RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023089, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17708 1
O DESLUMBRAMENTO CONTEMPLATIVO COMO PROCESSO DE
CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO: CONSIDERAÇÕES EDUCACIONAIS
EL DESLUMBRAMIENTO CONTEMPLATIVO COMO PROCESO DE
CONSTRUCCIÓN DEL CONOCIMIENTO: CONSIDERACIONES EDUCATIVAS
CONTEMPLATIVE WONDER AS A KNOWLEDGE CONSTRUCTION PROCESS:
EDUCATIONAL REMARKS
Ellen Nogueira RODRIGUES1
e-mail: ellen_unasp@hotmail.com
Como referenciar este artigo:
RODRIGUES, E. N. O deslumbramento contemplativo como
processo de construção de conhecimento: Considerações
educacionais. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023089, 2023. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17708
| Submetido em: 08/02/2023
| Revisões requeridas em: 25/03/2023
| Aprovado em: 22/06/2023
| Publicado em: 03/10/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), Engenheiro Coelho SP Brasil. Professora do
Mestrado Profissional em Educação do UNASP.
O deslumbramento contemplativo como processo de construção de conhecimento: Considerações educacionais
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023089, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17708 2
RESUMO: As experiências de deslumbramento que visam promover a perplexidade, a
formulação de hipóteses e a investigação do significado da experiência humana nas práticas de
ensino são escassas. Portanto, o presente artigo tem como objetivo identificar e analisar a
educação do deslumbramento contemplativo articulada por Anders Schinkel para o campo
educacional e a educação moral. Este trabalho, de natureza teórica, se apoia no referencial
teórico do pensamento filosófico educacional de Schinkel, no qual analisaremos as principais
obras do autor. Os resultados da pesquisa indicam o potencial do deslumbramento
contemplativo para o reconhecimento dos limites do conhecimento humano, ao proporcionar
uma postura de atenção receptiva para algo que é familiar e promove novas possibilidades, bem
como concepções abrangentes e profundas da realidade. Além disso, o deslumbramento abre
horizontes para estabelecermos um tipo de relacionamento com o mundo de apreciação,
respeito e cuidado diante da humanidade e as formas de vida.
PALAVRAS-CHAVE: Deslumbramento contemplativo. Processos de construção de
conhecimento. Educação. Práticas de ensino. Educação moral.
RESUMEN: Las experiencias de asombro que pretenden promover la perplejidad, la
formulación de hipótesis y la investigación del significado de la experiencia humana en las
prácticas docentes son escasas. Por lo tanto, este artículo tiene como objetivo identificar y
analizar la educación del deslumbramiento contemplativo articulada por Anders Schinkel para
el campo educativo y la educación moral. Esta obra, de carácter teórico, se basa en el marco
teórico del pensamiento filosófico educativo de Schinkel, en el que analizaremos las principales
obras del autor. Los resultados de la investigación indican el potencial del deslumbramiento
contemplativo para el reconocimiento de los límites del conocimiento humano, al proporcionar
una postura de atención receptiva a algo que es familiar y promueve nuevas posibilidades, así
como concepciones integrales y profundas de la realidad. Además, el deslumbramiento nos
abre horizontes para establecer una especie de relación con el mundo del aprecio, el respeto y
el cuidado ante la humanidad y las formas de vida.
PALABRAS CLAVE: Deslumbramiento contemplativo. Procesos de construcción de
conocimiento. Educación. Prácticas docentes. Educación moral.
ABSTRACT: Wonder experiences that aim to promote perplexity, the formulation of hypotheses
and the investigation of the meaning of human experience in teaching practices are scarce.
Therefore, this article aims to identify and analyze the education of contemplative wonder
articulated by Anders Schinkel for the educational field and moral education. This work, of a
theoretical nature, is based on the theoretical framework of Schinkel's educational
philosophical thought, in which we will analyze the author's main works. The research results
indicate the potential of contemplative wonder for recognizing the limits of human knowledge,
by providing an attitude of receptive attention to something that is familiar and promoting new
possibilities and far-reaching and profound conceptions of reality. In addition, wonder opens
horizons for us to establish a kind of relationship with the world of appreciation, respect and
care for humanity and life forms.
KEYWORDS: Wonder education. Knowledge construction process. Education. Teaching
practices. Moral education.
Ellen Nogueira RODRIGUES
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023089, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introdução
As crianças naturalmente experienciam o senso de deslumbramento, de encanto e de
mistério ao se depararem com certos fenômenos, objetos e a realidade que os cerca. Na medida
que crescemos, nos tornamos tão familiarizados com a realidade que acabamos por trivializar
nossa inclinação à contemplação e perplexidade com a vida. Conforme Schinkel comenta
(2018, p. 1), “as crianças gradualmente perdem a inclinação natural de enxergar as coisas com
admiração em relação ao porquê, como e o quê das coisas.” Ao nos depararmos com mudanças
e inovações constantes e um modo de vida altamente tecnológico, aquilo que nos é familiar,
como o pôr do sol ou o processo de fotossíntese, torna-se insignificante e banal. Diante de tal
cenário, acreditamos que é necessário suscitar e disseminar nos alunos experiências de
deslumbramento no processo educacional como recurso valioso para promover a curiosidade,
a formulação de hipóteses e como meio para explorar a experiência humana e o significado da
vida.
As políticas educacionais contemporâneas tendem a se apropriar de postulados
neoliberais voltados para o desempenho, testes padronizados, avaliações e sistema de notas dos
alunos, que acabam por reforçar a busca por respostas prontas, ao invés de encorajar a dúvida,
o questionamento, o deslumbramento e o uso da imaginação para formular possíveis
concepções alternativas às questões investigadas na escola (D’AGNESE, 2020). Nesse sentido,
pesquisadores do campo da educação, como Hadzigeorgiou (2012), Egan, Cant e Judson
(2013), Schinkel (2018; 2021) e Schinkel et al. (2020), advogam a necessidade de estimular
experiências de deslumbramento no contexto educacional, conforme as perspectivas articuladas
na área de estudo emergente denominada Wonder Education, que estamos traduzindo em
português como Educação do Deslumbramento.
O objetivo do presente artigo é identificar e analisar as noções fundamentais da
educação do deslumbramento contemplativo articulada por Anders Schinkel para o campo
educacional e, mais especificamente, a educação moral. Este trabalho, de natureza teórica, se
apoia no referencial teórico do pensamento filosófico educacional de Schinkel (2018; 2021) e
Schinkel et al. (2020), cujos principais textos a serem analisados são: Wonder and Education:
On the Educational Importance of Contemplative Wonder (O deslumbramento e a educação: a
importância educacional do deslumbramento contemplativo), Wonder, Education, and Human
Flourishing: Theoretical, Empirical, and Practical Perspectives (Deslumbramento, educação e
florescimento humano: perspectivas teóricas, empíricas e práticas) e What Should Schools Do
to Promote Wonder? (O que as escolas devem fazer para promover a o deslumbramento?). Nas
O deslumbramento contemplativo como processo de construção de conhecimento: Considerações educacionais
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seções a seguir será apresentado o conceito de deslumbramento contemplativo de Schinkel para
a educação e a educação moral, bem como o processo de construção do deslumbramento
contemplativo no âmbito da sala de aula. Por fim, apresentaremos as conclusões e implicações
do deslumbramento contemplativo para a educação.
O Conceito de Deslumbramento Contemplativo para a Educação
O filósofo da educação Anders Schinkel é professor associado da Faculdade de
Comportamento e Ciência do Movimento da Universidade Vrije Amsterdam, na Holanda. Ele
faz parte do instituto de pesquisa interdisciplinar LEARN!, cujo objetivo é desenvolver diversas
pesquisas no campo da educação. Um dos principais conceitos desenvolvidos por Schinkel
(2018; 2021) e Schinkel et al. (2020) é denominado Wonder Education, que orienta seu
pensamento e reflexão educacional.
O Deslumbramento Inquisitivo e Contemplativo
A noção de deslumbramento é vista como fundamental para promover a participação
ativa e criativa do aluno, a fim de potencializar processos sistêmicos em que o aluno possa
analisar, avaliar, questionar e vivenciar processos de aprendizagem mais significativos e
prazerosos. Schinkel et al. (2020) apontam dois importantes processos que orientam a
construção do conhecimento pelos alunos, tanto no contexto da sala de aula como no contexto
social mais amplo: o deslumbramento inquisitivo e o contemplativo. No deslumbramento
contemplativo, algo nos impressiona de tal modo que acaba por nos silenciar, revelando o limite
do nosso conhecimento com relação à uma esfera mais profunda de sentido e significado da
realidade. Por sua vez, o deslumbramento inquisitivo envolve uma postura de busca de
explicações, que se aproxima da curiosidade.
Segundo o autor, embora os dois processos do conhecimento sejam imperiosos na
prática educacional, ele destaca a ausência do deslumbramento contemplativo nas
contingências do dia a dia da sala de aula, que impede em grande medida a expansão e
interiorização do conhecimento. Contudo, Schinkel et al. (2020, p. 36) destacam também “o
cuidado com a reificação entre a distinção do deslumbramento contemplativo e inquisitivo,
como se estivéssemos lidando com duas realidades claramente separadas.”. Em outras palavras,
esses conceitos servem para evidenciar formas abstratas de retratar a realidade, ao observarmos
as diferenças qualitativas do conhecimento. Entretanto, não linhas demarcatórias exatas entre
os conceitos e, além disso, as fronteiras entre eles não são estritas.
Ellen Nogueira RODRIGUES
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Para elucidar o conceito de deslumbramento contemplativo, Schinkel (2021) toma como
exemplo a sua própria experiência de ter encontrado uma na praia. Esse evento o levou a
questionar, analisar e ponderar como aquele ser vivo e pequeno teria parado ali. Seu encontro
com esse animal inicialmente desencadeou uma série de indagações que promoveu a
inquietação inquisitiva e, então, levou ao deslumbramento contemplativo. Nesse nível mais
profundo de deslumbramento, ficamos impressionados pelo objeto observado (natureza,
virtudes morais, verdade etc) e movidos para além dos nossos pressupostos sobre do que
pensamos enxergar acerca da realidade. Há, portanto, no deslumbramento, o reconhecimento
do limite do nosso entendimento do mundo como o conhecemos. Isto é, o objeto de nosso
deslumbramento “apresenta os limites em perspectiva, nos lembra das nossas limitações, e ao
mesmo tempo revela que existe um ‘mundo’ além da nossa imagem do mundo” (SCHINKEL,
2021, p. 74). O foco no objeto faz-nos esquecermos de nós mesmos, para percebermos o mundo
como algo valioso por si mesmo, onde nos vemos confrontados pelo mistério e pela
perplexidade, e buscamos significados mais profundos da realidade.
De acordo com Schinkel (2021), o deslumbramento contemplativo engloba uma
variedade de experiências, a saber: (1) o reconhecimento do limite do conhecimento humano
sobre o mundo; (2) o caráter de encontro; e (3) a abertura para a revelação. Na primeira
característica, ao reconhecermos as limitações e a precariedade do nosso framework
interpretativo da realidade, nos deparamos com o que não sabemos, o que de fato
compreendemos e o que não conseguimos entender sobre a realidade que nos circunda. Assim,
é a partir da consciência das incertezas que tomamos interesse pelo mundo, por meio do qual a
imaginação se desperta e constrói possibilidades alternativas (SCHINKEL, 2021).
A segunda característica do deslumbramento contemplativo envolve um caráter de
encontro com o objeto. uma atitude de atenção receptiva para algo que é familiar, mas que
reconhecemos como algo importante por si mesmo, inerentemente valioso e digno de respeito,
ao mesmo tempo que causa incompreensão e perplexidade. Ao nos deslumbrarmos com um
fenômeno ou objeto particular “percebemo-lo não de forma analítica, mas como um todo e,
como não podemos compreendê-lo conceitualmente por completo (apenas abstrações do todo),
torna-se ‘um excesso para nós’ e porta um caráter de mistério” (SCHINKEL et al., 2020, p. 28).
Com isso, a experiência do deslumbramento contemplativo está conectada à consciência do
objeto em toda a sua amplitude, não de forma atomista ou analítica, que se revela deslumbrante,
misterioso e perplexo.
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Conforme Malpas (2006, p.62) descreve, o deslumbramento contemplativo tem
fenomenologicamente um “caráter de encontro que se mostra revelador, um abrir-se para as
coisas e o mundo que se situam no centro da experiência do deslumbramento contemplativo.”.
Esse encontro requer abertura para com o objeto, ao qual é adicionado uma nova camada de
significado ao conhecimento pré-existente. Contemplamos o objeto como inerentemente
valioso e importante ao sobrepormos o significado trivial usualmente dado ao que nos é
familiar. Além disso, o caráter de encontro com o objeto pode evocar uma gama de sentimentos
e atitudes de apreciação, de respeito e de reverência (SCHINKEL, 2021).
A terceira característica abrange a abertura para a revelação para modos de
contemplação e interpretação que nos apresentam algo sobre mundo que sobrepassa nossas
percepções e conjecturas. De acordo com Schinkel (2021, p. 46), o deslumbramento
contemplativo “desperta nossa capacidade mental para a abstração e o pensamento mais elevado
e direciona nossas atividades mentais para construir modelos mais amplos na qual as partes das
nossas vidas são pensadas em termos de significado e propósito.”. Nesta direção, Fuller (2006)
argumenta que o deslumbramento nos leva a confrontarmos um mundo elusivo ‘por trás’ e
‘além’ da nossa percepção, ao olharmos além dos nossos planos e interesses, ao buscarmos
significado e a consciência de ideais morais.
À vista disso, o caráter de revelação do deslumbramento decorre do reconhecimento da
precariedade e inadequação de nossa interpretação da realidade, ao despertar concepções mais
amplas e abrangentes do real. Portanto, o deslumbramento contemplativo compreende variadas
formas de sermos potencialmente tocados pelo mundo, que vão além da maneira tradicional de
olharmos e pensarmos sobre ele (SCHINKEL, 2021). Embora a experiência do
deslumbramento contemplativo fuja de conceitualizações exatas, Schinkel (2021, p.47) propõe
a seguinte definição:
É um modo de consciência na qual experienciamos aquilo que percebemos ou
contemplamos como estranho, profundamente outro ou misterioso,
fundamentalmente além dos nossos limites da nossa compreensão, porém
digno de atenção por si mesmo, na qual a atenção tem uma forma aberta, uma
postura receptiva, e uma conciliação com o mistério.
uma postura receptiva e uma tomada de consciência para o objeto de valor e seu
caráter de importância, que nos faz acessar o universo transcendente, a dimensão cósmica e o
significado da vida. No deslumbramento contemplativo somos movidos a valorizar o objeto (a
realidade material, as virtudes, a natureza etc.) e reagir em uma variedade de valências afetivas,
como a apreciação, a felicidade, o respeito e a reverência. Essa abertura para o mundo, ao
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criarmos significado das coisas ordinárias da vida, nos enche de perplexidade, de imaginação e
mistério, e nos move para além da nossa experiência trivial e de um modo de consciência
orientado apenas para objetivos utilitários.
Schinkel (2021) considera o deslumbramento contemplativo como um processo que se
inicia com um objeto familiar, mas que acaba por desfamiliarizar-se do que era visto como
trivial. Assim, tomamos consciência dele como algo completamente novo, aberto à
possibilidade de uma experiência imaginativa e de caráter revelador sobre a existência humana.
Nesse sentido, a educação via deslumbramento contemplativo promove significativas
experiências no processo de construção do conhecimento no contexto educacional e na
educação moral, que é o foco das seções abaixo.
O Processo de Construção do Deslumbramento Contemplativo no Âmbito da Sala de Aula
Nos processos interativos em sala de aula, podemos observar o deslumbramento, a
curiosidade e a perplexidade natural das crianças com os aviões, os tratores, o céu, os arco-íris
e tudo que as cerca. Elas espontaneamente formulam perguntas como: “Por que os corvos se
agrupam durante a noite?”, “Como as folhas fazem seu formato?” e “Como os musgos
sobrevivem no inverno?” São inúmeras as indagações e o desejo de conhecer a realidade. No
entanto, a inclinação natural de atribuírem importância ao mundo observado vai gradualmente
sendo reduzida, na medida em que as experiências se tornam triviais e ordinárias. Além disso,
prevalece nas experiências educacionais dos alunos a ênfase nas dimensões cognitivas e
inquisitivas, e poucas experiências de despertamento e interesse com as coisas e objetos do
mundo.
Schinkel (2018; 2021) e Schinkel et al. (2020) identificam, na prática pedagógica, a
ausência de intencionalidade com o ensino que promova a perplexidade e encanto com o mundo
natural. O autor rememora uma aula em que o professor solicitou aos alunos que colhessem
folhas e colassem no caderno. Ele recorda a falta de sentido e objetivo na atividade, pois o
professor não engajou os alunos no senso de deslumbramento, de imaginação e de perplexidade
presentes no objeto de estudo. Cabia ao professor projetar a folha em direção à luz, para que os
alunos pudessem analisar e contemplar a complexidade e peculiaridade das partes das folhas.
O simples ato de evidenciar a folha possibilitaria engajamento, indagações e conjecturas, o que
revela o potencial do deslumbramento contemplativo para a experiência do aluno.
A educação para o deslumbramento contemplativo busca resgatar o seu papel na prática
de ensino, de modo a despertar maior entendimento e apreciação pelo mundo, pois fomenta a
O deslumbramento contemplativo como processo de construção de conhecimento: Considerações educacionais
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dúvida, formas alternativas de pensamento, a descoberta de coisas novas e o espanto e
maravilhamento com o espetáculo do universo. Essa experiência “descortina o novo no velho,
o estranho no familiar e o extraordinário no ordinário” (WORDSWORTH, 2014). Assim, somos
motivados a nos desfamiliarizar da experiência ordinária e trivial, ao formularmos novas
interpretações e significados para a realidade (SCHINKEL, 2021). Por meio da exploração e da
dúvida genuína, os alunos formulam novas interpretações e perspectivas pessoais.
Conforme Schinkel (2021, p. 136) afirma, o deslumbramento contemplativo nos move
para “‘além da superfície’, da mera familiaridade com as coisas e aceitação das coisas como
são.”. Consequentemente, uma reavaliação das perspectivas e importância dada ao mundo
natural, na qual o ego é colocado no plano de fundo e, em primeiro plano, há o reconhecimento
do valor intrínseco das coisas e eventos. O deslumbramento com aquilo que nos é familiar vai
além do nosso poder de compreensão e somos expostos à condição de vulnerabilidade. Isso
implica uma abertura para o mistério, a curiosidade e a imaginação.
Entretanto, existe uma diferença fenomenológica entre estar curioso e se deslumbrar.
Segundo o autor, a curiosidade consiste no desejo de conhecer o objeto, enquanto no
deslumbramento o objeto tem o palco central. No processo de deslumbramento, o “eu” é
decentralizado e esvaziado, e o objeto nos afeta ao reconhecermos o seu valor. Em
contrapartida, a curiosidade faz com que busquemos o objeto, como no caso em que queremos
saber o que está dentro da caixa de presente embaixo da árvore de Natal. Na curiosidade o foco
está no desejo em saber, ao passo que no deslumbramento contemplativo está no objeto, pelo
seu valor intrínseco. A apreciação e assimilação do objeto permite reavaliar as pressuposições
existentes e desbravar novas ideias. Portanto, integrar o deslumbramento aos conteúdos
possibilita a incerteza, o encantamento e a perplexidade para reconhecer novas possibilidades
e ideias sobre o mundo.
Para o teórico holandês, os seguintes pontos podem ser empregados para promover o
deslumbramento contemplativo na sala de aula. O primeiro aspecto é preservar a experiência
natural de deslumbramento nas crianças (SCHINKEL, 2021). Certa vez, uma professora
começou a aula comentando que o seu carro é movido à fóssil. Os alunos ficaram imediatamente
impressionados e intelectualmente instigados com a afirmação. Antes que a curiosidade das
crianças desse lugar à impaciência, ela explicou o que isso significa: o meu carro é movido a
petróleo, um produto originado do petroleum, que é derivado do fóssil. O fóssil é formado
naturalmente quando microrganismos (e.g plantas e algas) ficam enterrados e sujeitos ao calor
intenso, ao serem pressurizados por eras (SCHINKEL, 2021).
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O segundo aspecto se relaciona ao cultivo da sensibilidade e da disposição dos alunos
ao deslumbrarem-se diante do mundo, ao abrirem espaço para a perplexidade, o mistério, a
apreciação da natureza e dos objetos materiais. Nesse sentido, o professor pode incluir na sua
prática de ensino o que lhe causa espanto e deslumbramento na sua vida pessoal e nos conteúdos
ensinados, ao criar práticas de ensino que superem práticas burocratizadas instituídas pela
racionalidade instrumental/técnica (BERKENBROCK-ROSITO; DE OLIVEIRA, 2022).
Piersol (2013) observou, durante um ano, uma professora disposta a integrar suas indagações e
deslumbramentos ao conteúdo programático e à realidade da sala de aula. Nas perguntas
apresentadas pela professora, os alunos puderam explorar respostas descritivas de causa e efeito
acerca dos fenômenos em vista, bem como acerca da grandeza e do mistério associado à vida
humana e do mundo natural. O deslumbramento abre avenidas na prática de ensino para que os
alunos possam ser surpreendidos diante dos conhecimentos do mundo, ao invés de
considerarem os saberes como entidades estáticas ou como dados imutáveis, em que há pouca
coisa ainda por desbravar (PIERSOL, 2004; SCHINKEL, 2021).
o terceiro aspecto envolve valorizar no processo de ensino-aprendizagem os
momentos de deslumbramento e perplexidade dos alunos. As perguntas e inquietações são
importantes meios para o deslumbramento e engajamento do aluno. Nesses casos, os aprendizes
se envolvem com as atividades porque se interessam genuinamente em conhecer e descobrir o
significado daquilo que estão aprendendo.
Wolbert e Schinkle (2021) sugerem alguns recursos pedagógicos a fim de estimular o
senso de deslumbramento no contexto da sala de aula: (1) exploração; (2) improvisação; (3)
imaginação; e (4) interesse pessoal. O primeiro recurso, que é a exploração, requer a atenção
dada à natureza, principalmente em excursões ao campo. Na natureza os alunos ficam
deslumbrados acerca das coisas e eventos: as engenhosas redes da aranha, a planta que circula
sobre a árvore ou o fato de a natureza ter uma lei do serviço, na qual um depende e está em
relação de serviço com o outro. Esses elementos evocam a surpresa e a perplexidade do aluno,
na qual o professor poderá com sensibilidade ir além da mera surpresa para uma experiência
profunda de deslumbramento, ou essa experiência pode levá-lo à uma atitude inquisitiva
(TROTMAN, 2014, p. 37). Tomando como exemplo o encontro com a aranha, os alunos podem
ter uma atitude inquisitiva ao se perguntarem: “Como a aranha faz isso?”, ou contemplativa, ao
mencionarem: “Que incrível que a aranha consegue fazer isso!”. É comum essas experiências
evocarem primeiramente o deslumbramento inquisitivo e, na sequência, um olhar
contemplativo, ao serem surpreendidos com algo inesperado e intrigante. Por meio das
O deslumbramento contemplativo como processo de construção de conhecimento: Considerações educacionais
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perguntas e afirmações dos alunos conseguimos identificar o tipo de deslumbramento,
contemplativo ou inquisitivo. A afirmação “O céu é azul” compreende um processo de
conhecimento contemplativo, enquanto a questão “Se as estrelas caem toda hora, por que ainda
temos tantas estrelas no céu?” é inquisitivo.
A natureza provê inúmeras oportunidades para o deslumbramento. Piersol (2004) relata
que uma professora, em uma excursão com os alunos em meio à natureza, fez o seguinte
comentário: “Os esquilos têm usado os ramos das árvores como grelha de secagem.”. Essa
informação despertou inúmeras perguntas nos alunos: “Como eles aprenderam a fazer isso?”,
“Por que eles colocam na árvore de abeto?” e “Quanto tempo leva para secar um cogumelo?”.
Conforme a autora, não cabe apenas incluir o deslumbramento no currículo: o movimento
também envolve um processo de desvelar o que já existe nele (PIERSOL, 2013). Nesta direção,
Schinkel (2021, p. 136) afirma que “o mais preocupante com a ausência do deslumbramento
contemplativo na sala de aula é que não apenas ignoramos o seu potencial, mas ativamente o
desencorajamos.”. Devido à excessiva sobrecarga de conteúdos e competências no currículo, o
professor é impedido de encorajar o entusiasmo, o estranhamento e um modo de ver o mundo
como algo extraordinário.
O segundo recurso pedagógico é a improvisação. Devido às demandas e limitações de
tempo, a improvisação é chave para a pedagogia do deslumbramento. Em geral, mais do que a
construção de trilhas pedagógicas, é necessário espaço para os alunos explorarem suas
indagações e experiências de deslumbramento contemplativo na prática efetiva da sala de aula.
Por exemplo, uma professora estava dando aula de português sobre um poema relacionado à
mosca e ao sapo. Um aluno comentou que o sapo é o predador da mosca e que ele tem uma cola
na língua. Logo, outro aluno disse à professora: “Um dia eu estava em um sítio à tarde com
meu pai e um sapo estava comendo moscas, quando de repente ele comeu uma cigarra. Foi
demais! O meu pai e eu ficamos ouvindo a cigarra dentro do sapo um tempão.”. A professora
olhou para o aluno e respondeu: “Legal, vamos voltar para nossa atividade de compreensão de
texto.”. Certamente a professora tinha um cronograma a cumprir ao buscar atender as demandas
da escola, mas acabou por não valorizar um momento chave para suscitar o processo da
contemplação, o que, de fato, exige dar espaço a novas possibilidades de ensino.
Cabe ao professor uma abertura para explorar as perguntas dos alunos, ao estimular a
imaginação, a contemplação e a descoberta. Deveassim facultar oportunidades para que os
alunos adquiram uma consciência do objeto ou fenômeno, dimensão importante, mas não
necessariamente presente no processo de curiosidade (HADZIGEORGIOU, 2012;
Ellen Nogueira RODRIGUES
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SCHINKEL, 2021). Nesse sentido, Hadzigeorgiou (2012) e Schinkel (2021) destacam o papel
da consciência para o senso de deslumbramento, pois esse processo de construção do
conhecimento depende do estado de consciência. Em geral, vários elementos da nossa
consciência são mobilizados com o senso de deslumbramento (HADZIGEORGIOU, 2012, p.
989):
Consciência que meu conhecimento é incompleto ou equivocado.
Consciência que existe algo mais a ser aprendido.
Consciência que algum fenômeno existe afinal.
Consciência de conexões inesperadas entre o fenômeno e ideias.
Consciência da beleza do fenômeno natural.
Portanto, as experiências de deslumbramento contemplativo requerem uma postura
diante da realidade que pode ser despertada por meio do currículo, da abertura ao diálogo e de
novas rotas de aprendizagem que valorizem momentos de encontro do aluno com situações e
ideias de perplexidade, de surpresa e de admiração diante do belo, do inesperado e do familiar.
Hadzigeorgiou (2012) relata a primeira vez que visitou uma caverna com a escola no ensino
fundamental. O autor descreve seu sentimento de surpresa e incompreensão das rochas “com
aparência de gelo ou de açúcar mascavo”, isto é, as rochas sedimentares estalactites e
estalagmites. Nesse evento, ele descreve ter experienciado um senso de deslumbramento, que
repercutiu na sua escolha da carreira professional. Assim, as experiências de deslumbramento
desvelam processos de consciência e de sentido do indivíduo em relação ao que lhe é de valor,
de interesse e de propósito a ser atingido.
Mas, afinal, qual é o impacto do deslumbramento contemplativo no conteúdo
programático e na prática de ensino na sala de aula? Hadzigeorgiou (2012) apresenta dados de
pesquisa da integração desse tipo de aprendizagem na prática pedagógica de um professor. Com
o auxílio de Hadzigeorgiou, o professor identificou em sua disciplina as ideias e fenômenos
potenciais do deslumbramento. O pesquisador comparou duas classes do mesmo ano do ensino
fundamental: em uma classe, a instrução era direcionada para o deslumbramento enquanto na
outra seguiu-se o currículo normalmente. Os instrumentos para análise de dados se basearam
em pré e pós-teste, que foram aplicados aos alunos acerca do conteúdo da disciplina de física.
Além disso, eles receberam um diário de registro das ideias que lhes impressionaram e
identificaram como importantes, bem como os seus pensamentos acerca do que aprenderam e
do que gostariam de se aprofundar.
O deslumbramento contemplativo como processo de construção de conhecimento: Considerações educacionais
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Na parte inicial da pesquisa, Hadzigeorgiou (2012) identificou as ideias e conceitos
potenciais para o deslumbramento dos alunos. Observe a seguir alguns exemplos relatados pelo
autor:
Tabela 1 – Conceitos potenciais para o deslumbramento
Força e Movimento
Terceira Lei de Newton: Dois carros em colisão,
independente da diferença de suas massas,
experimentam a mesma força.
Primeira lei de Newton: Pode haver movimento em
linha reta e velocidade constante, não importante quão
largo o objeto, na ausência de força resultante. Isto é,
uma espaçonave pode viajar em linha reta por um
milhão de milhas por hora e, todavia, o resultado da
força ser zero.
Massa
A massa é 99,99% espaço vazio.
Se fôssemos remover todo o espaço vazio existente
nos átomos nos corpos de todas as pessoas do planeta,
então toda a partícula subatômica contida nos corpos
das pessoas iria caber facilmente em uma bola de
pingue-pongue.
Luz
A luz é invisível, não podemos -la, podemos ver
apenas os objetos que ela atinge.
A luz dos objetos não são propriedade do próprio
objeto, mas o resultado da interação da luz com os
objetos.
Fonte: Hadzigeorgiou (2012, p. 992)
A análise dos resultados do estudo aponta que a experiência de deslumbramento tem
impacto na perspectiva dos alunos sobre os fenômenos naturais. Nos diários, observou-se que
as experiências de aprendizagem que promovem o deslumbramento foram as fontes de
perguntas e comentários presentes na escrita dos alunos. Os comentários e ideias mais
importantes sobre o conteúdo da disciplina registrado nos diários revelam experiências de
deslumbramento. Além disso, quando aplicados o pré e pós-teste do conteúdo da disciplina, a
classe onde o professor intencionalmente trabalhou com a perspectiva de inserir experiências
de deslumbramento evidenciou melhor retenção e compreensão dos conteúdos. Desse modo, o
papel do deslumbramento é desestabilizar nossas certezas e nos fazer rever conceitos e ideias
sobre a realidade, assegurando melhores condições de aprendizagem e engajamento dos alunos.
Despertar o deslumbramento significa ajudar o aluno a se engajar no processo de ensino
e aprendizagem, e o professor exerce um papel fundamental a fim de suscitar nos estudantes a
imaginação, a expressão, a descoberta, a contemplação e os processos inquisitivos como fio
condutor nas práticas pedagógicas. Também significativo na apropriação da experiência
Ellen Nogueira RODRIGUES
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contemplativa é a tomada de um tipo de consciência que influi na perspectiva moral
(SCHINKEL, 2021).
O Deslumbramento Contemplativo e a Educação Moral
Schinkel (2021) argumenta que quando estimulamos o senso de deslumbramento no
processo educacional podemos desenvolver atitudes moralmente desejáveis nos alunos. O autor
afirma que, “o deslumbramento contemplativo pode ser moralmente importante e, certamente,
devemos promovê-lo como parte integrante da Educação Moral” (SCHINKEL, 2021, p. 126).
O potencial do deslumbramento repousa no acesso ao mundo, nos alunos perceberem,
entenderem e agirem nele de forma efetiva, adequada e responsável. Para este filósofo da
educação, o deslumbramento abre horizontes para estabelecermos um tipo de relacionamento
com o mundo, de apreciação e de apropriação de si mesmo e do outro, que envolve cultivar
ações, atitudes e emoções que visam o cuidado, a compaixão e o respeito.
, no senso de deslumbramento, o interesse pelo mundo como algo significativo e
importante em si mesmo, que nos sensibiliza para aquilo que é de valor. De acordo com
Schinkel et al. (2020, p. 129), “o deslumbramento promove o cultivo das sensibilidades, das
crenças e das disposições para um agir que busca promover e proteger a vida, de modo a usufruir
plenamente da alegria, da beleza e do amor, bem como de outras formas de importância do
mundo”. A educação moral visa o desenvolvimento de uma postura e atitude diante do mundo
que valoriza o pensar e agir virtuoso (PRING, 2001). Esse processo de conhecimento desperta
a reavaliação da importância e do significado da vida, instiga a considerar alternativas e
desperta a atenção ao valor intrínseco das coisas, das pessoas, das criaturas, da realidade natural
e social.
Schinkel (2021) considera que a dimensão moral vai além do processo de socialização
de um código moral, pois implica a responsabilidade e responsividade da pessoa para com
aquilo que é de valor. Desse modo, o deslumbramento permite reconhecer novas experiências
morais, como um antídoto ao dogmatismo, pois leva o ser humano a contemplar o significado
da vida e seu valor em termos do que é moralmente aceitável e louvável. Estimula a ir além do
nosso egocentrismo para enxergarmos a vida como algo que exige respeito e cuidado. Desse
modo, somos impelidos a pensar para além do self, o que instiga a agirmos de forma respeitosa
para com o mundo e as pessoas. Conforme Schinkel (2021, p. 135) expressa, ao “abster-se dos
nossos próprios desejos e interesses e se abrir para o valor de um outro objeto ou pessoa, a
‘lógica’ do deslumbramento prepara o caminho para a compaixão.”. O senso de encantamento
O deslumbramento contemplativo como processo de construção de conhecimento: Considerações educacionais
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e de mistério causado pelo deslumbramento contemplativo provoca a desatenção ao nossos
próprios interesses e desejos para uma atitude de respeito e cuidado com toda a forma de vida,
o que instiga a empatia, o amor e a compaixão. De fato, nos lança a pensar nosso arcabouço
interpretativo acerca de como queremos viver e do bem viver. Portanto, Schinkel (2021)
reconhece o deslumbramento como uma experiência mobilizadora do desenvolvimento moral,
ao despertar uma reavaliação da importância das coisas e ao viabilizar a empatia e a compaixão
da pessoa.
Considerações finais
O excesso de informação e exigências da vida atual, bem como as mudanças sociais,
culturais e cognitivas proporcionadas pelas tecnologias de comunicação e informação nos
fazem trivializar nossa inclinação inicial à contemplação da perplexidade da vida. No entanto,
o deslumbramento contemplativo permite integrar as práticas de ensino às possibilidades de
encantamento e incertezas acerca da realidade, que promove a reavaliação de pressuposições
existentes e formas alternativas de pensamento, para uma esfera mais profunda de sentido e
significado da realidade. Em sua teoria do deslumbramento contemplativo, Schinkel et al.
(2020) nos permitem compreender que esse processo de construção do conhecimento desperta
o reconhecimento dos limites do entendimento humano para uma abertura e postura de atenção
receptiva para algo que é familiar, que nos dá acesso a novas possibilidades e concepções mais
abrangentes e profundas da realidade.
Para Schinkel (2021), o objeto ou fenômeno familiar aparentemente ordinário e trivial
tem o potencial de reavaliação das perspectivas pessoais, ao revelar a descoberta de novas
possibilidades e fontes de conhecimento. Além disso, o deslumbramento é um caminho para a
experiência inquisitiva, e este, para o deslumbramento como um processo interativo. Por isso,
é necessário estimular nas práticas educacionais na sala de aula a experiência do
deslumbramento, ao abrir espaço para a perplexidade, a apreciação da natureza e fenômenos da
realidade, bem como valorizar as perguntas e inquietações que expressam o deslumbramento
dos alunos no processo de ensino-aprendizagem.
A fim de cultivar a sensibilidade e disposição para o deslumbramento, os professores
podem ser intencionais em compartilhar suas próprias ideias e indagações que causam
perplexidade. Nesse sentido, a improvisação é essencial, pois espaço para que os alunos
possam explorar as experiências de deslumbramento, promovendo novas possibilidades de
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ensino e aprendizagem. As perguntas referentes ao deslumbramento contemplativo podem
suscitar nos estudantes um interesse genuíno em conhecer e descobrir o significado do que estão
aprendendo e identificar o que é de interesse e propósito, como possíveis caminhos para escolha
de profissão.
O filósofo da educação em questão considera o deslumbramento contemplativo como
uma experiência que promove o (1) reconhecimento do limite do conhecimento humano sobre
o mundo; (2) o caráter de encontro; e (3) a abertura para a revelação. Essas facetas do
deslumbramento são importantes, pois é a partir do reconhecimento do limite do conhecimento
que tomamos interesse pelo mundo, ao despertar nossa imaginação, emoção e reflexão sobre
possibilidades alternativas. Essa experiência permite descentralizar e esvaziar o self, além de
nós mesmos, para um objeto e fenômeno que nos afeta, ao reconhecermos seu valor. Schinkle
(2021) discorre pouco acerca da relação do objeto como portador de valor, bem como o valor
intrínseco do objeto e a noção do belo. Contudo, para o autor, o deslumbramento promove uma
consciência profunda do objeto como algo de valor. Essa experiência é importante, pois
podemos perceber o objeto em toda a sua amplitude.
Na experiência de abertura para a revelação, não apenas somos despertados para
atividades mentais de abstração, como também reconhecemos concepções mais amplas da
realidade, nas quais a dimensão moral diz respeito à nossa postura diante do mundo e o respeito
e cuidado diante da humanidade e das formas de vida. O nosso autor comenta que o
deslumbramento contemplativo é um caminho para desenvolver atitudes moralmente
desejáveis, pois abre horizontes para estabelecermos um tipo de relacionamento com o mundo
de apreciação e de apropriação de si mesmo e do outro, que envolve cultivar ações, atitudes e
emoções que visam o cuidado, a compaixão e o respeito (SCHINKEL, 2021). Pensar os limites
da nossa existência e dar valor a algo além de nós mesmos permite coordenar as perspectivas
pessoais e a consciência e defesa da dignidade do outro. Desse modo, reconhecemos novas
experiências morais que nos instigam a agir de forma respeitosa para com o mundo e as pessoas.
Portanto, a perspectiva teórica do autor acerca do deslumbramento contemplativo no contexto
educacional pode orientar a prática de ensino ao estimular a dúvida, o questionamento, o
encantamento e a imaginação, bem como a expansão de novas fontes de conhecimento, de
significado e de aceitação do outro em sua dignidade de ser humano.
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Ellen Nogueira RODRIGUES
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaria de agradecer ao Prof. Anders Schinkel por disponibilizar os
seus livros em inglês.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Respeitei a ética durante a análise e a realização da pesquisa, contudo por
não ser empírica, a pesquisa não precisou de aprovação ética.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Ellen Nogueira RODRIGUES é responsável pela pesquisa,
análise e redação do artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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EL DESLUMBRAMIENTO CONTEMPLATIVO COMO PROCESO DE
CONSTRUCCIÓN DEL CONOCIMIENTO: CONSIDERACIONES EDUCATIVAS
O DESLUMBRAMENTO CONTEMPLATIVO COMO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO
DE CONHECIMENTO: CONSIDERAÇÕES EDUCACIONAIS
CONTEMPLATIVE WONDER AS A KNOWLEDGE CONSTRUCTION PROCESS:
EDUCATIONAL REMARKS
Ellen Nogueira RODRIGUES1
e-mail: ellen_unasp@hotmail.com
Cómo hacer referencia a este artículo:
RODRIGUES, E. N. El deslumbramiento contemplativo como
proceso de construcción del conocimiento: Consideraciones
educativas. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação,
Araraquara, v. 18, n. 00, e023089, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17708
| Presentado el: 08/02/2023
| Revisiones requeridas en: 25/03/2023
| Aprobado el: 22/06/2023
| Publicado el: 03/10/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Centro Universitario Adventista de São Paulo (UNASP), Engenheiro Coelho SP Brasil. Profesora de la
Maestría Profesional en Educación de la UNASP.
El deslumbramiento contemplativo como proceso de construcción del conocimiento: Consideraciones educativas
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RESUMEN: Las experiencias de asombro que pretenden promover la perplejidad, la
formulación de hipótesis y la investigación del significado de la experiencia humana en las
prácticas docentes son escasas. Por lo tanto, este artículo tiene como objetivo identificar y
analizar la educación del deslumbramiento contemplativo articulada por Anders Schinkel para
el campo educativo y la educación moral. Esta obra, de carácter teórico, se basa en el marco
teórico del pensamiento filosófico educativo de Schinkel, en el que analizaremos las principales
obras del autor. Los resultados de la investigación indican el potencial del deslumbramiento
contemplativo para el reconocimiento de los límites del conocimiento humano, al proporcionar
una postura de atención receptiva a algo que es familiar y promueve nuevas posibilidades, así
como concepciones integrales y profundas de la realidad. Además, el deslumbramiento nos abre
horizontes para establecer una especie de relación con el mundo del aprecio, el respeto y el
cuidado ante la humanidad y las formas de vida.
PALABRAS CLAVE: Deslumbramiento contemplativo. Procesos de construcción de
conocimiento. Educación. Prácticas docentes. Educación moral.
RESUMO: As experiências de deslumbramento que visam promover a perplexidade, a
formulação de hipóteses e a investigação do significado da experiência humana nas práticas
de ensino são escassas. Portanto, o presente artigo tem como objetivo identificar e analisar a
educação do deslumbramento contemplativo articulada por Anders Schinkel para o campo
educacional e a educação moral. Este trabalho, de natureza teórica, se apoia no referencial
teórico do pensamento filosófico educacional de Schinkel, no qual analisaremos as principais
obras do autor. Os resultados da pesquisa indicam o potencial do deslumbramento
contemplativo para o reconhecimento dos limites do conhecimento humano, ao proporcionar
uma postura de atenção receptiva para algo que é familiar e promove novas possibilidades,
bem como concepções abrangentes e profundas da realidade. Além disso, o deslumbramento
abre horizontes para estabelecermos um tipo de relacionamento com o mundo de apreciação,
respeito e cuidado diante da humanidade e as formas de vida.
PALAVRAS-CHAVE: Deslumbramento contemplativo. Processos de construção de
conhecimento. Educação. Práticas de ensino. Educação moral.
ABSTRACT: Wonder experiences that aim to promote perplexity, the formulation of hypotheses
and the investigation of the meaning of human experience in teaching practices are scarce.
Therefore, this article aims to identify and analyze the education of contemplative wonder
articulated by Anders Schinkel for the educational field and moral education. This work, of a
theoretical nature, is based on the theoretical framework of Schinkel's educational
philosophical thought, in which we will analyze the author's main works. The research results
indicate the potential of contemplative wonder for recognizing the limits of human knowledge,
by providing an attitude of receptive attention to something that is familiar and promoting new
possibilities and far-reaching and profound conceptions of reality. In addition, wonder opens
horizons for us to establish a kind of relationship with the world of appreciation, respect and
care for humanity and life forms.
KEYWORDS: Wonder education. Knowledge construction process. Education. Teaching
practices. Moral education.
Ellen Nogueira RODRIGUES
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Introducción
Los niños experimentan naturalmente una sensación de asombro, encanto y misterio
cuando se enfrentan a ciertos fenómenos, objetos y la realidad que los rodea. A medida que
crecemos, nos familiarizamos tanto con la realidad que terminamos trivializando nuestra
inclinación a la contemplación y la perplejidad con la vida. Como comenta Schinkel (2018, p.
1), "los niños pierden gradualmente la inclinación natural a ver las cosas con admiración con
respecto al por qué, cómo y qué de las cosas". Cuando nos enfrentamos a constantes cambios e
innovaciones y a una forma de vida altamente tecnológica, lo que nos es familiar, como el
atardecer o el proceso de fotosíntesis, se vuelve insignificante y banal. Ante tal escenario,
creemos que es necesario plantear y difundir en los estudiantes experiencias de asombro en el
proceso educativo como un recurso valioso para promover la curiosidad, la formulación de
hipótesis y como un medio para explorar la experiencia humana y el significado de la vida.
Las políticas educativas contemporáneas tienden a apropiarse de postulados neoliberales
centrados en el rendimiento, las pruebas estandarizadas, las evaluaciones y el sistema de
calificaciones de los estudiantes, que terminan reforzando la búsqueda de respuestas rápidas,
en lugar de alentar la duda, el cuestionamiento, el asombro y el uso de la imaginación para
formular posibles concepciones alternativas a las preguntas investigadas en la escuela
(D'AGNESE, 2020). En este sentido, investigadores en el campo de la educación, como
Hadzigeorgiou (2012), Egan, Cant y Judso (2013), Schinkel (2018; 2021) y Schinkel et al.
(2020), abogan por la necesidad de estimular experiencias de deslumbramiento en el contexto
educativo, de acuerdo con las perspectivas articuladas en el área emergente de estudio
denominada Wonder Education, que estamos traduciendo al portugués como Educación del
Deslumbramiento.
El objetivo de este artículo es identificar y analizar las nociones fundamentales de
educación contemplativa deslumbrante articuladas por Anders Schinkel para el campo
educativo y, más específicamente, la educación moral. Este trabajo, de carácter teórico, se basa
en el marco teórico del pensamiento filosófico educativo de S Schinkel (2018; 2021) y Schinkel
et al. (2020), cuyos principales textos a analizar son: Wonder and Education: On the
Educational Importance of Contemplative Wonder (El deslumbramiento y educación: la
importancia educativa del deslumbramiento contemplativo), Wonder, Education, and Human
Flourishing: Theoretical, Empirical, and Practical Perspectives (Deslumbramiento, educación
y florecimiento humano: perspectivas teóricas, empíricas y prácticas) y What Should Schools
Do to Promote Wonder? (¿Qué deben hacer las escuelas para promover el deslumbramiento?)
El deslumbramiento contemplativo como proceso de construcción del conocimiento: Consideraciones educativas
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En las siguientes secciones, se presentará el concepto de deslumbramiento contemplativo de
Schinkel para la educación y la educación moral, así como el proceso de construcción del
deslumbramiento contemplativo en el aula. Finalmente, presentaremos las conclusiones e
implicaciones del deslumbramiento contemplativo para la educación.
El Concepto de Deslumbramiento Contemplativo para la Educación
El filósofo de la educación Anders Schinkel es profesor asociado en la Facultad de
Ciencias del Comportamiento y el Movimiento de la Universidad Vrije de Ámsterdam en los
Países Bajos. Forma parte del instituto de investigación interdisciplinario LEARN!, cuyo
objetivo es desarrollar diversas investigaciones en el campo de la educación. Uno de los
principales conceptos desarrollados por Schinkel (2018; 2021) y Schinkel et al. (2020) se llama
Wonder Education, que guía su pensamiento educativo y reflexión.
El Deslumbramiento Inquisitivo y Contemplativo
La noción de deslumbramiento es vista como fundamental para promover la
participación activa y creativa del estudiante, con el fin de potenciar procesos sistémicos en los
que el estudiante pueda analizar, evaluar, cuestionar y experimentar procesos de aprendizaje
más significativos y placenteros. Schinkel et al. (2020) señala dos procesos importantes que
guían la construcción del conocimiento por parte de los estudiantes, tanto en el contexto del
aula como en el contexto social más amplio: el deslumbramiento inquisitivo y el contemplativo.
En el deslumbramiento contemplativo, algo nos impresiona de tal manera que termina
silenciándonos, revelando el mite de nuestro conocimiento en relación con una esfera más
profunda de significado y significado de la realidad. A su vez, el deslumbramiento inquisitivo
implica una postura de búsqueda de explicaciones, que se acerca a la curiosidad.
Según el autor, aunque los dos procesos de conocimiento son imperativos en la práctica
educativa, destaca la ausencia de deslumbramiento contemplativo en las contingencias de la
vida cotidiana del aula, lo que impide en gran medida la expansión e interiorización del
conocimiento. Sin embargo, Schinkel et al. (2020, p. 36, nuestra traducción) también destacan
"el cuidado con la cosificación entre la distinción del deslumbramiento contemplativo e
inquisitivo, como si estuviéramos tratando con dos realidades claramente separadas". En otras
palabras, estos conceptos sirven para evidenciar formas abstractas de retratar la realidad, cuando
observamos las diferencias cualitativas del conocimiento. Sin embargo, no hay líneas de
demarcación exactas entre los conceptos y los límites entre ellos no son estrictos.
Ellen Nogueira RODRIGUES
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Para dilucidar el concepto del deslumbramiento contemplativo, Schinkel (2021) toma
como ejemplo su propia experiencia de haber encontrado una rana en la playa. Este evento lo
llevó a cuestionar, analizar y reflexionar cómo ese pequeño ser vivo se habría detenido allí. Su
encuentro con este animal inicialmente desencadenó una serie de preguntas que fomentaron la
inquietud inquisitiva y luego llevaron al deslumbramiento contemplativo. En este nivel más
profundo de asombro, estamos impresionados por el objeto observado (naturaleza, virtudes
morales, verdad, etc.) y nos movemos más allá de nuestras suposiciones sobre lo que creemos
que vemos sobre la realidad. Hay, por lo tanto, en el deslumbramiento, el reconocimiento del
límite de nuestra comprensión del mundo tal como lo conocemos. Es decir, el objeto de nuestro
deslumbramiento "presenta los límites en perspectiva, nos recuerda nuestras limitaciones y, al
mismo tiempo, revela que hay un 'mundo' más allá de nuestra imagen del mundo" (SCHINKEL,
2021, p. 74, nuestra traducción). El enfoque en el objeto nos hace olvidarnos de nosotros
mismos, percibir el mundo como algo valioso para sí mismo, donde nos encontramos frente al
misterio y la perplejidad, y buscamos significados más profundos de la realidad.
Según Schinkel (2021), el deslumbramiento contemplativo abarca una variedad de
experiencias, a saber: (1) el reconocimiento del límite del conocimiento humano sobre el
mundo; (2) el carácter del encuentro; y (3) apertura a la revelación. En la primera característica,
cuando reconocemos las limitaciones y precariedad de nuestro marco interpretativo de la
realidad, nos enfrentamos a lo que no sabemos, lo que realmente entendemos y lo que no
podemos entender sobre la realidad que nos rodea. Por lo tanto, es a partir de la conciencia de
las incertidumbres que nos interesamos por el mundo, a través del cual se despierta la
imaginación y se construyen posibilidades alternativas (SCHINKEL, 2021).
La segunda característica del deslumbramiento contemplativo implica un carácter de
encuentro con el objeto. Hay una actitud de atención receptiva a algo que es familiar pero que
reconocemos como algo importante por derecho propio, inherentemente valioso y digno de
respeto, al tiempo que causa malentendidos y desconcierto. Cuando estamos deslumbrados por
un fenómeno u objeto particular "lo percibimos no analíticamente, sino como un todo, y como
no podemos entenderlo conceptualmente completamente (solo abstracciones del todo), se
convierte en 'un exceso para nosotros' y lleva un carácter de misterio" (SCHINKEL et al., 2020,
p. 28, nuestra traducción). Con esto, la experiencia del deslumbramiento contemplativo está
conectado a la conciencia del objeto en toda su amplitud, no de una manera atomística o
analítica, que se revela deslumbrante, misteriosa y desconcertante.
El deslumbramiento contemplativo como proceso de construcción del conocimiento: Consideraciones educativas
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Como describe Malpas (2006, p. 62, nuestra traducción), el deslumbramiento
contemplativo tiene fenomenológicamente un "carácter de encuentro que resulta ser revelador,
una apertura a las cosas y al mundo, que están en el centro de la experiencia del
deslumbramiento contemplativo". Este encuentro requiere apertura al objeto, a lo que se añade
una nueva capa de significado al conocimiento preexistente. Contemplamos el objeto como
inherentemente valioso e importante superponiendo el significado trivial que generalmente se
le da a lo que ya nos es familiar. Además, el carácter de encuentro con el objeto puede evocar
una serie de sentimientos y actitudes de aprecio, respeto y reverencia (SCHINKEL, 2021).
La tercera característica abarca la apertura a la revelación a modos de contemplación e
interpretación que nos revelan algo sobre el mundo que supera nuestras percepciones y
conjeturas. Según Schinkel (2021, p. 46, nuestra traducción), el deslumbramiento
contemplativo "despierta nuestra capacidad mental para la abstracción y el pensamiento
superior y dirige nuestras actividades mentales para construir modelos más amplios en los que
se piensa en partes de nuestras vidas en términos de significado y propósito". En esta dirección,
Fuller (2006) argumenta que el deslumbramiento nos lleva a confrontar un mundo esquivo
"detrás" y "más allá" de nuestra percepción, mientras miramos más allá de nuestros planes e
intereses, mientras buscamos significado y la conciencia de los ideales morales.
En vista de esto, el carácter revelador del deslumbramiento proviene del reconocimiento
de la precariedad e insuficiencia de nuestra interpretación de la realidad, despertando
concepciones más amplias y completas de la realidad. Por lo tanto, el deslumbramiento
contemplativo comprende varias formas de ser potencialmente tocado por el mundo, que van
más allá de la forma tradicional de mirarlo y pensarlo (SCHINKEL, 2021). Aunque la
experiencia del deslumbramiento contemplativo escapa a conceptualizaciones exactas,
Schinkel (2021, p. 47, nuestra traducción) propone la siguiente definición:
Es un modo de conciencia en el que experimentamos lo que percibimos o
contemplamos como extraño, profundamente diferente o misterioso,
fundamentalmente más allá de nuestros límites de nuestra comprensión, pero
digno de atención en sí mismo, en el que la atención tiene una forma abierta,
una postura receptiva y una conciliación con el misterio.
Hay una postura receptiva y una conciencia por el objeto de valor y su carácter de
importancia, que nos hace acceder al universo trascendente, a la dimensión cósmica y al sentido
de la vida. En el deslumbramiento contemplativo nos sentimos movidos a valorar el objeto
(realidad material, virtudes, naturaleza, etc.) y reaccionar en una variedad de valencias
afectivas, como el aprecio, la felicidad, el respeto y la reverencia. Esta apertura al mundo, a
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medida que creamos significado a partir de las cosas ordinarias de la vida, nos llena de
perplejidad, imaginación y misterio, y nos mueve más allá de nuestra experiencia trivial y un
modo de conciencia orientado solo a objetivos utilitarios.
Schinkel (2021) considera el deslumbramiento contemplativo como un proceso que
comienza con un objeto familiar, pero termina desfamiliarizándose de lo que se consideraba
trivial. Así, nos damos cuenta de ella como algo completamente nuevo, abierto a la posibilidad
de una experiencia imaginativa y reveladora de la existencia humana. En este sentido, la
educación a través del deslumbramiento contemplativo promueve experiencias significativas
en el proceso de construcción del conocimiento en el contexto educativo y en la educación
moral, que es el foco de las siguientes secciones.
El Proceso de Construcción del Deslumbramiento Contemplativo en el Aula
En los procesos interactivos en el aula, podemos observar el deslumbramiento, la
curiosidad y la perplejidad natural de los niños con aviones, tractores, cielo, arco iris y todo lo
que los rodea. Espontáneamente hacen preguntas como: "¿Por qué los cuervos se agrupan por
la noche?", "¿Cómo hacen las hojas su forma?" y "¿Cómo sobreviven los musgos en invierno?"
Hay innumerables preguntas y el deseo de conocer la realidad. Sin embargo, la inclinación
natural a dar importancia al mundo observado se reduce gradualmente a medida que se
convierten en experiencias triviales y ordinarias. Además, el énfasis en las dimensiones
cognitivas e inquisitivas prevalece en las experiencias educativas de los estudiantes, y pocas
experiencias de despertar e interés en las cosas y objetos del mundo.
Schinkel (2018; 2021) y Schinkel et al. (2020) identifican en la práctica pedagógica la
ausencia de intencionalidad con la enseñanza que promueve la perplejidad y el encantamiento
con el mundo natural. El autor recuerda una clase en la que el maestro pidió a los estudiantes
que recogieran hojas y las pegaran en el cuaderno. Recuerda la falta de significado y propósito
en la actividad, porque el maestro no involucró a los estudiantes en el sentido de asombro,
imaginación y perplejidad presentes en el objeto de estudio. Correspondía al profesor proyectar
la hoja hacia la luz, para que los alumnos pudieran analizar y contemplar la complejidad y
peculiaridad de las partes de las hojas. El simple hecho de evidenciar la hoja permitiría el
compromiso, las preguntas y las conjeturas, lo que revela el potencial de deslumbramiento
contemplativo para la experiencia del estudiante.
La educación para el deslumbramiento contemplativo busca rescatar su papel en la
práctica docente, con el fin de despertar una mayor comprensión y aprecio por el mundo, ya
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que fomenta la duda, las formas alternativas de pensamiento, el descubrimiento de cosas nuevas
y el asombro y la maravilla ante el espectáculo del universo. Esta experiencia "revela lo nuevo
en lo viejo, lo extraño en lo familiar y lo extraordinario en lo ordinario" (WORDSWORTH,
2014). Por lo tanto, estamos motivados para desfamiliarizarnos de la experiencia ordinaria y
trivial a medida que formulamos nuevas interpretaciones y significados para la realidad
(SCHINKEL, 2021). A través de la exploración y la duda genuina, los estudiantes formulan
nuevas interpretaciones y perspectivas personales.
Como afirma Schinkel (2021, p. 136), el deslumbramiento contemplativo nos mueve
"más allá de la superficie", de la mera familiaridad con las cosas y la aceptación de las cosas tal
como son. En consecuencia, hay una reevaluación de las perspectivas y la importancia dada al
mundo natural, en el que el ego se coloca en segundo plano, y en primer plano está el
reconocimiento del valor intrínseco de las cosas y los eventos. El deslumbramiento con lo que
nos es familiar va más allá de nuestro poder de comprensión y estamos expuestos a la condición
de vulnerabilidad. Esto implica una apertura al misterio, la curiosidad y la imaginación.
Sin embargo, hay una diferencia fenomenológica entre ser curioso y deslumbrarse.
Según el autor, la curiosidad consiste en el deseo de conocer el objeto, mientras que en el
deslumbramiento el objeto tiene el escenario central. En el proceso de deslumbramiento, el "yo"
se descentraliza y se vacía, y el objeto nos afecta al reconocer su valor. Por otro lado, la
curiosidad nos hace buscar el objeto, como en el caso donde queremos saber qué hay dentro de
la caja de regalo debajo del árbol de Navidad. En la curiosidad el foco está en el deseo de saber,
mientras que en el deslumbramiento contemplativo está en el objeto, por su valor intrínseco. La
apreciación y asimilación del objeto permite reevaluar los presupuestos existentes y ser
pioneros en nuevas ideas. Por lo tanto, integrar el deslumbramiento a los contenidos permite
que la incertidumbre, el encanto y la perplejidad reconozcan nuevas posibilidades e ideas sobre
el mundo.
Para el teórico holandés, los siguientes puntos se pueden emplear para promover el
deslumbramiento contemplativo en el aula. El primer aspecto es preservar la experiencia natural
del deslumbramiento en los niños (SCHINKEL, 2021). Una vez, una maestra comenzó la clase
comentando que su automóvil está impulsado por combustibles fósiles. Los estudiantes
quedaron inmediatamente impresionados e intelectualmente intrigados por la declaración.
Antes de que la curiosidad de los niños diera paso a la impaciencia, ella explicó lo que eso
significa: mi coche funciona con aceite, un producto originario del petroleum, que se deriva del
fósil. El fósil se forma naturalmente cuando los microorganismos (por ejemplo, plantas y algas)
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quedan enterrados y sometidos a un calor intenso, cuando se presurizan durante eones
(SCHINKEL, 2021).
El segundo aspecto está relacionado con el cultivo de la sensibilidad y la voluntad de
los estudiantes de ser deslumbrados por el mundo, para dar cabida a la perplejidad, el misterio,
la apreciación de la naturaleza y los objetos materiales. En este sentido, el profesor puede incluir
en su práctica docente lo que le causa sorpresa y asombro en su vida personal y en los
contenidos enseñados, creando prácticas docentes que superen las prácticas burocratizadas
instituidas por la racionalidad instrumental/técnica (BERKENBROCK-ROSITO; DE
OLIVEIRA, 2022). Piersol (2013) observó, durante un año, a una maestra dispuesta a integrar
sus preguntas y deslumbra al contenido programático y a la realidad del aula. En las preguntas
presentadas por el profesor, los estudiantes pudieron explorar respuestas descriptivas de causa
y efecto sobre los fenómenos en cuestión, así como sobre la grandeza y el misterio asociados
con la vida humana y el mundo natural. El deslumbramiento abre caminos en la práctica de la
enseñanza para que los estudiantes puedan ser sorprendidos por el conocimiento del mundo, en
lugar de considerar el conocimiento como entidades estáticas o como datos inmutables, en los
que aún hay poco por explorar (PIERSOL, 2004; SCHINKEL, 2021).
El tercer aspecto implica valorar en el proceso de enseñanza-aprendizaje los momentos
de asombro y perplejidad de los estudiantes. Las preguntas y preocupaciones son medios
importantes para el deslumbramiento y el compromiso de los estudiantes. En estos casos, los
alumnos se involucran con las actividades porque están genuinamente interesados en conocer
y descubrir el significado de lo que están aprendiendo.
Wolbert y Schinkle (2021) sugieren algunos recursos pedagógicos para estimular el
sentido de sorpresa en el contexto del aula: (1) exploración; (2) improvisación; (3) imaginación;
y (4) interés personal. El primer recurso, que es la exploración, requiere la atención prestada a
la naturaleza, especialmente en las excursiones al campo. En la naturaleza los estudiantes
quedan deslumbrados por cosas y acontecimientos: las ingeniosas redes de la araña, la planta
que da vueltas sobre el árbol o el hecho de que la naturaleza tiene una ley de servicio, de la que
uno depende y está en una relación de servicio con el otro. Estos elementos evocan la sorpresa
y la perplejidad del alumno, en las que el maestro puede ir sensiblemente más allá de la mera
sorpresa a una profunda experiencia de estupefacción, o esta experiencia puede llevarlo a una
actitud inquisitiva (TROTMAN, 2014, p. 37). Tomando el encuentro con la araña como
ejemplo, los estudiantes pueden tener una actitud inquisitiva cuando se preguntan: "¿Cómo lo
hace la araña?" o contemplativa cuando mencionan: "¡Qué increíble que la araña pueda hacer
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esto!" Es común que estas experiencias evoquen primero el deslumbramiento inquisitivo y,
posteriormente, una mirada contemplativa, cuando son sorprendidas por algo inesperado e
intrigante. A través de las preguntas y afirmaciones de los alumnos podemos identificar el tipo
de deslumbramiento contemplativo o inquisitivo. La afirmación "El cielo es azul" comprende
un proceso de conocimiento contemplativo, mientras que la pregunta "Si las estrellas caen todo
el tiempo, ¿por qué todavía tenemos tantas estrellas en el cielo?" es inquisitiva.
La naturaleza ofrece innumerables oportunidades para deslumbrase. Piersol (2004)
relata que un profesor, en una excursión con los alumnos en plena naturaleza, hizo el siguiente
comentario: "Las ardillas han utilizado las ramas de los árboles como rejilla de secado". Esta
información provocó numerosas preguntas en los estudiantes: "¿Cómo aprendieron a hacer
esto?", "¿Por qué lo ponen en el abeto?" y "¿Cuánto tiempo se tarda en secar un hongo?" Según
el autor, no solo es apropiado incluir el deslumbramiento en el currículo, sino que también
implica un proceso de develar lo que ya existe en él. (PIERSOL, 2013). En esta dirección,
Schinkel (2021, p. 136, nuestra traducción) afirma que "lo más preocupante de la ausencia de
deslumbramiento contemplativo en el aula es que no solo ignoramos su potencial, sino que lo
desalentamos activamente". Debido a la excesiva sobrecarga de contenidos y habilidades en el
currículo, el profesor no puede fomentar el entusiasmo, el distanciamiento y una forma de ver
el mundo como algo extraordinario.
El segundo recurso pedagógico es la improvisación. Debido a las exigencias y
limitaciones de tiempo, la improvisación es clave para la pedagogía del deslumbramiento. En
general, más que la construcción de senderos pedagógicos, se necesita espacio para que los
estudiantes exploren sus preguntas y experiencias de deslumbramiento contemplativo en la
práctica efectiva del aula. Por ejemplo, un profesor estaba enseñando una clase de portugués
sobre un poema relacionado con la mosca y la rana. Un estudiante comentó que la rana es el
depredador de la mosca y que tiene un pegamento en la lengua. Pronto, otro estudiante le dijo
a la maestra: "Un día estaba en una granja por la tarde con mi padre y una rana estaba comiendo
moscas, cuando de repente se comió una cigarra. ¡Fue increíble! Mi padre y yo estuvimos
escuchando la cigarra dentro de la rana por un rato". La maestra miró al estudiante y respondió:
"Genial, volvamos a nuestra actividad de comprensión de textos". Ciertamente el profesor tenía
un horario que cumplir cuando buscaba satisfacer las demandas de la escuela, pero terminó por
no valorar un momento clave para plantear el proceso de contemplación, que, de hecho, requiere
dar espacio a nuevas posibilidades de enseñanza.
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Depende del maestro una apertura para explorar las preguntas de los estudiantes,
estimulando la imaginación, la contemplación y el descubrimiento. Por lo tanto, debe
proporcionar oportunidades para que los estudiantes adquieran una conciencia del objeto o
fenómeno, una dimensión importante, pero no necesariamente presente en el proceso de
curiosidad (HADZIGEORGIOU, 2012; SCHINKEL, 2021). En este sentido, Hadzigeorgiou
(2012) y Schinkel (2021) destacan el papel de la conciencia para el sentido del deslumbre,
porque este proceso de construcción del conocimiento depende del estado de conciencia. En
general, varios elementos de nuestra conciencia se movilizan con el sentido de deslumbre
(HADZIGEORGIOU, 2012, p. 989, nuestra traducción):
Conciencia de que mi conocimiento es incompleto
o equivocado.
Conciencia de que hay algo más que aprender.
Conciencia de que algún fenómeno existe después
de todo.
Conciencia de las conexiones inesperadas entre el
fenómeno y las ideas.
Conciencia de la belleza del fenómeno natural.
Por lo tanto, las experiencias de deslumbramiento contemplativo requieren una postura
ante la realidad que se puede despertar a través del currículo, la apertura al diálogo y nuevas
rutas de aprendizaje que valoran los momentos de encuentro del estudiante con situaciones e
ideas de perplejidad, sorpresa y admiración ante lo bello, lo inesperado y lo familiar.
Hadzigeorgiou (2012) relata a primeira vez que visitou uma caverna com a escola no ensino
fundamental. El autor describe su sentido de sorpresa e incomprensión de las rocas "con la
apariencia de hielo o azúcar moreno", es decir, rocas sedimentarias, estalactitas y estalagmitas.
En este evento, describe haber experimentado una sensación de fascino, que resonó con su
elección de carrera profesional. Así, las experiencias de embebecimiento revelan procesos de
conciencia y significado del individuo en relación con lo que es de valor, interés y propósito a
lograr.
Pero, después de todo, ¿cuál es el impacto del deslumbramiento contemplativo en el
plan de estudios y la práctica docente en el aula? Hadzigeorgiou (2012) presenta datos de
investigación sobre la integración de este tipo de aprendizaje en la práctica pedagógica de un
profesor. Con la ayuda de Hadzigeorgiou, el profesor identificó en su disciplina las ideas y los
fenómenos potenciales del deslumbramiento. El investigador comparó dos clases del mismo
año de escuela primaria, donde en una clase la instrucción estaba dirigida a deslumbrar y la otra
seguía el plan de estudios normal. Los instrumentos para el análisis de los datos se basaron en
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pruebas previas y posteriores que se aplicaron a los estudiantes sobre el contenido de la
disciplina de física. Además, se les entregó un diario que registraba las ideas que los
impresionaban y los identificaban como importantes, así como sus pensamientos sobre lo que
habían aprendido y en lo que les gustaría profundizar.
En la parte inicial de la investigación, Hadzigeorgiou (2012) identificó las ideas y
conceptos potenciales para el deslumbramiento de los estudiantes. Tenga en cuenta a
continuación algunos ejemplos reportados por el autor:
Tabla 1 – Conceptos potenciales para deslumbrar
Fuerza y movimiento
Tercera ley de Newton: Dos autos en colisión,
independientemente de la diferencia en sus masas,
experimentan la misma fuerza.
La primera ley de Newton: Puede haber movimiento
en línea recta y velocidad constante, sin importar cuán
ancho sea el objeto, en ausencia de la fuerza resultante.
Es decir, una nave espacial puede viajar en línea recta
durante un millón de millas por hora y, sin embargo, el
resultado de la fuerza es cero.
Masa
La masa es 99.99% espacio vacío.
Si tuviéramos que eliminar todo el espacio vacío en los
átomos en los cuerpos de cada persona en el planeta,
entonces cada partícula subatómica contenida en los
cuerpos de las personas cabría fácilmente en una pelota
de ping-pong.
Luz
La luz es invisible, no podemos verla, sólo podemos
ver los objetos que golpea.
La luz de los objetos no es la propiedad del objeto en
sí, sino el resultado de la interacción de la luz con los
objetos.
Fuente: Hadzigeorgiou (2012, p. 992, nuestra traducción)
El análisis de los resultados del estudio señala que la experiencia de deslumbrar tiene
un impacto en la perspectiva de los estudiantes sobre los fenómenos naturales. En los diarios,
se observó que las experiencias de aprendizaje que promueven el deslumbramiento fueron las
fuentes de preguntas y comentarios presentes en la escritura de los estudiantes. Los comentarios
e ideas más importantes sobre el contenido de la disciplina registrados en los diarios revelan
experiencias de extasío. Además, cuando se aplicó la prueba previa y posterior del contenido
de la disciplina, la clase donde el profesor trabajó intencionalmente con la perspectiva de
insertar experiencias de asombro evidenció una mejor retención y comprensión de los
contenidos. De esta manera, el papel del deslumbramiento es desestabilizar nuestras certezas y
hacernos revisar conceptos e ideas sobre la realidad que aseguren mejores condiciones para el
aprendizaje y el compromiso de los estudiantes.
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Despertar el deslumbramiento significa ayudar al estudiante a participar en el proceso
de enseñanza y aprendizaje, y el maestro juega un papel fundamental para despertar en los
estudiantes la imaginación, la expresión, el descubrimiento, la contemplación y los procesos
inquisitivos como hilo conductor en las prácticas pedagógicas. También es significativo en la
apropiación de la experiencia contemplativa la toma de un tipo de conciencia que influye en la
perspectiva moral (SCHINKEL, 2021).
Deslumbramiento Contemplativo y Educación Moral
Schinkel (2021) argumenta que cuando estimulamos el sentido de impresiono en el
proceso educativo podemos desarrollar actitudes moralmente deseables en los estudiantes. El
autor afirma que "el deslumbramiento contemplativo puede ser moralmente importante y
ciertamente debemos promoverlo como parte integral de la Educación Moral" (SCHINKEL,
2021, p. 126, nuestra traducción). El potencial del deslumbramiento radica en el acceso al
mundo, en que los estudiantes perciban, comprendan y actúen en él de manera efectiva,
adecuada y responsable. Para este filósofo de la educación, el deslumbramiento nos abre
horizontes para establecer una especie de relación con el mundo, de apreciación y apropiación
de uno mismo y del otro, que implica cultivar acciones, actitudes y emociones dirigidas al
cuidado, la compasión y el respeto.
Existe en el sentido de admiración o interés por el mundo como algo significativo e
importante en mismo, que nos sensibiliza a lo que es de valor. Según Schinkel et al. (2020,
p. 129, nuestra traducción), "deslumbramiento promueve el cultivo de sensibilidades, creencias
y disposiciones para una acción que busca promover y proteger la vida, para disfrutar
plenamente de la alegría, la belleza y el amor, así como otras formas de importancia del mundo".
La educación moral tiene como objetivo desarrollar una postura y actitud hacia el mundo que
valore el pensamiento y la acción virtuosos (PRING, 2001). Este proceso de conocimiento
despierta la reevaluación de la importancia y el significado de la vida, instiga la consideración
de alternativas y despierta la atención sobre el valor intrínseco de las cosas, las personas, las
criaturas, la realidad natural y social.
Schinkel (2021) considera que la dimensión moral va más allá del proceso de
socialización de un código moral, ya que implica la responsabilidad y la capacidad de respuesta
de la persona a lo que es de valor. De esta manera, el deslumbramiento nos permite reconocer
nuevas experiencias morales, como antídoto contra el dogmatismo, porque lleva al ser humano
a contemplar el sentido de la vida y su valor en términos de lo que es moralmente aceptable y
El deslumbramiento contemplativo como proceso de construcción del conocimiento: Consideraciones educativas
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digno de elogio. Nos anima a ir más allá de nuestro egocentrismo para ver la vida como algo
que exige respeto y cuidado. De esta manera, nos vemos impulsados a pensar más allá del yo,
lo que nos instiga a actuar de manera respetuosa hacia el mundo y las personas. Como dice
Schinkel (2021, p. 135, nuestra traducción), al "abstenernos de nuestros propios deseos e
intereses y abrirnos al valor de otro objeto o persona, la 'lógica' de la admiración prepara el
camino para la compasión". El sentido de encanto y misterio causado por el deslumbramiento
contemplativo causa falta de atención a nuestros propios intereses y deseos de una actitud de
respeto y cuidado por cada forma de vida, que instiga la empatía, el amor y la compasión. De
hecho, nos lanza a pensar en nuestro marco interpretativo sobre cómo queremos vivir y cómo
queremos vivir bien. Por lo tanto, Schinkel (2021) reconoce el deslumbramiento como una
experiencia movilizadora del desarrollo moral, al despertar una reevaluación de la importancia
de las cosas y al permitir la empatía y la compasión de la persona.
Consideraciones finales
El exceso de información y las exigencias de la vida actual, así como los cambios
sociales, culturales y cognitivos que proporcionan las tecnologías de la comunicación y la
información nos hacen banalizar nuestra inclinación inicial a contemplar la perplejidad de la
vida. Sin embargo, el deslumbramiento contemplativo permite que las prácticas docentes se
integren con las posibilidades de encantamiento e incertidumbres sobre la realidad, lo que
promueve la reevaluación de los presupuestos existentes y las formas alternativas de
pensamiento, a una esfera más profunda de significado y significado de la realidad. En su teoría
del deslumbramiento contemplativo, Schinkel et al. (2020) nos permite comprender que este
proceso de construcción del conocimiento despierta el reconocimiento de los límites de la
comprensión humana a una apertura y postura de atención receptiva a algo que nos es familiar,
que nos da acceso a nuevas posibilidades y concepciones más integrales y profundas de la
realidad.
Para Schinkel (2021), el objeto o fenómeno familiar aparentemente ordinario y trivial
tiene el potencial de reevaluar las perspectivas personales, al revelar el descubrimiento de
nuevas posibilidades y fuentes de conocimiento. Además, el deslumbramiento es un camino
hacia la experiencia inquisitiva, y esto hacia el deslumbramiento, como un proceso interactivo.
Por lo tanto, es necesario estimular en las prácticas educativas en el aula la experiencia del
deslumbramiento, abriendo espacio para la perplejidad, la apreciación de la naturaleza y los
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fenómenos de la realidad, así como valorar las preguntas y preocupaciones que expresan el
deslumbramiento de los estudiantes en el proceso de enseñanza-aprendizaje.
Con el fin de cultivar la sensibilidad y la voluntad de deslumbrar, los maestros pueden
ser intencionales al compartir sus propias ideas e investigaciones que causan perplejidad. En
este sentido, la improvisación es esencial, ya que da espacio para que los estudiantes exploren
las experiencias de deslumbramiento, promoviendo nuevas posibilidades de enseñanza y
aprendizaje. Las preguntas relacionadas con el deslumbramiento contemplativo pueden
despertar en los estudiantes un interés genuino por conocer y descubrir el significado de lo que
están aprendiendo e identificar lo que es de interés y propósito, como posibles caminos para
elegir una profesión.
El filósofo de la educación en cuestión considera el deslumbramiento contemplativo
como una experiencia que promueve (1) el reconocimiento del límite del conocimiento humano
sobre el mundo; (2) el carácter del encuentro; y (3) apertura a la revelación. Estas facetas del
deslumbramiento son importantes, porque es a partir del reconocimiento del límite del
conocimiento que nos interesamos por el mundo, despertando nuestra imaginación, emoción y
reflexión sobre posibilidades alternativas. Esta experiencia nos permite descentralizar y vaciar
el yo, más allá de nosotros mismos, hacia un objeto y fenómeno que nos afecta al reconocer su
valor. Schinkle (2021) dice poco sobre la relación del objeto como portador de valor, así como
el valor intrínseco del objeto y la noción de lo bello. Sin embargo, para el autor, el
deslumbramiento promueve una profunda conciencia del objeto como algo de valor. Esta
experiencia es importante porque podemos percibir el objeto en toda su amplitud.
En la experiencia de apertura a la revelación, no sólo nos despertamos a actividades
mentales de abstracción, sino que también reconocemos concepciones más amplias de la
realidad, en las que la dimensión moral se refiere a nuestra postura ante el mundo y al respeto
y cuidado ante la humanidad y las formas de vida. Nuestro autor comenta que el
deslumbramiento contemplativo es una forma de desarrollar actitudes moralmente deseables,
porque nos abre horizontes para establecer un tipo de relación con el mundo de apreciación y
apropiación de uno mismo y del otro, que implica cultivar acciones, actitudes y emociones
dirigidas al cuidado, la compasión y el respeto (SCHINKEL, 2021). Pensar en los límites de
nuestra existencia y dar valor a algo más allá de nosotros mismos nos permite coordinar las
perspectivas personales y la conciencia y defensa de la dignidad del otro. De esta manera,
reconocemos nuevas experiencias morales que nos impulsan a actuar respetuosamente hacia el
mundo y las personas. Por lo tanto, la perspectiva teórica del autor sobre el deslumbramiento
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contemplativo en el contexto educativo puede guiar la práctica docente estimulando la duda, el
cuestionamiento, el encantamiento y la imaginación, así como la expansión de nuevas fuentes
de conocimiento, significado y aceptación del otro en su dignidad como ser humano.
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Ellen Nogueira RODRIGUES
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CRediT Author Statement
Reconocimientos: Me gustaría agradecer al Prof. Anders Schinkel por hacer que sus libros
estén disponibles en inglés.
Financiación: No aplicable.
Conflictos de intereses: Sin conflictos de intereses.
Aprobación ética: Respeté la ética durante el análisis y la realización de la investigación,
pero debido a que no era empírica, la investigación no necesitaba aprobación ética.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Contribuciones de los autores: Ellen Nogueira RODRIGUES es responsable de la
investigación, análisis y redacción del artículo.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023089, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17708 1
CONTEMPLATIVE WONDER AS A KNOWLEDGE CONSTRUCTION PROCESS:
EDUCATIONAL REMARKS
O DESLUMBRAMENTO CONTEMPLATIVO COMO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO
DE CONHECIMENTO: CONSIDERAÇÕES EDUCACIONAIS
EL DESLUMBRAMIENTO CONTEMPLATIVO COMO PROCESO DE
CONSTRUCCIÓN DEL CONOCIMIENTO: CONSIDERACIONES EDUCATIVAS
Ellen Nogueira RODRIGUES1
e-mail: ellen_unasp@hotmail.com
How to reference this article:
RODRIGUES, E. N. Contemplative wonder as a knowledge
construction process: Educational remarks. Revista Ibero-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00,
e023089, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17708
| Submitted: 08/02/2023
| Revisions required: 25/03/2023
| Approved: 22/06/2023
| Published: 03/10/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Adventist University Center of São Paulo (UNASP), Engenheiro Coelho SP Brazil. Professor of the
Professional Master's Degree in Education at UNASP.
Contemplative wonder as a knowledge construction process: Educational remarks
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023089, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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ABSTRACT: Wonder experiences that aim to promote perplexity, the formulation of
hypotheses and the investigation of the meaning of human experience in teaching practices are
scarce. Therefore, this article aims to identify and analyze the education of contemplative
wonder articulated by Anders Schinkel for the educational field and moral education. This
work, of a theoretical nature, is based on the theoretical framework of Schinkel's educational
philosophical thought, in which we will analyze the author's main works. The research results
indicate the potential of contemplative wonder for recognizing the limits of human knowledge,
by providing an attitude of receptive attention to something that is familiar and promoting new
possibilities and far-reaching and profound conceptions of reality. In addition, wonder opens
horizons for us to establish a kind of relationship with the world of appreciation, respect and
care for humanity and life forms.
KEYWORDS: Wonder education. Knowledge construction process. Education. Teaching
practices. Moral education.
RESUMO: As experiências de deslumbramento que visam promover a perplexidade, a
formulação de hipóteses e a investigação do significado da experiência humana nas práticas
de ensino são escassas. Portanto, o presente artigo tem como objetivo identificar e analisar a
educação do deslumbramento contemplativo articulada por Anders Schinkel para o campo
educacional e a educação moral. Este trabalho, de natureza teórica, se apoia no referencial
teórico do pensamento filosófico educacional de Schinkel, no qual analisaremos as principais
obras do autor. Os resultados da pesquisa indicam o potencial do deslumbramento
contemplativo para o reconhecimento dos limites do conhecimento humano, ao proporcionar
uma postura de atenção receptiva para algo que é familiar e promove novas possibilidades,
bem como concepções abrangentes e profundas da realidade. Além disso, o deslumbramento
abre horizontes para estabelecermos um tipo de relacionamento com o mundo de apreciação,
respeito e cuidado diante da humanidade e as formas de vida.
PALAVRAS-CHAVE: Deslumbramento contemplativo. Processos de construção de
conhecimento. Educação. Práticas de ensino. Educação moral.
RESUMEN: Las experiencias de asombro que pretenden promover la perplejidad, la
formulación de hipótesis y la investigación del significado de la experiencia humana en las
prácticas docentes son escasas. Por lo tanto, este artículo tiene como objetivo identificar y
analizar la educación del deslumbramiento contemplativo articulada por Anders Schinkel para
el campo educativo y la educación moral. Esta obra, de carácter teórico, se basa en el marco
teórico del pensamiento filosófico educativo de Schinkel, en el que analizaremos las principales
obras del autor. Los resultados de la investigación indican el potencial del deslumbramiento
contemplativo para el reconocimiento de los límites del conocimiento humano, al proporcionar
una postura de atención receptiva a algo que es familiar y promueve nuevas posibilidades, así
como concepciones integrales y profundas de la realidad. Además, el deslumbramiento nos
abre horizontes para establecer una especie de relación con el mundo del aprecio, el respeto y
el cuidado ante la humanidad y las formas de vida.
PALABRAS CLAVE: Deslumbramiento contemplativo. Procesos de construcción de
conocimiento. Educación. Prácticas docentes. Educación moral.
Ellen Nogueira RODRIGUES
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023089, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introduction
Children naturally experience a sense of wonder, enchantment and mystery when faced
with certain phenomena, objects and the reality that surrounds them. As we grow up, we become
so familiar with reality that we end up trivializing our inclination towards contemplation and
perplexity with life. As Schinkel comments (2018, p. 1), “children gradually lose the natural
inclination to see things with wonder in relation to the why, how and what of things.” When
faced with constant changes and innovations and a highly technological way of life, what is
familiar to us, such as the sunset or the process of photosynthesis, becomes insignificant. Faced
with such a scenario, we believe that it is necessary to encourage and disseminate experiences
of wonder in the educational process among students as a valuable resource to promote
curiosity, formulate hypotheses and as a means to explore human experience and the meaning
of life.
Contemporary educational policies tend to appropriate neoliberal postulates focused on
performance, standardized tests, assessments and the student grading system, which end up
reinforcing the search for ready-made answers, instead of encouraging doubt, questioning,
wonder and the use of imagination to formulate possible alternative conceptions to the questions
investigated at school (D'AGNESE, 2020). In this sense, researchers in the field of education,
such as Hadzigeorgiou (2012), Egan, Cant and Judso (2013), Schinkel (2018; 2021) and
Schinkel et al. (2020), advocate the need to stimulate experiences of wonder in the educational
context, according to the perspectives articulated in the emerging area of study called Wonder
Education, which we are translating into Portuguese as Education of Wonder.
The objective of this article is to identify and analyze the fundamental notions of the
education of contemplative wonder articulated by Anders Schinkel for the educational field and,
more specifically, moral education. This work, of a theoretical nature, is based on the theoretical
framework of educational philosophical thinking by S Schinkel (2018; 2021) and Schinkel et
al. (2020), whose main texts to be analyzed are: Wonder and Education: On the educational
Importance of Contemplative Wonder (Amazement and education: the educational importance
of contemplative wonder), Wonder, Education, and human Flourishing: Theoretical, Empirical,
and Practical Perspectives (Amazement, Education, and Human Flourishing: Theoretical,
Empirical, and Practical Perspectives) and What Should Schools Do to Promote Wonder? (What
should schools do to promote wonder?). In the following sections, Schinkel 's concept of
contemplative wonder for education and moral education will be presented, as well as the
Contemplative wonder as a knowledge construction process: Educational remarks
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process of building contemplative wonder within the classroom. Finally, we will present the
conclusions and implications of contemplative wonder for education.
The Concept of Contemplative Wonder for Education
Philosopher of education Anders Schinkel is an associate professor at the Faculty of
Behavior and Movement Science at Vrije Amsterdam University in the Netherlands. He is part
of the LEARN! interdisciplinary research institute, whose objective is to develop various
researches in the field of education. One of the main concepts developed by Schinkel (2018;
2021) and Schinkel et al. (2020) is called Wonder Education, which guides their educational
thinking and reflection.
The Inquisitive and Contemplative Wonder
The notion of wonder is seen as fundamental to promote the student's active and creative
participation, in order to enhance systemic processes in which the student can analyze, evaluate,
question and experience more meaningful and pleasurable learning processes. Schinkel et al.
(2020) points out two important processes that guide the construction of knowledge by students,
both in the context of the classroom and in the broader social context: the inquisitive and the
contemplative wonder. In contemplative wonder, something impresses us in such a way that it
ends up silencing us, revealing the limits of our knowledge in relation to a deeper sphere of
sense and meaning of reality. In turn, inquisitive fascination involves a posture of seeking
explanations, which is close to curiosity.
According to the author, although the two processes of knowledge are imperative in
educational practice, he highlights the absence of contemplative wonder in the day-to-day
contingencies of the classroom, which largely impedes the expansion and internalization of
knowledge. However, Schinkel et al. (2020, p. 36, our translation) also highlight “the care with
the reification between the distinction of contemplative and inquisitive wonder, as if we were
dealing with two clearly separate realities.” In other words, these concepts serve to highlight
abstract ways of portraying reality, when we observe the qualitative differences in knowledge.
However, there are no exact demarcation lines between the concepts and, moreover, the
boundaries between them are not strict.
To elucidate the concept of contemplative wonder, Schinkel (2021) uses his own
experience of finding a frog on the beach as an example. This event led him to question, analyze
and ponder how that small, living being would have ended up there. His encounter with this
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animal initially triggered a series of inquiries that fostered inquisitive restlessness and then led
to contemplative wonder. At this deeper level of wonder, we are impressed by the observed
object (nature, moral virtues, truth, etc.) and moved beyond our assumptions about what we
think we see about reality. There is, therefore, in wonderment, the recognition of the limit of
our understanding of the world as we know it. That is, the object of our wonder “presents the
limits in perspective, reminds us of our limitations, and at the same time reveals that there is a
'world' beyond our image of the world” (SCHINKEL, 2021, p. 74, our translation). The focus
on the object makes us forget ourselves, to perceive the world as something valuable in itself,
where we are confronted by mystery and perplexity, and we seek deeper meanings of reality.
According to Schinkel (2021), contemplative wonder encompasses a variety of
experiences, namely: (1) recognition of the limits of human knowledge about the world; (2) the
character of encounter; and (3) the opening to revelation. In the first characteristic, when we
recognize the limitations and precariousness of our framework for interpreting reality, we are
faced with what we do not know, what we actually understand and what we cannot understand
about the reality that surrounds us. Thus, it is from the awareness of uncertainties that we take
interest in the world, through which the imagination awakens and builds alternative possibilities
(SCHINKEL, 2021).
The second characteristic of contemplative wonder involves an encounter with the
object. There is an attitude of receptive attention to something that is familiar but that we
recognize as something important in its own right, inherently valuable and worthy of respect,
while causing misunderstanding and perplexity. When we are dazzled by a particular
phenomenon or object we perceive it not analytically, but as a whole and, as we cannot
conceptually understand it completely (only abstractions of the whole), it becomes 'an excess
for us' and carries a mysterious character” (SCHINKEL et al., 2020, p. 28, our translation).
With this, the experience of contemplative wonder is connected to the awareness of the object
in all its breadth, not in an atomistic or analytical way, which reveals itself to be dazzling,
mysterious and perplexing.
As Malpas (2006, p. 62, our translation) describes, contemplative wonder has a
phenomenological “character of an encounter that proves to be revealing, an opening up to
things and the world – which are at the center of the experience of contemplative wonder.” This
encounter requires openness to the object, to which a new layer of meaning is added to pre-
existing knowledge. We contemplate the object as inherently valuable and important by
superimposing the trivial meaning usually given to what is already familiar to us. In addition,
Contemplative wonder as a knowledge construction process: Educational remarks
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the encounter with the object can evoke a range of feelings and attitudes of appreciation, respect
and reverence (SCHINKEL, 2021).
The third feature encompasses the openness to revelation for modes of contemplation
and interpretation that present us with something about the world that goes beyond our
perceptions and conjectures. According to Schinkel (2021, p. 46, our translation), contemplative
wonder “awakens our mental capacity for abstraction and higher thinking and directs our mental
activities to build broader models in which parts of our lives are thought of in terms of meaning
and purpose.” In this direction, Fuller (2006) argues that wonder leads us to confront an elusive
world 'behind' and 'beyond' our perception, when we look beyond our plans and interests, when
we seek meaning and awareness of moral ideals.
In view of this, the revealing nature of wonder stems from the recognition of the
precariousness and inadequacy of our interpretation of reality, by awakening broader and more
comprehensive conceptions of reality. Therefore, contemplative wonder comprises various
ways of being potentially touched by the world, which go beyond the traditional way of looking
at and thinking about it (SCHINKEL, 2021). Although the experience of contemplative wonder
runs away from exact conceptualizations, Schinkel (2021, p. 47, our translation) proposes the
following definition:
It is a mode of consciousness in which we experience what we perceive or
contemplate as alien, profoundly other or mysterious, fundamentally beyond
our limits of comprehension, yet worthy of attention in its own right, in which
attention has an open form, a receptive posture, and a conciliation with the
mystery.
There is a receptive posture and an awareness of the value object and its importance,
which makes us access the transcendent universe, the cosmic dimension and the meaning of
life. In contemplative wonder, we are moved to value the object (material reality, virtues, nature,
etc.) and react in a variety of affective valences, such as appreciation, happiness, respect and
reverence. This openness to the world, as we make meaning out of the ordinary things in life,
fills us with wonder, imagination and mystery, and moves us beyond our trivial experience and
a mode of consciousness oriented only towards utilitarian goals.
Schinkel (2021) considers contemplative wonder as a process that begins with a familiar
object, but ends up becoming unfamiliar with what was seen as trivial. Thus, we become aware
of it as something completely new, open to the possibility of an imaginative and revealing
experience about human existence. In this sense, education via contemplative wonder promotes
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significant experiences in the process of knowledge construction in the educational context and
in moral education, which is the focus of the next sections below.
The Construction Process of Contemplative Wonder in the Classroom
In the interactive processes in the classroom, we can observe the wonder, curiosity and
natural perplexity of children with planes, tractors, the sky, rainbows and everything around
them. They spontaneously ask questions such as: "Why do crows gather together at night?",
"How do leaves form their shape?" and “How do mosses survive the winter?” There are
countless questions and the desire to know reality. However, the natural inclination to attribute
importance to the observed world is gradually reduced, as they become trivial and ordinary
experiences. In addition, the emphasis on the cognitive and inquisitive dimensions prevails in
students' educational experiences, and few experiences of awakening and interest in things and
objects in the world.
Schinkel (2018; 2021) and Schinkel et al. (2020) identify, in pedagogical practice, the
absence of intentionality with teaching that promotes perplexity and enchantment with the
natural world. The author recalls a class in which the teacher asked the students to collect leaves
and paste them in their notebooks. He recalls the lack of meaning and purpose in the activity,
as the teacher did not engage the students in the sense of wonder, imagination and perplexity
present in the object of study. It was up to the teacher to project the sheet towards the light, so
that the students could analyze and contemplate the complexity and peculiarity of the parts of
the sheets. The simple act of highlighting the sheet would enable engagement, inquiries and
conjectures, which reveals the potential of contemplative wonder for the student's experience.
Education for contemplative wonder seeks to rescue its role in teaching practice, in order
to awaken greater understanding and appreciation for the world, as it encourages doubt,
alternative ways of thinking, the discovery of new things and the astonishment and wonder of
the spectacle of the universe. This experience “discovers the new in the old, the strange in the
familiar and the extraordinary in the ordinary” (WORDSWORTH, 2014). Thus, we are
motivated to us defamiliarize from ordinary and trivial experience, by formulating new
interpretations and meanings for reality (SCHINKEL, 2021). Through exploration and genuine
doubt, students formulate new personal interpretations and perspectives.
As Schinkel (2021, p. 136, our translation) states, contemplative wonder moves us
“'beyond the surface,' mere familiarity with things and acceptance of things as they are”.
Consequently, there is a reassessment of the perspectives and importance given to the natural
Contemplative wonder as a knowledge construction process: Educational remarks
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world, in which the ego is placed in the background and, in the foreground, there is the
recognition of the intrinsic value of things and events. The dazzle with what is familiar to us
goes beyond our power of understanding and we are exposed to the condition of vulnerability.
This implies an openness to mystery, curiosity and imagination.
However, there is a phenomenological difference between being curious and being
dazzled. According to the author, curiosity consists of the desire to know the object, while in
dazzlement the object takes center stage. In the process of dazzlement, the “I” is decentralized
and emptied, and the object affects us when we recognize its value. On the other hand, curiosity
makes us look for the object, as in the case where we want to know what is inside the gift box
under the Christmas tree. In curiosity, the focus is on the desire to know, while in contemplative
wonder, it is on the object, for its intrinsic value. The appreciation and assimilation of the object
allows reassessing existing assumptions and pioneering new ideas. Therefore, integrating
wonder into the contents enables uncertainty, enchantment and perplexity to recognize new
possibilities and ideas about the world.
For the Dutch theorist, the following points can be used to promote contemplative
wonder in the classroom. The first aspect is to preserve the natural experience of wonder in
children (SCHINKEL, 2021). Once, a teacher started the class by commenting that her car is
powered by fossil fuels. The students were immediately impressed and intellectually stirred by
the statement. Before the children's curiosity gave way to impatience, she explained what that
means: my car runs on petroleum, a product derived from petroleum, which is derived from
fossils. The fossil is formed naturally when microorganisms (plants and algae) are buried and
subjected to intense heat, when being pressurized for eons (SCHINKEL, 2021).
The second aspect is related to cultivating students' sensitivity and willingness to be
dazzled by the world, to open space for perplexity, mystery, appreciation of nature and material
objects. In this sense, the teacher can include in his teaching practice what causes astonishment
and wonder in his personal life and in the contents taught, by creating teaching practices that
overcome bureaucratic practices instituted by instrumental/technical rationality
(BERKENBROCK-ROSITO; DE OLIVEIRA, 2022). Piersol (2013) observed, for a year, a
teacher willing to integrate her questions and wonders into the syllabus and the reality of the
classroom. In the questions presented by the teacher, the students were able to explore
descriptive answers of cause and effect about the phenomena in view, as well as about the
grandeur and mystery associated with human life and the natural world. The dazzle opens
avenues in teaching practice so that students can be surprised by the knowledge of the world,
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instead of considering knowledge as static entities or as immutable data, in which there is still
little to be explored (PIERSOL, 2004; SCHINKEL, 2021).
The third aspect involves valuing the students' moments of wonder and perplexity in the
teaching-learning process. Questions and concerns are important means for the student's
fascination and engagement. In these cases, learners get involved with the activities because
they are genuinely interested in knowing and discovering the meaning of what they are learning.
Wolbert and Schinkle (2021) suggest some pedagogical resources in order to stimulate
the sense of wonder in the context of the classroom: (1) exploration; (2) improvisation; (3)
imagination; and (4) personal interest. The first resource, which is exploration, requires
attention given to nature, especially on field trips. In nature, students are dazzled by things and
events: the ingenious spider nets, the plant that circles the tree or the fact that nature has a law
of service, in which one depends and is in a service relationship with the other. These elements
evoke the surprise and perplexity of the student, in which the teacher can sensitively go beyond
mere surprise to a profound experience of wonder, or this experience can lead him to an
inquisitive attitude (TROTMAN, 2014, p. 37). Taking the encounter with the spider as an
example, students can have an inquisitive attitude when asking themselves: “How does the
spider do that,” or contemplative when mentioning, “How amazing that the spider can do that!”.
It is common for these experiences to first evoke inquisitive wonder and, subsequently, a
contemplative look, when they are surprised by something unexpected and intriguing. Through
the students' questions and statements, we were able to identify the type of wonder,
contemplative or inquisitive. The statement “The sky is blue” comprises a process of
contemplative knowledge, while the question “If the stars fall all the time, why do we still have
so many stars in the sky?” is inquisitive.
Nature provides countless opportunities for wonder. Piersol (2004) reports that a
teacher, on an excursion with the students in the middle of nature, made the following comment:
“The squirrels have been using the branches of the trees as a drying rack.” This information
aroused numerous questions in the students: How did they learn to do this?”, “Why do they
put it on the spruce tree?” and “How long does it take to dry a mushroom?” According to the
author, it is not only fitting to include wonder in the curriculum, it also involves a process of
unveiling what already exists in it (PIERSOL, 2013). In this direction, Schinkel (2021, p. 136,
our translation) states that “the most worrying thing about the absence of contemplative wonder
in the classroom is that we not only ignore its potential, but actively discourage it.” Due to the
excessive overload of contents and competences in the curriculum, the teacher is prevented
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from encouraging enthusiasm, estrangement and a way of seeing the world as something
extraordinary.
The second pedagogical resource is improvisation. Due to demands and time
constraints, improvisation is key to the pedagogy of wonder. In general, more than building
pedagogical trails, space is needed for students to explore their inquiries and experiences of
contemplative wonder in the effective practice of the classroom. For example, a teacher was
teaching Portuguese about a poem related to the fly and the frog. One student commented that
the toad is the fly's predator and that it has glue on its tongue. Soon, another student told the
teacher: “One day I was on a farm in the afternoon with my father and a frog was eating flies,
when suddenly it ate a cicada. It was awesome! My father and I listened to the cicada inside the
frog for a long time.” The teacher looked at the student and replied, “Okay, let’s go back to our
reading comprehension activity.” Certainly, the teacher had a schedule to comply with when
trying to meet the demands of the school, but she ended up not valuing a key moment to trigger
the process of contemplation, which, in fact, requires making room for new teaching
possibilities.
It is up to the teacher to be open to explore the students' questions, by stimulating
imagination, contemplation and discovery. It should thus provide opportunities for students to
acquire an awareness of the object or phenomenon, an important dimension, but not necessarily
present in the process of curiosity (HADZIGEORGIOU, 2012; SCHINKEL, 2021). In this
sense, Hadzigeorgiou (2012) and Schinkel (2021) highlight the role of consciousness for the
sense of wonder, as this knowledge construction process depends on the state of consciousness.
In general, various elements of our consciousness are mobilized with the sense of wonder
(HADZIGEORGIOU, 2012, p. 989, our translation):
Awareness that my knowledge is incomplete or
wrong.
Awareness that there is something more to be
learned.
Awareness that some phenomenon exists after all.
Awareness of unexpected connections between
phenomenon and ideas.
Awareness of the beauty of natural phenomena.
Therefore, experiences of contemplative wonder require an attitude towards reality that
can be awakened through the curriculum, openness to dialogue and new learning routes that
value moments of student encounter with situations and ideas of perplexity, surprise and
admiration before the beautiful, the unexpected and the familiar. Hadzigeorgiou (2012) reports
Ellen Nogueira RODRIGUES
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the first time he visited a cave with his school in elementary school. The author describes his
feeling of surprise and incomprehension at rocks “with the appearance of ice or brown sugar,”
that is, the sedimentary rocks of stalactites and stalagmites. At that event, he describes having
experienced a sense of wonder, which had repercussions on his choice of professional career.
Thus, the experiences of wonder reveal processes of consciousness and sense of the individual
in relation to what is of value, interest and purpose to be achieved.
But, after all, what is the impact of contemplative wonder on the syllabus and teaching
practice in the classroom? Hadzigeorgiou (2012) presents research data on the integration of
this type of learning in a teacher's pedagogical practice. With the help of Hadzigeorgiou, the
professor identified in his discipline the ideas and potential phenomena of wonder. The
researcher compared two classes from the same year of elementary school: in one class, the
instruction was directed towards wonder, while in the other, the curriculum was followed
normally. The instruments for data analysis were based on a pre- and post-test that were applied
to students about the content of the Physics discipline. In addition, they received a diary
recording the ideas that impressed them and identified as important, as well as their thoughts
about what they learned and what they would like to deepen.
In the initial part of the research, Hadzigeorgiou (2012) identified potential ideas and
concepts to dazzle students. Here are some examples reported by the author:
Table 1 – Potential concepts for dazzle
Force and Motion
Newton's Third Law: Two colliding cars, regardless
of the difference in their masses, experience the same
force.
Newton's First Law: There can be motion in a
straight line and constant velocity, no matter how wide
the object, in the absence of net force. That is, a
spaceship can travel in a straight line for a million
miles per hour and still have zero force result.
Pasta
Mass is 99.99% empty space.
If we were to remove all the empty space in the atoms
in the bodies of everyone on the planet, then every
subatomic particle contained in people's bodies would
easily fit into a Ping-Pong ball.
Light
Light is invisible, we cannot see it, we can only see the
objects it hits.
The light of objects are not the property of the object
itself, but the result of the interaction of light with
objects.
Source: Hadzigeorgiou (2012, p. 992, our translation)
Contemplative wonder as a knowledge construction process: Educational remarks
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17708 12
The analysis of the study's results indicates that the experience of wonder has an impact
on the students' perspective on natural phenomena. In the diaries, it was observed that the
learning experiences that promote wonder were the sources of questions and comments present
in the students' writing. The most important comments and ideas about the content of the
discipline recorded in the diaries reveal experiences of wonder. In addition, when applying the
pre- and post-test of the subject's content, the class where the teacher intentionally worked with
the perspective of inserting dazzling experiences showed better retention and understanding of
the contents. In this way, the role of wonder is to destabilize our certainties and make us review
concepts and ideas about reality that ensure better conditions for learning and student
engagement.
Awakening wonder means helping the student to engage in the teaching and learning
process, and the teacher plays a fundamental role in order to arouse in students imagination,
expression, discovery, contemplation and inquisitive processes as a guiding principle in the
practices pedagogical. Also significant in the appropriation of the contemplative experience is
the taking of a type of awareness that influences the moral perspective (SCHINKEL, 2021).
Contemplative wonder and moral education
Schinkel (2021) argues that when we stimulate a sense of wonder in the educational
process, we can develop morally desirable attitudes in students. The author states that,
“contemplative wonder can be morally important and, certainly, we should promote it as an
integral part of Moral Education” (SCHINKEL, 2021, p. 126, our translation). The potential of
wonder lies in accessing the world, in students perceiving, understanding and acting in it in an
effective, adequate and responsible way. For this philosopher of education, wonder opens
horizons for us to establish a type of relationship with the world, of appreciation and
appropriation of oneself and the other, which involves cultivating actions, attitudes and
emotions that aim at care, compassion and respect.
There is, in the sense of wonder, an interest in the world as something significant and
important in itself, which sensitizes us to what is of value. According to Schinkel et al. (2020,
p. 129), “dazzlement promotes the cultivation of sensibilities, beliefs and dispositions for an act
that seeks to promote and protect life, in order to fully enjoy joy, beauty and love, as well as
other forms of world importance.” Moral education aims at developing a posture and attitude
towards the world that values virtuous thinking and acting (PRING, 2001). This knowledge
process awakens the reassessment of the importance and meaning of life, instigates to consider
Ellen Nogueira RODRIGUES
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alternatives and awakens attention to the intrinsic value of things, people, creatures, natural and
social reality.
Schinkel (2021) considers that the moral dimension goes beyond the process of
socialization of a moral code, as it implies the responsibility and responsiveness of the person
towards what is of value. In this way, wonder allows us to recognize new moral experiences, as
an antidote to dogmatism, as it leads human beings to contemplate the meaning of life and its
value in terms of what is morally acceptable and praiseworthy. It encourages us to go beyond
our egocentrism to see life as something that demands respect and care. In this way, we are
impelled to think beyond the self, which encourages us to act respectfully towards the world
and people. As Schinkel (2021, p. 135, our translation) expresses it, by “shunning our own
desires and interests and opening ourselves to the value of another object or person, the 'logic'
of wonder paves the way for compassion.” The sense of enchantment and mystery caused by
contemplative wonder provokes the inattention to our own interests and desires to an attitude
of respect and care for all forms of life, which instigates empathy, love and compassion. In fact,
it makes us think about our interpretative framework about how we want to live and how to live
well. Therefore, Schinkel (2021) recognizes wonder as a mobilizing experience of moral
development, by awakening a reassessment of the importance of things and by enabling the
person's empathy and compassion.
Final remarks
The excess of information and demands of today's life, as well as the social, cultural and
cognitive changes provided by communication and information technologies make us trivialize
our initial inclination to contemplate the perplexity of life. However, contemplative fascination
allows integrating teaching practices with the possibilities of enchantment and uncertainty
about reality, which promotes the reassessment of existing assumptions and alternative ways of
thinking, towards a deeper sphere of sense and meaning of reality. In his theory of contemplative
wonder, Schinkel et al. (2020) allows us to understand that this knowledge construction process
awakens the recognition of the limits of human understanding for an openness and attitude of
receptive attention to something that is familiar, which gives us access to new possibilities and
broader and deeper conceptions of reality.
For Schinkel (2021), the apparently ordinary and trivial familiar object or phenomenon
has the potential to reassess personal perspectives, by revealing the discovery of new
Contemplative wonder as a knowledge construction process: Educational remarks
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possibilities and sources of knowledge. Furthermore, wonder is a pathway to inquisitive
experience, and inquisitive experience to wonder as an interactive process. Therefore, it is
necessary to encourage the experience of wonder in educational practices in the classroom, by
making room for perplexity, the appreciation of nature and phenomena of reality, as well as
valuing the questions and concerns that express the wonder of students in the process of
learning. teaching-learning.
In order to cultivate sensitivity and readiness for wonder, teachers can be intentional
about sharing their own perplexing ideas and questions. In this sense, improvisation is essential,
as it gives space for students to explore the experiences of wonder, promoting new teaching and
learning possibilities. Questions referring to contemplative wonder can arouse in students a
genuine interest in knowing and discovering the meaning of what they are learning and
identifying what is of interest and purpose, as possible paths for choosing a profession.
The philosopher of education in question considers contemplative wonder as an
experience that promotes (1) recognition of the limits of human knowledge about the world; (2)
the character of encounter; and (3) the opening to revelation. These facets of wonder are
important, as it is based on the recognition of the limits of knowledge that we take an interest
in the world, by awakening our imagination, emotion and reflection on alternative possibilities.
This experience allows us to decentralize and empty the self, beyond ourselves, towards an
object and phenomenon that affects us when we recognize its value. Schinkle (2021) says little
about the object's relationship as a bearer of value, as well as the intrinsic value of the object
and the notion of beauty. However, for the author, dazzle promotes a deep awareness of the
object as something of value. This experience is important, as we can perceive the object in all
its amplitude.
In the experience of openness to revelation, not only are we awakened to mental
activities of abstraction, but we also recognize broader conceptions of reality, in which the
moral dimension concerns our attitude towards the world and respect and care for humanity and
the forms of life. Our author comments that contemplative wonder is a way to develop morally
desirable attitudes, as it opens horizons for us to establish a type of relationship with the world
of appreciation and appropriation of oneself and the other, which involves cultivating actions,
attitudes and emotions that they aim at care, compassion and respect (SCHINKEL, 2021).
Thinking about the limits of our existence and giving value to something beyond ourselves
makes it possible to coordinate personal perspectives and the awareness and defense of the
dignity of the other. In this way, we recognize new moral experiences that instigate us to act
Ellen Nogueira RODRIGUES
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respectfully towards the world and people. Therefore, the author's theoretical perspective on
contemplative wonder in the educational context can guide the teaching practice by stimulating
doubt, questioning, enchantment and imagination, as well as the expansion of new sources of
knowledge, meaning and acceptance of the another in his dignity as a human being.
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CRediT Author Statement
Acknowledgments: I would like to thank Prof. Anders Schinkel for making his books
available in English.
Financing: Not applicable.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: I respected ethics during the analysis and conduction of the research,
however, as it is not empirical, the research did not need ethical approval.
Availability of data and material: Not applicable.
Author contributions: Ellen Nogueira RODRIGUES is responsible for the research,
analysis and writing of the article.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.