Ariane Dabien Garrido BARROSO & Vera Maria Pupim PERDONATTI
RPGE – Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026007, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.20428 3
INTRODUÇÃO
Compreender o desenvolvimento da política educacional no compasso e interface com
a evolução da política brasileira se apresenta tarefa relevante e necessária ao entendimento de
como se organizam as políticas públicas em educação e o quanto refletem na vida da sociedade
ao dar-lhe respostas às demandas de desenvolvimento econômico e social, às demandas
culturais e éticas, e aos desafios das novas tecnologias, principalmente na realidade atual,
configurada a partir das dinâmicas do período pós-pandêmico.
A sociedade, ao se mobilizar e reivindicar a garantia de acesso e permanência a uma
educação que seja de qualidade, equitativa e pertinente aos seus anseios e necessidades, de certa
forma impõe ao governo, absorver essas reivindicações traduzindo-as em políticas públicas. No
entanto, os instrumentos de políticas públicas concebidos por ação de interesse de classes da
sociedade em favor de uma educação mais qualificada, de acordo com os autores Perdonatti e
Lemes (2022), se constroem em meio a negociações de interesses políticos, conflitos de crenças
e representações dos envolvidos causando muitas das vezes grande dificuldade ou, alto grau de
complexidade em sua execução, nem sempre atingindo os objetivos almejados.
A noção de políticas de educação envolvendo sistemas de ensino com característica de
universalidade e de obrigatoriedade, ofertando específicos níveis de ensino para todos e, com a
atuação do Estado, assegurando o financiamento com vistas a garantir a universalidade, é
historicamente recente (Neubauer, 2018).
Em face disso, Durham (2010), ao analisar as políticas educacionais, descreve que, nem
sempre os sucessos ou insucessos da sua implementação são de responsabilidade direta do
governo federal.
De acordo com a Constituição Federal (CF) de 1988, “a organização político-
administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição” (Brasil, 1988, art.
18). Isto posto, a efetividade do desenvolvimento da educação se dará dependendo da atuação
das entidades federadas, levando-se em consideração as diferenças inerentes às peculiaridades
regionais e locais, como a disponibilidade ou falta de recursos e o grau de desigualdades sociais
presentes. Sem dúvida, essas diferenças conduzirão a desempenhos diferenciados,
independente das políticas nacionais implementadas.
No contexto de elaboração, implantação e execução das políticas de educação no Brasil,
focalizando — nesta discussão — os últimos cinquenta anos, é necessário ter consciência de
que existem tendências que ocorrem independentes das variações nas políticas governamentais.