RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024049, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18461 1
EDUCAÇÃO E MEMÓRIA: FUNÇÃO SOCIAL DOS ANCIÃOS NA CULTURA
TUPINAMBÁ (1612-1614)
EDUCACIÓN Y MEMORIA: FUNCIÓN SOCIAL DE LOS MAYORES EN LA
CULTURA TUPINAMBÁ (1612-1614)
EDUCATION AND MEMORY: SOCIAL FUNCTION OF ELDERS IN TUPINAMBÁ
CULTURE (1612-1614)
Marinaldo Pantoja PINHEIRO 1
e-mail: marinaldopantojapinheiro@gmail.com
Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA 2
e-mail: socorroavelino@hotmail.com
Como referenciar este artigo:
PINHEIRO, M. P.; FRANÇA, M. P. S. G. S. A. Educação e
memória: Função social dos anciãos na cultura Tupinambá (1612-
1614). Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação,
Araraquara, v. 19, n. 00, e024049, 2024. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18461
| Submetido em: 12/09/2023
| Revisões requeridas em: 14/12/2023
| Aprovado em: 20/02/2024
| Publicado em: 10/04/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade do Estado do Pará (UEPA), Belém PA Brasil. Doutorando em Educação (UEPA).
2
Universidade do Estado do Pará (UEPA), Belém PA Brasil. Doutora em História, Filosofia e Educação
(Unicamp), docente do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Curso de Pedagogia (UEPA).
Educação e memória: Função social dos anciãos na cultura Tupinambá (1612-1614)
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024049, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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RESUMO: O artigo analisa a relação entre educação, memória e a função social dos anciãos
na cultura Tupinambá, destacando como essa relação contribuiu para a preservação e
transmissão de conhecimentos e valores culturais dessa comunidade indígena, no período de
1612 a 1614. As fontes históricas são as crônicas de viagens dos padres Claude d’Abbeville e
Yves d’Evreux, compiladas nas obras “História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do
Maranhão e terras circunvizinhas” e Viagem ao norte do Brasil: feita nos anos de 1612 a 1614”,
publicadas respectivamente em 1614 e 1874. Por meio de análise de referencial bibliográfico
mormente Abbeville (2008), Evreux (2002), Menezes (1995), Vernant (1973) e Zumthor
(1997), atesta-se que os anciãos contribuíram para a preservação da memória e educação dos
mais jovens, pois eram os guardiões e transmissores dos saberes e práticas ancestrais.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Memória. Anciãos Tupinambá. Transmissão de
conhecimentos. Cultura Tupinambá.
RESUMEN: El artículo analiza la relación entre educación, memoria y función social de los
ancianos en la cultura Tupinambá, destacando cómo esta relación contribuyó a la preservación
y transmisión de conocimientos y valores culturales de esta comunidad indígena, en el período
de 1612 a 1614. Las fuentes históricas son las crónicas de viaje de los sacerdotes Claude
d'Abbeville e Yves d'Evreux, recopiladas en las obras Historia de la misión de los Padres
Capuchinos en la isla de Maranhão y tierras circundantes” y “Viaje al norte de Brasil: made
in the years 1612 to 1614”, publicados respectivamente en 1614 y 1874. A través del análisis
de referencias bibliográficas principalmente Abbeville (2008), Evreux (2002), Menezes
(1995), Vernant (1973) y Zumthor (1997), se atestiguan que los mayores contribuyeron a la
preservación de la memoria y la educación de los más jóvenes, al ser los guardianes y
transmisores de conocimientos y prácticas ancestrales.
PALABRAS CLAVE: Educación. Memoria. Ancianos Tupinambá. Transmisión de
conocimientos. Cultura tupinambá.
ABSTRACT: The article analyzes the relationship between education, memory and the social
function of elders in the Tupinambá culture, highlighting how this relationship contributed to
the preservation and transmission of knowledge and cultural values of this indigenous
community, in the period from 1612 to 1614. The historical sources are the travel chronicles of
priests Claude d'Abbeville and Yves d'Evreux, compiled in the works “History of the Mission
of the Capuchin Fathers on the Island of Maranhão and surrounding lands” and “Journey to
the north of Brazil: made in the years 1612 to 1614”, published respectively in 1614 and 1874.
Through analysis of bibliographical references mainly Abbeville (2008), Evreux (2002),
Menezes (1995), Vernant (1973) and Zumthor (1997), it is attested that the elders contributed
to the preservation of the memory and education of the youngest, as they were the guardians
and transmitters of ancestral knowledge and practices.
KEYWORDS: Education. Memory. Tupinambá Elders. Transmission of knowledge.
Tupinambá culture.
Marinaldo Pantoja PINHEIRO e Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024049, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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Introdução
O artigo tem por objetivo analisar a relação entre educação, memória e a função social
dos anciãos na cultura Tupinambá, destacando como essa relação contribuiu para a preservação
e transmissão de conhecimentos e valores culturais dessa comunidade indígena, nos anos de
1612 a 1614. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa histórica que tem como fontes as
crônicas de viagem dos padres Claude d’Abbeville e Yves d’Evreux.
A obra “História da missão dos Frades Capuchinhos na Ilha de Maranhão e suas
circunvizinhanças”, escrito por Claude d’Abbeville, foi publicado na França em 1614. Nessa
literatura, são registrados, os primeiros meses do trabalho missionário e educativo dos frades
capuchinhos no Maranhão, durante o período em que o frade Claude d’Abbeville esteve no
Norte do Brasil. O propósito desses relatos era divulgar as riquezas naturais da região e
demonstrar as formas de educar os indígenas segundo o colonizador. Isso tinha como objetivo
atrair novos investimentos, incentivar a migração de colonos e obter o apoio da monarquia
francesa para o projeto colonial no Norte do Brasil.
As crônicas do frade Yves d’Evreux foram publicadas em português no ano de 1874,
com o título “Viagem ao norte do Brasil: feita nos anos de 1613 a 1614”, cuja primeira
publicação em francês, que não chegou nas mãos dos leitores franceses, é de 1615, tinha como
título traduzido para o português: “Continuação da história das coisas mais memoráveis havidas
em Maranhão nos anos de 1613 a 1614”. Essa fonte descreve o processo de educação religiosa
das aldeias Tupinambá da Ilha do Maranhão e regiões circunvizinhas, pelos padres capuchinhos
de Paris, ligados à Igreja Católica.
Os povos Tupinambá, que residiam nessas regiões, foram colonizados pelos franceses
entre 1612 e 1615; quando estes foram expulsos pelos portugueses, o processo de colonização
continuou de forma mais acentuada, causando o extermínio dos indígenas.
Os povos indígenas não conheciam a escrita e tinham na memória o poder de guardar
suas lembranças e conquistas cultivadas no cotidiano. A função social de rememorar pertencia
aos anciãos, o que lhes proporcionava um papel educativo na sociedade. A memória delegou
aos velhos a função de guardiões da tradição, da ancestralidade, o que lhes atribuía destaque
social nas suas etnias.
De acordo com Le Goff (1992), o conceito de memória pode ser entendido através
da compreensão de seu desenvolvimento histórico, que percorre cinco períodos: 1) memória
étnica nas sociedades sem o domínio da escrita moderna; 2) da oralidade à escrita (do
surgimento dos nossos ancestrais à Idade Antiga; 3) memória oral e escrita em equilíbrio (Idade
Educação e memória: Função social dos anciãos na cultura Tupinambá (1612-1614)
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Média); 4) os avanços da memória escrita (Idade Moderna e contemporânea); e 5) progressos
da memória na atualidade. Desses, vamos tomar como referência o primeiro e segundo período
histórico da memória, que foram os vivenciados pelos indígenas do Maranhão, do Norte do
Brasil.
Conforme o autor, nas sociedades sem a escrita moderna, a memória coletiva
fundamentava-se nos grupos étnicos ou familiares, cuja valorização assentava-se nos mitos de
origem e nos saberes práticos, técnicos e profissionais. A memória funcionava como um
elemento de poder, que concedia autoridade a quem tinha o domínio da palavra, e, ao mesmo
tempo, visava justificar o poder e prestígio de famílias tradicionais. Nessas sociedades, as
memórias eram guardadas pelos guardiões ou especialistas da memória, personagens também
encontrados entre os Tupinambá do Maranhão. Entre esses nativos, essa função era ocupada
pelas pessoas idosas da tribo, principalmente os homens. Após completar 40 anos de idade, o
ancião trabalhava quando sentia vontade, assim tinha tempo de se dedicar às funções sociais na
Casa-grande, onde eram incumbidos de rememorar o passado ancestral e glorioso da sua etnia:
“é ouvido com todo o silêncio na casa-grande, fala grave e pausadamente, usando de gestos que
bem explicam o que ele quer dizer, e o sentimento com que fala” (Evreux, 2002, p. 131). A
Casa-grande, para o padre Yves d’Evreux, era o lugar da reunião, o parlamento, o lugar das
decisões mais importantes da tribo, onde os principais (príncipes), os anciões e os demais
homens da aldeia, se reuniam para instruírem os guerreiros sobre a paz e a guerra. A Casa-
grande também era o lugar da escuta, onde os anciões mantinham viva a memória dos ancestrais
e das tradições da aldeia, ou seja, a Casa-grande era também lugar do aprendizado e do poder
criador da memória à serviço da comunidade.
A segunda fase do desenvolvimento da memória é denominada por Le Goff (1992) como
“oralidade à escrita”, e compreende o período do aparecimento dos primeiros hominídeos, a
invenção da escrita e a Idade Antiga. Nesse período, conforme o autor, conviveram dois tipos
de memória: comemoração e documento escrito. A comemoração é a memória guardada em
monumentos comemorativos como estelas e obeliscos. Os monumentos eram utilizados para
registrar algum acontecimento considerado importante àquela nação e eram idealizados a partir
de alegorias com poucas inscrições, visando ser lido e compreendido pela população,
principalmente a analfabeta. Assim como a comemoração, os documentos escritos também
surgem para registrar e guardar como memória nacional a história dos heróis e seus feitos. A
diferença é que os documentos escritos visavam atingir um público seleto e elitista, aqueles que
faziam parte da cidade dos letrados.
Marinaldo Pantoja PINHEIRO e Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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Os Tupinambá da Ilha do Maranhão do século XVII conheciam o monumento e alguns
conheceram a escrita através dos franceses. Como monumento, podemos citar a cruz de madeira
que era erguida no centro das aldeias pelos missionários e a escrita representada por uma espécie
de catecismo bilíngue em francês e tupinambá, cuja finalidade era a memorização da doutrina
cristã para que os nativos pudessem ser batizados pelos padres. Evreux (2002, p. 254) destaca
que, na Casa-grande, o lugar da palavra, os anciãos diziam que os padres franceses iriam ensinar
os seus filhos “a cotiarer (escrever) e a fazer falar o papere (o papel) mandado de muito longe
aos que estão ausentes”. A cruz fincada no Maranhão enquadra-se no tipo de memória de
comemoração, pois, de acordo com os ensinamentos católicos, ela é a memória do poder de
Deus sobre a morte. Não deixa de ser o culto a um herói que venceu a morte. É uma espécie de
monumento que também traz inscrições breves: INRI (Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus).
As obras em análise neste artigo trazem informações sobre o cotidiano dos povos
Tupinambá, assim como a flora e fauna da região, dentre outras coisas. Os nativos do Maranhão
são apresentados como aqueles que tinham o poder de fazer o papel falar, demonstrando certa
superioridade em relação aos anciãos, os homens-memória. É como se a deusa grega
Mnemosine, desconhecida pelos nativos do Norte do Brasil, tivesse agora um concorrente, o
“papel falante”, demonstrando a magia do Deus cristão que instruía os religiosos.
O domínio da escrita delegou aos franceses a possibilidade de registrarem no papel a
memória cotidiana da viagem feita ao Maranhão entre 1612 e 1614. O controle da escrita
possibilitou aos franceses tornar conhecida a sua versão do encontro com o nativo. Mas
Mnemosine não se deixou vencer e manteve vivos os fragmentos das falas dos anciãos
Tupinambá nas entrelinhas dos registros de Claude d’Abbeville e Yves de Evreux.
O estudo é resultante de uma pesquisa mais ampla sobre a presença e atuação de
religiosos Capuchinhos no norte do Brasil no século XVII, com vistas a compreender o processo
educativo e trocas culturais resultantes desta relação.
Este texto compreende esta introdução em que abordamos o objetivo, o tipo de pesquisa,
as fontes de investigação e a importância da memória nas sociedades indígenas; em seguida,
são expostos três tópicos: no primeiro, “A fonte como lugar da memória”, apresentamos as
obras de Claude d’Abbeville e Yves d’Evreux como um lugar da memória dos Tupinambá e dos
Capuchinhos no Maranhão. No segundo, “A função educativa da memória na sociedade
Tupinambá”, destacamos o papel educativo, viabilizado pela transmissão de valores culturais
aos mais jovens. E no terceiro tópico, “Anciãos Tupinambá: educadores da tradição”,
descrevemos os anciãos como educadores da tradição que, através das memórias ancestrais,
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transmitem valores às gerações mais jovens. Nas considerações finais, apresentamos os
resultados da pesquisa, destacando que, por intermédio dos anciãos, a memória desempenhou
um papel singular no processo educativo das comunidades Tupinambá do Maranhão,
permitindo a manutenção das tradições e costumes entre estes povos.
A fonte como lugar da memória
Para Zumthor (1997), os viajantes europeus, até pelo menos o século XVII, dedicavam-
se em guardar e perpetuar a memória, que era cultivada a partir de imagens idealizadas. Esse
zelo em guardar e perpetuar a memória é perceptível nas obras dos missionários capuchinhos
Claude d’Abbeville e Yves d’Evreux, “História da missão dos Frades Capuchinhos na Ilha de
Maranhão e suas circunvizinhanças”, de 1614, e “Viagem ao norte do Brasil: feita nos anos de
1613 a 1614”, de 1874, respectivamente. Essas fontes documentais possibilitam ao pesquisador
compreender a cultura, a memória e processos educativos dos Tupinambá do Maranhão e terras
circunvizinhas, como Tapuitapera, rio Mearim, Comã, Caetés e rio Pará.
A crônica de viagem do padre Claude d’Abbeville é composta por mais de 300 páginas,
variando conforme a edição, e está organizada em 62 capítulos, além de conter três cartas sobre
o Maranhão escritas por Yves d’Evreux, Arsênio de Paris e o Senhor Luís de Pézieux. O Padre
Claude d’Abbeville narra, inicialmente, os preparativos e a jornada até alcançar a Ilha do
Maranhão; em seguida, relata suas visitas às aldeias da ilha, acompanhados pelo Senhor de
Razilly, seu irmão Launay, o intérprete de Vaux e alguns indígenas.
Durante essas visitas, os principais líderes das aldeias foram persuadidos a aceitarem a
fé apresentada pelos padres e a proteção do rei da França. Consequentemente, as cruzes foram
erguidas no centro das aldeias como símbolo dessa aceitação. O autor descreve também a região
do Maranhão e sua população, incluindo os costumes e crenças dos Tupinambá, bem como a
flora, fauna e clima da região, destacando a abundância de alimentos disponíveis.
Os últimos capítulos narram a viagem de volta à França, na qual o frade levou consigo
sete indígenas, sendo seis embaixadores Tupinambá e um escravo Tapuia. A maioria dos
embaixadores era composta por filhos dos principais caciques das maiores aldeias do Maranhão
e região. Infelizmente, três deles faleceram, possivelmente de tuberculose, enquanto os outros
três retornaram ao Maranhão após terem sido batizados e casados com mulheres francesas,
adequando-se ao projeto colonizador.
A literatura, produzida pelo padre Yves d’Evreux, está estruturada em dois tratados
(temporal e espiritual), nos quais o religioso descreve suas vivências com os Tupinambá no
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Maranhão, Norte do Brasil. O primeiro tratado, o religioso, aborda principalmente os costumes
e práticas corporais dos nativos, destacando em três capítulos a educação como um ato
civilizatório. O autor defende que é possível “civilizar os selvagens” e ensiná-los os ofícios
europeus. Nos capítulos seguintes, descreve a educação praticada pelos índios, destacando a
ordem, o respeito e as relações entre os membros da tribo. O diálogo fictício presente no final
do tratado visa demonstrar a adaptação dos franceses na região, buscando atrair novos
apoiadores, financiadores e imigrantes ao projeto colonizador denominado “Nova França” ou
França Equinocial.
No segundo tratado, o frade capuchinho dedica-se mais ao conteúdo espiritual, relatando
as conversões dos nativos e os modelos de conversão aplicáveis às crianças, aos doentes, aos
anciãos e aos adultos. A maneira de educar, criada ou adaptada pelos capuchinhos, inclui a
criação de um manual bilíngue Tupi-francês, fundamental para a comunicação e aprendizado.
A doutrina cristã deveria ser ensinada em Tupi e francês, e recitada de cor antes do batismo. O
autor defende que os Tupinambá possuíam uma crença natural em Deus, o que facilitava o
processo de catequização. Nos últimos capítulos, o autor demonstra os frutos de sua prática
educativa, destacando a conversão das lideranças políticas e religiosas, o que tornava mais fácil
educar a tribo. O frade Capuchinho ressalta a importância das lideranças religiosas, como
Pacamão, que reconheciam a autoridade dos Capuchinhos e seus conhecimentos, o que
facilitava a difusão da doutrina cristã.
Os livros de Claude d’Abbeville e Yves d’Evreux são fontes documentais necessárias
para se compreender a história da colonização francesa no Maranhão e para o estudo da cultura
dos povos Tupinambá. Além disso, as obras representam lugares de memória que preserva e
transmite informações sobre a vida e educação dos povos indígenas e dos missionários
capuchinhos do início do século XVII. Os livros nos oferecem uma visão da vida e da educação
no século XVII, permitindo-nos entender a complexa relação entre colonizadores e colonizados.
O conceito “lugar da memória” foi cunhado pelo historiador francês Pierre Nora, em
sua obra “Les Lieux de Mémoire”, publicada em Paris em 1984. A versão em português,
intitulada “Os Lugares da Memória”, foi publicada em 1993, com reedição em 2015. A obra é
reconhecida como uma importante contribuição para os estudos sobre memória e história,
fornecendo uma análise detalhada dos lugares, símbolos e rituais que formam a memória
coletiva em diversas sociedades. O autor argumenta que esses lugares o intencionalmente
construídos para preservar a memória e a identidade cultural, transformando-se em “lugares da
memória” que funcionam como pontos de referência para as gerações futuras (Nora, 1993).
Educação e memória: Função social dos anciãos na cultura Tupinambá (1612-1614)
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Podemos considerar como lugares da memória: objetos, livros, fotografias, prédios,
entre outros. Assim, uma fonte documental pode ser considerada um lugar da memória quando
ela adquire um valor simbólico à compreensão de um evento, período ou tradição cultural.
As obras de Claude d’Abbeville e Yves d’Evreux se enquadram nesse perfil, pois
compreendem relatos específicos sobre culturas indígenas em extinção, possibilitando
compreender a própria formação da sociedade brasileira. As obras em estudo são referências
sobre as culturas dos indígenas do Maranhão entre os anos 1612 e 1614, e também trazem à
tona a função educativa da memória entre os povos indígenas. Esta última afirmação
aprofundaremos no próximo tópico.
A função educativa da memória na sociedade Tupinambá
Quando falamos em memória, referimo-nos à capacidade de memorização que foi
extremamente valorizada e admirada ao longo da história. Vejamos alguns casos.
Na Grécia Antiga (séculos XVII e VIII a.C.), por exemplo, a memória era cultuada como
a deusa Mnemosine, responsável por fazer os seres humanos se recordarem. Essa divindade
concedia aos mortais o “poder da rememoração [...] de trazer à tona as ‘lembranças das
conquistas’. A esta divindade era delegada a função de presidir a poética, cuja habilidade era
inspirada por esta deusa. O dom da poesia era, portanto, sobrenatural (Vernant, 1973, p. 136).
A memória, cultuada como divindade pelos gregos, empoderava homens e mulheres,
concedendo-lhes o poder da palavra. Dos aedos gregos, que recitavam poemas inspirados pelas
musas, à Sheherazade, a tecelã da história: ambos contadores de história e inspirados pelo poder
sobrenatural da palavra.
A memória da lendária Sheherazade impressiona pela capacidade de armazenar, nada
menos que, 1001 histórias contadas a cada noite ao seu esposo, o sultão Xariar. Ela decidiu
casar-se com o sultão, a fim de proteger as jovens virgens que deveriam por lei casar-se com o
soberano ao anoitecer e ao romper da aurora serem assassinadas. A lei tinha o propósito de
preservar a fidelidade feminina. A cada narrativa noturna, a jovem tecelã da história preserva
intacta, ao romper de um novo dia, o final da narrativa, aguçando a curiosidade do sultão, que
a mantinha viva para concluir a história na noite seguinte, o que não aconteceu por 1001 noite,
quando, finalmente, o poder da memória quebranta o coração empedrado do sultão que decidiu
abolir a lei que decretava a pena de morte de suas esposas (Menezes, 1995).
Padre Evreux também se admirava da capacidade de memorização dos anciãos
Tupinambá, pois se lembravam com facilidade do que teriam vivido ou ouvido, narravam com
Marinaldo Pantoja PINHEIRO e Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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frequência as tradições e os feitos de seus ancestrais. Eles possuíam uma memória muito boa e
ficavam muito felizes por lembrar de tudo o que viveram e ouviram, incluindo todas as
circunstâncias do lugar, do tempo e das pessoas envolvidas: “Quanto à memória eles a possuem
muito feliz, porque lembram-se sempre do que viram e ouviram, com todas as circunstâncias
do lugar, do tempo, das pessoas” (Evreux, 2002, p. 121). As habilidades cognitivas dos anciãos
lhes permitiam reter informações específicas e as utilizarem de forma eficiente. A capacidade
de sua memória era útil em várias situações, principalmente no que concernia ajudar a educar
a sociedade nas tomadas de decisões, resolução de problemas e comunicação eficaz.
De acordo com Evreux (2002), a memória desempenha um papel fundamental ao manter
a tradição e os valores sociais, bem como a respeitar os costumes, sendo a responsável por
guardar e conservar o que foi conhecido e aprendido. Assim, conforme o mesmo padre, para os
Tupinambá, a memória era um elemento central na construção de sua identidade cultural e na
transmissão de seus valores e saberes de geração em geração.
Zumthor (1997) argumenta que os grupos sociais são guiados por valores que
determinam quais fragmentos da memória devem ser lembrados ou esquecidos. Embora o
desejo de esquecer possa rejeitar a lembrança, ela nunca é completamente eliminada. A
memória é seletiva e atualiza o passado com os fragmentos mais significativos e úteis para
manter ou empoderar determinado grupo social. A lembrança heroica dos antepassados, para
Zumthor (1997), permite ao poeta superar a inércia das memórias individuais e o esquecimento
coletivo em um mundo predominantemente oral. O esquecimento também é um elemento
criativo, que, quando o poeta esquece uma parte do poema, a criatividade entra em cena para
contextualizá-la pelo lugar da fala. Consequentemente, o esquecimento é um dos fundamentos
da ficção em níveis imaginários e discursivos.
Assim como observado por Zumthor (1997), podemos dizer que os Tupinambá
selecionam e atualizam os fragmentos de sua memória que eram significativos e úteis para
manter e empoderar o seu grupo social. As lembranças heroicas dos antepassados permitiam
aos Tupinambá manter sua identidade cultural e reforçar seus valores comunitários. Além disso,
o esquecimento também era importante, pois permitia aos Tupinambá atualizar e recriar suas
tradições de acordo com as mudanças em seu ambiente e em sua sociedade.
O papel da memória na cultura Tupinambá também evidencia o aspecto criativo
destacado por Zumthor (1997). Ao transmitir suas histórias e rituais, os Tupinambá eram
capazes de contextualizá-los e adaptá-los ao seu lugar de fala, incorporando novas experiências
Educação e memória: Função social dos anciãos na cultura Tupinambá (1612-1614)
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e influências. Desse modo, a memória era um elemento vital na construção da identidade
cultural e na renovação constante das tradições destes indígenas.
Os Tupinambá do Maranhão tinham uma rica tradição cultural que era transmitida por
meio da memória coletiva. Através da oralidade, histórias, mitos e lendas eram passados de
geração em geração, e assim mantinham vivas as tradições e costumes de seu povo. Essa
tradição oral era uma forma dinâmica de memória, como descrita por Bosi (1994), que não está
estacionada no passado, mas é continuamente reconstruída através das lembranças do presente.
Portanto, para os Tupinambá, as memórias não eram apenas relatos do passado, mas
vivências ainda presentes na sociedade, sendo uma forma de se conectarem com os ancestrais
e com a natureza, e de compreenderem a importância da harmonia e do equilíbrio entre os seres
humanos e o meio ambiente.
Nessa cultura, as memórias tinham o papel de educar, através da transmissão de valores
culturais aos mais jovens, tais como: tradições, costumes e crenças. Por meio das histórias
contadas pelos mais velhos, os jovens aprendiam a respeitar e a valorizar a natureza, a
compreender a importância da coletividade e da liderança compartilhada, e a manter viva a
cultura e a história do seu povo.
Além disso, as memórias também eram uma forma de ensinar habilidades práticas,
como: caça, pesca, agricultura e arte de tecer. Por meio das histórias e das experiências
compartilhadas pelos mais velhos, os jovens aprendiam a utilizar os recursos naturais de forma
sustentável e a preservar os conhecimentos ancestrais.
As memórias empoderavam os anciãos Tupinambá e os delegavam a função de
educadores da tradição. É o que propomos discutir no tópico a seguir.
Anciãos Tupinambá: educadores da tradição
Os Anciãos Tupinambá eram figuras centrais na transmissão da tradição cultural dos
Tupinambá do Norte do Brasil. Como educadores, eram detentores dos conhecimentos
ancestrais e respeitados por suas experiências de vida. Por meio de suas histórias, rituais e
práticas cotidianas, os anciãos transmitiam às gerações mais jovens os valores da cultura
Tupinambá, garantindo assim sua continuidade por gerações. Nesse contexto, é importante
destacar o papel fundamental desempenhado por esses anciãos como guardiões da memória e
da identidade cultural do povo Tupinambá. Detentores de uma sabedoria acumulada, os velhos
Tupinambá desempenharam um papel fundamental na educação, contribuindo para a formação
de valores culturais e morais de suas comunidades.
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De acordo com Evreux (2002, p. 131), na cultura Tupinambá, um homem atingia a fase
de ancião a partir dos 40 anos de idade, sendo esta considerada a fase mais honrosa e “cercada
de respeito e veneração, especialmente para soldados valentes e capitães prudentes”. Durante
essa fase, o Tupinambá tinha liberdade de trabalhar quando sentia vontade
3
. Ele era ouvido com
todo o silêncio na Casa-grande e falava de maneira grave e pausada, utilizando gestos que
transmitiam claramente o significado de suas palavras e o sentimento com que falava, conforme
descrito pelo padre: “Todos lhe respondem com brandura e respeito, e ouvem-no os mancebos
com atenção” (Evreux, 2002, p. 131).
O próprio padre não deixou de registrar a sua admiração pelos anciãos, considerando-
os transmissores das tradições dos Tupinambá. Segundo o Evreux, os velhos eram considerados
guardiões da memória e da tradição, tinham o costume de contar, diante dos mais jovens, a
história de seus antepassados e o que ocorreu no tempo deles. Essas narrativas eram realizadas
na Casa-grande ou nas residências particulares, sempre convidando as pessoas para ouvirem a
história. Contar histórias era um hábito educativo, pois quando se visitavam, abraçavam-se com
amizade e contavam um ao outro, palavra por palavra, quem foram seus avós e antepassados, e
o que se passou no tempo em que viveram (Evreux, 2002). Dessa forma, a tradição oral era
mantida e a história do povo era preservada. A prática também demonstrava o valor da memória
e a importância da conexão entre as gerações, fortalecendo os laços sociais e culturais dos
Tupinambá.
Conforme o texto, percebe-se que a Casa-grande e algumas residências eram alguns
lugares educativos da aldeia, onde o ancião exercia a sua função social. Nelas, os caciques das
aldeias, os anciãos e as autoridades francesas, descansavam em suas redes fumando cachimbo
e conversando em de igualdade. Lá, eles dialogavam entre si e educavam os demais membros
da tribo que iam ouvi-los. Assim, a Casa-grande era o parlatório dos Tupinambá, o lugar do
discurso onde as autoridades se pronunciavam, inclusive os padres capuchinhos: “Fez este e
outros discursos semelhantes, e depois, percorrendo a Ilha, em cada aldeia os repetia na Casa-
grande”. Era também o lugar em que se resolviam os problemas da tribo: “Ao chegar, reuniram-
se na Casa-grande os principais e os anciãos [...], a fim de resolverem o assunto” (Evreux, 2002,
p. 57; 138; 224).
3
A cultura do ancião Tupinambá, de trabalhar quando tivesse vontade, era incompreendida pelos missionários
franceses, em especial pelo padre Yves de Evreux, que o rotulava como “extremamente preguiçoso” (Evreux,
2002, p. 124).
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A Casa-grande era o lugar principal da palavra, onde os anciãos eram ouvidos
atentamente e em silêncio: “Quando penso que sou filho de um dos grandes da minha terra, que
meu pai é homem temido, que todos o rodeavam para escutá-lo quando ele ia à Casa-grande”
(Evreux, 2002, p. 53). Nesse excerto, um indígena escravizado pela tribo inimiga se recordava
do seu pai como um homem importante, pois era escutado na Casa-grande.
Percebe-se aqui a promoção de alguns valores educativos pelos anciões, tais como a
importância de ouvir com atenção, manter o silêncio e demonstrar respeito pelos mais velhos.
Nessa cultura, a palavra era considerada sagrada, pois era por meio dela que se estabelecia a
comunicação com os espíritos e com os deuses. Além disso, a palavra era um instrumento de
poder e de liderança, pois era por meio dela que os líderes políticos e religiosos se comunicam
com a comunidade e tomavam decisões importantes. Assim, a palavra era utilizada em diversos
contextos: nas histórias, nos cantos, nas danças, nos rituais e nas cerimônias.
O processo educativo promovidos pelos anciãos ocorria pela repetição de histórias aos
jovens, para que eles memorizassem, e fizessem o mesmo quando se tornassem anciões. Pois,
caso essas histórias não fossem contadas repetidas vezes, seriam sepultadas junto com o ancião.
Assim, os anciãos eram uma “biblioteca viva”, cujos conhecimentos não poderiam ser
esquecidos.
Sobre o conteúdo dos ensinamentos dos anciãos durante as conferências na casa dos
homens ou Casa-grande, os cronistas deram pouca atenção. Entretanto, descreveram alguns
discursos dos principais sobre o apoio aos franceses, incluindo a adesão ao batismo católico. A
tradução dos discursos era feita pelos intérpretes e os padres faziam algumas anotações. Os
religiosos, ao retornarem à França, fizeram a redação final dos textos que compuseram o livro,
utilizando-se de recursos com as anotações e as lembranças, ou seja, utilizaram-se também da
memória. Isso pode nos ajudar a entender por que as supostas falas dos anciãos apresentadas
nas obras dos viajantes em estudo são carregadas de ensinamentos bíblicos, apoio aos franceses
e vontade de serem batizados. Ou seja, a educação que recebiam dos frades capuchinhos em
especial. Não há, nos livros em análise, discursos contrários aos franceses. Sempre os padres
franceses são os melhores, são mais respeitados que os pajés, os chefes tribais e os anciãos.
Na narrativa do padre Yves d’Evreux, é possível observar que ele faz uso de sua fala
para interpretar as falas dos nativos. Um exemplo disso é quando o ancião menciona que é
preguiçoso e não consegue se levantar da rede para buscar a comida no fogão de sua própria
residência.
Marinaldo Pantoja PINHEIRO e Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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Mesmo havendo uso da fala dos cronistas para interpretar o discurso dos indígenas, os
franceses deixaram transparecer um elemento, qual seja, a admiração que nutriam aos anciãos
pelo poder da palavra que dispunham: “Não houve na companhia quem não se maravilhasse ao
ver e ouvir discorrer esse valente e venerável ancião” (Abbeville, 2008, p. 89). Evidentemente,
o discurso era favorável à presença francesa entre os nativos, pois, caso fosse contrário, talvez,
a reação fosse condenatória e não elogiosa.
Para exemplificar o que está sendo exposto, transcrevemos do livro de Claude
d’Abbeville o discurso de Japiaçu, realizado em uma reunião na Casa-grande. Este ancião era
o principal da aldeia Juniparã, a maior da ilha, e de toda a Ilha Grande. Na realidade, a
transcrição da fala desse nativo foi feita dentro dos interesses dos colonizadores, em demonstrar
o apoio da principal autoridade daquela ilha, ao projeto França Equinocial, que fora o nome
atribuído àquele lugar pelos colonizadores franceses. Assim foram transcritas as palavras de
Japiaçu pelos padres franceses na Casa-grande:
sempre fora amigo dos franceses e que neles reconhecera uma conveniência
muito mais agradável e branda do que na dos perós [portugueses] e de outros;
que sempre desejara obedecer-lhes e aceitar-lhes a proteção; por isso, muita
satisfação experimentava com a chegada deles e com a notícia de que aqui
tinham vindo para fixar residência e fazer da nação francesa e da sua uma
pátria; isso ele sempre havia desejado e protestava que jamais faltaria a
promessa feita de reconhecer a soberania do rei de França, submetendo-se às
suas leis sob a autoridade daquele que lhes era enviado para residir na terra e
defendê-la contra seus inimigos. Quanto à lei de Deus, disse que estava
infinitamente contente por ter o grande Rei de França enviado Paí e profetas
a fim de instruí-los; que de muito desejava abraçar o cristianismo como
mais de uma vez havia prometido fazê-lo ao Sr. des Vaux, principalmente
quando lhe havia pedido para regressar à França e comunicá-lo ao rei. Pois em
verdade, disse, bem sabemos que um Deus, criador da natureza, que fez o
Céu e a Terra e todas as coisas existentes. Acreditamos que esse Deus é bom
e que ele nos dá tudo o que temos e tudo o que precisamos. Mas conhecê-lo,
dizer como ele é ou como se deve servi-lo e adorá-lo é o que não sabemos.
Encontramos muitos franceses que aqui estiveram em negócio durante algum
tempo, porém, nenhum deles jamais nos ensinou qualquer coisa a esse
respeito. Esperamos agora que os Paí vindos de França no-lo ensinem; mas
lamentamos que sejam apenas quatro, pois desejávamos que fossem em maior
número para que morassem em todas as nossas aldeias e nos instruíssem
juntamente com os nossos filhos. Uma vez, porém, que isso não se pode fazer
agora, enquanto aguardamos que o morubixaba regresse à França com um dos
Paí para trazer-nos outros, desejaria que um dos que ficarem more conosco na
aldeia de Juniparã, onde lhe construiremos uma casa e junto dela uma capela.
Ficará entre as nossas cabanas e cuidaremos de sua alimentação e de dar-lhe
tudo o que for necessário. Mandar-lhe-emos nossos filhos para que sejam
instruídos; quanto a mim, entrego-lhe desde para esse fim, para que sejam
batizados e feitos filhos de Deus, os quatro que tenho. Disse, finalmente, que
desejava que os dois Paí ali em visita plantassem mais uma cruz no centro da
aldeia de Juniparã, testemunhando assim a aliança eterna com Deus, a
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promessa solene de receber o cristianismo e de renunciar a Jurupari. Os outros
principais, juntamente com os anciãos reunidos na casa dos homens,
confirmaram a resposta de Japiaçu, dizendo que estavam muito satisfeitos com
a vinda dos franceses e sobretudo dos Paí; e ainda que desejavam entregar-
lhes todos os seus filhos para serem instruídos e batizados, e assim diziam
como que num desafio uns aos outros (Abbeville, 2008, p. 117).
A transcrição do discurso atribuído a Japiaçu, o maior morubixaba do Maranhão, nos
proporciona uma visão sobre as relações entre alguns caciques da região e os franceses, bem
como a introdução do cristianismo nesse contexto. Primeiramente, é importante entendermos
que o cacique Japiaçu foi quem negociou com o sr. des Vaux, um francês que residia entre os
Tupinambá há 10 anos, a permanência e domínio francês no Maranhão. Conforme o fragmento
do discurso desse líder temporal nativo, os Tupinambá aceitariam submeter-se ao poder do rei
francês em troca de proteção contra os portugueses e a permanência do comércio com a França
para adquirirem produtos como machado, foice etc. Como na negociação inicial, a vinda dos
capuchinhos não fazia parte, pois foram convidados pela rainha Maria de Médicis somente nos
meses finais que antecederam a viagem, é bem provável que eles o tenham instruído a fazer
esses discursos, demonstrando o interesse em abandonar as suas crenças e abraçar a cristã.
Por isso, analisaremos alguns elementos do discurso do principal da Ilha do Maranhão.
Japiaçu afirma que sempre foi amigo dos franceses e que os via como uma alternativa
mais agradável e branda em comparação aos portugueses e outros grupos. Isso pode ser
interpretado como uma estratégia diplomática para se posicionar em relação aos diferentes
atores europeus que estavam disputando o controle das terras no Novo Mundo. É importante
lembrar que a América foi um cenário de intensa competição entre as potências coloniais, e as
lideranças indígenas frequentemente buscavam alianças que melhor atendessem aos seus
interesses.
Ele expressa sua vontade de se submeter à soberania do rei de França e acatar suas leis.
Essa atitude pode ser interpretada como uma tentativa de obter proteção contra os portugueses.
Também pode refletir a percepção de que os franceses poderiam oferecer melhores
oportunidades de comércio.
O discurso de Japiaçu sobre o cristianismo é complexo. Ele afirma que um Deus
criador da natureza e que desejam conhecê-lo melhor e aprender como servi-lo. Nesse ponto, o
morubixaba parece demonstrar uma abertura para a cristã e acredita que os Paí (padres)
enviados pelos franceses poderiam trazer essa instrução. Acredita-se que a disposição de
Japiaçu em entregar seus filhos para serem instruídos e batizados denota interesses políticos e
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comerciais, haja vista que se os nativos se apropriassem de elementos culturais franceses,
poderiam negociar sem intérpretes.
A menção de que desejavam renunciar a Jurupari (espírito, anjo mau ou o diabo que
perseguia os nativos), em favor do cristianismo, levanta questões sobre a assimilação cultural e
os impactos da evangelização nas crenças e práticas indígenas. A substituição ou sobreposição
de crenças tradicionais por uma religião estrangeira pode ter consequências profundas na
identidade cultural e espiritual das comunidades indígenas.
Japiaçu propõe construir uma casa e uma capela para que um dos Ppossa viver com
eles em sua aldeia e cuidariam de sua alimentação. Essa oferta de acolhimento demonstra a
disposição de estabelecer uma relação de confiança e cooperação com os missionários
franceses.
O discurso de Japiaçu revela uma dinâmica complexa de interesses políticos,
comerciais, diplomáticos e culturais entre os indígenas da região e os europeus, especificamente
os franceses. Mostra também a disposição de Japiaçu e de outros líderes indígenas em abraçar
a cristã e permitir que os missionários atuem em suas terras. No entanto, é fundamental
considerar que essas relações foram influenciadas por interesses diversos e que as
consequências da chegada dos europeus e da evangelização não foram uniformes para todas as
comunidades indígenas, variando de acordo com o contexto histórico e as ações específicas de
cada grupo colonial.
No discurso, a seguir, veremos que havia oposições ao projeto colonizador francês. Um
ancião, em uma reunião na Casa-grande, utilizando-se dos recursos da memória, expôs as
semelhanças entre os portugueses que colonizaram Pernambuco, e os franceses que se
apresentavam como a “salvação” dos Tupinambá.
Vi a chegada dos perós [portugueses] em Pernambuco e Potiú; e começaram
eles como vós, franceses, fazeis agora. De início, os perós não faziam senão
traficar sem pretenderem fixar residência. Nessa época, dormiam livremente
com as raparigas, o que os nossos companheiros de Pernambuco reputavam
grandemente honroso. Mais tarde, disseram que nos devíamos acostumar a
eles e que precisavam construir fortalezas para se defenderem, e edificar
cidades para morarem conosco. E assim parecia que desejavam que
constituíssemos uma nação. Depois, começaram a dizer que não podiam
tomar as raparigas sem mais aquela, que Deus somente lhes permitia possuí-
las por meio do casamento e que eles não podiam casar sem que elas fossem
batizadas. E para isso eram necessários Paí. Mandaram vir os Paí e estes
ergueram cruzes e principiaram a instruir os nossos e a batizá-los. Mais tarde
afirmaram que nem eles nem os Paí podiam viver sem escravos para os
servirem e por eles trabalharem. E, assim, se viram constrangidos os nossos a
fornecer-lhos. Mas não satisfeitos com os escravos capturados na guerra,
Educação e memória: Função social dos anciãos na cultura Tupinambá (1612-1614)
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quiseram também os filhos dos nossos e acabaram escravizando toda a nação;
e com tal tirania e crueldade a trataram, que os que ficaram livres foram, como
nós, forçados a deixar a região.
Assim aconteceu com os franceses. Da primeira vez que viestes aqui, vós o
fizestes somente para traficar. Como os perós, não recusáveis tomar nossas
filhas e nós nos julgávamos felizes quando elas tinham filhos. Nessa época,
não faláveis em aqui vos fixar; apenas vos contentáveis com visitar-nos uma
vez por ano, permanecendo entre nós somente durante quatro ou cinco luas.
Regressáveis então a vosso país, levando os nossos gêneros para trocá-los com
aquilo de que carecíamos. “Agora já nos falais de vos estabelecerdes aqui, de
construirdes fortalezas para defender-nos contra os nossos inimigos. Para isso,
trouxestes um Morubixaba e vários Paí. Em verdade, estamos satisfeitos, mas
os perós fizeram o mesmo.
Depois da chegada dos Paí, plantastes cruzes como os perós. Começais agora
a instruir e batizar tal qual eles fizeram; dizeis que não podeis tomar nossas
filhas senão por esposas e após terem sido batizadas. O mesmo diziam os
perós. Como estes, vós não queríeis escravos, a princípio; agora os pedis e os
quereis como eles no fim. Não creio, entretanto, que tenhais o mesmo fito que
os perós; aliás, isso não me atemoriza, pois velho como estou nada mais temo.
Digo apenas simplesmente o que vi com meus olhos (Abbeville, 2008, p. 156-
157).
A frase atribuída ao ancião, que se posicionava contra as pretensões missionárias dos
Capuchinhos no Maranhão, é uma análise crítica e perspicaz das estratégias empregadas pelos
europeus (sejam portugueses, sejam franceses) ao longo do tempo para estabelecer o controle
sobre as terras e os indígenas da região. Vamos explorar alguns pontos importantes dessa análise
a seguir.
O ancião compara a chegada dos franceses aos acontecimentos ocorridos anteriormente
com os portugueses. Ele observa que, inicialmente, os portugueses também apenas traficavam
na região sem pretensão de se estabelecerem permanentemente. Essa observação sugere uma
compreensão profunda da história local e das dinâmicas coloniais anteriores, o que lhe permite
identificar padrões e tendências semelhantes com os franceses.
Ele destaca como as ambições dos colonizadores mudaram ao longo do tempo e
menciona que, inicialmente, eles buscavam apenas o comércio e a exploração, mas,
gradualmente, passaram a construir fortalezas e cidades, desejando uma integração mais
profunda com as comunidades indígenas. Esse padrão de progressão de ambições foi visto como
um sinal de alerta, uma vez que os interesses coloniais iniciais pareciam benignos, porém, no
prolongamento do tempo, podiam se tornar mais intrusivos e prejudiciais aos Tupinambá.
O idoso apontou como a introdução do cristianismo pelos colonizadores trouxe consigo
mudanças de pensamento na cultura e nos costumes indígenas. Ele observou que os padres
franceses, assim como os portugueses, exigiam que as mulheres indígenas fossem batizadas
antes de se casarem com os colonizadores, alterando os padrões tradicionais de relacionamento
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e casamento nas comunidades indígenas. Além disso, ele destacou que os colonizadores
também passaram a exigir escravos para trabalhar para eles, o que causava opressão e crueldade
contra os indígenas. Essas mudanças culturais foram vistas como um elemento preocupante e
prejudicial para a identidade e a autonomia das comunidades locais.
O Tupinambá expressou que os franceses poderiam ainda não ter as mesmas intenções
maliciosas dos portugueses, mas ele observou que havia padrões semelhantes nas ações dos
dois grupos. Essa abordagem ponderada sugere que ele estava atento às nuances e
complexidades das relações coloniais, não generalizando todos os europeus, mas destacando
como as ações históricas podem ter repercussões nas ações futuras.
O discurso do ancião traz à tona questões importantes sobre o processo de colonização,
a assimilação cultural forçada e a exploração de recursos humanos e naturais. Ele se mostra
cético em relação às intenções dos colonizadores, com base em experiências passadas, e aponta
para a necessidade de se manter vigilante diante das mudanças que a chegada dos franceses
pode trazer para a sua comunidade. Essa perspectiva oferece uma visão importante dos efeitos
do colonialismo sobre os indígenas.
Considerações finais
As fontes documentais produzidas pelos padres Claude d’Abbeville e Yves d’Evreux
preservam a memória sobre os indígenas do Maranhão, pois apresentam registros de suas
tradições orais e práticas culturais. Além disso, mesmo que elas apresentem apenas a
interpretação de colonizadores, também permitem a compreensão da relação entre os
Tupinambá e os missionários franceses, que chegaram ao Maranhão no século XVII, podendo,
como documento, serem consideradas um lugar privilegiado da memória dos Tupinambá do
Maranhão e um registro indispensável à compreensão da cultura e da história desse importante
povo indígena.
Em geral, a educação transmitida pelos anciãos Tupinambá não era apenas um meio de
preservação da cultura, mas também um meio de fortalecimento da identidade, de coesão social,
assim como de críticas a dominação colonial. Eles alertavam a sua comunidade para não
cometerem erros conhecidos, que poderiam levar à desestruturação e domínio da aldeia.
Evidentemente, alguns caciques, por vários motivos, como: proteção, comércio, ou até mesmo
razões pessoais, poderiam fazer acordos com outros povos e países, e faziam um discurso mais
maleável as dominações externas. Os anciãos são os educadores da tradição, ensinando sobre a
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história e os valores da sua cultura, e garantindo a continuidade do conhecimento ancestral para
as gerações futuras.
A memória acumulada culturalmente garantia aos anciãos confiança no falar e escuta
respeitosa das gerações mais jovens. Por isso, ser ancião entre os povos que não conheciam a
escrita moderna era como ser uma biblioteca viva.
A reflexão sobre a importância dos anciãos Tupinambá também nos convida a pensar
sobre a forma como lidamos com os idosos em nossa própria sociedade. Será que valorizamos
suficientemente os conhecimentos e saberes acumulados pelos mais velhos? Será que os
respeitaríamos como deveríamos? Essas questões são importantes e devem ser levadas em
consideração, pois a preservação da memória e da cultura de um povo dependem, em grande
parte, do papel desempenhado pelos anciãos.
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REFERÊNCIAS
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BOSI, E. Memória de velhos: lembranças dos velhos. 3. ed. São Paulo: Companhia das
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EVREUX, Y. Viagem ao norte do Brasil: feita nos anos de 1613 a 1614. Colaboração:
Ferdinand Denis. Tradução: César Augusto Marques. São Paulo: Siciliano, 2002.
LE GOFF, J. História e memória. 2. ed. Tradução: Bernardo Leitão et al. Campinas, SP:
UNICAMP, 1992.
MENEZES, A. B. Do poder da palavra: ensaios de literatura e psicanálise. São Paulo: Duas
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VERNANT, J. P. Mito e pensamento entre os gregos. Tradução: Haiganuch Sarian. São
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ZUMTHOR, P. Tradição e Esquecimento. Tradução: Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich.
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não aplicável.
Financiamento: Não houve recursos financeiros para este trabalho.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesses por parte dos autores.
Aprovação ética: Não aplicável.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Os autores contribuíram igualmente na produção do artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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EDUCACIÓN Y MEMORIA: FUNCIÓN SOCIAL DE LOS ANCIANOS EN LA
CULTURA TUPINAMBÁ (1612-1614)
EDUCAÇÃO E MEMÓRIA: FUNÇÃO SOCIAL DOS ANCIÃOS NA CULTURA
TUPINAMBÁ (1612-1614)
EDUCATION AND MEMORY: SOCIAL FUNCTION OF ELDERS IN TUPINAMBÁ
CULTURE (1612-1614)
Marinaldo Pantoja PINHEIRO 1
e-mail: marinaldopantojapinheiro@gmail.com
Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA 2
e-mail: socorroavelino@hotmail.com
Cómo hacer referencia a este artículo:
PINHEIRO, M. P.; FRANÇA, M. P. S. G. S. A. Educación y
memoria: función social de los ancianos en la cultura Tupinambá
(1612-1614). Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024049, 2024. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18461
| Enviado en: 12/09/2023
| Revisiones requeridas en: 14/12/2023
| Aprobado el: 20/02/2024
| Publicado el: 10/04/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad del Estado de Pará (UEPA), Belém PA Brasil. Estudiante de Doctorado en Educación (UEPA).
2
Universidad del Estado de Pará (UEPA), Belém PA Brasil. Doctora en Historia, Filosofía y Educación
(Unicamp), profesora del Programa de Posgrado en Educación y del Curso de Pedagogía (UEPA).
Educación y memoria: función social de los ancianos en la cultura Tupinambá (1612-1614)
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024049, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18461 2
RESUMEN: El artículo analiza la relación entre educación, memoria y función social de los
ancianos en la cultura Tupinambá, destacando cómo esta relación contribuyó a la preservación
y transmisión de conocimientos y valores culturales de esta comunidad indígena, en el período
de 1612 a 1614. Las fuentes históricas son las crónicas de viaje de los sacerdotes Claude
d'Abbeville e Yves d'Evreux, recopiladas en las obras “Historia de la misión de los Padres
Capuchinos en la isla de Maranhão y tierras circundantes” y Viaje al norte de Brasil: realizadas
en los años 1612 a 1614”, publicados respectivamente en 1614 y 1874. A través del análisis de
referencias bibliográficas principalmente Abbeville (2008), Evreux (2002), Menezes (1995),
Vernant (1973) y Zumthor (1997), se atestiguan que los mayores contribuyeron a la
preservación de la memoria y la educación de los más jóvenes, al ser los guardianes y
transmisores de conocimientos y prácticas ancestrales.
PALABRAS CLAVE: Educación. Memoria. Ancianos Tupinambá. Transmisión de
conocimientos. Cultura tupinambá.
RESUMO: O artigo analisa a relação entre educação, memória e a função social dos anciãos
na cultura Tupinambá, destacando como essa relação contribuiu para a preservação e
transmissão de conhecimentos e valores culturais dessa comunidade indígena, no período de
1612 a 1614. As fontes históricas são as crônicas de viagens dos padres Claude d’Abbeville e
Yves d’Evreux, compiladas nas obras “História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do
Maranhão e terras circunvizinhas” e “Viagem ao norte do Brasil: feita nos anos de 1612 a
1614”, publicadas respectivamente em 1614 e 1874. Por meio de análise de referencial
bibliográfico mormente Abbeville (2008), Evreux (2002), Menezes (1995), Vernant (1973) e
Zumthor (1997), atesta-se que os anciãos contribuíram para a preservação da memória e
educação dos mais jovens, pois eram os guardiões e transmissores dos saberes e práticas
ancestrais.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Memória. Anciãos Tupinambá. Transmissão de
conhecimentos. Cultura Tupinambá.
ABSTRACT: The article analyzes the relationship between education, memory and the social
function of elders in the Tupinambá culture, highlighting how this relationship contributed to
the preservation and transmission of knowledge and cultural values of this indigenous
community, in the period from 1612 to 1614. The historical sources are the travel chronicles of
priests Claude d'Abbeville and Yves d'Evreux, compiled in the works “History of the Mission
of the Capuchin Fathers on the Island of Maranhão and surrounding lands” and “Journey to
the north of Brazil: made in the years 1612 to 1614”, published respectively in 1614 and 1874.
Through analysis of bibliographical references mainly Abbeville (2008), Evreux (2002),
Menezes (1995), Vernant (1973) and Zumthor (1997), it is attested that the elders contributed
to the preservation of the memory and education of the youngest, as they were the guardians
and transmitters of ancestral knowledge and practices.
KEYWORDS: Education. Memory. Tupinam Elders. Transmission of knowledge.
Tupinambá culture.
Marinaldo Pantoja PINHEIRO y Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024049, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18461 3
Introducción
El artículo tiene como objetivo analizar la relación entre la educación, la memoria y la
función social de los ancianos en la cultura Tupinambá, destacando cómo esta relación
contribuyó a la preservación y transmisión de conocimientos y valores culturales de esta
comunidad indígena, en los años 1612 a 1614. Metodológicamente, se trata de una investigación
histórica que tiene como fuentes las crónicas de viaje de los padres Claude d'Abbeville e Yves
d'Evreux.
La obra "Historia de la misión de los frailes capuchinos en la isla de Maranhão y sus
alrededores", escrita por Claude d'Abbeville, fue publicada en Francia en 1614. En esta
literatura se registran los primeros meses de la labor misionera y educativa de los frailes
capuchinos en Maranhão, durante el período en que Fray Claude d'Abbeville estuvo en el norte
de Brasil. El propósito de estos informes era dar a conocer las riquezas naturales de la región y
mostrar las formas de educar a los indígenas, según el colonizador. Con ello se pretendía atraer
nuevas inversiones, fomentar la migración de colonos y obtener el apoyo de la monarquía
francesa para el proyecto colonial en el norte de Brasil.
Las crónicas del fraile Yves d'Evreux fueron publicadas en portugués en 1874, con el
título "Viaje al norte de Brasil: realizado en los años de 1613 a 1614", cuya primera publicación
en francés, que no llegó a manos de los lectores franceses, es de 1615, tenía como título
traducido al portugués: "Continuación de la historia de las cosas más memorables que
sucedieron en Maranhão en los años 1613 a 1614". Esta fuente describe el proceso de educación
religiosa de las aldeas Tupinambá de la isla de Maranhão y regiones circundantes, por parte de
los Padres Capuchinos de París, vinculados a la Iglesia Católica.
Los pueblos Tupinambá, que residían en estas regiones, fueron colonizados por los
franceses entre 1612 y 1615; Cuando fueron expulsados por los portugueses, el proceso de
colonización continuó de manera más aguda, provocando el exterminio de los indígenas.
Los pueblos indígenas no sabían escribir y tenían en su memoria el poder de mantener
sus recuerdos y logros cultivados en su vida cotidiana. La función social de recordar pertenecía
a los ancianos, lo que les proporcionaba un papel educativo en la sociedad. La memoria delegó
en los ancianos la función de guardianes de la tradición, de la ancestralidad, que les daba
protagonismo social en sus etnias.
De acuerdo con Le Goff (1992), el concepto de memoria sólo puede ser entendido a
través de la comprensión de su desarrollo histórico, que atraviesa cinco períodos: 1) la memoria
étnica en sociedades sin el dominio de la escritura moderna; 2) de la oralidad a la escritura
Educación y memoria: función social de los ancianos en la cultura Tupinambá (1612-1614)
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(desde la aparición de nuestros antepasados hasta la Edad Antigua; 3) la memoria oral y escrita
en equilibrio (Edad Media); 4) avances en la memoria escrita (Edad Moderna y
Contemporánea); y 5) el progreso de la memoria en la actualidad. De estos, tomaremos como
referencia el primer y segundo período histórico de la memoria, que fueron los vividos por los
indígenas de Maranhão, en el norte de Brasil.
Según el autor, en las sociedades sin escritura moderna, la memoria colectiva se basaba
en grupos étnicos o familiares, cuya valorización se basaba en mitos de origen y conocimientos
prácticos, técnicos y profesionales. La memoria funcionaba como un elemento de poder, que
otorgaba autoridad a quienes tenían el dominio de la palabra, y al mismo tiempo pretendía
justificar el poder y el prestigio de las familias tradicionales. En esas sociedades, los recuerdos
eran guardados por los guardianes o especialistas en memoria, personajes que también se
encuentran entre los Tupinambá de Maranhão. Entre estos nativos, esta función era ocupada por
los ancianos de la tribu, especialmente los hombres. Después de cumplir 40 años, el anciano
trabajaba cuando le apetecía, por lo que tuvo tiempo para dedicarse a las funciones sociales en
la Casa Grande, donde se encargaban de recordar el pasado ancestral y glorioso de su etnia: "se
le escucha con todo el silencio en la casa grande, habla grave y despacio, utilizando gestos que
explican bien lo que quiere decir, y el sentimiento con el que habla" (Evreux, 2002, p. 131,
nuestra traducción). La Casa Grande, para el padre Yves d'Evreux, era el lugar de reunión, el
parlamento, el lugar de las decisiones más importantes de la tribu, donde los principales
(príncipes), los ancianos y los demás hombres de la aldea, se reunían para instruir a los guerreros
sobre la paz y la guerra. La Casa Grande era también el lugar de escucha, donde los ancianos
mantenían viva la memoria de los antepasados y las tradiciones del pueblo, es decir, la Casa
Grande era también un lugar de aprendizaje y del poder creativo de la memoria al servicio de
la comunidad.
La segunda fase del desarrollo de la memoria es denominada por Le Goff (1992) como
"oralidad a la escritura", y comprende el período de la aparición de los primeros homínidos, la
invención de la escritura y la Edad Antigua. Durante este período, según el autor, coexistieron
dos tipos de memoria: la conmemorativa y la escrita. La conmemoración es la memoria que se
guarda en monumentos conmemorativos como estelas y obeliscos. Los monumentos se
utilizaban para registrar algún acontecimiento considerado importante para esa nación y se
idealizaban a partir de alegorías con pocas inscripciones, con el objetivo de ser leídos y
comprendidos por la población, especialmente por los analfabetos. Además de la
conmemoración, también aparecen documentos escritos para registrar y guardar como memoria
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nacional la historia de los héroes y sus hazañas. La diferencia es que los documentos escritos
pretendían llegar a un público selecto y elitista, aquellos que formaban parte de la ciudad de los
letrados.
Los Tupinambá de la isla de Maranhão en el siglo XVII conocían el monumento y
algunos conocían la escritura a través de los franceses. Como monumento, podemos mencionar
la cruz de madera que fue erigida en el centro de los pueblos por los misioneros y la escritura
representada por una especie de catecismo bilingüe en francés y tupinambá, cuya finalidad era
la memorización de la doctrina cristiana para que los nativos pudieran ser bautizados por los
sacerdotes. Evreux (2002, p. 254, nuestra traducción) señala que, en la Casa-Grande, el lugar
de la palabra, los ancianos decían que los sacerdotes franceses enseñaban a sus hijos "a cotiarer
(a escribir) y a hacer que el papere (el papel) enviado desde lejos hable a los ausentes". La cruz
plantada en Maranhão encaja en el tipo de memoria conmemorativa, porque, según las
enseñanzas católicas, es la memoria del poder de Dios sobre la muerte. Sigue siendo el culto a
un héroe que ha vencido a la muerte. Es una especie de monumento que también lleva breves
inscripciones: INRI (Jesús de Nazaret, el Rey de los Judíos).
Los trabajos analizados en este artículo brindan información sobre la vida cotidiana de
los pueblos Tupinambá, así como sobre la flora y fauna de la región, entre otras cosas. Los
nativos de Maranhão son presentados como aquellos que tenían el poder de hacer hablar al
periódico, demostrando cierta superioridad con relación a los ancianos, los hombres de la
memoria. Es como si la diosa griega Mnemosyne, desconocida para los nativos del norte de
Brasil, tuviera ahora un competidor, el "papel de hablante", demostrando la magia del Dios
cristiano que instruía a los religiosos.
El dominio de la escritura delegó en los franceses la posibilidad de registrar en papel la
memoria cotidiana del viaje realizado a Maranhão entre 1612 y 1614. El control de la escritura
hizo posible que los franceses dieran a conocer su versión del encuentro con el nativo. Pero
Mnemósine no se dejó vencer y mantuvo vivos los fragmentos de los discursos de los ancianos
tupinambá entre las líneas de los registros de Claude d'Abbeville e Yves de Evreux.
El estudio es el resultado de una investigación más amplia sobre la presencia y la
actividad de los religiosos capuchinos en el norte de Brasil en el siglo XVII, con el objetivo de
comprender el proceso educativo y los intercambios culturales resultantes de esta relación.
Este texto comprende esta introducción en la que abordamos el objetivo, el tipo de
investigación, las fuentes de investigación y la importancia de la memoria en las sociedades
indígenas; luego, se exponen tres temas: en el primero, "La fuente como lugar de memoria",
Educación y memoria: función social de los ancianos en la cultura Tupinambá (1612-1614)
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presentamos las obras de Claude d'Abbeville e Yves d'Evreux como lugar de memoria de los
Tupinambá y los Capuchinos en Maranhão. En el segundo, "La función educativa de la memoria
en la sociedad tupinambá", destacamos el rol educativo, posibilitado por la transmisión de
valores culturales a los más jóvenes. Y en el tercer tema, "Ancianos Tupinambá: Educadores de
la Tradición", describimos a los ancianos como educadores de la tradición que, a través de las
memorias ancestrales, transmiten valores a las generaciones más jóvenes. En las
consideraciones finales, presentamos los resultados de la investigación, destacando que, a
través de los ancianos, la memoria jugó un papel único en el proceso educativo de las
comunidades Tupinambá de Maranhão, permitiendo el mantenimiento de las tradiciones y
costumbres entre estos pueblos.
La fuente como lugar de memoria
Según Zumthor (1997), los viajeros europeos, al menos hasta el siglo XVII, se dedicaron
a preservar y perpetuar la memoria, que se cultivaba a partir de imágenes idealizadas. Este celo
por preservar y perpetuar la memoria es perceptible en las obras de los misioneros capuchinos
Claude d'Abbeville e Yves d'Evreux, "Historia de la misión de los frailes capuchinos en la isla
de Maranhão y sus alrededores", de 1614, y "Viaje al norte de Brasil: realizado en los años de
1613 a 1614", de 1874, respectivamente. Estas fuentes documentales permiten a la
investigadora comprender la cultura, la memoria y los procesos educativos de los Tupinambá
de Maranhão y de las tierras circundantes, como Tapuitapera, el río Mearim, el Comã, el Caetés
y el río Pará.
La crónica de viaje del padre Claude d'Abbeville consta de más de 300 páginas, que
varían según la edición, y está organizada en 62 capítulos, además de contener tres cartas sobre
Maranhão escritas por Yves d'Evreux, Arsenio de París y el Sr. Louis de Pézieux. El padre
Claude d'Abbeville narra, inicialmente, los preparativos y el viaje para llegar a la isla de
Maranhão; luego relata sus visitas a los pueblos de la isla, acompañado por el señor de Razilly,
su hermano Launay, el intérprete de Vaux, y algunos indios.
Durante estas visitas, los principales líderes de las aldeas fueron persuadidos para que
aceptaran la fe presentada por los sacerdotes y la protección del rey de Francia. En
consecuencia, se erigieron cruces en el centro de los pueblos como símbolo de esta aceptación.
El autor también describe la región de Maranhão y su población, incluyendo las costumbres y
creencias de los Tupinambá, así como la flora, la fauna y el clima de la región, destacando la
abundancia de alimentos disponibles.
Marinaldo Pantoja PINHEIRO y Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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Los últimos capítulos narran el viaje de regreso a Francia, en el que el fraile llevó
consigo a siete indígenas, seis embajadores tupinambás y un esclavo Tapuia. La mayoría de los
embajadores eran hijos de los principales jefes de las aldeas más grandes de Maranhão y de la
región. Desafortunadamente, tres de ellos murieron, posiblemente de tuberculosis, mientras que
los otros tres regresaron a Maranhão después de ser bautizados y casados con mujeres francesas,
adaptándose al proyecto de colonización.
La literatura, producida por el padre Yves d'Evreux, está estructurada en dos tratados
(temporal y espiritual), en los que el religioso describe sus experiencias con los Tupinambá en
Maranhão, en el norte de Brasil. El primer tratado, el religioso, trata principalmente de las
costumbres y prácticas corporales de los nativos, destacando en tres capítulos la educación
como acto civilizatorio. El autor argumenta que es posible "civilizar a los salvajes" y enseñarles
oficios europeos. En los siguientes capítulos, describe la educación practicada por los indios,
enfatizando el orden, el respeto y las relaciones entre los miembros de la tribu. El diálogo
ficticio presente al final del tratado tiene como objetivo demostrar la adaptación de los franceses
en la región, buscando atraer nuevos partidarios, financieros e inmigrantes al proyecto
colonizador llamado "Nueva Francia" o Francia Equinoccial.
En el segundo tratado, el fraile capuchino se dedica más al contenido espiritual,
relatando las conversiones de los nativos y los modelos de conversión aplicables a los niños, a
los enfermos, a los ancianos y a los adultos. La forma de educar, creada o adaptada por los
capuchinos, incluye la creación de un manual bilingüe tupí-francés, fundamental para la
comunicación y el aprendizaje. La doctrina cristiana debía ser enseñada en tupí y francés, y
recitada de memoria antes del bautismo. El autor argumenta que los Tupinambá tenían una
creencia natural en Dios, lo que facilitó el proceso de catequesis. En los últimos capítulos, el
autor muestra los frutos de su práctica educativa, destacando la conversión de los líderes
políticos y religiosos, lo que facilitó la educación de la tribu. El fraile capuchino destaca la
importancia de los líderes religiosos, como Pacamão, que reconocieron la autoridad de los
capuchinos y sus conocimientos, lo que facilitó la difusión de la doctrina cristiana.
Los libros de Claude d'Abbeville e Yves d'Evreux son fuentes documentales necesarias
para comprender la historia de la colonización francesa en Maranhão y para estudiar la cultura
de los pueblos Tupinambá. Además, las obras representan lugares de memoria que preservan y
transmiten información sobre la vida y educación de los pueblos indígenas y misioneros
capuchinos de principios del siglo XVII.
Educación y memoria: función social de los ancianos en la cultura Tupinambá (1612-1614)
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El concepto de "lugar de memoria" fue acuñado por el historiador francés Pierre Nora,
en su obra "Les Lieux de Mémoire", publicada en París en 1984. La versión en portugués,
titulada "Los lugares de la memoria", se publicó en 1993, con una reedición en 2015. La obra
es reconocida como una importante contribución a los estudios sobre la memoria y la historia,
proporcionando un análisis detallado de los lugares, símbolos y rituales que forman la memoria
colectiva en diversas sociedades. La autora sostiene que estos lugares se construyen
intencionalmente para preservar la memoria y la identidad cultural, transformándose en
"lugares de memoria" que funcionan como puntos de referencia para las generaciones futuras
(Nora, 1993).
Podemos considerar como lugares de memoria: objetos, libros, fotografías, edificios,
entre otros. Así, una fuente documental puede ser considerada un lugar de memoria cuando
adquiere un valor simbólico para la comprensión de un acontecimiento, época o tradición
cultural.
Las obras de Claude d'Abbeville e Yves d'Evreux se ajustan a este perfil, ya que
comprenden relatos específicos de culturas indígenas en peligro de extinción, lo que permite
comprender la formación misma de la sociedad brasileña. Las obras estudiadas son referencias
sobre las culturas de los indígenas de Maranhão entre los años 1612 y 1614, y también sacan a
la luz la función educativa de la memoria entre los pueblos indígenas. A esta última afirmación
profundizaremos en el siguiente tema.
La función educativa de la memoria en la sociedad tupinambá
Cuando hablamos de memoria, nos referimos a la capacidad de memorizar que ha sido
sumamente valorada y admirada a lo largo de la historia. Veamos algunos casos.
En la Antigua Grecia (siglos XVII y VIII a.C.), por ejemplo, se rendía culto a la memoria
como la diosa Mnemósine, encargada de hacer recordar a los seres humanos. Esta divinidad
concedió a los mortales el "poder de la memoria [...] para traer a colación los 'recuerdos de los
logros'. A esta deidad se le delegó la función de presidir la poética, cuya habilidad se inspiró en
esta diosa. El don de la poesía era, por lo tanto, sobrenatural (Vernant, 1973, p. 136, nuestra
traducción).
La memoria, adorada como divinidad por los griegos, empoderó a hombres y mujeres,
otorgándoles el poder de la palabra. Desde el griego aedos, que recitaba poemas inspirados en
las musas, hasta Sheherazade, la tejedora de la historia: ambos narradores e inspirados por el
poder sobrenatural de la palabra.
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La memoria de la legendaria Sheherazade es impresionante por su capacidad para
almacenar no menos de 1001 historias contadas cada noche a su esposo, el sultán Shariar.
Decidió casarse con el sultán para proteger a las jóvenes vírgenes que debían casarse por ley
con el soberano al anochecer y al amanecer ser asesinadas. La ley estaba destinada a preservar
la fidelidad femenina. Con cada narración nocturna, la joven tejedora de la historia conserva
intacto, al amanecer de un nuevo día, el final de la narración, despertando la curiosidad del
sultán, que la mantuvo viva para concluir la historia la noche siguiente, lo que no sucedió hasta
1001 noches, cuando, finalmente, el poder de la memoria rompe el corazón apedreado del sultán
que decidió abolir la ley que decretaba la pena de muerte para sus esposas (Menezes, 1995).
El padre Evreux también estaba asombrado por la capacidad de memorización de los
ancianos tupinambá, ya que recordaban cilmente lo que habían experimentado u oído, y a
menudo narraban las tradiciones y hechos de sus antepasados. Tenían muy buena memoria y
estaban muy contentos de recordar todo lo que habían vivido y escuchado, incluyendo todas las
circunstancias del lugar, el tiempo y las personas involucradas: "En cuanto a la memoria la
tienen muy feliz, porque siempre recuerdan lo que vieron y escucharon, con todas las
circunstancias del lugar, el tiempo, la gente" (Evreux, 2002, p. 121, nuestra traducción). Las
habilidades cognitivas de los ancianos les permitieron retener información específica y usarla
de manera eficiente. La capacidad de su memoria fue útil en diversas situaciones, especialmente
cuando se trataba de ayudar a educar a la sociedad en la toma de decisiones, la resolución de
problemas y la comunicación efectiva.
Según Evreux (2002), la memoria juega un papel fundamental en el mantenimiento de
la tradición y los valores sociales, así como en el respeto a las costumbres, siendo responsable
de mantener y conservar lo conocido y aprendido. Así, según el mismo sacerdote, para los
Tupinambá, la memoria era un elemento central en la construcción de su identidad cultural y
en la transmisión de sus valores y conocimientos de generación en generación.
Zumthor (1997) sostiene que los grupos sociales se guían por valores que determinan
qué fragmentos de memoria deben ser recordados u olvidados. Si bien el deseo de olvidar puede
rechazar el recuerdo, nunca se elimina por completo. La memoria es selectiva y actualiza el
pasado con los fragmentos más significativos y útiles para mantener o empoderar a un
determinado grupo social. El recuerdo heroico de los antepasados, para Zumthor (1997),
permite al poeta superar la inercia de las memorias individuales y el olvido colectivo en un
mundo predominantemente oral. El olvido también es un elemento creativo, ya que cuando el
poeta olvida una parte del poema, entra en juego la creatividad para contextualizarlo a través
Educación y memoria: función social de los ancianos en la cultura Tupinambá (1612-1614)
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del lugar del habla. En consecuencia, el olvido es uno de los fundamentos de la ficción en los
niveles imaginario y discursivo.
Como observa Zumthor (1997), podemos decir que los Tupinambá seleccionan y
actualizan los fragmentos de su memoria que fueron significativos y útiles para mantener y
empoderar a su grupo social. Los recuerdos heroicos de sus antepasados permitieron a los
Tupinambá mantener su identidad cultural y reforzar sus valores comunitarios. Además, el
olvido también era importante, ya que permitía a los Tupinambá actualizar y recrear sus
tradiciones de acuerdo con los cambios en su entorno y sociedad.
El papel de la memoria en la cultura Tupinambá también resalta el aspecto creativo
destacado por Zumthor (1997). Al transmitir sus historias y rituales, los Tupinambá fueron
capaces de contextualizarlos y adaptarlos a su lugar de habla, incorporando nuevas experiencias
e influencias. De esta manera, la memoria fue un elemento vital en la construcción de la
identidad cultural y en la constante renovación de las tradiciones de estos pueblos indígenas.
Los Tupinambá de Maranhão tenían una rica tradición cultural que se transmitía a través
de la memoria colectiva. A través de la oralidad, los cuentos, mitos y leyendas se transmitían
de generación en generación, y así mantenían vivas las tradiciones y costumbres de sus pueblos.
Esta tradición oral era una forma dinámica de memoria, como la describe Bosi (1994), que no
es estacionaria en el pasado, sino que se reconstruye continuamente a través de las memorias
del presente.
Por lo tanto, para los Tupinambá, los recuerdos no eran solo relatos del pasado, sino
experiencias aún presentes en la sociedad, siendo una forma de conectarse con los ancestros y
la naturaleza, y de comprender la importancia de la armonía y el equilibrio entre los seres
humanos y el medio ambiente.
En esta cultura, las memorias tenían el papel de educar, a través de la transmisión de
valores culturales a los más jóvenes, tales como: tradiciones, costumbres y creencias. A través
de las historias contadas por sus mayores, los jóvenes aprendieron a respetar y valorar la
naturaleza, a comprender la importancia de la colectividad y el liderazgo compartido, y a
mantener viva la cultura y la historia de su pueblo.
Además, las memorias también eran una forma de enseñar habilidades prácticas como:
la caza, la pesca, la agricultura y el arte de tejer. A través de las historias y experiencias
compartidas por los mayores, los jóvenes aprendieron a utilizar los recursos naturales de manera
sostenible y preservar los conocimientos ancestrales.
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Las memorias empoderaron a los ancianos Tupinambá y les delegaron el papel de
educadores de la tradición. Esto es lo que nos proponemos discutir en el siguiente tema.
Ancianos Tupinambá: Educadores de la Tradición
Los Ancianos Tupinambá fueron figuras centrales en la transmisión de la tradición
cultural de los Tupinambá del norte de Brasil. Como educadores, eran poseedores de
conocimientos ancestrales y respetados por sus experiencias de vida. A través de sus historias,
rituales y prácticas cotidianas, los ancianos transmitieron los valores de la cultura Tupinambá a
las generaciones más jóvenes, asegurando así su continuidad por generaciones. En este
contexto, es importante destacar el papel fundamental que jugaron estos ancianos como
guardianes de la memoria y la identidad cultural del pueblo Tupinambá. Poseedores de la
sabiduría acumulada, los antiguos Tupinambá desempeñaron un papel fundamental en la
educación, contribuyendo a la formación de valores culturales y morales en sus comunidades.
Según Evreux (2002, p. 131, nuestra traducción), en la cultura Tupinambá, un hombre
alcanzaba la etapa de anciano a partir de los 40 años, que era considerada la fase más honorable
y "rodeada de respeto y veneración, especialmente para los soldados valientes y los capitanes
prudentes". Durante esta fase, los Tupinambá eran libres de trabajar cuando les apetecía
3
. Se le
escuchaba en silencio en la Casa Grande y hablaba de manera seria y pausada, con gestos que
transmitían claramente el significado de sus palabras y el sentimiento con el que hablaba, como
lo describe el sacerdote: "Todos le responden con dulzura y respeto, y los jóvenes lo escuchan
atentamente" (Evreux, 2002, p. 131, nuestra traducción).
El propio sacerdote no dejó de manifestar su admiración por los ancianos,
considerándolos transmisores de las tradiciones de los Tupinambá. Según Evreux, los ancianos
eran considerados guardianes de la memoria y la tradición, tenían la costumbre de contar, frente
a los más jóvenes, la historia de sus antepasados y lo que sucedió en su tiempo. Estas
narraciones se llevaban a cabo en la Casa Grande o en casas particulares, siempre invitando a
la gente a escuchar la historia. Contar historias era un hábito educativo, porque cuando los
visitaban, se abrazaban con amistad y se contaban, palabra por palabra, quiénes eran sus abuelos
y antepasados, y qué sucedía en la época en que vivieron (Evreux, 2002). De esta manera, se
mantuvo la tradición oral y se preservó la historia del pueblo. La práctica también demostró el
3
La cultura del anciano tupinambá, de trabajar cuando le apetece, fue incomprendida por los misioneros franceses,
especialmente por el padre Yves de Evreux, quien lo tildó de "extremadamente perezoso" (Evreux, 2002, p. 124).
Educación y memoria: función social de los ancianos en la cultura Tupinambá (1612-1614)
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valor de la memoria y la importancia de la conexión entre generaciones, fortaleciendo los lazos
sociales y culturales de los Tupinambá.
De acuerdo con el texto, se puede ver que la Casa Grande y algunas residencias eran
algunos lugares educativos en el pueblo, donde el anciano ejercía su función social. En ellas,
los jefes de las aldeas, los ancianos y las autoridades francesas, descansaban en sus hamacas
fumando pipas y conversando de igual a igual. Allí, hablaban entre ellos y educaban a los demás
miembros de la tribu que venían a escucharlos. Así, la Casagrande era el salón del Tupinambá,
el lugar de discurso donde las autoridades, incluidos los sacerdotes capuchinos, pronunciaban:
"Pronunciaba este y otros discursos similares, y luego, recorriendo la isla, en cada pueblo los
repetía en la Casa grande". También era el lugar donde se resolvían los problemas de la tribu:
"Al llegar, los principales y los ancianos se reunían en la Casa Grande [...], para resolver el
asunto" (Evreux, 2002, p. 57-138-224, nuestra traducción).
La Casa Grande era el principal lugar de discurso, donde los ancianos eran escuchados
atentamente y en silencio: "Cuando pienso que soy hijo de uno de los grandes de mi tierra, que
mi padre es un hombre temido, que todos lo rodeaban para escucharlo cuando iba a la Casa
Grande" (Evreux, 2002, p. 53, nuestra traducción). En este fragmento, un indígena esclavizado
por la tribu enemiga recordaba a su padre como un hombre importante, porque era escuchado
en la Casa Grande.
Aquí se puede ver la promoción de algunos valores educativos por parte de los mayores,
como la importancia de escuchar atentamente, guardar silencio y mostrar respeto por las
personas mayores. En esta cultura, la palabra era considerada sagrada, porque era a través de
ella que se establecía la comunicación con los espíritus y dioses. Además, la palabra era un
instrumento de poder y liderazgo, ya que era a través de ella que los líderes políticos y religiosos
se comunicaban con la comunidad y tomaban decisiones importantes. Así, la palabra se
utilizaba en diferentes contextos: en cuentos, cantos, danzas, rituales y ceremonias.
El proceso educativo promovido por los mayores se realizaba repitiendo cuentos a los
jóvenes, para que los memorizaran, y ellos hicieran lo mismo cuando se hicieran mayores.
Porque si estas historias no se contaran una y otra vez, serían enterradas con el anciano. Así, los
ancianos eran una "biblioteca viviente" cuyo conocimiento no podía ser olvidado.
Sobre el contenido de las enseñanzas de los ancianos durante las conferencias en la casa
de los hombres o Casa Grande, los cronistas prestaron poca atención. Sin embargo, describieron
algunos de los principales discursos sobre el apoyo a los franceses, incluida la adhesión al
bautismo católico. La traducción de los discursos fue hecha por los intérpretes y los sacerdotes
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tomaron algunas notas. Los religiosos, a su regreso a Francia, realizaban la escritura final de
los textos que componían el libro, utilizando recursos como apuntes y memorias, es decir,
también utilizaban la memoria. Esto puede ayudarnos a entender por qué las supuestas
declaraciones de los ancianos presentadas en las obras de los viajeros que se estudian están
cargadas de enseñanzas bíblicas, apoyo a los franceses y un deseo de ser bautizados. Es decir,
la educación que recibieron de los frailes capuchinos en particular. No hay discursos en los
libros analizados que sean contrarios a los franceses. Los sacerdotes franceses son siempre los
mejores, son más respetados que los chamanes, los jefes tribales y los ancianos.
En la narración del padre Yves d'Evreux, es posible observar que hace uso de su discurso
para interpretar los discursos de los nativos. Un ejemplo de esto es cuando el anciano menciona
que es perezoso y no puede levantarse de la hamaca para buscar comida de la estufa en su propia
residencia.
A pesar de que el discurso de los cronistas se utilizaba para interpretar el discurso de los
nativos, un elemento que los franceses dejaron en evidencia, es decir, la admiración que sentían
por los ancianos por el poder de la palabra que tenían: "No había nadie en la compañía que no
se asombrara al ver y escuchar hablar a este valiente y venerable anciano" (Abbeville, 2008, p.
89, nuestra traducción). Evidentemente, el discurso fue favorable a la presencia francesa entre
los nativos, pues si no fuera así, tal vez la reacción hubiera sido condenatoria más que
halagadora.
Para ejemplificar lo que se está exponiendo, transcribimos del libro de Claude
d'Abbeville el discurso de Japiaçu, pronunciado en una reunión en la Casagrande. Este anciano
era el principal de la aldea de Juniparã, la más grande de la isla, y de toda la Ilha Grande. De
hecho, la transcripción del discurso de este indígena se hizo dentro de los intereses de los
colonizadores, en demostrar el apoyo de la principal autoridad de esa isla, al proyecto de la
Francia Equinoccial, que fue el nombre que dieron a ese lugar los colonizadores franceses. Así
fueron transcritas las palabras de Japiaçu por los sacerdotes franceses en la Casa Grande:
siempre había sido amigo de los franceses, y que había reconocido en ellos
una conveniencia mucho más agradable y apacible que en la de los pereños
[portugueses] y otros; que siempre había deseado obedecerlos y aceptar su
protección; Por lo tanto, estaba muy contento con su llegada y con la noticia
de que habían venido aquí a fijar su residencia y a hacer de la nación francesa
y de su país una sola cosa; Esto lo había deseado siempre, y protestó que nunca
faltaría a la promesa hecha de reconocer la soberanía del rey de Francia,
sometiéndose a sus leyes bajo la autoridad de aquel que les fue enviado para
residir en la tierra y defenderla contra sus enemigos. En cuanto a la ley de
Dios, dijo que estaba infinitamente contento de que el gran rey de Francia
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hubiera enviado pali y profetas para instruirlos; que hacía mucho tiempo que
deseaba abrazar el cristianismo, ya que más de una vez se lo había prometido
al señor des Vaux, especialmente cuando le había pedido que volviera a
Francia y se lo comunicara al rey. Porque, en verdad, dijo, sabemos bien que
hay un solo Dios, el creador de la naturaleza, que hizo el cielo y la tierra y
todas las cosas que existen. Creemos que este Dios es bueno y que nos da todo
lo que tenemos y todo lo que necesitamos. Pero conocerlo, decirle cómo es o
cómo servirlo y adorarlo es lo que no sabemos. Conocimos a muchos
franceses que estaban en el negocio aquí durante algún tiempo, pero ninguno
de ellos nos enseñó nada al respecto. Ahora esperamos que el País que viene
de Francia nos enseñe esto; Pero lamentamos que sólo sean cuatro, porque nos
gustaría que fueran más, para que vivieran en todas nuestras aldeas y nos
instruyeran junto con nuestros hijos. Sin embargo, como esto no se puede
hacer ahora, mientras esperamos que los Morubixaba regresen a Francia con
uno de los Paí para que nos traiga otros, me gustaría que uno de los que quedan
viva con nosotros en la aldea de Juniparã, donde le construiremos una casa y
junto a ella una capilla. Te alojarás entre nuestras cabañas y nosotros nos
encargaremos de tu comida y te daremos todo lo que necesites. Le enviaremos
a nuestros hijos para que los instruya; En cuanto a mí, os lo doy ahora para
esto, para que los cuatro que tengo sean bautizados y lleguen a ser hijos de
Dios. Por último, dijo que quería que los dos Paí visitantes plantaran otra cruz
en el centro de la aldea de Juniparã, testimoniando así la alianza eterna con
Dios, la promesa solemne de recibir el cristianismo y renunciar a Jurupari. Los
demás directores, junto con los ancianos reunidos en la casa de los hombres,
confirmaron la respuesta de Japiaçu, diciendo que estaban muy contentos con
la llegada de los franceses y especialmente de los Paí; y, sin embargo, que
deseaban darles a todos sus hijos para que fueran instruidos y bautizados, y
así lo dijeron como si se desafiaran unos a otros (Abbeville, 2008, p. 117,
nuestra traducción).
La transcripción del discurso atribuido a Japiaçu, el mayor Morubixaba de Maranhão,
nos permite conocer las relaciones entre algunos caciques de la región y los franceses, así como
la introducción del cristianismo en este contexto. En primer lugar, es importante entender que
el cacique Japiaçu fue quien negoció con el Sr. des Vaux, un francés que había vivido entre los
Tupinambá durante 10 años, la permanencia y dominación francesa en Maranhão. Según el
fragmento del discurso de este caudillo temporal nativo, los tupinambás aceptarían someterse
al poder del rey francés a cambio de protección frente a los portugueses y la permanencia del
comercio con Francia para adquirir productos como hachas, hoces, etc. Al igual que en la
negociación inicial, la llegada de los capuchinos no formaba parte de ella, ya que fueron
invitados por la reina María de Médicis solo en los últimos meses antes del viaje, es muy
probable que le encargaran hacer estos discursos, demostrando su interés en abandonar sus
creencias y abrazar la cristiana. Por lo tanto, analizaremos algunos elementos del habla de los
principales de la Isla de Maranhão.
Japiaçu dice que siempre ha sido amigo de los franceses y que los veía como una
alternativa más agradable e indulgente que los portugueses y otros grupos. Esto puede
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interpretarse como una estrategia diplomática para posicionarse en relación con los diferentes
actores europeos que se disputaban el control de las tierras en el Nuevo Mundo. Es importante
recordar que América fue escenario de una intensa competencia entre las potencias coloniales,
y los líderes indígenas a menudo buscaron alianzas que sirvieran mejor a sus intereses.
Expresa su voluntad de someterse a la soberanía del rey de Francia y acatar sus leyes.
Esta actitud puede interpretarse como un intento de obtener protección de los portugueses.
También puede reflejar la percepción de que los franceses podrían ofrecer mejores
oportunidades comerciales.
El discurso de Japiaçu sobre el cristianismo es complejo. Afirma que hay un Dios que
es el creador de la naturaleza y que quieren conocerlo mejor y aprender a servirle. En este punto,
el Morubixaba parece demostrar una apertura a la fe cristiana y cree que los P(sacerdotes)
enviados por los franceses podrían traer esta instrucción. Se cree que la disposición de Japiaçu
a entregar a sus hijos para ser instruidos y bautizados denota intereses políticos y comerciales,
ya que, si los nativos se apropiaban de elementos culturales franceses, podían negociar sin
intérpretes.
La mención de que deseaban renunciar al Jurupari (espíritu, ángel maligno o el diablo
que perseguía a los nativos), en favor del cristianismo, plantea preguntas sobre la asimilación
cultural y los impactos de la evangelización en las creencias y prácticas indígenas. La
sustitución o superposición de creencias tradicionales por una religión extranjera puede tener
profundas consecuencias en la identidad cultural y espiritual de las comunidades indígenas.
Japiaçu propone construir una casa y una capilla para que uno de los Paí pueda vivir con
ellos en su aldea y ellos se ocupen de su alimentación. Esta oferta de acogida demuestra la
voluntad de establecer una relación de confianza y cooperación con los misioneros franceses.
El discurso de Japiaçu revela una compleja dinámica de intereses políticos, comerciales,
diplomáticos y culturales entre los indígenas de la región y los europeos, específicamente los
franceses. También muestra la voluntad de Japiaçu y otros líderes indígenas de abrazar la fe
cristiana y permitir que los misioneros trabajen en sus tierras. Sin embargo, es fundamental
considerar que estas relaciones estuvieron influenciadas por intereses diversos y que las
consecuencias de la llegada de los europeos y la evangelización no fueron uniformes para todas
las comunidades indígenas, variando según el contexto histórico y las acciones específicas de
cada grupo colonial.
En el siguiente discurso, veremos que hubo oposiciones al proyecto colonizador francés.
Un anciano, en una reunión en la Casa Grande, utilizando los recursos de la memoria, expuso
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las similitudes entre los portugueses que colonizaron Pernambuco, y los franceses que se
presentaban como la "salvación" de los Tupinambá.
Vi la llegada de los perós [portugueses] a Pernambuco y Potiú; Y empezaron
como lo hacen ahora ustedes, los franceses. Al principio, los perós no hacían
más que traficar sin intención de fijar su residencia. En aquella época, dormían
libremente con las muchachas, lo que nuestros camaradas de Pernambuco
consideraban muy honorable. Más tarde, dijeron que debíamos
acostumbrarnos a ellos y que necesitábamos construir fortalezas para
defenderse y construir ciudades para vivir con nosotros. Y así parecía que
querían que fuéramos una sola nación. Entonces comenzaron a decir que no
podían llevarse a las niñas sin más, que Dios solo les permitía poseerlas por
matrimonio, y que no podían casarse sin que fueran bautizadas. Y para eso,
Pai. Mandaron llamar a los Paí, y levantaron cruces y comenzaron a
instruirnos y bautizarnos. Más tarde afirmaron que ni ellos ni los Paí podían
vivir sin esclavos que les sirvieran y trabajaran para ellos. Y así nuestra gente
se vio obligada a proveerlos. Pero no satisfechos con los esclavos capturados
en la guerra, también querían a los hijos nuestros y terminaron esclavizando a
toda la nación; y con tal tiranía y crueldad la trataron, que los que quedaron
libres se vieron, como nosotros, obligados a abandonar la región.
Lo mismo ocurrcon los franceses. La primera vez que viniste aquí, lo hiciste
solo para el tráfico. Al igual que los perós, no se negaron a llevarse a nuestras
hijas y pensamos que éramos felices cuando tuvieron hijos. En ese momento
no hablabas de establecerte aquí; Os contentáis con visitarnos sólo una vez al
año, permaneciendo entre nosotros sólo cuatro o cinco lunas. Luego regresaste
a tu país, tomando nuestros alimentos para cambiarlos por lo que
necesitábamos. "Ahora nos hablas de establecernos aquí, de construir
fortalezas para defendernos de nuestros enemigos. Para ello, trajiste un
Morubixaba y varios Paí. Es cierto que estamos satisfechos, pero los perós
hicieron lo mismo.
Después de la llegada del Paí, se plantaron cruces como el perós. Ahora
comienzas a instruir y bautizar como ellos lo hicieron; Dices que no puedes
tomar a nuestras hijas sino como esposas y después de que hayan sido
bautizadas. Así lo decían los perós. Al igual que estos, al principio no querías
esclavos; Ahora los pides y los quieres como al final. No creo, sin embargo,
que tengas el mismo objetivo que los perós; Por cierto, esto no me asusta,
porque a pesar de lo viejo que soy no temo nada más. Digo simplemente lo
que he visto con mis propios ojos (Abbeville, 2008, p. 156-157, nuestra
traducción).
La frase atribuida al anciano, que se opuso a las pretensiones misioneras de los
capuchinos en Maranhão, es un análisis crítico y perspicaz de las estrategias empleadas por los
europeos (portugueses o franceses) a lo largo del tiempo para establecer el control sobre las
tierras y los pueblos indígenas de la región. Exploremos algunos puntos importantes de esta
revisión a continuación.
El anciano compara la llegada de los franceses con los acontecimientos que habían
ocurrido antes con los portugueses. Señala que, inicialmente, los portugueses solo traficaban en
la región sin intención de establecerse permanentemente. Esta observación sugiere una
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comprensión profunda de la historia local y de las dinámicas coloniales del pasado, lo que le
permite identificar patrones y tendencias similares con los franceses.
Destaca cómo las ambiciones de los colonizadores han cambiado a lo largo del tiempo.
Menciona que, inicialmente, solo buscaban el comercio y la exploración, pero poco a poco
comenzaron a construir fortalezas y ciudades, deseando una integración más profunda con las
comunidades indígenas. Este patrón de progresión de ambiciones fue visto como una señal de
alerta, ya que los intereses coloniales iniciales parecían benignos, pero, con el paso del tiempo,
podían volverse más intrusivos y dañinos para los tupinambás.
El anciano señaló cómo la introducción del cristianismo por parte de los colonizadores
trajo consigo cambios en el pensamiento de la cultura y las costumbres indígenas. Señaló que
los sacerdotes franceses, a como los portugueses, exigían que las mujeres indígenas se
bautizaran antes de casarse con los colonizadores, alterando los patrones tradicionales de
relación y matrimonio en las comunidades indígenas. Además, señaló que los colonizadores
también comenzaron a exigir esclavos para trabajar para ellos, lo que provocó opresión y
crueldad contra los indígenas. Estos cambios culturales fueron vistos como un elemento
preocupante y perjudicial para la identidad y la autonomía de las comunidades locales.
El Tupinambá expresó que los franceses podrían no tener las mismas intenciones
maliciosas que los portugueses, pero señaló que había patrones similares en las acciones de los
dos grupos. Este enfoque reflexivo sugiere que era consciente de los matices y complejidades
de las relaciones coloniales, no generalizando a todos los europeos, sino destacando cómo las
acciones históricas pueden tener repercusiones en las acciones futuras.
El discurso del anciano plantea cuestiones importantes sobre el proceso de colonización,
la asimilación cultural forzada y la explotación de los recursos humanos y naturales. Se muestra
escéptico sobre las intenciones de los colonizadores, basándose en experiencias pasadas, y
señala la necesidad de permanecer vigilantes ante los cambios que la llegada de los franceses
pueda traer a su comunidad. Esta perspectiva ofrece una visión importante de los efectos del
colonialismo en los pueblos indígenas.
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Consideraciones finales
Las fuentes documentales producidas por los padres Claude d'Abbeville e Yves d'Evreux
preservan la memoria de los indígenas de Maranhão, ya que presentan registros de sus
tradiciones orales y prácticas culturales. Además, aunque solo presentan la interpretación de los
colonizadores, también permiten comprender la relación entre los Tupinambá y los misioneros
franceses, que llegaron a Maranhão en el siglo XVII, y pueden, como documento, ser
considerados un lugar privilegiado en la memoria de los Tupinambá de Maranhão y un registro
indispensable para comprender la cultura y la historia de este importante pueblo indígena.
En general, la educación transmitida por los ancianos tupinambá no solo fue un medio
para preservar la cultura, sino también para fortalecer la identidad, la cohesión social y la crítica
a la dominación colonial. Advirtieron a su comunidad que no cometiera errores conocidos, que
podrían conducir a la ruptura y dominación de la aldea. Evidentemente, algunos jefes, por
diversas razones, como la protección, el comercio o incluso razones personales, podían llegar
a acuerdos con otros pueblos y países, y hacían un discurso más maleable a la dominación
externa. Los ancianos son los educadores de la tradición, enseñan sobre la historia y los valores
de su cultura y garantizan la continuidad de los conocimientos ancestrales para las generaciones
futuras.
La memoria acumulada culturalmente garantizaba a los mayores la confianza en el habla
y la escucha respetuosa de las generaciones más jóvenes. Por lo tanto, ser un anciano entre los
pueblos que no conocían la escritura moderna era como ser una biblioteca viviente.
Reflexionar sobre la importancia de los ancianos tupinambá también nos invita a pensar
en la forma en que tratamos a los ancianos en nuestra propia sociedad. ¿Valoramos lo suficiente
el conocimiento y el saber hacer acumulado por nuestros mayores? ¿Los respetaríamos como
deberíamos? Estas cuestiones son importantes y deben tenerse en cuenta, ya que la preservación
de la memoria y la cultura de un pueblo depende, en gran medida, del papel desempeñado por
los ancianos.
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LE GOFF, J. História e memória. 2. ed. Tradução: Bernardo Leitão et al. Campinas, SP:
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MENEZES, A. B. Do poder da palavra: ensaios de literatura e psicanálise. São Paulo: Duas
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NORA, P. Lugares da memória. Tradução: Yara Aun Khoury. Rio de Janeiro: Editora da FGV,
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VERNANT, J. P. Mito e pensamento entre os gregos. Tradução: Haiganuch Sarian. São
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ZUMTHOR, P. Tradição e Esquecimento. Tradução: Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich.
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CRediT Author Statement
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Financiación: No había recursos financieros para este trabajo.
Conflictos de intereses: No existen conflictos de intereses por parte de los autores.
Aprobación ética: No aplicable.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Contribuciones de los autores: Los autores también contribuyeron a la producción del
artículo.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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EDUCATION AND MEMORY: SOCIAL FUNCTION OF ELDERS IN TUPINAMBÁ
CULTURE (1612-1614)
EDUCAÇÃO E MEMÓRIA: FUNÇÃO SOCIAL DOS ANCIÃOS NA CULTURA
TUPINAMBÁ (1612-1614)
EDUCACIÓN Y MEMORIA: FUNCIÓN SOCIAL DE LOS MAYORES EN LA
CULTURA TUPINAMBÁ (1612-1614)
Marinaldo Pantoja PINHEIRO 1
e-mail: marinaldopantojapinheiro@gmail.com
Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA 2
e-mail: socorroavelino@hotmail.com
How to reference this article:
PINHEIRO, M. P.; FRANÇA, M. P. S. G. S. A. Education and
memory: Social function of elders in Tupinambá Culture (1612-
1614). Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação,
Araraquara, v. 18, n. 00, e024049, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18461
| Submitted: 12/09/2023
| Revisions required: 14/12/2023
| Approved: 20/02/2024
| Published: 10/04/2024
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
University of the State of Pará (UEPA), Belém PA Brazil. PhD student in Education (UEPA).
2
University of the State of Pará (UEPA), Belém PA Brazil. PhD in History, Philosophy and Education
(Unicamp), professor of the Postgraduate Program in Education and the Pedagogy Course (UEPA).
Education and memory: Social function of elders in Tupinambá Culture (1612-1614)
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024049, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18461 2
ABSTRACT: The article analyzes the relationship between education, memory and the social
function of elders in the Tupinambá culture, highlighting how this relationship contributed to
the preservation and transmission of knowledge and cultural values of this indigenous
community, in the period from 1612 to 1614. The historical sources are the travel chronicles of
priests Claude d'Abbeville and Yves d'Evreux, compiled in the works “History of the Mission
of the Capuchin Fathers on the Island of Maranhão and surrounding lands” and “Journey to the
north of Brazil: made in the years 1612 to 1614”, published respectively in 1614 and 1874.
Through analysis of bibliographical references mainly Abbeville (2008), Evreux (2002),
Menezes (1995), Vernant (1973) and Zumthor (1997), it is attested that the elders contributed
to the preservation of the memory and education of the youngest, as they were the guardians
and transmitters of ancestral knowledge and practices.
KEYWORDS: Education. Memory. Tupinambá Elders. Transmission of knowledge.
Tupinambá culture.
RESUMO: O artigo analisa a relação entre educação, memória e a função social dos anciãos
na cultura Tupinambá, destacando como essa relação contribuiu para a preservação e
transmissão de conhecimentos e valores culturais dessa comunidade indígena, no período de
1612 a 1614. As fontes históricas são as crônicas de viagens dos padres Claude d’Abbeville e
Yves d’Evreux, compiladas nas obras “História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do
Maranhão e terras circunvizinhas” e “Viagem ao norte do Brasil: feita nos anos de 1612 a
1614”, publicadas respectivamente em 1614 e 1874. Por meio de análise de referencial
bibliográfico mormente Abbeville (2008), Evreux (2002), Menezes (1995), Vernant (1973) e
Zumthor (1997), atesta-se que os anciãos contribuíram para a preservação da memória e
educação dos mais jovens, pois eram os guardiões e transmissores dos saberes e práticas
ancestrais.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Memória. Anciãos Tupinambá. Transmissão de
conhecimentos. Cultura Tupinambá.
RESUMEN: El artículo analiza la relación entre educación, memoria y función social de los
ancianos en la cultura Tupinambá, destacando cómo esta relación contribuyó a la preservación
y transmisión de conocimientos y valores culturales de esta comunidad indígena, en el período
de 1612 a 1614. Las fuentes históricas son las crónicas de viaje de los sacerdotes Claude
d'Abbeville e Yves d'Evreux, recopiladas en las obras Historia de la misión de los Padres
Capuchinos en la isla de Maranhão y tierras circundantes” y “Viaje al norte de Brasil: made
in the years 1612 to 1614”, publicados respectivamente en 1614 y 1874. A través del análisis
de referencias bibliográficas principalmente Abbeville (2008), Evreux (2002), Menezes
(1995), Vernant (1973) y Zumthor (1997), se atestiguan que los mayores contribuyeron a la
preservación de la memoria y la educación de los más jóvenes, al ser los guardianes y
transmisores de conocimientos y prácticas ancestrales.
PALABRAS CLAVE: Educación. Memoria. Ancianos Tupinambá. Transmisión de
conocimientos. Cultura tupinambá.
Marinaldo Pantoja PINHEIRO and Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.18461 3
Introduction
The article aims to analyze the relationship between education, memory and the social
function of elders in the Tupinambá culture, highlighting how this relationship contributed to
the preservation and transmission of knowledge and cultural values of this indigenous
community, in the years 1612 to 1614. Methodologically, this is historical research based on
the travel chronicles of priests Claude d' Abbeville and Yves d' Evreux.
The work “History of the mission of the Capuchin Friars on the Island of Maranhão and
its surroundings”, written by Claude d' Abbeville, was published in France in 1614. In this
literature, the first months of the missionary and educational work of the Capuchin friars in the
Maranhão, during the period in which friar Claude d' Abbeville was in the North of Brazil. The
purpose of these reports was to publicize the region's natural riches and demonstrate ways of
educating indigenous people according to the colonizer. This aimed to attract new investments,
encourage the migration of settlers and obtain the support of the French monarchy for the
colonial project in Northern Brazil.
The chronicles of friar Yves d' Evreux were published in Portuguese in 1874, with the
title “Journey to the north of Brazil: made in the years 1613 to 1614”, whose first publication
in French, which did not reach the hands of French readers, is from 1615, its title was translated
into Portuguese: “Continuation of the history of the most memorable things that happened in
Maranhão in the years 1613 to 1614”. This source describes the process of religious education
in the Tupinambá villages on Maranhão Island and surrounding regions, by Capuchin priests
from Paris, linked to the Catholic Church.
The Tupinambá people, who lived in these regions, were colonized by the French
between 1612 and 1615; when they were expelled by the Portuguese, the colonization process
continued more sharply, causing the extermination of the indigenous people.
Indigenous peoples did not know writing and had the power to store their memories and
achievements cultivated in their daily lives in their memory. The social function of
remembering belonged to the elderly, which provided them with an educational role in society.
Memory delegated to the elderly the role of guardians of tradition, of ancestry, which gave them
social prominence within their ethnic groups.
According to Le Goff (1992), the concept of memory can only be understood through
understanding its historical development, which spans five periods: 1) ethnic memory in
societies without mastery of modern writing; 2) from orality to writing (from the emergence of
our ancestors to the Ancient Age; 3) oral and written memory in balance (Middle Ages); 4)
Education and memory: Social function of elders in Tupinambá Culture (1612-1614)
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advances in written memory (Modern and contemporary Ages); and 5) current memory
progress. Of these, we will take as a reference the first and second historical periods of memory,
which were those experienced by the indigenous people of Maranhão, in the North of Brazil.
According to the author, in societies without modern writing, collective memory was
based on ethnic or family groups, whose valorization was based on myths of origin and
practical, technical and professional knowledge. Memory functioned as an element of power,
which granted authority to those who had command of the word, and, at the same time, aimed
to justify the power and prestige of traditional families. In these societies, memories were kept
by guardians or memory specialists, characters also found among the Tupinambá of Maranhão.
Among these natives, this role was occupied by the elderly people of the tribe, mainly men.
After turning 40 years old, the old man worked whenever he felt like it, so he had time to
dedicate himself to social functions in the Big House, where they were tasked with
remembering the ancestral and glorious past of their ethnic group: “it is heard with complete
silence in the casa-grande, speaks seriously and slowly, using gestures that clearly explain what
he wants to say, and the feeling with which he speaks” (Evreux, 2002, p. 131, our translation).
The Big House, for Father Yves d' Evreux, was the meeting place, the parliament, the place of
the tribe's most important decisions, where the principals (princes), the elders and the other men
of the village, met to instruct warriors about peace and war. The Big House was also the place
of listening, where the elders kept the memory of the ancestors and traditions of the village
alive, in other words, the Big House was also a place of learning and the creative power of
memory at the service of the community.
The second phase of memory development is called by Le Goff (1992) as “orality to
writing”, and encompasses the period from the appearance of the first hominids, the invention
of writing and the Ancient Age. During this period, according to the author, two types of
memory coexisted: commemoration and written document. Commemoration is the memory
kept in commemorative monuments such as stelae and obelisks. The monuments were used to
record an event considered important to that nation and were created based on allegories with
few inscriptions, aiming to be read and understood by the population, especially the illiterate.
Just like the commemoration, written documents also appear to record and save the history of
heroes and their deeds as a national memory. The difference is that the written documents aimed
to reach a select and elitist audience, those who were part of the city of literates.
The Tupinambá of Maranhão Island in the 17th century knew the monument and some
learned about writing through the French. As a monument, we can mention the wooden cross
Marinaldo Pantoja PINHEIRO and Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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that was erected in the center of the villages by missionaries and the writing represented by a
type of bilingual catechism in French and Tupinambá, whose purpose was to memorize
Christian doctrine so that the natives could be baptized by priests. Evreux (2002, p. 254, our
translation) highlights that, in the Big House, the place of speech, the elders said that the French
priests would teach their children “to daily (writing) and making the papere (the paper) sent
from far away to those who are absent speak”. The cross planted in Maranhão falls under the
type of commemoration memory, as, according to Catholic teachings, it is the memory of God's
power over death. It is still the cult of a hero who overcame death. It is a type of monument that
also bears brief inscriptions: INRI (Jesus, King of the Jews).
The works analyzed in this article provide information about the daily lives of the
Tupinambá people, as well as the region's flora and fauna, among other things. The natives of
Maranhão are presented as those who had the power to make paper speak, demonstrating a
certain superiority in relation to the elders, the memory men. It is as if the Greek goddess
Mnemosyne, unknown to the natives of Northern Brazil, now had a competitor, the “speaking
role”, demonstrating the magic of the Christian God who instructed religious people.
The mastery of writing gave the French the possibility of recording on paper the daily
memory of the trip made to Maranhão between 1612 and 1614. Control of writing allowed the
French to make their version of the encounter with the native known. But Mnemosyne was not
defeated and kept alive the fragments of the speeches of the Tupinambá elders between the lines
of the records of Claude d' Abbeville and Yves de Evreux.
The study is the result of broader research into the presence and activities of Capuchin
religious people in northern Brazil in the 17th century, with a view to understanding the
educational process and cultural exchanges resulting from this relationship.
This text comprises this introduction in which we address the objective, the type of
research, the sources of investigation and the importance of memory in indigenous societies;
then, three topics are exposed: in the first, “The fountain as a place of memory”, we present the
works of Claude d' Abbeville and Yves d' Evreux as a place of memory of the Tupinambá and
Capuchinhos in Maranhão. In the second, “The educational function of memory in Tupinambá
society”, we highlight the educational role, made possible by the transmission of cultural values
to younger people. And in the third topic, “Tupinambá Elders: educators of tradition”, we
describe elders as educators of tradition who, through ancestral memories, transmit values to
younger generations. In the final considerations, we present the results of the research,
highlighting that, through the elders, memory played a unique role in the educational process
Education and memory: Social function of elders in Tupinambá Culture (1612-1614)
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of the Tupinambá communities in Maranhão, allowing the maintenance of traditions and
customs among these people.
The fountain as a place of memory
For Zumthor (1997), European travelers, until at least the 17th century, dedicated
themselves to saving and perpetuating memory, which was cultivated from idealized images.
This zeal in guarding and perpetuating memory is noticeable in the works of the Capuchin
missionaries Claude d' Abbeville and Yves d' Evreux, “History of the mission of the Capuchin
Friars on the Island of Maranhão and its surroundings”, from 1614, and Journey to the north
of Brazil: made in the years 1613 to 1614”, 1874, respectively. These documentary sources
enable the researcher to understand the culture, memory and educational processes of the
Tupinambá of Maranhão and surrounding lands, such as Tapuitapera, Mearim river, Comã,
Caetés, and Pará river.
Abbeville 's travel chronicle consists of more than 300 pages, varying depending on the
edition, and is organized into 62 chapters, in addition to containing three letters about Maranhão
written by Yves d' Evreux, Arsenio de Paris, and the Lord Louis de Pézieux. Father Claude d'
Abbeville initially narrates the preparations and the journey to reach Maranhão Island; he then
recounts his visits to the island's villages, accompanied by the Lord of Razilly, his brother
Launay, Vaux 's interpreter and some indigenous people.
During these visits, the main village leaders were persuaded to accept the faith presented
by the priests and the protection of the king of France. Consequently, crosses were erected in
the center of villages as a symbol of this acceptance. The author also describes the Maranhão
region and its population, including the customs and beliefs of the Tupinambá, as well as the
region's flora, fauna, and climate, highlighting the abundance of food available.
The last chapters narrate the trip back to France, on which the friar took seven
indigenous people with him, six being Tupinambá ambassadors and one Tapuia slave. The
majority of ambassadors were children of the main chiefs of the largest villages in Maranhão
and the region. Unfortunately, three of them died, possibly from tuberculosis, while the other
three returned to Maranhão after being baptized and married to French women, adapting to the
colonizing project.
The literature, produced by priest Yves d' Evreux, is structured into two treatises
(temporal and spiritual), in which the religious man describes his experiences with the
Tupinambá in Maranhão, Northern Brazil. The first treatise, the religious one, mainly addresses
Marinaldo Pantoja PINHEIRO and Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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the customs and bodily practices of the natives, highlighting education as a civilizing act in
three chapters. The author argues that it is possible to “civilize the savages” and teach them
European skills. In the following chapters, he describes the education practiced by the Indians,
highlighting order, respect and relationships between members of the tribe. The fictional
dialogue at the end of the treaty aims to demonstrate the adaptation of the French in the region,
seeking to attract new supporters, financiers and immigrants to the colonizing project called
“New France” or Equinoctial France.
In the second treatise, the Capuchin friar dedicates himself more to the spiritual content,
reporting the conversions of natives and the models of conversion applicable to children, the
sick, the elderly and adults. The way of educating, created or adapted by the Capuchins, includes
the creation of a bilingual Tupi-French manual, fundamental for communication and learning.
Christian doctrine should be taught in Tupi and French, and recited by heart before baptism.
The author argues that the Tupinambá had a natural belief in God, which facilitated the
catechization process. In the last chapters, the author demonstrates the fruits of his educational
practice, highlighting the conversion of political and religious leaders, which made educating
the tribe easier. The Capuchin friar highlights the importance of religious leaders, such as
Pacamão, who recognized the authority of the Capuchins and their knowledge, which facilitated
the spread of Christian doctrine.
The books by Claude d' Abbeville and Yves d' Evreux are necessary documentary
sources to understand the history of French colonization in Maranhão and to study the culture
of the Tupinambá people. Furthermore, the works represent places of memory that preserve and
transmit information about the life and education of indigenous peoples and Capuchin
missionaries from the beginning of the 17th century. The books offer us a view of life and
education in the 17th century, allowing us to understand the complex relationship between
colonizers and colonized.
The concept “place of memory” was coined by the French historian Pierre Nora, in his
work “Les Lieux de Mémoire”, published in Paris in 1984. The Portuguese version, entitled
“Os Lugares da Memória”, was published in 1993, with a reissue in 2015. The work is
recognized as an important contribution to studies on memory and history, providing a detailed
analysis of the places, symbols and rituals that form collective memory in diverse societies. The
author argues that these places are intentionally built to preserve memory and cultural identity,
becoming “places of memory” that function as points of reference for future generations (Nora,
1993).
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We can consider places of memory: objects, books, photographs, buildings, among
others. Thus, a documentary source can be considered a place of memory when it acquires a
symbolic value in understanding an event, period or cultural tradition.
The works of Claude d' Abbeville and Yves d' Evreux fit into this profile, as they
comprise specific reports on endangered indigenous cultures, making it possible to understand
the very formation of Brazilian society. The works under study are references to the cultures of
the indigenous people of Maranhão between the years 1612 and 1614, and also bring to light
the educational function of memory among indigenous peoples. We will delve deeper into this
last statement in the next topic.
The educational function of memory in Tupinambá society
When we talk about memory, we refer to the ability to memorize that has been extremely
valued and admired throughout history. Let's look at some cases.
In Ancient Greece (17th and 8th centuries BC), for example, memory was worshiped as
the goddess Mnemosyne, responsible for making human beings remember. This deity granted
mortals the “power of remembrance [...] to bring to light the 'memories of conquests'. This deity
was delegated the function of presiding over poetry, whose skill was inspired by this goddess.
The gift of poetry was, therefore, supernatural (Vernant, 1973, p. 136, our translation).
Memory, worshiped as a deity by the Greeks, empowered men and women, granting
them the power of speech. From the Greek aedos, who recited poems inspired by the muses, to
Sheherazade, the weaver of history: both storytellers and inspired by the supernatural power of
the word.
The memory of the legendary Sheherazade is impressive for its ability to store no less
than 1001 stories told every night to her husband, Sultan Shariar. She decided to marry the
sultan in order to protect the young virgins who were supposed by law to marry the sovereign
at dusk and at the break of dawn from being murdered. The law was intended to preserve female
fidelity. With each night's narrative, the young weaver of the story preserves intact, at the break
of a new day, the end of the narrative, piquing the sultan's curiosity, who kept her alive to
conclude the story the following night, which did not happen for 1001 night, when, finally, the
power of memory breaks the stoned heart of the sultan who decided to abolish the law that
decreed the death penalty for his wives (Menezes, 1995).
Father Evreux also admired the Tupinambá elders' ability to memorize, as they easily
remembered what they had experienced or heard, and frequently narrated the traditions and
Marinaldo Pantoja PINHEIRO and Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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deeds of their ancestors. They had a very good memory and were very happy to remember
everything they lived and heard, including all the circumstances of the place, time and people
involved: “As for memory, they have it very happily, because they always remember what that
they saw and heard, with all the circumstances of the place, the time, the people” (Evreux, 2002,
p. 121, our translation). The elders' cognitive abilities allowed them to retain specific
information and use it efficiently. His memory capacity was useful in several situations,
especially when it came to helping educate society in decision making, problem solving and
effective communication.
According to Evreux (2002), memory plays a fundamental role in maintaining tradition
and social values, as well as respecting customs, being responsible for saving and conserving
what was known and learned. Thus, according to the same priest, for the Tupinambá, memory
was a central element in the construction of their cultural identity and in the transmission of
their values and knowledge from generation to generation.
Zumthor (1997) argues that social groups are guided by values that determine which
fragments of memory should be remembered or forgotten. Although the desire to forget may
reject the memory, it is never completely eliminated. Memory is selective and updates the past
with the most significant and useful fragments to maintain or empower a certain social group.
The heroic memory of ancestors, for Zumthor (1997), allows the poet to overcome the inertia
of individual memories and collective forgetfulness in a predominantly oral world. Forgetting
is also a creative element, since, when the poet forgets a part of the poem, creativity comes into
play to contextualize it through the place of speech. Consequently, forgetting is one of the
foundations of fiction at imaginary and discursive levels.
As observed by Zumthor (1997), we can say that the Tupinambá select and update the
fragments of their memory that were significant and useful to maintain and empower their social
group. The heroic memories of their ancestors allowed the Tupinambá to maintain their cultural
identity and reinforce their community values. Furthermore, forgetting was also important, as
it allowed the Tupinambá to update and recreate their traditions according to changes in their
environment and society.
The role of memory in Tupinambá culture also highlights the creative aspect highlighted
by Zumthor (1997). By transmitting their stories and rituals, the Tupinambá were able to
contextualize them and adapt them to their place of speech, incorporating new experiences and
influences. In this way, memory was a vital element in the construction of cultural identity and
in the constant renewal of these indigenous traditions.
Education and memory: Social function of elders in Tupinambá Culture (1612-1614)
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The Tupinambá of Maranhão had a rich cultural tradition that was transmitted through
collective memory. Through orality, stories, myths and legends were passed from generation to
generation, and thus kept the traditions and customs of their people alive. This oral tradition
was a dynamic form of memory, as described by Bosi (1994), which is not parked in the past,
but is continually reconstructed through memories of the present.
Therefore, for the Tupinambá, memories were not just reports of the past, but
experiences still present in society, being a way of connecting with ancestors and nature, and of
understanding the importance of harmony and balance between human beings and the
environment.
In this culture, memories had the role of educating, through the transmission of cultural
values to younger people, such as: traditions, customs and beliefs. Through the stories told by
their elders, young people learned to respect and value nature, to understand the importance of
community and shared leadership, and to keep the culture and history of their people alive.
Furthermore, memoirs were also a way of teaching practical skills, such as: hunting,
fishing, agriculture and the art of weaving. Through the stories and experiences shared by their
elders, young people learned how to use natural resources sustainably and preserve ancestral
knowledge.
The memories empowered the Tupinambá elders and delegated them the role of
educators of the tradition. This is what we propose to discuss in the following topic.
Tupinambá Elders: educators of the tradition
The Tupinambá Elders were central figures in the transmission of the cultural tradition
of the Tupinambá of Northern Brazil. As educators, they held ancestral knowledge and were
respected for their life experiences. Through their stories, rituals and daily practices, the elders
transmitted the values of the Tupinambá culture to younger generations, thus ensuring its
continuity for generations. In this context, it is important to highlight the fundamental role
played by these elders as guardians of the memory and cultural identity of the Tupinambá
people. Holders of accumulated wisdom, the Tupinambá elders played a fundamental role in
education, contributing to the formation of cultural and moral values in their communities.
According to Evreux (2002, p. 131, our translation), in the Tupinambá culture, a man
reached the stage of elder from the age of 40, this being considered the most honorable stage
and “surrounded by respect and veneration, especially for brave soldiers and prudent captains.”
Marinaldo Pantoja PINHEIRO and Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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During this phase, Tupinambá had the freedom to work whenever he felt like it
3
. He was heard
in complete silence in the Big House and spoke in a serious and slow manner, using gestures
that clearly conveyed the meaning of his words and the feeling with which he spoke, as
described by the priest: “Everyone responds to him with gentleness and respect, and the young
men listen to him attentively” (Evreux, 2002, p. 131, our translation).
The priest himself did not fail to record his admiration for the elders, considering them
transmitters of the traditions of the Tupinambá. According to Evreux, old people were
considered guardians of memory and tradition, they had the custom of telling, in front of
younger people, the story of their ancestors and what happened in their time. These narratives
were held in the Big House or in private residences, always inviting people to listen to the story.
Telling stories was an educational habit, because when they visited each other, they hugged
each other with friendship and told each other, word for word, who their grandparents and
ancestors were, and what happened during the time in which they lived (Evreux, 2002). In this
way, the oral tradition was maintained and the history of the people was preserved. The practice
also demonstrated the value of memory and the importance of connection between generations,
strengthening the social and cultural ties of the Tupinambá.
According to the text, it is clear that the Big House and some residences were some
educational places in the village, where the elder carried out his social function. In them, the
village chiefs, the elders and the French authorities, rested in their hammocks smoking pipes
and talking on an equal footing. There, they talked among themselves and educated the other
members of the tribe who came to listen to them. Thus, the Big House was the Tupinambá's
parlor, the place where the authorities spoke, including the Capuchin priests: “He made this and
other similar speeches, and then, traveling around the Island, in each village he repeated them
in the Big House". It was also the place where the tribe's problems were resolved: “Upon
arriving, the principals and elders gathered at the Big House [...], in order to resolve the matter”
(Evreux, 2002, p. 57-138-224).
The Big House was the main place for the word, where the elders were listened to
attentively and in silence: “When I think that I am the son of one of the great ones of my land,
that my father is a feared man, that everyone surrounded him to listen to him when he went to
the Big House” (Evreux, 2002, p. 53, our translation). In this excerpt, an indigenous man
3
The elder Tupinambá's culture of working whenever he felt like it was misunderstood by the French missionaries,
especially by Father Yves de Evreux, who labeled him as “extremely lazy” (Evreux, 2002, p. 124, our translation).
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enslaved by the enemy tribe remembered his father as an important man, as he was listened to
in the Big House.
One can see here the promotion of some educational values by the elderly, such as the
importance of listening carefully, maintaining silence and showing respect for the elderly. In
this culture, the word was considered sacred, as it was through it that communication with
spirits and gods was established. Furthermore, the word was an instrument of power and
leadership, as it was through it that political and religious leaders communicated with the
community and made important decisions. Thus, the word was used in different contexts: in
stories, songs, dances, rituals, and ceremonies.
The educational process promoted by the elders occurred by repeating stories to young
people, so that they could memorize, and do the same when they became elders. Because, if
these stories were not told repeatedly, they would be buried along with the old man. Thus, the
elders were a “living library”, whose knowledge could not be forgotten.
The chroniclers paid little attention to the content of the elders' teachings during
conferences in the men's house or Big House. However, they described some speeches by the
main people about supporting the French, including adherence to Catholic baptism. The
translation of the speeches was done by the interpreters and the priests made some notes. The
religious, upon returning to France, wrote the final texts that made up the book, using resources
such as notes and memories, that is, they also used their memory. This can help us understand
why the supposed speeches of the elders presented in the works of the travelers under study are
full of biblical teachings, support for the French and the desire to be baptized. In other words,
the education they received from the Capuchin friars in particular. There are no speeches
contrary to the French in the books under analysis. French priests are always the best, they are
more respected than shamans, tribal chiefs and elders.
In the narrative of Father Yves d' Evreux, it is possible to observe that he uses his speech
to interpret the speeches of the natives. An example of this is when the elderly man mentions
that he is lazy and cannot get up from his hammock to get food from the stove in his own home.
Even though the chroniclers' speech was used to interpret the speech of the indigenous
people, the French let one element shine through, namely, the admiration they had for the elders
for the power of the words they had at their disposal: “There was no one in the company who
did not marvel at seeing and hearing speak this brave and venerable old man” (Abbeville, 2008,
p. 89). Evidently, the speech was in favor of the French presence among the natives, otherwise,
perhaps, the reaction would have been condemnatory rather than complimentary.
Marinaldo Pantoja PINHEIRO and Maria do Perpétuo Socorro Gomes de Souza Avelino de FRANÇA
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To exemplify what is being exposed, we transcribed Japiaçu's speech from Claude d'
Abbeville 's book, given at a meeting in the Big House. This elder was the leader of the Juniparã
village, the largest on the island, and of the entire Ilha Grande. In reality, the transcription of
this native's speech was made within the interests of the colonizers, in demonstrating the support
of the main authority on that island, for the Equinoctial France project, which was the name
given to that place by the French colonizers. This is how Japiaçu’s words were transcribed by
French priests in the Big House:
He had always been a friend of the French and had recognized in them a much
more pleasant and mild convenience than that of the Perós [Portuguese] and
others; that he had always wished to obey them and accept their protection;
therefore, he felt a lot of satisfaction with their arrival and with the news that
they had come here to take up residence and make the French nation and his
own one homeland; this he had always desired and protested that he would
never fail to promise to recognize the sovereignty of the king of France,
submitting to his laws under the authority of the one who was sent to them to
reside in the land and defend it against their enemies. As for the law of God,
he said he was infinitely glad to have the great King of France sent Pai and
prophets to instruct them; who had long wanted to embrace Christianity, as he
had promised to do so more than once to Mr. Vaux, especially when he had
asked him to return to France and report it to the king. For in truth, he said,
we know well that there is a God, creator of nature, who made Heaven and
Earth and all existing things. We believe that this God is good and that he gives
us everything we have and everything we need. But knowing Him, saying
what He is like or how we should serve and worship Him is what we don't
know. We met many French people who had been doing business here for
some time, but none of them ever taught us anything about it. We now wait
for the Pais from France to teach us; but we regret that there are only four, as
we wish there were more of them so that they could live in all our villages and
teach us together with our children. Since, however, this cannot be done now,
while we wait for the morubixaba to return to France with one of the Pais to
bring us others, I would like one of those who stays to live with us in the
village of Juniparã, where we will build him a house and next to it a chapel.
You will stay among our huts and we will take care of your food and
everything you need. We will send our children to him so that they may be
instructed; As for me, I hand it over to you now for this purpose, so that the
four that I have may be baptized and made children of God. Finally, he said
that he wanted the two Pais visiting there to plant another cross in the center
of the village of Juniparã, thus testifying to the eternal alliance with God, the
solemn promise to receive Christianity and renounce Jurupari. The other
principals, together with the elders gathered in the men's house, confirmed
Japiaçu 's response, saying that they were very pleased with the arrival of the
French and especially the Paí; and even though they wanted to give all their
children to them to be instructed and baptized, and they said so as if in a
challenge to each other (Abbeville, 2008, p. 117, our translation).
The transcription of the speech attributed to Japiaçu, the greatest morubixaba in
Maranhão, provides us with an insight into the relations between some chiefs in the region and
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the French, as well as the introduction of Christianity in this context. Firstly, it is important to
understand that Chief Japiaçu was the one who negotiated with Mr. des Vaux, a Frenchman who
lived among the Tupinambá for 10 years, the permanence and French rule in Maranhão.
According to the fragment of the speech of this native temporal leader, the Tupinambá would
agree to submit to the power of the French king in exchange for protection against the
Portuguese and continued trade with France to acquire products such as axes, sickles, etc. As
in the initial negotiations, the arrival of the Capuchins was not part of it, as they were invited
by Queen Marie de Medici only in the final months before the trip, it is very likely that they
instructed him to make these speeches, demonstrating their interest in abandoning their beliefs
and embrace the Christian faith. Therefore, we will analyze some elements of the speech of the
main speaker from Maranhão Island.
Japiaçu states that he has always been a friend of the French and that he saw them as a
more pleasant and mild alternative compared to the Portuguese and other groups. This can be
interpreted as a diplomatic strategy to position oneself in relation to the different European
actors who were vying for control of lands in the New World. It is important to remember that
America was a scene of intense competition between colonial powers, and indigenous leaders
often sought alliances that best served their interests.
He expresses his willingness to submit to the sovereignty of the King of France and
obey his laws. This attitude can be interpreted as an attempt to obtain protection against the
Portuguese. It may also reflect the perception that the French could offer better trading
opportunities.
Japiaçu 's speech about Christianity is complex. He states that there is a God who created
nature and that they want to know him better and learn how to serve him. At this point, the
Morubixaba seems to demonstrate an openness to the Christian faith and believes that the Paí
(priests) sent by the French could bring this instruction. It is believed that Japiaçu 's willingness
to hand over his children to be instructed and baptized denotes political and commercial
interests, given that if the natives appropriated French cultural elements, they could negotiate
without interpreters.
The mention that they wished to renounce Jurupari (spirit, evil angel or devil who
persecuted the natives) in favor of Christianity raises questions about cultural assimilation and
the impacts of evangelization on indigenous beliefs and practices. The replacement or
superimposition of traditional beliefs by a foreign religion can have profound consequences on
the cultural and spiritual identity of indigenous communities.
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Japiaçu proposes to build a house and a chapel so that one of the Pai can live with them
in their village and they would take care of their food. This offer of welcome demonstrates the
willingness to establish a relationship of trust and cooperation with the French missionaries.
Japiaçu 's speech reveals a complex dynamic of political, commercial, diplomatic and
cultural interests between the region's indigenous people and the Europeans, specifically the
French. It also shows the willingness of Japiaçu and other indigenous leaders to embrace the
Christian faith and allow missionaries to work on their lands. However, it is essential to consider
that these relationships were influenced by different interests and that the consequences of the
arrival of Europeans and evangelization were not uniform for all indigenous communities,
varying according to the historical context and the specific actions of each colonial group.
In the speech below, we will see that there was opposition to the French colonizing
project. An elderly man, in a meeting at Big House, using memory resources, exposed the
similarities between the Portuguese who colonized Pernambuco, and the French who presented
themselves as the “salvation” of the Tupinambá.
I saw the arrival of the [Portuguese] Perós in Pernambuco and Potiú; and they
began as you Frenchmen do now. At first, the Perós did nothing but traffic
without intending to take up residence. At that time, they slept freely with
girls, which our companions from Pernambuco considered highly honorable.
Later, they said that we should get used to them and that they needed to build
fortresses to defend themselves, and build cities to live with us. And so it
seemed that they wanted us to form a single nation. Then, they began to say
that they could not take the girls without them, that God only allowed them to
have them through marriage and that they could not marry without them being
baptized. And for that they needed Pai. They sent the Pais to come and they
erected crosses and began to instruct our people and baptize them. Later they
stated that neither they nor the Pai could live without slaves to serve them and
work for them. And so, our people were forced to provide them. But not
satisfied with the slaves captured in the war, they also wanted our children and
ended up enslaving the entire nation; and with such tyranny and cruelty they
treated it, that those who remained free were, like us, forced to leave the
region.
This is what happened with the French. The first time you came here, you only
did it to traffic. Like the Perós, they did not refuse to take our daughters and
we thought we were happy when they had children. At that time, there was no
question of settling here; you were only content with visiting us once a year,
remaining among us only for four or five moons. Then return to your country,
taking our goods to exchange them for what we needed. “Now you tell us
about settling here, about building fortresses to defend us against our enemies.
For this, you brought a Morubixaba and several Paí. In truth, we are satisfied,
but the pears did the same.
After the arrival of the Paí, you planted crosses like the Perós. You now begin
to instruct and baptize just as they did; you say that you cannot take our
daughters except as wives and after they have been baptized. The Perós said
the same. Like these, you did not want slaves at first; Now you ask for them
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and want them like them in the end. I do not believe, however, that you have
the same aim as the pears; In fact, that doesn't scare me, because as old as I
am I fear nothing anymore. I just simply say what I saw with my eyes
(Abbeville, 2008, p. 156-157, our translation).
The phrase attributed to the elder, who took a stand against the missionary intentions of
the Capuchins in Maranhão, is a critical and insightful analysis of the strategies employed by
Europeans (whether Portuguese or French) over time to establish control over lands and
indigenous people of the region. Let's explore some important points from this analysis below.
The old man compares the arrival of the French to the events that had previously
occurred with the Portuguese. He notes that, initially, the Portuguese also only trafficked in the
region with no intention of establishing themselves permanently. This observation suggests a
deep understanding of local history and previous colonial dynamics, which allows him to
identify similar patterns and trends with the French.
He highlights how the colonizers' ambitions changed over time and mentions that,
initially, they only sought trade and exploration, but gradually they began to build fortresses
and cities, desiring deeper integration with indigenous communities. This pattern of progression
of ambitions was seen as a warning sign, since initial colonial interests seemed benign, however,
over time, they could become more intrusive and harmful to the Tupinambá.
The elderly man pointed out how the introduction of Christianity by the colonizers
brought with it changes in thinking in indigenous culture and customs. He noted that French
priests, like Portuguese priests, required indigenous women to be baptized before marrying
colonizers, altering traditional patterns of relationships and marriage in indigenous
communities. Furthermore, he highlighted that the colonizers also began to demand slaves to
work for them, which caused oppression and cruelty against the indigenous people. These
cultural changes were seen as a worrying and damaging element for the identity and autonomy
of local communities.
The Tupinambá expressed that the French might not yet have the same malicious
intentions as the Portuguese, but he noted that there were similar patterns in the actions of the
two groups. This considered approach suggests that he was attentive to the nuances and
complexities of colonial relations, not generalizing all Europeans but highlighting how
historical actions can have repercussions on future actions.
The elder's speech brings to light important questions about the colonization process,
forced cultural assimilation and the exploitation of human and natural resources. He is skeptical
about the intentions of the colonizers, based on past experiences, and points to the need to
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remain vigilant in the face of the changes that the arrival of the French could bring to his
community. This perspective offers important insight into the effects of colonialism on
indigenous people.
Final remarks
The documentary sources produced by priests Claude d' Abbeville and Yves d' Evreux
preserve the memory of the indigenous people of Maranhão, as they present records of their
oral traditions and cultural practices. Furthermore, even if they only present the interpretation
of colonizers, they also allow the understanding of the relationship between the Tupinambá and
the French missionaries, who arrived in Maranhão in the 17th century, and can, as a document,
be considered a privileged place in the memory of the Tupinambá of the Maranhão is an
essential record for understanding the culture and history of this important indigenous people.
In general, the education transmitted by Tupinambá elders was not only a means of
preserving culture, but also a means of strengthening identity, social cohesion, as well as
criticizing colonial domination. They warned their community not to make known mistakes,
which could lead to the destruction and domination of the village. Evidently, some chiefs, for
various reasons, such as: protection, trade, or even personal reasons, could make agreements
with other peoples and countries, and made a more malleable speech to external dominations.
Elders are the educators of tradition, teaching about the history and values of their culture, and
ensuring the continuity of ancestral knowledge for future generations.
The culturally accumulated memory guaranteed the elders confidence in speaking and
respectful listening to the younger generations. Therefore, being an elder among people who
did not know modern writing was like being a living library.
Reflecting on the importance of Tupinambá elders also invites us to think about the way
we deal with the elderly in our own society. Do we sufficiently value the knowledge and
knowledge accumulated by our elders? Would we respect them as we should? These issues are
important and must be taken into consideration, as the preservation of the memory and culture
of a people depends, to a large extent, on the role played by the elders.
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CRediT Author Statement
Acknowledgments: Not applicable.
Funding: There were no financial resources for this work.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest on the part of the authors.
Ethical approval: Not applicable.
Availability of data and material: Not applicable.
Author contributions: The authors contributed equally to the production of the article.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Review, formatting, standardization, and translation.