RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.19072 1
ZILDA ARNS, UMA INTELECTUAL MILITANTE E SUA RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO
POPULAR E A PASTORAL DA CRIANÇA
ZILDA ARNS, UNA INTELECTUAL MILITANTE Y SU RELACIÓN CON LA EDUCACIÓN
POPULAR Y LA PASTORAL DA CRIANÇA
ZILDA ARNS, A MILITANT INTELLECTUAL AND HER RELATIONSHIP WITH PASTORAL
DA CRIANÇA AND POPULAR EDUCATION
Como referenciar este artigo:
THOMÉ, A.; ORLANDO, E. de A.; MESQUIDA, P. Zilda Arns,
uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a
Pastoral da Criança. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.19072
| Submetido em: 15/07/2023
| Revisões requeridas em: 11/09/2023
| Aprovado em: 07/12/2023
| Publicado em: 26/02/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Curitiba PR Brasil. Doutoranda no Programa de Pós-
Graduação em Educação.
2
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro RJ - Brasil. Professora do Departamento de
Ciências Sociais e Educação EDU /UERJ.
3
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Curitiba PR Brasil. Professor Titular e Orientador no
Programa de Pós-Graduação em Educação. Doutorado em Ciências da Educação (UNIGENÈVE) Suíça.
Adriana THOMÉ1
e-mail: libiebrasil@gmail.com
Evelyn de Almeida ORLANDO2
e-mail: evelynorlando@gmail.com
Peri MESQUIDA3
e-mail: mesquida.peri@gmail.com
Zilda Arns, uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a Pastoral da Criança
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.19072 2
RESUMO: O artigo objetiva apresentar a médica Zilda Arns como mulher intelectual e sua
relação com a Pastoral da Criança e a Educação Popular. Para tal compilação, será apresentada
a trajetória de vida de Zilda Arns articulada ao contexto histórico da Pastoral da Criança e da
Educação Popular. A pergunta norteadora da pesquisa é: Qual a relação da intelectual Zilda
Arns com a Pastoral da Criança e a Educação Popular? O aporte teórico está centrado em Paulo
Freire (1967; 1970; 1982; 1989; 2005; 2007), Zilda Arns (1996; 2003; 2000; 2010), Brandão
(1984; 2005), Orlando (2021), Sapiro (2012) e Batalha (2003). O método utilizado para o
desenvolvimento do estudo foi a hermenêutica fenomenológica, com abordagem qualitativa.
Os resultados apontaram que Zilda Arns foi uma intelectual militante, que aproximou sua visão
de mundo ao pensamento de Paulo Freire, teórico prático da Educação Popular, e assim
implementou a Pastoral da Criança, por meio do diálogo e conscientização.
PALAVRAS-CHAVE: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Educação Popular. Paulo Freire.
RESUMEN: El artículo tiene como objetivo presentar a la doctora Zilda Arns como mujer
intelectual y su relación con la Pastoral da Criança y la Educación Popular. Para ello, se
presentará la trayectoria de vida de Zilda Arns, articulado al contexto histórico de la Pastoral
da Criança y de la Educación Popular. La pregunta guía de la investigación es: ¿Cuál es la
relación de la intelectual Zilda Arns con la Pastoral da Criança y la Educación Popular? La
contribución teórica se centra en Paulo Freire (1967; 1970; 1982; 1989; 2005; 2007), Zilda
Arns (1996; 2003; 2000; 2010), Brandão (1984; 2005), Orlando (2021), Sapiro (2012),
Batalha (2003 y Codini (2014). El método utilizado para el desarrollo de la investigación fue
la hermenéutica fenomenológica, con un enfoque cualitativo. Los resultados mostraron que
Zilda Arns fue una intelectual militante, que acercó su cosmovisión al pensamiento de Paulo
Freire, teórico práctico de la Educación Popular, y así implementó la Pastoral da Criança a
través del diálogo y la conciencientización.
PALABRAS CLAVE: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Educación Popular. Paulo Freire.
ABSTRACT: The paper aims to present the doctor Zilda Arns as an intellectual woman and
her relationship with the Pastoral da Criança and Popular Education. Therefore, the life
trajectory of Zilda Arns will be presented, articulated to the historical context of the Pastoral
da Criança and Popular Education. The guiding question of the research is: What is the
relationship of the intellectual Zilda Arns with the Pastoral da Criança and Popular
Education? The theoretical contribution is centered on Paulo Freire (1967; 1970; 1982; 1989;
2005; 2007), Zilda Arns (1996; 2003; 2000; 2010), Brandão (1984; 2005), Orlando (2021),
Sapiro (2012), Batalha (2003), and Codini (2014). The method used for the development of the
research was phenomenological hermeneutics, with a qualitative approach. The results showed
that Zilda Arns was a militant intellectual, who brought her worldview closer to the thinking of
Paulo Freire, practical theorist of Popular Education, and thus implemented the Pastoral da
Criança, through dialogue and conscientization.
KEYWORDS: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Popular Education. Paulo Freire.
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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Introdução
Zilda Arns Neumann (1934-2010), foi uma mulher que marcou a história de sua geração
por meio de seu trabalho, determinação, intelectualidade e amor ao próximo. Cristã
progressista, médica, fundou e coordenou a Pastoral da Criança, que salvou milhares de vidas
da desnutrição infantil no Brasil e em outros países da América Latina, África, Ásia e Caribe.
Zilda Arns arregaçou as mangas e, inspirada na pedagogia de Paulo Freire,
encontrou, primeiro, os recursos humanos capazes de mobilizar milhares de
pessoas em prol da drástica redução da mortalidade infantil: mães e pais das
crianças de zero a seis anos de idade, atendidas pela Pastoral, transformados
em agentes multiplicadores (Betto, 2010, p. 1).
Para a médica sanitarista e pediatra Zilda Arns, a educação é transformadora, resposta
aos gritos dos necessitados, expressão da solidariedade com todos, especialmente dos
marginalizados e esquecidos. Isto deixou transparecer em todas as suas cartas escritas aos
jornais da Pastoral da Criança e em todas as ações da Pastoral (Arns, 2010, p. 105-106). “[…]
eu, no exercício da medicina, fiz muito mais pela educação para prevenção de enfermidades do
que curas e reabilitações” (Neumann, 2003, p. 40).
A Pastoral da Criança é um Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB), o qual faz parte da Igreja Católica. Para a sociedade, um órgão de
terceiro setor
4
que tem como um dos objetivos fundamentais a democratização do conhecimento
por meio de ações básicas de saúde, nutrição, educação, cidadania e espiritualidade de forma
ecumênica. Destaca-se a importância da educação dentro desse processo. Essa é tratada de uma
forma especial no Concílio do Vaticano II (1963-1965). Para este, a educação deve orientar para
a solidariedade e com o intuito de melhor preparar as pessoas para a atuação na vida econômica,
política e social de forma mais humana.
No entanto, não se pode tratar da Pastoral da Criança sem abordar a Educação Popular
que teve o educador Paulo Freire como um dos mais importantes difusores mundiais desse
segmento. Para o educador, as Igrejas na América Latina têm um papel educativo. “As Igrejas,
de fato, não existem, como entidades abstratas, elas são constituídas por mulheres e homens
‘situados’, condicionados por uma realidade concreta, econômica, política, social e cultural”
(Freire, 2007, p. 123).
4
Terceiro Setor é o nome que se adotou para designar as instituições que não fazem parte do Estado e nem do
mercado. Por não pertencerem ao setor público e nem ao setor privado, estariam num terceiro setor, que
corresponde ao campo da sociedade civil organizada (Paraná, 2023).
Zilda Arns, uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a Pastoral da Criança
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A Educação Popular antecede à Pastoral da Criança e foi desenvolvida num contexto de
efervescência cultural e política. Nasceu da proposta de Freire de uma educação que liberta,
luta em defesa da vida, não compactua com os opressores e com as injustiças sociais. Inserida
num contexto histórico, luta para transformá-lo, tendo em vista a promoção da justiça, tornando-
se um espaço de fraternidade, paz e dignidade para todos. Propicia uma educação na e para a
liberdade, pela qual cada ser humano é capaz de se reconhecer como sujeito do conhecimento
e da história sem discriminações, seja homem, mulher, rico ou pobre. Todos deverão assumir o
compromisso com o oprimido, não somente com programas assistenciais e paliativos, mas se
preocupar com que ele exerça sua cidadania em plenitude.
Assim, o presente artigo tem o objetivo de apresentar a médica Zilda Arns como mulher
intelectual orgânica, no sentido gramsciano (Gramsci, 1975), e sua relação com a Pastoral da
Criança e a Educação Popular. Para tanto, será apresentada a trajetória de vida de Zilda Arns
articulada ao contexto histórico da Pastoral da Criança e da Educação Popular, bem como de
sua relação com a Igreja, seus pressupostos filosóficos, suas tendências pedagógicas e os
contextos sociopolítico e econômico do Brasil.
O método de pesquisa utilizado para desvelar a intelectual Zilda Arns foi a hermenêutica
fenomenológica com abordagem qualitativa, que carrega em sua bagagem um olhar freiriano
de mundo, de sujeito e de cidadão do/com o mundo. É importante ressaltar que não se trata de
uma norma ou a única abordagem disponível, porém é uma forma de alcançar a essência sem
perder de vista o fenômeno e todos os elementos associados a ele.
Zilda Arns: Trajetória de vida
Zilda Arns Neumann nasceu no município de Forquilhinha, estado de Santa Catarina,
no dia 25 de agosto de 1934. Era filha de Gabriel Arns e Helene Steiner, agricultores
descendentes de imigrantes provenientes da Alemanha, que tiveram 16 filhos. Destes, Zilda era
a décima terceira. Em sua infância e juventude,
[...] mal sabia que existia governo, que a escola, a biblioteca pública, a igreja
e as casas do padre e das freiras foram construídas pela comunidade e que
havia uma atividade comunitária muito intensa. Tínhamos uma vivência
familiar fortíssima. Todas as noites nos reuníamos para rezar e cantar a três,
quatro vozes (Entrevista..., 1998).
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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Com a convicção de que seu propósito era dedicar-se à saúde, ela optou por estudar
Medicina, mesmo indo contra a vontade de seu pai, Gabriel Arns, que teve pouca educação
formal, mas ainda assim a apoiou apesar de não considerar a carreira de médica adequada às
mulheres. Zilda realizou seus estudos fundamentais (1.º ao 4.º ano) em Forquilhinha - SC, o
ginásio e o secundário cursou em Curitiba, no colégio da rede do Sagrado Coração. Em 1953,
aos 19 anos, passou no vestibular e começou a estudar medicina na Universidade Federal do
Paraná (UFPR), onde um professor a reprovou no primeiro ano, mesmo ela sendo uma das
primeiras da classe, por achar um absurdo uma mulher cursar medicina - eram seis mulheres e
143 homens na sala -, mas para surpresa dele, Zilda se tornou justamente médica pediatra como
ele. Soube conquistar seu espaço num ambiente majoritariamente dominado por homens. As
mulheres de sua geração “cientes do seu lugar social, tiveram que criar regras próprias para se
inserirem nos jogos de poder” (Orlando, 2021, p. 51).
Zilda, desde estudante, se envolvia com as causas sociais. No primeiro ano da faculdade,
começou a cuidar de crianças menores de um ano como voluntária, trabalho que a deixou
impressionada com a grande quantidade de crianças internadas com doenças de fácil prevenção,
como diarreia e desidratação.
Desde muito jovem, Zilda Arns adotou o princípio católico de servir ao próximo como
lema de vida. Embora tenha considerado seguir a carreira religiosa, assim como três de suas
irmãs e dois irmãos, incluindo o ex-arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, Zilda optou
por uma trajetória em que poderia se dedicar às comunidades carentes, tanto no Brasil quanto
no exterior, como médica sanitarista, sem as responsabilidades familiares.
Em 1959 formou-se em medicina pela UFPR e conheceu o marceneiro e professor
Aloísio Bruno Neumann, com quem se casou em 26 de dezembro daquele mesmo ano e teve
seis filhos Nelson (Médico), Heloísa (Psicóloga), Silvia (Administradora de Empresas),
falecida em 2003 num acidente automobilístico, Marcelo, falecido logo após o nascimento,
Rubens (Médico Veterinário) e Rogério (Administrador de Empresas). Contando com o apoio
incondicional do marido para estudar e trabalhar, numa época em que casamento era sinônimo
de viver exclusivamente para a família, aprofundou seus estudos em Pediatria pela Sociedade
Brasileira de Pediatria, visando salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e
da violência em seu contexto familiar e comunitário; em Saúde Pública e Sanitarismo pela
Universidade de São Paulo (USP); em Pediatria Social pela Universidade de Antioquia, em
Medellín, Colômbia; em Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil pela
Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS). Enfim, pode-se dizer, segundo o conceito
Zilda Arns, uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a Pastoral da Criança
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de Gisèle Sapiro (2012), que Zilda Arns era uma mulher intelectual com um capital simbólico
individual significativo para a sociedade brasileira.
Com o apoio do marido, Zilda Arns esteve à frente de diversos programas de atenção à
saúde de crianças, em hospitais e na Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA). Começou
exercer a profissão como médica pediatra no Hospital de Crianças César Pernetta, em Curitiba,
e, mais tarde, assumiu a Diretoria de Saúde Materno-Infantil da SESA. Em 1980, o Brasil estava
começando a se abrir para a democracia, sua experiência bem-sucedida na Secretaria de Saúde
fez com que fosse convidada pelo Governo do Estado do Paraná a coordenar a campanha de
vacinação Sabin, para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou no
Município de União da Vitória, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da
Saúde. No mesmo ano, foi também convidada a retornar como diretora do Departamento
Materno-Infantil da SESA, quando então instituiu com extraordinário sucesso os programas de
planejamento familiar, prevenção do câncer ginecológico, saúde escolar e aleitamento materno.
No entanto, Zilda Arns frequentemente se afligia pelo fato de sua dedicação ao trabalho
impedi-la, em diversas ocasiões, de estar perto da família. Grávida do seu quinto filho, deixou
os outros quatro aos cuidados do pai, Aloysio, para fazer um curso de três meses na Colômbia,
em 1973. Algum tempo depois, seguiu com os estudos em saúde pública, que a levavam a passar
apenas os fins de semana em casa, enquanto ficava, de segunda a sexta-feira, na cidade de São
Paulo. Todavia, ocorreu uma fatalidade e seu companheiro e apoiador veio a falecer em 18 de
fevereiro de 1978, de enfarte fulminante, aos 46 anos, após resgatar uma de suas filhas de um
afogamento, na praia de Betaras, na costa do Paraná. Entretanto, mesmo viúva com cinco filhos,
o mais novo de quatro anos e o mais velho de quatorze, Zilda segue desprendida em seu trabalho
de salvar vidas.
Em 1983, após aproximadamente 25 anos de atuação na medicina, Zilda Arns atendeu
ao pedido da CNBB e fundou a Pastoral da Criança em parceria com Dom Geraldo Majella
Agnello, Cardeal Arcebispo Primaz de Salvador, Bahia, que na época era Arcebispo de
Londrina. Foi nesta ocasião que ocorreu o desenvolvimento de uma metodologia comunitária
com objetivo de ampliar conhecimento e solidariedade entre famílias em situação de
vulnerabilidade, tendo como referência o prodígio da multiplicação dos peixes e dos cinco pães
que alimentaram cinco mil pessoas, conforme narrado no Evangelho de São João (João 6, 1-
15). A educação das mães por meio de líderes comunitários capacitados mostrou ser a melhor
forma de combater a maioria das doenças facilmente preveníveis e a marginalização das
crianças.
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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A médica sanitarista e pediatra, mobilizou milhões de voluntários em todo o Brasil e
quando questionada sobre o que gerava o êxito no trabalho da Pastoral da Criança disse:
O maior segredo é trabalhar com amor naquilo em que se acredita, sabendo
onde se quer chegar e como trabalhar. Nossos líderes comunitários […] são
pessoas simples de coração imenso, verdadeiros doutores em cidadania que
aprendem as lições básicas de saúde, nutrição e educação e assumem o
compromisso de multiplicar o saber, de acompanhar e orientar as famílias
vizinhas. São elas que fazem a transformação social, e, certamente, são as
pedras angulares para a melhoria das condições sociais do país (Neumann,
2003, p. 130).
Zilda acreditava na transformação social que se dá por meio do ser humano, e afirmava
que o fato mais relevante nessa compreensão, é entender que “a solução dos problemas não está
reduzida à questão econômica, mas relacionada fortemente com a recuperação do tecido social”
(Neumann, 2003, p. 131).
Em 2004, Zilda Arns foi incumbida pela CNBB de uma nova missão, que consistia em
estabelecer e liderar a Pastoral da Pessoa Idosa. No momento presente, mais de cem mil idosos
são monitorados mensalmente por doze mil voluntários de 579 cidades de 141 dioceses de 25
estados do Brasil. Zilda Arns dedicava seu tempo para cumprir múltiplos compromissos,
incluindo sua função como coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa e coordenadora
internacional da Pastoral da Criança. Além disso, ela também atuava como representante titular
da CNBB no Conselho Nacional de Saúde e como membro do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Em 2006, Zilda Arns recebeu a indicação ao
Prêmio Nobel da Paz pelo significativo trabalho realizado na Pastoral da Criança. Ressalta-se
que a médica, além de seu excelente trabalho na área da saúde, sabia transitar no meio político,
exigindo os direitos dos mais desfavorecidos. “Presidentes, ministros, senadores e deputados
sabiam que a irmã do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns não batia às portas do poder em Brasília
com um pires na mão, pedindo favores. Exigia direitos” (Rodrigues, 2018, p. 9).
A partir de Antonio Gramsci (1975), entende-se que Zilda Arns pode ser considerada
uma intelectual orgânica. Além disso, tomando por base os modos de intervenção propostos
pela socióloga Gisèle Sapiro (2012), identifica-se que as práticas desenvolvidas por Zilda
abrangem ações de uma intelectual de instituição
5
e também de especialista
6
na posição de
5
Os intelectuais de instituição (sobretudo religiosa) ou de partido têm como tarefa principal ilustrar e defender a
doutrina e/ou a linha ideológica da instância à qual escolheram aderir (…). Eles precisam ajustar-se constantemente
às obrigações específicas que lhes são impostas e que subordinam os valores intelectuais à disciplina militante
(Sapiro, 2012, p. 39).
6
É aquele que informa as decisões dos poderes públicos e fornece fundamentos “científicos” das políticas públicas
(Sapiro, 2012, p. 43).
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Coordenadora da Pastoral da Criança e do Idoso representando a CNBB, e consequentemente,
a Igreja Católica nos diversos segmentos sociais, bem como de uma intelectual crítica
7
que
escrevia para jornais e revistas, ancorada em um saber especializado e no seu papel profético
da sociedade, com a finalidade de conscientizar as pessoas sobre o problema da mortalidade
infantil, enfrentando os profissionais da área da saúde e clérigos conservadores.
Zilda também sacudiu dogmas, procedimentos consagrados e o culto à
complexidade de poderosos setores da pediatria brasileira: adotou, nas frentes
de trabalho da Pastoral, soluções simples, baratas e, acima de tudo, rápidas
como o soro caseiro, no tratamento de prevenção da diarreia e de outras
doenças que enchiam os cemitérios brasileiros de cruzes brancas e pequenos
caixões. [...]enfrentou a oposição de cardeais conservadores ao olhar científico
e realista que encarou a questão dos métodos contraceptivos. De outro, não
hesitou em colecionar críticas de feministas e intelectuais de parte da
comunidade científica por sua luta vigorosa contra o aborto (Rodrigues, 2018,
p. 12).
No dia 12 de janeiro de 2010, estava em missão humanitária em Porto Príncipe, no Haiti,
para introduzir o trabalho da Pastoral da Criança no país. Contudo, quando terminou a palestra
no prédio paroquial da Igreja Sacré Coeur, onde discursava sobre a importância de cuidar das
crianças como um bem sagrado, promovendo o respeito a seus direitos e protegendo-as, o prédio
desabou com um terremoto e Zilda Arns veio a morrer. O corpo dela foi levado para o Município
de Curitiba/PR, transportado em carro aberto, onde foi aplaudida por uma multidão que se
despedia da médica missionária que havia fundado a Pastoral da Criança, diminuído a
mortalidade infantil drasticamente, educado homens, mulheres e crianças das classes populares
e marcado sua geração.
7
Produtor de representações coletivas e de uma interpretação do mundo, geralmente portadora de uma mensagem
ético-política, o intelectual crítico funda a legitimidade de suas tomadas de posição sobre seu capital simbólico,
isto é, sobre sua autoridade carismática junto a um público, capital frequentemente ligado antes a seu nome próprio
do que a seus títulos e, portanto, associado a sua pessoa (Sapiro, 2012, p. 27).
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Pastoral da Criança: breve contexto histórico
A história da Pastoral da Criança começa na Suíça, com a preocupante informação sobre
a taxa de mortalidade infantil do Brasil, corriqueira no cotidiano nacional, mas impactante no
primeiro mundo. Em 1982, a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu, em Genebra,
uma reunião sobre a paz e durante um dos intervalos, o diretor-executivo do Fundo das Nações
Unidas para a Infância (UNICEF), James Grant, conversou com Dom Paulo Evaristo Arns,
representante da Igreja Católica brasileira no encontro, sobre a necessidade de tomar
providências para salvar as crianças brasileiras, e a Igreja poderia ajudar a diminuir a
mortalidade infantil (Arns, 2010). Assim, sugeriu que fosse iniciado um projeto-piloto com o
apoio da UNICEF no Brasil. Dom Paulo Evaristo Arns pensou em sua irmã, Dra. Zilda Arns
Neumann.
Os direitos sociais no Brasil, na década de 1980, praticamente inexistiam. As áreas mais
afetadas eram a educação, saúde e segurança. O cenário político do Brasil caminhava para a
democracia, visto que o governo militar, instaurado em 1964, não mais se sustentava pela
corrupção, pelos inúmeros problemas sociais e diversos atos contra a falta de liberdade, não só
nos grandes centros urbanos que se formavam rapidamente, mas também no campo. A dívida
externa faz aumentar a dependência em relação aos países mais ricos. A crise do petróleo e a
diminuição da capacidade financeira fizeram os investimentos em educação e saúde
praticamente inexistirem por parte do Estado. Surgiram os bolsões de pobreza no campo e os
grandes centros urbanos se incharam pelo êxodo rural provocado pela industrialização. O país
amargava expressivos índices de desnutrição e mortalidade infantil (segundo o UNICEF, acima
de 80 óbitos no primeiro ano de vida para cada mil nascidos vivos), grande parte por doenças
preveníveis.
Na medicina, alguns conceitos médicos começaram a mudar no país naquela década. A
medicina curativa, amplamente utilizada, cedia lugar à medicina preventiva. Sabia-se que a
maior parte das doenças dos países em desenvolvimento poderiam ser facilmente evitadas. Os
estudos mostravam que não era a diarreia que matava e sim a desidratação causada por ela.
Zilda Arns, estudiosa, estava atenta às mudanças da medicina e conhecia os problemas dos
países pobres. Como pediatra, atendia centenas de crianças que chegavam a seu consultório,
doentes por falta de informação por parte das mães principalmente. Assim, ao ouvir a proposta
de seu irmão, pensou que o caminho para diminuir a mortalidade infantil era ensinar às mães a
cuidarem de forma correta de seus filhos (Pastoral da Criança, 2010).
Zilda Arns, uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a Pastoral da Criança
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Então, em 1983, Zilda Arns iniciou um projeto-piloto apoiada pela UNICEF e pela
CNBB, o qual deu origem à Pastoral da Criança. Para tal feito, a doutora contou com sua
experiência profissional e de vida, especialmente de sua infância por haver morado no interior
do município de Forquilhinha, em Santa Catarina, até os 11 anos. Neste lugar, não havia
médicos, luz elétrica ou posto de saúde; seus pais, filhos de alemães, recebiam muitos livros da
Europa e alguns destes eram de medicina caseira. Liam muito e ouviam sempre o rádio. Então
quando as pessoas da comunidade ficavam doentes iam até a casa de seus pais para buscar ajuda
e cura com a medicina caseira.
De posse dessas informações, a médica sanitarista e pediatra Zilda Arns defendia que
era preciso levar conhecimento à população, para que se trabalhasse com a prevenção e várias
doenças fossem evitadas, fato que poderia salvar muitas crianças da morte. Para isso, o
conhecimento deveria ser passado em linguagem acessível às pessoas. Dessa forma, ela criou
uma metodologia comunitária para difundir o conhecimento e a solidariedade entre as famílias
em situação de pobreza. A instrução das mães por líderes comunitários qualificados mostrou-se
a maneira mais eficaz de combater a maioria das enfermidades preveníveis e a exclusão social
das crianças. Assim, os líderes comunitários voluntários conscientizavam sobre cuidados
básicos e prevenção de doenças infantis, por meio de informações, aos responsáveis das
crianças até seis anos, e grávidas.
Assim, surgiu a Pastoral da Criança como uma iniciativa para combater as altas taxas
de mortalidade infantil no Brasil. Essa experiência de parceria entre o governo e organizações
não governamentais teve início com um projeto-piloto no município de Florestópolis, Estado
do Paraná, onde foram implantados projetos de aleitamento e reidratação de recém-nascidos,
ações que reduziram drasticamente a mortalidade infantil, que era muito alta na cidade. No
município, 73% da população trabalhava em função do corte de cana-de-açúcar para a usina de
álcool e açúcar e no plantio de algodão e café e possuía alta índice de mortalidade. Por isso, foi
o local escolhido para dar início ao projeto.
Zilda Arns acreditava que, para o desenvolvimento do trabalho, a educação popular era
o caminho para formar a liderança comunitária e assim conscientizar as pessoas sobre a
prevenção de doenças que estavam matando seus filhos. Com a consciência da importância da
educação popular para alcançar esse objetivo, desenvolveu um material especial, com
aproximações do método desenvolvido por Paulo Freire, com linguagem fácil, para todos
entenderem. Um ano depois do início do trabalho em Florestópolis, a taxa de mortalidade
reduziu de 127 óbitos por mil nascidos vivos para 28 óbitos (Batalha, 2003, p. 41). Ressalta-se
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a relevância do voluntariado no desenvolvimento do trabalho na Pastoral da Criança e o
compromisso de todos no bem-estar das crianças. Segundo a médica pediátrica,
Ser voluntário é um meio de realizar uma missão, reavivar os valores
humanitários e agir em comunhão com as pessoas. A responsabilidade pelo
bem-estar das crianças, famílias, comunidade e pelo desenvolvimento do
nosso país é de todos. Precisamos agir de forma articulada e intersetorial para
superar os problemas e dificuldades para que todos os brasileiros possam ter
vida plena (Neumann, 2010).
Dessa forma, expande o trabalho por todo o território nacional. Para multiplicar o saber
e a solidariedade no projeto, foram criados três instrumentos: visita domiciliar às famílias; dia
do Peso, também chamado de Dia da Celebração da Vida; e reunião Mensal para Avaliação e
Reflexão, todos contemplados no Guia do Líder da Pastoral
8
. Ainda segundo Zilda Arns, o
trabalho atuava nas classes econômica, política, social e religiosa.
[…] no plano econômico, o trabalho da Pastoral da Criança possibilita aos
governos fazer muito mais com os mesmos recursos; no plano político,
estimula a participação social no controle do uso dos recursos públicos; no
plano social, ajuda as pessoas a se promoverem, a tornarem-se sujeitos de sua
própria história e no plano religioso, possibilita a união da com a vida
(Neumann, 2000, p. 93-94).
Destaca-se, também, na formação da Pastoral da Criança, a atuação do Arcebispo da
Arquidiocese de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, pela intensa defesa dos direitos
humanos. Graças ao seu trabalho com a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, muitos
exilados puderam retornar ao Brasil, caracterizando, assim, o compromisso de defesa da vida
daqueles que lutavam pela volta da democracia no País. O educador Paulo Freire foi um dos
exilados que, ao retornarem ao Brasil, contou com o apoio de Dom Paulo Evaristo Arns.
Após duas décadas de atuação, a Pastoral da Criança acompanhou um total de 1.816.261
crianças menores de seis anos e 1.407.743 famílias carentes em 4.060 municípios brasileiros.
Durante esse período, os voluntários da Pastoral levaram solidariedade e conhecimentos sobre
saúde, nutrição, educação, cidadania e espiritualidade para as comunidades mais
desfavorecidas, criando condições para que elas se tornassem protagonistas de suas próprias
8
Guia do Líder é um livro de 255 páginas, usado pelos voluntários da Pastoral da Criança, com letras grandes e
fotografias, que foi elaborado com a participação de todos os seus coordenadores diocesanos e apoio de técnicos
entidades parceiras, como o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação, o Conselho Nacional de Secretários
Estaduais e Municipais de Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Federação Brasileira das Sociedades de
Ginecologia e Obstetrícia e a Organização Pan-Americana de Saúde. Neste livro, o voluntário conhece as etapas
de desenvolvimento da criança para usá-las como parâmetros em sua comunidade. Essas etapas são as mesmas,
independente da cultura (Batalha, 2003, p. 110-115).
Zilda Arns, uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a Pastoral da Criança
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vidas. Dois aspectos são particularmente enfatizados na abordagem da Pastoral da Criança: a
democratização do conhecimento e a formação integral das famílias, buscando desenvolver o
potencial humano em todos os aspectos.
[…] no início da Pastoral da Criança, tínhamos presente que o trabalho de
prevenir doenças e a marginalidade junto às famílias dependia muito da
democratização do saber, da formação humana para a prática e exercício da
cidadania, da corresponsabilidade social e da sociedade, até do poder
constituído (Neumann, 1996, p. 113).
Nessa declaração, podemos observar o desejo de compartilhar conhecimento e a
importância atribuída à educação das famílias como um fator fundamental para alcançar os
objetivos propostos. Havia uma preocupação em como os líderes da Pastoral da Criança, muitos
dos quais eram analfabetos, poderiam ser motivados a se sentirem capacitados para mudar a
realidade em suas comunidades, onde a vida era negada devido a condições indignas. Fica,
então, evidente a valorização da educação como um elemento transformador da realidade,
conforme relatado por Zilda Arns: “Tinha certeza de que reduziria a mortalidade infantil, a
desnutrição e a violência familiar com a educação das mães e das famílias(Neumann, 2003,
p. 66).
O trabalho da Pastoral da Criança, além do apoio da UNICEF, passou a ter o Ministério
da Saúde como principal financiador, com cerca de 70% das verbas
9
, e estendeu-se por mais de
vinte países da América Latina, Ásia, África, Caribe e foi fundamental para reduzir a
mortalidade infantil. Atualmente, a “Pastoral da criança do Brasil é apontada como uma das
mais importantes organizações comunitárias, em todo o mundo” (Neumann, 2003, p. 120). E a
educação popular, apoiada pela Igreja Católica, amplamente trabalhada por Paulo Freire, e
apoiada pelo Ministério da Educação, principalmente no trabalho de alfabetização de Jovens e
Adultos da Pastoral, foi um pilar importante para o desenvolvimento das ações que reduziram
a mortalidade infantil no Brasil e nos países em desenvolvimento em que a Pastoral esteve
presente.
9
A Pastoral da Criança também teve apoio da Rede Globo de Televisão, por intermédio do programa Criança
Esperança, o qual é o maior parceiro não-governamental. E a Igreja é responsável pelo apoio logístico e pela
mobilização das redes de voluntários (Neumann, 2003, p. 119).
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Educação Popular
Na conjuntura brasileira, muitos estudiosos se interessaram pelo tema de Educação
Popular e sua definição. Segundo Fernando de Azevedo, o embrião da Educação Popular no
Brasil se deu com o trabalho pedagógico dos primeiros missionários Jesuítas, os quais
ensinavam a mestiços, brancos e indígenas.
Atraindo os meninos índios às suas casas ou indo-lhes ao encontro nas aldeias;
associando numa mesma comunidade escolar, filhos de nativos e de reinóis
brancos, índios e mestiços e procurando na educação dos filhos conquistar
e reeducar os pais, os jesuítas não estavam servindo apenas à obra da
catequese, mas lançavam as bases da Educação Popular (Azevedo apud
Brandão, 1984, p. 28).
Mas foi a partir do final da década de 1950 e início da década de 1960, com a Lei Federal
n.º 4.024, de 20 de dezembro de 1961, que fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, que as práticas
educativas nos meios populares tiveram um amplo impulso devido ao contexto sociopolítico e
econômico da época. No decorrer desse período, novas pedagogias nacionais foram
estabelecidas por meio de reformas educativas, cujo objetivo era instituir mão de obra
aperfeiçoada, maior integração da população na economia e garantia da hegemonia capitalista,
sem necessariamente explicitar uma preocupação com a transformação das estruturas sociais.
Nesse contexto, as atividades de promoção humana distinguiam-se pelo investimento
nas reformas educativas, as quais estavam vinculadas às primeiras agências de Educação de
Adultos (ligadas à ONU e à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO), fato que refletiu mais tarde no apoio ao trabalho em prol da luta pela
diminuição da mortalidade infantil, realizado pela Pastoral da Criança e coordenado pela Dra.
Zilda Arns.
O educador Paulo Freire
10
, nessa época, tornou-se uma das principais referências no
século XX para se compreender a Educação Popular. Sua compreensão era de que “a educação
popular é entendida como o esforço de mobilização, organização e capacitação das classes
populares” (Freire; Nogueira, 2005, p. 19). Suas contribuições destacaram-se, primeiro, no
10
As fontes filosóficas que Paulo Freire teve como base foram o pensamento de Tristão de Atayde, o personalismo
de Emanuel Mounier, o pensamento de Jacques Maritain, o existencialismo de Kierkegaard, o neomarxismo de
Eric Fromm, a educação como política de Gramsci, entre outras. Estas são algumas das fontes que Freire usou para
nutrir a base antropológica e sociopolítica de seu raciocínio. Ressalta-se o fato de que Paulo Freire foi católico,
com uma visão ecumênica da religião. O seu cristianismo se fundamenta numa teologia libertadora, a qual pode
ser observada no livro “Pedagogia do Oprimido” (1970), em que traça uma abordagem dialética da realidade, cujos
determinantes se acham nos fatores econômicos, políticos e sociais.
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Brasil, depois, no Chile, quando estava exilado, após o golpe que instalou a ditadura militar de
1964, e em seguida, o método, a teoria e a prática educativa freireana, se difunde em toda a
América Latina. Atualmente, sua proposta influencia a educação em todos os Continentes.
A proposta da Educação Popular, em Freire, era de não exercitar um ensino passivo,
uma educação bancária, mas estimulava a aprendizagem a partir da averiguação do educando
dentro de sua realidade. Ou seja, o educador jamais expõe o conteúdo finalizado, mas instiga o
educando a construir seu conhecimento, a buscar sua autonomia, a desenvolver sua criticidade,
sua reflexão dentro de seu contexto, de sua própria realidade. É uma abordagem de trabalho
pedagógico voltada a conscientizar o povo e se tornar um instrumento de transformação, como
afirmado por Freire (1967).
O primeiro ensaio de educação com as classes populares, a que se deu o nome de
Educação de Base, Educação Libertadora, e mais tarde Educação Popular, originou-se no
interior de movimentos da sociedade civil. Ou seja, o ambiente estratégico que funda a
Educação Popular é o dos movimentos e centros de cultura popular, movimentos de educação
de base (MEB)
11
, comunidades eclesiais de base (CEBs)
12
, Movimento de Cultura Popular
(MCP), no Recife, e ação popular.
Para se entender de maneira mais proficiente essa proposta de educação de cunho
libertador, é importante trazer à luz a experiência que marcou a Educação Popular no Brasil, o
episódio da “Revolução de Angicos”
13
, liderada por Paulo Freire, que aconteceu no interior do
estado do Rio Grande do Norte, onde se deu uma experiência desbravadora e ousada no começo
dos anos de 1960, antes da ditadura militar. A nova didática promovida nos Círculos de Cultura
evidenciou que em 40 horas um grupo de pessoas pobres, oprimidas e esquecidas pela sociedade
no interior do Nordeste, puderam ser alfabetizados por meio de “temas geradores”, ou seja, por
textos que faziam parte do contexto de vida do respectivo grupo, por palavras em vez de letras
(Lyra, 1996). Para Paulo Freire: “A leitura do mundo precede sempre a da palavra e a leitura
desta implica a continuidade da leitura daquele” (Freire, 1989, p. 22).
11
Em 21 de março de 1961 surge, oficialmente, o MEB, por Decreto 50.370/61, do Presidente Jânio Quadros,
para as áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País, com duração de 5 anos. Movimento criado pela CNBB
para promover uma educação de base por meio de um convênio entre a Igreja e a Presidência da República,
assinado pelo Secretário-Geral, Dom Helder Câmara. Especificamente, foi convênio com o Ministério da
Educação e Cultura (Wanderley, 1984; Fávero, 2006).
12
Entre as décadas de 1960 a 1980, as CEBs tiveram um papel importante, pois eram espaços para organização
popular. Durante o golpe militar em 1964, foram brutalmente atacadas. Nesse sentido, as CEBs adotaram função
relevante nas lutas do povo brasileiro e no processo de redemocratização da sociedade brasileira (Betto, 1981).
13
Angicos tornou-se uma palavra emblemática para todos aqueles que se interessam pela Educação Popular. A
cidadezinha localizada no sertão do Rio Grande do Norte foi o palco em que, pela primeira vez, Paulo Freire, em
princípios de 1963, pôs em prática o seu famoso método de alfabetização de adultos (Germano, 1997, p. 389).
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No que diz respeito às tendências pedagógicas, a Educação Popular teve seus alicerces
na corrente pedagógica libertadora, a qual ultrapassa as fronteiras da pedagogia, colocando-se
também no campo da economia, da política e das ciências sociais. A educação emancipatória
parte do princípio do pensamento popular, do povo. O currículo é construído com base na
realidade concreta, atual e existencial. A situação apresentada - frequentemente desfavorável -
deverá ser analisada criticamente e considerada como um desafio com questões a serem
superadas por meio da reflexão e ação (práxis). Os temas geradores são reflexões baseadas no
pensamento do povo, que não ocorrem em um vácuo, mas sim nas pessoas, nas relações entre
elas e nelas, e nas relações delas com o mundo. A exploração das temáticas relevantes é
realizada por meio do diálogo e é objeto de reflexão coletiva, em um processo de investigação
cada vez mais aprofundado, buscando uma compreensão abrangente - econômica, política,
social. Por esse olhar, Freire diz:
A pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, terá dois
momentos distintos. O primeiro, em que os oprimidos vão desvelando o
mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis com sua
transformação; o segundo em que, transformada a realidade opressora, esta
pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em
processo de permanente libertação (Freire, 1970, p. 27).
Quando se deu a implantação da ditadura militar, em abril de 1964, o Brasil contava
com mais de 20 mil Círculos de Cultura, os quais duraram aproximadamente duas décadas.
Nesse mesmo contexto, a Juventude Universitária Católica foi fragilizada e o Movimento de
Educação de Base foi desconfigurado num processo contínuo. Mas a tese de uma educação
como ferramenta de prática revolucionária e de transformação, de instituir a prioridade de
justiça, igualdade e solidariedade, persistiu entre todos os que participavam e lutavam por esse
trabalho – especialmente os cristãos.
Em algumas comunidades de nossos sertões, de nossas cidades esparramadas
entre o trabalho e o medo, começava a surgir aquilo que, logo depois, viemos
a chamar de “outra forma de ser Igreja” [...] valia para católicos e também
para evangélicos, irmanados agora em um mesmo projeto humano de
construção do futuro. [...] um lugar de agente consciente e condutor de uma
nova história, animava, como um “novo sopro do Espírito”, a todos aqueles
que começaram a criar entre nós ao mesmo tempo: os círculos bíblicos, as
igrejas do evangelho, as comunidades eclesiais de base e a teologia da
libertação [...]. Muitos deles haviam aprendido a balbuciar pela primeira vez
estas palavras e a pensar em volta do fogo, o seu significado, junto ao que
então, aqui e ali, já se chamava: Educação Popular (Brandão apud Preiswerk,
1997, p. 11-12).
Zilda Arns, uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a Pastoral da Criança
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Nesse período que aflorava a Educação Popular no Brasil em meio à efervescência
cultural e política que o país vivia, Zilda Arns, como intelectual orgânica e militante,
desenvolvia seus projetos junto aos órgãos públicos e privados de saúde, visando ajudar os mais
necessitados a se tornarem protagonistas de suas histórias e, consequentemente, salvarem a vida
de seus filhos.
Zilda, muito comprometida com os valores cristãos, professava a católica e era muito
próxima de seu irmão, ex-Arcebispo de São Paulo Dom Evaristo Arns religioso que lutava e
defendia o povo das injustiças e mazelas sociais e de seus outros irmãos, que também
decidiram seguir a vida religiosa. Assim, seu trabalho estava atrelado ao comprometimento de
ajudar, principalmente, ao próximo desfavorecido. Mesmo com o Golpe Militar de 1964,
continuou exercitando seu trabalho nos órgãos públicos de saúde, devido sua habilidade como
intelectual orgânica que transcendia a medicina e perpassava às questões sociais e políticas.
Segundo Rodrigues, a médica foi uma mulher
destemida e iluminada que soube conciliar, como poucos, ciência e fé,
competência e coragem, para enfrentar o obscurantismo de alguns setores da
Igreja, a incompetências de políticos e da emperrada máquina burocrática dos
governos, assim como dos interesses dos poderosos da mercantilização da
medicina (Rodrigues, 2018, contracapa).
Educação Popular e a Igreja
A Igreja Católica da América Latina, especialmente após o Concílio do Vaticano II, que
ocorreu em quatro sessões entre 1962 e 1965, se destacou por sua dedicação no campo da
Educação Popular, empenhando-se em projetos de libertação dos oprimidos por meio de uma
atuação educativa e profética. Esses fatores permitiram que a igreja agisse imersa na realidade
concreta e contextualizada, com uma abordagem sócio-histórica e política.
Segundo Enrique Dussel (1999), muitos movimentos pastorais e sociopolíticos,
principalmente juvenis, como as juventudes católicas camponesas, operárias, estudantis,
universitária, movimento estudantil cristão protestante, dentre outros, estimularam e
avigoraram os projetos de libertação dos oprimidos, os quais são entendidos à luz dos conceitos
e definições sobre “Educação Libertadora” abordada neste artigo, que tinha como uma de suas
principais ferramentas a Educação Popular.
Paulo Freire discute essa questão ao sugerir que as Igrejas da América Latina podem ser
divididas em dois aspectos principais: modernizantes e tradicionais. As igrejas modernizantes
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são aquelas que optaram por uma abordagem educativa libertadora. Por outro lado, as igrejas
tradicionais são aquelas que ainda estão presas a uma metodologia que aliena as classes sociais.
Essas igrejas ainda não compreenderam que a humanização está ligada à libertação e que a
libertação implica na transformação integral do ser humano. De acordo com Matthias
Preiswerk, “a Igreja foi ousada ao entregar na mão de um grupo de leigos, boa parte recém-
saída da Ação Católica, a responsabilidade de realizar a alfabetização de adultos, por meio de
uma educação conscientizadora” (Preiswerk, 1997, p.10).
Esses grupos constituídos por leigos construíram uma extensa “ação popular de base”
demandando participação na vida da Igreja e na história sociopolítica do país, ou seja,
transformando-se em sujeitos ativos e protagonistas diante da realidade concreta, que os
conduzia a conhecerem, a sentirem toda situação de miséria do contexto socioeconômico e
político em que as pessoas estavam subjugadas.
À vista disso, esse grupo de leigos se revoltou com aversão ético-religiosa, o que os
motivou a enfrentar a injustiça social. Dessa forma, o Movimento de Educação de Base, entre
outros, teve a participação e engajamento dos leigos, principalmente dos seguidores da cristã,
como uma maneira de reivindicar um direito fundamental, o da liberdade e humanização do
próximo. Para Rubem Alves (1999), os movimentos de base expressam o suspiro, as dores, as
aspirações dos oprimidos que desejam libertação e transformação social.
No entanto, no auge dos movimentos de base, principalmente dos MEBs, em prol da
conscientização e libertação do indivíduo, os apoiadores do contexto político de ditadura militar
procuraram encerrar essas atividades, devido às características consideradas "subversivas" que
elas possuíam. Todavia, os ativistas da educação que promoviam a "conscientização"
persistiram em seu trabalho. Essa ação estava diretamente ligada ao processo de renovação do
Concílio do Vaticano II, com o claro objetivo de adaptar a Igreja aos desafios da
contemporaneidade, incluindo a industrialização e urbanização.
A Educação Popular, por sua vez, teve uma ampla repercussão na Igreja, e após uma
adesão significativa por parte dos educadores cristãos e progressistas, grande parte desse apoio
se fundamentou ao identificar-se as bases ideológicas partilhadas entre a Teologia da
Libertação
14
e a Educação Popular, pois as duas se “encontram no mesmo terreno e às vezes
14
A Teologia da Libertação é um movimento socioeclesial que surgiu dentro da Igreja Católica progressista, na
esteira dos movimentos civis e de jovens no Brasil dos anos 1960, os quais, movidos por ideais de liberdade,
passaram a criticar tudo o que se vincula às práticas autoritárias e centralizadoras da época. Concomitantemente,
essa Teologia também influência os movimentos sociais ao ressaltar as classes populares como sujeitos de seu
próprio destino. A cristã, em sua reinterpretação analítica e antropológica, é a sua inspiração básica, vivida e
entendida como ação transformadora da realidade social. É uma teologia popular, das CEBs, e é capaz de repensar
Zilda Arns, uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a Pastoral da Criança
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com os mesmos atores” (Preiswerk, 1997, p. 24). A partir dessa concepção, segundo Gabriel
Priolli, o educador Paulo Freire
15
se apresentava como um cristão revolucionário e declarava
que foi como “camarada de Cristo que se aproximou dos favelados, desde os tempos de
educador iniciante” (Priolli apud Brandão, 2005, p. 41). O educador compreendia que a
identidade de "ser cristão" estava relacionada a "ser revolucionário":
Ser cristão não significa necessariamente ser reacionário, como ser
revolucionário não implica ser demoníaco’. Ser revolucionário significa estar
contra a opressão, contra a exploração, em favor da libertação das classes
oprimidas, em termos concretos e não em termos idealistas (Freire, 1982, p.
113).
A partir do viés da práxis da Educação Libertadora, chama-se a atenção para as
características que podem ser geradas na identidade de cada cristão comprometido com a
Educação Popular.
Cristãos comprometidos com a Educação Popular refletirão sobre sua
identidade e darão conta dela aos outros atores da experiência educativa [...].
Cristãos comprometidos com a Educação Popular explicitarão sua identidade
a partir de sua própria prática educativa dentro do movimento popular e das
instituições eclesiais com as quais estão vinculados [...]. Cristãos
comprometidos com a Educação Popular integrarão ou, se for o caso,
constituirão comunidades eclesiais, nas quais todos os atores que desejarem,
poderão refletir sobre seu compromisso, confrontá-lo com a Palavra de Deus
e celebrar sua fé (Preiswerk, 1997, p. 374-376).
Nesta perspectiva de cristã progressista, formada naquele contexto sociopolítico e
econômico e comprometida com a conscientização e libertação de seu semelhante, Zilda Arns
imergiu profundamente nas áreas de saúde pública, pediatria e sanitarismo, com o propósito de
resguardar crianças em situação vulnerável da mortalidade infantil, desnutrição e violência em
seus contextos familiar e comunitário. Consciente de que a educação se revelava como o meio
mais efetivo para enfrentar a maioria das doenças de prevenção simples e a exclusão social das
crianças, direcionou seus esforços aos hospitais e secretarias de saúde públicas nas décadas de
1960 e 1970 e paralelamente à sua família, sempre presente em sua vida. No início da década
de 1980, com a reabertura para a democracia que estava acontecendo no país, estabeleceu as
a função social da Igreja. Um dos expoentes mais conhecidos da Teologia da Libertação, no Brasil, é o franciscano
Leonardo Boff (Otto, 2021, p. 298-299).
15
Paulo Freire pode ser considerado como um dos fundadores da Teologia da Libertação. O educador traz o
oprimido como um ser capaz de criar cultura, além de ser sujeito histórico. Esse ser é capaz de transformar a
sociedade, quando os seres humanos se conscientizam e se organizam. “A Teologia da Libertação ao fazer a opção
pelos pobres contra a sua pobreza assume a visão de Paulo Freire” (Boff, 2008, p.18-19).
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concepções e a práxis da Educação Popular em seu novo projeto para salvar vidas, que seria
desenvolvido junto com a CNBB.
Pastoral da Criança x Educação Popular
Em meio à efervescente reabertura para a democracia no país, surge o projeto da Pastoral
da Criança com o apoio da CNBB e da UNICEF, coordenado por Zilda Arns. Neste, o
encaminhamento metodológico das atividades tem o diálogo e a conscientização entre os
participantes como principais pilares e o ensino contempla momentos de prática e teoria.
No método de Freire, as palavras-chave começam a emergir durante o
processo de levantamento do vocabulário dos alunos. Na Pastoral da Criança,
o processo é iniciado com as palavras do universo da própria Pastoral. Em
Freire, o objetivo da alfabetização de adultos é promover a conscientização
sobre os problemas sociais para o conhecimento da realidade social, aspecto
também presente na agenda da Pastoral da Criança. Segundo Zilda Arns, os
“alunos aprendem a ler e escrever através das palavras-chave na Pastoral, tais
como: soro caseiro, saúde, nutrição, família, comunidade, fraternidade, fé,
Deus e outras” (Otto; Rodrigues, 2020, p. 9).
São realizadas diversas oficinas para aperfeiçoamento dos conteúdos trabalhados nas
capacitações dos líderes comunitários e o processo de formação das grávidas e dos responsáveis
de crianças até seis anos é amplo, procurando envolver as diversas dimensões da vida humana:
espiritual, emocional, biológica, cognitiva, sociocultural e política. Zilda Arns destaca “que a
própria Organização Mundial de Saúde, baseada em pesquisas, diz que as pessoas que têm fé
são mais saudáveis, menos violentas e mais felizes” (Entrevista..., 2003). Assim, na Pastoral
não somente pesa-se as crianças, mas procura-se desenvolvê-las em sua totalidade, dentro de
um contexto familiar e comunitário.
Nessa perspectiva, a Pastoral da Criança realiza estudos fundamentados na metodologia
da Educação Popular e promove ações para decodificar os conhecimentos científicos nas áreas
de saúde, nutrição, educação e cidadania, necessários para a educação das gestantes, lactantes
e seus filhos. Esses estudos relacionam os conhecimentos científicos decodificados com o
conhecimento popular, construindo coletivamente um novo conhecimento, chamado de
"científico-popular", que tem significado para as líderes e as famílias acompanhadas. Os
estudos contribuem para a transformação da realidade socioeconômica e política por meio do
processo de conscientização sobre os direitos sociais básicos.
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Dessa forma, foi compreendido que é necessário organizar a comunidade em grupos
menores. Os membros são educados para se sentirem responsáveis uns pelos outros e são
convidados a compartilhar o que são e têm: seu tempo e sua vida. A explicação de Zilda Arns
retrata a educação para a solidariedade, autonomia e conscientização, valores que a Pastoral da
Criança busca desenvolver em suas atividades. Com a diretriz de "ver-julgar-agir-avaliar-
celebrar"
16
, os membros se engajam em práticas e ações de natureza educativa, de forma
simples, mas intencional. O "ver" permite que um coordenador, junto com o grupo, defina o
tema gerador a ser analisado. O "julgar" envolve analisar e estudar o tema gerador ou uma
história específica para descobrir as causas e soluções provisórias. No "agir", propõe-se a
definição de como realizar a prática e as estratégias a serem adotadas. No "avaliar", o grupo
tem a oportunidade de buscar melhorar o desempenho e aprimorar sua ação. E, por fim, no
"celebrar", são destacadas as conquistas, vitórias, fracassos, alegrias e a esperança de que é
possível mudar uma situação inadequada.
Ressalta-se que tendo em vista suas características de inserção na realidade e de análise
dos temas geradores, a diretriz possui um alto potencial para a práxis político-educativa na
perspectiva da transformação proposta pelo educador Paulo Freire, caracterizando-se como um
método da Educação Popular.
A Educação Popular possui uma profunda e coerente relação entre teoria e prática,
enfatizando a importância do espírito democrático e revelando a realidade de maneira radical.
Isso é evidente na forma como as comunidades populares se organizam para lutarem contra as
injustiças sociais. Além disso, a Educação Popular valoriza todos os indivíduos,
independentemente de sua posição na comunidade, considerando o conhecimento que cada um
carrega internamente.
No processo de formação, a Educação Popular é caracterizada pela sua clareza política,
que vai além das diferenças existentes entre os envolvidos. Isso inclui superar a ideia de que
somos superiores e salvadores das comunidades pobres, reconhecendo a experiência e o
conhecimento das pessoas que nelas vivem. A participação ativa das pessoas em todos os
momentos formativos é valorizada, promovendo uma troca de conhecimentos em que
ensinamos e aprendemos ao mesmo tempo. A Educação Popular também busca superar
16
Diretriz criada por Joseph Cardjin, padre de origem belga, fundador da Juventude Operária (JOC). No entanto,
a trilogia original era composta de três ações, “ver, julgar e agir”. No projeto da Pastoral da Criança foram
acrescentadas duas ações, o avaliar e o celebrar. Cardjin trabalhou pelo compromisso social da Igreja Católica no
início do século XX. Na sua concepção, para o homem fazer uma profunda reforma espiritual, é necessário fazer
uma reforma do meio em que vive e trabalha, já que aquele é fruto deste (Brighenti, 2015).
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preconceitos de raça, classe e gênero, visando democratizar as relações humanas e despertar a
solidariedade entre as pessoas.
A Educação Popular procura, também, promover o diálogo nas comunidades, a fim de
que, a partir da análise crítica da realidade vivenciada, as pessoas se conscientizem e superem
a tradição autoritária imposta pelas classes opressoras. É importante que sejam sujeitos ativos
no processo de transformação, e não apenas expectadores passíveis de manipulação. Dessa
forma, sabe reconhecer a participação das classes populares e faz-se necessária para que
verdadeiramente as pessoas despertem como agentes de transformação e não como objetos de
domesticação. E assim a médica Zilda Arns desenvolveu as concepções e a práxis educativa da
Educação Popular na Pastoral da Criança, de forma que o aprendizado alcançasse a todos os
envolvidos, transformando-os em protagonistas de suas vidas, independente do grau de
escolaridade e conhecimento.
Assim, o propósito da Pastoral da Criança é promover a inclusão social das pessoas que
são menos privilegiadas em termos de dignidade humana, saúde e alimentação sobre a égide da
Educação Popular como um dinamizador para a autonomia dos acolhidos, permitindo que os
objetivos sejam alcançados de forma autossustentável, por meio da formação de deres
comunitários que conscientizavam os responsáveis pelos cuidados com as crianças, a partir da
própria realidade em que estavam inseridos, o que gerava, consequentemente, a diminuição
significativa da mortalidade infantil.
Considerações finais
Zilda Arns teve uma vida de muito trabalho e reconhecimento pela implantação de
programas de Saúde blica celebrados em todo o mundo. Esse trabalho foi realizado com
grande dedicação e muitas vezes enfrentou adversidades, como a resistência de políticos,
burocratas do sistema de saúde pública, representantes da indústria farmacêutica e até mesmo
colegas médicos e a própria Igreja Católica. No entanto, o reconhecimento não veio apenas dos
governos, mas também de pessoas anônimas, como um gari que, em um momento de encontro
com Zilda Arns antes de sua viagem para o Haiti, pediu para tirar uma foto com "a mulher que
cuida das crianças no Brasil". Zilda Arns foi uma intelectual militante, com um capital
simbólico importante para a sociedade brasileira, e demonstrava autonomia em relação às
demandas políticas.
Zilda Arns, uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a Pastoral da Criança
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A práxis da Educação Popular foi fundamental na implementação e desenvolvimento do
trabalho da Pastoral da Criança. Contudo, uma característica marcante da fundadora Zilda Arns,
que também contribuiu de forma significativa para o progresso do trabalho, foi sua
amorosidade. Para ela, "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos
significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça, significa não ter preconceitos, aplicar
nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais
necessitam" (Pastoral da Criança, 2010). Dessa forma, foi instigada por seu irmão Dom Paulo
Evaristo Arns e despertou em si mesma, inicialmente, a compreensão da importância de agir
para salvar a vida das crianças e, posteriormente, despertou nas pessoas o sonho coletivo de
que, ao unir esforços, é possível construir uma sociedade mais justa e solidária. Combater a
mortalidade infantil não era apenas uma intenção, mas sim uma missão para ela.
A Pastoral da Criança, com a união de diversos segmentos da sociedade, soma esforços
na busca por solucionar os problemas nas comunidades. Com esse estilo de trabalho, cuja mola
propulsora é multiplicar o conhecimento e despertar a esperança nas pessoas de que a
comunidade unida pode transformar sua realidade, Zilda Arns - intelectual militante, médica
dos oprimidos, protetora da criança e fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança -,
aproximou sua visão de mundo ao pensamento de Paulo Freire, ícone da Educação Popular.
Ambos amavam as pessoas e lutavam para que a justiça social se implantasse antes da caridade.
Desde o início, a metodologia da Pastoral da Criança teve como objetivo abordar
aspectos de educação, cidadania, saúde, nutrição e espiritualidade ecumênica, por isso, evitou
a criação de estruturas complexas, priorizando o empoderamento das pessoas nas comunidades
envolvidas. E isso aconteceu com a práxis da Educação Popular estabelecida no
desenvolvimento do trabalho que transformava os integrantes da Pastoral em protagonistas de
suas histórias, transformadores de suas realidades e multiplicadores de conhecimento, tal qual
a proposta de Paulo Freire para a Educação Popular, demonstrando a relação de proximidade
ideológica. Enfim, pode-se afirmar que Zilda Arns como mulher cristã, intelectual, soube
transitar na esfera da saúde, da educação, da política e da espiritualidade com maestria.
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Nossos agradecimentos especiais ao Programa de Pós-Graduação em
Educação (PPGE) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: A pesquisa / narrativa não apresentou necessidade de parecer de Comitê
de Ética.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável
Contribuições dos autores: Todos os autores dedicaram-se ao aprofundamento das leituras
bibliográficas, apresentando tessituras, intersecções e leituras críticas que deram o aporte
necessário ao constructo coletivo da narrativa científica.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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ZILDA ARNS, UNA INTELECTUAL MILITANTE Y SU RELACIÓN CON LA EDUCACIÓN
POPULAR Y LA PASTORAL DA CRIANÇA
ZILDA ARNS, UMA INTELECTUAL MILITANTE E SUA RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO
POPULAR E A PASTORAL DA CRIANÇA
ZILDA ARNS, A MILITANT INTELLECTUAL AND HER RELATIONSHIP WITH PASTORAL
DA CRIANÇA AND POPULAR EDUCATION
Cómo hacer referencia a este artículo:
THOMÉ, A.; ORLANDO, E. de A.; MESQUIDA, P. Zilda Arns,
uma intelectual militante e sua relação com a Educação Popular e a
Pastoral da Criança. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.19072
| Enviado en: 15/07/2023
| Revisiones requeridas en: 11/09/2023
| Aprobad en: 07/12/2023
| Publicado en: 26/02/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontificia Universidad Católica de Paraná (PUC-PR), Curitiba PR Brasil. Estudiante de doctorado en el
Programa de Posgrado en Educación.
2
Universidad Estadual de Río de Janeiro (UERJ), Río de Janeiro RJ - Brasil. Profesora del Departamento de
Ciencias Sociales y de la Educación EDU /UERJ.
3
Pontificia Universidad Católica de Paraná (PUC-PR), Curitiba PR Brasil. Profesor Titular y Asesor en el
Programa de Posgrado en Educación. Doctorado en Ciencias de la Educación (UNIGENÈVE) Suiza.
Adriana THOMÉ1
e-mail: libiebrasil@gmail.com
Evelyn de Almeida ORLANDO2
e-mail: evelynorlando@gmail.com
Peri MESQUIDA3
e-mail: mesquida.peri@gmail.com
Zilda Arns, una intelectual militante y su relación con la Educación Popular y LA Pastoral da Criança
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.19072 2
RESUMEN: El artículo tiene como objetivo presentar a la doctora Zilda Arns como mujer
intelectual y su relación con la Pastoral da Criança y la Educación Popular. Para ello, se
presentará la trayectoria de vida de Zilda Arns, articulado al contexto histórico de la Pastoral
da Criança y de la Educación Popular. La pregunta guía de la investigación es: ¿Cuál es la
relación de la intelectual Zilda Arns con la Pastoral da Criança y la Educación Popular? La
contribución teórica se centra en Paulo Freire (1967; 1970; 1982; 1989; 2005; 2007), Zilda Arns
(1996; 2003; 2000; 2010), Brandão (1984; 2005), Orlando (2021), Sapiro (2012), Batalha (2003
y Codini (2014). El método utilizado para el desarrollo de la investigación fue la hermenéutica
fenomenológica, con un enfoque cualitativo. Los resultados mostraron que Zilda Arns fue una
intelectual militante, que acercó su cosmovisión al pensamiento de Paulo Freire, teórico
práctico de la Educación Popular, y así implementó la Pastoral da Criança a través del diálogo
y la conciencientización.
PALABRAS CLAVE: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Educación Popular. Paulo Freire.
RESUMO: O artigo objetiva apresentar a médica Zilda Arns como mulher intelectual e sua
relação com a Pastoral da Criança e a Educação Popular. Para tal compilação, será
apresentada a trajetória de vida de Zilda Arns articulada ao contexto histórico da Pastoral da
Criança e da Educação Popular. A pergunta norteadora da pesquisa é: Qual a relação da
intelectual Zilda Arns com a Pastoral da Criança e a Educação Popular? O aporte teórico está
centrado em Paulo Freire (1967; 1970; 1982; 1989; 2005; 2007), Zilda Arns (1996; 2003;
2000; 2010), Brandão (1984; 2005), Orlando (2021), Sapiro (2012) e Batalha (2003). O
método utilizado para o desenvolvimento do estudo foi a hermenêutica fenomenológica, com
abordagem qualitativa. Os resultados apontaram que Zilda Arns foi uma intelectual militante,
que aproximou sua visão de mundo ao pensamento de Paulo Freire, teórico prático da
Educação Popular, e assim implementou a Pastoral da Criança, por meio do diálogo e
conscientização.
PALAVRAS-CHAVE: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Educação Popular. Paulo Freire.
ABSTRACT: The paper aims to present the doctor Zilda Arns as an intellectual woman and
her relationship with the Pastoral da Criança and Popular Education. Therefore, the life
trajectory of Zilda Arns will be presented, articulated to the historical context of the Pastoral
da Criança and Popular Education. The guiding question of the research is: What is the
relationship of the intellectual Zilda Arns with the Pastoral da Criança and Popular
Education? The theoretical contribution is centered on Paulo Freire (1967; 1970; 1982; 1989;
2005; 2007), Zilda Arns (1996; 2003; 2000; 2010), Brandão (1984; 2005), Orlando (2021),
Sapiro (2012), Batalha (2003), and Codini (2014). The method used for the development of the
research was phenomenological hermeneutics, with a qualitative approach. The results showed
that Zilda Arns was a militant intellectual, who brought her worldview closer to the thinking of
Paulo Freire, practical theorist of Popular Education, and thus implemented the Pastoral da
Criança, through dialogue and conscientization.
KEYWORDS: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Popular Education. Paulo Freire.
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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Introducción
Zilda Arns Neumann (1934-2010) fue una mujer que marcó la historia de su generación
a través de su trabajo, determinación, intelectualidad y amor por los demás. Cristiana
progresista, médica, fundó y coordinó la Pastoral da Criança, que ha salvado miles de vidas de
la desnutrición infantil en Brasil y otros países de América Latina, África, Asia y el Caribe.
Zilda Arns se arremangó y, inspirada por la pedagogía de Paulo Freire,
encontró por primera vez los recursos humanos capaces de movilizar a miles
de personas a favor de la reducción drástica de la mortalidad infantil: madres
y padres de niños de cero a seis años, asistidos por la Pastoral, transformados
en agentes multiplicadores (Betto, 2010, p. 1, nuestra traducción).
Para la médica de salud pública y pediatra Zilda Arns, la educación es transformadora,
una respuesta a los gritos de los necesitados, una expresión de solidaridad con todos,
especialmente con los marginados y olvidados. Esto fue evidente en todas sus cartas escritas a
los periódicos de la Pastoral da Criança y en todas las acciones de la Pastoral (Arns, 2010, p.
105-106). "[...] Yo, en la práctica de la medicina, he hecho mucho más por la educación para la
prevención de enfermedades que por curas y rehabilitaciones" (Neumann, 2003, p. 40, nuestra
traducción).
La Pastoral da Criança es una organización de acción social de la Conferencia Nacional
de Bispos de Brasil (CNBB), que forma parte de la Iglesia Católica. Para la sociedad, un
organismo del tercer sector
4
que tiene como uno de sus objetivos fundamentales la
democratización del conocimiento a través de acciones básicas de salud, nutrición, educación,
ciudadanía y espiritualidad de manera ecuménica. Se destaca la importancia de la educación
dentro de este proceso. Esto se trata de manera especial en el Concilio Vaticano II (1963-1965).
Para él, la educación debe orientarse hacia la solidaridad y preparar mejor a las personas para
actuar en la vida económica, política y social de una manera más humana.
Sin embargo, no puede ser una cuestión de Pastoral da Criança sin abordar la Educación
Popular, que tuvo al educador Paulo Freire como uno de los más importantes divulgadores
mundiales de este segmento. Para el educador, las Iglesias en América Latina tienen un papel
educativo. "Las Iglesias, de hecho, no existen, como entidades abstractas, están formadas por
4
Tercer Sector es el nombre adoptado para designar a las instituciones que no forman parte del Estado ni del
mercado. Al no pertenecer al sector público ni al sector privado, estarían en un tercer sector, que corresponde al
ámbito de la sociedad civil organizada (Paraná, 2023).
Zilda Arns, una intelectual militante y su relación con la Educación Popular y LA Pastoral da Criança
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mujeres y hombres 'situados', condicionados por una realidad concreta, económica, política,
social y cultural" (Freire, 2007, p. 123, nuestra traducción).
La educación popular precede la Pastoral da Criança y se desarrolló en un contexto de
efervescencia cultural y política. Nació de la propuesta de Freire de una educación que libere,
que luche en defensa de la vida, que no tolere a los opresores ni a las injusticias sociales. Inserto
en un contexto histórico, se esfuerza por transformarlo, con el fin de promover la justicia,
convirtiéndose en un espacio de fraternidad, paz y dignidad para todos. Fomenta una educación
en y para la libertad, a través de la cual todo ser humano pueda reconocerse como sujeto de
conocimiento e historia sin discriminación, sea hombre o mujer, rico o pobre. Todos deben
comprometerse con los oprimidos, no solo con programas asistenciales y paliativos, sino
también para garantizar que ejerzan su ciudadanía al máximo.
Así, el presente artículo tiene como objetivo presentar a la médica Zilda Arns como una
mujer intelectual orgánica, en el sentido gramsciano (Gramsci, 1975), y su relación con la
Pastoral da Criança y la Educación Popular. Para ello, se presentará la trayectoria de vida de
Zilda Arns, articulada con el contexto histórico de la Pastoral da Criança y la Educación
Popular, así como su relación con la Iglesia, sus supuestos filosóficos, sus tendencias
pedagógicas y el contexto sociopolítico-económico de Brasil.
El método de investigación utilizado para develar a la intelectual Zilda Arns fue la
hermenéutica fenomenológica con enfoque cualitativo, que lleva en su bagaje una visión
freireana del mundo, del sujeto y del ciudadano de/con el mundo. Es importante recalcar que
no se trata de una norma ni del único enfoque disponible, sino que es una forma de llegar a la
esencia sin perder de vista el fenómeno y todos los elementos asociados a él.
Zilda Arns: Trayectoria de vida
Zilda Arns Neumann nació en el municipio de Forquilhinha, estado de Santa Catarina,
el 25 de agosto de 1934. Era hija de Gabriel Arns y Helene Steiner, granjeros descendientes de
inmigrantes de Alemania, que tuvieron 16 hijos. De ellas, Zilda era la decimotercera. En su
infancia y juventud,
[...] Poco sabía yo que había un gobierno, que la escuela, la biblioteca
pública, la iglesia y las casas del sacerdote y las monjas eran construidas
por la comunidad, y que había una actividad comunitaria muy intensa.
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Tuvimos una experiencia familiar muy fuerte. Todas las noches nos
reuníamos para orar y cantar a tres o cuatro voces (Entrevista..., 1998,
nuestra traducción).
Con la convicción de que su propósito era dedicarse a la salud, optó por estudiar
medicina, incluso yendo en contra de los deseos de su padre, Gabriel Arns, quien tenía poca
educación formal, pero aun así la apoyó a pesar de no considerar una carrera como médico apta
para mujeres. Zilda completó sus estudios fundamentales (1º a 4º año) en Forquilhinha - SC, el
gimnasio y la escuela secundaria que cursó en Curitiba, en la escuela de la red Sagrado Coração.
En 1953, a los 19 años, aprobó el examen de ingreso y comenzó a estudiar medicina en la
Universidad Federal de Paraná (UFPR), donde un profesor la reprobó en el primer año, a pesar
de que era una de las primeras de su clase, porque pensaba que era absurdo que una mujer
estudiara medicina -había seis mujeres y 143 hombres en la clase-, pero para su sorpresa, Zilda
se convirtió en pediatra como él. Supo conquistar su espacio en un entorno mayoritariamente
dominado por hombres. Las mujeres de su generación "conscientes de su lugar social, tuvieron
que crear sus propias reglas para insertarse en los juegos de poder" (Orlando, 2021, p. 51,
nuestra traducción).
Zilda, desde estudiante, estuvo involucrada con causas sociales. En su primer año de
universidad, comenzó a cuidar a niños menores de un año como voluntaria, trabajo que la
impresionó con la gran cantidad de niños hospitalizados con enfermedades fácilmente
prevenibles, como diarrea y deshidratación.
Desde muy joven, Zilda Arns adoptó el principio católico de servir a los demás como
lema de vida. A pesar de que pensó en seguir una carrera religiosa, al igual que tres de sus
hermanas y dos hermanos, entre ellos el ex arzobispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns,
Zilda optó por una trayectoria en la que pudiera dedicarse a las comunidades necesitadas, tanto
en Brasil como en el exterior, como médica de salud pública, sin responsabilidades familiares.
En 1959 se graduó en medicina en la UFPR y conoció al carpintero y profesor Aloísio
Bruno Neumann, con quien se casó el 26 de diciembre de ese mismo año y tuvo seis hijos:
Nelson (Médico), Heloísa (Psicóloga), Silvia (Administradora de Empresas), fallecida en 2003
en un accidente automovilístico, Marcelo, fallecido poco después de nacer, Rubens
(Veterinario) y Rogério (Administrador de Empresas). Contando con el apoyo incondicional de
su marido para estudiar y trabajar, en una época en que el matrimonio era sinónimo de vivir
exclusivamente para la familia, profundizó sus estudios en Pediatría por la Sociedad Brasileña
de Pediatría, con el objetivo de salvar a los niños pobres de la mortalidad infantil, la desnutrición
y la violencia en su contexto familiar y comunitario; en Salud Pública y Sanitarismo por la
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Universidad de São Paulo (USP); en Pediatría Social de la Universidad de Antioquia, en
Medellín, Colombia; Maestría en Administración de Programas de Salud Materno-Infantil por
la Organización Panamericana de la Salud (OPAS/OMS). Finalmente, se puede decir, de
acuerdo con el concepto de Gisèle Sapiro (2012), que Zilda Arns fue una mujer intelectual con
un importante capital simbólico individual para la sociedad brasileña.
Con el apoyo de su esposo, Zilda Arns estuvo a cargo de varios programas de atención
a la salud infantil, en hospitales y en la Secretaría de Salud del Estado de Paraná (SESA).
Comenzó a ejercer como pediatra en el Hospital del Niño César Pernetta, en Curitiba, y luego
asumió la Dirección de Salud Materno Infantil del SESA. En 1980, Brasil comenzaba a abrirse
a la democracia, su exitosa experiencia en el Departamento de Salud la llevó a ser invitada por
el Gobierno del Estado de Paraná para coordinar la campaña de vacunación Sabin, para
combatir la primera epidemia de poliomielitis, que comenzó en el Municipio de União da
Vitória, creando su propio método, luego adoptada por el Ministerio de Salud. En el mismo
año, también fue invitada a regresar como directora del Departamento Materno-Infantil de
SESA, cuando instituyó con extraordinario éxito los programas de planificación familiar,
prevención del cáncer ginecológico, salud escolar y lactancia materna.
Sin embargo, Zilda Arns a menudo se sentía angustiada por el hecho de que su
dedicación al trabajo le impidió, en varias ocasiones, estar cerca de su familia. Embarazada de
su quinto hijo, dejó a los otros cuatro al cuidado de su padre, Aloysio, para tomar un curso de
tres meses en Colombia en 1973. Tiempo después, continuó con sus estudios en salud pública,
lo que la llevó a pasar solo los fines de semana en casa, mientras permanecía, de lunes a viernes,
en la ciudad de São Paulo. Sin embargo, se produjo una fatalidad y su compañero y simpatizante
falleció el 18 de febrero de 1978, de un infarto fulminante, a la edad de 46 años, tras rescatar a
una de sus hijas de ahogarse, en la playa de Betaras, en la costa de Paraná. Sin embargo, a pesar
de ser viuda y tener cinco hijos, el menor tiene cuatro años y el mayor catorce, Zilda se mantiene
desapegada en su labor de salvar vidas.
En 1983, después de aproximadamente 25 años de experiencia en medicina, Zilda Arns
cumplió con el pedido de la CNBB y fundó la Pastoral da Criança en asociación con Dom
Geraldo Majella Agnello, Cardenal Arzobispo Primado de Salvador, Bahía, que en ese
momento era Arzobispo de Londrina. Fue en esta ocasión que se llevó a cabo el desarrollo de
una metodología comunitaria con el objetivo de ampliar el conocimiento y la solidaridad entre
las familias en situación de vulnerabilidad, teniendo como referencia el milagro de la
multiplicación de los peces y los cinco panes que alimentaron a cinco mil personas, como se
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narra en el Evangelio de San Juan (Juan 6:1-15). Se ha demostrado que educar a las madres a
través de líderes comunitarios capacitados es la mejor manera de combatir las enfermedades
más fácilmente prevenibles y la marginación de los niños.
La médica de salud pública y pediatra movilizó a millones de voluntarios en todo Brasil
y cuando se le preguntó sobre qué generó el éxito del trabajo de la Pastoral da Criança, dijo:
El mayor secreto es trabajar con amor en aquello en lo que crees, saber
a dónde quieres ir y cómo trabajar. Nuestros deres comunitarios [...]
son personas sencillas y de gran corazón, verdaderos doctores de la
ciudadanía que aprenden las lecciones básicas de salud, nutrición y
educación y están comprometidos con multiplicar el conocimiento,
acompañando y guiando a las familias vecinas. Ellos son los que hacen
la transformación social, y sin duda son las piedras angulares para el
mejoramiento de las condiciones sociales del país (Neumann, 2003, p.
130, nuestra traducción).
Zilda creía en la transformación social que se produce a través del ser humano, y afirmó
que el hecho más relevante en esta comprensión es entender que "la solución de los problemas
no se reduce a lo económico, sino que se relaciona fuertemente con la recuperación del tejido
social" (Neumann, 2003, p. 131, nuestra traducción).
En 2004, la CNBB confió a Zilda Arns una nueva misión, que consistía en establecer y
dirigir la Pastoral de los Ancianos. En la actualidad, más de 100.000 ancianos son monitoreados
mensualmente por 12.000 voluntarios de 579 ciudades de 141 diócesis de 25 estados de Brasil.
Zilda Arns dedicó su tiempo a cumplir múltiples compromisos, entre ellos su papel como
coordinadora nacional de la Pastoral de los Ancianos y coordinadora internacional de la Pastoral
da Criança. Además, también se desempeñó como representante plena de la CNBB en el
Consejo Nacional de Salud y como miembro del Consejo Nacional de Desarrollo Económico y
Social (CDES). En 2006, Zilda Arns fue nominada para el Premio Nobel de la Paz por su
importante trabajo en el Ministerio de la Infancia. Cabe destacar que la doctora, además de su
excelente labor en el área de la salud, supo moverse en el ámbito político, exigiendo los
derechos de los más desfavorecidos. "Presidentes, ministros, senadores y diputados sabían que
la hermana del cardenal Dom Paulo Evaristo Arns no tocaba las puertas del poder en Brasilia
con un platillo en la mano, pidiendo favores. Exigió derechos" (Rodrigues, 2018, p. 9, nuestra
traducción).
Con base en Antonio Gramsci (1975), se entiende que Zilda Arns puede ser considerada
una intelectual orgánica. Además, a partir de los modos de intervención propuestos por la
socióloga Gisèle Sapiro (2012), se identifica que las prácticas desarrolladas por Zilda abarcan
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las acciones de un intelectual de una institución
5
y también de un especialista
6
en el cargo de
Coordinador de la Pastoral de Criança y del Anciano, en representación de la CNBB, y en
consecuencia, de la Iglesia Católica en los diversos segmentos sociales, así como una
intelectual crítica
7
que escribía para periódicos y revistas, anclada en el conocimiento
especializado y en su papel profético en la sociedad, con el propósito de concientizar a la gente
sobre el problema de la mortalidad infantil, enfrentando a profesionales de la salud y clérigos
conservadores.
Zilda también sacudió dogmas, procedimientos consagrados y el culto
a la complejidad de poderosos sectores de la pediatría brasileña: adoptó,
en los frentes de trabajo de la Pastoral, soluciones simples, baratas y,
sobre todo, rápidas, como el suero casero, en el tratamiento de la
prevención de la diarrea y otras enfermedades que llenaban los
cementerios brasileños de cruces blancas y pequeños ataúdes. [...] Se
enfrentó a la oposición de los cardenales conservadores a la visión
científica y realista de la anticoncepción. Por otro lado, no dudó en
recoger críticas de feministas e intelectuales de parte de la comunidad
científica por su vigorosa lucha contra el aborto (Rodrigues, 2018, p. 12,
nuestra traducción).
El 12 de enero de 2010, estuvo en una misión humanitaria en Puerto Príncipe, Haití,
para presentar el trabajo de la Pastoral da Criança en el país. Sin embargo, cuando terminó su
conferencia en el edificio parroquial de la Iglesia del Sagrado Corazón, donde habló sobre la
importancia de cuidar a los niños como un bien sagrado, promover el respeto de sus derechos
y protegerlos, el edificio se derrumbó con un terremoto y Zilda Arns murió. Su cuerpo fue
llevado a la ciudad de Curitiba/PR, transportado en un automóvil abierto, donde fue aplaudida
por una multitud que se despidió del médico misionero que fundó la Pastoral da Criança, redujo
drásticamente la mortalidad infantil, educó a hombres, mujeres y niños de las clases bajas y
marcó su generación.
5
La tarea principal de los intelectuales de una institución (especialmente religiosa) o de un partido es ilustrar y
defender la doctrina y/o la línea ideológica del organismo al que han elegido adherirse (...). Necesitan ajustarse
constantemente a las obligaciones específicas que se les imponen y que subordinan los valores intelectuales a la
disciplina militante (Sapiro, 2012, p. 39).
6
Es la que informa las decisiones de los poderes públicos y proporciona fundamentos "científicos" para las
políticas públicas (Sapiro, 2012, p. 43).
7
Productor de representaciones colectivas y de una interpretación del mundo, generalmente portador de un
mensaje ético-político, el intelectual crítico basa la legitimidad de sus posiciones en su capital simbólico, es decir,
en su autoridad carismática a los ojos de un público, un capital a menudo ligado más a su propio nombre que a sus
títulos y, por lo tanto, asociados a su persona (Sapiro, 2012, p. 27).
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Pastoral da Criança: Breve Contexto Histórico
La historia de la Pastoral da Criança comienza en Suiza, con la preocupante información
sobre la tasa de mortalidad infantil en Brasil, común en la vida cotidiana nacional, pero
impactante en el primer mundo. En 1982, la Organización de las Naciones Unidas (ONU)
celebró una reunión sobre la paz en Ginebra y durante uno de los recesos, el director ejecutivo
del Fondo de las Naciones Unidas para la Infancia (UNICEF), James Grant, conversó con Dom
Paulo Evaristo Arns, representante de la Iglesia católica brasileña en la reunión, sobre la
necesidad de tomar medidas para salvar a los niños brasileños. y la Iglesia podría ayudar a
reducir la mortalidad infantil (Arns, 2010). Por lo tanto, sugirió que se iniciara un proyecto
piloto con el apoyo del UNICEF en el Brasil. Dom Paulo Evaristo Arns pensó en su hermana,
la Dra. Zilda Arns Neumann.
Los derechos sociales en Brasil en la década de 1980 eran prácticamente inexistentes.
Las áreas más afectadas fueron la educación, la salud y la seguridad. El escenario político en
Brasil avanzaba hacia la democracia, ya que el gobierno militar, instaurado en 1964, ya no se
sostenía por la corrupción, los numerosos problemas sociales y los diversos actos contra la falta
de libertad, no solo en los grandes centros urbanos que se estaban formando rápidamente, sino
también en el campo. La deuda externa aumenta la dependencia de los países más ricos. La
crisis del petróleo y la disminución de la capacidad financiera hicieron que las inversiones en
educación y salud fueran prácticamente inexistentes por parte del Estado. Surgieron bolsas de
pobreza en el campo y los grandes centros urbanos se vieron engrosados por el éxodo rural
causado por la industrialización. El país sufría importantes tasas de desnutrición y mortalidad
infantil (según UNICEF, más de 80 muertes en el primer año de vida por cada mil nacidos
vivos), la mayoría de ellas debidas a enfermedades prevenibles.
En medicina, algunos conceptos médicos comenzaron a cambiar en el país en esa
década. La medicina curativa, muy utilizada, dio paso a la medicina preventiva. Se sabe que la
mayoría de las enfermedades en los países en desarrollo pueden prevenirse fácilmente. Los
estudios demostraron que no fue la diarrea lo que lo mató, sino la deshidratación causada por
ella. Zilda Arns, una estudiosa, estaba atenta a los cambios en la medicina y conocía los
problemas de los países pobres. Como pediatra, atendió a cientos de niños que acudían a su
consulta, enfermos por falta de información por parte de sus madres. Por eso, cuando escuchó
la propuesta de su hermano, pensó que la forma de reducir la mortalidad infantil era enseñar a
las madres a cuidar correctamente a sus hijos (Pastoral da Criança, 2010).
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Luego, en 1983, Zilda Arns inició un proyecto piloto apoyado por UNICEF y CNBB,
que dio origen a la Pastoral da Criança. Para esta hazaña, la doctora se apoyó en su experiencia
profesional y de vida, especialmente de su infancia, habiendo vivido en el interior del municipio
de Forquilhinha, en Santa Catarina, hasta los 11 años. En este lugar no había médicos, ni
electricidad, ni centro de salud; sus padres, hijos de alemanes, recibían muchos libros de Europa
y algunos de ellos eran medicina casera. Leían mucho y siempre escuchaban la radio. Entonces,
cuando las personas de la comunidad se enfermaban, iban a la casa de sus padres para buscar
ayuda y curación con medicina casera.
Armada con esta información, la médica en salud pública y pediatra Zilda Arns
argumentó que era necesario llevar el conocimiento a la población, para que se pudiera trabajar
en la prevención y evitar diversas enfermedades, hecho que podría salvar de la muerte a muchos
niños. Para ello, el conocimiento debe transmitirse en un lenguaje accesible para las personas.
De esta manera, creó una metodología comunitaria para difundir el conocimiento y la
solidaridad entre las familias en situación de pobreza. La educación de las madres por parte de
dirigentes comunitarios cualificados ha demostrado ser la forma más eficaz de combatir la
mayoría de las enfermedades prevenibles y la exclusión social de los niños. Así, los líderes
comunitarios voluntarios sensibilizaron sobre la atención básica y la prevención de
enfermedades infantiles, a través de la información, a los tutores de niños de hasta seis años, y
a las mujeres embarazadas.
Así, la Pastoral da Criança surgió como una iniciativa para combatir las altas tasas de
mortalidad infantil en Brasil. Esta experiencia de asociación entre el gobierno y las
organizaciones no gubernamentales comenzó con un proyecto piloto en el municipio de
Florestópolis, en el estado de Paraná, donde se implementaron proyectos de lactancia materna
y rehidratación de recién nacidos, acciones que redujeron drásticamente la mortalidad infantil,
que era muy alta en la ciudad. En el municipio, el 73% de la población trabajaba en el corte de
caña de azúcar para el ingenio etanol y azucarero y en la siembra de algodón y café, y tenía una
alta tasa de mortalidad. Por eso fue elegido para iniciar el proyecto.
Zilda Arns creía que, para el desarrollo de la obra, la educación popular era la forma de
formar liderazgos comunitarios y así concientizar a la gente sobre la prevención de
enfermedades que estaban matando a sus hijos. Consciente de la importancia de la educación
popular para lograr este objetivo, desarrolló un material especial, con aproximaciones al método
desarrollado por Paulo Freire, con un lenguaje fácil, para que todos lo entendieran. Un año
después del inicio de los trabajos en Florestópolis, la tasa de mortalidad disminuyó de 127
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muertes por cada mil nacidos vivos a 28 muertes (Batalha, 2003, p. 41). Se enfatiza la relevancia
del voluntariado en el desarrollo del trabajo en la Pastoral da Criança y el compromiso de todos
en el bienestar de los niños. Según el médico pediatra,
El voluntariado es un medio para llevar a cabo una misión, reavivar los valores
humanitarios y actuar en comunión con las personas. La responsabilidad por
el bienestar de los niños, las familias, la comunidad y el desarrollo de nuestro
país recae en todos. Necesitamos actuar de forma articulada e intersectorial
para superar los problemas y las dificultades para que todos los brasileños
puedan tener una vida plena (Neumann, 2010, nuestra traducción).
De esta manera, expande el trabajo por todo el territorio nacional. Para multiplicar el
conocimiento y la solidaridad en el proyecto, se crearon tres instrumentos: visitas domiciliarias
a las familias; Día del Peso, también llamado Día de la Celebración de la Vida; y una Reunión
Mensual de Evaluación y Reflexión, todas ellas incluidas en la Guía del Líder Pastoral
8
.
También según Zilda Arns, la obra funcionó en las clases económica, política, social y religiosa.
[...] en el plano económico, el trabajo de la Pastoral da Criança hace posible
que los gobiernos hagan mucho más con los mismos recursos; en el plano
político, fomenta la participación social en el control del uso de los recursos
públicos; En el plano social, ayuda a las personas a promocionarse, a
convertirse en sujetos de su propia historia, y en el plano religioso, hace
posible la unión de la fe con la vida (Neumann, 2000, p. 93-94, nuestra
traducción).
También se destaca en la formación de Pastoral da Criança el trabajo del Arzobispo de
la Arquidiócesis de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, por la intensa defensa de los derechos
humanos. Gracias a su trabajo con la Comisión de Justicia y Paz de São Paulo, muchos exiliados
pudieron regresar a Brasil, caracterizando así el compromiso de defender la vida de quienes
lucharon por el retorno de la democracia en el país. El educador Paulo Freire fue uno de los
exiliados que, al regresar a Brasil, contó con el apoyo de Dom Paulo Evaristo Arns.
Después de dos décadas de funcionamiento, la Pastoral da Criança acompañó a un total
de 1.816.261 niños menores de seis años y a 1.407.743 familias necesitadas en 4.060 municipios
brasileños. Durante este período, los voluntarios de la Pastoral llevaron la solidaridad y el
conocimiento sobre la salud, la nutrición, la educación, la ciudadanía y la espiritualidad a las
8
La Guía del Líder es un libro de 255 páginas, utilizado por los voluntarios de la Pastoral da Criança, con letra
grande y fotografías, que fue elaborado con la participación de todos sus coordinadores diocesanos y el apoyo de
entidades técnicas asociadas, como el Ministerio de Salud, el Ministerio de Educación, el Consejo Nacional de
Secretarios de Salud Estatales y Municipales, la Sociedad Brasileña de Pediatría, la Federación Brasileña de
Sociedades de Ginecología y Obstetricia y la Organización Panamericana de la Salud. En este libro, el voluntario
conoce las etapas del desarrollo del niño para utilizarlas como parámetros en su comunidad. Estas etapas son las
mismas, independientemente de la cultura (Batalha, 2003, p. 110-115).
Zilda Arns, una intelectual militante y su relación con la Educación Popular y LA Pastoral da Criança
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comunidades más desfavorecidas, creando las condiciones para que se convirtieran en
protagonistas de sus propias vidas. Dos aspectos son particularmente enfatizados en el enfoque
de la Pastoral de los Niños: la democratización del conocimiento y la formación integral de las
familias, buscando desarrollar el potencial humano en todos los aspectos.
[…] ya al inicio de la Pastoral de los Niños, éramos conscientes de que el
trabajo de prevención de las enfermedades y de la marginación con las
familias dependía mucho de la democratización del conocimiento, de la
formación humana para la práctica y el ejercicio de la ciudadanía, de la
corresponsabilidad social y social, incluso de los poderes fácticos (Neumann,
1996, p. 113, nuestra traducción).
En esta afirmación, podemos observar el deseo de compartir conocimientos y la
importancia atribuida a la educación de las familias como factor fundamental en la consecución
de los objetivos propuestos. Existía la preocupación de que los líderes del Ministerio de la
Niñez, muchos de los cuales eran analfabetos, pudieran sentirse motivados para sentirse
capacitados para cambiar la realidad en sus comunidades, donde la vida se les negaba debido a
condiciones indignas. La valorización de la educación como elemento transformador de la
realidad es evidente, como lo relata Zilda Arns: "Estaba segura de que reduciría la mortalidad
infantil, la desnutrición y la violencia familiar con la educación de las madres y las familias"
(Neumann, 2003, p. 66, nuestra traducción).
El trabajo de la Pastoral de la Infancia, además del apoyo de UNICEF, comenzó a tener
como principal financiador al Ministerio de Salud, con cerca del 70% de los fondos
9
, y se
extendió a más de veinte países de América Latina, Asia, África, el Caribe y fue fundamental
para reducir la mortalidad infantil. Actualmente, la "Pastoral da Criança de Brasil es
considerada una de las organizaciones comunitarias más importantes del mundo" (Neumann,
2003, p. 120, nuestra traducción). Y la educación popular, apoyada por la Iglesia Católica,
ampliamente trabajada por Paulo Freire, y apoyada por el Ministerio de Educación,
especialmente en el trabajo de alfabetización de Jóvenes y Adultos de la Pastoral, fue un pilar
importante para el desarrollo de acciones que redujeran la mortalidad infantil en Brasil y en los
países en desarrollo donde la Pastoral estaba presente.
9
La Pastoral de la Criança también contó con el apoyo de la Red Globo de Televisión, a través del programa
Criança Esperança, que es el mayor socio no gubernamental. Y la Iglesia es responsable del apoyo logístico y de
la movilización de las redes de voluntarios (Neumann, 2003, p. 119).
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Educación Popular
En la coyuntura brasileña, muchos estudiosos se interesaron por el tema de la Educación
Popular y su definición. Según Fernando de Azevedo, el embrión de la Educación Popular en
Brasil se produjo con la labor pedagógica de los primeros misioneros jesuitas, que enseñaron a
mestizos, blancos e indígenas.
Atrayendo a los muchachos indios a sus casas o reuniéndose con ellos en las
aldeas; Al asociarse en una misma comunidad escolar, los hijos de los nativos
y de los reindios -blancos, indios y mestizos- y buscar en la educación de sus
hijos conquistar y reeducar a sus padres, los jesuitas no sólo servían a la obra
de la catequesis, sino que sentaban las bases de la Educación Popular
(Azevedo apud Brandão, 1984, p. 28, nuestra traducción).
Pero fue a partir de finales de la década de 1950 y principios de la de 1960, con la Ley
Federal N.º 4.024, de 20 de diciembre de 1961, que establece los Lineamientos y Bases de la
Educación Nacional, inspirados en los principios de libertad y los ideales de solidaridad
humana, que las prácticas educativas en los ambientes populares tuvieron un amplio impulso
debido al contexto sociopolítico y económico de la época. Durante este período, se
establecieron nuevas pedagogías nacionales a través de reformas educativas, cuyo objetivo era
instituir una mejor fuerza de trabajo, una mayor integración de la población en la economía y
la garantía de la hegemonía capitalista, sin necesariamente hacer explícita una preocupación
por la transformación de las estructuras sociales.
En este contexto, las actividades de promoción humana se distinguieron por la inversión
en reformas educativas, a las que se vincularon las primeras agencias de Educación de Adultos
(vinculadas a la ONU y a la Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia
y la Cultura (UNESCO), hecho que luego se vio reflejado en el apoyo al trabajo a favor de la
lucha por la reducción de la mortalidad infantil, realizado por la Pastoral Infantil y coordinado
por la Dra. Zilda Arns.
El educador Paulo Freire
10
, en esa época, se convirtió en uno de los principales
referentes en el siglo XX para entender la Educación Popular. Entendía que "la educación
popular se entiende como el esfuerzo por movilizar, organizar y empoderar a las clases
10
Las fuentes filosóficas en las que se basó Paulo Freire fueron el pensamiento de Tristán de Atayde, el
personalismo de Emanuel Mounier, el pensamiento de Jacques Maritain, el existencialismo de Kierkegaard, el
neomarxismo de Eric Fromm, la educación como política de Gramsci, entre otras. Estas son algunas de las fuentes
que Freire utilizó para nutrir la base antropológica y sociopolítica de su razonamiento. Se destaca el hecho de que
Paulo Freire era católico, con una visión ecuménica de la religión. Su cristianismo se basa en una teología
liberadora, que se puede observar en el libro "Pedagogía del oprimido" (1970), en el que traza un enfoque dialéctico
de la realidad, cuyos determinantes se encuentran en factores económicos, políticos y sociales.
Zilda Arns, una intelectual militante y su relación con la Educación Popular y LA Pastoral da Criança
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populares" (Freire; Nogueira, 2005, p. 19, nuestra traducción). Sus aportes se destacaron,
primero en Brasil, luego en Chile, cuando estaba en el exilio, tras el golpe de Estado que instaló
la dictadura militar de 1964, y luego el método educativo, la teoría y la práctica de Freire se
extendieron por toda América Latina. Actualmente, su propuesta influye en la educación de
todos los continentes.
La propuesta de la Educación Popular, en Freire, no era ejercer una enseñanza pasiva,
una educación bancaria, sino estimular el aprendizaje a partir de la investigación del estudiante
dentro de su realidad. En otras palabras, el educador nunca expone el contenido terminado, sino
que instiga al estudiante a construir su conocimiento, a buscar su autonomía, a desarrollar su
criticidad, su reflexión dentro de su contexto, de su propia realidad. Es un enfoque del trabajo
pedagógico dirigido a sensibilizar a las personas y convertirse en un instrumento de
transformación, como lo plantea Freire (1967).
El primer ensayo sobre la educación con las clases populares, que se llamó Educación
Básica, Educación Liberadora, y más tarde Educación Popular, se originó en el seno de los
movimientos de la sociedad civil. En otras palabras, el entorno estratégico que funda la
Educación Popular es el de los movimientos y centros de cultura popular, los movimientos de
educación de base (MEB)
11
, las comunidades eclesiales de base (CEB )
12
, el Movimiento de
Cultura Popular (MCP) en Recife y la acción popular.
Para comprender de manera más competente esta propuesta de educación de carácter
liberador, es importante sacar a la luz la experiencia que marcó la Educación Popular en Brasil,
el episodio de la "Revolución de los Angicos
13
", liderada por Paulo Freire, que tuvo lugar en
el interior del estado de Rio Grande do Norte, donde tuvo lugar una experiencia pionera y audaz
a principios de la década de 1960. antes de la dictadura militar. Las nuevas didácticas
promovidas en los Círculos de Cultura demostraron que en 40 horas un grupo de pobres,
oprimidos y olvidados por la sociedad del interior del Nordeste, podían ser enseñados a leer y
11
El 21 de marzo de 1961, la MEB fue creada oficialmente, por el Decreto 50.370/61, por el Presidente Jânio
Quadros, para las áreas del Norte, Nordeste y Centro-Oeste del país, con una duración de 5 años. Movimiento
creado por la CNBB para promover la educación básica a través de un acuerdo entre la Iglesia y la Presidencia de
la República, firmado por el Secretario General, Dom Helder Câmara. En concreto, se trataba de un convenio con
el Ministerio de Educación y Cultura (Wanderley, 1984; Fávero, 2006).
12
Entre las décadas de 1960 y 1980, las CEB jugaron un papel importante, ya que eran espacios de organización
popular. Durante el golpe militar de 1964, fueron brutalmente atacados. En este sentido, las CEB adoptaron un
papel importante en las luchas del pueblo brasileño y en el proceso de redemocratización de la sociedad brasileña
(Betto, 1981).
13
Angicos se ha convertido en una palabra emblemática para todos aquellos que se interesan por la Educación
Popular. La pequeña ciudad ubicada en el interior de Rio Grande do Norte fue el escenario donde, por primera vez,
Paulo Freire, a principios de 1963, puso en práctica su famoso método de alfabetización de adultos (Germano,
1997, p. 389).
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escribir a través de "temas generativos", es decir, a través de textos que formaban parte del
contexto de vida del respectivo grupo, a través de palabras en lugar de letras (Lyra, 1996). Para
Paulo Freire: "La lectura del mundo precede siempre a la de la palabra y la lectura de esta última
implica la continuidad de la lectura de la primera" (Freire, 1989, p. 22, nuestra traducción).
En cuanto a las tendencias pedagógicas, la Educación Popular tuvo sus fundamentos en
la corriente pedagógica liberadora, que va más allá de los límites de la pedagogía, situándose
también en el campo de la economía, la política y las ciencias sociales. La educación
emancipatoria se basa en el principio del pensamiento popular, del pueblo. El currículo se
construye sobre la base de la realidad concreta, actual y existencial. La situación presentada, a
menudo desfavorable, debe ser analizada críticamente y considerada como un desafío con
cuestiones que deben superarse a través de la reflexión y la acción (praxis). Los temas
generadores son reflexiones basadas en el pensamiento de las personas, que no tienen lugar en
el vacío, sino en las personas, en las relaciones entre ellas y en ellas, y en sus relaciones con el
mundo. La exploración de temas relevantes se realiza a través del diálogo y es objeto de
reflexión colectiva, en un proceso de investigación cada vez más profundo, buscando una
comprensión integral -económica, política, social-. Desde este punto de vista, Freire dice:
La pedagogía del oprimido, como pedagogía humanista y liberadora, tendrá
dos momentos distintos. La primera, en la que los oprimidos develan el mundo
de la opresión y se comprometen en praxis a su transformación; la segunda en
la que, una vez transformada la realidad opresiva, esta pedagogía deja de ser
de los oprimidos y se convierte en la pedagogía de los hombres en proceso de
liberación permanente (Freire, 1970, p. 27, nuestra traducción).
Cuando se instauró la dictadura militar en abril de 1964, Brasil contaba con más de
20.000 Círculos Culturales, que duraron aproximadamente dos décadas. En este mismo
contexto, la Juventud Universitaria Católica se debilitó y el Movimiento de Educación Básica
se desfiguró en un proceso continuo. Pero la tesis de una educación como herramienta para la
práctica revolucionaria y la transformación, de instituir la prioridad de la justicia, la igualdad y
la solidaridad, persistió entre todos los que participaron y lucharon por esta obra, especialmente
los cristianos.
En algunas comunidades de nuestro interior, de nuestras ciudades dispersas
entre el trabajo y el miedo, comenzó a surgir lo que poco después llamamos
"otra forma de ser Iglesia" [...] era válida para los católicos y también para los
evangélicos, ahora unidos en el mismo proyecto humano de construir el
futuro. [...] lugar de agente consciente y conductor de una nueva historia,
animó, como un "soplo nuevo del Espíritu", a todos los que comenzaron a
Zilda Arns, una intelectual militante y su relación con la Educación Popular y LA Pastoral da Criança
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crear entre nosotros al mismo tiempo: los círculos blicos, las iglesias
evangélicas, las comunidades eclesiales de base y la teología de la liberación
[...]. Muchos de ellos habían aprendido a balbucear por primera vez estas
palabras y a pensar alrededor del fuego, su significado, junto con lo que
entonces, aquí y allá, ya se llamaba: Educación Popular (Brandão apud
Preiswerk, 1997, p. 11-12, nuestra traducción).
En este período en que la Educación Popular estaba surgiendo en Brasil en medio de la
efervescencia cultural y política que vivía el país, Zilda Arns, como intelectual orgánica y
militante, desarrolló sus proyectos con agencias de salud públicas y privadas, con el objetivo
de ayudar a los más necesitados a convertirse en protagonistas de sus historias y, en
consecuencia, salvar la vida de sus hijos.
Zilda, muy comprometida con los valores cristianos, profesaba la fe católica y estaba
muy unida a su hermano, el ex arzobispo de São Paulo Dom Evaristo Arns un religioso que
luchaba y defendía al pueblo de las injusticias y los males sociales y a sus otros hermanos,
que también decidieron seguir la vida religiosa. Así, su labor estuvo ligada al compromiso de
ayudar, principalmente, al prójimo desfavorecido. Incluso con el golpe militar de 1964,
continuó trabajando en agencias de salud pública, debido a su capacidad como intelectual
orgánico que trascendió la medicina e impregnó los temas sociales y políticos. Según
Rodrigues, la doctora era una mujer,
intrépidos e iluminados que supieron conciliar, como pocos, ciencia y fe,
competencia y coraje, para enfrentar el oscurantismo de algunos sectores de
la Iglesia, la incompetencia de los políticos y la maquinaria burocrática
atascada de los gobiernos, así como los intereses de los poderosos en la
mercantilización de la medicina (Rodrigues, 2018, contraportada, nuestra
traducción).
La educación popular y la Iglesia
La Iglesia católica en América Latina, especialmente después del Concilio Vaticano II,
que tuvo lugar en cuatro sesiones entre 1962 y 1965, se destacó por su dedicación en el campo
de la Educación Popular, comprometiéndose en proyectos para la liberación de los oprimidos a
través de la acción educativa y profética. Estos factores han permitido a la iglesia actuar inmersa
en la realidad concreta y contextualizada, con un enfoque sociohistórico y político.
De acuerdo con Enrique Dussel (1999), muchos movimientos pastorales y
sociopolíticos, especialmente los movimientos juveniles, como el campesino católico, obrero,
estudiantil, universitario, estudiantil cristiano protestante, entre otros, estimularon y
dinamizaron los proyectos de liberación de los oprimidos, los cuales son entendidos a la luz de
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los conceptos y definiciones de "Educación Liberadora" abordados en este artículo, que tuvo a
la Educación Popular como una de sus principales herramientas.
Paulo Freire discute este tema sugiriendo que las Iglesias de América Latina pueden
dividirse en dos aspectos principales: modernizadores y tradicionales. Las iglesias
modernizadoras son aquellas que han optado por un enfoque educativo liberador. Por otro lado,
las iglesias tradicionales son aquellas que siguen estancadas en una metodología que aliena a
las clases sociales. Estas iglesias aún no han entendido que la humanización está ligada a la
liberación y que la liberación implica la transformación integral del ser humano. Según Matthias
Preiswerk, "la Iglesia se atrevió a confiar a un grupo de laicos, muchos de los cuales acababan
de salir de la Acción Católica, la responsabilidad de llevar a cabo la alfabetización de adultos a
través de una educación de sensibilización" (Preiswerk, 1997, p. 10, nuestra traducción).
Estos grupos, formados por laicos, construyeron una extensa "acción popular de base"
exigiendo participación en la vida de la Iglesia y en la historia sociopolítica del país, es decir,
transformándose en sujetos activos y protagonistas frente a la realidad concreta, que los llevó a
conocer, a sentir cada situación de miseria del contexto socioeconómico y político en el que las
personas estaban subyugadas.
Ante esto, este grupo de laicos se rebeló con aversión ético-religiosa, lo que los moti
a enfrentar la injusticia social. De esta manera, el Movimiento de Educación Básica, entre otros,
contó con la participación y el compromiso de los laicos, especialmente de los seguidores de la
fe cristiana, como una forma de reivindicar un derecho fundamental, el de la libertad y la
humanización de los demás. Para Rubem Alves (1999), los movimientos populares expresan el
suspiro, el dolor, las aspiraciones de los oprimidos que desean la liberación y la transformación
social.
Sin embargo, en el apogeo de los movimientos populares, especialmente de los MEB, a
favor de la toma de conciencia y liberación del individuo, los partidarios del contexto político
de la dictadura militar buscaron acabar con estas actividades, debido a las características
consideradas "subversivas" que poseían. Sin embargo, los activistas de la educación que
promovían la "concienciación" persistieron en su trabajo. Esta acción estuvo directamente
vinculada al proceso de renovación del Concilio Vaticano II, con el claro objetivo de adaptar la
Iglesia a los desafíos de la contemporaneidad, incluyendo la industrialización y la urbanización.
La Educación Popular, a su vez, tuvo una amplia repercusión en la Iglesia, y después de
una significativa adhesión por parte de educadores cristianos y progresistas, gran parte de este
apoyo se basó en la identificación de las bases ideológicas compartidas entre la Teología de la
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Liberación
14
y la Educación Popular, ya que ambas "se encuentran en el mismo terreno y a
veces con los mismos actores" (Preiswerk, 1997, pág. 24). A partir de esta concepción, según
Gabriel Priolli, el educador Paulo Freire
15
se presentó como un cristiano revolucionario y
declaró que fue como "camarada de Cristo que se acercó a los habitantes de las favelas, desde
los tiempos de un educador principiante" (Priolli apud Brandão, 2005, p. 41, nuestra
traducción). El educador entendió que la identidad de "ser cristiano" estaba relacionada con "ser
revolucionario":
Ser cristiano no significa necesariamente ser reaccionario, así como ser
revolucionario no implica ser "demoníaco". Ser revolucionario significa estar
en contra de la opresión, en contra de la explotación, a favor de la liberación
de las clases oprimidas, en términos concretos y no en términos idealistas
(Freire, 1982, p. 113, nuestra traducción).
Desde la perspectiva de la praxis de la Educación Liberadora, se llama la atención sobre
las características que se pueden generar en la identidad de cada cristiano comprometido con la
Educación Popular.
Los cristianos comprometidos con la Educación Popular reflexionarán sobre
su identidad y la transmitirán a los demás actores de la experiencia educativa
[...]. Los cristianos comprometidos con la Educación Popular explicitarán su
identidad desde su propia práctica educativa dentro del movimiento popular y
de las instituciones eclesiales con las que están vinculados [...]. Los cristianos
comprometidos con la Educación Popular integrarán o, en su caso,
constituirán comunidades eclesiales, en las que todos los que lo deseen podrán
reflexionar sobre su compromiso, confrontarlo con la Palabra de Dios y
celebrar su fe (Preiswerk, 1997, p. 374-376, nuestra traducción).
En esta perspectiva de cristiana progresista, formada en ese contexto sociopolítico-
económico y comprometida con la toma de conciencia y la liberación de sus semejantes, Zilda
Arns se sumergió profundamente en las áreas de la salud pública, la pediatría y el sanitarioismo,
con el propósito de proteger a los niños en situación de vulnerabilidad de la mortalidad infantil,
14
La Teología de la Liberación es un movimiento socio-eclesial que surgió en el seno de la Iglesia católica
progresista, a raíz de los movimientos civiles y juveniles en Brasil en la década de 1960, que, movidos por ideales
de libertad, comenzaron a criticar todo lo que está vinculado a las prácticas autoritarias y centralizadoras de la
época. Al mismo tiempo, esta teología también influye en los movimientos sociales al enfatizar a las clases
populares como sujetos de su propio destino. La fe cristiana, en su reinterpretación analítica y antropológica, es su
inspiración básica, vivida y entendida como una acción transformadora de la realidad social. Es una teología
popular, de las CEB, y es capaz de repensar la función social de la Iglesia. Uno de los exponentes más conocidos
de la Teología de la Liberación en Brasil es el franciscano Leonardo Boff (Otto, 2021, p. 298-299).
15
Paulo Freire puede ser considerado como uno de los fundadores de la Teología de la Liberación. El educador
trae al oprimido como un ser capaz de crear cultura, además de ser un sujeto histórico. Este ser es capaz de
transformar la sociedad cuando el ser humano toma conciencia y se organiza. "La Teología de la Liberación, al
hacer la opción por los pobres frente a su pobreza, asume la visión de Paulo Freire" (Boff, 2008, p.18-19).
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la desnutrición y la violencia en sus contextos familiares y comunitarios. Consciente de que la
educación estaba demostrando ser el medio más eficaz para hacer frente a la mayoría de las
enfermedades de simple prevención y exclusión social de los niños, dirigió sus esfuerzos a
hospitales y departamentos de salud pública en las décadas de 1960 y 1970 y en paralelo a su
familia, siempre presente en su vida. A principios de la cada de 1980, con la reapertura a la
democracia que se estaba produciendo en el país, estableció las concepciones y la praxis de la
Educación Popular en su nuevo proyecto para salvar vidas, que se desarrollaría junto a la
CNBB.
Pastoral da Criança x Educação Popular
En medio de la efervescente reapertura a la democracia en el país, surge el proyecto
Pastoral da Criança con el apoyo de CNBB y UNICEF, coordinado por Zilda Arns. En este, la
dirección metodológica de las actividades tiene como pilares principales el diálogo y la
sensibilización entre los participantes y la enseñanza incluye momentos de práctica y teoría.
En el método de Freire, las palabras clave comienzan a surgir durante el
proceso de relevamiento del vocabulario de los estudiantes. En la Pastoral de
los Niños, el proceso comienza con las palabras del universo de la Pastoral
misma. En Freire, el objetivo de la alfabetización de adultos es promover la
toma de conciencia sobre los problemas sociales para el conocimiento de la
realidad social, aspecto también presente en la agenda de la Pastoral de la
Infancia. Según Zilda Arns, "los estudiantes aprenden a leer y escribir a través
de palabras clave en la Pastoral, tales como: suero casero, salud, nutrición,
familia, comunidad, fraternidad, fe, Dios y otros" (Otto; Rodrigues, 2020, p.
9, nuestra traducción).
Se realizan varios talleres para mejorar los contenidos trabajados en la formación de
líderes comunitarios y el proceso de capacitación de mujeres embarazadas y tutoras de niños y
niñas de hasta seis años de edad es amplio, buscando involucrar las diversas dimensiones de la
vida humana: espiritual, emocional, biológica, cognitiva, sociocultural y política. Zilda Arns
señala "que la propia Organización Mundial de la Salud, basándose en investigaciones, dice
que las personas que tienen fe son más sanas, menos violentas y más felices" (Entrevista...,
2003). Así, en la pastoral no solo se pesa a los niños, sino que también se busca desarrollarlos
en su totalidad, dentro de un contexto familiar y comunitario.
En esta perspectiva, la Pastoral Infantil realiza estudios basados en la metodología de la
Educación Popular y promueve acciones para decodificar el conocimiento científico en las áreas
de salud, nutrición, educación y ciudadanía, necesarias para la educación de las mujeres
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embarazadas y lactantes y de sus hijos. Estos estudios relacionan el conocimiento científico
decodificado con el conocimiento popular, construyendo colectivamente un nuevo
conocimiento, llamado "popular-científico", que tiene significado para los líderes y las familias
acompañadas. Los estudios contribuyen a la transformación de la realidad socioeconómica y
política a través del proceso de sensibilización sobre los derechos sociales básicos.
De esta manera, se entendió que es necesario organizar a la comunidad en grupos más
pequeños. Los miembros son educados para sentirse responsables unos de otros y se les invita
a compartir lo que son y tienen: su tiempo y su vida. La explicación de Zilda Arns retrata la
educación para la solidaridad, la autonomía y la conciencia, valores que la Pastoral de la
Infancia busca desarrollar en sus actividades. Con la directriz de "ver-juzgar-actuar-evaluar-
celebrar",
16
los miembros se involucran en prácticas y acciones de carácter educativo, de
manera simple pero intencional. El "ver" permite a un coordinador, junto con el grupo, definir
el tema generador a analizar. "Juzgar" implica analizar y estudiar el tema generador o una
historia específica para descubrir las causas y las soluciones provisionales. En "actuar", se
propone definir cómo llevar a cabo la práctica y las estrategias a adoptar. Al "evaluar", el grupo
tiene la oportunidad de buscar mejorar el desempeño y potenciar su acción. Y finalmente, en el
"celebrar", se destacan los logros, las victorias, los fracasos, las alegrías y la esperanza de que
es posible cambiar una situación inadecuada.
Es de destacar que, dadas sus características de inserción en la realidad y análisis de los
temas generadores, la directriz tiene un alto potencial para la praxis político-educativa en la
perspectiva de la transformación propuesta por el educador Paulo Freire, caracterizándose como
un método de Educación Popular.
La Educación Popular tiene una relación profunda y coherente entre la teoría y la
práctica, enfatizando la importancia del espíritu democrático y revelando la realidad de manera
radical. Esto es evidente en la forma en que las comunidades populares se organizan para luchar
contra las injusticias sociales. Además, la Educación Popular valora a todos los individuos,
independientemente de su posición en la comunidad, considerando los conocimientos que cada
uno lleva internamente.
16
Esta directriz fue creada por Joseph Cardjin, un sacerdote de origen belga, fundador de la Juventud Obrera
(JOC). Sin embargo, la trilogía original se componía de tres acciones, "ver, juzgar y actuar". En el proyecto de la
Pastoral da Criança, se añadieron dos acciones, la evaluación y la celebración. En su opinión, para que el hombre
realice una reforma espiritual profunda, es necesario reformar el entorno en el que vive y trabaja, ya que es fruto
de ello (Brighenti, 2015).
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En el proceso de formación, la Educación Popular se caracteriza por su claridad política,
que va más allá de las diferencias entre los involucrados. Esto incluye superar la idea de que
somos superiores y salvadores de las comunidades pobres, reconociendo la experiencia y el
conocimiento de las personas que viven en ellas. Se valora la participación activa de las
personas en todos los momentos formativos, promoviendo un intercambio de conocimientos en
el que enseñamos y aprendemos al mismo tiempo. La Educación Popular también busca superar
los prejuicios de raza, clase y género, con el objetivo de democratizar las relaciones humanas y
despertar la solidaridad entre las personas.
La Educación Popular busca promover el diálogo en las comunidades, para que, a partir
del análisis crítico de la realidad vivida, las personas tomen conciencia y superen la tradición
autoritaria impuesta por las clases opresoras. Es importante que sean sujetos activos en el
proceso de transformación, y no solo espectadores que puedan ser manipulados. De esta
manera, sabe reconocer la participación de las clases populares y es necesario que las personas
despierten verdaderamente como agentes de transformación y no como objetos de
domesticación. Y así la médica Zilda Arns desarrolló las concepciones y la praxis educativa de
la Educación Popular en la Pastoral da Criança, para que el aprendizaje llegara a todos los
involucrados, transformándolos en protagonistas de sus vidas, independientemente del nivel de
educación y conocimiento.
Así, la finalidad de la Pastoral da Criança es promover la inclusión social de las personas
menos privilegiadas en términos de dignidad humana, salud y alimentación bajo la égida de la
Educación Popular como dinamizador de la autonomía de los acogidos, permitiendo alcanzar
los objetivos de forma autosostenible, a través de la formación de líderes comunitarios que
concienticen a los responsables del cuidado de los niños, niñas y niñas. en base a la realidad
en la que se insertaron, lo que en consecuencia generó una disminución significativa de la
mortalidad infantil.
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Consideraciones finales
Zilda Arns tuvo una vida de arduo trabajo y reconocimiento por la implementación de
programas de Salud Pública celebrados en todo el mundo. Este trabajo se llevó a cabo con gran
dedicación y a menudo se enfrentó a adversidades, como la resistencia de políticos, burócratas
del sistema público de salud, representantes de la industria farmacéutica e incluso colegas
médicos y la propia Iglesia Católica. Sin embargo, el reconocimiento no solo vino de los
gobiernos, sino también de personas anónimas, como un barrendero que, en un momento de
encuentro con Zilda Arns antes de su viaje a Haití, pidió tomarse una foto con "la mujer que
cuida a los niños en Brasil". Zilda Arns fue una intelectual militante, con un importante capital
simbólico para la sociedad brasileña, y demostró autonomía en relación a las demandas
políticas.
La praxis de la Educación Popular fue fundamental en la implementación y desarrollo
del trabajo de la Pastoral Infantil. Sin embargo, una característica llamativa de la fundadora
Zilda Arns, que también contribuyó significativamente al progreso de la obra, fue su bondad
amorosa. Para ella, "amar a Dios sobre todas las cosas y al prójimo como a nosotros mismos
significa trabajar por la inclusión social, fruto de la Justicia, significa no tener prejuicios, aplicar
nuestros mejores talentos a favor de una vida plena, especialmente para aquellos que más lo
necesitan" (Pastoral da Criança, 2010). De esta manera, fue instigada por su hermano Dom
Paulo Evaristo Arns y despertó en sí misma, inicialmente, la comprensión de la importancia de
actuar para salvar la vida de los niños y, posteriormente, despertó en las personas el sueño
colectivo de que, sumando esfuerzos, es posible construir una sociedad más justa y solidaria.
La lucha contra la mortalidad infantil no era solo una intención, sino una misión para ella.
La Pastoral da Criança, con la unión de diferentes segmentos de la sociedad, une
esfuerzos en la búsqueda de la solución de problemas en las comunidades. Con este estilo de
trabajo, cuya fuerza motriz es multiplicar el conocimiento y despertar en las personas la
esperanza de que la comunidad unida puede transformar su realidad, Zilda Arns -intelectual
militante, doctora de los oprimidos, protectora del niño y fundadora y coordinadora de la
Pastoral da Criança- acercó su cosmovisión al pensamiento de Paulo Freire, icono de la
Educación Popular. Ambos amaban a la gente y luchaban para que la justicia social se
implantara antes que la caridad.
Desde el principio, la metodología de la Pastoral da Criança tuvo como objetivo abordar
aspectos de educación, ciudadanía, salud, nutrición y espiritualidad ecuménica, por lo que evitó
la creación de estructuras complejas, priorizando el empoderamiento de las personas en las
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comunidades involucradas. Y esto sucedió con la praxis de la Educación Popular establecida en
el desarrollo del trabajo que transformó a los miembros de la Pastoral en protagonistas de sus
relatos, transformadores de sus realidades y multiplicadores de saberes, como la propuesta de
Paulo Freire para la Educación Popular, demostrando la relación de proximidad ideológica.
Finalmente, se puede decir que Zilda Arns, como mujer cristiana, intelectual, supo moverse con
maestría en el ámbito de la salud, la educación, la política y la espiritualidad.
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Zilda Arns, una intelectual militante y su relación con la Educación Popular y LA Pastoral da Criança
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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CRediT Author Statement
Reconocimientos: Nuestro agradecimiento especial al Programa de Posgrado en Educación
(PPGE) de la Pontificia Universidad Católica de Paraná.
Financiación: No aplicable.
Conflictos de intereses: No hay conflictos de intereses.
Aprobación ética: La investigación/narrativa no requirió la opinión del Comité de Ética.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Aportes de los autores: Todos los autores se dedicaron a profundizar en las lecturas
bibliográficas, presentando tejidos, intersecciones y lecturas críticas que aportaron el aporte
necesario a la construcción colectiva de la narrativa científica.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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ZILDA ARNS, A MILITANT INTELLECTUAL AND HER RELATIONSHIP WITH
PASTORAL DA CRIANÇA AND POPULAR EDUCATION
ZILDA ARNS, UMA INTELECTUAL MILITANTE E SUA RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO
POPULAR E A PASTORAL DA CRIANÇA
ZILDA ARNS, UNA INTELECTUAL MILITANTE Y SU RELACIÓN CON LA EDUCACIÓN
POPULAR Y LA PASTORAL DA CRIANÇA
How to reference this article:
THOMÉ, A.; ORLANDO, E. de A.; MESQUIDA, P. Zilda Arns, a
militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança
and Popular Education. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.19072
| Submitted: 15/07/2023
| Revisions required: 11/09/2023
| Approved: 07/12/2023
| Published: 26/02/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifical Catholic University of Paraná (PUC-PR), Curitiba PR Brazil. PhD student in the Postgraduate
Program in Education.
2
State University of Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro RJ - Brazil. Professor at the Department of Social
Sciences and Education EDU /UERJ.
3
Pontifical Catholic University of Paraná (PUC-PR), Curitiba PR Brazil. Full Professor and Advisor in the
Postgraduate Program in Education. PhD in Educational Sciences (UNIGENÈVE) Switzerland.
Adriana THOMÉ1
e-mail: libiebrasil@gmail.com
Evelyn de Almeida ORLANDO2
e-mail: evelynorlando@gmail.com
Peri MESQUIDA3
e-mail: mesquida.peri@gmail.com
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.19072 2
ABSTRACT: The paper aims to present the doctor Zilda Arns as an intellectual woman and
her relationship with the Pastoral da Criança and Popular Education. Therefore, the life
trajectory of Zilda Arns will be presented, articulated to the historical context of the Pastoral da
Criança and Popular Education. The guiding question of the research is: What is the relationship
of the intellectual Zilda Arns with the Pastoral da Criança and Popular Education? The
theoretical contribution is centered on Paulo Freire (1967; 1970; 1982; 1989; 2005; 2007), Zilda
Arns (1996; 2003; 2000; 2010), Brandão (1984; 2005), Orlando (2021), Sapiro (2012), Batalha
(2003), and Codini (2014). The method used for the development of the research was
phenomenological hermeneutics, with a qualitative approach. The results showed that Zilda
Arns was a militant intellectual, who brought her worldview closer to the thinking of Paulo
Freire, practical theorist of Popular Education, and thus implemented the Pastoral da Criança,
through dialogue and conscientization.
KEYWORDS: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Popular Education. Paulo Freire.
RESUMO: O artigo objetiva apresentar a médica Zilda Arns como mulher intelectual e sua
relação com a Pastoral da Criança e a Educação Popular. Para tal compilação, será
apresentada a trajetória de vida de Zilda Arns articulada ao contexto histórico da Pastoral da
Criança e da Educação Popular. A pergunta norteadora da pesquisa é: Qual a relação da
intelectual Zilda Arns com a Pastoral da Criança e a Educação Popular? O aporte teórico está
centrado em Paulo Freire (1967; 1970; 1982; 1989; 2005; 2007), Zilda Arns (1996; 2003;
2000; 2010), Brandão (1984; 2005), Orlando (2021), Sapiro (2012) e Batalha (2003). O
método utilizado para o desenvolvimento do estudo foi a hermenêutica fenomenológica, com
abordagem qualitativa. Os resultados apontaram que Zilda Arns foi uma intelectual militante,
que aproximou sua visão de mundo ao pensamento de Paulo Freire, teórico prático da
Educação Popular, e assim implementou a Pastoral da Criança, por meio do diálogo e
conscientização.
PALAVRAS-CHAVE: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Educação Popular. Paulo Freire.
RESUMEN: El artículo tiene como objetivo presentar a la doctora Zilda Arns como mujer
intelectual y su relación con la Pastoral da Criança y la Educación Popular. Para ello, se
presentará la trayectoria de vida de Zilda Arns, articulado al contexto histórico de la Pastoral
da Criança y de la Educación Popular. La pregunta guía de la investigación es: ¿Cuál es la
relación de la intelectual Zilda Arns con la Pastoral da Criança y la Educación Popular? La
contribución teórica se centra en Paulo Freire (1967; 1970; 1982; 1989; 2005; 2007), Zilda
Arns (1996; 2003; 2000; 2010), Brandão (1984; 2005), Orlando (2021), Sapiro (2012),
Batalha (2003 y Codini (2014). El método utilizado para el desarrollo de la investigación fue
la hermenéutica fenomenológica, con un enfoque cualitativo. Los resultados mostraron que
Zilda Arns fue una intelectual militante, que acercó su cosmovisión al pensamiento de Paulo
Freire, teórico práctico de la Educación Popular, y así implementó la Pastoral da Criança a
través del diálogo y la conciencientización.
PALABRAS CLAVE: Zilda Arns. Pastoral da Criança. Educación Popular. Paulo Freire.
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 19, n. 00, e024023, 2024. e-ISSN: 1982-5587
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Introduction
Zilda Arns Neumann (1934-2010) was a woman who marked the history of her
generation through her work, determination, intellectuality and love for others. Progressive
Christian, doctor, founded and coordinated Pastoral da Criança, which saved thousands of lives
from child malnutrition in Brazil and other countries in Latin America, Africa, Asia and the
Caribbean.
Zilda Arns rolled up her sleeves and, inspired by Paulo Freire's pedagogy, first
found the human resources capable of mobilizing thousands of people in favor
of the drastic reduction in infant mortality: mothers and fathers of children
from zero to six years of age, assisted by Pastoral, transformed into
multiplying agents (Betto, 2010, p. 1, our translation).
For public health doctor and pediatrician Zilda Arns, education is transformative, a
response to the cries of those in need, an expression of solidarity with everyone, especially the
marginalized and forgotten. This was evident in all her letters written to the Pastoral da Criança
newspapers and in all the Pastoral's actions (Arns, 2010, p. 105-106). “[…] I, in the practice of
medicine, did much more for education to prevent illnesses than cures and rehabilitations”
(Neumann, 2003, p. 40, our translation).
Pastoral da Criança is a Social Action Organization of the National Conference of
Bishops of Brazil (CNBB), which is part of the Catholic Church. For society, a third sector
body
4
that has as one of its fundamental objectives the democratization of knowledge through
basic health, nutrition, education, citizenship and spirituality actions in an ecumenical way. The
importance of education within this process is highlighted. This is treated in a special way at
the Second Vatican Council (1963-1965). For this, education must guide towards solidarity and
with the aim of better preparing people to act in economic, political and social life in a more
humane way.
However, one cannot deal with Pastoral da Criança without addressing Popular
Education, which had educator Paulo Freire as one of the most important global disseminators
of this segment. For the educator, the Churches in Latin America have an educational role.
“Churches, in fact, do not exist, as abstract entities, they are made up of 'situated' women and
4
Third Sector is the name adopted to designate institutions that are neither part of the State nor the market. As
they do not belong to the public sector or the private sector, they would be in a third sector, which corresponds to
the field of organized civil society (Paraná, 2023).
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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men, conditioned by a concrete, economic, political, social and cultural reality” (Freire, 2007,
p. 123, our translation).
Popular Education precedes Pastoral da Criança and was developed in a context of
cultural and political effervescence. It was born from Freire's proposal for an education that
liberates, fights in defense of life, and does not collude with oppressors and social injustices.
Inserted in a historical context, it fights to transform it, with a view to promoting justice,
becoming a space of fraternity, peace and dignity for all. It provides an education in and for
freedom, through which each human being is capable of recognizing themselves as a subject of
knowledge and history without discrimination, whether man, woman, rich or poor. Everyone
must make a commitment to the oppressed, not only with assistance and palliative programs,
but also to ensure that they exercise their citizenship to the fullest.
Thus, this article aims to present the doctor Zilda Arns as an organic intellectual woman,
in the Gramscian sense (Gramsci, 1975), and her relationship with the Pastoral da Criança and
Popular Education. To this end, Zilda Arns' life trajectory will be presented in conjunction with
the historical context of Pastoral da Criança and Popular Education, as well as her relationship
with the Church, her philosophical assumptions, her pedagogical tendencies and the socio-
political and economic contexts of Brazil.
The research method used to reveal the intellectual Zilda Arns was phenomenological
hermeneutics with a qualitative approach, which carries in its baggage a Freirean view of the
world, the subject and the citizen of/with the world. It is important to emphasize that this is not
a standard or the only approach available, but it is a way of reaching the essence without losing
sight of the phenomenon and all the elements associated with it.
Zilda Arns: Life trajectory
Zilda Arns Neumann was born in the municipality of Forquilhinha, state of Santa
Catarina, on August 25, 1934. She was the daughter of Gabriel Arns and Helene Steiner, farmers
descended from immigrants from Germany, who had 16 children. Of these, Zilda was the
thirteenth. In her childhood and youth, she
[...] barely knew that there was a government, that the school, the public
library, the church and the houses of the priest and nuns were built by the
community and that there was very intense community activity. We had a very
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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strong family experience. Every night we got together to pray and sing in
three, four voices (Interview..., 1998, our translation).
With the conviction that her purpose was to dedicate herself to health, she chose to study
Medicine, despite going against the wishes of her father, Gabriel Arns, who had little formal
education, but still supported her despite not considering a career in medicine suitable for
women. Zilda completed her fundamental studies (1st to 4th year) in Forquilhinha - SC, high
school and secondary school in Curitiba, at the Sagrado Coração school. In 1953, at the age of
19, she was approved in the exams and began studying medicine at the Federal University of
Paraná (UFPR), where a professor failed her in the first year, even though she was one of the
first in her class, because he thought it was absurd for a woman to study medicine – there were
six women and 143 men in the room – but to his surprise, Zilda became a pediatrician just like
him. She knew how to conquer her space in an environment mostly dominated by men. Women
of her generation “aware of their social place, had to create their own rules to insert themselves
in power games” (Orlando, 2021, p. 51, our translation).
Zilda, since she was a student, was involved with social causes. In her first year of
college, she began taking care of children under one year old as a volunteer, a job that left her
impressed by the large number of children hospitalized with easily preventable illnesses, such
as diarrhea and dehydration.
From a young age, Zilda Arns adopted the Catholic principle of serving others as her
life motto. Although she considered pursuing a religious career, like three of her sisters and two
brothers, including the former archbishop of São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, Zilda chose a
path in which she could dedicate herself to needy communities, both in Brazil and abroad, as a
public health doctor, without family responsibilities.
In 1959 she graduated in medicine from UFPR and met the carpenter and professor
Aloísio Bruno Neumann, whom she married on December 26 of that same year and had six
children – Nelson (Doctor), Heloísa (Psychologist), Silvia (Business Administrator), who died
in 2003 in a car accident, Marcelo, who died shortly after birth, Rubens (Veterinarian) and
Rogério (Business Administrator). Counting on her husband's unconditional support to study
and work, at a time when marriage was synonymous with living exclusively for the family, she
furthered her studies in Pediatrics through the Brazilian Society of Pediatrics, aiming to save
poor children from infant mortality, malnutrition and violence in their family and community
context; in Public Health and Sanitation from the University of São Paulo (USP); in Social
Pediatrics from the University of Antioquia, in Medellín, Colombia; in Administration of
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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Maternal and Child Health Programs from the Pan American Health Organization
(PAHO/WHO). Ultimately, it can be said, according to Gisèle's Sapiro concept (2012), that
Zilda Arns was an intellectual woman with significant individual symbolic capital for Brazilian
society.
With the support of her husband, Zilda Arns was in charge of several children's health
care programs, in hospitals and at the Paraná State Health Department (SESA). She began
practicing as a pediatrician at the César Pernetta Children's Hospital, in Curitiba, and later
became the Director of Maternal and Child Health at SESA. In 1980, Brazil was beginning to
open up to democracy, her successful experience at the Department of Health led to her being
invited by the Government of the State of Paraná to coordinate the Sabin vaccination campaign,
to combat the first polio epidemic, which began in the Municipality of União da Vitória, creating
her own method, later adopted by the Ministry of Health. In the same year, she was also invited
to return as director of the Maternal and Child Department of SESA, when she then instituted
planning programs with extraordinary success family, gynecological cancer prevention, school
health and breastfeeding.
However, Zilda Arns was often distressed by the fact that her dedication to work
prevented her, on several occasions, from being close to her family. Pregnant with her fifth
child, she left the other four in the care of her father, Aloysio, to take a three-month course in
Colombia, in 1973. Some time later, she continued with her studies in public health, which led
her to spend only the final at home during the week, while staying, from Monday to Friday, in
the city of São Paulo. However, a fatality occurred and her companion and supporter died on
February 18, 1978, of a massive heart attack, at the age of 46, after rescuing one of their
daughters from drowning, on Betaras beach, on the coast of Paraná. However, even as a widow
with five children, the youngest four years old and the oldest fourteen, Zilda remains detached
in her work of saving lives.
In 1983, after approximately 25 years of experience in medicine, Zilda Arns responded
to the CNBB's request and founded Pastoral da Criança in partnership with Dom Geraldo
Majella Agnello, Cardinal Archbishop Primate of Salvador, Bahia, who at the time was
Archbishop of Londrina. It was on this occasion that the development of a community
methodology took place with the aim of expanding knowledge and solidarity among families
in vulnerable situations, taking as a reference the prodigy of the multiplication of fish and the
five loaves of bread that fed five thousand people, as narrated in the Gospel of Saint John (John
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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6, 1-15). Educating mothers through trained community leaders has shown to be the best way
to combat most easily preventable diseases and the marginalization of children.
The public health doctor and pediatrician mobilized millions of volunteers throughout
Brazil and when asked what made the work of Pastoral da Criança successful, she said:
The biggest secret is to work with love on what you believe in, knowing where
you want to get to and how to work. Our community leaders […] are simple
people with immense hearts, true doctors of citizenship who learn the basic
lessons of health, nutrition and education and are committed to multiplying
knowledge, accompanying and guiding neighboring families. They are the
ones who carry out social transformation, and, certainly, they are the
cornerstones for improving the country's social conditions (Neumann, 2003,
p. 130, our translation).
Zilda believed in the social transformation that occurs through human beings, and stated
that the most relevant fact in this understanding is understanding that “the solution to problems
is not reduced to economic issues, but is strongly related to the recovery of the social fabric”
(Neumann, 2003, p. 131, our translation).
In 2004, Zilda Arns was entrusted by the CNBB with a new mission, which consisted
of establishing and leading the Pastoral for the Elderly. Currently, more than one hundred
thousand elderly people are monitored monthly by twelve thousand volunteers from 579 cities
in 141 dioceses in 25 states in Brazil. Zilda Arns dedicated her time to fulfill multiple
commitments, including her role as national coordinator of the Pastoral for the Elderly and
international coordinator for the Pastoral da Criança. In addition, she also served as the CNBB's
main representative on the National Health Council and as a member of the National Council
for Economic and Social Development (CDES). In 2006, Zilda Arns was nominated for the
Nobel Peace Prize for the significant work carried out at Pastoral da Criança. It is noteworthy
that the doctor, in addition to her excellent work in the health sector, knew how to navigate
politics, demanding the rights of the most disadvantaged. “Presidents, ministers, senators and
deputies knew that the sister of Cardinal Dom Paulo Evaristo Arns did not knock on the doors
of power in Brasília with a saucer in her hand, asking for favors. She demanded rights”
(Rodrigues, 2018, p. 9, our translation).
Based on Antonio Gramsci (1975), it is understood that Zilda Arns can be considered an
organic intellectual. Furthermore, based on the modes of intervention proposed by sociologist
Gisèle Sapiro (2012), it is identified that the practices developed by Zilda encompass actions
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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of an institution intellectual
5
and also a specialist
6
in the position of Coordinator of the Pastoral
da Criança and the Pastoral of the Elderly representing the CNBB, and consequently, the
Catholic Church in the various social segments, as well as a critical intellectual
7
who wrote for
newspapers and magazines, anchored in specialized knowledge and her prophetic role in
society, with the purpose of raising people's awareness about the problem of infant mortality,
confronting health professionals and conservative clergy.
Zilda also shook off dogmas, established procedures and the cult of
complexity of powerful sectors of Brazilian pediatrics: she adopted, on the
Pastoral's work fronts, simple, cheap and, above all, quick solutions such as
homemade serum, in the treatment of diarrhea prevention and other diseases
that filled Brazilian cemeteries with white crosses and small coffins. [...]faced
opposition from conservative cardinals to the scientific and realistic view that
faced the issue of contraceptive methods. On the other hand, she did not
hesitate to collect criticism from feminists and intellectuals from the scientific
community for her vigorous fight against abortion (Rodrigues, 2018, p. 12,
our translation).
On January 12, 2010, she was on a humanitarian mission in Port-au-Prince, Haiti, to
introduce the work of Pastoral da Criança in the country. However, when the lecture ended in
the parish building of the Sacré Church Coeur, where she spoke about the importance of caring
for children as a sacred asset, promoting respect for their rights and protecting them, the
building collapsed in an earthquake and Zilda Arns died. Her body was taken to the
Municipality of Curitiba/PR, transported in an open car, where she was applauded by a crowd
saying goodbye to the missionary doctor who had founded the Pastoral da Criança, drastically
reduced infant mortality, educated men, women and children of the popular classes and marked
their generation.
5
Intellectuals from an institution (especially a religious one) or from a party have the main task of illustrating and
defending the doctrine and/or ideological line of the instance to which they chose to join (…). They need to
constantly adjust to the specific obligations that are imposed on them and that subordinate intellectual values to
militant discipline (Sapiro, 2012, p. 39).
6
It is the one that informs the decisions of public authorities and provides “scientificfoundations for public
policies (Sapiro, 2012, p. 43).
7
Producer of collective representations and an interpretation of the world, generally carrying an ethical-political
message, the critical intellectual bases the legitimacy of his positions on his symbolic capital, that is, on his
charismatic authority with a public, capital often linked rather to his name than to his titles and, therefore,
associated with his person (Sapiro, 2012, p. 27).
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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Pastoral da Criança: brief historical context
The story of Pastoral da Criança begins in Switzerland, with worrying information about
the infant mortality rate in Brazil, commonplace in national daily life, but impactful in the “first
world”. In 1982, the United Nations (UN) promoted a meeting on peace in Geneva and during
one of the breaks, the executive director of the United Nations Children's Fund (UNICEF),
James Grant, spoke with Dom Paulo Evaristo Arns, representative of the Brazilian Catholic
Church at the meeting, about the need to take steps to save Brazilian children, and the Church
could help reduce child mortality (Arns, 2010). Therefore, he suggested that a pilot project be
started with the support of UNICEF in Brazil. Dom Paulo Evaristo Arns thought of his sister,
Dr. Zilda Arns Neumann.
Social rights in Brazil, in the 1980s, practically did not exist. The areas most affected
were education, health and security. Brazil's political scenario was moving towards democracy,
as the military government, established in 1964, was no longer supported by corruption,
countless social problems and various acts against the lack of freedom, not only in the large
urban centers that were forming quickly, but also in the field. External debt increases
dependence on richer countries. The oil crisis and the decrease in financial capacity meant that
investments in education and health on the part of the State practically did not exist. Regions
of poverty emerged in the countryside and large urban centers swelled due to the rural exodus
caused by industrialization. The country suffered significant rates of malnutrition and infant
mortality (according to UNICEF, over 80 deaths in the first year of life for every thousand live
births), largely due to preventable diseases.
In medicine, some medical concepts began to change in the country in that decade.
Curative medicine, widely used, gave way to preventive medicine. It was known that most
diseases in developing countries could be easily prevented. Studies showed that it was not the
diarrhea that killed, but the dehydration caused by it. Zilda Arns, a scholar, was aware of
changes in medicine and knew the problems of poor countries. As a pediatrician, she treated
hundreds of children who arrived at her office, sick due to lack of information on the part of
their mothers, mainly. Therefore, upon hearing her brother's proposal, she thought that the way
to reduce infant mortality was to teach mothers how to properly care for their children (Pastoral
da Criança, 2010).
Then, in 1983, Zilda Arns started a pilot project supported by UNICEF and CNBB,
which gave rise to Pastoral da Criança. To achieve this, the doctor relied on her professional
and life experience, especially from her childhood having lived in the interior of the
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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municipality of Forquilhinha, in Santa Catarina, until she was 11 years old. In this place, there
were no doctors, electricity or health center; Her parents, children of German parents, received
many books from Europe and some of these were on home medicine. They read a lot and always
listened to the radio. So when people in the community got sick, they went to their parents'
house to seek help and cure with homemade medicine.
With this information in hand, public health doctor and pediatrician Zilda Arns argued
that it was necessary to bring knowledge to the population, so that prevention could be worked
on and various diseases could be avoided, a fact that could save many children from death. To
achieve this, knowledge should be conveyed in language that is accessible to people. In this
way, she created a community methodology to spread knowledge and solidarity among families
in situations of poverty. Educating mothers by qualified community leaders has proven to be
the most effective way to combat most preventable illnesses and social exclusion of children.
Thus, volunteer community leaders raised awareness about basic care and prevention of
childhood illnesses, through information, to those responsible for children up to six years of
age, and pregnant women.
Thus, Pastoral da Criança emerged as an initiative to combat the high rates of infant
mortality in Brazil. This experience of partnership between the government and non-
governmental organizations began with a pilot project in the municipality of Florestópolis, State
of Paraná, where breastfeeding and rehydration projects for newborns were implemented,
actions that drastically reduced infant mortality, which was very high in the city. In the
municipality, 73% of the population worked cutting sugar cane for the alcohol and sugar plant
and planting cotton and coffee and had a high mortality rate. Therefore, it was the place chosen
to start the project.
Zilda Arns believed that, for the development of work, popular education was the way
to form community leadership and thus make people aware of the prevention of diseases that
were killing their children. Aware of the importance of popular education to achieve this
objective, it developed special material, with approximations of the method developed by Paulo
Freire, in easy language, for everyone to understand. One year after the start of work in
Florestópolis, the mortality rate reduced from 127 deaths per thousand live births to 28 deaths
(Batalha, 2003, p. 41). The relevance of volunteering in the development of work at Pastoral da
Criança and the commitment of everyone to the well-being of children is highlighted.
According to the pediatric doctor,
THOMÉ, Adriana; ORLANDO, Evelyn de Almeida; MESQUIDA, Peri
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Being a volunteer is a means of carrying out a mission, reviving humanitarian
values and acting in communion with people. The responsibility for the well-
being of children, families, the community and the development of our
country belongs to everyone. We need to act in an articulated and intersectoral
way to overcome problems and difficulties so that all Brazilians can have a
full life (Neumann, 2010, our translation).
In this way, it expands the work throughout the national territory. To multiply knowledge
and solidarity in the project, three instruments were created: home visits to families; Weight
Day, also called Celebration of Life Day; and Monthly meeting for Assessment and Reflection,
all included in the Pastoral Leader's Guide
8
. Still according to Zilda Arns, the work affected the
economic, political, social and religious classes.
[…] on an economic level, the work of Pastoral da Criança allows
governments to do much more with the same resources; on a political level, it
encourages social participation in controlling the use of public resources; on
a social level, it helps people to promote themselves, to become subjects of
their own history and on a religious level, it enables the union of faith with
life (Neumann, 2000, p. 93-94, our translation).
Also noteworthy in the formation of the Pastoral da Criança was the work of the
Archbishop of the Archdiocese of São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, for his intense defense
of human rights. Thanks to his work with the São Paulo Justice and Peace Commission, many
exiles were able to return to Brazil, thus characterizing the commitment to defending the lives
of those who fought for the return of democracy in the country. Educator Paulo Freire was one
of the exiles who, upon returning to Brazil, had the support of Dom Paulo Evaristo Arns.
After two decades of operation, Pastoral da Criança supported a total of 1,816,261
children under six years of age and 1,407,743 needy families in 4,060 Brazilian municipalities.
During this period, Pastoral volunteers brought solidarity and knowledge about health,
nutrition, education, citizenship and spirituality to the most disadvantaged communities,
creating conditions for them to become protagonists of their own lives. Two aspects are
particularly emphasized in the Pastoral da Criança approach: the democratization of knowledge
and the integral formation of families, seeking to develop human potential in all aspects.
8
Leader's Guide is a 255-page book, used by Pastoral da Criança volunteers, with large print and photographs,
which was prepared with the participation of all its diocesan coordinators and support from technical partner
entities, such as the Ministry of Health, the Ministry of Education, the National Council of State and Municipal
Health Secretaries, the Brazilian Society of Pediatrics, the Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics
Societies and the Pan-American Health Organization. In this book, the volunteer learns about the stages of
development of child to use them as parameters in their community. These steps are the same, regardless of culture
(Batalha, 2003, p. 110-115).
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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[…] at the beginning of Pastoral da Criança, we were aware that the work of
preventing diseases and marginalization within families depended greatly on
the democratization of knowledge, human training for the practice and
exercise of citizenship, social co-responsibility and society, even the
constituted power (Neumann, 1996, p. 113, our translation).
In this statement, we can observe the desire to share knowledge and the importance
attributed to family education as a fundamental factor in achieving the proposed objectives.
There was a concern about how Pastoral da Criança leaders, many of whom were illiterate,
could be motivated to feel empowered to change the reality in their communities, where life
was denied due to undignified conditions. It is then evident that education is valued as a
transforming element of reality, as reported by Zilda Arns: “I was sure that child mortality,
malnutrition and family violence would be reduced with the education of mothers and families”
(Neumann, 2003, p. 66, our translation).
The work of Pastoral da Criança, in addition to support from UNICEF, now has the
Ministry of Health as its main financier, with around 70% of the funds
9
, and has spread to more
than twenty countries in Latin America, Asia, Africa, the Caribbean and was fundamental in
reducing infant mortality. Currently, “Brazil's Children's Ministry is considered one of the most
important community organizations in the world” (Neumann, 2003, p. 120, our translation).
And popular education, supported by the Catholic Church, extensively worked on by Paulo
Freire, and supported by the Ministry of Education, mainly in the literacy work of Youth and
Adults of the Pastoral, was an important pillar for the development of actions that reduced child
mortality in the Brazil and in developing countries where Pastoral was present.
9
Pastoral da Criança also had support from Rede Globo de Televisão, through the Criança Esperança program,
which is the largest non-governmental partner. And the Church is responsible for logistical support and the
mobilization of volunteer networks (Neumann, 2003, p. 119).
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Popular Education
In the Brazilian situation, many scholars were interested in the topic of Popular
Education and its definition. According to Fernando de Azevedo, the embryo of Popular
Education in Brazil came about with the pedagogical work of the first Jesuit missionaries, who
taught mestizos, whites and indigenous people.
Attracting Indian children to their homes or meeting them in their villages; By
associating in the same school community, children of natives and natives
whites, Indians and mestizos and seeking to win over and re-educate their
parents in their children's education, the Jesuits were not only serving the work
of catechesis, but were laying the foundations of Popular Education (Azevedo
apud Brandão, 1984, p. 28, our translation).
But it was from the end of the 1950s and beginning of the 1960s, with Federal Law No.
4,024, of December 20, 1961, which established the Guidelines and Bases of National
Education, inspired by the principles of freedom and the ideals of human solidarity, that
educational practices in popular circles had a broad boost due to the sociopolitical and economic
context of the time. During this period, new national pedagogies were established through
educational reforms, the objective of which was to establish an improved workforce, greater
integration of the population into the economy and guarantee capitalist hegemony, without
necessarily expressing a concern with the transformation of social structures.
In this context, human promotion activities were distinguished by investment in
educational reforms, which were linked to the first Adult Education agencies (linked to the UN
and the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO), a fact
that was later reflected in the support for the work in favor of the fight to reduce infant mortality,
carried out by Pastoral da Criança and coordinated by Dr. Zilda Arns.
Educator Paulo Freire
10
, at this time, became one of the main references in the 20th
century for understanding Popular Education. His understanding was that “popular education
is understood as the effort to mobilize, organize and train the popular classes” (Freire; Nogueira,
2005, p. 19). His contributions stood out, first, in Brazil, then in Chile, when he was in exile,
after the coup that installed the military dictatorship of 1964, and then, the Freirean educational
10
The philosophical sources that Paulo Freire was based on were the thought of Tristão de Atayde, the personalism
of Emanuel Mounier, the thought of Jacques Maritain, the existentialism of Kierkegaard, the neo-Marxism of Eric
Fromm, education as a policy of Gramsci, among others. These are some of the sources that Freire used to nourish
the anthropological and sociopolitical basis of his reasoning. It is worth highlighting the fact that Paulo Freire was
Catholic, with an ecumenical vision of religion. His Christianity is based on a liberating theology, which can be
observed in the book “Pedagogy of the Oppressed” (1970), in which he outlines a dialectical approach to reality,
whose determinants are found in economic, political and social factors.
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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method, theory and practice spread throughout Latin America. Currently, his proposal
influences education on all continents.
The proposal of Popular Education, in Freire, was not to exercise passive teaching, a
banking education, but to stimulate learning based on the student's investigation within their
reality. In other words, the educator never exposes the finished content, but encourages the
student to build their knowledge, to seek their autonomy, to develop their criticality, their
reflection within their context, their own reality. It is an approach to pedagogical work aimed
at raising awareness among the people and becoming an instrument of transformation, as stated
by Freire (1967).
The first attempt at education with the popular classes, which was called Basic
Education, Liberating Education, and later Popular Education, originated within civil society
movements. In other words, the strategic environment that founds Popular Education is that of
popular culture movements and centers, base education movements (MEB)
11
, base
ecclesiastical communities (CEBs)
12
, Popular Culture Movement (MCP), in Recife, and
popular action.
To understand this liberating education proposal more proficiently, it is important to
bring to light the experience that marked Popular Education in Brazil, the episode of the
“Angicos Revolution”
13
, led by Paulo Freire, which took place in the countryside of the state
Rio Grande do Norte, where a pioneering and daring experience took place in the early 1960s,
before the military dictatorship. The new teaching promoted in the Culture Circles showed that
in 40 hours a group of poor people, oppressed and forgotten by society in the interior of the
Northeast, were able to become literate through “generative themes”, that is, through texts that
were part of the context of life of the respective group, using words instead of letters (Lyra,
1996). For Paulo Freire: “The reading of the world always precedes that of the word and the
reading of this implies the continuity of the reading of the former” (Freire, 1989, p. 22, our
translation).
11
On March 21, 1961, the MEB was officially created, by Decree No. 50,370/61, by President Jânio Quadros, for
the North, Northeast and Central-West areas of the country, lasting 5 years. Movement created by CNBB to
promote basic education through an agreement between the Church and the Presidency of the Republic, signed by
the Secretary General, Dom Helder Câmara. Specifically, it was an agreement with the Ministry of Education and
Culture (Wanderley, 1984; Fávero, 2006).
12
Between the 1960s and 1980s, CEBs played an important role, as they were spaces for popular organization.
During the military coup in 1964, they were brutally attacked. In this sense, the CEBs adopted an important role
in the struggles of the Brazilian people and in the process of redemocratization of Brazilian society (Betto, 1981).
13
Angicos has become an emblematic word for all those interested in Popular Education. The small town located
in the backlands of Rio Grande do Norte was the stage where, for the first time, Paulo Freire, at the beginning of
1963, put into practice his famous method of adult literacy (Germano, 1997, p. 389).
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With regard to pedagogical trends, Popular Education had its foundations in the
liberating pedagogical current, which goes beyond the boundaries of pedagogy, also placing
itself in the field of economics, politics and social sciences. Emancipatory education is based
on the principle of popular thought, of the people. The curriculum is built based on concrete,
current and existential reality. The situation presented - often unfavorable - must be critically
analyzed and considered as a challenge with issues to be overcome through reflection and action
(praxis). The generating themes are reflections based on people's thinking, which do not occur
in a vacuum, but rather in people, in the relationships between them and in them, and in their
relationships with the world. The exploration of relevant themes is carried out through dialogue
and is the object of collective reflection, in an increasingly in-depth investigation process,
seeking a comprehensive understanding - economic, political, social. From this perspective,
Freire says:
The pedagogy of the oppressed, as a humanist and liberating pedagogy, will
have two distinct moments. The first, in which the oppressed reveal the world
of oppression and commit themselves in practice to its transformation; the
second in which, once the oppressive reality has been transformed, this
pedagogy ceases to belong to the oppressed and becomes the pedagogy of men
in a process of permanent liberation (Freire, 1970, p. 27, our translation).
When the military dictatorship was implemented in April 1964, Brazil had more than 20
thousand Culture Circles, which lasted approximately two decades. In this same context,
Catholic University Youth was weakened and the Basic Education Movement was disfigured
in a continuous process. But the thesis of education as a tool for revolutionary practice and
transformation, of establishing the priority of justice, equality and solidarity, persisted among
all who participated and fought for this work – especially Christians.
In some communities in our sertões, in our cities scattered between work and
fear, what, soon after, we came to call “another way of being Church” began
to emerge [...] it was valid for Catholics and also for evangelicals, now united
in the same human project of building the future. [...] a place of conscious
agent and conductor of a new story, it animated, like a “new breath of the
Spirit”, all those who began to create among us at the same time: the biblical
circles, the gospel churches, base ecclesial communities and liberation
theology [...]. Many of them had learned to babble these words for the first
time and to think around the fire, their meaning, along with what then, here
and there, was already called: Popular Education (Brandão apud Preiswerk,
1997, p. 11-12, our translation).
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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During this period when Popular Education emerged in Brazil amid the cultural and
political effervescence that the country was experiencing, Zilda Arns, as an organic and militant
intellectual, developed her projects with public and private health agencies, aiming to help those
most in need to become protagonists of their stories and, consequently, save the lives of their
children.
Zilda, very committed to Christian values, professed the Catholic faith and was very
close to her brother, former Archbishop of São Paulo Dom Evaristo Arns a religious man who
fought and defended the people against injustices and social ills and her other brothers, who
also decided to follow religious life. Thus, her work was linked to the commitment to help,
mainly, those who are disadvantaged. Even with the 1964 Military Coup, she continued working
in public health agencies, due to her ability as an organic intellectual that transcended medicine
and permeated social and political issues. According to Rodrigues, the doctor was a
fearless and enlightened woman who knew how to reconcile, like few others,
science and faith, competence and courage, to face the obscurantism of some
sectors of the Church, the incompetence of politicians and the stuck
bureaucratic machine of governments, as well as the interests of the powerful
in the commercialization of medicine (Rodrigues, 2018, back cover, our
translation).
Popular Education and the Church
The Catholic Church in Latin America, especially after the Second Vatican Council,
which took place in four sessions between 1962 and 1965, stood out for its dedication in the
field of Popular Education, committing itself to projects for the liberation of the oppressed
through action educational and prophetic. These factors allowed the church to act immersed in
concrete and contextualized reality, with a socio-historical and political approach.
According to Enrique Dussel (1999), many pastoral and socio-political movements,
mainly youth, such as Catholic peasant, worker, student, university youth, Protestant Christian
student movement, among others, stimulated and strengthened projects for the liberation of the
oppressed, which are understood in light of the concepts and definitions of “Liberating
Education” discussed in this article, which had Popular Education as one of its main tools.
Paulo Freire discusses this issue by suggesting that the Churches of Latin America can
be divided into two main aspects: modernizing and traditional. Modernizing churches are those
that have opted for a liberating educational approach. On the other hand, traditional churches
are those that are still stuck in a methodology that alienates social classes. These churches have
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not yet understood that humanization is linked to liberation and that liberation implies the
integral transformation of the human being. According to Matthias Preiswerk, “the Church was
bold in handing over to a group of lay people, most of whom had recently left Catholic Action,
the responsibility of promoting adult literacy through awareness-raising education” (Preiswerk,
1997, p. 10, our translation).
These groups made up of lay people built an extensive “grassroots popular action”
demanding participation in the life of the Church and in the sociopolitical history of the country,
that is, transforming themselves into active subjects and protagonists in the face of the concrete
reality, which led them to know, the feel the entire situation of misery in the socioeconomic and
political context in which people were subjugated.
As a result, this group of people revolted with ethical-religious aversion, which
motivated them to confront social injustice. In this way, the Basic Education Movement, among
others, had the participation and engagement of lay people, especially followers of the Christian
faith, as a way of claiming a fundamental right, that of freedom and humanization of others.
For Rubem Alves (1999), grassroots movements express the sighs, pains and aspirations of the
oppressed who desire liberation and social transformation.
However, at the height of grassroots movements, mainly MEBs, in favor of raising
awareness and liberating the individual, supporters of the political context of military
dictatorship sought to end these activities, due to the characteristics considered "subversive"
that they possessed. However, education activists who promoted "awareness" persisted in their
work. This action was directly linked to the renewal process of the Second Vatican Council,
with the clear objective of adapting the Church to contemporary challenges, including
industrialization and urbanization.
Popular Education, in turn, had a wide repercussion in the Church, and after significant
support from Christian and progressive educators, much of this support was based on
identifying the ideological bases shared between Liberation Theology and
14
Education Popular,
as the two “find themselves on the same ground and sometimes with the same actors”
(Preiswerk, 1997, p. 24, our translation). Based on this conception, according to Gabriel Priolli,
14
Liberation Theology is a socio-ecclesial movement that emerged within the progressive Catholic Church, in the
wake of civil and youth movements in Brazil in the 1960s, which, driven by ideals of freedom, began to criticize
everything linked to authoritarian practices. and centralizers of the time. At the same time, this Theology also
influences social movements by highlighting the popular classes as subjects of their own destiny. The Christian
faith, in its analytical and anthropological reinterpretation, is its basic inspiration, lived and understood as a
transformative action of social reality. It is a popular theology, from the CEBs, and is capable of rethinking the
social function of the Church. One of the best-known exponents of Liberation Theology in Brazil is the Franciscan
Leonardo Boff (Otto, 2021, p. 298-299).
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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educator Paulo Freire
15
presented himself as a revolutionary Christian and declared that he was
a “comrade of Christ who approached the favela residents, since his days as a beginning
educator” (Priolli apud Brandão, 2005, p. 41, our translation). The educator understood that the
identity of "being Christian" was related to "being revolutionary":
Being Christian does not necessarily mean being reactionary, just as being
revolutionary does not imply being 'demonic'. Being revolutionary means
being against oppression, against exploitation, in favor of the liberation of the
oppressed classes, in concrete terms and not in idealistic terms (Freire, 1982,
p. 113, our translation).
From the perspective of the praxis of Liberating Education, attention is drawn to the
characteristics that can be generated in the identity of each Christian committed to Popular
Education.
Christians committed to Popular Education will reflect on their identity and
report it to other actors in the educational experience [...]. Christians
committed to Popular Education will make their identity clear through their
own educational practice within the popular movement and the ecclesiastical
institutions with which they are linked [...]. Christians committed to Popular
Education will join or, if applicable, form ecclesiastical communities, in which
all actors who wish can reflect on their commitment, compare it with the Word
of God and celebrate their faith (Preiswerk, 1997, p. 374-376, our translation).
From this perspective of a progressive Christian, formed in that socio-political and
economic context and committed to raising awareness, Zilda Arns immersed herself deeply in
the areas of public health, pediatrics and sanitation, with the purpose of protecting children in
vulnerable situations from infant mortality, malnutrition and violence in their family and
community contexts. Aware that education was proving to be the most effective means of
tackling the majority of preventable diseases and the social exclusion of children, she directed
her efforts to hospitals and public health departments in the 1960s and 1970s and, in parallel,
to her family, always present in your life. At the beginning of the 1980s, with the reopening to
democracy that was taking place in the country, she established the concepts and praxis of
Popular Education in her new project to save lives, which would be developed together with
the CNBB.
15
Paulo Freire can be considered one of the founders of Liberation Theology. The educator brings the oppressed
as a being capable of creating culture, in addition to being a historical subject. This being is capable of transforming
society, when human beings become aware and organize themselves. “Liberation Theology, when making the
option for the poor against their poverty, takes on the vision of Paulo Freire” (Boff, 2008, p.18-19).
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Children's Ministry x Popular Education
Amid the effervescent reopening of democracy in the country, the Pastoral da Criança
project emerged with the support of CNBB and UNICEF, coordinated by Zilda Arns. In this,
the methodological direction of the activities has dialogue and awareness among participants
as the main pillars and teaching includes moments of practice and theory.
In Freire's method, keywords begin to emerge during the process of surveying
students' vocabulary. In the Pastoral da Criança, the process begins with words
from the universe of the Pastoral itself. In Freire, the objective of adult literacy
is to promote awareness of social problems for knowledge of social reality, an
aspect also present in the Pastoral da Criança agenda. According to Zilda Arns,
“students learn to read and write through key words in Pastoral, such as:
homemade serum, health, nutrition, family, community, fraternity, faith, God
and others” (Otto; Rodrigues, 2020, p. 9, our translation).
Several workshops are held to improve the content covered in the training of community
leaders and the training process for pregnant women and those responsible for children up to
six years of age is broad, seeking to involve the different dimensions of human life: spiritual,
emotional, biological, cognitive, sociocultural and politics. Zilda Arns highlights “that the
World Health Organization itself, based on research, says that people who have faith are
healthier, less violent and happier” (Interview..., 2003, our translation). Thus, in Pastoral Care
they not only weigh children, but seek to develop them as a whole, within a family and
community context.
From this perspective, Pastoral da Criança carries out studies based on the Popular
Education methodology and promotes actions to decode scientific knowledge in the areas of
health, nutrition, education and citizenship, necessary for the education of pregnant women,
breastfeeding women and their children. These studies relate decoded scientific knowledge with
popular knowledge, collectively constructing new knowledge, called "popular-scientific",
which has meaning for the leaders and the families they support. The studies contribute to the
transformation of socioeconomic and political reality through the process of raising awareness
about basic social rights.
In this way, it was understood that it was necessary to organize the community into
smaller groups. Members are educated to feel responsible for one another and are invited to
share what they are and have: their time and their life. Zilda Arns' explanation portrays
education for solidarity, autonomy and awareness, values that Pastoral da Criança seeks to
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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develop in its activities. With the guideline of "see-judge-act-evaluate-celebrate"
16
, members
engage in practices and actions of an educational nature, in a simple but intentional way. "See"
allows a coordinator, together with the group, to define the generating theme to be analyzed.
"Judge" involves analyzing and studying the generative theme or a specific story to discover
the causes and provisional solutions. In "Act", it is proposed to define how to carry out the
practice and the strategies to be adopted. In "Evaluate", the group has the opportunity to seek
to improve performance and improve its action. And finally, in "Celebrate", achievements,
victories, failures, joys and the hope that it is possible to change an inadequate situation are
highlighted.
It is noteworthy that, considering its characteristics of insertion in reality and analysis
of generating themes, the guideline has a high potential for political-educational praxis from
the perspective of the transformation proposed by educator Paulo Freire, characterizing itself
as a method of Education Popular.
Popular Education has a deep and coherent relationship between theory and practice,
emphasizing the importance of the democratic spirit and revealing reality in a radical way. This
is evident in the way popular communities organize themselves to fight against social injustices.
Furthermore, Popular Education values all individuals, regardless of their position in the
community, considering the knowledge that each person carries internally.
In the formation process, Popular Education is characterized by its political clarity,
which goes beyond the differences between those involved. This includes overcoming the idea
that we are superior and saviors of poor communities, recognizing the experience and
knowledge of the people who live in them. People's active participation in all training moments
is valued, promoting an exchange of knowledge in which we teach and learn at the same time.
Popular Education also seeks to overcome prejudices based on race, class and gender, aiming
to democratize human relationships and awaken solidarity among people.
Popular Education also seeks to promote dialogue in communities, so that, based on a
critical analysis of the reality experienced, people become aware of and overcome the
authoritarian tradition imposed by oppressive classes. It is important that they are active
subjects in the transformation process, and not just spectators subject to manipulation. In this
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Guideline created by Joseph Cardjin, priest of Belgian origin, founder of the Youth Workers (JOC). However,
the original trilogy was made up of three actions, “see, judge and act”. Two actions were added to the Pastoral da
Criança project, evaluating and celebrating. Cardjin worked for the social commitment of the Catholic Church at
the beginning of the 20th century. In his conception, for man to carry out a profound spiritual reform, it is necessary
to reform the environment in which he lives and works, since that is the result of this (Brighenti, 2015).
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way, it knows how to recognize the participation of the popular classes and it is necessary for
people to truly awaken as agents of transformation and not as objects of domestication. And so
the doctor Zilda Arns developed the concepts and educational praxis of Popular Education in
the Pastoral da Criança, so that learning reached everyone involved, transforming them into
protagonists of their lives, regardless of their level of education and knowledge.
Thus, the purpose of Pastoral da Criança is to promote the social inclusion of people
who are less privileged in terms of human dignity, health, and nutrition under the auspices of
Popular Education as a catalyst for the autonomy of those welcomed, allowing the objectives
to be achieved in a self-sustainable way, through the training of community leaders who raised
awareness among those responsible for caring for children, based on the reality in which they
were inserted, which consequently generated a significant reduction in child mortality.
Final remarks
Zilda Arns had a life of hard work and recognition for implementing Public Health
programs celebrated around the world. This work was carried out with great dedication and
often faced adversity, such as resistance from politicians, public health system bureaucrats,
representatives of the pharmaceutical industry and even fellow doctors and the Catholic Church
itself. However, recognition did not only come from governments, but also from anonymous
people, such as a street sweeper who, in a moment of meeting Zilda Arns before her trip to
Haiti, asked to take a photo with "the woman who takes care of the children in Brazil". Zilda
Arns was a militant intellectual, with important symbolic capital for Brazilian society, and
demonstrated autonomy in relation to political demands.
The praxis of Popular Education was fundamental in the implementation and
development of the work of Pastoral da Criança. However, a striking characteristic of the
founder Zilda Arns, who also contributed significantly to the progress of the work, was her
kindness. For her, "loving God above all things and our neighbors as ourselves means working
for social inclusion, the fruit of Justice, it means not having prejudices, applying our best talents
in favor of a full life, primarily for those who need it most" (Pastoral da Criança, 2010). In this
way, she was instigated by her brother Dom Paulo Evaristo Arns and initially awakened in
herself the understanding of the importance of acting to save children's lives and, later,
awakened in people the collective dream that, by joining efforts, it is possible to build a more
Zilda Arns, a militant intellectual and her relationship with Pastoral da Criança and Popular Education
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just and supportive society. Combating child mortality was not just an intention, but a mission
for her.
Pastoral da Criança, with the union of different segments of society, joins efforts in the
search to solve problems in communities. With this style of work, whose driving force is to
multiply knowledge and awaken hope in people that the united community can transform their
reality, Zilda Arns - militant intellectual, doctor of the oppressed, protector of children and
founder and coordinator of Pastoral da Criança -, brought her worldview closer to the thought
of Paulo Freire, icon of Popular Education. Both loved people and fought for social justice to
be implemented before charity.
From the beginning, the Pastoral da Criança methodology aimed to address aspects of
education, citizenship, health, nutrition and ecumenical spirituality. Therefore, it avoided the
creation of complex structures, prioritizing the empowerment of people in the communities
involved. And this happened with the praxis of Popular Education established in the
development of work that transformed Pastoral members into protagonists of their stories,
transformers of their realities and multipliers of knowledge, just like Paulo Freire's proposal for
Popular Education, demonstrating the relationship of ideological proximity. Ultimately, it can
be said that Zilda Arns, as a Christian, intellectual woman, knew how to navigate the spheres
of health, education, politics and spirituality with mastery.
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CRediT Author Statement
Acknowledgments: Our special thanks to the Postgraduate Program in Education (PPGE)
at the Pontifical Catholic University of Paraná.
Financing: Not applicable.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The research/narrative did not require an Ethics Committee opinion.
Availability of data and material : Not applicable.
Authors' contributions: All authors dedicated themselves to deepening the bibliographic
readings, presenting textures, intersections and critical readings that provided the necessary
contribution to the collective construction of the scientific narrative.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Review, formatting, standardization and translation.