RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478 1
PRÁTICAS FONOAUDIOLÓGICAS COM A LINGUAGEM NO CONTEXTO
EDUCACIONAL
PRÁCTICAS DE FONOAUDIOLOGÍA CON LENGUAJE EN EL CONTEXTO
EDUCATIVO
SPEECH THERAPY PRACTICES WITH LANGUAGE IN THE EDUCATIONAL
CONTEXT
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA1
e-mail: danepcarvalho@gmail.com
Elaine Cristina de OLIVEIRA2
e-mail: elaine.oliveira@ufba.br
Como referenciar este artigo:
OLIVEIRA, D. P. C.; OLIVEIRA, E. C. Práticas fonoaudiológicas
com a linguagem no contexto educacional. Revista Ibero-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00,
e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478
| Submetido em: 22/03/2023
| Revisões requeridas em: 15/05/2023
| Aprovado em: 29/07/2023
| Publicado em: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador BA Brasil. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação
em Educação da Faculdade de Educação FACED UFBA.
2
Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador BA Brasil. Docente do Departamento de Fonoaudiologia.
Práticas fonoaudiológicas com a linguagem no contexto educacional
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478 2
RESUMO: Esta pesquisa tem como objetivo identificar e analisar quais práticas,
especialmente com a linguagem, têm sido realizadas por um grupo de fonoaudiólogos que
atua na educação da Bahia e, ainda, refletir sobre as bases teóricas que sustentam essas
práticas. Trata-se de um estudo de corte transversal, qualitativo, que teve a participação de
cinco fonoaudiólogos com atuação na área educacional. Os dados foram produzidos por meio
de entrevistas semiestruturadas, posteriormente transcritos, organizados e categorizados para
análise. Os resultados apontaram para o fato de que as práticas fonoaudiológicas realizadas no
campo da educação, especialmente com a linguagem, ainda são bastante heterogêneas e
pautadas, sobretudo, pelas demandas relacionadas aos distúrbios e transtornos. Conclui-se que
ainda é preciso ter na base das práticas fonoaudiológicas perspectivas de saúde e de
linguagem desmedicalizantes, que de fato contribuam para a melhora da qualidade da
educação.
PALAVRAS-CHAVE: Linguagem. Educação. Saúde. Fonoaudiologia.
RESUMEN: Esta investigación tiene como objetivo identificar y analizar qué prácticas,
especialmente con el lenguaje, han sido realizadas por un grupo de fonoaudiólogos que
trabajan en educación en Bahia, y también reflexionar sobre las bases teóricas que sustentan
estas prácticas. Se trata de un estudio transversal, cualitativo, que contó con la participación
de cinco logopedas que actúan en el campo educativo. Los datos fueron producidos a través
de entrevistas semiestructuradas, posteriormente transcritas, organizadas y categorizadas
para su análisis. Los resultados apuntaron que las prácticas logopédicas realizadas en el
campo de la educación, especialmente con el lenguaje, todavía son bastante heterogéneas y
están guiadas, sobre todo, por demandas relacionadas con desórdenes y trastornos. Se
concluye que aún es necesario tener como base de las prácticas logopédicas, perspectivas de
desmedicalización de la salud y lenguaje que efectivamente contribuyan a mejorar la calidad
de la educación.
PALABRAS CLAVE: Lenguaje. Educación. Salud. Terapia del Lenguaje.
ABSTRACT: This research aims to identify and analyze which practices, especially with
language, have been carried out by a group of speech therapists working in education in
Bahia, and to reflect on the theoretical bases that support these practices. This is a cross-
sectional, qualitative study, which had the participation of five speech therapists working in
the educational area. Data were produced through semi-structured interviews, later
transcribed, organized and categorized for analysis. The results pointed to the fact that
speech therapy practices carried out in the field of education, especially with language, are
still quite heterogeneous and guided, above all, by demands related to disturbs and disorders.
It is concluded that it is still necessary, at the base of speech therapy practices, health
perspectives and demedicalizing language that contribute to improving the quality of
education.
KEYWORDS: Language. Education. Health. Speech therapy.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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Introdução
A fonoaudiologia ensaia os seus primeiros passos no cenário da educação, entre os
anos 1920 e 1940, inserida num projeto de Unidade Nacional, a partir de uma política de
normatização da língua que, sob efeito de uma proposta de medidas de controle da linguagem,
buscava estabelecer padrões e normas linguísticas para a fala. A fonoaudiologia não nasce a
partir da necessidade de cura ou reabilitação de sequelas, preocupação direta com o doente ou
a doença, mas com a preocupação em “localizar os limites entre o normal e o patológico, o
certo e o errado, o adequado e o desajustado” (BERBERIAN, 2007, p. 22).
Historicamente, a fonoaudiologia no Brasil se organiza e se consolida a partir de uma
perspectiva clínica voltada para a necessidade de reabilitação da comunicação, com práticas
direcionadas para o diagnóstico de patologias, prevenção de doenças, para reabilitação, fato
que pode ser observado nas leis que regulamentam a profissão e o seu fazer. Esse modelo de
atuação, segundo autores como Cavalheiro (2001) e Berberian (2007), vai atravessar as
décadas, chegando, inclusive, até os dias atuais.
No entanto, após o movimento introduzido pela criação do SUS (Sistema Único de
Saúde), que provocou reflexões em torno dos conceitos de prevenção e, principalmente, de
promoção da saúde, foi possível observar mudanças significativas no modo de atuação por
parte de alguns fonoaudiólogos, especialmente no campo da educação. Este passou a seguir,
de certa forma, uma nova rota, reavaliando alguns conceitos e suas práticas, caminhando na
direção das necessidades de saúde e das questões sociais e coletivas, conforme Penteado e
Servilha (2004).
Por volta dos anos 1990, após o contexto de redemocratização do país, o movimento
da Reforma Sanitária, a implantação da nova política de saúde advinda da criação do SUS e a
Conferência Nacional de Saúde, o conceito de saúde é visto como um processo complexo
resultante:
[...] das condões de alimentação, habitação, educação, renda, meio-
ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse de
terra e acesso a serviços de saúde. É, assim, antes de tudo, o resultado das
formas de organização social da produção, as quais podem gerar grandes
desigualdades nos níveis de vida (CONFERÊNCIA NACIONAL DE
SAÚDE, 1986, p. 4).
Nessa concepção de saúde, desloca-se o eixo da discussão da patologia e da prevenção
para a Promoção da Saúde e qualidade de vida, para os determinantes e condicionantes
sociais, para o modo de vida e de trabalho da população num determinado momento histórico.
Práticas fonoaudiológicas com a linguagem no contexto educacional
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Ao tomar como referência uma visão ampliada do processo saúde-doença e de seus
determinantes, Penteado e Servilha (2004) mencionam que o fonoaudiólogo passa a se inserir
em projetos mais amplos, interdisciplinares e afinados com a proposta da Promoção da Saúde.
É importante destacar que o cerne da proposta de Promoção de Saúde contempla
também uma mudança no conceito de educação em saúde. A concepção de educação, que
sustenta as práticas de educação em saúde no modelo de Promoção, tem raízes profundas no
pensamento Freiriano de que a educação deve ser vivenciada como uma prática concreta de
libertação e de construção da história. Freire (1967) propõe uma educação libertadora, que
possa despertar no povo uma postura de reflexão acerca de suas responsabilidades social e
política, sobre o seu tempo e seu espaço. Trata-se de uma educação crítica, dialogal (relação
eu-tu), para a liberdade, ao invés da “domesticação”, para o “homem-sujeito” e não “homem-
objeto”, uma educação em que a conscientização seja o meio para afastar-se da sombra da
opressão. Uma educação libertadora é a “educação que, desvestida da roupagem alienada e
alienante, seja força de mudança e libertação” (FREIRE, 1967, p. 36).
Outro ponto de destaque está relacionado à linguagem. Ao se comprometer com o
modelo de Promoção da Saúde, espera-se que a Fonoaudiologia assuma também uma
concepção ampla de linguagem e comunicação que possa fazer diferença na saúde e na vida
das pessoas, “já que propiciam ao homem reflexão sobre si mesmo e o mundo, agilizam a
aprendizagem, induzem a participação e capacitam para mudanças na busca da redução das
iniqüidades, na construção da cidadania e de uma vida de qualidade” (PENTEADO;
SERVILHA, 2004, p. 113).
Considerando as transformações históricas que ocorreram nos conceitos de saúde e
educação nas últimas décadas, e ainda o fato de que essas mudanças podem implicar em
deslocamentos nas práticas profissionais do fonoaudiólogo, é que surgiu a pergunta deste
estudo: quais práticas fonoaudiológicas têm sido desenvolvidas no âmbito da educação na
Bahia, especialmente com a linguagem?
Compreende-se que mudanças nas práticas fonoaudiológicas não ocorrem de um dia
para o outro, nem por decreto. Transformações precisam de tempo, de esforço; são
tensionadas por diversos setores da sociedade, como os cursos de graduação, a relação com os
trabalhadores da educação e da saúde, os cursos de formação continuada, as políticas públicas
etc. Levando-se em conta o exposto, esta pesquisa tem como objetivo identificar e analisar
quais práticas, especialmente com a linguagem, têm sido realizadas por um grupo de
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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fonoaudiólogos que atua na área da educação, no estado da Bahia e, ainda, refletir sobre as
bases teóricas que sustentam tais práticas.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo, de corte transversal e que teve parecer
favorável para sua realização pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do
Instituto de Ciências da Saúde (ICS), da Universidade Federal da Bahia-UFBA, CAAE
número 5401617.7.0000.5662 e parecer número 2.081.615.
Participaram deste estudo cinco fonoaudiólogos que atuavam na área educacional, no
estado da Bahia, sendo 3 homens e 2 mulheres, distribuídos em 5 munipios da Bahia,
localizados nas seguintes regiões: 1 profissional na região Centro-Sul, 1 na região Centro-
Norte, 1 na região Nordeste, 1 na região Metropolitana e 1 na capital baiana, Salvador. Os
participantes foram identificados por meio da técnica “bola de neve” ou snowball, em que
cada participante indica outro participante (FLICK, 2009) de qualquer local da Bahia. Foram
incluídos os profissionais com registro no Conselho Regional de Fonoaudiologia e que
atuavam junto ao sistema público ou privado de ensino pelo período mínimo de seis meses.
Destaca-se que outros profissionais foram identificados, mas não participaram deste estudo
por não atenderem aos critérios de inclusão. Alguns estavam atuando junto à gestão da
secretaria de educação, sem atuação direta nas escolas, realizando ações pontuais. Outros
profissionais, aprovados por concurso para atuar na área da fonoaudiologia educacional,
encontravam-se atuando na área clínica.
O Quadro 1 abaixo apresenta uma síntese do perfil, da formação e do campo de
atuação dos participantes, identificados por siglas (F1 a F5).
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Quadro 1 Perfil dos fonoaudiólogos selecionados para o estudo
Idade
Sexo
Ano de
Formação
Pós-Graduação
Campo de atuação
na rede
Tipo de
Rede
31
Feminino
2009
Especialização em
Educação Especial e
em Motricidade
Orofacial
Educação Infantil,
Ensino Fundamental
Ie II
Pública
Municipal
31
Masculino
2011
Especialização em
Saúde Pública.
Especialização em
Linguagem em
andamento.
Educação Infantil,
Ensino Fundamental I
e II e Educação
Especial.
Pública
Municipal
24
Masculino
2016
Realizando
especialização em
Saúde Mental com
ênfase em Transtorno
do Espectro do
Autismo
Educação Infantil,
Ensino Fundamental I
e II
Pública
Municipal
28
Feminino
2012
Especialização em
Fonoaudiologia
Clínica
Educação infantil,
Ensino Fundamental I
e II e Educação
Especial.
Privada
29
Masculino
2015
Não possui.
Educação Infantil,
Ensino Fundamental I
e II, Atendimento
Educacional
Especializado (AEE)
Pública
Municipal
Fonte: Elaboração do autor
Para a produção dos dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas, ao longo do
ano de 2017, de forma on-line, por meio de Hangout ou Skype, conforme a preferência dos
participantes. Os registros orais foram obtidos por meio de instrumentos como áudio-
gravadores digitais, e utilizou-se software gratuito de gravação.
As entrevistas foram realizadas em um encontro, com duração de aproximadamente 1
hora, em horário e dia previamente agendados. O roteiro da entrevista foi previamente
estruturado a partir de dois blocos temáticos: o primeiro com dados de identificação dos
entrevistados e o segundo com questões norteadoras.
A partir das respostas foram criadas as categorias de análise e subcategorias. Para o
eixo temático relacionado às práticas fonoaudiológicas com a linguagem no campo
educacional, foram criadas as seguintes subcategorias: a) triagens, orientações e
encaminhamentos; b) reuniões, oficinas, palestras; e c) ações intersetoriais.
Para a realização deste estudo, após a coleta, todos as entrevistas foram transcritas
integralmente e lidas cuidadosamente, a fim de estudar os dados em profundidade e dar início
ao processo de seleção de informações. Em seguida, para a análise dos dados foi organizado
um quadro contendo uma síntese das principais práticas fonoaudiológicas com a linguagem
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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mencionadas pelos participantes. A análise foi realizada a partir da perspectiva sócio-histórica
proposta por Freitas (2002). Para a autora, a análise do material colhido no campo busca
“compreender o que emergiu numa situação de observação ou de entrevista” (FREITAS,
2002, p. 29). Essa compreensão nos possibilita, a partir de um referencial teórico, perceber os
pontos de encontro, as similaridades, as diferenças e as particularidades de cada entrevista.
Na próxima seção serão apresentados os resultados e a discussão dos dados analisados.
Práticas fonoaudiológicas com a linguagem no campo da educação
A análise das práticas dos fonoaudiólogos educacionais, realizadas especialmente no
campo da linguagem, apontou para diferentes ações que, mesmo tendo a mesma
denominação, variaram de um profissional para outro. A análise também possibilitou a
observação de convergências e de divergências entre os profissionais. O Quadro 2 abaixo
apresenta uma síntese das principais práticas relatadas pelos fonoaudiólogos nas entrevistas.
Os resultados serão apresentados e discutidos nas subseções abaixo.
Quadro 2 Práticas fonoaudiológicas relatadas pelos entrevistados
Práticas
F1
F2
F3
F4
F5
Triagem
Orientações
Encaminhame
ntos
Triagem
Prevenção
Orientações
Encaminhamen
tos
Triagem escolar (perfil
cognitivo)
Encaminhamentos
Triage
m
(pouco
s
casos)
Orientações
para pais
Encaminhamen
tos
Triagem/avaliaç
ão (queixas)
Orientações
sobre os
resultados das
triagens
Encaminhament
os
Reuniões/
Oficinas/
Palestras
Oficinas e
Palestras
Oficinas/Formação/Capaci
tação professores
Oficina
s/
Palestr
as
Palestras/Assess
oria
Ações
Intersetoriais
Articulação
com área da
saúde
CRAS, CAPS e Centro de
Reabilitação Infantil
NASF,
PSE,
CRAS,
CREA
S
Projeto FAMA
Articulação com
área da saúde,
assistência
social (CRAS) e
enfermeiras do
PSE
Fonte: Elaboração do autor
Práticas fonoaudiológicas com a linguagem no contexto educacional
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Triagens, orientações e encaminhamentos
A triagem fonoaudiológica, seguida de orientações e encaminhamentos, foram as
práticas relatadas de forma mais recorrente durante as entrevistas. No que se refere mais
especificamente à triagem, apenas 1 (um), dentre os 5 (cinco) profissionais entrevistados, não
mencionou realizar o procedimento. Mesmo sendo um procedimento aplicado por quase todos
os entrevistados, foi possível observar que a concepção de triagem, o modo como era
realizada e os motivos pelas quais eram realizadas, apresentaram variações.
A partir das respostas fornecidas pelos participantes, observou-se que os
fonoaudiólogos realizavam, principalmente, triagem voltada a aspectos da linguagem, triagem
auditiva, e, ainda, uma triagem nomeada de “triagem escolar”. De modo geral, a triagem
realizada pelos profissionais teve como objetivo identificar crianças consideradas com
dificuldades (pelo profissional ou professor) e que precisavam de um diagnóstico e/ou de
encaminhamentos. Nos relatos de F1 nota-se que a triagem, além de servir para identificar
crianças que do seu ponto de vista necessitavam de um diagnóstico, tinha um caráter atribuído
à prevenção:
Eu realizava mais a questão da triagem quando eu via necessidade, que
precisava de um diagnóstico mais específico né? Porque tem áreas que a
gente necessita de um outro profissional pra fechar um diagnóstico, eu
encaminhava. Mas não dava diagnóstico não. (F1).
[…] com os alunos eu fazia mais um trabalho de prevenção. Eu fazia
triagem, né? Via a necessidade, se aquela criança precisasse de um
encaminhamento, eu encaminhava, mas era mais um trabalho assim de
orientação. (F1).
F2 refere que, além de realizar “triagens escolares” a fim de chegar ao “perfil dos
estudantes” por meio de “avaliação cognitiva”, realizava triagem auditiva, fatos que podem
ser observados no trecho abaixo:
Eu faço triagens escolares para saber como é que estão os alunos. Então, por
exemplo, tem um formulário de perfil cognitivo, avaliação cognitiva. Eu vou
e aplico com o perfil e quantitativo de alunos, né? E dentre essas questões
eu pego esses alunos e faço um processo de avaliação mais cuidadoso. (F2).
[...] eu trabalho fazendo triagem auditiva nas escolas, né? Então com o
otoscópio eu vou e faço triagem com a meatoscopia, identifico infecções,
rolha de cerúmen, objetivos estranhos, né? Faço o encaminhamento e logo
em seguida encaminho para fazer a audiometria. (F2).
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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Nota-se que a proposta que sustenta o instrumento denominado de “triagens escolares”
utilizado por F2 se restringe à avaliação de aspectos cognitivos, ou seja, reduz a complexidade
da linguagem do escolar aos seus aspectos cognitivos. Para Chacon (2020), numa situação de
avaliação da linguagem (a triagem pode ser considerada um tipo de situação de avaliação da
linguagem), avalia-se “o que a criança mostra de linguagem em função de como o avaliador
se constitui, para ela, como interlocutor” (p. 85). Para o autor, é “o sentido que orienta a ação
pela linguagem no processo chamado de comunicação linguística. Todo ato de comunicação
(e não os linguísticos) tem, portanto, como orientação fundamental, a produção e a
atribuição de sentidos” (p. 84). Reduzir a linguagem e a aprendizagem do escolar aos aspectos
cognitivos, desvinculados da relação com o avaliador e da produção de sentidos, é
desconsiderar a complexidade desses fenômenos e o perigo dessa ação; é apagar o sujeito e,
como consequência, causar ou aumentar seu sofrimento.
Ainda no que se refere ao procedimento de triagem, uma diferença pode ser observada
nos relatos de F5. O profissional menciona que a triagem era realizada tanto pelo professor
quanto pelo fonoaudiólogo, conforme relato abaixo:
Primeiro é assim, deixa eu voltar… Era a triagem. Encaminhava uma
triagem para essas escolas, nessa triagem eu fui colocando tópicos
direcionando ela mais para a parte educacional, então eu encaminhava essa
triagem para essas escolas… os professores, através daquela triagem,
identificavam as queixas e encaminhavam para a Secretaria de Educação. Eu
fazia essa análise de todas as triagens que foram encaminhadas e assim
depois, ia até a escola, fazia essa devolutiva, dando esse suporte, né? (F5,
grifo das autoras).
Observa-se no relato de F5 que ao solicitar que o professor realize o procedimento de
triagem, ele atribui ao professor uma tarefa que é estritamente do profissional fonoaudiólogo,
e ainda, transforma o professor em detector de problemas/transtornos. Giroto (1999) destaca
em seus estudos que transformar o professor em detector de problemas contribui para reforçar
a patologização da língua/linguagem e potencializar as ações curativas e preventivas na
escola.
O profissional F3 é o único que questiona o uso do procedimento de triagem com o
objetivo de identificar crianças com supostos transtornos e/ou patologias, refere que evita usá-
lo sempre que possível, conforme o relato abaixo:
Quando eu chego na escola assim, que eu digo, ó, em último caso triagem, a
escola fica meio que triste porque, inicialmente, eles querem que a gente
pra identificar alguma coisa, dislexia, TDAH, transtornos, que a gente
direcionamento para esses tratamentos e diminua a demanda. Mas eu
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tenho trabalhado, também, outro movimento, o de desconstruir muitos
desses conceitos e me aproximar desses professores pra… vem cá, já que um
aluno tem tudo isso que você dizendo, como é que a gente vai lidar com
ele? Então como é que a gente vai potencializar esse processo de
alfabetização? (F3).
Nota-se que, diferente dos outros profissionais, F3 questiona o procedimento de
triagem e conduz sua prática para outro lugar, para uma ação que pode fornecer dados para
um trabalho conjunto, para ações conjuntas entre fonoaudiólogo e professor. O profissional
questiona “como é que a gente vai lidar com ele?”, e ainda, como é que a gente vai
potencializar esse processo de alfabetização?”, deslocando sua atuação de um lugar
individualizado para uma ação conjunta. Em outro trecho da entrevista de F3, observa-se que
mesmo quando o profissional considera necessário o uso da triagem, o modo de realização do
procedimento parece ser outro:
Com as crianças às vezes é necessário fazer triagem, porque tem casos que
chamam a atenção. E aí como no município em que eu trabalhava tinha uma
adesão complicada dos pais aos tratamentos, mais ambulatoriais mesmo,
então eu conseguia na escola, em alguns poucos momentos, observar pelo
menos algumas crianças com atrasos importantes, atrasos de linguagem que
chamavam a atenção. E fazia. Mas o foco eram atividades coletivas com
essas crianças. Então eu levava, por exemplo, contação de história, ia brincar
de interpretar textos. [...] Eu ia brincar com as crianças, mas brincadeiras
mesmo que envolviam leitura e escrita, para levar essas práticas para outros
lugares. (F3).
Observa-se que F3 propõe práticas coletivas de linguagem para o procedimento de
triagem (contação de histórias, brincadeiras), busca um olhar ampliado para as crianças,
considerando as práticas reais de linguagem nas quais elas estão inseridas. O profissional dá
visibilidade ao sujeito e ao modo como produz sentido nas interações das quais participa.
No que se refere às orientações e encaminhamentos, em geral são procedimentos
correlacionados com a triagem fonoaudiológica. Apenas F4 menciona não a realizar,
provavelmente por conta da pressão que mencionou receber da escola para que realizasse
práticas numa perspectiva mais clínica, conforme seu relato: “Porque a diretoria e a
coordenação da escola esperavam de mim que eu atuasse como fonoaudióloga clínica na
escola e esse era um grande problema entre mim e eles, pois eu não aceitava trabalhar como
fonoaudióloga clínica”. F4 refere que quando percebia alguma criança com dificuldade
“conversava com os pais sobre a demanda e encaminhava para outros profissionais”.
Sobre as orientações (e principalmente encaminhamentos) realizadas pelos
profissionais, essas práticas estavam relacionadas, na maioria das vezes, a uma perspectiva
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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patologizante, à suspeita ou identificação de algum problema ou transtorno. Apenas F3 teve
uma posição diferente sobre o tema da orientação, especialmente quando direcionada para os
professores:
[...] nunca fui pra escola pra... é disléxico, é TDAH, é autista… não ia pra
escola pra apontar nada. Sempre colocava tudo em dúvida. Era minha saída,
eu dizia: em dúvida, calma, vamos ver, vamos com calma, vamos avaliar,
vamos observar, e nesse meio do caminho ia desconstruindo muito do
diagnóstico, e aí ia conseguindo direcionar. (F3)
A gente não pode nunca chegar assim... eu acho que é uma prática que a
gente tem e que a gente precisa melhorar, a gente é muito impositivo na hora
de orientar, a gente chega com a verdade e joga ali, quem quiser que se vire.
Então precisa mudar isso, é isso, mas às vezes não tá na realidade dele
mudar isso tudo. (F3).
Nesse trecho da entrevista de F3, é possível observar uma prática que não se pauta em
problemas, doenças ou transtornos (de linguagem, leitura, escrita, fala ou qualquer outro). Ao
contrário, a prática de F3 questiona o que a escola aponta como transtorno, propõe a dúvida e
a observação em primeiro lugar, se empenha em não construir um olhar apressado e
medicalizante. Neste estudo, medicalização é compreendida como “um tipo de racionalidade
determinista que desconsidera a complexidade da vida humana, reduzindo-a a questões de
cunho individual, seja em seu aspecto orgânico, seja em seu aspecto psíquico, seja em uma
leitura restrita e naturalizada dos aspectos sociais” (FÓRUM, 2021, p. 345). Ressalta-se que
embora o tema da medicalização tenha sido amplamente debatido nos últimos anos, ainda é
incipiente na formação e na prática da maioria dos fonoaudiólogos.
Outro fato importante é o deslocamento de sentido que F3 propõe para a prática de
orientação ao relatar que “é uma prática que a gente tem e que a gente precisa melhorar, a
gente é muito impositivo na hora de orientar, a gente chega com a verdade e joga ali, quem
quiser que se vire”. Penteado e Servilha (2004, p. 114) ressaltam que práticas normativas e
prescritivas, que não envolvem a comunidade, encontram-se em processo de falência e que é
preciso “novas formas de aproximação, sensibilização e comunicação com a população”. As
autoras destacam que é necessário ouvir a população e, mais do que isso, considerá-la ativa e
capaz de mudanças (ao invés de mera espectadora ou depositária de orientações acerca da
saúde)”.
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Reuniões, palestras, oficinas
No que se refere às reuniões, palestras, oficinas, assessoria e capacitação, quatro (4)
dos cinco (5) profissionais entrevistados realizam essas atividades no contexto educacional.
Observou-se nos relatos que essas atividades eram realizadas principalmente com pais,
professores e diretores. Outro ponto importante é a temática dessas atividades, na maioria das
vezes, com foco na patologia: Dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
(TDAH), Distúrbios de Aprendizagem, Distúrbios de Linguagem, Desvio Fonológico etc.
Seguem os relatos de F1 e F5 quando questionados sobre o tema das palestras para
professores, coordenadores e pais:
Fui me aprofundando no tema sobre distúrbio de linguagem, distúrbio de
fala, distúrbio de leitura e escrita, a questão também da dislexia, eu dava
palestras também sobre esses assuntos. (F1).
Em algumas das palestras um dos assuntos principais era sobre o
desenvolvimento da linguagem infantil, então o que era esperado para
criança em sua faixa etária, o que é esperado para a criança de acordo com o
distúrbio que ela apresenta, então tudo isso a gente relatava nas palestras.
Escolhi um tema específico, principalmente educação infantil e era
trabalhado muito as palestras sobre linguagem, tanto que os professores
ficavam super curiosos em relação a isso porque era muita novidade, apesar
de muitos serem pedagogos, mas não tem às vezes um olhar diferenciado
que um fonoaudiólogo tem para essas questões, como trocas fonológicas, o
quadro fonológico da criança. (F5)
Ressalta-se que nos relatos da maioria dos entrevistados, a temática era proposta pelo
fonoaudiólogo, de forma unidirecional, extraída das queixas dos professores sobre os
estudantes e das triagens. Apenas F3 demonstrou construir uma prática diferente. As
temáticas das atividades surgiam a partir da relação construída com a comunidade escolar e
eram pactuadas de forma mais simétrica. Segue um trecho da entrevista no qual F3 menciona
sobre a construção dessa relação e o trabalho proposto:
Inicialmente quando a secretaria libera a gente para ter acesso aos colégios, a
gente vai até lá, conhece a direção, a equipe escolar, apresenta o trabalho e
vai conhecer a realidade dessa escola. Saber quem compõe ela, a quantidade
de alunos, qual o perfil daquela comunidade que ela está inserida, saber a
relação dos pais com a escola, e até mesmo da escola com os próprios
alunos. [...] Então, tenho trabalhado muito com apoio aos professores. Então
eu sento e a gente vai estudar junto com eles, então, como é o processo de
aquisição de escrita? O processo de aquisição de fala e de leitura? (F3).
[...] Então uma semana a gente tava ali trabalhando o que é próprio e o que
não é no processo de aquisição escrita, surgiam outras coisas. Ah,
realmente os alunos têm alguma questão que eles não gostam, vamos pensar
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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em outras práticas de escrita pra próxima, na próxima eu trabalhava
letramento, aí já discutia outra coisa, sempre tinha o que se discutir [...] (F3).
No relato acima, é possível observar que a atividade proposta (estudar junto, por
exemplo) nasce da relação construída com a escola. Observa-se que no trabalho de “apoio aos
professores”, a temática principal é o processo de aquisição da linguagem (falada ou escrita) e
não a patologia, o distúrbio. F3 expõe sobre o seu trabalho com a aquisição da escrita, a
importância de pensar junto com os professores sobre “outras práticas de escrita” e discutir,
por exemplo, sobre o tema do letramento. O estudo realizado por Berberian et al. (2013), com
o objetivo de analisar o conhecimento de um grupo de professores da rede pública do ensino
fundamental sobre concepções de escrita e sobre o conceito de letramento, apontou para a
importância de fonoaudiólogos inseridos na rede escolar envolverem-se na formação
continuada de professores para contribuírem com as discussões sobre apropriação da escrita
na perspectiva do letramento. As autoras ressaltaram que
[...] estabelecendo uma relação de parceria com o professor, o fonoaudiólogo
pode viabilizar uma melhoria na qualidade do ensino brasileiro aproximando
tal ensino das orientações especificadas nos Parâmetros Curriculares
Nacionais Língua Portuguesa e nas Diretrizes Curriculares Nacionais,
pautadas em uma perspectiva que toma a linguagem como trabalho social e
histórico. (BERBERIAN et al., 2013, p. 1640).
A parceria entre professor e fonoaudiólogos é de extrema importância e pode trazer
ganhos importantes para a educação, como aponta Berberian et al. (2013). No entanto, como
pode ser observado nas entrevistas, ainda é necessário que a Fonoaudiologia caminhe para a
construção de práticas (como as de reuniões, palestras, oficinas, assessorias dentre outras) que
sejam resultado de um diálogo que atenda as necessidades do professor, da escola e da
educação e que também tensionem concepções medicalizantes de linguagem, de educação e
de infância.
Ações intersetoriais
As ações intersetoriais foram práticas relatadas por todos os entrevistados deste
estudo, no entanto, foram observadas diferenças importantes entre os relatos, destacadas mais
adiante. Nas últimas duas décadas, o Sistema de Conselho Federal e Regionais de
Fonoaudiologia construíram documentos que ampliam a discussão sobre a atuação do
fonoaudiólogo no campo educacional e sinalizam para ações intersetoriais. Um desses
documentos, publicado em 2015, se trata da cartilha intitulada Contribuições do
Práticas fonoaudiológicas com a linguagem no contexto educacional
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Fonoaudiólogo Educacional para seu Município e sua Escola (CFFA, 2015). Nesse
documento, são esclarecidas dúvidas sobre a atuação do fonoaudiólogo, e apresentadas
contribuições desse profissional tanto para a escola quanto para o município. A respeito das
ações intersetoriais, a cartilha menciona que em parceria com a educação o fonoaudiólogo
pode “desenvolver projetos ou programas de articulação intersecretarias de saúde e educação,
e intersetoriais, contribuindo para a integralidade de atendimento ao munícipe” (CFFA, 2015,
p. 7).
O outro documento, intitulado “Atuação do Fonoaudiólogo Educacional: Guia
norteador”, publicado em 2016, destaca a importância das ações intersetoriais na prática do
fonoaudiólogo educacional. O guia define ações intersetoriais como aquelas que “envolvem a
articulação de estratégias entre diferentes setores sociais ou de diferentes políticas públicas,
que são necessárias para o enfrentamento de problemas que afetam a sociedade (CFFA,
2016, p. 16) e cita como exemplo de ações intersetoriais:
> ações voltadas à saúde do trabalhador;
>> ações da atenção básica voltadas à comunidade escolar (famílias,
trabalhadores da educação e educandos), como por exemplo ações de
promoção de saúde, matriciamento, entre outras;
>> ações em políticas intersetoriais, como o Programa Saúde na Escola;
>> participar nas instâncias de Controle Social municipal, estadual ou
federal, tanto na área da saúde quanto na educação. (CFFA, 2016, p. 16-17).
Nos dados analisados neste estudo, foi possível observar que todos os entrevistados
mencionaram realizar alguma prática intersetorial. A entrevistada F4 foi quem relatou maior
dificuldade de atuar intersetorialmente, como se observa em seu relato:
Não fazia porque assim, o máximo que eu é de relação foi com o
FAMA, né? Fantástico Mundo do Autista, que eu conhecia a fundadora do
FAMA e eu tinha adolescentes na escola, adolescentes autistas e eu… os
pais que marcavam e apareciam eu falava sobre o FAMA, né? Porque
estavam já na adolescência e as outras instituições de autistas de Salvador
não aceitavam mais essas crianças. Mas não era uma relação entre a escola e
o projeto, né? Era uma relação entre mim e a fundadora do projeto. (F4).
Nota-se no relato de F1 que a relação com o projeto FAMA
3
era sustentada por um
esforço individual da profissional ao orientar os pais sobre o trabalho da instituição com
crianças autistas, não obtendo o apoio da escola. Ao serem questionados sobre a articulação
3
FAMA - Projeto Fantástico Mundo Autista, criado em 2014, na cidade de Salvador-BA, por uma associação
sem fins lucrativos. Atua no desenvolvimento laboral para o público de adolescentes e adultos com TEA e tem
como missão a inclusão de forma responsável da pessoa com autismo no mundo do trabalho, garantindo
ocupação e renda.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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do trabalho na escola com outros serviços da rede ou com outros setores, F1, F2, F5
respondem:
eu articulava junto com um outro profissional que não era da fono, porque
não tinha como. eu articulava junto com uma assistente social, com um
psicólogo, quando eu tinha oportunidade também com o neurologista, que às
vezes tinha aluno que precisava de um diagnóstico como dislexia, aí eu
articulava por esses serviços. Mas com o fonoaudiólogo não, porque no
município não tem. (F1).
[...] todos os processos de encaminhamento que a gente faz, encaminha para
o CRAS as crianças que têm vulnerabilidade, né? A gente encaminha para o
CAPS as crianças que têm perfis de convulsões, né? Qualquer outra queixa
de saúde tem o Centro de Especialidade e Reabilitação Infantil em que a
gente faz algumas propostas de encaminhamentos, tem psicopedagogo e tal.
Então é um trabalho que tem um fluxograma já montado. (F2).
Com a Secretaria de Assistência Social, com o CRAS e a Secretaria de
Saúde. Tinha uma relação muito boa com algumas enfermeiras então elas
acabavam articulando algumas demandas que chegavam no PSF, e como a
cidade é pequena então todo mundo conhece, encaminhava para o fono,
perguntava de que forma pode ser trabalhado isso? Você atende isso? [...] eu
espero aumentar bem mais essa articulação, mas eu tinha sim essa
articulação boa com a Secretaria de Assistência Social e com a Secretaria de
Saúde. (F5).
Nos relatos de F1, F2 e F5, é possível observar que a relação com os outros setores
(CRAS
4
, CAPS, Centro de Especialidade e Reabilitação Infantil, Secretarias da Assistência
Social e Secretaria da Saúde) tinha como objetivo principal os encaminhamentos de crianças,
especialmente com demandas no campo da linguagem, para os serviços especializados. São
ações importantes que dialogam com o princípio de integralidade do cuidado do Sistema
Único de Saúde (SUS). De acordo com Silva et al. (2018), toda prática profissional deve estar
aberta para o diálogo entre gestores, profissionais de saúde e usuários, para que se possa
alcançar melhor interação, empatia e troca de saberes, numa construção social que
potencialize resultados e possibilite práticas para uma assistência integral. No entanto, as
práticas relatadas pelos profissionais estão ainda restritas ao sistema de referência e
contrarreferência; não constituem projetos intersetoriais e interdisciplinares pautados numa
4
No que se refere aos setores mencionados destaca-se que o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social)
atua na prevenção de situações de vulnerabilidade social e risco nos territórios. (Disponível em:
https://blog.gesuas.com.br/diferenca-cras-creas/). Quanto aos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) são
serviços de saúde de caráter aberto e comunitário voltados aos atendimentos de pessoas com sofrimento psíquico
ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool, crack e outras
substâncias, que se encontram em situações de crise ou em processos de reabilitação psicossocial” (Disponível
em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/caps).
Práticas fonoaudiológicas com a linguagem no contexto educacional
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construção, de fato, coletiva. Nota-se no relato do entrevistado F3, que ele é o que mais
avança nesse aspecto:
[...] normalmente [articulo] com a assistência social e educação. Aqui no
interior era mais complicado essas articulações porque tem questões políticas
muito sérias, então é muito complicado estruturar. Mas a gente tenta a todo
momento, agora mesmo eu em outra realidade, já firmei as parcerias
com o CAPS, com CRAS, com CREAS
5
, que são dispositivos de assistência
social, e começando a firmar parcerias com as escolas para poder fazer essa
articulação. A gente ainda organizando, pra início de dezembro, um
encontro municipal das áreas de educação, saúde e assistência social
para a gente discutir como é que a gente vai se comportar dentro da
rede. Porque a gente precisa entender o que é que tem na rede, como esses
mecanismos funcionam, pra poder fazer os acessos direitos. Porque não é
porque Ah, o menino não aprendendo, tem um psicólogo no CAPS,
manda pra lá. O psicólogo do CAPS não é pra isso. Ah, tem um fono [no
NASF
6
], mas o fono no NASF não é pra isso. Eu consigo fazer,
normalmente a gente procura pacto com todo mundo, educação, saúde e
assistência social e vai desenvolvendo o trabalho. Seria ótimo pactuar com
outras secretarias de estrutura, lazer, outras coisas, mas é complicado. (F3).
Observa-se no relato de F3, mais especificamente no trecho destacado em negrito, a
busca pela construção coletiva de um projeto intersetorial entre as áreas da educação, saúde e
assistência social. Outro ponto que merece ser ressaltado é que a referência e
contrarreferência pode ser parte do trabalho, mas não é o único objetivo das ações
intersetoriais. As ações intersetoriais não devem ser limitadas à busca de profissionais na rede
para atender as demandas de dificuldades de linguagem e aprendizagem identificadas na
escola. Silva e Rodrigues (2010), num estudo que propõe analisar as práticas intersetoriais
para promoção da saúde na Estratégia Saúde da Família (ESF), explicitam a importância de
criar e ampliar espaços comunicativos, “nos quais os diferentes setores, serviços e
equipamentos sociais possam dialogar, no sentido de construir consensos, bem como
identificar problemas e objetivos comuns para, então, planejar intervenções mais efetivas” (p.
768).
Os resultados deste estudo apontaram que as práticas fonoaudiológicas realizadas no
campo da educação, especialmente com a linguagem, ainda são bastante heterogêneas e
pautadas, sobretudo, pelas demandas relacionadas aos distúrbios e transtornos. Apesar dos
avanços obtidos nas últimas décadas, especialmente na proposta de práticas mais ampliadas e
5
O CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) cuida das consequências das situações de
vulnerabilidade e acompanha as famílias e indivíduos que tiveram seus direitos violados (Disponível em:
https://blog.gesuas.com.br/diferenca-cras-creas/).
6
O NASF (Núcleo de Apoio a Saúde da Família) é constituído por uma equipe multiprofissional que atua de
maneira integrada no apoio as equipes de saúde da Atenção Básica.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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vinculadas aos princípios básicos do SUS (integralidade, equidade e universalidade), ainda é
preciso ter na base dessas práticas perspectivas de saúde e de linguagem desmedicalizantes e
que de fato contribuam para melhora da qualidade da educação.
Considerações finais
Considerando os resultados deste estudo, se descolar de práticas vinculadas à clínica
fonoaudiológica talvez seja um dos grandes desafios do profissional fonoaudiólogo na
educação. Este fato ocorre, muito provavelmente, em função da fonoaudiologia
historicamente tratar a linguagem a partir da lógica normal x patológico.
Os resultados desse estudo permitem afirmar que a fonoaudiologia educacional ainda
tem um longo caminho a percorrer na construção de práticas fonoaudiológicas que priorizem
ações intersetoriais e interdisciplinares, especialmente numa perspectiva desmedicalizante, ou
seja, que não reduza o sujeito aprendiz a uma patologia. Também está distante, ainda, de uma
atuação sustentada em práticas educativas emancipatórias, ou seja, que valorizem a
comunicação dialógica, que visa à construção de um saber sobre o processo saúde-doença-
cuidado que possibilite aos indivíduos decidirem quais as estratégias mais apropriadas para
promover, manter e recuperar sua saúde.
Nessa desafiante atuação, que contemple o singular e o coletivo, deve-se dizer,
inspirados em Oliveira (2018), que mesmo diante de várias formas de atuação voltadas para o
trabalho com a fala, a leitura e a escrita, do aluno com ou sem alteração de linguagem, o
profissional fonoaudiólogo educacional deve ter um compromisso ético com a linguagem,
com as variedades linguísticas, com os diferentes modos de ler e escrever da
criança/adolescente, com os profissionais envolvidos e com a escola. O seu trabalho não deve
ser para o aluno, o professor, a família, mas com o aluno, o professor e a família, não no
sentido de dizer aos envolvidos o que fazer, de maneira assimétrica e verticalizada, mas no
sentido de construir juntos fazeres que se coadunem e se articulem, dentro de uma proposta de
escuta e respeito aos envolvidos.
Práticas fonoaudiológicas com a linguagem no contexto educacional
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Práticas fonoaudiológicas com a linguagem no contexto educacional
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não temos reconhecimento a ser feito.
Financiamento: Não há fomento.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres
Humanos do Instituto de Ciências da Saúde (ICS), da Universidade Federal da Bahia-
UFBA, CAAE número 5401617.7.0000.5662 e parecer número 2.081.615.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho estão
guardados em uma pasta do Google Drive, com acesso restrito, protegido por senhas (com
verificação em duas etapas) e sob a responsabilidade das pesquisadoras Danielle Pinheiro
de Carvalho Oliveira e Elaine Cristina de Oliveira.
Contribuições dos autores: A autora Danielle Pinheiro de Carvalho Oliveira contribuiu
com o desenho e delineamento do estudo, coleta de dados, análise e interpretação dados e
redação do artigo. A coautora Elaine Cristina de Oliveira contribuiu com a orientação do
projeto, desenho e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados e redação do
artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478 1
PRÁCTICAS DE FONOAUDIOLOGÍA CON LENGUAJE EN EL CONTEXTO
EDUCATIVO
PRÁTICAS FONOAUDIOLÓGICAS COM A LINGUAGEM NO CONTEXTO
EDUCACIONAL
SPEECH THERAPY PRACTICES WITH LANGUAGE IN THE EDUCATIONAL
CONTEXT
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA1
e-mail:danepcarvalho@gmail.com
Elaine Cristina de OLIVEIRA2
e-mail: elaine.oliveira@ufba.br
Cómo hacer referencia a este artículo:
OLIVEIRA, D. P. C.; OLIVEIRA, E. C. Prácticas de
fonoaudiología con lenguaje en el contexto educativo. Revista
Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n.
00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478
| Presentado en: 22/03/2023
| Revisiones requeridas en: 15/05/2023
| Aprobado en: 29/07/2023
| Publicado en: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Federal de Bahía (UFBA), Salvador B) Brasil. Estudiante de doctorado del Programa de
Posgrado en Educación de la Facultad de Educación FACED UFBA.
2
Universidad Federal de Bahía (UFBA), Salvador BA Brasil. Profesor, Departamento de Fonoaudiología.
Prácticas de fonoaudiología con lenguaje en el contexto educativo
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478 2
RESUMEN: Esta investigación tiene como objetivo identificar y analizar qué prácticas,
especialmente con el lenguaje, han sido realizadas por un grupo de fonoaudiólogos que
trabajan en educación en Bahia, y también reflexionar sobre las bases teóricas que sustentan
estas prácticas. Se trata de un estudio transversal, cualitativo, que contó con la participación
de cinco logopedas que actúan en el campo educativo. Los datos fueron producidos a través
de entrevistas semiestructuradas, posteriormente transcritas, organizadas y categorizadas para
su análisis. Los resultados apuntaron que las prácticas logopédicas realizadas en el campo de
la educación, especialmente con el lenguaje, todavía son bastante heterogéneas y están
guiadas, sobre todo, por demandas relacionadas con desórdenes y trastornos. Se concluye que
aún es necesario tener como base de las prácticas logopédicas, perspectivas de
desmedicalización de la salud y lenguaje que efectivamente contribuyan a mejorar la calidad
de la educación.
PALABRAS CLAVE: Lenguaje. Educación. Salud. Fonoaudiología.
RESUMO: Esta pesquisa tem como objetivo identificar e analisar quais práticas,
especialmente com a linguagem, têm sido realizadas por um grupo de fonoaudiólogos que
atua na educação da Bahia e, ainda, refletir sobre as bases teóricas que sustentam essas
práticas. Trata-se de um estudo de corte transversal, qualitativo, que teve a participação de
cinco fonoaudiólogos com atuação na área educacional. Os dados foram produzidos por
meio de entrevistas semiestruturadas, posteriormente transcritos, organizados e
categorizados para análise. Os resultados apontaram para o fato de que as práticas
fonoaudiológicas realizadas no campo da educação, especialmente com a linguagem, ainda
são bastante heterogêneas e pautadas, sobretudo, pelas demandas relacionadas aos
distúrbios e transtornos. Conclui-se que ainda é preciso ter na base das práticas
fonoaudiológicas perspectivas de saúde e de linguagem desmedicalizantes, que de fato
contribuam para a melhora da qualidade da educação.
PALAVRAS-CHAVE: Linguagem. Educação. Saúde. Fonoaudiologia.
ABSTRACT: This research aims to identify and analyze which practices, especially with
language, have been carried out by a group of speech therapists working in education in
Bahia, and to reflect on the theoretical bases that support these practices. This is a cross-
sectional, qualitative study, which had the participation of five speech therapists working in
the educational area. Data were produced through semi-structured interviews, later
transcribed, organized and categorized for analysis. The results pointed to the fact that
speech therapy practices carried out in the field of education, especially with language, are
still quite heterogeneous and guided, above all, by demands related to disturbs and disorders.
It is concluded that it is still necessary, at the base of speech therapy practices, health
perspectives and demedicalizing language that contribute to improving the quality of
education.
KEYWORDS: Language. Education. Health. Speech therapy.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA y Elaine Cristina de OLIVEIRA.
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478 3
Introducción
La fonoaudiología ensaya sus primeros pasos en el escenario educativo, entre los años
1920 y 1940, insertos en un proyecto de Unidad Nacional, a partir de una política de
estandarización de la lengua que, bajo el efecto de una propuesta de medidas de control
lingüístico, buscaba establecer estándares lingüísticos y normas para el habla. La
fonoaudiología no nace de la necesidad de curación o rehabilitación de secuelas, preocupación
directa con el paciente o la enfermedad, sino con la preocupación por "ubicar los límites entre
lo normal y lo patológico, lo correcto y lo incorrecto, lo adecuado y lo inadaptado"
(BERBERIAN, 2007, p. 22, nuestra traducción).
Históricamente, la fonoaudiología en Brasil está organizada y consolidada desde una
perspectiva clínica centrada en la necesidad de rehabilitación de la comunicación, con
prácticas dirigidas al diagnóstico de patologías, prevención de enfermedades, para
rehabilitación, hecho que puede ser observado en las leyes que regulan la profesión y su
hacer. Este modelo de acción, según autores como Cavalheiro (2001) y Berberian (2007),
atravesará las décadas, llegando incluso hasta nuestros días.
Sin embargo, después del movimiento introducido por la creación del SUS (Sistema
Único de Salud), que provocó reflexiones en torno a los conceptos de prevención y,
principalmente, de promoción de la salud, fue posible observar cambios significativos en la
forma de actuar por parte de algunos logopedas, especialmente en el campo de la educación.
Esto comenzó a seguir, en cierto modo, una nueva ruta, reevaluando algunos conceptos y sus
prácticas, moviéndose en la dirección de las necesidades de salud y las cuestiones sociales y
colectivas, según Penteado y Servilha (2004).
Alrededor de la década de 1990, después del contexto de redemocratización del país,
el movimiento de Reforma Sanitaria, la implementación de la nueva política de salud
resultante de la creación del SUS y la Conferencia Nacional de Salud, el concepto de salud
es visto como un proceso complejo que resulta:
[...] de las condiciones de alimentación, vivienda, educación, ingresos,
medio ambiente, trabajo, transporte, empleo, ocio, libertad, acceso y
posesión de la tierra y acceso a los servicios de salud. Es, por lo tanto, en
primer lugar, el resultado de las formas de organización social de la
producción, que pueden generar grandes desigualdades en los niveles de vida
(CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE, 1986, p. 4, nuestra traducción).
En esta concepción de la salud, el eje de la discusión de la patología y la prevención se
desplaza a la Promoción de la Salud y la calidad de vida, a los determinantes sociales y
Prácticas de fonoaudiología con lenguaje en el contexto educativo
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condicionamientos, a la forma de vida y trabajo de la población en un momento histórico
dado. Tomando como referencia una visión ampliada del proceso salud-enfermedad y sus
determinantes, Penteado y Servilha (2004) mencionan que el fonoaudiólogo comienza a
insertarse en proyectos más amplios, interdisciplinarios y en sintonía con la propuesta de
Promoción de la Salud.
Es importante destacar que el núcleo de la propuesta de Promoción de la Salud
también incluye un cambio en el concepto de educación para la salud. La concepción de la
educación, que sustenta las prácticas de educación para la salud en el modelo de Promoción,
tiene profundas raíces en el pensamiento de Freire de que la educación debe ser vivida como
una práctica concreta de liberación y construcción de la historia. Freire (1967) propone una
educación liberadora, que puede despertar en las personas una postura de reflexión sobre sus
responsabilidades sociales y políticas, sobre su tiempo y espacio. Es una educación crítica,
dialógica (relación yo-tú), para la libertad, en lugar de la "domesticación", para el "hombre-
sujeto" y no para el "hombre-objeto", una educación en la que la conciencia es el medio para
alejarse de la sombra de la opresión. Una educación liberadora es la "educación que,
despojada del atuendo alienado y alienante, es una fuerza para el cambio y la liberación"
(FREIRE, 1967, p. 36, nuestra traducción).
Otro punto de énfasis está relacionado con el lenguaje. Al comprometerse con el
modelo de Promoción de la Salud, se espera que la fonoaudiología también asuman una
concepción amplia del lenguaje y la comunicación que puede marcar la diferencia en la salud
y la vida de las personas, "ya que proporcionan al hombre una reflexión sobre mismo y
sobre el mundo, aceleran el aprendizaje, inducen la participación y permiten cambios en la
búsqueda de la reducción de las desigualdades, en la construcción de ciudadanía y de una
vida de calidad" (PENTEADO; SERVILHA, 2004, p. 113, nuestra traducción).
Considerando las transformaciones históricas que han ocurrido en los conceptos de
salud y educación en las últimas décadas, y también el hecho de que esos cambios pueden
implicar desplazamientos en las prácticas profesionales de fonoaudiología, surge la pregunta
de este estudio: ¿qué prácticas de fonoaudiología se han desarrollado en el ámbito de la
educación en Bahía, especialmente con el lenguaje?
Se entiende que los cambios en las prácticas de terapia del habla no ocurren de un día
para otro, ni por decreto. Las transformaciones necesitan tiempo, esfuerzo; Son enfatizados
por diversos sectores de la sociedad, como los cursos de pregrado, la relación con los
trabajadores de la educación y la salud, los cursos de educación continua, las políticas
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA y Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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públicas, etc. Teniendo en cuenta lo anterior, esta investigación tiene como objetivo
identificar y analizar qué prácticas, especialmente con el lenguaje, han sido realizadas por un
grupo de fonoaudiólogos que actúan en el área de la educación en el estado de Bahía y
también reflexionar sobre las bases teóricas que sustentan tales prácticas.
Metodología
Se trata de un estudio cualitativo, transversal, que tuvo una opinión favorable para su
realización por parte del Comité de Ética en Investigación con Seres Humanos del Instituto de
Ciencias de la Salud (ICS), de la Universidad Federal de Bahía-UFBA, CAAE número
5401617.7.0000.5662 y opinión número 2.081.615.
Cinco fonoaudiólogos que actuaban en el área educativa en el estado de Bahía
participaron de este estudio, siendo 3 hombres y 2 mujeres, distribuidos en 5 municipios de
Bahía, ubicados en las siguientes regiones: 1 profesional en la región Centro-Sur, 1 en la
región Centro-Norte, 1 en la región Nordeste, 1 en la región Metropolitana y 1 en la capital de
Bahía, Salvador. Los participantes fueron identificados a través de la técnica de "bola de
nieve" o bola de nieve, en la que cada participante indica otro participante (FLICK, 2009) de
cualquier lugar de Bahía. Se incluyeron profesionales inscritos en el Consejo Regional de
Fonoaudiología y Audiología y que trabajaron con el sistema educativo público o privado
durante un período mínimo de seis meses. Cabe destacar que otros profesionales fueron
identificados, pero no participaron de este estudio porque no cumplieron con los criterios de
inclusión. Algunos estaban trabajando con la dirección del departamento de educación, sin
acción directa en las escuelas, llevando a cabo acciones específicas. Otros profesionales,
aprobados por concurso para trabajar en el área con fonoaudiología educativa, estaban
trabajando en el área clínica.
La Tabla 1 a continuación presenta una síntesis del perfil, la formación y el campo de
acción de los participantes, identificados por siglas (F1 a F5).
Prácticas de fonoaudiología con lenguaje en el contexto educativo
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Tabla 1 Perfil de logopedas seleccionadas para el estudio
Edad
Sexo
Año de
formación
Postgrado
Ámbito de actuación
en la red
Tipo de
red
31
Femenino
2009
Especialización en
Educación Especial y
Motricidad Orofacial
Educación Infantil,
Escuela Primaria I y II
Pública
Municipal
31
Masculino
2011
Especialización en
Salud Pública.
Especialización en
Lenguaje en curso.
Educación Infantil,
Escuela Primaria I y II
y Educación Especial.
Pública
Municipal
24
Masculino
2016
Especialización en
Salud Mental con
énfasis en Trastorno
del Espectro Autista
Educación Infantil,
Escuela Primaria I
y II
Pública
Municipal
28
Femenino
2012
Especialización en
Fonoaudiología
Clínica
Educación Infantil,
Escuela Primaria I y II
y Educación Especial.
Privada
29
Masculino
2015
No tiene.
Educación Infantil,
Escuela Primaria I y
II, Servicio Educativo
Especializado (AEE)
Pública
Municipal
Fuente: Elaboración del autor
Para la producción de los datos, se realizaron entrevistas semiestructuradas a lo largo
de 2017, en línea, a través de hangout o skype, de acuerdo con la preferencia de los
participantes. Las grabaciones orales se obtuvieron utilizando instrumentos como grabadoras
de audio digital, y se utilizó software de grabación gratuito.
Las entrevistas se realizaron en una reunión, con una duración aproximada de 1 hora, a
una hora y día previamente programados. El guión de la entrevista se estructuró previamente
en base a dos bloques temáticos: el primero con datos de identificación de los entrevistados y
el segundo con preguntas orientadoras.
A partir de las respuestas, se crearon las categorías y subcategorías de análisis. Para el
eje temático relacionado con las prácticas fonoaudiológicas con el lenguaje en el campo
educativo, se crearon las siguientes subcategorías: a) proyecciones, orientaciones y
referencias; b) reuniones, talleres, conferencias; y c) acciones intersectoriales.
Para la realización de este estudio, después de la recolección, todas las entrevistas
fueron completamente transcritas y leídas cuidadosamente, con el fin de estudiar los datos en
profundidad y comenzar el proceso de selección de información. Luego, para el análisis de los
datos, se organizó una tabla que contenía una síntesis de las principales prácticas de patología
del habla y el lenguaje mencionadas por los participantes. El análisis se realizó desde la
perspectiva sociohistórica propuesta por Freitas (2002). Para el autor, el análisis del material
recogido en el campo busca "comprender lo que surgió en una situación de observación o
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA y Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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entrevista" (FREITAS, 2002, p. 29, nuestra traducción). Esta comprensión nos permite, desde
un marco teórico, percibir los puntos de encuentro, las similitudes, las diferencias y las
particularidades de cada entrevista.
En la siguiente sección, se presentarán los resultados y la discusión de los datos
analizados.
Prácticas fonoaudiológicas con el lenguaje en el campo de la educación
El análisis de las prácticas de fonoaudiólogos educacionales, llevado a cabo
especialmente en el campo del lenguaje, apuntaba a diferentes acciones que, aun teniendo la
misma denominación, variaban de un profesional a otro. El análisis también permitió observar
convergencias y divergencias entre los profesionales. La Tabla 2 a continuación presenta una
síntesis de las principales prácticas reportadas por los logopedas en las entrevistas. Los
resultados se presentarán y discutirán en las subsecciones a continuación.
Tabla 2 Prácticas fonoaudiológicas relatadas por los entrevistados
Prácticas
F1
F2
F3
F4
F5
Clasificación
Directrices
Referencias
Evaluación
de
prevención
Directrices
Referencia
s
Cribado escolar (perfil
cognitivo)
Referencias
Cribado
(pocos
casos)
Pautas
para
padres
Referencia
s
Selección/evaluac
n (quejas)
Orientación sobre
los resultados de la
selección
Referencias
Reuniones/
Talleres/
Conferencias
Talleres y
conferencia
s
Talleres/Formación/Formaci
ón del profesorado
Talleres/
Conferencia
s
Conferencias/Asesor
ía
Acciones
intersectorial
es
Articulació
n con el
área de
salud
CRAS, CAPS y Centro de
Rehabilitación Infantil
NASF,
PSE,
CRAS,
CREAS
Proyecto
FAMA
Articulación con el
área de salud,
asistencia social
(CRAS) y
enfermeras del PSE
Fuente: Elaboración del autor
Proyecciones, orientación y referencias
El chequeo fonoaudiológico, seguidas de orientación y derivaciones, las prácticas
fueron reportadas con mayor frecuencia durante las entrevistas. En cuanto más
específicamente al tamizaje, apenas 1 (uno), entre los 5 (cinco) profesionales entrevistados, no
mencionó la realización del procedimiento. A pesar de que fue un procedimiento aplicado por
casi todos los entrevistados, fue posible observar que la concepción del tamizaje, la forma en
que se realizó y las razones por las cuales se realizaron presentaron variaciones.
Prácticas de fonoaudiología con lenguaje en el contexto educativo
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De las respuestas proporcionadas por los participantes, se observó que los
fonoaudiólogos realizaban, principalmente, un cribado centrado en aspectos del lenguaje, el
cribado auditivo, y también un cribado denominado "cribado escolar". En general, el cribado
realizado por los profesionales tuvo como objetivo identificar a los niños considerados con
dificultades (por el profesional o el profesor) y que necesitaban un diagnóstico y/o
derivaciones. En los informes de F1 se observa que el cribado, además de servir para
identificar a niños que desde su punto de vista necesitaban un diagnóstico, tenía un carácter
atribuido a la prevención:
Realicé más el tema de la detección cuando vi la necesidad, que necesitaba
un diagnóstico más específico, ¿verdad? Debido a que hay áreas en las que
necesitamos otro profesional para cerrar un diagnóstico, te recomendaría.
Pero no dio un diagnóstico. (F1, nuestra traducción).
[…] Con los estudiantes hice más trabajo de prevención. Estaba
proyectando, ¿verdad? Vi la necesidad, si ese niño necesitaba una referencia,
la recomendaría, pero era más un trabajo de orientación. (F1, nuestra
traducción).
Ya F2 afirma que, además de realizar "exámenes escolares" para llegar al "perfil de los
estudiantes" a través de la "evaluación cognitiva", realizó un cribado auditivo, hechos que se
pueden observar en el siguiente extracto:
Hago exámenes escolares para ver mo les va a los estudiantes. Así, por
ejemplo, tiene una forma de perfil cognitivo, evaluación cognitiva. Voy y
aplico con el perfil y la cantidad de estudiantes, ¿verdad? Y luego, entre esas
preguntas, tomo a estos estudiantes y hago un proceso de evaluación más
cuidadoso. (F2, nuestra traducción).
[...] Trabajo haciendo exámenes de audición en las escuelas, ¿verdad? Así
que con el otoscopio voy y hago cribado con meatoscopia, identifico
infecciones, tapón de cerumen, objetivos extraños, ¿verdad? Hago la
referencia y luego la envío a hacer la audiometría. (F2, nuestra traducción).
Nótese que la propuesta que apoya el instrumento denominado "exámenes escolares"
utilizado por F2 se restringe a la evaluación de aspectos cognitivos, es decir, reduce la
complejidad del lenguaje del estudiante a sus aspectos cognitivos. Para Chacón (2020), en una
situación de evaluación lingüística (el cribado puede considerarse un tipo de situación de
evaluación lingüística), "lo que el niño muestra del lenguaje se evalúa en función de cómo se
constituye el evaluador, para él, como interlocutor" (p. 85, nuestra traducción). Para el autor,
es "el sentido que guía la acción por el lenguaje en el proceso llamado comunicación
lingüística. Todo acto de comunicación (y no sólo los lingüísticos) tiene, por tanto, como
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA y Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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orientación fundamental, la producción y atribución de significados" (p. 84). Reducir el
lenguaje y el aprendizaje del estudiante a aspectos cognitivos, separados de la relación con el
evaluador y de la producción de significados, es ignorar la complejidad de estos fenómenos y
el peligro de esta acción; Es borrar al sujeto y, como consecuencia, causar o aumentar su
sufrimiento.
Aún con respecto al procedimiento de selección, se puede observar una diferencia en
los informes de F5. El profesional menciona que la evaluación fue realizada tanto por el
maestro como por el terapeuta del habla, como se informa a continuación:
Primero es como, déjame volver ... Fue la proyección. Envié una proyección
a estas escuelas, en esta proyección estaba poniendo temas que lo dirigían
más a la parte educativa, así que envié esta proyección a estas escuelas ... los
maestros, a través de esa evaluación, identificaron las quejas y las enviaron
al Departamento de Educación. Hice este análisis de todas las proyecciones
que se enviaron y después, iría a la escuela, haría esta devolución, dando este
apoyo, ¿verdad? (F5, grifo de las autoras, nuestra traducción).
Se observa en el informe de F5 que al solicitar que el profesor realice el procedimiento
de selección, asigna al profesor una tarea que es estrictamente del profesional fonoaudiólogo,
y también, transforma al maestro en un detector de problemas/trastornos. Giroto (1999)
destaca en sus estudios que transformar al profesor en un detector de problemas contribuye a
reforzar la patologización del lenguaje/lenguaje y potenciar las acciones curativas y
preventivas en la escuela.
El profesional F3 es el único que cuestiona el uso del procedimiento de cribado para
identificar a niños con supuestos trastornos y/o patologías, y afirma que evita utilizarlo
siempre que sea posible, según el siguiente informe:
Cuando llego a la escuela así, que digo, oh, en última instancia, la escuela ya
está un poco triste porque, inicialmente, quieren que vayamos a identificar
algo, dislexia, TDAH, trastornos, que demos dirección a estos tratamientos y
reduzcamos la demanda. Pero luego también he estado trabajando en otro
movimiento, el de deconstruir muchos de estos conceptos y acercarme a
estos maestros para... Ven aquí, ya que un estudiante tiene todo esto que
estás diciendo, ¿cómo vamos a tratar con él? Entonces, ¿cómo vamos a
mejorar este proceso de alfabetización? (F3, nuestra traducción).
Se observa que, a diferencia de otros profesionales, F3 cuestiona el procedimiento de
selección y lleva a cabo su práctica en otro lugar, para una acción que puede proporcionar
datos para un trabajo conjunto, para acciones conjuntas entre fonoaudiólogo y profesor. El
profesional se pregunta "¿cómo vamos a lidiar con eso?", y también, "¿cómo vamos a
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potenciar este proceso de alfabetización?", cambiando su desempeño de un lugar
individualizado a una acción conjunta. En otro extracto de la entrevista F3, se observa que
incluso cuando el profesional considera necesario el uso del cribado, la forma en que se
realiza el procedimiento parece ser diferente:
Con los niños a veces es necesario hacer cribado, porque hay casos que
llaman la atención. Y luego como en el municipio donde trabajaba tenía una
complicada adherencia de los padres a los tratamientos, más ambulatorios
incluso, por lo que pude en la escuela, en pocos momentos, observar al
menos a algunos niños con retrasos importantes, retrasos en el lenguaje que
llamaban la atención. Y luego lo hizo. Pero la atención se centró en
actividades colectivas con estos niños. Así que tomaría, por ejemplo, la
narración de cuentos jugaría con la interpretación de textos. [...] Jugaba con
los niños, pero jugaba incluso si implicaba leer y escribir, para llevar esas
prácticas a otros lugares. (F3, nuestra traducción).
Se observa que F3 propone prácticas lingüísticas colectivas para el procedimiento de
cribado (cuentacuentos, juego), busca una mirada ampliada a los niños, considerando las
prácticas lingüísticas reales en las que se insertan. El profesional da visibilidad al sujeto y a la
forma en que produce significado en las interacciones en las que participa.
Con respecto a la orientación y las referencias, generalmente son procedimientos
correlacionados con la detección del habla. Solo F4 menciona no hacerlo, probablemente
debido a la presión que mencionó recibir de la escuela para realizar prácticas en una
perspectiva más clínica, según su informe: "Porque la junta escolar y la coordinación
esperaban que actuara como una fonoaudióloga clínica en la escuela y esto fue un gran
problema entre ellos y yo, porque no acepté trabajar como terapeuta del habla clínico". F4
informa que cuando percibió a un niño con dificultad, "habló con sus padres sobre la demanda
y los remitió a otros profesionales".
En cuanto a las orientaciones (y especialmente las derivaciones) realizadas por los
profesionales, estas prácticas se relacionaron, en la mayoría de los casos, a una perspectiva
patologizante, a la sospecha o identificación de algún problema o trastorno. Solo F3 tenía una
posición diferente sobre el tema de la orientación, especialmente cuando se dirigía a los
maestros:
[...] Nunca fui a la escuela por... es disléxico, es TDAH, es autista... No fui a
la escuela para señalar nada. Siempre cuestionaba todo. Era mi salida, dije:
bueno, cálmate, vamos a ver, vamos a tomarlo con calma, vamos a evaluar,
vamos a observar, y luego a mitad de camino ya estaba deconstruyendo gran
parte del diagnóstico, y luego pude dirigir. (F3, nuestra traducción).
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA y Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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Nunca podemos llegar a ser así... Creo que es una práctica que tenemos y
que necesitamos mejorar, somos muy imponentes a la hora de guiar,
venimos con la verdad y jugamos ahí, quien quiera darle la vuelta. Así que
necesita cambiar eso, eso es todo, pero a veces no es realmente en su
realidad cambiar todo eso. (F3, nuestra traducción).
En este extracto de la entrevista F3, es posible observar una práctica que no se basa en
problemas, enfermedades o trastornos (lenguaje, lectura, escritura, habla o cualquier otro). Por
el contrario, la práctica de F3 cuestiona lo que la escuela señala como un trastorno, propone la
duda y la observación en primer lugar, se esfuerza por no construir una mirada apresurada y
medicalizadora. En este estudio, la medicalización se entiende como "un tipo de racionalidad
determinista que ignora la complejidad de la vida humana, reduciéndola a cuestiones de
naturaleza individual, ya sea en su aspecto orgánico, o en su aspecto psíquico, o en una lectura
restringida y naturalizada de los aspectos sociales" (FORUM, 2021, p. 345, nuestra
traducción). Cabe destacar que, aunque el tema de la medicalización ha sido ampliamente
debatido en los últimos años, todavía es incipiente en la formación y práctica de la mayoría de
los logopedas.
Otro dato importante es el desplazamiento de significado que propone la F3 para la
práctica de la orientación al informar que "es una práctica que tenemos y que necesitamos
mejorar, somos muy imponentes a la hora de guiar, llegamos con la verdad y jugamos ahí,
quien quiera darle la vuelta". Penteado y Servilha (2004, p. 114, nuestra traducción) enfatizan
que las prácticas normativas y prescriptivas, que no involucran a la comunidad, están en
proceso de quiebra y que es necesario "nuevas formas de aproximación, conciencia y
comunicación con la población". Los autores enfatizan que es necesario escuchar a la
población "y, más que eso, considerarla activa y capaz de cambiar (en lugar de un mero
espectador o depositario de orientación sobre la salud)".
Reuniones, conferencias, talleres
Con respecto a reuniones, conferencias, talleres, asesoramiento y capacitación, cuatro
(4) de los cinco (5) profesionales entrevistados realizan estas actividades en el contexto
educativo. En los informes se observó que estas actividades se llevaron a cabo principalmente
con padres, maestros y directores. Otro punto importante es el tema de estas actividades, la
mayoría de las veces, centrándose en la patología: Dislexia, Trastorno por Déficit de Atención
e Hiperactividad (TDAH), Trastornos del Aprendizaje, Trastornos del Lenguaje, Desvío
Prácticas de fonoaudiología con lenguaje en el contexto educativo
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Fonológico etc. Los siguientes son los informes de F1 y F5 cuando se les preguntó sobre el
tema de las conferencias a maestros, coordinadores y padres:
Estaba profundizando en el tema del deterioro del lenguaje, el trastorno del
habla, el trastorno de la lectura y la escritura, el tema también de la dislexia,
también di conferencias sobre estos temas. (F1, nuestra traducción).
En algunas de las conferencias uno de los temas principales fue sobre el
desarrollo del lenguaje de los niños, por lo que lo que se esperaba para los
niños en su grupo de edad, lo que se espera para el niño de acuerdo con el
trastorno que presentan, por lo que todo esto lo informamos en las
conferencias. Elegí un tema específico, principalmente educación infantil y
se trabajaron mucho las clases magistrales sobre lenguaje, tanto que los
profesores tenían mucha curiosidad al respecto porque era muy nuevo,
aunque muchos son pedagogos, pero a veces hay una mirada diferente que
tiene un logopeda para estos temas, como los intercambios fonológicos, la
imagen fonológica del niño. (F5, nuestra traducción).
Cabe destacar que, en los informes de la mayoría de los entrevistados, el tema fue
propuesto por el fonoaudiólogo, de forma unidireccional, extraído de las quejas de los
profesores sobre los alumnos y de las proyecciones. Solo se ha demostrado que F3 construye
una práctica diferente. Los temas de las actividades surgieron de la relación construida con la
comunidad escolar y fueron acordados de manera más simétrica. El siguiente es un extracto
de la entrevista en la que F3 menciona sobre la construcción de esta relación y el trabajo
propuesto:
Inicialmente cuando la secretaría nos libera para tener acceso a las escuelas,
vamos allí, nos reunimos con la dirección, el equipo de la escuela,
presentamos el trabajo y conoceremos la realidad de esta escuela. Saber
quién lo compone, el número de alumnos, cuál es el perfil de esa comunidad
en la que se inserta, conocer la relación de los padres con la escuela, e
incluso de la escuela con los propios alumnos. [...] Así que he estado
trabajando mucho con el apoyo de los maestros. Así que me siento y vamos
a estudiar junto con ellos, entonces, ¿cómo es el proceso de adquisición de la
escritura? ¿El proceso de adquisición del habla y lectura? (F3, nuestra
traducción).
[...] Así que una semana estuvimos allí trabajando en lo que es apropiado y
lo que no está en el proceso de adquisición escrita, luego aparecieron otras
cosas. Ah, realmente los estudiantes tienen alguna pregunta que no les gusta,
pensemos en otras prácticas de escritura para la siguiente, luego en la
siguiente trabajé la alfabetización, luego ya discutí otra cosa, siempre había
algo que discutir [...]. (F3, nuestra traducción).
En el informe anterior, es posible observar que la actividad propuesta (estudiar juntos,
por ejemplo) nace de la relación construida con la escuela. Se observa que en el trabajo de
"apoyo a los maestros", el tema principal es el proceso de adquisición del lenguaje (hablado o
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA y Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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escrito) y no la patología, el trastorno. F3 expone sobre su trabajo con la adquisición de la
escritura, la importancia de pensar junto con los maestros sobre "otras prácticas de escritura"
y discutir, por ejemplo, sobre el tema del letramiento. El estudio de Berberian et al. (2013),
con el objetivo de analizar el conocimiento de un grupo de profesores de la red de escuelas
primarias públicas sobre las concepciones de la escritura y sobre el concepto de letramiento,
señaló la importancia de fonoaudiólogos insertados en la red escolar para involucrarse en la
educación continua de los maestros para contribuir a las discusiones sobre la apropiación de la
escritura desde la perspectiva de la alfabetización. Los autores señalaron que
[...] establecer una relación de colaboración con el profesor, el
fonoaudiólogo puede permitir una mejora en la calidad de la educación
brasileña al acercar dicha enseñanza a las directrices especificadas en los
Parámetros Curriculares Nacionales Lengua Portuguesa y las Directrices
Curriculares Nacionales, a partir de una perspectiva que toma el lenguaje
como trabajo social e histórico. (BERBERIAN et al., 2013, p. 1640, nuestra
traducción).
La asociación entre el profesor y fonoaudiólogos es extremadamente importante y
puede aportar importantes beneficios a la educación, como señalan Berberian et al. (2013).
Sin embargo, como se puede observar en las entrevistas, sigue siendo necesario que la
Fonoaudiología avance hacia la construcción de prácticas (como reuniones, conferencias,
talleres, asesorías, entre otras) que sean el resultado de un diálogo que satisfaga las
necesidades del maestro, la escuela y la educación y que también tensionen las concepciones
medicalizantes del lenguaje, la educación y la infancia.
Acciones intersectoriales
Las acciones intersectoriales fueron prácticas relatadas por todos los entrevistados en
este estudio, sin embargo, se observaron diferencias importantes entre los informes,
destacadas posteriormente. En las últimas dos décadas, el Sistema de Consejos Federales y
Regionales de Fonoaudiología Construyeron documentos que amplían la discusión sobre el
desempeño del logopeda en el campo educativo y señalan acciones intersectoriales. Uno de
estos documentos, publicado en 2015, es el folleto titulado "Contribuciones del
Fonoaudiólogo Educacional por su Municipio y su Escuela" (CFFA, 2015, nuestra
traducción). En este documento se aclaran dudas sobre el desempeño del logopeda, y se
presentan aportaciones de este profesional tanto para la escuela como para el municipio. En
cuanto a las acciones intersectoriales, el folleto menciona que, en asociación con la educación,
el logopeda puede "desarrollar proyectos o programas de articulación entre salud y educación,
Prácticas de fonoaudiología con lenguaje en el contexto educativo
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e intersectoriales, contribuyendo a la integralidad de la atención al ciudadano" (CFFA, 2015,
p. 7).
El otro documento, titulado Actuación del Fonoaudiólogo Educacional: Guia
guiador", publicado en 2016, destaca la importancia de las acciones intersectoriales en la
práctica del logopeda. La guía define las acciones intersectoriales como aquellas que
"implican la articulación de estrategias entre diferentes sectores sociales o diferentes políticas
públicas, que son necesarias para enfrentar problemas que afectan a la sociedad" (CFFA,
2016, p. 16, nuestra traducción) y cita como ejemplo de acciones intersectoriales:
> acciones dirigidas a la salud de los trabajadores;
>> acciones de atención primaria dirigidas a la comunidad escolar (familias,
educadores y estudiantes), como acciones de promoción de la salud, apoyo
matricial, entre otras;
>> acciones en políticas intersectoriales, como el Programa de Salud
Escolar;
>> participar en las instancias de Control Social municipal, estatal o federal,
tanto en el área de salud como de educación. (CFFA, 2016, p. 16-17, nuestra
traducción).
En los datos analizados en este estudio, fue posible observar que todos los
entrevistados mencionaron realizar alguna práctica intersectorial. La entrevistada F4 fue la
que reportó la mayor dificultad para actuar intersectorialmente, como se observa en su
informe:
No lo hice porque... Entonces, lo máximo que soy... de relación fue con
FAMA, ¿verdad? Fantástico Mundo de los Autistas, que conocía al fundador
de FAMA y tenía adolescentes en la escuela, adolescentes autistas y yo... los
padres que marcaron y se presentaron Hablé sobre FAMA, ¿verdad? Porque
ya estaban en la adolescencia y las otras instituciones autistas de Salvador ya
no aceptaban a estos niños. Pero no era una relación entre la escuela y el
proyecto, ¿verdad? Fue una relación entre el fundador del proyecto y yo.
(F4, nuestra traducción).
Se señala en el informe de F1 que la relación con el proyecto FAMA
3
fue apoyado por
un esfuerzo individual del profesional para orientar a los padres sobre el trabajo de la
institución con niños autistas, no obteniendo el apoyo de la escuela. Cuando se le pregunta
sobre la articulación del trabajo en la escuela con otros servicios de la red o con otros
sectores, F1, F2, F5 responden:
3
FAMA - Proyecto Fantástico Mundo Autista, creado en 2014, en la ciudad de Salvador-BA, por una asociación
sin fines de lucro. Actúa en el desarrollo laboral para el público de adolescentes y adultos con TEA y tiene como
misión la inclusión responsable de la persona con autismo en el mundo laboral, garantizando ocupación e
ingresos.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA y Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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Me articulé junto con otro profesional que no era del Fono, porque no había
manera. Luego me articulé junto con un trabajador social, con un psicólogo,
cuando tuve la oportunidad también con el neurólogo, que a veces tenía un
estudiante que necesitaba un diagnóstico como dislexia, luego articulé para
estos servicios. Pero no con el logopeda, porque en el municipio no lo hace.
(F1, nuestra traducción).
[...] todos los procesos de derivación que hacemos refieren a la CRAS los
niños que tienen vulnerabilidad, ¿verdad? Referimos a los niños que tienen
perfiles de convulsiones al CAPS, ¿verdad? Cualquier otra queja de salud
cuenta con el Centro de Especialidad y Rehabilitación Infantil en el que
hacemos algunas propuestas de derivaciones, tiene psicopedagogo y tal. Así
que es un trabajo que tiene un diagrama de flujo ya armado. (F2, nuestra
traducción).
Con la Secretaría de Asistencia Social, con la CRAS y la Secretaría de
Salud. Tuve una muy buena relación con algunas enfermeras, así que
terminaron articulando algunas demandas que llegaron al FHP, y como la
ciudad es pequeña, entonces todos saben, ya enviados al fono, preguntaron
¿cómo se puede trabajar esto? ¿Cumples con eso? [...] Espero aumentar
mucho más esta articulación, pero tuve esta buena articulación con la
Secretaría de Asistencia Social y con la Secretaría de Salud. (F5, nuestra
traducción).
En los informes de F1, F2 y F5, es posible observar que la relación con los otros
sectores (CRAS
4
, CAPS, Centro de Especialidades y Rehabilitación Infantil, Secretarías de
Asistencia Social y Secretaría de Salud) tenía como objetivo principal la derivación de niños,
especialmente con demandas en el campo del lenguaje, a servicios especializados. Estas son
acciones importantes que dialogan con el principio de integralidad de la atención del Sistema
Único de Salud (SUS). Según Silva et al. (2018), toda práctica profesional debe estar abierta
al diálogo entre gestores, profesionales de la salud y usuarios, de modo que se pueda lograr
una mejor interacción, empatía e intercambio de conocimientos, en una construcción social
que potencie los resultados y posibilite prácticas de atención integral. Sin embargo, las
prácticas reportadas por los profesionales todavía están restringidas al sistema de remisión y
contrarreferencia; No constituyen proyectos intersectoriales e interdisciplinarios basados en
una construcción, de hecho, colectiva. Se señala en el informe del entrevistado F3, que es
quien más avanza en este aspecto:
4
Con respecto a los sectores mencionados, cabe destacar que el CRAS (Centro de Referencia de Asistencia
Social) actúa en la prevención de situaciones de vulnerabilidad y riesgo social en los territorios. (Disponible en:
https://blog.gesuas.com.br/diferenca-cras-creas/). En cuanto al CAPS (Centro de Atención Psicosocial) "son
servicios de salud de carácter abierto y comunitario dirigidos a la atención de personas con malestar psicológico
o trastorno mental, incluyendo aquellas con necesidades derivadas del consumo de alcohol, crack y otras
sustancias, que se encuentran en situaciones de crisis o en procesos de rehabilitación psicosocial" (Disponible en:
https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/caps).
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[...] por lo general [articular] con asistencia social y educación. Aquí en el
interior era más complicadas estas articulaciones porque tiene cuestiones
políticas muy serias, por lo que es muy complicado de estructurar. Pero lo
intentamos todo el tiempo, ahora mismo estoy en otra realidad, ya he
establecido alianzas con CAPS, con CRAS, con CREAS
5
, que son
dispositivos de asistencia social, y comenzar a establecer alianzas con las
escuelas para poder hacer esta articulación. Todavía estamos organizando,
para principios de diciembre, una reunión municipal en las áreas de
educación, salud y asistencia social para discutir cómo nos
comportaremos dentro de la red. Porque necesitamos entender qué hay en
la red, cómo funcionan estos mecanismos, para poder hacer los accesos
correctos. Porque no es porque... Ah, el niño no está aprendiendo, hay un
psicólogo en CAPS, envíalo allí. El psicólogo del CAPS no está para eso.
Ah, hay un fono [en el NASF
6
], pero el fono en la NASF no es para eso.
Puedo hacerlo, por lo general buscamos pacto con todos, educación, salud y
asistencia social y desarrollaremos el trabajo. Sería genial estar de acuerdo
con otros departamentos de estructura, ocio, otras cosas, pero es complicado.
(F3, nuestra traducción).
Se observa en el informe de F3, más específicamente en el pasaje resaltado en negrita,
la búsqueda de la construcción colectiva de un proyecto intersectorial entre las áreas de
educación, salud y asistencia social. Otro punto que merece ser enfatizado es que la referencia
y la contrarreferencia pueden ser parte del trabajo, pero no es el único objetivo de las acciones
intersectoriales. Las acciones intersectoriales no deben limitarse a la búsqueda de
profesionales en la red para satisfacer las demandas de dificultades lingüísticas y de
aprendizaje identificadas en la escuela. Silva y Rodrigues (2010), en un estudio que propone
analizar las prácticas intersectoriales para la promoción de la salud en la Estrategia Salud de la
Familia (ESF), explican la importancia de crear y ampliar espacios comunicativos, "en los que
los diferentes sectores, servicios y equipamientos sociales puedan dialogar, con el fin de
construir consensos, así como identificar problemas y objetivos comunes para que, entonces,
planificar intervenciones más eficaces" (p. 768, nuestra traducción).
Los resultados de este estudio señalaron que las prácticas de patología del habla y el
lenguaje realizadas en el campo de la educación, especialmente con el lenguaje, son todavía
bastante heterogéneas y guiadas, sobre todo, por las demandas relacionadas con los trastornos
y trastornos. A pesar de los avances logrados en las últimas décadas, especialmente en la
propuesta de prácticas más amplias vinculadas a los principios básicos del SUS (integralidad,
5
El CREAS (Centro de Referencia Especializado en Asistencia Social) se ocupa de las consecuencias de las
situaciones de vulnerabilidad y acompaña a las familias y personas que han visto vulnerados sus derechos
(Disponible en: https://blog.gesuas.com.br/diferenca-cras-creas/).
6
El NASF (Centro de Apoyo a la Salud de la Familia) está constituido por un equipo multidisciplinar que actúa
de forma integrada en el apoyo de los equipos sanitarios de Atención Primaria.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA y Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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equidad y universalidad), todavía es necesario tener perspectivas desmedicalizadoras de la
salud y del lenguaje en la base de estas prácticas y que realmente contribuyan a mejorar la
calidad de la educación.
Consideraciones finales
Considerando los resultados de este estudio, desprenderse de las prácticas vinculadas a
la clínica de fonoaudiología puede ser uno de los grandes desafíos del fonoaudiólogo en
educación. Este hecho ocurre, muy probablemente, debido al hecho de que la fonoaudiología
históricamente trata el lenguaje desde la lógica normal x patológica.
Los resultados de este estudio nos permiten afirmar que la logopedia educativa aún
tiene un largo camino por recorrer en la construcción de prácticas de fonoaudiología que
prioricen las acciones intersectoriales e interdisciplinarias, especialmente en una perspectiva
desmedicalizadora, es decir, que no reduzca el sujeto de aprendizaje a una patología. También
está aún lejos de un desempeño sostenido en las prácticas educativas emancipadoras, es decir,
que valoran la comunicación dialógica, que tiene como objetivo construir conocimiento sobre
el proceso salud-enfermedad-cuidado que permita a los individuos decidir sobre las
estrategias más adecuadas para promover, mantener y recuperar su salud.
En esta performance desafiante, que contempla lo singular y lo colectivo, hay que
decir, inspirado por Oliveira (2018), que incluso frente a diversas formas de acción centradas
en trabajar con el habla, la lectura y la escritura, del estudiante con o sin alteración del
lenguaje, el fonoaudiólogo educativo debe tener un compromiso ético con el lenguaje, con las
variedades lingüísticas, con las diferentes formas de lectura y escritura del niño/adolescente,
con los profesionales implicados y con la escuela. Su trabajo no debe ser para el alumno, el
profesor, la familia, sino con el alumno, el profesor y la familia, no en el sentido de decirle a
los involucrados qué hacer, de manera asimétrica y vertical, sino en el sentido de construir
juntos acciones que encajen y articulen, dentro de una propuesta de escucha y respeto por los
involucrados.
Prácticas de fonoaudiología con lenguaje en el contexto educativo
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RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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CRediT Author Statement
Reconocimientos: No aplicable.
Financiación: No aplicable.
Conflictos de intereses: Sin conflictos de intereses.
Aprobación ética: El estudio fue sometido al Comide Ética en Investigación con Seres
Humanos del Instituto de Ciencias de la Salud (ICS), Universidad Federal de Bahía-
UFBA, CAAE número 5401617.7.0000.5662 y número de opinión 2.081.615.
Disponibilidad de datos y material: Los datos y materiales utilizados en el trabajo se
almacenan en una carpeta de Google Drive, con acceso restringido, protegidos por
contraseñas (con verificación en dos pasos) y bajo la responsabilidad de las investigadoras
Danielle Pinheiro de Carvalho Oliveira y Elaine Cristina de Oliveira.
Contribuciones de los autores: La autora Danielle Pinheiro de Carvalho Oliveira
contribuyó al diseño y diseño del estudio, la recolección de datos, el análisis e
interpretación de los datos y la redacción del artículo. La coautora Elaine Cristina de
Oliveira contribuyó a la orientación del proyecto, diseño y diseño del estudio, análisis e
interpretación de los datos y redacción del artículo.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478 1
SPEECH THERAPY PRACTICES WITH LANGUAGE IN THE EDUCATIONAL
CONTEXT
PRÁTICAS FONOAUDIOLÓGICAS COM A LINGUAGEM NO CONTEXTO
EDUCACIONAL
PRÁCTICAS DE FONOAUDIOLOGÍA CON LENGUAJE EN EL CONTEXTO
EDUCATIVO
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA1
e-mail: danepcarvalho@gmail.com
Elaine Cristina de OLIVEIRA2
e-mail: elaine.oliveira@ufba.br
How to reference this article:
OLIVEIRA, D. P. C.; OLIVEIRA, E. C. Speech therapy practices
with language in the educational context. Revista Ibero-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00,
e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478
| Submitted: 22/03/2023
| Revisions required: 15/05/2023
| Approved: 29/07/2023
| Published: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Bahia (UFBA), Salvador BA Brazil. Doctoral student of the Graduate Program in
Education at the Faculty of Education - FACED UFBA.
2
Federal University of Bahia (UFBA), Salvador BA Brazil. Professor at the Department of Speech Therapy.
Speech therapy practices with language in the educational context
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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ABSTRACT: This research aims to identify and analyze which practices, especially with
language, have been carried out by a group of speech therapists working in education in Bahia,
and to reflect on the theoretical bases that support these practices. This is a cross-sectional,
qualitative study, which had the participation of five speech therapists working in the
educational area. Data were produced through semi-structured interviews, later transcribed,
organized and categorized for analysis. The results pointed to the fact that speech therapy
practices carried out in the field of education, especially with language, are still quite
heterogeneous and guided, above all, by demands related to disturbs and disorders. It is
concluded that it is still necessary, at the base of speech therapy practices, health perspectives
and demedicalizing language that contribute to improving the quality of education.
KEYWORDS: Language. Education. Health. Speech therapy.
RESUMO: Esta pesquisa tem como objetivo identificar e analisar quais práticas,
especialmente com a linguagem, têm sido realizadas por um grupo de fonoaudiólogos que atua
na educação da Bahia e, ainda, refletir sobre as bases teóricas que sustentam essas práticas.
Trata-se de um estudo de corte transversal, qualitativo, que teve a participação de cinco
fonoaudiólogos com atuação na área educacional. Os dados foram produzidos por meio de
entrevistas semiestruturadas, posteriormente transcritos, organizados e categorizados para
análise. Os resultados apontaram para o fato de que as práticas fonoaudiológicas realizadas
no campo da educação, especialmente com a linguagem, ainda são bastante heterogêneas e
pautadas, sobretudo, pelas demandas relacionadas aos distúrbios e transtornos. Conclui-se
que ainda é preciso ter na base das práticas fonoaudiológicas perspectivas de saúde e de
linguagem desmedicalizantes, que de fato contribuam para a melhora da qualidade da
educação.
PALAVRAS-CHAVE: Linguagem. Educação. Saúde. Fonoaudiologia.
RESUMEN: Esta investigación tiene como objetivo identificar y analizar qué prácticas,
especialmente con el lenguaje, han sido realizadas por un grupo de fonoaudiólogos que
trabajan en educación en Bahia, y también reflexionar sobre las bases teóricas que sustentan
estas prácticas. Se trata de un estudio transversal, cualitativo, que contó con la participación
de cinco logopedas que actúan en el campo educativo. Los datos fueron producidos a través
de entrevistas semiestructuradas, posteriormente transcritas, organizadas y categorizadas
para su análisis. Los resultados apuntaron que las prácticas logopédicas realizadas en el
campo de la educación, especialmente con el lenguaje, todavía son bastante heterogéneas y
están guiadas, sobre todo, por demandas relacionadas con desórdenes y trastornos. Se
concluye que aún es necesario tener como base de las prácticas logopédicas, perspectivas de
desmedicalización de la salud y lenguaje que efectivamente contribuyan a mejorar la calidad
de la educación.
PALABRAS CLAVE: Lenguaje. Educación. Salud. Terapia del Lenguaje.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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Introduction
Speech therapy takes its first steps in the education scenario, between the 1920s and
1940s, as part of a National Unity project, based on a language standardization policy that,
under the effect of a proposal for language control measures, sought to establish linguistic
standards and norms for speech. Speech therapy is not born from the need for healing or
rehabilitation of sequelae, direct concern with the patient or the disease, but with the concern
to “locate the limits between normal and pathological, right and wrong, adequate and
maladjusted” (BERBERIAN, 2007, p. 22, our translation).
Historically, speech therapy in Brazil is organized and consolidated from a clinical
perspective focused on the need for communication rehabilitation, with practices aimed at
diagnosing pathologies, disease prevention, rehabilitation, a fact that can be observed in the
laws that regulate the profession and its practice. This model of action, according to authors
such as Cavalheiro (2001) and Berberian (2007), will go through the decades, even reaching
the present day.
However, after the movement introduced by the creation of the SUS (Sistema Único de
Saúde), which provoked reflections around the concepts of prevention and, mainly, of health
promotion, it was possible to observe significant changes in the way of acting by some speech
therapists, especially in the field of education. This began to follow, in a way, a new route,
reassessing some concepts and practices, moving towards health needs and social and collective
issues, according to Penteado and Servilha (2004).
Around the 1990s, after the country's redemocratization context, the Sanitary Reform
movement, the implementation of the new health policy resulting from the creation of the SUS
and the 8th National Health Conference, the concept of health is seen as a complex process,
resulting:
[...] the conditions of food, housing, education, income, environment, work,
transportation, employment, leisure, freedom, access and ownership of land
and access to health services. It is, therefore, above all, the result of forms of
social organization of production, which can generate great inequalities in
living standards (BRASIL, 1986, p. 4, our translation).
In this conception of health, the axis of the discussion shifts from pathology and
prevention to Health Promotion and quality of life, to social determinants and conditions, to the
way of life and work of the population in a given historical moment. By taking an expanded
view of the health-disease process and its determinants as a reference, Penteado and Servilha
Speech therapy practices with language in the educational context
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(2004) mention that the speech therapist starts to be inserted in broader, interdisciplinary
projects, in tune with the proposal of Health Promotion.
It is important to highlight that the heart of the Health Promotion proposal also includes
a change in the concept of health education. The conception of education, which sustains health
education practices in the Promotion model, has deep roots in Freire's thought that education
should be experienced as a concrete practice of liberation and construction of history. Freire
(1967) proposes a liberating education that can awaken in people a posture of reflection about
their social and political responsibilities, about their time and space. It is a critical, dialogical
education (I-you relationship), for freedom, instead of “domestication”, for the “man-subject”
and not “man-object”, an education in which awareness is the key means of escaping from the
shadow of oppression. A liberating education is “education that, stripped of its alienated and
alienating clothing, is a force for change and liberation” (FREIRE, 1967, p. 36, our translation).
Another highlight is related to language. By committing to the Health Promotion model,
it is expected that Speech-Language Pathology also assume a broad conception of language and
communication that can make a difference in people's health and lives, "since they allow man
to reflect on himself and the world, streamline learning, induce participation and enable changes
in the search for reducing inequalities, building citizenship and a quality life” (PENTEADO;
SERVILHA, 2004, p. 113, our translation).
Considering the historical transformations that have occurred in the concepts of health
and education in recent decades, and also the fact that these changes may imply shifts in the
speech therapist's professional practices, is that the question of this study arose: what speech
therapy practices have been developed in the scope of education in Bahia, especially with
language?
It is understood that changes in speech therapy practices do not occur overnight, nor by
decree. Transformations need time, effort; are stressed by different sectors of society, such as
undergraduate courses, the relationship with education and health workers, continuing
education courses, public policies, etc. Taking into account the above, this research aims to
identify and analyze which practices, especially with language, have been carried out by a group
of speech therapists who work in the area of education, in the state of Bahia, and also reflect on
the theoretical bases that sustain such practices.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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Methodology
This is a qualitative, cross-sectional study that had a favorable opinion for its
implementation by the Ethics Committee on Research with Human Beings of the Institute of
Health Sciences (ICS), of the Federal University of Bahia-UFBA, CAAE number
5401617.7.0000.5662 and opinion number 2,081,615.
Five speech therapists who worked in the educational area in the state of Bahia
participated in this study, 3 men and 2 women, distributed in 5 municipalities in Bahia, located
in the following regions: 1 professional in the Center-South region, 1 in the Center-North
region, 1 in the Northeast region, 1 in the Metropolitan region and 1 in the capital of Bahia,
Salvador. Participants were identified using the “snowball” technique, in which each participant
indicates another participant (FLICK, 2009) from any location in Bahia. Professionals
registered with the Speech Therapy Regional Council and who worked in the public or private
education system for a minimum period of six months were included. It is noteworthy that other
professionals were identified, but did not participate in this study because they did not meet the
inclusion criteria. Some were working with the management of the education department,
without direct involvement in schools, carrying out specific actions. Other professionals,
approved by competitive examination to work in the area of educational speech therapy, were
working in the clinical area.
Chart 1 below presents a summary of the participants' profile, training and field of
activity, identified by abbreviations (F1 to F5).
Speech therapy practices with language in the educational context
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Chart 1 Profile of speech therapists selected for the study
Age
Sex
Training
Year
Postgraduate
Field of action on
the network
Network
Type
F1
31
Feminine
2009
Specialization in
Special Education and
Orofacial Motricity
Early Childhood
Education,
Elementary Education
I and II
Municipal
Public
F2
31
Masculine
2011
Specialization in
Public Health.
Specialization in
Language in progress.
Early Childhood
Education,
Elementary Education
I and II and Special
Education.
Municipal
Public
F3
24
Masculine
2016
Specializing in
Mental Health with an
emphasis on Autism
Spectrum Disorder
Early Childhood
Education,
Elementary School I
and II
Municipal
Public
F4
28
Feminine
2012
Specialization in
Clinical Speech
Therapy
Early Childhood
Education,
Elementary Education
I and II and Special
Education.
Private
F5
29
Masculine
2015
Does not own.
Early Childhood
Education,
Elementary School I
and II, Specialized
Educational Service
(AEE)
Municipal
Public
Source: Elaboration of the author
For the production of data, semi-structured interviews were carried out throughout 2017,
online, through Hangout or Skype, according to the preference of the participants. Oral
recordings were obtained using instruments such as digital audio recorders, and free recording
software was used.
The interviews were carried out in a meeting, lasting approximately 1 hour, at a
previously scheduled time and day. The interview script was previously structured from two
thematic blocks: the first with identification data of the interviewees and the second with
guiding questions.
From the responses, analysis categories and subcategories were created. For the
thematic axis related to speech therapy practices with language in the educational field, the
following subcategories were created: a) screenings, guidelines and referrals; b) meetings,
workshops, lectures; and c) intersectoral actions.
In order to carry out this study, after collection, all interviews were fully transcribed and
read carefully, in order to study the data in depth and start the information selection process.
Then, for data analysis, a table was organized containing a summary of the main speech therapy
practices with language mentioned by the participants. The analysis was carried out from the
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socio-historical perspective proposed by Freitas (2002). For the author, the analysis of the
material collected in the field seeks to “understand what emerged in an observation or interview
situation” (FREITAS, 2002, p. 29, our translation). This understanding allows us, from a
theoretical framework, to perceive the meeting points, the similarities, the differences and the
particularities of each interview.
The next section will present the results and discuss the analyzed data.
Speech therapy practices with language in the field of education
The analysis of the practices of educational speech therapists, carried out especially in
the field of language, pointed to different actions that, even having the same denomination,
varied from one professional to another. The analysis also made it possible to observe
convergences and divergences between professionals. Chart 2 below presents a summary of the
main practices reported by speech therapists in the interviews. The results will be presented and
discussed in the subsections below.
Chart 2 – Speech therapy practices reported by respondents
Practices
F1
F2
F3
F4
F5
Screening
Guidelines
Forwarding
Screening
Prevention
Guidelines
referrals
School screening (cognitive
profile)
referrals
Screening
(few cases)
Guidelines
for
Parents
referrals
Screening/evaluation
(complaints)
Guidance on
screening results
referrals
Meetings/
Workshops/
Speeches
Workshops
and
Lectures
Workshops/Training/Training
teachers
Workshops/
Speeches
Lectures/Advice
Intersectoral
Actions
Articulation
with the
health area
CRAS, CAPS and Child
Rehabilitation Center
NASF,
PSE,
CRAS,
CREAS
FAME
Project
Articulation with the
area of health, social
assistance (CRAS)
and PSE nurses
Source: Elaboration of the author
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Triages, orientations and referrals
Speech-language pathology screening, followed by guidance and referrals, were the
most recurrent practices reported during the interviews. With regard more specifically to
screening, only 1 (one), among the 5 (five) professionals interviewed, did not mention
performing the procedure. Even though it was a procedure applied by almost all interviewees,
it was possible to observe that the concept of screening, the way it was carried out and the
reasons why it was carried out, presented variations.
Based on the responses provided by the participants, it was observed that the speech
therapists performed, mainly, screening focused on aspects of language, auditory screening,
and also a screening called “school screening”. In general, the screening carried out by the
professionals aimed to identify children considered to have difficulties (by the professional or
teacher) and who needed a diagnosis and/or referrals. In F1's reports, it is noted that screening,
in addition to serving to identify children who, from his point of view, needed a diagnosis, had
a character attributed to prevention:
I carried out the triage issue more when I saw the need, that I needed a more
specific diagnosis, right? Because there are areas where we need another
professional to complete a diagnosis, I would refer them. But there was no
diagnosis. (F1, our translation).
[...] with the students I did more prevention work. I did triage, right? I saw the
need, if that child needed a referral, I would refer them, but it was more of a
work of guidance. (F1, our translation).
F2, on the other hand, mentions that, in addition to performing “school screenings” in
order to reach the “student profile” through “cognitive assessment”, he performed hearing
screening, facts that can be observed in the excerpt below:
I do school screenings to find out how the students are doing. So, for example,
there's a cognitive profile form, cognitive assessment. I go and apply with the
profile and number of students, right? And then, among these questions, I take
these students and carry out a more careful evaluation process. (F2, our
translation).
[...] I work doing hearing screening in schools, right? So with the otoscope I
go and do the triage with the meatoscopy, I identify infections, cerumen plug,
strange objects, right? I make the referral and soon after I send him to do the
audiometry. (F2, our translation).
It is noted that the proposal that supports the instrument called “school screenings” used
by F2 is restricted to the assessment of cognitive aspects, that is, it reduces the complexity of
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the student's language to its cognitive aspects. For Chacon (2020), in a language assessment
situation (screening can be considered a type of language assessment situation), “what the child
shows in terms of language is evaluated according to how the evaluator is constituted, for her,
as an interlocutor” (p. 85). For the author, it is “the sense that guides action through language
in the process called linguistic communication. Every act of communication (and not just
linguistic ones) has, therefore, as its fundamental orientation, the production and attribution of
meanings” (p. 84). Reducing language and student learning to cognitive aspects, disconnected
from the relationship with the evaluator and the production of meanings, is to disregard the
complexity of these phenomena and the danger of this action; it is to erase the subject and, as a
consequence, cause or increase his suffering.
Still with regard to the screening procedure, a difference can be observed in the reports
of F5. The professional mentions that the screening was performed by both the teacher and the
speech therapist, as reported below:
First, it's like this, let me go back... It was triage. I forwarded a triage to these
schools, in this triage I was putting topics directing it more towards the
educational part, so I forwarded this triage to these schools... the teachers,
through that triage, identified the complaints and forwarded them to the
Department of Education. I did this analysis of all the screenings that were
sent and so later, I went to the school, I did this feedback, giving this support,
right? (F5, emphasis added by the authors, our translation).
It is observed in F5's report that when asking the teacher to carry out the screening
procedure, he assigns the teacher a task that is strictly for the professional speech therapist, and
also transforms the teacher into a detector of problems/disorders. Giroto (1999) highlights in
his studies that transforming the teacher into a detector of problems contributes to reinforce the
pathologization of language/language and to potentiate curative and preventive actions at
school.
Professional F3 is the only one who questions the use of the screening procedure in
order to identify children with supposed disorders and/or pathologies, he says he avoids using
it whenever possible, as shown below:
When I arrive at the school like this, I say, look, as a last resort, the school is
already kind of sad because, initially, they want us to go there to identify
something, dyslexia, ADHD, disorders, that we give direction for these
treatments and decrease the demand. But then I've also been working on
another movement, that of deconstructing many of these concepts and getting
closer to these teachers to... come here, since a student has all that you're
saying, how are we going to deal with him? So how are we going to enhance
this literacy process? (F3, our translation).
Speech therapy practices with language in the educational context
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It is noted that, unlike other professionals, F3 questions the screening procedure and
conducts her practice elsewhere, towards an action that can provide data for joint work, for joint
actions between speech therapist and teacher. The professional asks “how are we going to deal
with him?”, and also, “how are we going to enhance this literacy process?”, shifting his
performance from an individualized place to a joint action. In another part of F3's interview, it
is observed that even when the professional considers it necessary to use screening, the
procedure seems to be different:
With children, it is sometimes necessary to do screening, because there are
cases that call attention. And then, as in the municipality where I worked, there
was a complicated adherence of parents to treatments, even more outpatient
ones, so I was able to observe at least a few children at least some children
with significant delays at school, language delays that called attention. And
there it was. But the focus was on collective activities with these children. So
I took, for example, storytelling, I would play with interpreting texts. [...] I
would play with the children, but games that involved reading and writing, to
take these practices to other places. (F3, our translation).
It is observed that F3 proposes collective language practices for the screening procedure
(storytelling, games), seeks an expanded look at children, considering the real language
practices in which they are inserted. The professional gives visibility to the subject and to the
way he produces meaning in the interactions in which he participates.
With regard to guidelines and referrals, in general they are procedures correlated with
the speech-language pathology screening. Only F4 mentions not doing it, probably due to the
pressure he mentioned receiving from the school to carry out practices from a more clinical
perspective, according to his report: “Because the school board and coordination expected me
to act as a clinical speech therapist at the school and that was a big problem between me and
them, because I didn't accept working as a clinical speech therapist”. F4 mentions that when he
noticed a child with difficulties, he “talked to the parents about the demand and referred them
to other professionals”.
Regarding the guidelines (and mainly referrals) carried out by professionals, these
practices were related, in most cases, to a pathologizing perspective, to the suspicion or
identification of a problem or disorder. Only F3 had a different position on the subject of
guidance, especially when directed towards teachers:
[...] I never went to school to... it's dyslexic, it's ADHD, it's autistic... I didn't
go to school to point out anything. He always questioned everything. It was
my way out, I said: it's in doubt, calm down, let's see, let's take it easy, let's
evaluate, let's observe, and then, halfway through, I was already
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deconstructing much of the diagnosis, and then I managed to direct. (F3, our
translation).
We can never arrive like this... I think it's a practice that we have and that we
need to improve, we are very imposing when it comes to guiding, we arrive
with the truth and put it there, whoever wants to turn around. So he needs to
change that, that's it, but sometimes it's not in his reality to change all that.
(F3, our translation).
In this excerpt from F3's interview, it is possible to observe a practice that is not based
on problems, illnesses or disorders (language, reading, writing, speaking or any other). On the
contrary, the practice of F3 questions what the school points out as a disorder, proposes doubt
and observation in the first place, strives not to build a hurried and medicalizing look. In this
study, medicalization is understood as “a type of deterministic rationality that disregards the
complexity of human life, reducing it to issues of an individual nature, whether in its organic
aspect, or in its psychic aspect, or in a restricted and naturalized reading of the social aspects”
(FÓRUM, 2021, p. 345, our translation). It is noteworthy that although the topic of
medicalization has been widely debated in recent years, it is still incipient in the training and
practice of most speech therapists.
Another important fact is the shift in meaning that F3 proposes for the practice of
guidance when reporting that “it is a practice that we have and that we need to improve, we are
very imposing when it comes to guiding, we arrive with the truth and throws there, whoever
wants to turn around”. Penteado and Servilha (2004, p. 114, our translation) emphasize that
normative and prescriptive practices, which do not involve the community, are in the process
of bankruptcy and that “new forms of approximation, awareness and communication with the
population” are needed. The authors point out that it is necessary to listen to the population
“and, more than that, to consider it active and capable of change (rather than a mere spectator
or depository of guidelines about health)”.
Meetings, lectures, workshops
With regard to meetings, lectures, workshops, advice and training, four (4) of the five
(5) professionals interviewed carry out these activities in the educational context. It was
observed in the reports that these activities were carried out mainly with parents, teachers and
directors. Another important point is the theme of these activities, most of the time, focusing
on the pathology: Dyslexia, Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD), Learning
Disorders, Language Disorders, Phonological Disorders, etc. Here are the reports of F1 and F5
when asked about the theme of the lectures for teachers, coordinators and parents:
Speech therapy practices with language in the educational context
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I went deeper into the subject of language disorders, speech disorders, reading
and writing disorders, the issue of dyslexia, I also gave lectures on these
subjects. (F1, our translation).
In some of the lectures, one of the main subjects was about the development
of children's language, so what was expected for children in their age group,
what is expected for children according to the disorder they present, so we
reported all of this in the lectures. I chose a specific theme, mainly early
childhood education and the lectures on language were worked on a lot, so
much so that the teachers were super curious about it because it was very new,
although many are pedagogues, but sometimes they don't have a different look
than a speech therapist has for these questions, such as phonological
exchanges, the child's phonological framework. (F5, our translation).
It is noteworthy that in the reports of most interviewees, the theme was proposed by the
speech therapist, in a unidirectional way, extracted from the teachers' complaints about the
students and the screenings. Only F3 demonstrated to build a different practice. The themes of
the activities emerged from the relationship built with the school community and were agreed
in a more symmetrical way. Here is an excerpt from the interview in which F3 mentions the
construction of this relationship and the proposed work:
Initially, when the secretariat releases us to access the schools, we go there,
meet the management, the school team, present the work and get to know the
reality of that school. Knowing who composes it, the number of students, what
is the profile of the community it is inserted in, knowing the relationship
between parents and the school, and even between the school and the students
themselves. [...] So, I have been working a lot with support for teachers. So, I
sit down and we go to study with them, so, how is the writing acquisition
process? The process of speech acquisition and reading? (F3, our translation).
[...] So one week we were there working on what is proper and what is not in
the written acquisition process, then other things came up. Ah, the students
really have some question that they don't like, let's think about other writing
practices next time, then next time I worked on literacy, then I discussed
something else, there was always something to discuss [...] (F3, our
translation).
In the report above, it is possible to observe that the proposed activity (studying together,
for example) arises from the relationship built with the school. It is observed that in the work
of “support for teachers”, the main theme is the language acquisition process (spoken or written)
and not the pathology, the disorder. F3 talks about his work with the acquisition of writing, the
importance of thinking along with teachers about “other writing practices” and discussing, for
example, the topic of literacy. The study carried out by Berberian et al. (2013), with the aim of
analyzing the knowledge of a group of public elementary school teachers about writing
concepts and about the concept of literacy, pointed to the importance of speech therapists
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inserted in the school network to be involved in the continuing education of teachers to
contribute to the discussions on the appropriation of writing from a literacy perspective. The
authors highlighted that
[...] by establishing a partnership relationship with the teacher, the speech
therapist can enable an improvement in the quality of Brazilian teaching,
bringing such teaching closer to the guidelines specified in the National
Curriculum Parameters - Portuguese Language and in the National Curricular
Guidelines, based on a perspective that takes language as social and historical
work (BERBERIAN et al., 2013, p. 1640, our translation).
The partnership between teacher and speech therapists is extremely important and can
bring important gains for education, as pointed out by Berberian et al. (2013). However, as can
be seen in the interviews, it is still necessary for Speech Therapy to move towards the
construction of practices (such as meetings, lectures, workshops, advisory services, among
others) that are the result of a dialogue that meets the needs of the teacher, the school and
education and that also tension medicalizing conceptions of language, education and childhood.
Intersectoral actions
Intersectoral actions were practices reported by all respondents in this study, however,
important differences were observed between the reports, highlighted later. In the last two
decades, the System of Federal and Regional Councils of Speech-Language Pathology and
Audiology created documents that broaden the discussion about the work of speech-language
pathologists in the educational field and point to intersectoral actions. One of these documents,
published in 2015, is the booklet entitled “Contributions of the Educational Speech-Language
Pathologist to his Municipality and his School” (CFFA, 2015). In this document, doubts about
the performance of speech therapists are clarified, and contributions of this professional are
presented both for the school and for the municipality. Regarding intersectoral actions, the
booklet mentions that, in partnership with education, the speech therapist can “develop
intersectoral and intersectoral projects or programs for articulation between health and
education departments, contributing to comprehensive care for citizens” (CFFA, 2015, p. 7, our
translation).
The other document, entitled “Performance of the Educational Speech-Language
Pathologist: Guiding Guide”, published in 2016, highlights the importance of intersectoral
actions in the practice of the educational speech-language pathologist. The guide defines
intersectoral actions as those that “involve the articulation of strategies between different social
Speech therapy practices with language in the educational context
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sectors or different public policies, which are necessary to face problems that affect society”
(CFFA, 2016, p. 16, our translation) and cites as an example of intersectoral actions:
> actions aimed at workers' health;
>> primary care actions aimed at the school community (families, education
workers and students), such as health promotion actions, matrix support,
among others;
>> actions in intersectoral policies, such as the Health at School Program;
>> participate in municipal, state or federal Social Control instances, both in
the area of health and education (CFFA, 2016, p. 16-17, our translation).
In the data analyzed in this study, it was possible to observe that all interviewees
mentioned performing some intersectoral practice. Interviewee F4 was the one who reported
the greatest difficulty in acting in an intersectoral way, as observed in her report:
I didn't do it because... well, the most I have... my relationship was with
FAMA, right? Fantastic World of the Autistic, I knew the founder of FAMA
and I had teenagers at school, autistic teenagers and I… the parents who
marked and appeared I talked about FAMA, right? Because they were already
in their teens and other autistic institutions in Salvador no longer accepted
these children. But it wasn't a relationship between the school and the project,
right? It was a relationship between me and the founder of the project (F4, our
translation).
It is noted in F1's report that the relationship with the FAMA project
3
was sustained by
an individual effort by the professional in guiding parents about the institution's work with
autistic children, not obtaining support from the school. When asked about the articulation of
work at school with other network services or with other sectors, F1, F2, F5 answered:
I articulated it together with another professional who was not a speech
therapist, because there was no way. Then I articulated together with a social
worker, with a psychologist, when I had the opportunity also with the
neurologist, who sometimes had a student who needed a diagnosis such as
dyslexia, then I articulated through these services. But not with the speech
therapist, because there isn't one in the municipality (F1, our translation).
[...] all the referral processes that we do, we refer vulnerable children to the
CRAS, right? We refer children who have seizure profiles to the CAPS, right?
Any other health complaint has the Child Specialty and Rehabilitation Center
where we make some proposals for referrals, there is a psychopedagogue and
such. So, it's a job that has a flowchart already set up (F2, our translation).
With the Department of Social Assistance, with the CRAS and the Department
of Health. I had a very good relationship with some nurses, so they ended up
articulating some demands that arrived at the PSF, and as the city is small, so
3
FAMA - Fantástico Mundo Autista project, created in 2014, in the city of Salvador-BA, by a non-profit
association. It works in job development for adolescents and adults with ASD and its mission is to responsibly
include people with autism in the world of work, ensuring employment and income.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
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everyone knows, they already forwarded it to the speech therapist, I asked how
this can be worked on? Do you answer it? [...] I hope to increase this
articulation much more, but I did have this good articulation with the Social
Assistance Department and the Health Department (F5, our translation).
In the reports of F1, F2 and F5, it is possible to observe that the relationship with the
other sectors (CRAS
4
, CAPS, Specialty and Child Rehabilitation Center, Social Assistance
Secretariats and Health Secretariat) had as main objective the referral of children, especially
with demands in the field of language, for specialized services. These are important actions that
dialogue with the principle of comprehensive care provided by the Unified Health System
(SUS). According to Silva et al. (2018), all professional practice must be open to dialogue
between managers, health professionals and users, so that better interaction, empathy and
exchange of knowledge can be achieved, in a social construction that enhances results and
enables practices for comprehensive care. However, the practices reported by professionals are
still restricted to the referral and counter-referral system; they do not constitute intersectoral
and interdisciplinary projects based on a truly collective construction. It is noted in the report
of interviewee F3 that he is the one who most advances in this aspect:
[...] usually [articulate] with social assistance and education. Here in the
interior, these articulations were more complicated because there are very
serious political issues, so it is very complicated to structure. But we try all
the time, right now I'm in another reality, I've already established partnerships
with CAPS, with CRAS, with CREAS,
5
which are social assistance devices,
and starting to establish partnerships with schools to be able to do this
articulation. We are still organizing, for the beginning of December, a
municipal meeting in the areas of education, health and social assistance
for us to discuss how we are going to behave within the network. Because
we need to understand what's on the network, how these mechanisms work, to
be able to access properly. Because it's not because Oh, the boy isn't
learning, there's a psychologist at the CAPS, send him there. The CAPS
psychologist is not for that. Ah, there is a speech therapist [at the NASF
6
], but
the speech therapist at the NASF is not for that. I can do it, normally we look
for a pact with everyone, education, health and social assistance and develop
4
With regard to the sectors mentioned, it should be noted that the CRAS (Reference Center for Social Assistance)
works to prevent situations of social vulnerability and risk in the territories. (Available at:
https://blog.gesuas.com.br/diferenca-cras-creas/ ). As for the CAPS (Psychosocial Care Center) “they are open and
community health services aimed at caring for people with psychological distress or mental disorders, including
those with needs arising from the use of alcohol, crack and other substances, which are in crisis situations or in
psychosocial rehabilitation processes” (Available at: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-
e-programas/caps ).
5
CREAS (Specialized Social Assistance Reference Center) takes care of the consequences of vulnerable situations
and monitors families and individuals who have had their rights violated (Available at:
https://blog.gesuas.com.br/diferenca-cras-creas / ).
6
The NASF (Family Health Support Center) is made up of a multidisciplinary team that works in an integrated
way to support the Primary Care health teams.
Speech therapy practices with language in the educational context
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the work. It would be great to agree with other secretariats for structure,
leisure, other things, but it's complicated (F3, our translation).
It is observed in F3's report, more specifically in the highlighted section in bold, the
search for the collective construction of an intersectoral project between the areas of education,
health and social assistance. Another point that deserves to be highlighted is that referral and
counter-referral can be part of the work, but it is not the only objective of intersectoral actions.
Intersectoral actions should not be limited to the search for professionals in the network to meet
the demands of language and learning difficulties identified at school. Silva and Rodrigues
(2010), in a study that proposes to analyze the intersectoral practices for health promotion in
the Family Health Strategy (ESF), explain the importance of creating and expanding
communicative spaces, “in which the different sectors, services and social equipment can
dialogue, in the sense of building consensus, as well as identifying common problems and
objectives in order to plan more effective interventions” (p. 768, our translation).
The results of this study showed that speech therapy practices carried out in the field of
education, especially with language, are still quite heterogeneous and guided, above all, by
demands related to disorders and disorders. Despite the advances made in recent decades,
especially in the proposal of broader practices linked to the basic principles of the SUS
(comprehensiveness, equity and universality), it is still necessary to base these practices on
health perspectives and demedicalizing language that in fact contribute to to improve the quality
of education.
Final remarks
Considering the results of this study, moving away from practices linked to the speech
therapy clinic is perhaps one of the greatest challenges for the professional speech therapist in
education. This fact occurs, most likely, due to speech therapy historically treating language
from the normal x pathological logic.
The results of this study allow us to state that educational speech therapy still has a long
way to go in the construction of speech therapy practices that prioritize intersectoral and
interdisciplinary actions, especially in a demedicalizing perspective, that is, that does not reduce
the learning subject to a pathology. It is also far from a sustained action in emancipatory
educational practices, that is, that value dialogic communication, which aims at building
knowledge about the health-disease-care process that enables individuals to decide which are
the most appropriate strategies for promote, maintain and restore your health.
Danielle Pinheiro Carvalho OLIVEIRA e Elaine Cristina de OLIVEIRA.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023079, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18478 17
In this challenging performance, which contemplates the singular and the collective, it
must be said, inspired by Oliveira (2018), that even in the face of various forms of action aimed
at working with speech, reading and writing, of the student with or without language alteration,
the professional educational speech therapist must have an ethical commitment with the
language, with the linguistic varieties, with the different ways of reading and writing of the
child/adolescent, with the professionals involved and with the school. Your work should not be
for the student, the teacher, the family, but with the student, the teacher and the family, not in
the sense of telling those involved what to do, in an asymmetrical and vertical way, but in the
sense of building together actions that are consistent and articulate, within a proposal of
listening and respect for those involved.
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CRediT Author Statement
Acknowledgments: We have no acknowledgments to be made.
Financing: There is no funding.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The study was submitted to the Ethics Committee for Research with
Human Beings of the Institute of Health Sciences (ICS), Federal University of Bahia-
UFBA, CAAE number 5401617.7.0000.5662 and opinion number 2.081.615.
Availability of data and material: The data and materials used in the work are stored in a
Google Drive folder, with restricted access, protected by passwords (with two-step
verification) and under the responsibility of researchers Danielle Pinheiro de Carvalho
Oliveira and Elaine Cristina from Oliveira.
Authors' contributions: The author Danielle Pinheiro de Carvalho Oliveira contributed to
the design and outline of the study, data collection, analysis and interpretation of data and
writing of the article. Co-author Elaine Cristina de Oliveira contributed with project
guidance, study design and design, data analysis and interpretation, and article writing.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.