías (2019), para quien el curso del proceso
civilizatorio, observado a largo plazo y permeado por tensiones, tiende a reducir las posibilidades de
manifestaciones emocionales e impulsivas de los individuos. El deporte y, en este caso, las peleas cumplen una
La enseñanza de deportes de combate en la Educación Física Escolar: Informes de una investigación-acción
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Parece haber, en el imaginario social, una cierta asociación entre una práctica corporal
"ser de contacto" y "ser violento". Los textos de Mariante Neto, Vasques y Freitas (2021) y
Myskiw et al. (2015) son buenos ejemplos para ayudar a entender estos procesos. Los autores
muestran, a partir de las artes marciales mixtas y el fútbol de las tierras bajas, las formas
esperadas de actuar dentro del juego, es decir, la etiqueta sobre el contacto corporal y los límites
aceptables e inaceptables para actuar agresivamente. A partir de estos elementos, se puede
entender que las prácticas corporales son espacios sociales que exigen el aprendizaje de los
matices, sensibilidades, límites y etiqueta del contacto físico y las emociones, con el fin de
producir sensaciones de excitación placentera para los practicantes.
Otro argumento utilizado para sostener la dificultad de implementar las luchas en la
escuela es la dificultad de los docentes para trabajar con estos contenidos. Los estudios
muestran cierto malestar en los docentes que trabajan con dificultades, especialmente porque
no tenían componentes curriculares en su formación inicial (HEGELE; GONZÁLEZ;
BORGES, 2018), y enfatizan la importancia de la educación continua para abordar estos
contenidos (BORGES et al., 2021). Algunos estudios también destacan la falta de
infraestructura en las escuelas (RUFINO; DARIDO, 2015), y proponen que se cambie el
formato de los cursos de pregrado para favorecer enfoques estructurados sobre las similitudes
y los principios de las luchas (MATOS et al., 2015), y no en enfoques que privilegien la
enseñanza de una u otra modalidad de lucha.
En la literatura extranjera, es digno de mención que hay poca investigación sobre la
enseñanza de las peleas en las escuelas. El estudio de revisión realizado por Pereira et al. (2022)
mostraron que la mayoría de los artículos seleccionados (n=6) habían sido publicados en
revistas brasileñas, por lo que consideraron que los investigadores brasileños están más
preocupados por la introducción de luchas en las escuelas, posiblemente, según ellos, por la
inclusión de luchas en los documentos educativos brasileños, como los PCN (BRASIL, 1997)
y la Base Nacional Común Curricular (BNCC) (BRASIL, 2017).
Este estudio forma parte de un proyecto de investigación que aborda una propuesta para
las dificultades de enseñanza en la escuela. En los últimos años se han presentado varias
propuestas. Rufino (2012) se preocupó por cuatro elementos para la enseñanza de las luchas en
la escuela (por qué enseñar, qué enseñar, cómo enseñar y cómo evaluar), y el principal aporte
función liberadora para los individuos al proporcionar espacios para la manifestación de ciertas emociones, aunque
sea de forma controlada.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO y Maitê Venuto de FREITAS
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parece ser la importancia que se le da a las dimensiones conceptuales, procedimentales y
actitudinales de los contenidos.
Posteriormente, en un libro de texto, el mismo autor (RUFINO, 2014) enumeró las
características generales de las peleas (confrontación física, reglas, oposición, objetivo centrado
en el cuerpo del otro, acciones simultáneas e imprevisibilidad), las dificultades para enseñarlas
(prejuicios, falta de materiales e insuficiente entrenamiento) y la clasificación en función de las
distancias (peleas de corta, media, larga y mixta distancia). A partir de esto, propuso la
enseñanza de las peleas a partir de los juegos y enumeró los aspectos que considera esenciales
y los que considera importantes para la enseñanza de las peleas por grupo etario de los
estudiantes; Por último, el libro presenta diez planes de lecciones para guiar el trabajo del
profesor.
La BNCC (BRASIL, 2017) también presenta una propuesta para la enseñanza de las
luchas en la escuela a partir del grado de la Escuela Primaria, y hace un esfuerzo por enumerar
las "luchas de Brasil" separadas de las "luchas del mundo" (p. 233). Si bien esta propuesta se
destaca por proponer competencias y habilidades por grado/etapa de enseñanza e insertar la
cultura corporal del movimiento en el área de Lenguas, esta propuesta para la enseñanza de las
luchas responde poco a los problemas del campo, como la asociación con la violencia, la falta
de materiales y la incomodidad de los docentes para su implementación; así como dar poco
énfasis a la reflexión sobre la dimensión actitudinal de la enseñanza.
A partir de estos elementos, destacamos que este estudio aborda una experiencia docente
y acciones pedagógicas de intervención docente en la enseñanza de las luchas en una escuela
pública federal. Ante la acumulación de conocimientos, no es nuestra aspiración "innovar" o
pretender ser ajenos a la producción ya desarrollada. En todo caso, creemos que hemos incluido
en nuestras prácticas pedagógicas cuestiones que pueden sumar al desarrollo de la enseñanza
de las peleas en la escuela. Se presentarán mejor a lo largo del texto, pero cabe señalar aquí que
la práctica pedagógica se concibió con el uso de pocos recursos materiales y que los elementos
éticos/actitudinales -con miras a controlar las emociones y la agresividad, y respetar las reglas
del juego y sociales- se utilizaron diariamente como intenciones pedagógicas durante la
intervención. A partir de estos elementos, el texto en cuestión tiene como objetivo analizar una
intervención pedagógica de la enseñanza de las peleas en el currículo de Educación Física de
una escuela pública federal.
La enseñanza de deportes de combate en la Educación Física Escolar: Informes de una investigación-acción
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Procedimientos metodológicos
Este texto es un informe de una investigación-acción (BETTI, 2009; TRIPP, 2005), que
tiene como intención la construcción de conocimiento para mejorar la práctica pedagógica, y
se acerca a la noción de Freire de que "no hay enseñanza sin investigación e investigación sin
enseñanza" (FREIRE, 1996, p. 29, nuestra traducción). Así, la investigación no es un elemento
nuevo en el acto de enseñar, ya que es "parte de la naturaleza de la práctica docente indagar,
buscar, investigar". En el caso que nos ocupa, se trataba de investigar la enseñanza de las peleas
como contenido de la disciplina escolar de Educación Física.
Entre mayo y julio de 2022, se impartieron siete clases a cuatro clases de los últimos
grados de Primaria en una escuela pública federal, dos de las cuales fueron clases de octavo
grado y las otras dos fueron clases de noveno grado. Las clases fueron guiadas por el propio
investigador, quien se desempeña como docente en la escuela. La planificación de las clases
fue elaborada por los autores de este texto, compuestos por investigadores y profesores del área,
como una de las etapas del proyecto de investigación que integra este estudio.
Los datos fueron producidos a través de la observación participante y la elaboración de
14 diarios de campo, los cuales fueron registrados oralmente inmediatamente después de la(s)
clase(s) y posteriormente transcritos. Los diarios fueron realizados a partir de los intereses
iniciales de la investigación, que versaban sobre la propuesta de las luchas docentes y los
extrañamientos de la investigadora. Desde esta perspectiva, cabe señalar que el maestro tenía
relativamente poca experiencia con las luchas y con la enseñanza de las luchas. Al mismo
tiempo, había sido profesor en la escuela durante más de cuatro años, era conocido por los
estudiantes y tenía experiencia en la enseñanza de la Educación Física escolar. De esta manera,
los procesos de extrañamiento se dieron, en parte, en relación con lo que les era familiar, en
este caso, la escuela y la Educación Física escolar; pero también frente a lo que le era un poco
más ajeno, en este caso, las luchas. Los diarios fueron producidos, de esta manera, a partir de
las sensibilidades percibidas en la intimidad del "piso escolar" y en la aproximación con las
actividades de luchas allí elaboradas. Los protocolos de esta investigación fueron aprobados
por el Comité de Ética para la investigación con seres humanos.
Los datos fueron organizados de tal manera: 1) presentar una percepción de los
conocimientos iniciales de los estudiantes sobre las luchas; 2) describir la propuesta pedagógica
de las luchas con relación a espacios y materiales; contenidos, conceptos y estrategias;
actividades corporales y conocimientos; y la dimensión actitudinal; y 3) presentar una
evaluación de la propuesta pedagógica. El siguiente texto está organizado de esta manera, y
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pretende dar cuenta de las proposiciones, tensiones, reflexiones y prácticas docentes durante
este período.
Conocimientos iniciales
El primer día de clase, se aplicó un cuestionario a las cuatro clases involucradas en el
proyecto. Los estudiantes sabían que los contenidos a trabajar serían 'luchas', ya que la
planificación formaba parte de las conversaciones cotidianas en clase y 'en los pasillos' de la
escuela, sin embargo, tenían muchas dudas sobre qué era esta práctica corporal, sobre cómo se
trabajaría y, sobre todo, qué significados se le daría a esta práctica en el currículo de la
disciplina. Así, sin explicar casi nada, se entregó una hoja impresa con cinco preguntas, que
fueron respondidas de forma individual y anónima.
Los 102 estudiantes que respondieron al cuestionario inicial (54 chicos, 38 chicas, 10
no completaron la pregunta de género) tenían entre 12 y 16 años, y la mayoría de ellos dijeron
tener 13 o 14 años (n=75). La primera pregunta fue: "¿Qué tipos de lucha (artes marciales,
deportes de combate) conoces? Nómbralos". Las modalidades más conocidas por los
estudiantes fueron boxeo (n=50), karate (n=48), capoeira (n=48), jiu jitsu (n=42), judo (n=39)
y muay thai (n=32), pero también se mencionaron otras 15 modalidades de lucha. Siete
estudiantes no pudieron nombrar ninguna pelea.
La segunda pregunta preguntaba si el estudiante había practicado alguna vez algún tipo
de lucha, cuál, dónde y durante cuánto tiempo. La mayoría de los estudiantes declararon no
haber practicado (n=39), siendo la capoeira (n=22) y, en los chicos, el judo (n=8) los más
practicados. La escuela tiene cierta tradición en la enseñanza de la capoeira como contenido de
la Educación Física desde los primeros grados, por lo que es probable que muchos consideraran
esta experiencia para responder a la pregunta. Además, destacamos que 15 estudiantes
manifestaron haber practicado peleas durante más de un año y otros cinco estudiantes durante
más de cinco años. Era común que estos estudiantes con experiencia en la lucha ayudaran o
participaran con entusiasmo en las clases; Uno practicaba esgrima, otro karate, otros jiu jitsu,
capoeira o muay thai.
La tercera pregunta se refería a las costumbres de ver las peleas por televisión o por
Internet. Mientras que los chicos afirmaron ver/haber visto boxeo (n=14), karate (n=13), judo
(n=12) y 'UFC' (n=11), y solo cinco dijeron que no miraban/habían visto; Las niñas vieron
boxeo (n=12) o no vieron/vieron (n=11). Esta diferencia de género no fue perceptible en el
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acceso a la práctica, sino en el alcance al consumo de las luchas en televisión. Este parece ser
un espacio al que las chicas de ese grupo no tenían acceso, ningún interés y ningún incentivo
para participar. Es plausible suponer que estas diferencias en el acceso resultan en diferentes
percepciones de las luchas y un mayor distanciamiento de las niñas de estos espacios de práctica
corporal.
La cuarta pregunta tuvo como objetivo comprender la opinión de los estudiantes sobre
las luchas. Las respuestas fueron diferentes según el género. Los chicos hablaron de "aspectos
positivos" de las peleas (n=28), "autodefensa" (n=16) y "violencia" (n=7), y pocos mencionaron
aspectos negativos (n=5). Las chicas, por su parte, destacaron los "aspectos positivos" (n=14),
pero también los "negativos" (n=8). Por último, se preguntó a los alumnos su opinión sobre la
realización de una clase de lucha en Educación Física, a lo que la mayoría respondió
'positivamente' (n=73), aunque algunos (n=12) la vieron 'negativamente'.
Tras rellenar este cuestionario, se habló, además de de los temas del cuestionario, sobre
el contenido, formatos, significados y etiquetas a implementar a partir de ese momento.
Una propuesta didáctica
El contenido no se enseñaría por modalidad de lucha, sino que, inspirado en la propuesta
de Rufino (2014), las clases se desarrollarían en base a una lógica de distancia entre los
luchadores, por lo que tendríamos clases de peleas de media distancia, corta distancia, larga
distancia y distancia mixta. De esta manera, los estudiantes no aprenderían boxeo, karate, jiu
jitsu, sumo, esgrima o MMA, sino que aprenderían principios y estrategias para golpear,
desequilibrar o excluir al oponente de un espacio determinado. Las caídas e inmovilizaciones
no formaron parte de las clases, porque entendimos, en ese contexto, que requieren más tiempo
de aprendizaje para realizarse de manera segura.
Un elemento discursivo importante de la enseñanza fue el control de las emociones y
los impulsos agresivos como elemento inherente al aprendizaje de la lucha y como parte del
aprendizaje de este contenido en la escuela. En todas las clases, a los estudiantes se les dijo que
"pelear no es pelear" y que el luchador "tiene que controlar los impulsos agresivos y saber el
momento adecuado para atacar y defenderse". En este sentido, nos alineamos con la
comprensión de Moura et al. (2019), para quienes las prácticas pedagógicas de las luchas en la
escuela deben distanciar estas prácticas corporales de la idea de violencia. Un extracto de un
diario de campo recuerda el discurso didáctico de que "las peleas pueden ayudar en el equilibrio
de las emociones, en saber cuándo dar los golpes" (Diario de campo, 17 de mayo de 2022). Otro
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fragmento, a continuación, presenta este discurso y la intencionalidad docente en torno a las
emociones en la enseñanza de las luchas.
El tema de las emociones llama mucho la atención. Mi discurso fue en el
sentido de que la pelea exige mucho control emocional por parte del peleador,
e hice este discurso, a las clases, de que el odio, la ira, la impulsividad, no se
pueden usar demasiado en las peleas, porque el peleador tiene que saber el
momento adecuado para atacar y defenderse. Por lo tanto, el control sobre tus
emociones e impulsos tiene que ser muy grande. [...] En mis palabras en clase,
es una especie de juego dentro de ciertas reglas donde los luchadores tienen
que saber el momento adecuado para actuar para ganar. Esta lógica
deconstruye la idea de que el luchador es impulsivo. En mi intervención
mencioné que, por el contrario, el luchador debe tener un equilibrio emocional
que le permita saber el momento exacto para actuar y retirarse. En este sentido,
también dije que, salvo algunas excepciones, los que entrenan pelean rara vez
pelean porque saben controlar sus emociones (Diario de campo, 19 de mayo
de 2022, nuestra traducción).
El discurso sobre las emociones cobró fuerza en ese contexto ante los reajustes
emocionales que fueron necesarios en este periodo de regreso a la presencialidad, luego de casi
dos años de enseñanza a distancia debido a las restricciones sanitarias aplicadas por la pandemia
del coronavirus que afectó al mundo. No era raro encontrar descripciones en los diarios de
campo de situaciones de llanto, tristeza, ira, así como relatos de depresión y ansiedad en los
estudiantes de estas clases. Así, hablar de las emociones y proponer elementos de control
emocional que sean, al mismo tiempo, espacios para la liberación de emociones y la excitación
placentera (ELIAS, 2019), parecía ser una intencionalidad pedagógica importante.
Aunque reiteramos la separación entre lucha y lucha, en la escuela, tal escisión no se
produce sin una intervención pedagógica que inculque en los estudiantes una dimensión ética
y normas coherentes que impidan o impidan las acciones violentas. Se enumeraron, presentaron
y utilizaron diariamente en el aula dos principios éticos. El primero trata de la limitación del
uso de golpes al espacio controlado de las clases, y la segunda trata del respeto al cuerpo del
compañero. Se describen en el siguiente extracto del diario de campo.
Todas las peleas se enseñan sobre la base de estos dos principios: el primer
principio es que aquellas técnicas y estrategias que se aprenden en la clase de
lucha, en el entrenamiento de pelea, solo pueden ser empleadas, utilizadas,
dentro del contexto de las peleas. Esto es cierto para nuestra clase de
Educación Física, donde las técnicas y estrategias aprendidas en clase solo se
pueden utilizar en clase, en un contexto de igualdad de oportunidades, con
control de los golpes y con respeto por el cuerpo de los compañeros, el cuerpo
que cada uno pone a disposición para el aprendizaje del otro. Por lo tanto, el
respeto por el cuerpo del colega es un principio muy importante. Hoy me
centré en clase en los dos principios, lo subrayé en varias ocasiones (Diario de
campo, 19 de mayo de 2022, nuestra traducción).
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En el mundo de las luchas, estos principios son generalmente tratados como elementos
constitutivos de las luchas y de los combatientes. Imaginamos que hay pocos espacios para la
enseñanza de peleas que no aboguen por el respeto al cuerpo del compañero y la restricción del
uso de golpes, técnicas y estrategias fuera del espacio controlado excepto, por supuesto, en
casos puntuales de defensa personal. En el currículo escolar, la intención de aprender tales
principios se presenta como una dimensión actitudinal de los contenidos, que a veces está
demasiado implícita dentro de la objetividad característica de la enseñanza de los contenidos
de Educación Física.
Así, arrojamos luz sobre estos elementos éticos como una dimensión fundamental en la
enseñanza de las peleas en la escuela, no solo como estrategias que pretenden evitar la violencia
física en el aula, sino también como elementos que ayudan en la enseñanza del autocontrol de
los impulsos, especialmente los relacionados con la agresividad. Tratar las luchas como
espacios para la construcción de una ética de respeto al otro y autocontrol de los impulsos
violentos está en línea con las perspectivas contemporáneas y críticas de la educación y ayuda
a deconstruir los estereotipos de violencia en las luchas.
Aún con relación a las intencionalidades, cabe destacar que pretendemos trabajar con
poco material, en vista de la importante preocupación histórica de la Educación Física por
proponer estrategias didácticas que sean aplicables en escuelas con pocos recursos, y atentos a
las preocupaciones de Rufino y Darido (2015) sobre la dificultad de implementar la enseñanza
de las peleas debido a la poca infraestructura. Las propuestas para enseñar peleas en las escuelas
que requieren kimonos, guantes o sacos de boxeo, por ejemplo, parecen antidemocráticas. En
este curso pedagógico, utilizamos dos materiales: tatami, en algunas clases, para que los
alumnos pudieran caer al suelo con mayor seguridad y pudieran estar sin zapatos, pero
protegidos del frío del suelo (las temperaturas, en algunos días de clase, eran cercanas a los
C); y también 'fideos de piscina', específicamente para las clases de lucha de larga distancia.
Así, la gran mayoría de las actividades se desarrollaron sin materiales.
A continuación, se muestra una tabla con la descripción de las clases. No es nuestro
interés aquí, al presentar nuestra propuesta para enseñar las luchas, sofocar la creatividad del
maestro o desconocer la realidad de un contexto social dado. Entendemos, por el contrario, que
presentar formatos objetivos y accesibles para las luchas docentes en la escuela puede ayudar
en la implementación efectiva de estos contenidos en la escuela, a partir de la inspiración, la
provocación y la transformación del formato aquí detallado.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO y Maitê Venuto de FREITAS
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Tabla 1 Contenidos y guiones de las clases.
Objetivos/contenidos
Esquema de la clase
Reconocer y organizar/localizar el
contenido dentro de las prácticas
corporales
Tener discusiones conceptuales iniciales
Experimenta los primeros combates en la
lona con peleas de rango medio
Aplicación del cuestionario
Discusión sobre las respuestas a los cuestionarios
(modalidades, violencia, reglas, prejuicios)
Presentación del contenido: concepto de lucha (contacto,
reglas, oposición, simultaneidad, imprevisibilidad),
lógica de las distancias, valores (uso de la técnica en el
espacio, respeto por el cuerpo)
Práctica en la colchoneta de los juegos de lucha de media
distancia (tocando el hombro, la rodilla del colega)
Peleas de rango medio (base, guardia,
jab y recta)
Juegos de Media Distancia
Puñetazos: 1. Base (pierna por delante y otra por detrás,
ancho de hombros, rodilla semiflexionada, sin cambio de
base); 2. Guardia (barbilla hacia adentro, mano delantera
cerrada delante de la barbilla; mano detrás del lado de la
barbilla, triángulo, codo cerrado hasta las costillas); 3.
Jab (mano delantera, mano giratoria, dedos índice y
medio, fuerza de giro de cadera); 4. Recto (giros de
revés, mano y cadera)
Secuencias solas. Luego golpea las manos de su colega
(siempre golpea la mano opuesta)
Codos (misma lógica que puñetazo)
Gama media (codos y rodillas)
Jab y recto (tocando la parte superior de la cabeza con
los dedos)
Codos (diferencias entre distancias)
Jab, recto, jab de codo
Rodilla (punta de la rodilla, movimiento de cadera:
lanzar las caderas hacia adelante, el colega recorta con
ambas manos, apuntar el estómago) - colchonetas, juego
de clinch (codo cerrado, posición de dominancia,
escape, levantar la cabeza e ir hacia atrás)
Jab, Recto, Rodilla, Codo
Corta distancia (desequilibrio y
conquista de territorio)
Reglas para no derribar
Dimensión conceptual: el sumo se desequilibra para
sacar al oponente del espacio, el judo se desequilibra
para caer
De pie, en cuclillas - desequilibrio (pies en paralelo,
levanta el pie del suelo, ancho)
Eliminar de un espacio - Sumo
Corta distancia (desequilibrio y
conquista de territorio)
Repetir aula anterior
De pie, en cuclillas y sentado en el suelo
Uso con las dos manos, agarre con el antebrazo
Ritual de las luchas
Larga Distancia
Implementa peleas
Esgrima (historia y reglas)
Tira y afloja (individual, grupal, colectivo)
Papel de periódico o 'fideos' (que tocan diferentes partes
del cuerpo)
Evaluar los conocimientos aprendidos
Evaluar la percepción de los estudiantes
sobre las dificultades
Evaluación/cuestionario 2
Fuente: Elaboración de los autores
La enseñanza de deportes de combate en la Educación Física Escolar: Informes de una investigación-acción
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En la tabla se presentan algunos elementos de los contenidos y guiones que se
desarrollaron en las clases. Cabe señalar que antes de la evaluación final estaba programada
una clase de lucha mixta a distancia, pero se sospechaba que el profesor tenía Covid-19 y estuvo
fuera del trabajo durante dos días. Los profesores que lo reemplazaron trabajaron en otros
contenidos. Por lo tanto, no fue posible implementarlo, considerando que la 'clase 7' era la
última antes del receso de julio, y no parecía tener sentido continuar el contenido con una sola
clase a la vuelta de las vacaciones. Además, cabe destacar que los estudiantes tenían dos clases
de Educación Física por semana, pero cada clase era impartida por un profesor. Así, las clases
de lucha se realizaban una vez a la semana y duraban 40 minutos.
Los juegos de lucha eran las actividades principales de todas las clases. Ocasionalmente,
se realizaban algunas actividades de repetición y otras de golpes combinados, para que los
alumnos pudieran reconocer en el cuerpo ciertos golpes, posiciones y estrategias que eran las
más importantes en las peleas. Los juegos tenían como objetivo tocar una determinada parte del
cuerpo del oponente (cabeza, hombro, rodilla o pie) con las peleas de media distancia y, al
mismo tiempo, el jugador no podía permitir que el oponente lo tocara. En las peleas cuerpo a
cuerpo, los juegos consistían en derribar al compañero de equipo, sosteniendo sus manos,
antebrazos o brazos, incluso mientras estaba de pie, en cuclillas o arrodillado. Otros juegos
tenían como objetivo excluir al oponente de un espacio determinado: la colchoneta o los
espacios de la cancha deportiva, como el círculo central, por ejemplo. En los juegos de fondo,
los juegos giraban en torno a poner los 'fideos' sobre el oponente.
Se evitaron las actividades de repetición, sin embargo, se consideró importante que los
estudiantes supieran qué son, cómo y por qué se realiza la base, la guardia, el jab, la mano
derecha, el codo y la rodilla en las peleas. A partir de estos aprendizajes, estos elementos se
incluyeron en las actividades del juego y se crearon situaciones de 'golpes combinados', cuando
un luchador golpea y otro recibe los golpes previamente combinados. Desde la perspectiva de
las clases, los golpes combinados fueron una forma de juego colaborativo, en el que no hay
ganador, pero el logro y la satisfacción de poder realizar la secuencia propuesta por el
profesor. Allí se realizaron varias secuencias, y estas involucraron los golpes aprendidos
anteriormente.
De esta manera, el conocimiento corporal fue considerado en relación con elementos
éticos y con algunos saberes acumulados históricamente por el mundo de la lucha. La última
clase se dedicó a observar cómo los estudiantes percibían las luchas después de la enseñanza
de este contenido.
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Evaluación
La evaluación incluyó la aplicación de un cuestionario el último día de clase, compuesto
por seis preguntas que tuvieron como objetivo verificar la aprehensión conceptual de las
distancias (corta, media y larga) y los elementos trabajados, así como la percepción de
violencia. Además, se repitieron dos preguntas en relación con el primer cuestionario: una sobre
la opinión con relación a las peleas y otra sobre tener este contenido en las clases de Educación
Física.
Un total de 101 estudiantes (57 chicos, 39 chicas y 5 con género no identificado)
respondieron al cuestionario. Cuando se les preguntó por ejemplos de modalidades de lucha a
corta distancia, la mayoría indicó respuestas apropiadas, por ejemplo, judo (n = 43), sumo (n =
36) y jiu jitsu (n = 25), aunque aproximadamente el 20% de las respuestas (n =
6
52) indicaron
modalidades que no son de corta distancia o que no se han completado. Este porcentaje ocurrió
de manera similar en las peleas de media distancia el boxeo (n=42), el karate (n=25) y la
capoeira (n=16) fueron mencionados principalmente y en las peleas de larga distancia en
las que la esgrima (n=68) fue la más citada. Cuando se les pidió a los estudiantes que
describieran los elementos trabajados en clase (jab, derecha, guardia, base, desequilibrio y
contragolpe), se encontró que alrededor del 60% de los estudiantes pudieron describirlos.
Las ausencias recurrentes de algunos estudiantes en estas clases, la novedad de las
luchas en el currículo escolar y la falta de experiencia de algunos estudiantes en las luchas, así
como las dificultades de transponer el conocimiento corporal a una estrategia de evaluación
conceptual, pueden ser elementos que justifiquen que solo una parte de los estudiantes supiera
responder correctamente a la evaluación conceptual. Cabe señalar, desde esta perspectiva, que
esta evaluación se realizó de forma anónima y no tuvo como objetivo evaluar a los estudiantes
individualmente, sino comprender las posibilidades y limitaciones de la intervención. A partir
de estos elementos, entendemos que los procesos evaluativos podrían ser calificados mediante
la observación del conocimiento corporal a partir de sus características.
Al cuestionar la relación con la violencia después de la intervención, se encontró que la
mayoría de los estudiantes presentaron en sus respuestas una adecuada comprensión de la
distancia entre las peleas y la violencia, enfatizando términos como: "salud", "cultura",
"defensa", "expresión", "control", "ocio" y "deporte". También cuestionamos la importancia de
los saludos y saludos entre los combatientes, en el entendido de que tales rituales concretan en
6
El estudiante podría indicar más de una modalidad, por lo que el porcentaje es representativo de una suma de
modalidades y no de individuos.
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la lucha el distanciamiento de los impulsos agresivos, de la "lucha" y de la violencia. En este
caso, los estudiantes expresaron términos como "respeto", "amistad", "gratitud", "ilusión" o
"felicitaciones" y "cultura".
Al preguntar la "opinión" de los estudiantes sobre las peleas, solo siete estudiantes se
expresaron de manera "negativa", mientras que 89 presentaron significados relacionados con
características "positivas", con "deporte", "defensa", "salud" y "cultura", y no hubo
percepciones diferentes entre niños y niñas. Respuestas similares ocurrieron en la siguiente
pregunta, relacionada con la enseñanza de las peleas en la Educación Física escolar. Las
aproximaciones de la enseñanza de las luchas con estos conceptos caros a la Educación Física
parecen ser un interesante objeto de observación e intervención. Al fin y al cabo, es
pedagógicamente relevante entender con qué nociones de deporte, salud y cultura se trata.
Consideraciones finales
La propuesta pedagógica para la enseñanza de las luchas logró ciertos objetivos al
acercar estos contenidos a esos grupos de estudiantes y al posibilitar el aprendizaje de
conocimientos corporales, conceptuales y actitudinales del universo de luchas, resignificados
para posibilitar el desempeño docente, la implementación con pocos materiales, la práctica
exitosa de todos los estudiantes y los intereses de una educación que apunta a la democracia.
el humanismo y la lucha contra la violencia.
Este relato de una investigación-acción cumple la función de mostrar los caminos
trazados, las posibilidades y dificultades, las estrategias y los cambios de dirección. En todo
caso, presenta elementos y, por lo tanto, abre espacio para la construcción y redacción de un
estudio propositivo sobre la enseñanza de las luchas en la escuela, que es, de hecho, el principal
interés del proyecto de investigación.
La principal novedad aquí además de la falta de material y el trabajo con las distancias
puede ser en comparación con las propuestas de Rufino (2012; 2014) y del BNCC (BRASIL,
2017) el énfasis dado a los elementos éticos/actitudinales, que fueron utilizados diariamente
como intenciones pedagógicas durante la intervención. El tratamiento pedagógico de las luchas,
por tanto, se basó en una educación interesada en las emociones de los individuos, no solo desde
la perspectiva de la incorporación de controles y autocontroles, sino también en la lógica del
desarrollo de la autonomía y el autoconocimiento, y la construcción de espacios seguros para
la catarsis y la liberación de impulsos, en el sentido de Elías (2019).
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO y Maitê Venuto de FREITAS
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633 15
Por último, cabe destacar una reflexión de un docente que tuvo poco contacto previo
con las luchas. La docencia requiere investigación, por lo que el agrupamiento de luchas por
las distancias no exime a la labor docente de estudiar, preparar y planificar; Tampoco disminuye
el objeto, en vista de la centralidad de lo que hay de común entre ellos. La enseñanza de las
luchas fue una forma de conocerlas, tanto en la práctica docente con los estudiantes como con
el grupo de investigación. A pesar de las condiciones concretas del trabajo docente que
dificultan el tiempo y la disposición para tareas más allá de la agotadora rutina de unas pocas
decenas de horas de clase a la semana para cientos de estudiantes, vale la pena mencionar,
finalmente, la importancia en la práctica docente del desafío de ejercitar la curiosidad por
enseñar lo que nos es más ajeno. Es en estos lugares de lo desconocido donde se materializan
las prácticas educativas más ricas.
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Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO y Maitê Venuto de FREITAS
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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CRediT Author Statement
Reconocimientos: No se aplica.
Financiación: No aplicable.
Conflictos de intereses: No hay conflictos de intereses.
Aprobación ética: La investigación fue aprobada por el Comité de Ética en Investigación
de la Universidad Federal de Rio Grande do Sul, bajo el dictamen número 4.354.756.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Aportes de los autores: Daniel Giordani Vasques contribuyó con la redacción borrador
original, revisión y edición, conceptualización, investigación, metodología y análisis de
datos. Flávio Py Mariante Neto contribuyó con la redacción revisión y edición,
conceptualización, investigación y metodología. Maitê Venuto de Freitas contribuyó con
la conceptualización, investigación y metodología.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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TEACHING COMBAT SPORTS IN SCHOOL PHYSICAL EDUCATION: REPORTS
OF AN ACTION-RESEARCH
ENSINO DE LUTAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: RELATOS DE UMA
PESQUISA-AÇÃO
LA ENSEÑANZA DE DEPORTES DE COMBATE EN LA EDUCACIÓN FÍSICA
ESCOLAR: INFORMES DE UNA INVESTIGACIÓN-ACCIÓN
Daniel Giordani VASQUES 1
e-mail: daniel.vasques@ufrgs.br
Flávio Py MARIANTE NETO 2
e-mail: flaviomariante@hotmail.com
Maitê Venuto de FREITAS 3
e-mail: venutodefreitas@gmail.com
How to reference this article:
VASQUES, D. G.; MARIANTE NETO, F.; FREITAS, M. V.
Teaching combat sports in School Physical Education: Reports of
an action-research. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633
| Submitted: 16/01/2023
| Revisions required: 27/02/2023
| Approved: 13/04/2023
| Published: 01/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre RS Brazil. PhD in Human Movement
Sciences from UFRGS (Professor in the Department of Expression and Movement and the Postgraduate Program
in Human Movement Sciences).
2
Lutheran University of Brazil (ULBRA), Canoas RS Brazil. PhD in Human Movement Sciences from UFRGS
(Professor in the Department of Physical Education).
3
Porto Alegre City Hall (PMPA), Porto Alegre RS Brazil. PhD in Human Movement Sciences from UFRGS
(Professor at the Municipal Department of Education).
Teaching combat sports in School Physical Education: Reports of an action-research
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633 2
ABSTRACT: This study analyzes a pedagogical intervention for teaching combat sports in the
Physical Education curriculum of a federal public school. The action-research took place in
teaching classes in the 8th and 9th years of Elementary School. From the participant
observation, field diaries were produced, built on the strangeness of the professor-researcher.
Pedagogical practices aimed at the use of few materials and that ethical/attitudinal elements
were used on a daily basis. The text presents: 1) a perception of the students' initial knowledge;
2) the proposal of teaching combat sports; and 3) an evaluation of the pedagogical proposal.
The proposal combines with an education interested in the emotions of individuals, not only
from the perspective of incorporating controls and self-controls, but also from the logic of
developing autonomy and self-knowledge, and building safe spaces for catharsis and liberation
of impulses.
KEYWORDS: Combat sports. School Physical Education. Intervention. Pedagogical proposal.
Ethics.
RESUMO: Esse estudo trata de analisar uma intervenção pedagógica do ensino de lutas no
currículo de Educação Física de uma escola pública federal. A pesquisa-ação se deu na
ministração de sete aulas de lutas para turmas do e anos do Ensino Fundamental. A partir
da observação participante foram produzidos diários de campo, construídos nos
estranhamentos do professor-pesquisador. As práticas pedagógicas visaram o uso de poucos
materiais e que elementos éticos/atitudinais fossem empregados cotidianamente. O texto
apresenta: 1) uma percepção dos saberes iniciais dos estudantes; 2) a proposta de ensino de
lutas; e 3) uma avaliação da proposta pedagógica. A proposta se alia a uma educação
interessada nas emoções dos indivíduos, não somente na perspectiva da incorporação de
controles e autocontroles, mas na lógica também de desenvolvimento da autonomia e do
conhecimento de si, e da construção de espaços seguros de catarse e de liberação dos impulsos.
PALAVRAS-CHAVE: Lutas. Educação Física Escolar. Intervenção. Proposta pedagógica.
Ética.
RESUMEN: Este estudio analiza una intervención pedagógica con deportes de combate en el
currículo de Educación Física de una escuela pública. La investigación-acción se desarrolló
en la enseñanza para clases de y años. A partir de la observación participante, fueron
elaborados diarios de campo, construidos a partir de la extrañeza del profesor-investigador.
Las prácticas pedagógicas usaron pocos materiales y los elementos éticos/actitudinales fueran
utilizados en el día a día. El texto presenta: 1) una percepción de los conocimientos iniciales
de los estudiantes; 2) la propuesta de la enseñanza de deportes de combate; y 3) una evaluación
de la propuesta pedagógica. La propuesta se conjuga con una educación interesada en las
emociones de los individuos, no solo desde la perspectiva de incorporar controles y
autocontroles, sino también desde la lógica de desarrollar la autonomía y el autoconocimiento,
y construir espacios seguros de catarsis y liberación de impulsos.
PALABRAS CLAVE: Deportes de combate. Educación Física Escolar. Intervención.
Propuesta pedagógica. Emociones.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO and Maitê Venuto de FREITAS
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Introduction
Fights, martial arts or combat sports
4
, are a manifestation of the body culture of
movement that for at least three decades have been recognized by academic-scientific spaces
as an important content of Physical Education at school. Still in the 1990s, important works in
this discipline, such as the Collective of Authors (1992) and the National Curricular Parameters
(PCNs) (BRASIL, 1997), recognized the importance of teaching fights in school Physical
Education. Since then, there seems to be no reasonable doubt, at least in the academic-scientific
field, about the legitimacy of its curricular space.
On the 'school floor', that is, in the empirical field, it seems, however, that there are still
difficulties in the effective and regular implementation of struggles. One of the reasons given
for this deals with the arguments that associate the teaching of fights with an increase in
aggression and violence among students. Studies indicate that such an association is a stigma
(ALMEIDA et al., 2021), a distortion of the teaching of fights (UENO; SOUSA, 2014), and
that pedagogical practices at school must distance fights from the idea of violence (MOURA et
al., 2019).
There is no doubt that the central element of teaching fights is to hit, knock down or
immobilize the opponent, however, this can only be done within relatively rigid rules, which
precisely provide for the control of violence. Furthermore, controlling your own aggressive
impulses is a fundamental strategy for the fighter to know when to attack and defend and typical
of the development of contemporary sport as a civilizing element (ELIAS, 2019). In this sense,
it is also worth highlighting that fights are made up of ethical elements of respect for the
opponent's body and social rules that aim to prevent the use of techniques outside the fighting
space. Therefore, listing rules, ethical elements and control of emotions
5
is a component part of
teaching fights.
There seems to be, in the social imagination, a certain association between a bodily
practice 'being contact' and 'being violent'. The texts by Mariante Neto, Vasques and Freitas
4
Although they are used here as synonyms, given that the object of study is their treatment in the school space,
such concepts presuppose specific meanings. Fights are disputes aimed at subduing the opponent using techniques
and strategies of imbalance, contusion, immobilization or exclusion from a certain space (BRASIL, 1997); martial
arts are not only intended to fight, but also have philosophical, self-knowledge and self-control aspects
(MORENO; FERREIRA, 2017); Combat sports presuppose, in turn, the idea of competition and pre-established
rules in order to standardize forms of dispute and control violence.
5
We understand control of emotions in the sense of Elias (2019), for whom the course of the civilizing process,
observed in the long term and permeated with tensions, tends to reduce the possibilities of emotional and impulsive
manifestations of individuals. Sports and, in this case, fights fulfill a liberating function for individuals by
providing spaces for the expression of certain emotions, albeit in a controlled way.
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(2021) and Myskiw et al. (2015) are good examples to help understand these processes. The
authors show, from MMA and floodplain football, the expected ways of acting within the game,
that is, the etiquettes in body contacts and the acceptable and unacceptable limits for acting
aggressively. From these elements, it can be understood that bodily practices are social spaces
that require learning the nuances, sensitivities, limits and etiquettes of physical contacts and
emotions, in order to produce sensations of pleasant excitement for practitioners.
Another argument used to support the difficulty of implementing fights at school deals
with the difficulty teachers have in working with this content. Studies show certain discomfort
for teachers in working with fights, especially because they did not have curricular components
in their initial training (HEGELE; GONZÁLEZ; BORGES, 2018), and highlight the importance
of continued training to deal with this content (BORGES et al., 2021). Some studies also
highlight the lack of infrastructure in schools (RUFINO; DARIDO, 2015), and propose that the
format of undergraduate subjects should be changed to favor approaches structured on
similarities and the principles of struggles (MATOS et al., 2015), and not in approaches that
privilege the teaching of one or another type of fighting.
In foreign literature, it is noteworthy that there is little research on teaching fights at
school. The review study carried out by Pereira et al. (2022) showed that the majority of
selected articles (n=6) had been published in Brazilian journals, meaning that Brazilian
researchers are more concerned with the introduction of fights at school, possibly, according to
them, the inclusion of fights in Brazilian educational documents, such as the PCNs (BRASIL,
1997) and the National Common Curricular Base (BNCC) (BRASIL, 2017).
This study is part of a research project that deals with a proposal for teaching fights at
school. Some proposals have been presented in recent years. Rufino (2012) was concerned with
four elements for teaching fights at school (why to teach, what to teach, how to teach and how
to evaluate), with the main contribution appearing to be the importance given to the conceptual,
procedural and attitudinal dimensions of the fight content.
Later, in a textbook, the same author (RUFINO, 2014) listed the general characteristics
of fights (physical confrontation, rules, opposition, objective centered on the other's body,
simultaneous actions and unpredictability), the difficulties in teaching them (prejudice, lack of
of materials and insufficient training) and classification based on distances (short, medium, long
and mixed distance fights). From this, he proposed teaching fights through games and listed
aspects that he considers essential and those that he considers important for teaching fights by
student age group; Finally, the work presents ten lesson plans to guide the teacher's work.
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO and Maitê Venuto de FREITAS
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The BNCC (BRASIL, 2017) also presents a proposal for teaching fights at school from
the 3rd grade of elementary school onwards, and makes an effort to list “Brazilian fights”
separately from “world fights” (p. 233). Although this proposal stands out in proposing skills
and abilities per grade/stage of teaching and inserting the body culture of movement in the area
of Languages, this proposition for teaching fights responds little to the problems in the field,
such as the association with violence, the lack of materials and teacher discomfort for its
implementation; as well as giving little emphasis to reflection on the attitudinal dimension of
teaching.
Based on these elements, we emphasize that this study deals with a teaching experience
and pedagogical actions of teaching intervention in the teaching of fights in a federal public
school. In view of the accumulation of knowledge, it is not our aspiration to 'innovate' or claim
to be oblivious to the production already developed. In any case, we believe that we have
included issues in our pedagogical practices that can contribute to the development of fight
teaching at school. They will be better presented throughout the text, but it is worth highlighting
here that the pedagogical practice was intended to use few material resources and that
ethical/attitudinal elements with a view to controlling emotions and aggression, and
respecting the rules of the game and social were used daily as pedagogical intentions during
the intervention. Based on these elements, the text on screen aims to analyze a pedagogical
intervention in teaching fights in the Physical Education curriculum of a federal public school.
Methodological procedures
This text is a report of action research (BETTI, 2009; TRIPP, 2005), which aims to build
knowledge to improve pedagogical practice, and is close to the Freirean notion that “there is no
teaching without research and research without teaching” (FREIRE, 1996, p. 29, our
translation). Thus, research is not a new element in the act of teaching, as “inquiry, search,
research is part of the nature of teaching practice”. In the case in question, it was about
researching the teaching of fights as a content of the school Physical Education subject.
Between May and July 2022, seven classes were taught to four classes in the final years
of elementary school at a federal public school, two of which were in the eighth year and the
other two in the ninth year. The classes were guided by the researcher himself, who works as a
teacher at the school. The lesson planning was prepared by the authors of this text, composed
Teaching combat sports in School Physical Education: Reports of an action-research
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of researchers and teachers in the area, as one of the stages of the research project that this study
is part of.
Data production took place through participant observation and the preparation of 14
field diaries, which were recorded orally right after the class(es) and subsequently transcribed.
The diaries were created based on the initial interests of the research, which dealt with the
proposition of teaching fights, and the researcher's strangeness. From this perspective, it is
worth highlighting that the teacher had relatively little experience with fights and teaching
fights. At the same time, he had been a teacher at the school for over four years, was known by
the students and had experience teaching physical education at school. In this way, the processes
of estrangement occurred, in part, in relation to what was familiar to him, in this case, school
and school Physical Education; but also, in the face of what was a little more alien to him, in
this case, the fights. The diaries were produced, in this way, based on the sensitivities perceived
in the intimacy of the 'school floor' and in the proximity to the fighting activities carried out
there. The protocols for this research were approved by the Ethics Committee for research with
human beings.
The data was organized in order to: 1) present a perception of the students' initial
knowledge about fights; 2) describe the proposal for teaching fights in relation to spaces and
materials; content, concepts and strategies; to bodily activities and knowledge; and the
attitudinal dimension; and 3) present an evaluation of the pedagogical proposal. The following
text is organized in this way, and intends to report the propositions, tensions, reflections and
teaching management during this period.
Initial knowledge
On the first day of class, a questionnaire was administered to the four classes involved
in the project. The students knew that the content to be worked on would be 'fights', as the
planning was part of everyday conversations in class and 'in the corridors' of the school,
however, they had many doubts about what this bodily practice was, about how it would be
worked on, and, above all, what meanings would be given to this practice in the discipline’s
curriculum. Thus, without explaining almost anything, a printed sheet was handed out with five
questions, which were answered individually and anonymously.
The 102 students who responded to the initial questionnaire (54 boys, 38 girls, 10 did
not fill out the gender question) were aged 12 to 16 years, with the majority claiming to be 13
or 14 years old (n=75). The first question was: What types of fighting (martial arts, combat
Daniel Giordani VASQUES; Flávio Py MARIANTE NETO and Maitê Venuto de FREITAS
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sports) do you know? Name them.” The most popular sports among students were boxing
(n=50), karate (n=48), capoeira (n=48), jiu jitsu (n=42), judo (n=39) and muay thai (n=32),
however, 15 other types of fights were also mentioned. Seven students could not name any
fight.
The second question asked whether the student had already practiced a type of fighting,
which one, where and for how long. Most of the students stated that they had not practiced
(n=39), with capoeira (n=22) and, among boys, judo (n=8), being the most practiced. The school
has a certain tradition in teaching capoeira as a Physical Education content since the early
grades, so it is likely that many considered this experience to answer the question. Furthermore,
we highlight that 15 students stated that they had been fighting for more than a year and another
five students for more than five years. It was common for these students with fighting
experience to help, or participate enthusiastically in classes; one practiced fencing, another
karate, others jiu jitsu, capoeira or muay thai.
The third question was about the customs of watching fights on television or on the
internet. While the boys stated that they watched/had watched boxing (n=14), karate (n=13),
judo (n=12) and 'UFC' (n=11), and only five stated that they did not watch/had watched; the
girls watched boxing (n=12) or did not watch/watched (n=11). This gender difference was not
noticeable in access to the practice, but rather in the scope of consumption of fights on
television. This seems to be a space that the girls in that group had no access, interest or
incentive to participate in. It is plausible to assume that these differences in access result in
different perceptions about the struggles and in a greater distance of girls from these spaces of
corporal practice.
The fourth question aimed to understand students' opinions about the fights. The
answers were different depending on gender. The boys spoke about 'positive aspects' of fighting
(n=28), 'personal defense' (n=16) and 'violence' (n=7), and few mentioned negative aspects
(n=5). The girls, in turn, highlighted 'positive aspects' (n=14), but also the 'negative' ones (n=8).
Finally, students were asked their opinion about taking fighting classes in Physical Education,
to which the majority responded 'positively' (n=73), although some (n=12) saw it 'negatively'.
After completing this questionnaire, we talked, in addition to the topics of the
questionnaire, about the content, formats, meanings and etiquettes to be implemented from that
moment on.
Teaching combat sports in School Physical Education: Reports of an action-research
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023112, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17633 8
A teaching proposal
The content would be taught not by fighting modality, but, inspired by Rufino's (2014)
proposal, the classes would take place based on a logic of distance between the fighters, so we
would have classes on medium distance, short distance, long distance and mixed distance. In
this way, students would not learn boxing, karate, jiu jitsu, sumo, fencing or MMA, but the
principles and strategies to hit, unbalance or exclude the opponent from a certain space. Falls
and immobilizations were not part of the classes, because we understand, in that context, that
they require more learning time to be done safely.
An important teaching discursive element was the control of emotions and aggressive
impulses as an inherent element of learning about fighting and as part of learning this content
at school. In every class, students were told that 'a fight is not a fight' and that the fighter 'has
to control his aggressive impulses and know the right moment to attack and defend himself'. In
this sense, we align ourselves with the understanding of Moura et al. (2019), for whom the
pedagogical practices of fights at school must distance these bodily practices from the idea of
violence. An excerpt from the field diary recalls the teaching discourse that “fights can help
balance emotions, knowing when to strike” (Field diary, May 17, 2022). Another excerpt,
below, presents this discourse and the teaching intentionality around emotions in teaching
fights.
The issue of emotions draws a lot of attention. My speech was to the effect
that the fight demands great emotional control from the fighter, and I gave this
speech, to the classes, that hatred, anger, impulsiveness cannot be used much
in fights, because the fighter has to know the right time to attack and defend
himself. So, control over your emotions and impulses has to be great. [...] In
my words in class, it's a kind of game within certain rules where fighters have
to know the right moment to act to win. This logic deconstructs the idea that
fighters are impulsive. In my speech, I mentioned that, contrary to this, the
fighter must have an emotional balance that allows him to know the exact
moment to act and to retreat. In this sense, I said that, apart from a few
exceptions, those who train to fight rarely fight because they know how to
control their emotions (Field diary, May 19, 2022, our translation).
The discourse on emotions gained strength in that context given the emotional
readjustments that were necessary during this period of returning to school in person, after
almost two years of remote teaching due to the health restrictions applied due to the coronavirus
pandemic that affected the world. Descriptions in class diaries of crying, sadness, anger were
not uncommon, as well as reports of depression and anxiety among students in these classes.
Therefore, talking about emotions and proposing elements of emotional control that are, at the
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same time, spaces for releasing emotions and pleasant excitement (ELIAS, 2019), seemed like
an important pedagogical intention.
Although we reiterate the separation between fight and fight, at school, such a split does
not occur without a pedagogical intervention that instills in students an ethical dimension and
consistent rules that prevent or prevent violent actions. Two ethical principles were listed,
presented and used daily in classes. The first deals with limiting the use of blows to the
controlled space of classes, and the second deals with respect for the colleague's body. They are
described in the field diary excerpt below.
All fights are taught based on these two principles: the first principle is that
those techniques and strategies that are learned in fight classes, in fight
training, can only be employed, used, within the context of fights. This applies
to our Physical Education class, where the techniques and strategies learned
in class can only be used in class, in a context of equal opportunities, with
control over blows and with respect for the body of colleagues, the body that
is available for each one there for the other to learn. So, respect for your
colleague's body is a very important principle. I focused on the two principles
today in class, I emphasized them at various times (Field diary, May 19, 2022,
our translation).
In the world of fights, these principles are generally treated as constitutive elements of
fights and fighters. We imagine that fighting teaching spaces that do not advocate respect for a
colleague's body and restrictions on the use of strikes, techniques and strategies outside the
controlled space are rare except, of course, in specific cases of self-defense. In the school
curriculum, the intention of learning such principles is presented as an attitudinal dimension of
the content, which is sometimes too implicit within the objectivity characteristic of teaching
Physical Education content.
Thus, we shed light on these ethical elements as a fundamental dimension in teaching
fights at school, not only as strategies that aim to avoid physical violence in classes, but also as
elements that help in teaching self-control of impulses, especially those linked to aggression.
Treating fights as spaces for building an ethics of respect for others and self-control of violent
impulses is in line with contemporary and critical perspectives on education and helps to
deconstruct stereotypes of violence in fights.
Still in relation to intentions, it is worth highlighting that we aim to work with little
material, given the important historical concern of Physical Education to propose teaching
strategies that are applicable in schools with few resources, and attentive to the concerns of
Rufino and Darido (2015) about the difficulty of implementing fight teaching due to little
infrastructure. Proposals for teaching fights at school that require kimonos, gloves or punching
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bags, for example, seem undemocratic. In this pedagogical course, we used two materials:
tatami mats, in some classes, so that students could fall to the floor more safely and could
remain without shoes, but protected from the cold floor (the temperatures, on some class days,
were close to 5ºC); and also 'pool noodles', specifically for long-distance fighting classes. Thus,
the vast majority of activities took place without materials.
Below, we present a table with the description of the classes. It is not our interest here,
when presenting our proposal for teaching fights, to stifle the teacher's creativity or disregard
the reality of a given social context. We understand, on the contrary, that presenting objective
and accessible formats for teaching fights at school can help in the effective implementation of
this content at school, based on inspiration, provocation and transformation of the format
detailed here.
Table 1 Class contents and scripts.
Classroom
Objectives/contents
Class outline
1
Recognize and organize/locate content
within bodily practices
Conduct initial conceptual discussions
Experience first matches on the mat
with medium distance fights
Application of the questionnaire
Discussion about the answers to the questionnaires
(modalities, violence, rules, prejudice)
Presentation of content: fight concept (contact, rules,
opposition, simultaneity, unpredictability), logic of
distances, values (use of technique in space, respect
for the body)
Practice on the mat in medium distance fighting games
(leaning on your colleague’s shoulder or knee)
two
Medium distance fights (base, guard,
jab and direct)
Middle distance games
Punches: 1. Base (leg in front and one behind,
shoulder width apart, knees semi-flexed, do not
change base); 2. Guard (chin in, front hand closed in
front of the chin; hand behind the chin, triangle, elbow
closed to the ribs); 3. Jab (front hand, rotating hand,
index and middle fingers, hip rotation force); 4.
Straight (back hand, rotates hand and hip)
Sequences alone. Then he hits his colleague's hands
(always hits the other hand)
Elbows (same logic as punch)
3
Medium distance (elbows and knees)
Jab and direct (plays of touching the top of the head
with the fingers)
Elbows (differences between distances)
Jab, straight, elbow jab
Knee strike (tip of the knee, movement of the hips
throwing the hip forward, colleague parries with both
hands, aiming for the stomach) mats, clinch play
(closed elbow, position of dominance, escape, raising
the head and going backwards)
Jab, straight, knee, elbow
4
Short distance (imbalance and
conquest of territory)
Rules for not tipping over
Conceptual dimension: sumo unbalances to take
opponent out of space, judo unbalances to fall
Standing, squatting - unbalancing (feet parallel, lift
your foot off the ground, let go)
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Remove from a space - Sumo
5
Short distance (imbalance and
conquest of territory)
Repeat previous class
Standing, squatting and sitting on the floor
Use of two hands, grab the forearm
Fight ritual
6
Long distance
Fights with implement
Fencing (history and rules)
Tug of war (individual, group, collective)
Newspaper or 'noodles' (touch different parts of the
body)
7
Evaluate the knowledge learned
Assess students’ perception of fights
Assessment/questionnaire 2
Source: Prepared by the authors
The table presents some elements of the content and scripts that were developed in
classes. It is worth noting that a mixed distance fighting class was scheduled to be taught before
the final assessment, but the teacher was suspected of having Covid-19 and was away from
work for two days. The teachers who replaced him worked on other content. Therefore, it was
not possible to implement it, considering that 'class 7' was the last one before the July break,
and it did not seem to make sense to continue the content with just one class upon returning
from vacation. Furthermore, it is worth noting that the students had two Physical Education
classes a week, but each class was taught by a teacher. Therefore, fighting classes took place
once a week and lasted 40 minutes.
Fighting games were the main activities of all classes. Occasionally there were some
repetition activities and others involving combined blows, so that students could recognize
certain blows, positions and strategies that are most important in fights on the body. The aim of
the games, in medium distance fights, was to touch a certain part of the opponent's body with
the hand or fingertips (head, shoulder, knee or foot) and, at the same time, the player could not
allow for the opponent to touch him. In close-range fights, the games consisted of taking down
the teammate, holding hands, forearms or arms even while standing, squatting or kneeling.
Other games aimed to exclude the opponent from a certain space: the mat or spaces on the
sports court such as the central circle, for example. In long-distance games, the games
revolved around touching the opponent with the 'noodles'.
Repetition activities were avoided; however, it was considered important that students
knew what they are, how and why the base, the guard, the jab, the straight, the elbow and the
knee are used in fights. Based on these lessons learned, such elements were included in game
activities and situations of 'combined blows' were created, when one fighter strikes and another
receives previously combined blows. From the perspective of the classes, combined blows were
a form of collaborative game, in which there is no winner, but there is achievement and
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satisfaction in being able to carry out the sequence proposed by the teacher. There, several
sequences were made, which involved the previously learned moves.
In this way, bodily knowledge was considered in relation to ethical elements and with
some knowledge historically accumulated in the world of fights. The last class was dedicated
to observing how students perceived struggles after teaching this content.
Assessment
The assessment included the application of a questionnaire on the last day of class,
consisting of six questions that aimed to verify the conceptual understanding of distances (short,
medium and long) and the elements worked on, as well as the perception of violence.
Furthermore, two questions were repeated in relation to the first questionnaire: one about the
opinion regarding fights and another about having this content in Physical Education classes.
101 students responded (57 boys, 39 girls and 5 with unidentified gender). When asking
for examples of close-quarter fighting modalities, the majority indicated appropriate answers
for example, judo (n=43), sumo (n=36) and jiu jitsu (n=25) , although approximately 20% of
the answers
6
(n=52) indicate modalities that are not short distance or have not been completed.
This percentage occurred similarly in medium-distance fights boxing (n=42), karate (n=25)
and capoeira (n=16) were mainly mentioned and in long-distance fights in which fencing
(n=68) was notably the most cited. When asking students to describe elements worked on in
class jab, direct, guard, base, imbalance and counterattack it was found that around 60% of
students were able to describe them.
The recurrent absences of some students in these classes, the novelty of fights in the
school curriculum and the little experience of some students in fights, as well as the difficulties
in transposing bodily knowledge into a conceptual assessment strategy, may be elements that
justify that only A portion of the students knew how to respond correctly to the conceptual
assessment. It is worth highlighting, from this perspective, that this evaluation was carried out
anonymously and was not intended to evaluate students individually, but to understand
possibilities and limitations of the intervention. From these elements, we understand that
evaluation processes could be qualified by observing bodily knowledge based on its
characteristics.
6
The student could indicate more than one modality; therefore, the percentage is representative of a sum of
modalities and not of individuals.
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When questioning the relationship with violence after the intervention, it was found that
the majority of students presented in their responses an adequate understanding of the distance
between struggles and violence, highlighting terms such as: “health”, “culture”, “defense”,
“expression”, “control”, “leisure” and “sport”. We also question the importance of greetings
between fighters, in the understanding that such rituals materialize in the fight the distance from
aggressive impulses, 'fighting' and violence. In this case, students expressed terms such as
“respect”, “friendship”, “gratitude”, wishing for “luck” or “congratulations”, and “culture”.
When asking the students' “opinion” about fights, only seven students expressed
themselves in a 'negative' way, while 89 presented meanings related to 'positive' characteristics,
such as “sport”, “defense”, “health” and “culture”, and there were no different perceptions
between boys and girls. Similar responses occurred in the following question, related to the
teaching of fights in school Physical Education. The approaches of teaching fights with these
concepts dear to Physical Education seem to be an interesting object of observation and
intervention. After all, it is pedagogically relevant to understand what notions of sport, health
and culture they are dealing with.
Final remarks
The pedagogical proposal for teaching fights achieved certain objectives by bringing
this content closer to those groups of students and by enabling the learning of corporal,
conceptual and attitudinal knowledge from the universe of fights, resignified in order to enable
teaching, implementation with few materials, the successful practice of all students and the
interests of an education that aims at democracy, humanism and the fight against violence.
This report of action research fulfills the function of showing the paths taken, the
possibilities and difficulties, the strategies and changes in direction. In any case, it presents
elements and, thus, opens up space for the construction and writing of a purposeful study of
teaching fights at school, which is, in fact, the main interest of the research project.
The main novelty here apart from the little material and the work with distances is
perhaps in comparison with the proposals of Rufino (2012; 2014) and the BNCC (BRASIL,
2017) the emphasis given to ethical/attitudinal elements, which were used daily as
pedagogical intentions during the intervention. The pedagogical treatment of struggles,
therefore, was based on an education interested in the emotions of individuals, not only from
the perspective of incorporating controls and self-control, but also from the logic of developing
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autonomy and self-knowledge, and the construction of safe spaces of catharsis and release of
impulses, in the sense of Elias (2019).
Finally, it is worth highlighting a reflection from a teacher who had little previous
contact with the fights. Teaching requires research, therefore, the grouping of struggles over
distances does not exempt the teaching work from studying, preparing and planning; nor does
it diminish the object, given the centrality of what is common between them. Teaching fights
was a way of learning about them, both in teaching practice with students and with the research
group. Despite the concrete conditions of teaching work that hinder time and willingness to
carry out tasks beyond the tiring routine of a few dozen hours of classes per week for hundreds
of students, it is worth, finally, mentioning the importance in teaching practice of the challenge
of exercising curiosity to teach what is most alien to us. It is in these unknown places that the
richest educational practices materialize.
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CRediT Author Statement
Acknowledgments: Not applicable.
Financing: Not applicable.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The research was approved by the Research Ethics Committee of the
Federal University of Rio Grande do Sul, under opinion number 4,354,756.
Availability of data and material: Not applicable.
Author contributions: Daniel Giordani Vasques contributed to the writing original
draft, review and editing, conceptualization, investigation, methodology and data analysis.
Flávio Py Mariante Neto contributed to the writing review and editing,
conceptualization, investigation and methodology. Maitê Venuto de Freitas contributed to
the conceptualization, investigation and methodology.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, standardization, and translation.