RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18310 1
EDUCAR PARA EMPREENDER E INOVAR: A EXPERIÊNCIA DE UM
HACKATHON ACADÊMICO
EDUCAR PARA EMPRENDER E INNOVAR: LA EXPERIENCIA DE UN
HACKATHON ACADÉMICO
EDUCATING TO ENTREPRENEUR AND INNOVATE: THE EXPERIENCE OF AN
ACADEMIC HACKATHON
Frederico PIFANO DE REZENDE1
e-mail: fredpifano@gmail.com
Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER2
e-mail: afsanehamedi@gmail.com
Marco BRAGA3
e-mail: marcobraga@namelab.education
Como referenciar este artigo:
PIFANO DE REZENDE, F.; HAMEDI D’ESCOFFIER, A. H.;
BRAGA, M. Educar para empreender e inovar: A experiência de
um hackathon acadêmico. Revista Ibero-Americana de Estudos
em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN:
1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18310
| Submetido em: 02/08/2023
| Revisões requeridas em: 20/10/2023
| Aprovado em: 20/12/2024
| Publicado em: 19/03/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) e Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-RJ), Rio de
Janeiro RJ Brasil. Professor do Curso de Engenharia de Produção e Doutorando em Engenharia de Produção
e Sistemas.
2
Fundação Oswaldo Cruz, FIOCRUZ, Rio de Janeiro RJ Brasil. Pesquisadora. Pós-Doutorado (Centro Federal
de Educação Tecnológica - RJ).
3
Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-RJ), Rio de Janeiro RJ Brasil. Professor do Programa de
Pós-graduação em Engenharia de Produção e Sistemas e do Programa de Pós-Graduação de Ciência, Tecnologia
e Sociedade. Pós-Doutorado (University of California Berkeley: Berkeley, CA, US).
Educar para empreender e inovar: A experiência de um hackathon acadêmico
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18310 2
RESUMO: O presente trabalho estudou um hackathon acadêmico e como as universidades
podem promover o empreendedorismo que transcenda a experiência acadêmica, considerando
a percepção de estudantes que decidiram criar uma startup. Pesquisa de natureza qualitativa,
teve como campo o evento promovido pela Universidade Texas A&M (EUA), com
componentes da COPPE/UFRJ e do CEFET-RJ. A coleta de dados aconteceu por meio de
entrevistas semiestruturadas e grupos focais. Percebeu-se que a iniciativa empreendedora foi
motivada pela experiência vivida no evento, uma vez que a universidade não ofereceu educação
para o empreendedorismo e nem suporte à iniciativa de empreender do grupo. Constatou-se que
hackathons estimulam a inovação, mas são insuficientes no fomento ao empreendedorismo.
Propõe-se um Programa de Desenvolvimento de Startups para que as universidades auxiliem o
processo de inovação, construindo estruturas de apoio para estudantes em etapas posteriores
aos eventos, fortalecendo uma formação que contemple o educar para empreender e inovar.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Empreendedorismo. Inovação. Hackathon. Engenharia.
RESUMEN: El estudio investigó un hackathon académico y cómo las universidades pueden
promover el emprendimiento que trascienda la experiencia académica, considerando las
percepciones de los estudiantes que decidieron crear una startup. De naturaleza cualitativa, se
centró en el evento promovido por la Universidad Texas A&M (EEUU), con participantes de
COPPE/UFRJ y CEFET-RJ. La recolección de datos se llevó a cabo a través de entrevistas
semiestructuradas y grupos focales. La iniciativa emprendedora fue motivada por la
experiencia adquirida durante el evento, la universidad no ofrecía educación en
emprendimiento ni apoyo para los esfuerzos emprendedores del grupo. Se encontró que los
hackathons estimulan la innovación, pero son insuficientes para fomentar el emprendimiento.
Se propone un Programa de Desarrollo de Startups para ayudar a las universidades en el
proceso de innovación. Este programa tiene como objetivo fortalecer la educación para el
emprendimiento y la innovación, proporcionando los recursos necesarios para embarcarse en
empresas emprendedoras.
PALABRAS CLAVE: Educación. Emprendimiento. Innovación. Hackathon. Ingeniería.
ABSTRACT: The present study investigated an academic hackathon and how universities can
promote entrepreneurship beyond the academic experience, considering the perceptions of
students who decided to create a startup. The research, of a qualitative nature, focused on the
event promoted by Texas A&M University (USA), with participants from COPPE/UFRJ and
CEFET-RJ. Data collection was carried out through semi-structured interviews and focus
groups. It was observed that the entrepreneurial initiative was motivated by the experience
gained during the event, as the university did not offer education in entrepreneurship nor
support for the group's entrepreneurial endeavors. It was also found that hackathons stimulate
innovation but are insufficient in fostering entrepreneurship. Therefore, a Startup Development
Program is proposed to assist universities in innovation by building support structures for
students beyond the events. This program aims to strengthen education for entrepreneurship
and innovation, providing students with the necessary resources to embark on entrepreneurial
ventures.
KEYWORDS: Education. Entrepreneurship. Innovation. Hackathon. Engineering.
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER e Marco BRAGA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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Introdução
Os hackathons acadêmicos são eventos que objetivam despertar interesse e desenvolver
competências na área da inovação e empreendedorismo. O departamento de Engenharia da
Texas A&M University (TAMU), nos Estados Unidos (EUA), criou um evento de aprendizagem
experiencial para desenvolver uma mentalidade empreendedora e inovadora nos estudantes de
engenharia (Boehm, 2020). Denominados Aggies”, os eventos têm a duração de 48 horas e
visam criar uma experiência de design estruturada, intensiva e inovadora. Nesse espaço de
tempo os estudantes são agrupados, recebem um gênero de necessidades a serem
problematizadas, definem um problema, criam e prototipam uma solução, expondo seus
projetos em uma apresentação de formato Pitch para um painel de juízes provenientes de
empresas e outras instituições.
Em 2018, a TAMU expandiu esse evento em escala global, ao convidar universidades
de todos os continentes para participar da iniciativa. Surgiu então uma nova modalidade do
evento que foi denominadaInvent for the Planet” (IFTP) baseado no modelo dos já existentes
Aggies Invent”. O IFTP tem por objetivo desafiar estudantes de diferentes partes do mundo a
encontrar soluções para problemas fornecidos por instituições internacionais, bem como os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU Brasil,
2022).
Em 2019, o Brasil passou a participar regularmente do IFTP com 40 estudantes
envolvidos, divididos em seis equipes competidoras. Esses estudantes são provenientes da
COOPPE/UFRJ e do CEFET-RJ. Essas instituições forneceram os organizadores e mentores da
edição brasileira do IFTP. Três equipes foram premiadas, com destaque para a equipe
denominada Tupan, que conquistou a etapa brasileira do evento. A equipe desenvolveu um
projeto de acessibilidade, composto por dois artefatos de baixo custo que permitiam a
orientação de deficientes visuais (de variados níveis) em seu deslocamento diário, buscando
melhorar a qualidade de vida. O primeiro artefato desenvolvido foi um boné com sensores que
permitem a identificação de obstáculos à frente do usuário. O outro foi um sensor (Wii Remote)
que, ao ser apontado para direções no solo, permitia a detecção de buracos e obstáculos,
servindo como um Dispositivo Auxiliar de Marcha (DAM), ou no sentido popular, uma bengala
eletrônica.
Como premiação do primeiro lugar obtido, a equipe Tupan foi convidada a participar da
final mundial do IFTP que aconteceu na sede da TAMU. Competindo com equipes de quatro
outros países, a equipe Tupan sagrou-se campeã da edição 2019 do IFTP, recebendo uma
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premiação de 5000 dólares. No retorno ao Brasil, os agora campeões de uma Hackathon
Internacional, entusiasmados e com propósitos sociais e altruístas, decidiram criar uma
iniciativa empresarial com o mesmo nome da equipe. Surge a startup Tupan, que desenvolveria
e comercializaria o produto desenvolvido. Em 2020, expandiram seu conceito para uma
empresa de soluções de acessibilidade.
O IFTP não é o único Hackathon acadêmico que existe. Pelo contrário, iniciativas do
gênero são oferecidas e desenvolvidas em vários tipos de instituições de ensino e em diversos
níveis educacionais. Anualmente, várias equipes apresentam excelentes soluções para os
problemas propostos, porém poucos estudantes dão continuidade à suas inovações e
estabelecem efetivamente uma startup derivada destes hackathons. A percepção é que estes
eventos, embora tenham sucesso no despertar de competências de inovação, não conseguem
fazer com que os alunos tenham a disposição-ação para empreender. A transformação do grupo
Tupan em startup foi uma experiência inédita para as instituições organizadoras.
Sendo assim, a presente pesquisa baseia-se na seguinte questão: a partir da percepção
de estudantes participantes de hackathons, como as universidades podem promover o
empreendedorismo que transcenda a experiência acadêmica?
Utilizando o caso de sucesso do grupo Tupan, buscou-se indicativos quanto ao potencial
empreendedor desses estudantes e o papel da universidade como fomentadora de profissionais
empreendedores e, assim, passar a educar para inovar e empreender. Com este conhecimento
em mãos, será possível traçar estratégias para que a universidade seja capaz de estimular a
aquisição de competências para que os estudantes possam progredir em suas ideias inovadoras.
Referencial Teórico
Empreendedorismo e sua importância na sociedade
Afinal, o que é empreendedorismo? O volume de pesquisas e publicação dos últimos 20
anos (Sreenivasan; Suresh, 2023) trouxeram avanços na compreensão do tema, sobretudo
aplicado à educação. O Entrecomp, quadro Europeu de referência das competências para o
empreendedorismo, se valeu da definição utilizada pela Fundação Dinamarquesa para o
Empreendedorismo e definiu empreendedorismo como “ação sobre oportunidades e ideias e
sua transformação em valor para os outros. O valor que é criado pode ser financeiro, cultural
ou social” (Mccallum et al., 2018, p. 8).
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER e Marco BRAGA
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Vale notar que o empreendedorismo, conforme abordam os estes autores, não tem seu
escopo restrito a abertura de negócios e empresas. No entendimento atual, a criação de valor
assume o papel protagonista. Pesquisadores-professores de empreendedorismo nos EUA
corroboram com o pensamento europeu ao dizer que “[...] o empreendedorismo é uma forma
de pensar, agir e ser que combina a capacidade de encontrar ou criar novas oportunidades com
a coragem de agir sobre elas” (Neck; Neck; Murray, 2020).
Os conceitos apresentados apontam a conexão entre a atividade empreendedora e a
construção de oportunidades para o futuro em uma sociedade permeada por desafios locais e
globais. O crescimento populacional, por exemplo, gera mais e novas demandas por produtos
e serviços, que devem ser superadas, quer seja pelo poder público ou pela sociedade civil. Por
sua vez, o setor econômico está cada vez mais dinâmico, mudando paradigmas e fazendo com
que as pessoas tenham que inovar, até mesmo para garantir seu sustento face as constantes
mudanças no mundo do trabalho.
O empreendedorismo é um dos aspectos que mais influenciam a economia e,
consequentemente, a sociedade. Para Schumpeter (1994), ele é o desejo e o potencial para
converter uma nova ideia em uma inovação bem-sucedida, modificar a economia e introduzir
novos produtos ou serviços no mercado. Cabe ressaltar que existe uma grande diferença entre
ser um empresário e ser um empreendedor. Empresário caracteriza-se como o dono de um
negócio que gera lucros. Por outro lado, o empreendedor leva adiante projetos, descobre
oportunidades e cria soluções inovadoras, sem medo de correr riscos. Portanto, o segundo
requer um conjunto muito maior de habilidades do que o primeiro (Schumpeter ,1994).
Neste sentido a inovação está intimamente relacionada ao empreendedorismo, uma vez
que contribuem para o sucesso do empreendimento. Os empreendedores, como inovadores, não
se contentam com apenas uma solução para uma necessidade. Eles continuam tendo ideias até
chegarem a várias soluções. A inovação é o fundamento do empreendedorismo e da vantagem
competitiva. Essa inovação não precisa estar associada à tecnologia, aqui entendida como a
forma como os empreendedores exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio
ou serviço diferente. Esta é uma competência que se refere à proficiência no desempenho e
pode ser aprimorada pela prática e treinamento, portanto, é passível de ser aprendida (Drucker,
1993).
Educar para empreender e inovar: A experiência de um hackathon acadêmico
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Educação para o Empreendedorismo
O comportamento empreendedor depende da motivação para alcançar objetivos e das
habilidades necessárias para alcançá-los. As competências têm sido exaustivamente estudadas
(Mitchelmore; Rowley, 2010), e caracterizam-se pela capacidade de assumir riscos,
autodeterminação, comunicação, iniciativa, liderança, pensamento inovador, dentre outras
possíveis (Robles; Zárraga-Rodríguez, 2015). Drucker (1993) afirma que o:
“Empreendedorismo não é mágica, não é nenhum mistério e não tem nada a ver com genes. É
uma disciplina. E, como qualquer outra disciplina, pode ser aprendida”. Assim, é evidente que
as competências para o empreendedorismo estão ao alcance de todos e é provável que exista
uma educação para o empreendedorismo capaz de estimular a criação de uma cultura
empreendedora.
Estudos mostram que métodos tradicionais, como leituras, exames etc., não ativam o
empreendedorismo (Gibb, 2002; Sogunro, 2004), podendo até inibir o desenvolvimento dessas
habilidades (Kirby, 2004). Assim, a educação para o empreendedorismo deve assentar na
aprendizagem por competências, em ambiente controlado, vocacionada para a aprendizagem
experiencial em contextos reais ou simulações de negócios, associada a práticas sociais (García
et al., 2017), sendo uma integração de conhecimentos, competências e experiência.
Ainda que estudos sobre intervenções pedagógicas sejam ainda recentes (Sreenivasan;
Suresh, 2023), a educação empreendedora costuma acontecer segundo três enfoques principais:
ensinar “sobre” o empreendedorismo teórico e conteudista, visando uma compreensão geral
do assunto, “para” o empreendedorismo fornecendo conhecimentos e habilidades
introdutórios, orientados profissionalmente e “através” do empreendedorismo os estudantes
passam por um processo real de aprendizagem empreendedora, transdisciplinar, onde
características, processos e experiências são conectados à disciplina central (Lackéus, 2015).
Essas abordagens também são identificadas como modelo de “oferta” (behaviorista, centrado
na transmissão e reprodução do conhecimento), “demanda” (subjetivista, por meio da
exploração, discussão e experimentação) e modelo de “competência” (teoria interacionista, com
a resolução ativa de problemas em situações da vida real) (Nabi et al., 2017).
A educação superior tem um papel importante na criação das bases para o
desenvolvimento de competências empreendedoras, sendo de grande importância para o
desenvolvimento sustentável, principalmente nos países em desenvolvimento. As universidades
americanas e japonesas, por exemplo, estabelecem metas para a educação empreendedora,
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER e Marco BRAGA
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cultivando o espírito empreendedor e auxiliando no desenvolvimento acadêmico por meio de
combinações multidisciplinares, utilizando a abordagem “através”. No entanto, na maioria das
instituições de ensino superior, restringem-se à abordagem “sobre”, com grande variação de
conteúdo (Mwasalwiba, 2010).
Mesmo as universidades que usam uma pedagogia de abordagem “através”, em sua
maioria, ainda veem o empreendedorismo como um currículo de negócios. Por isso, é oferecido
dentro de determinadas áreas, como cursos de Administração, Marketing ou Finanças. Em
outros cursos, o conteúdo de empreendedorismo é articulado em outras disciplinas, com foco
na abordagem “para”. Harfst (2010) havia abordado a questão. Mesmo com um número
crescente de universidades oferecendo cursos e programas de empreendedorismo, essa situação
não mudou. Embora existam lacunas na pesquisa relacionada a quais cursos específicos o
empreendedorismo é ensinado e qual é o modelo curricular, esses programas continuam a ser
oferecidos principalmente em cursos de negócios e de forma mais recente na Engenharia
(Ridley et al., 2017). Este fato poder ser um reflexo das intenções dos estudantes. As estatísticas
mostram que a maioria dos que optam por iniciar seus negócios são oriundos de cursos de
Economia, Negócios ou Marketing, embora 85% dos alunos do ensino médio demonstrem
intenções empreendedoras (Cheng et al., 2018).
Hackathons acadêmicos e o IFTP
O termo hackathon surgiu em 1999 por desenvolvedores de software de código aberto,
a partir das palavras Hacking(programação) e Marathon(maratona) (Briscoe; Mulligan,
2014). Logo, por muitos anos, este tipo de evento foi exclusivo da área de softwares. Com o
passar dos anos, a experiência foi generalizada para diversas áreas.
Hackathons acadêmicos são eventos que ocorrem em instituições de ensino, como
escolas e universidades, com o objetivo de promover a inovação, criatividade e colaboração
entre os estudantes. Oferecem oportunidade para os participantes desenvolverem soluções
práticas para desafios acadêmicos e explorarem novas áreas de conhecimento (Gama; Alencar
Gonçalves; Alessio, 2018). Durante estes eventos, os estudantes trabalham em equipes
multidisciplinares para resolver problemas em um período limitado. Dependendo do tema do
evento, podem se concentrar em áreas específicas.
Os hackathons acadêmicos são projetados para permitir que os estudantes desenvolvam
habilidades como pensamento crítico, resolução de problemas e trabalho em equipe. Além
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disso, incentivam a criatividade e inovação, encorajando-os a pensarem para além dos
paradigmas estabelecidos e buscarem soluções únicas (inovadoras).
De acordo com Warner e Guo (2017), a maior motivação dos estudantes que participam
de hackathons acadêmicos pela primeira vez, está relacionada a aspectos sociais, e para os
demais, a busca de conhecimento técnico é o fator motivacional.
O IFTP aqui estudado é um modelo de hackathon acadêmico com uma dinâmica baseada
em SPRINTS (Schwaber; Sutherland, 2020), que são períodos de trabalho com entregas em
tempo delimitado (revisão de status), para criar consistência, inspecionar e adequar como o
trabalho é feito e o que está sendo trabalhado. Os SPRINTS são uma parte fundamental da
metodologia SCRUM (Sutherland, Sutherland, 2014), pois permitem que a equipe trabalhe de
forma focada e entregue valor de maneira incremental, garantindo feedback constante e
permitindo ajustes contínuos no planejamento e desenvolvimento do produto. Para dar suporte
aos SPRINTS, alguns mentores são convidados e interagem com as equipes discutindo a direção
do projeto, mas sem fornecer respostas ou soluções pré-concebidas (Boehm, 2020).
Metodologia
Objeto de estudo
O objeto de estudo constituiu-se de um hackathon acadêmico desenvolvido pelo
Programa de Engenharia e Empreendedorismo da University of Texas A&M (EEP/TAMU), com
duração de 48 horas envolvendo universidades de diversos países. A hackathon aconteceu em
duas etapas. A primeira na sede das universidades participantes e a segunda na TAMU, onde os
projetos vencedores são levados à final.
O grupo vencedor da etapa Brasileira e Internacional no ano de 2019, foi composto por
membros de duas instituições que são referências Brasileiras em educação, lotadas no Estado
do Rio de Janeiro, a equipe Tupan foi formada por cinco estudantes do Centro Federal de
Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) e de um estudante da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dos seis estudantes, todos de engenharia,
quatro eram oriundos da graduação e dois de pós-graduação. Após a vitória da equipe no IFTP,
quatro componentes criaram a startup Tupan com o objetivo de dar prosseguimento as
possibilidades de empreendimento. A participação na pesquisa aconteceu de forma voluntária.
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Coleta dos dados
Os dados foram obtidos em duas fases distintas, que envolveram como instrumento de
coleta, a observação participante (durante o IFTP), a realização de entrevistas semiestruturadas
de forma individual com os membros do grupo Tupan que participaram do IFTP e, por fim, a
realização de grupos focais.
A primeira fase da pesquisa foi a observação participante, onde os pesquisadores se
envolveram diretamente como objeto de estudo (Mack et al., 2005). Ela aconteceu durante o
mês de março de 2019. Foi possível constatar ao longo das 48 horas de atividades que o grupo
Tupan se destacava dos demais pelas habilidades com componentes eletrônicos e com a forma
empática que lidaram com o problema escolhido para resolverem: a acessibilidade e locomoção
para cegos.
Vencedores da edição brasileira, não havia nenhum indício de que a solução seria levada
adiante em forma de pesquisa ou comercialmente, era apenas a satisfação de vencer uma
competição.
A vitória no IFTP internacional ocorreu em abril de 2019, e foi a partir desse momento
que os estudantes passaram a perceber que tinham em mãos algo maior que apenas um título de
campeonato. Ainda nos EUA, o grupo Tupan foi convidado a expor sua inovação a uma
incubadora de startups. A incubadora ofereceu a compra da patente dos dispositivos criados. Os
estudantes compreenderam que havia potencial mercadológico e financeiro na solução
oferecida, assim negaram a venda da patente e decidiram, no retorno ao Brasil, criar a Tupan
como uma Startup comercializando os dispositivos desenvolvidos (Figura 1).
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Figura 1 – Dispositivos desenvolvidos pelo grupo Tupan
Fonte: Componentes da Startup Tupan
A segunda fase da coleta de dados foi realizada em duas etapas, entre setembro e outubro
de 2021 e janeiro de 2023. Este hiato temporal justifica-se, pois durante o segundo semestre do
ano de 2019 não houve informação sobre o desenvolvimento da startup e a pandemia decorrente
da COVID-19, em 2020, paralisou as atividades de pesquisa e possíveis contatos com os
estudantes. Durante essa fase, com o uso das plataformas digitais Google Meet e Zoom, foram
realizadas entrevistas semiestruturadas com a finalidade de conhecer melhor os estudantes e
suas trajetórias e grupos focais (Morgan, 1997) para triangular as opiniões, impressões e visão
de futuro dos jovens empreendedores. A utilização desta metodologia visou obter uma
reconstrução mental coletiva do processo pelo qual passaram.
Três perguntas foram a base para a investigação:
Quais motivações levaram a equipe a empreender?
Que tipo de apoio receberam da universidade (fomento, mentoria, custos, etc.)?
Qual formação para empreendedorismo tiveram na universidade?
O roteiro dos grupos focais e das entrevistas semiestruturadas foi dividido em três
momentos relacionados às experiências vividas no evento IFTP (antes, durante e depois do
evento).
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Análise dos dados
Inicialmente, durante a observação participante, a pesquisa era de caráter apenas
exploratório. Com as entrevistas e os grupos focais, os relatos registrados foram analisados em
uma abordagem qualitativa (Morgan, 1997), utilizando metodologia inspirada na análise de
conteúdo, visando obter indicadores (quantitativos ou não) que permitissem a inferência de
conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas
mensagens (Bardin, 1977). A partir dessa ação, as informações foram redigidas em categorias
de análise.
Resultados
Utilizando o mesmo roteiro estabelecido para as entrevistas e para os grupos focais, os
resultados serão apresentados em três blocos – “relato da equipe”, contexto, prognóstico”.
Relato da Equipe
Os participantes relataram que não tinham experiência em empreendedorismo, ou
atividades do gênero. Durante sua formação universitária, eles estavam focados nos aspectos
técnicos dos cursos. As competências técnicas (Hard Skills) sempre foram o maior atrativo para
os estudantes, pois acreditavam que isso lhes garantia uma maior empregabilidade após a
graduação.
A participação no IFTP foi incentivada por seus professores, não havendo interesse
inicial por parte dos estudantes. A princípio, eles acreditavam que participariam de algum tipo
de atividade formativa na qual suas habilidades técnicas seriam exigidas. A perspectiva
empreendedora ou a criação de uma startup nunca lhes passou pela cabeça, embora o tema do
empreendedorismo despertasse alguma curiosidade. Em essência, eles compareceram ao evento
por consideração aos professores. Portanto, não houve contato com a formação empreendedora
ou de inovação durante o curso.
[...] participei em consideração ao professor “A”, ele pediu um apoio e fui
porque achei que seria útil para o meu currículo [...] (graduando 1);
[...] nunca pensei em ter um negócio, ser empresário, sempre busquei um
emprego onde pudesse colocar minhas habilidades em prática [...] (pós-
graduando 1).
Educar para empreender e inovar: A experiência de um hackathon acadêmico
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Os cursos de engenharia mantêm o perfil tradicional, na opinião deles. De acordo com
os estudantes, apenas duas disciplinas estiveram mais próximas da questão do
empreendedorismo, muito mais focadas em conteúdos (leitura, aulas) do que conhecimentos de
ordem prática. conforme descrito a seguir:
[...] a disciplina “E” que abordou empreendedorismo explicou um pouco
sobre a lei, como funciona as coisas de empresas e algumas burocracias, etc...
e teve a outra matéria muito focada no que está acontecendo no mundo de
hoje em dia, a indústria 5.0, a internet 5.0, a internet das coisas. Os
professores são bons, mas não conhecem a prática [...] (graduando 1).
Constatou-se, neste bloco, que os estudantes, ainda que muito competentes
tecnicamente, não tinham nenhuma história pregressa com assuntos como marketing,
precificação, gestão de recursos financeiros ou humanos. Isso não era foco do curso, nem da
atenção deles. Registra-se também que na sua formação o assunto empreendedorismo era um
conceito, não uma vivência, com informações relativamente distantes da dinâmica das empresas
que operam o mercado.
Contexto
Havia dez temas de demanda social mundiais, sugeridos por organizações parceiras e
inspirados pelos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas
(ONU Brasil, 2022) para a escolha pelo grupo no IFTP. A opção pelo tema “Aumento da
qualidade de vida” se deu pelo fato da mãe de um dos integrantes trabalhar com crianças
deficientes. Visando melhorar a qualidade de vida de um público específico, escolheram a busca
por soluções que facilitassem a vida de pessoas com deficiência visual, auxiliando nos
deslocamentos, sem renunciar à independência e retirando o estigma da tradicional bengala. A
perspectiva sempre foi altruísta, o foco foi produzir algo para ajudar as pessoas necessitadas,
não a comercialização. Durante as entrevistas, percebeu-se que havia o desejo de produzir algo
que atingisse o público definido, sem nenhuma noção do papel do empreendedorismo no
processo. Era uma solução e nada a mais.
[...] nosso protótipo não era para curar a cegueira, mas melhorar a qualidade
de vida dessas pessoas (graduando 2).
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A ideia para a criação do produto surgiu da capacidade dos membros da equipe de usar
sensores. O protótipo foi testado com um integrante do grupo com o uso de venda nos olhos.
Perceberam que houve relativa facilidade no uso do protótipo em desenvolvimento.
A vitória na edição brasileira do IFTP sinalizou a utilidade e praticidade do produto.
Confiantes na qualidade do projeto, o grupo aproveitou o tempo de um mês até a viagem à etapa
mundial para aprimorar o protótipo, tornando-o mais eficiente e visualmente mais atraente. Eles
também testaram o protótipo com uma pessoa efetivamente cega, para validar a proposta.
Competindo com quatro países, a equipe Tupan, sagrou-se vencedora internacional do
evento. Apesar da confiança no projeto, eles jamais imaginavam ter um produto capaz de vencer
o IFTP Internacional, relatando:
Ficamos imensamente felizes em ver o deficiente satisfeito com nosso
equipamento, que produzimos em tão pouco tempo. A gente conseguiu
porque o evento foi bem-organizado [...] (graduando 3).
A gente nunca pensou em ganhar o prêmio nos Estados Unidos. Os caras
são superpreparados. Ganhar aqui estava muito bom (pós-graduando 2).
Fato relevante observado na edição brasileira foi que, ao ser escolhida para participar
da fase final do evento, a equipe não tinha suporte financeiro para a viagem aos EUA, e as
universidades organizadoras não tinham condição de oferecer apoio, mesmo com a visibilidade
midiática gerada pela vitória na seção regional. O grupo Tupan foi entrevistado em jornais e
canais de grande circulação no Brasil, além de conquistar muitos adeptos nas redes sociais.
Surgiu um primeiro desafio empreendedor, a viabilização de recursos para a viagem aos EUA.
A ansiedade para poder ir para a final ficou demonstrada na fala:
Se a gente não puder ir..., a gente não vai conseguir [...], nós temos que
aparecer de qualquer forma, e a gente tem que fazer que vejam a gente (pós-
graduando 2).
Após discussões e sugestões, a equipe decidiu criar uma campanha nas redes sociais
(conhecido no Brasil como vaquinha eletrônica) para arrecadar contribuições para a viagem.
Foram exitosos na campanha.
Nos EUA, logo após serem anunciados os vencedores na etapa final, um pesquisador
externo ao evento convidou o grupo para uma reunião com profissionais especializados em
patentes da TAMU. O objetivo era orientar a comercialização do produto em maior escala,
principalmente no que diz respeito à patente. É importante notar que, neste momento, a
organização do IFTP não teve mais qualquer influência no processo. Nesse encontro, a equipe
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recebeu uma proposta de US$ 10.000,00 para depositar a patente nos EUA e o produto ser
desenvolvido em parceria com a universidade TAMU.
Diante das dificuldades evidenciadas no processo de solicitação de depósito de patente
por estrangeiros, e dos custos envolvidos, rejeitaram a proposta. Ressalta-se aqui que o grupo
Tupan não tinha nenhuma experiência no assunto, também não tiveram suporte no
entendimento desse processo. Eles relataram no grupo focal que, com a orientação adequada a
venda da patente poderia ser uma possibilidade interessante, mas eles conseguiram
compreender isso após um ano e meio da startup.
Percebendo o interesse pelo protótipo, resolveram depositar a patente no Brasil e
desenvolver o produto nacionalmente. O entusiasmo e a esperança foram a tônica dos novos
engenheiros empreendedores.
Prognóstico
Na viagem de volta ao Brasil, ainda no avião, a equipe conheceu um empresário do setor
de comunicação. Interessado no projeto, propôs uma parceria para a criação da startup. Este
empresário os ajudou com questões burocráticas para a criação da startup, além de buscar outras
empresas dispostas a investir capital financeiro no projeto. O grupo experimentou mais um
desafio: não houve empresas ou organizações de fomento dispostas a investir dinheiro no
projeto (Venture Capital). Assim, o único investimento para a criação da startup e produção dos
equipamentos veio da premiação em dinheiro conquistada no IFTP Internacional. É possível
interpretar esse investimento como capital próprio, como muitos entusiastas brasileiros o fazem.
Apesar da criação da startup, a equipe ficou insegura quanto a esse empreendimento, a
empolgação com o êxito do protótipo era o que os movia:
Até aquele momento a gente não tinha nenhuma ideia, nenhuma visão de
futuro, tipo, pois é, será que a gente consegue fazer algo além disso, no
momento a nossa cabeça estava em fazer a confecção do protótipo [...]
(graduando 1).
Como alternativa, procuraram a incubadora de empresas de base tecnológica do
CEFET/RJ. No entanto, eles perceberam que esta incubadora não possuía um programa de
aceleração, nem oferecia treinamento em gestão empresarial. Eles receberam a oferta de espaço
e informações sobre como buscar financiamento por meio de agências governamentais de
fomento. No entendimento deles, a incubadora não significava nenhuma diferença efetiva.
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Logo no início das atividades, os integrantes da equipe Tupan constataram que não
receberam na universidade formação ou conhecimentos que os preparassem para o ambiente
empresarial, para o mundo do trabalho, como empreendedores. Eles conheciam ferramentas e
técnicas de engenharia, mas desconheciam aspectos de gestão ou modelagem de negócios. Um
dos alunos entrevistados não conseguiu se lembrar de nenhum curso relacionado ao tema
empreendedorismo:
Se eu tive não foi relevante na época (graduando 2).
Este registro demonstra que o assunto não foi abordado na graduação de forma concreta.
De acordo com a fala de um dos estudantes, fica claro que a vivência no evento estimulou o
pensamento empreendedor, fazendo-os olhar para além do que as graduações tradicionais
podem oferecer:
Não é valido entrar na faculdade para ter uma nota boa, fechar a academia
e ganhar um diploma no final. Se fizer isso você não agrega em nada. Tem
que pesquisar a coisa por si mesmo, o que você quer fazer depois. E se você
sai da faculdade com um diploma e entra num emprego, você fica repetindo
o mesmo trabalho robótico... eu acho que isso não agrega muito ao que você
vai poder construir.” (graduando 1).
Das entrevistas, da observação participante e dos grupos focais, foram possíveis
identificar lacunas em: formação, orientação, mentoria, processo de incubação e capital para
investimento de risco.
Discussão
Estudantes que participam de cursos voltados para o empreendedorismo tendem a se
envolver em atividades e ideias para novos negócios (Bergmann, 2018). Além disso, a educação
para o empreendedorismo é uma das missões da educação, que são o ensino, a pesquisa e o
desenvolvimento econômico por meio da tecnologia empresarial ou sua criação por alunos e
professores (García et al., 2017).
Neste sentido, a educação empreendedora deve começar no nível do ensino
fundamental. Mesmo os alunos em idades muito jovens, desenvolvem interesses neste campo
e relacionam aspectos empreendedores com a vida quotidiana (Din et al., 2016).
Embora o ensino do empreendedorismo tenha ganhado força desde a cada de 1970,
principalmente nas universidades americanas (Joshi, 2014), as instituições de ensino superior
não costumam ter o empreendedorismo contemplado em seus currículos, limitando-se a cursos
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completos voltados para esse fim. Por outro lado, um dos principais objetivos da formação em
empreendedorismo é a experiência em trabalho interdisciplinar, com pessoas de diferentes
formações e orientações, para permitir a avaliação de oportunidades sob diferentes perspectivas.
Diante disso, a criação de hackathons acadêmicos constituem-se em estratégia para
incentivar a inovação e o empreendedorismo. No entanto, embora existam centenas desses
modelos de hackathon acontecendo todos os anos em diversas universidades ao redor do mundo
(Devpost, 2023), poucos trabalhos resultantes desses eventos se tornam uma startup. Daí a
importância do estudo aqui apresentado.
A partir das reflexões e análise dos dados coletados, no caso que ilustra este estudo,
propõe-se um programa de desenvolvimento de startups com iniciativas que dialoguem com a
atuação profissional, que podem integrar o currículo de Universidades, Centros Tecnológicos e
Institutos Federais de Educação numa perspectiva de ofertar formação que contemple uma
Educação para inovar e empreender.
Figura 2 – Programa de desenvolvimento de startups
Fonte: componentes da Startup Tupan.
Nos parágrafos abaixo, faremos uma breve explicação de cada etapa do modelo.
Disciplina Empreendedorismo
Não se trata de ter apenas um curso de empreendedorismo, mas de apresentar as
possibilidades ao aluno desde o primeiro momento na graduação. Além disso, os professores
que ministram cursos de empreendedorismo devem ter alguma experiência empreendedora, eles
poderão compreender efetivamente o processo se viverem a experiência (empatia), como é
o caso de algumas universidades britânicas, dos EUA e da Alemanha, que empregam
empreendedores para treinar alunos para o empreendedorismo (Cheng et al., 2018). Na
impossibilidade de existirem esse perfil docente, o convite a empresas para parceria com a
universidade é determinante.
Disciplina
Empreendedor.
De caráter
prático PBL
Professores
com
experiencia
prática
Hackathon
Educacional
Anuais
Semestrais
Sazonais
Incubatora
Universitária
Recursos
materiais
Formato
coworking
Mentoria
Interna -
docentes
Externa -
profissionais
de empresas
Ecossitema
Empreendedor
Fazer
conexões
Aproximar
Universidade
e Mercado
Venture Capital
Bolsas de
fomento
Capital para
risco
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Podemos dizer que desenvolver o pensamento empreendedor é uma habilidade nova e
importante para os engenheiros do futuro.
Hackathon Educacional
São ações educacionais inovadoras, com periodicidade variável. Elas têm efeito de
mobilização, de despertamento, mas não promovem o empreendedorismo solitariamente.
O período em que ocorre um hackathon (48 horas), é insuficiente para que qualquer
projeto tenha um nível de maturidade capaz de permitir que ele ocorra no mercado.
necessidade de tempo para desenvolver a tecnologia para customizá-la para sua finalidade. Os
hackathons acadêmicos estimulam a inovação, mas demandam ações de suporte pós-evento,
para viabilizar a continuidade dos projetos inovadores criados.
Incubadora Universitária
Ideias de negócios inovadores têm se originado em ambientes universitários. Startups
demandam orientações sobre o mercado, sobre como montar um modelo e um plano de
negócios, maneiras de acessar recursos, além de ter acesso ao uso de laboratórios com insumos.
Esse processo incubatório inclui o contato com outras startups para receber feedback e aprender
com a experiência de outros empreendedores em situações semelhantes. É um aprendizado
colaborativo, não solitário. Estudantes de graduação em engenharia no contexto brasileiro,
precisam buscar estágios e empregos para dar conta de suas despesas pessoais. Numa
incubação, bolsas e fomentos devem ser viabilizados a fim de superar as dificuldades inerentes
ao processo inicial de um novo negócio.
Conceitualmente, a proposta de incubadora universitária no Brasil tem quase 30 anos e
suas sugestões vão desde o apoio ao desenvolvimento e inovação até o acesso ao mercado
global. Na prática, elas mantêm seu foco principal apenas na tecnologia, incentivando a criação
e o desenvolvimento de empresas tecnologicamente inovadoras (Faustino da Silva et al., 2021),
não estando preparadas para receber projetos de outra natureza.
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Mentoria
A mentoria é oferecida por pessoas com conhecimentos especializados, inseridas no
ecossistema empreendedor, com experiência prática. Mais que um fornecedor de respostas, o
mentor é um formulador de perguntas, provocações, problematizações e compartilhamento de
experiências que auxiliam o desenvolvimento dos novos empreendedores. necessidade de
mentoria sistemática e regular sobre empreendedorismo no processo de incubação. Isso evitaria
erros previsíveis, reduzindo o tempo gasto no processo de tentativa e erro. A orientação no
modelo e plano de negócios também merece destaque, pois, embora as ferramentas sejam de
fácil compreensão, a reflexão sobre seu conteúdo não é automática para os universitários. Isso
provavelmente se deve à falta de maturidade e experiência de vida.
Ecossistema Empreendedor
Uma das ações mais importantes é a necessidade de aproximar a universidade do
ecossistema empreendedor local. Ecossistemas de inovação são redes de conhecimento (Callon,
1986) onde há troca de informações e aprendizado (Braga; Guttmann, 2019). A colaboração no
trabalho criativo e o desenvolvimento de ideias constroem uma inteligência coletiva
envolvendo diferentes stakeholders da universidade e externos a ela (Braga; Schettini, 2019).
A prática do networking facilita os primeiros passos das startups porque combina experiências
de outras empresas em diferentes estágios de maturidade. Descobrir complementaridades pode
impulsionar o negócio. Assim, estudantes precisam ter contato com criadores de empresas,
pequenos empresários e ex-estudantes que enfrentaram os desafios de abrir e desenvolver um
negócio, sejam eles bem-sucedidos ou não. Ou seja, a interação com o mundo exterior é
importante, para aprender com empreendedores e empresas (Lewrick et al., 2011). Para isso,
alguns autores defendem a ideia do modelo da hélice tripla, com colaboração entre
universidades, entidades governamentais e indústria (Lackéus, 2015).
Venture Capital
Este é um desafio de toda startup ou pequeno empreendimento: como sobreviver sem
aporte financeiro inicial. uma necessidade de viabilizar algum capital de risco aos estudantes
empreendedores. Foster (2021) afirma que o capital de risco é geralmente usado para uma nova
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ideia ou novo produto que, mesmo com poucas certezas mercadológicas, apresenta potencial
para retornos acima da média ao investidor.
Acredita-se que experiência do grupo Tupan, bem como a de outros estudantes que
participem de hackathons educacionais e se interessem por atividades que promovam o
empreendedorismo, seria amplamente viabilizada por meio do acesso a um programa que
apresente um conjunto de possibilidades de articulação teórico-prática, durante o percurso
formativo nas instituições de ensino superior.
Considerações finais
A startup em questão, criada no decorrer de 2019, sobreviveu à falta de orientação,
ausência de recursos, falta de infraestrutura, ao período de pandemia (2020-2021), além de
outros desafios para a implantação de um novo negócio. Todavia, a despeito de todo esforço e
inovação, no início do ano de 2023 os fundadores decidiram finalizar a experiência
empreendedora. A proposta aqui apresentada foi resultado da “dor” de talentosos estudantes.
O estudo fornece vários aprendizados sobre o papel desempenhado pelas universidades
na formação empreendedora de engenheiros. Constata-se a relevância dos hackathons
acadêmicos como o IFTP, onde nada impede que casos reais de inovação surjam desses eventos
e ganhem mercado por meio de alunos empreendedores. No entanto, nem os eventos, nem as
universidades apresentam-se preparadas para apoiar os estudantes nesse processo. As
universidades devem estar atentas para a inovação que vem de baixo para cima, da base, dos
estudantes, e não de pesquisas realizadas em seus laboratórios.
A formação atual não oferece meios, nem conhecimento para que os projetos se
viabilizem. Boas ideias acabam sendo desperdiçadas, tornando os hackathons acadêmicos
meros eventos motivacionais sem propósito definido. Portanto, é fundamental construir
estruturas de apoio que auxiliem esses estudantes nas etapas posteriores aos eventos, tais como
revisões curriculares, incubadoras eficientes e financiamento de risco. Para isso, é necessária
uma mudança de mentalidade nas universidades, para que possam se identificar como
responsáveis, não pela presente formação intelectual dos estudantes, mas também pelo seu
futuro profissional, ou seja, promovendo o empreendedorismo que transcenda a experiência
acadêmica sendo fomentadora de profissionais protagonistas, fortalecendo a perspectiva de
educar para inovar e empreender.
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Reconhecemos que este trabalho possui limitações e tampouco se esgota aqui. Novos
estudos devem ser realizados com outros grupos de estudantes que empreenderam bem como
com os que não demonstraram interesse em empreender. Outros hackathons acadêmicos
também devem ser estudados. Entretanto, esperamos que este estudo tenha ofertado um
caminho para que outros estudiosos do assunto compreendam o potencial da educação
empreendedora, para além da realização de ações esporádicas e eventos de curta duração. O
estímulo às competências empreendedoras deve ocorrer desde a chegada na formação. Neste
processo, os hackathons acadêmicos podem contribuir como catalizadores de ideias e práticas
inovadoras.
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Educar para empreender e inovar: A experiência de um hackathon acadêmico
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradecemos à University Texas A&M pelo apoio, disponibilização de
material e orientação durante o Invent For The Planet. Também agradecemos ao Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPQ.
Financiamento: Este estudo foi parcialmente financiado pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres
Humanos da Fundação Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil, e
aprovado sob o número 48109321.3.0000.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Frederico Pifano de Rezende, construção e formação deste
estudo, coleta de coletar dados (entrevistas e grupos focais), análise e interpretação dos
dados, redação do texto, criação de modelo e finalização da estruturação para publicação
Marco Braga, colaborou como orientador do grupo de pesquisa, na coleta de dados
(observação participante), análise e interpretação dos dados. Afsaneh Hamedi d’Escoffier
colaborou na coleta de dados (entrevistas e grupos focais), redação e revisão do texto.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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EDUCAR PARA EMPRENDER E INNOVAR: LA EXPERIENCIA DE UN
HACKATHON ACADÉMICO
EDUCAR PARA EMPREENDER E INOVAR: A EXPERIÊNCIA DE UM HACKATHON
ACADÊMICO
EDUCATING TO ENTREPRENEUR AND INNOVATE: THE EXPERIENCE OF AN
ACADEMIC HACKATHON
Frederico PIFANO DE REZENDE1
e-mail: fredpifano@gmail.com
Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER2
e-mail: afsanehamedi@gmail.com
Marco BRAGA3
e-mail: marcobraga@namelab.education
Cómo hacer referencia a este artículo:
PIFANO DE REZENDE, F.; HAMEDI D’ESCOFFIER, A. H.;
BRAGA, M. Educar para emprender e innovar: La experiencia de
un hackathon académico. Revista Ibero-Americana de Estudos
em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN:
1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18310
| Enviado en: 02/08/2023
| Revisiones requeridas en: 20/10/2023
| Aprobado el: 20/12/2024
| Publicado el: 19/03/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Instituto Federal de Espírito Santo (IFES) y Centro Federal de Educación Tecnológica (CEFET-RJ), Río de
Janeiro RJ Brasil. Profesor del Curso de Ingeniería de Producción y estudiante de doctorado en Ingeniería de
Producción y Sistemas.
2
Fundación Oswaldo Cruz, FIOCRUZ, Río de Janeiro RJ Brasil. Investigador. Posdoctorado (Centro Federal
de Educación Tecnológica - RJ).
3
Centro Federal de Educación Tecnológica (CEFET-RJ), Río de Janeiro RJ Brasil. Profesor del Programa de
Posgrado en Ingeniería de Producción y Sistemas y del Programa de Posgrado en Ciencia, Tecnología y Sociedad.
Becario postdoctoral (Universidad de California Berkeley: Berkeley, CA, EE. UU.).
Educar para emprender e innovar: La experiencia de un hackathon académico
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RESUMEN: El estudio investigó un hackathon académico y cómo las universidades pueden
promover el emprendimiento que trascienda la experiencia académica, considerando las
percepciones de los estudiantes que decidieron crear una startup. De naturaleza cualitativa, se
centró en el evento promovido por la Universidad Texas A&M (EEUU), con participantes de
COPPE/UFRJ y CEFET-RJ. La recolección de datos se llevó a cabo a través de entrevistas
semiestructuradas y grupos focales. La iniciativa emprendedora fue motivada por la experiencia
adquirida durante el evento, la universidad no ofrecía educación en emprendimiento ni apoyo
para los esfuerzos emprendedores del grupo. Se encontró que los hackathons estimulan la
innovación, pero son insuficientes para fomentar el emprendimiento. Se propone un Programa
de Desarrollo de Startups para ayudar a las universidades en el proceso de innovación. Este
programa tiene como objetivo fortalecer la educación para el emprendimiento y la innovación,
proporcionando los recursos necesarios para embarcarse en empresas emprendedoras.
PALABRAS CLAVE: Educación. Emprendimiento. Innovación. Hackathon. Ingeniería.
RESUMO: O presente trabalho estudou um hackathon acadêmico e como as universidades
podem promover o empreendedorismo que transcenda a experiência acadêmica, considerando
a percepção de estudantes que decidiram criar uma startup. Pesquisa de natureza qualitativa,
teve como campo o evento promovido pela Universidade Texas A&M (EUA), com componentes
da COPPE/UFRJ e do CEFET-RJ. A coleta de dados aconteceu por meio de entrevistas
semiestruturadas e grupos focais. Percebeu-se que a iniciativa empreendedora foi motivada
pela experiência vivida no evento, uma vez que a universidade não ofereceu educação para o
empreendedorismo e nem suporte à iniciativa de empreender do grupo. Constatou-se que
hackathons estimulam a inovação, mas são insuficientes no fomento ao empreendedorismo.
Propõe-se um Programa de Desenvolvimento de Startups para que as universidades auxiliem
o processo de inovação, construindo estruturas de apoio para estudantes em etapas posteriores
aos eventos, fortalecendo uma formação que contemple o educar para empreender e inovar.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Empreendedorismo. Inovação. Hackathon. Engenharia.
ABSTRACT: The present study investigated an academic hackathon and how universities can
promote entrepreneurship beyond the academic experience, considering the perceptions of
students who decided to create a startup. The research, of a qualitative nature, focused on the
event promoted by Texas A&M University (USA), with participants from COPPE/UFRJ and
CEFET-RJ. Data collection was carried out through semi-structured interviews and focus
groups. It was observed that the entrepreneurial initiative was motivated by the experience
gained during the event, as the university did not offer education in entrepreneurship nor
support for the group's entrepreneurial endeavors. It was also found that hackathons stimulate
innovation but are insufficient in fostering entrepreneurship. Therefore, a Startup Development
Program is proposed to assist universities in innovation by building support structures for
students beyond the events. This program aims to strengthen education for entrepreneurship
and innovation, providing students with the necessary resources to embark on entrepreneurial
ventures.
KEYWORDS: Education. Entrepreneurship. Innovation. Hackathon. Engineering.
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER y Marco BRAGA
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Introducción
Los hackathons académicos son eventos que tienen como objetivo despertar el interés y
desarrollar habilidades en el área de la innovación y el emprendimiento. El departamento de
Ingeniería de la Universidad de Texas A&M (TAMU) en los Estados Unidos (EE. UU.) creó un
evento de aprendizaje experiencial para desarrollar una mentalidad emprendedora e innovadora
en los estudiantes de ingeniería (Boehm, 2020). Llamados "Aggies", los eventos tienen una
duración de 48 horas y tienen como objetivo crear una experiencia de diseño estructurada,
intensiva e innovadora. En este periodo de tiempo, los estudiantes se agrupan, reciben un tipo
de necesidades a problematizar, definen un problema, crean y prototipan una solución,
exponiendo sus proyectos en una presentación de Pitch ante un panel de jueces de empresas y
otras instituciones.
En 2018, TAMU amplió este evento a escala global invitando a universidades de todos
los continentes a participar en la iniciativa. Se creó entonces una nueva modalidad del evento,
que se denominó "Invent for the Planet" (IFTP), basada en el modelo del ya existente "Aggies
Invent". El IFTP tiene como objetivo desafiar a estudiantes de diferentes partes del mundo a
encontrar soluciones a problemas proporcionados por instituciones internacionales, así como a
los Objetivos de Desarrollo Sostenible de las Naciones Unidas (ONU Brasil, 2022).
En 2019, Brasil comenzó a participar regularmente en el IFTP con la participación de
40 estudiantes, divididos en seis equipos competidores. Estos estudiantes provienen de
COOPPE/UFRJ y CEFET-RJ. Estas instituciones fueron las organizadoras y mentoras de la
edición brasileña del IFTP. Se premiaron tres equipos, con énfasis en el equipo llamado Tupan,
que ganó la etapa brasileña del evento. El equipo desarrolló un proyecto de accesibilidad,
consistente en dos artefactos de bajo costo que permitieron orientar a personas con discapacidad
visual (de diversos niveles) en sus desplazamientos diarios, buscando mejorar su calidad de
vida. El primer artefacto desarrollado fue una gorra con sensores que permiten la identificación
de obstáculos frente al usuario. El otro era un sensor (Wii Remote) que, al apuntar en direcciones
en el suelo, permitía la detección de baches y obstáculos, sirviendo como un dispositivo de
ayuda a la marcha (DAM), o en el sentido popular, un bastón electrónico.
Como premio por el primer lugar obtenido, el equipo de Tupan fue invitado a participar
en la final mundial de la IFTP que se llevó a cabo en la sede de TAMU. Compitiendo con
equipos de otros cuatro países, el equipo de Tupan se coronó campeón de la edición 2019 de
IFTP, recibiendo un premio acumulado de 5000 dólares. A su regreso a Brasil, los ahora
campeones de un Hackathon Internacional, entusiastas y con fines sociales y altruistas,
Educar para emprender e innovar: La experiencia de un hackathon académico
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decidieron crear una iniciativa empresarial con el mismo nombre que el equipo. Surge la startup
Tupan, que desarrollaría y comercializaría el producto desarrollado. En 2020, ampliaron su
concepto a una empresa de soluciones de accesibilidad.
IFTP no es el único Hackathon académico que existe. Por el contrario, iniciativas de
este tipo se ofrecen y desarrollan en diversos tipos de instituciones educativas y en diferentes
niveles educativos. Cada año, varios equipos presentan excelentes soluciones a los problemas
propuestos, pero pocos estudiantes continúan sus innovaciones y establecen efectivamente una
startup derivada de estos hackathons. La percepción es que estos eventos, si bien logran
despertar habilidades de innovación, no logran que los estudiantes tengan la voluntad-acción
para emprender. La transformación del grupo Tupan en una startup fue una experiencia inédita
para las instituciones organizadoras.
Por lo tanto, la presente investigación se basa en la siguiente pregunta: desde la
percepción de los estudiantes que participan en hackathons, ¿cómo pueden las universidades
promover el emprendimiento que trascienda la experiencia académica?
A partir del caso de éxito del grupo Tupan, buscamos indicios sobre el potencial
emprendedor de estos estudiantes y el papel de la universidad como promotora de profesionales
emprendedores y así empezar a educar para innovar y emprender. Con este conocimiento en la
mano, será posible idear estrategias para que la universidad sea capaz de estimular la
adquisición de habilidades para que los estudiantes puedan progresar en sus ideas innovadoras.
Marco Teórico
El emprendimiento y su importancia en la sociedad
Al fin y al cabo, ¿qué es el emprendimiento? El volumen de investigación y publicación
en los últimos 20 años (Sreenivasan; Suresh, 2023) ha traído avances en la comprensión del
tema, especialmente aplicado a la educación. Entrecomp, el Marco Europeo de Competencias
para el Emprendimiento, utili la definición utilizada por la Fundación Danesa para el
Emprendimiento y definió el emprendimiento "como la acción sobre las oportunidades e ideas
y su transformación en valor para los demás. El valor que se crea puede ser financiero, cultural
o social" (Mccallum et al., 2018, p. 8, nuestra traducción).
Cabe destacar que el emprendimiento, tal y como lo comentan estos autores, no se
restringe a la apertura de negocios y empresas. En el entendimiento actual, la creación de valor
toma el papel principal. Investigadores-profesores de emprendimiento en EE. UU. corroboran
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER y Marco BRAGA
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el pensamiento europeo diciendo que "[...] El emprendimiento es una forma de pensar, actuar y
ser que combina la capacidad de encontrar o crear nuevas oportunidades con el coraje de actuar
sobre ellas" (Neck; Neck; Murray, 2020, nuestra traducción).
Los conceptos presentados apuntan a la conexión entre la actividad emprendedora y la
construcción de oportunidades de futuro en una sociedad permeada por retos locales y globales.
El crecimiento de la población, por ejemplo, genera más y nuevas demandas de productos y
servicios, que deben ser superadas por el gobierno o por la sociedad civil. A su vez, el sector
económico es cada vez más dinámico, cambiando paradigmas y haciendo que las personas
tengan que innovar, incluso para asegurar su sustento ante los constantes cambios en el mundo
laboral.
El emprendimiento es uno de los aspectos que más influyen en la economía y, en
consecuencia, en la sociedad. Para Schumpeter (1994), es el deseo y el potencial de convertir
una nueva idea en una innovación exitosa, cambiar la economía e introducir nuevos productos
o servicios en el mercado. Cabe destacar que existe una gran diferencia entre ser emprendedor
y ser emprendedor. Un emprendedor se caracteriza por ser el dueño de un negocio que genera
ganancias. Por otro lado, el emprendedor lleva a cabo proyectos, descubre oportunidades y crea
soluciones innovadoras, sin miedo a correr riesgos. Por lo tanto, este último requiere un
conjunto mucho mayor de habilidades que el primero (Schumpeter, 1994).
En este sentido, la innovación está estrechamente relacionada con el emprendimiento,
ya que contribuyen al éxito del emprendimiento. Los emprendedores, como innovadores, no se
contentan con una sola solución a una necesidad. Siguen aportando ideas hasta que se les
ocurren varias soluciones. La innovación es la base del emprendimiento y la ventaja
competitiva. Esta innovación no tiene por qué estar asociada a la tecnología, entendida aquí
como la forma en que los emprendedores explotan el cambio como una oportunidad para un
negocio o servicio diferente. Se trata de una competencia que se refiere a la competencia en el
desempeño y que puede mejorarse mediante la práctica y el entrenamiento, por lo que es
aprendible (Drucker, 1993).
Educar para emprender e innovar: La experiencia de un hackathon académico
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Educación para el emprendimiento
El comportamiento emprendedor depende de la motivación para alcanzar los objetivos
y de las habilidades necesarias para alcanzarlos. Las competencias han sido estudiadas
exhaustivamente (Mitchelmore; Rowley, 2010), y se caracterizan por la capacidad de asumir
riesgos, la autodeterminación, la comunicación, la iniciativa, el liderazgo, el pensamiento
innovador, entre otras posibilidades (Robles; Zárraga-Rodríguez, 2015). Drucker (1993) afirma
que: "El emprendimiento no es magia, no es un misterio y no tiene nada que ver con los genes.
Es una disciplina. Y como cualquier otra disciplina, se puede aprender". Por lo tanto, está claro
que las habilidades de emprendimiento están al alcance de todos y es probable que exista una
educación emprendedora que pueda estimular la creación de una cultura emprendedora.
Los estudios demuestran que los métodos tradicionales, como la lectura, los exámenes,
etc., no activan el emprendimiento (Gibb, 2002; Sogunro, 2004), e incluso puede inhibir el
desarrollo de estas habilidades (Kirby, 2004). Así, la educación para el emprendimiento debe
basarse en el aprendizaje basado en competencias, en un entorno controlado, orientado al
aprendizaje experiencial en contextos reales o simulaciones empresariales, asociado a prácticas
sociales (García et al., 2017), siendo una integración de conocimientos, habilidades y
experiencia.
Aunque los estudios sobre intervenciones pedagógicas son todavía recientes
(Sreenivasan; Suresh, 2023), la educación emprendedora suele tener lugar de acuerdo con tres
enfoques principales: la enseñanza "sobre" el emprendimiento, teórica y basada en contenidos,
con el objetivo de una comprensión general del tema, "para" el emprendimiento, que
proporciona conocimientos y habilidades introductorios y orientados profesionalmente, y "a
través" del emprendimiento los estudiantes atraviesan un verdadero proceso de aprendizaje
emprendedor, transdisciplinario, donde las características, los procesos y las experiencias se
conectan con la disciplina central (Lackéus, 2015). Estos enfoques también se identifican como
el modelo de "oferta" (conductista, centrado en la transmisión y reproducción del
conocimiento), la "demanda" (subjetivista, a través de la exploración, la discusión y la
experimentación) y el modelo de "competencia" (teoría interaccionista, con resolución activa
de problemas en situaciones de la vida real) (Nabi et al., 2017).
La educación superior desempeña un papel importante en el establecimiento de las bases
para el desarrollo de las competencias empresariales y es de gran importancia para el desarrollo
sostenible, especialmente en los países en desarrollo. Las universidades estadounidenses y
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER y Marco BRAGA
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japonesas, por ejemplo, establecen metas para la educación empresarial, cultivando el espíritu
emprendedor y ayudando en el desarrollo académico a través de combinaciones
multidisciplinarias, utilizando el enfoque "a través". Sin embargo, en la mayoría de las
instituciones de educación superior, se limitan al enfoque "acerca de", con una gran variación
en el contenido (Mwasalwiba, 2010).
Incluso las universidades que utilizan una pedagogía de enfoque "a través", en su mayor
parte, siguen viendo el emprendimiento como un plan de estudios empresarial. Por lo tanto, se
ofrece dentro de ciertas áreas, como cursos de Administración, Marketing o Finanzas. En otros
cursos, los contenidos de emprendimiento se articulan en otras disciplinas, con un enfoque en
el enfoque "to". Harfst (2010) ya había abordado el tema. A pesar de que cada vez hay más
universidades que ofrecen cursos y programas de emprendimiento, esta situación no ha
cambiado. Si bien existen brechas en la investigación relacionadas con qué cursos específicos
se enseñan sobre emprendimiento y cuál es el modelo curricular, estos programas continúan
ofreciéndose principalmente en cursos de negocios y, más recientemente, en Ingeniería (Ridley
et al., 2017). Este hecho puede ser un reflejo de las intenciones de los estudiantes. Las
estadísticas muestran que la mayoría de los que optan por iniciar sus negocios provienen de
carreras de Economía, Negocios o Marketing, aunque el 85% de los estudiantes de secundaria
demuestran intenciones emprendedoras (Cheng et al., 2018).
Hackathons académicos y el IFTP
El término hackathon surgió en 1999 por los desarrolladores de software de código
abierto, a partir de las palabras "Hacking" (programación) y "Marathon" (Briscoe; Mulligan,
2014). Por ello, durante muchos años, este tipo de eventos fueron exclusivos del área de
software. A lo largo de los años, la experiencia se ha generalizado a varias áreas.
Los hackathons académicos son eventos que se llevan a cabo en instituciones
educativas, como escuelas y universidades, con el objetivo de promover la innovación, la
creatividad y la colaboración entre los estudiantes. Brindan una oportunidad para que los
participantes desarrollen soluciones prácticas a desafíos académicos y exploren nuevas áreas
de conocimiento (Gama; Alencar Gonçalves; Alessio, 2018). Durante estos eventos, los
estudiantes trabajan en equipos multidisciplinarios para resolver problemas en un tiempo
limitado. Dependiendo de la temática del evento, pueden centrarse en áreas específicas.
Educar para emprender e innovar: La experiencia de un hackathon académico
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Los hackathons académicos están diseñados para permitir que los estudiantes
desarrollen habilidades como el pensamiento crítico, la resolución de problemas y el trabajo en
equipo. Además, fomentan la creatividad y la innovación, animándolos a pensar más allá de los
paradigmas establecidos y a buscar soluciones únicas (innovadoras).
De acuerdo con Warner y Guo (2017), la mayor motivación de los estudiantes que
participan por primera vez en hackatones académicos está relacionada con aspectos sociales, y
para los demás, la búsqueda de conocimientos técnicos es el factor motivacional.
El IFTP aquí estudiado es un modelo de hackathon académico con una dinámica basada
en los SPRINTS (Schwaber; Sutherland, 2020), que son periodos de trabajo con entregas en un
tiempo limitado (revisión de estado), para crear consistencia, inspeccionar y adaptar cómo se
realiza el trabajo y en qué se está trabajando. Los SPRINTS son una parte fundamental de la
metodología SCRUM (Sutherland; Sutherland, 2014), ya que permiten al equipo trabajar de
forma focalizada y entregar valor de forma incremental, asegurando una retroalimentación
constante y permitiendo ajustes continuos en la planificación y desarrollo de productos. Para
apoyar los SPRINTS, se invita a algunos mentores que interactúan con los equipos discutiendo
la dirección del proyecto, pero sin aportar respuestas o soluciones preconcebidas (Boehm,
2020).
Metodología
Objeto de estudio
El objeto de estudio consistió en un hackathon académico desarrollado por el Programa
de Ingeniería y Emprendimiento de la Universidad de Texas A&M (EEP/TAMU), con una
duración de 48 horas en el que participaron universidades de varios países. El hackathon se
llevó a cabo en dos etapas. La primera en las sedes de las universidades participantes y la
segunda en TAMU, donde los proyectos ganadores son llevados a la final.
El grupo ganador de la etapa brasileña e internacional en 2019 estuvo compuesto por
miembros de dos instituciones que son referentes brasileños en educación, ubicadas en el Estado
de Río de Janeiro, el equipo de Tupan estuvo formado por cinco estudiantes del Centro Federal
de Educación Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) y un estudiante de la
Universidad Federal de Río de Janeiro (UFRJ). De los seis estudiantes, todos estudiantes de
ingeniería, cuatro eran estudiantes de pregrado y dos de posgrado. Tras la victoria del equipo
en el IFTP, cuatro componentes crearon la empresa emergente Tupan con el objetivo de
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER y Marco BRAGA
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continuar con las posibilidades de emprendimiento. La participación en la investigación fue
voluntaria.
Recogida de datos
Los datos se obtuvieron en dos fases distintas, que involucraron la observación
participante (durante el IFTP) como instrumento de recolección, la realización de entrevistas
semiestructuradas de manera individual con los miembros del grupo Tupan que participaron en
el IFTP y finalmente la realización de grupos focales.
La primera fase de la investigación fue la observación participante, donde los
investigadores se involucraron directamente como sujeto de estudio (Mack et al., 2005). Tuvo
lugar durante el mes de marzo de 2019. A lo largo de las 48 horas de actividades, se pudo
comprobar que el grupo Tupan se destacaba de los demás por sus habilidades con los
componentes electrónicos y la forma empática en que afrontaban el problema elegido para
resolver: la accesibilidad y la locomoción para los ciegos.
Ganadores de la edición brasileña, no había indicios de que la solución se llevaría a cabo
en forma de investigación o comercialmente, era solo la satisfacción de ganar un concurso.
La victoria en el IFTP internacional tuvo lugar en abril de 2019, y fue a partir de ese
momento que los estudiantes comenzaron a darse cuenta de que tenían en sus manos algo más
grande que un título de campeón. También en Estados Unidos, el grupo Tupan fue invitado a
exponer su innovación en una incubadora de startups. La incubadora se ofreció a comprar la
patente de los dispositivos creados. Los estudiantes entendieron que había potencial de
marketing y financiero en la solución ofrecida, por lo que negaron la venta de la patente y
decidieron, a su regreso a Brasil, crear Tupan como una Startup comercializando los
dispositivos desarrollados (Figura 1).
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Figura 1 – Dispositivos desarrollados por el grupo Tupan
Fuente: Componentes de Startup Tupan
La segunda fase de recolección de datos se realizó en dos etapas, entre septiembre y
octubre de 2021 y enero de 2023. Esta pausa en el tiempo está justificada, porque durante el
segundo semestre de 2019 no hubo información sobre el desarrollo de la startup y la pandemia
derivada del COVID-19, en 2020, paralizó las actividades de investigación y los posibles
contactos con los estudiantes. Durante esta fase, con el uso de las plataformas digitales Google
Meet y Zoom, se realizaron entrevistas semiestructuradas con el fin de conocer mejor a los
estudiantes y sus trayectorias y grupos focales (Morgan, 1997) para triangular las opiniones,
impresiones y visión de futuro de los jóvenes emprendedores. El uso de esta metodología tuvo
como objetivo obtener una reconstrucción mental colectiva del proceso por el que pasaron.
Tres preguntas fueron la base de la investigación:
¿Qué motivaciones llevaron al equipo a emprender?
¿Qué tipo de apoyo recibiste de la universidad (financiamiento, tutoría, costos, etc.)?
¿Qué formación para el emprendimiento tuviste en la universidad?
El guión de los grupos focales y entrevistas semiestructuradas se dividió en tres
momentos relacionados con las experiencias vividas en el evento del IFTP (antes, durante y
después del evento).
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Análisis de datos
Inicialmente, durante la observación participante, la investigación fue solo exploratoria.
Con las entrevistas y los grupos focales, los reportes registrados fueron analizados en un
enfoque cualitativo (Morgan, 1997), utilizando una metodología inspirada en el análisis de
contenido, con el objetivo de obtener indicadores (cuantitativos o no) que permitieran inferir
conocimientos relacionados con las condiciones de producción/recepción (variables inferidas)
de estos mensajes (Bardin, 1977). A partir de esta acción, la información se escribió en
categorías de análisis.
Resultados
Utilizando el mismo guión establecido para las entrevistas y para los grupos focales, los
resultados se presentarán en tres bloques: "informe del equipo", contexto y pronóstico".
Informe del equipo
Los participantes informaron que no tenían experiencia en emprendimiento o
actividades similares. Durante su formación universitaria, se centraron en los aspectos técnicos
de los cursos. Las Hard Skills siempre han sido el mayor atractivo para los estudiantes, ya que
creían que les garantizaría una mayor empleabilidad después de graduarse.
La participación en el IFTP fue alentada por sus profesores, y no hubo interés inicial por
parte de los estudiantes. Al principio, creían que participarían en algún tipo de actividad
formativa en la que se requerirían sus habilidades técnicas. Nunca se les pasó por la cabeza la
perspectiva emprendedora o la creación de una startup, aunque el tema del emprendimiento
despertó cierta curiosidad. En esencia, asistieron al evento por consideración a los maestros.
Por lo tanto, no hubo contacto con la formación empresarial o de innovación durante el curso.
[...] Participé por consideración al profesor "A", me pidió apoyo y fui porque
pensé que sería útil para mi currículo [...] (estudiante 1, nuestra traducción);
[...] Nunca pensé en tener un negocio, ser emprendedora, siempre busqué un
trabajo donde pudiera poner en práctica mis habilidades [...] (estudiante de
posgrado 1, nuestra traducción).
Los cursos de ingeniería mantienen el perfil tradicional, en su opinión. Según los
estudiantes, solo dos disciplinas estaban más cerca del tema del emprendimiento, mucho más
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enfocadas en los contenidos (lectura, clases) que en los conocimientos prácticos. cómo se
describe a continuación:
[...] la disciplina "E" que abordaba el emprendimiento explicaba un poco
sobre la ley, cómo funcionan las cosas en las empresas y algunas burocracias,
etc.… y estaba el otro tema muy enfocado en lo que está pasando en el mundo
de hoy, la industria 5.0, internet 5.0, el internet de las cosas. Los profesores
son buenos, pero no conocen la práctica [...] (estudiante 1, nuestra
traducción).
En este bloque se comprobó que los estudiantes, aunque muy competentes cnicamente,
no tenían antecedentes con asignaturas como marketing, precios, gestión de recursos
financieros o humanos. Ese no era el foco del curso, ni de su atención. También se observa que
en su formación el tema del emprendimiento era un concepto, no una experiencia, con
información relativamente distante de la dinámica de las empresas que operan el mercado.
Contexto
Hubo diez temas de demanda social global, sugeridos por organizaciones socias e
inspirados en los Objetivos de Desarrollo Sostenible de las Naciones Unidas (ONU Brasil,
2022) para la elección del grupo IFTP. La elección del tema "Aumento de la calidad de vida"
se debió a que la madre de uno de los miembros trabaja con niños discapacitados. Con el
objetivo de mejorar la calidad de vida de un público específico, optaron por buscar soluciones
que facilitaran la vida de las personas con discapacidad visual, ayudándolas a desplazarse, sin
renunciar a la independencia y eliminando el estigma del bastón tradicional. La perspectiva
siempre ha sido altruista, el enfoque estaba en producir algo para ayudar a las personas
necesitadas, no en la comercialización. Durante las entrevistas, se constató que existía un deseo
de producir algo que llegara a la audiencia definida, sin ninguna noción del papel del
emprendimiento en el proceso. Era una solución y nada más.
[...] nuestro prototipo no era curar la ceguera, sino mejorar la calidad de vida
de estas personas (Estudiante 2, nuestra traducción).
La idea de la creación del producto surgió de la capacidad de los miembros del equipo
para utilizar sensores. El prototipo se probó con un miembro del grupo que llevaba una venda
en los ojos. Se dieron cuenta de que había una relativa facilidad en el uso del prototipo en
desarrollo.
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La victoria en la edición brasileña del IFTP señaló la utilidad y practicidad del producto.
Confiados en la calidad del proyecto, el grupo aprovechó el tiempo de un mes hasta el viaje al
escenario mundial para mejorar el prototipo, haciéndolo más eficiente y visualmente atractivo.
También probaron el prototipo con una persona efectivamente ciega, para validar la propuesta.
Compitiendo con cuatro países, el equipo de Tuban se coronó como el ganador
internacional del evento. A pesar de su confianza en el proyecto, nunca imaginaron tener un
producto capaz de ganar el IFTP Internacional, informando:
Nos alegramos enormemente de ver a los discapacitados satisfechos con
nuestro equipo, que producimos en tan poco tiempo. Solo pudimos hacerlo
porque el evento estuvo bien organizado [...] (Estudiante 3, nuestra
traducción).
Nunca pensamos que ganaríamos el premio en Estados Unidos. Los chicos
están súper preparados. Ganar aquí ya fue muy bueno (estudiante 2, nuestra
traducción).
Un hecho relevante observado en la edición brasileña fue que, cuando fue elegido para
participar en la fase final del evento, el equipo no contó con apoyo financiero para el viaje a los
Estados Unidos, y las universidades organizadoras no pudieron ofrecer apoyo, incluso con la
visibilidad mediática generada por la victoria en la sección regional. El grupo Tupan fue
entrevistado en periódicos y canales de gran circulación en Brasil, además de ganar muchos
seguidores en las redes sociales. Surgió un primer reto empresarial, la viabilidad de recursos
para el viaje a Estados Unidos. La ansiedad por poder llegar a la final quedó demostrada en el
discurso:
Si no podemos ir..., no vamos a poder [...], tenemos que presentarnos de todos
modos, y tenemos que hacer que nos vean (estudiante de posgrado 2, nuestra
traducción).
Después de discusiones y sugerencias, el equipo decidió crear una campaña en las redes
sociales (conocida en Brasil como gatito electrónico) para recolectar contribuciones para el
viaje. Tuvieron éxito en la campaña.
En Estados Unidos, poco después de que se anunciaran los ganadores en la etapa final,
un investigador externo al evento invitó al grupo a una reunión con profesionales especializados
en patentes TAMU. El objetivo era orientar la comercialización del producto a mayor escala,
especialmente en lo que respecta a la patente. Es importante señalar que, en ese momento, la
organización del IFTP ya no tenía ninguna influencia en el proceso. En esta reunión, el equipo
recibió una propuesta de US$ 10,000.00 para presentar la patente en los EE.UU. y para que el
producto se desarrollara en asociación con la Universidad TAMU.
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En vista de las dificultades evidenciadas en el proceso de solicitud de solicitud de
patente por parte de extranjeros, y los costos que implica, rechazaron la propuesta. Cabe señalar
aquí que el grupo Tupan no tenía experiencia en el tema, ni tenía ningún apoyo para comprender
este proceso. Informaron en el grupo focal que con la orientación adecuada la venta de la patente
podría ser una posibilidad interesante, pero solo lograron entenderlo después de un año y medio
de puesta en marcha.
Al darse cuenta del interés en el prototipo, decidieron presentar la patente en Brasil y
desarrollar el producto a nivel nacional. El entusiasmo y la esperanza fueron la tónica de los
nuevos ingenieros emprendedores.
Pronóstico
En el viaje de regreso a Brasil, todavía en el avión, el equipo conoció a un empresario
del sector de la comunicación. Interesado en el proyecto, propuso una asociación para la
creación del startup. Este emprendedor les ayudó con temas burocráticos para la creación de la
startup, además de buscar otras empresas dispuestas a invertir capital financiero en el proyecto.
El grupo experimentó otro desafío: no había empresas u organizaciones de desarrollo dispuestas
a invertir dinero en el proyecto (Venture Capital). Por lo tanto, la única inversión para la
creación de la puesta en marcha y la producción del equipo provino del premio en efectivo
ganado en IFTP International. Es posible interpretar esta inversión como renta variable, como
lo hacen muchos entusiastas brasileños.
A pesar de la creación de la startup, el equipo no estaba seguro de esta empresa, la
emoción con el éxito del prototipo fue lo que los impulsó:
Hasta ese momento no teníamos ninguna idea, ninguna visión de futuro,
como, sí, podemos hacer algo más que eso, en ese momento nuestra cabeza
era solo hacer el prototipo [...] (estudiante 1, nuestra traducción).
Como alternativa, buscaron la incubadora de empresas de base tecnológica del
CEFET/RJ. Sin embargo, se dieron cuenta de que esta incubadora no contaba con un programa
de aceleración, ni ofrecía formación en gestión empresarial. Se les ofreció espacio e
información sobre cómo buscar financiamiento a través de agencias gubernamentales de
financiamiento. En su opinión, la incubadora no significaba ninguna diferencia real.
Justo al inicio de las actividades, los miembros del equipo de Tupan se encontraron con
que no recibían formación ni conocimientos en la universidad que los prepararan para el entorno
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empresarial, para el mundo laboral, como emprendedores. Conocían herramientas y técnicas de
ingeniería, pero desconocían aspectos de la gestión empresarial o el modelado. Uno de los
estudiantes entrevistados no recordaba ningún curso relacionado con el tema del
emprendimiento:
Si lo hubiera hecho, no era relevante en ese momento (estudiante 2, nuestra
traducción).
Este registro muestra que el tema no fue abordado en el programa de graduación de
manera concreta. De acuerdo con el discurso de uno de los estudiantes, queda claro que la
experiencia en el evento estimuló el pensamiento emprendedor, haciéndoles mirar más allá de
lo que las carreras tradicionales pueden ofrecer:
No es válido ir a la universidad solo para obtener una buena calificación,
cerrar la academia y obtener un título al final. Si lo haces, no sumas nada.
Tienes que investigar la cosa por ti mismo, lo que quieres hacer a
continuación. Y si acabas de salir de la universidad con un título y consigues
un trabajo, estás repitiendo el mismo trabajo robótico... No creo que agregue
mucho a lo que vas a poder construir". (estudiante 1, nuestra traducción).
A partir de las entrevistas, la observación participante y los grupos focales, fue posible
identificar brechas en: capacitación, orientación, mentoría, proceso de incubación y capital para
inversión de riesgo.
Discusión
Los estudiantes que participan en cursos centrados en el emprendimiento tienden a
participar en actividades e ideas para nuevos negocios (Bergmann, 2018). Además, la educación
emprendedora es una de las misiones de la educación, que son la docencia, la investigación y
el desarrollo económico a través de la tecnología emprendedora o su creación por parte de
estudiantes y profesores (García et al., 2017).
En este sentido, la educación emprendedora debe comenzar en el nivel de la escuela
primaria. Incluso los estudiantes a edades muy tempranas desarrollan intereses en este campo
y relacionan los aspectos empresariales con la vida cotidiana (Din et al., 2016).
Aunque la enseñanza del emprendimiento ha cobrado fuerza desde la década de 1970,
especialmente en las universidades estadounidenses (Joshi, 2014), las instituciones de
educación superior no suelen incluir el emprendimiento en sus planes de estudio, limitándose a
completar cursos orientados a este fin. Por otro lado, uno de los principales objetivos de la
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formación en emprendimiento es tener experiencia en el trabajo interdisciplinario, con personas
de diferentes orígenes y orientaciones, para permitir la evaluación de oportunidades desde
diferentes perspectivas.
Ante esto, la creación de hackatones académicos es una estrategia para incentivar la
innovación y el emprendimiento. Sin embargo, si bien hay cientos de estos modelos de
hackathon que ocurren cada año en varias universidades de todo el mundo (Devpost, 2023),
pocos trabajos resultantes de estos eventos se convierten en una startup. De ahí la importancia
del estudio que aquí se presenta.
A partir de las reflexiones y análisis de los datos recolectados, en el caso que ilustra este
estudio, se propone un programa de desarrollo de startups con iniciativas que dialoguen con el
desempeño profesional, que pueda integrar el currículo de Universidades, Centros Tecnológicos
e Institutos Federales de Educación en una perspectiva de ofrecer formación que contemple una
Educación para innovar y emprender.
Figura 2 – Programa de desarrollo de startups
Fuente: componentes de Startup Tupan
En los siguientes párrafos, te daremos una breve explicación de cada paso de la plantilla.
Disciplina: Emprendimiento
No se trata de tener un solo curso de emprendimiento, sino de presentar las posibilidades
al alumno desde el primer momento de graduación. Además, los profesores que imparten cursos
de emprendimiento deben tener cierta experiencia emprendedora, solo pueden entender
efectivamente el proceso si viven la experiencia (empatía), como es el caso de algunas
universidades británicas, estadounidenses y alemanas, que emplean a emprendedores para
formar a los estudiantes para el emprendimiento (Cheng et al., 2018). En la imposibilidad de
contar con este perfil docente, la invitación a las empresas a asociarse con la universidad es
determinante.
Disciplina
Emprendedora.
Práctico PBL
Práctico PBL
Profesores con
experiencia
práctica
Hackathon
Educacional
Anuais
Semestral
Estacional
Incubatora
Universitaria
Recursos
materiales
Formato
coworking
Tutoria
Interna -
docentes
Externa -
profisionales
de negocios
Ecosistema
Emprendedor
Hacer
conexiones
Acercar la
Universidad y
el Mercado
Capital de Riesgo
Subvenciones
de
financiación
Capital para
riesgo
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Podemos decir que desarrollar el pensamiento emprendedor es una habilidad nueva e
importante para los ingenieros del futuro.
Hackathon Educacional
Se trata de acciones educativas innovadoras, con periodicidad variable. Tienen un efecto
movilizador, un efecto despertador, pero no promueven el emprendimiento por sí solos.
El periodo en el que se desarrolla un hackathon (48 horas) es insuficiente para que
cualquier proyecto tenga un nivel de madurez capaz de permitir su realización en el mercado.
Se necesita tiempo para desarrollar la tecnología y personalizarla para su propósito. Los
hackathons académicos estimulan la innovación, pero requieren acciones de apoyo post-evento
que permitan la continuidad de los proyectos innovadores creados.
Incubadora Universitaria
Las ideas de negocio innovadoras se han originado en entornos universitarios. Las
startups demandan orientación sobre el mercado, sobre cómo armar un modelo y un plan de
negocios, formas de acceder a recursos, además de tener acceso al uso de laboratorios con
insumos. Este proceso de incubación incluye ponerse en contacto con otras startups para recibir
comentarios y aprender de la experiencia de otros emprendedores en situaciones similares. Es
un aprendizaje colaborativo, no un aprendizaje solitario. Los estudiantes de grado en ingeniería
en el contexto brasileño necesitan buscar pasantías y trabajos para cubrir sus gastos personales.
En una incubación se deben realizar ayudas y ayudas para superar las dificultades inherentes al
proceso inicial de una nueva empresa.
Conceptualmente, la propuesta de una incubadora universitaria en Brasil tiene casi 30
años y sus sugerencias van desde el apoyo al desarrollo y la innovación hasta el acceso al
mercado global. En la práctica, mantienen su enfoque principal solo en la tecnología,
incentivando la creación y el desarrollo de empresas tecnológicamente innovadoras (Faustino
da Silva et al., 2021), no estando preparados para recibir proyectos de otra naturaleza.
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Tutoría
La mentoría es ofrecida por personas con conocimientos especializados, insertas en el
ecosistema emprendedor, con experiencia práctica. Más que un proveedor de respuestas, el
mentor es un formulador de preguntas, provocaciones, problematizaciones e intercambio de
experiencias que ayudan al desarrollo de nuevos emprendedores. Existe la necesidad de una
tutoría sistemática y periódica sobre el emprendimiento en el proceso de incubación. Esto
evitaría errores predecibles al reducir el tiempo dedicado al proceso de prueba y error. También
hay que destacar la orientación en el modelo y plan de negocio, ya que, aunque las herramientas
son fáciles de entender, la reflexión sobre su contenido no es automática para los universitarios.
Es probable que esto se deba a la falta de madurez y experiencia de vida.
Ecosistema Emprendedor
Una de las acciones más importantes es la necesidad de acercar la universidad al
ecosistema emprendedor local. Los ecosistemas de innovación son redes de conocimiento
(Callon, 1986) donde se intercambia información y aprendizaje (Braga; Guttmann, 2019). La
colaboración en el trabajo creativo y el desarrollo de ideas construyen una inteligencia colectiva
que involucra a diferentes actores de la universidad y externos a ella (Braga; Schettini, 2019).
La práctica del networking facilita los primeros pasos de las startups porque combina
experiencias de otras empresas en diferentes etapas de madurez. Descubrir
complementariedades puede impulsar el negocio. Por lo tanto, los estudiantes necesitan tener
contacto con los iniciadores de negocios, los propietarios de pequeñas empresas y los
exalumnos que han enfrentado los desafíos de iniciar y hacer crecer un negocio, ya sea que
tengan éxito o no. En otras palabras, la interacción con el mundo exterior es importante para
aprender de los emprendedores y las empresas (Lewrick et al., 2011). Para ello, algunos autores
defienden la idea del modelo de triple hélice, con colaboración entre universidades, entidades
gubernamentales e industria (Lackéus, 2015).
Capital de riesgo
Este es un reto para toda startup o pequeña empresa: cómo sobrevivir sin apoyo
financiero inicial. Es necesario proporcionar algo de capital de riesgo a los estudiantes
emprendedores. Foster (2021) afirma que el capital de riesgo suele utilizarse para una nueva
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idea o un nuevo producto que, incluso con pocas certezas de mercado, tiene el potencial de
obtener rendimientos superiores a la media para el inversor.
Se cree que la experiencia del grupo Tupan, así como la de otros estudiantes que
participan en hackatones educativos y están interesados en actividades que promuevan el
emprendimiento, sería ampliamente posible a través del acceso a un programa que presenta un
conjunto de posibilidades de articulación teórico-práctica durante el curso de formación en
instituciones de educación superior.
Consideraciones finales
La startup creado durante 2019 sobrevivió a la falta de orientación, la falta de recursos,
la falta de infraestructura, el periodo de pandemia (2020-2021), además de otros retos para la
implementación de un nuevo negocio. Sin embargo, a pesar de todo el esfuerzo y la innovación,
a principios de 2023 los fundadores decidieron poner fin a la experiencia emprendedora. La
propuesta que aquí se presenta fue el resultado del "dolor" de estudiantes talentosos.
El estudio aporta varios aprendizajes sobre el papel que juegan las universidades en la
formación emprendedora de los ingenieros. Se puede ver la relevancia de hackathons
académicos como el IFTP, donde nada impide que de estos eventos surjan casos reales de
innovación y ganen cuota de mercado a través de estudiantes emprendedores. Sin embargo, ni
los eventos ni las universidades están preparados para apoyar a los estudiantes en este proceso.
Las universidades deben tener en cuenta la innovación que viene de abajo hacia arriba, de las
bases, de los estudiantes, y no de la investigación realizada en sus laboratorios. La formación
actual no ofrece los medios ni los conocimientos para viabilizar los proyectos. Las buenas ideas
terminan desperdiciándose, convirtiendo a los hackathons académicos en meros eventos
motivacionales sin un propósito definido. Por lo tanto, es esencial construir estructuras de apoyo
que ayuden a estos estudiantes en las etapas posteriores al evento, como revisiones curriculares,
incubadoras eficientes y financiamiento de riesgo. Para ello, es necesario un cambio de
mentalidad en las universidades, para que puedan identificarse como responsables, no solo de
la formación intelectual presente de los estudiantes, sino también de su futuro profesional, es
decir, promoviendo un emprendimiento que trascienda la experiencia académica siendo
promotor de profesionales protagonistas, fortaleciendo la perspectiva de educar para innovar y
emprender.
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Reconocemos que este trabajo tiene limitaciones y no termina aquí. Se deben realizar
estudios adicionales con otros grupos de estudiantes que hayan emprendido, así como con
aquellos que no hayan mostrado interés en el emprendimiento. También se deben estudiar otros
hackathons académicos. Sin embargo, esperamos que este estudio haya ofrecido una vía para
que otros estudiosos del tema comprendan el potencial de la educación emprendedora, más allá
de la realización de acciones esporádicas y eventos a corto plazo. La estimulación de las
habilidades emprendedoras debe darse desde el momento en que llegan a la formación. En este
proceso, los hackathons académicos pueden contribuir como catalizadores de ideas y prácticas
innovadoras.
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CRediT Author Statement
Reconocimientos: Agradecemos a la Universidad de Texas A&M por su apoyo,
disponibilidad de materiales y orientación durante Invent For The Planet. También
queremos agradecer al Consejo Nacional de Desarrollo Científico y Tecnológico (CNPQ).
Financiación: Este estudio fue parcialmente financiado por la Coordinación de
Perfeccionamiento del Personal de Nivel Superior - Brasil (CAPES) - Código Financiero
001.
Conflictos de intereses: No hay conflictos de intereses.
Aprobación ética: Este estudio fue sometido al Comité de Ética en Investigación en Seres
Humanos de la Fundación Oswaldo Cruz, Fundación Oswaldo Cruz, Río de Janeiro, Brasil,
y aprobado con el número 48109321.3.0000.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Contribuciones de los autores: Frederico Pifano de Rezende, en la construcción y
formación de este estudio, recolección de datos (entrevistas y grupos focales), análisis e
interpretación de datos, redacción de textos, creación de modelos y finalización de la
estructuración para la publicación Marco Braga, colaboró como asesor del grupo de
investigación, en la recolección de datos (observación participante), análisis e interpretación
de datos. Afsaneh Hamedi d'Escoffier colaboró en la recolección de datos (entrevistas y
grupos focales), redacción y revisión del texto.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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EDUCATING TO ENTREPRENEUR AND INNOVATE: THE EXPERIENCE OF AN
ACADEMIC HACKATHON
EDUCAR PARA EMPREENDER E INOVAR: A EXPERIÊNCIA DE UM HACKATHON
ACADÊMICO
EDUCAR PARA EMPRENDER E INNOVAR: LA EXPERIENCIA DE UN
HACKATHON ACADÉMICO
Frederico PIFANO DE REZENDE1
e-mail: fredpifano@gmail.com
Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER2
e-mail: afsanehamedi@gmail.com
Marco BRAGA3
e-mail: marcobraga@namelab.education
How to reference this article:
PIFANO DE REZENDE, F.; HAMEDI D’ESCOFFIER, A. H.;
BRAGA, M. Educating to entrepreneur and innovate: The
experience of an academic hackathon. Revista Ibero-Americana
de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024.
e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18310
| Submitted: 02/08/2023
| Revisões requeridas em: 20/10/2023
| Aprovado em: 20/12/2024
| Publicado em: 19/03/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal Institute of Espírito Santo (IFES) and Federal Center for Technological Education (CEFET-RJ), Rio de
Janeiro RJ Brazil. Professor of the Production Engineering Course and PhD candidate in Production and
Systems Engineering.
2
Oswaldo Cruz Foundation, FIOCRUZ, Rio de Janeiro RJ Brazil. Researcher. Post-Doctorate (Federal Center
for Technological Education - RJ).
3
Federal Center for Technological Education (CEFET-RJ), Rio de Janeiro RJ Brazil. Professor of the
Postgraduate Program in Production and Systems Engineering and the Postgraduate Program in Science,
Technology and Society. Post-Doctorate (University of California Berkeley: Berkeley, CA, US).
Educating to entrepreneur and innovate: The experience of an academic hackathon
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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ABSTRACT: The present study investigated an academic hackathon and how universities can
promote entrepreneurship beyond the academic experience, considering the perceptions of
students who decided to create a startup. The research, of a qualitative nature, focused on the
event promoted by Texas A&M University (USA), with participants from COPPE/UFRJ and
CEFET-RJ. Data collection was carried out through semi-structured interviews and focus
groups. It was observed that the entrepreneurial initiative was motivated by the experience
gained during the event, as the university did not offer education in entrepreneurship nor
support for the group's entrepreneurial endeavors. It was also found that hackathons stimulate
innovation but are insufficient in fostering entrepreneurship. Therefore, a Startup Development
Program is proposed to assist universities in innovation by building support structures for
students beyond the events. This program aims to strengthen education for entrepreneurship
and innovation, providing students with the necessary resources to embark on entrepreneurial
ventures.
KEYWORDS: Education. Entrepreneurship. Innovation. Hackathon. Engineering.
RESUMO: O presente trabalho estudou um hackathon acadêmico e como as universidades
podem promover o empreendedorismo que transcenda a experiência acadêmica, considerando
a percepção de estudantes que decidiram criar uma startup. Pesquisa de natureza qualitativa,
teve como campo o evento promovido pela Universidade Texas A&M (EUA), com componentes
da COPPE/UFRJ e do CEFET-RJ. A coleta de dados aconteceu por meio de entrevistas
semiestruturadas e grupos focais. Percebeu-se que a iniciativa empreendedora foi motivada
pela experiência vivida no evento, uma vez que a universidade não ofereceu educação para o
empreendedorismo e nem suporte à iniciativa de empreender do grupo. Constatou-se que
hackathons estimulam a inovação, mas são insuficientes no fomento ao empreendedorismo.
Propõe-se um Programa de Desenvolvimento de Startups para que as universidades auxiliem
o processo de inovação, construindo estruturas de apoio para estudantes em etapas posteriores
aos eventos, fortalecendo uma formação que contemple o educar para empreender e inovar.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Empreendedorismo. Inovação. Hackathon. Engenharia.
RESUMEN: El estudio investigó un hackathon académico y cómo las universidades pueden
promover el emprendimiento que trascienda la experiencia académica, considerando las
percepciones de los estudiantes que decidieron crear una startup. De naturaleza cualitativa, se
centró en el evento promovido por la Universidad Texas A&M (EEUU), con participantes de
COPPE/UFRJ y CEFET-RJ. La recolección de datos se llevó a cabo a través de entrevistas
semiestructuradas y grupos focales. La iniciativa emprendedora fue motivada por la
experiencia adquirida durante el evento, la universidad no ofrecía educación en
emprendimiento ni apoyo para los esfuerzos emprendedores del grupo. Se encontró que los
hackathons estimulan la innovación, pero son insuficientes para fomentar el emprendimiento.
Se propone un Programa de Desarrollo de Startups para ayudar a las universidades en el
proceso de innovación. Este programa tiene como objetivo fortalecer la educación para el
emprendimiento y la innovación, proporcionando los recursos necesarios para embarcarse en
empresas emprendedoras.
PALABRAS CLAVE: Educación. Emprendimiento. Innovación. Hackathon. Ingeniería.
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER and Marco BRAGA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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Introduction
Academic hackathons are events that aim to spark interest and develop skills in the area
of innovation and entrepreneurship. The Engineering department at Texas A&M University
(TAMU), in the United States (USA), created an experiential learning event to develop an
entrepreneurial and innovative mindset in engineering students (Boehm, 2020). Called
Aggies”, the events last 48 hours and aim to create a structured, intensive and innovative design
experience. During this period of time, students are grouped, receive a type of needs to be
problematized, define a problem, create and prototype a solution, presenting their projects in a
Pitch format presentation to a panel of judges from companies and other institutions.
In 2018, TAMU expanded this event on a global scale, inviting universities from all
continents to participate in the initiative. A new modality of the event then emerged, called
Invent for the Planet” (IFTP), based on the model of the already existing “Aggies Invent. The
IFTP aims to challenge students from different parts of the world to find solutions to problems
provided by international institutions, as well as the United Nations Sustainable Development
Goals (UN Brazil, 2022).
In 2019, Brazil began to regularly participate in the IFTP with 40 students involved,
divided into six competing teams. These students come from COOPPE/UFRJ and CEFET-RJ.
These institutions provided the organizers and mentors for the Brazilian edition of the IFTP.
Three teams were awarded, with emphasis on the team called Tupan, which won the Brazilian
stage of the event. The team developed an accessibility project, consisting of two low-cost
artifacts that allowed visually impaired people (of varying levels) to be guided in their daily
commute, seeking to improve their quality of life. The first artifact developed was a cap with
sensors that allow the identification of obstacles in front of the user. The other was a sensor (Wii
Remote) that, when pointed at directions on the ground, allowed the detection of holes and
obstacles, serving as a Walking Aid Device (DAM), or in the popular sense, an electronic cane.
As a reward for the first place obtained, the Tupan team was invited to participate in the
IFTP world final that took place at TAMU headquarters. Competing with teams from four other
countries, the Tupan team became champions of the 2019 edition of the IFTP, receiving a prize
of 5000 dollars. Upon returning to Brazil, the now champions of an International Hackathon,
enthusiastic and with social and altruistic purposes, decided to create a business initiative with
the same name as the team. The startup appears Tupan, who would develop and commercialize
the developed product. In 2020, they expanded their concept into an accessibility solutions
company.
Educating to entrepreneur and innovate: The experience of an academic hackathon
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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IFTP is not the only academic Hackathon out there. On the contrary, initiatives of this
kind are offered and developed in various types of educational institutions and at different
educational levels. Every year, several teams present excellent solutions to the proposed
problems, but few students continue their innovations and effectively establish a startup derived
from these hackathons. The perception is that these events, although successful in awakening
innovation skills, fail to make students have the willingness to take action to undertake. The
transformation of the Tupan group into a startup was an unprecedented experience for the
organizing institutions.
Therefore, this research is based on the following question: based on the perception of
students participating in hackathons, how can universities promote entrepreneurship that
transcends the academic experience?
Using the success case of the Tupan group, we sought indications regarding the
entrepreneurial potential of these students and the role of the university in promoting
entrepreneurial professionals and, thus, starting to educate to innovate and undertake. With this
knowledge in hand, it will be possible to outline strategies so that the university is able to
stimulate the acquisition of skills so that students can progress with their innovative ideas.
Theoretical Reference
Entrepreneurship and its importance in society
After all, what is entrepreneurship? The volume of research and publications over the
last 20 years (Sreenivasan; Suresh, 2023) has brought advances in understanding the topic,
especially applied to education. Entrecomp, the European reference framework for skills for
entrepreneurship, used the definition used by the Danish Entrepreneurship Foundation and
defined entrepreneurship as “action on opportunities and ideas and their transformation into
value for others. The value that is created can be financial, cultural or social” (Mccallum et al.,
2018, p. 8, our translation).
It is worth noting that entrepreneurship, as these authors discuss, is not restricted in
scope to opening businesses and companies. In the current understanding, value creation takes
the leading role. Entrepreneurship researchers-professors in the USA corroborate European
thinking by saying that “[...] entrepreneurship is a way of thinking, acting and being that
combines the ability to find or create new opportunities with the courage to act on them” (Neck;
Neck; Murray, 2020, our translation).
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER and Marco BRAGA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024037, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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The concepts presented point to the connection between entrepreneurial activity and the
construction of opportunities for the future in a society permeated by local and global
challenges. Population growth, for example, generates more and new demands for products and
services, which must be overcome, whether by public authorities or civil society. In turn, the
economic sector is increasingly dynamic, changing paradigms and making people have to
innovate, even to guarantee their livelihood in the face of constant changes in the world of work.
Entrepreneurship is one of the aspects that most influence the economy and,
consequently, society. For Schumpeter (1994), it is the desire and potential to convert a new
idea into a successful innovation, change the economy and introduce new products or services
to the market. It should be noted that there is a big difference between being a businessman and
being an entrepreneur. An entrepreneur is characterized as the owner of a business that generates
profits. On the other hand, the entrepreneur carries out projects, discovers opportunities and
creates innovative solutions, without fear of taking risks. Therefore, the second requires a much
larger set of skills than the first (Schumpeter, 1994).
In this sense, innovation is closely related to entrepreneurship, as it contributes to the
success of the enterprise. Entrepreneurs, like innovators, are not satisfied with just one solution
to a need. They keep coming up with ideas until they come up with multiple solutions.
Innovation is the foundation of entrepreneurship and competitive advantage. This innovation
does not need to be associated with technology, here understood as the way in which
entrepreneurs explore change as an opportunity for a different business or service. This is a
competency that refers to proficiency in performance and can be improved through practice and
training, therefore, it can be learned (Drucker, 1993).
Entrepreneurship Education
Entrepreneurial behavior depends on the motivation to achieve goals and the skills
needed to achieve them. Competencies have been extensively studied (Mitchelmore; Rowley,
2010), and are characterized by the ability to take risks, self-determination, communication,
initiative, leadership, innovative thinking, among others (Robles; Zárraga-Rodríguez, 2015).
Drucker (1993) states that: “Entrepreneurship is no magic, it is no mystery and it has nothing
to do with genes. It's a discipline. And, like any other discipline, it can be learned.” Therefore,
it is clear that entrepreneurship skills are available to everyone and it is likely that there is an
entrepreneurship education capable of stimulating the creation of an entrepreneurial culture.
Educating to entrepreneur and innovate: The experience of an academic hackathon
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Studies show that traditional methods, such as readings, exams, etc., do not activate
entrepreneurship (Gibb, 2002; Sogunro, 2004), and may even inhibit the development of these
skills (Kirby, 2004). Therefore, education for entrepreneurship must be based on skills-based
learning, in a controlled environment, aimed at experiential learning in real contexts or business
simulations, associated with social practices (García et al., 2017), being an integration of
knowledge, skills, and experience.
Although studies on pedagogical interventions are still recent (Sreenivasan; Suresh,
2023), entrepreneurial education usually takes place according to three main approaches:
teaching “about” entrepreneurship theoretical and content-based, aiming at a general
understanding of the subject, “for” entrepreneurship providing introductory, professionally
oriented and “through” entrepreneurship knowledge and skills students go through a real,
transdisciplinary, entrepreneurial learning process where characteristics, processes and
experiences are connected to the core discipline (Lackéus, 2015). These approaches are also
identified as the “supply” model (behaviorist, focused on the transmission and reproduction of
knowledge), “demand” (subjectivist, through exploration, discussion and experimentation) and
the “competence” model (interactionist theory, with the active problem solving in real-life
situations) (Nabi et al., 2017).
Higher education plays an important role in creating the foundations for the
development of entrepreneurial skills, being of great importance for sustainable development,
especially in developing countries. American and Japanese universities, for example, set goals
for entrepreneurial education, cultivating the entrepreneurial spirit and assisting in academic
development through multidisciplinary combinations, using the “through” approach. However,
in most higher education institutions, they are restricted to the “about” approach, with great
variation in content (Mwasalwiba, 2010).
Even universities that use a “through” approach pedagogy, for the most part, still view
entrepreneurship as a business curriculum. Therefore, it is offered within certain areas, such as
Administration, Marketing or Finance courses. In other courses, entrepreneurship content is
articulated in other disciplines, focusing on the “for” approach. Harfst (2010) had already
addressed the issue. Even with a growing number of universities offering entrepreneurship
courses and programs, this situation has not changed. Although there are gaps in research related
to which specific courses entrepreneurship is taught and what the curriculum model is, these
programs continue to be offered primarily in business courses and more recently in Engineering
(Ridley et al., 2017). This fact may be a reflection of the students’ intentions. Statistics show
Frederico PIFANO DE REZENDE; Afsaneh HAMEDI D’ESCOFFIER and Marco BRAGA
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that the majority of those who choose to start their businesses come from Economics, Business
or Marketing courses, although 85% of high school students demonstrate entrepreneurial
intentions (Cheng et al., 2018).
Academic Hackathons and IFTP
The term hackathon emerged in 1999 by open-source software developers, from the
words Hacking(programming) and Marathon(Briscoe; Mulligan, 2014). Therefore, for
many years, this type of event was exclusive to the software area. Over the years, the experience
was generalized to different areas.
Academic hackathons are events that take place in educational institutions, such as
schools and universities, with the aim of promoting innovation, creativity and collaboration
among students. They offer opportunities for participants to develop practical solutions to
academic challenges and explore new areas of knowledge (Gama, Alencar Gonçalves, Alessio,
2018). During these events, students work in multidisciplinary teams to solve problems in a
limited period of time. Depending on the theme of the event, they may focus on specific areas.
Academic hackathons are designed to allow students to develop skills such as critical
thinking, problem solving, and teamwork. Furthermore, they encourage creativity and
innovation, encouraging them to think beyond established paradigms and seek unique
(innovative) solutions.
According to Warner and Guo (2017), the greatest motivation of students participating
in academic hackathons for the first time is related to social aspects, and for others, the search
for technical knowledge is the motivational factor.
The IFTP studied here is an academic hackathon model with a dynamic based on
SPRINTS (Schwaber, Sutherland, 2020), which are periods of work with time-limited
deliveries (status review), to create consistency, inspect and adapt how the work is done and
what is being worked on. SPRINTS are a fundamental part of the SCRUM methodology
(Sutherland, Sutherland, 2014), as they allow the team to work in a focused way and deliver
value incrementally, ensuring constant feedback and allowing continuous adjustments in
product planning and development. To support SPRINTS, some mentors are invited and interact
with the teams discussing the direction of the project, but without providing pre-conceived
answers or solutions (Boehm, 2020).
Educating to entrepreneur and innovate: The experience of an academic hackathon
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Methodology
Study object
The object of study consisted of an academic hackathon developed by the Engineering
and Entrepreneurship Program at the University of Texas A&M (EEP/TAMU), lasting 48 hours
involving universities from different countries. The hackathon took place in two stages. The
first at the headquarters of the participating universities and the second at TAMU, where the
winning projects are taken to the final.
The winning group of the Brazilian and International stage in 2019 was made up of
members from two institutions that are Brazilian references in education, based in the State of
Rio de Janeiro, the Tupan team was formed by five students from the Celso Federal Center for
Technological Education Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) and a student from the Federal
University of Rio de Janeiro (UFRJ). Of the six students, all engineering, four were
undergraduates and two were postgraduates. After the team's victory in the IFTP, four members
created the startup Tupan with the aim of continuing the entrepreneurial possibilities.
Participation in the research was voluntary.
Data collection
The data were obtained in two distinct phases, which involved, as a collection
instrument, participant observation (during the IFTP), carrying out semi-structured interviews
individually with the members of the Tupan group who participated in the IFTP and, finally,
carrying out of focus groups.
The first phase of the research was participant observation, where researchers were
directly involved as the object of study (Mack et al., 2005). It took place during the month of
March 2019. It was possible to see throughout the 48 hours of activities that the Tupan group
stood out from the others due to their skills with electronic components and the empathetic way
they dealt with the problem chosen to solve: accessibility and transportation for the blind.
Winners of the Brazilian edition, there was no indication that the solution would be
taken forward in the form of research or commercially, it was just the satisfaction of winning a
competition.
The victory at the international IFTP occurred in April 2019, and it was from that
moment on that the students began to realize that they had something bigger in their hands than
just a championship title. Still in the USA, the Tupan group was invited to present its innovation
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to a startup incubator. The incubator offered to purchase the patent for the devices created. The
students understood that there was marketing and financial potential in the solution offered, so
they refused to sell the patent and decided, upon returning to Brazil, to create Tupan as a Startup
selling the devices developed (Figure 1).
Figure 1 – Devices developed by the Tupan group
Source: Startup Tupan Components
The second phase of data collection was carried out in two stages, between September
and October 2021 and January 2023. This time gap is justified, as during the second half of
2019 there was no information about the development of the startup and the pandemic resulting
from COVID-19, in 2020, paralyzed research activities and possible contacts with students.
During this phase, using the digital platforms Google Meet and Zoom, semi-structured
interviews were carried out with the aim of getting to know the students better and their
trajectories and focus groups (Morgan, 1997) were carried out to triangulate the young people's
opinions, impressions and vision of the future entrepreneurs. The use of this methodology
aimed to obtain a collective mental reconstruction of the process they went through.
Three questions were the basis for the investigation:
What motivations led the team to undertake?
What type of support did they receive from the university (funding, mentoring, costs,
etc.)?
• What entrepreneurship training did you have at university?
The script for the focus groups and semi-structured interviews was divided into three
moments related to the experiences at the IFTP event (before, during and after the event).
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Data analysis
Initially, during participant observation, the research was only exploratory in nature.
With the interviews and focus groups, the recorded reports were analyzed in a qualitative
approach (Morgan, 1997), using a methodology inspired by content analysis, aiming to obtain
indicators (quantitative or not) that allowed the inference of knowledge related to production
conditions /reception (inferred variables) of these messages (Bardin, 1977). From this action,
the information was written into analysis categories.
Results
Using the same script established for the interviews and focus groups, the results will
be presented in three blocks – “team report, context, prognosis”.
Team Report
Participants reported that they had no experience in entrepreneurship or similar
activities. During their university education, they were focused on the technical aspects of the
courses. Technical skills (Hard Skills) have always been the biggest attraction for students, as
they believed that this guaranteed them greater employability after graduation.
Participation in the IFTP was encouraged by its teachers, with no initial interest on the
part of the students. At first, they believed that they would participate in some type of training
activity in which their technical skills would be required. The entrepreneurial perspective or the
creation of a startup never crossed their minds, although the topic of entrepreneurship aroused
some curiosity. In essence, they attended the event out of consideration for the teachers.
Therefore, there was no contact with entrepreneurial or innovation training during the course.
[...] I participated out of consideration for professor “A”, he asked for support
and I went because I thought it would be useful for my CV [...] (graduate 1,
our translation);
[...] I never thought about having a business, being an entrepreneur, I always
looked for a job where I could put my skills into practice [...] (postgraduate
student 1, our translation).
Engineering courses maintain a traditional profile, in their opinion. According to the
students, only two subjects were closer to the issue of entrepreneurship, much more focused on
content (reading, classes) than practical knowledge, as described below:
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[...] the “E” subject, which covered entrepreneurship, explained a little about
the law, how companies and some bureaucracies work, etc... and the other
subject was very focused on what is happening in the world today in day,
industry 5.0, internet 5.0, the internet of things. The teachers are good, but
they don't know the practice [...] (graduate 1, our translation).
It was found, in this block, that the students, although very technically competent, had
no previous history with subjects such as marketing, pricing, management of financial or human
resources. This was not the focus of the course, nor of their attention. It is also noted that in its
formation the subject of entrepreneurship was a concept, not an experience, with information
relatively distant from the dynamics of the companies that operate the market.
Context
There were ten themes of global social demand, suggested by partner organizations and
inspired by the sustainable development objectives of the United Nations (UN Brazil, 2022) for
the group to choose from in the IFTP. The choice for the theme “Increased quality of life” was
due to the fact that the mother of one of the members works with disabled children. Aiming to
improve the quality of life of a specific audience, they chose to search for solutions that would
make life easier for people with visual impairments, helping with travel, without giving up
independence and removing the stigma of the traditional cane. The perspective was always
altruistic, the focus was on producing something to help people in need, not commercialization.
During the interviews, it was noticed that there was a desire to produce something that would
reach the defined audience, without any notion of the role of entrepreneurship in the process. It
was a solution and nothing more.
[...] our prototype was not to cure blindness, but to improve the quality of life
of these people (graduate 2, our translation).
The idea for creating the product came from the team members' ability to use sensors.
The prototype was tested with a member of the group using a blindfold. They realized that it
was relatively easy to use the prototype under development.
The victory in the Brazilian edition of IFTP signaled the usefulness and practicality of
the product. Confident in the quality of the project, the group took advantage of the one month
before traveling to the world stage to improve the prototype, making it more efficient and
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visually more attractive. They also tested the prototype with an effectively blind person, to
validate the proposal.
Competing with four countries, the Tupan team became the international winner of the
event. Despite their confidence in the project, they never imagined having a product capable of
winning the International IFTP, reporting:
We are immensely happy to see the disabled person satisfied with our
equipment, which we produced in such a short time. We only managed it
because the event was well organized [...] (graduate 3, our translation).
We never thought about winning the award in the United States. The guys there
are super prepared. Winning here was already very good (postgraduate
student 2, our translation).
A relevant fact observed in the Brazilian edition was that, when chosen to participate in
the final phase of the event, the team did not have financial support for the trip to the USA, and
the organizing universities were not in a position to offer support, even with the media visibility
generated by the victory in the regional section. The Tupan group was interviewed in
newspapers and widely circulated channels in Brazil, in addition to gaining many followers on
social media. A first entrepreneurial challenge arose, finding resources for the trip to the USA.
The anxiety to be able to go to the final was demonstrated in the speech:
If we can't go..., we won't make it [...], we have to show up anyway, and we
have to make them see us (postgraduate student 2, our translation).
After discussions and suggestions, the team decided to create a campaign on social
media (known in Brazil as the electronic kitty) to raise contributions for the trip. They were
successful in the campaign.
In the USA, shortly after the winners were announced in the final stage, a researcher
external to the event invited the group to a meeting with professionals specializing in patents
from TAMU. The objective was to guide the commercialization of the product on a larger scale,
mainly with regard to the patent. It is important to note that, at this point, the IFTP organization
no longer had any influence on the process. At this meeting, the team received a proposal of
US$10,000.00 to file the patent in the USA and for the product to be developed in partnership
with TAMU university.
Given the difficulties evident in the process of requesting patent filing by foreigners,
and the costs involved, they rejected the proposal. It should be noted here that the Tupan group
had no experience on the subject, nor did they have support in understanding this process. They
reported in the focus group that, with appropriate guidance, selling the patent could be an
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interesting possibility, but they only managed to understand this after a year and a half of the
startup.
Realizing the interest in the prototype, they decided to file the patent in Brazil and
develop the product nationally. Enthusiasm and hope were the keynote of the new
entrepreneurial engineers.
Prognosis
On the trip back to Brazil, still on the plane, the team met a businessman from the
communications sector. Interested in the project, he proposed a partnership to create the startup.
This businessman helped them with bureaucratic issues to create the startup, in addition to
looking for other companies willing to invest financial capital in the project. The group
experienced yet another challenge: there were no companies or development organizations
willing to invest money in the project (Venture Capital). Thus, the only investment for the
creation of the startup and production of the equipment came from the cash prize won at IFTP
Internacional. It is possible to interpret this investment as equity, as many Brazilian enthusiasts
do.
Despite the creation of the startup, the team was unsure about this venture, the
excitement about the success of the prototype was what drove them:
Until that moment we had no idea, no vision of the future, like, yeah, can we
do something more than that, at the moment our minds were only on making
the prototype [...] (undergraduate 1, our translation).
As an alternative, they sought out the CEFET/RJ technology-based business incubator.
However, they realized that this incubator did not have an acceleration program, nor did it offer
business management training. They were offered space and information on how to seek
funding through government funding agencies. In their understanding, the incubator did not
mean any effective difference.
Right at the beginning of their activities, the members of the Tupan team realized that
they did not receive training or knowledge at university that would prepare them for the
business environment, for the world of work, as entrepreneurs. They knew engineering tools
and techniques, but were unaware of management or business modeling aspects. One of the
students interviewed could not remember any course related to the topic of entrepreneurship:
If I had it, it wasn't relevant at the time (graduate 2, our translation).
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This record demonstrates that the subject was not specifically addressed during
graduation. According to the speech of one of the students, it is clear that the experience at the
event stimulated entrepreneurial thinking, making them look beyond what traditional degrees
can offer:
It's not worth going to college just to get a good grade, close the gym and get
a diploma at the end. If you do this, you won't add anything. You have to
research the thing for yourself, what you want to do next. And if you just leave
college with a degree and get a job, you keep repeating the same robotic
work... I think that doesn't add much to what you'll be able to build.” (graduate
1, our translation).
From interviews, participant observation and focus groups, it was possible to identify
gaps in: training, guidance, mentoring, incubation process and capital for risk investment.
Discussion
Students who participate in courses focused on entrepreneurship tend to get involved in
activities and ideas for new businesses (Bergmann, 2018). Furthermore, entrepreneurship
education is one of the missions of education, which are teaching, research and economic
development through business technology or its creation by students and teachers (García et
al., 2017).
In this sense, entrepreneurial education should begin at the elementary school level.
Even students at very young ages develop interests in this field and relate entrepreneurial
aspects to everyday life (Din et al., 2016).
Although the teaching of entrepreneurship has gained strength since the 1970s,
especially in American universities (Joshi, 2014), higher education institutions do not usually
have entrepreneurship included in their curricula, limiting themselves to complete courses
aimed at this purpose. On the other hand, one of the main objectives of entrepreneurship training
is experience in interdisciplinary work, with people from different backgrounds and
orientations, to allow the evaluation of opportunities from different perspectives.
Given this, the creation of academic hackathons is a strategy to encourage innovation
and entrepreneurship. However, although there are hundreds of these hackathon models taking
place every year at various universities around the world (Devpost, 2023), few works resulting
from these events become a startup. Hence the importance of the study presented here.
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Based on the reflections and analysis of the data collected, in the case that illustrates this
study, a startup development program is proposed with initiatives that dialogue with
professional activity, which can integrate the curriculum of Universities, Technological Centers
and Federal Institutes of Education with a view to offering training that includes education to
innovate and undertake.
Figure 2 – Startup development program
Source: Startup Tupan components
In the paragraphs below, we will briefly explain each step of the model.
Entrepreneurship Discipline
It's not just about having an entrepreneurship course, but about presenting the
possibilities to the student from the first moment of graduation. Furthermore, teachers who
teach entrepreneurship courses must have some entrepreneurial experience, they will only be
able to effectively understand the process if they live the experience (empathy), as is the case
in some British, US and German universities, which employ entrepreneurs to train students for
entrepreneurship (Cheng et al., 2018). If this teaching profile is impossible, inviting companies
to partner with the university is crucial.
We can say that developing entrepreneurial thinking is a new and important skill for
engineers of the future.
Educational Hackathon
These are innovative educational actions, with varying frequency. They have a
mobilization and awakening effect, but they do not promote entrepreneurship alone.
The period in which a hackathon takes place (48 hours) is insufficient for any project to
have a level of maturity capable of allowing it to take place on the market. There is a need for
time to develop the technology to customize it for your purpose. Academic hackathons
Entrepreneurial
Discipline.
Of a practical
PBL nature
Teachers with
practical
experience
Educational
Hackathon
Annual
Semiannual
Seasonal
University
Incubator
Material
resources
Coworking
format
Mentoring
Internal -
teachers
External -
company
professionals
Entrepreneurial
Ecosystem
Make
connections
Bringing
University and
Market closer
together
Venture Capital
Promotion
grants
Venture
capital
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stimulate innovation, but require post-event support actions to enable the continuity of the
innovative projects created.
University Incubator
Innovative business ideas have originated in university environments. Startups require
guidance on the market, on how to put together a model and a business plan, ways to access
resources, in addition to having access to the use of laboratories with inputs. This incubation
process includes contacting other startups to receive feedback and learn from the experience of
other entrepreneurs in similar situations. It is collaborative learning, not solitary. Undergraduate
engineering students in the Brazilian context need to look for internships and jobs to cover their
personal expenses. In an incubation, grants and promotions must be made possible in order to
overcome the difficulties inherent in the initial process of a new business.
Conceptually, the proposal for a university incubator in Brazil is almost 30 years old
and its suggestions range from supporting development and innovation to accessing the global
market. In practice, they maintain their main focus only on technology, encouraging the creation
and development of technologically innovative companies (Faustino da Silva et al., 2021), and
are not prepared to receive projects of another nature.
Mentoring
Mentoring is offered by people with specialized knowledge, inserted in the
entrepreneurial ecosystem, with practical experience. More than a provider of answers, the
mentor is a formulator of questions, provocations, problematizations and sharing of experiences
that help the development of new entrepreneurs. There is a need for systematic and regular
mentoring on entrepreneurship in the incubation process. This would avoid predictable errors,
reducing the time spent on the trial-and-error process. The guidance on the business model and
plan is also worth highlighting, as, although the tools are easy to understand, reflection on their
content is not automatic for university students. This is likely due to a lack of maturity and life
experience.
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Entrepreneurial Ecosystem
One of the most important actions is the need to bring the university closer to the local
entrepreneurial ecosystem. Innovation ecosystems are knowledge networks (Callon, 1986)
where there is an exchange of information and learning (Braga; Guttmann, 2019). Collaboration
in creative work and the development of ideas builds collective intelligence involving different
stakeholders within the university and external to it (Braga; Schettini, 2019). The practice of
networking facilitates startups' first steps because it combines experiences from other
companies at different stages of maturity. Discovering complementarities can boost the
business. Therefore, students need to have contact with business creators, small business
owners and former students who faced the challenges of opening and developing a business,
whether successful or not. In other words, interaction with the outside world is important, to
learn from entrepreneurs and companies (Lewrick et al., 2011). To this end, some authors
defend the idea of the triple helix model, with collaboration between universities, government
entities and industry (Lackéus, 2015).
Venture Capital
This is a challenge for every startup or small business: how to survive without initial
financial support. There is a need to provide some risk capital to student entrepreneurs. Foster
(2021) states that venture capital is generally used for a new idea or new product that, even with
little market certainty, presents the potential for above-average returns to the investor.
It is believed that the experience of the Tupan group, as well as that of other students
who participate in educational hackathons and are interested in activities that promote
entrepreneurship, would be largely made possible through access to a program that presents a
set of possibilities for theoretical articulation -practice, during the training path in higher
education institutions.
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Final remarks
The startup in question, created during 2019, survived the lack of guidance, lack of
resources, lack of infrastructure, the pandemic period (2020-2021), as well as other challenges
for implementing a new business. However, despite all the effort and innovation, at the
beginning of 2023 the founders decided to end the entrepreneurial experience. The proposal
presented here was the result of the “pain” of talented students.
The study provides several lessons on the role played by universities in the
entrepreneurial training of engineers. The relevance of academic hackathons such as IFTP is
evident, where nothing prevents real cases of innovation from emerging from these events and
gaining market share through entrepreneurial students. However, neither events nor universities
are prepared to support students in this process. Universities must be attentive to innovation
that comes from the bottom up, from the base, from students, and not from research carried out
in their laboratories.
Current training does not offer the means or knowledge to make projects viable. Good
ideas end up being wasted, making academic hackathons mere motivational events without a
defined purpose. Therefore, it is essential to build support structures that help these students in
the post-event stages, such as curriculum reviews, efficient incubators and risk financing. To
achieve this, a change of mentality is necessary in universities, so that they can identify
themselves as responsible, not only for the present intellectual formation of students, but also
for their professional future, that is, promoting entrepreneurship that transcends the academic
experience and promotes leading professionals, strengthening the perspective of educating to
innovate and undertake.
We recognize that this work has limitations and does not end here. New studies must be
carried out with other groups of students who have undertaken business as well as with those
who have not shown interest in entrepreneurship. Other academic hackathons should also be
studied. However, we hope that this study has offered a way for other scholars on the subject to
understand the potential of entrepreneurial education, beyond carrying out sporadic actions and
short-term events. Encouraging entrepreneurial skills must occur from the moment they arrive
in training. In this process, academic hackathons can contribute as catalysts for innovative ideas
and practices.
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18310 23
CRediT Author Statement
Acknowledgements: We thank Texas A&M University for their support, provision of
material and guidance during Invent For The Planet. We also thank the National Council
for Scientific and Technological Development CNPQ.
Funding: This study was partially financed by the Coordination for the Improvement of
Higher Education Personnel - Brazil (CAPES) - Financial Code 001.
Conflicts of interest: No.
Ethical approval : This study was submitted to the Human Research Ethics Committee of
Fundação Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brazil, and approved
under number 48109321.3.0000.
Availability of data and material: Not applicable.
Author contributions: Frederico Pifano de Rezende, construction and formation of this
study, collection of data (interviews and focus groups), analysis and interpretation of data,
writing of the text, creation of model and finalization of structuring for publication Marco
Braga, collaborated as advisor of the research group, in data collection (participant
observation), analysis and interpretation of data. Afsaneh Hamedi d' Escoffier collaborated
in data collection (interviews and focus groups), writing and reviewing the text.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Review, formatting, standardization, and translation.