RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092 1
ESPELHO, ESPELHO MAU, COMO SÃO AS ADAPTAÇÕES PSICOFÍSICAS POR
MEIO DO CAPITAL? REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA
PERSPECTIVA GRAMSCIANA
ESPEJO, ESPEJO MALO, ¿CÓMO SON LAS ADAPTACIONES PSICOFÍSICAS A
TRAVÉS DEL CAPITAL? REFLEXIONES SOBRE LA EDUCACIÓN FÍSICA
ESCOLAR DESDE LA PERSPECTIVA GRAMSCIANA
MIRROR, BAD MIRROR, HOW ARE THE PSYCHOPHYSICAL ADAPTATIONS
THROUGH CAPITAL? REFLECTIONS ON SCHOOL PHYSICAL EDUCATION FROM
THE GRAMSCIAN PERSPECTIVE
Felipe Machado HUGUENIN1
e-mail: felipehuguenin@gmail.com
Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA2
e-mail: vitoralexandrea_@hotmail.com
Fabiane Frota da Rocha MORGADO3
e-mail: fabianefrota@ufrrj.br
Como referenciar este artigo:
HUGUENIN, F. M.; ALMEIDA, V. A. R.; MORGADO, F. F. R.
Espelho, espelho mau, como são as adaptações psicofísicas por
meio do capital? Reflexões sobre a Educação Física Escolar na
perspectiva gramsciana. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092
| Submetido em: 23/05/2023
| Revisões requeridas em: 03/08/2023
| Aprovado em: 16/11/2023
| Publicado em: 07/02/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brasil. Doutorando do Programa de
Pós-graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares (PPGEduc/UFRRJ).
2
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brasil. Doutorando do Programa de
Pós-graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares (PPGEduc/UFRRJ).
3
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brasil. Professora adjunta do
Departamento de Educação Física e Desportos, Instituto de Educação, UFRRJ. Professora permanente do
Programa de Pós-graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares
(PPGEduc/UFRRJ).
Espelho, espelho mau, como são as adaptações psicofísicas por meio do capital? Reflexões sobre a Educação Física Escolar na perspectiva
gramsciana
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092 2
RESUMO: Gramsci fez importantes reflexões sobre as adaptações psicofísicas dos sujeitos em
meio às novas exigências do mercado. Analisou o desenvolvimento de uma nova forma de
organização das bases materiais de produção e das relações sociais. O Fordismo/Taylorismo
objetivou o aumento da produtividade na indústria, que ajudou na construção da hegemonia do
capital. O objetivo deste texto é apresentar as adaptações psicofísicas dos sujeitos influenciadas
pelo capitalismo, do Fordismo ao Toyotismo, e delinear resumidamente como o corpo é tratado
nas aulas de Educação Física e na escola. Conceitua preliminarmente a teoria gramsciana, tece
considerações sobre as adaptações psicofísicas nos modelos de desenvolvimento e apresenta as
implicações corporais dos indivíduos e suas relações cotidianas na escola. Conclui-se que
contextualizar as práticas corporais na Educação Física requer maior profundidade. Por meio
da compreensão dialética, os(as) alunos(as) podem desenvolver uma perspectiva crítica sobre
as adaptações psicofísicas impostas pelo capitalismo e seus ideais corporais.
PALAVRAS-CHAVE: Corpo. Aspectos Psicossociais. Gramsci. Educação. Educação Física.
RESUMEN: Gramsci realizó importantes reflexiones sobre las adaptaciones psicofísicas de
los sujetos en medio de las nuevas exigencias del mercado. El Fordismo/Taylorismo tuvo como
objetivo aumentar la productividad en la industria, lo cual contribuyó a la construcción de la
hegemonía del capital. El objetivo es presentar las adaptaciones de los individuos
influenciadas por el capitalismo, desde el Fordismo hasta el Toyotismo, y delinear cómo se
trata el cuerpo en las clases de Educación Física y en la escuela. Se conceptualiza
preliminarmente la teoría gramsciana, se tejen consideraciones sobre las adaptaciones
psicofísicas en los modelos de desarrollo y se presentan las implicaciones corporales de los
individuos y sus relaciones cotidianas en la escuela. Se concluye que contextualizar las
prácticas corporales en la Educación Física requiere una mayor profundidad. Mediante la
comprensión dialéctica, los estudiantes pueden desarrollar una perspectiva crítica sobre las
adaptaciones psicofísicas impuestas por el capitalismo y sus ideales corporales.
PALABRAS CLAVE: Cuerpo. Aspectos Psicosociales. Gramsci. Educación. Educación
Física.
ABSTRACT: Gramsci made important reflections on the psychophysical adaptations of
individuals in the face of new market demands. He analyzed the development of a new form of
organization of the material bases of production and social relations. Fordism/Taylorism
aimed at increasing productivity in the industry, which contributed to the construction of the
hegemony of capital. The goal is to present the psychophysical adaptations of individuals
influenced by capitalism, from Fordism to Toyotaism, and to outline briefly how the body is
treated in Physical Education classes and in school. The Gramscian theory is preliminarily
conceptualized, considerations are woven regarding psychophysical adaptations in
development models, and the bodily implications of individuals and their daily relationships in
school are presented. It is concluded that contextualizing bodily practices in Physical
Education requires greater depth. Through dialectical understanding, students can develop a
critical perspective on the psychophysical adaptations imposed by capitalism and its bodily
ideals.
KEYWORDS: Body. Psychosocial Aspects. Gramsci. Education. Physical Education.
Felipe Machado HUGUENIN; Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA e Fabiane Frota da Rocha MORGADO
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092 3
Introdução
Completados oitenta e seis anos da morte, em abril de 2023, do intelectual italiano
Antonio Gramsci, seus escritos continuam como base para estudos nos mais diversos campos
dos saberes, o que o transforma em um dos pensadores estrangeiros mais discutidos no Brasil
nos últimos anos. O legado teórico do pensador sardo exerce profunda influência sobre os
escritos acadêmicos brasileiros, sobretudo em estudos na área de Educação (Coutinho, 2009).
Gramsci enxergava nos intelectuais orgânicos, indivíduos gerados historicamente e envolvidos
organicamente em um grupo social, a via de mudança, pois expressavam os valores e as visões
particulares do grupo. Além disso, acreditava na escola como um dos principais instrumentos
para efetivar tais mudanças (Cruz, 2021; Gramsci, 1999).
O papel desses intelectuais não se limitava a produzir o discurso, mas passava pela
organização de práticas sociais. Ademais, Gramsci entendia que a escola deveria dar acesso à
cultura, com o objetivo de livrar as massas de uma visão de mundo determinada em
preconceitos e tabus, que leva à interiorização acrítica da ideologia dominante. Essa herança
teórica evidencia a preocupação com a luta pela consciência de classe na sociedade capitalista,
bem como a preocupação com a educação (Gramsci, 1999).
Ao ampliar os estudos acerca do capital, Gramsci tece preciosas formulações sobre o
desenvolvimento de uma nova forma de organização das bases materiais de produção e das
relações sociais, que ajudaram na construção da hegemonia, por meio dos mecanismos de
coerção e consenso junto à classe operária (Gramsci, 2015). Especificamente no Caderno 22, o
teórico analisa o modelo de desenvolvimento Fordismo/Taylorismo, ainda em sua fase
embrionária, que objetivou o aumento da produtividade na indústria, porém exigiu “adaptações
psicofísicas” (Gramsci, 2015, p. 226) dos trabalhadores.
Adaptações psicofísicas, na perspectiva de Gramsci, são relacionadas diretamente às
novas condições de trabalho, de nutrição, de habitação, de costumes, que a vida na indústria
impunha (Gramsci, 2015). Essa nova vida exigia um aprendizado geral, pois “não é algo inato,
“natural”, mas exige ser adquirido” (Gramsci, 2015, p. 229). A história do industrialismo marca
uma luta contínua contra a animalidade do ser humano, ou seja, entre os instintos naturais e as
normas e hábitos de ordem, exatidão e precisão. A preocupação central era preservar a
eficiência física e corporal do trabalhador (Gramsci, 2015).
Muitas das proposições elaboradas por Gramsci, especialmente aquelas relacionadas às
adaptações psicofísicas, continuam atuais. Como elucida Bauman (2008), na sociedade
contemporânea as relações são norteadas pelo consumismo, uma das bases do capitalismo.
Espelho, espelho mau, como são as adaptações psicofísicas por meio do capital? Reflexões sobre a Educação Física Escolar na perspectiva
gramsciana
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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Consumismo para além de produtos, mas de costumes, hábitos e valores. Na sociedade de
consumidores, marcada pela dualidade consumidor-mercadoria, existe um medo de estar à
margem da própria sociedade e uma valorização excessiva da aparência. Os indivíduos são
objetos de consumo medidos pelo capital, tornam-se mercadorias antes mesmo de se tornarem
sujeitos, devido à incorporação de padrões sociais impostos (Bauman, 2008).
Na esteira desta questão, observamos que os fatores relacionados aos padrões impostos,
ao consumismo e à aparência podem ser associados à metáfora do espelho. Tal metáfora é
utilizada aqui para representar uma característica intrínseca da pessoa, ser ao mesmo tempo
vidente e visível (Merleau-Ponty, 2014). Ademais, é capaz de estabelecer relações entre um ser
e ele mesmo, mas também entre esta pessoa e as expectativas sociais que formam sua aparência,
ou seja, como os outros lhes enxergam. A mediação bem-sucedida deste conflito exige um
corpo integrado, pleno e multifacetado (Tavares, 2003).
Não obstante, o espelho pode assumir um viés mercadológico, de pressão social para
que o indivíduo seja aquilo que o capital exige e aquilo que os outros esperam dele. Sob esta
ótica, o corpo, reduzido à perspectiva cartesiana, se assemelha à análise realizada por Beraldo
(2018), em que a personagem do conto analisado evidencia uma angústia ao perceber uma
imagem segmentada de si, não se reconhecendo diante do espelho.
É neste contexto que a Educação Física Escolar assume especial importância, por ser
um espaço privilegiado para trabalhar questões relacionadas ao corpo e ao movimento. Como
salientou Gramsci (2015), mais do que preservar o corpo útil, disciplinado e submisso, as novas
características psicofísicas são transferidas por herança ou absorvidas no decorrer da infância e
da adolescência. Assim, podemos considerar a Educação Física Escolar como uma área que
pode e deve ser o espaço-tempo de aprendizado das práticas corporais, inseridas em um
contexto histórico e repleta de significados e símbolos. Desta forma, poderia ser possível
aprimorar a perspectiva crítica em relação ao corpo, de modo a viabilizar uma educação
transformadora, emancipatória e crítica ao capital dentro da escola.
O presente texto tem por objetivo apresentar as adaptações psicofísicas dos sujeitos
influenciadas pelo capitalismo, do Fordismo ao Toyotismo, e delinear resumidamente como o
corpo é tratado nas aulas de Educação Física e na escola na atualidade. Iniciaremos expondo
conceitos preliminares da teoria gramsciana. Posteriormente, teceremos as considerações sobre
as adaptações psicofísicas nos modelos de desenvolvimento, marcados no mesmo bloco
histórico do capital, e as implicações corporais dos indivíduos e suas relações cotidianas na
escola.
Felipe Machado HUGUENIN; Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA e Fabiane Frota da Rocha MORGADO
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Gramsci: conceitos preliminares
Antonio Gramsci nasceu em Ales, na ilha da Sardenha, em 1891, em uma família
numerosa, sendo o quarto filho dos sete do casal Francesco e Giuseppina Marcias. Na infância,
contraiu uma espécie de tuberculose óssea, conhecida como doença de Pott, somente
diagnosticada na idade adulta, que parece ter relação com o fato de ser corcunda. Devido às
condições econômicas da família e à prisão de seu pai sob a acusação de peculato, concussão e
falsidade ideológica, teve infância e adolescência complexa. No entanto, com a ajuda da mãe e
dos irmãos conseguiu se formar e aos vinte e um anos ingressou na faculdade de Letras em
Turin (Gramsci, 1999).
Antes mesmo de iniciar a faculdade, se interessava em ler a imprensa socialista,
sobretudo o Jornal Avanti!, enviado por seu irmão mais velho. em Turin, trabalhou com
publicações de esquerda, militou em comissões de trabalhadores em fábricas e ajudou a fundar
o Partido Comunista Italiano (PCI) em 1921. Posteriormente, Gramsci foi enviado à Moscou
como representante do seu partido junto ao Comitê Executivo da Internacional Comunista (IC).
Ele participou da Segunda Conferência do Executivo Ampliado da IC. Depois da Conferência,
devido à saúde debilitada, foi internado em uma clínica para doenças nervosas onde conheceu
Julia Schucht, sua futura esposa (Gramsci, 1999).
Ao retornar de Moscou, continuou a se posicionar e publicar nos jornais de esquerda
italianos. Contudo, em novembro de 1926 foi preso pelo regime fascista de Benedito Mussolini.
Assim, Gramsci foi condenado a mais de vinte anos de reclusão. Durante os dez anos que
permaneceu preso, escreveu os textos reunidos em Cadernos do Cárcere e Cartas do Cárcere.
Importante destacar que sua teoria não se encontra sistematizada em um livro escrito por ele
mesmo, mas há vários livros com seus escritos (Martins, 2021).
As obras de Gramsci inspiraram a linha democrática seguida pelos partidos comunistas
europeus em meados do século XX. No entanto, o filósofo marxista “pode ser considerado um
ícone para a elaboração conceitual de pressupostos imprescindíveis para a compreensão do
movimento político em diferentes períodos históricos” (Flach, 2020, p. 6). Isso significa que
suas teorias não são restritas ao período histórico em que viveu, mesmo sendo postuladas por
meio de análises complexas da realidade vivida a respeito das relações políticas que moviam a
sociedade de sua época (Flach, 2020). Ainda hoje, reflexões e conceitos elaborados por Gramsci
são fundamentais para compreender os conflitos sociopolíticos e econômicos de nossa
sociedade.
Espelho, espelho mau, como são as adaptações psicofísicas por meio do capital? Reflexões sobre a Educação Física Escolar na perspectiva
gramsciana
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092 6
No pensamento gramsciano, observa-se uma ampliação do conceito de Estado em
relação à teoria marxista clássica, por meio da junção do Estado Stricto com a Sociedade Civil,
esta entendida como uma arena de disputas/lutas entre as classes sociais nos campos
ideológicos, morais e éticos. Nesse contexto, “observamos de forma explícita e clara como o
nexo psicofísico dos indivíduos está influenciado pela função social que sua classe desempenha
a partir da lógica da divisão do trabalho” (Silva, 2022, p. 897-898). O Estado assume a função
de instrumento para promover a adequação da sociedade civil à sociedade econômica.
Gramsci amplia o conceito de Estado, que tem a dupla função de organizar e propagar
uma reforma moral e intelectual, garantindo o desenvolvimento de uma vontade coletiva que
concorrerá para a emergência de uma nova sociedade, uma forma de civilização moderna
(Gramsci, 1984). Interessante notar que os conceitos e concepções construídas permanecem
atuais, pois continuamos no mesmo Bloco Histórico (capitalismo), o Partido dos trabalhadores
segue lutando para superar o capital e o Partido dominante segue lutando para a manutenção da
hegemonia do capital, por meio da extração da mais-valia.
Essa constatação sugere a necessidade das classes subalternas se reconhecerem como
sujeitos históricos, plenamente inseridos em uma estrutura e conjuntura de natureza complexa.
Nesse cenário, em uma das reflexões, Gramsci demonstra que todos os homens são filósofos,
porém, define os limites e as características desta “filosofia espontânea” (Gramsci, 1999, p. 93),
peculiar a todos. A filosofia está contida:
1) na própria linguagem, que é um conjunto de noções e de conceitos
determinados e não, simplesmente, de palavras gramaticalmente vazias de
conteúdo; 2) no senso comum e no bom senso; 3) na religião popular e,
consequentemente, em todo o sistema de crenças, superstições, opiniões,
modos de ver e de agir que se manifestam naquilo que geralmente se conhece
por “folclore(Gramsci, 1999, p. 93).
Ao trazer essa reflexão, questiona qual a ideia que o povo faz da filosofia.
É verdade que nela se contém um convite implícito à resignação e à paciência,
mas parece que o ponto mais importante seja, ao contrário, o convite à
reflexão, à tomada de consciência de que aquilo que acontece é, no fundo,
racional, e que assim deve ser enfrentado, concentrando as próprias forças
racionais e não se deixando levar pelos impulsos instintivos e violentos. Essas
expressões populares poderiam ser agrupadas com as expressões similares dos
escritores de caráter popular (recolhidas dos grandes dicionários) nas quais
entrem os termos “filosofia” e “filosoficamente”; e assim se poderá perceber
que tais expressões têm um significado muito preciso, a saber, o da superação
das paixões bestiais e elementares numa concepção da necessidade que
fornece à própria ação uma direção consciente. Este é o núcleo sadio do senso
comum, que poderia precisamente ser chamado de bom senso e que merece
Felipe Machado HUGUENIN; Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA e Fabiane Frota da Rocha MORGADO
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ser desenvolvido e transformado em algo unitário e coerente. Torna-se
evidente, assim, porque não é possível a separação entre a chamada filosofia
“científica” e a filosofia “vulgar” e popular, que é apenas um conjunto
desagregado de ideias e de opiniões (Gramsci, 1999, p. 98).
Com a demonstração de que todos têm potencial para serem filósofos, mesmo
inconscientemente, pois até na manifestação mais singela de uma atividade encontram-se
embutidas concepções de mundo, nas quais emergem novos paradigmas como o senso comum
e o bom senso. Senso comum é uma visão de mundo disseminada de maneira não estruturada e
assistemática entre as classes subalternas, ou seja, “participa-se de uma concepção de mundo
imposta mecanicamente pelo ambiente exterior” (Gramsci, 1999, p. 93). Já o bom senso é uma
evolução do senso comum, mesmo que ocupem um mesmo lugar; diferentemente do
conhecimento científico e filosófico, que se encontra em outra esfera, marcado pela elaboração
individual do pensamento.
Dito isto, Gramsci (1999) elabora uma indagação:
[...] é preferível elaborar a própria concepção do mundo de uma maneira
consciente e crítica e, portanto, em ligação com este trabalho do próprio
cérebro, escolher a própria esfera de atividade, participar ativamente na
produção da história do mundo, ser o guia de si mesmo e não mais aceitar do
exterior, passiva e servilmente, a marca da própria personalidade? (Gramsci,
1999, p. 94)
Assim, fica explícita a necessidade de cada sujeito superar o estágio do senso comum,
considerando que cada um pode receber informações gerais para a formação da própria
personalidade consciente. A compreensão crítica de si mesmo é obtida por meio da luta de
hegemonias políticas com direções opostas. Inicia-se no campo ético, posteriormente passa ao
político e, finalmente, atinge uma elaboração superior da própria concepção do real (Gramsci,
1999).
Completando este raciocínio,
A consciência de fazer parte de uma determinada força hegemônica (isto é, a
consciência política) é a primeira fase de uma ulterior e progressiva
autoconsciência, na qual teoria e prática finalmente se unificam. Portanto,
também a unidade de teoria e prática não é um dado de fato mecânico, mas
um devir histórico, que tem a sua fase elementar e primitiva no sentimento de
“distinção”, de “separação”, de independência quase instintiva, e progride até
a aquisição real e completa de uma concepção do mundo coerente e unitária
(Gramsci, 1999, p. 103-104).
Desse modo, a formação deve ser baseada na concepção humanista e em uma nova
cultura. Não se trata apenas de fazer descobertas originais individualmente, é também e,
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sobretudo, divulgar criticamente as verdades já descobertas, socializá-las e, consequentemente,
transformá-las em base de ações vitais, em elemento de coordenação e ordem intelectual e
moral (Gramsci, 1999). Consequentemente, insere-se o termo unitária, como a conjugação da
realidade abstrata e concreta, ou seja, teoria e prática para qualificar as ações humanas. E, ao
que parece, é importante criticar a própria concepção de mundo, na busca por uma maior
coerência.
Essa busca encontra-se intimamente relacionada ao que Gramsci destacou de sermos
“conformistas de algum conformismo” (Gramsci, 1999, p. 94). De alguma maneira,
pertencemos a um determinado grupo pela própria concepção de mundo, compartilhando um
mesmo modo de pensar e agir (Gramsci, 1999). Todavia, esse conformismo se configura ao
passo que um grupo social, que tem sua concepção de mundo particular, manifestada nas ações,
toma para si, por razões de submissão e subordinação intelectual, uma concepção que não é sua.
A conduta deixa de ser independente e autônoma e torna-se submissa e subordinada (Gramsci,
1999). E, ao passo que não se pode separar a filosofia da política, “a escolha e a crítica de uma
concepção do mundo são, também elas, fatos políticos” (Gramsci, 1999, p. 97).
Relacionado diretamente com a compreensão de concepção do mundo encontra-se o
conceito de ideologia, que deve ser entendida como “o significado mais alto de uma concepção
do mundo, que se manifesta implicitamente na arte, no direito, na atividade econômica, em
todas as manifestações de vida individuais e coletivas” (Gramsci, 1999, p. 98). O entendimento
de ideologia encontra-se ligado a uma unificação dos valores históricos do conhecimento e da
cultura, sendo imprescindível a colocação de Gramsci sobre a construção de massa: “A adesão
ou não-adesão de massas a uma ideologia é o modo pelo qual se verifica a crítica real da
racionalidade e historicidade dos modos de pensar” (Gramsci, 1999, p. 111).
Deste modo, aliado aos entendimentos e conceitos supracitados, o conceito de
hegemonia é assim descrito por Gramsci (1999):
É por isso que se deve chamar a atenção para o fato de que o desenvolvimento
político do conceito de hegemonia representa, para além do progresso
político-prático, um grande progresso filosófico, que implica e supõe
necessariamente uma unidade intelectual e uma ética adequada a uma
concepção do real que superou o senso comum e tornou-se crítica, mesmo que
dentro de limites ainda restritos (Gramsci, 1999, p. 104).
Depreende-se deste jeito a necessidade imperativa de estabelecer e fortalecer os aparatos
de hegemonia das classes subalternas, baseando-se em recursos humanos adequadamente
capacitados e organicamente estruturados na perspectiva de uma práxis revolucionária.
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Ademais, é essencial nutrir um compromisso genuíno com a prática ética e política, concebendo
a política como uma práxis composta por indivíduos que se dedicam ao processo de educação
para socializar e influenciar o mundo. Assim, a função dos intelectuais e da escola é mediar a
tomada de consciência das massas, que passa pelo autoconhecimento e implica reconhecer o
próprio valor histórico.
Adaptações psicofísicas: do Fordismo ao Toyotismo
Gramsci, mesmo estando no cárcere, analisa de maneira profunda o modelo de
desenvolvimento conhecido como Fordismo, ainda em sua fase embrionária. Tece inúmeros
pensamentos e reflexões sobre o desenvolvimento de uma nova forma de organização das bases
materiais de produção e das relações sociais, dando ênfase nas questões político-ideológicas
que ajudaram na construção da hegemonia do americanismo, por meio dos mecanismos de
coerção e consenso junto à classe operária.
Esse novo modelo de desenvolvimento, baseado nas teorias científicas de Taylor
aplicadas na fábrica Ford, objetivou o aumento da produtividade na indústria, porém exigiu
uma transformação do trabalhador. O propósito da sociedade americana era:
desenvolver em seu grau máximo, no trabalhador, os comportamentos
maquinais e automáticos, quebrar a velha conexão psicofísica do trabalho
profissional qualificado, que exigia uma certa participação ativa da
inteligência, da fantasia, da iniciativa do trabalhador, e reduzir as operações
produtivas apenas ao aspecto físico maquinal (Gramsci, 2015, p. 243).
Assim, com o sistema Fordista, tende-se a separar corpo e mente. Enquanto o físico é
reduzido às atividades mecanizadas, o cérebro mantém-se livre para outras ocupações
(Gramsci, 2015). É possível observar a presença da lógica de racionalização do trabalho sob a
perspectiva da hegemonia do capital na esfera da produção.
Todavia, com essa racionalização do trabalho e com o modo de vida baseado na
produção, a construção da nova sociedade passa a necessitar de uma relação dialética entre o
Regime de Acumulação (Estrutura) e o Modo de Regulação Social (Superestrutura), com a
combinação dos mecanismos de coerção, tal como niilismo do sindicalismo, e consenso,
convencendo os trabalhadores com altos salários e/ou benefícios sociais, por exemplo.
O progresso do capitalismo, como forma de ultrapassar o velho individualismo
econômico, com a instauração de uma economia pragmática, requer um “novo tipo humano”
(Gramsci, 2015, p. 226), conformado e adequado às necessidades do desenvolvimento das
forças produtivas. “A vida na indústria exige um aprendizado geral, um processo de adaptação
Espelho, espelho mau, como são as adaptações psicofísicas por meio do capital? Reflexões sobre a Educação Física Escolar na perspectiva
gramsciana
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psicofísica a determinadas condições de trabalho, de nutrição, de habitação, de costumes, etc.”
(Gramsci, 2015, p. 229).
Dentre as adaptações psicofísicas, destacam-se: 1) Questão sexual, “foram os instintos
sexuais os que sofreram a maior repressão por parte da sociedade em desenvolvimento”
(Gramsci, 2015, p. 228); 2) Uso do álcool, “o mais perigoso agente de destruição das forças de
trabalho” (Gramsci, 2015, p. 244).
A história do industrialismo foi sempre (e se torna hoje de modo ainda mais
acentuado e rigoroso) uma luta contínua contra o elemento “animalidade” do
homem, um processo ininterrupto, frequentemente doloroso e sangrento, de
sujeição dos instintos (naturais, isto é, animalescos e primitivos) a normas e
hábitos de ordem, de exatidão, de precisão sempre novos, mais complexos e
rígidos, que tornam possíveis as formas cada vez mais complexas de vida
coletiva, que são a consequência necessária do desenvolvimento do
industrialismo (Gramsci, 2015, p. 239).
Com efeito, para tal desenvolvimento, a ideologia puritana foi o meio utilizado para
disciplinar fora do ambiente fabril. As iniciativas puritanas não tinham uma preocupação com
a humanidade, nem com a espiritualidade do trabalhador. O puritanismo, marcado pela
racionalização e pelo proibicionismo, teria como objetivo manter o equilíbrio psicofísico do
operário, ou seja, “se preocupa em manter a continuidade da eficiência física do trabalhador, de
sua eficiência muscular-nervosa” (Gramsci, 2015, p. 244). Preserva-se o corpo útil, disciplinado
e submisso, não apenas no ambiente de trabalho, mas também fora dele.
Desta maneira, a adaptabilidade da classe trabalhadora é uma questão determinante para
as novas condições econômicas de produção, prova de que os ajustes dos mecanismos de
coerção e consenso foram primordiais para o desenvolvimento da sociedade industrial da época.
Não obstante, a partir da crise ocorrida em meados dos anos 1930-40, um novo modelo de
desenvolvimento, denominado Toyotismo, faz perpetuar as relações políticas entre as classes
até hoje, conservando a hegemonia dominante e os mecanismos de coerção e consenso sob uma
nova perspectiva, visto as novas exigências à classe trabalhadora (Alves, 2005), a qual,
particularmente, intitulamos o novíssimo novo tipo humano.
O Toyotismo conseguiu se impor como o mais adequado à etapa de crise estrutural pela
qual passa o capitalismo. Em meio aos múltiplos modelos de produção disseminados a partir
do Fordismo, tais como: sueco, italiano e alemão, o modelo japonês constituiu um novo
complexo de reestruturação produtiva, sob o novo regime de acumulação flexível (Alves,
2005).
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Uma primeira diferença entre o Fordismo e o Toyotismo está no entendimento do corpo
e mente do trabalhador. No modelo fordista, como já enunciado, existe uma cisão entre corpo
e mente. O gesto físico ficou completamente mecanizado; a memória do ofício foi reduzida a
gestos simples e repetitivos com ritmo intenso, enquanto o cérebro fica livre e desimpedido
para outras ocupações (Gramsci, 2015). Cada operário executava apenas uma tarefa de forma
mecânica e conhecia somente a sua função.
no Toyotismo, observa-se um alinhamento entre corpo e mente; é preciso articular os
dois no processo de trabalho, pois o trabalhador tem o conhecimento geral de todos os
procedimentos; os funcionários possuem funções menos específicas, trabalhando naquilo que
tiver maior demanda no momento. Contudo, apesar da exigência de participação por parte do
trabalhador, o conhecimento e a iniciativa no processo de trabalho são meramente expropriados
do próprio trabalhador; consequentemente, a subjetividade que surge no ambiente fabril se torna
inautêntica quanto à real participação do trabalhador no processo produtivo (Ribeiro, 2015).
Surge, assim, uma promessa frustrada do Toyotismo em recompor a integração corpo-mente
por meio da racionalização do trabalho sob a perspectiva da hegemonia do capital (Alves,
2005).
A lógica da racionalização do trabalho é continuada no novo modelo de produção.
Enquanto no Fordismo existia uma racionalização incompleta, o Toyotismo desenvolve por
meio dos mecanismos de comprometimento operário o controle da dimensão subjetiva pelo
capital e incorpora com desenvoltura as variáveis psicológicas do comportamento operário à
racionalidade capitalista na produção, ou seja, não existe a pretensão de instaurar uma sociedade
racionalizada, mas apenas uma fábrica racionalizada (Alves, 2005).
Ao que parece, mesmo com o alinhamento entre corpo e mente, o real objetivo do
Toyotismo é a manutenção do paradigma da manufatura Fordista, ou seja, “uma certa
participação ativa da inteligência, da fantasia, da iniciativa do trabalhador, e reduzir as
operações produtivas apenas ao aspecto físico maquinal” (Gramsci, 2015, p. 243), conforme já
exposto. Vale muito mais a polivalência do trabalhador que a utilização da sua inteligência. O
novo regime impõe o alinhamento como meio de combate ao estresse da superexploração
toyotista e não com a finalidade da emancipação do sujeito da disciplina do capital (Alves,
2005).
Assim, o Toyotismo restringe a lógica da hegemonia do capital à produção e recompõe
a articulação entre consentimento operário e controle do trabalho. O operário é impelido a
pensar e encontrar soluções antes que os problemas ocorram, ou seja, é encorajado a cooperar
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gramsciana
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com a lógica da valorização do capital. Isso configura uma busca sedenta por hegemonia e
promove um investimento na captura da subjetividade, sendo elo significativo da aguda
manipulação social do capitalismo em sua fase de crise estrutural (Alves, 2005).
O trabalhador de novo tipo do modelo japonês, diante das transformações do mundo e
das relações humanas, possui características bem delineadas: ele é flexível, enxuto e
sustentável. Os desafios decorrentes da transição para um novo modo de produção,
impulsionados pela crise do Fordismo, introduzem novos paradigmas e questões que
transcendem o âmbito do trabalho, abrangendo também aspectos sociais e culturais. Nesta
reconfiguração, a velocidade assume um valor preponderante, o que condiciona não somente a
relação da humanidade com o trabalho, mas também as interações familiares, as amizades e os
relacionamentos afetivos (Ribeiro, 2015).
A lógica do capital invade o espaço doméstico. O corpo é útil, disciplinado e submisso
dentro e fora do local de trabalho. Ao passo que o Toyotismo tende a alinhar corpo e mente, o
corpo rígido do Fordismo flexibiliza-se em meio às novas exigências do trabalho. Segundo
Ribeiro (2015), uma organização flexível do trabalho conjuga a flexibilização da força de
trabalho com a flexibilização do processo de trabalho. Essa dinâmica pode resultar em uma
fragmentação entre distintas categorias de trabalhadores, devido ao processo de terceirização e
subcontratação, que estabelece uma hierarquia entre uma minoria com remuneração e
qualificação profissional favoráveis e uma maioria sujeita a condições precárias de emprego.
Além disso, o trabalhador contemporâneo é requerido a possuir habilidades versáteis, agilidade
e capacidade de desempenhar múltiplas funções. A concentração produtiva assume um caráter
invertido, com uma unidade central responsável por coordenar, planejar e organizar a produção
de toda uma rede de unidades periféricas.
A fábrica, por sua vez, busca alcançar a produção contínua ideal, sem intervalos ou
interrupções, aperfeiçoando o que o modelo fordista realizava de forma incipiente. Nesse
contexto, a busca por ganhos adicionais em termos de intensidade e produtividade do trabalho
é crucial, destacando-se a relevância da incorporação de práticas como o just-in-time, que busca
a precisão da cadeia de produção, encaixando as operações e as execuções de acordo com a
demanda do mercado, ou seja, tudo deve ocorrer no devido tempo, nem antes, nem depois,
evitando-se o estoque parado e o desperdício de matéria-prima.
Deste modo, o Toyotismo, mais do que o modelo fordista, perpetua o compromisso com
a lógica do capital, alterando a subjetividade do corpo e trazendo adaptações psicofísicas da
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classe operária. Os mecanismos de coerção e consenso repercutem na atualidade, meramente
sob novas formas, conservando a hegemonia dominante.
Da Educação Corporal à Educação Física Escolar: considerações críticas para a
construção de uma educação emancipatória
Ao longo da história, existem fatos que se referem à evolução das práticas corporais,
“entendidas como manifestações das possibilidades expressivas dos sujeitos” (Brasil, 2018, p.
213). O corpo foi apresentado e estudado como corpo biológico e, contemporaneamente, é
entendido e estudado como corpo histórico-cultural. A própria dinâmica da vida nas
interrelações humanas, nos hábitos, nas práticas, nas crenças se transformou no decorrer do
tempo. Nesse contexto, o ser humano desenvolveu um acervo de gestos e manifestações
corporais com o intuito de suprir as necessidades orgânicas, afetivas, estéticas, lúdicas, políticas
e sociais. Assim, o corpo permanece sendo moldado e socializado para a integração na vida em
sociedade (Brighente; Mesquida, 2011).
Na perspectiva gramsciana, o corpo é conformado e adequado às necessidades do
desenvolvimento das forças produtivas, com um processo de adaptações psicofísicas
condicionadas ao trabalho (Gramsci, 2015). Tal entendimento é corroborado com o pensamento
de Foucault (1987), “em qualquer sociedade, o corpo está preso no interior de poderes muito
apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações” (Foucault, 1987, p. 163).
Neste processo de adestramento dos corpos, transparece quais são os recursos utilizados
para que isso ocorra e leve resultados aos interessados. Gramsci pontuou os métodos de coerção
e consenso (Gramsci, 2015), como visto. Estes métodos são similares ao que Foucault (1987)
chama de poder disciplinar, que tem como objetivo adestrar as multidões confusas e inúteis
corpos, fabricando indivíduos obedientes. E seu sucesso se baseia em três instrumentos: “o
olhar hierárquico, a sanção normalizadora e sua combinação num procedimento que lhe é
específico, o exame” (Foucault, 1987, p. 195).
Ademais, um dos objetivos do poder disciplinar é docilizar o indivíduo, fabricando-o,
do ponto de vista social, econômico e político, para que produza mais, gere mais lucros e não
se revolte com o Estado (Foucault, 1987). Assim, pensar, criar e executar ações socioeducativas
significa reconhecer a necessidade de enfrentar a hegemonia dominante em todas as esferas da
vida. É necessário e fundamental pensar em uma educação transformadora, emancipatória e
crítica ao capital dentro da escola.
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No âmbito educacional, a perspectiva freireana desponta como referência fundamental
na pedagogia contemporânea. Freire (1987) enfatiza a educação como um processo de
conscientização crítica, no qual os indivíduos se tornam conscientes de sua realidade e do
potencial de transformação social. Nesse contexto, a educação deve ser comprometida com a
superação das desigualdades e a promoção da emancipação dos sujeitos (Freire, 1987).
Essa abordagem dialoga com a visão de Gramsci (1999), que destaca a importância da
hegemonia cultural e intelectual na manutenção do poder de uma classe dominante. Argumenta
que, além da dominação política e econômica, a classe dominante também exerce seu controle
por meio da disseminação de sua ideologia, valores e crenças. Assim, para promover a
emancipação dos sujeitos e a superação das desigualdades, o intelectual italiano propõe que a
classe subalterna (classe oprimida) deve desenvolver uma consciência crítica e uma nova
cultura que desafie a hegemonia da classe dominante (Gramsci, 1999).
Nessa esteira, Gramsci (1999) discute a importância da educação como uma ferramenta
essencial para a transformação social. Defende que a educação deve ser acessível a todas as
classes sociais e ser voltada para o desenvolvimento de indivíduos críticos e reflexivos. Essa
educação crítica permitiria que os sujeitos compreendessem as estruturas de poder, a natureza
das desigualdades e formas de opressão, habilitando-os a lutar por mudanças sociais (Gramsci,
1999).
Nessa mesma linha, Saviani (1986) contribui para o debate sobre uma educação mais
crítica e emancipatória ao defender a democratização do acesso à educação como meio para
superar as desigualdades sociais e promover uma educação mais democrática e emancipadora.
Nesse cenário, o papel do professor é fundamental como mediador do conhecimento e condutor
do processo de aprendizagem e formação dos estudantes (Saviani, 1986).
Assim, a Educação Física Escolar assume uma relevância ímpar ao buscar promover a
formação integral dos indivíduos por meio das práticas corporais. Ao incorporar as
contribuições de Antonio Gramsci sobre educação, política e conhecimento, a Educação Física
pode adquirir um potencial transformador ao promover a conscientização crítica e a
emancipação dos(as) alunos(as). Para tanto, as práticas corporais devem transcender a mera
mecanização do movimento, permitindo que os(as) alunos(as) compreendam o movimento em
sua dimensão histórico-social e desenvolvam uma consciência crítica sobre as relações de poder
na sociedade (Silva, 2022). É necessário estimular a reflexão crítica sobre as práticas
pedagógicas na Educação Física, fomentando uma abordagem inclusiva e contextualizada
(Kunz, 2004).
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A Educação Física pode ser apreendida no âmbito da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) como um componente curricular que aborda e tematiza as diversas manifestações das
práticas corporais, permeadas por uma construção sociocultural (Brasil, 2018). Ao reconhecer
as práticas corporais como a principal forma de manifestação do indivíduo, esse elemento
curricular proporciona ao estudante a oportunidade de exteriorizar e recriar significados e
símbolos por meio do movimento. Logo, as representações do eu, do outro e do mundo
emergem como consequências do envolvimento do indivíduo com o ambiente que o cerca.
Desta forma, as práticas corporais precisam ser debatidas, pois constituem importantes
elementos de formação humana. Por meio delas é viável alcançar a compreensão e estabelecer
mediações e possibilidades para a prática pedagógica que visem à socialização e ao diálogo do
conhecimento sistematizado (Silva, 2022). Nesse contexto, o movimento como reflexo
histórico do eu corporal é um instrumento importante da conscientização e crítica das relações
de poder estabelecidas na sociedade imposta pelo capital. Em antagonismo a esta, o cenário da
Educação Física contemporânea a partir dos documentos que objetivam balizar a Educação
nacional evidencia uma tendência à mecanização das práticas corporais, que se apresentam
como interessadas no movimento pelo movimento. Em síntese, as práticas corporais precisam
ser compreendidas e vivenciadas, não podem ser apenas uma execução do movimento pelo
movimento. Com a compreensão do movimento, estabelece-se uma consciência para julgar e
analisar o conhecimento organizado que procura explicar os movimentos corporais
historicamente sistematizados (Silva, 2022).
Um primeiro passo é contribuir para que cada aluno(a) desenvolva a necessidade de se
reconhecer como sujeito histórico, inserido em uma estrutura e conjuntura complexas. Faz-se
necessária a superação do senso comum, considerando que cada um pode receber as
informações para a formação de sua personalidade humana consciente, tendo como base para
essa formação uma concepção humanista e uma nova cultura, como propunha Gramsci
(1999). Essa superação do senso comum com a tomada de consciência de fazer parte de uma
determinada força hegemônica marcará a união da teoria com a prática.
A instituição escolar desempenha um papel essencial na viabilização de uma educação
inclusiva e humanista, garantindo o acesso de todos(as) os(as) alunos(as) aos saberes
acumulados pela humanidade (Saviani, 1986). Nesse contexto, a Educação Física emerge como
uma aliada significativa no processo de formação plena dos estudantes, ajudando-os a
reconhecerem-se como sujeitos históricos e a compreenderem as complexidades das estruturas
sociais circundantes (Gramsci, 2015). Essa formação integral pode proporcionar aos alunos(as)
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a possibilidade de transcender o senso comum e adquirir uma compreensão crítica e reflexiva
que contribui para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e livre de exploração
(Brasil, 2018; Freire, 1987; Saviani, 1986). Nesse contexto, a educação assume uma importante
função na conscientização e mobilização das massas, que anteriormente encontravam-se
confusas e inertes, potencializando-as para lutar por uma sociedade mais igualitária e
emancipada (Foucault, 1987).
No cerne da escola reside o propósito de ser um espaço-tempo propício que requer a
conscientização dos indivíduos sobre a realidade e o conhecimento científico, inseridos em uma
estrutura e contexto em que devem ter acesso aos saberes acumulados pela humanidade. Desse
modo, atribui-se uma importância fundamental à educação e à cultura, uma vez que as ideias e
a cultura materializada são pilares essenciais para a construção de uma sociedade caracterizada
pela ausência de exploração. Nesse cenário, as possibilidades humanas são ampliadas por meio
de uma escola inclusiva, humanista e formadora, destinada a todos e para todos.
Assim, as práticas corporais, em suas distintas formas de codificação e significado
social, assumem um papel relevante no contexto escolar, sobretudo por meio da disciplina de
Educação Física, pois suas atividades configuram uma expressão singular da cultura, das
experiências corporais e de diversas modalidades de atividades físicas. Para a formação plena
do(a) aluno(a), é imprescindível que ele tenha acesso às práticas corporais e à cultura produzida
e acumulada. A Educação Física, ao abordar as contribuições de Gramsci sobre educação,
política e conhecimento, tem a capacidade de fomentar o pensamento dialético na busca pela
compreensão holística do(a) aluno(a) e de reforçar suas bases epistemológicas. Essa perspectiva
possibilita a construção de uma educação emancipadora ao incluir a dimensão corporal como
parte integrante e potencialmente transformadora do processo educacional.
A Educação Física Escolar, ao abraçar uma perspectiva crítica e emancipatória,
consolida-se como uma disciplina que ultrapassa a mera instrução cnica e mecânica do corpo.
Ao promover a reflexão, a conscientização e a valorização das práticas corporais, torna-se um
instrumento poderoso para a formação de indivíduos conscientes, ativos e engajados na
construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.
Nesse contexto, é imperativo que as práticas corporais na Educação Física Escolar
promovam o acesso, a sistematização e a internalização do conhecimento, proporcionando a
transição do pensamento sincrético e do senso comum para formas mais sofisticadas do
pensamento e da cultura. Esse processo representa o desenvolvimento gradual e orgânico do(a)
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aluno(a), em consonância com a perspectiva proposta por Gramsci, em direção a sínteses cada
vez mais elaboradas da realidade.
Considerações finais
O presente artigo teve por finalidade expor conceitos preliminares da teoria gramsciana,
tecer considerações sobre as adaptações psicofísicas nos modelos de desenvolvimento,
marcados no mesmo bloco histórico do capital, e as implicações corporais dos indivíduos e suas
relações cotidianas na escola.
Ao longo da história, as práticas corporais têm passado por transformações
significativas, refletindo as mudanças nas concepções do corpo e suas relações com o contexto
sociocultural. De uma perspectiva gramsciana, o corpo é conformado às necessidades do
desenvolvimento das forças produtivas, adaptando-se ao trabalho e submetido a poderes
restritivos.
A partir da análise de Gramsci e Foucault, compreende-se que o poder disciplinar se
manifesta no adestramento dos corpos, visando a produção, o lucro e a obediência ao Estado.
Essa realidade coloca desafios para a educação, que deve enfrentar a hegemonia dominante e
buscar uma abordagem transformadora e emancipatória.
A concepção humanista de Gramsci dialoga com a perspectiva freireana, ambos
destacando a importância da educação como um processo de formação de sujeitos críticos e
emancipados. A Educação Física Escolar, ao abraçar essa abordagem, torna-se um instrumento
poderoso para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. É fundamental que o
ensino das práticas corporais além da mecanização do movimento, proporcionando uma
compreensão mais profunda das relações de poder e da cultura materializada na sociedade.
A Educação Física Escolar surge como uma disciplina com potencial para ir além da
mera instrução técnica do corpo, possibilitando aos alunos(as) uma compreensão crítica e
reflexiva das práticas corporais. Nesse sentido, a perspectiva freireana se mostra relevante,
enfatizando a educação como um processo de conscientização crítica e superação das
desigualdades sociais.
Assim, a Educação Física Escolar deve ser entendida como um espaço-tempo de
reflexão, conscientização e formação integral dos indivíduos. Por meio das práticas corporais,
os(as) alunos(as) têm a oportunidade de reconhecerem-se como sujeitos históricos, inseridos
em uma sociedade complexa. A relação entre corpo e poder se evidencia, e o papel da escola é
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promover o acesso ao conhecimento sistematizado, para que os(as) alunos(as) desenvolvam
uma consciência crítica sobre si mesmos e sobre as relações sociais.
A formação dos(as) alunos(as) deve ser orientada pela reflexão crítica sobre as práticas
pedagógicas, fomentando a inclusão, a contextualização e a valorização das experiências
corporais. A Educação Física Escolar, ao adotar essa postura, contribui para a construção de
uma consciência crítica dos estudantes, potencializando-as para a transformação social e a luta
pela construção de uma sociedade mais igualitária e emancipada.
Em síntese, a Educação Física Escolar emerge como um espaço-tempo de
enriquecimento das vivências corporais, proporcionando aos alunos(as) uma compreensão
crítica das práticas corporais e seu contexto sociocultural. A abordagem emancipatória,
inspirada em Gramsci, confere à disciplina um potencial transformador ao estimular a reflexão,
a conscientização e o engajamento dos estudantes na construção de uma sociedade mais justa e
democrática. A necessidade de transcender o senso comum, de superar as limitações impostas
pelo poder disciplinar, é central para a formação de indivíduos conscientes de sua história e
capazes de atuar como agentes de mudança social.
Nesse sentido, as práticas corporais não podem ser descontextualizadas, precisam estar
inseridas em um contexto histórico e carregadas de significados e mbolos. A partir da
compreensão dialética de mundo os indivíduos serão capazes de criticar as adaptações
psicofísicas exigidas pelo capital. Além disso, serão capazes de analisar e refletir criticamente
acerca das posturas consumistas e da valorização da aparência. Assim, a relação estabelecida
com o espelho poderá se desenvolver de forma crítica, sem pressão social para que o indivíduo
seja aquilo que o capital exige e/ou aquilo que os outros esperam dele.
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro -
FAPERJ, pela bolsa concedida à prof.ª Dr.ª Fabiane Frota da Rocha Morgado no Programa
Jovem Cientista do Nosso Estado - 2022 - Proc. N.º 200.233/2023.
Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro FAPERJ.
Conflitos de interesse: Não há conflito de interesses.
Aprovação ética: O trabalho respeitou a ética durante a pesquisa. Tipo de trabalho sem a
necessidade de ser submetido a comitê de ética.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Felipe Machado HUGUENIN: Conceitualização;
Metodologia; Redação - Rascunho Original; Redação - revisão e edição. Vitor Alexandre
Rabelo de ALMEIDA: Conceitualização; Metodologia; Redação - revisão e edição. Fabiane
Frota da Rocha MORGADO: Redação - revisão e edição.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092 1
ESPEJO, ESPEJO MALO, ¿CÓMO SON LAS ADAPTACIONES PSICOFÍSICAS A
TRAVÉS DEL CAPITAL? REFLEXIONES SOBRE LA EDUCACIÓN FÍSICA
ESCOLAR DESDE LA PERSPECTIVA GRAMSCIANA
ESPELHO, ESPELHO MAU, COMO SÃO AS ADAPTAÇÕES PSICOFÍSICAS POR
MEIO DO CAPITAL? REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA
PERSPECTIVA GRAMSCIANA
MIRROR, BAD MIRROR, HOW ARE THE PSYCHOPHYSICAL ADAPTATIONS
THROUGH CAPITAL? REFLECTIONS ON SCHOOL PHYSICAL EDUCATION FROM
THE GRAMSCIAN PERSPECTIVE
Felipe Machado HUGUENIN1
e-mail: felipehuguenin@gmail.com
Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA2
e-mail: vitoralexandrea_@hotmail.com
Fabiane Frota da Rocha MORGADO3
e-mail: fabianefrota@ufrrj.br
Cómo hacer referencia a este artículo:
HUGUENIN, F. M.; ALMEIDA, V. A. R.; MORGADO, F. F. R.
Espejo, espejo malo, ¿cómo son las adaptaciones psicofísicas a
través del capital? Reflexiones sobre la Educación Física Escolar
desde la perspectiva gramsciana. Revista Ibero-Americana de
Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-
ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092
| Enviado en: 23/05/2023
| Revisiones requeridas el: 03/08/2023
| Aprobado el: 16/11/2023
| Publicado el: 07/02/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Federal Rural de Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brasil. Estudiante de Doctorado en el
Programa de Posgrado en Educación, Contextos Contemporáneos y Demandas Populares (PPGEduc/UFRRJ).
2
Universidad Federal Rural de Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brasil. Estudiante de Doctorado en el
Programa de Posgrado en Educación, Contextos Contemporáneos y Demandas Populares (PPGEduc/UFRRJ).
3
Universidad Federal Rural de Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brasil. Profesora Adjunta del
Departamento de Educación Física y Deportes, Instituto de Educación, UFRRJ. Profesora Titular del Programa de
Posgrado en Educación, Contextos Contemporáneos y Demandas Populares (PPGEduc/UFRRJ).
Espejo, espejo malo, ¿cómo son las adaptaciones psicofísicas a través del capital? Reflexiones sobre la Educación Física Escolar desde la
perspectiva gramsciana
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RESUMEN: Gramsci realizó importantes reflexiones sobre las adaptaciones psicofísicas de los
sujetos en medio de las nuevas exigencias del mercado. El Fordismo/Taylorismo tuvo como
objetivo aumentar la productividad en la industria, lo cual contribuyó a la construcción de la
hegemonía del capital. El objetivo es presentar las adaptaciones de los individuos influenciadas
por el capitalismo, desde el Fordismo hasta el Toyotismo, y delinear cómo se trata el cuerpo en
las clases de Educación Física y en la escuela. Se conceptualiza preliminarmente la teoría
gramsciana, se tejen consideraciones sobre las adaptaciones psicofísicas en los modelos de
desarrollo y se presentan las implicaciones corporales de los individuos y sus relaciones
cotidianas en la escuela. Se concluye que contextualizar las prácticas corporales en la Educación
Física requiere una mayor profundidad. Mediante la comprensión dialéctica, los estudiantes
pueden desarrollar una perspectiva crítica sobre las adaptaciones psicofísicas impuestas por el
capitalismo y sus ideales corporales.
PALABRAS CLAVE: Cuerpo. Aspectos Psicosociales. Gramsci. Educación. Educación
Física.
RESUMO: Gramsci fez importantes reflexões sobre as adaptações psicofísicas dos sujeitos em
meio às novas exigências do mercado. Analisou o desenvolvimento de uma nova forma de
organização das bases materiais de produção e das relações sociais. O Fordismo/Taylorismo
objetivou o aumento da produtividade na indústria, que ajudou na construção da hegemonia
do capital. O objetivo deste texto é apresentar as adaptações psicofísicas dos sujeitos
influenciadas pelo capitalismo, do Fordismo ao Toyotismo, e delinear resumidamente como o
corpo é tratado nas aulas de Educação Física e na escola. Conceitua preliminarmente a teoria
gramsciana, tece considerações sobre as adaptações psicofísicas nos modelos de
desenvolvimento e apresenta as implicações corporais dos indivíduos e suas relações
cotidianas na escola. Conclui-se que contextualizar as práticas corporais na Educação Física
requer maior profundidade. Por meio da compreensão dialética, os(as) alunos(as) podem
desenvolver uma perspectiva crítica sobre as adaptações psicofísicas impostas pelo
capitalismo e seus ideais corporais.
PALAVRAS-CHAVE: Corpo. Aspectos Psicossociais. Gramsci. Educação. Educação Física.
ABSTRACT: Gramsci made important reflections on the psychophysical adaptations of
individuals in the face of new market demands. He analyzed the development of a new form of
organization of the material bases of production and social relations. Fordism/Taylorism
aimed at increasing productivity in the industry, which contributed to the construction of the
hegemony of capital. The goal is to present the psychophysical adaptations of individuals
influenced by capitalism, from Fordism to Toyotaism, and to outline briefly how the body is
treated in Physical Education classes and in school. The Gramscian theory is preliminarily
conceptualized, considerations are woven regarding psychophysical adaptations in
development models, and the bodily implications of individuals and their daily relationships in
school are presented. It is concluded that contextualizing bodily practices in Physical
Education requires greater depth. Through dialectical understanding, students can develop a
critical perspective on the psychophysical adaptations imposed by capitalism and its bodily
ideals.
KEYWORDS: Body. Psychosocial Aspects. Gramsci. Education. Physical Education.
Felipe Machado HUGUENIN; Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA y Fabiane Frota da Rocha MORGADO
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Introducción
Ochenta y seis años después de la muerte, en abril de 2023, del intelectual italiano
Antonio Gramsci, sus escritos continúan como base para estudios en los más diversos campos
del conocimiento, lo que lo convierte en uno de los pensadores extranjeros más discutidos en
Brasil en los últimos años. El legado teórico del pensador sardo ejerce una profunda influencia
en los escritos académicos brasileños, especialmente en los estudios en el área de la Educación
(Coutinho, 2009). Gramsci veía en los intelectuales orgánicos, individuos generados
históricamente e implicados orgánicamente en un grupo social, el camino del cambio, porque
expresaban los valores y visiones particulares del grupo. Además, creía en la escuela como uno
de los principales instrumentos para llevar a cabo dichos cambios (Cruz, 2021; Gramsci, 1999).
El papel de estos intelectuales no se limitó a la producción de discursos, sino que
también implicó la organización de las prácticas sociales. Además, Gramsci entendió que la
escuela debía dar acceso a la cultura, con el objetivo de liberar a las masas de una cosmovisión
determinada en prejuicios y tabúes, que conduce a la internalización acrítica de la ideología
dominante. Esta herencia teórica evidencia la preocupación por la lucha por la conciencia de
clase en la sociedad capitalista, así como la preocupación por la educación (Gramsci, 1999).
Al ampliar sus estudios sobre el capital, Gramsci teje valiosas formulaciones sobre el
desarrollo de una nueva forma de organización de las bases materiales de producción y
relaciones sociales, que ayudó a la construcción de la hegemonía, a través de los mecanismos
de coerción y consenso con la clase obrera (Gramsci, 2015). Específicamente en el Cuaderno
22, el teórico analiza el modelo de desarrollo fordismo/taylorismo, aún en su fase embrionaria,
que tenía como objetivo aumentar la productividad en la industria, pero requería "adaptaciones
psicofísicas" (Gramsci, 2015, p. 226) por parte de los trabajadores.
Las adaptaciones psicofísicas, desde la perspectiva de Gramsci, están directamente
relacionadas con las nuevas condiciones de trabajo, alimentación, vivienda y costumbres, que
imponía la vida en la industria (Gramsci, 2015). Esta nueva vida requería de un aprendizaje
general, ya que "no es algo innato, "natural", sino que requiere ser adquirido" (Gramsci, 2015,
p. 229, nuestra traducción). La historia del industrialismo marca una lucha continua contra la
animalidad del ser humano, es decir, entre los instintos naturales y las normas y hábitos de
orden, exactitud y precisión. La preocupación central era preservar la eficiencia física y corporal
del trabajador (Gramsci, 2015).
Muchas de las proposiciones elaboradas por Gramsci, especialmente las relacionadas
con las adaptaciones psicofísicas, siguen siendo relevantes. Como explica Bauman (2008), en
Espejo, espejo malo, ¿cómo son las adaptaciones psicofísicas a través del capital? Reflexiones sobre la Educación Física Escolar desde la
perspectiva gramsciana
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la sociedad contemporánea las relaciones están guiadas por el consumismo, una de las bases
del capitalismo. El consumismo es más que productos, sino costumbres, hábitos y valores. En
la sociedad de consumo, marcada por la dualidad consumo-mercancía, existe un miedo a estar
en los márgenes de la propia sociedad y una valoración excesiva de la apariencia. Los
individuos son objetos de consumo medidos por el capital, se convierten en mercancías incluso
antes de convertirse en sujetos, debido a la incorporación de estándares sociales impuestos
(Bauman, 2008).
A raíz de esta pregunta, observamos que los factores relacionados con los estándares
impuestos, el consumismo y la apariencia pueden asociarse con la metáfora del espejo. Esta
metáfora se utiliza aquí para representar una característica intrínseca de la persona, siendo al
mismo tiempo clarividente y visible (Merleau-Ponty, 2014). Además, es capaz de establecer
relaciones entre un ser y sí mismo, pero también entre esta persona y las expectativas sociales
que forman su apariencia, es decir, cómo la ven los demás. El éxito de la mediación de este
conflicto requiere de un cuerpo integrado, pleno y multifacético (Tavares, 2003).
Sin embargo, el espejo puede asumir un sesgo de mercado, de presión social para que
el individuo sea lo que el capital demanda y lo que los demás esperan de él. Desde esta
perspectiva, el cuerpo, reducido a la perspectiva cartesiana, se asemeja al análisis realizado por
Beraldo (2018), en el que el personaje del relato analizado evidencia angustia al percibir una
imagen segmentada de sí mismo, no reconociéndose frente al espejo.
Es en este contexto que la Educación Física Escolar cobra especial importancia, ya que
es un espacio privilegiado para trabajar temas relacionados con el cuerpo y el movimiento.
Como señaló Gramsci (2015), más que preservar el cuerpo útil, disciplinado y sumiso, las
nuevas características psicofísicas se transfieren por herencia o se absorben durante la infancia
y la adolescencia. Así, podemos considerar la Educación Física Escolar como un ámbito que
puede y debe ser el espacio-tiempo para el aprendizaje de las prácticas corporales, inserto en
un contexto histórico y lleno de significados y símbolos. De esta manera, podría ser posible
mejorar la perspectiva crítica en relación con el cuerpo, con el fin de posibilitar una educación
transformadora, emancipadora y crítica del capital dentro de la escuela.
Este texto tiene como objetivo presentar las adaptaciones psicofísicas de los sujetos
influenciados por el capitalismo, desde el fordismo hasta el toyotismo, y esbozar brevemente
cómo se trata el cuerpo en las clases de Educación Física y en la escuela actual. Comenzaremos
exponiendo conceptos preliminares de la teoría gramsciana. Posteriormente, discutiremos las
adaptaciones psicofísicas en los modelos de desarrollo, marcadas en el mismo bloque histórico
Felipe Machado HUGUENIN; Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA y Fabiane Frota da Rocha MORGADO
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del capital, y las implicaciones corporales de los individuos y sus relaciones cotidianas en la
escuela.
Gramsci: Conceptos preliminares
Antonio Gramsci nació en Ales, en la isla de Cerdeña, en 1891, en el seno de una familia
numerosa, siendo el cuarto de los siete hijos de Francesco y Giuseppina Marcias. De niña
contrajo una especie de tuberculosis ósea, conocida como enfermedad de Pott, que solo se
diagnostica en la edad adulta, lo que parece estar relacionado con el hecho de que era jorobado.
Debido a las condiciones económicas de la familia y al encarcelamiento de su padre por cargos
de malversación de fondos, conmoción cerebral y tergiversación, su infancia y adolescencia
fueron complejas. Sin embargo, con la ayuda de su madre y sus hermanos, logró graduarse y a
los veintiún años ingresó en la Facultad de Letras de Turín (Gramsci, 1999).
Incluso antes de comenzar la universidad, ya estaba interesado en leer la prensa
socialista, especialmente el periódico Avanti!, enviado por su hermano mayor. Una vez en
Turín, trabajó con publicaciones de izquierda, participó activamente en comités obreros en
fábricas y ayudó a fundar el Partido Comunista Italiano (PCI) en 1921. Posteriormente, Gramsci
fue enviado a Moscú como representante de su partido en el Comité Ejecutivo de la
Internacional Comunista (IC). Participó en la Segunda Conferencia del Ejecutivo Ampliado de
la IC. Después de la Conferencia, debido a problemas de salud, fue ingresado en una clínica de
enfermedades nerviosas donde conoció a Julia Schucht, su futura esposa (Gramsci, 1999).
A su regreso de Moscú, continuó posicionándose y publicando en periódicos italianos
de izquierda. Sin embargo, en noviembre de 1926 fue arrestado por el régimen fascista de
Benedicto Mussolini. Así, Gramsci fue condenado a más de veinte años de prisión. Durante los
diez años que estuvo encarcelado, escribió los textos recogidos en Cuadernos de la cárcel y
Cartas de la prisión. Es importante destacar que su teoría no está sistematizada en un libro
escrito por él mismo, pero existen varios libros con sus escritos (Martins, 2021).
Las obras de Gramsci inspiraron la línea democrática seguida por los partidos
comunistas europeos a mediados del siglo XX. Sin embargo, el filósofo marxista "puede ser
considerado un ícono para la elaboración conceptual de supuestos esenciales para la
comprensión del movimiento político en diferentes períodos históricos" (Flach, 2020, p. 6).
Esto significa que sus teorías no se restringen al periodo histórico en el que vivió, sino que se
postulan a través de complejos análisis de la realidad vivida respecto a las relaciones políticas
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que movían a la sociedad de su tiempo (Flach, 2020). Aún hoy, las reflexiones y conceptos
elaborados por Gramsci son fundamentales para comprender los conflictos sociopolíticos y
económicos de nuestra sociedad.
En el pensamiento gramsciano se produce una ampliación del concepto de Estado en
relación con la teoría marxista clásica, a través de la unión del Estado Stricto con la Sociedad
Civil, entendida esta última como un escenario de disputas/luchas entre clases sociales en los
campos ideológico, moral y ético. En este contexto, "observamos explícita y claramente cómo
el nexo psicofísico de los individuos está influenciado por la función social que su clase
desempeña a partir de la lógica de la división del trabajo" (Silva, 2022, p. 897-898, nuestra
traducción). El Estado asume el papel de instrumento para promover la adaptación de la
sociedad civil a la sociedad económica.
Gramsci amplía el concepto de Estado, que tiene la doble función de organizar y
propagar la reforma moral e intelectual, asegurando el desarrollo de una voluntad colectiva que
contribuya al surgimiento de una nueva sociedad, una forma de civilización moderna (Gramsci,
1984). Es interesante notar que los conceptos y concepciones construidos siguen vigentes,
porque seguimos en el mismo Bloque Histórico (capitalismo), el Partido de los Trabajadores
sigue luchando por vencer al capital y el Partido dominante sigue luchando por el
mantenimiento de la hegemonía del capital, a través de la extracción de plusvalía.
Este hallazgo sugiere la necesidad de que las clases subalternas se reconozcan a
mismas como sujetos históricos, plenamente insertos en una estructura y coyuntura de
naturaleza compleja. En este escenario, en una de las reflexiones, Gramsci demuestra que todos
los hombres son filósofos, sin embargo, define los límites y características de esta "filosofía
espontánea" (Gramisci, 1999, p. 93, nuestra traducción), peculiar de todos. La filosofía está
contenida:
1) en el lenguaje mismo, que es un conjunto de nociones y conceptos
determinados y no simplemente de palabras gramaticalmente desprovistas de
contenido; 2) sentido común y sentido común; 3) en la religiosidad popular y,
en consecuencia, en todo el sistema de creencias, supersticiones, opiniones,
formas de ver y actuar que se manifiestan en lo que generalmente se conoce
como "folklore" (Gramsci, 1999, p. 93, nuestra traducción).
Al traer esta reflexión, cuestiona cuál es la idea que la gente tiene de la filosofía.
Es cierto que contiene una invitación implícita a la resignación y a la
paciencia, pero parece que el punto más importante es, por el contrario, la
invitación a la reflexión, a la toma de conciencia de que lo que está sucediendo
es, en última instancia, racional, y que hay que afrontarlo así, concentrando
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las propias fuerzas racionales y no dejándose llevar por impulsos instintivos y
violentos. Estas expresiones populares podrían agruparse con las expresiones
similares de escritores populares (tomadas de los grandes diccionarios) en las
que se incluyen los términos "filosofía" y "filosóficamente"; Y así será posible
percibir que estas expresiones tienen un significado muy preciso, a saber, el
de la superación de las pasiones bestiales y elementales en una concepción de
la necesidad que da a la acción misma una dirección consciente. Este es el
núcleo sano del sentido común, que con razón podría llamarse sentido común,
y que merece ser desarrollado y transformado en algo unitario y coherente. Es
evidente, pues, por qué no es posible separar la llamada filosofía "científica"
de la filosofía "vulgar" y popular, que no es más que un conjunto desagregado
de ideas y opiniones (Gramsci, 1999, p. 98, nuestra traducción).
Con la demostración de que todo el mundo tiene el potencial de ser filósofo, aunque sea
inconscientemente, porque hasta en la manifestación más simple de una actividad están
incrustadas concepciones del mundo, en las que emergen nuevos paradigmas como el sentido
común y el sentido común. El sentido común es una cosmovisión difundida de manera
desestructurada y asistemática entre las clases subalternas, es decir, "se participa de una
concepción del mundo impuesta mecánicamente por el medio externo" (Gramsci, 1999, p. 93,
nuestra traducción). El sentido común, en cambio, es una evolución del sentido común, aunque
ocupen el mismo lugar; a diferencia del conocimiento científico y filosófico, que se encuentra
en otra esfera, marcada por la elaboración individual del pensamiento.
Dicho esto, Gramsci (1999) elabora una pregunta:
[...] ¿Es preferible elaborar la propia concepción del mundo de manera
consciente y crítica y, por lo tanto, en relación con este trabajo del propio
cerebro, elegir la propia esfera de actividad, tomar parte activa en la
producción de la historia del mundo, ser el propio guía, y no aceptar más desde
fuera, pasiva y servilmente, la huella de la propia personalidad? (Gramsci,
1999, p. 94, nuestra traducción)
Así, se explicita la necesidad de que cada sujeto supere la etapa del sentido común,
considerando que cada uno puede recibir información general para la formación de su propia
personalidad consciente. La comprensión crítica de uno mismo se obtiene a través de la lucha
de hegemonías políticas con direcciones opuestas. Comienza en el campo ético, luego pasa al
político, y finalmente alcanza una elaboración superior de la concepción misma de lo real
(Gramsci, 1999).
Completando este razonamiento,
La conciencia de ser parte de una cierta fuerza hegemónica (es decir, la
conciencia política) es la primera fase de una autoconciencia ulterior y
progresiva, en la que la teoría y la práctica finalmente se unifican. Por lo tanto,
la unidad de teoría y práctica no es un hecho mecánico, sino un devenir
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histórico, que tiene su fase elemental y primitiva en el sentimiento de
"distinción", de "separación", de independencia casi instintiva, y progresa
hacia la adquisición real y completa de una concepción coherente y unitaria
del mundo (Gramsci, 1999, p. 103-104, nuestra traducción).
De este modo, la formación debe basarse en la concepción humanista y en una nueva
cultura. No se trata sólo de hacer descubrimientos originales individualmente, es también, y,
sobre todo, de difundir críticamente las verdades ya descubiertas, socializarlas y, en
consecuencia, transformarlas en la base de las acciones vitales, en un elemento de coordinación
y orden intelectual y moral (Gramsci, 1999). En consecuencia, se inserta el término unitario,
como la conjugación de la realidad abstracta y concreta, es decir, teoría y práctica para calificar
las acciones humanas. Y, al parecer, es importante criticar la propia concepción del mundo, en
busca de una mayor coherencia.
Esta búsqueda está íntimamente relacionada con lo que Gramsci destacó como
"conformistas de cierto conformismo" (Gramsci, 1999, p. 94, nuestra traducción). De alguna
manera, pertenecemos a un determinado grupo por nuestra propia concepción del mundo,
compartiendo la misma forma de pensar y actuar (Gramsci, 1999). Sin embargo, este
conformismo se configura en la medida en que un grupo social, que tiene su particular
concepción del mundo manifestada en sus acciones, toma sobre sí, por razones de sumisión y
subordinación intelectual, una concepción que no es la suya. La conducta deja de ser
independiente y autónoma y se convierte en sumisa y subordinada (Gramsci, 1999). Y si bien
la filosofía no puede separarse de la política, "la elección y la crítica de una concepción del
mundo son también hechos políticos" (Gramsci, 1999, p. 97, nuestra traducción).
Directamente relacionado con la comprensión de la concepción del mundo está el
concepto de ideología, que debe ser entendido como "el significado más elevado de una
concepción del mundo, que se manifiesta implícitamente en el arte, en el derecho, en la
actividad económica, en todas las manifestaciones de la vida individual y colectiva" (Gramsci,
1999, p. 98). La comprensión de la ideología está ligada a una unificación de los valores
históricos del conocimiento y la cultura, y la posición de Gramsci sobre la construcción de
masas es esencial: "La adhesión o no adhesión de las masas a una ideología es la forma en que
se verifica la crítica real de la racionalidad y la historicidad de las formas de pensar" (Gramsci,
1999, p. 111, nuestra traducción).
Así, aliado a las comprensiones y conceptos antes mencionados, el concepto de
hegemonía es descrito por Gramsci (1999) de la siguiente manera:
Felipe Machado HUGUENIN; Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA y Fabiane Frota da Rocha MORGADO
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Es por ello que hay que llamar la atención sobre el hecho de que el desarrollo
político del concepto de hegemonía representa, además del progreso político-
práctico, un gran progreso filosófico, ya que implica y presupone
necesariamente una unidad intelectual y una ética adecuada a una concepción
de lo real que ha superado el sentido común y se ha vuelto crítica. incluso si
se mantiene dentro de límites todavía restringidos (Gramsci, 1999, p. 104,
nuestra traducción).
De esta manera, se infiere la imperiosa necesidad de establecer y fortalecer los aparatos
de hegemonía de las clases subalternas, a partir de recursos humanos adecuadamente formados
y estructurados orgánicamente en la perspectiva de una praxis revolucionaria. Además, es
fundamental nutrir un compromiso genuino con la práctica ética y política, concibiendo la
política como una praxis compuesta por individuos que se dedican al proceso de educación con
el fin de socializar e influir en el mundo. Así, la función de los intelectuales y de la escuela es
mediar en la conciencia de las masas, lo que pasa por el autoconocimiento e implica reconocer
el propio valor histórico.
Adaptaciones psicofísicas: del fordismo al toyotismo
Gramsci, aún en prisión, analiza en profundidad el modelo de desarrollo conocido como
fordismo, aún en su fase embrionaria. Teje numerosos pensamientos y reflexiones sobre el
desarrollo de una nueva forma de organización de las bases materiales de producción y
relaciones sociales, enfatizando las cuestiones político-ideológicas que ayudaron en la
construcción de la hegemonía del americanismo, a través de los mecanismos de coerción y
consenso con la clase obrera.
Este nuevo modelo de desarrollo, basado en las teorías científicas de Taylor aplicadas
en la fábrica de Ford, tenía como objetivo aumentar la productividad en la industria, pero
requería una transformación del trabajador. El propósito de la sociedad norteamericana era:
desarrollar en su máximo grado, en el trabajador, conductas mecánicas y
automáticas, romper la vieja conexión psicofísica del trabajo profesional
calificado, que requería una cierta participación de la inteligencia, la fantasía,
la iniciativa del trabajador y reducir las operaciones productivas solo al
aspecto físico mecánico (Gramsci, 2015, p. 243, nuestra traducción).
Así, con el sistema fordista, se tiende a separar cuerpo y mente. Mientras lo físico se
reduce a actividades mecanizadas, el cerebro queda libre para otras ocupaciones (Gramsci,
2015). Es posible observar la presencia de la gica de racionalización del trabajo desde la
perspectiva de la hegemonía del capital en la esfera de la producción.
Espejo, espejo malo, ¿cómo son las adaptaciones psicofísicas a través del capital? Reflexiones sobre la Educación Física Escolar desde la
perspectiva gramsciana
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Sin embargo, con esta racionalización del trabajo y con el modo de vida basado en la
producción, la construcción de la nueva sociedad requiere de una relación dialéctica entre el
Régimen de Acumulación (Estructura) y el Modo de Regulación Social (Superestructura), con
la combinación de los mecanismos de coerción, como el nihilismo del sindicalismo, y el
consenso, convenciendo a los trabajadores con altos salarios y/o beneficios sociales. por
ejemplo.
El progreso del capitalismo, como forma de superar el viejo individualismo económico,
con el establecimiento de una economía pragmática, requiere de un "nuevo tipo humano"
(Gramsci, 2015, p. 226), conformado y adecuado a las necesidades del desarrollo de las fuerzas
productivas. "La vida en la industria requiere un aprendizaje general, un proceso de adaptación
psicofísica a ciertas condiciones de trabajo, alimentación, vivienda, costumbres, etc." (Gramsci,
2015, p. 229, nuestra traducción).
Entre las adaptaciones psicofísicas, se destacan: 1) Cuestión sexual, "fueron los instintos
sexuales los que sufrieron la mayor represión por parte de la sociedad en desarrollo" (Gramsci,
2015, p. 228, nuestra traducción); 2) El consumo de alcohol, "el agente más peligroso de
destrucción de la fuerza de trabajo" (Gramsci, 2015, p. 244, nuestra traducción).
La historia del industrialismo ha sido siempre (y se está volviendo aún más
pronunciada y rigurosa hoy) una lucha continua contra el elemento
"animalidad" del hombre, un proceso ininterrumpido, a menudo doloroso y
sangriento de someter los instintos (naturales, es decir, animales y primitivos)
a normas y hábitos cada vez más nuevos, más complejos y rígidos de orden,
exactitud y precisión. que hacen posible las formas cada vez más complejas
de vida colectiva, que son la consecuencia necesaria del desarrollo del
industrialismo (Gramsci, 2015, p. 239, nuestra traducción).
De hecho, para tal desarrollo, la ideología puritana fue el medio utilizado para
disciplinar fuera del entorno fabril. Las iniciativas puritanas no se preocupaban por la
humanidad, ni por la espiritualidad del trabajador. El puritanismo, marcado por la
racionalización y el prohibicionismo, tendría como objetivo mantener el equilibrio psicofísico
del trabajador, es decir, "se preocupa por mantener la continuidad de la eficiencia física del
trabajador, de su eficiencia músculo-nerviosa" (Gramsci, 2015, p. 244, nuestra traducción). El
cuerpo útil, disciplinado y sumiso se conserva, no solo en el ámbito laboral, sino también fuera
de él.
De esta manera, la adaptabilidad de la clase obrera es un tema determinante para las
nuevas condiciones económicas de producción, prueba de que los ajustes de los mecanismos de
coerción y consenso fueron primordiales para el desarrollo de la sociedad industrial de la época.
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Sin embargo, después de la crisis ocurrida a mediados de los años 30 y 40, un nuevo modelo de
desarrollo, llamado toyotismo, perpetúa las relaciones políticas entre las clases hasta hoy,
preservando la hegemonía dominante y los mecanismos de coerción y consenso desde una
nueva perspectiva, dadas las nuevas demandas sobre la clase trabajadora (Alves, 2005), que,
particularmente, Lo llamamos el nuevo tipo humano.
El toyotismo ha logrado imponerse como el más adecuado a la etapa de crisis estructural
que atraviesa el capitalismo. En medio de los múltiples modelos de producción difundidos
desde el fordismo, como el sueco, el italiano y el alemán, el modelo japonés constituyó un
nuevo complejo de reestructuración productiva, bajo el nuevo régimen de acumulación flexible
(Alves, 2005).
Una primera diferencia entre el fordismo y el toyotismo radica en la comprensión del
cuerpo y la mente del trabajador. En el modelo fordista, como ya se ha dicho, hay una escisión
entre cuerpo y mente. El gesto físico se mecanizó por completo; la memoria del oficio se ha
reducido a gestos simples y repetitivos con un ritmo intenso, mientras que el cerebro está libre
y sin obstáculos para otras ocupaciones (Gramsci, 2015). Cada trabajador realizaba una sola
tarea mecánicamente y sólo conocía su función.
En el toyotismo, en cambio, hay una alineación entre el cuerpo y la mente; Es necesario
articular los dos en el proceso de trabajo, porque el trabajador tiene un conocimiento general de
todos los procedimientos; Los empleados tienen roles menos específicos, trabajando en lo que
sea que tenga mayor demanda en este momento. Sin embargo, a pesar de la exigencia de la
participación de los trabajadores, el conocimiento y la iniciativa en el proceso de trabajo son
simplemente expropiados del propio trabajador; en consecuencia, la subjetividad que surge en
el ambiente fabril se vuelve inauténtica en cuanto a la participación real del trabajador en el
proceso productivo (Ribeiro, 2015). Surge así una promesa frustrada del toyotismo de
recomponer la integración cuerpo-mente a través de la racionalización del trabajo desde la
perspectiva de la hegemonía del capital (Alves, 2005).
La lógica de la racionalización del trabajo continúa en el nuevo modelo de producción.
Mientras que en el fordismo había una racionalización incompleta, el toyotismo desarrolla, a
través de los mecanismos del compromiso de los trabajadores, el control de la dimensión
subjetiva por parte del capital e incorpora con facilidad las variables psicológicas del
comportamiento de los trabajadores a la racionalidad capitalista en la producción, es decir, no
hay intención de establecer una sociedad racionalizada, sino sólo una brica racionalizada
(Alves, 2005).
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perspectiva gramsciana
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Aparentemente, incluso con el alineamiento entre cuerpo y mente, el objetivo real del
toyotismo es mantener el paradigma de la manufactura fordista, es decir, "una cierta
participación activa de la inteligencia, la fantasía, la iniciativa del trabajador, y reducir las
operaciones productivas solo al aspecto físico-mecánico" (Gramsci, 2015, p. 243, nuestra
traducción), como ya se expuso. La versatilidad del trabajador vale mucho más que el uso de
su inteligencia. El nuevo régimen impone el alineamiento como medio para combatir el estrés
de la sobreexplotación toyotista y no con el propósito de emancipar al sujeto de la disciplina
del capital (Alves, 2005).
Así, el toyotismo restringe la lógica de la hegemonía del capital a la producción y
recompone la articulación entre el consentimiento de los trabajadores y el control laboral. El
trabajador se ve impulsado a pensar y encontrar soluciones antes de que ocurran los problemas,
es decir, se le anima a cooperar con la lógica de la valorización del capital. Esto configura una
búsqueda sedienta de hegemonía y promueve una inversión en la captura de la subjetividad,
siendo un eslabón significativo en la aguda manipulación social del capitalismo en su fase de
crisis estructural (Alves, 2005).
El nuevo tipo de trabajador del modelo japonés, frente a las transformaciones del mundo
y de las relaciones humanas, tiene características bien definidas: es flexible, ágil y sostenible.
Los desafíos derivados de la transición a un nuevo modo de producción, impulsados por la crisis
del fordismo, introducen nuevos paradigmas y cuestiones que trascienden el ámbito del trabajo,
abarcando también aspectos sociales y culturales. En esta reconfiguración, la velocidad
adquiere un valor preponderante, que condiciona no solo la relación del ser humano con el
trabajo, sino también las interacciones familiares, las amistades y las relaciones afectivas
(Ribeiro, 2015).
La lógica del capital invade el espacio doméstico. El cuerpo es servicial, disciplinado y
sumiso dentro y fuera del lugar de trabajo. Mientras que el toyotismo tiende a alinear cuerpo y
mente, el cuerpo rígido del fordismo se flexiona en medio de las nuevas exigencias del trabajo.
Según Ribeiro (2015), una organización flexible del trabajo combina la flexibilidad de la fuerza
de trabajo con la flexibilidad del proceso de trabajo. Esta dinámica puede resultar en una
fragmentación entre diferentes categorías de trabajadores, debido al proceso de tercerización y
subcontratación, que establece una jerarquía entre una minoría con remuneración y
cualificaciones profesionales favorables y una mayoría sujeta a condiciones laborales precarias.
Además, se requiere que el trabajador contemporáneo posea habilidades versátiles, agilidad y
la capacidad de realizar múltiples funciones. La concentración productiva adquiere un carácter
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invertido, con una unidad central encargada de coordinar, planificar y organizar la producción
de toda una red de unidades periféricas.
La fábrica, a su vez, busca conseguir una producción continua óptima, sin roturas ni
interrupciones, perfeccionando de forma incipiente lo que el modelo fordista ya venía haciendo.
En este contexto, la búsqueda de ganancias adicionales en términos de intensidad laboral y
productividad es crucial, destacando la relevancia de incorporar prácticas como el just-in-time,
que busca la precisión de la cadena productiva, ajustando las operaciones y ejecuciones de
acuerdo con la demanda del mercado, es decir, todo debe ocurrir en su momento. Ni antes ni
después, evitando el inventario ocioso y el desperdicio de materias primas.
De esta manera, el toyotismo, más que el modelo fordista, perpetúa el compromiso con
la lógica del capital, alterando la subjetividad del cuerpo y trayendo adaptaciones psicofísicas
de la clase trabajadora. Los mecanismos de coerción y consenso repercuten hoy, sólo que, en
nuevas formas, preservando la hegemonía dominante.
De la Educación Corporal a la Educación Física Escolar: consideraciones críticas para la
construcción de una educación emancipatoria
A lo largo de la historia, existen hechos que se refieren a la evolución de las prácticas
corporales, "entendidas como manifestaciones de las posibilidades expresivas de los sujetos"
(Brasil, 2018, p. 213, nuestra traducción). El cuerpo ya ha sido presentado y estudiado como un
cuerpo biológico y, contemporáneamente, es entendido y estudiado como un cuerpo histórico-
cultural. La dinámica misma de la vida en las interrelaciones, hábitos, prácticas y creencias
humanas ha cambiado con el tiempo. En este contexto, el ser humano ha desarrollado un
conjunto de gestos y manifestaciones corporales con el fin de satisfacer necesidades orgánicas,
afectivas, estéticas, lúdicas, políticas y sociales. De este modo, el cuerpo sigue siendo moldeado
y socializado para su integración en la vida en sociedad (Brighente; Mesquida, 2011).
En la perspectiva gramsciana, el cuerpo se conforma y adapta a las necesidades del
desarrollo de las fuerzas productivas, con un proceso de adaptaciones psicofísicas
condicionadas al trabajo (Gramsci, 2015). Esta comprensión es corroborada por el pensamiento
de Foucault (1987), "en cualquier sociedad, el cuerpo está atrapado dentro de poderes muy
estrictos, que imponen limitaciones, prohibiciones u obligaciones" (Foucault, 1987, p. 163,
nuestra traducción).
En este proceso de capacitación de los organismos, es evidente qué recursos se utilizan
para que esto ocurra y lleve resultados a los interesados. Gramsci seña los métodos de
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coerción y consenso (Gramsci, 2015), como ya se ha visto. Estos métodos son similares a lo
que Foucault (1987) llama poder disciplinario, que tiene como objetivo entrenar cuerpos
confusos e inútiles mediante la producción de individuos obedientes. Y su éxito se basa en tres
instrumentos: "la mirada jerárquica, la sanción normalizadora y su combinación en un
procedimiento que le es propio, el examen" (Foucault, 1987, p. 195, nuestra traducción).
Por otra parte, uno de los objetivos del poder disciplinario es hacer dócil al individuo
fabricándolo, desde un punto de vista social, económico y político, para que produzca más,
genere más ganancias y no se rebele contra el Estado (Foucault, 1987). Así, pensar, crear y
ejecutar acciones socioeducativas significa reconocer la necesidad de enfrentar la hegemonía
dominante en todas las esferas de la vida. Es necesario y fundamental pensar en una educación
transformadora, emancipadora y crítica al capital dentro de la escuela.
En el campo educativo, la perspectiva de Freire emerge como un referente fundamental
en la pedagogía contemporánea. Freire (1987) enfatiza la educación como un proceso de
conciencia crítica, en el que los individuos toman conciencia de su realidad y del potencial de
transformación social. En este contexto, la educación debe comprometerse con la superación
de las desigualdades y la promoción de la emancipación de los sujetos (Freire, 1987).
Este enfoque dialoga con la visión de Gramsci (1999), quien destaca la importancia de
la hegemonía cultural e intelectual en el mantenimiento del poder de una clase dominante.
Argumenta que además de la dominación política y económica, la clase dominante también
ejerce su control a través de la difusión de su ideología, valores y creencias. Así, para promover
la emancipación de los sujetos y la superación de las desigualdades, el intelectual italiano
propone que la clase subalterna (clase oprimida) debe desarrollar una conciencia crítica y una
nueva cultura que desafíe la hegemonía de la clase dominante (Gramsci, 1999).
En este sentido, Gramsci (1999) discute la importancia de la educación como
herramienta esencial para la transformación social. Sostiene que la educación debe ser accesible
a todas las clases sociales y estar orientada al desarrollo de individuos críticos y reflexivos. Esta
educación crítica permitiría a los sujetos comprender las estructuras de poder, la naturaleza de
las desigualdades y las formas de opresión, lo que les permitiría luchar por el cambio social
(Gramsci, 1999).
En la misma línea, Saviani (1986) contribuye al debate sobre una educación más crítica
y emancipadora al abogar por la democratización del acceso a la educación como medio para
superar las desigualdades sociales y promover una educación más democrática y emancipadora.
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En este escenario, el papel del docente es fundamental como mediador del conocimiento y
conductor del proceso de aprendizaje y formación de los estudiantes (Saviani, 1986).
Así, la Educación Física Escolar asume una relevancia única ya que busca promover la
formación integral de los individuos a través de prácticas corporales. Al incorporar los aportes
de Antonio Gramsci sobre educación, política y conocimiento, la Educación Física puede
adquirir un potencial transformador al promover la conciencia crítica y la emancipación de los
estudiantes. Para ello, las prácticas corporales deben trascender la mera mecanización del
movimiento, permitiendo a los estudiantes comprender el movimiento en su dimensión
histórico-social y desarrollar una conciencia crítica de las relaciones de poder en la sociedad
(Silva, 2022). Es necesario estimular la reflexión crítica sobre las prácticas pedagógicas en
Educación Física, fomentando un enfoque inclusivo y contextualizado (Kunz, 2004).
La Educación Física puede ser aprehendida en el ámbito de la Base Curricular Común
Nacional (BNCC) como un componente curricular que aborda y tematiza las diversas
manifestaciones de las prácticas corporales, permeadas por una construcción sociocultural
(Brasil, 2018). Al reconocer las prácticas corporales como la principal forma de manifestación
del individuo, este elemento curricular brinda al estudiante la oportunidad de exteriorizar y
recrear significados y símbolos a través del movimiento. Por lo tanto, las representaciones del
yo, del otro y del mundo emergen como consecuencias de la implicación del individuo con el
entorno que le rodea.
Por lo tanto, es necesario discutir las prácticas corporales, ya que constituyen elementos
importantes de la formación humana. A través de ellas, es factible lograr la comprensión y
establecer mediaciones y posibilidades para la práctica pedagógica que apunten a la
socialización y el diálogo de saberes sistematizados (Silva, 2022). En este contexto, el
movimiento como reflejo histórico del yo corporal es un instrumento importante para
sensibilizar y criticar las relaciones de poder establecidas en la sociedad impuesta por el capital.
En antagonismo con esto, el escenario de la Educación Física contemporánea a partir de los
documentos que pretenden orientar la Educación nacional evidencia una tendencia a la
mecanización de las prácticas corporales, que se presentan como interesadas en el movimiento
por el movimiento. En resumen, las prácticas corporales necesitan ser entendidas y
experimentadas, no pueden ser solo una ejecución del movimiento por el movimiento. Con la
comprensión del movimiento se establece una conciencia para juzgar y analizar el conocimiento
organizado que busca explicar los movimientos corporales históricamente sistematizados
(Silva, 2022).
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Um primeiro passo é contribuir para que cada aluno(a) desenvolva a necessidade de se
reconhecer como sujeito histórico, inserido em uma estrutura e conjuntura complexas. Se faz
necessária a superação do senso comum, considerando que cada um pode receber as
informações para a formação de sua personalidade humana consciente, tendo como base para
essa formação uma concepção humanista e uma nova cultura, como propunha Gramsci
(1999). Esta superación del sentido común con la conciencia de ser parte de una determinada
fuerza hegemónica marcará la unión de la teoría con la práctica.
La institución escolar juega un papel esencial para posibilitar una educación inclusiva y
humanista, asegurando el acceso de todos los estudiantes al conocimiento acumulado por la
humanidad (Saviani, 1986). En este contexto, la Educación Física emerge como un aliado
significativo en el proceso de formación plena de los estudiantes, ayudándolos a reconocerse
como sujetos históricos y a comprender las complejidades de las estructuras sociales
circundantes (Gramsci, 2015). Esta formación integral puede brindar a los estudiantes la
posibilidad de trascender el sentido común y adquirir una comprensión crítica y reflexiva que
contribuya a la construcción de una sociedad más justa, democrática y libre de explotación
(Brasil, 2018; Freire, 1987; Saviani, 1986). En este contexto, la educación juega un papel
importante en la toma de conciencia y movilización de las masas, que antes estaban confundidas
e inertes, empoderándolas para luchar por una sociedad más igualitaria y emancipada (Foucault,
1987).
En el centro de la escuela se encuentra el propósito de ser un espacio-tiempo propicio
que requiere la toma de conciencia de los individuos sobre la realidad y el conocimiento
científico, insertos en una estructura y contexto en el que deben tener acceso al conocimiento
acumulado por la humanidad. De esta manera, se atribuye una importancia fundamental a la
educación y la cultura, ya que las ideas y la cultura materializada son pilares esenciales para la
construcción de una sociedad caracterizada por la ausencia de explotación. En este escenario,
las posibilidades humanas se amplían a través de una escuela inclusiva, humanista y formativa,
dirigida a todos y para todos.
Así, las prácticas corporales, en sus diferentes formas de codificación y significado
social, asumen un papel relevante en el contexto escolar, especialmente a través de la disciplina
de la Educación Física, ya que sus actividades configuran una expresión singular de cultura,
experiencias corporales y diversas modalidades de actividades físicas. Para la formación plena
del alumno, es fundamental que tenga acceso a las prácticas corporales y a la cultura producida
y acumulada. La Educación Física, al abordar los aportes de Gramsci sobre educación, política
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y conocimiento, tiene la capacidad de fomentar el pensamiento dialéctico en la búsqueda de
una comprensión holística del estudiante y de reforzar sus bases epistemológicas. Esta
perspectiva posibilita la construcción de una educación emancipadora al incluir la dimensión
corporal como parte integrante y potencialmente transformadora del proceso educativo.
La Educación Física Escolar, al adoptar una perspectiva crítica y emancipadora, se
consolida como una disciplina que va más allá de la mera instrucción técnica y mecánica del
cuerpo. Al promover la reflexión, la conciencia y la apreciación de las prácticas corporales, se
convierte en un poderoso instrumento para la formación de individuos conscientes, activos y
comprometidos en la construcción de una sociedad más justa, democrática e igualitaria.
En este contexto, es imperativo que las prácticas corporales en la Educación Física
Escolar promuevan el acceso, la sistematización y la internalización del conocimiento,
proporcionando la transición del pensamiento sincrético y el sentido común a formas más
sofisticadas de pensamiento y cultura. Este proceso representa el desarrollo gradual y orgánico
del alumno, en consonancia con la perspectiva propuesta por Gramsci, hacia síntesis cada vez
más elaboradas de la realidad.
Consideraciones finales
El propósito de este artículo fue exponer conceptos preliminares de la teoría gramsciana,
hacer consideraciones sobre las adaptaciones psicofísicas en los modelos de desarrollo,
marcadas en el mismo bloque histórico de capital, y las implicaciones corporales de los
individuos y sus relaciones cotidianas en la escuela.
A lo largo de la historia, las prácticas corporales han sufrido transformaciones
significativas, reflejando cambios en las concepciones del cuerpo y sus relaciones con el
contexto sociocultural. Desde una perspectiva gramsciana, el cuerpo se conforma a las
necesidades del desarrollo de las fuerzas productivas, adaptándose al trabajo y sometido a
poderes restrictivos.
A partir del análisis de Gramsci y Foucault, se entiende que el poder disciplinario se
manifiesta en la formación de los cuerpos, con el objetivo de la producción, el lucro y la
obediencia al Estado. Esta realidad plantea desafíos para la educación, que debe enfrentar la
hegemonía dominante y buscar un enfoque transformador y emancipatorio.
La concepción humanista de Gramsci dialoga con la perspectiva de Freire, destacando
ambas la importancia de la educación como proceso de formación de sujetos críticos y
emancipados. La Educación Física Escolar, al adoptar este enfoque, se convierte en un poderoso
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instrumento para la construcción de una sociedad más justa y democrática. Es esencial que la
enseñanza de las prácticas corporales vaya más allá de la mecanización del movimiento,
proporcionando una comprensión más profunda de las relaciones de poder y de la cultura
materializada en la sociedad.
La Educación Física Escolar surge como una disciplina con el potencial de ir más allá
de la mera instrucción técnica del cuerpo, permitiendo a los estudiantes tener una comprensión
crítica y reflexiva de las prácticas corporales. En este sentido, la perspectiva de Freire es
relevante, enfatizando la educación como un proceso de conciencia crítica y superación de las
desigualdades sociales.
Así, la Educación Física Escolar debe ser entendida como un espacio-tiempo para la
reflexión, la toma de conciencia y la formación integral de los individuos. A través de las
prácticas corporales, los estudiantes tienen la oportunidad de reconocerse como sujetos
históricos, insertos en una sociedad compleja. La relación entre cuerpo y poder es evidente, y
el papel de la escuela es promover el acceso al conocimiento sistematizado, para que los
estudiantes desarrollen una conciencia crítica sobre sí mismos y sobre las relaciones sociales.
La formación de los estudiantes debe estar guiada por la reflexión crítica sobre las
prácticas pedagógicas, fomentando la inclusión, la contextualización y la valoración de las
experiencias corporales. La Educación Física Escolar, al adoptar esta postura, contribuye a la
construcción de una conciencia crítica de los estudiantes, empoderándolos para la
transformación social y la lucha por la construcción de una sociedad más igualitaria y
emancipada.
En síntesis, la Educación Física Escolar surge como un espacio-tiempo para el
enriquecimiento de las experiencias corporales, proporcionando a los estudiantes una
comprensión crítica de las prácticas corporales y de su contexto sociocultural. El enfoque
emancipatorio, inspirado en Gramsci, dota a la disciplina de un potencial transformador al
estimular la reflexión, la conciencia y el compromiso de los estudiantes en la construcción de
una sociedad más justa y democrática. La necesidad de trascender el sentido común, de superar
las limitaciones impuestas por el poder disciplinario, es central para la formación de individuos
conscientes de su historia y capaces de actuar como agentes de cambio social.
En este sentido, las prácticas corporales no pueden ser descontextualizadas, necesitan
insertarse en un contexto histórico y cargarse de significados y símbolos. A partir de la
comprensión dialéctica del mundo, los individuos podrán criticar las adaptaciones psicofísicas
requeridas por el capital. Además, serán capaces de analizar y reflexionar críticamente sobre
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las actitudes consumistas y la valoración de la apariencia. Así, la relación que se establece con
el espejo puede desarrollarse de manera crítica, sin presión social para que el individuo sea lo
que el capital demanda y/o lo que los demás esperan de él.
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Manole, 2003.
Felipe Machado HUGUENIN; Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA y Fabiane Frota da Rocha MORGADO
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092 21
CRediT Author Statement
Reconocimientos: A la Fundación de Apoyo a la Investigación del Estado de Río de Janeiro
- FAPERJ, por la beca otorgada a la Prof. Dra. Fabiane Frota da Rocha Morgado en el
Programa de Jóvenes Científicos de Nuestro Estado - 2022 - Proc. Nº 200.233/2023.
Financiación: Fundación de Apoyo a la Investigación del Estado de Río de Janeiro
FAPERJ.
Conflictos de intereses: No hay conflicto de intereses.
Aprobación ética: El trabajo cumplió con la ética durante la investigación. Tipo de trabajo
sin necesidad de ser sometido a un comité de ética.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Aportes de los autores: Felipe Machado HUGUENIN: Conceptualización; Metodología;
Redacción - Borrador original; Redacción: corrección y edición. Vitor Alexandre Rabelo
de ALMEIDA: Conceptualización; Metodología; Redacción: corrección y edición. Fabiane
Frota da Rocha MORGADO: Redacción - corrección y edición.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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MIRROR, BAD MIRROR, HOW ARE THE PSYCHOPHYSICAL ADAPTATIONS
THROUGH CAPITAL? REFLECTIONS ON SCHOOL PHYSICAL EDUCATION
FROM THE GRAMSCIAN PERSPECTIVE
ESPELHO, ESPELHO MAU, COMO SÃO AS ADAPTAÇÕES PSICOFÍSICAS POR
MEIO DO CAPITAL? REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA
PERSPECTIVA GRAMSCIANA
ESPEJO, ESPEJO MALO, ¿CÓMO SON LAS ADAPTACIONES PSICOFÍSICAS A
TRAVÉS DEL CAPITAL? REFLEXIONES SOBRE LA EDUCACIÓN FÍSICA
ESCOLAR DESDE LA PERSPECTIVA GRAMSCIANA
Felipe Machado HUGUENIN1
e-mail: felipehuguenin@gmail.com
Vitor Alexandre Rabelo de ALMEIDA2
e-mail: vitoralexandrea_@hotmail.com
Fabiane Frota da Rocha MORGADO3
e-mail: fabianefrota@ufrrj.br
How to reference this article:
HUGUENIN, F. M.; ALMEIDA, V. A. R.; MORGADO, F. F. R.
Mirror, bad mirror, how are the psychophysical adaptations through
capital? Reflections on School Physical Education from the
gramscian perspective. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18092
| Submitted: 23/05/2023
| Revisions required: 03/08/2023
| Approved: 16/11/2023
| Published: 07/02/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal Rural University of Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brazil. PhD student in the Postgraduate
Program in Education, Contemporary Contexts and Popular Demands (PPGEduc/UFRRJ).
2
Federal Rural University of Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brazil. PhD student in the Postgraduate
Program in Education, Contemporary Contexts and Popular Demands (PPGEduc/UFRRJ).
3
Federal Rural University of Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica RJ Brazil. Adjunct professor at the
Department of Physical Education and Sports, Institute of Education, UFRRJ. Permanent professor of the
Postgraduate Program in Education, Contemporary Contexts and Popular Demands (PPGEduc/UFRRJ).
Mirror, Bad Mirror, How Are The Psychophysical Adaptations Through Capital? Reflections On School Physical Education From The
Gramscian Perspective.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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ABSTRACT: Gramsci made important reflections on the psychophysical adaptations of
individuals in the face of new market demands. He analyzed the development of a new form of
organization of the material bases of production and social relations. Fordism/Taylorism aimed
at increasing productivity in the industry, which contributed to the construction of the
hegemony of capital. The goal is to present the psychophysical adaptations of individuals
influenced by capitalism, from Fordism to Toyotaism, and to outline briefly how the body is
treated in Physical Education classes and in school. The Gramscian theory is preliminarily
conceptualized, considerations are woven regarding psychophysical adaptations in
development models, and the bodily implications of individuals and their daily relationships in
school are presented. It is concluded that contextualizing bodily practices in Physical Education
requires greater depth. Through dialectical understanding, students can develop a critical
perspective on the psychophysical adaptations imposed by capitalism and its bodily ideals.
KEYWORDS: Body. Psychosocial Aspects. Gramsci. Education. Physical Education.
RESUMO: Gramsci fez importantes reflexões sobre as adaptações psicofísicas dos sujeitos em
meio às novas exigências do mercado. Analisou o desenvolvimento de uma nova forma de
organização das bases materiais de produção e das relações sociais. O Fordismo/Taylorismo
objetivou o aumento da produtividade na indústria, que ajudou na construção da hegemonia
do capital. O objetivo deste texto é apresentar as adaptações psicofísicas dos sujeitos
influenciadas pelo capitalismo, do Fordismo ao Toyotismo, e delinear resumidamente como o
corpo é tratado nas aulas de Educação Física e na escola. Conceitua preliminarmente a teoria
gramsciana, tece considerações sobre as adaptações psicofísicas nos modelos de
desenvolvimento e apresenta as implicações corporais dos indivíduos e suas relações
cotidianas na escola. Conclui-se que contextualizar as práticas corporais na Educação Física
requer maior profundidade. Por meio da compreensão dialética, os(as) alunos(as) podem
desenvolver uma perspectiva crítica sobre as adaptações psicofísicas impostas pelo
capitalismo e seus ideais corporais.
PALAVRAS-CHAVE: Corpo. Aspectos Psicossociais. Gramsci. Educação. Educação Física.
RESUMEN: Gramsci realizó importantes reflexiones sobre las adaptaciones psicofísicas de
los sujetos en medio de las nuevas exigencias del mercado. El Fordismo/Taylorismo tuvo como
objetivo aumentar la productividad en la industria, lo cual contribuyó a la construcción de la
hegemonía del capital. El objetivo es presentar las adaptaciones de los individuos
influenciadas por el capitalismo, desde el Fordismo hasta el Toyotismo, y delinear cómo se
trata el cuerpo en las clases de Educación Física y en la escuela. Se conceptualiza
preliminarmente la teoría gramsciana, se tejen consideraciones sobre las adaptaciones
psicofísicas en los modelos de desarrollo y se presentan las implicaciones corporales de los
individuos y sus relaciones cotidianas en la escuela. Se concluye que contextualizar las
prácticas corporales en la Educación Física requiere una mayor profundidad. Mediante la
comprensión dialéctica, los estudiantes pueden desarrollar una perspectiva crítica sobre las
adaptaciones psicofísicas impuestas por el capitalismo y sus ideales corporales.
PALABRAS CLAVE: Cuerpo. Aspectos Psicosociales. Gramsci. Educación. Educación
Física.
Felipe Machado Huguenin; Vitor Alexandre Rabelo de Almeida and Fabiane Frota da Rocha Morgado.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024014, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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Introduction
Eighty-six years after the death, in April 2023, of the Italian intellectual Antonio
Gramsci, his writings continue to serve as a basis for studies in the most diverse fields of
knowledge, making him one of the most discussed foreign thinkers in Brazil in recent years.
The theoretical legacy of the Sardinian thinker exerts a profound influence on Brazilian
academic writings, especially in studies in the area of Education (Coutinho, 2009). Gramsci
saw organic intellectuals, individuals historically generated and organically involved in a social
group, as the path to change, as they expressed the group's particular values and visions.
Furthermore, he believed in school as one of the main instruments to effect such changes (Cruz,
2021; Gramsci, 1999).
The role of these intellectuals was not limited to producing discourse, but involved
organizing social practices. Furthermore, Gramsci understood that school should provide access
to culture, with the aim of freeing the masses from a worldview determined by prejudices and
taboos, which leads to the uncritical internalization of the dominant ideology. This theoretical
heritage highlights the concern with the struggle for class consciousness in capitalist society, as
well as the concern with education (Gramsci, 1999).
By expanding studies on capital, Gramsci weaves precious formulations on the
development of a new form of organization of the material bases of production and social
relations, which helped in the construction of hegemony, through mechanisms of coercion and
consensus among the working class (Gramsci, 2015). Specifically in Notebook 22, the theorist
analyzes the Fordism/Taylorism development model, still in its embryonic phase, which aimed
to increase productivity in industry, but required “psychophysical adaptations” (Gramsci, 2015,
p. 226) from workers.
Psychophysical adaptations, from Gramsci's perspective, are directly related to the new
conditions of work, nutrition, housing, customs, that life in the industry imposed (Gramsci,
2015). This new life required general learning, as “it is not something innate, “natural”, but
demands to be acquired” (Gramsci, 2015, p. 229, our translation). The history of industrialism
marks a continuous struggle against the animality of human beings, that is, between natural
instincts and the norms and habits of order, accuracy and precision. The central concern was to
preserve the worker's physical and bodily efficiency (Gramsci, 2015).
Many of the propositions developed by Gramsci, especially those related to
psychophysical adaptations, remain current. As Bauman (2008) explains, in contemporary
society relationships are guided by consumerism, one of the bases of capitalism. Consumerism
Mirror, Bad Mirror, How Are The Psychophysical Adaptations Through Capital? Reflections On School Physical Education From The
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goes beyond products, but customs, habits and values. In the consumer society, marked by the
consumer-commodity duality, there is a fear of being on the margins of society itself and an
excessive appreciation of appearance. Individuals are objects of consumption measured by
capital, they become commodities even before becoming subjects, due to the incorporation of
imposed social standards (Bauman, 2008).
In the wake of this question, we observed that factors related to imposed standards,
consumerism and appearance can be associated with the mirror metaphor. This metaphor is
used here to represent an intrinsic characteristic of the person, being both seer and visible
(Merleau-Ponty, 2014). Furthermore, he is capable of establishing relationships between a
being and himself, but also between this person and the social expectations that shape their
appearance, that is, how others see them. The successful mediation of this conflict requires an
integrated, full and multifaceted body (Tavares, 2003).
However, the mirror can take on a market bias, of social pressure for the individual to
be what capital demands and what others expect of them. From this perspective, the body,
reduced to a Cartesian perspective, resembles the analysis carried out by Beraldo (2018), in
which the character in the analyzed story shows anguish when perceiving a segmented image
of himself, not recognizing himself in front of the mirror.
It is in this context that School Physical Education assumes special importance, as it is
a privileged space to work on issues related to the body and movement. As Gramsci (2015)
highlighted, more than preserving the useful, disciplined and submissive body, the new
psychophysical characteristics are transferred by inheritance or absorbed during childhood and
adolescence. Thus, we can consider School Physical Education as an area that can and should
be the space-time for learning bodily practices, inserted in a historical context and full of
meanings and symbols. In this way, it could be possible to improve the critical perspective in
relation to the body, in order to enable a transformative, emancipatory and critical education
towards capital within the school.
This text aims to present the psychophysical adaptations of subjects influenced by
capitalism, from Fordism to Toyotism, and briefly outline how the body is treated in Physical
Education classes and at school today. We will begin by exposing preliminary concepts of
Gramscian theory. Subsequently, we will consider the psychophysical adaptations in
development models, marked in the same historical block as capital, and the bodily implications
of individuals and their daily relationships at school.
Felipe Machado Huguenin; Vitor Alexandre Rabelo de Almeida and Fabiane Frota da Rocha Morgado.
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Gramsci: preliminary concepts
Antonio Gramsci was born in Ales, on the island of Sardinia, in 1891, into a large family,
being the fourth child of seven born to the couple Francesco and Giuseppina Marcias. In
childhood, he contracted a type of bone tuberculosis, known as Pott's disease, only diagnosed
in adulthood, which seems to be related to the fact that he was hunchbacked. Due to the family's
economic conditions and the arrest of his father on charges of embezzlement, concussion and
ideological falsehood, he had a complex childhood and adolescence. However, with the help of
his mother and brothers he managed to graduate and at twenty-one he entered the Faculty of
Arts in Turin (Gramsci, 1999).
Even before starting college, he was already interested in reading the socialist press,
especially the Jornal Avanti!, sent by his older brother. Once in Turin, he worked with left-wing
publications, participated in factory workers' committees and helped found the Italian
Communist Party (PCI) in 1921. Later, Gramsci was sent to Moscow as his party's
representative to the Executive Committee of the Communist International. (IC). He
participated in the Second Conference of the IC Extended Executive. After the Conference, due
to poor health, he was admitted to a clinic for nervous diseases where he met Julia Schucht, his
future wife (Gramsci, 1999).
Upon returning from Moscow, he continued to position himself and publish in left-wing
Italian newspapers. However, in November 1926 he was arrested by the fascist regime of
Benedito Mussolini. Thus, Gramsci was sentenced to more than twenty years in prison. During
the ten years he remained in prison, he wrote the texts collected in Prison Notebooks and Lettere
Dal Carcere. It is important to highlight that his theory is not systematized in a book written by
himself, but there are several books with his writings (Martins, 2021).
Gramsci's works inspired the democratic line followed by European communist parties
in the mid-20th century. However, the Marxist philosopher “can be considered an icon for the
conceptual elaboration of essential assumptions for understanding the political movement in
different historical periods” (Flach, 2020, p. 6, our translation). This means that his theories are
not restricted to the historical period in which he lived, even though they are postulated through
complex analyzes of the lived reality regarding the political relationships that drove the society
of his time (Flach, 2020). Even today, reflections and concepts elaborated by Gramsci are
fundamental to understanding the socio-political and economic conflicts in our society.
In Gramscian thought, there is an expansion of the concept of State in relation to
classical Marxist theory, through the joining of the Strict State with Civil Society, the latter
Mirror, Bad Mirror, How Are The Psychophysical Adaptations Through Capital? Reflections On School Physical Education From The
Gramscian Perspective.
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understood as an arena of disputes/struggles between social classes in the ideological, moral
fields and ethical. In this context, “we explicitly and clearly observe how the psychophysical
nexus of individuals is influenced by the social function that their class performs based on the
logic of the division of labor” (Silva, 2022, p. 897-898, our translation). The State assumes the
role of an instrument to promote the adaptation of civil society to economic society.
Gramsci expands the concept of the State, which has the dual function of organizing and
propagating a moral and intellectual reform, guaranteeing the development of a collective will
that will contribute to the emergence of a new society, a form of modern civilization (Gramsci,
1984). It is interesting to note that the concepts and conceptions constructed remain current, as
we remain in the same Historical Block (capitalism), the workers' Party continues to fight to
overcome capital and the dominant Party continues to fight to maintain the hegemony of capital,
through the extraction of added value.
This finding suggests the need for subordinate classes to recognize themselves as
historical subjects, fully inserted in a structure and situation of a complex nature. In this
scenario, in one of the reflections, Gramsci demonstrates that all men are philosophers,
however, he defines the limits and characteristics of this “spontaneous philosophy” (Gramsci,
1999, p. 93), peculiar to everyone. The philosophy is contained:
1) in the language itself, which is a set of determined notions and concepts
and not simply words that are grammatically empty of content; 2) in common
sense and common sense; 3) in popular religion and, consequently, in the
entire system of beliefs, superstitions, opinions, ways of seeing and acting that
are manifested in what is generally known as “folklore” (Gramsci, 1999, p.
93, our translation).
By bringing this reflection, he questions what people’s idea of philosophy is.
It is true that it contains an implicit invitation to resignation and patience, but
it seems that the most important point is, on the contrary, the invitation to
reflection, to the awareness that what happens is, deep down, rational, and that
This is how it must be faced, concentrating one's own rational forces and not
allowing oneself to be carried away by instinctive and violent impulses. These
popular expressions could be grouped with similar expressions from popular
writers (collected from large dictionaries) in which the terms “philosophy”
and “philosophically” are included; and thus, it will be possible to perceive
that such expressions have a very precise meaning, namely, that of
overcoming bestial and elementary passions in a conception of necessity that
provides the action itself with a conscious direction. This is the healthy core
of common sense, which could precisely be called common sense and which
deserves to be developed and transformed into something unitary and
coherent. It becomes evident, therefore, why it is not possible to separate the
so-called “scientific” philosophy from the “vulgar” and popular philosophy,
Felipe Machado Huguenin; Vitor Alexandre Rabelo de Almeida and Fabiane Frota da Rocha Morgado.
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which is just a disaggregated set of ideas and opinions (Gramsci, 1999, p. 98,
our translation).
With the demonstration that everyone has the potential to be philosophers, even
unconsciously, because even in the simplest manifestation of an activity, conceptions of the
world are embedded, in which new paradigms such as common sense and good sense emerge.
Common sense is a worldview disseminated in an unstructured and unsystematic way among
the subordinate classes, that is, “participates in a worldview mechanically imposed by the
external environment” (Gramsci, 1999, p. 93, our translation). Common sense, on the other
hand, is an evolution of common sense, even if they occupy the same place; unlike scientific
and philosophical knowledge, which is found in another sphere, marked by the individual
elaboration of thought.
That said, Gramsci (1999) raises a question:
[...] it is preferable to elaborate one's own conception of the world in a
conscious and critical way and, therefore, in connection with this work of the
brain itself, choose one's own sphere of activity, participate actively in the
production of the history of the world, be the guide oneself and no longer
accept from the outside, passively and slavishly, the mark of one's own
personality? (Gramsci, 1999, p. 94, our translation)
Thus, the need for each subject to overcome the common-sense stage is explicit,
considering that each person can receive general information for the formation of their own
conscious personality. Critical understanding of oneself is obtained through the struggle of
political hegemonies with opposing directions. It begins in the ethical field, later moves to the
political and, finally, reaches a superior elaboration of the very conception of reality (Gramsci,
1999).
Completing this reasoning,
The awareness of being part of a certain hegemonic force (that is, political
consciousness) is the first phase of a further and progressive self-awareness,
in which theory and practice finally become unified. Therefore, the unity of
theory and practice is also not a mechanical fact, but a historical becoming,
which has its elementary and primitive phase in the feeling of “distinction”,
of “separation”, of almost instinctive independence, and progresses until the
real and complete acquisition of a coherent and unitary conception of the
world (Gramsci, 1999, p. 103-104, our translation).
Therefore, training must be based on a humanistic conception and a new culture. It is
not just about making original discoveries individually, it is also and, above all, critically
disseminating the truths already discovered, socializing them and, consequently, transforming
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them into the basis of vital actions, into an element of coordination and intellectual and moral
order (Gramsci, 1999). Consequently, the term unitary is inserted, as the combination of abstract
and concrete reality, that is, theory and practice to qualify human actions. And, it seems, it is
important to criticize one's own conception of the world, in the search for greater coherence.
This search is closely related to what Gramsci highlighted about us being “conformists
of some conformism” (Gramsci, 1999, p. 94, our translation). In some way, we belong to a
certain group due to our own conception of the world, sharing the same way of thinking and
acting (Gramsci, 1999). However, this conformism is configured while a social group, which
has its own particular conception of the world, manifested in actions, takes for itself, for reasons
of intellectual submission and subordination, a conception that is not its own. Conduct ceases
to be independent and autonomous and becomes submissive and subordinate (Gramsci, 1999).
And, while philosophy cannot be separated from politics, “the choice and criticism of a
conception of the world are also political facts” (Gramsci, 1999, p. 97, our translation).
Directly related to the understanding of the conception of the world is the concept of
ideology, which must be understood as “the highest meaning of a conception of the world,
which implicitly manifests itself in art, law, economic activity, in all individual and collective
manifestations of life” (Gramsci, 1999, p. 98, our translation). The understanding of ideology
is linked to a unification of the historical values of knowledge and culture, and Gramsci's
statement on mass construction is essential: “The adherence or non-adherence of masses to an
ideology is the way in which verifies the real criticism of the rationality and historicity of ways
of thinking” (Gramsci, 1999, p. 111, our translation).
Thus, combined with the aforementioned understandings and concepts, the concept of
hegemony is described as follows by Gramsci (1999):
That is why attention must be drawn to the fact that the political development
of the concept of hegemony represents, in addition to political-practical
progress, a great philosophical progress, since it necessarily implies and
presupposes an intellectual unity and an ethics appropriate to a conception of
reality that surpassed common sense and became critical, even within still
restricted limits (Gramsci, 1999, p. 104, our translation).
In this way, we can infer the imperative need to establish and strengthen the apparatus
of hegemony of the subaltern classes, based on adequately trained and organically structured
human resources from the perspective of a revolutionary praxis. Furthermore, it is essential to
nurture a genuine commitment to ethical and political practice, conceiving politics as a praxis
composed of individuals who dedicate themselves to the education process to socialize and
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influence the world. Thus, the function of intellectuals and schools is to mediate the awareness
of the masses, which involves self-knowledge and implies recognizing one's own historical
value.
Psychophysical adaptations: from Fordism to Toyotism
Gramsci, despite being in prison, deeply analyzes the development model known as
Fordism, still in its embryonic phase. It weaves numerous thoughts and reflections on the
development of a new form of organization of the material bases of production and social
relations, emphasizing the political-ideological issues that helped in the construction of the
hegemony of Americanism, through mechanisms of coercion and consensus with the working
class.
This new development model, based on Taylor's scientific theories applied at the Ford
factory, aimed to increase productivity in the industry, but required a transformation of the
worker. The purpose of American society was:
develop to its maximum degree, in the worker, mechanical and automatic
behaviors, break the old psychophysical connection of qualified professional
work, which required a certain active participation of the worker's
intelligence, fantasy, initiative, and reduce productive operations only to the
aspect mechanical physicist (Gramsci, 2015, p. 243, our translation).
Thus, with the Fordist system, there is a tendency to separate body and mind. While the
physical is reduced to mechanized activities, the brain remains free for other occupations
(Gramsci, 2015). It is possible to observe the presence of the logic of work rationalization from
the perspective of capital hegemony in the sphere of production.
However, with this rationalization of work and the way of life based on production, the
construction of the new society begins to require a dialectical relationship between the Regime
of Accumulation (Structure) and the Mode of Social Regulation (Superstructure), with the
combination of coercion mechanisms, such as the nihilism of trade unionism, and consensus,
convincing workers with high wages and/or social benefits, for example.
The progress of capitalism, as a way of overcoming the old economic individualism,
with the establishment of a pragmatic economy, requires a “new human type” (Gramsci, 2015,
p. 226), conformed and adapted to the needs of the development of productive forces. “Life in
industry requires general learning, a process of psychophysical adaptation to certain conditions
of work, nutrition, housing, customs, etc.” (Gramsci, 2015, p. 229, our translation).
Mirror, Bad Mirror, How Are The Psychophysical Adaptations Through Capital? Reflections On School Physical Education From The
Gramscian Perspective.
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Among the psychophysical adaptations, the following stand out: 1) Sexual issues,
“sexual instincts were those that suffered the greatest repression by the developing society”
(Gramsci, 2015, p. 228); 2) Use of alcohol, “the most dangerous agent of destruction of the
workforce” (Gramsci, 2015, p. 244) , our translation.
The history of industrialism has always been (and today becomes even more
accentuated and rigorous) a continuous struggle against the “animal” element
of man, an uninterrupted, often painful and bloody process of subjugation of
instincts (natural, that is, animalistic and primitive) to ever new, more complex
and rigid norms and habits of order, accuracy, precision, which make possible
increasingly complex forms of collective life, which are the necessary
consequence of the development of industrialism (Gramsci, 2015, p. 239, our
translation).
In fact, for such development, Puritan ideology was the means used to discipline outside
the factory environment. Puritan initiatives were not concerned with humanity, nor with the
spirituality of the worker. Puritanism, marked by rationalization and prohibitionism, would aim
to maintain the psychophysical balance of the worker, that is, “it is concerned with maintaining
the continuity of the workers physical efficiency, his muscular-nervous efficiency” (Gramsci,
2015, p. 244, our translation). A useful, disciplined and submissive body is preserved, not only
in the workplace, but also outside it.
In this way, the adaptability of the working class is a determining issue for the new
economic conditions of production, proof that adjustments to the mechanisms of coercion and
consensus were essential for the development of industrial society at the time. However,
following the crisis that occurred in the mid-1930s and 1940s, a new model of development,
called Toyotism, perpetuates political relations between classes to this day, preserving dominant
hegemony and mechanisms of coercion and consensus under a new perspective, given the new
demands on the working class (Alves, 2005), which we particularly call the brand-new human
type.
Toyotism managed to impose itself as the most appropriate to the stage of structural
crisis that capitalism is going through. Amidst the multiple production models disseminated
from Fordism, such as: Swedish, Italian and German, the Japanese model constituted a new
complex of productive restructuring, under the new regime of flexible accumulation (Alves,
2005).
A first difference between Fordism and Toyotism is in the understanding of the worker's
body and mind. In the Fordist model, as already stated, there is a split between body and mind.
The physical gesture became completely mechanized; the memory of the craft has been reduced
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to simple, repetitive gestures with an intense rhythm, while the brain is free and unhindered for
other occupations (Gramsci, 2015). Each worker performed only one task mechanically and
knew only his function.
In Toyotism, an alignment between body and mind is observed; it is necessary to
articulate the two in the work process, as the worker has general knowledge of all procedures;
employees have fewer specific functions, working on whatever is in greatest demand at the
moment. However, despite the requirement for participation on the part of the worker,
knowledge and initiative in the work process are merely expropriated from the worker himself;
consequently, the subjectivity that arises in the manufacturing environment becomes
inauthentic regarding the worker’s real participation in the production process (Ribeiro, 2015).
Thus, a frustrated promise of Toyotism emerges to restore body-mind integration through the
rationalization of work from the perspective of capital hegemony (Alves, 2005).
The logic of work rationalization is continued in the new production model. While in
Fordism there was an incomplete rationalization, Toyotism develops, through mechanisms of
worker commitment, the control of the subjective dimension by capital and easily incorporates
the psychological variables of worker behavior into capitalist rationality in production, that is,
there is no intention of establishing a rationalized society, but only a rationalized factory (Alves,
2005).
It seems that, even with the alignment between body and mind, the real objective of
Toyotism is the maintenance of the Fordist manufacturing paradigm, that is, “a certain active
participation of the worker's intelligence, fantasy, initiative, and reducing operations productive
only in terms of the physical, mechanical aspect” (Gramsci, 2015, p. 243), as already explained.
The versatility of the worker is worth much more than the use of their intelligence. The new
regime imposes alignment as a means of combating the stress of Toyotist super-exploitation
and not with the aim of emancipating the subject from the discipline of capital (Alves, 2005).
Thus, Toyotism restricts the logic of capital hegemony to production and recomposes
the articulation between worker consent and labor control. The worker is impelled to think and
find solutions before problems occur, that is, he is encouraged to cooperate with the logic of
capital appreciation. This configures a thirsty search for hegemony and promotes an investment
in the capture of subjectivity, being a significant link in the acute social manipulation of
capitalism in its phase of structural crisis (Alves, 2005).
The new type of worker in the Japanese model, faced with the transformations in the
world and human relations, has well-defined characteristics: he is flexible, lean and sustainable.
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The challenges arising from the transition to a new mode of production, driven by the Fordism
crisis, introduce new paradigms and issues that transcend the scope of work, also covering
social and cultural aspects. In this reconfiguration, speed assumes a preponderant value, which
conditions not only humanity's relationship with work, but also family interactions, friendships
and emotional relationships (Ribeiro, 2015).
The logic of capital invades the domestic space. The body is useful, disciplined and
submissive inside and outside the workplace. While Toyotism tends to align body and mind,
the rigid body of Fordism becomes flexible amid the new demands of work. According to
Ribeiro (2015), a flexible work organization combines the flexibility of the workforce with the
flexibility of the work process. This dynamic can result in fragmentation between different
categories of workers, due to the outsourcing and subcontracting process, which establishes a
hierarchy between a minority with favorable remuneration and professional qualifications and
a majority subject to precarious employment conditions. Furthermore, the contemporary worker
is required to have versatile skills, agility and the ability to perform multiple functions.
Production concentration takes on an inverted character, with a central unit responsible for
coordinating, planning and organizing the production of an entire network of peripheral units.
The factory, in turn, seeks to achieve ideal continuous production, without breaks or
interruptions, improving what the Fordist model already accomplished in an incipient way. In
this context, the search for additional gains in terms of work intensity and productivity is
crucial, highlighting the relevance of incorporating practices such as just-in-time, which seeks
precision in the production chain, fitting operations and executions according to market
demand, that is, everything must occur in due time, neither before nor after, avoiding idle stock
and waste of raw materials.
In this way, Toyotism, more than the Fordist model, perpetuates the commitment to the
logic of capital, altering the subjectivity of the body and bringing about psychophysical
adaptations of the working class. The mechanisms of coercion and consensus have
repercussions today, merely in new forms, preserving the dominant hegemony.
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From Body Education to School Physical Education: critical considerations for the
construction of an emancipatory education
Throughout history, there are facts that refer to the evolution of bodily practices,
“understood as manifestations of the expressive possibilities of subjects” (Brasil, 2018, p. 213,
our translation). The body has already been presented and studied as a biological body and,
contemporaneously, it is understood and studied as a historical-cultural body. The very
dynamics of life in human interrelations, habits, practices, beliefs have transformed over time.
In this context, human beings have developed a collection of gestures and bodily manifestations
with the aim of meeting organic, affective, aesthetic, playful, political and social needs. Thus,
the body continues to be shaped and socialized for integration into life in society (Brighente;
Mesquida, 2011).
From the Gramscian perspective, the body is shaped and adapted to the needs of the
development of productive forces, with a process of psychophysical adaptations conditioned to
work (Gramsci, 2015). This understanding is corroborated with the thought of Foucault (1987),
“in any society, the body is trapped within very tight powers, which impose limitations,
prohibitions or obligations on it” (Foucault, 1987, p. 163, our translation).
In this process of training bodies, it becomes clear what resources are used to make this
happen and bring results to those interested. Gramsci highlighted the methods of coercion and
consensus (Gramsci, 2015), as already seen. These methods are similar to what Foucault (1987)
calls disciplinary power, which aims to train confused crowds and useless bodies, producing
obedient individuals. And its success is based on three instruments: “the hierarchical view, the
normalizing sanction and their combination in a procedure that is specific to it, the examination”
(Foucault, 1987, p. 195, our translation).
Furthermore, one of the objectives of disciplinary power is to make the individual
docile, manufacturing him, from a social, economic and political point of view, so that he
produces more, generates more profits and does not rebel against the State (Foucault, 1987).
Thus, thinking, creating and executing socio-educational actions means recognizing the need
to confront the dominant hegemony in all spheres of life. It is necessary and fundamental to
think about a transformative, emancipatory and capital-critical education within the school.
In the educational sphere, the Freirean perspective emerges as a fundamental reference
in contemporary pedagogy. Freire (1987) emphasizes education as a process of critical
awareness, in which individuals become aware of their reality and the potential for social
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transformation. In this context, education must be committed to overcoming inequalities and
promoting the emancipation of subjects (Freire, 1987).
This approach is in line with Gramsci's (1999) vision, which highlights the importance
of cultural and intellectual hegemony in maintaining the power of a dominant class. It argues
that, in addition to political and economic domination, the ruling class also exercises its control
through the dissemination of its ideology, values and beliefs. Thus, to promote the emancipation
of subjects and the overcoming of inequalities, the Italian intellectual proposes that the subaltern
class (oppressed class) must develop a critical consciousness and a new culture that challenges
the hegemony of the dominant class (Gramsci, 1999).
In this vein, Gramsci (1999) discusses the importance of education as an essential tool
for social transformation. It argues that education must be accessible to all social classes and be
aimed at the development of critical and reflective individuals. This critical education would
allow subjects to understand power structures, the nature of inequalities and forms of
oppression, enabling them to fight for social change (Gramsci, 1999).
Along the same lines, Saviani (1986) contributes to the debate on a more critical and
emancipatory education by defending the democratization of access to education as a means of
overcoming social inequalities and promoting a more democratic and emancipatory education.
In this scenario, the role of the teacher is fundamental as a mediator of knowledge and conductor
of the learning and training process of students (Saviani, 1986).
Thus, School Physical Education assumes unique relevance when seeking to promote
the integral training of individuals through bodily practices. By incorporating Antonio
Gramsci's contributions on education, politics and knowledge, Physical Education can acquire
transformative potential by promoting critical awareness and emancipation of students. To this
end, bodily practices must transcend the mere mechanization of movement, allowing students
to understand movement in its historical-social dimension and develop a critical awareness of
power relations in society (Silva, 2022). It is necessary to encourage critical reflection on
pedagogical practices in Physical Education, encouraging an inclusive and contextualized
approach (Kunz, 2004).
Physical Education can be understood within the scope of the National Common
Curricular Base (BNCC) as a curricular component that addresses and thematizes the various
manifestations of bodily practices, permeated by a sociocultural construction (Brazil, 2018). By
recognizing bodily practices as the individual's main form of manifestation, this curricular
element provides students with the opportunity to externalize and recreate meanings and
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symbols through movement. Therefore, representations of the self, the other and the world
emerge as consequences of the individual's involvement with the environment that surrounds
them.
Therefore, bodily practices need to be debated, as they constitute important elements of
human formation. Through them, it is possible to achieve understanding and establish
mediations and possibilities for pedagogical practice that aim at the socialization and dialogue
of systematized knowledge (Silva, 2022). In this context, movement as a historical reflection
of the bodily self is an important instrument for raising awareness and criticizing the power
relations established in society imposed by capital. In opposition to this, the scenario of
contemporary Physical Education, based on documents that aim to guide national Education,
shows a tendency towards the mechanization of bodily practices, which present themselves as
interested in movement for movement's sake. In short, bodily practices need to be understood
and experienced, they cannot just be an execution of movement for the sake of movement. With
the understanding of movement, an awareness is established to judge and analyze organized
knowledge that seeks to explain historically systematized body movements (Silva, 2022).
A first step is to help each student develop the need to recognize themselves as a
historical subject, inserted in a complex structure and situation. It is necessary to overcome
common sense, considering that each person can receive information for the formation of their
conscious human personality, having as a basis for this formation a humanist conception and a
new culture, as Gramsci (1999) already proposed. This overcoming of common sense with the
awareness of being part of a certain hegemonic force will mark the union of theory with
practice.
The school institution plays an essential role in enabling an inclusive and humanistic
education, guaranteeing access for all students to the knowledge accumulated by humanity
(Saviani, 1986). In this context, Physical Education emerges as a significant ally in the process
of fully training students, helping them to recognize themselves as historical subjects and to
understand the complexities of the surrounding social structures (Gramsci, 2015). This
comprehensive training can provide students with the possibility of transcending common sense
and acquiring a critical and reflective understanding that contributes to the construction of a
more just, democratic and exploitation-free society (Brasil, 2018; Freire, 1987; Saviani, 1986).
In this context, education plays an important role in raising awareness and mobilizing the
masses, who previously found themselves confused and inert, empowering them to fight for a
more egalitarian and emancipated society (Foucault, 1987).
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At the heart of the school lies the purpose of being a favorable space-time that requires
individuals' awareness of reality and scientific knowledge, inserted in a structure and context
in which they must have access to the knowledge accumulated by humanity. In this way,
fundamental importance is attributed to education and culture, since ideas and materialized
culture are essential pillars for the construction of a society characterized by the absence of
exploitation. In this scenario, human possibilities are expanded through an inclusive,
humanistic and formative school, aimed at everyone and for everyone.
Thus, bodily practices, in their different forms of codification and social meaning,
assume a relevant role in the school context, especially through the Physical Education
discipline, as their activities constitute a unique expression of culture, bodily experiences and
different modalities of physical activities. For the student's full education, it is essential that he
or she has access to bodily practices and the culture produced and accumulated. Physical
Education, when addressing Gramsci's contributions on education, politics and knowledge, has
the capacity to foster dialectical thinking in the search for a holistic understanding of the student
and to reinforce its epistemological bases. This perspective enables the construction of an
emancipatory education by including the bodily dimension as an integral and potentially
transformative part of the educational process.
School Physical Education, by embracing a critical and emancipatory perspective,
consolidates itself as a discipline that goes beyond mere technical and mechanical instruction
of the body. By promoting reflection, awareness and appreciation of bodily practices, it
becomes a powerful instrument for the formation of conscious, active and engaged individuals
in the construction of a more just, democratic and egalitarian society.
In this context, it is imperative that bodily practices in School Physical Education
promote access, systematization and internalization of knowledge, providing the transition from
syncretic thinking and common sense to more sophisticated forms of thought and culture. This
process represents the gradual and organic development of the student, in line with the
perspective proposed by Gramsci, towards increasingly more elaborate syntheses of reality.
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Final remarks
The purpose of this article was to expose preliminary concepts of Gramscian theory, to
make considerations about psychophysical adaptations in development models, marked in the
same historical block as capital, and the bodily implications of individuals and their daily
relationships at school.
Throughout history, bodily practices have undergone significant transformations,
reflecting changes in conceptions of the body and its relationships with the sociocultural
context. From a Gramscian perspective, the body is conformed to the needs of the development
of productive forces, adapting to work and subjected to restrictive powers.
Based on the analysis of Gramsci and Foucault, it is understood that disciplinary power
manifests itself in the training of bodies, aiming at production, profit and obedience to the State.
This reality poses challenges for education, which must face the dominant hegemony and seek
a transformative and emancipatory approach.
Gramsci's humanist conception dialogues with Freire's perspective, both highlighting
the importance of education as a process of forming critical and emancipated subjects. School
Physical Education, by embracing this approach, becomes a powerful instrument for building
a more just and democratic society. It is essential that the teaching of bodily practices goes
beyond the mechanization of movement, providing a deeper understanding of power relations
and the culture materialized in society.
School Physical Education emerges as a discipline with the potential to go beyond mere
technical instruction of the body, enabling students to have a critical and reflective
understanding of bodily practices. In this sense, the Freirean perspective is relevant,
emphasizing education as a process of critical awareness and overcoming social inequalities.
Thus, School Physical Education must be understood as a space-time for reflection,
awareness and integral training of individuals. Through bodily practices, students have the
opportunity to recognize themselves as historical subjects, inserted in a complex society. The
relationship between body and power is evident, and the role of the school is to promote access
to systematized knowledge, so that students develop a critical awareness of themselves and
social relationships.
The training of students must be guided by critical reflection on pedagogical practices,
encouraging inclusion, contextualization and appreciation of bodily experiences. School
Physical Education, by adopting this stance, contributes to the construction of a critical
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consciousness among students, empowering them for social transformation and the fight for the
construction of a more egalitarian and emancipated society.
In summary, School Physical Education emerges as a space-time for enriching bodily
experiences, providing students with a critical understanding of bodily practices and their
sociocultural context. The emancipatory approach, inspired by Gramsci, gives the discipline a
transformative potential by stimulating reflection, awareness and engagement among students
in building a more just and democratic society. The need to transcend common sense, to
overcome the limitations imposed by disciplinary power, is central to the formation of
individuals who are aware of their history and capable of acting as agents of social change.
In this sense, bodily practices cannot be decontextualized, they need to be inserted in a
historical context and loaded with meanings and symbols. From a dialectical understanding of
the world, individuals will be able to criticize the psychophysical adaptations required by
capital. Furthermore, they will be able to analyze and critically reflect on consumerist attitudes
and the appreciation of appearance. Thus, the relationship established with the mirror can
develop in a critical way, without social pressure for the individual to be what capital demands
and/or what others expect of it.
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CRediT Author Statement
Acknowledgments: To the Rio de Janeiro State Research Support Foundation - FAPERJ,
for the scholarship granted to Prof. Dr. Fabiane Frota da Rocha Morgado in the Young
Scientist of Our State Program - 2022 - Proc. No. 200,233/2023.
Funding: Rio de Janeiro State Research Support Foundation FAPERJ.
Conflicts of interest: There is no conflict of interest.
Ethical approval: The work respected ethics during the research. Type of work without the
need to be submitted to an ethics committee.
Availability of data and material: Not applicable.
Author contributions: Felipe Machado HUGUENIN: Conceptualization; Methodology;
Writing - Original Draft; Writing - review and editing. Vitor Alexandre Rabelo de
ALMEIDA: Conceptualization; Methodology; Writing - review and editing. Fabiane Frota
da Rocha MORGADO: Writing - proofreading and editing.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Review, formatting, standardization, and translation.