O professor como agente decodificador da linguagem filosófica: uma proposta pedagógico-prática
RPGE — Revista On-line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 28, n. 00, e023036, 2024. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v28i00.19807 4
um tratamento filosófico, de uma didática específica, para além de toda e
qualquer questão estritamente pedagógica (Gallo, 2020, n.p.).
Entretanto, o desafio reside não apenas no esforço do docente para simplificar o
vocabulário e o modo de explicar. Faz-se necessária também a decodificação das obras
filosóficas clássicas, as quais, muitas delas, senão a maioria, apresentam modos quase
impenetráveis de expressão, seja pela distância temporal, de época, em que se encontram de
nós, seja pelo fato de os próprios autores se expressarem de maneira esotérica, isto é, fechada
ao círculo dos iniciados, daqueles que já possuem certo conhecimento filosófico para
compreender suas obras. Essa decodificação ocorre mesmo antes de o professor se dedicar à
preparação de suas aulas. Na verdade, é importante haver iniciativas de popularização da
Filosofia, por meio da elaboração de materiais didáticos que sintetizem ao máximo o
pensamento dos principais autores, extraindo de cada um a essência e tornando tudo isso o mais
palatável possível. Esse material, por assim dizer, pré-digerido, deve estar nas mãos dos
professores, os quais, munidos dessa maneira, deverão, por sua vez, buscar a preparação mais
didática possível e apresentar de forma clara o conteúdo assimilado. Nesse percurso, é
imprescindível que o docente desenvolva algumas habilidades pessoais, de natureza cognitiva
e comunicativa, para seu próprio aprimoramento, tanto como aluno quanto como professor.
A seguir, a partir de pesquisa bibliográfica, bem como da experiência e reflexão dos
autores, serão delineados, sob a forma de uma proposta de intervenção pedagógica, alguns
passos fundamentais na jornada do docente para se preparar para traduzir aos alunos a
linguagem filosófica, tornando-se, assim, um mediador pedagógico desse conhecimento.
O preparo do professor de Filosofia: estratégias e atitudes
Pode-se dizer que a resposta à pergunta “o que se espera do filósofo quando o assunto é
o ensino da Filosofia?” remete diretamente “para a experiência formativa necessária aos modos
de fazer filosofia em sala de aula, em cujo centro de debate está o domínio dos temas a serem
abordados e a metodologia a ser usada para o seu ensino” (Gelamo, 2009, p. 27). Portanto, o
ponto fundamental e inicial do processo de decodificação da linguagem filosófica aos alunos
tem que ver, primariamente, com a formação do professor, desde a elementar à mais avançada.
A capacidade de interpretação de texto, por exemplo, é a primeira que precisa ser
trabalhada pelo docente. Este não deve limitar-se a reproduzir aquilo que ouviu de seus mestres
durante a faculdade, muitas vezes cursada de forma deficiente, devido, infelizmente, à educação
precária oferecida em muitas instituições de ensino na atualidade, focadas apenas na obtenção