RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023105, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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DIÁLOGOS INTRODUTÓRIOS SOBRE A FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DE
PROFESSORAS PRIMÁRIAS NO ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
DIÁLOGOS INTRODUCTORIOS SOBRE LA FORMACIÓN Y DESEMPEÑO DE LAS
DOCENTES DE PRIMARIA EN EL ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
INTRODUCTORY DIALOGUES ON THE TRAINING AND PERFORMANCE OF
PRIMARY TEACHERS IN THE ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
Rozilene Lopes de Sousa ALVES1
e-mail: rozilene.lopes@professor.ufcg.edu.br
José Wanderley Alves de SOUSA2
e-mail: jose.wanderley@professor.ufcg.edu.br
Como referenciar este artigo:
ALVES, R. L. S.; SOUSA, J. W. A. Diálogos introdutórios sobre a
formação e atuação de professoras primárias no Alto Sertão
Paraibano (1970-1980). Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023105, 2023. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.18678
| Submetido em: 22/06/2023
| Revisões requeridas em: 10/08/2023
| Aprovado em: 05/10/2023
| Publicado em: 13/11/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Cajazeiras PB Brasil. Professora do Magistério Superior.
Doutorado em Educação (UFS).
2
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Cajazeiras PB Brasil. Professor do Magistério Superior.
Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa (UNESP-CAr).
Diálogos introdutórios sobre a formação e atuação de professoras primárias no Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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RESUMO: O presente artigo discute a história da profissão docente por meio de memórias de
expressão oral de professoras que atuaram no ensino primário em escolas do Alto Sertão
Paraibano. Delineia aspectos teóricos e históricos da formação de professores leigos no Brasil,
com especial atenção para a segunda metade do Século XX. A metodologia do estudo é de
caráter documental focada. O recorte histórico está circunscrito entre as décadas de 70 e 80 do
século XX. Tal demarcação temporal justifica-se pela crescente criação e implantação de
escolas públicas no Sertão paraibano no período citado. O corpus da pesquisa é constituído por
professoras leigas que atuaram em escolas desta região geográfica entre os anos supracitados.
O estudo busca contribuir para a compreensão de como se constituiu e consolidou-se a
profissionalização docente das professoras colaboradoras, a partir da escuta, escrita e análise de
suas histórias de vida.
PALAVRAS-CHAVE: História da Educação Brasileira. Profissionalização Docente.
Professoras Leigas. Sertão Paraibano.
RESUMEN: Este artículo discute la historia de la profesión docente, a través de memorias de
expresión oral, de profesoras/docentes que actuaron en la enseñanza primaria, en escuelas del
Alto Sertão Paraibano. Delinea aspectos teóricos e históricos de la formación de profesores
legos en Brasil, con especial atención a la segunda mitad del siglo XX. La metodología del
estudio se centra en los documentos. El corte histórico se circunscribe entre los años 70 y 80
del siglo XX. Tal demarcación temporal se justifica por la creciente creación e implantación
de escuelas públicas en el Sertão de Paraíba en el período mencionado. El corpus de
investigación está formado por profesoras legas que trabajaron en escuelas de esta región
geográfica, entre los años mencionados. El estudio busca contribuir a la comprensión de cómo
se constituyó y consolidó la profesionalización docente de los docentes colaboradores, a partir
de la escucha, la escritura y el análisis de sus historias de vida.
PALABRAS CLAVE: Historia de la Educación Brasileña. Profesionalización Docente.
Maestras Legas. Sertão Paraibano.
ABSTRACT: This article discusses the history of the teaching profession, through memories
of oral expression, of teachers who worked in primary education, in schools in the Alto Sertão
Paraibano. It delineates theoretical and historical aspects of the training of lay teachers in
Brazil, with special attention to the second half of the 20th century. The methodology of the
study is focused on documents. The historical cut is circumscribed between the 70s and 80s of
the twentieth century. Such temporal demarcation is justified by the increasing creation and
implantation of public schools in the Sertão of Paraíba in the mentioned period. The research
corpus consists of lay teachers who worked in schools in this geographic region, between the
aforementioned years. The study seeks to contribute to the understanding of how the teaching
professionalization of collaborating teachers was constituted and consolidated, based on
listening, writing and analysis of their life stories.
KEYWORDS: History of Brazilian Education. Teaching Professionalization. Lay Teachers.
Sertão Paraíba.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES e José Wanderley Alves de SOUSA
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Introdução
A pesquisa histórica educacional brasileira, nas últimas décadas, tem se fortalecido
significativamente, especialmente no tocante às abordagens teórico-metodológicas, pautada
principalmente numa historiografia para além da abordagem positivista. Essa vertente
investigativa centrava o seu foco na descrição de fatos políticos, a partir das análises de
narrativas que realçavam especialmente as dimensões políticas da vida social, embaçando
outras possibilidades de leitura e análise crítica do processo sócio-histórico que também se
vincula às práticas educativas.
A virada pragmática das pesquisas em história da educação brasileira, no século XX,
passou a tomar como uma de suas bases teórico-metodológicas os fundamentos da História
Cultural, um movimento historiográfico que surgiu na França na primeira metade do século
XX, que defendia que o tempo histórico se constitui em um somatório de fatos passível de
análises sob abordagens de diferentes métodos e técnicas, dando ao pesquisador a possibilidade
de recorrer a diferentes tipos de fontes.
Sob esta ótica, o objeto de estudo do presente trabalho é a compreensão de como se deu
a formação inicial e continuada e a prática de professoras leigas que atuaram nas quatro
primeiras séries do ensino de primeiro grau em escolas do Sertão Paraibano, entre as décadas
de 70 e 80 do século XX. Insere-se na Linha de Pesquisa História da Educação do Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe. Inscreve-se, também, no
contexto da história oral temática, uma vez que objetiva contribuir essencialmente para registrar
fatos inscritos na memória, experiência e participação nos acontecimentos.
A questão norteadora para a presente pesquisa busca compreender: como se deu a
formação inicial e continuada e a atuação de professoras leigas do ensino de primeiro grau de
escolas do Sertão Paraibano entre as décadas de 70 e 80 do século XX?
Para o curso da investigação, como hipótese para responder à questão de investigação,
a priori, entendemos que a formação de professoras leigas do Sertão Paraibano entre as cadas
de 70 e 80 do século XX deu-se, principalmente, através do Projeto Logos II, e as condições de
trabalho a que foram submetidas essas professoras refletiam os problemas vivenciados pela
política educacional brasileira nesse período histórico, marcado por carências de toda ordem e,
principalmente, à submissão aos ditames da Ditadura Civil-Militar.
Nesta perspectiva, o objetivo geral do trabalho é compreender, por meio de memórias
de expressão oral, como se deu a formação e a prática de professoras leigas que atuaram nas
quatro primeiras séries do ensino de primeiro grau em escolas do Sertão Paraibano, entre as
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décadas de 70 e 80 do século XX. A demarcação deste recorte histórico-temporal justifica-se
por se constituir num período de efervescência de criação e implantação de escolas públicas no
Sertão paraibano e, por conseguinte, pela consolidação e busca maior da profissionalização
docente.
Entendemos a relevância desta pesquisa pelas contribuições para a compreensão
histórica da formação e práticas de docentes na educação paraibana e, por conseguinte,
brasileira.
Formação de professores leigos: intersecções entre políticas públicas nacionais e
realidades locais
O professor leigo sempre esteve presente na história da educação pública brasileira, uma
vez que diversos cursos, programas e projetos foram criados para tentar erradicar o magistério
leigo no país, ao longo da trajetória profissional desse professor não-diplomado, para que ele
pudesse atender às exigências da legislação educacional em vigência. Por isso, a história da
formação de professores no Brasil é um dos temas educacionais que perpassam os aspectos
sócio-históricos, culturais e políticos como um dos eixos centrais para que se possa
compreender questões nodais que permeiam a história da educação brasileira.
Apesar do termo “leigo” ser considerado, por vezes, pejorativo, com significado de
estranhamento ou desconhecimento de uma função, atividade, profissão, esse era o termo
utilizado pelo Estado, dirigentes educacionais, publicados em jornais, periódicos, inclusive
empregado dentro da própria escola. Nesta direção, o termo leigo é tomado como:
[...] Quando se examina hoje a questão do professor ‘leigo’, está-se claramente
sugerindo tratar-se de professores que desconhecem ou são ignorantes do
trabalho que fazem e, mais significativamente, daqueles professores que não
possuem a formação básica para lecionar um determinado nível ou série
(BRASIL, 1990, p. 43).
É importante destacar que pela denominação “professor leigo” entendemos como
professores não diplomados, profissionais que não possuíam a formação adequada mediante a
legislação e a exigência do Estado para exercerem as suas atividades, tendo surgido,
principalmente, para atuação em áreas em que havia a necessidade de docentes para atuação no
Magistério, sem que, para tanto, houvesse a devida preparação e, por conseguinte, diplomação
para o exercício da profissão.
A discussão sobre o problema do magistério leigo no processo da formação e
profissionalização docente é tema que tem suscitado diversas pesquisas, pois corresponde a
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uma parcela significativa da constituição da educação nacional. Nesse sentido, ao longo de todo
o século XX, essa discussão esteve em voga, de forma mais acentuada, uma vez que: “O
problema dos professores ‘leigos’, desde a década de 1920 foi objeto de preocupação dos
‘profissionais da educação’ e vai se colocar mais agudamente no final dos anos 1940 e,
principalmente nos anos 1960” (BRASIL, 1990, p. 40).
No que se refere à preparação de professores, especialmente nesse período, o Decreto-
Lei nº. 8.777/46, referente à Lei Orgânica do Ensino Normal, instituiu o Exame de Suficiência,
que possibilitava ao professor leigo ser aceito, legalmente, pelo sistema educacional brasileiro,
na forma de “professor autorizado”. Nessa direção, Rodrigues (1985, p. 45) destaca que os
exames de suficiência deveriam ser realizados por professores leigos ou candidatos ao
magistério através de Escolas Normais, Institutos de Educação e Faculdades de Filosofia, para
efeito de comprovação de conhecimentos exigidos para a função e de autorização para que tais
professores, a título precário, pudessem lecionar nas escolas primárias e secundárias.
A partir de 1960 a preocupação para, efetivamente, tentar resolver o problema do
professor leigo no ensino se tornou mais concreta em todo o país, com o surgimento de políticas
educacionais voltadas para essa questão. Neste período, foi criado o Programa de
Aperfeiçoamento do Magistério Primário (PAMP), em 1963, pelo governo federal, com a
proposta de fornecer subsídios para cursos de metodologias de ensino voltados para a
habilitação de professores leigos, a nível pedagógico, desenvolvidos, diretamente, no período
de férias e, indiretamente, durante o período letivo, o que oportunizou maiores investimentos
para a formação de professores leigos no Brasil.
Estudos apontam que o número de professores leigos ou professores não diplomados no
Brasil, no ano de 1964, era de um contingente de 127.879 de professores, representando mais
de 44% do total de corpo docente em regência de classe do ensino primário. De acordo com a
Lei 4.024/61: “Dos 44% de professores leigos, 71,60% tinham apenas curso primário (completo
ou incompleto); 13,7%, ginasial (completo ou incompleto); 14,6%, curso colegial (completo ou
incompleto)” (TANURI, 2000, p. 77). Assim, a maioria desses professores atuava no então
ensino primário com apenas a mesma formação (o próprio ensino primário).
Tais discussões revelam que situações que envolveram o magistério leigo eram precárias
e exigiam esforço dos professores, em especial, das professoras, que tinham como
responsabilidade, além da atuação na docência, outras funções, como a gestão, administração e
política escolar, com todo o trabalho organizacional, funcional, administrativo e pedagógico da
instituição, isso sem falar na dupla ou tripla jornada de trabalho que acumulavam no lar, na
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escola e ainda em outras atividades laborais. Outro aspecto importante se refere aos baixos
salários, uma vez que a categoria dos professores, mesmo entre os diplomados, recebia
vencimentos insatisfatórios e, quando se tratava do professor leigo, a sua situação salarial era
ainda mais precária, com salários mais baixos.
Apesar da Lei 5.692/71 ter suscitado uma significativa discussão em torno da
problemática do grande número de professores leigos existentes no país, especialmente, na zona
rural, atuando sob precárias condições de trabalho e de vida, a mesma Lei contribuiu para
referendar a concepção de professor leigo contida na Lei 4.024/61. Além disso, pode-se
perceber que tanto a Lei 4.024/61 quanto a 5.692/71 realçavam uma visão urbana de escola,
quando previam exames de suficiência para indivíduos não habilitados exercerem a profissão
(RODRIGUES, 1985, p. 39).
Nessa perspectiva, apesar dos movimentos em favor da qualificação docente e do
desenvolvimento de projetos para a capacitação de professores leigos, o problema ainda
perdurava nos anos de 1980. Neste sentido, os inúmeros projetos implantados pelo Governo
Federal nas zonas rurais, na época, embora aparentassem ter um objetivo social explícito em
nível de discurso, na maioria das vezes, na prática, orientavam-se por objetivos políticos
implícitos (RODRIGUES, 1985).
Na Paraíba, no início da década dos anos 70, com o objetivo de implantar escolas para
atender essas especificidades, buscou-se a implantação dos Cursos Normais Regionais. Nesse
período, a Paraíba contava com oito cursos normais regionais, além de um Instituto de Educação
e sete Escolas Normais.
Entre as décadas de 1970 a 1990, é fundamental destacar a importância do Projeto Logos
II, criado em 1975 pelo Governo Federal, através do Ministério da Educação e Cultura (MEC),
cujo objetivo maior era formar professores leigos que atuavam em sala de aula nas quatro
primeiras séries do Grau. Esse programa habilitava legalmente em nível de segundo grau e
magistério, num sistema de ensino modular à distância, que se pautava no modelo do Ensino
Supletivo, sob a responsabilidade do Centro de Ensino Técnico de Brasília (CETEB).
Para melhor entendermos a dimensão do Projeto LOGOS II, no contexto da formação
de professores leigos, no Brasil, cabe assinalar o que destaca Andrade (1995, p. 19),
evidenciando que, em 1972, no Brasil, cerca de 200 mil professores leigos atuavam em turmas
das quatro primeiras séries do primeiro grau. Na Paraíba, especificamente, três mil e trezentos
e trinta e quatro professores eram titulados, e sete mil, quinhentos e vinte e cinco eram leigos.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES e José Wanderley Alves de SOUSA
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Nesse contexto, o Projeto Logos II foi implantado em diversos estados da federação,
inicialmente no Piauí, Paraíba e Rondônia (então Território Federal) e, a posteriori, em outros
estados, dentre eles, a Paraíba. O Projeto LOGOS II ficou sob a responsabilidade do Governo
Federal até 1981. De 1979 a 1981, o LOGOS II fez parte da Subsecretaria de Ensino Supletivo
do Ministério da Educação. A partir de 1982, passou a ser de responsabilidade das Secretarias
de Educação dos Estados onde foi implantado.
Cabe destacar que a instalação do LOGOS II nos estados do Norte e Nordeste se deu,
sobretudo, pelo alto índice de analfabetismo existente nessas regiões, além das precárias
condições de ensino. Partindo-se do pressuposto que o Projeto LOGOS II foi criado para
habilitar o grande contingente de professores leigos, tinha também a atribuição de aprimorar o
LOGOS I e atender o que preceituava a Lei 5.692/71, cujo objetivo buscava a expansão do
ensino e a diminuição da evasão escolar que era decorrente, em partes, da falta de qualificação
do professor e da falta de condições das escolas.
É importante também realçar que se o Projeto Logos II tinha como proposta o estudo
personalizado e individualizado, como tinha uma abrangência nacional, acabava por dificultar
para as equipes a elaboração de material capaz de atender às especificidades requeridas. Um
dos principais problemas evidenciados pelo programa consistia na falta de vinculação do curso
à problemática vivenciada pelo professor que atuava na zona rural e nos pequenos centros
urbanos, uma vez que não contribuía para tornar o cursista do Logos II “mais consciente do seu
papel de agente de transformação social” (GONDIM, 1982, p. 171).
O percurso metodológico trilhado
O aporte teórico adotado para este trabalho tem como fundamentos os estudos sobre
História e Memória, pautados, principalmente, nos estudos de Burke (1992), Le Goff (1998),
Bosi (1994). Delineia aspectos históricos sobre a formação de professores no Brasil, com base
em Guiraldelli Júnior (2006), Saviani (2009), Tanuri (2000), dentre outros estudos. Aborda a
formação e atuação de professores no estado da Paraíba, a partir do embasamento de Andrade
(1995), Araújo (2010), Gouveia (2019), Pinheiro (2002).
A base metodológica para a coleta e análise dos dados fundamenta-se, principalmente,
na perspectiva da Pesquisa Narrativa, especialmente sob a ótica de Clandinin e Connely (2011,
p. 20), que definem pesquisa narrativa como “[...] uma forma de entender a experiência”, num
processo colaborativo entre pesquisador e pesquisado. Comumente, tal modalidade de pesquisa
consiste na coleta de histórias sobre determinado tema, a fim de que o pesquisador colha
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informações para entender determinado fenômeno. Assim, as histórias podem ser obtidas por
meio de vários métodos: entrevistas, diários, autobiografias, gravação de narrativas orais,
narrativas escritas, e notas de campo.
A fonte principal para a coleta de dados para o estudo aqui apresentado é a narrativa
oral, por meio de entrevistas gravadas com os sujeitos da pesquisa e transcritas a posteriori
para as devidas análises, ou seja, a produção da fonte através da textualização do oral para o
escrito. Porém, a entrevista não é a única fonte, outras também são utilizadas como formas de
ampliar o olhar, entrecruzando-se com as narrativas dos sujeitos no intuito de contextualizar os
discursos, a exemplo de documentos oficiais e de acervos particulares, tais como fotografias e
materiais de trabalho.
Aqui denominamos os sujeitos da pesquisa como professoras colaboradoras,
reiterando o que afirmam Meihy e Holanda (2007, p. 20-21) ao definirem que: “O entrevistador
e o entrevistado, na situação da entrevista, devem se reconhecer colaboradores. Porque a
participação é espontânea, as duas partes devem manter uma possibilidade confortável para o
estabelecimento da entrevista”. (grifo dos autores)
Nessa direção, a história oral temática (MEIHY; SEAWRIGHT, 2020) é tomada como
o principal recurso metodológico para a escuta e escrita das histórias das professoras
colaboradoras. Este tipo de abordagem tem sido adotado como expressivo recurso no campo
da Nova História, porque permite a reconstrução de experiências passadas de grupos sociais
excluídos, dando possibilidade de registro, oficial ou não, de suas ações e vidas. A história oral
apresenta-se, pois, como a possibilidade de cobrir as lacunas deixadas pela história tradicional,
apresentando o estudo de sujeitos e de fatos históricos que não eram considerados importantes.
O objetivo não é escrever outro tipo de história, diferente daquela que utiliza fontes escritas,
mas escrever uma história mais ampla e completa. Isto porque:
[...] as fontes orais não são uma alternativa às fontes escritas; são outro tipo
de fonte, não apenas necessárias, mas imprescindível para se fazer história,
atribuindo às fontes orais, importante papel na busca pelas histórias
silenciadas e marginalizada, além de possibilitar a compreensão de situações
que não foram estudadas suficientemente ao longo da história (ALCÀZAR I
GARRIDO, 1992, p. 36).
A presente investigação assume, por essas trilhas, a perspectiva de pesquisa documental
porque se vale, especialmente, de memórias de expressão oral de professoras, coletadas junto
às colaboradoras, por meio de entrevistas gravadas e, posteriormente, transcritas e analisadas.
Defendemos, pela adoção desse viés metodológico, que a compreensão da prática e atuação
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docente, feita a partir das memórias de expressão oral de professoras, permite o
entrecruzamento de fatos passados e presentes. Enxergamos nessas memórias a possibilidade
de (re)escrita da história de formação profissional, possibilitando a análise, compreensão e
interpretação de realidades vividas e compartilhadas socialmente, a partir do exercício da
docência.
Constituíram-se, também, como documentos indispensáveis para a presente pesquisa,
os acervos das escolas nas quais se formaram e atuaram as professoras colaboradoras, tais como
documentos normalizadores de criação, estruturação e funcionamento das escolas em questão,
atas, livros de matrícula, anuários, programas de disciplinas, diários pessoais, fotografias,
dentre outros. Destes acervos, aqui apresentamos, principalmente, as entrevistas inicialmente
gravadas e, a posteriori, transcritas e analisadas, fotografias, ilustração de materiais de
formação.
Para melhor delineamento das bases conceituais e metodológicas do presente trabalho
foram realizadas pesquisas junto aos Bancos de Teses e Dissertações dos Programas de Pós-
Graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB-PPGE) e Universidade
Federal de Sergipe (UFS-PPGED). Foram levantadas dissertações e teses que abordam a
história da profissão docente inscrita nas trajetórias de formação e prática de professores entre
as décadas de 70 e 80 do século XX, sendo que destes, cinco abordam, diretamente, memórias
de professoras leigas. Tais estudos dialogam com a temática que se aproximam ao objeto de
investigação que delineamos para a construção do presente trabalho, por utilizarem conceitos-
chave semelhantes para a compreensão do objeto de estudo aqui proposto.
Para sistematização dos dados coletados junto aos referidos trabalhos, elegemos os
seguintes critérios: busca nos bancos de dados por meio do jogo de descritores história da
profissão docente; trajetória de professores; formação de professores; história e memória da
profissão docente, tabulação dos trabalhos selecionados, apresentação do tema, ano de defesa,
autor e natureza do trabalho (Dissertação ou Tese); A partir da seleção dos trabalhos,
procedemos à organização das produções, descartando as que não interessavam.
A partir da temática estudada, foram selecionados como universo de busca os trabalhos
que evidenciavam, em sua nomenclatura, uma aproximação com o objeto de estudo: história da
profissão docente e trajetória de professores. Foi realizada a leitura dos resumos dos trabalhos
inscritos e catalogados que, apesar de todos não tratarem especificamente do tema, apresentam,
em certa medida, aspectos que se assemelham com a presente investigação, seja pelo foco em
trajetórias e memórias da formação e prática docente, seja pelo referencial teórico assumido.
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Feito este levantamento de trabalhos produzidos sobre a temática em questão,
referendamos como lócus específico para o desenvolvimento da presente da pesquisa as
instituições escolares de formação para o magistério de primeiro grau localizadas no Sertão
paraibano, além das escolas de atuação das professoras colaboradoras da presente pesquisa.
Justificamos a demarcação do recorte histórico-temporal, compreendido entre as
décadas de 70 e 80 do século XX, por se constituir num período de efervescência de criação e
implantação de escolas públicas no Sertão paraibano e, por conseguinte, pela consolidação e
busca da profissionalização docente, uma vez que a formação de professores no Brasil se
mostrava incômoda, devido às mudanças na legislação educacional e aos índices elevados do
magistério leigo
O conjunto de docentes colaboradoras delimitado para a coleta de dados foi constituído
tendo como critério principal o exercício da docência, em escolas localizadas no Sertão
paraibano, entre as décadas de 70 e 80 do século XX. A priori, a amostra ficou definida
conforme breve apresentação a seguir:
Professora Judite Lourenço de Araújo (JLA) - nasceu em São João do Rio do
Peixe (antiga Antenor Navarro), em 20 de outubro de 1928. Cursou o Ensino Primário na
mesma cidade. Iniciou a carreira de magistério em Cajazeiras, em 1943, quando fazia a
Admissão (estudos de transição entre o Primário e o Ginásio). Começou a trabalhar em São
José da Lagoa Tapada em 27 de janeiro de 1956, na zona urbana do município. Em 1962, passou
a trabalhar no Sítio Lagoa Comprida, permanecendo até a sua aposentadoria, em 1978.
Professora Denizia Gomes de (DGS) - nasceu em São José da Lagoa
Tapada, no dia 15 de março de 1948. Cursou o Ensino Primário e o Ginasial na cidade de Sousa
- PB. Em 1969 ingressou na rede estadual de ensino da Paraíba como professora primária, ofício
que exerceu até 1993, quando solicitou aposentadoria. Durante o exercício da docência cursou
e concluiu o ensino de Grau, via supletivo, através do Projeto LOGOS II, obtendo o título
de professora do ensino de primeiro grau. Das professoras colaboradoras desta pesquisa, foi a
única que concluiu um curso de nível superior: Licenciatura em Geografia, junto ao Centro de
Formação de Professores da Universidade Federal da Paraíba Campus de Cajazeiras. Durante
toda essa trajetória de docência exerceu as suas atividades no Grupo Escolar Genésio Araújo,
na cidade de São José da Lagoa Tapada-PB.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES e José Wanderley Alves de SOUSA
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Professora Maria das Dores Araújo (MDA) - nasceu em São José da Lagoa
Tapada, no dia 15 de outubro de 1949. Estudou o Ensino Primário em São José da Lagoa Tapada
e o Ginasial integrado ao Técnico em Contabilidade na cidade de Coremas PB. Concluiu,
ainda, o Projeto LOGOS II, obtendo o título de professora do ensino de primeiro grau. Foi
professora das séries iniciais do primeiro grau junto ao Grupo Escolar Genésio Araújo, de 1982
a 2007, quando se aposentou.
Professora Francisca Alexandrino de Sousa (FAS) - nasceu em São José da
Lagoa Tapada, no dia 26 de agosto de 1939. Ingressou no Magistério aos 23 anos, com a
formação no quinto ano ginasial. Após 13 anos de exercício como professora leiga, concluiu o
ensino de Grau, via supletivo, através do Projeto LOGOS II, sendo habilitada para o exercício
do Magistério. Foi professora de ensino primário da rede estadual de ensino junto ao Grupo
Escolar da Várzea dos Martins, zona rural de São José da Lagoa Tapada.
Com a definição das colaboradoras da pesquisa, em março de 2022 iniciamos a trilha
investigativa, e optamos por realizar as entrevistas com professoras leigas. O Sertão da Paraíba
foi definido como espaço geográfico que serviu para a escuta dessas professoras. Adotando a
metodologia da História Oral, realizamos as entrevistas com as colaboradoras entre setembro
de 2022 e janeiro de 2023 nas residências das entrevistadas.
Foram entrevistadas as quatro professoras acima apresentadas: Professoras Judite
Lourenço de Araújo, Denízia Gomes de Sá, Maria das Dores Araújo e Francisca Alexandrino
de Sousa. Vale ressaltar que a escolha específica pelas colaboradoras, acima elencadas, deu-se
pelo conhecimento da pesquisadora de que estas professoras se formaram e exerceram a
docência nas escolas citadas e pelo aceite ao convite inicial para que estas colaborassem no
desenvolvimento da pesquisa que aqui apresentamos.
É importante destacar que o número de quatro colaboradoras foi definido tomando como
base as condições para transcrição e análises das entrevistas gravadas, transcritas e, a posteriori,
analisadas para a compreensão do objeto de estudo da pesquisa em tela: a trajetória da formação
e atuação das professoras do ensino de primeiro grau, a fim de compreender os aspectos da
profissão e da profissionalidade docentes, a partir da compreensão da trajetória profissional de
professoras do Sertão paraibano e de suas atuações no ensino de primeiro grau, no período
compreendido entre os anos 70 e 80 do século XX.
Diálogos introdutórios sobre a formação e atuação de professoras primárias no Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023105, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Assim, para a condução das entrevistas com as professoras colaboradoras foi utilizada
uma “pergunta de corte”, a fim de marcar nas narrativas de todas as colaboradoras “[...] os
motivos, os contextos, as razões e as circunstâncias” que marcaram a formação e o exercício na
docência no período e lócus investigado (MEIHY; SEAWRIGHT, 2020, p. 47). Nesta
perspectiva, norteamos as nossas entrevistas pela seguinte “pergunta de corte” às colaboradoras:
Como se deu a sua formação e atuação como professoras no Sertão da Paraíba entre as décadas
de 70 e 80?
Nesta direção, três momentos foram utilizados para a condução da entrevista e, por
conseguinte, coleta de dados: a “pré-entrevista”, como condição preparatória para a gravação,
que consistirá no contato e seleção das colaboradoras e seleção e testagem de materiais a serem
utilizados para a coleta de dados. Para tanto, inicialmente, foram apresentados, de forma
simplificada, as intenções, os objetivos e os procedimentos de condução da pesquisa,
permitindo às colaboradoras decidirem ou não pela participação na pesquisa.
A “pós-entrevista” constitui-se pelos procedimentos de materialização, conferência dos
textos gravados com as colaboradoras, e a devida autorização para utilização e publicação dos
dados por meio da “carta de cessão” de direitos autorais, conforme termos expresso no projeto
submetido e aprovado pelo Comitê de Ética do Centro de Formação de Professores da
Universidade Federal de Campina Grande, vinculado à Plataforma Brasil
3
. Somente após a
constituição do corpus documental foram desenvolvidas as análises das entrevistas realizadas.
As narrativas foram cruzadas com outros documentos oficiais, tais como: normas,
cadernos e fotografias, buscando estabelecer conexões entre o lembrado/vivido e o
guardado/documentado, além de arquivos pessoais, de fotografias que abrigam a memória da
formação e atuação docente no período estudado.
As entrevistas gravadas e transcritas se constituíram como base documental para a
compreensão da trajetória profissional das professoras colaboradoras, seus processos
formativos ao longo do exercício da profissão e as relações que estas estabeleciam com as
comunidades em que trabalharam; os conhecimentos construídos na relação com o fazer
cotidiano, as estratégias elaboradas para superar as dificuldades e o papel que elas
desempenharam no processo de escolarização da população desses municípios, no período
abordado. A análise bibliográfica e documental relevante para a efetivação do trabalho também
foi parte integrante da metodologia.
Após as transcrições das entrevistas, foi realizado o tratamento de textualização fonte
3
Parecer CPE-CPE-UFCG 6.035.150, de 22 de agosto de 2022.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES e José Wanderley Alves de SOUSA
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oral para a escrita para que, assim, pudéssemos ter esse documento para análise. devidamente
transcritos, num terceiro encontro, em março de 2023, os textos foram apresentados às
colaboradoras para a aprovação e assinatura das cartas de cessões de direitos para uso das
informações para a presente pesquisa.
Em linhas gerais, todas as professoras que foram entrevistadas enxergam o seu papel
frente à Educação nos espaços em que atuaram e entendem que as suas falas servirão para
contribuir e perpetuar a história da profissão docente da qual fazem parte. Neste sentido, no
contexto deste trabalho, escolhemos a História Oral Temática, uma vez que esta modalidade é
a que mais se aproxima das expectativas acadêmicas que fundem História Oral com
documentação convencional. Ou seja, o caráter documental é decorrente das entrevistas, que se
constituem como o fio condutor deste tipo de abordagem.
O percurso metodológico delineado possibilitou-nos compreender que a pesquisa
acadêmica, para nós, especialmente no campo da História da Educação, exige cuidados e
cautela no tratamento das fontes. Sabe-se que muito já foi ampliado em relação ao que pode ser
utilizado como fonte para análise de um estudo historiográfico.
Entendemos, portanto, que o estudo da carreira docente favorece o entendimento de
como se deu o percurso de formação e atuação profissional de professoras das quatro primeiras
séries do primeiro grau de escolas do Sertão paraibano. É possível, sobretudo, compreender que
as histórias vivenciadas na educação local pelas colaboradoras podem ser entrecruzadas com a
história educacional brasileira e permitem refletir sobre a estruturação do campo educacional
brasileiro, ao longo da sua história.
Desse modo, foi possível analisarmos o processo de escolarização das professoras, e
fazer um cruzamento das narrativas, numa perspectiva diacrônica, com história da educação e
da expansão da escola primária no Brasil, mas também sincrônica, buscando compreender
aquele momento específico vivido por elas naquele lugar. Ou seja, quando elas falam da
escola, da professora, das condições em que estudaram, o que isso representa para elas em suas
rememorações? Esses relatos sobre o passado não são mais o passado em si, mas uma
reconstrução da memória em que uma seleção do que veio à tona, um esquecimento
necessário, pois rememorar o passado para um outro significa fazer escolhas pensando no que
esse outro deseja ou pode ouvir, partilhar dessas lembranças.
Diálogos introdutórios sobre a formação e atuação de professoras primárias no Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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Entre histórias e memórias, os sentidos do “ser professora”
A História da Educação vive nas memórias das professoras que, cotidianamente,
envolvem-se com alegrias, conquistas, dificuldades, anseios da profissão, quando no
enfrentamento dos desafios em suas práticas pedagógicas, para a qual, muitas vezes, não estão
preparadas. Por tudo isso, é fundamental nos aproximarmos e escutarmos o que eles têm a nos
contar, conforme ilustra Freitas (2000, p. 12):
Assim, ao contarem suas histórias, um novo sentido vamos descobrindo nas
ruas, nos edifícios, nas grades das janelas, nas fachadas das escolas [...]. Estas
vozes se multiplicam a partir das vozes das narradoras que vão encontrando
em suas recordações, outras pessoas que transitaram nesses cenários,
conferindo-lhes novos significados.
O recorte analítico aqui apresentado referenda para nós o privilégio da escuta e escrita
do sensível, que balizou a profissão escolhida pelas narradoras, que foi e é algo de grande
destaque em suas vidas. Elas assumem, na essência, serem MULHERES E PROFESSORAS,
ou seja, a profissão as caracteriza fortemente como símbolo de empoderamento feminino.
O início profissional é caracterizado pelas professoras narradoras como um momento
em que lhes foi oferecida a “oportunidade” e a conquista através de seus esforços de exercerem
a docência. A escolha pelo Magistério significou para elas o início de uma tão desejada
profissão, além da conquista da independência financeira.
Conforme Assunção (1996, p. 14), quando o “discurso de vocação” se apresenta como
absoluto, os outros se calam, pois ele é conclusivo, traz a ideia de algo inato, de uma força
interna que orienta as pessoas para determinada profissão. No entanto, o que se percebe no
relato das professoras colaboradoras deste estudo é que o “querer ser professora”, se num
primeiro momento se apresenta como como vocação, a posteriori, se amplia, como “um querer”
influenciado por questões externas, por decisões próprias que contrariam outros “projetos de
vida” que foram pensados para elas pela família, principalmente. Neste caso, a decisão pelo
trabalho docente se caracteriza como vocação, mas ultrapassa essa concepção, como nos
afirmam as professoras colaboradoras
O Major Jacó era chefe político de Antenor e prometeu a papai de arranjar
um negócio pra mim [...]. ele prometeu arranjar um negócio pra mim. É
tanto que quando ele fez isso eu ainda não tinha idade, eles aumentaram
(JUDITE LOURENÇO DE ARAUJO, 2022).
Quando voltei para São José com o Ginásio, estava havendo uma seleção, no
Centro de Treinamento para Professores em Sousa. Era uma preparação para
professores leigos. Meu pai conseguiu uma vaga para mim, em 1965, com os
Rozilene Lopes de Sousa ALVES e José Wanderley Alves de SOUSA
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políticos da região [...]. Quando terminamos, a minha turma de NOVENTA E
SEIS ALUNAS, em 1969, convidamos o governador da Paraíba, João
Agripino, para ser padrinho da turma [...] e no discurso ele disse que a
professora que tivesse terminado o curso podia procurá-lo que ele nomearia
para ensinar no Estado [...]. Minha nomeação foi oficializada em 20 de
novembro de 1969, por indicação, para trabalhar no Grupo Genésio Araújo,
aqui em São José, que estava abrindo [...]. Foi muito importante essa
nomeação, porque eu começava a ganhar o meu próprio dinheiro (DENIZIA
GOMES DE SA, 2022).
Eu sempre quis ser professora. Eu acho que quando a gente nasce, a gente
nasce com aquele é como é que eu posso dizer [...] com vocação, porque era
muito difícil o estudo para mim, porque eu morava num sítio, muito longe
daqui de São José, mesmo assim tinha a intenção de ser professora (MARIA
DAS DORES ARAUJO, 2023).
EU QUERIA MUITO SER PROFESSORA PORQUE TINHA VONTADE DE
ESTUDAR, eu estava estudando nem sabia pra que, o que é que eu queria ser,
depois escolhi, que era ensinar pra ser respeitada na cidade (FRANCISCA
ALEXANDRINO DE SOUSA, 2023).
As histórias de vida analisadas permitem perceber uma diversidade de motivos que
levaram as narradoras à escolha pela profissão docente. Se nas narrativas analisadas, as
professoras assumem a docência como “vocação”, percebemos que esta escolha profissional
sofreu influências externas que motivaram o sentimento de “querer” desempenhar a profissão
docente, como: boa experiência escolar na infância, influência familiar, a indicação por
políticos influentes na época, além da representação social da profissão docente, ou seja, status
social.
Os motivos que levam ao desempenho da profissão docente variam, conforme esclarece
Gonçalves (1992, p. 162):
Os estudos demonstraram que são múltiplas as razões pelas quais se escolhe
o ensino como profissão, concorrendo nessa decisão fatores de ordem material
e de ordem estritamente profissional. Ambos os aspectos estão sempre
presentes na escolha da carreira, sendo a predominância de uns sobre outros
frutos de condições individuais e circunstanciais.
Percebe-se pelas narrativas das professoras colaboradoras, ao mesmo tempo em que
demonstraram o desejo em desempenhar a profissão docente desde cedo, também deixam
transparecer os motivos que as influenciaram a “sonhar em ser professora”. Gonçalves (1992),
ao abordar o assunto a partir do estudo realizado com 32 professoras primárias através de
entrevistas, faz a seguinte constatação:
As professoras cuja “vocação” as terá levado a optar pela carreira no ensino
primário afirmaram que na sua decisão de escolha pesaram o “sempre ter
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sonhado ser professora”, “gostar da profissão” e gostar de trabalhar com
crianças”. Como facilmente se constata, são razões subjetivas que determinam
a escolha profissional, correspondendo a um determinado imaginário pessoal e
social, que poderá ter induzido a esta profissão, mais do que uma motivação
intrínseca. As restantes seguiram a carreira docente no ensino primário,
fundamentalmente, por “inexistência de outras alternativas” profissionais, ou
por “razões de natureza econômica” (GONÇALVES, 1992, p. 163).
Observa-se, assim, uma aproximação do estudo do autor com as entrevistas analisadas
no que se refere aos motivos que influenciaram para estas quatro professoras desejassem a
profissão docente, pois os discursos vão da “vocação” ao “sonho fomentado”, expressando-se
ora de modo explícito, ora implicitamente, através de suas narrativas.
As colaboradoras do presente estudo também referendam que a profissão docente,
principalmente para as mulheres, abriu a perspectiva de uma atividade remunerada que
possibilitava a independência financeira. Assim, em alguns casos, a carreira docente tornou-se,
para quem morava na zona rural, a possibilidade de seguir outro caminho que não fosse o
trabalho agrícola. Para quem residia na zona urbana, entrar no mercado de trabalho também não
era tarefa fácil. É o que revelam as narrativas analisadas:
Quando ensinei no MOBRAL, o dinheiro não dava pra nada, dava pra
comprar sardinha, comprava e levava pra casa (risos). Os professores não
eram valorizados. Ai Zé Almir disse que depois me dava uma coisa melhor e
me tirou de ensinar (/). dão valor ao povo de fora, e nunca nem deram
emprego de nada (JUDITE LOURENÇO DE ARAUJO, 2022).
Minha nomeação foi oficializada em 20 de novembro de 1969, por indicação,
para trabalhar no Grupo Genésio Araújo, aqui em São José, que estava
abrindo. Foi muito importante essa nomeação, porque eu começava a ganhar
o meu próprio dinheiro, porque pai e mãe não estudaram e ele,
principalmente, MEU PAI, dava condições para que eu estudasse, mesmo
estudando na casa dos primos (+) (DENIZIA GOMES DE SÁ, 2022).
Antes de ser contratada no Governo passei um ano sendo voluntária,
convocada por Maria Marques e ela me gratificava para ajudar no trabalho,
fazia uma cota e me gratificava para ajudar com os alunos. Aí Seu José Almir
falou com o Deputado (+) AQUELE BAIXINHO, Soares Madruga (MARIA
DAS DORES ARAUJO, 2023).
Eu gostei muito do dinheiro, de ser professora, mas eu gostei mais do dinheiro
(risos), dava pra viver, servia pra sobreviver eu gostei de ser professora
também, mas eu gostava mais do dinheiro que eu tô sobrevivendo até hoje. E
naquele tempo para a mulher conquistar um emprego era difícil, eu cheguei
antes de Judite (FRANCISCA ALEXANDRINO DE SOUSA, 2023).
Sendo assim, ingressar em uma profissão sem a necessidade de um preparo prévio, ou
seja, sem formação específica, e que ainda oferecia certo prestígio social, tornava-se uma boa
Rozilene Lopes de Sousa ALVES e José Wanderley Alves de SOUSA
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opção profissional. Como considera Alencar (1993, p. 187), ao referir-se especificamente às
professoras leigas:
Objetivamente, uma jovem ou dona de casa se candidata ao cargo de
professora para satisfazer, fundamentalmente, uma dupla necessidade: uma de
natureza econômica, consciente, individual; outra de caráter social, coletiva,
culturalmente sentida embora não explicada. Profissionalmente
desqualificada, aceita passivamente as condições que lhe são propostas e
impostas.
No que se refere à feminização do Magistério, Almeida (1998), ao discutir tal questão,
observa que entre o final do século XIX e no século XX houve um ingresso significativo de
mulheres no magistério, justificado, inicialmente, pelo aumento quantitativo do campo
educacional. O discurso ideológico que se seguiu a essa feminização do magistério constituiu-
se no fato da docência estar ligada às ideias de domesticidade e maternidade. Assim, cuidar de
crianças e educar era missão feminina, por isso o magistério revelava-se um lugar feminino por
excelência. A autora ainda afirma que:
Os atributos de casamento, domesticidade e maternidade continuaram sendo
um aval para o exercício do magistério pelas mulheres através da visão
masculina (e também algumas femininas), vindas de setores sociais, políticos
e oficiais que ditavam as normatizações vigentes no período. A concepção de
maternidade e a ênfase em ser da natureza feminina cuidar de crianças
permitiu indiretamente o trânsito das mulheres do espaço doméstico para o
público (ALMEIDA, 1998, p. 118).
Pelo desenho da Lei, mãe e professora deveriam instruir na formação dos valores
morais: o papel de mãe permitia-lhe desenvolver a maternidade cívica, uma função pública
exercida nos lares. Já o espaço escolar deveria se constituir espaço de trabalho assalariado fora
de casa. Pensando por esse viés, Almeida (1998, p. 62) destaca que:
Entende-se, que o exercício do magistério, representava um prolongamento
das funções maternas e instruir e educar crianças era considerado aceitável
para as mulheres: à época o trabalho mais atraente à mulher da classe média
letrada (...) ser professora na opinião de grande parte da sociedade (...) era a
profissão ideal (...).
A profissão do magistério se torna, a partir de então, como dever, sacerdócio, e a mulher
educadora, como escultora do caráter, já que, em tese, é próprio da alma feminina a paciência,
o carinho, o sentimento. Segundo Louro (2007), ao analisar essas representações, não se está
apenas analisando indicações de uma posição feminina, mas se está diretamente observando
um processo social por meio do qual uma dada posição é produzida. A profissão do magistério
Diálogos introdutórios sobre a formação e atuação de professoras primárias no Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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sendo, portanto, feminizada, servia para doutrinar o caráter das crianças nos anos iniciais,
conforme atestam as narradoras:
Ninguém sabia ler nem escrever, nem rezar. Menino com 16 anos que não
sabia fazer o sinal da cruz (+). também era descuido dos pais (JUDITE
LOURENÇO DE ARAUJO, 2022).
O aluno era bom, se interessava, não tinha essa moleza. Era um ensino rígido,
tinha que fazer a lição, ou ia de castigo. E a relação entre alunos era ótima,
os pais participavam não tinha essas reuniões como hoje, mas sempre que
eles nos encontravam na rua perguntavam pelo filho, o comportamento. Se o
filho brigava, mandava a gente punir. O pai que não tomasse conta do filho
briguento, no ano seguinte, a escola não aceitava mais. E ficava sem escola
(DENIZIA GOMES DE SÁ, 2022).
Naquele tempo as salas eram enormes e os alunos eram respeitadores. A
família deles também tinha respeito pelo professor [...]. E ali a gente focava
muito naquele aluno se ele tivesse com dificuldade nessa parte [...]. Esse
estímulo de descobrir o interesse da criança vai da parte do professor. Nem
todo professor se preocupava em observar o interesse do aluno. Era muito de
cada professor, não era todo professor que tinha essa atenção ao aluno [...]
eu (+) eu sei não, eu acho que eu fiz meu papel (MARIA DAS DORES
ARAUJO, 2023).
Eles com vontade de estudar, eu acompanhava a vida dos alunos dentro e fora
da sala de aula, tinha ordem, minha filha (+) O Grupo da Várzea dos Martins
eu fazia tudo, cozinhava, limpava, por isso que eu conhecia tudinho. E sabia
quando eles avançavam, sabia quando riscava a parede e colocava pra
apagar. O aluno era formado pra ter uma carreira, ele decidia [...]. É, lá na
frente, que carreira queria seguir (FRANCISCA ALEXANDRINO DE
SOUSA, 2023).
Assim, ser professora consagrou-se, como dito pelas narradoras, através das décadas, na
possibilidade de exercício profissional vinculado à missão das mulheres enquanto educadoras.
Desta forma, a mulher profissionalizava-se sem se afastar da sua vocação maternal.
É fundamental destacar, ainda, que o ingresso no magistério primário, conforme narrado
pelas professoras colaboradoras deste estudo, é lembrado com grande entusiasmo e orgulho. O
início profissional foi marcado pelo fato de não terem formação pedagógica, mas também, por
questões relacionadas ao “ser mulher”. De maneira geral, estas professoras buscaram na carreira
docente a concretização da “missão maternal”, aliada à possibilidade de profissionalizarem-se.
Sob esta ótica, corroboramos com o que Almeida (1998, p. 94) declara:
Os depoimentos das professoras permitiram recuperar fragmentos de sua
história e da história da sua profissão que não esgotam o muito que ainda se
tem a contar sobre elas e por elas. Essa memória mostrou mulheres
empenhadas em realizar um trabalho no qual gostar de crianças, amor pela
profissão, vocação, qualidades apregoadas pelo discurso social e pelo poder
Rozilene Lopes de Sousa ALVES e José Wanderley Alves de SOUSA
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público, não se desvinculavam da competência necessária para o seu
desempenho. A recuperação das suas lembranças significou desvendar vidas
femininas do passado e de toda uma categoria profissional.
As narrativas das professoras tomadas como matéria-prima para a condução desta nossa
pesquisa demonstram que elas criaram, no cotidiano de suas práticas, novas formas de registrar
e compreender os seus alunos, ressignificar desempenho. Revestidas de afetividade e do “poder
de autoridade” que concebiam ter, para além do reducionismo das exigências oficiais
exacerbadas, viam nos seus alunos aqueles que buscavam o saber através de suas práticas
docentes, uma existência própria, como as quais conviveram, e aprenderam, também, nos mais
diferentes contextos cotidianos que vivenciaram. Elas não agiam apenas como repetidoras dos
métodos e técnicas de ensino vigentes na época em que exerceram o magistério, mas criaram e
recriaram formas de ser e estar no espaço escolar, apesar das tantas limitações e dificuldades
enfrentadas.
Essa dimensão da docência inscrita nas memórias das professoras colaboradoras permite
que enxerguemos que as experiências compartilhadas por elas movimentam as relações
humanas como matéria-prima para as transformações sociais, políticas, econômicas e culturais,
a partir dos contextos e práticas educacionais. Essas experiências partilhadas permitem que
entendamos que as relações estabelecidas pelas professoras, a partir da docência, com alunos e
comunidade em geral, movimentam a práxis cotidiana entre sujeitos rumo às transformações
indispensáveis ao asseguramento da cidadania.
Conclusão
A compreensão da prática docente feita a partir das memórias de expressão oral de
professoras, como a que aqui por recorte apresentamos, permite o entrecruzamento de fatos
passados e presentes. Enxergamos nessas memórias, portanto, a possibilidade de (re)escrita da
história de formação profissional, possibilitando a análise, compreensão e interpretação de
realidades vividas e compartilhadas socialmente, especialmente pelo exercício da docência.
Essas memórias não derivam de histórias isoladas, posto que são relatos singulares, em
que o sujeito é concebido como uma figura histórico-discursiva produzida pelos arquivos que
derivam da/pela linguagem. São histórias construídas na prática do cotidiano, na colaboração,
nas experiências compartilhadas, na participação em atividades diversas, na tomada de decisões
e no desenvolvimento das responsabilidades sociais e políticas. São relações sociais que se
estabelecem, a partir das condições concretas de trabalho da época, situando suas vozes quanto
Diálogos introdutórios sobre a formação e atuação de professoras primárias no Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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ao sentido e significado dado ao seu próprio trabalho e ao contexto histórico, político e
econômico em que estavam inseridas.
Através das narrativas é possível construir relatos singulares, que se intercruzam com
as memórias coletivas. As histórias construídas na prática do cotidiano, na colaboração desses
sujeitos, nas experiências compartilhadas, na participação em atividades diversas, na tomada de
decisões e no desenvolvimento das responsabilidades sociais e políticas, podem produzir
acontecimentos históricos, que serão consolidados e ampliados por essas narradoras
particulares, que vão tecendo a história, desenhando as representações sociais.
Percebemos, portanto, que é possível pela escuta e análise das vozes desses sujeitos
singulares, nesse caso as professoras colaboradoras desta pesquisa, entendermos o fio condutor
para profissão docente, a partir do entendimento de problemas e perspectivas inscritas na
formação e prática dessas docentes.
Pelo bordado das histórias de vida “destas professoras” constatamos que, através dos
fios da memória é possível tecer o encontro entre o passado e o presente. Resgatar as suas vozes,
na maioria das vezes, silenciadas pela história “oficial” da educação brasileira, é referendar que
a escuta e escrita dessas histórias comuns, que não fazem parte dos tratados históricos, é
necessário para conhecimento de suas importantes contribuições para o conhecimento de
momentos significativos das trajetórias de formação e atuação de professoras leigas do Sertão
paraibano, que não pode ser desconsiderado nas ações que se voltam para os problemas e
perspectivas de um projeto de educação brasileira que se alicerça, sobretudo, pelos estudos de
natureza histórica.
É preciso, portanto, resgatar essas narrativas singulares, para referendarmos a
contribuição que o professor brasileiro, das mais diferentes regiões do país, tem prestado para
o desenho de um modelo de educação nacional indispensável à educação cidadã, tão almejada
por todos nós.
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Rozilene Lopes de Sousa ALVES e José Wanderley Alves de SOUSA
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não aplicável.
Financiamento: Não aplicável
Conflitos de interesse: Os autores declaram que não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Parecer-CPE-UFCG 6.035.150, de 22 de agosto de 2022.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Alves, R. L. S.: concepção e desenho, aquisição de dados,
análise e interpretação dos dados, redação do artigo, e revisão crítica de conteúdo intelectual
importante; Sousa, J.W.A..: concepção e desenho, aquisição de dados, análise e
interpretação dos dados, redação do artigo, e revisão crítica de conteúdo intelectual
importante. Os autores leram e aprovaram a versão final do manuscrito.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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DIÁLOGOS INTRODUCTORIOS SOBRE LA FORMACIÓN Y DESEMPEÑO DE
LAS DOCENTES DE PRIMARIA EN EL ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
DIÁLOGOS INTRODUTÓRIOS SOBRE A FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DE
PROFESSORAS PRIMÁRIAS NO ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
INTRODUCTORY DIALOGUES ON THE TRAINING AND PERFORMANCE OF
PRIMARY TEACHERS IN THE ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
Rozilene Lopes de Sousa ALVES1
e-mail: rozilene.lopes@professor.ufcg.edu.br
José Wanderley Alves de SOUSA2
e-mail: jose.wanderley@professor.ufcg.edu.br
Cómo hacer referencia a este artículo:
ALVES, R. L. S.; SOUSA, J. W. A. Diálogos introductorios sobre
la formación y desempeño de las docentes de primaria en el Alto
Sertão Paraibano (1970-1980). Revista Ibero-Americana de
Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023105, 2023. e-
ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.18678
| Enviado el: 22/06/2023
| Revisiones requeridas el: 10/08/2023
| Aprobado el: 05/10/2023
| Publicado el: 13/11/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Federal de Campina Grande (UFCG), Cajazeiras PB Brasil. Profesora de Enseñanza Superior.
Doctorado en Educación (UFS).
2
Universidad Federal de Campina Grande (UFCG), Cajazeiras PB Brasil. Profesora de Enseñanza Superior.
Doctor en Lingüística y Lengua Portuguesa (UNESP-CAr).
Diálogos introductorios sobre la formación y desempeño de las docentes de primaria en el Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023105, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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RESUMEN: Este artículo discute la historia de la profesión docente, a través de memorias de
expresión oral, de profesoras/docentes que actuaron en la enseñanza primaria, en escuelas del
Alto Sertão Paraibano. Delinea aspectos teóricos e históricos de la formación de profesores
legos en Brasil, con especial atención a la segunda mitad del siglo XX. La metodología del
estudio se centra en los documentos. El corte histórico se circunscribe entre los años 70 y 80
del siglo XX. Tal demarcación temporal se justifica por la creciente creación e implantación de
escuelas públicas en el Sertão de Paraíba en el período mencionado. El corpus de investigación
está formado por profesoras legas que trabajaron en escuelas de esta región geográfica, entre
los años mencionados. El estudio busca contribuir a la comprensión de cómo se constituyó y
consolidó la profesionalización docente de los docentes colaboradores, a partir de la escucha,
la escritura y el análisis de sus historias de vida.
PALABRAS CLAVE: Historia de la Educación Brasileña. Profesionalización Docente.
Maestras Legas. Sertão Paraibano.
RESUMO: O presente artigo discute a história da profissão docente por meio de memórias de
expressão oral de professoras que atuaram no ensino primário em escolas do Alto Sertão
Paraibano. Delineia aspectos teóricos e históricos da formação de professores leigos no Brasil,
com especial atenção para a segunda metade do Século XX. A metodologia do estudo é de
caráter documental focada. O recorte histórico está circunscrito entre as décadas de 70 e 80
do século XX. Tal demarcação temporal justifica-se pela crescente criação e implantação de
escolas públicas no Sertão paraibano no período citado. O corpus da pesquisa é constituído
por professoras leigas que atuaram em escolas desta região geográfica entre os anos
supracitados. O estudo busca contribuir para a compreensão de como se constituiu e
consolidou-se a profissionalização docente das professoras colaboradoras, a partir da escuta,
escrita e análise de suas histórias de vida.
PALAVRAS-CHAVE: História da Educação Brasileira. Profissionalização Docente.
Professoras Leigas. Sertão Paraibano.
ABSTRACT: This article discusses the history of the teaching profession, through memories
of oral expression, of teachers who worked in primary education, in schools in the Alto Sertão
Paraibano. It delineates theoretical and historical aspects of the training of lay teachers in
Brazil, with special attention to the second half of the 20th century. The methodology of the
study is focused on documents. The historical cut is circumscribed between the 70s and 80s of
the twentieth century. Such temporal demarcation is justified by the increasing creation and
implantation of public schools in the Sertão of Paraíba in the mentioned period. The research
corpus consists of lay teachers who worked in schools in this geographic region, between the
aforementioned years. The study seeks to contribute to the understanding of how the teaching
professionalization of collaborating teachers was constituted and consolidated, based on
listening, writing and analysis of their life stories.
KEYWORDS: History of Brazilian Education. Teaching Professionalization. Lay Teachers.
Sertão Paraíba.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES y José Wanderley Alves de SOUSA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023105, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introducción
En las últimas décadas, la investigación educativa histórica brasileña se ha fortalecido
significativamente, especialmente en lo que se refiere a los enfoques teórico-metodológicos,
basados principalmente en una historiografía más allá del enfoque positivista. Esta línea
investigativa se centró en la descripción de hechos políticos, a partir del análisis de narrativas
que destacaron especialmente las dimensiones políticas de la vida social, desdibujando otras
posibilidades de lectura y análisis crítico del proceso sociohistórico que también se vincula con
las prácticas educativas.
El giro pragmático de la investigación en la historia de la educación brasileña, en el siglo
XX, pasó a tomar como una de sus bases teórico-metodológicas los fundamentos de la Historia
Cultural, un movimiento historiográfico surgido en Francia en la primera mitad del siglo XX,
que defendía que el tiempo histórico constituye una suma de hechos que pueden ser analizados
bajo enfoques de diferentes métodos y técnicas, dando al investigador la posibilidad de recurrir
a diferentes tipos de fuentes.
Desde este punto de vista, el objeto de estudio del presente trabajo es la comprensión de
cómo se produjo la formación y práctica inicial y continua de las profesoras/docentes laicas que
actuaron en los cuatro primeros grados de la enseñanza primaria en escuelas del Sertão de
Paraíba, entre los años 70 y 80 del siglo XX. Forma parte de la Línea de Investigación en
Historia de la Educación del Programa de Posgrado en Educación de la Universidad Federal de
Sergipe. Se inscribe en el contexto de la historia oral temática, ya que pretende contribuir
esencialmente a registrar hechos inscritos en la memoria, la experiencia y la participación en
los acontecimientos.
La pregunta orientadora de la presente investigación busca comprender: ¿cómo se
produjo la formación inicial y permanente y el desempeño de las profesoras legas de educación
primaria en las escuelas del Sertão de Paraíba entre los años 70 y 80 del siglo XX?
Para el curso de la investigación, como hipótesis para responder a la pregunta de
investigación, a priori, entendemos que la formación de profesoras legas en el Sertão Paraíba
entre los años 70 y 80 del siglo XX se produjo, principalmente, a través del Proyecto Logos II,
y las condiciones de trabajo a las que fueron sometidos estas profesoras reflejaron los problemas
vividos por la política educativa brasileña en este período histórico. marcado por deficiencias
de todo tipo y, principalmente, sometimiento a los dictados de la Dictadura Cívico-Militar.
Desde esta perspectiva, el objetivo general del trabajo es comprender, a través de
memorias de expresión oral, cómo se dio la formación y la práctica de las profesoras legas que
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trabajaron en los cuatro primeros grados de la enseñanza primaria en las escuelas del Sertão de
Paraíba, entre los años 70 y 80 del siglo XX. La demarcación de este recorte histórico-temporal
se justifica porque constituye un período de efervescencia en la creación e implementación de
escuelas públicas en el Sertão de Paraíba y, consecuentemente, por la consolidación y mayor
búsqueda de profesionalización docente.
Comprendemos la relevancia de esta investigación debido a sus contribuciones para la
comprensión histórica de la formación y las prácticas docentes en Paraíba y, consecuentemente,
en la educación brasileña.
La formación de docentes legos: intersecciones entre las políticas públicas nacionales y las
realidades locales
El profesor lego siempre ha estado presente en la historia de la educación pública
brasileña, ya que se crearon varios cursos, programas y proyectos para tratar de erradicar la
enseñanza laica en el país, a lo largo de la carrera profesional de este maestro no calificado,
para que pudiera cumplir con las exigencias de la legislación educativa vigente. Por esta razón,
la historia de la formación docente en Brasil es uno de los temas educativos que permean los
aspectos sociohistóricos, culturales y políticos como uno de los ejes centrales para la
comprensión de las cuestiones nodales que permean la historia de la educación brasileña.
Aunque el término "lego" a veces se considera peyorativo, es decir, extrañamiento o
desconocimiento de una función, actividad, profesión, este era el término utilizado por el
Estado, los líderes educativos, publicado en periódicos, periódicos, incluso utilizado dentro de
la propia escuela. En este sentido, el término lay se toma como:
[...] Cuando examinamos la cuestión del profesor "lego" hoy en día, estamos
sugiriendo claramente que estamos tratando con maestros que desconocen o
ignoran el trabajo que realizan y, lo que es más importante, aquellos maestros
que no tienen la formación básica para enseñar un nivel o grado en particular
(BRASIL, 1990, p. 43, nuestra traducción).
Es importante destacar que con la denominación "profesor lego" nos referimos a
docentes no calificados, profesionales que no contaban con la formación adecuada a través de
la legislación y la exigencia del Estado para llevar a cabo sus actividades, habiendo surgido,
principalmente, para trabajar en áreas en las que había necesidad de maestros para trabajar en
el Magisterio, sin la preparación adecuada para ello, por lo tanto, un diploma para el ejercicio
de la profesión.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES y José Wanderley Alves de SOUSA
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La discusión sobre la problemática del magisterio lego en el proceso de formación y
profesionalización docente es un tema que ha suscitado diversas investigaciones, ya que
corresponde a una parte significativa de la constitución de la educación nacional. En este
sentido, a lo largo del siglo XX, esta discusión estuvo en boga, de manera más acentuada, ya
que: "El problema de los maestros 'legos', desde la década de 1920, ha sido objeto de
preocupación de los 'profesionales de la educación' y surgirá de manera más aguda a fines de la
década de 1940 y, especialmente, en la década de 1960" (BRASIL, 1990, p. 40, nuestra
traducción).
En lo que respecta a la preparación de los docentes, especialmente durante este período,
el Decreto-Ley No. 8.777/46, refiriéndose a la Ley Orgánica de Educación Normal, instituyó el
Examen de Suficiencia, que permitía que el maestro lego fuera aceptado legalmente por el
sistema educativo brasileño, en la forma de "maestro autorizado". En este sentido, Rodrigues
(1985, p. 45) señala que los exámenes de suficiencia deben ser realizados por maestros legos o
candidatos a la docencia a través de Escuelas Normales, Institutos de Educación y Facultades
de Filosofía, con el propósito de acreditar los conocimientos requeridos para la función y
autorizar a dichos maestros, de manera precaria, a poder enseñar en escuelas primarias y
secundarias.
A partir de 1960, la preocupación por tratar de resolver eficazmente el problema de los
profesores legos en la enseñanza se concretó en todo el país, con el surgimiento de políticas
educativas dirigidas a este tema. Durante este período, el Programa de Perfeccionamiento del
Magisterio Primaria (PAMP) fue creado en 1963 por el gobierno federal, con el propósito de
otorgar subsidios para cursos de metodologías de enseñanza dirigidos a la calificación de
profesores legos, a nivel pedagógico, desarrollados directamente durante el período vacacional
e, indirectamente, durante el período escolar, que brindaban la oportunidad de mayores
inversiones para la formación de profesores legos en Brasil.
Los estudios indican que el número de profesores legos o profesores no calificados en
Brasil en 1964 era de un contingente de 127.879 profesores, lo que representa más del 44% del
número total de profesores en la gestión de clases de la escuela primaria. Según la Ley N.º
4.024/61: "Del 44% de los profesores legos, el 71,60% sólo tenía educación primaria (completa
o incompleta); el 13,7% cursaba el bachillerato (completo o incompleto); 14,6%, curso de
bachillerato (completo o incompleto)" (TANURI, 2000, p. 77, nuestra traducción). Por lo tanto,
la mayoría de estos profesores trabajaban en la educación primaria en ese momento con solo la
misma formación (la educación primaria propiamente dicha).
Diálogos introductorios sobre la formación y desempeño de las docentes de primaria en el Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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Tales discusiones revelan que las situaciones de enseñanza laica eran precarias y
requerían un esfuerzo por parte de los docentes, especialmente de los docentes, que se
encargaban, además de enseñar, de otras funciones, como la gestión, la administración y la
política escolar, con todo el trabajo organizativo, funcional, administrativo y pedagógico de la
institución, sin olvidar el doble o triple trabajo que acumulaban en casa. en la escuela y en otras
actividades laborales. Otro aspecto importante se refiere a los bajos salarios, ya que la categoría
de los docentes, incluso entre los graduados, ya recibía salarios insatisfactorios y, en el caso de
los profesores legos, su situación salarial era aún más precaria, con salarios más bajos.
Si bien la Ley N.º 5.692/71 ha suscitado un importante debate sobre el problema del
gran número de docentes legos en el país, especialmente en las zonas rurales, que trabajan en
condiciones precarias de trabajo y de vida, la misma Ley contribuyó a respaldar el concepto de
docente lego contenido en la Ley N.º 4.024/61. Además, se puede observar que tanto la Ley
4.024/61 como la 5.692/71 destacaron una visión urbana de la escuela, al prever exámenes de
suficiencia para que las personas no calificadas ejerzan la profesión (RODRIGUES, 1985, p.
39).
Desde esta perspectiva, a pesar de los movimientos a favor de la cualificación de los
docentes y del desarrollo de proyectos de formación de profesores legos, el problema persistió
en la década de 1980. En este sentido, los numerosos proyectos implementados por el Gobierno
Federal en las zonas rurales de la época, aunque parecían tener un objetivo social explícito a
nivel discursivo, la mayoría de las veces, en la práctica, estaban guiados por objetivos políticos
implícitos (RODRIGUES, 1985).
En Paraíba, a comienzos de los años 70, con el objetivo de implementar escuelas para
atender a estas especificidades, se buscó la implementación de Cursos Normales Regionales.
Durante este período, Paraíba contaba con ocho cursos normales regionales, además de un
Instituto de Educación y siete Escuelas Normales.
Entre las décadas de 1970 y 1990, es fundamental destacar la importancia del Proyecto
Logos II, creado en 1975 por el Gobierno Federal, a través del Ministerio de Educación y
Cultura (MEC), cuyo objetivo principal era formar profesores legos que trabajaban en el aula
en los cuatro primeros grados del 1er grado. Este programa se habilitó legalmente en el nivel
de enseñanza media y enseñanza, en un sistema modular de educación a distancia, que se basó
en el modelo de Educación Complementaria, bajo la responsabilidad del Centro de Educación
Técnica de Brasilia (CETEB).
Rozilene Lopes de Sousa ALVES y José Wanderley Alves de SOUSA
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Para comprender mejor la dimensión del Proyecto LOGOS II, en el contexto de la
formación de profesores legos en Brasil, vale la pena destacar lo que Andrade (1995, p. 19)
destaca, mostrando que, en 1972, en Brasil, cerca de 200 mil maestros legos trabajaban en clases
de los cuatro primeros grados del primer grado. En Paraíba, específicamente, tres mil trescientos
treinta y cuatro maestros eran titulados, y siete mil quinientos veinticinco eran legos.
En este contexto, el Proyecto Logos II fue implementado en varios estados de la
federación, inicialmente en Piauí, Paraíba y Rondônia (entonces Territorio Federal) y,
posteriormente, en otros estados, entre ellos Paraíba. El Proyecto LOGOS II estuvo bajo la
responsabilidad del Gobierno Federal hasta 1981. De 1979 a 1981, LOGOS II formó parte de
la Subsecretaría de Educación Suplementaria del Ministerio de Educación. A partir de 1982,
pasó a ser responsabilidad de los Departamentos de Educación de los Estados donde se
implementó.
Cabe destacar que la instalación de LOGOS II en los estados del Norte y Nordeste se
debió principalmente a la alta tasa de analfabetismo en estas regiones, además de las precarias
condiciones de enseñanza. Partiendo del supuesto de que el Proyecto LOGOS II fue creado para
formar al gran contingente de profesores legos, también tenía la atribución de mejorar el
LOGOS I y cumplir con las disposiciones de la Ley 5.692/71, cuyo objetivo era ampliar la
enseñanza y reducir la deserción escolar, lo que se debía, en parte, a la falta de cualificación de
los docentes y a la falta de condiciones en las escuelas.
También es importante destacar que, si el Proyecto Logos II tenía como propuesta el
estudio personalizado e individualizado, al tener un alcance nacional, terminó dificultando a los
equipos la elaboración de material capaz de cumplir con las especificidades requeridas. Uno de
los principales problemas señalados por el programa fue la falta de conexión entre el curso y
los problemas experimentados por el profesor que trabajaba en zonas rurales, en pequeños
centros urbanos, ya que no contribuía a que el estudiante de Logos II "fuera más consciente de
su papel como agente de transformación social" (GONDIM, 1982, p. 171, nuestra traducción).
El camino metodológico seguido
El marco teórico adoptado para este trabajo se basa en estudios sobre Historia y
Memoria, basados principalmente en los estudios de Burke (1992), Le Goff (1998), Bosi
(1994). Esboza aspectos históricos de la formación docente en Brasil, a partir de Guiraldelli
Júnior (2006), Saviani (2009), Tanuri (2000), entre otros estudios. Aborda la formación y el
Diálogos introductorios sobre la formación y desempeño de las docentes de primaria en el Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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desempeño de los docentes en el estado de Paraíba, a partir de Andrade (1995), Araújo (2010),
Gouveia (2019), Pinheiro (2002).
La base metodológica para la recolección y análisis de datos se basa principalmente en
la perspectiva de la Investigación Narrativa, especialmente desde la perspectiva de Clandinin y
Connely (2011, p. 20, nuestra traducción), quienes definen la investigación narrativa como "[...]
una forma de entender la experiencia", en un proceso colaborativo entre investigador e
investigado. Comúnmente, este tipo de investigación consiste en recopilar historias sobre un
tema determinado, de manera que el investigador pueda recopilar información para comprender
un determinado fenómeno. Así, los relatos pueden obtenerse a través de diversos métodos:
entrevistas, diarios, autobiografías, registro de narraciones orales, narraciones escritas y notas
de campo.
La principal fuente de recolección de datos para el estudio que aquí se presenta es la
narración oral, a través de entrevistas grabadas con los sujetos de investigación y transcritas a
posteriori para los análisis adecuados, es decir, la producción de la fuente a través de la
textualización de lo oral a lo escrito. Sin embargo, la entrevista no es la única fuente, también
se utilizan otras como formas de ampliar la mirada, entrecruzándose con las narrativas de los
sujetos para contextualizar los discursos, como documentos oficiales y colecciones privadas,
como fotografías y materiales de trabajo.
Aquí denominamos a los sujetos de investigación como docentes colaboradores,
reiterando lo que afirman Meihy y Holanda (2007, p. 20-21, nuestra traducción) cuando
definen que: "El entrevistador y el entrevistado, en la situación de entrevista, deben reconocerse
mutuamente como colaboradores. Debido a que la participación es espontánea, ambas partes
deben mantener una cómoda posibilidad para el establecimiento de la entrevista". (grifo de los
autores)
En este sentido, la historia oral temática (MEIHY; SEAWRIGHT, 2020) se toma como
principal recurso metodológico para escuchar y escribir los relatos de los docentes
colaboradores. Este tipo de enfoque ha sido adoptado como recurso expresivo en el campo de
la Nueva Historia, porque permite la reconstrucción de experiencias pasadas de grupos sociales
excluidos, dando la posibilidad de registrar, oficial o no, sus acciones y vidas. La historia oral
se presenta, por tanto, como la posibilidad de llenar los vacíos dejados por la historia
tradicional, presentando el estudio de temas y hechos históricos que no se consideraban
importantes. El objetivo no es escribir otro tipo de historia, diferente a la que utiliza fuentes
escritas, sino escribir una historia más amplia y completa. Esto se debe a que:
Rozilene Lopes de Sousa ALVES y José Wanderley Alves de SOUSA
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[...] Las fuentes orales no son una alternativa a las fuentes escritas; Son otro
tipo de fuente, no solo necesaria, sino esencial para hacer história,
atribuyendo a las fuentes orales un papel importante en la búsqueda de
histórias silenciadas y marginadas, además de posibilitar la comprensión de
situaciones que no han sido suficientemente estudiadas a lo largo de la história
(ALCÀZAR I GARRIDO, 1992, p. 36, nuestra traducción).
La presente investigación asume, a través de estas vías, la perspectiva de la investigación
documental porque utiliza, especialmente, memorias de expresión oral de docentes, recogidas
de los colaboradores, a través de entrevistas grabadas y, posteriormente, transcritas y analizadas.
Sostenemos, a través de la adopción de este sesgo metodológico, que la comprensión de la
práctica y el desempeño docente, a partir de las memorias de expresión oral de los docentes,
permite la intersección de hechos pasados y presentes. Vemos en estas memorias la posibilidad
de (re)escribir la historia de la formación profesional, posibilitando el análisis, la comprensión
y la interpretación de realidades vividas y compartidas socialmente, a partir del ejercicio de la
docencia.
Las colecciones de las escuelas en las que se formaron y trabajaron los docentes
colaboradores también fueron documentos indispensables para esta investigación, tales como
documentos estandarizadores de creación, estructuración y funcionamiento de las escuelas en
cuestión, actas, libros de matrícula, anuarios, programas de disciplina, diarios personales,
fotografías, entre otros. De estas colecciones, presentamos aquí, principalmente, las entrevistas
inicialmente grabadas y, posteriormente, transcritas y analizadas, fotografías, ilustración de
materiales formativos.
Con el objetivo de delinear mejor las bases conceptuales y metodológicas del presente
trabajo, se realizó una investigación en las Bases de Datos de Tesis y Disertaciones de los
Programas de Posgrado en Educación de la Universidad Federal de Paraíba (UFPB-PPGE) y
de la Universidad Federal de Sergipe (UFS-PPGED). Se recogieron disertaciones y tesis que
abordan la historia de la profesión docente inscrita en las trayectorias de formación y práctica
docente entre los años 70 y 80 del siglo XX, y de estas, cinco abordan directamente las
memorias de los docentes legos. Dichos estudios dialogan con el tema cercano al objeto de
investigación que hemos esbozado para la construcción del presente trabajo, ya que utilizan
conceptos clave similares para comprender el objeto de estudio aquí propuesto.
Para sistematizar los datos recolectados a partir de estos estudios, se eligieron los
siguientes criterios: búsqueda en las bases de datos a través del juego descriptor historia de
la profesión docente; trayectoria de los docentes; formación docente; historia y memoria de la
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profesión docente, tabulación de los trabajos seleccionados, presentación del tema, año de
defensa, autor y naturaleza del trabajo (Disertación o Tesis); A partir de la selección de las obras,
se procedió a organizar las producciones, descartando aquellas que no eran de interés.
A partir de la temática estudiada, se seleccionaron como universo de búsqueda los
trabajos que evidenciaron, en su nomenclatura, una aproximación con el objeto de estudio:
historia de la profesión docente y trayectoria de los docentes. Se leyeron los resúmenes de los
trabajos registrados y catalogados, los cuales, si bien no abordan específicamente el tema,
presentan, en cierta medida, aspectos que se asemejan a la presente investigación, ya sea por el
enfoque en trayectorias y memorias de formación y práctica docente, o por el marco teórico
asumido.
Después de este relevamiento de trabajos ya producidos sobre el tema en cuestión,
avalamos como locus específico para el desarrollo de la presente investigación a las
instituciones escolares de formación para la enseñanza de primer grado ubicadas en el Sertão
de Paraíba, además de las escuelas de acción de los profesores colaboradores de esta
investigación.
Justificamos la demarcación del recorte histórico-temporal, entre los años 70 y 80 del
siglo XX, porque constituyó un período de efervescencia de creación e implementación de
escuelas públicas en el Sertão de Paraíba y, consecuentemente, por la consolidación y búsqueda
de la profesionalización docente, ya que la formación de docentes en Brasil era incómoda.
debido a los cambios en la legislación educativa y a las altas tasas de enseñanza laica
El conjunto de profesores colaboradores delimitados para la recolección de datos se
constituyó teniendo como criterio principal el ejercicio de la enseñanza, en escuelas ubicadas
en el Sertão de Paraíba, entre los años 70 y 80 del siglo XX.
Profesora Judite Lourenço de Araújo (JLA) - nació en São João do Rio do
Peixe (antes Antenor Navarro), el 20 de octubre de 1928. Asistió a la escuela primaria en la
misma ciudad. Comenzó su carrera docente en Cajazeiras, en 1943, cuando realizaba la
Admisión (estudios de transición entre Primaria y Bachillerato). Comenzó a trabajar en São
José da Lagoa Tapada el 27 de enero de 1956, en el área urbana del municipio. En 1962
comenzó a trabajar en el Sítio Lagoa Comprida, donde permaneció hasta su jubilación en 1978.
Profesora Denizia Gomes de (DGS) - nació en São José da Lagoa Tapada,
el 15 de marzo de 1948. Cursó sus estudios primarios y secundarios en la ciudad de Sousa - PB.
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En 1969 se incorporó al sistema escolar estatal de Paraíba como maestra de enseñanza primaria,
cargo que ocupó hasta 1993, cuando solicitó la jubilación. Durante el ejercicio de la docencia,
cursó y culminó la educación de Grado, vía curso complementario, a través del Proyecto
LOGOS II, obteniendo el tulo de maestra de educación de primer grado. De los profesores
colaboradores en esta investigación, ella fue la única que completó un curso de educación
superior: Licenciatura en Geografía, en el Centro de Formación de Profesores de la Universidad
Federal de Paraíba Campus de Cajazeiras. A lo largo de su carrera docente, trabajó en el
Grupo Escolar Genésio Araújo, en la ciudad de São José da Lagoa Tapada-PB.
La profesora Maria das Dores Araújo (MDA) - nació en São José da Lagoa
Tapada, el 15 de octubre de 1949. Estudió la Escuela Primaria en São José da Lagoa Tapada y
la Escuela Secundaria integrada con el Técnico de Contabilidad en la ciudad de Coremas PB.
También realizó el Proyecto LOGOS II, obteniendo el título de maestra de primaria. De 1982
a 2007 fue maestra del primer grado del Grupo Escolar Genésio Araújo.
Profesora Francisca Alexandrino de Sousa (FAS) - nació en São José da
Lagoa Tapada, el 26 de agosto de 1939. Ingresó a la profesión docente a la edad de 23 años,
graduándose en el quinto año de la escuela secundaria. Después de 13 años de práctica como
maestra laica, completó la educación de Grado, vía curso complementario, a través del
Proyecto LOGOS II, estando capacitada para el ejercicio del Magisterio. Fue maestra de
enseñanza primaria en el sistema escolar estatal con el Grupo Escolar de Várzea dos Martins,
en el área rural de São José da Lagoa Tapada.
Con la definición de los colaboradores de la investigación, en marzo de 2022 iniciamos
la ruta investigativa, y optamos por realizar entrevistas a profesoras legas. El Sertão de Paraíba
fue definido como un espacio geográfico que servía para escuchar a estos maestros. Adoptando
la metodología de Historia Oral, realizamos entrevistas a los colaboradores entre septiembre de
2022 y enero de 2023 en los domicilios de los entrevistados.
Fueron entrevistadas las cuatro profesoras presentadas anteriormente: las profesoras
Judite Lourenço de Araújo, Denízia Gomes de Sá, Maria das Dores Araújo y Francisca
Alexandrino de Sousa. Cabe mencionar que la elección específica de los colaboradores,
enumerada anteriormente, se debió al conocimiento por parte de la investigadora de que estos
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profesores se graduaron y enseñaron en las escuelas mencionadas y al aceptar la invitación
inicial para que colaboraran en el desarrollo de la investigación aquí presentada.
Es importante destacar que el número de cuatro colaboradores se definió con base en
las condiciones de transcripción y análisis de las entrevistas grabadas, transcritas y, a posteriori,
analizadas para la comprensión del objeto de estudio de la investigación en cuestión: la
trayectoria de la formación y desempeño de los docentes de enseñanza básica, con el fin de
comprender los aspectos de la profesión docente y el profesionalismo. a partir de la
comprensión de la trayectoria profesional de los docentes del Sertão de Paraíba y sus
actuaciones en la educación primaria, en el período comprendido entre los años 70 y 80 del
siglo XX.
Así, para realizar las entrevistas a los docentes colaboradores, se utilizó una "pregunta
de corte", con el fin de marcar en las narrativas de todos los colaboradores "[...] los motivos,
contextos, razones y circunstancias" que marcaron la formación y la práctica en la docencia en
el período y locus investigados (MEIHY; SEAWRIGHT, 2020, p. 47, nuestra traducción).
Desde esta perspectiva, orientamos nuestras entrevistas por la siguiente "pregunta de corte" a
los colaboradores: ¿Cómo se dio su formación y trabajo como docentes en el Sertão de Paraíba
entre los años 70 y 80?
En este sentido, se utilizaron tres momentos para la realización de la entrevista y,
consecuentemente, de la recolección de datos: la "preentrevista", como condición preparatoria
para la grabación, que consistirá en el contacto y selección de los colaboradores y la selección
y prueba de los materiales a ser utilizados para la recolección de datos. Para ello, inicialmente,
se presentaron de forma simplificada las intenciones, objetivos y procedimientos para la
realización de la investigación, permitiendo a los colaboradores decidir si participar o no en la
investigación.
El "postentrevista" consiste en los procedimientos de materialización, verificación de
los textos grabados con los colaboradores y la debida autorización para el uso y publicación de
los datos a través de la "carta de cesión" de derechos de autor, de acuerdo con los términos
expresados en el proyecto presentado y aprobado por el Comité de Ética del Centro de
Formación Docente de la Universidad Federal de Campina Grande. vinculado a Plataforma
Brasil
3
. Sólo después de la constitución del corpus documental se desarrollaron los análisis de
las entrevistas.
Las narraciones fueron cruzadas con otros documentos oficiales, como normas,
3
Parecer CPE-CPE-UFCG 6.035.150, de 22 de agosto de 2022.
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cuadernos y fotografías, buscando establecer conexiones entre lo recordado/vivido y lo
guardado/documentado, así como archivos personales, fotografías que albergan la memoria de
la formación y el desempeño docente en el período estudiado.
Las entrevistas grabadas y transcritas constituyeron una base documental para
comprender la trayectoria profesional de los docentes colaboradores, sus procesos formativos a
lo largo del ejercicio de la profesión y las relaciones que establecieron con las comunidades en
las que trabajaron; los conocimientos construidos en relación al trabajo cotidiano, las estrategias
elaboradas para superar las dificultades y el papel que desempeñaron en el proceso de
escolarización de la población de estos municipios en el período abordado. El análisis
bibliográfico y documental relevante para la realización del trabajo también fue parte integral
de la metodología.
Después de las transcripciones de las entrevistas, se realizó el tratamiento de
textualización de la fuente oral para la escritura de manera que pudiéramos tener este
documento para su análisis. Ya debidamente transcritos, en una tercera reunión, en marzo de
2023, los textos fueron presentados a los colaboradores para su aprobación y firma de las cartas
de cesión de derechos de uso de la información para esta investigación.
En términos generales, todos los docentes entrevistados ven su rol en la Educación en
los espacios en los que trabajaron y entienden que sus discursos servirán para contribuir y
perpetuar la historia de la profesión docente de la que forman parte. En este sentido, en el
contexto de este trabajo, elegimos la Historia Oral Temática, ya que esta modalidad es la que
más se acerca a las expectativas académicas que fusionan la Historia Oral con la documentación
convencional. Es decir, el carácter documental se debe a las entrevistas, que constituyen el hilo
conductor de este tipo de abordajes.
El camino metodológico trazado nos permitió comprender que la investigación
académica, para nosotros, especialmente en el campo de la Historia de la Educación, requiere
cuidado y cautela en el tratamiento de las fuentes. Es sabido que ya se ha ampliado mucho con
relación a lo que puede ser utilizado como fuente para el análisis de un estudio historiográfico.
Entendemos, por lo tanto, que el estudio de la carrera docente favorece la comprensión
de cómo se desarrolló el curso de formación y desempeño profesional de los docentes de los
cuatro primeros grados del primer grado de las escuelas del Sertão de Paraíba. Es posible, sobre
todo, comprender que las historias vividas en la educación local por los colaboradores pueden
cruzarse con la historia educativa brasileña y permitirnos reflexionar sobre la estructuración del
campo educativo brasileño a lo largo de su historia.
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De esta forma, fue posible analizar el proceso de escolarización de los docentes, y hacer
un cruce de las narrativas, en una perspectiva diacrónica, con la historia de la educación y la
expansión de la escuela primaria en Brasil, pero también sincrónica, buscando comprender ese
momento específico vivido por ellos en ese lugar. Es decir, cuando hablan de la escuela, del
maestro, de las condiciones en las que estudiaron, ¿qué significa esto para ellos en sus
recuerdos? Estos relatos del pasado ya no son el pasado en sí, sino una reconstrucción de la
memoria en la que hay una selección de lo que salió a la superficie, un olvido necesario, porque
recordar el pasado para otro significa tomar decisiones pensando en lo que este otro quiere o
puede escuchar, compartir estos recuerdos.
Entre cuentos y recuerdos, los significados de "ser profesora"
La Historia de la Educación vive en la memoria de los docentes que, a diario, se
involucran con alegrías, logros, dificultades y aspiraciones de la profesión, cuando enfrentan
desafíos en sus prácticas pedagógicas, para los cuales muchas veces no están preparados. Por
todo ello, es fundamental acercarse y escuchar lo que tienen que decirnos, como ilustra Freitas
(2000, p. 12, nuestra traducción):
Así, a medida que cuentan sus historias, descubrimos un nuevo significado en
las calles, en los edificios, en las rejas de las ventanas, en las fachadas de las
escuelas [...]. Estas voces se multiplican a partir de las voces de los narradores
que encuentran en sus recuerdos, a otras personas que han transitado en estos
escenarios, dándoles nuevos significados.
El fragmento analítico que aquí se presenta nos avala el privilegio de escuchar y escribir
de los sensibles, que marcó la profesión elegida por los narradores, que fue y es algo de gran
protagonismo en sus vidas. Asumen, en esencia, ser MUJERES Y PROFESORAS, es decir, la
profesión las caracteriza fuertemente como símbolo de empoderamiento femenino.
El inicio de la carrera es caracterizado por los maestros narradores como un momento
en el que se les ofreció la "oportunidad" y el logro a través de sus esfuerzos por enseñar. La
elección de la docencia significó para ellos el inicio de una profesión muy deseada, además del
logro de la independencia económica.
De acuerdo con Assunção (1996, p. 14, nuestra traducción), cuando el "discurso de la
vocación" se presenta como absoluto, otros callan, porque es concluyente, trae la idea de algo
innato, de una fuerza interna que guía a las personas a una determinada profesión. Sin embargo,
lo que se puede observar en el relato de los docentes colaboradores de este estudio es que el
"querer ser docente", si en un primer momento se presenta como una vocación, a posteriori, se
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expande, como "un deseo" influenciado por cuestiones externas, por decisiones propias que
contradicen otros "proyectos de vida" que fueron diseñados para ellos por la familia,
principalmente. En este caso, la decisión de trabajar como docente se caracteriza como una
vocación, pero va más allá de esta concepción, tal y como nos cuentan los profesores
colaboradores
El comandante Jacob era el jefe político de Antenor, y le prometió a papá que
me conseguiría un trato [...]. Luego me prometió conseguirme un trato. Tanto
es así que cuando lo hizo yo no tenía la edad suficiente, así que aumentaron
(JUDITE LOURENÇO DE ARAUJO, 2022, nuestra traducción).
Cuando regresé a São José con el Gimnasio, hubo un proceso de selección en
el Centro de Formación de Profesores de Sousa. Era una preparación para
las profesoras legas. Mi padre me consiguió un lugar en 1965 de los políticos
de la región [...]. Cuando terminamos, mi clase de NOVENTA Y SEIS
ALUMNOS, en 1969, invitamos al gobernador de Paraíba, João Agripino, a
ser el padrino de la clase [...] y en el discurso dijo que el profesor que había
terminado el curso podía buscarlo y él lo nombraría para enseñar en el estado
[...]. Mi nombramiento se oficializó el 20 de noviembre de 1969, por
nominación, para trabajar en el Grupo Genésio Araújo, aquí en São José, que
se inauguraba [...]. Esta nominación fue muy importante, porque estaba
empezando a ganar mi propio dinero (DENIZIA GOMES DE SA, 2022,
nuestra traducción).
Siempre quise ser maestra. Creo que cuando nacemos, nacemos con eso es
cómo puedo decir [...] con vocación, porque me costó mucho estudiar, porque
vivía en una hacienda, muy lejos de aquí en São José, aun así, tenía la
intención de ser maestra (MARIA DAS DORES ARAUJO, 2023, nuestra
traducción).
TENÍA MUCHAS GANAS DE SER MAESTRA PORQUE QUERÍA
ESTUDIAR, estaba estudiando no sabía ni para qué, qué quería ser, así que
lo elegí, que era enseñar para ser respetada en la ciudad (FRANCISCA
ALEXANDRINO DE SOUSA, 2023, nuestra traducción).
Las historias de vida analizadas permiten percibir una diversidad de razones que
llevaron a los narradores a elegir la profesión docente. Si, en las narrativas analizadas, los
docentes asumen la docencia como una "vocación", percibimos que esta elección profesional
sufrió influencias externas que motivaron el sentimiento de "querer" ejercer la profesión
docente, tales como: la buena experiencia escolar en la infancia, la influencia familiar, la
indicación por parte de políticos influyentes de la época, además de la representación social de
la profesión docente, es decir, el estatus social.
Las razones que conducen al desempeño de la profesión docente varían, como explica
Gonçalves (1992, p. 162, nuestra traducción):
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Los estudios han demostrado que existen múltiples razones por las que se elige
la docencia como profesión, con factores materiales y estrictamente
profesionales que contribuyen a esta decisión. Ambos aspectos están siempre
presentes en la elección de la carrera, y el predominio de uno sobre el otro es
el resultado de condiciones individuales y circunstanciales.
Se puede apreciar a partir de las narrativas de los docentes colaboradores, al mismo
tiempo que demostraron el deseo de ejercer la profesión docente desde temprana edad, también
revelan las razones que los influyeron para "soñar con ser docentes". Gonçalves (1992), al
abordar el tema a partir de un estudio realizado con 32 maestros de enseñanza primaria a través
de entrevistas, hace la siguiente observación:
Los maestros cuya "vocación" los llevó a elegir una carrera en la educación
primaria dijeron que en su decisión de elegir el "soñar siempre con ser
maestros", "el gusto por la profesión" y el "gusto por trabajar con niños" pesaron
en su decisión de elegir. Como se puede ver fácilmente, son razones subjetivas
las que determinan la elección profesional, correspondiente a un determinado
imaginario personal y social, que puede haber inducido a esta profesión, más
que una motivación intrínseca. El resto continuó su carrera docente en la
educación primaria, principalmente por la "falta de otras alternativas
profesionales" o por "razones económicas" (GONÇALVES, 1992, p. 163,
nuestra traducción).
Así, es posible observar una aproximación del estudio de la autora con las entrevistas
analizadas en cuanto a los motivos que influyeron en estos cuatro docentes para desear la
profesión docente, ya que los discursos van desde la "vocación" hasta el "sueño fomentado",
expresándose a veces explícitamente, a veces implícitamente, a través de sus narrativas.
Los colaboradores del presente estudio también avalan que la profesión docente,
especialmente para las mujeres, abrió la perspectiva de una actividad remunerada que posibilitó
la independencia financiera. Así, en algunos casos, la carrera docente se convirtió, para quienes
vivían en zonas rurales, en la posibilidad de seguir un camino distinto al trabajo agrícola. Para
quienes vivían en el área urbana, ingresar al mercado laboral tampoco fue una tarea fácil. Esto
es lo que revelan las narrativas analizadas:
Cuando daba clases en el MOBRAL, el dinero no alcanzaba para nada, solo
podías comprar sardinas, comprarlas y llevártelas a casa (risas). Los
maestros no eran valorados. Entonces Zé Almir dijo que más tarde me daría
algo mejor y me sacó de la docencia (/). Solo valoran a la gente de fuera, y ni
siquiera han dado empleo (JUDITE LOURENÇO DE ARAUJO, 2022,
nuestra traducción).
Mi nombramiento se oficializó el 20 de noviembre de 1969, por nominación,
para trabajar en el Grupo Genésio Araújo, aquí en São José, que se estaba
abriendo. Este nombramiento fue muy importante, porque yo estaba
Rozilene Lopes de Sousa ALVES y José Wanderley Alves de SOUSA
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empezando a ganar mi propio dinero, porque mi padre y mi madre no
estudiaban y él, principalmente, MI PADRE, me dio las condiciones para
estudiar, incluso estudiando en casa de mis primos (+) (DENIZIA GOMES
DE SÁ, 2022, nuestra traducción).
Antes de ser contratada por el Gobierno, pasé un año como voluntaria,
convocada por María Marques y ella me recompensó por ayudar con el
trabajo, hizo una cuota y me gratificó para ayudar con los estudiantes. A
continuación, el Sr. José Almir conversó con el Diputado (+) ESE CORTO,
Soares Madruga (MARIA DAS DORES ARAUJO, 2023, nuestra traducción).
Me gustaba mucho el dinero, ser profesora, pero me gustaba más el dinero
(risas), me alcanzaba para vivir, me servía para sobrevivir, también me
gustaba ser profesora, pero me gustaba más el dinero que estoy sobreviviendo
hasta el día de hoy. Y en esa época era difícil para una mujer conseguir
trabajo, yo lleg antes que Judith (FRANCISCA ALEXANDRINO DE
SOUSA, 2023, nuestra traducción).
Así, entrar en una profesión sin necesidad de preparación previa, es decir, sin formación
específica, y que aun así ofrecía cierto prestigio social, se convirtió en una buena opción
profesional. Como considera Alencar (1993, p. 187, nuestra traducción), al referirse
específicamente a las profesoras laicas:
Objetivamente, una mujer joven o ama de casa solicita el puesto de maestra
para satisfacer, fundamentalmente, una doble necesidad: una de carácter
económico, consciente, individual; el otro de carácter social, colectivo,
culturalmente sentido, aunque no explicado. Profesionalmente no cualificado,
acepta pasivamente las condiciones que se le proponen e imponen.
Con respecto a la feminización del magisterio, Almeida (1998), al abordar este tema,
observa que entre finales del siglo XIX y el siglo XX se produjo una importante entrada de
mujeres en la docencia, justificada inicialmente por el aumento cuantitativo en el campo
educativo. El discurso ideológico que siguió a esta feminización de la enseñanza estuvo
constituido por el hecho de que la enseñanza estaba vinculada a las ideas de domesticidad y
maternidad. Así, el cuidado de los hijos y la educación era una misión femenina, por lo que el
magisterio demostró ser un lugar femenino por excelencia. El autor afirma además que:
Los atributos del matrimonio, la domesticidad y la maternidad continuaron
siendo un aval para el ejercicio de la enseñanza por parte de las mujeres a
través de las visiones masculinas (y también algunas femeninas), provenientes
de sectores sociales, políticos y oficiales que dictaban las normas vigentes en
ese momento. La concepción de la maternidad y el énfasis en ser femenina en
el cuidado de los hijos permitieron indirectamente el tránsito de las mujeres
del espacio doméstico al público (ALMEIDA, 1998, p. 118, nuestra
traducción).
De acuerdo con el diseño de la Ley, la madre y la maestra debían instruir en la formación
Diálogos introductorios sobre la formación y desempeño de las docentes de primaria en el Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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de valores morales: el papel de madre le permitía desarrollar la maternidad cívica, función
pública ejercida en el hogar. El espacio escolar, por otro lado, debe ser un espacio para el trabajo
asalariado fuera del hogar. Pensando desde esta perspectiva, Almeida (1998, p. 62, nuestra
traducción) señala que:
Se entiende que el ejercicio de la docencia representaba una extensión de las
funciones maternas y que la instrucción y educación de los hijos se
consideraba aceptable para las mujeres: en ese momento el trabajo más
atractivo para las mujeres alfabetizadas de clase media (...) ser maestra en
opinión de gran parte de la sociedad (...) era la profesión ideal (...).
A partir de entonces, la profesión del magisterio se convierte, como deber, en un
sacerdocio, y la mujer educadora, en una escultora de carácter, ya que, en teoría, la paciencia,
el afecto y el sentimiento son propios del alma femenina. De acuerdo con Louro (2007), al
analizar estas representaciones, no solo se están analizando indicios de una posición femenina,
sino que se está observando directamente un proceso social a través del cual se produce una
posición determinada. La profesión de la enseñanza, al estar por tanto feminizada, sirvió para
adoctrinar el carácter de los niños en los primeros años, como atestiguan los narradores:
Nadie sabía leer, escribir ni rezar. Un chico de 16 años que no sabía hacer la
señal de la cruz (+). También en este caso se trataba de un descuido por parte
de los padres (JUDITE LOURENÇO DE ARAUJO, 2022, nuestra
traducción).
El estudiante era bueno, estaba interesado, no tenía esa facilidad. Era una
enseñanza rígida, tenía que hacer los deberes, o me castigaban. Y la relación
entre los alumnos era muy buena, participaban los padres, no teníamos estas
reuniones como hoy, pero siempre que nos encontraban en la calle nos
preguntaban por su hijo, por su comportamiento. Si el hijo peleaba, nos decía
que lo castigáramos. El padre que no cuidó a su hijo pendenciero, al año
siguiente, la escuela ya no lo aceptaría. Y luego me quedé sin escuela
(DENIZIA GOMES DE SÁ, 2022, nuestra traducción).
En ese momento las aulas eran enormes y los estudiantes eran respetuosos.
Su familia también respetaba a la maestra [...]. Y ahí nos enfocamos mucho
en ese alumno si tenía dificultad en esta parte [...]. Este estímulo para
descubrir el interés del niño proviene del maestro. No todos los profesores se
preocupaban por observar el interés del alumno. Era mucho de cada profesor,
no era de cada profesor el que tenía esta atención al alumno [...] Yo (+)
que no, creo que hice mi parte (MARIA DAS DORES ARAUJO, 2023,
nuestra traducción).
Ellos querían estudiar, yo seguía la vida de los alumnos dentro y fuera del
aula, tenía orden, mi hija (+) yo hacía de todo, cocinaba, limpiaba, por eso
sabía de todo. Y yo sabía cuándo ellos estaban avanzando, yo sabía cuándo
yo arañaba la pared y la apagaba. El estudiante fue entrenado para tener una
carrera, decid [...]. Es, en el futuro, qué carrera quería seguir
Rozilene Lopes de Sousa ALVES y José Wanderley Alves de SOUSA
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(FRANCISCA ALEXANDRINO DE SOUSA, 2023, nuestra traducción).
Así, ser maestra se consagró, como dicen las narradoras, a lo largo de las décadas, en la
posibilidad de un ejercicio profesional ligado a la misión de las mujeres como educadoras. De
esta manera, las mujeres se convirtieron en profesionales sin desviarse de su vocación materna.
También es fundamental destacar que el ingreso en la enseñanza primaria, tal y como
narran los profesores colaboradores de este estudio, se recuerda con gran ilusión y orgullo. El
inicio profesional estuvo marcado por el hecho de que no tenían formación pedagógica, pero
también por cuestiones relacionadas con "ser mujer". En general, estos docentes buscaron en la
carrera docente el cumplimiento de la "misión materna", combinada con la posibilidad de
profesionalizarse. Desde este punto de vista, corroboramos lo que afirma Almeida (1998, p. 94,
nuestra traducción):
Los testimonios de los docentes nos permitieron recuperar fragmentos de su
historia y de la historia de su profesión que no agotan lo mucho que aún queda
por contar sobre ellos y para ellos. Esta memoria mostraba a mujeres
comprometidas con el desempeño de un trabajo en el que el gusto por los hijos,
el amor por la profesión, la vocación, las cualidades proclamadas por el
discurso social y por el poder público, no se desprendían de la competencia
necesaria para su desempeño. La recuperación de sus recuerdos significó
desvelar la vida de las mujeres del pasado y de toda una categoría profesional.
Las narrativas de las docentes tomadas como materia prima para la realización de
nuestra investigación demuestran que crearon, en la cotidianidad de sus prácticas, nuevas
formas de registrar y comprender a sus estudiantes, resignificando el desempeño. Revestidos
de afecto y del "poder de autoridad" que concebían tener, además del reduccionismo de las
exigencias oficiales exacerbadas, veían en sus estudiantes, aquellos que buscaban el
conocimiento a través de sus prácticas docentes, una existencia propia, ya que vivían, y también
aprendían, en los más diversos contextos cotidianos que experimentaban. No solo actuaron
como repetidores de los métodos y técnicas de enseñanza vigentes en el momento en que
impartieron enseñanza, sino que crearon y recrearon formas de estar en el espacio escolar, a
pesar de las muchas limitaciones y dificultades enfrentadas.
Esta dimensión de la enseñanza inscrita en la memoria de los docentes colaboradores
nos permite ver que las experiencias compartidas por ellos mueven las relaciones humanas
como materia prima para transformaciones sociales, políticas, económicas y culturales, a partir
de contextos y prácticas educativas. Estas experiencias compartidas permiten comprender que
las relaciones que establecen, a partir de la enseñanza, con los estudiantes y la comunidad en
general, mueven la praxis cotidiana entre asignaturas hacia las transformaciones que son
Diálogos introductorios sobre la formación y desempeño de las docentes de primaria en el Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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indispensables para el aseguramiento de la ciudadanía.
Conclusión
La comprensión de la práctica docente a partir de las memorias de expresión oral de los
docentes, como la que aquí se presenta, permite la intersección de hechos pasados y presentes.
Vemos en estas memorias, por lo tanto, la posibilidad de (re)escribir la historia de la formación
profesional, posibilitando el análisis, la comprensión y la interpretación de realidades vividas y
compartidas socialmente, especialmente a través del ejercicio de la docencia.
Estas memorias no derivan de relatos aislados, ya que son relatos singulares, en los que
el sujeto es concebido como una figura histórico-discursiva producida por los archivos que
derivan de/a través del lenguaje. Son historias construidas a partir de la práctica cotidiana, la
colaboración, las experiencias compartidas, la participación en diversas actividades, la toma de
decisiones y el desarrollo de responsabilidades sociales y políticas. Se trata de relaciones
sociales que se establecen, a partir de las condiciones concretas de trabajo de la época, situando
sus voces en relación con el sentido y la significación que se les da a su propio trabajo y al
contexto histórico, político y económico en el que se insertaron.
A través de las narrativas, es posible construir relatos singulares, que se entrecruzan con
las memorias colectivas. Los relatos construidos en la práctica de la vida cotidiana, en la
colaboración de estos sujetos, en las experiencias compartidas, en la participación en diversas
actividades, en la toma de decisiones y en el desarrollo de responsabilidades sociales y políticas,
pueden producir acontecimientos históricos, que serán consolidados y ampliados por estos
narradores particulares, que tejen el relato, dibujando las representaciones sociales.
Nos damos cuenta, por tanto, de que es posible comprender el hilo conductor de la
profesión docente escuchando y analizando las voces de estos sujetos singulares, en este caso
los docentes colaboradores de esta investigación, a partir de la comprensión de los problemas
y perspectivas inscritos en la formación y práctica de estos docentes.
A través del bordado de las historias de vida de "estos maestros" vemos que, a través de
los hilos de la memoria, es posible tejer el encuentro entre el pasado y el presente. Rescatar sus
voces, la mayoría de las veces, silenciadas por la historia "oficial" de la educación brasileña, es
refrendar que escuchar y escribir esas historias comunes, que no forman parte de los tratados
históricos, es necesario para conocer sus importantes contribuciones para el conocimiento de
momentos significativos en las trayectorias de formación y actuación de las profesoras legas en
Rozilene Lopes de Sousa ALVES y José Wanderley Alves de SOUSA
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el Sertão de Paraíba. que no pueden ser ignorados en acciones que se centran en los problemas
y perspectivas de un proyecto educativo brasileño que se basa, sobre todo, en estudios de
carácter histórico.
Es necesario, por lo tanto, rescatar estas narrativas singulares, para refrendar la
contribución que los docentes brasileños, de las más diversas regiones del país, han hecho al
diseño de un modelo educativo nacional indispensable para la educación ciudadana, tan deseada
por todos nosotros.
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CRediT Author Statement
Reconocimientos: No se aplica.
Financiación: No aplicable.
Conflictos de intereses: Los autores declaran que no existen conflictos de intereses.
Aprobación ética: Dictamen-CPE-UFCG 6.035.150, de 22 de agosto de 2022.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Contribuciones de los autores: Alves, R. L. S.: concepción y diseño, adquisición de datos,
análisis e interpretación de datos, redacción de artículos y revisión crítica de contenidos
intelectuales importantes; Sousa, J.W.A.: concepción y diseño, adquisición de datos,
análisis e interpretación de datos, redacción de artículos y revisión crítica de contenidos
intelectuales importantes. Los autores leyeron y aprobaron la versión final del manuscrito.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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INTRODUCTORY DIALOGUES ON THE TRAINING AND PERFORMANCE OF
PRIMARY TEACHERS IN THE ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
DIÁLOGOS INTRODUTÓRIOS SOBRE A FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DE
PROFESSORAS PRIMÁRIAS NO ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
DIÁLOGOS INTRODUCTORIOS SOBRE LA FORMACIÓN Y DESEMPEÑO DE LAS
DOCENTES DE PRIMARIA EN EL ALTO SERTÃO PARAIBANO (1970-1980)
Rozilene Lopes de Sousa ALVES1
e-mail: rozilene.lopes@professor.ufcg.edu.br
José Wanderley Alves de SOUSA2
e-mail: jose.wanderley@professor.ufcg.edu.br
How to reference this article:
ALVES, R. L. S.; SOUSA, J. W. A. Introductory dialogues on the
training and performance of primary teachers in the Alto Sertão
Paraibano (1970-1980). Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023105, 2023. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.18678
| Submitted: 22/06/2023
| Revisions required: 10/08/2023
| Approved: 05/10/2023
| Published: 13/11/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Campina Grande (UFCG), Cajazeiras PB Brazil. Professor. Doctorate in Education
(UFS).
2
Federal University of Campina Grande (UFCG), Cajazeiras PB Brazil. Professor. Doctorate in Linguistics
and Portuguese Language (UNESP-CAr).
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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ABSTRACT: This article discusses the history of the teaching profession, through memories
of oral expression, of teachers who worked in primary education, in schools in the Alto Sertão
Paraibano. It delineates theoretical and historical aspects of the training of lay teachers in Brazil,
with special attention to the second half of the 20th century. The methodology of the study is
focused on documents. The historical cut is circumscribed between the 70s and 80s of the
twentieth century. Such temporal demarcation is justified by the increasing creation and
implantation of public schools in the Sertão of Paraíba in the mentioned period. The research
corpus consists of lay teachers who worked in schools in this geographic region, between the
aforementioned years. The study seeks to contribute to the understanding of how the teaching
professionalization of collaborating teachers was constituted and consolidated, based on
listening, writing and analysis of their life stories.
KEYWORDS: History of Brazilian Education. Teaching Professionalization. Lay Teachers.
Sertão Paraíba.
RESUMO: O presente artigo discute a história da profissão docente por meio de memórias de
expressão oral de professoras que atuaram no ensino primário em escolas do Alto Sertão
Paraibano. Delineia aspectos teóricos e históricos da formação de professores leigos no Brasil,
com especial atenção para a segunda metade do Século XX. A metodologia do estudo é de
caráter documental focada. O recorte histórico está circunscrito entre as décadas de 70 e 80
do século XX. Tal demarcação temporal justifica-se pela crescente criação e implantação de
escolas públicas no Sertão paraibano no período citado. O corpus da pesquisa é constituído
por professoras leigas que atuaram em escolas desta região geográfica entre os anos
supracitados. O estudo busca contribuir para a compreensão de como se constituiu e
consolidou-se a profissionalização docente das professoras colaboradoras, a partir da escuta,
escrita e análise de suas histórias de vida.
PALAVRAS-CHAVE: História da Educação Brasileira. Profissionalização Docente.
Professoras Leigas. Sertão Paraibano.
RESUMEN: Este artículo discute la historia de la profesión docente, a través de memorias de
expresión oral, de profesoras/docentes que actuaron en la enseñanza primaria, en escuelas del
Alto Sertão Paraibano. Delinea aspectos teóricos e históricos de la formación de profesores
legos en Brasil, con especial atención a la segunda mitad del siglo XX. La metodología del
estudio se centra en los documentos. El corte histórico se circunscribe entre los años 70 y 80
del siglo XX. Tal demarcación temporal se justifica por la creciente creación e implantación
de escuelas públicas en el Sertão de Paraíba en el período mencionado. El corpus de
investigación está formado por profesoras legas que trabajaron en escuelas de esta región
geográfica, entre los años mencionados. El estudio busca contribuir a la comprensión de cómo
se constituyó y consolidó la profesionalización docente de los docentes colaboradores, a partir
de la escucha, la escritura y el análisis de sus historias de vida.
PALABRAS CLAVE: Historia de la Educación Brasileña. Profesionalización Docente.
Maestras Legas. Sertão Paraibano.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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Introduction
The historical search on Brazilian education, in recent decades, has strengthened
significantly, especially with regard to theoretical-methodological approaches, based mainly on
a historiography beyond the approach positivist. This investigative aspect centered its focus on
the description of political facts, based on the analysis of narratives that especially highlighted
the political dimensions of social life, blurring other possibilities of reading and critical analysis
of the socio-historical process that is also linked to educational practices.
The pragmatic turn of research in the history of Brazilian education, in the 20th century,
began to take as one of its theoretical-methodological bases the foundations of Cultural History,
one historiographic movement that emerged on France at the first half of 20th century, which
argued that historical time constitutes itself in a sum of facts that can be analyzed using different
methods and techniques, giving the researcher the possibility of using different types of sources.
From this perspective, the object of study of this work it is the understanding of how the
initial and continued training and practice of lay teachers who worked in the first four grades
of primary education in schools in Sertão Paraibano took place, between the 70s and 80s of the
20th century. It is part of the History of Education Research Line of the Postgraduate Program
in Education at the Federal University of Sergipe. It is also part of the context of thematic oral
history, as it aims to essentially contribute to recording facts inscribed in memory, experience
and participation in events.
The guiding question for this research seeks to understand: how did the initial and
continued training and performance of lay teachers in primary education in schools in the Sertão
Paraibano occur between the 70s and 80s of the 20th century?
For the course of the investigation, as a hypothesis to answer the research question, a
priori, we understand that the training of lay teachers in the Sertão Paraibano between the 70s
and 80s of the 20th century took place, mainly, through the Logos II Project, and the working
conditions to which these teachers were subjected reflected the problems experienced by
Brazilian educational policy in this historical period, marked by deficiencies of all kinds and,
mainly, submission to the dictates of the Civil-Military Dictatorship.
From this perspective, the general objective of the work is to understand, through
memories of oral expression, how the training and practice of lay teachers who worked in the
first four grades of primary education in schools in the Sertão Paraibano, between the decades
70s and 80s of the 20th century. The demarcation of this historical-temporal cut is justified
because it constitutes a period of effervescence in the creation and implementation of public
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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schools in the Sertão of Paraíba and, consequently, for the consolidation and greater search for
teaching professionalization.
We understand the relevance of this research due to its contributions to the historical
understanding of teacher training and practices in education in Paraíba and, consequently, in
Brazil.
Lay teacher training: intersections between national public policies and local realities
The lay teacher has always been present in the history of Brazilian public education,
since several courses, programs and projects were created to try to eradicate lay teaching in the
country, throughout the professional trajectory of this non-graduate teacher, so that he could
meet the needs requirements of current educational legislation. Therefore, the history of teacher
training in Brazil is one of the educational themes that permeate socio-historical, cultural and
political aspects as one of the central axes for understanding key issues that permeate the history
of Brazilian education.
Although the term “layman” is sometimes considered pejorative, with the meaning of
strangeness or lack of knowledge of a function, activity, profession, this was the term used by
the State, educational leaders, published in newspapers, periodicals, and even used within the
institution itself. In this sense, the lay term is taken as:
[...] When the question of the 'lay' teacher is examined today, it is clearly
suggesting that these are teachers who are unaware or ignorant of the work they
do and, more significantly, those teachers who do not have the basic training
to teach a certain level or series (BRASIL, 1990, p. 43, our translation).
It is important to highlight that by the name “lay teacher” we understand non-graduated
teachers, professionals who did not have the appropriate training according to legislation and
State requirements to carry out their activities, having emerged, mainly, to work in areas in
which there was need for teachers to work in teaching, without, for this purpose, there being
adequate preparation and, therefore, diplomas to practice the profession.
The discussion on the problem of lay teaching in the process of teacher training and
professionalization is a topic that has raised several studies, as it corresponds to a significant
portion of the constitution of national education. In this sense, throughout the entire 20th
century, this discussion was in vogue, in a more pronounced way, since: “The problem of 'lay'
teachers, since the 1920s, was the object of concern for 'education professionals' and it will
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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appear more acutely in the late 1940s and, mainly in the 1960s” (BRASIL, 1990, p. 40, our
translation).
With regard to teacher preparation, especially during this period, Decree-Law no.
8,777/46, referring to the Organic Law of Normal Education, established the Sufficiency Exam,
which allowed lay teachers to be legally accepted by the system Brazilian educational system,
in the form of “authorized teacher”. In this direction, Rodrigues (1985, p. 45) highlights that
the exams of sufficiency should be carried out by lay teachers or candidates for teaching through
Normal Schools, Institutes of Education and Faculties of Philosophy, for the purpose of proving
the knowledge required for the role and authorizing such teachers, on a precarious basis, to
teach in primary and secondary schools.
From 1960 onwards, the concern to effectively try to solve the problem of lay teachers
in teaching became more concrete throughout the country, with the emergence of educational
policies aimed at this issue. During this period, the Primary Teaching Improvement Program
(PAMP) was created in 1963 by the federal government, with the proposal to provide subsidies
for teaching methodologies courses aimed at qualifying lay teachers, at the pedagogical level,
developed directly, during the vacation period and, indirectly, during the school period, which
provided greater investment in the training of lay teachers in Brazil.
Studies indicate that the number of lay teachers or non-graduate teachers in Brazil, in
1964, was a contingent of 127,879 teachers, representing more than 44% of the total teaching
staff in primary education classes. According to Law 4,024/61: “Of the 44% of lay teachers,
71.60% only had a primary education (complete or incomplete); 13.7%, high school (complete
or incomplete); 14.6%, high school course (complete or incomplete)” (TANURI, 2000, p. 77,
our translation). Thus, the majority of these teachers worked in primary education at the time
with only the same training (primary education itself).
Such discussions reveal that situations involving lay teaching were precarious and
required effort from teachers, especially female teachers, who were responsible, in addition to
teaching, for other functions, such as management, administration and school policy, with all
the organizational, functional, administrative and pedagogical work of the institution, not to
mention the double or triple working hours they accumulated at home, at school and in other
work activities. Another important aspect refers to low salaries, since the category of teachers,
even among those with diplomas, already received unsatisfactory salaries and, when it came to
lay teachers, their salary situation was even more precarious, with lower salaries.
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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Although Law 5,692/71 has sparked a significant discussion around the problem of the
large number of lay teachers existing in the country, especially in rural areas, working under
precarious working and living conditions, the same Law contributed to endorsing the
conception of lay teacher contained in Law 4,024/61. Furthermore, it can be seen that both
Laws 4,024/61 and 5,692/71 highlighted an urban vision of schools, when they provided for
sufficiency exams for unqualified individuals to practice the profession (RODRIGUES, 1985,
p. 39).
From this perspective, despite movements in favor of teacher qualification and the
development of projects to train lay teachers, the problem still persisted in the 1980s. In this
sense, the numerous projects implemented by the Federal Government in rural areas at the time,
although appeared to have an explicit social objective at the level of discourse, most of the time,
in practice, they were guided by implicit political objectives (RODRIGUES, 1985).
In Paraíba, at the beginning of the 1970s, with the aim of establishing schools to meet
these specificities, the aim was to implement Regional Normal Courses. During this period,
Paraíba had eight regional normal courses, in addition to an Institute of Education and seven
Normal Schools.
Between the 1970s and 1990s, it is essential to highlight the importance of the Logos II
Project, created in 1975 by the Federal Government, through the Ministry of Education and
Culture (MEC), whose main objective was to train lay teachers who worked in the classroom
in four first grades of 1st Grade. This program legally qualified students at the secondary and
teaching level, in a modular distance learning system, which was based on the Supplementary
Education model, under the responsibility of the Brasília Technical Education Center (CETEB).
To better understand the dimension of the LOGOS II Project, in the context of the
training of lay teachers in Brazil, it is worth highlighting what Andrade (1995, p. 19) highlights,
showing that, in 1972, in Brazil, around 200 thousand lay teachers They worked in classes in
the first four grades of primary school. In Paraíba, specifically, three thousand, three hundred
and thirty-four teachers had degrees, and seven thousand, five hundred and twenty-five were
lay people.
In this context, the Logos II Project was implemented in several states of the federation,
initially in Piauí, Paraíba and Rondônia (then Federal Territory) and, subsequently, in other
states, including Paraíba. The LOGOS II Project was under the responsibility of the Federal
Government until 1981. From 1979 to 1981, LOGOS II was part of the Subsecretariat for
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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Supplementary Education of the Ministry of Education. From 1982 onwards, it became the
responsibility of the Education Departments of the States where it was implemented.
It is worth noting that the installation of LOGOS II in the North and Northeast states
was mainly due to the high rate of illiteracy in these regions, in addition to the precarious
teaching conditions. Based on the assumption that the LOGOS II Project was created to qualify
the large contingent of lay teachers, it also had the task of improving LOGOS I and complying
with the provisions of Law 5,692/71, whose objective sought to expand teaching and reduction
in school dropout rates, which was partly due to the lack of teacher qualifications and the lack
of conditions in the schools.
It is also important to highlight that if the Logos II Project proposed a personalized and
individualized study, as it had a national scope, it ended up making it difficult for teams to
prepare material capable of meeting the specificities required. One of the main problems
highlighted by the program consisted of the lack of linking the course to the problems
experienced by the teacher who worked in rural areas and small urban centers, as it did not
contribute to making the Logos II student “more aware of their role as an agent of social
transformation” (GONDIM, 1982, p. 171, our translation).
Methodological path
The theoretical support adopted for this work is based on studies on History and
Memory, based mainly on studies by Burke (1992), Le Goff (1998), Bosi (1994). It outlines
historical aspects of teacher training in Brazil, based on Guiraldelli Júnior (2006), Saviani
(2009), Tanuri (2000), among other studies. It addresses the training and performance of
teachers in the state of Paraíba, based on the basis of Andrade (1995), Araújo (2010), Gouveia
(2019), Pinheiro (2002).
The methodological basis for data collection and analysis is mainly based on the
perspective of Narrative Research, especially from the perspective of Clandinin and Connelly
(2011, p. 20, our translation), who define narrative research as “[...] a way of understanding the
experience”, in a collaborative process between researcher and researched. Commonly, this
type of research consists of collecting stories about a certain topic, so that the researcher collects
information to understand a certain phenomenon. Thus, stories can be obtained through various
methods: interviews, diaries, autobiographies, recording oral narratives, written narratives, and
field notes.
The main source for data collection for the study presented here is the oral narrative,
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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through recorded interviews with the research subjects and transcribed afterwards for the
appropriate analyses, that is, the production of the source through the textualization of the oral
to the written. However, the interview is not the only source, others are also used as ways of
broadening the view, intertwining with the subjects' narratives in order to contextualize the
speeches, such as official documents and private collections, such as photographs and work
materials.
Here we call the research subjects as collaborating teachers, reiterating what Meihy
and Holanda (2007, p. 20-21, our translation) state when they define that: “The interviewer and
the interviewee, in the interview situation, must recognize each other as collaborators. Because
participation is spontaneous, both parties must maintain a comfortable possibility for
establishing the interview.” (authors’ emphasis)
In this direction, thematic oral history (MEIHY; SEAWRIGHT, 2020) is taken as the
main methodological resource for listening and writing the stories of the collaborating teachers.
This type of approach has been adopted as an important resource in the field of New History,
because it allows the reconstruction of past experiences of excluded social groups, giving the
possibility of recording, official or not, their actions and lives. Oral history therefore presents
itself as the possibility of covering the gaps left by traditional history, presenting the study of
subjects and historical facts that were not considered important. The objective is not to write
another type of story, different from the one that uses written sources, but to write a broader
and more complete story. This is because:
[...] oral sources are not an alternative to written sources; They are another
type of source, not only necessary, but essential for making history, giving
oral sources an important role in the search for silenced and marginalized
stories, in addition to enabling the understanding of situations that have not
been sufficiently studied throughout history (ALCÀZAR I GARRIDO, 1992,
p. 36, our translation).
The present investigation assumes, through these paths, the perspective of documentary
research because it uses, especially, memories of oral expression from teachers, collected from
collaborators, through recorded interviews and, later, transcribed and analyzed. We defend, by
adopting this methodological bias, that the understanding of teaching practice and performance,
based on teachers' memories of oral expression, allows the interweaving of past and present
facts. We see in these memories the possibility of (re)writing the history of professional training,
enabling the analysis, understanding and interpretation of lived and socially shared realities,
based on the practice of teaching.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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Also constituted as indispensable documents for this research were the collections of
the schools in which the collaborating teachers graduated and worked, such as standard
documents for the creation, structuring and operation of the schools in question, minutes, books
in enrollment, yearbooks, subject programs, personal diaries, photographs, among others. From
these collections, here we mainly present the interviews initially recorded and, subsequently,
transcribed and analyzed, photographs, illustrations of training materials.
To better outline the conceptual and methodological bases of this work, research was
carried out in the Theses and Dissertations Banks of the Postgraduate Programs in Education at
the Federal University of Paraíba (UFPB-PPGE) and Federal University of Sergipe (UFS-
PPGED). Dissertations and theses were collected that address the history of the teaching
profession inscribed in the trajectories of teacher training and practice between the 70s and 80s
of the 20th century, and of these, five directly address memories of lay teachers. Such studies
dialogue with the theme that is close to the object of investigation that we outlined for the
construction of this work, as they use similar key concepts to understand the object of study
proposed here.
To systematize the data collected from the aforementioned works, we chose the
following criteria: search in databases using a set of descriptors history of the teaching
profession; teacher trajectory; teacher training; history and memory of the teaching profession,
tabulation of selected works, presentation of the theme, year of defense, author and nature of
the work (Dissertation or Thesis); After selecting the works, we proceeded to organize the
productions, discarding those that were not of interest.
Based on the theme studied, works that showed, in their nomenclature, an approximation
with the object of study: history of the teaching profession and teachers' trajectories were
selected as the search universe. The summaries of the registered and cataloged works were read
and, although they all do not specifically address the topic, they present, to a certain extent,
aspects that are similar to the present investigation, whether due to the focus on trajectories and
memories of teaching training and practice, either by the assumed theoretical framework.
Having carried out this survey of works already produced on the topic in question, we
endorsed as a specific locus for the development of this research the school institutions training
for primary teaching located in the Sertão of Paraíba, in addition to the schools where the
collaborating teachers of this study.
We justify the demarcation of the historical-temporal cut, between the 70s and 80s of
the 20th century, for being a period of effervescence in the creation and implementation of
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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public schools in the Sertão of Paraíba and, consequently, for the consolidation and search for
teaching professionalization, since teacher training in Brazil was proving to be uncomfortable,
due to changes in educational legislation and to the high levels of lay teaching
The set of collaborating teachers delimited for data collection was constituted with the
main criterion being teaching, in schools located in the Sertão of Paraíba, between the 70s and
80s of the 20th century. A priori, the sample was defined according to the brief presentation
below:
Professor Judite Lourenço de Araújo (JLA) - was born in São João do Rio do
Peixe (formerly Antenor Navarro), on October 20, 1928. She attended primary school in the
same city. She began his teaching career in Cajazeiras, in 1943, when she was studying
Admission (transition studies between Primary and High School). She began working in São
José da Lagoa Tapada on January 27, 1956, in the urban area of the municipality. In 1962, she
started working at Sítio Lagoa Comprida, remaining until her retirement in 1978.
Professor Denizia Gomes de (DGS) - was born in São José da Lagoa
Tapada, on March 15, 1948. She attended Primary and High School in the city of Sousa - PB.
In 1969 she joined the Paraíba state education system as a primary teacher, a job she held until
1993, when she requested retirement. During her teaching career, she studied and completed
secondary education, via supplementary education, through the LOGOS II Project, obtaining
the title of primary education teacher. Of the teachers collaborating in this research, she was the
only one who completed a higher education course: Degree in Geography, at the Teacher
Training Center of the Federal University of Paraíba Cajazeiras Campus. Throughout her
teaching career, she worked at the Genésio Araújo School Group, in the city of São José da
Lagoa Tapada-PB.
Professor Maria das Dores Araújo (MDA) - was born in São José da Lagoa
Tapada, on October 15, 1949. She studied Primary Education in São José da Lagoa Tapada and
High School integrated with the Accounting Technician in the city of Coremas PB. She also
completed the LOGOS II Project, obtaining the title of primary school teacher. She was a
teacher in the initial grades of primary school at Grupo Escolar Genésio Araújo, from 1982 to
2007, when she retired.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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Professor Francisca Alexandrino de Sousa (FAS) - was born in São José da
Lagoa Tapada, on August 26, 1939. She entered teaching at the age of 23, graduating in her
fifth year of high school. After 13 years of practice as a lay teacher, she completed secondary
education, via supplementary education, through the LOGOS II Project, being qualified to
practice teaching. She was a primary school teacher in the state education network at the Várzea
dos Martins School Group, in the rural area of São José da Lagoa Tapada.
With the definition of research collaborators, in March 2022 we began the investigative
trail, and chose to carry out interviews with lay teachers. The Sertão da Paraíba was defined as
a geographical space that served to listen to these teachers. Adopting the Oral History
methodology, we carried out interviews with collaborators between September 2022 and
January 2023 in the interviewees' homes.
The four teachers presented above were interviewed: Professors Judite Lourenço de
Araújo, Denízia Gomes de Sá, Maria das Dores Araújo, and Francisca Alexandrino de Sousa.
It is worth mentioning that the specific choice for the collaborators, listed above, was due to the
researcher's knowledge that these teachers graduated and taught in the schools mentioned and
the acceptance of the initial invitation for them to collaborate in the development of the research
presented here.
It is important to highlight that the number of four collaborators was defined based on
the conditions for transcription and analysis of the interviews recorded, transcribed and, a
posteriori, analyzed to understand the object of study of the research on screen: the trajectory
of the formation and performance of primary school teachers, in order to understand the aspects
of the teaching profession and professionalism, based on the understanding of the professional
trajectory of teachers from the Sertão of Paraíba and their actions in primary education, in the
period between the 70s and 80s of the 20th century.
Thus, to conduct the interviews with the collaborating teachers, a “cutting question” was
used, in order to highlight in the narratives of all the collaborators “[...] the motives, the
contexts, the reasons and the circumstances” that marked training and teaching practice in the
period and locus investigated (MEIHY; SEAWRIGHT, 2020, p. 47, our translation). From this
perspective, we guided our interviews by asking the collaborators the following “cutting
question”: How did your training and work as teachers happen in the Sertão da Paraíba between
the 70s and 80s?
In this sense, three moments were used to conduct the interview and, consequently, data
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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collection: the “ pre -interview”, as a preparatory condition for recording, which will consist of
contact and selection of collaborators and selection and testing of materials to be used for data
collection. To this end, initially, the intentions, objectives and procedures for conducting the
research were presented in a simplified way, allowing collaborators to decide whether or not to
participate in the research.
The “post-interview” consists of the materialization procedures, checking of the
recorded texts with the collaborators, and the due authorization for use and publication of the
data through the copyright “letter of assignment”, as expressed in the submitted project and
approved by the Ethics Committee of the Teacher Training Center of the Federal University of
Campina Grande, linked to Plataforma Brasil
3
. Only after the creation of the documentary
corpus were analyzes of the interviews carried out.
The narratives were crossed with other official documents, such as: standards,
notebooks and photographs, seeking to establish connections between what was
remembered/experienced and what was kept/documented, in addition to personal files,
photographs that house the memory of training and teaching activities during the studied period.
The recorded and transcribed interviews constituted a documentary basis for
understanding the professional trajectory of the collaborating teachers, their training processes
throughout their profession and the relationships they established with the communities in
which they worked; the knowledge built in relation to daily activities, the strategies designed
to overcome difficulties and the role they played in the schooling process of the population of
these municipalities, in the period covered. The bibliographic and documentary analysis
relevant to carrying out the work was also an integral part of the methodology.
After the interviews were transcribed, the oral source was textualized into written form
so that we could have this document for analysis. Already duly transcribed, in a third meeting,
in March 2023, the texts were presented to the collaborators for approval and signature of the
letters of transfer of rights to use the information for the present research.
In general terms, all the teachers who were interviewed see their role in Education in
the spaces in which they worked and understand that their statements will serve to contribute
and perpetuate the history of the teaching profession of which they are part. In this sense, in the
context of this work, we chose Thematic Oral History, since this modality is the one that comes
closest to academic expectations that merge Oral History with conventional documentation. In
other words, the documentary character arises from the interviews, which constitute the guiding
3
Opinion CPE-CPE-UFCG 6,035,150, of August 22, 2022.
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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thread of this type of approach.
The methodological path outlined allowed us to understand that academic research, for
us, especially in the field of History of Education, requires careful It is caution at the treatment
of sources. It is known that much has already been expanded in relation to the what it can be
used as source for analysis on one historiographical study.
We understand, therefore, that the study of the teaching career favors the understanding
of how the training and professional performance of teachers in the first four grades of primary
school in schools in the Sertão da Paraíba region. It is possible, above all, to understand that the
stories experienced in local education by the collaborators can be intertwined with Brazilian
educational history and allow us to reflect on the structuring of the Brazilian educational field,
throughout its history.
In this way, it was possible to analyze the teachers' schooling process, and cross-
reference the narratives, from a diachronic perspective, with the history of education and the
expansion of primary schools in Brazil, but also synchronically, seeking to understand that one
time specific in that place. In other words, when they talk about the school, the teacher, the
conditions in which they studied, what does this represent for them in their memories? These
reports about the past are no longer the past itself, but a reconstruction of memory in which
there is a selection of what came to light, a necessary forgetting, because remembering the past
for another means making choices thinking about what that other wants or you can listen, share
these memories.
Between stories and memories, the meanings of “being a teacher”
The History of Education lives in the memories of teachers who, on a daily basis, are
involved with the joys, achievements, difficulties, aspirations of the profession, when facing
challenges in their pedagogical practices, for which they are often unprepared. For all these
reasons, it is essential that we get closer and listen to what they have to tell us, as Freitas (2000,
p. 12, our translation) illustrates:
Thus, as they tell their stories, we discover a new meaning in the streets, in the
buildings, on the window grilles, on the facades of the schools [...]. These
voices multiply from the voices of the narrators who find in their memories
other people who passed through these scenarios, giving them new meanings.
The analytical section presented here confirms for us the privilege of listening and
writing the sensitive, which guided the profession chosen by the narrators, which was and is
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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something of great importance in their lives. They assume, in essence, to be WOMEN AND
TEACHERS, that is, the profession strongly characterizes them as a symbol of female
empowerment.
The beginning of their career is characterized by the narrator teachers as a moment in
which they were offered the “opportunity” and achieved it through their efforts to practice
teaching. Choosing teaching meant for them the beginning of a much-desired profession, in
addition to achieving financial independence.
According to Assunção (1996, p. 14), when the “vocation speech” presents itself as
absolute, others remain silent, as it is conclusive, it brings the idea of something innate, of an
internal force that guides people towards a certain profession. However, what can be seen in the
reports of the teachers who collaborated in this study is that the “wanting to be a teacher”, if at
first presented as a vocation, later on, it expands, as “a want” influenced by external issues, by
their own decisions that contradict other “life projects” that were designed for them by their
family, mainly. In this case, the decision to work as a teacher is characterized as a vocation, but
it goes beyond this conception, as the collaborating teachers tell us.
Major Jacó was the political leader of Antenor and promised Dad to find a
business for me [...]. Then he promised to find a business for me. It's so much
so that when he did this I wasn't yet old enough, so they got bigger (JUDITE
LOURENÇO DE ARAUJO, 2022, our translation).
When I returned to São José with the Gym, there was a selection process at
the Teacher Training Center in Sousa. It was a preparation for lay teachers.
My father found a place for me, in 1965, with the region's politicians [...].
When we finished, my class of NINETY-SIX STUDENTS, in 1969, invited the
governor of Paraíba, João Agripino, to be godfather of the class [...] and in
his speech he said that the teacher who had finished the course could look for
him, that he would appoint to teach in the State [...]. My appointment was
made official on November 20, 1969, by recommendation, to work at the
Genésio Araújo Group, here in São José, which was opening [...]. This
appointment was very important, because I was starting to earn my own
money (DENIZIA GOMES DE SA, 2022, our translation).
I always wanted to be a teacher. I think that when we are born, we are born
with that, how can I say [...] with vocation, because studying was very difficult
for me, because I lived in a place, very far from here in São José, even so, she
intended to be a teacher (MARIA DAS DORES ARAUJO, 2023, our
translation).
I REALLY WANTED TO BE A TEACHER BECAUSE I WANTED TO STUDY,
I was studying and I didn't even know what I wanted to be for, then I chose,
which was to teach to be respected in the city (FRANCISCA ALEXANDRINO
DE SOUSA, 2023, our translation).
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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The life stories analyzed allow us to perceive a diversity of reasons that led the narrators
to choose the teaching profession. If in the narratives analyzed, teachers consider teaching as a
“vocation”, we realize that this professional choice suffered external influences that motivated
the feeling of “wanting” to carry out the teaching profession, such as: good school experience
in childhood, family influence, indication by influential politicians at the time, in addition to
the social representation of the teaching profession, that is, social status.
The reasons that lead to the performance of the teaching profession vary, as explained
by Gonçalves (1992, p. 162, our translation):
Studies have shown that there are multiple reasons why teaching is chosen as
a profession, with factors of a material and strictly professional nature
competing in this decision. Both aspects are always present when choosing a
career, with the predominance of one over the other being the result of
individual and circumstantial conditions.
It is clear from the narratives of the collaborating teachers that, at the same time as they
demonstrated their desire to pursue the teaching profession from an early age, they also reveal
the reasons that influenced them to “dream about being a teacher”. Gonçalves (1992), when
approaching the subject from a study carried out with 32 primary teachers through interviews,
makes the following observation:
The teachers whose “vocation” led them to choose a career in primary education
stated that in their decision to choose they weighed “having always dreamed of
being a teacher”, “liking the professionand “liking working with children”. As
can easily be seen, subjective reasons determine professional choice,
corresponding to a certain personal and social imagination, which may have led
to this profession, more than intrinsic motivation. The remainder pursued a
teaching career in primary education, fundamentally, due to “the lack of other
professional alternatives”, or for “economic reasons” (GONÇALVES, 1992, p.
163, our translation).
Thus, we can observe an approximation of the author's study with the interviews
analyzed with regard to the reasons that influenced these four teachers to want the teaching
profession, as the speeches range from “vocation” to “fostered dream”, expressing themselves
sometimes explicitly, sometimes implicitly, through their narratives.
The collaborators of the present study also confirm that the teaching profession,
especially for women, opened the prospect of a paid activity that enabled financial
independence. Thus, in some cases, the teaching career became, for those who lived in rural
areas, the possibility of following another path other than agricultural work. For those who lived
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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in urban areas, entering the job market was also not an easy task. This is what the analyzed
narratives reveal:
When I taught at MOBRAL, the money wasn't enough for anything, I could
only buy sardines, buy them and take them home (laughs). Teachers were not
valued. Then Zé Almir said he would give me something better later and took
me away from teaching (/). They only value people from outside, and have
never even given anything a job (JUDITE LOURENÇO DE ARAUJO, 2022,
our translation).
My appointment was made official on November 20, 1969, by
recommendation, to work at the Genésio Araújo Group, here in São José,
which was opening. This appointment was very important, because I was
starting to earn my own money, because my father and mother did not study
and he, especially MY FATHER, provided conditions for me to study, even
studying at my cousins' house (+) (DENIZIA GOMES DE SÁ, 2022, our
translation).
Before being hired by the Government, I spent a year as a volunteer, called by
Maria Marques and she rewarded me for helping with the work, made a quota
and rewarded me for helping with the students. Then Seu José Almir spoke to
the Deputy (+) THAT SHORT, Soares Madruga (MARIA DAS DORES
ARAUJO, 2023, our translation).
I really liked the money, being a teacher, but I liked the money more (laughs),
it was enough to live on, it was used to survive. I liked being a teacher too, but
I liked the money more because I'm still surviving today. And at that time it
was difficult for women to get a job, I arrived before Judite (FRANCISCA
ALEXANDRINO DE SOUSA, 2023, our translation).
Therefore, entering a profession without the need for prior preparation, that is, without
specific training, and which still offered a certain social prestige, became a good professional
option. As Alencar (1993, p. 187, our translation) considers, when referring specifically to lay
teachers:
Objectively, a young woman or housewife applies for a teaching position to
fundamentally satisfy a double need: one of an economic, conscious,
individual nature; another of a social, collective nature, culturally felt although
not explained. Professionally unqualified, she passively accepts the conditions
proposed and imposed on her.
With regard to the feminization of teaching, Almeida (1998), when discussing this issue,
observes that between the end of the 19th century and the 20th century there was a significant
entry of women into teaching, initially justified by the quantitative increase in the educational
field. The ideological discourse that followed this feminization of teaching consisted of the fact
that teaching was linked to the ideas of domesticity and motherhood. Thus, caring for children
and educating was a feminine mission, which is why teaching proved to be a feminine place
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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par excellence. The author further states that:
The attributes of marriage, domesticity and motherhood continued to be an
endorsement for the exercise of teaching by women through the male
perspective (and also some female ones), coming from social, political and
official sectors that dictated the regulations in force at the time. The
conception of motherhood and the emphasis on it being in women's nature to
care for children indirectly allowed women to move from the domestic to the
public space (ALMEIDA, 1998, p. 118, our translation).
According to the design of the Law, mother and teacher should instruct in the formation
of moral values: the role of mother allowed her to develop civic motherhood, a public function
exercised in homes. The school space should be a space for paid work outside the home.
Thinking from this perspective, Almeida (1998, p. 62, our translation) highlights that:
It is understood that the exercise of teaching represented an extension of
maternal functions and instructing and educating children was considered
acceptable for women: at the time the most attractive job for literate middle-
class women (...) being a teacher in the opinion of large part of society (...) it
was the ideal profession (...).
From then on, the profession of teaching becomes a duty, a priesthood, and the woman
educator becomes a sculptor of character, since, in theory, patience, affection and feeling are
characteristic of the female soul. According to Louro (2007), when analyzing these
representations, one is not just analyzing indications of a feminine position, but one is directly
observing a social process through which a given position is produced. The teaching profession,
therefore, being feminized, served to indoctrinate the character of children in the early years,
as the narrators attest:
Nobody knew how to read or write or pray. 16-year-old boy who did not know
how to make the sign of the cross (+). There was also parental carelessness
(JUDITE LOURENÇO DE ARAUJO, 2022, our translation).
The student was good, he was interested, he wasn't that easy. It was strict
teaching, you had to do your homework, or you would be punished. And the
relationship between students was great, parents participated, there weren't
these meetings like today, but whenever they met us on the street they asked
about their child and their behavior. If the son fought, he told us to punish him.
If a father didn't take care of his quarrelsome son, the following year the
school would no longer accept him. And then there was no school (DENIZIA
GOMES DE SÁ, 2022, our translation).
At that time the rooms were huge and the students were respectful. Their family
also had respect for the teacher [...]. And there we focused a lot on that student
if he had difficulty in this part [...]. This encouragement to discover the child's
interest comes from the teacher. Not every teacher was concerned with
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
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observing student interest. It was a lot up to each teacher, not every teacher
had this attention to the student [...] I (+) I don't know, I think I played my
part (MARIA DAS DORES ARAUJO, 2023, our translation).
They wanted to study, I followed the students' lives inside and outside the
classroom, there was order, my daughter (+) I did everything for the rzea
dos Martins Group, I cooked, cleaned, that's why I knew everything. And I
knew when they advanced, I knew when they scratched the wall and put it out.
The student was trained to have a career, he decided [...]. It is, up front, what
career I wanted to pursue (FRANCISCA ALEXANDRINO DE SOUSA,
2023, our translation).
Thus, being a teacher has become, as the narrators said, over the decades, the possibility
of professional practice linked to the mission of women as educators. In this way, women
became professionals without straying from their maternal vocation.
It is also essential to highlight that entry into primary teaching, as narrated by the
teachers collaborating in this study, is remembered with great enthusiasm and pride. Their
professional beginnings were marked by the fact that they did not have pedagogical training,
but also by issues related to “being a woman”. In general, these teachers sought to achieve their
“maternal mission” in their teaching career, combined with the possibility of becoming
professional. From this perspective, we corroborate what Almeida (1998, p. 94, our translation)
states:
The teachers' testimonies allowed us to recover fragments of their history and
the history of their profession that do not exhaust the much that still has to be
told about them and by them. This memory showed women committed to
carrying out work in which liking children, love for the profession, vocation,
qualities proclaimed by social discourse and public authorities, were not
separated from the competence necessary for their performance. Recovering
her memories meant uncovering female lives from the past and from an entire
professional category.
The teachers' narratives taken as raw material for conducting our research demonstrate
that they created, in their daily practices, new ways of recording and understanding their
students, giving new meaning to performance. Clothed with affection and the “power of
authority” that they conceived to have, beyond the reductionism of exacerbated official
demands, they saw in their students those who sought knowledge through their teaching
practices, an existence of their own, with which they lived, and learned, also, in the most
different daily contexts they experienced. They not only acted as repeaters of the teaching
methods and techniques in force at the time they taught, but they created and recreated ways of
being in the school space, despite the many limitations and difficulties faced.
This dimension of teaching inscribed in the memories of the collaborating teachers
Rozilene Lopes de Sousa ALVES and José Wanderley Alves de SOUSA
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allows us to see that the experiences shared by them move human relationships as raw material
for social, political, economic and cultural transformations, based on educational contexts and
practices. These shared experiences allow us to understand that the relationships established by
teachers, through teaching, with students and the community in general, move the daily praxis
between subjects towards the transformations essential to ensuring citizenship.
Conclusion
The understanding of teaching practice based on teachers' memories of oral expression,
such as the one we present here, allows the interweaving of past and present facts. We see in
these memories, therefore, the possibility of (re)writing the history of professional training,
enabling the analysis, understanding and interpretation of lived and socially shared realities,
especially through teaching.
These memories do not derive from isolated stories, since they are singular reports, in
which the subject is conceived as a historical-discursive figure produced by the archives that
derive from/through language. These are stories built in everyday practice, in collaboration, in
shared experiences, in participation in various activities, in decision-making and in the
development of social and political responsibilities. These are social relationships that are
established, based on the concrete working conditions of the time, situating their voices in terms
of the meaning and significance given to their own work and the historical, political and
economic context in which they were inserted.
Through narratives it is possible to construct unique reports, which intersect with
collective memories. The stories constructed in everyday practice, in the collaboration of these
subjects, in shared experiences, in participation in different activities, in decision-making and
in the development of social and political responsibilities, can produce historical events, which
will be consolidated and expanded by these particular narrators, who weave the story, designing
social representations.
We realize, therefore, that it is possible by listening to and analyzing the voices of these
unique subjects, in this case the teachers collaborating in this research, to understand the guiding
principle for the teaching profession, based on the understanding of problems and perspectives
inscribed in the training and practice of these teachers.
By embroidering the life stories of “these teachers” we see that, through the threads of
memory, it is possible to weave together the encounter between the past and the present.
Introductory dialogues on the training and performance of primary teachers in the Alto Sertão Paraibano (1970-1980)
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023105, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.18678 20
Rescuing their voices, most of the time silenced by the “official” history of Brazilian education,
is to endorse that listening to and writing these common stories, which are not part of historical
treatises, is necessary to understand their important contributions to knowledge of significant
moments in the training and performance trajectories of lay teachers from the Sertão of Paraíba,
which cannot be ignored in the actions that focus on the problems and perspectives of a
Brazilian education project that is based, above all, on studies of a historical nature.
It is therefore necessary to rescue these unique narratives, to endorse the contribution
that Brazilian teachers, from the most different regions of the country, have made to the design
of a model of national education indispensable to civic education, so desired by all of us.
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CRediT Author Statement
Acknowledgments: Not applicable.
Financing: Not applicable
Conflicts of interest: The authors declare that there are no conflicts of interest .
Ethical approval: Opinion-CPE-UFCG 6,035,150, of August 22, 2022 .
Availability of data and material: Not applicable.
Author contributions: Alves, RLS: conception and design, data acquisition, data analysis
and interpretation, article writing, and critical review of important intellectual content;
Sousa, JWA.: conception and design, data acquisition, data analysis and interpretation,
article writing, and critical review of important intellectual content. The authors read and
approved the final version of the manuscript.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, standardization and translation.