RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17712 1
INDÍGENAS E QUILOMBOLAS NO ENSINO SUPERIOR: UMA ANÁLISE A
PARTIR DO PROGRAMA UFGINCLUI
COMUNIDADES INDÍGENAS Y QUILOMBOLAS EN LA EDUCACIÓN SUPERIOR:
UN ANÁLISIS A PARTIR DEL PROGRAMA UFGINCLUI
INDIGENOUS AND QUILOMBO PEOPLE IN HIGHER EDUCATION: AN ANALYSIS
BASED ON THE UFGINCLUI PROGRAM
Kamila Evelyn Martins MARQUES1
e-mail: kamilaevilyn@gmail.com
Maria Zenaide ALVES2
e-mail: zenpiaui@ufcat.edu.br
Como referenciar este artigo:
MARQUES, K. E. M.; ALVES, M. Z. Indígenas e Quilombolas no
Ensino Superior: Uma análise a partir do Programa UFGInclui.
Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara,
v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17712
| Submetido em: 08/02/2023
| Revisões requeridas em: 25/03/2023
| Aprovado em: 16/04/2023
| Publicado em: 18/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal de Catalão (UFCAT), Catalão GO Brasil. Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação
em Educação.
2
Universidade Federal de Catalão (UFCAT), Catalão GO Brasil. Docente no Programa de Pós-Graduação
em Educação. Doutorado em Educação (UFMG).
Indígenas e Quilombolas no Ensino Superior: Uma análise a partir do Programa UFGInclui
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RESUMO: O artigo apresenta uma análise do perfil dos estudantes cotistas negros quilombolas e
indígenas, que entraram na Universidade Federal de Catalão em 2020 pelo Programa UFGInclui.
Partindo de uma discussão histórica sobre a questão racial e étnica no Brasil, apresentamos o
programa, sua implementação e estruturação no âmbito da universidade e, por fim, apresentamos
e analisamos os dados. Os resultados expressam que mesmo o programa existindo desde 2008,
uma baixa demanda em relação ao mero de vagas ofertadas. Foi constatado que a maioria dos
ingressantes são jovens, possuem especificidades que são inerentes à condição juvenil, além de
particularidades acerca de seus territórios e grupos de origem, modos de vida e background
educacional, evidenciando que apoio financeiro é fundamental, no entanto, o acolhimento e o
reconhecimento dessas especificidades pela instituição é fundamental no processo de
permanência, sobretudo, demandado por um diálogo intercultural.
PALAVRAS-CHAVE: Ações afirmativas. UFGInclui. Ensino Superior. Negros quilombolas.
Indígenas.
RESUMEN: El artículo presenta un análisis del perfil de los estudiantes de cuotas, negros
quilombolas e indígenas, que entraron en la Universidad Federal de Catalão en 2020 por medio
del Programa UFGInclui. Partiendo de una discusión histórica sobre la cuestión racial y étnica
en Brasil, presentamos un programa, su implementación y estructura en el ámbito de la
universidad y, finalmente, presentamos y analizamos los datos. Los resultados expresan que,
aunque el programa estuviera extinguido desde el 2008, hay una baja demanda con relación al
número de vacantes ofrecidas. Se puedo constatar que la mayoría de los ingresados son jóvenes,
tienen especificidades que son inherentes a la condición juvenil, además de particularidades
sobre sus territorios y grupos de modos de vida y backgruoud educacional, evidenciando que
apoyo financiero es fundamental, sin embargo, la acogida y reconocimiento de estas
especificidades por la institución es fundamental en el proceso de permanencia, sobre todo,
demandando, por un diálogo intercultural.
PALABRAS CLAVE: Acciones afirmativas. UFGInclui. Educación Superior. Negros
Quilombolas. Indígenas.
ABSTRACT: The article presents an analysis of the profile of quota students, black quilombolas
and indigenous people, who entered the Federal University of Catalão in 2020 by the UFG Inclui
Program. Starting from a historical discussion on the racial and ethnic issue in Brazil, we present
the program, its implementation and structure within the university and, finally, we present and
analyze the data. The results express that even though the program has existed since 2008, there
is a low demand in relation to the number of vacancies offered. We verified that most of the
entrants are young, have specificities that are inherent to the juvenile condition, in addition to
particularities about their territories and groups of origin, ways of life and educational
background, showing that financial support is fundamental, however, the reception and
recognition of these specificities by the institution is fundamental in the process of permanence,
above all, demanding by an intercultural dialogue.
KEYWORDS: Affirmative actions. UFGInclui. Higher Education. Black quilombolas. Indigenous
People.
Kamila Evelyn Martins MARQUES e Maria Zenaide ALVES
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introdução
Este artigo é fruto de uma dissertação de mestrado realizada no âmbito do Programa
de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Catalão (UFCAT). É um trabalho
que se insere nos estudos das relações étnico-raciais e das políticas de ação afirmativa no
ensino superior e tem por objetivo apresentar e analisar o perfil dos estudantes cotistas negros
quilombolas e indígenas ingressantes no ano de 2020 em todos os cursos de graduação da
Universidade Federal de Catalão por meio do Programa UFGInclui
3
. Trata-se de uma política
institucional de ações afirmativas que foi implantada pela Universidade Federal de Goiás em
2008 e que reserva duas vagas em cada curso de graduação para candidatos indígenas e
negros quilombolas.
As discussões sobre essa temática possuem uma expressiva notoriedade no âmbito
social, acadêmico, político e educacional brasileiro, sobretudo, no que diz respeito às ações
afirmativas no ensino superior nos últimos anos. Além disso, o apogeu dessas discussões se
deu em virtude da implantação da lei de cotas que foi sancionada em 2012 (BRASIL, 2012) e
que reserva vagas nas Instituições Federais de Ensino Superior brasileiras. Apesar da lei de
cotas ter sido implementada em 2012, anterior a isto algumas universidades estavam
propondo políticas institucionais que garantiam a reserva de vagas a grupos historicamente
excluídos, como foi o caso da Universidade Federal de Goiás com a criação do Programa
UFGInclui (UFG, 2008).
Santos (2017) afirma que foi a partir dos anos de 2002 que o Brasil passou a ter uma
presença marcante das políticas de ações afirmativas voltadas para a democratização do
ingresso no ensino superior para estudantes pretos/pardos, indígenas, quilombolas, com
deficiência e de origem popular. Foi a partir daí que algumas universidades brasileiras criaram
suas próprias políticas e programas para o acesso democrático a universidade. As ações
afirmativas voltadas para o ensino superior, além de agir como mecanismo de correção de
desigualdades no acesso a este nível de ensino, contribuem para a promoção da diversidade
nas universidades, uma vez que promove o ingresso de “sujeitos sociais concretos com outros
saberes, outra forma de construir o conhecimento acadêmico e com outra trajetória de vida,
bem diferentes do tipo ideal de estudante universitário hegemônico e idealizado em nosso
país” (GOMES, 2017, p. 114).
3
O Programa UFGInclui entrou em vigor no dia 01 de agosto de 2008, a partir da Resolução Consuni n°.
29/2008 (UFG, 2008). Trata-se de uma política de ação afirmativa que busca democratizar o acesso e a
permanência nos cursos de graduação da universidade e que tem como público benificiário estudantes indígenas
e quilombolas negros (as) provenientes de escolas públicas.
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Neste sentido, as políticas de ações afirmativas se tornam insurgências que promovem
o questionamento nas estruturas reguladoras, discriminatórias e racistas das universidades,
trazendo modificações na estrutura social, acadêmica e política dessas instituições de ensino.
Tais políticas nos provocam a pensar nas novas reconfigurações raciais e étnicas que estão
surgindo nas universidades públicas brasileiras nos últimos anos. A presença de estudantes
quilombolas e indígenas coloca dentro das universidades corpos e subjetividades
historicamente ausentes do ensino superior e leva para dentro dessas instituições demandas,
questionamentos e necessidades que são próprios das suas experiências na sociedade
brasileira. Mas será que a universidade está preparada para recebê-los? Que conhece esses
sujeitos e sabe das suas especificidades culturais, territoriais e históricas? Será que uma
política de ação afirmativa, por si só, tem o potencial para promover a inclusão desses
estudantes? Será que uma inclusão que apenas os coloca dentro da instituição de ensino, sem
enxergá-los, ouvi-los, conhecê-los, não gera exclusão e desconforto, tornando-os o que
Bourdieu (2007) chamou de excluídos do interior’? Será que inserir esses estudantes em
práticas educativas excludentes e currículos distantes de suas realidades não pode afetá-los
negativamente em seus processos de aprendizagem e estigmatizá-los como fracassados, como
temos visto ao longo da história da educação quando as classes populares tentam sobreviver
dentro de um sistema arquitetado para favorecer uns e desfavorecer outros?
Embora muitas questões nos inquietem, a pergunta que este trabalho se propõe
responder é: quem são os sujeitos ingressantes na UFCAT ano de 2020 por meio de um
programa de ações afirmativas que tem a especificidade de atender dois grupos particulares:
negros quilombolas e indígenas? Para tal foi feito um levantamento quantitativo de dados dos
cotistas negros que ingressaram na universidade pelo Programa UFGInclui no ano de 2020. O
acesso aos dados deu-se no contexto de uma pesquisa de mestrado, submetida ao Comitê de
Ética e Pesquisa (CEP) da UFCAT, aprovada em outubro de 2020. O levantamento se deu a
partir dos dados disponibilizados pelo Centro de Gestão Acadêmica (CGA) da UFCAT,
gerados pelo sistema Analisa Dados da UFG em janeiro de 2021. Também foram utilizados
dados da Comissão Permanente de Heteroidentificação (COMPAD), que forneceu a listagem
de estudantes cotistas que passaram pela Comissão nos processos de seleção do programa
UFGInclui/2020.
Os dados de matrícula fornecidos pela universidade traziam juntos, em uma única
planilha, os ingressantes por ampla concorrência e pelas cotas, com formas de ingresso pelo
Sistema de Seleção Unificada (SISU), por Chamada Pública e pelo Programa UFGInclui. De
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posse de todos os dados, para escrita deste trabalho, foram isolados, inicialmente, os
estudantes que ingressaram pela ampla concorrência e, em seguida, os ingressantes pelo SISU
e pela Chamada Pública, deixando para esta análise apenas os ingressantes por meio do
Programa UFGInclui, sendo os negros quilombolas e indígenas. Os dados foram tabulados em
planilha Excel e analisados à luz do referencial teórico utilizado na pesquisa, buscando
conhecer quem são esses cotistas indígenas e negros quilombolas que ingressaram na UFCAT
em 2020.
Na seção I apresentaremos uma discussão histórica acerca da escravização negra e
indígena no Brasil e o quanto esse processo deixou como herança colonial o racismo
estrutural. Na secção II faremos uma discussão acerca da educação indígena e quilombola
abordando, em especial, a presença desses sujeitos no ensino superior. Além disso,
discutiremos sobre o Programa UFGInclui e como essa importante política de ação afirmativa
tem contribuído para democratização do acesso ao ensino superior. Na seção III,
apresentaremos alguns dados dos cotistas indígenas e negros quilombolas ingressantes na
UFCAT no ano de 2020, bem como a análise destes dados e por fim traremos nossas
considerações finais.
A escravização negra e indígena no Brasil
Antes de conhecermos os sujeitos beneficiários do programa UFGInclui da UFCAT,
iremos nos dedicar a algumas questões com vistas a contextualizar os sujeitos de quem
estamos tratando. As análises aqui apresentadas se fundamentam em autoras e autores, negros
e não negros, que se dedicam, em suas distintas abordagens, a desmistificar a ideia da
existência de uma democracia racial no Brasil, bem como buscam pontuar historicamente o
processo de estruturação do racismo que afeta a vida dos negros, negras e indígenas marcada
por violações e privações de direitos.
Almeida (2019), discutindo o conceito de racismo estrutural, afirma que tal
conceituação é essencial para o debate da questão racial, principalmente por este conceito
indiciar que o racismo estrutural ultrapassa o âmbito da ação individual, pois “evidencia a
dimensão do poder como elemento constitutivo das relações raciais, não somente o poder de
um indivíduo de uma raça sobre outra, mas de um grupo sobre outro” (ALMEIDA, 2019, p.
31). Isso nos provoca a pensar as relações de poder impostas pelos colonizadores aos seus
Indígenas e Quilombolas no Ensino Superior: Uma análise a partir do Programa UFGInclui
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colonizados e do quanto esse processo de dominação e opressão deu fundamento para as
bases do racismo estrutural que ainda perdura nos dias atuais.
O processo de colonização e ocupação do território brasileiro demandou que a
instituição escravista fosse um dos meios utilizados (monocultura e latifúndio) para
impulsionar o sistema econômico da Coroa Portuguesa. A escravização indígena foi inaugural
no contexto brasileiro, antes mesmo da africana. O primeiro contato de colonizadores
portugueses com os indígenas foi marcado pela cristianização e catequização destes, a partir
da ‘Companhia de Jesus’. Logo após esse processo de catequização e aculturação liderado
pelos jesuítas, os colonos iniciaram a escravização indígena por meio da violência, opressão e
até a dizimação de etnias e aldeamentos indígenas. O quantitativo de povos indígenas
diminuiu drasticamente, além de muitos terem morrido por conta das doenças trazidas pelos
colonizadores; outro contingente do povo indígena morreu durante os confrontos diante da
resistência a dominação e escravização imposta (MOURA, 1992). Ou seja, a população
indígena enfrentava o obscurantismo da sua participação na história do país, sendo expostos à
catequização, dominação e transformação pelos europeus que invadiram seus territórios.
a escravização africana foi gradativamente substituindo a indígena. Negros (as)
africanos (as) foram traficados da África e, de forma violenta e arbitrária, foi-lhe estabelecido
a condição de escravizado, condição esta que perdurou de 1549 até 1888, totalizando mais de
trezentos anos de escravização negra africana no Brasil. O fluxo demográfico de negros
africanos e negras africanas vindos da África foi substancial, principalmente no século XVIII,
quando se obteve o maior contingente de negros (as) africanos (as) que foram arrancados (as)
de suas terras e traficados (as) para o solo brasileiro. O controle violento sob os corpos dos
escravizados era uma das formas de garantir o poder, o medo, o trabalho compulsório e a
ordem nas relações senhor-escravo, bem como o fio condutor que sustentou o processo de
escravização. Os negros africanos e as negras africanas, depois de se tornar escravo, foi
desumanizado (a) e tratado (a) como coisa.
Durante o período da escravização negra, os quilombos foram territórios de refúgios e
resistência para negros (as) que não aceitavam a servidão. Localizados em lugares muitas
vezes desconhecido pelos proprietários de escravos e seus capangas, os quilombos
majoritariamente abrigavam remanescentes de negros (as) que fugiam (individual ou
coletivamente) do trabalho escravo, ou seja, estes territórios se tornavam materialização da
resistência e identidade negra. Nestes territórios, negros e negras, além de indígenas, se
acolhiam, se fortaleciam e buscavam possibilidade de vida e liberdade, seja de forma
Kamila Evelyn Martins MARQUES e Maria Zenaide ALVES
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temporária ou permanente (REZENDE, 2012). Nesse período, vários foram os quilombos que
se espalharam no território brasileiro, sendo que alguns quilombos resistiram ao sistema
escravista.
O processo de colonização, seja do negro ou do indígena, segundo Aimé Cesaire
(1977), se deu a partir do contato violento e brutal. Para o autor, o processo colonial europeu
resultou na justificativa de colonizar para civilizar, isto é, o cerne da colonização se soma à
brutalidade e a violência. O autor deixa evidente uma ‘equação’ sobre isto, de que a
colonização, nada mais é, do que a coisificação de um sistema violento e opressor
europeizante que se deu através das relações de dominação e submissão de um grupo sob o
outro. “Entre colonizador e colonizado, lugar para o trabalho forçado, a intimidação, a
pressão, a polícia, o imposto, o roubo, a violação, as culturas obrigatórias, o desprezo, a
desconfiança, a arrogância, a suficiência, a grosseria, as elites descerebradas, as massas
aviltadas” (CÉSAIRE, 1977, p. 25).
O sistema escravista iniciou com a escravização de indígenas e progressivamente foi
sucedido pela escravização africana. Esse processo, além de perdurar por séculos e de modo
conservador, racista e etnocêntrico, contribuiu para o apagamento de toda participação do
povo indígena e negro na formação do Brasil. Sendo o Brasil o último país do ocidente a
abolir a escravidão, em 1888, esse fato não trouxe um projeto concreto de integração dos ex-
escravizados à sociedade, tampouco, para os indígenas. Para estes grupos étnicos e raciais
restaram a exclusão, a desigualdade social e educacional, a marginalização de suas
identidades, a supressão de suas culturas e a invasão de seus territórios.
Nos últimos anos, diversos povos e comunidades tradicionais brasileiras têm
enfrentado obstáculos no que diz respeito a garantia de seus direitos básicos, deixando ainda
mais evidente a violência e a discriminação que ainda perdura e assola historicamente esses
grupos. No que diz respeito aos povos indígenas e as comunidades quilombolas, além de uma
ostensiva agressão aos direitos básicos, esses grupos sofrem com a invasão de seus territórios,
com o assassinato de suas lideranças e com o descaso em relação a saúde básica desses grupos
que têm sofrido com inúmeras doenças como malária, febre amarela, desnutrição e a COVID-
19, que afetou os povos indígenas de forma avassaladora. Além disso, esses grupos são
vítimas de ameaças por ações do agronegócio, de garimpeiros e de uma bancada ruralista que
se apoia em um discurso antiambientalista.
Indígenas e Quilombolas no Ensino Superior: Uma análise a partir do Programa UFGInclui
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Que educação para indígenas e quilombolas?
Antes de falarmos sobre a educação indígena e quilombola, iniciamos este tópico
trazendo o conceito de racismo cotidiano, da autora negra Grada Kilomba (2019), para quem
o racismo cotidiano não é um “‘ataque único’ ou um ‘evento discreto’, mas sim uma
‘constelação da experiência de vida’, uma exposição constante ao perigo’, um padrão
contínuo de abuso’ que se repete incessantemente ao longo da biografia de alguém”
(KILOMBA, 2019, p. 80). Este conceito nos ajuda a compreender o quanto as vidas das
pessoas quilombolas e indígenas foram e ainda são constantemente ameaçadas pelo
extermínio. Não somente as vidas desses grupos, mas também suas histórias, suas culturas,
suas línguas maternas, seus territórios, suas ancestralidades estão em incessante perigo.
A vida, a subjetividade, a estética, a religiosidade, a cultura e o cotidiano da população
negra e indígena são ameaçados pelo racismo e pelo etnocentrismo. O racismo e o
etnocentrismo que aqui existia, desde a época da colonização, se incorporaram ainda mais
após o surgimento das primeiras teorias de cunho deterministas que chegaram ao Brasil nos
séculos XIX e XX. As teorias deterministas tinham por objetivo classificar a humanidade em
raças, atribuindo caráter hierárquico e negativo a pretextos físicos, intelectuais e morais de
determinados grupos. O povo negro e os povos indígenas eram considerados ‘raça inferiores’
por essa perspectiva teórica, portanto, foram classificados como inferiores, selvagens e
atrasados.
Enviesados por essas concepções racistas, rios foram os decretos sancionados pelo
Estado Brasileiro que impediam a escolarização formal da população negra no Brasil, tanto
durante o período de escravização quanto posteriormente. Almeida e Sanchez (2016) apontam
que a inserção da população negra no sistema educacional se deu de maneira bastante
dificultosa, sendo o negro muitas vezes excluído das determinações sancionadas na época.
Libby e Paiva (2000) afirmam que, para os poucos negros que conseguiam acesso a
escolarização formal, o ensino primário era o único nível a ser alcançado, sendo que nos
níveis mais elevados de ensino havia uma predominância significativa de pessoas brancas da
elite.
No caso dos indígenas, o período colonial foi marcado por escolas que catequizavam
os considerados ‘selvagens’, sob uma perspectiva etnocêntrica, que estigmatizava e
inferiorizava os indígenas, por isso a catequese foi um meio de cristianizar/catequisar os
povos originários, destituindo-os de suas culturas, seus saberes, suas religiosidades, suas
identidades. Segundo Gomes (2012, p. 53), o etnocêntrico;
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[...] não alimenta necessariamente o desejo de aniquilar e destruir o outro,
mas, sim, de evitá-lo ou até mesmo de transformá-lo ou convertê-lo, pois
carrega em si a ideia de recusa da diferença e cultiva um sentimento de
desconfiança em relação ao outro, visto como diferente, estranho ou até
mesmo como um inimigo potencial.
O processo de catequização dos povos indígenas produziu “marcas profundas de
desvalorização das línguas nativas e de desmantelamento de organizações e práticas sociais e
a escola também passou a fazer parte da vida desses povos” (BERGAMASCHI; DOEBBER;
BRITO, 2018, p. 38). Este histórico resultou em relações sociais estruturadas pelas
desigualdades étnico-raciais, que sustentam a tese do racismo estrutural e de um
etnocentrismo, caracterizado por um conjunto de práticas historicamente arraigadas na nossa
sociedade, que afetam as estruturas, se reproduzem e se reconfiguram a cada tempo-espaço,
de modo que se reverberam nas subjetividades da população negra e indígena. Esse histórico
acabou por produzir também um cenário de ‘apartheid’ à brasileira, com esses dois grupos,
indígenas e negros, ocupando territórios quase que exclusivos para eles. Os negros que
conseguiram sua liberdade antes de 1888 se refugiavam nos quilombos; após este período,
restou-lhes os morros e as encostas das grandes cidades; e os indígenas sobreviveram tentando
resistir em suas aldeias, afastados dos predadores brancos. Isso manteve esses grupos
distantes de qualquer possibilidade de acesso aos bens e serviços disponibilizados aos bancos
colonizadores, como a escola.
As comunidades remanescentes de quilombos são exemplos disso, pois trata-se de
grupos étnico-raciais que possuem trajetórias históricas próprias e relações territoriais
especificas, tendo como essência a ancestralidade negra africana. Miranda (2018, p. 194)
enfatiza que os quilombos no território brasileiro “constituem um fenômeno histórico e
político que atravessa a construção da nação brasileira e diz respeito à diáspora africana”.
Os quilombos no Brasil resistiram e têm resistido e lutado ao longo de mais de dois
séculos. Nesse processo de insurgência, essas comunidades sofreram - e ainda sofrem - com
os artifícios do apagamento histórico, material, simbólico e territorial de suas comunidades.
Nesse sentido, a educação quilombola se mantém em disputa, uma vez que foi historicamente
negligenciada e apagada, na maioria das vezes, pautada por ações pedagógicas pouco
reflexivas, currículos eurocentrados que desvalorizam a herança indígena e africana e
desconhecem o contexto das comunidades quilombolas de seu próprio território. Desse modo,
os diferentes acabam se tornando os invisíveis de um processo educativo eurocêntrico e
racista que sempre invisibilizou e apagou o que é distinto.
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Existem diversas comunidades remanescentes de quilombos no estado de Goiás
4
,
sendo, portanto, elemento fundamental na articulação dos povos do campo e das populações
afrodescendentes. Atualmente, muitas comunidades remanescentes de quilombos possuem
inspiração nas culturas de matriz africana e congregam, em sua forma de organização de laços
de solidariedade, resistência negra e o uso coletivo da terra, a fim de que, por meio destes se
fortaleça a luta pelos direitos à liberdade e emancipação dessas comunidades. no território
goiano existem quatro povos indígenas aldeados: Carajás, Tapuio, Javaé e Avá-Canoeiro.
Ademais, a insurgência das comunidades negras contemporâneas, rurais e urbanas,
que resistiram aos artifícios de apagamento material e simbólico a que foram submetidas
demarca ângulos da produção acadêmica. Diante das desigualdades sociais e educacionais que
assolam tanto negros quilombolas quanto indígenas, surge a necessidade do Estado de lançar
um olhar atento a estes grupos. Nesse sentido, as ações afirmativas visam reparar danos
imputados àqueles sujeitos que foram sistematicamente marginalizados e excluídos
historicamente da sociedade. Portanto, o papel do Estado e das instituições públicas e privadas
no reconhecimento das desigualdades étnicas e raciais é fundamental, por meio de políticas de
ação afirmativa, que buscam corrigir as desigualdades dos grupos sociais historicamente
discriminados, objetivando a equidade.
Neste sentido, as políticas educacionais de ações afirmativas constituem mecanismo
essencial para a concretização da equidade no acesso e permanência desses sujeitos no
sistema de ensino, visto que as ações afirmativas, de iniciativas públicas ou privadas, têm a
finalidade de alterar realidades sociais. Aplicadas à educação essas políticas são tidas como
políticas compensatórias, que se inserem no campo da luta contra as desigualdades
educacionais para grupos desfavorecidos. (SANTOS, 2018).
A Lei 10.639/03 (BRASIL, 2003), modificada cinco anos depois pela Lei n°
11.645/08 (BRASIL, 2008), foi uma grande conquista para negras/os e indígenas que pela
primeira vez na história da educação brasileira tem garantia legal que suas histórias, suas
culturas devem se fazer presentes no currículo da educação básica. Ou seja, o que antes se
limitava a uma “escolha pedagógica” do docente, passa a ser obrigatório nos estabelecimentos
4
Nova Roma; Silvania; Cavalcante; Monte Alegre de Goiás; Teresina de Goiás; Santa Rita do Novo Destino;
Mineiros; Minaçu; Posse; Aparecida de Goiânia; Uruaçu; São Luiz do Norte; Cidade Ocidental; Iaciara;
Cromínia, Monte Alegre de Goiás, Barro Alto; Campos Belos, São João d’Aliança; Colinas do Sul; Trindade;
Cristalina; Mimoso de Goiás; Padre Bernardo; Flores de Goiás; Niquelândia; Alto Paraiso; Piracanjuba; Abadia
de Goiás; Simolândia; Divinópolis de Goiás; Faina; Goianésia; Palmeira de Goiás; Itumbiara; Cachoeira
Dourada; Nova Gama; Cidade de Goiás; Pirenópolis, Santa Cruz de Goiás; Caiapônia; Matrinchã; Vila Propício;
Pilar de Goiás; Corumbá de Goiás, Iporá.
Kamila Evelyn Martins MARQUES e Maria Zenaide ALVES
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de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados. Essa mudança na LDB causa
(ou deveria causar) impacto direto nos cursos de licenciatura, haja vista que para cumprir a lei
é necessário que as professoras e os professores recebam formação que os preparem para tal
desafio, todavia não é isso que tem acontecido. No caso da UFCAT, uma análise feita por
Alves, Alves e Sousa (2020) nos PPCs dos cursos de licenciatura da instituição evidenciou
que as questões étnico-raciais não estão contempladas como componente curricular na
maioria das treze licenciaturas ofertadas. No ano em que foi feito o levantamento (2018),
apenas o curso de História tinha um componente curricular que tratava da história das
populações negras e indígenas. Supõe-se que a existência da disciplina se deve muito mais ao
objetivo do curso do que propriamente a contemplar as demandas colocados aos futuros
professores pela legislação vigente. Embora seja apenas um caso, sabemos que esta é uma
realidade nos cursos de formação de professores de um modo geral, reflexo de uma lacuna na
própria lei que, ao propor alteração no currículo da educação básica não previu alteração
também nos currículos dos futuros professores deste nível de ensino. Uma expectativa de que
este quadro melhore está no recém-criado Ministério da Igualdade Racial (MIR), que abriga a
Secretaria de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz
Africana, Povos de Terreiros e Ciganos que tem como objetivo atuar na coordenação,
formulação, planejamento, monitoramento e avaliação de políticas blicas voltadas para
esses povos e comunidade tradicionais brasileiras.
É inegável que o advento das ações afirmativas no ensino superior tem provocado
mudanças no perfil discente das instituições, sobretudo, no que se refere a organização
acadêmica, a didática, o currículo, a avaliação e as próprias relações interpessoais dentro das
instituições evidenciando, como defende Arroyo (2012), que se faz necessário pensar outras
pedagogias. Assim, o respeito às singularidades dos povos indígenas e quilombolas é uma
demanda urgente ao currículo, visto que são questões que diretamente contribuem para
permanência e conclusão exitosa destes sujeitos no Ensino Superior. Amoras, Costa e Silva
(2019) enfatizam que no ensino superior uma das principais dificuldades que comprometem a
permanência de indígenas e quilombolas são as situações de racismo institucional. Além do
mais, as autoras afirmam que as matrizes curriculares e os projetos pedagógicos dos cursos,
na maioria das vezes, naturalizam o racismo institucional e não reconhecem a possibilidade de
diálogo entre os saberes destes grupos com os saberes produzidos pela academia. Ou seja,
esse fato, aliado à falta de representatividade e diversidade na instituição, acaba distanciando
esses sujeitos da universidade e, desse modo, erguem barreiras que impedem a permanência e
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a conclusão do curso com qualidade. Nesse sentido, a universidade além de ampliar e
democratizar o acesso, por meio das ações afirmativas, deve respeitar as culturas, as etnias, as
línguas, as cosmologias, epistemologias e os modos de ser e ver o mundo desses grupos
étnico-raciais, garantindo-lhes o ingresso, a permanência e a conclusão de seus cursos.
O programa UFGInclui
O Programa UFGInclui, criado na UFG no ano de 2008, tem como objetivo ampliar e
democratizar o acesso à universidade pública, bem como garantir a permanência e o
desempenho acadêmico das minorias étnicas-raciais. Sobre a elaboração e tramitação da
política de ação afirmativa UFGInclui, Rosa (2013), explica que o processo para apreciação
do programa foi aberto no dia 22 de junho de 2007, obtendo a sua aprovação somente em
2008. O processo de elaboração e implementação do programa se deu a partir de um amplo
debate acadêmico, com o envolvimento de professores, coordenadores de cursos de graduação
da UFG, diretores de instituições públicas e privadas (ensino médio) e atores dos movimentos
sociais, sendo levado em consideração as discussões fomentadas pelo Seminário Ações
Afirmativas na UFG, em 2007, que teve o objetivo de fomentar novas discussões e propor
ações acerca do acesso e a permanência de estudantes de origem popular que ingressam na
universidade (ROSA, 2013). Mesmo sendo uma das primeiras políticas instauradas, alguns
documentos e propostas de ações afirmativas de outras instituições de ensino superior, de
outros estados, foram discutidos e analisados nessa fase de debate e construção da política
com a finalidade de construir uma política mais estruturada e delineada.
O documento da Resolução é dividido em quatro (04) seções, sendo: I- Fundamentos e
Objetivos; II- Ações a serem realizadas; III- Detalhamento dos indicadores e recursos; IV-
Gerenciamento do Programa UFGInclui. Vale ressaltar que o documento cita algumas ações a
serem desenvolvidas antes do ingresso, ações a serem realizadas no ingresso e ações
posteriores ao ingresso (UFG, 2008). Além do mais, a resolução do Programa UFGInclui
aponta também que todas as ações passarão por um processo de avaliação, de caráter
experimental e processual, com o objetivo acompanhar e garantir melhor redirecionamento da
política para os anos posteriores.
A resolução do programa ressalta que o direito a uma educação de qualidade não é um
direito de todos, e que o Brasil possui profundas desigualdades. Nesse sentido, a UFG,
instituição social inserida neste contexto social, político e econômico, tem como
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responsabilidade corroborar com a superação da desigualdade que tanto afeta os segmentos
menos favorecidos e que foram historicamente marginalizados na sociedade. Muitos desses
estudantes que não tiveram direito a um ensino de qualidade, na sua maioria, são pertencentes
a segmentos menos favorecidos da sociedade, ou seja, tiveram uma formação básica
fragilizada. Diante disto, podemos perceber que existe uma expressiva desigualdade no que
concerne o momento de ingresso dos estudantes na universidade pública, sobretudo, para
os ingressantes que não tiveram acesso a uma educação básica de qualidade.
É necessário, para tanto, investimentos material e humano, bem como
recursos e tempo. Entre essas práticas incluem-se as que são desenvolvidas
pela formação universitária, razão pela qual este programa se propõe a
combinar ações de apoio ao ingresso e permanência dos estudantes oriundos
das escolas públicas nos cursos de graduação da UFG, a serem realizadas
antes, durante e após o Processo Seletivo (UFG, 2008, p. 8).
É importante ressaltar que, sobre isto, o documento enfatiza que esse ensino básico
fragilizado, parte de um processo histórico de sucateamento e deterioração gradual da
educação básica brasileira. Portanto, os grupos pertencentes às camadas mais privilegiadas da
sociedade possuem condições materiais, financeiras e culturais que não devem ser
comparadas aos grupos menos favorecidos, visto que existe uma distorção na ‘linha de
partida’ entre estes grupos. É importante ressaltar que a própria resolução do programa propõe
como ações a serem desenvolvidas antes do ingresso “Reformular os Programas das provas do
Processo Seletivo da UFG mediante uma interlocução efetiva com o Ensino Médio,
especialmente com as Escolas Públicas” (UFG, 2008. p. 3).
A criação do programa UFGInclui teve a influência de duas propostas de políticas
institucionais anteriores à sua aprovação. A primeira proposta, intitulada, UFGInclui:
Programa de Inclusão social da UFG’, foi apresentada pela Reitoria e tinha como público alvo
apenas os estudantes provenientes de escola pública. a segunda proposta, ‘Programa de
Ação Afirmativa de escolas públicas, negros (as), indígenas e negros (as) quilombolas na
UFG’ foi uma proposição de alguns professores universitários e movimentos sociais. A
segunda proposta buscava atender não somente os estudantes advindos de escolas públicas,
como também negros (as), indígenas e quilombolas. A autora reitera ainda que as duas
propostas tiveram bastante notoriedade acadêmica na época e contribuíram para a estruturação
e elaboração do texto final da Resolução do Programa UFGInclui.
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Indígenas e quilombolas ingressantes em 2020
A análise dos dados advindos do levantamento realizado nos possibilitou compreender
e conhecer um pouco desses estudantes que ingressaram na UFCAT pelo Programa
UFGInclui no ano de 2020, um total de 12 estudantes, sendo 8 quilombolas e 4 indígenas.
Inicialmente, o que nos chamou atenção foi o número baixo de ingressantes, uma vez que a
instituição possuía naquele ano 23 cursos de graduação, o que significa que a universidade
dispunha de 46 vagas a serem preenchidas pelo Programa. Portanto, é significativo que apenas
26% das vagas foram preenchidas em um programa de inclusão que existe há quatorze anos.
Isso nos provoca a pensar em diversas possibilidades para essa baixa procura: seria por
desconhecimento do programa? Dificuldade de acesso? Falta de apoio para participar do
processo seletivo, que é presencial? A resolução do programa propõe ampliar o número de
isenções de taxas do Processo Seletivo, a fim de estimular a participação de estudantes de
escolas públicas, mas será que isso está ocorrendo? Enfim, são questões que ainda estão em
aberto e que a universidade deve discutir e pensar maneiras e estratégias para reverter essa
grave situação, principalmente por percebermos que essa baixa procura se deu também em
anos anteriores: em 2019 foram apenas 6 ingressantes (5 quilombolas e 1 indígena) e no ano
de 2018 a instituição recebeu apenas 7 ingressantes (4 quilombolas e 3 indígenas) pelo
Programa.
Ao analisarmos a idade dos ingressantes em 2020, verificamos que 11 deles estavam
na faixa etária entre 20 e 29 anos, sendo apenas um ingressante com idade acima desta faixa
etária, o que revela um caráter majoritariamente jovem desses sujeitos. O Estatuto da
Juventude (BRASIL, 2013) define como jovens os sujeitos na faixa etária entre 15 e 29 anos.
Analisando este grupo social, Dayrell (2003) sinaliza que os jovens possuem especificidades
distintas, necessidades, anseios e dilemas que são vivenciados por sua condição juvenil, ou
seja, não se trata apenas de uma juventude, de um modo único de ser e pensar a juventude,
mas sim de juventudes plurais. A condição juvenil é vivenciada de forma plural, possui
especificidades que marcam as vivencias e subjetividades de cada sujeito, dada à sua condição
social, cultural, econômica, étnica, racial, religiosa e até mesmo geográfica e para as
juventudes dos sujeitos desse Programa ainda mais questões a se pensar. Neste caso, é
importante considerar que esses jovens, originários de comunidades indígenas e quilombolas,
chegam à universidade com um universo cultural distinto entre eles e entre a própria cultura
acadêmica, o que evidencia a necessidade de a instituição considerá-los a partir das suas
demandas socioculturais e da sua condição juvenil.
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Verificando a Unidade Federativa (UF) de naturalidade de cada ingressante, podemos
perceber uma certa diversidade geográfica desses cotistas. Apesar de quase metade ter nascido
no estado de Goiás (05), percebemos a presença de sujeitos nascidos no Mato Grosso (02);
Alagoas (01); Minas Gerais (01); Bahia (01) e Distrito Federal (01). Vale ressaltar que o
estado de Goiás possui mais de 117 comunidades quilombolas, espalhadas em 50 municípios.
as comunidades indígenas estão localizadas em cinco regiões, sendo quatro grupos
indígenas habitantes do estado: os Karajás, de Aruanã; os Tapuios do Carretão, em Rubiataba
e Nova América; os Javaé, de Serra Caiapó; e os Avá-Canoeiro, em Colinas do Sul e Minaçu.
São jovens que muitas vezes deixam suas aldeias e comunidades para vivenciar uma
cultura e realidade que é distinta, principalmente por se tratar de uma instituição situada no
interior do estado. Além de viverem longe de seus territórios e culturas, o que causa um
certo receio, muitos ainda vivem longe de seus familiares, não possuindo uma rede de apoio
familiar por perto, principalmente diante das dificuldades acadêmicas e o acadêmicas. Eles
deixam de estar em seus territórios tradicionais, deixam de estar inteiramente inseridos nas
suas aldeias, suas culturas, suas línguas, seus rituais, para vivenciarem um ambiente estranho
e que, muitas vezes, hostiliza a presença desses sujeitos nesses espaços. Além do mais, a
universidade não deve limitar o seu olhar aos discentes somente dentro da universidade, pois
elementos que se dão fora dela também implicam na permanência destes jovens na instituição
de ensino, principalmente em 2020, com a pandemia de COVID-19.
Estes sujeitos migram para Catalão (sozinhos ou acompanhados), buscam moradia,
emprego e formas de sobreviver e permanecer dentro e fora da universidade. Nesse sentido, a
universidade deve lançar um olhar para as especificidades desses sujeitos que, na maioria das
vezes, necessitam de apoio financeiro ou até mesmo um acolhimento mais cuidadoso e
planejado, até se ambientarem e se acostumarem com a organização da universidade
(programas de apoio financeiro, pedagógico e psicológico, relação institucional com os
estudantes, ações de acompanhamento e promoção da permanência e da conclusão do curso) e
também para compreenderem como funciona a dinâmica da cidade onde situa a universidade
(banco, supermercado, hospital, etc). É fato que a maioria desses estudantes se encaixa nos
critérios do Programa Bolsa Permanência do MEC, programa criado em 2013 por meio da
Portaria 389, que, em seu artigo assegura como primeiro objetivo “viabilizar a
permanência, no curso de graduação, de estudantes em situação de vulnerabilidade
socioeconômica, em especial os indígenas e quilombolas” (BRASIL, 2013, n.p.), mas isso não
é garantia de que contarão com este suporte, posto que nem sempre os recursos destinados à
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universidade são suficientes para atender à demanda, principalmente após os inúmeros cortes
orçamentários que o Ensino Superior sofreu nos últimos anos.
No que tange aos aspectos político-pedagógicos, o desafio a esses estudantes é serem
acolhidos nas suas subjetividades. De acordo com Gomes (2011) as instituições educacionais
possuem um padrão de ensino, de estudantes e de professor a ser seguido; um padrão que
incorpora uma noção de homem, de mulher e de sujeito social no qual não se enquadram
todos os sujeitos do processo educativo. Neste sentido, nos surge a preocupação em relação ao
olhar que a universidade tem para estes sujeitos negros quilombolas e indígenas que estão
adentrando o espaço acadêmico. A universidade tem adotado políticas institucionais que
reconhecem e valorizam esses sujeitos, suas histórias, suas línguas maternas, suas referências
culturais, suas terras e comunidades? Como tem sido o acolhimento destes jovens no ensino
superior? Os professores (as) e coordenadores de curso têm conhecimento da existência de um
programa que reserva vagas de ingresso a estas minorias e de quem são esses grupos? Estas e
outras indagações nos surgem no decorrer do exercício interpretativo dos dados analisados.
Garantir a democratização do ingresso foi uma grande conquista para a população
negra quilombola e indígena, no entanto, estes sujeitos, além de adentrar este espaço, querem
permanecer ali com respeito e dignidade. Bergamaschi et al. (2018) enfatizam que é
necessário que a universidade acompanhe os estudantes cotistas, uma vez que, é por meio da
convivência, participação e do acompanhamento contínuo que a universidade poderá fazer
uma “autorreflexão sobre as práticas pedagógicas da instituição de ensino superior e seu papel
social” (BERGAMASCHI et al., 2018, p. 37). Além do mais, as autoras afirmam que garantir
a permanência dos estudantes indígenas ainda é um desafio para as universidades. Muitos
estudantes cotistas vivenciam dificuldades de aprendizagem e financeiras, bem como passam
por situações de racismo, o que acaba prejudicando na sua experiência universitária.
Sabemos que estes grupos possuem tradições, culturas, modos de viver e assimilar o
mundo que os cercam. Como bem disse Arroyo (2012), outros sujeitos demandam outras
pedagogias, pedagogias que devem respeitar as especificidades, culturas e saberes destes
grupos étnico-raciais. Neste sentido, uma universidade que se preocupa com a questão
intercultural, demanda sua atenção para o reconhecimento aos povos indígenas originários e
afrodescendentes, valorizando suas culturas, seus saberes, seus modos de produção de
conhecimento e seus diversos modos de aprendizagens, possibilitando a inclusão de
populações historicamente excluídas das universidades tradicionais (negros quilombolas e
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indígenas) com a finalidade de democratizar e melhorar o acesso, a permanência e as
possibilidades de profissionalização futura dessas populações.
Outro dado relevante diz respeito aos cursos escolhidos por estes ingressantes. O curso
de medicina foi o que maior procura e teve três ingressantes, sendo 2 negros quilombolas e 1
indígena. Considerado um ‘curso de elite’, podemos evidenciar um grande avanço dessa ação
afirmativa, uma vez que, alguns anos, era improvável a presença de corpos negros
quilombolas e indígenas nesses espaços de poder, seja na universidade pública quanto nas
instituições privadas. Os outros ingressantes foram nos seguintes cursos: enfermagem (01);
ciências biológicas (01); educação física (02); pedagogia (01); história (01); geografia (01) e
matemática (01). Vale ressaltar que dos 12 ingressantes, 6 são do sexo feminino e 6 são do
sexo masculino.
Corroboramos com as afirmações de Bergamaschi et al. (2018) que afirmam que estes
novos atores que estão vindo a surgir no espaço acadêmico possuem um perfil distinto
daqueles que as universidades públicas costumam receber, sendo sujeitos com condições
econômicas, culturais e históricas diferenciadas, uma vez que possuem especificidades
regionais e organizações coletivas distintas. As autoras ressaltam que é de suma importância
que a universidade conheça os sujeitos beneficiários das ações afirmativas, haja vista que isso
possibilitará que a instituição possa avaliar os caminhos que pretende seguir, abrindo
pequenas trilhas para que efetivamente diálogos interculturais ocorram nesses espaços
historicamente elitizados e embranquecidos.
Considerações finais
A sociedade brasileira foi fundada e organizada a partir de um dispositivo de violência
e opressão colonial que violentou (e violenta) e exterminou (e extermina) negros e indígenas.
Os atos de violência foram (e continuam sendo) praticados tanto com a população indígena no
momento da invasão do país, como também contra a população negra africana e seus
afrodescendentes que foram sequestrados do continente africano e aqui escravizados (as).
Mesmo após o fim do sistema escravistas, estes grupos sofreram e ainda sofrem com o
racismo estrutural e o etnocentrismo. Logo, as ações afirmativas surgem no sentido propiciar
uma reparação histórica, possibilitando avanços e conquistas para a população negra e aos
povos indígenas.
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Esta análise, embora preliminar e limitada a apenas um ano de ingresso, evidenciou o
potencial deste tipo de programa e a necessidade de um maior investimento em divulgação
para que a informação chegue a quem tem direito. As desigualdades de acesso ao ensino
superior por esses grupos historicamente excluídos ficam ainda mais latentes quando
percebemos a pouca procura pelas vagas ofertadas, o que pode sinalizar que esses sujeitos
ainda estão distantes do ensino superior ou sequer conseguem sonhar com este nível de
ensino. Ademais, as reflexões aqui apresentadas sinalizam para questões que precisam está na
pauta das políticas de ações afirmativas, o acompanhamento da política e dos sujeitos
beneficiários depois que entram na universidade.
A maioria dos jovens e das jovens que ingressaram no ano analisado são recém-saídos
(as) do ensino médio e oriundos (as) de comunidades de fora do município do Catalão, o que
exige para esses sujeitos um olhar atento da universidade e dos cursos onde estão alocados.
Sabemos que a concessão de auxílio financeiro é de suma importância para permanência na
universidade, todavia, outras questões devem ser levadas em conta pela instituição, tal como
acolhimento, moradia, saúde física e mental, diálogo intercultural, alimentação, transporte,
etc. No caso dos sujeitos beneficiários do programa UFGInclui, trata-se de jovens que saíram
de seus territórios e comunidades para vivenciar uma realidade e cultura completamente
diferente da qual foram socializados. Nesse sentido, as ações e políticas de ingresso,
permanência e conclusão voltadas para esse público devem considerar não apenas a
permanência dentro da universidade, como também a vivência fora dela.
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estudantes de origem popular nos cursos de saúde da Universidade Federal do Recôncavo da
Bahia (UFRB). Revista Contemporânea de Educação, v. 12, n. 23, jan./abr. 2017.
Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/rce/article/view/3229. Acesso em: 24 nov.
2022.
UFG. Universidade Federal de Goiás. Resolução CONSUNI nº. 29 de 1 de agosto de 2008.
Cria o Programa “UFG-Inclui” na Universidade Federal de Goiás e dá outras providências.
Goiânia: UFG, 2008. Disponível em:
https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/90/o/resolucao_consuni_2008_0029.pdf. Acesso em: 10
jun. 2022.
Kamila Evelyn Martins MARQUES e Maria Zenaide ALVES
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) pela bolsa de mestrado acadêmico em educação concedida.
Agradecemos ainda os dados disponibilizados pelo Centro de Gestão Acadêmica (CGA)
da UFCAT e também Comissão Permanente de Heteroidentificação (COMPAD), que
forneceu a listagem de estudantes cotistas que passaram pela Comissão nos processos de
seleção do programa UFGInclui/2020.
Financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES)
Conflitos de interesse: Não há conflito de interesses.
Aprovação ética: Respeitamos o CEP, inclusive a pesquisa de mestrado foi submetida ao
Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da UFCAT em outubro de 2020 e foi aprovado em
novembro de 2020.
Disponibilidade de dados e material: Temos acesso a planilha de dados de matrícula dos
estudantes cotistas negros do ano de 2020 que foi fornecido pelo Centro de Gestão
Acadêmica (CGA) da universidade e também pela Comissão Permanente de
Heteroidentificação.
Contribuições dos autores: A escrita do trabalho constituiu-se a partir de parceria
participativa entre as autoras, resultado da relação orientadora/orientanda durante a
pesquisa de mestrado e, subsequentemente, na organização e escrita do artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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COMUNIDADES INDÍGENAS Y QUILOMBOLAS EN LA EDUCACIÓN
SUPERIOR: UN ANÁLISIS A PARTIR DEL PROGRAMA UFGINCLUI
INDÍGENAS E QUILOMBOLAS NO ENSINO SUPERIOR: UMA ANÁLISE A PARTIR
DO PROGRAMA UFGINCLUI
INDIGENOUS AND QUILOMBO PEOPLE IN HIGHER EDUCATION: AN ANALYSIS
BASED ON THE UFGINCLUI PROGRAM
Kamila Evelyn Martins MARQUES1
e-mail: kamilaevilyn@gmail.com
Maria Zenaide ALVES2
e-mail: zenpiaui@ufcat.edu.br
Cómo hacer referencia a este artículo:
MARQUES, K. E. M.; ALVES, M. Z. Comunidades Indígenas y
Quilombolas en la Educación Superior: Un análisis a partir del
Programa UFGInclui. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17712
| Enviado en: 02/08/2023
| Revisiones requeridas el: 25/03/2023
| Aprobado el: 16/04/2023
| Publicado el: 18/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Federal de Catalão (UFCAT), Catalão GO Brasil. Maestría por el Programa de Posgrado en
Educación.
2
Universidad Federal de Catalão (UFCAT), Catalão GO Brasil. Docente del Programa de Posgrado en
Educación. Doctorado en Educación (UFMG).
Comunidades Indígenas y Quilombolas en la Educación Superior: Un análisis a partir del Programa UFGInclui
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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RESUMEN: El artículo presenta un análisis del perfil de los estudiantes de cuotas, negros
quilombolas e indígenas, que entraron en la Universidad Federal de Catalão en 2020 por medio
del Programa UFGInclui. Partiendo de una discusión histórica sobre la cuestión racial y étnica en
Brasil, presentamos un programa, su implementación y estructura en el ámbito de la universidad
y, finalmente, presentamos y analizamos los datos. Los resultados expresan que, aunque el
programa estuviera extinguido desde el 2008, hay una baja demanda con relación al número de
vacantes ofrecidas. Se puedo constatar que la mayoría de los ingresados son jóvenes, tienen
especificidades que son inherentes a la condición juvenil, además de particularidades sobre sus
territorios y grupos de modos de vida y backgruoud educacional, evidenciando que apoyo
financiero es fundamental, sin embargo, la acogida y reconocimiento de estas especificidades por
la institución es fundamental en el proceso de permanencia, sobre todo, demandando, por un
diálogo intercultural.
PALABRAS CLAVE: Acciones afirmativas. UFGInclui. Educación Superior. Negros
Quilombolas. Indígenas.
RESUMO: O artigo apresenta uma análise do perfil dos estudantes cotistas negros quilombolas
e indígenas, que entraram na Universidade Federal de Catalão em 2020 pelo Programa
UFGInclui. Partindo de uma discussão histórica sobre a questão racial e étnica no Brasil,
apresentamos o programa, sua implementação e estruturação no âmbito da universidade e, por
fim, apresentamos e analisamos os dados. Os resultados expressam que mesmo o programa
existindo desde 2008, uma baixa demanda em relação ao número de vagas ofertadas. Foi
constatado que a maioria dos ingressantes são jovens, possuem especificidades que são inerentes
à condição juvenil, além de particularidades acerca de seus territórios e grupos de origem,
modos de vida e background educacional, evidenciando que apoio financeiro é fundamental, no
entanto, o acolhimento e o reconhecimento dessas especificidades pela instituição é fundamental
no processo de permanência, sobretudo, demandado por um diálogo intercultural.
PALAVRAS-CHAVE: Ações afirmativas. UFGInclui. Ensino Superior. Negros quilombolas.
Indígenas.
ABSTRACT: The article presents an analysis of the profile of quota students, black quilombolas
and indigenous people, who entered the Federal University of Catalão in 2020 by the UFGInclui
Program. Starting from a historical discussion on the racial and ethnic issue in Brazil, we present
the program, its implementation and structure within the university and, finally, we present and
analyze the data. The results express that even though the program has existed since 2008, there
is a low demand in relation to the number of vacancies offered. We verified that most of the
entrants are young, have specificities that are inherent to the juvenile condition, in addition to
particularities about their territories and groups of origin, ways of life and educational
background, showing that financial support is fundamental, however, the reception and
recognition of these specificities by the institution is fundamental in the process of permanence,
above all, demanding by an intercultural dialogue.
KEYWORDS: Affirmative actions. UFGInclui. Higher Education. Black quilombolas. Indigenous
People.
Kamila Evelyn Martins MARQUES y Maria Zenaide ALVES
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introducción
Este artículo es el resultado de una tesis de maestría realizada en el ámbito del
Programa de Posgrado en Educación de la Universidad Federal de Cataluña (UFCAT). Se
trata de un trabajo que forma parte de los estudios de relaciones étnico-raciales y políticas de
acción afirmativa en la educación superior y tiene como objetivo presentar y analizar el perfil
de los estudiantes negros, quilombolas e indígenas de cuota que ingresan en el año 2020 en
todos los cursos de graduación de la Universidad Federal de Cataluña a través del Programa
UFGInclui
3
. Se trata de una política institucional de acción afirmativa que fue implementada
por la Universidad Federal de Goiás en 2008 y que reserva dos vacantes en cada curso de
graduación para candidatos indígenas y negros quilombolas.
Las discusiones sobre este tema tienen una notoriedad significativa en la esfera social,
académica, política y educativa brasileña, especialmente en lo que se refiere a la acción
afirmativa en la educación superior en los últimos años. Además, el apogeo de estas
discusiones se debió a la implementación de la ley de cuotas que fue sancionada en 2012
(BRASIL, 2012) y que reservas vacantes en las Instituciones Federales de Educación Superior
brasileñas. A pesar de que la ley de cupos fue implementada en 2012, antes de eso algunas
universidades ya proponían políticas institucionales que garantizaban la reserva de vacantes a
grupos históricamente excluidos, como fue el caso de la Universidad Federal de Goiás con la
creación del Programa UFGInclui (UFG, 2008).
Santos (2017) afirma que fue a partir de 2002 que Brasil comenzó a tener una marcada
presencia de políticas de acción afirmativa dirigidas a democratizar el acceso a la educación
superior para estudiantes negros/latinos, indígenas, quilombolas, discapacitados y de bajos
ingresos. Fue a partir de allí que algunas universidades brasileñas crearon sus propias políticas
y programas para el acceso democrático a la universidad. Las acciones afirmativas dirigidas a
la educación superior, además de actuar como mecanismo de corrección de las desigualdades
en el acceso a este nivel educativo, contribuyen a la promoción de la diversidad en las
universidades, ya que promueve el ingreso de "sujetos sociales concretos con otros saberes,
otra forma de construir el conocimiento académico y con otra trayectoria de vida, muy
diferente al tipo ideal de estudiante universitario hegemónico e idealizado de nuestro país"
(GOMES, 2017, p. 114, nuestra traducción).
3
El Programa UFGInclui entró en vigor el de agosto de 2008, a partir de la Resolución Consuni No. 29/2008
(UFG, 2008). Se trata de una política de acción afirmativa que busca democratizar el acceso y la permanencia en
los cursos de pregrado de la universidad y que tiene como público beneficiario a estudiantes negros indígenas y
quilombolas de escuelas públicas.
Comunidades Indígenas y Quilombolas en la Educación Superior: Un análisis a partir del Programa UFGInclui
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En este sentido, las políticas de acción afirmativa se convierten en insurgencias que
promueven el cuestionamiento en las estructuras normativas, discriminatorias y racistas de las
universidades, trayendo cambios en la estructura social, académica y política de estas
instituciones educativas. Tales políticas nos llevan a pensar en las nuevas reconfiguraciones
raciales y étnicas que han surgido en las universidades públicas brasileñas en los últimos
años. La presencia de estudiantes quilombolas e indígenas ubica dentro de las universidades
cuerpos y subjetividades históricamente ausentes de la educación superior y trae a estas
instituciones exigencias, preguntas y necesidades propias de sus experiencias en la sociedad
brasileña. Pero ¿está preparada la universidad para recibirlos? ¿Quién conoce estos temas y
sus especificidades culturales, territoriales e históricas? ¿Una política de acción afirmativa,
por misma, tiene el potencial de promover la inclusión de estos estudiantes? ¿Será que una
inclusión que solo los ubica dentro de la institución educativa, sin verlos, escucharlos,
conocerlos, no genera exclusión e incomodidad, convirtiéndolos en lo que Bourdieu (2007)
denominó "excluidos del interior"? ¿Será que insertar a estos estudiantes en prácticas
educativas excluyentes y currículos alejados de sus realidades no puede afectarlos
negativamente en sus procesos de aprendizaje y estigmatizarlos como fracasados, como
hemos visto a lo largo de la historia de la educación cuando las clases populares intentan
sobrevivir dentro de un sistema diseñado para favorecer a unos y desfavorecer a otros?
Aunque son muchas las preguntas que nos preocupan, la pregunta que este trabajo se
propone responder es: ¿quiénes son los sujetos que ingresan a la UFCAT en 2020 a través de
un programa de acción afirmativa que tiene la especificidad de atender a dos grupos
particulares: negros, ¿quilombolas e indígenas? Para ello, se realizó un relevamiento
cuantitativo de datos de estudiantes de cuota negra que ingresaron a la universidad a través del
Programa UFGInclui en 2020. El acceso a los datos se realizó en el contexto de una
investigación de maestría, presentada al Comité de Ética en Investigación (CEP) de la
UFCAT, aprobada en octubre de 2020. La encuesta se basó en datos puestos a disposición por
el Centro de Gestión Académica (CGA) de la UFCAT, generados por el sistema Analiza
Datos de la UFG en enero de 2021. También se utilizaron datos de la Comisión Permanente
de Heteroidentificación (COMPAD), que proporcionó la lista de estudiantes cupo que pasaron
por la Comisión en los procesos de selección del programa UFGInclui/2020.
Los datos de matrícula proporcionados por la universidad reunieron, en una sola hoja
de cálculo, a los participantes por concurso amplio y por cupos, con formas de admisión a
través del Sistema Único de Selección (SISU), por Convocatoria Pública y por el Programa
Kamila Evelyn Martins MARQUES y Maria Zenaide ALVES
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UFGInclui. En posesión de todos los datos, para la redacción de este trabajo, se aislaron los
estudiantes que ingresaron a través del concurso amplio, y luego los que ingresaron a través
del SISU y la Convocatoria Pública, quedando para este análisis solo los que ingresaron a
través del Programa UFGInclui, siendo negros, quilombolas e indígenas. Los datos fueron
tabulados en una hoja de cálculo Excel y analizados a la luz del marco teórico utilizado en la
investigación, buscando conocer quiénes son estos indígenas y quilombolas negros que se
incorporaron a la UFCAT en 2020.
En la sección I, presentaremos una discusión histórica sobre la esclavitud negra e
indígena en Brasil y hasta qué punto este proceso dejó el racismo estructural como legado
colonial. En la sección II, analizaremos la educación indígena y quilombola, abordando, en
particular, la presencia de estas asignaturas en la educación superior. Además, discutiremos el
Programa UFGInclui y cómo esta importante política de acción afirmativa ha contribuido a la
democratización del acceso a la educación superior. En la sección III, presentaremos algunos
datos sobre los estudiantes indígenas y quilombolas negros que ingresaron a la UFCAT en
2020, así como el análisis de estos datos y finalmente traeremos nuestras consideraciones
finales.
Esclavitud negra e indígena en Brasil
Antes de conocer a los beneficiarios del programa UFGInclui en la UFCAT, nos
dedicaremos a algunas preguntas para contextualizar los temas que estamos tratando. Los
análisis aquí presentados se basan en autores, negros y no negros, que se dedican, en sus
diferentes enfoques, a desmitificar la idea de la existencia de una democracia racial en Brasil,
así como a buscar puntuar históricamente el proceso de estructuración del racismo que afecta
la vida de hombres y mujeres negros e indígenas, marcada por violaciones y privación de
derechos.
Almeida (2019), al discutir el concepto de racismo estructural, afirma que dicha
conceptualización es esencial para el debate sobre la cuestión racial, principalmente porque
este concepto indica que el racismo estructural va más allá del ámbito de la acción individual,
ya que "evidencia la dimensión del poder como elemento constitutivo de las relaciones
raciales, no solo el poder de un individuo de una raza sobre otro, sino de un grupo sobre otro"
(ALMEIDA, 2019, p. 31, nuestra traducción). Esto nos lleva a pensar en las relaciones de
poder impuestas por los colonizadores a sus colonizados y en qué medida este proceso de
Comunidades Indígenas y Quilombolas en la Educación Superior: Un análisis a partir del Programa UFGInclui
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dominación y opresión sentó las bases de un racismo estructural que aún persiste en la
actualidad.
El proceso de colonización y ocupación del territorio brasileño exigió que la
institución de la esclavitud fuera uno de los medios utilizados (monocultivo y latifundio) para
impulsar el sistema económico de la Corona portuguesa. La esclavitud indígena fue inaugural
en el contexto brasileño, incluso antes de la esclavitud africana. El primer contacto de los
colonizadores portugueses con los indígenas estuvo marcado por la cristianización y
catequesis de estos últimos, a partir de la "Compañía de Jesús". Poco después de este proceso
de catequesis y aculturación liderado por los jesuitas, los colonos comenzaron la esclavitud
indígena a través de la violencia, la opresión e incluso la aniquilación de grupos étnicos y
aldeas indígenas. El número de pueblos indígenas ha disminuido drásticamente y muchos han
muerto a causa de enfermedades traídas por los colonizadores; otro contingente de indígenas
murió durante los enfrentamientos ante la resistencia a la dominación y la esclavitud impuesta
(MOURA, 1992). En otras palabras, la población indígena enfrentó el oscurantismo de su
participación en la historia del país, estando expuesta a la catequesis, dominación y
transformación por parte de los europeos que invadieron sus territorios.
La esclavitud africana, por otro lado, reemplazó gradualmente a la esclavitud indígena.
Los negros africanos fueron traficados desde África y, de forma violenta y arbitraria, se
estableció la condición de esclavizado, condición que duró desde 1549 hasta 1888, totalizando
más de trescientos años de esclavitud negra africana en Brasil. El flujo demográfico de
africanos negros procedentes de África fue considerable, especialmente en el siglo XVIII,
cuando el mayor contingente de africanos negros fue desarraigado de sus tierras y traficado a
suelo brasileño. El control violento sobre los cuerpos de los esclavizados era una de las
formas de asegurar el poder, el miedo, el trabajo obligatorio y el orden en las relaciones amo-
esclavo, así como el hilo conductor que sostenía el proceso de esclavitud. Los africanos
negros, después de convertirse en esclavos, fueron deshumanizados y tratados como una cosa.
Durante el período de la esclavitud negra, los quilombos fueron territorios de refugio y
resistencia para los negros que no aceptaban la servidumbre. Ubicados en lugares a menudo
desconocidos para los dueños de esclavos y sus secuaces, los quilombos albergaban en su
mayoría restos de negros que huían (individual o colectivamente) del trabajo esclavo, es decir,
estos territorios se convirtieron en la materialización de la resistencia y la identidad negra. En
estos territorios, hombres y mujeres negros, además de indígenas, se acogieron, se
fortalecieron y buscaron la posibilidad de vida y libertad, ya sea temporal o permanentemente
Kamila Evelyn Martins MARQUES y Maria Zenaide ALVES
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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(REZENDE, 2012). Durante este período, varios quilombos se extendieron por todo el
territorio brasileño, y algunos quilombos resistieron al sistema esclavista.
Según Aimé Cesaire (1977), el proceso de colonización ya sea de negros o indígenas,
se basó en el contacto violento y brutal. Para el autor, el proceso colonial europeo se tradujo
en la justificación de colonizar para civilizar, es decir, el cleo de la colonización se suma a
la brutalidad y la violencia. El autor hace evidente una "ecuación" al respecto, que la
colonización no es más que la objetivación de un sistema europeizante violento y opresivo
que tuvo lugar a través de las relaciones de dominación y sumisión de un grupo sobre otro.
"Entre colonizador y colonizado, solo hay lugar para el trabajo forzado, la intimidación, la
presión, la policía, los impuestos, el robo, la violación, las culturas obligatorias, el desprecio,
la desconfianza, la arrogancia, la suficiencia, la grosería, las élites descerebradas, las masas
envilecidas" (CÉSAIRE, 1977, p. 25, nuestra traducción).
El sistema esclavista comenzó con la esclavización de los pueblos indígenas y fue
sucedido progresivamente por la esclavitud africana. Este proceso, además de perdurar
durante siglos y de forma conservadora, racista y etnocéntrica, contribuyó a la eliminación de
toda participación de indígenas y negros en la formación de Brasil. Siendo el último país de
Occidente en abolir la esclavitud, Brasil, después de la abolición, que tuvo lugar en 1888, la
abolición no trajo de hecho un proyecto para la integración de los antiguos esclavos en la
sociedad, ni para los indígenas. Estos grupos étnicos y raciales quedaron con la exclusión, la
desigualdad social y educativa, la marginación de sus identidades, la supresión de sus culturas
y la invasión de sus territorios.
En los últimos años, varios pueblos y comunidades tradicionales brasileñas han
enfrentado obstáculos en lo que respecta a la garantía de sus derechos básicos, lo que hace aún
más evidente la violencia y la discriminación que aún persisten e históricamente afectan a
estos grupos. Con respecto a los pueblos indígenas y las comunidades quilombolas, además
de una ostensible agresión a los derechos básicos, estos grupos sufren la invasión de sus
territorios, el asesinato de sus líderes y el descuido de la salud básica de estos grupos que han
padecido numerosas enfermedades como la malaria, la fiebre amarilla, la desnutrición y el
COVID que ha afectado a los pueblos indígenas de manera abrumadora. Además, estos
grupos son víctimas de amenazas por parte de las acciones del agronegocio, los mineros y una
bancada ruralista que se apoya en un discurso antiambientalista.
Comunidades Indígenas y Quilombolas en la Educación Superior: Un análisis a partir del Programa UFGInclui
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¿Qué educación para los indígenas y quilombolas?
Antes de hablar de la educación indígena y quilombola, iniciamos este tema trayendo
el concepto de racismo cotidiano, de la autora negra Grada Kilomba (2019), para quien el
racismo cotidiano no es un "'ataque único' o un 'evento discreto', sino más bien una
'constelación de experiencia de vida', una 'exposición constante al peligro', un patrón continuo
de abuso' que se repite incesantemente a lo largo de la biografía de alguien" (KILOMBA,
2019, p. 80, nuestra traducción). Este concepto nos ayuda a entender cómo la vida de los
quilombolas y de los pueblos indígenas estuvo y sigue estando constantemente amenazada por
el exterminio. No sólo la vida de estos grupos, sino también sus historias, sus culturas, sus
lenguas maternas, sus territorios, sus ancestros están en peligro incesante.
La vida, la subjetividad, la estética, la religiosidad, la cultura y la vida cotidiana de la
población negra e indígena están amenazadas por el racismo y el etnocentrismo. El racismo y
el etnocentrismo que ya existían aquí desde la época de la colonización se incorporaron aún
más después del surgimiento de las primeras teorías deterministas que llegaron a Brasil en los
siglos XIX y XX. Los negros y los pueblos indígenas eran considerados "razas inferiores" por
esta perspectiva teórica, por lo que se les clasificaba como inferiores, salvajes y atrasados.
Sesgados por estas concepciones racistas, hubo varios decretos sancionados por el
Estado brasileño que impidieron la escolarización formal de la población negra en Brasil,
tanto durante el período de esclavitud como después. Almeida y Sánchez (2016) señalan que
la inserción de la población negra en el sistema educativo fue muy difícil, con las personas
negras muchas veces excluidas de las determinaciones sancionadas en la época. Libby y Paiva
(2000) afirman que, para los pocos negros que lograron acceder a la escolarización formal, la
educación primaria fue el único nivel alcanzado, y en los niveles superiores de educación
hubo un predominio significativo de blancos de la élite.
En el caso de los pueblos indígenas, el período colonial estuvo marcado por escuelas
que catequizaban a los considerados 'salvajes', desde una perspectiva etnocéntrica, que
estigmatizaban e inferiorizaban a los pueblos indígenas, por lo que la catequesis era un medio
para cristianizar/catequizar a los pueblos originarios, privándolos de sus culturas, de sus
conocimientos, de sus religiosidades, de sus identidades. De acuerdo con Gomes (2012, p. 53,
nuestra traducción), el etnocéntrico;
[...] No alimenta necesariamente el deseo de aniquilar y destruir al otro, sino
más bien de evitarlo o incluso de transformarlo o convertirlo, porque lleva
dentro de la idea de rechazar la diferencia y cultiva un sentimiento de
Kamila Evelyn Martins MARQUES y Maria Zenaide ALVES
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desconfianza en relación con el otro, visto como diferente, extraño o incluso
como un enemigo potencial.
El proceso de catequesis de los pueblos indígenas produjo "profundas marcas de
desvalorización de las lenguas originarias y desmantelamiento de las organizaciones y
prácticas sociales, y la escuela también se convirtió en parte de la vida de estos pueblos"
(BERGAMASCHI; DOEBBER; BRITO, 2018, p. 38, nuestra traducción). Esta historia ha
dado lugar a relaciones sociales estructuradas por desigualdades étnico-raciales, que sustentan
la tesis del racismo estructural y el etnocentrismo, caracterizados por un conjunto de prácticas
históricamente arraigadas en nuestra sociedad, que afectan las estructuras, se reproducen y se
reconfiguran en cada tiempo-espacio, de modo que repercuten en las subjetividades de la
población negra e indígena. Esta historia también terminó produciendo un escenario de
"apartheid" al estilo brasileño, con estos dos grupos, indígenas y negros, ocupando territorios
casi exclusivos para ellos. Los negros que obtuvieron su libertad antes de 1888 se refugiaron
en los quilombos; Después de este período, se quedaron con las colinas y laderas de las
grandes ciudades; y los indígenas, sobrevivieron tratando de resistir en sus aldeas, lejos de los
depredadores blancos. Esto mantuvo a estos grupos alejados de cualquier posibilidad de
acceso a los bienes y servicios puestos a disposición de los bancos colonizadores, como la
escuela.
El resto de las comunidades quilombolas son ejemplos de ello, ya que son grupos
étnico-raciales que tienen sus propias trayectorias históricas y relaciones territoriales
específicas, teniendo como esencia la ascendencia negra africana. Miranda (2018, p. 194,
nuestra traducción) enfatiza que los quilombos en territorio brasileño "constituyen un
fenómeno histórico y político que atraviesa la construcción de la nación brasileña y concierne
a la diáspora africana".
Los quilombos en Brasil resistieron y han resistido y luchado durante más de dos
siglos. En este proceso de insurgencia, estas comunidades sufrieron y siguen sufriendo los
artificios de borrado histórico, material, simbólico y territorial de sus comunidades. En este
sentido, la educación quilombola sigue siendo objeto de disputa, ya que ha sido
históricamente descuidada y borrada, la mayoría de las veces, guiada por acciones
pedagógicas poco reflexivas, currículos eurocéntricos que desvalorizan la herencia indígena y
africana e ignoran el contexto de las comunidades quilombolas en su propio territorio. De esta
manera, los que son diferentes terminan convirtiéndose en los invisibles de un proceso
educativo eurocéntrico y racista que siempre ha invisibilizado y borrado lo diferente.
Comunidades Indígenas y Quilombolas en la Educación Superior: Un análisis a partir del Programa UFGInclui
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En el estado de Goiás
4
quedan varias comunidades quilombo, por lo que es un
elemento fundamental en la articulación de los pueblos rurales y las poblaciones
afrodescendientes. En la actualidad, muchas comunidades quilombos remanentes se inspiran
en las culturas africanas y se congregan, en su forma de organización de lazos de solidaridad,
resistencia negra y el uso colectivo de la tierra, para que, a través de estas, se fortalezca la
lucha por los derechos a la libertad y emancipación de estas comunidades. En el territorio de
Goiás, hay cuatro pueblos indígenas que viven en aldeas: Carajás, Tapuio, Javaé y Avá-
Canoeiro.
Por otra parte, la insurgencia de las comunidades negras contemporáneas, rurales y
urbanas, que se resistieron a los artificios de borrado material y simbólico a los que fueron
sometidas, delimita ángulos de la producción académica. Frente a las desigualdades sociales y
educativas que afectan tanto a los pueblos negros, quilombolas e indígenas, es necesario que
el Estado vigile de cerca a estos grupos. En este sentido, las acciones afirmativas tienen como
objetivo reparar los daños imputados a aquellos sujetos que han sido sistemáticamente
marginados e históricamente excluidos de la sociedad. Por lo tanto, el papel del Estado y de
las instituciones públicas y privadas en el reconocimiento de las desigualdades étnicas y
raciales es fundamental, a través de políticas de acción afirmativa, que buscan corregir las
desigualdades de los grupos sociales históricamente discriminados, apuntando a la equidad.
En este sentido, las políticas educativas de acción afirmativa son un mecanismo
esencial para el logro de la equidad en el acceso y permanencia de estas asignaturas en el
sistema educativo, ya que las acciones afirmativas, desde iniciativas públicas o privadas,
tienen el propósito de cambiar las realidades sociales. Aplicadas a la educación, estas políticas
son vistas como políticas compensatorias, que forman parte de la lucha contra las
desigualdades educativas de los grupos desfavorecidos (SANTOS, 2018).
La Ley n.º 10.639/03 (BRASIL, 2003), modificada cinco años más tarde por la Ley n.º
11.645/08 (BRASIL, 2008), fue un gran logro para los negros e indígenas, que por primera
vez en la historia de la educación brasileña tienen la garantía legal de que sus historias y
culturas deben estar presentes en el currículo de la educación básica. En otras palabras, lo que
4
Nova Roma; Sylvania; Jinete; Monte Alegre de Goiás; Teresina de Goiás; Santa Rita do Novo Destino;
Mineros; Minaçu; Posesión; Aparecida de Goiânia; Uruaçu; São Luiz do Norte; Ciudad del Oeste; Iaciara;
Cromínia, Monte Alegre de Goiás, Barro Alto; Campos Belos, São João d'Aliança; Colinas del Sur; Trinidad;
Cristalino; Mimoso, de Goiás; Padre Bernardo; Flores de Goiás; Nickellandia; Alto Paraíso; Piracanjuba; Abadía
de Goiás; Simolandia; Divinópolis de Goiás; Faina; Goianésia; Palmera de Goiás; Itumbiara; Cascada Dorada;
Nueva gama; Ciudad de Goiás; Pirenópolis, Santa Cruz de Goiás; Caiapônia; Matrinchã; Pueblo Propicio; Pilar
de Goiás; Corumbá de Goiás, Iporá.
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antes se limitaba a una "elección pedagógica" del docente ahora es obligatorio en los
establecimientos de educación primaria y secundaria públicos y privados. Este cambio en la
LDB provoca (o debería provocar) un impacto directo en los cursos de pregrado, dado que
para cumplir con la ley es necesario que los docentes reciban una formación que los prepare
para tal reto, pero esto no es lo que ha sucedido. En el caso de la UFCAT, un análisis
realizado por Alves, Alves y Sousa (2020) en los PPC de los cursos de graduación de la
institución mostró que las cuestiones étnico-raciales no están contempladas como componente
curricular en la mayoría de las trece carreras ofertadas. En el año en que se realizó la encuesta
(2018), solo el curso de Historia tenía un componente curricular que trataba sobre la historia
de las poblaciones negras e indígenas. Se supone que la existencia de la disciplina se debe
mucho más al objetivo del curso que a contemplar las exigencias que la legislación vigente
impone a los futuros docentes. Aunque este es solo un caso, sabemos que se trata de una
realidad en los cursos de formación docente en general, reflejo de un vacío en la propia ley
que, al proponer un cambio en el currículo de la educación básica, no preveía también un
cambio en los currículos de los futuros docentes de este nivel educativo. Una de las
expectativas de que esta situación mejore está en el recién creado Ministerio de Igualdad
Racial (MIR), que alberga la Secretaría de Políticas para los Quilombolas, Pueblos y
Comunidades Tradicionales de Origen Africano, Pueblos de Terreiros y Gitanos que tiene
como objetivo actuar en la coordinación, formulación, planificación, seguimiento y
evaluación de políticas públicas dirigidas a estos pueblos y comunidades tradicionales
brasileñas.
Es innegable que el advenimiento de la acción afirmativa en la educación superior ha
provocado cambios en el perfil estudiantil de las instituciones, especialmente en lo que
respecta a la organización académica, la didáctica, el currículo, la evaluación y las relaciones
interpersonales dentro de las instituciones, mostrando, como sostiene Arroyo (2012), que es
necesario pensar en otras pedagogías. Así, el respeto a las singularidades de los pueblos
indígenas y quilombolas es una demanda urgente al currículo, ya que se trata de cuestiones
que contribuyen directamente a la permanencia y culminación exitosa de estas asignaturas en
la Educación Superior. Amoras, Costa y Silva (2019) destacan que, en la educación superior,
una de las principales dificultades que comprometen la permanencia de los indígenas y
quilombolas son las situaciones de racismo institucional. Además, los autores afirman que las
matrices curriculares y los proyectos pedagógicos de los cursos la mayoría de las veces
naturalizan el racismo institucional y no reconocen la posibilidad de diálogo entre los saberes
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de estos grupos y los saberes producidos por la academia. Es decir, este hecho, combinado
con la falta de representatividad y diversidad en la institución, termina por alejar a estas
asignaturas de la universidad y, de esta manera, erigir barreras que impiden la permanencia y
finalización del curso con calidad. En este sentido, la universidad, además de ampliar y
democratizar el acceso a través de la acción afirmativa, debe respetar las culturas, etnias,
lenguas, cosmologías, epistemologías y formas de ser y ver el mundo de estos grupos étnico-
raciales, garantizándoles el ingreso, permanencia y culminación de sus cursos.
El programa UFGInclui
El Programa UFGInclui, creado en la UFG en 2008, tiene como objetivo ampliar y
democratizar el acceso a las universidades públicas, así como garantizar la permanencia y el
rendimiento académico de las minorías étnico-raciales. En cuanto a la elaboración y
tramitación de la política de acción afirmativa UFGInclui, Rosa (2013) explica que el proceso
de evaluación del programa se abrió el 22 de junio de 2007, obteniendo su aprobación recién
en 2008. El proceso de elaboración e implementación del programa se basó en un amplio
debate académico, con la participación de profesores, coordinadores de cursos de graduación
de la UFG, directores de instituciones públicas y privadas (enseñanza media) y actores de
movimientos sociales, teniendo en cuenta las discusiones fomentadas por el Seminario de
Acciones Afirmativas de la UFG, en 2007 el cual tuvo como objetivo propiciar nuevas
discusiones y proponer acciones sobre el acceso y permanencia de estudiantes de escasos
recursos que ingresan a la universidad (ROSA, 2013). A pesar de que fue una de las primeras
políticas implementadas, en esta fase de debate y construcción de la política se discutieron y
analizaron algunos documentos y propuestas de acción afirmativa de otras instituciones de
educación superior, de otros estados, con el fin de construir una política más estructurada y
delineada.
El documento de Resolución se divide en cuatro (04) secciones, a saber: I-
Fundamentos y Objetivos; II- Acciones a tomar; III- Detalle de indicadores y recursos; IV-
Gestión del Programa UFGInclui. Cabe mencionar que el documento menciona algunas
acciones a desarrollar antes del ingreso, acciones a realizar al ingreso y acciones posteriores al
ingreso (UFG, 2008). Además, la resolución del Programa UFGInclui también señala que
todas las acciones pasarán por un proceso de evaluación, de carácter experimental y
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procedimental, con el objetivo de monitorear y reorientar mejor la política para los años
siguientes.
La resolución del programa enfatiza que el derecho a una educación de calidad no es
un derecho para todos, y que Brasil tiene profundas desigualdades. En este sentido, la UFG,
institución social inserta en este contexto social, político y económico, tiene la
responsabilidad de corroborar la superación de la desigualdad que tanto afecta a los
segmentos menos favorecidos y a los históricamente marginados de la sociedad. Muchos de
estos estudiantes que no tenían derecho a una educación de calidad, en su mayoría, pertenecen
a segmentos desfavorecidos de la sociedad, es decir, tenían una educación básica frágil.
Frente a esto, podemos observar que existe una desigualdad significativa en cuanto al
momento de ingreso de los estudiantes a la universidad pública, especialmente para aquellos
que ingresan a la universidad pública, especialmente para aquellos que no tuvieron acceso a
una educación básica de calidad.
Esto requiere inversiones materiales y humanas, así como recursos y tiempo.
Entre estas prácticas se encuentran las desarrolladas por la educación
universitaria, por lo que este programa propone combinar acciones de apoyo
al ingreso y permanencia de estudiantes de escuelas públicas en los cursos de
graduación de la UFG, para ser realizadas antes, durante y después del
Proceso de Selección (UFG, 2008, p. 8, nuestra traducción).
Es importante destacar que, en este sentido, el documento enfatiza que esta educación
básica debilitada forma parte de un proceso histórico de desguace y deterioro gradual de la
educación básica brasileña. Por lo tanto, los grupos pertenecientes a los estratos más
privilegiados de la sociedad tienen condiciones materiales, financieras y culturales que no
deben compararse con los grupos menos favorecidos, ya que existe una distorsión en la "línea
de salida" entre estos grupos. Es importante recalcar que la propia resolución del programa
propone como acciones a desarrollar antes del ingreso "Reformular los Programas de las
pruebas del Proceso de Selección de la UFG a través de un diálogo efectivo con la Escuela
Media, especialmente con las Escuelas Públicas" (UFG, 2008. p. 3, nuestra traducción).
La creación del programa UFGInclui estuvo influenciada por dos propuestas de
política institucional previas a su aprobación. La primera propuesta, titulada 'UFGInclui:
Programa de Inclusión Social de la UFG', fue presentada por la Rectoría y tuvo como público
objetivo solo a estudiantes de escuelas públicas. La segunda propuesta, "Programa de Acción
Afirmativa para escuelas públicas, negros, indígenas y negros quilombolas en la UFG" fue
una propuesta de algunos profesores universitarios y movimientos sociales. La segunda
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propuesta buscaba atender no solo a los estudiantes de las escuelas públicas, sino también a
los negros, los pueblos indígenas y los quilombolas. La autora también reitera que las dos
propuestas tuvieron mucha notoriedad académica en la época y contribuyeron para la
estructuración y elaboración del texto final de la Resolución del Programa UFGInclui.
Llegadas indígenas y quilombolas en 2020
El análisis de los datos de la encuesta realizada permitió entender y conocer un poco a
estos estudiantes que ingresaron a la UFCAT a través del Programa UFGInclui en 2020, un
total de 12 estudiantes, 8 quilombolas y 4 indígenas. Inicialmente, lo que nos llamó la
atención fue el bajo número de ingresantes, ya que la institución contaba con 23 cursos de
pregrado ese año, lo que significa que la universidad tenía 46 vacantes por cubrir con el
Programa. Por lo tanto, es significativo que solo el 26% de las vacantes se cubran en un
programa de inclusión que existe desde hace catorce años.
Esto nos lleva a pensar en varias posibilidades para esta baja demanda: ¿se debe al
desconocimiento del programa? ¿Dificultad para acceder? ¿Falta de apoyo para participar en
el proceso de selección, que es presencial? La resolución del programa propone aumentar el
número de exenciones de cuotas del Proceso de Selección, con el fin de incentivar la
participación de los estudiantes de las escuelas públicas, pero ¿está ocurriendo esto? En
definitiva, son preguntas que siguen abiertas y que la universidad debe discutir y pensar en
formas y estrategias para revertir esta grave situación, principalmente porque nos damos
cuenta de que esta baja demanda también se dio en años anteriores: en 2019 solo hubo 6
ingresantes (5 quilombolas y 1 indígena) y en 2018 la institución recibió solo 7 ingresantes (4
quilombolas y 3 indígenas) a través del Programa.
Al analizar la edad de los participantes en 2020, encontramos que 11 de ellos se
encontraban en el grupo de edad entre 20 y 29 años, y solo un participante estaba por encima
de este grupo de edad, lo que revela un carácter mayoritariamente joven de estos sujetos. El
Estatuto de la Juventud (BRASIL, 2013) define a los jóvenes como sujetos del grupo de edad
comprendido entre los 15 y los 29 años. Analizando este grupo social, Dayrell (2003) señala
que los jóvenes tienen distintas especificidades, necesidades, ansiedades y dilemas que se
experimentan por su condición juvenil, es decir, no se trata solo de juventud, de una forma
única de ser y pensar sobre la juventud, sino de jóvenes plurales. La condición juvenil se vive
de manera plural, tiene especificidades que marcan las vivencias y subjetividades de cada
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sujeto, dada su condición social, cultural, económica, étnica, racial, religiosa e incluso
geográfica, y para los jóvenes de las asignaturas de este Programa hay aún más temas para
pensar. En este caso, es importante considerar que estos jóvenes, originarios de comunidades
indígenas y quilombolas, llegan a la universidad con un universo cultural distinto entre ellos y
entre la propia cultura académica, lo que pone de manifiesto la necesidad de que la institución
los considere desde el punto de vista de sus demandas socioculturales y de su condición
juvenil.
Al verificar la Unidad Federativa (UF) de nacimiento de cada ingresante, podemos
percibir una cierta diversidad geográfica de estos cuotativos. A pesar de que casi la mitad de
ellos nacieron en el estado de Goiás (05), notamos la presencia de sujetos nacidos en Mato
Grosso (02); Alagoas (01); Minas Gerais (01); Bahía (01) y Distrito Federal (01). Cabe
mencionar que el estado de Goiás cuenta con más de 117 comunidades quilombolas,
repartidas en 50 municipios. Las comunidades indígenas están ubicadas en cinco regiones,
con cuatro grupos indígenas que viven en el estado: los Karajás, de Aruanã; los Tapuios do
Carretão, en Rubiataba y Nova América; el Javaé, de Serra Caiapó; y el Avá-Canoeiro, en
Colinas do Sul y Minaçu.
Son jóvenes que muchas veces salen de sus pueblos y comunidades para experimentar
una cultura y una realidad diferente, principalmente porque se trata de una institución ubicada
en el interior del estado. Además de vivir lejos de sus territorios y culturas, lo que ya provoca
cierto miedo, muchos aún viven lejos de sus familias, no teniendo cerca una red de apoyo
familiar, sobre todo ante las dificultades académicas y no académicas. Dejan de estar en sus
territorios tradicionales, dejan de estar enteramente insertos en sus pueblos, sus culturas, sus
lenguas, sus rituales, para experimentar un ambiente extraño que muchas veces hostiliza la
presencia de estos sujetos en estos espacios. Además, la universidad no debe limitar su mirada
solo a los estudiantes dentro de la universidad, ya que elementos que ocurren fuera de la
universidad también implican la permanencia de estos jóvenes en la universidad,
especialmente en 2020, en el que comenzó la pandemia de COVID/19 aquí en Brasil.
Estos sujetos migran para Catalão (solos o acompañados), buscando vivienda, empleo
y formas de sobrevivir y permanecer dentro y fuera de la universidad. En este sentido, la
universidad debe tener en cuenta las especificidades de estas asignaturas que, en la mayoría de
los casos, necesitan apoyo financiero o incluso una acogida más cuidadosa y planificada,
hasta que se acostumbren y se acostumbren a la organización de la universidad (programas de
apoyo financiero, pedagógico y psicológico, relación institucional con los estudiantes,
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acciones de seguimiento y promoción de la permanencia y finalización del curso) y también
entender cómo funciona la dinámica de la ciudad donde se ubica la universidad (banco,
supermercado, hospital, etc.). Es un hecho que la mayoría de estos estudiantes se ajustan a los
criterios del Programa de Becas de Permanencia del MEC, programa creado en 2013 a través
de la Ordenanza N.º 389, que, en su artículo 3, asegura como primer objetivo "posibilitar la
permanencia, en el curso de graduación, de estudiantes en situación de vulnerabilidad
socioeconómica, especialmente indígenas y quilombolas" (BRASIL, 2013, s.p., nuestra
traducción), pero esto no es garantía de que vayan a contar con este apoyo, ya que los recursos
asignados a la universidad no siempre son suficientes para atender la demanda, sobre todo
después de los numerosos recortes presupuestarios que ha sufrido la Educación Superior en
los últimos años.
En cuanto a los aspectos político-pedagógicos, el desafío para estos estudiantes es ser
acogidos en sus subjetividades. De acuerdo con Gomes (2011), las instituciones educativas
tienen un estándar de enseñanza, estudiantes y docentes a seguir; Un patrón que incorpora una
noción de hombre, mujer y sujeto social en la que no caben todos los sujetos del proceso
educativo. En este sentido, nos preocupa la forma en que la universidad mira a estos sujetos
negros, quilombolas e indígenas que están ingresando al espacio académico. ¿Ha adoptado la
universidad política institucionales que reconozcan y valoren a estos sujetos, sus historias, sus
lenguas maternas, sus referentes culturales, sus tierras y comunidades? ¿Cómo ha sido la
acogida de estos jóvenes en la educación superior? ¿Son conscientes los profesores y
coordinadores de los cursos de la existencia de un programa que reserva plazas para estas
minorías y quiénes son estos grupos? Estas y otras preguntas surgen durante el ejercicio
interpretativo de los datos analizados.
Lograr la democratización del ingreso fue un gran logro para la población negra
quilombola e indígena, sin embargo, estos sujetos, además de ingresar a este espacio, quieren
permanecer allí con respeto y dignidad. Bergamaschi y cols. (2018) enfatizan que es necesario
que la universidad acompañe a los estudiantes de cuota, ya que es a través de la convivencia,
la participación y el monitoreo continuo que la universidad podrá hacer una "autorreflexión
sobre las prácticas pedagógicas de la institución de educación superior y su rol social"
(BERGAMASCHI et al., 2018, p. 37, nuestra traducción). Además, los autores afirman que
garantizar la permanencia de los estudiantes indígenas sigue siendo un reto para las
universidades. Muchos estudiantes de cupo experimentan dificultades de aprendizaje y
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financieras, atraviesan situaciones de racismo, lo que termina perjudicando su experiencia
universitaria.
Sabemos que estos grupos tienen tradiciones, culturas, formas de vivir y asimilar el
mundo que les rodea. Como bien dijo Arroyo (2012), otras asignaturas demandan otras
pedagogías, pedagogías que deben respetar las especificidades, las culturas y los saberes de
estos grupos étnico-raciales. En este sentido, una universidad preocupada por la cuestión
intercultural demanda su atención al reconocimiento de los pueblos indígenas y
afrodescendientes, valorando sus culturas, sus conocimientos, sus formas de producir
conocimiento y sus diversos modos de aprendizaje, posibilitando la inclusión de poblaciones
históricamente excluidas de las universidades tradicionales (negras, quilombolas e indígenas)
con el fin de democratizar y mejorar el acceso. la permanencia y posibilidades de
profesionalización futura de estas poblaciones.
Otro dato relevante se refiere a los cursos elegidos por estos estudiantes de primer año.
La carrera de medicina era la más solicitada y contaba con tres estudiantes de primer año, 2 de
los cuales eran quilombolas negros y 1 indígena. Considerado un 'curso elitista', podemos
evidenciar un gran avance de esta acción afirmativa, ya que, hace unos años, la presencia de
cuerpos negros, quilombolas e indígenas en estos espacios de poder era improbable, ya sea en
las universidades públicas o en las instituciones privadas. Los demás estudiantes de primer
año estaban en los siguientes cursos: enfermería (01); Ciencias Biológicas (01); educación
física (02); pedagogía (01); historia (01); Geografía (01) y Matemáticas (01). Cabe destacar
que, de los 12 estudiantes de primer año, 6 son mujeres y 6 son hombres.
Corroboramos las afirmaciones de Bergamaschi et al. (2018) quienes manifiestan que
estos nuevos actores que están surgiendo en el espacio académico tienen un perfil diferente a
los que suelen recibir las universidades públicas, siendo sujetos con condiciones económicas,
culturales e históricas distintas, ya que cuentan con especificidades regionales y
organizaciones colectivas distintas. Los autores enfatizan que es de suma importancia para la
universidad conocer a los beneficiarios de la acción afirmativa, ya que esto le permitirá
evaluar los caminos que pretende seguir, abriendo pequeños caminos para que los diálogos
interculturales ocurran efectivamente en estos espacios históricamente elitistas y blanqueados.
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Consideraciones finales
La sociedad brasileña se fundó y organizó a partir de un dispositivo de violencia y
opresión colonial que violó (y viola) y exterminó (y extermina) a los negros y a los indígenas.
Los actos de violencia fueron (y siguen siendo) practicados tanto contra la población indígena
en el momento de la invasión del país, como contra la población negra africana y sus
afrodescendientes que fueron secuestrados del continente africano y esclavizados aquí.
Incluso después del fin del sistema esclavista, estos grupos sufrieron y siguen sufriendo de
racismo estructural y etnocentrismo. En este sentido, las acciones afirmativas surgen en el
sentido de brindar reparación histórica, posibilitando avances y logros para la población negra
y los pueblos indígenas.
Este análisis, aunque preliminar y limitado a un solo año de ingreso, puso de
manifiesto el potencial de este tipo de programas y la necesidad de una mayor inversión en la
difusión para que la información llegue a quienes tienen derecho. Las desigualdades en el
acceso a la educación superior por parte de estos grupos históricamente excluidos se hacen
aún más latentes cuando percibimos la baja demanda de las vacantes ofertadas, lo que puede
indicar que estas asignaturas aún están lejos de la educación superior o ni siquiera pueden
soñar con este nivel educativo. Además, las reflexiones aquí presentadas apuntan a temas que
deben estar en la agenda de las políticas de acción afirmativa, el seguimiento de la política y
de las asignaturas beneficiarias después de su ingreso a la universidad.
La mayoría de los jóvenes que ingresaron al año analizado acaban de terminar la
enseñanza media y provienen de comunidades fuera del municipio de Catalão, lo que obliga a
estas asignaturas a observar de cerca la universidad y los cursos donde se asignan. Sabemos
que el otorgamiento de ayudas económicas es de suma importancia para la permanencia en la
universidad, sin embargo, otros temas deben ser tomados en cuenta por la institución, como la
acogida, el alojamiento, la salud física y mental, el diálogo intercultural, la alimentación, el
transporte, etc. En el caso de los beneficiarios del programa UFGInclui, se trata de jóvenes
que dejaron sus territorios y comunidades para experimentar una realidad y una cultura
completamente diferente a partir de la cual fueron socializados. En este sentido, las acciones y
políticas de admisión, permanencia y finalización dirigidas a este público deben considerar no
solo la permanencia dentro de la universidad sino también la experiencia fuera de ella.
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jun. 2022.
CRediT Author Statement
Reconocimientos: Agradecemos a la Coordinación de Perfeccionamiento del Personal de
Nivel Superior (CAPES) por la beca de maestría académica en educación. También
agradecemos los datos proporcionados por el Centro de Gestión Académica (CGA) de la
UFCAT y también por la Comisión Permanente de Heteroidentificación (COMPAD), que
proporcionaron la lista de estudiantes ocupados que pasaron por la Comisión en los
procesos de selección del programa UFGInclui/2020.
Financiación: Coordinación para el Perfeccionamiento del Personal de Nivel Superior
(CAPES)
Conflictos de intereses: No hay conflicto de intereses.
Aprobación ética: Respetamos el CEP, incluyendo la investigación de maestría fue
presentada al Comité de Ética en Investigación (CEP) de la UFCAT en octubre de 2020 y
fue aprobada en noviembre de 2020.
Disponibilidad de datos y material: Tenemos acceso a la hoja de datos de matrícula de
estudiantes de cupo negro para el año 2020 que fue proporcionada por el Centro de
Gestión Académica (CGA) de la universidad y también por la Comisión Permanente de
Heteroidentificación.
Aportes de los autores: La redacción del trabajo se basó en una asociación participativa
entre los autores, resultado de la relación asesor/asesorado durante la investigación de
maestría y, posteriormente, en la organización y redacción del artículo.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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INDIGENOUS AND QUILOMBO PEOPLE IN HIGHER EDUCATION: AN
ANALYSIS BASED ON THE UFGINCLUI PROGRAM
INDÍGENAS E QUILOMBOLAS NO ENSINO SUPERIOR: UMA ANÁLISE A PARTIR
DO PROGRAMA UFGINCLUI
COMUNIDADES INDÍGENAS Y QUILOMBOLAS EN LA EDUCACIÓN SUPERIOR:
UN ANÁLISIS A PARTIR DEL PROGRAMA UFGINCLUI
Kamila Evelyn Martins MARQUES1
e-mail: kamilaevilyn@gmail.com
Maria Zenaide ALVES2
e-mail: zenpiaui@ufcat.edu.br
How to reference this article:
MARQUES, K. E. M.; ALVES, M. Z. Indigenous and Quilombo
People in Higher Education: An analysis based on the UFGInclui
Program. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação,
Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17712
| Submitted: 08/02/2023
| Revisions required: 25/03/2023
| Approved: 16/04/2023
| Published: 18/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Catalão (UFCAT), Catalão GO Brazil. Master's degree from the Postgraduate
Program in Education.
2
Federal University of Catalão (UFCAT), Catalão GO Brazil. Lecturer in the Postgraduate Program in
Education. PhD in Education (UFMG).
Indigenous and Quilombo People in Higher Education: An analysis based on the UFGInclui Program
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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ABSTRACT: The article presents an analysis of the profile of quota students, black quilombolas
and indigenous people, who entered the Federal University of Catalão in 2020 by the UFG Inclui
Program. Starting from a historical discussion on the racial and ethnic issue in Brazil, we present
the program, its implementation and structure within the university and, finally, we present and
analyze the data. The results express that even though the program has existed since 2008, there is
a low demand in relation to the number of vacancies offered. We verified that most of the entrants
are young, have specificities that are inherent to the juvenile condition, in addition to
particularities about their territories and groups of origin, ways of life and educational
background, showing that financial support is fundamental, however, the reception and
recognition of these specificities by the institution is fundamental in the process of permanence,
above all, demanding by an intercultural dialogue.
KEYWORDS: Affirmative actions. UFGInclui. Higher Education. Black quilombolas.
Indigenous People.
RESUMO: O artigo apresenta uma análise do perfil dos estudantes cotistas negros quilombolas
e indígenas, que entraram na Universidade Federal de Catalão em 2020 pelo Programa
UFGInclui. Partindo de uma discussão histórica sobre a questão racial e étnica no Brasil,
apresentamos o programa, sua implementação e estruturação no âmbito da universidade e, por
fim, apresentamos e analisamos os dados. Os resultados expressam que mesmo o programa
existindo desde 2008, uma baixa demanda em relação ao número de vagas ofertadas. Foi
constatado que a maioria dos ingressantes são jovens, possuem especificidades que são inerentes
à condição juvenil, além de particularidades acerca de seus territórios e grupos de origem,
modos de vida e background educacional, evidenciando que apoio financeiro é fundamental, no
entanto, o acolhimento e o reconhecimento dessas especificidades pela instituição é fundamental
no processo de permanência, sobretudo, demandado por um diálogo intercultural.
PALAVRAS-CHAVE: Ações afirmativas. UFGInclui. Ensino Superior. Negros quilombolas.
Indígenas.
RESUMEN: El artículo presenta un análisis del perfil de los estudiantes de cuotas, negros
quilombolas e indígenas, que entraron en la Universidad Federal de Catalão en 2020 por medio
del Programa UFGInclui. Partiendo de una discusión histórica sobre la cuestión racial y étnica
en Brasil, presentamos un programa, su implementación y estructura en el ámbito de la
universidad y, finalmente, presentamos y analizamos los datos. Los resultados expresan que,
aunque el programa estuviera extinguido desde el 2008, hay una baja demanda con relación al
número de vacantes ofrecidas. Se puedo constatar que la mayoría de los ingresados son jóvenes,
tienen especificidades que son inherentes a la condición juvenil, además de particularidades
sobre sus territorios y grupos de modos de vida y backgruoud educacional, evidenciando que
apoyo financiero es fundamental, sin embargo, la acogida y reconocimiento de estas
especificidades por la institución es fundamental en el proceso de permanencia, sobre todo,
demandando, por un diálogo intercultural.
PALABRAS CLAVE: Acciones afirmativas. UFGInclui. Educación Superior. Negros
Quilombolas. Indígenas.
Kamila Evelyn Martins MARQUES and Maria Zenaide ALVES
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introduction
This article is the result of a master's thesis carried out within the scope of the
Postgraduate Program in Education at the Federal University of Catalão (UFCAT). It is a
work that is part of the studies of ethnic-racial relations and affirmative action policies in
higher education and aims to present and analyze the profile of black quilombola and
indigenous quota students entering in 2020 in all undergraduate courses at the Federal
University of Catalão through the UFGInclui Program
3
. This is an institutional affirmative
action policy that was implemented by the Federal University of Goiás in 2008 and which
reserves two places in each undergraduate course for indigenous and black quilombola
candidates.
Discussions on this topic have significant notoriety in the Brazilian social, academic,
political and educational sphere, especially with regard to affirmative actions in higher
education in recent years. Furthermore, the culmination of these discussions was due to the
implementation of the quota law that was sanctioned in 2012 (BRASIL, 2012) and which
reserves places in Brazilian Federal Higher Education Institutions. Although the quota law
was implemented in 2012, prior to this some universities were already proposing institutional
policies that guaranteed the reservation of places for historically excluded groups, as was the
case of the Federal University of Goiás with the creation of the UFGInclui Program (UFG,
2008).
Santos (2017) states that it was from 2002 onwards that Brazil began to have a notable
presence of affirmative action policies aimed at democratizing entry into higher education for
black/brown, indigenous, quilombola, disabled and other students of popular origin. It was
from then on, that some Brazilian universities created their own policies and programs for
democratic access to universities. Affirmative actions aimed at higher education, in addition
to acting as a mechanism for correcting inequalities in access to this level of education,
contribute to the promotion of diversity in universities, as it promotes the entry of “concrete
social subjects with other knowledge, another way of building academic knowledge and with
another life trajectory, very different from the ideal type of hegemonic university student
idealized in our country” (GOMES, 2017, p. 114, our translation).
3
The UFGInclui Program came into force on August 1, 2008, from the Consuni Resolution no. 29/2008 (UFG,
2008). It is an affirmative action policy that seeks to democratize access and retention in university
undergraduate courses and which targets indigenous and black quilombola students from public schools as its
beneficiaries.
Indigenous and Quilombo People in Higher Education: An analysis based on the UFGInclui Program
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In this sense, affirmative action policies become insurgencies that promote questioning
the regulatory, discriminatory and racist structures of universities, bringing changes to the
social, academic and political structure of these educational institutions. Such policies
provoke us to think about the new racial and ethnic reconfigurations that have been emerging
in Brazilian public universities in recent years. The presence of quilombola and indigenous
students’ bodies and subjectivities historically absent from higher education within
universities and brings into these institutions demands, questions and needs that are specific to
their experiences in Brazilian society. But is the university prepared to receive them? Who
knows these subjects and knows about their cultural, territorial and historical specificities?
Does an affirmative action policy, in itself, have the potential to promote the inclusion of
these students? Does an inclusion that only places them within the educational institution,
without seeing them, hearing them, knowing them, not generate exclusion and discomfort,
making them what Bourdieu (2007) called 'excluded from the interior'? Could it be that
inserting these students into exclusionary educational practices and curricula far from their
realities could negatively affect their learning processes and stigmatize them as failures, as we
have seen throughout the history of education when the popular classes try to survive within a
system designed to favor some and disfavor others?
Although many questions concern us, the question that this work aims to answer is:
who are the subjects entering UFCAT in 2020 through an affirmative action program that has
the specificity of serving two particular groups: black quilombolas and indigenous people? To
this end, a quantitative survey of data was carried out on black quota students who entered the
university through the UFGInclui Program in 2020. Access to data took place in the context
of a master's degree research, submitted to the Ethics and Research Committee (CEP) of the
UFCAT, approved in October 2020. The survey was based on data made available by the
UFCAT Academic Management Center (CGA), generated by the UFG Analisa Data system
in January 2021. Data from the Permanent Heteroidentification Commission (COMPAD),
which provided a list of quota students who passed through the Commission in the selection
processes for the UFGInclui /2020 program.
The enrollment data provided by the university brought together, in a single
spreadsheet, the entrants through broad competition and quotas, with forms of entry through
the Unified Selection System (SISU), through Public Call and through the UFGInclui
Program. Once we had all the data, to write this work, we initially isolated the students who
entered through broad competition and then those entering through SISU and the Public Call,
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leaving for this analysis only those entering through the UFGInclui Program, with black
people being quilombolas and indigenous people. The data were tabulated in an Excel
spreadsheet and analyzed in light of the theoretical framework used in the research, seeking to
know who these indigenous and black quilombola quota holders are who joined UFCAT in
2020.
In section I we will present a historical discussion about black and indigenous slavery
in Brazil and the extent to which this process left structural racism as a colonial legacy. In
section II we will discuss indigenous and quilombola education, addressing, in particular, the
presence of these subjects in higher education. Furthermore, we will discuss the UFGInclui
Program and how this important affirmative action policy has contributed to the
democratization of access to higher education. In section III, we will present some data from
indigenous and black quilombola quota holders joining UFCAT in 2020, as well as the
analysis of this data and finally we will bring our final considerations.
Black and indigenous slavery in Brazil
Before getting to know the beneficiaries UFGInclui program of UFCAT's, we will
address some questions with a view to contextualizing the subjects we are dealing with. The
analyzes presented here are based on authors, black and non-black, who are dedicated, in their
different approaches, to demystifying the idea of the existence of a racial democracy in Brazil,
as well as seeking to historically point out the process of structuring racism that affects the
lives of black men and women and indigenous people marked by violations and deprivation of
rights.
Almeida (2019), discussing the concept of structural racism, states that such a
conceptualization is essential for the debate on racial issues, mainly because this concept
indicates that structural racism goes beyond the scope of individual action, as it “highlights
the dimension of power as an element constitutive of racial relations, not only the power of an
individual of one race over another, but of one group over another” (ALMEIDA, 2019, p. 31,
our translation). This provokes us to think about the power relations imposed by colonizers on
their colonized people and how much this process of domination and oppression laid the
foundation for the foundations of structural racism that still persists today.
The process of colonization and occupation of Brazilian territory required the
institution of slavery to be one of the means used (monoculture and large estates) to boost the
Indigenous and Quilombo People in Higher Education: An analysis based on the UFGInclui Program
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economic system of the Portuguese Crown. Indigenous enslavement was inaugural in the
Brazilian context, even before African enslavement. The first contact between Portuguese
colonizers and indigenous people was marked by their Christianization and catechization,
through the 'Companhia of Jesus'. Soon after this process of catechization and acculturation
led by the Jesuits, the settlers began enslaving indigenous people through violence, oppression
and even the decimation of indigenous ethnicities and villages. The number of indigenous
peoples decreased drastically, in addition to many dying due to diseases brought by the
colonizers; another contingent of indigenous people died during clashes in the face of
resistance to imposed domination and enslavement (MOURA, 1992). In other words, the
indigenous population faced the obscurantism of their participation in the country's history,
being exposed to catechization, domination and transformation by the Europeans who invaded
their territories.
African slavery gradually replaced indigenous slavery. Black Africans were trafficked
from Africa and, in a violent and arbitrary way, they were enslaved, a condition that lasted
from 1549 until 1888, totaling more than three hundred years of black African enslavement in
Brazil. The demographic flow of black African men and women coming from Africa was
substantial, especially in the 18th century, when the largest contingent of black African men
and women was obtained, who were uprooted from their lands and trafficked to Brazilian soil.
Violent control over the bodies of enslaved people was one of the ways to guarantee power,
fear, compulsory work and order in master-slave relations, as well as the guiding thread that
sustained the process of enslavement. Black African men and women, after becoming slaves,
were dehumanized and treated as things.
During the period of black slavery, quilombos were territories of refuge and resistance
for black people who did not accept servitude. Located in places often unknown to slave
owners and their henchmen, quilombos mostly housed remnants of black people who fled
(individually or collectively) from slave labor, that is, these territories became the
materialization of black resistance and identity. In these territories, black men and women, as
well as indigenous people, welcomed each other, strengthened themselves and sought the
possibility of life and freedom, whether temporarily or permanently (REZENDE, 2012).
During this period, several quilombos spread throughout Brazilian territory, with some
quilombos resisting the slavery system.
The process of colonization, whether black or indigenous, according to Aimé Cesaire
(1977), took place through violent and brutal contact. For the author, the European colonial
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process resulted in the justification of colonizing to civilize, that is, the core of colonization
adds up to brutality and violence. The author makes an 'equation' clear about this, that
colonization is nothing more than the objectification of a violent and oppressive
Europeanizing system that occurred through relations of domination and submission of one
group under another. “Between colonizer and colonized, there is only room for forced labor,
intimidation, pressure, police, taxes, theft, rape, obligatory cultures, contempt, distrust,
arrogance, sufficiency, rudeness, the mindless elites, the debased masses” (CÉSAIRE, 1977,
p. 25, our translation).
The slavery system began with the enslavement of indigenous people and was
progressively succeeded by African enslavement. This process, in addition to lasting for
centuries and in a conservative, racist and ethnocentric way, contributed to the erasure of all
participation of indigenous and black people in the formation of Brazil. Since Brazil was the
last country in the West to abolish slavery, in 1888, this fact did not bring about a concrete
project for the integration of former slaves into society, nor for indigenous people. These
ethnic and racial groups were left with exclusion, social and educational inequality, the
marginalization of their identities, the suppression of their cultures and the invasion of their
territories.
In recent years, several traditional Brazilian peoples and communities have faced
obstacles in terms of guaranteeing their basic rights, making the violence and discrimination
that still persists and historically plagues these groups even more evident. With regard to
indigenous peoples and quilombola communities, in addition to an obvious attack on basic
rights, these groups suffer from the invasion of their territories, the murder of their leaders and
the disregard for the basic health of these groups who have suffered from numerous diseases
such as malaria, yellow fever, malnutrition and COVID-19, which affected indigenous
peoples in an overwhelming way. Furthermore, these groups are victims of threats due to
actions by agribusiness, miners and a ruralist group that relies on an anti-environmentalist
discourse.
What education for indigenous people and quilombolas?
Before talking about indigenous and quilombola education, we begin this topic by
bringing the concept of everyday racism, by black author Grada Kilomba (2019), for whom
everyday racism is not a “'single attack' or a 'discreet event', but rather a 'constellation of life
experience', a 'constant exposure to danger', a continuous pattern of abuse' that repeats itself
Indigenous and Quilombo People in Higher Education: An analysis based on the UFGInclui Program
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incessantly throughout someone's biography(KILOMBA, 2019, p. 80, our translation). This
concept helps us understand how much the lives of quilombola and indigenous people were
and still are constantly threatened by extermination. Not only the lives of these groups, but
also their histories, their cultures, their mother tongues, their territories, their ancestries are in
constant danger.
The life, subjectivity, aesthetics, religiosity, culture and daily life of the black and
indigenous population are threatened by racism and ethnocentrism. The racism and
ethnocentrism that already existed here, since the time of colonization, became even more
incorporated after the emergence of the first deterministic theories that arrived in Brazil in the
19th and 20th centuries. Deterministic theories aimed to classify humanity into races,
attributing a hierarchical and negative character to the physical, intellectual and moral pretexts
of certain groups. Black people and indigenous people were considered 'inferior races' by this
theoretical perspective; therefore, they were classified as inferior, savage and backward.
Skewed by these racist conceptions, there were several decrees sanctioned by the
Brazilian State that prevented the formal schooling of the black population in Brazil, both
during the period of slavery and later. Almeida and Sanchez (2016) point out that the
inclusion of the black population in the educational system took place in a very difficult way,
with black people often being excluded from the determinations sanctioned at the time. Libby
and Paiva (2000) state that, for the few black people who were able to access formal
schooling, primary education was the only level to be achieved, and at the highest levels of
education there was a significant predominance of elite white people.
In the case of indigenous people, the colonial period was marked by schools that
catechized those considered 'savages', from an ethnocentric perspective, which stigmatized
and inferiorized indigenous people, so catechesis was a means of Christianizing/catechizing
original peoples, destituting them of their cultures, their knowledge, their religiosity, their
identities. According to Gomes (2012, p. 53, our translation), the ethnocentric;
[...] does not necessarily feed the desire to annihilate and destroy others, but
rather to avoid them or even to transform or convert them, as it carries within
itself the idea of refusing difference and cultivating a feeling of distrust
towards others, seen as different, strange or even as a potential enemy.
The process of catechizing indigenous peoples produced “deep marks of devaluation
of native languages and the dismantling of social organizations and practices and the school
also became part of the lives of these peoples” (BERGAMASCHI; DOEBBER; BRITO,
Kamila Evelyn Martins MARQUES and Maria Zenaide ALVES
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2018, p. 38, our translation). This history has resulted in social relations structured by ethnic-
racial inequalities, which support the thesis of structural racism and ethnocentrism,
characterized by a set of practices historically rooted in our society, which affect structures,
reproduce and reconfigure themselves every time-space, in a way that reverberates in the
subjectivities of the black and indigenous population. This history also ended up producing a
scenario of Brazilian 'apartheid', with these two groups, indigenous and black, occupying
territories almost exclusive to them. Black people who gained their freedom before 1888 took
refuge in quilombos; after this period, they were left with the hills and slopes of large cities;
and the indigenous people survived by trying to resist in their villages, away from white
predators. This kept these groups far from any possibility of accessing the goods and services
made available to colonizing banks, such as schools.
The remaining quilombo communities are examples of this, as they are ethnic-racial
groups that have their own historical trajectories and specific territorial relationships, with
black African ancestry as their essence. Miranda (2018, p. 194, our translation) emphasizes
that quilombos in Brazilian territory “constitute a historical and political phenomenon that
permeates the construction of the Brazilian nation and concerns the African diaspora”.
Quilombos in Brazil resisted and have resisted and fought for more than two centuries.
In this process of insurgency, these communities suffered - and still suffer - from the artifices
of historical, material, symbolic and territorial erasure of their communities. In this sense,
quilombola education remains in dispute, since it has been historically neglected and erased,
most of the time, guided by pedagogical actions that are not very reflective, Eurocentric
curricula that devalue indigenous and African heritage and ignore the context of the
quilombola communities in their own territory. In this way, the different end up becoming the
invisible in a Eurocentric and racist educational process that has always made invisible and
erased what is different.
There are several remaining quilombo communities in the state of Goiás
4
, therefore
being a fundamental element in the articulation of rural people and Afro-descendant
populations. Currently, many remaining quilombo communities are inspired by cultures of
African origin and bring together, in their form of organization, ties of solidarity, black
4
Nova Roma; Silvania; Cavalcante; Monte Alegre de Goiás; Teresina de Goiás; Santa Rita do Novo Destino;
Mineiros; Minaçu; Posse; Aparecida de Goiânia; Uruaçu; São Luiz do Norte; Cidade Ocidental; Iaciara;
Cromínia, Monte Alegre de Goiás, Barro Alto; Campos Belos, São João d’Aliança; Colinas do Sul; Trindade;
Cristalina; Mimoso de Goiás; Padre Bernardo; Flores de Goiás; Niquelândia; Alto Paraiso; Piracanjuba; Abadia
de Goiás; Simolândia; Divinópolis de Goiás; Faina; Goianésia; Palmeira de Goiás; Itumbiara; Cachoeira
Dourada; Nova Gama; Cidade de Goiás; Pirenópolis, Santa Cruz de Goiás; Caiapônia; Matrinchã; Vila Propício;
Pilar de Goiás; Corumbá de Goiás, Iporá.
Indigenous and Quilombo People in Higher Education: An analysis based on the UFGInclui Program
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resistance and the collective use of land, so that, through these, the fight for rights can be
strengthened to the freedom and emancipation of these communities. In Goiás territory there
are four indigenous peoples living in villages: Carajás, Tapuio, Javaé, and Avá-Canoeiro.
Furthermore, the insurgency of contemporary black communities, rural and urban,
who resisted the artifices of material and symbolic erasure to which they were subjected,
demarcates angles of academic production. Faced with the social and educational inequalities
that plague both black quilombolas and indigenous people, there is a need for the State to take
a closer look at these groups. In this sense, affirmative actions aim to repair damages
attributed to those subjects who have been systematically marginalized and historically
excluded from society. Therefore, the role of the State and public and private institutions in
recognizing ethnic and racial inequalities is fundamental, through affirmative action policies,
which seek to correct the inequalities of historically discriminated social groups, aiming for
equity.
In this sense, affirmative action educational policies constitute an essential mechanism
for achieving equity in the access and permanence of these subjects in the education system,
since affirmative actions, whether public or private initiatives, aim to change social realities.
When applied to education, these policies are seen as compensatory policies, which are part of
the fight against educational inequalities for disadvantaged groups (SANTOS, 2018).
Law No. 10,639/03 (BRASIL, 2003), modified five years later by Law No. 11,645 /08
(BRASIL, 2008), was a great achievement for black and indigenous people who, for the first
time in the history of Brazilian education, had legal guarantee that their histories and cultures
must be present in the basic education curriculum. In other words, what was previously
limited to a teacher's “pedagogical choice” now becomes mandatory in public and private
primary and secondary education establishments. This change in the LDB causes (or should
cause) a direct impact on undergraduate courses, considering that to comply with the law it is
necessary for teachers to receive training that prepares them for such a challenge, however
this is not what has happened. In the case of UFCAT, an analysis carried out by Alves, Alves
and Sousa (2020) in the PPCs of the institution's degree courses showed that ethnic-racial
issues are not included as a curricular component in the majority of the thirteen degrees
offered. In the year the survey was carried out (2018), only the History course had a curricular
component that dealt with the history of black and indigenous populations. It is assumed that
the existence of the discipline is much more due to the objective of the course than to
contemplating the demands placed on future teachers by current legislation. Although it is just
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one case, we know that this is a reality in teacher training courses in general, reflecting a gap
in the law itself which, when proposing changes to the basic education curriculum, did not
also foresee changes in the curricula of future teachers in this level of education. An
expectation that this situation will improve is in the recently created Ministry of Racial
Equality (MIR), which houses the Secretariat of Policies for Quilombolas, Peoples and
Traditional Communities of African Origin, Terreiro Peoples and Gypsies, which aims to act
in coordination, formulation, planning, monitoring and evaluation of public policies aimed at
these traditional Brazilian people and communities.
It is undeniable that the advent of affirmative actions in higher education has caused
changes in the student profile of institutions, especially with regard to academic organization,
didactics, curriculum, assessment and interpersonal relationships within institutions,
demonstrating, as argued Arroyo (2012), that it is necessary to think about other pedagogies.
Thus, respect for the singularities of indigenous and quilombola peoples is an urgent demand
for the curriculum, as these are issues that directly contribute to the retention and successful
completion of these subjects in Higher Education. Amoras, Costa and Silva (2019) emphasize
that in higher education one of the main difficulties that compromise the permanence of
indigenous people and quilombolas are situations of institutional racism. Furthermore, the
authors state that the curricular matrices and pedagogical projects of the courses, in most
cases, naturalize institutional racism and do not recognize the possibility of dialogue between
the knowledge of these groups and the knowledge produced by academia. In other words, this
fact, combined with the lack of representation and diversity in the institution, ends up
distancing these subjects from the university and, in this way, erecting barriers that prevent
them from remaining and completing the course with quality. In this sense, the university, in
addition to expanding and democratizing access, through affirmative actions, must respect the
cultures, ethnicities, languages, cosmologies, epistemologies, and ways of being and seeing
the world of these ethnic-racial groups, guaranteeing their entry, stay and completion of their
courses.
Indigenous and Quilombo People in Higher Education: An analysis based on the UFGInclui Program
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The UFG program includes
The UFGInclui Program, created at UFG in 2008, aims to expand and democratize
access to public universities, as well as guarantee the permanence and academic performance
of ethnic-racial minorities. Regarding the elaboration and processing of the UFGInclui
affirmative action policy, Rosa (2013), explains that the process for evaluating the program
was opened on June 22, 2007, obtaining its approval only in 2008. The process of elaboration
and implementation of the program was based on a broad academic debate, with the
involvement of professors, coordinators of undergraduate courses at UFG, directors of public
and private institutions (high school) and actors from social movements, taking into account
the discussions encouraged by the Seminar Affirmative Actions at UFG, in 2007, which
aimed to encourage new discussions and propose actions regarding the access and retention of
students of popular origin who enter the university (ROSA, 2013). Even though it was one of
the first policies introduced, some documents and affirmative action proposals from other
higher education institutions, from other states, were discussed and analyzed in this phase of
debate and policy construction with the purpose of building a more structured and outlined
policy.
The Resolution document is divided into four (04) sections, namely: I- Fundamentals
and Objectives; II- Actions to be carried out; III- Details of indicators and resources; IV-
UFGInclui Program Management. It is worth mentioning that the document mentions some
actions to be developed before entry, actions to be carried out upon entry and actions after
entry (UFG, 2008). Furthermore, the resolution of the UFGInclui Program also points out that
all actions will go through an evaluation process, of an experimental and procedural nature,
with the aim of monitoring and ensuring better redirection of the policy for subsequent years.
The program's resolution highlights that the right to quality education is not a right for
everyone, and that Brazil has profound inequalities. In this sense, the UFG, a social institution
inserted in this social, political and economic context, has the responsibility of supporting the
overcoming of inequality that so affects the less favored segments and that have been
historically marginalized in society. Many of these students who did not have the right to
quality education, the majority of them, belong to less favored segments of society, that is,
they had a weakened basic education. In view of this, we can see that there is a significant
inequality regarding the moment in ticket of the students at the public university,
especially for freshmen who no had access to quality basic education.
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To achieve this, material and human investments, as well as resources and
time, are necessary. These practices include those developed by university
education, which is why this program proposes to combine actions to
support the entry and retention of students from public schools in UFG's
undergraduate courses, to be carried out before, during and after the
Selection Process (UFG, 2008, p. 8, our translation).
It is important to highlight that, in this regard, the document emphasizes that this
weakened basic education is part of a historical process of scrapping and gradual deterioration
of Brazilian basic education. Therefore, groups belonging to the most privileged layers of
society have material, financial, and cultural conditions that should not be compared to less
favored groups, as there is a distortion in the 'starting line' between these groups. It is
important to highlight that the program resolution itself proposes as actions to be developed
before admission “Reformulate the UFG Selection Process exam programs through effective
dialogue with Secondary Education, especially with Public Schools” (UFG, 2008. p 3, our
translation).
UFGInclui program was influenced by two institutional policy proposals prior to its
approval. The first proposal, entitled 'UFGInclui: UFG's Social Inclusion Program', was
presented by the Rectory and was targeted only at students from public schools. The second
proposal, 'Affirmative Action Program for public schools, black, indigenous and black
quilombolas at UFG' was a proposal from some university professors and social movements.
The second proposal sought to serve not only students from public schools, but also black,
indigenous and quilombola students. The author also reiterates that the two proposals had
considerable academic notoriety at the time and contributed to the structuring and elaboration
of the final text of the UFGInclui Program Resolution.
Indigenous people and quilombolas entering in 2020
The analysis of data from the survey carried out allowed us to understand and get to
know a little about these students who joined UFCAT through the UFGInclui Program in
2020, a total of 12 students, 8 of which were quilombolas and 4 indigenous. Initially, what
caught our attention was the low number of entrants, since the institution had 23
undergraduate courses that year, which means that the university had 46 vacancies to be filled
by the Program. Therefore, it is significant that only 26% of vacancies were filled in an
inclusion program that has existed for fourteen years.
This makes us think about different possibilities for this low demand: could it be due
to lack of knowledge of the program? Difficulty of access? Lack of support to participate in
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the selection process, which is in person? The program's resolution proposes to increase the
number of fee exemptions for the Selection Process, in order to encourage the participation of
students from public schools, but is this happening? Ultimately, these are questions that are
still open and that the university must discuss and think about ways and strategies to reverse
this serious situation, mainly because we realize that this low demand also occurred in
previous years: in 2019 there were only 6 entrants (5 quilombolas and 1 indigenous person)
and in 2018 the institution received only 7 entrants (4 quilombolas and 3 indigenous people)
through the Program.
When analyzing the age of entrants in 2020, we found that 11 of them were in the age
group between 20 and 29 years old, with only one entrant older than this age range, which
reveals that these subjects are mostly young. The Youth Statute (BRASIL, 2013) defines
young people as those aged between 15 and 29 years old. Analyzing this social group, Dayrell
(2003) points out that young people have distinct specificities, needs, desires and dilemmas
that are experienced by their youthful condition, that is, it is not just about youth, about a
unique way of being and thinking about youth, but rather plural youths. The youth condition
is experienced in a plural way, it has specificities that mark the experiences and subjectivities
of each subject, given their social, cultural, economic, ethnic, racial, religious, and even
geographic condition and for the youth of the subjects of this Program there is still more
questions to think about. In this case, it is important to consider that these young people,
originating from indigenous and quilombola communities, arrive at the university with a
different cultural universe between them and between the academic culture itself, which
highlights the need for the institution to consider them based on their demands of
sociocultural aspects and their youthful condition.
By checking the Federative Unit (UF) of birth of each entrant, we can see a certain
geographic diversity of these quota holders. Although almost half were born in the state of
Goiás (05), we noticed the presence of subjects born in Mato Grosso (02); Alagoas (01);
Minas Gerais (01); Bahia (01), and Federal District (01). It is worth mentioning that the state
of Goiás has more than 117 quilombola communities, spread across 50 municipalities.
Indigenous communities are located in five regions, with four indigenous groups inhabiting
the state: the Karajás, from Aruanã; the Tapuios of Carretão, in Rubiataba and Nova América;
the Javaé, from Serra Caiapó; and the Avá-Canoeiro, in Colinas do Sul, and Minaçu.
They are young people who often leave their villages and communities to experience a
culture and reality that is different, mainly because it is an institution located in the interior of
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the state. In addition to living far from their territories and cultures, which already causes
some fear, many still live far from their families, without having a family support network
nearby, especially in the face of academic and non-academic difficulties. They are no longer
in their traditional territories, they are no longer fully inserted in their villages, their cultures,
their languages, their rituals, to experience a strange environment that often hostiles the
presence of these subjects in these spaces. Furthermore, the university should not limit its
focus to students only within the university, as elements that occur outside the university also
imply the permanence of these young people at the educational institution, especially in 2020,
with the COVID-19 pandemic.
These subjects migrate to Catalão (alone or accompanied), looking for housing,
employment and ways to survive and stay inside and outside the university. In this sense, the
university must take a look at the specificities of these subjects who, in most cases, require
financial support or even a more careful and planned reception, until they get used to the
university organization (support programs financial, pedagogical and psychological,
institutional relationship with students, monitoring actions and promotion of retention and
completion of the course) and also to understand how the dynamics of the city where the
university is located works (bank, supermarket, hospital, etc.). It is a fact that the majority of
these students fit the criteria of the MEC Permanence Grant Program, a program created in
2013 through Ordinance No. 389, which, in its article 3, states as its first objective “to enable
the permanence, in the undergraduate course, students in situations of socioeconomic
vulnerability, especially indigenous and quilombola students” (BRASIL, 2013, np, our
translation), but this is not a guarantee that they will have this support, as the resources
allocated to the university are not always sufficient to meet the demand, especially after the
numerous budget cuts that Higher Education has suffered in recent years.
Regarding political-pedagogical aspects, the challenge for these students is to be
welcomed in their subjectivities. According to Gomes (2011), educational institutions have a
standard of teaching, students, and teachers to be followed; a standard that incorporates a
notion of man, woman and social subject into which not all subjects of the educational
process fit. In this sense, we are concerned about the way the university looks at these black
quilombola and indigenous people who are entering the academic space. Has the university
adopted institutional policies that recognize and value these subjects, their stories, their
mother tongues, their cultural references, their lands and communities? How has these young
people been welcomed into higher education? Are teachers and course coordinators aware of
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the existence of a program that reserves admission places for these minorities and who are
these groups? These and other questions arise during the interpretative exercise of the
analyzed data.
Ensuring the democratization of entry was a great achievement for the black
quilombola and indigenous population, however, these individuals, in addition to entering this
space, want to remain there with respect and dignity. Bergamaschi et al. (2018) emphasize
that it is necessary for the university to accompany quota students, since it is through
coexistence, participation and continuous monitoring that the university will be able to “self-
reflect on the pedagogical practices of the higher education institution and its role social”
(BERGAMASCHI et al., 2018, p. 37, our translation). Furthermore, the authors state that
ensuring the retention of indigenous students is still a challenge for universities. Many quota
students experience learning and financial difficulties, as well as experiencing situations of
racism, which ends up harming their university experience.
We know that these groups have traditions, cultures, ways of living and assimilating
the world around them. As Arroyo (2012) rightly said, other subjects demand other
pedagogies, pedagogies that must respect the specificities, cultures and knowledge of these
ethnic-racial groups. In this sense, a university that is concerned with the intercultural issue
demands your attention to the recognition of indigenous and Afro-descendant peoples,
valuing their cultures, their knowledge, their ways of producing knowledge and their different
ways of learning, enabling the inclusion of populations historically excluded from traditional
universities (black quilombolas and indigenous people) with the aim of democratizing and
improving access, retention and possibilities for future professionalization of these
populations.
Another relevant piece of information concerns the courses chosen by these entrants.
The medicine course was the one with the greatest demand and had three entrants, 2 black
quilombolas and 1 indigenous. Considered an 'elite course', we can highlight a great advance
in this affirmative action, since, a few years ago, the presence of black quilombola and
indigenous bodies in these spaces of power was unlikely, whether in public universities or
private institutions. The other entrants were in the following courses: nursing (01); biological
sciences (01); physical education (02); pedagogy (01); story (01); geography (01), and
mathematics (01). It is worth mentioning that of the 12 entrants, 6 are female and 6 are male.
Bergamaschi's statements et al. (2018) who state that these new actors that are
emerging in the academic space have a different profile from those that public universities
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usually receive, being subjects with different economic, cultural, and historical conditions,
since they have regional specificities and distinct collective organizations. The authors
emphasize that it is extremely important for the university to know the beneficiaries of
affirmative actions, given that this will enable the institution to evaluate the paths it intends to
follow, opening small paths so that intercultural dialogues can effectively take place in these
historically elite and whitened spaces.
Final remarks
Brazilian society was founded and organized based on a device of colonial violence
and oppression that raped (and violently) and exterminated (and exterminates) black and
indigenous people. Acts of violence were (and continue to be) practiced both against the
indigenous population at the time of the country's invasion, and also against the black African
population and their Afro-descendants who were kidnapped from the African continent and
enslaved here. Even after the end of the slave system, these groups suffered and still suffer
from structural racism and ethnocentrism. Therefore, affirmative actions arise with the aim of
providing historical reparation, enabling advances and achievements for the black population
and indigenous peoples.
This analysis, although preliminary and limited to just one year of entry, highlighted
the potential of this type of program and the need for greater investment in dissemination so
that the information reaches those who are entitled. The inequalities in access to higher
education for these historically excluded groups become even more latent when we realize the
low demand for the places on offer, which may signal that these individuals are still far from
higher education or are not even able to dream of this level of education. Furthermore, the
reflections presented here point to issues that need to be on the agenda of affirmative action
policies, the monitoring of the policy and the beneficiary subjects after they enter university.
The majority of young men and women who entered in the year analyzed are fresh
from high school and come from communities outside the municipality of Catalão, which
requires these individuals to pay close attention to the university and courses, where they are
located. We know that granting financial aid is extremely important for staying at university,
however, other issues must be taken into account by the institution, such as reception,
housing, physical and mental health, intercultural dialogue, food, transport, etc. In the case of
the beneficiaries of the UFGInclui program, these are young people who left their territories
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and communities to experience a completely different reality and culture from which they
were socialized. In this sense, actions and policies for admission, permanence and completion
aimed at this public must consider not only the permanence within the university, but also the
experience outside it.
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Cria o Programa “UFGInclui” na Universidade Federal de Goiás e dá outras providências.
Goiânia: UFG, 2008. Available at:
https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/90/o/resolucao_consuni_2008_0029.pdf. Access: 10
June 2022.
Kamila Evelyn Martins MARQUES and Maria Zenaide ALVES
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023139, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17712 21
CRediT Author Statement
Acknowledgments: We would like to thank the Coordination for the Improvement of
Higher Education Personnel (CAPES) for the scholarship granted for an academic
master's degree in education. We are also grateful for the data made available by the
UFCAT Academic Management Center (CGA) and also the Permanent
Heteroidentification Committee (COMPAD), which provided a list of quota students who
passed through the Committee in the selection processes for the UFGInclui /2020
program.
Financing: Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel (CAPES)
Conflicts of interest: There is no conflict of interest.
Ethical approval: We respect the CEP, including the master's research was submitted to
the UFCAT Ethics and Research Committee (CEP) in October 2020 and was approved in
November 2020.
Availability of data and material: We have access to the enrollment data sheet for black
quota students from the year 2020, which was provided by the university's Academic
Management Center (CGA) and also by the Permanent Heteroidentification Committee.
Authors' contributions: The writing of the work was based on a participatory partnership
between the authors, a result of the supervisor/student relationship during the master's
research and, subsequently, in the organization and writing of the article.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Review, formatting, standardization, and translation.