
Ignácio Martin-Baró, violência epistêmica, processos de subjetivação e decolonialidade na escola
RPGE – Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026060, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.20947 4
engajamento suscitados por crises sociais, guerras civis e na interação entre oligarquias, forças
armadas e o clero em seu país de adoção, tendo atuado junto à Universidade Centro-Americana
(UCA), em El Salvador
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, e discutido sobre o terrorismo do Estado e a importância da autonomia
do povo. Além de analisar questões como o machismo, saúde mental e violência no contexto
da opressão e a expressão do fatalismo, buscou entender as percepções e necessidades do povo
salvadorenho, a partir de uma psicologia crítica, na formação de identidades que respondessem
às autênticas exigências dos povos, unindo teoria e prática na luta por justiça e transformação
social (Gómez Lacayo, 2021).
A contribuição sócio-científica de Ignácio Martín-Baró tem fundamentos em
posicionamento humanista-cristão (Rubilar Solis, 1998), desde sua relação com a igreja
católica, sendo padre jesuíta, e influenciado por Paulo Freire, George Politzer, Henry Wallon,
Lucien Sêve, José Bléger e Enrique Pichón-Riviêre. Ainda, Rubilar Solis (1998) apresenta que
sua psicologia é uma leitura das questões ‘concretas’, baseada no método dialético, com base
na realidade específica da América Latina, nas suas longas lutas por justiça, liberdade e
igualdade, partindo do entendimento do ser humano como ‘configuração social’ como entidade
em relação dialógica, com aproximações epistemológicas dos escritos de Lev Semionovitch
Vygotsky.
Para Rubilar Solis (1998), a problemática mobilizada pelo percurso teórico de Martín-
Baró é a hegemonia, reconhecendo que a psicologia de sua época é produzida pelo capitalismo
de matriz eurocêntrica e norte-americana, cuja construção teórica se debruça pela modernização
importada, neocolonialismo que se desdobra no âmbito econômico, cultural e psicossocial
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,
refletindo na marginalização estrutural de parte importante da população, que desconsidera
problemáticas específicas da população latino-americana (Paredes & Veloz Serrade, 2024).
Nesse escopo, o fatalismo se apresenta como a maneira como as vítimas de guerra e as
comunidades afetadas respondem às circunstâncias traumáticas que sofreram, refletindo na
impotência ante o sistema que perpetua a violência e a opressão. Com essa vivência, as pessoas
sentem-se desprovidas de controle sobre suas próprias vidas e circunstâncias, ante a percepção
de incapacidade de mudar seu destino (Martín-Baró, 1996). A violência e os mecanismos de
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Nasceu em Valladolid, Espanha.
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Observa-se, em particular, a aproximação de Ignacio Martín-Baró à Teologia da Libertação no contexto latino-
americano, influenciada pelo catolicismo na década de 1960, que se dedica a análises socioeconômicas, com
preocupação social pelos pobres e libertação política dos povos oprimidos. Segundo Burton (2004), Martín-Baró,
sendo o primeiro a apresentar o termo “Psicologia da Libertação”, Maritza Montero, que o adotou a partir de
Martín-Baró, e, na sequência, outros autores, como González Rey e Silvia Lane, desenvolveram um movimento
denominado Psicologia Social da Libertação, como projeto inspirado na filosofia da libertação, de Enrique Dussel,
e na Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, desde os anos de 1960.