RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023017, 2024. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v28i00.19448 1
AS JUVENTUDES E O ENSINO MÉDIO: PERSPECTIVAS DE FUTURO
LAS JUVENTUDES Y LA EDUCACIÓN SECUNDARIA: PERSPECTIVAS DE
FUTURO
YOUTHS AND HIGH SCHOOL: FUTURE PERSPECTIVES
Mara Regina ZLUHAN1
e-mail: mara.zluhan@gmail.com
Adelcio Machado dos SANTOS2
e-mail: adelcio.machado@uniarp.edu.br
Shirlei de Souza CORRÊA3
e-mail: shirlei.correa@unifebe.edu.br
Como referenciar este artigo:
ZLUHAN, M. R.; SANTOS, A.; CORRÊA, S. de S. M. dos. As
juventudes e o Ensino Médio: Perspectivas de futuro. Revista on
line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00,
e023017, 2024. e-ISSN: 1519-9029. DOI:
https://doi.org/10.22633/rpge.v28i00.19448
| Submetido em: 17/02/2024
| Revisões requeridas em: 07/03/2024
| Aprovado em: 20/05/2024
| Publicado em: 03/07/2024
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Rede Estadual de Educação de Santa Catarina, Balneário Camboriú SC Brasil. Orientadora Educacional.
Doutorado em Educação - Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), Itajaí SC Brasil.
2
Universidade Vale do Rio do Peixe (UNIARP), Caçador Santa Catarina Brasil. Docente no Programa de Pós-
Graduação em Desenvolvimento e Sociedade. Doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento -
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis SC Brasil.
3
Centro Universitário de Brusque (UNIFEBE), Brusque SC Brasil. Docente do Programa de Pós-graduação
Educação Básica na Universidade Vale do Rio do Peixe (UNIARP), Caçador SC Brasil. Doutorado em
Educação - Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), Itajaí SC Brasil.
As juventudes e o Ensino Médio: Perspectivas de futuro
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RESUMO: O Brasil convive com históricas crises no Ensino Médio e diversas reformas têm
buscado superar os desafios neste nível de ensino. Atualmente, vive-se um novo momento de
reformulação das políticas públicas neste âmbito, que a legislação atual apresenta fragilidades
em sua implementação. A presente pesquisa qualitativa, de cunho bibliográfico e documental,
pretende analisar a cultura juvenil e o sentido da escola de ensino médio para os jovens, a fim
de que os mesmos possam se reconhecer nos currículos e no cotidiano escolar. Os altos índices
de evasão e abandono no Ensino Médio devem ser ponto de atenção das políticas públicas, já
que a escolarização é o ponto de partida para outras conquistas de ordem profissional, social e
cultural. Considerar as transformações da trajetória juvenil ao longo da história é condição
basilar para pensar as reformas do Ensino Médio, concebendo a educação como um processo
de construção coletiva do saber, buscando a integralidade do ser humano.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino Médio. Juventudes. Trajetórias juvenis.
RESUMEN: Brasil convive con históricas crisis en la Educación Secundaria y diversas
reformas han buscado superar los desafíos en este nivel de enseñanza. Actualmente, se vive un
nuevo momento de reformulación de las políticas públicas en este ámbito, ya que la legislación
actual presenta fragilidades en su implementación. La presente investigación cualitativa, de
carácter bibliográfico y documental, pretende analizar la cultura juvenil y el sentido de la
escuela de educación secundaria para los jóvenes, con el fin de que puedan reconocerse en los
currículos y en el cotidiano escolar. Los altos índices de deserción y abandono en la Educación
Secundaria deben ser un punto de atención de las políticas públicas, ya que la escolarización
es el punto de partida para otras conquistas de orden profesional, social y cultural. Considerar
las transformaciones de la trayectoria juvenil a lo largo de la historia es condición básica para
pensar en las reformas de la Educación Secundaria, concibiendo la educación como un proceso
de construcción colectiva del saber, buscando la integralidad del ser humano.
PALABRAS CLAVE: Educación Secundaria. Juventudes. Trayectorias juveniles.
ABSTRACT: Brazil has historically faced crises in high school education, and various reforms
have aimed to overcome the challenges at this educational level. Currently, there is a new wave
of policy reformulation in this area, as the current legislation presents weaknesses in its
implementation. This qualitative research, of a bibliographic and documentary nature, intends
to analyze youth culture and the significance of high school for young people so that they can
recognize themselves in the curricula and daily school life. The high dropout and abandonment
rates in high school should be a focal point for public policies, as education is the starting point
for other professional, social, and cultural achievements. Considering the transformations in
youth trajectories throughout history is fundamental for thinking about high school reforms,
viewing education as a process of collective knowledge construction, and seeking the wholeness
of the human being.
KEYWORDS: High School. Youth. Youth Trajectories.
Mara Regina ZLUHAN; Adelcio Machado dos SANTOS e Shirlei de Souza CORRÊA
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023017, 2024. e-ISSN: 1519-9029
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Introdução
Observa-se atualmente uma grande diversidade de tipos de juventude, que podem ser
categorizadas de acordo com suas características cronológicas, sociais, culturais, familiares,
entre outras. Desta forma, diversos autores (Carrano, 2000, 2011; Abramovay; Castro, 2002;
Abramo; Branco, 2005) adotam o termo juventudes, a fim de dar conta dessa multiplicidade.
A análise aprofundada dessa complexidade de fatores é fundamental para refletir sobre
as reformas do ensino médio e sua situação de indefinição no momento histórico atual. Isso é
necessário para que tais fatores possam servir como base para políticas públicas direcionadas a
esse nível de ensino, garantindo que a legislação seja legitimada pelo seu público-alvo (Guerra;
Cruz, 2023).
A presente pesquisa foi norteada pelos princípios da pesquisa qualitativa, ou seja, os
estudos estão centrados na compreensão de realidades coletivas específicas, tentando apreender
as práticas reais e as vivências cotidianas. De acordo com Lankshear e Knobel (2008, p. 66),
“[...] a pesquisa qualitativa está principalmente interessada em como as pessoas experimentam,
entendem, interpretam e participam de seus mundos social e cultural”. Esse tipo de pesquisa
proporcionou uma compreensão da construção social das realidades em estudo, focando nas
práticas cotidianas, representações e perspectivas dos participantes em seus contextos naturais,
buscando entender e interpretar o contexto das transições vivenciadas pelos jovens (Flick,
2009).
O estudo também se baseia na pesquisa bibliográfica e documental como método de
coleta de dados. Conforme indicado por Lakatos e Marconi (2010), essa técnica permite realizar
um levantamento e, posteriormente, uma seleção de autores que abordam o tema a ser
pesquisado. Essa atividade possibilita um contato direto entre o pesquisador e o material
disponível. Assim, a pesquisa bibliográfica e documental proporciona acesso a estudos
acadêmicos de acesso público, englobando fontes como livros, artigos científicos, teses e
monografias, entre outras.
Outra característica metodológica deste estudo diz respeito ao enfoque descritivo.
Compreende-se que é possível realizar uma análise detalhada do assunto em questão por meio
dessas opções metodológicas. Além da identificação dos pontos focais dos textos e documentos
analisados, busca-se realizar uma descrição minuciosa dos elementos teóricos, conceituais e
epistemológicos referentes às políticas públicas para o Ensino Médio. Isso possibilita uma
compreensão mais aprofundada do objeto de estudo, permitindo a identificação de padrões,
tendências e relações que permeiam sua dinâmica.
As juventudes e o Ensino Médio: Perspectivas de futuro
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Diante dessa proposta, o estudo tem como objetivo geral analisar a cultura juvenil e o
sentido da escola de ensino médio para os jovens. Os objetivos específicos são: aprofundar o
conceito de juventude; analisar a categoria juvenil no contexto do ensino médio, considerando
a multiplicidade de fatores que atravessam essa etapa; e caracterizar as incertezas do ensino
médio na atualidade.
A relevância científica e social deste tema reside em apontar as principais
características da cultura juvenil, destacando os fatores que favorecem a permanência do jovem
no ensino médio. Isso é feito por meio do conhecimento do perfil dos estudantes, de seus
projetos e de suas expectativas futuras, visando identificar meios e estratégias que ampliem a
possibilidade de formar um sentimento de pertencimento à escola, reconhecendo a importância
do conhecimento para a construção de uma vida cidadã e democrática.
Os jovens que frequentam o Ensino Médio
De acordo com Abramovay e Castro (2002), Abramo e Branco (2005), Carrano (2000,
2011), Dayrell (2003, 2009, 2011), Groppo (2000, 2004, 2011), Pais (2009, 2010), Doutor
(2016), Perondi e Vieira (2018) e Kuenzer (2009, 2017, 2023), a juventude pode ser
caracterizada de duas maneiras: por ser uma fase da vida definida por aspectos lineares e
homogêneos, onde todos os jovens costumam apresentar problemas de conduta; ou, em outro
extremo, pela diversidade e diferenças que caracterizam cada conjunto social, com grupos
juvenis distintos na sociedade dependendo de classes sociais, trabalho, interesses, etc.
Autores como Sukarieh e Tannock (2015), Pais (2010) e Groppo (2004, 2011),
afirmam que a juventude é uma categoria socialmente manipulada e manipulável. A unidade
estabelecida em torno dela formata todos em papéis pré-determinados, classificando os
indivíduos, normatizando seus comportamentos e definindo direitos e deveres. Dessa forma, a
juventude não é apenas uma ordem natural invariável, mas constitui uma ordem social e,
portanto, uma criação histórica.
Para abordar o conceito de juventude, Pais (2009, 2010) adota a perspectiva
metodológica do curso de vida. Embora as trajetórias dos jovens sejam singulares, elas possuem
marcas culturais que expressam suas regularidades e refletem-se nas representações e no
próprio curso de vida do jovem. No entanto, as linhas que delimitam as diferentes fases da vida
são difusas, cabendo aos indivíduos um papel mais ativo na construção de seus projetos. Por
outro lado, Groppo (2004, 2011) considera que o curso de vida assume critérios neutros e
Mara Regina ZLUHAN; Adelcio Machado dos SANTOS e Shirlei de Souza CORRÊA
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naturais, refletindo, nas diversas áreas (ciências, educação, direito, etc.), a determinação dos
estágios da vida. O critério do tempo absoluto é uma forma eficaz de reduzir as múltiplas
diferenças sociais, culturais e individuais a uma única ideia universal.
O que é ser jovem? Bourdieu (1983) afirma que “juventude é só uma palavra”. Trata-
se de um vocábulo polissêmico, rico em diversidade e pluralidade, que não pode ser
categorizado simplesmente como um grupo de pessoas de determinada faixa etária com
características e perfis próprios. A questão da idade, portanto, é uma construção social que
envolve disputas de gênero e classe e não é suficiente para compreender os processos sociais
nos quais os indivíduos são reconhecidos e constituídos como jovens.
O desenvolvimento juvenil ocorre por meio da interação entre a história individual e a
história da sociedade, das aquisições psicossociais, e dos projetos e metas disponíveis
(Krauskopf, 1998; Guerra; Cruz, 2023). O paradigma que considerava o adolescente como uma
criança grande e um adulto em formação, preparando-o para consolidar seu desenvolvimento
de acordo com as orientações dos adultos, não vigora mais. Sukarieh e Tannock (2015)
argumentam que o conceito de juventude foi se modificando ao longo do tempo devido à
interferência de agendas políticas, ideológicas e econômicas de diferentes setores, como o
Estado, escolas, universidades, ONGs, corporações, mídia, entre outros. No entanto, foi por
meio das políticas neoliberais que houve um exponencial incremento e popularização da
categoria juvenil.
Diante dessa multiplicidade de questões que afetam a identidade juvenil na atualidade,
passou-se a utilizar o termo “juventudes” (Carrano, 2000; Abramovay; Castro, 2002; Abramo;
Branco, 2005) para considerar as diversidades do meio sócio-histórico, econômico, cultural e
relacional, que influenciam a forma de ser jovem na atualidade.
As diferenças existentes entre as juventudes são um aspecto essencial a ser
considerado, pois a padronização e generalização desse conceito podem levar a sérias distorções
em relação às expectativas, ao consumo, aos grupos sociais, etc., resultando em um
entendimento mitificado acerca dos jovens, que muitas vezes privilegia um discurso rígido e
pessimista, rotulando essa faixa etária como um problema social. Conforme Pais (1990, p. 145):
“A definição da cultura juvenil [...] é como qualquer mito, uma construção social que existe
mais como representação social do que como realidade”.
Nesse sentido, é mais apropriado referir-se a jovens e juventudes, reconhecendo que
cada indivíduo vivencia, experimenta e interpreta as questões de sua vida de maneira única,
influenciada pela sua inserção sociocultural, valores familiares e condições educacionais. Isso
As juventudes e o Ensino Médio: Perspectivas de futuro
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resulta em formas distintas de ser jovem e na definição de perfis sociais, culturais e afetivos
variados.
Sposito (2010) e Kuenzer (2017, 2023) destacam que, por décadas, as pesquisas sobre
juventude priorizaram elementos como transitoriedade, desajustes sociais, dimensões políticas
e trabalho, frequentemente negligenciando os processos educacionais e a maneira como os
jovens se percebem como agentes de suas próprias trajetórias. A partir dos anos 1990, o tema
da juventude ganhou maior visibilidade na agenda pública e em estudos nas áreas de Pedagogia,
Psicologia, Sociologia e Antropologia no contexto brasileiro.
Portanto, para definir o termo juventude na atualidade, são considerados critérios como
o contexto sociocultural, o status social, econômico e jurídico, entre outros. Entende-se que se
trata de um conceito aberto, continuamente construído no contexto do processo histórico-
cultural (Melo; Borges, 2007).
O aumento da atenção dedicada à juventude tem transformado a percepção negativa
de vê-la como um problema, um déficit, uma patologia ou uma ameaça ao tecido social, para
uma visão mais positiva, alinhada com as políticas e agendas neoliberais que visam criar jovens
como trabalhadores e consumidores (Sukarieh; Tannock, 2015). Nessa perspectiva, o vácuo que
limitava os jovens de terem vontade própria, direitos e projetos, além de estigmatizá-los com
diversos estereótipos, está sendo gradualmente superado. Atualmente, as pessoas estão em
constante processo de estudo, aperfeiçoamento e movimento, rompendo com a linearidade e a
segurança do passado, mantendo todos os jovens em preparação contínua para a vida.
A formação da identidade e a experiência da condição juvenil estão intrinsecamente
ligadas às diversas instituições sociais que, hoje em dia, vão além das escolas, famílias, igrejas
e universidades, incluindo também partidos políticos, associações classistas, equipamentos
culturais, organizações de pares e mídias eletrônicas (Abramo, 2014; Viana, 2009; Lebourg;
Coutrim; Silva, 2021). Contudo, o acesso a essas instituições não é igual para todos os jovens
brasileiros, o que resulta em diferenças significativas dentro dessa categoria, influenciadas por
sua condição social e cultural.
Nesse contexto, é relevante refletir sobre o papel da escola (Bourdieu, 1983), pois ela
representa a principal instituição que proporciona aos jovens a oportunidade de se inserirem na
sociedade, embora de maneira figurativa e experimental. Esse período de experimentação e
adiamento das responsabilidades sociais, preparando-se para o futuro, varia conforme a
condição social dos jovens. Muitos precisam conciliar a rotina escolar com o trabalho,
enfrentando precocemente as demandas da vida, o que pode limitar o tempo dedicado à vivência
Mara Regina ZLUHAN; Adelcio Machado dos SANTOS e Shirlei de Souza CORRÊA
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023017, 2024. e-ISSN: 1519-9029
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plena da juventude. Para alguns, ingressar no mundo do trabalho é visto como o ingresso na
vida adulta e, através do salário, alcançar respeito e autonomia para decidir sobre seus próprios
caminhos. Sob essa perspectiva, uma escolaridade prolongada pode ser vista como um
obstáculo para concretizar seus projetos profissionais.
Na outra ponta, encontram-se os jovens oriundos de famílias economicamente e
culturalmente estabelecidas, que aspiram continuar seus estudos, ingressar no Ensino Superior
e na Pós-Graduação, estudar no exterior e seguir uma carreira profissional visando sucesso e
reconhecimento.
Krauskopf (1998) argumenta que as transformações sociais, econômicas e culturais
têm influenciado diretamente as relações entre as gerações, os sexos e as instituições sociais. A
autora salienta que as diferenças entre as classes sociais
4
definem como os grupos juvenis se
posicionam na sociedade, sendo que os avanços tecnológicos, nem sempre acessíveis a todos,
promovem dualidade e heterogeneidade.
A trajetória juvenil no Ensino Médio brasileiro
Inicialmente, é crucial examinar os números de jovens regularmente matriculados no
Ensino Médio no Brasil. Segundo o Censo da Educação Básica (2023), foram registradas 7,7
milhões de matrículas no ensino médio, com uma queda de 2,4% em relação ao ano anterior.
As matrículas integradas à educação profissional aumentaram 32,2% nos últimos cinco anos,
passando de 623.178 em 2019 para 823.587 em 2023 (MEC/INEP, 2023).
Os dados do Censo (MEC/INEP, 2023) também revelam que, dos 22,5 milhões de
jovens de 18 a 24 anos no país,
21,2% abandonaram o Ensino Médio;
9,9% frequentam o Ensino Médio;
1,2% ainda frequentam o Ensino Fundamental;
20,2% frequentam o Ensino Superior;
4% já concluíram o Ensino Superior.
4
Não existe consenso na literatura sociológica sobre o conceito de classe e tampouco sobre sua
operacionalização[...] ou seja, o que diferencia os pobres, a classe média e os ricos é a renda média de cada grupo,
que indica sua capacidade de consumo e seu nível de bem-estar. Assim, cada uma das classes baixa, média, e
alta se apropria de um terço da renda total, e o que as diferencia é o tamanho e, consequentemente, a renda média
(Osório, 2009, p. 868-869).
As juventudes e o Ensino Médio: Perspectivas de futuro
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023017, 2024. e-ISSN: 1519-9029
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Os dados anteriores levantam uma questão: quais são os motivos que levam um
número significativo de jovens a abandonar a escola? Muitos estudantes expressam insatisfação
com a escola, mencionando a falta de espaços para diálogo, participação e interação. Eles
também lamentam a ausência de aulas diversificadas com recursos inovadores, professores
motivados e atividades culturais e recreativas que possam ampliar a sociabilidade e a interação
entre os grupos.
A falta de sentido na vida escolar é mais um dos desafios enfrentados pelos jovens.
Manter o foco nas explicações dos professores, nos livros didáticos, nas avaliações e outras
atividades pedagógicas torna-se difícil quando os problemas do cotidiano dominam seus
pensamentos: dificuldades para conseguir o primeiro emprego, salários baixos, falta de
moradia, gravidez na adolescência, conflitos familiares, entre outros.
Quanto ao ensino em tempo integral, em 2023, 20,4% dos matriculados no ensino
médio passaram pelo menos 35 horas semanais na escola ou em atividades escolares (ou o
equivalente a uma média de 7 horas diárias, considerando cinco dias de atividade semanal),
sendo classificados como alunos de tempo integral (MEC/INEP, 2023).
Dentre esses alunos do ensino médio, 87,7% estão matriculados na rede pública, ao
contrário do ensino superior, onde a maioria das matrículas ocorre na rede privada. Essa
disparidade reforça a necessidade de políticas públicas que facilitem o acesso dos estudantes
do ensino médio ao ensino superior por meio de bolsas e/ou financiamento (INSTITUTO
SEMESP, 2023).
Na tentativa de abordar os diversos problemas neste nível de ensino, a Lei n.º
13.415/2017 promoveu alterações significativas na estrutura curricular do ensino médio,
modificando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9394/1996). Entre as
mudanças, destaca-se a ampliação da carga horária mínima do estudante na escola (de 2.400
horas para 3.000 horas ao longo dos três anos do curso), a adoção de uma nova organização
curricular alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a introdução dos itinerários
formativos, focados em áreas de conhecimento (Matemática e suas Tecnologias, Linguagens e
suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais
Aplicadas) e em formação técnica e profissional (Brasil, 2017).
Segundo Corti (2019), essa reforma segue uma lógica de redução curricular e atende
aos interesses de diminuição de custos com a educação, permitindo que até 40% da carga
Mara Regina ZLUHAN; Adelcio Machado dos SANTOS e Shirlei de Souza CORRÊA
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horária seja cumprida via Educação a Distância (EAD), enquanto a Educação de Jovens e
Adultos (EJA) pode ser oferecida integralmente nessa modalidade.
O ano de 2022 foi estabelecido como prazo limite para a implementação da ampliação
da carga horária no ensino médio. Dados do Censo Escolar 2023 (MEC/INEP, 2023) indicam
que a maioria das redes de ensino implementou características do novo ensino médio nas
primeiras e segundas séries.
Contudo, foram identificadas algumas fragilidades neste novo modelo, como a
redução da carga horária para disciplinas da Base Comum, disparidades na implementação dos
itinerários formativos entre escolas públicas e privadas, materiais didáticos de apoio
insuficientes e superficiais, falta de recursos pedagógicos, formação docente inadequada,
estruturas físicas escolares inadequadas e insuficientes, dificuldades dos alunos em mudar de
itinerário formativo, problemas decorrentes de transferências escolares e falta de alocação
suficiente de recursos financeiros, entre outros.
O governo federal lançou uma consulta pública para permitir a participação
democrática da sociedade civil na formulação de uma nova reforma para o ensino médio,
visando melhorias no modelo atual. A legislação anterior foi modificada pelo Projeto de Lei n.
º 5.230/2023, aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente em análise no Senado Federal.
O texto aprovado amplia a carga horária das disciplinas obrigatórias e reduz o tempo dos
itinerários formativos, mantendo, no entanto, a carga final de 3.000 horas.
Outra iniciativa voltada para a permanência dos jovens no ensino médio é o Programa
de Meia, do Governo Federal, que visa reduzir a evasão escolar através do pagamento de
incentivos anuais de R$ 3 mil por beneficiário, totalizando até R$ 9,2 mil ao longo dos três anos
do ensino médio, com um adicional de R$ 200 pela participação no Exame Nacional do Ensino
Médio (ENEM).
Para Kuenzer (2009, 2017, 2023), o desafio reside em um modelo ambivalente de
ensino médio que busca preparar tanto para a continuidade dos estudos quanto para o ingresso
no mercado de trabalho. A autora argumenta que essa dualidade é resultado de uma rede que
oferece educação profissionalizante para jovens inseridos no mercado de trabalho ou
buscando qualificação rápida para ingresso na vida profissional, ao mesmo tempo que oferece
uma educação geral para aqueles que aspiram ingressar no ensino superior, refletindo
assimetrias significativas de vida e perspectivas futuras, reforçando desigualdades de classe.
É neste cenário que o ensino médio deve formular suas diretrizes curriculares,
considerando um vasto contingente de jovens diferenciados por condições de vida e
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perspectivas diversas. É a partir deste contexto que se deve abordar sua concepção (Arroyo,
2012a, 2012b). Diante dos desafios estruturais e pedagógicos atuais do ensino médio, Oliveira
(2012) destaca a necessidade de compreender essa fase educacional em sua complexidade.
[...] uma leitura das políticas públicas vigentes, as quais [...] reúnem
diariamente, no interior das salas de aula brasileiras, jovens cujos destinos
sociais se encontram fixados, pré-determinados pela precarização da vida
pessoal de seus professores mal remunerados e pelo abandono estrutural a que
se veem confinados em suas escolas; no entanto, esses mesmos sujeitos
comumente são proclamados publicamente como participantes de um
processo nomeado de universalização do ensino médio [...] (Oliveira, 2012, p.
49-50).
Segundo o IBGE (2023), o Brasil registrou 48,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos
de idade, com 15,3% deles ocupados e estudando, 19,8% não ocupados e não estudando, 25,5%
não ocupados, mas estudando (equivalente a 7,7 milhões de matrículas no ensino médio), e
39,4% ocupados, mas não estudando.
A alta proporção de jovens fora da escola requer uma análise multifacetada. Não
um único fator responsável por esses altos índices de evasão e repetência, e não se pode atribuir
exclusivamente à escola toda a responsabilidade por essa crise. É essencial considerar também
fatores políticos, sociais, culturais, econômicos e familiares, pois todas as adversidades
enfrentadas pela sociedade refletem-se nas instituições escolares e influenciam as dinâmicas
estabelecidas lá.
É preocupante observar que muitos jovens, após anos de educação escolar, não
recebem o suporte necessário para seu desenvolvimento cognitivo e aprimoramento de
habilidades, que são essenciais para sua inserção significativa no mundo. Os valores e
aspirações dos jovens muitas vezes não se alinham com a disciplina, o esforço pessoal e a
transmissão de conhecimento que a escola oferece, resultando em desencontros de expectativas,
tensões e conflitos no ambiente escolar. Essa situação evidencia uma crise nos modelos
educacionais atuais, demandando uma ampla discussão e reavaliação das políticas públicas para
atender às necessidades dessa diversificada clientela, proveniente de realidades extremamente
diversas, mas unida pelo objetivo comum de encontrar seu lugar na sociedade.
A cultura juvenil e seus desdobramentos devem constituir um eixo central na formação
docente, dado que os professores desempenham um papel crucial na interação com os
estudantes jovens. Ao compreenderem a intricada teia de relações que compõem a cultura
juvenil, os professores serão capazes de articular mais eficazmente os interesses e necessidades
dos jovens com os objetivos educacionais, promovendo maior aderência destes ao projeto
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educativo. A crise no Ensino Médio é reflexo da falta de reconhecimento das múltiplas
identidades juvenis, com a escola frequentemente priorizando o cumprimento do currículo e a
aprovação dos estudantes (Carrano, 2000, 2011; Dayrell; Jesus, 2016).
Os problemas enfrentados pela escola refletem questões sociais mais amplas, como o
declínio da alteridade, a sobrecarga de informações, a pressão por desempenho, a fragmentação
das relações sociais e a violência estrutural. Sposito (2010) argumenta que entender os conflitos
educacionais dos jovens requer compreender como eles são moldados social e culturalmente
pelos espaços que frequentam, pelas interações que mantêm e pela maneira como lidam com as
demandas do mundo contemporâneo.
Portanto, é crucial que a escola não seja dissociada de seu contexto social e de sua
trajetória histórica na humanidade (Arroyo, 2012a, 2012b). Todos os conflitos e desafios
enfrentados no cotidiano escolar são reflexos de políticas públicas, interesses hegemônicos e
da influência da política neoliberal, que muitas vezes relega a importância do conhecimento, da
pesquisa e do saber em favor de objetivos utilitaristas e interesses pessoais.
Carrano (2010, 2011) argumenta que a educação brasileira foi fundamentada em um
modelo pedagógico alienante, desumanizador e deformador, que suprime a rica diversidade de
experiências, empobrecendo os processos de produção de conhecimento e de formas de
pensamento. Segundo Dayrell (2003) e Dayrell e Jesus (2016), a escola é polissêmica e, em sua
diversidade, assume uma multiplicidade de significados. No entanto, é crucial refletir: os alunos
reconhecem os espaços, tempos, relações e projetos da escola? Essas interpretações variam
significativamente e são influenciadas pelos diferentes grupos sociais que transitam pelo
ambiente escolar, atribuindo-lhe diferentes significados.
Existe um claro descompasso entre as expectativas dos alunos, seus projetos de vida,
interesses e a realidade da sala de aula. Corti (2009, 2019) discute a diversidade cultural, as
desigualdades sociais e econômicas que permeiam o cotidiano escolar, demandando uma
reformulação da escola. É diante de um público juvenil extremamente diversificado, que traz
para dentro da escola as contradições sociais, que o novo ensino médio está sendo moldado. As
desigualdades sociais passam a tensionar a instituição escolar e a gerar novos conflitos.
Schlickmann (2013) observa nos jovens uma orientação para o futuro. Eles desfrutam
do presente, envolvendo-se em atividades sociais com amigos, divertindo-se, refletindo uma
forte tendência de viver o momento presente, pois o futuro parece incerto e conflituoso, não
oferecendo perspectivas claras. Além das expressões culturais, a sociabilidade é outra dimensão
As juventudes e o Ensino Médio: Perspectivas de futuro
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crucial ao se discutir a juventude, especialmente considerando as transformações significativas
nas interações sociais através das redes digitais.
Para Corti (2019), vivemos um momento de transição nos paradigmas educacionais e
culturais, marcado pela contraposição entre uma educação focada na transmissão de conteúdos,
disciplina, autorregulação e valores conservadores, e outra mais democrática, crítica e plural,
na qual o aluno é protagonista de sua própria jornada educativa. Neste último modelo, o ensino
é concebido como um processo coletivo de construção do conhecimento, capacitando os alunos
a atuarem de forma eficaz em seus contextos sociais. As reformas do ensino médio representam
uma arena crucial na superação dos desafios educacionais para diversos governos,
independentemente de sua orientação política.
Os desafios para estabelecer uma relação efetiva dos jovens com o ensino médio são
diversos. A democratização e universalização desse nível de ensino não garantem, por si só, sua
qualidade. O ensino médio precisa definir sua identidade como etapa final da Educação Básica,
sendo decisivo para muitos jovens que encerram sua trajetória escolar neste ponto, sem outra
oportunidade para remediar as fragilidades e deficiências do processo educacional.
Schlickmann (2013) sugere que a consciência absorve o que desperta interesse. Assim,
para promover dinamismo, interesse e ação, a educação precisa escapar do óbvio, do previsível
e da rotina. Portanto, uma escola comprometida com a democratização do ensino médio e com
a promoção da permanência e conclusão dos estudos deve ouvir os alunos quanto às suas
expectativas e projetos. Isso permite alinhar os objetivos individuais e coletivos da juventude
com os objetivos educacionais, buscando, de forma colaborativa, soluções para os desafios
educacionais atuais.
Nesse sentido, as políticas públicas educacionais e as instituições de ensino precisam
considerar os jovens não apenas como beneficiários, mas como agentes ativos, integrando suas
vozes e expectativas no processo educativo de forma mais significativa.
Considerações finais
A trama do desenvolvimento juvenil se desenrola em meio a uma diversidade de
contextos e possibilidades, ganhando visibilidade crescente no século XXI e apresentando uma
variabilidade cada vez maior na transição para a vida adulta. Os conceitos de juventude são
construções sociais que se fundamentam em diversos campos do conhecimento, épocas
históricas variadas e fenômenos sociais distintos, estando assim em constante evolução. Estes
Mara Regina ZLUHAN; Adelcio Machado dos SANTOS e Shirlei de Souza CORRÊA
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conceitos são influenciados por fatores como idade, papel social, relação com o trabalho, saída
da casa dos pais e formação de novas famílias.
As limitações deste estudo residem na dificuldade de obter uma visão abrangente das
desigualdades sociais, regionais e das condições de vida que determinam as diversidades e
especificidades das múltiplas juventudes. Sem essa compreensão das trajetórias juvenis, a
análise das necessidades e desafios enfrentados por eles nesta fase da vida pode ser
comprometida devido à generalização de conceitos.
Portanto, esta pesquisa destaca a importância de compreender as diversas
características, significados e transformações das trajetórias juvenis ao longo da história. Isso é
essencial para desenvolver recursos que permitam uma compreensão mais profunda de sua
cultura, conectando heranças de representações historicamente construídas com desafios e
tensões das relações contemporâneas. Essas reflexões são fundamentais para pensar as reformas
do ensino médio, especialmente ao oferecer aos alunos a escolha entre áreas acadêmicas ou
formação técnico-profissional. Isso requer significativos recursos humanos, materiais e um
ambiente propício ao diálogo. Caso contrário, corre-se o risco de implementar reformas
educacionais vazias de sentido, incapazes de engajar efetivamente os milhares de jovens
brasileiros em sua formação educacional.
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não aplicável.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Por tratar-se de um texto de pesquisa bibliográfica e documental, não
necessitou ser aprovado pelo Comitê de Ética.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais de livre acesso na internet
apresentam os respectivos links disponibilizados nas referências. As obras físicas são de
acervo institucional e pessoal.
Contribuições dos autores: Todos os autores tiveram participação significativa na
concepção do estudo, coleta de dados e análise/interpretação de dados, bem como na revisão
final do artigo. Quanto à redação do texto, cada autor se aprofundou mais na sua área de
pesquisa, contribuindo com seu conhecimento.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023017, 2024. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v28i00.19448 1
YOUTHS AND HIGH SCHOOL: FUTURE PERSPECTIVES
AS JUVENTUDES E O ENSINO MÉDIO: PERSPECTIVAS DE FUTURO
LAS JUVENTUDES Y LA EDUCACIÓN SECUNDARIA: PERSPECTIVAS DE
FUTURO
Mara Regina ZLUHAN1
e-mail: mara.zluhan@gmail.com
Adelcio Machado dos SANTOS2
e-mail: adelcio.machado@uniarp.edu.br
Shirlei de Souza CORRÊA3
e-mail: shirlei.correa@unifebe.edu.br
How to reference this paper:
ZLUHAN, M. R.; SANTOS, A.; CORRÊA, S. de S. M. dos. Youths
and High School: Future perspectives. Revista on line de Política
e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023017, 2024. e-
ISSN: 1519-9029. DOI:
https://doi.org/10.22633/rpge.v28i00.19448
| Submitted: 17/02/2024
| Revisions required: 07/03/2024
| Approved: 20/05/2024
| Published: 03/07/2024
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
State Education Network of Santa Catarina, Balneário Camboriú SC Brazil. Educational Counselor. Doctoral
degree in Education - University of Vale do Itajaí (UNIVALI).
2
University of Vale do Rio do Peixe (UNIARP), Caçador Santa Catarina Brazil. Faculty member in the
Graduate Program in Development and Society. Doctoral degree in Engineering and Knowledge Management -
Federal University of Santa Catarina (UFSC).
3
University Center of Brusque (UNIFEBE), Brusque SC Brazil. Faculty member of the Graduate Program in
Basic Education at the University of Vale do Rio do Peixe (UNIARP). Doctoral degree in Education - University
of Vale do Itajaí (UNIVALI).
Youths and High School: Future perspectives
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023017, 2024. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v28i00.19448 2
ABSTRACT: Brazil has historically faced crises in high school education, and various reforms
have aimed to overcome the challenges at this educational level. Currently, there is a new wave
of policy reformulation in this area, as the current legislation presents weaknesses in its
implementation. This qualitative research, of a bibliographic and documentary nature, intends
to analyze youth culture and the significance of high school for young people so that they can
recognize themselves in the curricula and daily school life. The high dropout and abandonment
rates in high school should be a focal point for public policies, as education is the starting point
for other professional, social, and cultural achievements. Considering the transformations in
youth trajectories throughout history is fundamental for thinking about high school reforms,
viewing education as a process of collective knowledge construction, and seeking the
wholeness of the human being.
KEYWORDS: High School. Youth. Youth Trajectories.
RESUMO: O Brasil convive com históricas crises no Ensino Médio e diversas reformas têm
buscado superar os desafios neste nível de ensino. Atualmente, vive-se um novo momento de
reformulação das políticas públicas neste âmbito, que a legislação atual apresenta
fragilidades em sua implementação. A presente pesquisa qualitativa, de cunho bibliográfico e
documental, pretende analisar a cultura juvenil e o sentido da escola de ensino médio para os
jovens, a fim de que os mesmos possam se reconhecer nos currículos e no cotidiano escolar. Os
altos índices de evasão e abandono no Ensino Médio devem ser ponto de atenção das políticas
públicas, que a escolarização é o ponto de partida para outras conquistas de ordem
profissional, social e cultural. Considerar as transformações da trajetória juvenil ao longo da
história é condição basilar para pensar as reformas do Ensino Médio, concebendo a educação
como um processo de construção coletiva do saber, buscando a integralidade do ser humano.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino Médio. Juventudes. Trajetórias juvenis.
RESUMEN: Brasil convive con históricas crisis en la Educación Secundaria y diversas
reformas han buscado superar los desafíos en este nivel de enseñanza. Actualmente, se vive un
nuevo momento de reformulación de las políticas públicas en este ámbito, ya que la legislación
actual presenta fragilidades en su implementación. La presente investigación cualitativa, de
carácter bibliográfico y documental, pretende analizar la cultura juvenil y el sentido de la
escuela de educación secundaria para los jóvenes, con el fin de que puedan reconocerse en los
currículos y en el cotidiano escolar. Los altos índices de deserción y abandono en la Educación
Secundaria deben ser un punto de atención de las políticas públicas, ya que la escolarización
es el punto de partida para otras conquistas de orden profesional, social y cultural. Considerar
las transformaciones de la trayectoria juvenil a lo largo de la historia es condición básica para
pensar en las reformas de la Educación Secundaria, concibiendo la educación como un proceso
de construcción colectiva del saber, buscando la integralidad del ser humano.
PALABRAS CLAVE: Educación Secundaria. Juventudes. Trayectorias juveniles.
Mara Regina ZLUHAN; Adelcio Machado dos SANTOS and Shirlei de Souza CORRÊA
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023017, 2024. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v28i00.19448 3
Introduction
Currently, there is a significant diversity of youth types, which can be categorized
according to their chronological, social, cultural, and familial, among other characteristics.
Thus, several authors (Carrano, 2000, 2011; Abramovay; Castro, 2002; Abramo; Branco, 2005)
adopt the term "youths" to account for this multiplicity.
A thorough analysis of this complexity of factors is crucial for reflecting on reforms in
secondary education and its current state of uncertainty in the historical moment. This is
necessary so that these factors can serve as a basis for public policies directed at this level of
education, ensuring that legislation is legitimized by its target audience (Guerra; Cruz, 2023).
The present research was guided by the principles of qualitative research, meaning that
the studies are focused on understanding specific collective realities and attempting to grasp
real practices and daily experiences. According to Lankshear and Knobel (2008, p. 66, our
translation), "[...] qualitative research is primarily interested in how people experience,
understand, interpret, and participate in their social and cultural worlds." This type of research
provided an understanding of the social construction of the realities under study, focusing on
daily practices, representations, and perspectives of participants in their natural contexts,
seeking to understand and interpret the context of transitions experienced by young people
(Flick, 2009).
The study also relies on bibliographical and documentary research as a data collection
method. As indicated by Lakatos and Marconi (2010), this technique allows for a survey and
subsequent selection of authors who address the researched topic. This activity facilitates direct
engagement between the researcher and the available material. Thus, bibliographical and
documentary research provides access to publicly accessible academic studies, encompassing
sources such as books, scientific articles, theses, and monographs, among others.
Another methodological characteristic of this study concerns its descriptive approach.
It is understood that a detailed analysis of the subject matter can be conducted through these
methodological choices. In addition to identifying the focal points of the analyzed texts and
documents, the aim is to provide a thorough description of the theoretical, conceptual, and
epistemological elements related to public policies for secondary education. This allows for a
deeper understanding of the study object, enabling the identification of patterns, trends, and
relationships that permeate its dynamics.
Given this proposal, the study aims to analyze youth culture and the significance of
high school for young people. The specific objectives are: to deepen the concept of youth; to
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analyze the youth category in the context of high school, considering the multiplicity of factors
that influence this stage; and to characterize the uncertainties of high school in the present day.
The scientific and social relevance of this theme lies in highlighting the main
characteristics of youth culture, emphasizing the factors that contribute to the retention of young
people in high school. This is achieved through understanding the students' profiles, their
projects, and their future expectations, aiming to identify means and strategies that enhance the
possibility of fostering a sense of belonging to the school, and recognizing the importance of
knowledge in the construction of civic and democratic life.
High school students
According to Abramovay and Castro (2002), Abramo and Branco (2005), Carrano
(2000, 2011), Dayrell (2003, 2009, 2011), Groppo (2000, 2004, 2011), Pais (2009, 2010),
Doutor (2016), Perondi and Vieira (2018), and Kuenzer (2009, 2017, 2023), youth can be
characterized in two ways: as a life phase defined by linear and homogeneous aspects, where
all young people commonly face behavioral issues; or, at the other extreme, by the diversity
and differences that characterize each social group, with distinct youth groups in society
depending on social classes, work, interests, etc.
Authors such as Sukarieh and Tannock (2015), Pais (2010), and Groppo (2004, 2011)
argue that youth is a socially manipulated and manipulable category. The unity established
around it molds everyone into predetermined roles, classifying individuals, normalizing their
behaviors, and defining rights and duties. Thus, youth is not merely an invariant natural order
but constitutes a social order and, therefore, a historical creation.
To address the concept of youth, Pais (2009, 2010) adopts the methodological
perspective of the life course. While young people's trajectories are unique, they bear cultural
marks that express their regularities and are reflected in their representations and their life
course. However, the lines delimiting the different life stages are blurred, with individuals
playing a more active role in constructing their projects. On the other hand, Groppo (2004,
2011) considers that the life course assumes neutral and natural criteria, reflecting in various
areas (sciences, education, law, etc.) the determination of life stages. The criterion of absolute
time is an effective way to reduce multiple social, cultural, and individual differences to a single
universal idea.
Mara Regina ZLUHAN; Adelcio Machado dos SANTOS and Shirlei de Souza CORRÊA
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What does it mean to be young? Bourdieu (1983) asserts that "youth is just a word." It
is a polysemic term, rich in diversity and plurality, which cannot be simply categorized as a
group of people of a certain age range with their characteristics and profiles. Therefore, the
issue of age is a social construction involving gender and class disputes and is insufficient to
understand the social processes through which individuals are recognized and constituted as
young.
Youth development occurs through the interaction between individual history and
societal history, psychosocial acquisitions, and available projects and goals (Krauskopf, 1998;
Guerra; Cruz, 2023). The paradigm that viewed adolescents as oversized children and adults in
formation, preparing them to consolidate their development according to adult guidance, no
longer holds. Sukarieh and Tannock (2015) argue that the concept of youth has evolved over
time due to the interference of political, ideological, and economic agendas from different
sectors such as the state, schools, universities, NGOs, corporations, and media, among others.
However, it was through neoliberal policies that there was an exponential increase and
popularization of the youth category.
Given this multiplicity of issues affecting youth identity today, the term "youths"
(Carrano, 2000; Abramovay; Castro, 2002; Abramo; Branco, 2005) has been used to consider
the diversities of socio-historical, economic, cultural, and relational contexts that influence the
ways of being young today.
The existing differences among youths are an essential aspect to consider, as
standardizing and generalizing this concept can lead to serious distortions regarding
expectations, consumption, social groups, etc., resulting in a mythified understanding of young
people that often favors a rigid and pessimistic discourse, labeling this age group as a social
problem. As Pais (1990, p. 145, our translation) states: "The definition of youth culture [...] is
like any myth, a social construction that exists more as a social representation than as a reality."
In this sense, it is more appropriate to refer to young people and youths, recognizing
that each individual experiences, experiments, and uniquely interprets life's issues, influenced
by their socio-cultural background, family values, and educational conditions. This results in
different ways of being young and in the definition of varied social, cultural, and affective
profiles.
Sposito (2010) and Kuenzer (2017, 2023) highlight that for decades, youth research
prioritized elements such as transitoriness, social maladjustments, political dimensions, and
work, often neglecting educational processes and how young people perceive themselves as
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agents of their trajectories. Since the 1990s, the topic of youth has gained greater visibility on
the public agenda and in studies in the fields of Pedagogy, Psychology, Sociology, and
Anthropology in the Brazilian context.
Therefore, to define the term youth today, criteria such as sociocultural context, social,
economic, and legal status, among others, are considered. It is understood as an open concept,
continuously constructed within the context of the historical-cultural process (Melo; Borges,
2007).
The increased attention devoted to youth has transformed the negative perception of
viewing them as a problem, deficit, pathology, or threat to the social fabric into a more positive
outlook aligned with neoliberal policies and agendas aimed at molding young people into
workers and consumers (Sukarieh; Tannock, 2015). In this perspective, the vacuum that
restricted young people from having autonomy, rights, and projects, while stigmatizing them
with various stereotypes, is gradually being overcome. Currently, individuals are in a constant
process of study, improvement, and movement, breaking away from the linearity and security
of the past, ensuring all young people are in continuous preparation for life.
The formation of identity and the experience of youth condition are intrinsically linked
to various social institutions that nowadays extend beyond schools, families, churches, and
universities, including political parties, class associations, cultural facilities, peer organizations,
and electronic media (Abramo, 2014; Viana, 2009; Lebourg; Coutrim; Silva, 2021). However,
access to these institutions is unequal for all Brazilian youth, resulting in significant differences
within this category influenced by their social and cultural conditions.
In this context, it is relevant to reflect on the role of school (Bourdieu, 1983), as it
represents the primary institution providing young people with the opportunity to integrate into
society, albeit in a figurative and experimental manner. This period of experimentation and
postponement of social responsibilities, preparing for the future, varies according to the social
condition of the youth. Many must balance school routines with work, facing life's demands
prematurely, which can limit the time dedicated to fully experiencing youth. For some, entering
the workforce is seen as entering adulthood and, through wages, achieving respect and
autonomy to decide their paths. From this perspective, prolonged schooling is an obstacle to
realizing their professional projects.
On the other end, there are young people from economically and culturally established
families who aspire to continue their studies, enter higher education and graduate school, study
abroad, and pursue a professional career aiming for success and recognition.
Mara Regina ZLUHAN; Adelcio Machado dos SANTOS and Shirlei de Souza CORRÊA
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Krauskopf (1998) argues that social, economic, and cultural transformations have
directly influenced intergenerational relationships, gender dynamics, and social institutions.
The author emphasizes that differences between social classes
4
define how youth groups
position themselves in society, and technological advancements, which are not always
accessible to everyone, promote duality and heterogeneity.
The trajectory of youth in Brazilian high schools
Initially, it is crucial to examine the number of young people regularly enrolled in high
school in Brazil. According to the Basic Education Census (2023), there were 7.7 million
enrollments in high school, a decrease of 2.4% compared to the previous year. Enrollments
integrated into vocational education increased by 32.2% over the last five years, from 623,178
in 2019 to 823,587 in 2023 (MEC/INEP, 2023).
Census data (MEC/INEP, 2023) also reveal that out of 22.5 million young people aged
18 to 24 in the country,
21.2% dropped out of high school;
9.9% are currently attending high school;
1.2% are still attending elementary school;
20.2% are attending higher education;
4% have already completed higher education.
The preceding data raises a question: what are the reasons behind a significant number
of young people dropping out of school? Many students express dissatisfaction with school,
citing a lack of spaces for dialogue, participation, and interaction. They also lament the absence
of diverse classes with innovative resources, motivated teachers, and cultural and recreational
activities that could enhance sociability and interaction among groups.
A lack of meaning in school life is another challenge faced by youth. Maintaining focus
on teacher explanations, textbooks, assessments, and other educational activities becomes
4
There is no consensus in the sociological literature on the concept of class nor its operationalization [...] that is,
what differentiates the poor, the middle class, and the rich is the average income of each group, which indicates
their consumption capacity and your level of well-being. Thus, each of the classes low, middle, and high
appropriates a third of the total income, and what differentiates them is the size and, consequently, the average
income (Osório, 2009, p. 868-869, our translation).
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difficult when everyday problems dominate their thoughts: difficulties in securing first jobs,
low wages, housing shortages, teenage pregnancy, family conflicts, among others. Regarding
full-time education, in 2023, 20.4% of high school enrollees spent at least 35 hours per week in
school or school-related activities (equivalent to an average of 7 hours daily, considering five
days of weekly activity), classified as full-time students (MEC/INEP, 2023).
Among these high school students, 87.7% are enrolled in public schools, unlike higher
education, where the majority of enrollments occur in private institutions. This disparity
underscores the need for public policies that facilitate access to higher education for high school
students through scholarships and/or financing (INSTITUTO SEMESP, 2023).
In an effort to address various issues at this educational level, Law No. 13,415/2017
brought about significant changes to the high school curriculum structure, amending the
National Education Guidelines and Framework Law (Law No. 9394/1996). Among the
changes, notable ones include the increase in the minimum student workload at school (from
2,400 hours to 3,000 hours over the three years of the course), the adoption of a new curriculum
organization aligned with the Common National Curriculum Base (BNCC), and the
introduction of formative pathways focused on knowledge areas (Mathematics and its
Technologies, Languages and their Technologies, Natural Sciences and their Technologies,
Human and Social Sciences Applied) and technical and professional education (Brasil, 2017).
According to Corti (2019), this reform follows a logic of curriculum reduction and
serves the interests of cost reduction in education, allowing up to 40% of the workload to be
completed through Distance Education (EAD), while Youth and Adult Education (EJA) can be
fully offered in this modality.
The year 2022 was set as the deadline for implementing the increase in the workload
in high school. Data from the 2023 School Census (MEC/INEP, 2023) indicate that the majority
of school networks have already implemented features of the new high school curriculum in
the first and second years.
However, some weaknesses have been identified in this new model, such as reduced
hours for Common Base subjects, disparities in the implementation of formative pathways
between public and private schools, insufficient and superficial supporting teaching materials,
lack of pedagogical resources, inadequate teacher training, inadequate and insufficient school
physical structures, difficulties for students in changing formative pathways, issues arising from
school transfers, and inadequate allocation of financial resources, among others.
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The federal government has launched a public consultation to allow the democratic
participation of civil society in formulating a new reform for high school education, aiming to
improve the current model. The previous legislation was amended by Bill No. 5,230/2023,
approved by the Chamber of Deputies, and is currently under review in the Federal Senate. The
approved text increases the workload for mandatory subjects and reduces the time for formative
pathways, while maintaining the final workload of 3,000 hours.
Another initiative aimed at improving retention rates in high school is the Federal
Government's "Pé de Meia" Program, which aims to reduce dropout rates by providing annual
incentives of US$ 543,26 per beneficiary, totaling up to US$ 1.666,00 over the three years of
high school, with an additional US$ 36,22 for participation in the National High School Exam
(ENEM)
5
.
For Kuenzer (2009, 2017, 2023), the challenge lies in an ambivalent model of high
school education that aims to prepare students both for further studies and for entry into the
labor market. The author argues that this duality results from a system offering vocational
education for youth already in the workforce or seeking rapid qualification for professional life,
alongside a general education for those aspiring to enter higher education, thus reflecting
significant life asymmetries and future perspectives, reinforcing class inequalities.
It is within this scenario that high schools must formulate their curriculum guidelines,
considering a diverse contingent of youth differentiated by living conditions and diverse
perspectives. It is from this context that its conception should be approached (Arroyo, 2012a,
2012b). Faced with the current structural and pedagogical challenges of high school education,
Oliveira (2012) highlights the need to understand this educational phase in its complexity.
[...] an analysis of current public policies, which [...] gather daily, within
Brazilian classrooms, young people whose social destinies are already fixed,
predetermined by the precariousness of the personal lives of their poorly paid
teachers and by the structural neglect to which they are confined in their
schools; however, these same individuals are often publicly proclaimed as
participants in a process referred to as the universalization of high school
education [...] (Oliveira, 2012, p. 49-50, our translation).
According to IBGE (2023), Brazil recorded 48.5 million young people aged 15 to 29
years old, with 15.3% of them being occupied and studying, 19.8% neither occupied nor
studying, 25.5% not occupied but studying (equivalent to 7.7 million enrollments in high
school), and 39.4% occupied but not studying.
5
Similar to the Scholastic Achievement Test (SAT).
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The high proportion of young people out of school requires a multifaceted analysis.
There is no single factor responsible for these high dropout and repetition rates, and the school
cannot bear sole responsibility for this crisis. It is essential to consider political, social, cultural,
economic, and family factors, as all adversities faced by society are reflected in school
institutions and influence the established dynamics there.
It is concerning to observe that many young people do not receive the necessary
support for their cognitive development and skills enhancement after years of schooling, which
are essential for their meaningful integration into the world. The values and aspirations of young
people often do not align with the discipline, personal effort, and knowledge transmission
offered by schools, resulting in mismatches of expectations, tensions, and conflicts in the school
environment. This situation highlights a crisis in current educational models, demanding
extensive discussion and reevaluation of public policies to meet the needs of this diverse
clientele, coming from highly varied realities but united by the common goal of finding their
place in society.
Youth culture and its implications should constitute a central axis in teacher training,
given that educators play a crucial role in interacting with young students. By understanding
the intricate web of relationships that compose youth culture, teachers will be able to more
effectively articulate the interests and needs of young people with educational objectives,
promoting greater adherence to the academic project. The crisis in high school reflects a lack
of recognition of multiple youth identities, with schools often prioritizing curriculum
compliance and student approval (Carrano, 2000, 2011; Dayrell; Jesus, 2016).
The challenges faced by schools reflect broader social issues such as the decline of
alterity, information overload, performance pressure, fragmentation of social relations, and
structural violence. Sposito (2010) argues that understanding young people's educational
conflicts requires understanding how they are socially and culturally shaped by the spaces they
inhabit, the interactions they maintain, and how they cope with the demands of the
contemporary world.
Therefore, it is crucial that schools are not dissociated from their social context and
historical trajectory in humanity (Arroyo, 2012a, 2012b). All conflicts and challenges faced in
daily school life are reflections of public policies, hegemonic interests, and the influence of
neoliberal politics, which often relegate the importance of knowledge, research, and learning in
favor of utilitarian objectives and personal interests.
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Carrano (2010, 2011) argues that Brazilian education has been grounded in an
alienating, dehumanizing, and distorting pedagogical model that suppresses the rich diversity
of experiences, impoverishing the processes of knowledge production and forms of thinking.
According to Dayrell (2003) and Dayrell and Jesus (2016), the school is polysemic and, in its
diversity, assumes a multiplicity of meanings. However, it is crucial to reflect: do students
recognize the spaces, times, relationships, and projects of the school? These interpretations vary
significantly and are influenced by different social groups that navigate the school environment,
attributing different meanings to it.
There is an apparent mismatch between students' expectations, life projects, interests,
and the reality of the classroom. Corti (2009, 2019) discusses cultural diversity and social and
economic inequalities that permeate daily school life, demanding a reformulation of the school.
Faced with an extremely diverse youth audience that brings social contradictions into the
school, the new high school is being shaped. Social inequalities begin to strain the school
institution and generate new conflicts.
Schlickmann (2013) observes in youth a future orientation. They enjoy the present,
engaging in social activities with friends, having fun, reflecting a strong tendency to live in the
moment because the future seems uncertain and conflicted, offering no clear prospects. Besides
cultural expressions, sociability is another crucial dimension when discussing youth, especially
considering significant transformations in social interactions through digital networks.
According to Corti (2019), we are experiencing a moment of transition in educational
and cultural paradigms, marked by the opposition between an education focused on content
transmission, discipline, self-regulation, and conservative values, and a more democratic,
critical, and pluralistic approach, where the student is the protagonist of their educational
journey. In this latter model, education is conceived as a collective process of knowledge
construction, empowering students to act effectively in their social contexts. High school
reforms represent a crucial arena in overcoming educational challenges for various
governments, regardless of their political orientation.
The challenges to establishing an effective relationship between youth and high school
are diverse. The democratization and universalization of this level of education do not guarantee
its quality by themselves. High school needs to define its identity as the final stage of Basic
Education, being decisive for many youth who conclude their school trajectory at this point,
without another opportunity to remedy the weaknesses and deficiencies of the educational
process.
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Schlickmann (2013) suggests that awareness absorbs what arouses interest. Thus, to
promote dynamism, interest, and action, education needs to escape from the obvious, the
predictable, and the routine. Therefore, a school committed to democratizing high school
education and promoting the retention and completion of studies must listen to students
regarding their expectations and projects. This allows for aligning individual and collective
youth objectives with educational goals, collaboratively seeking solutions to current
educational challenges.
In this sense, educational public policies and institutions need to consider youth not
only as beneficiaries but as active agents, integrating their voices and expectations into the
educational process more significantly.
Final considerations
The fabric of youth development unfolds amidst a diversity of contexts and
possibilities, gaining increasing visibility in the 21st century and presenting ever more
significant variability in the transition to adulthood. The concepts of youth are social
constructions rooted in diverse fields of knowledge, varying historical epochs, and distinct
social phenomena, thus constantly evolving. These concepts are influenced by factors such as
age, social role, relationship with work, leaving the parental home, and forming new families.
The limitations of this study lie in the difficulty of obtaining a comprehensive view of
social, regional, and living conditions that determine the diversities and specificities of multiple
youth experiences. Without this understanding of youth trajectories, the analysis of their needs
and challenges faced in this phase of life may be compromised due to the generalization of
concepts.
Therefore, this research underscores the importance of understanding the diverse
characteristics, meanings, and transformations of youth trajectories throughout history. This is
essential for developing resources that allow a deeper understanding of their culture, linking
inherited representations historically constructed with challenges and tensions of contemporary
relationships. These reflections are crucial for contemplating high school reforms, especially in
offering students the choice between academic areas or technical-professional training. This
requires significant human and material resources and a conducive environment for dialogue.
Otherwise, there is a risk of implementing education reforms that are devoid of meaning and
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are unable to effectively engage the thousands of Brazilian youth in their educational
development.
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: Not applicable.
Funding: Not applicable.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: As this is a bibliographic and documentary research text, it did not
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Data and material availability: The freely accessible data and materials on the internet
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Author’s contributions: All authors made significant contributions to the study's
conception, data collection, and data analysis/interpretation, as well as the final revision of
the article. Regarding the writing of the text, each author delved deeper into their research
area, contributing with their knowledge.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
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