Revista on line de Política e Gestão Educacional (RPGE),
Araraquara, v. 29, n. 00, e025111, 2025.
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e-ISSN: 1519-9029
Revista on line de Política e Gestão Educacional
Online Journal of Policy and Educational Management
10.22633/rpge.v29i00.20655
ANÁLISE DA INFRAESTRUTURA EM ESCOLAS
LOCALIZADAS EM TERRAS REMANESCENTES
DE QUILOMBOS NO PERÍODO DE 2014 A 2024
ANÁLISIS DE LA INFRAESTRUCTURA EN LAS ESCUELAS
SITUADAS EN LOS TERRENOS REMANENTES DEL
QUILOMBO DE 2014 A 2024
ANALYSIS OF INFRASTRUCTURE IN SCHOOLS LOCATED ON
REMAINING QUILOMBO LANDS FROM 2014 TO 2024
Ana Carolina Simões Lamounier Figueiredo dos SANTOS¹
anaslamounier@gmail.com
Girlene Ribeiro de JESUS
2
girlene@unb.br
Regiane Quezia Gomes da COSTA
3
regianegomez@gmail.com
Como referenciar este argo:
Santos, A. C. S. L. F., Jesus, G. R., & Costa, R. Q. G. (2025). Análise da infraestrutura
em escolas localizadas em terras remanescentes de Quilombos no período de 2014
a 2024. Revista on-line de Políca e Gestão Educacional, 29, e025111. hps://doi.
org/10.22633/rpge.v29i00.20655
Submedo em: 01/11/2025
Revisões requeridas em: 15/11/2025
Aprovado em: 25/11/2025
Publicado em: 21/12/2025
¹ Doutoranda pela Universidade de
Aveiro (UA), Departamento de Educa-
ção e Psicologia/ Programa Doutoral
em Educação, Aveiro- Portugal e pela
Universidade de Brasília (UnB), Facul-
dade de Educação/ Programa de Pós-
-Graduação em Educação- PPGE, Bra-
sília – DF – Brasil. É membro do grupo
de pesquisa Políca, Gestão e Avalia-
ção da Educação Básica e Superior.
² Professora na Universidade de Brasília
(UnB) Faculdade de Educação (FE), atua
na graduação e no Programa de Pós-Gra-
duação em Educação - PPGE, Brasília-
DF- Brasil. É líder do grupo de pesquisa
Políca, Gestão e Avaliação da Educação
Básica e Superior.
³ Doutoranda pela Universidade de Bra-
sília (UnB), Faculdade de Educação/ Pro-
grama de Pós-Graduação em Educação-
PPGE, Brasília DF Brasil. É membro
do Grupo de Pesquisa Políca, Gestão e
Avaliação da Educação Básica e Superior
da UnB.
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RESUMO: O presente trabalho tem a nalidade de analisar, à luz dos marcos regu-
latórios legais e educacionais, o perl de infraestrutura das escolas que atendem a
Educação Escolar Quilombola (EEQ), a parr dos dados do Censo Escolar de 2014
a 2024. A análise quantava foi embasada na metodologia que versa sobre a
Escala de Infraestrutura Escolar. Os resultados obdos permiram idencar que
o nível de infraestrutura das escolas quilombolas, majoritariamente, é elementar.
Vericou-se que não há conformidade entre a apropriação de recursos de infraes-
trutura e os pressupostos legais que visam determinar e garanr a qualidade da
EEQ, sendo que esta manteve-se, em 10 anos de Censo Escolar e de medidas -
blicas, vulnerável e atrelada a decisões polícas de manutenção dessa realidade.
Tal constatação é uma juscava para que esta modalidade passe a ser concebida
como uma políca de Estado.
PALAVRAS-CHAVE: Avaliação Educacional. Educação Básica. Educação Escolar Qui-
lombola. Infraestrutura Escolar.
RESUMEN: El presente trabajo ene como objevo analizar, a la luz de los marcos
normavos legales y educavos, el perl de la infraestructura de las escuelas que
imparten Educación Escolar Quilombola (EEQ), a parr de los datos del Censo Es-
colar de 2014 a 2024. El análisis cuantavo se basó en la metodología que habla
sobre la Escala de Infraestructura Escolar. Los resultados obtenidos permieron
idencar que el nivel de infraestructura de las escuelas quilombolas es, en su
mayoría, elemental. Se vericó que no existe conformidad entre la apropiación de
recursos de infraestructura y los supuestos legales que visan determinar y garan-
zar la calidad de la EEQ. Esta se mantuvo, en 10 años de Censo Escolar y de medidas
públicas, vulnerable y vinculada a decisiones polícas de mantenimiento de esta
realidad. Esta constatación jusca que esta modalidad pase a concebirse como
una políca de Estado.
PALABRAS CLAVE: Evaluación Educava. Educación Básica. Educación Escolar Quilombo-
la. Infraestructura Escolar.
ABSTRACT: This study aims to analyze, in light of legal and educaonal regulatory
frameworks, the infrastructure prole of schools that provide Quilombola School
Educaon (EEQ), based on data from the School Census from 2014 to 2024. The
quantave analysis was based on the methodology that take about School Infras-
tructure Scale. The results obtained allowed us to idenfy that the level of infras-
tructure in Quilombola schools is, for the most part, basic. It was found that there is
no compliance between the appropriaon of infrastructure resources and the legal
requirements that aim to determine and guarantee the quality of EEQ. In 10 years
of School Census and public measures, EEQ has remained vulnerable and ed to
polical decisions that maintain this reality. This nding juses that this modality
should be conceived as a state policy.
KEYWORDS: Educaonal Assessment. Basic Educaon. Quilombola School Educa-
on. School Infrastructure.
Argo submedo ao sistema de similaridade
Editor: Prof. Dr. Sebasão de Souza Lemes
Editor Adjunto Execuvo: Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
.
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INTRODUÇÃO
Os “maus cidadãos”: negros, pardos e quilombolas (Moura, 2021); os “Outros”
(Nascimento, 2019). Assim foram classicados e vistos os descendentes das pessoas escravi-
zadas e invisibilizadas após a abolição, em 1888. Ainda que formalmente tenham adquirido
a “boa” cidadania, permaneceram expostos a outras violências veladas à luz da liberdade
e da convivência pacíca e horizontal através da propagação do mito da democracia racial
cunhado por Freyre (2005) e defendido pelo Estado Brasileiro durante o século XX.
Segundo Moura (2020), historicamente — como contraponto à existência da condição
de escravizado surgem aqueles que resistem à escravidão e às condições de classe. No
Brasil, onde havia escravidão havia um quilombo, organizado e de resistência; um elemento
dinâmico de desgaste das relações escravistas” (Moura, 2020, p. 42), sociais, polícas e eco-
nômicas. Essa resistência levou a uma organização de homens livres, que representava dentro
de seus territórios a democracia racial e desestabilizava os senhores brancos.
Nessa breve historicidade, os quilombos foram concebidos em lugares de dicil aces-
so, de modo que, nos dias atuais, ainda é possível constatar nas terras demarcadas como
Territórios a ausência de energia elétrica, água tratada e acesso às polícas públicas básicas
como educação, saúde e transporte.
Se, ao tratarmos da infraestrutura escolar considerando essas ausências até esse
momento registradas, de polícas públicas nos territórios remanescentes de quilombos —, o
que seria demonstrado? Ao associarmos a arquitetura escolar à dimensão material das escolas
denominada neste estudo por infraestrutura escolar (IE) —, como poderíamos monitorar
este atributo?
Na perspecva de Viñao (2005), há três qualidades do prédio escolar, a saber: a esco-
la como Espaço, composta por aquilo que se projeta e que pode ser materializado; a escola
como Lugar, que se faz construindo-se pelo uso - a noção objeva da IE —; e a escola enquanto
Território, produtora das relações intra e extraescolares — noção subjeva.
Neste estudo, parmos dos dados estascos educacionais do Censo Escolar — ferra-
menta que expõe os atributos materiais da escola como Espaço e do indicador de Soares Neto
et al. (2013) para realizar uma análise sobre a IE e os direitos associados à Educação Escolar
Quilombola (EEQ).
Alves e Xavier (2018) defendem que os itens do Censo Escolar não foram elaborados
para descrever as especicidades de escolas rurais especialmente de localidades diferencia-
das e que os indicadores educacionais associados à EEQ são modestos —, devido à marginali-
dade dos serviços públicos oferecidos, o que Gonzaga et al. (2019) apresenta como invisibili-
dade estasca dessas comunidades.
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Análise da infraestrutura em escolas localizadas em terras remanescentes de Quilombos no período de 2014 a 2024
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Na academia, a relevância da infraestrutura escolar na EEQ dos processos de ensino-
-aprendizagem sobre o desempenho dos alunos tem sido problemazada, debatendo o refor-
ço ao modelo educacional meritocráco, desigual e racista (Garcia et al., 2021; Gomes, 2022;
Panta & Silva, 2024; Pinheiro, 2023).
No entanto, estudos que relacionam dados do Censo aplicados à EQQ de forma a
contribuir para o monitoramento de polícas públicas ainda é precário. Em destaque,
discussões acadêmicas no âmbito do acesso e número de estabelecimentos que atendem a
EEQ em relação ao ano de 2013 (Silva, 2015) e, também, aos aspectos de atendimento para
educação especial (Mantovani, 2017).
Ainda que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei n.º 9394/96 e
o Plano Nacional de Educação (PNE) ainda vigente (Brasil, 2014) façam referência a garana
de um padrão de Infraestrutura Escolar, este é um campo em que predomina a ausência de
processos efevos de monitoramento sobre as polícas públicas relacionadas a IE, e, sua im-
plementação (Rocha, 2025; Soares, 2024; Santos, 2024). Destarte, Santos (2024, p. 20-21)
assume que é relevante incorporar a avaliação constante e a adaptação exível” de modo que
as polícas possam ser moldadas em relação às dinâmicas dessas comunidades, promovendo
“transformação sustenvel”. Nessa perspecva, analisar os indicadores educacionais e a le-
gislação aplicados à EEQ contribui para o espaço de debate acadêmico e para a avaliação das
polícas públicas a ela associadas.
O compromisso macro estatal que pactua o próximo decênio está em tramitação no
Congresso Nacional sob a forma de Projeto de Lei (PL) n.º 2.614/2024, que determinará o
Plano Nacional de Educação (2025-2035). Observa-se, no documento de encaminhamento à
Presidência da República, a preocupação com a EEQ.
A modalidade da educação escolar quilombola, reconhecida desde 2012, ainda sofre com a implemen-
tação insuciente de suas diretrizes. As escolas quilombolas lidam com infraestrutura precária, falta
de professores quilombolas e escassa oferta de Ensino Médio e técnico prossionalizante. Além disso,
enfrentam barreiras signicavas em termos de racismo, discriminação e falta de recursos adequados
para atender às necessidades especícas das comunidades quilombolas
1
.
Na análise do texto, verica-se que o PL n.º 2.614/2024 apresenta para a EEQ diferen-
tes destaques materializados em “Objevos e Estratégias” nas áreas de: formação docente;
currículo; material didáco; projeto políco pedagógico; acesso e permanência em diferentes
1 Ocio de encaminhamento à Presidência da República EMI n.º 000040/2024 MEC MF MPO, item 3.5.4, p. 6.
Disponível em: hps://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Projetos/Ato_2023_2026/2024/PL/Exm/Exm-0040-24-
MEC-MF-MPO.doc. Acesso em: 31 out. 2025.
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níveis de educação; nutrição e infraestrutura escolar. Nesta úlma dimensão, sublinhamos o
seguinte destaque à temáca:
Garanr recursos para o fortalecimento e a ampliação de polícas armavas e de assistência estudanl,
e processos selevos e infraestrutura adequados aos diferentes públicos, de forma a promover, efeva-
mente, o acesso, a parcipação, a permanência e a conclusão da graduação a estudantes em situação de
vulnerabilidade socioeconômica, negros, indígenas, quilombolas, do campo, das águas e das orestas,
do sistema socioeducavo e prisional, e com deciência. (Brasil, 2024, p. 33)
Nesse momento de apreciação pelas Casas Legislavas, é possível perceber que o texto
eleva a EEQ e outras minorias a um outro patamar de conguração, com o intuito de xá-las
como uma políca de Estado. Essa medida avança quanto ao exposto no PNE 2014-2024, que
teve, em sua maioria, ações nucleadas no campo da diversidade.
Diante do exposto, o objevo deste estudo foi analisar o perl da infraestrutura escolar
das escolas que atendem a EEQ, ulizando a escala de infraestrutura escolar (Soares Neto et
al., 2013) numa análise longitudinal de 2014 à 2024, à luz da legislação educacional. Dessa
forma, para cumprir o objevo do estudo foram realizadas as seguintes ações: (a) analisar os
atos normavos relacionados a IE na EEQ; (b) determinar as prociências de IE para EEQ e do
período acima citado; e (c) interpretar os dados de IE à luz dos normavos que visam o aten-
dimento aos estudantes de comunidades remanescentes de quilombos.
REFERENCIAIS HISTÓRICOS E PERSPECTIVAS ATUAIS SOBRE A EDUCAÇÃO
ESCOLAR QUILOMBOLA
Atualmente, dados instucionais brasileiros informam a existência de 1.327.802 pesso-
as remanescentes de comunidades quilombolas, representando 0,65% da população brasileira
(Instuto Brasileiro de Geograa e Estasca [IBGE], 2022). Segundo o Censo Escolar (2024),
2.569 escolas em territórios remanescentes de quilombos (Figura 1), com 272.018 matrí-
culas nas seguintes etapas e modalidades: educação básica, educação de jovens e adultos e
educação prossional, as quais indicam que 20,48% da população quilombola está vinculada
à educação básica regular.
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Figura 1
Distribuição de escolas que atendem à Educação Escolar Quilombola
Nota. Autoras (2025). Adaptado do Censo Escolar (2024).
Tecnicamente, a Educação Escolar Quilombola detém um campo normavo educacio-
nal em expansão. Sublinha-se um aparato de legislações reguladoras: a Lei n.º 10.639/2003; a
Resolução CNE/CEB 04/2010 e suas alterações; o Decreto n.º 6.040/2007; a Lei 12.288/2010;
os Pareceres CNE/CEB n.º 16/2012, 8/2020 e 03/2021; a Lei 14.723/2023; o Decreto n.º
11.786/2023; e a Resolução n.º 17/2024, FNDE/MEC.
Ao tomarmos em atenção, o Parecer CNE/CEB n.º 16/2012 que estabelece as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (DCNEEQ) verica
que há a discussão quanto à territorialidade, idendade, etnicidade e ao socioambientalismo
das comunidades quilombolas. Logo, o Parecer destaca em relação à IE ⸺ que as edicações
estejam em consonância com o aparato de direitos necessário a uma educação formal; quer
dizer que é necessária uma arquitetura escolar especíca que favoreça os espaços culturais e
pedagógicos. A falta desse contexto induz os alunos a buscarem estruturas sicas menos pre-
carizadas, ainda que estas sejam distantes sicamente e socialmente, e diferentes da realida-
de e tradição quilombola. A diáspora dos estudantes de seus territórios produz a “juscava”
para que, em âmbito Estatal, determine-se a efevação de polícas de nucleação
2
.
Nas DCNEEQ, em seu art. 8, a garana dos princípios da Educação Escolar Quilombola
por meio de várias ações, entre as quais estão:
2 Nucleação é um processo de desavação da escola, por um período de 5 anos, e posterior fechamento de
escolas rurais, localizadas em comunidades com número reduzido de matrículas, caracterizadas como isoladas
ou com precária infraestrutura em relação às escolas vizinhas. Centraliza a educação em um único polo, na sua
maioria de realidade urbana (Rodrigues et al., 2017).
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I. construção de escolas públicas em territórios quilombolas, por parte do poder pú-
blico, sem prejuízo da ação de ONG e outras instuições comunitárias;
II. adequação da estrutura sica das escolas ao contexto quilombola, considerando os
aspectos ambientais, econômicos e socioeducacionais de cada quilombo;
III. garana de condições de acessibilidade nas escolas. (Brasil, 2012, p. 64)
Em ação complementar, destacam-se o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE)
focado nas Benfeitorias sicas (MEC Resolução n.º 05/2021), na Água e Esgotamento Sanitário
(MEC Resolução n.º 02/2021) e Equidade (MEC Resolução n.º 17/2024) que têm como nali-
dade a melhoria de condições de infraestrutura sica e pedagógica, promovendo a superação
das desigualdades educacionais, reconhecendo as diversidades e assegurando a inclusão no
ambiente escolar.
Com efeito, verica-se um aparato normavo recente sobre as Comunidades
Quilombolas e, especialmente no campo da educação; caminha-se para a construção de dire-
trizes e legislações que promovam e respeitem a idendade étnico-racial. Nesse sendo, em-
bora ainda insucientes, é impossível negar avanços e uma crescente tutela normava sobre
a EEQ, com polícas públicas de reconhecimento social e histórico oriundas do avismo do
Movimento Negro (Gomes, 2022).
No anente à essa construção, importa destacar o III Plano Nacional de Direitos
Humanos (PNDH). Sobre o documento, Rêses e Rocha (2019) apontam que o Estado enfrenta
sérias questões com o elismo e que uma resistência aos direitos dos quilombolas e con-
cluem que o combate à discriminação é necessário, porém insuciente, se realizado de forma
isolada. Nessa via, salienta-se que, mesmo que haja polícas compensatórias que aceleram a
construção da igualdade para esmular a inclusão de grupos considerados vulneráveis, “não
cabe mais a discussão que estabelece cisão entre situação econômica e racismo, porque am-
bas estão interligadas” (Rêses & Rocha, 2019, p. 92).
Pinheiro (2023, p.43) considera que não é suciente somente a elaboração de leis sem
a nalidade de ampliar direitos. Para haver validade delas, é necessário que haja a consta-
tação da práca na rona da sociedade e da educação brasileira”. Portanto, é preciso criar
mecanismos para que as ações empreendidas pelas polícas públicas e legislações encontrem
aparato material e consistência subjeva nos contextos sociais.
É de suma importância frisar que, segundo Rêses e Rocha (2019, p. 101), “apreender o
racismo em sendo puramente teórico não tem o mesmo peso de quem vive e compreende o
racismo em sua terranalidade” e que a solução para tal posicionamento poderá ser efeva
na práxis, com polícas públicas e mudança de mentalidade” (Rêses & Rocha, 2019, p. 101).
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Dialogar sobre o racismo, buscando sociedades mais justas e livres de desigualdade é um per-
curso, mas sendo isolado da práca a solução não se torna concreta.
O desao atual é superar a construção de um Brasil que se constuiu na ausência de
polícas públicas por mais de um século, que impôs o silenciamento às denúncias e que igno-
rou as reivindicações por direitos. A incansável atuação dos Movimentos Negros, ao longo do
século XX, e dos avistas, como Abdias Nascimento, deagraram, ainda que lento por parte do
poder público, um processo de reconhecimento e de efevação de direitos.
Nesta via, ainda que a Constuinte de 1988 tenha recepcionado a questão das ter-
ras quilombolas (Brasil, 1988, art. 68) e que a III Conferência Mundial Contra o Racismo,
Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas tenha tratado da efeva resolução
da Territorialidade das terras ancestrais (Organização das Nações Unidas [ONU], 2001, p. 41)
há, na contemporaneidade, relevante porcentagem de “processos de tulação ainda em cur-
so” sem denição concreta às comunidades quilombolas (Brasil, 2022, p. 19).
A inexistência do território opera como um fator negavo nas comunidades quilombo-
las. Nesse sendo, sublinhamos o ensinamento de Munanga (2020, p. 91) que assevera que
ou a sociedade Brasileira é democráca para todas as raças e lhes confere igualdade econô-
mica, social e cultural ou não existe uma sociedade plurirracial democráca”.
INFRAESTRUTURA ESCOLAR
O conceito de infraestrutura educacional é polissêmico (Alves et al., 2018; Garcia,
2014; Garcia et al., 2017). O termo compreende a concepção arquitetônica das escolas, seus
ambientes educavos e administravos, os equipamentos e recursos educacionais, mas tam-
bém as prácas, o currículo, os processos de ensino e aprendizagem e a capacitação dos pro-
fessores para ulizar os recursos disponíveis.
Garcia (2014, p. 139) defende o conceito como “um sistema de elementos estruturais,
inter-relacionados, que inclui o edicio escolar, as instalações, os equipamentos e os serviços
necessários para garanr o funcionamento da escola e impulsionar a aprendizagem do aluno”.
Garcia et al. (2017) apontaram que a IE possibilita a criação e a organização de ambientes de
aprendizagem e determina o nível em que o desenvolvimento da capacidade de inovação nas
avidades pode ser inuenciado por docentes, de acordo com a organização que ele oportu-
niza aos espaços e equipamentos.
Nessa linha, trazemos o contributo de Soares Neto et al. (2013): a Escala de Infraestrutura
Escolar, um indicador construído a parr dos dados do Censo Escolar para a interpretação do
ambiente educacional das escolas brasileiras. A categorização da infraestrutura escolar apre-
sentada pelos autores é realizada com suporte metodológico da Teoria de Resposta ao Item e
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propõe quatro níveis de infraestrutura: elementar, básico, adequado e avançado, com proci-
ência em uma escala com média 50 e desvio-padrão 10, conforme mostra o Quadro 1.
No campo das polícas públicas, pode-se armar que os indicadores denotam transpa-
rência de dados da realidade de uma população especíca, possibilitando o monitoramento
por parte do poder público e da sociedade civil, em relação às suas demandas sociais. Na pers-
pecva de um estudo acadêmico, são elos “entre os modelos explicavos da teoria social e a
evidência empírica dos fenômenos sociais” (Jannuzzi, 2017, p. 21). Outros autores corroboram
com o conceito de Jannuzzi, associando os indicadores a conceitos, contextos e construtos
(Neufville, 1979).
Nessa seara, é salutar deter atenção na “seleção de indicadores” uma vez que “não
existe uma teoria formal que permita orientá-la com estrita objevidade” (Jannuzzi, 2002, p.
57). Contudo, seria reducionista armar que a formulação de um indicador seria o suciente
para garanr uma gestão aplicada às necessidades da sociedade. Essa visão depreende que
os indicadores por si garantem a qualidade do planejamento da gestão pública brasileira,
desconsiderando que esta úlma é complexa, burocrazada e polizada.
Nível
Prociência
Elementar
0 – 50
Básico
50 – 60
Adequado
60 – 70
Avançado
> 70
Conceito
As escolas
que possuem
somente
aspectos de
infraestrutura
elementares
para o
funcionamento
de uma escola.
As escolas já possuem
uma infraestrutura
básica, pica de
unidades escolares.
Escolas que possuem
uma infraestrutura mais
completa desnada a
aprendizagens, espaços
que permitem o convívio
social e avidades
motoras e equipamentos.
As escolas neste
nível, além dos
itens presentes nos
níveis anteriores,
possuem uma
infraestrutura
escolar mais
robusta e mais
próxima do ideal.
Exemplos
de itens
ancorados
ao nível
Água,
sanitário,
energia, esgoto
e cozinha.
Sala de diretoria,
dispensa, refeitório,
banheiro com chuveiro,
almoxarifado, secretaria
e equipamentos como
TV, DVD, Mulmídia,
equipamentos de
foto computadores e
impressora.
Sala de professores,
biblioteca, laboratório de
informáca e sanitário
para educação infanl,
área verde, parque
infanl, páo coberto
e descoberto, quadra
esporva, som, auditório,
copiadora e acesso à
internet.
Laboratório
de ciências e
dependências
adequadas para
atender ENEs (Sala
e Sanitário).
Quadro 1
Escala de Infraestrutura Escolar
Nota. Soares Neto et al. (2013).
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Análise da infraestrutura em escolas localizadas em terras remanescentes de Quilombos no período de 2014 a 2024
e-ISSN: 1519-9029
METODOLOGIA
Inicialmente, foi realizada a análise dos normavos educacionais da EQQ, em busca de
levantar evidências que retratem as especicidades de infraestrutura das escolas e atendem
estudantes remanescentes de territórios quilombolas.
Adicionalmente, foram ulizadas as bases de dados do Censo Escolar de 2014 a 2024
dados já existentes e consolidados de domínio público com abrangência nacional, cole-
tados anualmente pelo Instuto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(INEP). O Censo Escolar levanta informações estasco-educacionais sobre a educação básica
brasileira, a m de traçar o perl das escolas. Neste estudo foram consideradas as informações
do Censo referentes às escolas que atendem estudantes de comunidades remanescentes de
quilombo, idencadas pelo valor 3 (três) na variável Localização Diferenciada dos microdados
do Censo Escolar. A amostra ulizada foi composta por 2.569 unidades de ensino consideradas
em avidade”. Quanto aos itens ulizados na análise, foram selecionados um total de 32 itens
referentes à infraestrutura escolar.
Para efetuar as análises, os sowares BILOG-MG e R (pacote mirt) foram ulizados para
calibrar os itens por meio da TRI, empregando o modelo logísco de dois parâmetros. Além
disso, para esmava dos parâmetros da TRI, foram considerados três grupos de escolas. O
Grupo 1 onde as variáveis consideradas abrangem a educação infanl e o ensino funda-
mental anos iniciais — considera a presença das variáveis do banheiro e dos parques infans,
e exclui o laboratório de ciências e auditório. No Grupo 2, foram consideradas as escolas que
atendem o ensino fundamental anos nais e ensino médio, rerando as variáveis do banheiro
e dos parques infans e inserindo laboratório de ciências e auditório. Caso a escola atendesse
da educação infanl ao ensino médio, esta se enquadraria no Grupo 3, onde todas as variáveis
foram ulizadas na idencação dos parâmetros.
Também foi ulizado o Stascal Package for the Social Science (SPSS 28.0) para o
cálculo das estascas descrivas e para a análise longitudinal dos percentuais de escolas em
cada nível de infraestrutura escolar. Este também foi ulizado para relacionar as prociências
obdas à categorização das escolas que atendem à EEQ nos níveis elementar, básico, adequa-
do e avançado, segundo a metodologia adotada para a elaboração da Escala de Infraestrutura
Escolar (Soares Neto et al., 2013).
Ao nal, foi realizado um estudo comparavo de percentuais das escolas da EEQ por
nível, ano a ano e contemplando os anos do PNE 2014-2024, amparado nos normavos que
abrangem a EEQ.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Considerando a escala de infraestrutura escolar de Soares Neto et al. (2013), foi realiza-
da a análise por meio da TRI dos itens de infraestrutura constantes no quesonário do Censo
Escolar entre os anos de 2014 a 2024, replicando os métodos apresentados no estudo supra-
citado com o mesmo rigor. No entanto, ao analisar as prociências dos itens de IE presentes
nas respostas dos anos 2023 e 2024, observou-se um comportamento diferente do agrupa-
mento de itens na escala. Ao refazer o escalonamento dos itens de acordo com os pontos de
corte previamente espulados, os itens apresentaram prociência diferente das apresentadas
no Quadro 1. Dessa forma, os itens foram reposicionados na Escala de Infraestrutura Escolar
atualizada (Quadro 2).
É importante frisar que o método ulizado para a análise foi o mesmo, considerando
alguns detalhes: i) as variáveis de água, energia e esgoto foram consideradas em relação ao
abastecimento oferecido por rede pública; ii) a variável DVD foi rerada por obsolescência e
por haver preenchimento em branco em demasia por parte dos agentes responsáveis pelas in-
formações; iii) equipamentos de foto e dependência de PNE, anteriormente considerados, não
constam no quesonário de 2023; iv) a variável impressora é a fusão das variáveis impressora
e impressora mulfuncional por observação de comportamento das respostas; e v) a variável
cozinha, em ambas análises, apresentou parâmetro de discriminação baixo (0,26358), sendo
portanto, excluída da análise. Dessa forma, a análise foi realizada observando o comporta-
mento dos itens descritos pelas variáveis em três grupos e os parâmetros foram gerados em
conjunto.
Durante a pesquisa surgiu o quesonamento quanto à necessidade de atualização da
escala de infraestrutura escolar. Soares Neto e Castro já apontavam a necessidade de revisitar
tal escala ao observar que as variáveis foram consideradas com a “mesma adequabilidade para
todos os segmentos” (Soares Neto & Castro, 2020, p. 1163). Além disso, Jannuzzi (2017) apre-
senta a necessidade de atualização periódica de indicadores sociais e indica que eles sejam
renados em relação aos grupos sociodemográcos especícos ou grupos em situação de vul-
nerabilidade. Com base nesses argumentos, compreendemos como pernente a realização de
estudo que mensure a dimensão formal e comum a todas as instuições escolares, mas tam-
bém se dedique a compreender e apurar outras questões e estruturas necessárias à preser-
vação e dignicação dos grupos minoritários — dentre eles, os remanescentes de quilombos.
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Importa ter atenção nas atualizações dispostas no Quadro 1 que evidenciam, ao mes-
mo tempo, um novo cenário de infraestrutura e a recente normazação das diretrizes edu-
cacionais para a EEQ. Nessa medida, a escala de infraestrutura determinada por Soares Neto
et al. (2013) e disposta na Tabela 1, revela que as escolas EEQ detêm, majoritariamente, uma
caracterísca comum: estão no nível elementar, com valor médio aproximado de 80% de todas
as amostras, com desvio padrão de 2,24%, demonstrando assim, mudanças pouco represen-
tavas para a IE nesse decênio. Com dados ligeiramente posivos no mesmo período, o nível
básico apresentou um aumento de 7,2 pontos. No entanto, nos níveis adequado e avançado
os aumentos foram mínimos.
Nível
Prociência
Elementar
0 – 50
Básico
50 – 60
Adequado
60 – 70
Avançado
> 70
Exemplos
de itens
ancorados
ao nível
Energia
Banheiro
Impressora
Internet
Água
Despensa
Diretoria
Secretaria
Som
TV
Computador
Esgoto
Almoxarifado
Banheiro(PNE)
Banheiro Infanl
o Coberto
Parque infanl
Refeitório
Sala dos Professores
Mulmídia
Área Verde
Biblioteca
Banheiro com chuveiro
Laboratório de Ciências
Sala de Atendimento Especializado
Laboratório de Informáca
o Descoberto
Quadra
Copiadora e Auditório.
Quadro 2
Escala de Infraestrutura Escolar atualizada
Nota. Elaborado pelas autoras.
Ano Elementar
0 – 50
Básico
50 – 60
Adequado
60 – 70
Avançado
> 70
Dados
Faltantes
2014 79,9 13,9 1,8 0,1 4,4
2015 77,3 16,4 1,8 0 4,5
2016 78,5 15,5 1,9 0,1 4
2017 78,9 16 1,9 0 3,2
2018 80,3 15 1,8 0 2,9
2019 81,3 14,7 1,6 0,1 2,3
2020 81,5 14,9 1,7 0,1 1,9
2021 82,1 14,8 2,1 0,1 1
2022 82,8 15 2,1 0,1 0
2023 80,6 16,2 3,1 0,2 0
Tabela 1
Distribuição percentual de escolas quilombolas 2014-2024 - Escala de Infraestrutura
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Os percentuais dispostos em cada nível e ano - somados às conjunturas polícas, nor-
mavas e sociais de cada época nos permitem tecer considerações sobre os avanços e
possíveis retrocessos em relação às condições sicas das escolas quilombolas. Insurge-se no
ano de 2014 — início da análise - ações regulatórias sobre a EEQ estabelecidas pelo Conselho
Nacional de Educação (CNE), em 2012 - época ainda recente na EEQ.
Primeiramente, é preciso frisar que, durante toda uma década, a condição elementar
das escolas EEQ pouco foi desconstruída. Em que pese as diretrizes normavas implementa-
das nos Governos Lula (2003-2011) e Dilma (2011-2016) sobre a Educação Básica, os dados
demonstram que o reconhecimento material não alcançou as comunidades quilombolas.
Aspectos centrais a serem pontuados são nos períodos de 2014 a 2015 e de 2018 a
2022. No primeiro segmento, os dados apontam uma variação entre os níveis elementar e
básico ⸺ respecvamente de — 2,5% e +2,6% —, demonstrando um acréscimo de IE em apro-
ximadamente 2,5% das escolas no nível básico. No tocante ao nível adequado, verica-se uma
estabilidade (1,8%) e, em relação ao nível avançado, este não é minimamente pontuado (0%).
No período de 2018 a 2022, o grupo de escolas com dados faltantes foi reduzido de 4,4
até chegar à integralidade de informações em 2022, registrando variações nos níveis elemen-
tar, uma vez que se elevou o número de escolas em nível elementar com a integralização de
dados; no entanto, não houve nenhum acréscimo de escolas no nível adequado. Em sintonia
com essa posição, encontram-se os níveis básico e avançado com a manutenção em 15% e
0,1%, respecvamente. Logo, o acesso a informações foi maior nesse período, mas não houve
invesmento que pudesse representar melhoria na IE dessas comunidades.
No entanto, o período de 2017 a 2022 apresentou um retrocesso nos índices dos níveis
elementar e básico. Há, em paralelo, a ampliação no percentual de escolas elementares e uma
diminuição das escolas até aquele momento, consideradas em nível básico com 3,9 e 1,0 pon-
tos, respecvamente. No mesmo período, pode-se armar que houve estabilidade nos níveis
adequado e avançado.
Os dados das escolas no período de 2022 a 2024 que são apresentados demonstram,
em conjunto, uma melhoria nas condições de infraestrutura da EEQ. É possível idencar
esse quadro como um reexo das Diretrizes Nacionais para garana da Qualidade das Escolas
Quilombolas (Brasil, 2021) apontando especialmente que “as escolas quilombolas têm asse-
gurado o direito ao funcionamento em prédios adequados, com estrutura sica compavel e
2024 75,2 21,1 3,6 0,1 0
Nota. Elaborada pelas autoras. Os percentuais considerados em dados faltantes representam as escolas conside-
radas em avidade, que, no entanto, não apresentaram os dados para o Censo no ano em questão.
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manutenção constante […]” visando a garana do direito à escola de qualidade” (Brasil, 2021,
p. 54).
Em atenção aos dados do ano de 2024, verica-se ainda a manutenção do nível ele-
mentar. Todavia, quando focamos nos níveis básico e adequado, percebe-se em termos pro-
porcionais um aumento de duas a três vezes quando comparados aos indicadores iniciais do
decênio, marcando nesse quesito uma avaliação posiva das condições da EEQ.
É importante frisar que a implementação em 2024 do PDDE Água, Esgotamento
Sanitário e Infraestrutura e do PDDE Equidade pode resultar em um movimento de elevação
da métrica e dos níveis da escala para essa modalidade de ensino, uma vez que a água e o
esgotamento sanitário são considerados, na escala atualizada, estruturas presentes nos níveis
de básico ao adequado. Tal hipótese poderá ser vericada na análise do próximo Censo, uma
vez que a distribuição e execução de recursos ainda estão ocorrendo.
Em outra perspecva, os grácos dispostos na Figura 2 seguem o mesmo recorte de
análise da Tabela 1 e apresentam a distribuição de frequências das prociências de infraestru-
tura das escolas localizadas em terras remanescentes de quilombos nos anos de 2014, 2016,
2020 e 2024, com suporte da curva normal de distribuição. É importante salientar que o ponto
máximo de prociência nos quatros anos apresentados, situou-se num connuum aproxima-
do de 38, 37 e 36 nos três primeiros anos — 2024, 2016 e 2020 — e saltou para 46 em 2024.
Embora seja um pico de distribuição no nível elementar, ele aproxima-se do ponto de corte
para o nível básico, sendo que o segundo pico, em 2024, já se encontra no nível básico. Os da-
dos em questão sugerem indícios de melhora nas prociências para o próximo decênio, caso a
atenção expressa nos dados de infraestrutura da EEQ de 2024 for connuada.
Os resultados da análise quantava desenvolvidos a parr dos dados do Censo
e da base teórica de Soares Neto et al. (2013) mostraram-se fundamentais neste estudo.
Primeiramente revelam, estascamente, o que os estudos qualitavos já denunciavam sobre
a precariedade de condições sicas em que se encontra a educação escolar quilombola (Carril,
2017; Paré et al., 2007). Em segundo lugar, servem para que as mudanças, ainda que tênues,
sejam valorizadas e promovam reexões. Em 10 anos de análise, somente no ano de 2024 o
nível básico obteve uma conguração minimamente relevante na EEQ.
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A EEQ permanece dentro das linhas quase invisíveis dos serviços essenciais de sane-
amento básico redes de água, esgoto e energia —, ou seja, do elementar. Ainda assim,
ca o apontamento de que diversas escolas brasileiras podem não se encaixar nesse cená-
rio, no qual a prestação de serviços públicos é a alternava mais viável (Soares Neto, 2020).
Essas condições — a depender da localização das escolas — podem ser reduzidas e precárias.
Dimensionar outras informações que vão além da escala, compõe um diagnósco até então
sem signicância para as polícas públicas. Nesse sendo, defendemos que é preciso conside-
rar também outras lentes nessa análise, que levem em conta a distância das comunidades às
escolas, o meio urbano onde estão inseridas, bem como a localização e o acesso aos recursos
das escolas em zona rural; estas informações não podem mais serem desprezadas.
De forma paralela, compreendemos que os itens dispostos na Escala de Infraestrutura
Escolar Atualizada (Quadro 2) devem ser pautados e confrontados à luz das polícas públicas
voltadas para essa modalidade de ensino. Em que medida os Programas atuais são capazes
de prover o acesso à internet quando as instuições não possuem energia ou lhes falta um
computador?
Uma das formas é problemazar os itens que estão dispostos na Escala de Infraestrutura
Escolar Atualizada (EIEA) (Quadro 2). Tais informações requerem um confronto com as polícas
públicas voltadas para essa modalidade de ensino. É necessário entender que os referenciais
analisados na EIEA podem tangenciar o que vem a ser o pressuposto de qualidade de IE — já
apresentado no PNE 2014-2024 —, com o objevo de elevar a EEQ ao nível adequado”. Em
Figura 2
Distribuição de Prociência da Educação Quilombola 2014 -2024
Nota. Elaborada pelas autoras (2025).
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outras palavras, é razoável assumir que uma instuição escolar possa funcionar com o mínimo
de qualidade e infraestrutura sica sem que haja: energia; banheiro; impressora e internet;
água; despensa; diretoria; secretaria; som; TV e computador; esgoto; almoxarifado, banhei-
ro (PNE); banheiro infanl; páo coberto; parque infanl; refeitório; sala dos professores e
mulmídia; área verde; biblioteca; banheiro com chuveiro; laboratório de ciências; sala de
atendimento especializado; laboratório de informáca; páo descoberto; quadra; copiadora
e auditório?
Em uma análise simplista, talvez os dois úlmos itens possam ser dispensados, mas
os demais não podem ser considerados luxo, pois expressam dimensões fundamentais para
que o processo de ensino e aprendizagem possa ser uído e venha a atender as necessida-
des tecnológicas obrigatórias para a inclusão numa sociedade capitalista e liberal. Dito de ou-
tra forma, o conjunto de itens materializados na Escala Atualizada atende ao mínimo que os
disposivos constucionais determinam. Os itens dispostos no nível “avançado” sasfaz, por
exemplo, o texto constucional, pois atende as “condições de acesso e permanência na esco-
la” e “garana de padrão de qualidade”, o “atendimento educacional especializado aos porta-
dores de deciência, preferencialmente na rede regular de ensino”, bem como as condições
para que se promova o “atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica,
por meio de programas suplementares de material didáco-escolar, transporte, alimentação e
assistência à saúde” (Brasil, 1988).
Vericou-se também como pernente a essa discussão o espaço da imaterialidade da
EEQ — uma dimensão invisibilizada, mas prevista nos normavos legais, uma vez que funda-
menta “o pertencimento e laços grupais construídos pelos quilombos” (Brasil, 2012, p. 14). Se
a Escala Atualizada abriga itens capazes de viabilizar o acesso aos preceitos constucionais,
persiste a lacuna do que poderia contemplar o “respeito à especicidade étnico-cultural de
cada comunidade” e a “diversidade cultural” que cada escola quilombola necessita para asse-
gurar que suas prácas pedagógicas e saberes sejam respeitados e considerados (Brasil, 2012,
pp. 1–2).
então uma inquietação que revela que embora os dados sicos e materiais sejam
relevantes e fundamentais para o acesso formal à educação, estes são insucientes para a
EEQ. Se faz necessário um modelo que considere a interconexão da escola com as vozes e
lideranças da comunidade quilombola e que conecte os saberes pedagógicos e acadêmicos
formais aos saberes tradicionais, à ancestralidade, à cultura, à alimentação, aos anseios e às
lutas históricas, que armam e constroem a idendade quilombola. Acreditamos que esse
conjunto — material, formal e imaterial possa constuir um referencial inicial que preserve
e defenda a EEQ. Essa tríade materializa as dimensões subjevas expostas por Vinão (2005) e
constuem um ideal a ser alcançado.
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É indefensável o elevado percentual de instuições que detém recursos materiais
aquém do mínimo necessário a uma aprendizagem signicava. A interpretação dessas bases
expõe ainda que, em 2024, há relevante fragilidade das estruturas escolares — nível elemen-
tar — na EEQ, o que demonstra que as legislações não modicaram a realidade concreta des-
sas instuições, demonstrando estagnações quanto à infraestrutura escolar. Essa constatação
revela a contradição entre a discussão na esfera legislava e a concrezação efeva desses
normavos. Segundo Balibar (2021, p. 147), o uso de etnicização, ou conceito de povo, resol-
ve uma das contradições basilares do capitalismo histórico, seu ímpeto pela igualdade teórica
e ao mesmo tempo de desigualdade práca”, ressaltando que o capitalismo — enquanto siste-
ma histórico — cristaliza a condição desigual de oportunidades educacionais na EEQ.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O tardio reconhecimento da EEQ realizado apenas em 2012 por meio das Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação Quilombola na Educação Básica enunciou direitos
e proteções negadas secularmente à vida, à moradia (território), ao campo social (alimen-
tar, cultural, ambiental, etno-desenvolvimental, religioso, educacional) —, e abriu espaço
para a reexão das atuais condições de infraestrutura escolar das EEQ.
Impossível não tratar os resultados obdos nesta análise como a connuidade do
racismo estrutural presente em um contexto no qual o Estado Brasileiro ainda atua como
espectador, dado o mínimo de mudança estrutural ocorrido em um período de 10 anos de
Censo Escolar. Os novos “pactos civilizatórios” expressos por Bento (2022, p. 25), connuam
a ser debados pelo Movimento Negro, uma vez que, materialmente, ainda se encontram
distantes da realidade das instuições escolares brasileiras. Nessa via, corroboramos com
Nascimento que “a questão racial é eminentemente uma questão nacional” e que é neces-
sária “uma proposta de organização social para o Brasil” a parr da proteção e preservação
dos saberes, da cultura e do modus de exisr históricos e ancestrais (Nascimento, 2019, p.
27).
Apesar de percebermos os avanços signicavos na legislação, as problemazações
realizadas pela academia e as ações dos movimentos sociais, os dados apresentados no es-
tudo demonstram que, no período invesgado, não houve progressão substancial na escala
de infraestrutura da EEQ. Esse fato precisa ser considerado com seriedade, especialmente
quando há, no horizonte, um novo PNE.
Destaca-se que o estudo de Soares Neto et al. (2013) expressa as dimensões formais
e tradicionais que estão xadas como o mínimo no ambiente escolar. Todavia, corroboramos
com Alves et al. (2018) ao defender que o dimensionamento da infraestrutura adequada às
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escolas quilombolas não está contemplado nos itens dispostos na escala de IE do Censo.
Importa perceber que este é um limite deste trabalho, uma vez que o dimensionamento
da infraestrutura adequada às escolas quilombolas pode não estar contemplado nos itens
dispostos na escala. um conjunto de diretrizes imateriais baseadas na história, valores
e cultura que determinam uma concepção de educação diferenciada, disposta nos Projetos
Polícos Pedagógicos das escolas e que inuenciam a estrutura sica delas. Daí levantaram-
-se algumas questões de estudos futuros: a escala de infraestrutura seria considerada válida
para escolas em localização diferenciada? É necessário realizar apenas uma atualização da
escala para se obter parâmetros da TRI mais dedignos ao contexto da EQQ?
Portanto, as dimensões pedagógicas materializadas por meio da “implementação de
um Projeto Políco Pedagógico que considere as especicidades históricas, culturais, so-
ciais, polícas, econômicas, e identárias das comunidades quilombolas” (Brasil, 2012, p. 6),
a formação docente e o acesso e permanência dos estudantes com necessidades especiais
sequer são percebidos e apreendidos em um contexto de infraestrutura básica e elementar
aferidos.
Nessa medida, torna-se necessário buscar as parcularidades da organização social
das comunidades remanescentes de quilombos, que, se invesgadas, poderão construir o
elo apontado por Jannuzzi (2017) em relação ao indicador e o conceito que ele representa.
Sugere-se como connuidade deste estudo a conjunção entre as dimensões quantavas e
a escuta da comunidade educacional proveniente da EEQ, uma vez que esta poderá oferecer
um diagnósco formal e identário mais próximo das necessidades e parcularidades des-
tes povos, assim como um acompanhamento das instuições escolares, a m de viabilizar
novas ações com o objevo de qualicar a intervenção do Estado na qualidade educacional
da EEQ.
Este pode ser um dos caminhos a ser percorrido pelo Estado Brasileiro em prol da
consciencialização coleva” e de uma “responsabilização” efeva (Kilomba, 2019, p. 11).
Nessa seara, cumpre destacar que este cenário não é construído apenas por mudanças no
aparato moral do povo (por mais importantes que sejam), mas “quando se reconguram as
estruturas de poderque denem qual po de conhecimento é válido, aceito e por quem é
produzido, assim como dene quem o merece ter (Kilomba, 2019, p. 13).
As evidências deste estudo, por m, devem contribuir para a superação da norma-
lização de processos discriminatórios, deixando claro que os conitos raciais também são
partes das instuições” e que persistem e materializam o racismo, por este ser “um compo-
nente orgânico” da sociedade, o qual viabiliza a invisibilidade, renúncia e (sub)hierarquiza-
ção de saberes, existências e presenças a parr do elo estrutural que desempenha (Almeida,
2021, pp. 39–47).
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Torna-se necessário debater o alcance de cada um desses níveis dentro da realidade
tecnológica que vigora no século XXI: o nível elementar e básico expressa qual po de qua-
lidade neste cenário? O que se pontua nesse processo de permanência formal e mínimo? O
que se espera com uma escala “branca” e material quando o que se busca são as condições
sicas e imateriais vinculantes à idendade étnico racial? Tais reexões precisam ser vistas
a parr de um referencial dinâmico, que tenha em consideração a vulnerabilidade, a nega-
va de direitos educacionais e que também considere a existência rica e pulsante, fundada
numa perspecva sociocultural singular e, sobretudo, profundamente resistente. Insurge-
se, então, a requisição de conceitos complementares, materialidades e simbologias que via-
bilizem o reconhecimento das necessidades e dos modos de escolarização próprios da EEQ.
Dentro do exposto, essa é uma dinâmica que está muito aquém do elementar e do básico.
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Análise da infraestrutura em escolas localizadas em terras remanescentes de Quilombos no período de 2014 a 2024
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Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaríamos de agradecer ao Programa de Pós-graduação em
Educação - PPGE/UnB.
Financiamento: Este trabalho foi nanciado com recursos do PPGE/UnB.
Conitos de interesse: Não há conitos de interesse.
Aprovação éca: O trabalho não envolveu questões écas.
Disponibilidade de dados e material: As informações ulizadas no manuscrito são de
domínio público e estão devidamente citadas.
Contribuições dos autores: As autoras contribuíram de igual forma.
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Revista on line de Política e Gestão Educacional
Online Journal of Policy and Educational Management
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ANALYSIS OF INFRASTRUCTURE IN SCHOOLS
LOCATED ON REMAINING QUILOMBO LANDS
FROM 2014 TO 2024
ANÁLISE DA INFRAESTRUTURA EM ESCOLAS
LOCALIZADAS EM TERRAS REMANESCENTES DE
QUILOMBOS NO PERÍODO DE 2014 A 2024
ANÁLISIS DE LA INFRAESTRUCTURA EN LAS ESCUELAS
SITUADAS EN LOS TERRENOS REMANENTES DEL QUILOMBO
DE 2014 A 2024
Ana Carolina Simões Lamounier Figueiredo dos SANTOS¹
anaslamounier@gmail.com
Girlene Ribeiro de JESUS
2
girlene@unb.br
Regiane Quezia Gomes da COSTA
3
regianegomez@gmail.com
How to reference this paper:
Santos, A. C. S. L. F., Jesus, G. R., & Costa, R. Q. G. (2025). Analysis of infrastructure
in schools located on remaining quilombo lands from 2014 to 2024. Revista on-
line de Políca e Gestão Educacional, 29, e025111. hps://doi.org/10.22633/rpge.
v29i00.20655
Submied: 01/11/2025
Revisions required: 15/11/2025
Approved: 25/11/2025
Published: 21/12/2025
¹ Doctoral candidate at the University
of Aveiro (UA), Department of Educa-
on and Psychology / Doctoral Pro-
gram in Educaon, Aveiro, Portugal,
and at the University of Brasília (UnB),
Faculty of Educaon / Graduate Pro-
gram in Educaon (PPGE), Brasília, DF,
Brazil. Member of the Research Group
on Policy, Management, and Evalua-
on of Basic and Higher Educaon.
² Professor at the University of Brasília
(UnB), Faculty of Educaon (FE), teaching
at the undergraduate level and in the
Graduate Program in Educaon (PPGE),
Brasília, DF, Brazil. Leader of the Resear-
ch Group on Policy, Management, and
Evaluaon of Basic and Higher Educaon.
³ Doctoral candidate at the University
of Brasília (UnB), Faculty of Educaon /
Graduate Program in Educaon (PPGE),
Brasília, DF, Brazil. Member of the Rese-
arch Group on Policy, Management, and
Evaluaon of Basic and Higher Educaon
at UnB.
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ABSTRACT: This study aims to analyze, in light of legal and educaonal regulatory
frameworks, the infrastructure prole of schools that provide Quilombola Scho-
ol Educaon (EEQ), based on data from the School Census from 2014 to 2024.
The quantave analysis was based on the methodology that take about School
Infrastructure Scale. The results obtained allowed us to idenfy that the level of
infrastructure in Quilombola schools is, for the most part, basic. It was found that
there is no compliance between the appropriaon of infrastructure resources and
the legal requirements that aim to determine and guarantee the quality of EEQ. In
10 years of School Census and public measures, EEQ has remained vulnerable and
ed to polical decisions that maintain this reality. This nding juses that this
modality should be conceived as a state policy.
KEYWORDS: Educaonal Assessment. Basic Educaon. Quilombola School Educa-
on. School Infrastructure.
RESUMO: O presente trabalho tem a nalidade de analisar, à luz dos marcos regu-
latórios legais e educacionais, o perl de infraestrutura das escolas que atendem a
Educação Escolar Quilombola (EEQ), a parr dos dados do Censo Escolar de 2014
a 2024. A análise quantava foi embasada na metodologia que versa sobre a
Escala de Infraestrutura Escolar. Os resultados obdos permiram idencar que
o nível de infraestrutura das escolas quilombolas, majoritariamente, é elementar.
Vericou-se que não há conformidade entre a apropriação de recursos de infraes-
trutura e os pressupostos legais que visam determinar e garanr a qualidade da
EEQ, sendo que esta manteve-se, em 10 anos de Censo Escolar e de medidas públi-
cas, vulnerável e atrelada a decisões polícas de manutenção dessa realidade. Tal
constatação é uma juscava para que esta modalidade passe a ser concebida
como uma políca de Estado.
PALAVRAS-CHAVE: Avaliação Educacional. Educação Básica. Educação Escolar Quilom-
bola. Infraestrutura Escolar.
RESUMEN: El presente trabajo ene como objevo analizar, a la luz de los marcos
normavos legales y educavos, el perl de la infraestructura de las escuelas que
imparten Educación Escolar Quilombola (EEQ), a parr de los datos del Censo Es-
colar de 2014 a 2024. El análisis cuantavo se basó en la metodología que habla
sobre la Escala de Infraestructura Escolar. Los resultados obtenidos permieron
idencar que el nivel de infraestructura de las escuelas quilombolas es, en su
mayoría, elemental. Se vericó que no existe conformidad entre la apropiación de
recursos de infraestructura y los supuestos legales que visan determinar y garan-
zar la calidad de la EEQ. Esta se mantuvo, en 10 años de Censo Escolar y de medidas
públicas, vulnerable y vinculada a decisiones polícas de mantenimiento de esta
realidad. Esta constatación jusca que esta modalidad pase a concebirse como
una políca de Estado.
PALABRAS CLAVE: Evaluación Educava. Educación Básica. Educación Escolar Qui-
lombola. Infraestructura Escolar.
Arcle submied to the similarity system
Editor: Prof. Dr. Sebasão de Souza Lemes
Deputy Execuve Editor: Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
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INTRODUCTION
The “bad cizens”: Black, mixed-race, and quilombola peoples (Moura, 2021); the
“Others” (Nascimento, 2019). This is how the descendants of enslaved people—rendered invi-
sible aer abolion in 1888—were classied and perceived. Although they formally acquired
“full” cizenship, they remained exposed to other forms of violence—veiled under the guise
of freedom and peaceful, horizontal coexistence—through the disseminaon of the myth of
racial democracy coined by Freyre (2005) and upheld by the Brazilian State throughout the
tweneth century.
According to Moura (2020), historically—as a counterpoint to the condion of ensla-
vement—those who resisted slavery and class condions emerged. In Brazil, wherever slavery
existed, there was a quilombo: organized, resistant, and a dynamic element eroding ensla-
ving relaons” (Moura, 2020, p. 42), including social, polical, and economic relaons. This
resistance led to the organizaon of free people who, within their territories, embodied racial
democracy and destabilized white slaveholders.
Within this brief historical overview, quilombos were established in hard-to-reach loca-
ons. As a result, even today it is possible to observe—in lands demarcated as Territories—the
absence of electricity, treated water, and access to basic public policies such as educaon,
health, and transportaon.
If we address school infrastructure—considering the absences thus far documented
regarding public policies in remaining quilombola territories—what would be revealed? By as-
sociang school architecture with the material dimension of schools—referred to in this study
as school infrastructure (SI)—how can this aribute be monitored?
From Viñao’s (2005) perspecve, school buildings encompass three qualies: the scho-
ol as Space, composed of what is designed and can be materialized; the school as Place, cons-
tructed through use—the objecve noon of SI; and the school as Territory, which produces
intra- and extra-school relaonships—the subjecve noon.
This study draws on educaonal stascal data from the School Census—a tool that
exposes the material aributes of schools as Space—and on the indicator proposed by Soares
Neto et al. (2013) to analyze SI and the rights associated with Quilombola School Educaon
(QSE).
Alves and Xavier (2018) argue that School Census items were not designed to des-
cribe the specicies of rural schools—especially those in dierenated localies—and that
educaonal indicators associated with QSE are modest due to the marginality of public ser-
vices provided, which Gonzaga et al. (2019) characterize as the stascal invisibility of these
communies.
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Analysis of infrastructure in schools located on remaining quilombo lands from 2014 to 2024
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In academia, the relevance of school infrastructure to teaching–learning processes and
student performance within QSE has been problemazed, parcularly regarding the reinfor-
cement of a meritocrac, unequal, and racist educaonal model (Garcia et al., 2021; Gomes,
2022; Panta & Silva, 2024; Pinheiro, 2023).
However, studies that relate Census data applied to QSE—so as to contribute to the
monitoring of public policies—remain scarce. Notably, academic discussions have addressed
access and the number of instuons serving QSE around 2013 (Silva, 2015), as well as service
provision for special educaon (Mantovani, 2017).
Although the Naonal Educaon Guidelines and Framework Law (LDB), Law No.
9,394/96, and the currently valid Naonal Educaon Plan (PNE) (Brazil, 2014) refer to ensuring
a standard of School Infrastructure, this eld is marked by a lack of eecve monitoring pro-
cesses for public policies related to SI and their implementaon (Rocha, 2025; Soares, 2024;
Santos, 2024). Accordingly, Santos (2024, pp. 20–21) emphasizes the relevance of incorpo-
rang connuous evaluaon and exible adaptaon” so that policies can be shaped to the
dynamics of these communies, promong “sustainable transformaon.From this perspec-
ve, analyzing educaonal indicators and legislaon applied to QSE contributes to academic
debate and to the evaluaon of associated public policies.
The macro-level state commitment shaping the next decade is currently under consi-
deraon in the Naonal Congress in the form of Bill (PL) No. 2,614/2024, which will establish
the Naonal Educaon Plan (2025–2035). The document forwarded to the Presidency of the
Republic evidences concern for QSE.
The modality of Quilombola School Educaon, ocially recognized since 2012, connues to face insu-
cient implementaon of its guidelines. Quilombola schools contend with precarious infrastructure,
a shortage of quilombola teachers, and limited provision of upper secondary and technical–vocaonal
educaon. Moreover, they face signicant barriers related to racism, discriminaon, and insucient
resources to meet the specic needs of quilombola communies
1
.
An analysis of the bill indicates that PL 2,614/2024 highlights QSE across several areas,
arculated as Objecves and Strategies,including teacher educaon; curriculum; instruc-
onal materials; the pedagogical–polical project; access and retenon across educaonal
levels; nutrion; and school infrastructure. Regarding the laer, the following provision is
underscored:
1 Forwarding leer to the Presidency of the Republic EMI No. 000040/2024 MEC MF MPO, item 3.5.4, p.
6. Available at: hps://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Projetos/Ato_2023_2026/2024/PL/Exm/Exm-0040-24-
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Ensure resources to strengthen and expand armave acon and student assistance policies, and se-
lecon processes and infrastructure appropriate to dierent publics, so as to eecvely promote access,
parcipaon, retenon, and compleon of undergraduate educaon for students in situaons of socio-
economic vulnerability, Black, Indigenous, quilombola, rural, riverine, and forest communies, those
within the socio-educaonal and prison systems, and persons with disabilies. (Brasil, 2024, p. 33)
At this stage of legislave review, the text elevates QSE and other minories to a new
level of conguraon, aiming to establish them as State policy. This represents progress rela-
ve to the PNE 2014–2024, which largely centered acons within the eld of diversity.
In light of the above, the objecve of this study was to analyze the prole of school
infrastructure in schools serving QSE, using the School Infrastructure Scale (Soares Neto et
al., 2013) in a longitudinal analysis from 2014 to 2024, in light of educaonal legislaon. To
achieve this objecve, the following acons were undertaken: (a) analysis of normave acts
related to SI in QSE; (b) determinaon of SI prociencies for QSE over the specied period; and
(c) interpretaon of SI data in light of regulaons aimed at serving students from remaining
quilombola communies.
HISTORICAL FRAMEWORKS AND CONTEMPORARY PERSPECTIVES ON QUI-
LOMBOLA SCHOOL EDUCATION
Currently, Brazilian instuonal data report the existence of 1,327,802 people from
remaining quilombola communies, represenng 0.65% of the Brazilian populaon (Brazilian
Instute of Geography and Stascs [IBGE], 2022). According to the School Census (2024),
there are 2,569 schools located in remaining quilombola territories (Figure 1), with 272,018
enrollments across the following stages and modalies: basic educaon, youth and adult edu-
caon, and vocaonal educaon. These gures indicate that 20.48% of the quilombola popu-
laon is enrolled in regular basic educaon.
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e-ISSN: 1519-9029
Figure 1
Distribuon of schools providing Quilombola School Educaon
Note. Authors (2025). Adapted from the School Census (2024).
Technically, Quilombola School Educaon constutes an expanding eld of educaonal
regulaon. A set of regulatory legislaons is highlighted: Law No. 10,639/2003; Resoluon
CNE/CEB No. 04/2010 and its amendments; Decree No. 6,040/2007; Law No. 12,288/2010;
Opinions CNE/CEB Nos. 16/2012, 8/2020, and 03/2021; Law No. 14,723/2023; Decree No.
11,786/2023; and Resoluon No. 17/2024, FNDE/MEC.
Parcular aenon is given to Opinion CNE/CEB No. 16/2012—which establishes the
Naonal Curricular Guidelines for Quilombola School Educaon (DCNEEQ)—as it addresses
issues related to territoriality, identy, ethnicity, and the socio-environmental dimensions of
quilombola communies. Accordingly, the Opinion emphasizes—regarding school infrastruc-
ture (SI)—that school buildings must be aligned with the set of rights required for formal edu-
caon; that is, a specic school architecture is necessary to foster cultural and pedagogical
spaces. The absence of such condions leads students to seek less precarious physical struc-
tures, even when these are geographically and socially distant and disconnected from quilom-
bola reality and tradion. The displacement of students from their territories generates the
“juscaon” for the State to implement school consolidaon (nucleaon) policies
2
.
In the DCNEEQ, Arcle 8 guarantees the principles of Quilombola School Educaon
through several acons, including:
2 Nucleaon is a process of deacvang schools for a period of ve years and subsequently closing rural scho-
ols located in communies with low enrollment numbers, characterized as isolated or with poor infrastructure
compared to neighboring schools. It centralizes educaon in a single hub, mostly in urban areas (Rodrigues et al,
2017).
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I. the construcon of public schools in quilombola territories by public authories,
without prejudice to the acons of NGOs and other community instuons;
II. the adaptaon of school physical infrastructure to the quilombola context, conside-
ring the environmental, economic, and socio-educaonal aspects of each quilombo;
III. the guarantee of accessibility condions in schools. (Brasil, 2012, p. 64)
As complementary acons, the Direct Money to Schools Program (PDDE) stands out,
focusing on physical improvements (MEC Resoluon No. 05/2021), water supply and sanita-
on (MEC Resoluon No. 02/2021), and equity (MEC Resoluon No. 17/2024). These inia-
ves aim to improve physical and pedagogical infrastructure condions, promote the reduc-
on of educaonal inequalies, recognize diversity, and ensure inclusion within the school
environment.
Indeed, a recent normave framework concerning quilombola communies—parcu-
larly in the eld of educaon—can be observed, moving toward the construcon of guidelines
and legislaon that promote and respect ethno-racial identy. In this sense, although sll insu-
cient, it is impossible to deny advances and the growing normave protecon of Quilombola
School Educaon, with public policies of social and historical recognion stemming from the
acvism of the Black Movement (Gomes, 2022).
In this construcon, it is important to highlight the III Naonal Human Rights Plan
(PNDH). Regarding this document, Rêses and Rocha (2019) point out that the State faces se-
rious issues related to elism and resistance to quilombola rights, concluding that combang
discriminaon is necessary but insucient when carried out in isolaon. In this regard, even
when compensatory policies accelerate the construcon of equality to foster the inclusion
of groups considered vulnerable, “there is no longer room for a discussion that establishes a
divide between economic condions and racism, as both are interconnected” (Rêses & Rocha,
2019, p. 92).
Pinheiro (2023, p. 43) argues that merely draing laws without the purpose of ex-
panding rights is insucient. For such laws to be valid, it is necessary “that their pracce be
observed in the daily life of society and Brazilian educaon.Therefore, mechanisms must be
created so that acons undertaken through public policies and legislaon nd material sup-
port and subjecve consistency within social contexts.
It is essenal to emphasize that, according to Rêses and Rocha (2019, p. 101), “unders-
tanding racism in a purely theorecal sense does not carry the same weight as that of those
who live and comprehend racism in its concreteness,” and that the soluon to this stance can
only be eecve in praxis, through public policies and a change in mindset(Rêses & Rocha,
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2019, p. 101). Discussing racism in pursuit of fairer and more egalitarian sociees is a necessa-
ry path; however, when detached from pracce, soluons remain abstract.
The current challenge is to overcome the construcon of a Brazil that, for more than a
century, was shaped by the absence of public policies, imposed silence on denunciaons, and
ignored demands for rights. The reless work of Black Movements throughout the tweneth
century, and of acvists such as Abdias Nascimento, triggered—albeit slowly on the part of
public authories—a process of recognion and implementaon of rights.
In this context, although the 1988 Constuon addressed quilombola land rights
(Brazil, 1988, art. 68) and the Third World Conference Against Racism, Racial Discriminaon,
Xenophobia, and Related Intolerance addressed the eecve resoluon of ancestral land ter-
ritoriality (United Naons [UN], 2001, p. 41), a signicant proporon of “land tling proces-
ses sll underwayremains without concrete resoluon for quilombola communies (Brazil,
2022, p. 19).
The absence of territory operates as a negave factor for quilombola communies. In
this regard, Munanga’s (2020, p. 91) asseron is underscored: either Brazilian society is de-
mocrac for all races and confers economic, social, and cultural equality upon them, or there
is no democrac mulracial society.
SCHOOL INFRASTRUCTURE
The concept of educaonal infrastructure is polysemic (Alves et al., 2018; Garcia, 2014;
Garcia et al., 2017). The term encompasses the architectural design of schools, their educao-
nal and administrave environments, equipment and educaonal resources, as well as prac-
ces, curriculum, teaching and learning processes, and teacher training for the eecve use of
available resources.
Garcia (2014, p. 139) denes the concept as “a system of interrelated structural ele-
ments, including the school building, facilies, equipment, and services necessary to ensure
the funconing of the school and to foster student learning.” Garcia et al. (2017) further argue
that school infrastructure enables the creaon and organizaon of learning environments and
determines the extent to which the development of innovave capacity in acvies can be
inuenced by teachers, according to how spaces and equipment are organized.
In this regard, we draw on the contribuon of Soares Neto et al. (2013), who deve-
loped the School Infrastructure Scale, an indicator constructed from School Census data to
interpret the educaonal environment of Brazilian schools. The categorizaon of school in-
frastructure proposed by the authors is methodologically grounded in Item Response Theory
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and establishes four levels of infrastructure: elementary, basic, adequate, and advanced, with
prociency measured on a scale with a mean of 50 and a standard deviaon of 10, as shown
in Chart 1.
In the eld of public policy, indicators can be understood as tools that provide trans-
parency regarding the reality of a specic populaon, enabling monitoring by both public au-
thories and civil society with respect to social demands. From an academic perspecve, they
funcon as links “between the explanatory models of social theory and the empirical evidence
of social phenomena” (Jannuzzi, 2017, p. 21). Other authors support Jannuzzi’s concepon by
associang indicators with concepts, contexts, and constructs (Neufville, 1979).
In this domain, it is essenal to pay close aenon to the selecon of indicators,
since “there is no formal theory that allows this process to be guided with strict objecvity
(Jannuzzi, 2002, p. 57). Nevertheless, it would be reduconist to assume that the formulaon
of an indicator alone is sucient to ensure management aligned with societal needs. Such
a view implies that indicators, by themselves, guarantee the quality of public management
planning in Brazil, disregarding the fact that this management is complex, bureaucrac, and
policized.
Level
Prociency
Elementary
0 – 50
Basic
50 – 60
Adequate
60 – 70
Advanced
> 70
Concept
Schools that
have only
elementary
infrastructure
aspects
necessary for
basic school
operaon.
Schools that already
have basic infrastructure
typical of educaonal
units.
Schools with more
comprehensive
infrastructure aimed
at learning, including
spaces that allow social
interacon and motor
acvies, as well as
equipment.
Schools at this
level, in addion to
the items present
at previous
levels, have more
robust school
infrastructure,
closer to the ideal.
Examples
of items
anchored
to the level
Water supply,
toilets,
electricity,
sewage
system, and
kitchen.
Principal’s oce, pantry,
cafeteria, bathroom
with shower, storeroom,
administrave oce,
and equipment such as
TV, DVD, mulmedia
resources, photographic
equipment, computers,
and printer.
Teachers’ room, library,
computer lab, toilets
for early childhood
educaon, green areas,
playground, covered and
uncovered courtyard,
sports court, sound
system, auditorium,
photocopier, and internet
access.
Science laboratory
and facilies
suitable to meet
the needs of
students with
special educaonal
needs (classroom
and toilet).
Chart 1
School Infrastructure Scale
Note. Soares Neto et al. (2013).
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METHODOLOGY
Inially, an analysis of the educaonal regulaons related to Quilombola School
Educaon (QSE) was conducted in order to idenfy evidence that reects the specic infras-
tructure characteriscs of schools serving students from remaining quilombola territories.
Addionally, data from the School Census spanning 2014 to 2024 were used—exisng,
consolidated, and publicly available naonal-level data—collected annually by the Naonal
Instute for Educaonal Studies and Research Anísio Teixeira (INEP). The School Census ga-
thers stascal and educaonal informaon on Brazilian basic educaon with the aim of ou-
tlining the prole of schools. In this study, Census informaon referring to schools that serve
students from quilombola communies was considered, idened by the value 3 (three) in
the “Dierenated Locaon” variable of the School Census microdata. The sample comprised
2,569 educaonal units considered acve.Regarding the items used in the analysis, a total
of 32 school infrastructure items were selected.
To perform the analyses, the BILOG-MG and R soware (mirt package) were used to
calibrate the items through Item Response Theory (IRT), employing the two-parameter lo-
gisc model. Furthermore, for esmang the IRT parameters, three groups of schools were
considered. Group 1—covering variables related to early childhood educaon and the early
years of elementary educaon—included bathroom and playground variables and excluded
the science laboratory and auditorium. Group 2 comprised schools oering the nal years of
elementary educaon and upper secondary educaon, excluding bathroom and playground
variables and including the science laboratory and auditorium. Schools serving students from
early childhood educaon through upper secondary educaon were classied as Group 3, in
which all variables were used to idenfy the parameters.
The Stascal Package for the Social Sciences (SPSS 28.0) was also used to calculate
descripve stascs and to conduct a longitudinal analysis of the percentages of schools at
each level of school infrastructure. It was further employed to relate the prociencies obtai-
ned to the categorizaon of schools serving QSE into the elementary, basic, adequate, and
advanced levels, according to the methodology adopted for the development of the School
Infrastructure Scale (Soares Neto et al., 2013).
Finally, a comparave study of the percentages of QSE schools by level was conducted
year by year, covering the years of the Naonal Educaon Plan (PNE) 2014–2024, grounded in
the regulatory frameworks applicable to Quilombola School Educaon.
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RESULTS AND DISCUSSION
Considering the School Infrastructure Scale proposed by Soares Neto et al. (2013), an
analysis was conducted using Item Response Theory (IRT) on the infrastructure items included
in the School Census quesonnaire for the period from 2014 to 2024, replicang the methods
presented in the aforemenoned study with the same level of rigor. However, when analyzing
the prociencies of the school infrastructure items present in the responses for the years 2023
and 2024, a dierent paern of item grouping on the scale was observed. When the item sca-
ling was recalculated according to the previously established cuto points, the items exhibited
prociency levels dierent from those presented in Chart 1. Consequently, the items were
reposioned in the updated School Infrastructure Scale (Chart 2).
It is important to emphasize that the method used for the analysis remained the same,
with the consideraon of some specic details: (i) the variables water, electricity, and sewage
were analyzed in relaon to supply provided by the public network; (ii) the DVD variable was
excluded due to obsolescence and the excessive number of missing responses provided by the
agents responsible for the informaon; (iii) photographic equipment and facilies for students
with special educaonal needs, which had previously been considered, were not included in
the 2023 quesonnaire; (iv) the printer variable resulted from the merger of the printer and
mulfuncon printer variables, based on observed response paerns; and (v) the kitchen va-
riable, in both analyses, presented a low discriminaon parameter (0.26358) and was there-
fore excluded from the analysis. Accordingly, the analysis was carried out by observing the
behavior of the items described by the variables across three groups, and the parameters were
generated jointly.
During the research process, the need to update the School Infrastructure Scale emer-
ged as a key issue. Soares Neto and Castro had already pointed to the need to revisit this scale
when nong that the variables were considered to have the same adequacy for all segments”
(Soares Neto & Castro, 2020, p. 1163). Furthermore, Jannuzzi (2017) highlights the need for pe-
riodic updang of social indicators and recommends that they be rened in relaon to specic
sociodemographic groups or groups in situaons of vulnerability. Based on these arguments,
we consider it pernent to conduct studies that measure the formal and common dimension
shared by all educaonal instuons, while also seeking to understand and assess other issues
and structures necessary for the preservaon and dignity of minority groups—among them,
quilombola communies.
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Aenon must be paid to the updates presented in Chart 1, which simultaneously hi-
ghlight a new infrastructure scenario and the recent standardizaon of educaonal guidelines
for Quilombola School Educaon (EEQ). In this sense, the infrastructure scale established by
Soares Neto et al. (2013) and presented in Table 1 reveals that EEQ schools largely share a
common characterisc: they are predominantly at the elementary level, with an average value
of approximately 80% of all samples and a standard deviaon of 2.24%, thus indicang only
marginal changes in school infrastructure over the decade. With slightly posive data in the
same period, the basic level increased by 7.2 points. However, increases at the adequate and
advanced levels were minimal.
Level
Prociency
Elementary
0 – 50
Basic
50 – 60
Adequate
60 – 70
Advanced
> 70
Examples
of items
anchored
at the level
Electricity
Restroom
Printer
Internet
Water
Pantry
Principal’s
Oce
Sound
System TV
Computer
Sewage System
Storage Room
Accessible Restroom
(PwD)
Children’s Restroom
Covered Courtyard
Playground
Cafeteria
Teachers’ Room
Mulmedia
Green Area
Library
Restroom with Shower
Science Laboratory
Specialized Support Room
Computer Laboratory
Uncovered Courtyard
Sports Court
Photocopier and Auditorium
Chart 2
Updated School Infrastructure Scale
Note. Prepared by the authors.
Year Elementary
0 – 50
Basic
50 – 60
Adequate
60 – 70
Advanced
> 70
Missing
Data
2014 79,9 13,9 1,8 0,1 4,4
2015 77,3 16,4 1,8 0 4,5
2016 78,5 15,5 1,9 0,1 4
2017 78,9 16 1,9 0 3,2
2018 80,3 15 1,8 0 2,9
2019 81,3 14,7 1,6 0,1 2,3
2020 81,5 14,9 1,7 0,1 1,9
2021 82,1 14,8 2,1 0,1 1
2022 82,8 15 2,1 0,1 0
2023 80,6 16,2 3,1 0,2 0
Table 1
Percentage distribuon of Quilombola schools, 2014–2024 – Infrastructure Scale
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The percentages presented for each level and year—considered alongside the polical,
regulatory, and social contexts of each period—allow for an assessment of advances and po-
tenal setbacks in the physical condions of Quilombola schools. In 2014—the starng point
of the analysis—regulatory acons for EEQ established by the Naonal Council of Educaon
(CNE) in 2012 were sll relavely recent.
First, it must be emphasized that over an enre decade the elementary condion of
EEQ schools was scarcely dismantled. Despite the normave guidelines implemented during
the Lula (2003–2011) and Dilma (2011–2016) administraons regarding Basic Educaon, the
data indicate that material recognion did not reach Quilombola communies.
Key periods to highlight are 2014–2015 and 2018–2022. In the rst interval, the data
indicate variaon between the elementary and basic levels—respecvely, −2.5% and +2.6%—
demonstrang an increase in infrastructure at the basic level in approximately 2.5% of schools.
At the adequate level, stability is observed (1.8%), while the advanced level shows no presence
(0%).
Between 2018 and 2022, the group of schools with missing data decreased from 4.4%
to complete data coverage by 2022, resulng in variaon at the elementary level due to the
integraon of informaon; however, there was no increase in the number of schools at the
adequate level. Consistent with this paern, the basic and advanced levels remained at 15%
and 0.1%, respecvely. Thus, access to informaon improved during this period, but there was
no investment that translated into infrastructure improvements for these communies.
Conversely, the period from 2017 to 2022 shows a setback in the indices for the ele-
mentary and basic levels. In parallel, there was an increase in the proporon of elementary
schools and a decrease in schools previously classied at the basic level, by 3.9 and 1.0 points,
respecvely. During the same period, stability can be observed at the adequate and advanced
levels.
The data for 2022–2024 collecvely indicate an improvement in EEQ infrastructure
condions. This scenario can be interpreted as reecng the Naonal Guidelines for Ensuring
the Quality of Quilombola Schools (DCNEM) (Brasil, 2021), which state in parcular that
“Quilombola schools are guaranteed the right to operate in adequate buildings, with compa-
ble physical infrastructure and connuous maintenance […]” aiming at the “guarantee of the
right to quality schooling” (Brasil, 2021, p. 54).
2024 75,2 21,1 3,6 0,1 0
Note. Prepared by the authors. Percentages reported as missing data refer to schools considered in operaon
that did not submit Census data in the respecve year.
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Focusing on the 2024 data, the elementary level remains predominant. However, at
the basic and adequate levels, proporonal increases of two to three mes are observed when
compared to the inial indicators of the decade, signaling a posive assessment of EEQ condi-
ons in this respect.
It is important to note that the implementaon in 2024 of the PDDE Water, Sanitaon,
and Infrastructure program and the PDDE Equity program may lead to an upward shi in me-
trics and scale levels for this educaonal modality, as water supply and sanitaon are classi-
ed—under the updated scale—as structures present from the basic to the adequate levels.
This hypothesis can be tested in the next Census analysis, as resource allocaon and imple-
mentaon are sll ongoing.
From another perspecve, the graphs shown in Figure 2 follow the same analycal sco-
pe as Table 1 and present the frequency distribuon of infrastructure prociency for schools
located in Quilombola territories in the years 2014, 2016, 2020, and 2024, supported by a nor-
mal distribuon curve. Notably, the peak prociency across the rst three years—2014, 2016,
and 2020—was located along a connuum of approximately 38, 37, and 36, respecvely, and
increased to 46 in 2024. Although this peak sll falls within the elementary level, it approaches
the cuto point for the basic level, and the second peak in 2024 is already within the basic le-
vel. These ndings suggest indicaons of improved prociency in the coming decade, provided
that the aenon reected in the 2024 EEQ infrastructure data is sustained.
The results of the quantave analysis based on Census data and the theorecal fra-
mework of Soares Neto et al. (2013) proved to be central to this study. First, they stascally
conrm what qualitave studies have long indicated regarding the precarious physical con-
dions of Quilombola school educaon (Carril, 2017; Paré et al., 2007). Second, they allow
for the recognion of changes—albeit modest—and encourage reecon. Over ten years of
analysis, only in 2024 did the basic level achieve a minimally relevant conguraon within EEQ.
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Quilombola School Educaon (EEQ) remains within the nearly invisible boundaries of
essenal basic sanitaon services—water supply, sewage, and electricity—that is, at the “ele-
mentarylevel. Even so, it should be noted that several Brazilian schools may not t this scena-
rio, in which the provision of public services is the most viable alternave (Soares Neto, 2020).
Depending on their locaon, these condions may be limited and precarious. Measuring addi-
onal informaon beyond what is captured by the scale contributes to a diagnosis that, unl
now, has had lile relevance for public policy. In this regard, we argue that other analycal
lenses must also be considered, taking into account the distance between communies and
schools, the urban context in which they are situated, as well as the locaon and access to
resources of rural schools; such informaon can no longer be disregarded.
In parallel, we understand that the items presented in the Updated School Infrastructure
Scale (Chart 2) must be examined and contrasted in light of public policies aimed at this edu-
caonal modality. To what extent are current programs capable of providing internet access
when instuons lack electricity or do not have computers?
One way to address this issue is to crically examine the items included in the Updated
School Infrastructure Scale (USIS) (Chart 2). Such informaon requires confrontaon with pu-
blic policies directed at this modality of educaon. It is necessary to understand that the re-
ferences analyzed in the USIS may approximate what is established as the standard of infras-
tructure quality already set forth in the Naonal Educaon Plan (PNE) 2014–2024, with the
aim of elevang EEQ to the adequate” level. In other words, is it reasonable to assume that a
Figure 2
Distribuon of Prociency in Quilombola Educaon, 2014–2024
Note. Prepared by the authors (2025).
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school can operate with a minimum level of quality and physical infrastructure without elec-
tricity; restrooms; printers and internet; water; pantry; principal’s oce; administrave oce;
sound system; television and computer; sewage; storage room; accessible restroom (PwD);
children’s restroom; covered courtyard; playground; cafeteria; teachers’ room and mulmedia
resources; green areas; library; restroom with shower; science laboratory; specialized support
room; computer laboratory; uncovered courtyard; sports court; photocopier; and auditorium?
In a simplisc analysis, perhaps the last two items could be considered dispensable; ho-
wever, the remaining elements cannot be regarded as luxuries, as they represent fundamental
dimensions for ensuring a smooth teaching–learning process and for meeng the mandatory
technological requirements for inclusion in a capitalist and liberal society. Put dierently, the
set of items materialized in the Updated Scale corresponds to the minimum standards esta-
blished by constuonal provisions. The items classied at the advanced” level, for exam-
ple, fulll the constuonal mandate by ensuring condions of access to and permanence
in school” and the “guarantee of a standard of quality,as well as “specialized educaonal
support for students with disabilies, preferably within the regular school system,and the
condions necessary to promote student support at all stages of basic educaon through su-
pplementary programs of instruconal materials, transportaon, food, and health assistance”
(Brasil, 1988).
This discussion also highlights the relevance of the immaterial dimension of EEQ—an
oen invisibilized aspect, yet one that is explicitly recognized in legal frameworks, as it under-
pins “the sense of belonging and group bonds built by quilombos” (Brasil, 2012, p. 14). While
the Updated Scale includes items capable of enabling access to constuonal principles, a gap
remains regarding how to address “respect for the ethno-cultural specicity of each commu-
nityand the cultural diversitythat each Quilombola school requires to ensure that its pe-
dagogical pracces and forms of knowledge are respected and valued (Brasil, 2012, pp. 1–2).
Thus, a concern emerges indicang that, although physical and material data are re-
levant and essenal for formal access to educaon, they are insucient for EEQ. There is a
need for a model that considers the interconnecon between the school and the voices and
leadership of the Quilombola community, and that integrates formal pedagogical and acade-
mic knowledge with tradional knowledge, ancestry, culture, food pracces, aspiraons, and
historical struggles that arm and construct Quilombola identy. We argue that this set—ma-
terial, formal, and immaterial—can serve as an inial framework for preserving and streng-
thening EEQ. This triad materializes the subjecve dimensions discussed by Viñao (2005) and
represents an ideal to be pursued.
The high percentage of instuons lacking the minimum material resources necessary
for meaningful learning is indefensible. The interpretaon of these data further reveals that, in
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2024, there remains a signicant fragility in EEQ school structures—at the elementary level—
demonstrang that legislaon has not altered the concrete reality of these instuons and that
school infrastructure has remained stagnant. This nding exposes the contradicon between
legislave debate and the eecve implementaon of normave frameworks. According to
Balibar (2021, p. 147), the use of ethnicizaon, or the concept of the people, resolves one
of the fundamental contradicons of historical capitalism—its drive for theorecal equality
alongside praccal inequality,” emphasizing that capitalism, as a historical system, crystallizes
unequal educaonal opportunies within EEQ.
FINAL CONSIDERATIONS
The delayed recognion of EEQ—formalized only in 2012 through the Naonal
Curriculum Guidelines for Quilombola Educaon in Basic Educaon—arculated rights and
protecons that had been historically denied, including the rights to life, housing (terri-
tory), and social elds (food security, culture, environment, ethno-development, religion,
and educaon). This milestone also opened space for reecon on the current condions of
school infrastructure within EEQ.
It is impossible not to interpret the results of this analysis as a connuaon of struc-
tural racism, within a context in which the Brazilian State sll operates largely as a bystander,
given the minimal structural change observed over ten years of School Census data. The new
civilizaonal pacts” discussed by Bento (2022, p. 25) connue to be debated by the Black
Movement, as they remain materially distant from the reality of Brazilian school instuons.
In this regard, we align with Nascimento’s asseron that “the racial issue is fundamentally
a naonal issue” and that there is a need for “a proposal for social organizaon in Brazil”
grounded in the protecon and preservaon of historical and ancestral knowledge, culture,
and ways of existence (Nascimento, 2019, p. 27).
Despite signicant advances in legislaon, academic debate, and the acons of social
movements, the data presented in this study demonstrate that, during the period analyzed,
there was no substanal progression in the EEQ infrastructure scale. This nding must be
taken seriously, parcularly in light of the forthcoming Naonal Educaon Plan (PNE).
It is worth nong that the study by Soares Neto et al. (2013) captures formal and
tradional dimensions that are established as the minimum standards within the school
environment. However, in line with Alves et al. (2018), we argue that the assessment of in-
frastructure appropriate for Quilombola schools is not fully encompassed by the items inclu-
ded in the Census infrastructure scale. This constutes a limitaon of the present study, as
the measurement of adequate infrastructure for Quilombola schools may not be reected
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in the scale’s indicators. There is a set of immaterial guidelines rooted in history, values,
and culture that dene a dierenated concepon of educaon, arculated in schools’
Polical–Pedagogical Projects and inuencing their physical structures. From this perspec-
ve, quesons for future research emerge: Can the infrastructure scale be considered valid
for schools located in disnct contexts? Is it sucient to merely update the scale to obtain
IRT parameters that are more faithful to the EEQ context?
Consequently, pedagogical dimensions materialized through the “implementaon of
a Polical–Pedagogical Project that considers the historical, cultural, social, polical, econo-
mic, and identy-specic characteriscs of Quilombola communies” (Brasil, 2012, n. 6), as
well as teacher educaon and the access to and permanence of students with special nee-
ds, are neither perceived nor captured within assessments limited to basic and elementary
infrastructure.
In this sense, it becomes necessary to invesgate the specicies of the social organi-
zaon of remaining Quilombo communies, which, if examined, may help construct the link
idened by Jannuzzi (2017) between indicators and the concepts they represent. As a con-
nuaon of this study, we suggest combining quantave dimensions with acve listening
to the EEQ educaonal community, as this approach may provide a formal and identy-ba-
sed diagnosis that more closely reects the needs and parcularies of these populaons.
Such an approach would also enable ongoing monitoring of school instuons, facilitang
new acons aimed at improving the quality of State intervenon in EEQ educaon.
This may represent one of the paths for the Brazilian State toward collecve awa-
reness” and eecve “accountability” (Kilomba, 2019, p. 11). In this context, it is important
to emphasize that such a scenario is not achieved solely through changes in the moral fra-
mework of society—however important these may be—but rather “when power structures
are recongured,determining which types of knowledge are considered valid and accep-
ted, who produces them, and who is deemed entled to access them (Kilomba, 2019, p. 13).
Finally, the evidence presented in this study should contribute to overcoming the
normalizaon of discriminatory processes by making explicit that “racial conicts are also
part of instuons” and that they persist and materialize racism, as it is an organic com-
ponentof society. This dynamic enables the invisibility, denial, and (sub)hierarchizaon of
knowledge, existences, and presences through the structural role it plays (Almeida, 2021,
pp. 39–47).
It is therefore necessary to debate the scope of each infrastructure level within the
technological reality of the twenty-rst century: What kind of quality do the elementary
and basic levels represent in this context? What is eecvely ensured through processes of
minimal and formal permanence? What can be expected from a “neutral” and material scale
when the objecve is to guarantee physical and immaterial condions intrinsically linked
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to ethno-racial identy? These reecons must be approached from a dynamic framework
that accounts for vulnerability and the denial of educaonal rights, while also recognizing
the rich and vibrant existence of Quilombola communies—grounded in a unique sociocul-
tural perspecve and, above all, deeply rooted in resistance. This calls for complementary
concepts, materialies, and symbolisms capable of recognizing the needs and modes of
schooling specic to EEQ. Within this perspecve, such dynamics go far beyond what is me-
rely elementary or basic.
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Proofreading, formang, standardizaon and translaon
CRediT Author Statement
Acknowledgements: Gostaríamos de agradecer ao Programa de Pós-graduação em
Educação - PPGE/UnB.
Funding: Este trabalho foi nanciado com recursos do PPGE/UnB.
Conicts of interest: Não há conitos de interesse.
Ethical approval: O trabalho não envolveu questões écas.
Data and material availability: As informações ulizadas no manuscrito são de domí-
nio público e estão devidamente citadas.
Authors’ contribuons: As autoras contribuíram de igual forma.