RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480 1
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COMO ESPAÇO DE FORMAÇÃO EM
LINGUAGEM: UMA DISCUSSÃO ÉTICO-RESPONSÁVEL
LA EXTENSIÓN UNIVERSITARIA COMO ESPACIO DE FORMACIÓN DE
LENGUAJE: UNA DISCUSIÓN ÉTICO-RESPONSABLE
THE UNIVERSITY OUTREACH AS A LANGUAGE EDUCATION SPACE: AN
ETHICAL-RESPONSIBLE DISCUSSION
Larissa Picinato MAZUCHELLI1
e-mail: larissa.mazuchelli@ufu.br
Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA2
e-mail: marcus.oliveira.fono@gmail.com
Como referenciar este artigo:
MAZUCHELLI, L. P.; OLIVEIRA, M. V. B. A extensão
universitária como espaço de formação em linguagem: Uma
discussão ético-responsável. Revista Ibero-Americana de
Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-
ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480
| Submetido em: 22/03/2023
| Revisões requeridas em: 15/05/2023
| Aprovado em: 29/07/2023
| Publicado em: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia MG Brasil. Professora Adjunta, Instituto de Letras e
Linguística. Doutorado em Linguística.
2
Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador BA Brasil. Professor Adjunto do Departamento de
Fonoaudiologia. Doutorado em Linguística.
A extensão universitária como espaço de formação em linguagem: Uma discussão ético-responsável
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480 2
RESUMO: Este artigo discute a relevância do papel formativo das extensões universitárias,
fundamentadas na dialogicidade e no engajamento com a sociedade, tendo como ponto de
partida uma reflexão sobre as atividades de dois projetos de extensão: o Centro de Convivência
de Afásicos (UNICAMP) e o Observatório do Idadismo (UFBA/UFU). Enquanto o primeiro
atua na reorganização linguístico-cognitiva de sujeitos cérebro-lesados, o segundo combate
preconceitos e estigmatização com viés de idade, principalmente aqueles dirigidos à pessoa
idosa. A partir das vivências relatadas e discutidas, defendemos que a extensão universitária
pode ser espaço privilegiado para uma formação ético-responsável em linguagem, ainda que
haja um longo caminho a ser percorrido para seu reconhecimento institucional. Destacamos,
finalmente, que as experiências dialógicas e ético-responsáveis vivenciadas nas atividades
extensionistas apontam para a importância da formação de profissionais engajados no
enfrentamento de opressões, injustiças e preconceitos que operam por meio da linguagem.
PALAVRAS-CHAVE: Envelhecimento. Extensão universitária. Formação em linguagem.
RESUMEN: Este artículo discute la relevancia del papel formativo de las extensiones
universitarias, basado en la dialogicidad y el compromiso con la sociedad, teniendo como
punto de partida una reflexión sobre las actividades de dos proyectos de extensión: el Centro
de Vida de Afásicos (UNICAMP) y el Observatorio de la Edadismo (UFBA /UFU). Mientras
que el primero opera en la reorganización cognitivo-lingüística de los sujetos con lesión
cerebral, el segundo combate los prejuicios y la estigmatización con sesgo de edad,
especialmente los dirigidos a los ancianos. Con base en las experiencias reportadas y
discutidas, argumentamos que la extensión universitaria puede ser un espacio privilegiado
para una formación éticamente responsable en idiomas, aunque queda un largo camino por
recorrer para su reconocimiento institucional. Finalmente, destacamos que las experiencias
dialógicas y éticamente responsables vividas en las actividades de extensión apuntan a la
importancia de formar profesionales comprometidos en el enfrentamiento de la opresión, la
injusticia y el prejuicio que operan a través del lenguaje.
PALABRAS CLAVE: Envejecimiento. Extensión universitária. Formación en linguaje.
ABSTRACT: This paper discusses the relevance of the formative role of university outreach,
based on dialogicity and engagement with society, having as a starting point a reflection on the
activities of two outreach and engagement projects: the Center for People with Aphasia
(UNICAMP) and the Observatory of Ageism (UFBA/UFU). While the first works with the
cognitive-linguistic reorganization of brain-injured individuals, the second fights age bias
prejudice and stigmatization, especially those aimed at older people. Based on the reported and
discussed experiences, university outreach and engagement projects can be a privileged space
for ethically responsible language education, even though much needs to be done in terms of
institutional acknowledgement. Finally, we emphasize that the dialogical and ethically
responsible experiences shared in outreach activities highlight the importance of forming
professionals committed to facing oppression, injustice, and prejudice that operate through
language.
KEYWORDS: Ag(e)ing. University outreach. Language education.
Larissa Picinato MAZUCHELLI e Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introdução
Este texto objetiva refletir sobre espaços de formação em linguagem, sobretudo aqueles
que, integrados com a pesquisa e ensino, contribuem para uma formação ético-responsável de
seus participantes. Sem prescindir da compreensão da pluralidade linguística enquanto objeto
de conhecimento, parte-se de sua heterogeneidade constitutiva como caminho formador, sem,
contudo, ter o “domínio da língua” como horizonte de trabalho.
Para tratar de espaços de formação em linguagem, abordaremos dois projetos de
extensão: o Centro de Convivência de Afásicos (doravante CCA) e o Observatório do Idadismo.
Fundamentamo-nos teórica e metodologicamente nos trabalhos do Círculo de Bakhtin e de
Paulo Freire e partimos da consideração do papel e da potência das extensões universitárias nos
currículos da graduação, temática que vem ganhando destaque dado seu processo de
curricularização
3
, mas que oferece riscos de esvaziamento das características fundamentais das
atividades extensionistas.
Essa discussão também se justifica, portanto, dado o caráter ainda marginal da extensão
quando comparada com a pesquisa e o ensino, o que reflete uma herança de formação que não
ultrapassa as paredes da sala de aula, ou que “carrega” a sala de aula para a extensão, reduzindo-
a, muitas vezes, a cursos “escolarizados” que mimetizam e reproduzem disciplinas oferecidas
nas graduações e transformam a extensão em instrumento mecanicista e técnico de
assistencialismo universitário. Acreditamos, ainda, que esse cenário responde, em parte, pela
sensação de não pertencimento ao espaço universitário por muitos estudantes. É nesse sentido,
também, que defendemos que as extensões têm natureza transformadora, especialmente quando
se fundamentam em princípios ético-responsáveis e dialógicos que se afastam dessas práticas
hierárquicas e assistencialistas.
Discutimos, também, sobre os espaços extensionistas neste trabalho em virtude de sua
relevância em nossas trajetórias de formação e de pesquisa. Nossa reflexão fundamenta-se,
assim, também em nossa vivência refletida e na compreensão da importância da possibilidade
de diálogo entre a universidade e outros setores da sociedade e da interdisciplinaridade que daí
deriva. A extensão, portanto, pode favorecer uma formação acadêmica ético-responsável que
3
De acordo com o Plano Nacional de Educação (2014-2024), aprovado pela Lei no 13.005, de 25 de junho de
2014, até o final de 2022, todos os cursos de graduação das universidades públicas brasileiras devem destinar, no
mínimo, 10% de sua carga horária à extensão universitária.
A extensão universitária como espaço de formação em linguagem: Uma discussão ético-responsável
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implica politicamente a universidade no enfrentamento necessário de questões sociais urgentes,
tais como as questões ambientais, étnico-raciais, de gênero e, particularmente para nós, etárias
4
.
Inicialmente, apresentamos o CCA, destacando sua história promissora de atuação com
sujeitos cérebro-lesados para, em seguida, apresentar o Observatório do Idadismo, projeto
criado em 2021 que busca discutir e enfrentar o preconceito de viés etário, principalmente
contra a pessoa idosa. Finalmente, destacamos o entrelaçamento das ações desses espaços para
uma formação ético-responsável em linguagem.
O Centro de Convivência de Afásicos: um projeto de enfrentamento da objetificação dos
afásicos
O Centro de Convivência de Afásicos, criado na década de 1980 por pesquisadores do
Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem e do Departamento de
Neurologia da Faculdade de Medicina, ambos da Universidade Estadual de Campinas, objetiva,
desde sua fundação, possibilitar o “exercício vivo da linguagem” (COUDRY, 1997).
Os grupos
5
que o constituem contam com o trabalho conjunto de sujeitos com afasia
6
e
alunos de graduação dos cursos de Linguística, Letras e Fonoaudiologia e da Pós-Graduação
em Linguística, especialmente aqueles vinculados à linha de pesquisa em Neurolinguística, em
reuniões semanais e atendimentos individuais. Nota-se, assim, o caráter interdisciplinar do
CCA, como discutido por Novaes-Pinto e Lima (2016), uma vez que interagem linguistas,
fonoaudiólogos, educadores, artistas (músicos, atores, artistas plásticos etc.).
Desde sua criação, o CCA tem como aporte a Neurolinguística Discursiva, que surge
em 1986 com a tese de doutoramento de Maria Irma Hadler Coudry e fundamenta-se na
compreensão de que o “trabalho com a linguagem” (FRANCHI, 2011[1977]) demanda “a
mobilização de vários processos cognitivos
7
envolvidos na atividade simbólica de processos de
4
Cabe ressaltar que os autores do texto são pesquisadores do Grupo de Estudos da Linguagem no Envelhecimento
e nas Patologias (GELEP-Plataforma CNPq/Lattes).
5
Em sua história de atuação, o CCA conta com três grupos coordenados por docentes do Departamento de
Linguística. O Grupo I, sob a responsabilidade da Prof.ª Dr Edwiges Maria Morato; o Grupo II, sob a
responsabilidade da Prof.ª DrMaria Irma Hadler Coudry; e o Grupo III, sob a responsabilidade da Prof.ª Dr
Rosana do Carmo Novaes Pinto.
6
Afasias são alterações de linguagem decorrentes de lesões neurológicas adquiridas, como acidentes vasculares
cerebrais, tumores e traumatismos cranioencefálicos, que comprometem os processos de simbolização e
significação, em todos os níveis linguísticos, ao desagregar o que anteriormente estava integrado (COUDRY, 1986
[1988]).
7
Destacamos que a cognição é “um conjunto de várias formas de conhecimento que não é totalizado ou subsumido
na linguagem, mas que de alguma forma se encontra sob sua responsabilidade” (MORATO, 2004, p. 323). Nesse
sentido, a Neurolinguística Discursiva e o CCA não trabalham a partir da premissa que toma o cérebro
desconectado do corpo, de sua história particular e da humanidade. Distanciam-se, portanto, de metáforas que
aproximam o cérebro a um computador ou a argumentos experimentais do tipo “brain in a vat”. Segundo Morato
(1999, p. 160), “os processos cognitivos estão “como a linguagem, na dependência de práticas significativas,
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significação, alterados nos sujeitos cérebro-lesados” (COUDRY, 1997, p. 13), ou seja, demanda
o trabalho com e na linguagem e que envolvem a percepção, atenção e memória por ela
estruturados.
Nota-se, assim, que o CCA se contrapõe a uma tendência de trabalho clínico com
sujeitos cérebro-lesados que os objetifica ao se pautar em atividades reducionistas de
linguagem, de caráter excessivamente abstrato, com inspiração fortemente escolar, presente nos
manuais de avaliação e de terapia de linguagem. Em contrapartida, fundamentados em
princípios discursivos, a avaliação e o trabalho de reorganização linguístico-cognitiva tornam-
se, no CCA, “um registro amplo” dos processos de significação e do trabalho que os sujeitos
realizam com e na linguagem. Ou seja, nas atividades desenvolvidas com os sujeitos afásicos,
“a linguagem (mesmo fragmentária) se exibe em toda sua complexidade, oferecendo
visibilidade ao que está ou não alterado, ao que falta e ao que excede, em relação ao [seu]
funcionamento normal” (COUDRY, 1997, p. 14).
A importância desse posicionamento frente às questões de linguagem e seus efeitos na
formação serão discutidos adiante. Contudo, antes de aprofundar essa discussão, apresentamos
o Observatório do Idadismo, trabalho que também se fundamenta em um posicionamento
discursivo, histórico e dialógico frente às questões de linguagem.
O Observatório do Idadismo: um projeto de resposta à escalada de violência contra idosos
O idadismo é um fenômeno ainda pouco investigado, embora sua primeira referência
date da década de 1960, com os trabalhos de Robert Butler nos Estados Unidos. De maneira
geral, nos referimos ao idadismo (também conhecido no Brasil como ageísmo ou etarismo) ao
tratarmos da discriminação, da violência e dos estereótipos que circulam com base na faixa
etária (em especial contra os idosos) e que levam à marginalização e à exclusão social ou a sua
acentuação, que imperam em atitudes que entrelaçam condescendência e negligência. Esse
preconceito se manifesta, portanto, nas relações interpessoais (no tratamento desrespeitoso,
muitas vezes violento), de forma autodirigida (como ao se rejeitar seu próprio envelhecimento)
e institucionalmente (demissão em decorrência da idade, por exemplo) e se entrelaça a outros
marcadores sociais como racismo, sexismo, transfobia, aprofundando suas violências.
fundamentadas por contingências socioculturais, por propriedades do inconsciente e pela qualidade das interações
humanas”.
A extensão universitária como espaço de formação em linguagem: Uma discussão ético-responsável
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Foi no ápice da pandemia de Covid-19, quando vivenciamos uma escalada
8
de
desrespeito, desprezo e violência aos idosos (responsabilizados pelos efeitos econômicos
provocados pelas medidas de distanciamento social e pela sobrecarga no sistema de saúde
9
),
que surge o Observatório do Idadismo como um Projeto de Extensão da Universidade Federal
da Bahia, hoje também vinculado à Universidade Federal de Uberlândia. As atividades
desenvolvidas estão dispostas em três eixos: i) monitoramento e discussão de notícias sobre
envelhecimento e idadismo; ii) tradução, publicização e divulgação de material qualificado
sobre idadismo; e iii) formação e enfrentamento do idadismo por meio de oficinas e rodas de
conversa.
O trabalho realizado pelo Observatório do Idadismo também se fundamenta na
compreensão da linguagem como historicamente situada e congrega a interdisciplinaridade.
Seus membros são dos campos da Ciências Humanas, Educação e da Saúde, principalmente da
Fonoaudiologia e da Linguística. No entanto, campos como da Sociologia, Antropologia,
Gerontologia e Comunicação tornaram-se essenciais para o trabalho realizado, uma vez que
pautam discussões fundamentais acerca do envelhecimento. Atualmente, o observatório conta
com pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, além de profissionais de saúde e
educação, tornando sua integração com a formação de maneira ampla e transversal aos cursos
de graduação.
Na próxima seção, discutimos como o trabalho realizado no CCA e no Observatório do
Idadismo se entrelaçam em três dimensões: extensão universitária, formação em linguagem, e
responsabilidade.
A extensão universitária: um espaço ético-responsável
O trabalho desenvolvido no CCA e no Observatório do Idadismo, brevemente
apresentados anteriormente, se alinham aos princípios fundamentais da extensão universitária,
pactuados no I Encontro Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas
Brasileiras em 1987:
8
Em um primeiro momento, o argumento etário para não se preocupar com a pandemia foi largamente utilizado
pela mídia e nas redes sociais. Em um segundo momento, idosos foram infantilizados por não “compreenderem”
a seriedade da crise sanitária, sendo referidos como “teimosos” em memes que circularam nas redes sociais
(MAZUCHELLI et al., 2021). Ao longo da pandemia, também testemunhamos o escândalo da Prevent Sênior,
durante as investigações da CPI da Covid-19, em que médicos do plano de saúde diminuíram os níveis de oxigênio
de pacientes idosos hospitalizados para “acelerar” a liberação de leitos.
9
A responsabilização do crescimento demográfico da população idosa pela sobrecarga no sistema econômico
previdenciário e de saúde não é recente e foi abordada em trabalhos anteriores (MAZUCHELLI, 2019).
Larissa Picinato MAZUCHELLI e Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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A Extensão Universitária é o processo educativo, cultural e científico que
articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação
transformadora entre Universidade e Sociedade. A extensão é uma via de mão-
dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na
sociedade, a oportunidade de elaboração da práxis de um conhecimento
acadêmico. No retorno à Universidade, docentes e discentes trarão um
aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será acrescido àquele
conhecimento. Esse fluxo, que estabelece a troca de saberes sistematizados,
acadêmico e popular, terá como consequências a produção do conhecimento
resultante do confronto com a realidade brasileira e regional, a democratização
do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na
atuação da Universidade. Além de instrumentalizadora deste processo
dialético de teoria/ prática, a extensão é um trabalho interdisciplinar que
favorece a visão integrada do social (FORPROEX, 2012, p. 15).
A Política Nacional de Extensão destaca a importância da via de mão dupla,
proporcionada pela atividade extensionista, que oxigena a universidade, por um lado, e aumenta
a força transformadora da universidade no seu enfrentamento de desafios contemporâneos, por
outro. Sobre essa relação, concordamos com Neto (2014, p. 93) quando afirma:
Ao se pensar a extensão universitária como trabalho social útil, vê-se que este
trabalho não se exerce apenas a partir dos participantes da comunidade
universitária, servidores e alunos. Na sua dialeticidade, exige dimensão
externa à universidade, que é a participação de pessoas da comunidade ou
mesmo de outras instituições da sociedade civil, como movimentos sociais.
Está aí presente uma relação “biunívoca”, para onde os participantes da
universidade e de outras instituições ou da comunidade confluem.
Nesse sentido, a extensão universitária deve rejeitar práticas verticalizadas que
desconsideram os saberes populares e reafirmar seu caráter dialógico e historicamente situado,
afastando-se, portanto, de um trabalho assistencialista, no qual, segundo Freire (2001), estaria
a negação do sujeito e de sua agência. A extensão assistencialista ou mesmo a prática
pedagógica assistencialista não atribui aos sujeitos a capacidade de “re-pensar” sua própria
ação, “re-criar” seus pensamentos e realidade. A esse respeito, Freire (2001) é contundente em
sua crítica a uma certa extensão:
Parece-nos [...] que a ação extensionista envolve [...] a necessidade que
sentem aqueles que a fazem, de ir até a “outra parte do mundo”, considerada
inferior, para, à sua maneira, “normalizá-la”. Para fazê-la mais ou menos
semelhante a seu mundo. Daí que [...] o termo extensão se encontre em
relação significativa com transmissão, entrega, doação, messianismo,
mecanicismo, invasão cultural, manipulação, etc. E todos estes termos
envolvem ações que, transformando o homem em quase “coisa”, o negam
como um ser de transformação do mundo (FREIRE, 2001, p. 22).
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Esse processo de objetificação do outro diz respeito às raízes antidemocráticas, ao
“mutismo brasileiro”, pertencente à sociedade brasileira que, historicamente constituída na
ausência de diálogo, nega uma experiência democrática autêntica (FREIRE, 1967). Ao se opor
ao assistencialismo, à violência do seu antidiálogo que reduz os homens a objeto, Freire se
aproxima de Bakhtin (2010) ao afirmar que, nas ciências humanas, o homem jamais deve ser
estudado tal qual um objeto mudo, sob pena de invisibilizar justamente sua possibilidade de
dizer.
Nos casos do CCA e do Observatório do Idadismo, as vivências e o trabalho
desenvolvidos partem, assim, não de uma ideia escolarizada “desconectada da vida que se
vive”, que fragmenta os saberes e fortalece impossibilidades de dizer. Distanciam-se, assim, do
teoricismo, de uma pretensão de universalização e dominação da língua, e partem da
compreensão bakhtiniana de que a vivência remete a duas direções opostas: para a unidade
objetiva de um campo da cultura e para a singularidade irrepetível da vida que se vive.
O ato deve encontrar um único plano unitário para refletir-se em ambas as
direções, no seu sentido e em seu existir; deve encontrar a unidade de uma
responsabilidade bidirecional, seja em relação ao seu conteúdo
(responsabilidade especial), seja em relação ao seu existir (responsabilidade
moral), de modo que a responsabilidade especial deve ser um momento
incorporado de uma única e unitária responsabilidade moral. Somente assim
se pode superar a perniciosa separação e a mútua impenetrabilidade entre
cultura e vida (BAKHTIN, 2010, p. 43-44).
Essa responsabilidade bidirecional, que se responsabiliza pelo conteúdo e pelo existir a
partir da inseparabilidade entre cultura e vida, que ocorre no ato e para a qual, portanto, não há
álibi, fundamenta as ações desenvolvidas nos dois projetos de extensão, seja por meio de uma
resposta àquilo que Coudry (1997) chamou de “dilema de enfrentar sujeitos ‘intratáveis’”, seja
pelo enfrentamento do silenciamento que o idadismo confere às pessoas em processo de
envelhecimento.
Nesse sentido, as atividades do CCA oferecem um tipo de encontro em que os sujeitos
afásicos não são objetificados, retirados de sua agência e de sua capacidade de “(re)criar”; ou
seja, seu saber de falante que está na língua(gem) e não a perdeu (como as discussões mais
tradicionais ainda argumentam) é respeitado e valorizado. Dessa forma, o CCA se configura
como um espaço ético-responsável em que os sujeitos com afasia podem (re)estabelecer laços
sociais enquanto desenvolvem estratégias de enfrentamento dos impactos dos eventos
neurológicos que não se restringem às alterações linguístico-cognitivas, mas abarcam exclusões
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por preconceitos, sobretudo linguísticos, capacitistas e sociais (NOVAES-PINTO, 2008, 2015),
muitos dos quais sustentados pela ignorância acerca do que seja a afasia
10
.
Além de uma questão de saúde, portanto, a afasia deve ser compreendida como uma
questão social (NOVAES-PINTO, 2008). Nesse sentido, o CCA posiciona-se, historicamente,
como um importante espaço de enfrentamento da patologização e do silenciamento desses
sujeitos (NOVAES-PINTO, 2008, 2012) e de formação humanística para essa luta.
No caso do Observatório do Idadismo, as atividades oferecem outro tipo de encontro,
uma vez que para o monitoramento midiático, os membros da extensão selecionam textos
jornalísticos a partir da busca regular de palavras-chaves em que se investiga, a despeito da
ausência do termo idadismo, movimentos discursivos e dialógicos em que a temática é
subjacente. Com a discussão dos textos selecionados, os participantes, de áreas e faixas etárias
distintas, (re)significam os discursos idadistas (seus e de outros) e, ao mesmo tempo,
compreendem aspectos do funcionamento dos campos da comunicação, educação e saúde.
Os dois projetos de extensão possibilitam, ainda, colocar os estereótipos etários em
questão, tanto em relação ao envelhecimento quanto à juventude. Muitos estudantes,
principalmente da graduação, que estão em faixas etárias distantes dos idosos (bem como dos
afásicos), têm a oportunidade de discutir intensamente sobre envelhecimento e sobre
preconceitos etários vivenciados e perpetrados por eles. Nesse processo, passam, portanto, a
melhor compreender a estruturalidade do idadismo na maneira como vivemos e a lutar por algo
que também passa a ser deles. Há, aqui, o desenvolvimento daquilo que vimos chamando de
responsabilidade intergeracional (OLIVEIRA; MAZUCHELLI, 2021), uma responsabilidade
que, em termos bakhtinianos, não se em relação a gerações estanques, mas no
reconhecimento de que as temporalidades se entrecruzam a todo momento e coexistem em cada
indivíduo e em cada ato:
[...] respondemos não somente pelo que ocorre hoje, mas tanto pelo passado
(e aqui lembramos da banalização do horror da ditadura, ou da escravidão)
quanto pelo futuro (e aqui pensamos que as gerações futuras talvez não
tenham uma terra habitável). Para os fins deste artigo, preferimos dizer que
as gerações compartilham a dialogização de um tempo não
compartimentalizado e cronometrado, de representação e projeção, que
permite que os sujeitos estejam, ao mesmo tempo, coexistindo em diferentes
gerações (OLIVEIRA; MAZUCHELLI, 2021, p. 41).
10
Via de regra, os afásicos são afastados de suas atividades profissionais e sociais, muitas vezes em fases ainda
muito produtivas de suas vidas. Ainda hoje é frequente a crença de que os sujeitos com afasia sofreriam, sobretudo,
de “problemas de raciocínio”, sendo vistos como incapazes, embora não apresentem, em geral, alterações
cognitivas. Há, ainda, crenças de que a afasia seria resultado de perturbações espirituais.
A extensão universitária como espaço de formação em linguagem: Uma discussão ético-responsável
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A intensa circulação de dizeres e saberes, de caráter intergeracional, ocorre de forma
não verticalizada nos dois projetos de extensão: sujeitos com afasia trabalham com e na
linguagem para partilharem saberes e vivências com outros sujeitos com afasia, com
pesquisadores, alunos de graduação e demais participantes do CCA, enquanto, no Observatório
do Idadismo, alunos de graduação e pós-graduação compartilham saberes, vivências e angústias
relacionadas ao envelhecimento, aos preconceitos etários observados ou experienciados, as
ressignificando. Isso contribui para o fortalecimento das trocas, aprendizagens e combate à
objetificação do outro. No sentido exposto por Freire, não se busca “normalizar”, “invadir” ou
“manipular”. Antes, busca-se (re)construir sentidos, coletiva e dialogicamente, sobre saúde,
doença, normalidade, língua(gem), comunicação, envelhecimento, idadismo.
Em nossas experiências em ambos os projetos, pode-se dizer que sabemos como a
conversa se iniciará (com as novidades e comentários sobre as dificuldades da semana e
informes gerais, seja no CCA ou no Observatório do Idadismo), mas nunca sabemos como será
sua finalização, se teremos ao final uma reafirmação de uma moral pré-construída de nossos
saberes ou se seremos apresentados a outros conhecimentos, costurados na singularidade e
alteridade dos encontros (BAKHTIN, 2010).
Consideramos, então, em via da discussão apresentada, que um olhar ético-
responsável que deve subsidiar a atividade extensionista, seja no enfrentamento do idadismo
ou na defesa do direito ao dizer do sujeito afásico. Um aspecto que entrelaça essas duas
dimensões, portanto, é a concepção e o trabalho realizado na e com a linguagem, sobre o qual
discorremos a seguir.
O trabalho com e na linguagem: experiências interdisciplinares
No CCA, observam-se práticas em que o caráter constitutivo da linguagem é valorizado,
contrapondo-se a objetivos meramente instrumentais traduzidos em competências e habilidades
a serem (re)aprendidas e dominadas. Assim, atividades da vida cotidiana atravessadas pela
linguagem, tais como o café da manhã compartilhado, a leitura e discussão de notícias sobre o
país e o mundo, os jogos, as comemorações festivas, as encenações, os passeios a outras
cidades, as visitas a museus e exposições; ou seja, os encontros do “mundo da vida”
(BAKHTIN, 2010) caracterizam o modo pelo qual a linguagem e os processos de significação
vão sendo (re)elaborados, (re)criados nas vivências compartilhadas, em que afásicos e não
afásicos trabalham colaborativamente para “retificar o vivido” que, “ao mesmo tempo constitui
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o simbólico mediante o qual se opera com a realidade e constitui a realidade como um sistema
de referências em que aquele se torna significativo” (FRANCHI, 2011 [1977], p. 64).
Vale destacar que, ainda que a linguagem esteja “fragmentada” na afasia, o trabalho
realizado, nas sessões coletivas e individuais, exige que seja tratada em toda sua
heterogeneidade e unicidade. Sendo assim, não recortes que privilegiam “modelos” que
representariam o “todo da linguagem”, trabalho que Bakhtin (2016) chama de “ficção
científica”. Estudantes de graduação em Letras, Linguística e Fonoaudiologia participantes são
convocados a olhar para a linguagem para além de seus possíveis recortes teóricos. A afasia e
o trabalho no CCA demandam que se mobilizem conhecimentos das disciplinas que compõem
seus currículos: saberes aprendidos sobre fonética e fonologia, sintaxe, semântica, pragmática,
discurso (no caso específico dos estudantes de Letras e Linguística), voz, audiologia,
motricidade orofacial, dentre outras (no caso específico dos estudantes de Fonoaudiologia).
Assim, os participantes também aprendem no encontro com as outras áreas, seja
compreendendo como uma análise semântico-lexical ajuda a explicar um caso de afasia, seja
compreendendo a importância da hidratação para o cuidado da voz ou da promoção de saúde
de forma mais ampla, não estritamente biomédica. Sem essa interdisciplinaridade e trabalho
coletivo, a compreensão e a avaliação dos casos fica comprometida, assim como a elaboração
para o enfrentamento das dificuldades linguísticas e sociais.
A título de exemplificação, trazemos um relato que mostra a complexidade da
linguagem na afasia. Nele, o sujeito afásico, que apresenta constante dificuldade de encontrar
palavras, e o interlocutor estavam conversando enquanto a sessão coletiva não iniciava até que
percebe a falta de uma palavra que considerava importante. Vejamos o relato de diário do
pesquisador sobre o processo de recuperação da palavra perdida:
Estávamos na sala do CCA. Tínhamos chegado por volta das 8:00 horas, um
pouco mais cedo que o grupo. Chegamos, eu e FG, e começamos a montar
todo o equipamento para a utilização do grupo. Enquanto isso, o Sr. AC ficou
assoviando. Eu fiz uma brincadeira que o assovio parecia um papa-capim.
Daí começamos a conversar sobre passarinhos, até que determinado
momento ele me perguntou qual era o nome do passarinho que cantava o
próprio nome. Ele me disse que sabia e que a palavra estava quase ali, na
ponta-da-língua. Daí eu fiz uma suposição e perguntei se começava com B.,
mas ele disse que não. Logo depois eu assoviei o som do Bem-te-vi, mas ele
disse “não é esse não”. Eu disse que sabia ainda outro passarinho que
cantava o nome e assoviei o canto do fogo-pagou. Mas ele disse que não era
esse aí também [...] mas o que ele sabia era um que ele via muito, quando era
mais novo, mas que nunca mais tinha visto; parecia até que tinha
desaparecido. Daí AC ficou reclamando da palavra, que ela não vinha, que
ele esquecia os nomes quando queria... Depois de uns 20 minutos em que eu
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continuei organizando a sala, eu pedi que ele assoviasse ou que dissesse uma
letra, mas ele disse que não sabia. Logo após, ele disse “até parece que estou
vendo ele ali no chão, fazendo [imita o som]... Curiango, ufa! Tem muito
tempo que eu quero lembrar este nome !” (OLIVEIRA, 2022, p. 216).
Considerando os objetivos deste texto, não cabe procedermos à análise de dado
11
, mas
destacamos o trabalho com e na linguagem realizado pelos participantes que aparecem nesse
relato e que é indissociável de suas trajetórias de vida, das ações cotidianas, dos pressupostos e
suposições sobre a fala do outro, da organização semântico-lexical necessária para possibilitar
a evocação de uma palavra e que evidencia a imbricada relação entre memória e linguagem. A
busca pela palavra, realizada de maneira dialógica e colaborativa, vai muito além, portanto, de
determinar “acertos” e “erros” pautados nas expectativas de materiais de “treinamento
linguístico de evocação lexical”, por exemplo. Ela ainda se relaciona a uma escuta que é ativa,
ponto central na relação com a palavra outra (PONZIO, 2010), e que implica se relacionar com
as frustrações do processo e com a criação de caminhos para encontrar a palavra.
Os pressupostos epistemológicos que fundamentam as atividades do CCA oportunizam,
portanto, aos sujeitos participantes, pesquisadores e alunos em formação, compreender o
trabalho linguístico, metalinguístico e epilinguístico, o que possibilita o exercício de uma
reflexão sobre o funcionamento da linguagem, que é primordial para uma atuação crítica na
fonoaudiologia e nos contextos educacionais formais e informais.
No Observatório do Idadismo, o trabalho também demanda o entrelaçamento de saberes
diversos, pressuposto no acompanhamento da multiplicidade de fios ideológicos que compõem
os discursos e dos sentidos que na palavra estão sendo disputados. Este trabalho é fundamental
se consideramos que “a palavra será o indicador mais sensível das mudanças sociais”, que
“é capaz de fixar todas as fases transitórias das mudanças sociais, por mais delicadas e
passageiras que sejam” (VOLÓCHINOV, 2018, p. 106).
As discussões que ocorrem no Observatório do Idadismo, bem como as publicações nas
redes sociais e as atividades de formação anti-idadistas realizadas com profissionais da saúde,
da educação e com grupos de idosos sustentam-se, assim, nesse trabalho com e na linguagem,
nos encontros e nas disputas de sentidos.
A publicização de conhecimento qualificado sobre envelhecimento e idadismo, por
exemplo, requer o exercício intenso de estudo, análise de dados, checagem de informações,
11
O dado analisado encontra-se em Oliveira (2022). Vale destacar, ainda, como a busca pelo nome do pássaro
prossegue, em sessões posteriores, com vídeos de pássaros cantando, conversas e jogos de adivinha sobre cantos
de pássaros.
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escrita e tradução intralingual, interlingual e intersemiótica (JAKOBSON, 1981) e
compreensão dos gêneros discursivos de postagens nos perfis em redes sociais (Instagram,
Facebook e Twitter). Destacamos a tradução do relatório produzido pela Organização Mundial
de Saúde (WHO, 2021) em língua inglesa e adequado para as postagens em redes sociais (Fig.1)
que apresentavam sínteses das discussões do observatório (Fig. 2).
Figuras 1 e 2 – Produções do Observatório do Idadismo
Fonte: Observatório do Idadismo
Esse trabalho demanda escolhas lexicais e discursivas estratégicas, posicionamentos
frente a questões complexas, tradução de conceitos e composição de imagens, o que exige um
processo constante de apuramento e adequação à heterogeneidade dos leitores e participantes
das atividades. Todo esse trabalho requer e possibilita, ao mesmo tempo, o desenvolvimento de
escuta e alteridade; ou seja, de encontro com um outro concreto, singular e, portanto,
insubstituível que parte do “reconhecimento da impossibilidade da não-indiferença pelo
outro” em uma “ação responsável que exprime a unicidade do ser no mundo sem álibi”
(PONZIO, 2010, p. 22-24).
Neste sentido, quanto mais mobilizamos e nos relacionamos com os gêneros, nessa
arquitetônica ética-responsável com a linguagem e com os sujeitos participantes,
maior é a desenvoltura com que os empregamos e mais plena e nitidamente
descobrimos a nossa individualidade (onde isso é possível e necessário),
refletimos de modo mais flexível e sutil a situação singular da comunicação –
em suma, tanto mais plena é a forma com que realizamos nosso livre processo
de discurso (BAKHTIN, 2016, p.41).
Além deste trabalho realizado com a publicização de material qualificado sobre o
idadismo, ainda o trabalho de linguagem na formação anti-idadista realizado por meio de
oficinas e rodas de conversas.
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Em uma roda de conversa com um grupo de idosas (majoritariamente feminino, como
de praxe) na cidade de Salvador, realizamos uma atividade elaborada a partir do
Multiletramento Engajado (LIBERALI, 2022), que se fundamenta nas propostas de Vygotsky
e Freire e de confluências com a Pedagogia dos Multiletramentos (NEW LONDON GROUP,
1996 [2000]) na organização de práticas pedagógicas a partir da compreensão de que a educação
deve construir modos de participação cada vez mais amplos para todos (LIBERALI et al.,
2021).
Os encontros motivados pelo ME são organizados em três momentos: um primeiro
dedicado à imersão na realidade, em que se busca conexão cognitivo-afetiva com o tema a ser
discutido; um segundo dedicado à construção crítica de generalizações, momento em que
aprofundamento da compreensão do tema e partilha de saberes; e, finalmente, um terceiro
dedicado à produção e mudança social, em que se planejam ações de intervenção inspiradas
nas aprendizagens dos momentos anteriores.
Inicialmente, como forma de imersão na realidade, foram realizadas duas encenações
de situações baseadas em experiências vividas e observadas pelos membros do Observatório do
Idadismo seguindo a proposta do Teatro do Oprimido (BOAL, 2019 [1975])
12
, uma importante
ferramenta pedagógica do ME. Na primeira encenação, uma idosa esperava na fila para votar
enquanto mesários e demais eleitores reclamavam da demora e diziam que a fila estava grande
por conta da lentidão dos idosos. Na segunda encenação, o gerente de um banco tratava de um
empréstimo diretamente com a filha que acompanhava seu pai idoso para pegar um empréstimo,
sem dar a devida atenção ao idoso que teria seu dinheiro retirado.
Nas duas situações encenadas, foi combinado com as idosas que elas poderiam interferir
nas cenas caso não concordassem com o que assistiam, o que foi feito de forma muito
expressiva: as idosas exigiram seus direitos tanto em relação ao voto quanto ao empréstimo, e
questionaram a desumanização e velocidade do mundo contemporâneo, “correndo muito para
chegar em lugar nenhum”, como afirmou uma das idosas em resposta à percepção de que não
espaço para esperar” pelo outro (votar, entender como funcionaria um empréstimo, por
exemplo).
Em momento posterior, foi realizada uma roda de conversa para explorar, coletivamente,
a experiência vivenciada na imersão na realidade e aprofundar as compreensões sobre o
12
A partir da década de 1970, Boal elabora um teatro comprometido com o enfrentamento da opressão. Uma de
suas estratégias para torná-lo caminho de libertação foi transformar espectadores em “espectatores”, capazes de
interferir e mudar o curso de uma cena.
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idadismo com a partilha de saberes e leituras de materiais pré-selecionados. Por fim, foi
realizado um jogo em que as idosas deveriam decidir se algumas frases, tais como Ela nem
parece velha, continua linda”, eram idadistas, ambíguas ou se não apresentavam cunho
preconceituoso.
Como esse exemplo sugere, o trabalho ético-responsável realizado com as idosas não as
objetifica. Pelo contrário, o saber sobre idadismo é realizado colaborativamente, a partir de suas
vivências, com e na linguagem. Os participantes do Observatório do Idadismo destacam o
posicionamento firme de enfrentamento das idosas que questionaram durante a construção
crítica de generalizações acerca de uma das frases avaliadas: “Quer dizer que só é linda quem
não parece velha?”.
Embora a atividade realizada não tenha culminado diretamente em uma ação na prática
de mudança social (em virtude, sobretudo, do tempo), não nos deixa dúvida o impacto que esse
encontro teve nas vidas dos participantes do Observatório do Idadismo que aprenderam ao
vivenciarem a força de enfrentamento e engajamento das idosas nas duas encenações e nas
reflexões que se seguiram. Por outro lado, as participantes da roda de conversa tiveram a
oportunidade de expandir sua compreensão acerca do idadismo e seu repertório de
enfrentamento.
Essa experiência, vivenciada por meio de atividade extensionista, assim como as
experiências no CCA, são potentes porque se fundamentam, como procuramos mostrar no
trabalho com e na linguagem, na “vida que se vive” de maneira ético-responsável, de maneira
não-mecânica ou normalizadora. Pelo contrário, na totalidade do ato, que “é verdadeiramente
real, participa do existir-evento; só assim é vivo, pleno e irredutivelmente, existe, vem a ser, se
realiza” (BAKHTIN, 2010, p. 43).
Considerações finais
Este artigo buscou defender que as extensões universitárias podem ser espaços
privilegiados para uma formação ético-responsável em linguagem, uma vez que não se
descaracterize a natureza bidirecional e engajada das atividades extensionistas, sua unicidade
dialógica, tanto na relação entre discentes e docentes quanto na relação entre universidade e a
comunidade que lhe é externa e, ao mesmo tempo, constitutiva. Optamos por apresentar duas
propostas diferentes de extensões que trabalham com e na linguagem, buscando ampliar
diálogos, cada uma a seu modo, sem deixar de, de dentro de uma posição ético-responsável
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(BAKHTIN, 2010; PONZIO, 2010), trabalhar na completude de suas dimensões, na tentativa
constante de superar os assistencialismos que objetificam, comuns nos campos da saúde e da
educação.
Ao longo da história de desenvolvimento da área de Neurolinguística e do CCA, muitos
artigos, em diferentes campos do saber, foram desenvolvidos para mostrar o trabalho realizado
pelos sujeitos com afasia e uma clínica capaz de criar possibilidades para que os sujeitos possam
se reorganizar linguística, cognitiva e socialmente. Além de possibilitar o trabalho de
reorganização da linguagem dos sujeitos com afasia, o CCA constitui-se, portanto, em espaço
de produção científica e de formação no campo dos estudos linguísticos, seja de futuros
professores, fonoaudiólogos ou pesquisadores de campos que se interrelacionam com questões
ligadas à linguagem e ao seu funcionamento. A partir de bases teóricas semelhantes, o
Observatório de Idadismo vem buscando seguir o mesmo caminho interdisciplinar no trabalho
com e na linguagem, necessário para uma formação compartilhada de docentes e discentes.
Em tempos de integração das extensões na matriz curricular dos cursos de graduação,
será necessário encarar os desafios de uma formação que pouco considera, ainda, o engajamento
estudantil, a ação cidadã e o papel da universidade na superação das desigualdades e dos
mecanismos de exclusão que estão no cerne da história brasileira. A esse respeito, a epígrafe da
política nacional de extensão universitária (FORPROEX, 2012) destaca a força das extensões
como resistência à submissão da universidade ao capitalismo global, dado seu papel ativo na
construção da coesão social, no fortalecimento da democracia, da diversidade cultural, e do
aumento do acesso aos saberes produzidos pela universidade como caminho de combate à
exclusão social e à degradação ambiental.
Contudo, devemos reconhecer que, a despeito da presença da extensão no tripé da
universidade, ainda um longo caminho a ser percorrido para o seu reconhecimento
institucional, mas acreditamos que experiências dialógicas e ético-responsáveis como as
brevemente discutidas neste trabalho, apesar de suas limitações, podem continuar
possibilitando a formação de profissionais comprometidos com o enfrentamento de opressões,
injustiças e preconceitos que operam por meio da linguagem.
Larissa Picinato MAZUCHELLI e Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
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VOLÓCHINOV. V. Marxismo e filosofia da linguagem: Problemas fundamentais do método
sociológico, São Paulo: Ed. 34, 2018.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaríamos de agradecer aos participantes do Centro de Convivência
de Afásicos, aos integrantes do Observatório do Idadismo e do Grupo de Estudos da
Linguagem no Envelhecimento e nas Patologias, em especial à Profa. Dra. Rosana do
Carmo Novaes-Pinto por sua inestimável generosidade e escuta.
Financiamento: Agradecemos à CAPES pelo apoio à publicação científica, assim como ao
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Extensão Universitária da Universidade
Federal da Bahia pela possibilidade de vincular bolsistas na modalidade extensão ao
Observatório do Idadismo.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Como se trata de uma discussão fundamentada na experiência dos
autores, este trabalho se enquadra no Inciso VII e VIII do Art. da Resolução 510 de
07/04/2016.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais do Observatório do Idadismo
estão disponíveis em suas redes sociais. Os dados e materiais do Centro de Convivência de
Afásico fazem parte de registros dos autores.
Contribuições dos autores: Ambos autores participaram da concepção, planejamento,
interpretação dos dados, redação, revisão e aprovação da versão final.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480 1
LA EXTENSIÓN UNIVERSITARIA COMO ESPACIO DE FORMACIÓN DE
LENGUAJE: UNA DISCUSIÓN ÉTICO-RESPONSABLE
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COMO ESPAÇO DE FORMAÇÃO EM LINGUAGEM:
UMA DISCUSSÃO ÉTICO-RESPONSÁVEL
THE UNIVERSITY OUTREACH AS A LANGUAGE EDUCATION SPACE: AN
ETHICAL-RESPONSIBLE DISCUSSION
Larissa Picinato MAZUCHELLI1
e-mail: larissa.mazuchelli@ufu.br
Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA2
e-mail: marcus.oliveira.fono@gmail.com
Cómo hacer referencia a este artículo:
MAZUCHELLI, L. P.; OLIVEIRA, M. V. B. La extensión
universitaria como espacio de formación de lenguaje: Una discusión
ético-responsable. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480
| Presentado el: 22/03/2023
| Revisiones requeridas en: 15/05/2023
| Aprobado el: 29/07/2023
| Publicado el: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia MG Brasil. Profesora Adjunta, Instituto de Letras y
Lingüística. Doctora en Lingüística.
2
Universidad Federal de Bahía (UFBA), Salvador BA Brasil. Profesor Adjunto, Departamento de
Fonoaudiología. Doctor en Lingüística.
La extensión universitaria como espacio de formación de lenguaje: Una discusión ético-responsable
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480 2
RESUMEN: Este artículo discute la relevancia del papel formativo de las extensiones
universitarias, basado en la dialogicidad y el compromiso con la sociedad, teniendo como punto
de partida una reflexión sobre las actividades de dos proyectos de extensión: el Centro de Vida
de Afásicos (UNICAMP) y el Observatorio de la Edadismo (UFBA /UFU). Mientras que el
primero opera en la reorganización cognitivo-lingüística de los sujetos con lesión cerebral, el
segundo combate los prejuicios y la estigmatización con sesgo de edad, especialmente los
dirigidos a los ancianos. Con base en las experiencias reportadas y discutidas, argumentamos
que la extensión universitaria puede ser un espacio privilegiado para una formación éticamente
responsable en idiomas, aunque queda un largo camino por recorrer para su reconocimiento
institucional. Finalmente, destacamos que las experiencias dialógicas y éticamente responsables
vividas en las actividades de extensión apuntan a la importancia de formar profesionales
comprometidos en el enfrentamiento de la opresión, la injusticia y el prejuicio que operan a
través del lenguaje.
PALABRAS CLAVE: Envejecimiento. Extensión universitaria. Formación en lenguaje.
RESUMO: Este artigo discute a relevância do papel formativo das extensões universitárias,
fundamentadas na dialogicidade e no engajamento com a sociedade, tendo como ponto de
partida uma reflexão sobre as atividades de dois projetos de extensão: o Centro de Convivência
de Afásicos (UNICAMP) e o Observatório do Idadismo (UFBA/UFU). Enquanto o primeiro
atua na reorganização linguístico-cognitiva de sujeitos cérebro-lesados, o segundo combate
preconceitos e estigmatização com viés de idade, principalmente aqueles dirigidos à pessoa
idosa. A partir das vivências relatadas e discutidas, defendemos que a extensão universitária
pode ser espaço privilegiado para uma formação ético-responsável em linguagem, ainda que
haja um longo caminho a ser percorrido para seu reconhecimento institucional. Destacamos,
finalmente, que as experiências dialógicas e ético-responsáveis vivenciadas nas atividades
extensionistas apontam para a importância da formação de profissionais engajados no
enfrentamento de opressões, injustiças e preconceitos que operam por meio da linguagem.
PALAVRAS-CHAVE: Envelhecimento. Extensão universitária. Formação em linguagem.
ABSTRACT: This paper discusses the relevance of the formative role of university outreach,
based on dialogicity and engagement with society, having as a starting point a reflection on the
activities of two outreach and engagement projects: the Center for People with Aphasia
(UNICAMP) and the Observatory of Ageism (UFBA/UFU). While the first works with the
cognitive-linguistic reorganization of brain-injured individuals, the second fights age bias
prejudice and stigmatization, especially those aimed at older people. Based on the reported and
discussed experiences, university outreach and engagement projects can be a privileged space
for ethically responsible language education, even though much needs to be done in terms of
institutional acknowledgement. Finally, we emphasize that the dialogical and ethically
responsible experiences shared in outreach activities highlight the importance of forming
professionals committed to facing oppression, injustice, and prejudice that operate through
language.
KEYWORDS: Ag(e)ing. University outreach. Language education.
Larissa Picinato MAZUCHELLI y Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introducción
Este texto tiene como objetivo reflexionar sobre los espacios de formación lingüística,
especialmente aquellos que, integrados con la investigación y la enseñanza, contribuyen a una
formación ético-responsable de sus participantes. Sin prescindir de la comprensión de la
pluralidad lingüística como objeto de conocimiento, partimos de su heterogeneidad constitutiva
como camino formativo, sin tener, sin embargo, el "dominio del lenguaje" como horizonte de
trabajo.
Para tratar los espacios para la formación de idiomas, abordaremos dos proyectos de
extensión: el Centro Viviente Afásico (en adelante CCA) y el Observatorio del Edadismo. Nos
basamos teórica y metodológicamente en el trabajo del Círculo de Bajtín y Paulo Freire y
partimos de la consideración del papel y el poder de las extensiones universitarias en los planes
de estudio de pregrado, un tema que ha ido ganando prominencia dado su proceso curricular
3
,
pero que ofrece riesgos de vaciar las características fundamentales de las actividades de
extensión.
Esta discusión también se justifica, por lo tanto, dado el carácter todavía marginal de la
extensión en comparación con la investigación y la enseñanza, que refleja una herencia de
formación que no va más allá de las paredes del aula, o que "lleva" el aula para la extensión,
reduciéndola, muchas veces, a cursos "escolarizados" que imitan y reproducen disciplinas
ofrecidas en cursos de pregrado y transforman La extensión en instrumento mecanicista y
técnico del asistencialismo universitario. También creemos que este escenario responde, en
parte, al sentimiento de no pertenencia al espacio universitario por parte de muchos estudiantes.
Es en este sentido, también, que argumentamos que las extensiones tienen una naturaleza
transformadora, especialmente cuando se basan en principios ético-responsables y dialógicos
que se alejan de estas prácticas jerárquicas y asistencialistas.
También discutimos los espacios de extensión en este trabajo debido a su relevancia en
nuestras trayectorias de formación e investigación. Nuestra reflexión se basa, por tanto, también
en nuestra experiencia reflexiva y en la comprensión de la importancia de la posibilidad de
diálogo entre la universidad y otros sectores de la sociedad y la interdisciplinariedad que de él
se deriva. La extensión, por lo tanto, puede favorecer una formación académica ético-
responsable que implique políticamente a la universidad en la necesaria confrontación de
3
De acuerdo con el Plan Nacional de Educación ( 2014-2024), aprobado por la Ley Nº 13.005, del 25 de junio de
2014, a finales de 2022, todos los cursos de pregrado de las universidades públicas brasileñas deben asignar al
menos el 10% de su carga de trabajo a la extensión universitaria.
La extensión universitaria como espacio de formación de lenguaje: Una discusión ético-responsable
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cuestiones sociales urgentes, como las ambientales, étnico-raciales, de género y,
particularmente para nosotros, las cuestiones de edad
4
.
Inicialmente, presentamos el CCA, destacando su prometedora historia de trabajo con
sujetos con lesión cerebral, y luego presentamos el Observatorio de Edadismo, un proyecto
creado en 2021 que busca discutir y abordar el prejuicio del sesgo de edad, especialmente contra
los ancianos. Finalmente, destacamos el entrelazamiento de las acciones de estos espacios para
una formación ético-responsable en el lenguaje.
El Centro Viviente Afásico: un proyecto para enfrentar la objetivación de los afásicos
El Centro Viviente Afásico, creado en la década de 1980 por investigadores del
Departamento de Lingüística del Instituto de Estudios del Lenguaje y del Departamento de
Neurología de la Facultad de Medicina, ambos de la Universidad Estatal de Campinas, tiene
como objetivo, desde su fundación, permitir el "ejercicio vivo del lenguaje" (COUDRY, 1997).
Los grupos
5
que lo constituyen se basan en el trabajo conjunto de sujetos con afasia
6
y
estudiantes de pregrado de los cursos de Lingüística, Letras y Patología del Habla-Lenguaje y
Audiología y del Postgrado en Lingüística, especialmente aquellos vinculados a la nea de
investigación en Neurolingüística, en reuniones semanales y asistencias individuales. Así, se
observa el carácter interdisciplinario del CCA, como lo discutieron Novaes-Pinto y Lima
(2016), ya que lingüistas, logopedas, educadores, artistas (músicos, actores, artistas plásticos,
etc.) interactúan.
Desde su creación, el CCA ha contribuido a la Neurolingüística Discursiva, que surgió
en 1986 con la tesis doctoral de Maria Irma Hadler Coudry y se basa en el entendimiento de
que el "trabajo con el lenguaje" (FRANCHI, 2011 [1977]) exige "la movilización de diversos
procesos cognitivos"
7
involucrados en la actividad simbólica de los procesos de significación,
4
Cabe destacar que los autores del texto son investigadores del Grupo de Estudios del Lenguaje en el
Envejecimiento y las Patologías (GELEP-Plataforma CNPq/Lattes).
5
En su trayectoria de actividad, el CCA cuenta con tres grupos coordinados por profesores del Departamento de
Lingüística. Grupo I, bajo la responsabilidad de la Prof. Dra. Edwiges Maria Morato; Grupo II, bajo la
responsabilidad de la Prof. Dra. Maria Irma Hadler Coudry; y Grupo III, bajo la responsabilidad de la Prof. Dra.
Rosana do Carmo Novaes Pinto.
6
Las afasias son alteraciones del lenguaje resultantes de lesiones neurológicas adquiridas, como accidentes
cerebrovasculares, tumores y lesiones cerebrales traumáticas, que comprometen los procesos de simbolización y
significación, en todos los niveles lingüísticos, al desagregar lo que estaba previamente integrado (COUDRY, 1986
[1988]).
7
Enfatizamos que la cognición es "un conjunto de diversas formas de conocimiento que no está totalizado o
subsumido en el lenguaje, sino que de alguna manera está bajo su responsabilidad" (MORATO, 2004, p. 323). En
este sentido, la Neurolingüística Discursiva y la CCA no trabajan desde la premisa que desconecta al cerebro del
cuerpo, de su historia particular y de la humanidad. Se distancian, por tanto, de metáforas que acercan el cerebro
a un ordenador o a argumentos experimentales del tipo "cerebro en una cuba". Según Morato (1999, p. 160), "los
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alterados en los sujetos con lesión cerebral" (COUDRY, 1997, p. 13, nuestra traducción), es
decir, exige el trabajo con y en el lenguaje y que involucran la percepción, la atención y la
memoria estructuradas por él.
Así, se observa que el CCA se opone a una tendencia de trabajo clínico con sujetos con
lesión cerebral que los objetiva al guiarse por actividades lingüísticas reduccionistas, de carácter
excesivamente abstracto, con fuerte inspiración escolar, presentes en los manuales de
evaluación y terapia del lenguaje. Por otro lado, a partir de principios discursivos, la evaluación
y el trabajo de reorganización lingüístico-cognitiva se convierten, en el CCA, en "un amplio
registro" de los procesos de significación y del trabajo que los sujetos realizan con y en el
lenguaje. Es decir, en las actividades desarrolladas con sujetos afásicos, "el lenguaje (incluso
fragmentario) se muestra en toda su complejidad, ofreciendo visibilidad a lo que está o no
alterado, lo que falta y lo que excede, en relación con [su] funcionamiento normal" (COUDRY,
1997, p. 14, nuestra traducción).
La importancia de este posicionamiento frente a los problemas lingüísticos y sus efectos
en la educación se discutia continuación. Sin embargo, antes de profundizar en esta discusión,
presentamos el Observatorio del Edadismo, un trabajo que también se basa en un
posicionamiento discursivo, histórico y dialógico en relación con las cuestiones lingüísticas.
El Observatorio de la Discriminación por Edad: un proyecto para responder a la escalada
de violencia contra las personas mayores
La discriminación por edadismo es un fenómeno aún poco investigado, aunque su
primera referencia data de la década de 1960, con las obras de Robert Butler en Estados Unidos.
En general, nos referimos a la discriminación por edad (también conocida en Brasil como
edadismo o etarismo) cuando se trata de discriminación, violencia y estereotipos que circulan
en función del grupo de edad (especialmente contra los ancianos) y que conducen a la
marginación y exclusión social o su acentuación, ya que prevalecen en actitudes que entrelazan
condescendencia y negligencia. Este prejuicio se manifiesta, por tanto, en las relaciones
interpersonales (en el trato irrespetuoso, a menudo violento), de forma autodirigida (como
rechazando el propio envejecimiento) e institucionalmente (despido por edad, por ejemplo) y
se entrelaza con otros marcadores sociales como el racismo, el sexismo, la transfobia,
profundizando su violencia.
procesos cognitivos son "como el lenguaje, dependiendo de prácticas significativas, basadas en contingencias
socioculturales, propiedades del inconsciente y la calidad de las interacciones humanas".
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Fue en el apogeo de la pandemia de Covid-19 cuando experimentamos una escalada
8
de
falta de respeto, desprecio y violencia hacia los ancianos (culpado de los efectos económicos
causados por las medidas de distanciamiento social y la sobrecarga en el sistema de salud
9
), que
el Observatorio del Idealismo surge como un Proyecto de Extensión de la Universidad Federal
de Bahía, hoy también vinculado a la Universidad Federal de Uberlândia. Las actividades
desarrolladas se organizan en tres ejes: i) seguimiento y discusión de noticias sobre
envejecimiento y discriminación por edad; ii) traducción, publicidad y difusión de material
cualificado sobre la discriminación por edad; y iii) formación y confrontación de la
discriminación por edad a través de talleres y círculos de conversación.
El trabajo realizado por el Observatorio del Edadismo también se basa en la
comprensión del lenguaje como históricamente situado y reúne la interdisciplinariedad. Sus
miembros son de los campos de Humanidades, Educación y Salud, principalmente Patología
del Habla y Lenguaje y Audiología y Lingüística. Sin embargo, campos como la Sociología, la
Antropología, la Gerontología y la Comunicación se han vuelto esenciales para el trabajo
realizado, ya que guían discusiones fundamentales sobre el envejecimiento. Actualmente, el
observatorio cuenta con investigadores, estudiantes de pregrado y posgrado, así como
profesionales de la salud y la educación, lo que hace que su integración con la formación sea
amplia y transversal a los cursos de pregrado.
En la siguiente sección, discutimos cómo el trabajo llevado a cabo en el CCA y el
Observatorio de la Discriminación por Edad se entrelazan en tres dimensiones: extensión
universitaria, formación lingüística y responsabilidad.
Extensión universitaria: un espacio ético-responsable
El trabajo desarrollado en el CCA y el Observatorio del Edadismo, con brevedad
presentado anteriormente, están alineados con los principios fundamentales de extensión
universitaria, ya acordados en el Primer Encuentro Nacional de Prorrectores de Extensión de
las Universidades Públicas Brasileñas en 1987:
8
Al principio, el argumento de la edad para no preocuparse por la pandemia fue ampliamente utilizado por los
medios de comunicación y las redes sociales. En un segundo momento, los ancianos fueron infantilizados por no
“entender" la gravedad de la crisis sanitaria, siendo referidos como "tercos" en los memes que circulaban en las
redes sociales (MAZUCHELLI et al., 2021). A lo largo de la pandemia, también hemos sido testigos del escándalo
Prevent Senior durante las investigaciones del CPI Covid-19, en el que los médicos del plan de salud redujeron
los niveles de oxígeno de los pacientes ancianos hospitalizados para "acelerar" la liberación de camas.
9
La atribución del crecimiento demográfico de la población anciana por la sobrecarga en el sistema económico de
seguridad social y salud no es reciente y ha sido abordada en trabajos anteriores (MAZUCHELLI, 2019).
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La Extensión Universitaria es el proceso educativo, cultural y científico que
articula la Docencia y la Investigación de manera inseparable y posibilita la
relación transformadora entre Universidad y Sociedad. La extensión es una
calle de doble sentido, con tránsito asegurado a la comunidad académica, que
encontrará, en la sociedad, la oportunidad de elaborar la praxis de un
conocimiento académico. Al regresar a la Universidad, profesores y
estudiantes aportarán un aprendizaje que, sometido a reflexión teórica, se
sumará a ese conocimiento. Este flujo, que establece el intercambio de
conocimientos sistematizados, académicos y populares, tendrá como
consecuencias la producción de conocimiento resultante de la confrontación
con la realidad brasileña y regional, la democratización del conocimiento
académico y la participación efectiva de la comunidad en el desempeño de la
Universidad. Además de instrumentalizar este proceso dialéctico de
teoría/práctica, la extensión es un trabajo interdisciplinario que favorece la
visión integrada de lo social (FORPROEX, 2012, p. 15, nuestra traducción).
La Política Nacional de Extensión destaca la importancia de la calle de doble sentido,
proporcionada por la actividad de extensión, que oxigena la universidad, por un lado, y aumenta
la fuerza transformadora de la universidad en su confrontación con los desafíos
contemporáneos, por el otro. Sobre esta relación, estamos de acuerdo con Neto (2014, p. 93,
nuestra traducción) cuando afirma:
Al pensar en la extensión universitaria como trabajo social útil, se ve que este
trabajo no se ejerce solo desde los participantes de la comunidad universitaria,
servidores y estudiantes. En su dialéctica, requiere una dimensión externa a la
universidad, que es la participación de personas de la comunidad o incluso de
otras instituciones de la sociedad civil, como los movimientos sociales. Existe
una relación "biunívoca", donde convergen los participantes de la universidad
y otras instituciones o la comunidad.
En este sentido, la extensión universitaria debe rechazar las prácticas verticalizadas que
desprecian el conocimiento popular y reafirmar su carácter dialógico e históricamente situado,
alejándose, por tanto, de una obra asistencial, en la que, según Freire (2001), sería la negación
del sujeto y su agencia. La extensión asistencialista o incluso la práctica pedagógica
asistencialista no atribuye a los sujetos la capacidad de "repensar" su propia acción, de
"recrear" sus pensamientos y realidad. En este sentido, Freire (2001) es contundente en su
crítica hasta cierto punto:
Nos parece [...] que la acción extensionista implica [...] la necesidad sentida
por quienes la hacen, de ir a la "otra parte del mundo", considerada inferior,
para, a su manera, "normalizarla". Para hacerlo más o menos similar a tu
mundo. De ahí [...] el término extensión está en relación significativa con la
transmisión, entrega, donación, mesianismo, mecanismo, invasión cultural,
manipulación, etc. Y todos estos términos implican acciones que,
transformando al hombre en casi "cosa", lo niegan como un ser de
transformación del mundo (FREIRE, 2001, p. 22, nuestra traducción).
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Este proceso de objetivación del otro se refiere a las raíces antidemocráticas, el
"mutismo brasileño", perteneciente a la sociedad brasileña que, históricamente constituida en
ausencia de diálogo, niega una auténtica experiencia democrática (FREIRE, 1967). Al oponerse
al asistencialismo, la violencia de su antidiálogo que reduce a los hombres a objetos, Freire se
acerca a Bajtín (2010) cuando afirma que, en las ciencias humanas, el hombre nunca debe ser
estudiado como un objeto mudo, so pena de hacer invisible su posibilidad de decir.
En los casos del CCA y el Observatorio de la Discriminación por Edad, las experiencias
y el trabajo desarrollado no se basan en una idea escolar "desconectada de la vida que se vive",
que fragmenta el conocimiento y fortalece las imposibilidades de decir. Así, se distancian del
teorizismo, de una pretensión de universalización y dominación del lenguaje, y parten de la
comprensión bakhtiniana de que la experiencia se refiere a dos direcciones opuestas: a la unidad
objetiva de un campo de cultura y a la singularidad irrepetible de la vida que se vive.
El acto debe encontrar un único plano unitario que se refleje en ambas
direcciones, en su sentido y en su existencia; Debe encontrar la unidad de una
responsabilidad bidireccional, ya sea en relación con su contenido
(responsabilidad especial) o en relación con su existencia (responsabilidad
moral), de modo que la responsabilidad especial debe ser un momento
encarnado de una responsabilidad moral única y unitaria. Sólo así se puede
superar la perniciosa separación y la mutua impenetrabilidad entre cultura y
vida (BAKHTIN, 2010, p. 43-44, nuestra traducción).
Esta responsabilidad bidireccional, que es responsable del contenido y la existencia de
la inseparabilidad entre cultura y vida, que se produce en el acto y para la que, por lo tanto, no
existe una coartada, fundamenta las acciones desarrolladas en los dos proyectos de extensión,
ya sea a través de una respuesta a lo que Coudry (1997) llamó el "dilema de enfrentar sujetos
'intratables'", ya sea enfrentando el silenciamiento que la discriminación por edad confiere a las
personas en proceso de envejecimiento.
En este sentido, las actividades de la CCA ofrecen un tipo de encuentro en el que los
sujetos afásicos no son objetivados, alejados de su agencia y de su capacidad de "(re)crear"; Es
decir, su conocimiento como hablante que está en el idioma (gem) y no lo ha perdido (como
todavía argumentan las discusiones más tradicionales) es respetado y valorado. Así, el CCA se
configura como un espacio ético-responsable en el que los sujetos con afasia pueden
(re)establecer lazos sociales mientras desarrollan estrategias para hacer frente a los impactos de
eventos neurológicos que no se limitan a cambios lingüístico-cognitivos, sino que abarcan
exclusiones debidas a prejuicios, especialmente lingüísticos, capacitistas y sociales (NOVAES-
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PINTO, 2008, 2015), muchos de los cuales se sustentan en el desconocimiento sobre qué es la
afasia
10
.
Además de un problema de salud, por lo tanto, la afasia debe entenderse como un
problema social (NOVAES-PINTO, 2008). En este sentido, el CCA se posiciona,
históricamente, como un espacio importante para enfrentar la patologización y silenciamiento
de estos sujetos (NOVAES-PINTO, 2008, 2012) y la formación humanística para esta lucha.
En el caso del Observatorio de la Discriminación por Edad, las actividades ofrecen otro
tipo de encuentro, ya que, para el monitoreo de los medios, los miembros de la extensión
seleccionan textos periodísticos de la búsqueda regular de palabras clave en las que se investiga,
a pesar de la ausencia del término edadismo, movimientos discursivos y dialógicos en los que
el tema está subyacente. Con la discusión de los textos seleccionados, los participantes, de
diferentes áreas y grupos de edad, (re)significan los discursos edadistas (propios y ajenos) y, al
mismo tiempo, comprenden aspectos del funcionamiento de los campos de la comunicación, la
educación y la salud.
Los dos proyectos de ampliación también permiten poner en tela de juicio los
estereotipos de edad, tanto en relación con el envejecimiento como con la juventud. Muchos
estudiantes, especialmente los estudiantes universitarios, que se encuentran en grupos de edad
distantes de los ancianos (así como de los afásicos), tienen la oportunidad de discutir
intensamente sobre el envejecimiento y sobre los prejuicios de edad experimentados y
perpetrados por ellos. En este proceso, por lo tanto, comienzan a comprender mejor la
estructuralidad de la discriminación por edad en la forma en que vivimos y a luchar por algo
que también es suyo. Hay, aquí, el desarrollo de lo que hemos venido llamando responsabilidad
intergeneracional (OLIVEIRA; MAZUCHELLI, 2021), una responsabilidad que, en términos
bakhtinianos, no ocurre en relación con generaciones estancas, sino en el reconocimiento de
que las temporalidades se cruzan en todo momento y coexisten en cada individuo y en cada
acto:
[...] Respondemos no solo por lo que sucede hoy, sino tanto por el pasado (y
aquí recordamos la trivialización del horror de la dictadura o la esclavitud)
como por el futuro (y aquí pensamos que las generaciones futuras pueden no
tener una Tierra habitable). Para los propósitos de este artículo, preferimos
decir que las generaciones comparten la dialogación de un tiempo no
compartimentado y cronometrado, de representación y proyección, que
10
Como regla general, los afásicos se eliminan de sus actividades profesionales y sociales, a menudo en fases aún
muy productivas de sus vidas. Incluso hoy en día se suele creer que los sujetos con afasia sufrirían, sobre todo, de
"problemas de razonamiento", siendo vistos como incapaces, aunque no presenten, en general, alteraciones
cognitivas. También hay creencias de que la afasia es el resultado de perturbaciones espirituales.
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permite que los sujetos sean, al mismo tiempo, coexistiendo en diferentes
generaciones (OLIVEIRA; MAZUCHELLI, 2021, p. 41, nuestra traducción).
La intensa circulación de dichos y saberes, de carácter intergeneracional, ocurre de
manera no vertical en los dos proyectos de extensión: asignaturas con afasia trabajan con y en
el lenguaje para compartir conocimientos y experiencias con otras asignaturas con afasia, con
investigadores, estudiantes de pregrado y otros participantes del CCA, mientras que, en el
Observatorio del Edadismo, estudiantes de pregrado y posgrado comparten conocimientos,
experiencias y ansiedades relacionadas con el envejecimiento, con los prejuicios de edad
observados o experimentados, reformulándolos. Esto contribuye al fortalecimiento de los
intercambios, el aprendizaje y la lucha contra la objetivación del otro. En el sentido expuesto
por Freire, no se busca "normalizar", "invadir" o "manipular". Más bien, busca (re)construir
significados, colectiva y dialógicamente, sobre salud, enfermedad, normalidad, lengua (je),
comunicación, envejecimiento, discriminación por edad.
En nuestras experiencias en ambos proyectos, se puede decir que sabemos cómo
comenzará la conversación (con las noticias y comentarios sobre las dificultades de la semana
e informes generales, ya sea en el CCA o en el Observatorio del Edadismo), pero nunca sabemos
cómo se terminará, si tendremos al final una reafirmación de una moraleja preconstruida de
nuestro conocimiento o si seremos presentados a otros conocimientos, cosidos en la
singularidad y alteridad de los encuentros (BAKHTIN, 2010).
Consideramos, entonces, en el curso de la discusión presentada, que hay una mirada
ético-responsable que debe subsidiar la actividad extensionista, ya sea en la confrontación de
la discriminación por edad o en la defensa del derecho a decir del sujeto afásico. Un aspecto
que entrelaza estas dos dimensiones, por lo tanto, es la concepción y el trabajo realizado en y
con el lenguaje, sobre el cual discutimos a continuación.
Trabajar con y en el lenguaje: experiencias interdisciplinarias
En el CCA, se observan prácticas en las que se valora el carácter constitutivo del
lenguaje, en contraposición a objetivos meramente instrumentales traducidos en competencias
y habilidades que deben ser (re)aprendidas y dominadas. Así, actividades de la vida cotidiana
atravesadas por el lenguaje, como desayunos compartidos, lectura y discusión de noticias sobre
el país y el mundo, juegos, celebraciones festivas, recreaciones, visitas a otras ciudades, visitas
a museos y exposiciones; es decir, los encuentros del "mundo de la vida" (BAKHTIN, 2010)
caracterizan la forma en que el lenguaje y los procesos de significación están siendo
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(re)elaborados, (re)creados en experiencias compartidas, en las que afásico y no afásico trabajan
colaborativamente para "rectificar lo experimentado" que, "al mismo tiempo, constituye el
simbólico a través del cual se opera la realidad y constituye la realidad como un sistema de
referencias en el que se vuelve significativa" (FRANCHI, 2011 [1977], p. 64, nuestra
traducción).
Cabe mencionar que, aunque el lenguaje está "fragmentado" en la afasia, el trabajo
realizado, en sesiones colectivas e individuales, requiere que sea tratado en toda su
heterogeneidad y singularidad. Por lo tanto, no hay recortes que privilegien los "modelos" que
representarían el "conjunto del lenguaje", trabajo que Bakhtin (2016) llama "ciencia ficción".
Los estudiantes de pregrado en Letras, Lingüística y Patología del Habla y Lenguaje y
Audiología están invitados a mirar el lenguaje más allá de sus posibles marcos teóricos. La
afasia y el trabajo en el CCA demandan que se movilicen los conocimientos de las disciplinas
que componen sus currículos: conocimientos aprendidos sobre fonética y fonología, sintaxis,
semántica, pragmática, discurso (en el caso específico de los estudiantes de Letras y
Lingüística), voz, audiología, motricidad orofacial, entre otros (en el caso específico de los
estudiantes de Patología del Habla-Lenguaje y Audiología). Por lo tanto, los participantes
también aprenden en el encuentro con las otras áreas, ya sea entendiendo cómo un análisis
semántico-léxico ayuda a explicar un caso de afasia, o entendiendo la importancia de la
hidratación para el cuidado de la voz o la promoción de la salud de manera más amplia, no
estrictamente biomédica. Sin esta interdisciplinariedad y trabajo colectivo, la comprensión y
evaluación de los casos se ve comprometida, así como la elaboración para hacer frente a las
dificultades lingüísticas y sociales.
A modo de ejemplo, traemos un relato que muestra la complejidad del lenguaje en la
afasia. En ella, el sujeto afásico, que tiene dificultades constantes para encontrar palabras, y el
interlocutor estaban hablando mientras la sesión colectiva no comenzaba hasta que se daba
cuenta de la falta de una palabra que consideraba importante. Veamos el relato del diario del
investigador sobre el proceso de recuperación de la palabra perdida:
Estábamos en la sala de CCA. Habíamos llegado alrededor de las 8:00 a.m.,
un poco antes que el grupo. Llegamos, FG y yo, y comenzamos a armar todo
el equipo para el uso del grupo. Mientras tanto, el Sr. AC seguía silbando.
Hice una broma diciendo que el silbato parecía un cachorro de hierba. Luego
empezamos a hablar de pájaros, hasta que en un momento me preguntó cómo
se llamaba el pajarito que cantaba su propio nombre. Me dijo que lo sabía y
que la palabra estaba casi allí, en la punta de su lengua. Luego hice una
suposición y le pregunté si comenzaba con B., pero él dijo que no. Poco
después silbé el sonido de Bem-te-vi, pero él dijo "eso no es todo". Le dije
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que conocía a otro pajarito que cantaba el nombre y silbaba la canción del
fuego pagado. Pero dijo que tampoco era esa [...] pero lo que sabía era una
que vio mucho, cuando era más joven, pero nunca la había vuelto a ver;
Incluso parecía haberse ido. Entonces AC siguió quejándose de la palabra, de
que no llegaba, de que olvidaba los nombres cuando quería... Después de
unos 20 minutos de organizar la sala, le pedí que silbara o dijera una letra,
pero dijo que no lo sabía. Poco después, dijo: "Incluso parece que lo estoy
viendo allí en el suelo, haciendo [imita el sonido] ... ¡Curiango, uf! ¡Ha
pasado mucho tiempo desde que quise recordar este nombre!" (OLIVEIRA,
2022, p. 216, nuestra traducción).
Teniendo en cuenta los objetivos de este texto, no es apropiado proceder al análisis de
los datos
11
, pero destacamos el trabajo con y en el lenguaje realizado por los participantes que
aparecen en este informe y que es inseparable de sus trayectorias de vida, de las acciones
cotidianas, de los supuestos y supuestos sobre el habla del otro, de la organización semántico-
léxica necesaria para posibilitar la evocación de una palabra y que evidencia la relación
imbricada entre memoria y lenguaje. La búsqueda de la palabra, llevada a cabo de manera
dialógica y colaborativa, va mucho más allá, por lo tanto, para determinar "aciertos" y "errores"
basados en las expectativas de materiales de "formación lingüística de evocación léxica", por
ejemplo. Todavía está relacionado con una escucha activa, un punto central en la relación con
la otra palabra (PONZIO, 2010), y que implica relacionarse con las frustraciones del proceso y
con la creación de caminos para encontrar la palabra.
Los supuestos epistemológicos que subyacen a las actividades del CCA, por lo tanto,
dan la oportunidad a los sujetos participantes, investigadores y estudiantes en formación, de
comprender el trabajo lingüístico, metalingüístico y epilingüístico, que permite el ejercicio de
una reflexión sobre el funcionamiento del lenguaje, que es esencial para un desempeño crítico
en la terapia del habla y en contextos educativos formales e informales.
En el Observatorio del Idadismo, la obra también exige el entrelazamiento de diversos
saberes, presuponiendo el acompañamiento de la multiplicidad de hilos ideológicos que
conforman los discursos y los significados que en la palabra se disputan. Este trabajo es
fundamental si consideramos que "la palabra será el indicador más sensible de los cambios
sociales", ya que "es capaz de fijar todas las fases transitorias de los cambios sociales, por
delicados y transitorios que sean" (VOLÓCHINOV, 2018, p. 106, nuestra traducción).
Las discusiones que tienen lugar en el Observatorio del Edadismo, así como las
publicaciones en redes sociales y las actividades de formación antiedad ya realizadas con
11
Los datos analizados se encuentran en Oliveira (2022). También vale la pena mencionar cómo la búsqueda del
nombre del ave continúa, en sesiones posteriores, con videos de pájaros cantando, conversaciones y juegos de
adivinanzas sobre cantos de pájaros.
Larissa Picinato MAZUCHELLI y Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
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profesionales de la salud, profesionales de la educación y grupos de ancianos, se sostienen así
en este trabajo con y en el lenguaje, en las reuniones y en las disputas de significados.
La difusión de conocimientos cualificados sobre envejecimiento y discriminación por
edad, por ejemplo, requiere el intenso ejercicio de estudio, análisis de datos, verificación de
información, redacción y traducción intralingüística, interlingüística e intersemiótica
(JAKOBSON, 1981) y la comprensión de los géneros discursivos de publicaciones en perfiles
en redes sociales (Instagram, Facebook y Twitter). Destacamos la traducción del informe
producido por la Organización Mundial de la Salud (OMS, 2021) al inglés y adecuado para
publicaciones en redes sociales (Fig. 1) que presentó síntesis de las discusiones del observatorio
(Fig. 2).
Figuras 1 e 2 – Produções do Observatório do Idadismo
Fuente: Observatorio de la Discriminación por Edad
Este trabajo exige opciones estratégicas léxicas y discursivas, posicionamiento frente a
cuestiones complejas, traducción de conceptos y composición de imágenes, lo que requiere un
proceso constante de refinamiento y adaptación a la heterogeneidad de los lectores y
participantes de las actividades. Todo este trabajo requiere y permite, al mismo tiempo, el
desarrollo de la escucha y la alteridad; es decir, en el encuentro con otro – concreto, singular y,
por lo tanto, insustituible que parte del "reconocimiento de la imposibilidad de la no
indiferencia hacia el otro" en una "acción responsable que expresa la singularidad de estar en
el mundo sin coartada" (PONZIO, 2010, p. 22-24, nuestra traducción).
En este sentido, cuanto más nos movilizamos y nos relacionamos con los géneros, en
esta arquitectura ético-responsable con el lenguaje y con los sujetos participantes,
Cuanto mayor es el ingenio con el que los empleamos, y cuanto más plena y
claramente descubrimos nuestra individualidad (donde esto es posible y
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necesario), reflejamos de manera más flexible y sutil la situación única de la
comunicación; en resumen, más completa es la forma en que llevamos a cabo
nuestro proceso libre de discurso (BAKHTIN, 2016, p. 41, nuestra
traducción).
Además de este trabajo llevado a cabo con la difusión de material calificado sobre la
discriminación por edad, todavía existe el trabajo del lenguaje en la formación antiedadista
llevado a cabo a través de talleres y círculos de conversación.
En un círculo de conversación con un grupo de mujeres mayores (en su mayoría
mujeres, como de costumbre) en la ciudad de Salvador, realizamos una actividad elaborada
desde la Multiletramiento Comprometida (LIBERALI, 2022), que se basa en las propuestas de
Vygotsky y Freire y confluyen con la Pedagogía de las Multimultiletramientos (NEW
LONDON GROUP, 1996 [2000]) en la organización de las prácticas pedagógicas desde el
entendimiento de que la educación debe construir modos de participación cada vez más amplios
para todos (LIBERALI et al., 2021).
Las reuniones motivadas por el ME se organizan en tres momentos: un primero dedicado
a la inmersión en la realidad, en el que se busca la conexión cognitivo-afectiva con el tema a
tratar; un segundo dedicado a la construcción crítica de generalizaciones, un momento en el
que hay profundización de la comprensión del tema y el intercambio de conocimientos; y,
finalmente, un tercero dedicado a la producción y cambio social, en el que se planifican
acciones de intervención inspiradas en el aprendizaje de los momentos anteriores.
Inicialmente, como una forma de inmersión en la realidad, se llevaron a cabo dos
puestas en escena de situaciones basadas en experiencias vividas y observadas por los miembros
del Observatorio del Edadismo, siguiendo la propuesta del Teatro del Oprimido (BOAL, 2019
[1975])
12
, una importante herramienta pedagógica del ME. En la primera etapa, una anciana
esperaba en la fila para votar mientras los trabajadores electorales y otros votantes se quejaban
de la demora y dijeron que la fila era larga debido a la lentitud de los ancianos. En la segunda
puesta en escena, el gerente de un banco trató un préstamo directamente con la hija que
acompañó a su anciano padre a obtener un préstamo, sin prestar la debida atención al anciano
que tendría su dinero retirado.
En las dos situaciones escenificadas, se acordó con las ancianas que podían interferir en
las escenas si no estaban de acuerdo con lo que estaban viendo, lo que se hizo de manera muy
12
A partir de la década de 1970, Boal elaboró un teatro comprometido con la lucha contra la opresión. Una de sus
estrategias para convertirlo en un camino de liberación fue convertir a los espectadores en "espectadores", capaces
de interferir y cambiar el curso de una escena.
Larissa Picinato MAZUCHELLI y Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
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expresiva: las ancianas exigieron sus derechos tanto en relación con el voto como con el
endeudamiento, y cuestionaron la deshumanización y la velocidad del mundo contemporáneo,
"corriendo mucho para no llegar a ninguna parte".", como dijo una de las ancianas en respuesta
a la percepción de que no hay espacio para "esperar" a la otra (votar, entender cómo funcionaría
un préstamo, por ejemplo).
Posteriormente, se realizó un círculo de conversación para explorar, colectivamente, la
experiencia vivida en la inmersión en la realidad y profundizar los entendimientos sobre la
discriminación por edad con el intercambio de conocimientos y lecturas de materiales
preseleccionados. Finalmente, se realizó un juego en el que las ancianas tenían que decidir si
algunas frases, como "Ni siquiera parece vieja, sigue siendo hermosa", eran antiguas, ambiguas
o si no tenían un carácter prejuicioso.
Como sugiere este ejemplo, el trabajo ético-responsable realizado con las ancianas no
las cosifica. Por el contrario, el conocimiento sobre la discriminación por edad se lleva a cabo
en colaboración, a partir de sus experiencias, con y en el lenguaje. Las participantes del
Observatorio de la Discriminación por Edad destacan la firme posición de afrontamiento de las
ancianas que cuestionaron durante la construcción crítica de generalizaciones sobre una de las
frases evaluadas: "¿Quiere decir que sólo las que no parecen viejas son bellas?".
Aunque la actividad realizada no culminó directamente en una acción en la práctica del
cambio social (principalmente debido al tiempo), no nos deja dudas el impacto que esta reunión
tuvo en la vida de las participantes del Observatorio del Edadismo que aprendieron al
experimentar la fuerza del afrontamiento y el compromiso de las mujeres mayores en las dos
recreaciones y en las reflexiones que siguieron. Por otro lado, los participantes del círculo de
conversación tuvieron la oportunidad de ampliar su comprensión de la discriminación por edad
y su repertorio de afrontamiento.
Esta experiencia, vivida a través de la actividad de extensión, así como las experiencias
en el CCA, son poderosas porque se basan, como tratamos de mostrar en el trabajo con y en el
lenguaje, en la "vida que se vive" de una manera ético-responsable, de una manera no mecánica
o normalizadora. Por el contrario, en la totalidad del acto, que "es verdaderamente real, participa
en el evento existente; lo así está vivo, plena e irreduciblemente, existe, llega a ser, se realiza"
(BAKHTIN, 2010, p. 43, nuestra traducción).
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Consideraciones finales
Este artículo buscó defender que las extensiones universitarias pueden ser espacios
privilegiados para una formación ético-responsable en el lenguaje, ya que la naturaleza
bidireccional y comprometida de las actividades de extensión, su singularidad dialógica, tanto
en la relación entre estudiantes y profesores como en la relación entre la universidad y la
comunidad que es externa a ella y, al mismo tiempo, no está mal caracterizada. Constitutivo.
Elegimos presentar dos propuestas diferentes de extensiones que funcionan con y en el lenguaje,
buscando ampliar los diálogos, cada uno a su manera, sin cesar desde dentro de una posición
ético-responsable (BAKHTIN, 2010; PONZIO, 2010), para trabajar sobre la completitud de sus
dimensiones, en el intento constante de superar los asistencialismos que objetivan, comunes en
los campos de la salud y la educación.
A lo largo de la historia del desarrollo del área de Neurolingüística y del CCA, se han
desarrollado muchos artículos, en diferentes campos del conocimiento, para mostrar el trabajo
realizado por sujetos con afasia y una clínica capaz de crear posibilidades para que los sujetos
se reorganicen lingüística, cognitiva y socialmente. Además de posibilitar el trabajo de
reorganización del lenguaje de sujetos con afasia, el CCA es, por tanto, un espacio de
producción y formación científica en el ámbito de los estudios lingüísticos, ya sean de futuros
docentes, logopedas o investigadores de campos que se interrelacionan con temas relacionados
con el lenguaje y su funcionamiento. A partir de bases teóricas similares, el Observatorio de la
Discriminación por Edad ha venido buscando seguir el mismo camino interdisciplinario en el
trabajo con y en el lenguaje, necesario para una formación compartida de profesores y
estudiantes.
En tiempos de integración de extensiones en la matriz curricular de los cursos de
graduación, será necesario enfrentar los desafíos de una formación que aún considera poco el
compromiso estudiantil, la acción ciudadana y el papel de la universidad en la superación de
las desigualdades y los mecanismos de exclusión que están en el corazón de la historia brasileña.
En este sentido, el epígrafe de la política nacional de extensión universitaria (FORPROEX,
2012) destaca la fuerza de las extensiones como resistencia a la sumisión de la universidad al
capitalismo global, dado su papel activo en la construcción de la cohesión social, el
fortalecimiento de la democracia, la diversidad cultural y el aumento del acceso al conocimiento
producido por la universidad como una forma de combatir la exclusión social y la degradación
ambiental.
Larissa Picinato MAZUCHELLI y Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
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Sin embargo, debemos reconocer que, a pesar de la presencia de extensión en el trípode
de la universidad, todavía hay un largo camino por recorrer para su reconocimiento
institucional, pero creemos que experiencias dialógicas y éticamente responsables como las
brevemente discutidas en este trabajo, a pesar de sus limitaciones, pueden continuar
permitiendo la formación de profesionales comprometidos con enfrentar las opresiones,
injusticias y prejuicios que operan a través del lenguaje.
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CRediT Author Statement
Agradecimientos: Nos gustaría agradecer a los participantes del Aphasic Living Center, a
los miembros del Observatorio de Edadismo y al Grupo de Estudio del Lenguaje en el
Envejecimiento y las Patologías, especialmente a la Profa. Dra. Rosana do Carmo Novaes-
Pinto por su inestimable generosidad y escucha.
Financiación: Agradecemos a CAPES por apoyar la publicación científica, así como al
Programa Institucional de Becas de Iniciación a la Extensión Universitaria de la
Universidad Federal de Bahía por la posibilidad de vincular becarios en la modalidad de
extensión al Observatorio de Edadismo.
Conflictos de intereses: Sin conflictos de intereses.
Aprobación ética: Al tratarse de una discusión basada en la experiencia de los autores, este
trabajo se enmarca en los puntos VII y VIII del artículo 1 de la Resolución 510 de
04/07/2016.
Disponibilidad de datos y material: Los datos y materiales del Observatorio de la
Discriminación por Edad están disponibles en sus redes sociales. Los datos y materiales del
Aphasic Living Center son parte de los registros de los autores.
Contribuciones de los autores: Ambos autores participaron en la concepción,
planificación, interpretación de los datos, redacción, revisión y aprobación de la versión
final.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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THE UNIVERSITY OUTREACH AS A LANGUAGE EDUCATION SPACE: AN
ETHICAL-RESPONSIBLE DISCUSSION
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COMO ESPAÇO DE FORMAÇÃO EM LINGUAGEM:
UMA DISCUSSÃO ÉTICO-RESPONSÁVEL
LA EXTENSIÓN UNIVERSITARIA COMO ESPACIO DE FORMACIÓN DE
LENGUAJE: UNA DISCUSIÓN ÉTICO-RESPONSABLE
Larissa Picinato MAZUCHELLI1
e-mail: larissa.mazuchelli@ufu.br
Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA2
e-mail: marcus.oliveira.fono@gmail.com
How to reference this article:
MAZUCHELLI, L. P.; OLIVEIRA, M. V. B. The university
outreach as a language education space: An ethical-responsible
discussion. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação,
Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480
| Submitted: 22/03/2023
| Revisions required: 15/05/2023
| Approved: 29/07/2023
| Published: 19/09/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Uberlândia (UFU), Uberlândia MG Brazil. Adjunct Professor, Institute of Letters and
Linguistics. PhD in Linguistics.
2
Federal University of Bahia (UFBA), Salvador BA Brazil. Adjunct Professor of the Department of
Phonoaudiology. PhD in Linguistics.
The university outreach as a language education space: An ethical-responsible discussion
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480 2
ABSTRACT: This paper discusses the relevance of the formative role of university outreach,
based on dialogicity and engagement with society, having as a starting point a reflection on the
activities of two outreach and engagement projects: the Center for People with Aphasia
(UNICAMP) and the Observatory of Ageism (UFBA/UFU). While the first works with the
cognitive-linguistic reorganization of brain-injured individuals, the second fights age bias
prejudice and stigmatization, especially those aimed at older people. Based on the reported and
discussed experiences, university outreach and engagement projects can be a privileged space
for ethically responsible language education, even though much needs to be done in terms of
institutional acknowledgement. Finally, we emphasize that the dialogical and ethically
responsible experiences shared in outreach activities highlight the importance of forming
professionals committed to facing oppression, injustice, and prejudice that operate through
language.
KEYWORDS: Ag(e)ing. University outreach. Language education.
RESUMO: Este artigo discute a relevância do papel formativo das extensões universitárias,
fundamentadas na dialogicidade e no engajamento com a sociedade, tendo como ponto de
partida uma reflexão sobre as atividades de dois projetos de extensão: o Centro de Convivência
de Afásicos (UNICAMP) e o Observatório do Idadismo (UFBA/UFU). Enquanto o primeiro
atua na reorganização linguístico-cognitiva de sujeitos cérebro-lesados, o segundo combate
preconceitos e estigmatização com viés de idade, principalmente aqueles dirigidos à pessoa
idosa. A partir das vivências relatadas e discutidas, defendemos que a extensão universitária
pode ser espaço privilegiado para uma formação ético-responsável em linguagem, ainda que
haja um longo caminho a ser percorrido para seu reconhecimento institucional. Destacamos,
finalmente, que as experiências dialógicas e ético-responsáveis vivenciadas nas atividades
extensionistas apontam para a importância da formação de profissionais engajados no
enfrentamento de opressões, injustiças e preconceitos que operam por meio da linguagem.
PALAVRAS-CHAVE: Envelhecimento. Extensão universitária. Formação em linguagem.
RESUMEN: Este artículo discute la relevancia del papel formativo de las extensiones
universitarias, basado en la dialogicidad y el compromiso con la sociedad, teniendo como
punto de partida una reflexión sobre las actividades de dos proyectos de extensión: el Centro
de Vida de Afásicos (UNICAMP) y el Observatorio de la Edadismo (UFBA /UFU). Mientras
que el primero opera en la reorganización cognitivo-lingüística de los sujetos con lesión
cerebral, el segundo combate los prejuicios y la estigmatización con sesgo de edad,
especialmente los dirigidos a los ancianos. Con base en las experiencias reportadas y
discutidas, argumentamos que la extensión universitaria puede ser un espacio privilegiado
para una formación éticamente responsable en idiomas, aunque queda un largo camino por
recorrer para su reconocimiento institucional. Finalmente, destacamos que las experiencias
dialógicas y éticamente responsables vividas en las actividades de extensión apuntan a la
importancia de formar profesionales comprometidos en el enfrentamiento de la opresión, la
injusticia y el prejuicio que operan a través del lenguaje.
PALABRAS CLAVE: Envejecimiento. Extensión universitária. Formación en linguaje.
Larissa Picinato MAZUCHELLI and Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023081, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18iesp.1.18480 3
Introduction
This text aims to reflect on language training spaces, especially those that, integrated
with research and teaching, contribute to an ethically responsible training of its participants.
Even comprehending linguistic plurality as an object of knowledge, it is from its constitutive
heterogeneity that this text goes beyond, without, however, having the “language domain” as a
horizon for this work.
To deal with language training spaces, we will approach two extension projects: the
Aphasics Living Center (hereinafter CCA) and the Ageism Observatory. We base ourselves
theoretically and methodologically on the works of the Bakhtin Circle and Paulo Freire and
start from the consideration of the role and power of university extensions in undergraduate
curricula, a theme that has been gaining prominence given its curricularization process
3
, but
which offers risks of emptying of the fundamental characteristics of extension activities.
This discussion is also justified, therefore, given the still marginal nature of extension
when compared to research and teaching, which reflects a heritage of training that does not go
beyond the walls of the classroom, or that “carries” the classroom for extension, often reducing
it to “schooled” courses that mimic and reproduce disciplines offered in graduations and
transform extension into a mechanistic and technical instrument of university assistance. We
also believe that this scenario accounts, in part, for the feeling of not belonging to the university
space for many students. It is in this sense, too, that we argue that extensions have a
transforming nature, especially when they are based on ethically responsible and dialogical
principles that move away from these hierarchical and welfare practices.
We also discussed the extensionist spaces in this work due to their relevance in our
training and research trajectories. Our reflection is thus also based on our reflected experience
and understanding of the importance of the possibility of dialogue between the university and
other sectors of society and the interdisciplinarity that derives from it. The extension, therefore,
can favor an ethically-responsible academic formation that politically involves the university
in the necessary confrontation of urgent social issues, such as environmental, ethnic-racial,
gender and, particularly for us, age issues
4
.
3
According to the National Education Plan (2014-2024), approved by Law 13,005, of June 25, 2014, by the end
of 2022, all undergraduate courses at Brazilian public universities must allocate at least 10% from their workload
to university extension.
4
It should be noted that the authors of the text are researchers from the Group for the Study of Language in Aging
and Pathologies (GELEP-Platform CNPq/Lattes).
The university outreach as a language education space: An ethical-responsible discussion
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Initially, we present the CCA, highlighting its promising history of working with brain-
injured subjects, and then present the Observatório do Idadismo, a project created in 2021 that
seeks to discuss and face age bias prejudice, mainly against the elderly. Finally, we highlight
the intertwining of the actions of these spaces for ethically responsible language training.
The Coexistence Center for Aphasics: a project to face the objectification of aphasics
The Aphasic Living Center, created in the 1980s by researchers from the Department of
Linguistics at the Institute of Language Studies and the Department of Neurology at the Faculty
of Medicine, both at the State University of Campinas, aims, since its foundation, to enable
“living exercise of language” (COUDRY, 1997).
The groups
5
that constitute it rely on the joint work of subjects with aphasia
6
and
undergraduate students from the Linguistics, Literature and Speech Therapy and Post-
Graduation courses in Linguistics, especially those linked to the line of research in
Neurolinguistics, in weekly meetings and individual consultations. Thus, the interdisciplinary
character of the CCA is noted, as discussed by Novaes-Pinto and Lima (2016), since linguists,
speech therapists, educators, artists (musicians, actors, visual artists, etc.) interact.
Since its creation, the CCA has contributed to Discursive Neurolinguistics, which
appeared in 1986 with the doctoral thesis of Maria Irma Hadler Coudry and is based on the
understanding that “working with language” (FRANCHI, 2011[1977]) demands “the
mobilization of several cognitive processes
7
involved in the symbolic activity of meaning
processes, altered in brain-damaged subjects (COUDRY, 1997, p. 13), that is, it demands work
with and in language and that involve perception, attention and memory structured by it.
It can be seen, therefore, that the CCA is opposed to a trend of clinical work with brain-
injured subjects that objectifies them by being based on reductionist language activities, of an
excessively abstract nature, with a strong school inspiration, present in the evaluation manuals
5
In its history, the CCA has three groups coordinated by professors from the Department of Linguistics. Group I,
under the responsibility of Prof. Dr. Edwiges Maria Morato; Group II, under the responsibility of Prof. Maria Irma
Hadler Coudry; and Group III, under the responsibility of Prof. Dr. Rosana do Carmo Novaes Pinto.
6
Aphasias are language disorders resulting from acquired neurological injuries, such as strokes, tumors and
traumatic brain injuries, which compromise the processes of symbolization and meaning, at all linguistic levels,
by disaggregating what was previously integrated (COUDRY, 1986 [ 1988]).
7
We emphasize that cognition is “a set of various forms of knowledge that is not totalized or subsumed in language,
but that somehow is under its responsibility” (MORATO, 2004, p. 323). In this sense, Discursive Neurolinguistics
and CCA do not work from the premise that makes the brain disconnected from the body, from its particular history
and from humanity. They distance themselves, therefore, from metaphors that approximate the brain to a computer
or from experimental arguments of the “brain in a vat” type. According to Morato (1999, p. 160), “cognitive
processes are “like language, depending on meaningful practices, based on sociocultural contingencies, by
properties of the unconscious and by the quality of human interactions”.
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and of language therapy. On the other hand, based on discursive principles, the assessment and
the work of linguistic-cognitive reorganization become, in the CCA, “a broad record” of the
processes of meaning and the work that the subjects carry out with and in language. That is, in
the activities developed with aphasic subjects, “language (even fragmentary) is displayed in all
its complexity, offering visibility to what is or is not altered, what is lacking and what exceeds,
in relation to [its] normal functioning.” (COUDRY, 1997, p. 14, our translation).
The importance of this position regarding language issues and its effects on training will
be discussed below. However, before going deeper into this discussion, we present the Ageism
Observatory, a work that is also based on a discursive, historical and dialogical position in the
face of language issues.
The Observatório do Idadismo: a project to respond to the escalation of violence against
the elderly
Ageism is a phenomenon still little investigated, although its first reference dates back
to the 1960s, with the work of Robert Butler in the United States. In general, we refer to ageism
(also known in Brazil as ageism) when dealing with discrimination, violence and stereotypes
that circulate based on age group (especially against the elderly) and that lead to marginalization
and social exclusion or their accentuation, since they prevail in attitudes that intertwine
condescension and negligence. This prejudice manifests itself, therefore, in interpersonal
relationships (in disrespectful, often violent treatment), in a self-directed way (as in rejecting
one's own aging) and institutionally (dismissal due to age, for example) and is intertwined with
other markers such as racism, sexism, transphobia, deepening their violence.
It was at the height of the Covid-19 pandemic, when we experienced an escalation
8
of
disrespect, contempt and violence towards the elderly (held responsible for the economic effects
caused by social distancing measures and the overload on the health system
9
), that the
Observatório do Idadismo emerged as an Extension Project of the Federal University of Bahia,
today also linked to the Federal University of Uberlândia. The activities carried out are arranged
8
At first, the age-old argument for not worrying about the pandemic was widely used by the media and social
networks. In a second moment, the elderly were infantilized for not understandingthe seriousness of the health
crisis , being referred to as “stubborn” in memes that circulated on social networks (MAZUCHELLI et al., 2021).
Throughout the pandemic, we also witnessed the Prevent Senior scandal, during the investigations of the CPI of
Covid-19, in which doctors from the health plan reduced the oxygen levels of hospitalized elderly patients to
“accelerate” the release of beds.
9
Blaming the demographic growth of the elderly population for the burden on the economic social security and
health system is not recent and has been addressed in previous works (MAZUCHELLI, 2019).
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in three axes: i) monitoring and discussion of news on aging and ageism; ii) translation,
publication and dissemination of qualified material on ageism; and iii) training and coping with
ageism through workshops and conversation circles.
The work carried out by the Observatório do Idadismo is also based on the
understanding of language as historically situated and brings together interdisciplinarity. Its
members are from the fields of Human Sciences, Education and Health, mainly Speech Therapy
and Linguistics. However, fields such as Sociology, Anthropology, Gerontology and
Communication have become essential for the work carried out, since they guide fundamental
discussions about aging. Currently, the observatory has researchers, undergraduate and graduate
students, as well as health and education professionals, making its integration with training
broad and transversal to undergraduate courses.
In the next section, we discuss how the work carried out at the CCA and at the
Observatório do Idadismo intertwine in three dimensions: university extension, language
training, and responsibility.
University extension: an ethical-responsible space
The work carried out at the CCA and at the Observatório do Idadismo, briefly presented
above, is in line with the fundamental principles of university extension, already agreed upon
at the 1st National Meeting of Pro-Rectors of Extension of Brazilian Public Universities in
1987:
University Extension is the educational, cultural and scientific process that
articulates Teaching and Research in an inseparable way and enables the
transforming relationship between University and Society. The extension is a
two-way street, with assured transit to the academic community, which will
find, in society, the opportunity to elaborate the praxis of academic
knowledge. Upon returning to the University, teachers and students will bring
learning that, subject to theoretical reflection, will be added to that knowledge.
This flow, which establishes the exchange of systematized, academic and
popular knowledge, will result in the production of knowledge resulting from
the confrontation with the Brazilian and regional reality, the democratization
of academic knowledge and the effective participation of the community in
the University's activities. In addition to instrumentalizing this dialectical
process of theory/practice, extension is an interdisciplinary work that favors
an integrated view of the social (FORPROEX, 2012, p. 15, our translation).
The National Extension Policy highlights the importance of the two-way street,
provided by the extension activity, which oxygenates the university, on the one hand, and
increases the transforming force of the university in its confrontation of contemporary
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challenges, on the other. Regarding this relationship, we agree with Neto (2014, p. 93, our
translation) when he states:
When thinking about university extension as useful social work, it is seen that
this work is not carried out only from the participants of the university
community, servers and students. In its dialectics, it requires an external
dimension to the university, which is the participation of people from the
community or even from other civil society institutions, such as social
movements. There is a “two-way” relationship, where participants from the
university and other institutions or the community converge.
In this sense, university extension must reject verticalized practices that disregard
popular knowledge and reaffirm its dialogical and historically situated character, moving away,
therefore, from a welfare work, in which, according to Freire (2001), would be the denial of the
subject and from your agency. The welfarist extension or even the welfarist pedagogical
practice – does not attribute to subjects the ability to “re-think” their own action, re-create
their thoughts and reality. In this regard, Freire (2001) is blunt in his criticism to a certain extent:
It seems to us [...] that the extensionist action involves [...] the need felt by
those who carry it out, to go to the “other part of the world”, considered
inferior, in order, in their own way, to “normalize” it there". To make it more
or less like your world. Hence, [...] the term extension finds itself in a
significant relationship with transmission, delivery, donation, messianism,
mechanism, cultural invasion, manipulation, etc. And all these terms involve
actions that, transforming man into almost a “thing”, deny him as a being of
transformation of the world (FREIRE, 2001, p. 22, our translation).
This process of objectification of the other concerns the anti-democratic roots, the
“Brazilian mutism”, belonging to the Brazilian society that, historically constituted in the
absence of dialogue, denies an authentic democratic experience (FREIRE, 1967). By opposing
welfarism, the violence of its anti-dialogue that reduces men to objects, Freire approaches
Bakhtin (2010) by stating that, in the human sciences, man should never be studied as a mute
object, under penalty of making invisible precisely your possibility to say.
In the cases of the CCA and the Observatório do Idadismo, the experiences and work
developed do not stem from a schooled idea “disconnected from the life one lives”, which
fragments knowledge and strengthens impossibilities of saying. They distance themselves,
therefore, from theoreticalism, from a pretense of universalization and language domination,
and depart from the Bakhtinian understanding that the experience refers to two opposite
directions: towards the objective unity of a field of culture and towards the unrepeatable
singularity of life that you live
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The act must find a single unitary plane to be reflected in both directions, in
its meaning and in its existence; must find the unity of a bidirectional
responsibility, whether in relation to its content (special responsibility) or in
relation to its existence (moral responsibility), so that special responsibility
must be an incorporated moment of a single and unitary moral responsibility.
This is the only way to overcome the pernicious separation and mutual
impenetrability between culture and life (BAKHTIN, 2010, p. 43-44, our
translation).
This bidirectional responsibility, which takes responsibility for the content and existence
based on the inseparability between culture and life, which occurs in the act and for which,
therefore, there is no alibi, underlies the actions developed in the two extension projects, either
through a response to what Coudry (1997) called the “dilemma of facing 'intractable' subjects”,
either by facing the silencing that ageism confers on people in the aging process.
In this sense, the CCA activities offer a type of encounter in which aphasic subjects are
not objectified, removed from their agency and their ability to “(re) create”; that is, his
knowledge as a speaker who is in the language and has not lost it (as the more traditional
discussions still argue) is respected and valued. In this way, the CCA is configured as an ethical-
responsible space in which subjects with aphasia can (re)establish social ties while developing
coping strategies for the impacts of neurological events that are not restricted to linguistic-
cognitive changes, but include exclusions due to prejudices, mainly linguistic, capacitive and
social (NOVAES-PINTO, 2008, 2015), many of which sustained by ignorance about what
aphasia is
10
.
In addition to a health issue, therefore, aphasia must be understood as a social issue
(NOVAES-PINTO, 2008). In this sense, the CCA historically positions itself as an important
space for confronting the pathologization and silencing of these subjects (NOVAES-PINTO,
2008, 2012) and for humanistic training for this struggle.
In the case of the Observatório do Idadismo, the activities offer another type of meeting,
since for media monitoring, members of the extension select journalistic texts from the regular
search for keywords in which they are investigated, despite the absence of the term ageism,
discursive and dialogical movements in which the theme is underlying. With the discussion of
the selected texts, the participants, from different areas and age groups, (re)signify the ageist
10
As a rule, aphasic people are removed from their professional and social activities, often in still very productive
phases of their lives. Even today, there is a frequent belief that subjects with aphasia would suffer, above all, from
“reasoning problems”, being seen as incapable, although they do not, in general, present cognitive alterations.
There are also beliefs that aphasia would be the result of spiritual disturbances.
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discourses (theirs and others) and, at the same time, understand aspects of the functioning of
the fields of communication, education and health.
The two extension projects also make it possible to question age stereotypes, both in
relation to aging and youth. Many students, especially undergraduates, who are in age groups
that are far from the elderly (as well as aphasic), have the opportunity to discuss intensely about
aging and about age prejudices experienced and perpetrated by them. In this process, therefore,
they begin to better understand the structurality of ageism in the way we live and the struggle
for something that also becomes from them. There is, here, the development of what we have
been calling intergenerational responsibility (OLIVEIRA; MAZUCHELLI, 2021), a
responsibility that, in Bakhtinian terms, does not occur in relation to stagnant generations, but
in the recognition that temporalities intersect at all times and coexist in each individual and in
each act:
[...] we answer not only for what happens today, but both for the past (and
here we remember the trivialization of the horror of dictatorship, or slavery)
and for the future (and here we think that future generations may not have a
habitable earth). For the purposes of this article, we prefer to say that the
generations share the dialogization of a time that is not compartmentalized
and timed, of representation and projection, which allows the subjects to be,
at the same time, coexisting in different generations (OLIVEIRA;
MAZUCHELLI, 2021, p. 41, our translation).
The intense circulation of sayings and knowledge, of an intergenerational nature, occurs
in a non-vertical way in the two extension projects: subjects with aphasia work with and in
language to share knowledge and experiences with other subjects with aphasia, with
researchers, undergraduate students and others CCA participants, while at the Observatório do
Idadismo, undergraduate and graduate students share knowledge, experiences and anxieties
related to aging, observed or experienced age prejudices, giving new meaning to them. This
contributes to strengthening exchanges, learning and combating the objectification of the other.
In the sense exposed by Freire, one does not seek to “normalize”, “invade” or “manipulate”.
Rather, it seeks to (re)construct meanings, collectively and dialogically, about health, illness,
normality, language, communication, aging, ageism.
In our experiences in both projects, it can be said that we know how the conversation
will start (with the news and comments on the difficulties of the week and general reports, either
in the CCA or in the Observatório do Idadismo), but we never know how it will be finalization,
if we will have at the end a reaffirmation of a pre -constructed morality of our knowledge or if
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we will be introduced to other knowledge, sewn in the uniqueness and otherness of the
encounters (BAKHTIN, 2010).
We consider, then, through the discussion presented, that there is an ethical-responsible
look that should subsidize the extensionist activity, whether in the face of ageism or in defense
of the right to speak of the aphasic subject. One aspect that intertwines these two dimensions,
therefore, is the conception and work carried out in and with language, which we discuss below.
Working with and in language: interdisciplinary experiences
In the CCA, practices are observed in which the constitutive character of language is
valued, as opposed to merely instrumental objectives translated into skills and abilities to be
(re)learned and mastered. Thus, activities of everyday life crossed by language, such as sharing
breakfast, reading and discussing news about the country and the world, games, festive
celebrations, staging, trips to other cities, visits to museums and exhibitions; that is, the “world
of life” encounters (BAKHTIN, 2010) characterize the way in which language and meaning
processes are being (re)elaborated, (re)created in shared experiences, in which aphasics and
non-aphasics work collaboratively to rectify what was lived” which, “at the same time
constitutes the symbolic through which reality is operated and constitutes reality as a system of
references in which that becomes significant” (FRANCHI, 2011 [ 1977], p. 64, our translation).
It is worth noting that, even though language is “fragmented” in aphasia, the work
carried out, in collective and individual sessions, demands that it be treated in all its
heterogeneity and uniqueness. Therefore, there are no clippings that favor “models” that would
represent the “whole of language”, work that Bakhtin (2016) calls “science fiction”.
Participating undergraduate students in Letters, Linguistics and Speech Therapy are invited to
look at language beyond its possible theoretical perspectives. Aphasia and work at CCA demand
that knowledge be mobilized from the disciplines that make up their curricula: knowledge
learned about phonetics and phonology, syntax, semantics, pragmatics, speech (in the specific
case of Language and Linguistics students), voice, audiology, motricity orofacial, among others
(in the specific case of speech therapy students). Thus, participants also learn in the encounter
with other areas, whether understanding how a semantic-lexical analysis helps to explain a case
of aphasia, or understanding the importance of hydration for voice care or health promotion
more broadly, not strictly biomedical. Without this interdisciplinarity and collective work, the
understanding and evaluation of the cases is compromised, as well as the preparation for coping
with linguistic and social difficulties.
Larissa Picinato MAZUCHELLI and Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
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By way of example, we bring a report that shows the complexity of language in aphasia.
In it, the aphasic subject, who has constant difficulty finding words, and the interlocutor were
talking while the collective session did not start until he noticed the lack of a word that he
considered important. Let's see the researcher's diary report on the process of recovering the
lost word:
We were in the CCA room. We had arrived around 8:00 am, a little earlier
than the group. We arrived, FG and I, and started to set up all the equipment
for the group to use. Meanwhile, Mr. AC was whistling. I made a joke that
the whistle sounded like an owl. Then we started talking about birds, until a
certain moment he asked me what was the name of the bird that sang its own
name. He told me he knew and that the word was almost there, on the tip of
his tongue. Then I made a guess and asked if it started with B., but he said
no. Soon after I whistled the sound of Bem-te-vi, but he said “not that one”.
I said I knew yet another little bird that sang the name and whistled the fire-
paid song. But he said it wasn't that one either [...] but what he knew was one
that he saw a lot when he was younger, but that he had never seen again; it
looked like it had disappeared. Then AC kept complaining about the word,
that it didn't come, that he forgot the names when he wanted to... After about
20 minutes in which I continued to organize the room, I asked him to whistle
or to say a letter, but he said I did not know. Soon after, he said “it seems that
I can see him there on the ground, making [imitates the sound]... Bullfinch,
phew! I've wanted to remember this name for a long time!” (OLIVEIRA,
2022, p. 216, our translation).
Considering the objectives of this text, it is not our place to proceed with data analysis
11
, but we highlight the work with and in the language carried out by the participants who appear
in this report and which is inseparable from their life trajectories, daily actions, assumptions
and assumptions about speech on the other, the semantic-lexical organization necessary to
enable the evocation of a word and which highlights the intertwined relationship between
memory and language. The search for the word, carried out in a dialogic and collaborative way,
goes far beyond, therefore, determining “successes” and “mistakes” based on the expectations
of “linguistic training of lexical evocation” materials, for example. It is also related to active
listening, a central point in the relationship with the other word (PONZIO, 2010), and which
implies relating to the frustrations of the process and the creation of ways to find the word.
The epistemological assumptions that underlie the activities of the CCA, therefore,
provide opportunities for participating subjects, researchers and students in training, to
understand the linguistic, metalinguistic and epilinguistic work, which enables the exercise of
11
The analyzed data can be found in Oliveira (2022). It is also worth mentioning how the search for the name of
the bird continues, in later sessions, with videos of birds singing, conversations and guessing games about
birdsongs.
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a reflection on the functioning of language, which is essential for a critical role in speech therapy
and in formal and informal educational contexts.
At the Observatório do Idadismo, the work also demands the interweaving of diverse
knowledge, an assumption in monitoring the multiplicity of ideological threads that make up
the discourses and meanings that are being disputed in the word. This work is fundamental if
we consider that “the word will be the most sensitive indicator of social changes”, since “it is
capable of fixing all transitory phases of social changes, however delicate and fleeting they may
be” (VOLÓCHINOV, 2018, p. 106, our translation).
anti-ageism training activities already carried out with health and education
professionals and with groups of elderly people, are thus sustained in this work with and in the
language, in encounters and disputes over meanings.
Publicizing qualified knowledge about aging and ageism, for example, requires intense
study, data analysis, information checking, intralingual, interlingual and intersemiotic writing
and translation (JAKOBSON, 1981) and understanding of the discursive genres of posts in
profiles on social networks (Instagram, Facebook and Twitter). We highlight the translation of
the report produced by the World Health Organization (WHO, 2021) into English and suitable
for posts on social networks (Fig.1) that presented summaries of the observatory's discussions
(Fig. 2).
Figures 1 and 2 – Productions by the Observatório do Idadismo
Source: Observatório do Idadismo
This work requires strategic lexical and discursive choices, positioning in the face of
complex issues, translating concepts and composing images, which requires a constant process
of refinement and adaptation to the heterogeneity of readers and participants in the activities.
All this work requires and makes possible, at the same time, the development of listening and
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otherness; that is, in an encounter with another – concrete, singular and, therefore, irreplaceable
– that starts from the “recognition of the impossibility of non-indifference for the other” in a “
responsible action that expresses the uniqueness of the being in the world without an alibi”
(PONZIO, 2010, p. 22-24, our translation).
In this sense, the more we mobilize and relate to the genres, in this ethical-responsible
architecture with the language and with the participating subjects,
the more easily we use them and the more fully and clearly we discover our
individuality (where this is possible and necessary), we reflect more flexibly
and subtly the unique situation of communication – in short, the fuller is the
way in which we use them. We carry out our free process of discourse
(BAKHTIN, 2016, p.41, our translation).
In addition to this work carried out with the publication of qualified material on ageism,
there is also language work in anti-ageism training carried out through workshops and
conversation circles.
In a conversation circle with a group of elderly women (mostly female, as usual) in the
city of Salvador, we carried out an activity based on Engaged Multiliteracy (LIBERALI, 2022),
which is based on the proposals of Vygotsky and Freire and on confluences with the Pedagogy
of Multiliteracies (NEW LONDON GROUP, 1996 [2000]) in the organization of pedagogical
practices based on the understanding that education must build increasingly broad modes of
participation for all (LIBERALI et al., 2021).
The meetings motivated by the ME are organized in three moments: the first dedicated
to immersion in reality, in which a cognitive-affective connection with the theme to be
discussed is sought; a second dedicated to the critical construction of generalizations, when
there is a deepening of the understanding of the theme and sharing of knowledge; and, finally,
a third dedicated to production and social change, in which intervention actions inspired by the
lessons learned from previous moments are planned.
Initially, as a form of immersion in reality, two stages of situations were performed based
on experiences lived and observed by members of the Observatório do Idadismo following the
proposal of the Theater of the Oppressed (BOAL, 2019 [1975]), an important pedagogical tool
of the ME
12
. In the first scenario, an elderly woman waited in line to vote while poll workers
and other voters complained about the delay and said that the line was long due to the slowness
12
From the 1970s onwards, Boal created a theater committed to confronting oppression. One of his strategies to
make it a path to liberation was to transform spectators into “ spectators ”, capable of interfering and changing the
course of a scene.
The university outreach as a language education space: An ethical-responsible discussion
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of the elderly. In the second scenario, a bank manager dealt with a loan directly with the
daughter who accompanied her elderly father to get a loan, without giving due attention to the
elderly person who would have his money withdrawn.
In both situations staged, it was agreed with the elderly that they could interfere in the
scenes if they did not agree with what they were watching, which was done in a very expressive
way: the elderly demanded their rights both in relation to voting and borrowing, and questioned
the dehumanization and speed of the contemporary world, running a lot to get nowhere”, as
one of the elderly women stated in response to the perception that there is no room to “wait”
for the other (voting, understanding how a loan would work, for example).
Later, a conversation circle was held to collectively explore the experience of immersion
in reality and deepen understandings about ageism by sharing knowledge and reading pre-
selected materials. Finally, a game was played in which the elderly women had to decide
whether some phrases, such as She doesn't even look old, she's still beautiful”, were ageist,
ambiguous or if they did not present a prejudiced nature.
As this example suggests, the ethical-responsible work carried out with the elderly does
not objectify them. On the contrary, knowledge about ageism is carried out collaboratively,
based on their experiences, with and in language. The participants of the Observatório do
Idadismo highlight the firm position of confrontation of the elderly women who questioned
during the critical construction of generalizations about one of the phrases evaluated: “Do you
mean that only those who do not look old are beautiful?”.
Although the activity carried out did not directly culminate in an action in the practice
of social change (due, above all, to time), there is no doubt about the impact that this meeting
had on the lives of the participants of the Observatório do Idadismo who learned by
experiencing the force of confrontation and engagement of the elderly women in the two
scenarios and in the reflections that followed. On the other hand, the participants in the
conversation circle had the opportunity to expand their understanding of ageism and their
coping repertoire.
This experience, lived through extension activity, as well as the experiences in the CCA,
are powerful because they are based, as we try to show in the work with and in the language, in
the “life that is lived” in an ethical-responsible way, in a non-intrusive mechanical or
normalizing way. On the contrary, in the totality of the act, which “is truly real, it participates
in the existing-event; only in this way is it alive, fully and irreducibly, exists, comes into being,
takes place” (BAKHTIN, 2010, p. 43, our translation).
Larissa Picinato MAZUCHELLI and Marcus Vinicius Borges OLIVEIRA
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Final remarks
This article sought to defend that university extension activities can be privileged spaces
for an ethically responsible training in language, since the bidirectional and engaged nature of
extension activities, their dialogical uniqueness, both in the relationship between students and
professors and in the relationship between the university and the community that is external to
it and, at the same time, constitutive. We chose to present two different proposals for extensions
that work with and in language, seeking to expand dialogues, each in its own way, without
ceasing, from within an ethically responsible position (BAKHTIN, 2010; PONZIO, 2010), to
work on completeness of its dimensions, in the constant attempt to overcome the welfarism that
objectify, common in the fields of health and education.
Throughout the development history of the Neurolinguistics area and the CCA, many
articles, in different fields of knowledge, were developed to show the work carried out by
subjects with aphasia and a clinic capable of creating possibilities for subjects to reorganize
themselves linguistically, cognitively and socially. In addition to enabling the work of
reorganizing the language of subjects with aphasia, the CCA constitutes, therefore, a space for
scientific production and training in the field of linguistic studies, whether for future teachers,
speech therapists or researchers in fields that are interrelated with issues related to language and
its functioning. Based on similar theoretical bases, the Ageism Observatory has been seeking
to follow the same interdisciplinary path in working with and in language, necessary for a shared
formation of teachers and students.
In times of integration of extensions into the curricular matrix of undergraduate courses,
it will be necessary to face the challenges of training that still takes little account of student
engagement, citizen action and the role of the university in overcoming the inequalities and
exclusion mechanisms that are at the heart of Brazilian history. In this regard, the epigraph of
the national university extension policy (FORPROEX, 2012) highlights the strength of
extensions as resistance to the university's submission to global capitalism, given its active role
in building social cohesion, strengthening democracy, cultural diversity, and increased access
to knowledge produced by the university as a way to combat social exclusion and environmental
degradation.
However, we must recognize that, despite the presence of extension in the university
tripod, there is still a long way to go for its institutional recognition, but we believe that
dialogical and ethically responsible experiences such as those briefly discussed in this work,
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despite their limitations, may continue to enable the training of professionals committed to
facing oppression, injustice and prejudice that operate through language.
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CRediT Author statement
Acknowledgments: We would like to thank the participants of the Centro de Convivência
de Afasicos, the members of the Observatório do Idadismo and the Group for the Study of
Language in Aging and Pathologies, especially Prof. Dr. Rosana do Carmo Novaes-Pinto
for her invaluable generosity and listening.
Financing: We would like to thank CAPES for supporting the scientific publication, as well
as the Institutional Program of Initiation Scholarships for University Extension at the
Federal University of Bahia for the possibility of linking scholarship holders in the
extension modality to the Observatório do Idadismo.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: As this is a discussion based on the experience of the authors, this work
falls under Item VII and VIII of Article 1 of Resolution No. 510 of 07/04/2016.
Availability of data and material: The data and materials of the Observatório do Idadismo
are available on its social networks. The data and materials from the Afasic Community
Center are part of the authors' records.
Author contributions: Both authors participated in the design, planning, data
interpretation, writing, review and approval of the final version.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.