RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026036, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.20960 1
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: UM ESTUDO SOBRE O
CURRICULO DO ENSINO FUNDAMENTAL NO CONTEXTO AMAZÔNICO DE
ABAETETUBA, PARÁ
EDUCACIÓN AMBIENTAL Y CAMBIO CLIMÁTICO: UN ESTUDIO SOBRE EL
CURRÍCULO DE LA ESCUELA PRIMARIA EN EL CONTEXTO AMAZÓNICO DE
ABAETETUBA, PARÁ
ENVIRONMENTAL EDUCATION AND CLIMATE CHANGE: A STUDY OF THE
ELEMENTARY SCHOOL CURRICULUM IN THE AMAZONIAN CONTEXT OF
ABAETETUBA, PARÁ
Edma Maués FRANCO
1
e-mail: edmaf[email protected]
Marilena Loureiro da SILVA
2
e-mail: mar[email protected]
Vilmar ALVES PEREIRA
3
e-mail: vilmar[email protected]
Pedro Chaves BAÍA JÚNIOR
4
e-mail: ped[email protected]
Como referenciar este artigo:
Franco, E. M., Silva, M. L., Pereira, V. A., & Baía Júnior, P. C.
(2026). Educação ambiental e mudanças climáticas: um estudo
sobre o currículo do Ensino Fundamental no contexto amazônico de
Abaetetuba, Pará. Revista on line de Política e Gestão Educacional,
30, e026036. https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.20960.
| Submetido em: 15/02/2026
| Revisões requeridas em: 10/03/2026
| Aprovado em: 16/04/2026
| Publicado em: 22/04/2026
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal do Pará (UFPA), Abaetetuba Pará (PA) Brasil. Mestranda do Programa de Pós-graduação em
Cidades, Territórios, Identidades e Educação (PPGCITE).
2
Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém Pará (PA) Brasil. Docente do Programa de s-graduação em
Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU), do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/UFPA).
3
Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Cárceres Mato Grosso (MT) Brasil. Professor Visitante do Programa
de Pós-graduação em Educação (PPGEdu/UNEMAT). Bolsista de Produtividade FAPEMAT /CNPq.
4
Instituto Federal do Pará (IFPA), Abaetetuba Pará (PA) Brasil. Docente Permanente do Programa de Pós-graduação em
Cidades, Territórios, Identidades e Educação (PPGCITE) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Educação ambiental e mudanças climáticas: um estudo sobre o currículo do Ensino Fundamental no contexto amazônico de Abaetetuba,
Pará
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026036, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.20960 2
RESUMO: A educação ambiental constitui-se um campo fundamental para a construção de
práticas pedagógicas críticas. No contexto amazônico, torna-se ainda mais complexa e urgente,
especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas. Esta pesquisa, de caráter
documental, analisou o Documento Curricular do município de Abaetetuba, referente aos anos
iniciais do ensino fundamental. Os resultados evidenciam lacunas significativas em relação às
mudanças climáticas e às comunidades tradicionais. Essa ausência revela-se preocupante, pois
desconsidera a urgência da formação de sujeitos críticos e atuantes diante da crise climática que
afeta, sobretudo, as comunidades tradicionais. A discussão sobre estas comunidades está restrita
a habilidades específicas, sem consolidar uma perspectiva intercultural e contextualizada que
valorize seus saberes e modos de vida. Com a criação do componente curricular Educação
Ambiental, Sustentabilidade e Clima, emergem desafios relacionados à interdisciplinaridade, à
escassez de materiais didáticos contextualizados à realidade amazônica e à formação docente.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Básica. Educação Ambiental. Currículo. Comunidades
tradicionais.
RESUMEN: La educación ambiental es un campo fundamental para el desarrollo de prácticas
pedagógicas críticas. En el contexto amazónico, la situación se torna aún más compleja y
urgente, especialmente a la luz de los impactos del cambio climático. Esta investigación
documental anali el Documento Curricular del municipio de Abaetetuba, referente a los
primeros años de educación primaria. Los resultados resaltan brechas importantes en relación
con el cambio climático y las comunidades tradicionales. Esta ausencia es preocupante porque
desconsidera la urgente necesidad de formar individuos críticos y activos frente a la crisis
climática que afecta particularmente a las comunidades tradicionales. La discusión sobre estas
comunidades se limita a competencias específicas, sin consolidar una perspectiva intercultural
y contextualizada que valore sus conocimientos y formas de vida. Con la creación del
componente curricular Educación Ambiental, Sostenibilidad y Clima, surgen desafíos
relacionados con la interdisciplinariedad, la escasez de materiales didácticos contextualizados
a la realidad amazónica y la formación docente.
PALABRAS CLAVE: Educación básica. Educación Ambiental. Currículo. Comunidades
tradicionales.
ABSTRACT: Environmental education is a key component in building critical pedagogical
practices. In the Amazonian context, it becomes even more complex and urgent, especially
facing the impact of climate change. This documentary research analyzed the official
Curriculum of the municipality of Abaetetuba, for the initial years of elementary education. The
results reveal significant gaps in relation to climate change and traditional communities. These
gaps are worrying, as they show lack of urgency in training critical, active individuals, facing
a climate crisis that affects, above all, traditional communities. The discussion about these
communities is restricted to specific skills, without consolidating an intercultural and
contextualized perspective that values their knowledge and way of life. The recent creation of
the curricular component Environmental Education, Sustainability and Climate creates
challenges related to interdisciplinarity, scarcity of didactic materials contextualized to the
Amazonian reality, and teacher training.
KEYWORDS: Basic education. Environmental Education. Curriculum. Traditional
communities.
Edma Maués Franco, Marilena Loureiro da Silva, Vilmar Alves Pereira, & Pedro Chaves Baía Júnior
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026036, 2026. e-ISSN: 1519-9029
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INTRODUÇÃO
No contexto atual, as mudanças climáticas constituem-se o mais grave problema
enfrentado pela humanidade, com impactos na saúde, emprego, produção de alimentos, acesso
aos recursos, habitação, migrações forçadas e, consequentemente, manutenção da qualidade de
vida (Saxena, 2025). Na região amazônica, eventos extremos associados aos efeitos das
mudanças climáticas são cada vez mais frequentes, com reflexos diretos e indiretos nas
comunidades locais, a exemplo dos ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares, cuja
subsistência baseia-se em sua maioria no extrativismo e em práticas agrícolas tradicionais
(Fearnside, 2009).
Isto é algo preocupante, pois as comunidades tradicionais desempenham um importante
papel no processo de preservação do ambiente e da biodiversidade, por força das suas práticas
tradicionais de gestão dos recursos naturais (Hudson & Vodden, 2020; Salick & Ross, 2009), o
que torna urgente a adoção de estratégias que contribuam para o enfrentamento das mudanças
climáticas, a exemplo da educação ambiental.
A educação ambiental tem um papel essencial diante da crise climática, pois é por meio
dela que os sujeitos desenvolvem a consciência crítica sobre sua responsabilidade individual e
coletiva nesse contexto. Nesse sentido, autores como Carniatto et al. (2025) defendem a
necessidade de construção de uma educação ambiental climática que, ao contribuir para a
formação de cidadãos mais críticos e preparados para o enfrentamento da atual crise ambiental,
“pode promover mudanças de hábitos, aumentar o engajamento social e apoiar a criação de
políticas públicas voltadas para a sustentabilidade” (p. 313).
A relevância da educação ambiental climática como estratégia para a construção de
comunidades mais resilientes e preparadas para enfrentar os desafios climáticos está
diretamente relacionada à forma como esses conhecimentos são organizados, sistematizados e
apropriados no contexto educacional. Nesse sentido, o currículo assume papel central, pois
organiza e seleciona os conhecimentos que a sociedade considera importantes em determinado
contexto histórico. Ao definir o que e como ensinar, ele expressa valores e necessidades
coletivas, caracterizando-se como uma construção social do conhecimento e orientando a forma
como esses saberes são transmitidos e assimilados na escola. Portanto, produção, transmissão
e assimilação constituem processos que compõem uma metodologia de construção coletiva do
conhecimento escolar, ou seja, o currículo propriamente dito (Veiga-Neto, 2002).
A organização curricular precisa considerar as especificidades territoriais e
socioculturais dos contextos em que se insere, especialmente em regiões como a Amazônia
Educação ambiental e mudanças climáticas: um estudo sobre o currículo do Ensino Fundamental no contexto amazônico de Abaetetuba,
Pará
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paraense, onde a diversidade sociocultural, a complexidade ambiental e os desafios territoriais
demandam abordagens educativas contextualizadas na perspectiva de amazonizar a educação
(Alves Pereira et al., 2024).
Contudo, observa-se na formulação das políticas de currículo educacional a persistência
de um universalismo epistemológico e eurocêntrico, que reduz a possibilidade do
reconhecimento dos sujeitos em sua diversidade sociocultural, de identidades plurais e
multifacetadas (Lopes, 2018), desconsiderando, por exemplo, a “heterogeneidade” da região
amazônica, a qual se expressa no cotidiano da vida, do trabalho e das relações sociais, culturais
e educacionais dos sujeitos que aqui habitam, e deve ser valorizada e incorporada nos processos
e espaços de elaboração e implementação de propostas educacionais para a região (Hage, 2005).
Deste modo, este artigo, resultado da dissertação de mestrado da primeira autora, tem o
objetivo de investigar como o currículo do ensino fundamental, anos iniciais, do município de
Abaetetuba incorpora a educação ambiental e as discussões sobre mudanças climáticas,
contribuindo para reflexões sobre práticas pedagógicas contextualizadas e alinhadas às
demandas reais das comunidades tradicionais no contexto amazônico.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Essa pesquisa adotou uma abordagem qualitativa (Moura et al., 2021) e utilizou-se do
método de Análise Documental (Lima-Júnior et al., 2021), o qual se constitui um importante
instrumento para compreender os aspectos históricos e sociais do fenômeno estudado (-Silva
et al., 2009). Para tanto, analisou-se as orientações relativas aos anos iniciais do ensino
fundamental dos seguintes instrumentos da rede pública municipal de educação de Abaetetuba:
i) Documento Curricular do município de Abaetetuba (DCMA): educação infantil e ensino
fundamental (anos iniciais) (Abaetetuba, 2019); e, ii) componente curricular Educação
Ambiental, Sustentabilidade e Clima (EASC) (Abaetetuba, 2025a), dos anos iniciais, finais e
Educação de Jovens e Adultos (EJA) do ensino fundamental.
O DCMA, formulado em atendimento à Base Nacional Comum Curricular (Brasil,
2017) e ao Documento Curricular do Estado do Pará (Pará, 2018), está estruturado em 13
seções: a) 1 a 7: apresentam as concepções, princípios e diretrizes norteadoras do processo de
ensino-aprendizagem; e, b) 8 a 13: definem os conteúdos e habilidades essenciais que devem
ser desenvolvidos com os estudantes em cada componente curricular (Abaetetuba, 2019).
Edma Maués Franco, Marilena Loureiro da Silva, Vilmar Alves Pereira, & Pedro Chaves Baía Júnior
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O componente curricular EASC foi inserido na matriz da rede municipal de ensino de
Abaetetuba, como parte diversificada, no ano de 2025, por meio da Resolução n. 3/2025, do
Conselho Municipal de Educação (Abaetetuba, 2025b), em substituição ao componente
Aspecto da Vida Cidadã. Essa mudança está ligada à adesão do município à Política de
Educação Formal para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima, criada pelo estado do Pará,
a partir da Lei Estadual n. 9.981/2023 (Pará, 2023). A matriz do ensino fundamental, anos
iniciais, apresenta, para cada bimestre, quatro unidades temáticas (Planeta Terra: conhecendo a
nossa casa; Água e saneamento; Biodiversidade; Mudanças Climáticas), os objetos de
conhecimento e as habilidades a serem desenvolvidas.
A análise documental do DCMA e do componente curricular EASC ocorreu a partir das
seguintes etapas:
a) Leitura, seleção e interpretação de trechos das seções de 1 a 7 do DCMA, para identificar
as concepções, princípios e diretrizes que possuem relação com os pressupostos teóricos
metodológicos da educação ambiental e unidades temáticas Mudanças Climáticas e
Comunidades Tradicionais;
b) Análise dos componentes curriculares do DCMA (seções 8 a 13) e do componente
curricular EASC, com ênfase em suas habilidades para a unidade temática Mudanças
Climáticas, buscando verificar “se” e “de que modo” este documento aborda a educação
ambiental, em articulação com as mudanças climáticas e com os povos e comunidades
tradicionais, bem como identificar eventuais lacunas ou fragilidades na abordagem
dessas temáticas. Para tanto, realizou-se a busca de palavras-chave (“educação
ambiental”, “mudanças climáticas” e “comunidades tradicionais”, bem como expressões
correlatas, como “eventos climáticos extremos” e “conhecimento local”) com o apoio
da ferramenta de localização de texto, visando verificar o número de menções no
documento e extrair excertos para análise. Em seguida, procedeu-se à análise dos
contextos em que os termos apareceram, a fim de compreender as abordagens atribuídas
a essas temáticas no interior do documento.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise das seções de 1 a 7 do DCMA (Abaetetuba, 2019) identificou elementos
importantes relacionados aos pressupostos teórico-metodológicos da educação ambiental e das
Educação ambiental e mudanças climáticas: um estudo sobre o currículo do Ensino Fundamental no contexto amazônico de Abaetetuba,
Pará
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unidades temáticas Mudanças Climáticas e Comunidades Tradicionais, apresentados a partir
das seguintes categorias: i) Concepção de Currículo; ii) Educação para a Sustentabilidade
Ambiental, Social e Econômica; e, iii) Dimensões Territoriais e Saberes Tradicionais
Quilombolas.
Concepção de currículo
A concepção de currículo do DCMA se enquadra em uma “perspectiva crítica”, segundo
a qual o currículo deve “nortear as práticas pedagógicas a serem desenvolvidas no interior das
escolas municipais” (Abaetetuba, 2019, p. 9). Contudo, identificou-se ainda a presença da: i)
teoria crítica do currículo, apoiada em autores como Apple (1996), Freire (1996), Libâneo
(1998), Sacristán e Gómez (1998) e Veiga-Neto (2002), que entendem o currículo como prática
social e política voltada para a democratização do conhecimento e a formação de sujeitos
críticos capazes de transformar a realidade, onde a escola não apenas transmite saberes, mas os
problematiza em relação às desigualdades e às relações de poder; e, ii) abordagem pós-crítica,
apoiada em autores como Moreira (1998) e Moreira e Silva (2009), os quais compreendem o
currículo como construção cultural marcada por disputas de significado, enfatizando temas
como identidade, diferença, gênero, etnia e multiculturalismo crítico.
O uso simultâneo das teorias críticas e pós-críticas produz contradições conceituais e
metodológicas, já que partem de fundamentos distintos. Além disso, sem uma reflexão teórica
consistente, essa prática resulta em propostas fragmentadas ou incoerentes, que ora tratam o
currículo como instrumento político de conscientização social, ora como espaço de construção
simbólica de identidades, sem articular claramente essas dimensões. Dessa forma, o risco é a
perda de profundidade analítica e de clareza nos objetivos formativos, enfraquecendo a potência
transformadora que cada teoria, em seu próprio campo, poderia oferecer.
Além disso, o DCMA concebe o currículo como um processo de construção coletiva, o
que encontra respaldo em autores como Freire (1996) e Sacristán (2000). Neste sentido, destaca
a importância de elaborar uma proposta curricular de forma coletiva, defende que mais que
orientar práticas escolares, o currículo deve emergir das realidades das comunidades,
valorizando seus conhecimentos, suas formas de ensinar e aprender, e seus modos de
compreender o mundo, a saber:
O currículo deve primar pela organização e construção de um trabalho coletivo, onde todos os
envolvidos no espaço escolar, na gestão de ensino, educadores, estudiosos, possam construir um
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documento de forma ética e democrática, oportunizando saberes significativos na ampliação e
na concretização de conhecimentos construtivos, contribuindo assim, para uma aprendizagem
crítica, criativa, ativa, politizada e inclusiva, respeitando e valorizando as peculiaridades, a
cultura regional, local e da comunidade onde o estudante está inserido, com ações que
possibilitem que o aluno seja parte integrante e participante do processo educacional.
(Abaetetuba, 2019, p. 19)
Educação para sustentabilidade ambiental, social e econômica
O DCMA evidencia que a escola deve proporcionar espaços para abordar, com seus
estudantes, a realidade socioambiental, evidenciando:
Os descasos, os crimes, a degradação, o desrespeito com o meio ambiente nos âmbitos nacional,
regional, municipal e local (cidade, campo-estradas/ramais-ilhas), os conflitos e as
consequências das realidades vivenciadas pelo uso inadequado dos recursos naturais, bem como
a introdução de indústrias e seus impactos na vida social, econômica e cultural dessas
comunidades/vilas, e por fim juntos criar estratégias de melhoria na qualidade de vida destas
populações. (Abaetetuba, 2019, p. 25)
Além disso, enfatiza a necessidade de as escolas garantirem um espaço para estudos
sobre o desenvolvimento da sustentabilidade, considerando a necessidade de o “estudante
conhecer, discutir e se reeducar e, consequentemente, a família e a comunidade escolar e do
entorno, sobre o contexto social do bairro, da comunidade, da vila e o que cada território precisa
ou está fazendo de diferente” (Abaetetuba, 2019, p. 26). Isso tudo alicerçado no tripé: i)
Ambiental: refere-se aos recursos naturais do planeta e à forma como são utilizados pela
sociedade, comunidades ou empresas; ii) Social: discute as relações do sujeito e suas condições
de vida, no que compete à educação, saúde, violência, lazer, dentre outros aspectos; e, iii)
Econômico: relacionado com a produção, distribuição e consumo de bens e serviços; a
economia deve considerar a questão social e ambiental.
Entretanto, observa-se que essa abordagem se limita à transmissão de informações, sem
alcançar a profundidade necessária para a construção de uma consciência crítica, que
problematize os conflitos socioambientais, resultantes da exploração desenfreada dos recursos
naturais e das desigualdades territoriais (Costa & Loureiro, 2024; Tozoni-Reis, 2006).
Considera-se que apesar de haver no documento trechos que elucidam o respeito ao
meio ambiente, falta caracterizar assuntos relacionados as mudanças climáticas, pois não prevê
Educação ambiental e mudanças climáticas: um estudo sobre o currículo do Ensino Fundamental no contexto amazônico de Abaetetuba,
Pará
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a criação de espaços de reflexão e/ou de formação sobre a temática, construindo capacidades,
atitudes sociais e individuais para fomentar a mitigação e a adaptação aos seus efeitos. Nesse
sentido, corrobora-se a afirmação de Monroe et al. (2017), segundo a qual uma educação eficaz
sobre as mudanças climáticas deve integrar abordagens pedagógicas ativas e participativas,
centradas em temas significativos e relevantes para os estudantes. Além disso, deve estimular
o envolvimento em discussões deliberativas, desconstruir concepções equivocadas sobre o tema
e incentivar a participação em projetos escolares ou comunitários. Nesse sentido, torna-se
fundamental ampliar o debate sobre as mudanças climáticas no contexto escolar, articulando-o
com os conteúdos curriculares.
Dimensões territoriais e saberes tradicionais quilombolas
Nessa categoria, o DCMA destaca os territórios quilombolas de Abaetetuba:
esses territórios são marcados pelas simbologias, mitos e rituais associados aos bens naturais,
rituais religiosos afro-brasileiros e africanos. Esses territórios têm representação do imaginário
mitológico, o conhecimento aprofundado da natureza e de seus ciclos que se refletem na
elaboração de estratégias de uso de manejo dos recursos naturais e pelo reconhecimento do
território como propriedade coletiva. (Abaetetuba, 2019, p. 75)
Para tanto, o documento enfatiza que as comunidades quilombolas possuem “uma
íntima relação com a natureza, e sua forma de vida e cultura que estão diretamente relacionadas
a ela”, desenvolvendo em seus territórios práticas sustentáveis baseadas na agricultura familiar,
na qual o trabalho é realizado de forma coletiva entre pais, filhos e parentes próximos,
fundamentados em saberes tradicionais e empíricos, especialmente no campo da agroecologia
“como os tipos de vegetais, modos de plantar, conhecimento de safra dos frutos, medidas usadas
para medir a quantidades de produtos e sabem definir o estado da lua para o plantio
(Abaetetuba, 2019, p. 77). O documento destaca, ainda, como fundamental a adoção de práticas
que possibilitem “respeitar e priorizar a tradição e saberes locais destes grupos, pois “são
saberes desenvolvidos na prática cotidiana de resistência e manutenção e reprodução de seus
modos de vida característicos, que refletem suas identidades” (Abaetetuba, 2019, p. 78).
Partindo dessa análise e por saber que, por meio de sua histórica e estreita relação com
o meio ambiente, as comunidades tradicionais desenvolveram, ao longo de gerações, um
conjunto de conhecimentos e práticas voltadas para o uso e manejo de recursos naturais que
Edma Maués Franco, Marilena Loureiro da Silva, Vilmar Alves Pereira, & Pedro Chaves Baía Júnior
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também as permite identificar os efeitos das mudanças climáticas, o DCMA deve buscar essa
relação ao propor um currículo que valorize os saberes tradicionais. Pois uma das formas de
compreender os efeitos das mudanças climáticas nas comunidades tradicionais é por meio dos
saberes tradicionais, cujo potencial para o entendimento das mudanças climáticas e para o
desenvolvimento de estratégias adaptativas tem sido cada vez mais reconhecido (Brook &
McLachlan, 2008; Joa et al., 2018). No entanto, a incorporação desses conhecimentos nas
discussões curriculares enfrenta uma série de desafios, como a falta de reconhecimento e
valorização desses saberes, a dificuldade de integração com o currículo e a própria
heterogeneidade e diversidade desses conhecimentos tradicionais (Pereira & Diegues, 2010).
Destaca-se que a educação em comunidades quilombolas não se limita à inserção
pontual de conteúdos, mas propõe a construção de um currículo entendido como documento de
identidade. Isso implica reconhecer dimensões fundamentais, étnico-raciais, políticas,
históricas e geográficas (Pinar et al., 1995) como eixos estruturantes de propostas curriculares
que dialoguem com a realidade dessas comunidades. No entanto, ao analisar o DCMA, observa-
se que tais perspectivas aparecem de forma tímida e fragmentada. Essa ausência revela que
enquanto se demanda um currículo que seja espaço de resistência, de afirmação de memórias e
territorialidades, o DCMA tende a reproduzir uma matriz curricular, que pouco reconhece as
especificidades quilombolas e amazônicas.
Habilidades dos componentes curriculares do DCMA
O Quadro 1 apresenta a frequência e contexto de citação nas habilidades do DCMA dos
termos “educação ambiental”, “mudanças climáticas” e “comunidades tradicionais”, bem como
expressões correlatas, como “eventos climáticos extremos” e “conhecimento local”,
evidenciando uma baixa recorrência de temáticas centrais para o debate sobre educação
ambiental e mudanças climáticas no contexto de comunidades tradicionais.
A ausência de menção aos termos “mudanças climáticas” e “eventos climáticos
extremos” revela um silenciamento diante de uma temática urgente e central para a formação
crítica dos sujeitos, indo na contramão dos debates socioambientais atuais e da construção de
uma educação voltada à sustentabilidade e à justiça climática (Kapranov, 2024), especialmente
na Amazônia, onde os eventos extremos associados aos efeitos das mudanças climáticas já são
cada vez mais frequentes, com reflexos diretos e indiretos nas atividades de subsistência locais,
sobretudo de populações altamente vulneráveis, a exemplo das comunidades tradicionais, cuja
Educação ambiental e mudanças climáticas: um estudo sobre o currículo do Ensino Fundamental no contexto amazônico de Abaetetuba,
Pará
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subsistência baseia-se, em sua maioria, no extrativismo e em práticas agrícolas tradicionais
(Santos et al., 2023).
O termo “comunidades tradicionais aparece no documento em duas referências no
componente curricular de Geografia (Abaetetuba, 2019), indicando que as habilidades
propostas no currículo estudado não consideram saberes, modos de vida, valores culturais e as
problemáticas enfrentadas pelas comunidades tradicionais. Com isso, o documento acaba
contrariando os próprios princípios que declara valorizar, como a inclusão, a diversidade e o
respeito às identidades culturais amazônicas.
Quadro 1
Frequência e contexto de citação dos termos de busca no DCMA
Nº de
citações
Componente Curricular
Habilidades
0
-
-
2
4º Ano/2º Bimestre. Área do
Conhecimento: Ensino
religioso. Componente
Curricular: Ensino religioso
(EF04ERAB) Entender que a
religiosidade estabelece educação
de todas as formas, inclusive a
educação ambiental.
5º Ano/2ª Bimestre. Área do
Conhecimento: Ensino
religioso. Componente
Curricular: Ensino religioso
(EF04ERAB) Entender que a
religiosidade estabelece educação
de todas as formas, inclusive a
educação ambiental.
2
1º Ano/4º Bimestre. Área do
Conhecimento: Ciências
Humanas. Componente
Curricular: Geografia.
(EF03GE03) Reconhecer os
diferentes modos de vida de
povos e comunidades tradicionais
em distintos lugares.
3º Ano/1º Bimestre. Área do
Conhecimento: Ciências
Humanas. Componente
Curricular: Geografia
(EF03GE03) Reconhecer os
diferentes modos de vida de
povos e comunidades tradicionais
em distintos lugares.
0
-
-
0
-
-
Nota. Elaboração própria a partir de dados de Abaetetuba (2019).
Embora a inclusão dessa habilidade seja um indicativo positivo quanto à tentativa de
valorização da diversidade sociocultural, a recorrência restrita (apenas duas menções em anos
e bimestres específicos) sinaliza que tal reconhecimento não se configura como eixo
estruturante do currículo, mas sim como um tópico pontual. Estudos como os de Furtado e
Carmo (2020) e Santos e Andrade (2020) apontam que o currículo escolar frequentemente se
distancia das práticas, saberes e realidades vividas em contextos amazônicos, especialmente em
comunidades ribeirinhas e quilombolas, onde os currículos nacionais e locais pouco dialogam
com as culturas e modos de vida tradicionais desses territórios.
Edma Maués Franco, Marilena Loureiro da Silva, Vilmar Alves Pereira, & Pedro Chaves Baía Júnior
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Assim, entende-se que a superficialidade evidenciada às comunidades tradicionais nas
habilidades propostas no DCMA aponta para a necessidade de uma revisão curricular que
promova a centralidade desses sujeitos e de seus conhecimentos nos processos educativos.
Como defendem autores como Arroyo (2017) e Hage (2005), o currículo precisa reconhecer os
sujeitos históricos que habitam os territórios educacionais e incorporar seus saberes e práticas
como elementos constitutivos do processo formativo.
O termo “educação ambiental” aparece exclusivamente nas habilidades do componente
curricular de Ensino Religioso, nos e anos. A habilidade, presente em ambos os anos,
propõe compreender que a religiosidade pode estabelecer relações educativas em diferentes
dimensões, inclusive com a educação ambiental. Uma abordagem limitada, pois restringe a
discussão ambiental a um campo simbólico e subjetivo, sem aprofundar as dimensões
científicas, políticas e sociais que a envolvem, revelando uma lacuna na interdisciplinariedade
esperada para a educação ambiental, que deveria perpassar diversas áreas do conhecimento de
forma mais integrada e crítica, conforme orientações das diretrizes curriculares nacionais e dos
documentos internacionais sobre educação para a sustentabilidade (Brasil, 2012).
Neste sentido, a educação ambiental assume um papel fundamental na sensibilização da
sociedade e na promoção de ações voltadas à adaptação e à mitigação dos efeitos das mudanças
climáticas, não apenas na preservação dos ecossistemas e na proteção da população em geral,
mas sobretudo na defesa dos grupos em situação de vulnerabilidade social, que são os mais
impactados por essas transformações (Carniatto et al., 2025).
O componente curricular EASC
A inserção do componente curricular EASC no currículo das escolas municipais de
Abaetetuba representa um importante avanço, pois reconhece sua capacidade de promover
conscientização e estimular ações. Contudo, tanto do ponto vista legal (Brasil, 1999) quanto
teórico-metodológico (Morin, 2015; Veiga-Neto, 2008), a educação ambiental é concebida
como uma prática integrada, contínua e permanente, que deve estar presente em todos os níveis
e modalidades do ensino formal, sem, contudo, ser implementada como disciplina específica
no currículo.
Para Morin (2015), uma abordagem sistemática e progressiva da educação ambiental
possibilita a formação de uma sociedade consciente, engajada e apta a enfrentar os desafios
socioambientais. Ressalta-se que a transversalidade, nesse contexto, não significa ausência de
organização, mas a possibilidade de articular saberes e práticas em diferentes áreas do
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conhecimento, como observa Veiga-Neto (2008). Essa perspectiva exige uma reorganização do
currículo para compreender a educação ambiental não como um conteúdo marginal, mas como
eixo central para a construção de uma educação comprometida com a sustentabilidade crítica.
Destaca-se neste componente curricular a unidade temática Mudanças Climáticas
(Quadro 2), por compreender que a educação sobre esse tema representa uma inovação no
contexto educacional. Ao abordar, de forma mais direta, as causas, consequências e dimensões
sociais da crise climática, incentiva a reflexão sobre os modos de produção e consumo que
intensificam os desequilíbrios ecológicos. Ao propor habilidades voltadas à compreensão dos
impactos locais e à promoção de ações mitigadoras e adaptativas, as habilidades traduzem um
esforço para integrar a educação ambiental climática ao cotidiano escolar.
Quadro 2
Habilidades requeridas para a unidade temática Mudanças Climáticas
Ano
Habilidades
ano
(EF01EASC10): Conhecer o conceito de Mudanças Climáticas com o suporte de vídeos educativos,
roda de diálogos, dinâmicas, jogos, entre outros; (EF01EASC12): Identificar impactos causados pelas
mudanças climáticas no município em que vive utilizando imagens, desenhos, relatos de moradores de
áreas atingidas, rodas de diálogo, recorte e colagem, entre outros.
ano
(EF02EASC10): Conhecer o conceito de Mudanças Climáticas e as ações do ser humano que estão
diretamente relacionadas às mesmas, por meio de brincadeiras, dinâmicas, jogos, vídeos e rodas de
diálogo; (EF02EASC11): Compreender os impactos na água, no ar e no solo gerados pelas mudanças
climáticas, na vida da população da cidade e do campo; por meio de imagens, colagem, relatos dos pais
e aula passeio.
ano
(EF03EASC10): Identificar os impactos das mudanças climáticas que atingem as populações da
Amazônia brasileira, nos âmbitos da saúde e habitação; por meio de fotografias, mapas, documentários
e rodas de diálogos com moradores; (EF03EASC11): Reconhecer os principais agentes causadores
das mudanças climáticas que provocam a queima excessiva de combustíveis fósseis, desperdício de
água, desmatamento e poluições, utilizando imagens, vídeos/e ou documentários, curta metragem,
escuta de representantes de movimentos sociais/ambientais, entre outros; (EF03EASC12): Conhecer
as energias renováveis utilizadas no passado e presente pelos seres humanos com subsídios de aulas
passeios, momentos de escuta com anciões da comunidade ou bairro e pesquisa em bibliotecas ou
internet.
ano
(EF04EASC12): Socializar experiências de práticas sustentáveis desenvolvidas no município, por
meio de diálogos com os guardiões da natureza, exposições artísticas e culturais e relatos de
experiências com artesões de miriti e de biojoias, fazedeiras de cuia, entre outros; (EF04EASC11)
Compreender as alterações no ritmo da natureza como consequência das mudanças climáticas globais;
realizando visitas em espaços que sofreram impactos ambientais.
ano
(EF05EASC10) Reconhecer e nomear os principais impactos das mudanças climáticas na segurança
alimentar das populações amazônicas brasileira, mediante reflexões, debates, textos, imagens e
reportagens; (EF05EASC11) Identificar e discutir sobre os impactos na natureza provocados pela
produção de alimentos em larga escala com aporte de documentários, pesquisa em livros e/ou sites,
entre outros.
Nota. Elaboração própria a partir de Abaetetuba (2025a).
Entre as habilidades previstas na unidade temática Mudanças Climáticas, destacam-se:
i) a utilização de momentos de escuta com anciões da comunidade ou bairro; ii) a escuta de
representantes de movimentos sociais/ambientais; e iii) rodas de diálogos com moradores e
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relatos de moradores de áreas atingidas. Essa abordagem possibilita reunir informações que
estabelecem pontes entre o conhecimento científico e o conhecimento local, favorecendo a
produção de novos entendimentos.
Outro ponto a se destacar é o reconhecimento da necessidade de tratar as mudanças
climáticas não apenas como fenômeno científico, mas também como uma questão social, ética
e política, cujas causas e consequências afetam desigualmente diferentes populações e
territórios. Nesse sentido, a abordagem educativa das mudanças climáticas deve ir além da
transmissão de informações, promovendo uma formação crítica, participativa e comprometida
com a transformação das práticas sociais que intensificam a crise ambiental, de modo estimular
o protagonismo dos estudantes frente às crises ambientais, transformando a escola em um
espaço de resistência, conscientização e construção de soluções coletivas (Costa & Loureiro,
2024; Souza & Andrade, 2026)
Portanto, discutir as mudanças climáticas no âmbito escolar exige reconhecer que a
formação das crianças nos anos iniciais do ensino fundamental constitui uma etapa decisiva
para a construção de valores, atitudes e percepções ambientais. Assim, ao inserir a essa temática
nesse nível de ensino, abre-se a possibilidade de desenvolver uma consciência crítica desde
cedo, favorecendo práticas pedagógicas que dialoguem tanto com o conhecimento científico
quanto com os saberes locais das comunidades em que a escola está inserida.
Tal processo ocorre por meio da articulação entre ciência e saberes tradicionais,
valorizando o repertório que os estudantes já trazem consigo para, em conjunto, construir
aprendizagens voltadas à sustentabilidade do ambiente local. Nessa perspectiva, ainda que os
saberes populares muitas vezes não recebam validação científica e, por isso, sejam
marginalizados pela academia, eles podem ser considerados fontes legítimas de conhecimento,
capazes de dialogar de forma complementar com o saber escolar quando mediados pelo
conhecimento científico (Chassot, 2006).
Os saberes locais das comunidades tradicionais são recursos educativos potencialmente
afirmativos não apenas de um território histórico, social e culturalmente próprio, como também
de um território educativo que valoriza o conhecimento tradicional. Reconhecer e valorizar os
conhecimentos culturais trazidos pelos estudantes para a sala de aula cria condições concretas
para a apropriação do saber escolar, ao possibilitar conexões significativas com os conteúdos
trabalhados (Xavier & Flor, 2015). Assim, o espaço escolar se torna privilegiado para a troca
de experiências e saberes, favorecendo a formação de atitudes cidadãs e responsáveis em
relação às questões ambientais.
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A inserção de práticas de educação ambiental no território em que a escola está situada
é um aspecto central para a construção de abordagens transformadoras, pois permite que o
processo educativo se fundamente nas realidades locais, valorizando a cultura, a economia e os
saberes tradicionais locais (Sauvé, 1996). Ao partir do espaço vivido pelos estudantes, a
investigação dos problemas ambientais torna-se mais significativa e engajadora. No Brasil, essa
perspectiva tem se evidenciado em experiências desenvolvidas junto a povos tradicionais e
comunidades ribeirinhas, conforme apontam os estudos de Silva (2020) na Amazônia.
A inclusão do componente curricular EASC no âmbito da rede municipal de Abaetetuba
revela um esforço de articular dimensões sociais, ambientais e climáticas em diálogo com a
realidade amazônica. Esse componente busca discutir problemas socioambientais, como a
perda da biodiversidade, as mudanças climáticas e os desafios da sustentabilidade (Abaetetuba,
2024). No entanto, além da necessidade de incorporar a educação ambiental climática ao
currículo formal do ensino fundamental, é essencial que ocorram investimentos financeiros no
processo de elaboração de materiais didáticos sobre o tema e na formação de professores,
considerando que tais investimentos devem ser contínuos para propiciar o desenvolvimento
educacional do país.
Sendo assim, torna-se pertinente questionar se esse componente curricular, tal como
previsto na matriz, rompe com a lógica disciplinar fragmentada ou se corre o risco de
permanecer apenas no plano normativo. Como apontam autores críticos do currículo (Apple,
1996; Moreira & Silva, 2009; Sacristán, 2000), a mera inclusão de temas não garante sua
efetivação, sendo necessário um processo formativo que permita aos professores
compreenderem a complexidade socioambiental e climática a partir de uma abordagem
contextualizada e dialógica.
O debate acerca das mudanças climáticas assume grande importância no contexto
contemporâneo, em razão de seu caráter preocupante e, em muitos aspectos, irreversível. Nesse
cenário, a educação apresenta-se como um recurso fundamental para promover a compreensão
e a conscientização dos estudantes sobre a crise climática, incentivando uma participação crítica
e responsável. Moreira e Silva (2009) destacam que, ao organizar um currículo que se pretenda
efetivo no processo de ensino e aprendizagem, é indispensável considerar determinados fatores.
Afinal, não teria sentido selecionar conteúdo sem levar em conta os sujeitos aos quais se
destinam, o estágio do conhecimento científico e a realidade em que estão inseridos.
Afinal, como enfatizam Fuertes et al. (2020), a educação ambiental climática guia a
criação de diferentes estratégias de ensino que visam desenvolver a compreensão, a consciência
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e as habilidades necessárias para o enfrentamento local e global das mudanças climáticas.
Assim, articular as mudanças climáticas ao currículo requer uma abordagem que além da
simples inserção temática, envolvendo a integração de conceitos, atitudes, valores e habilidades
que promovam uma compreensão crítica das relações entre sociedade e meio ambiente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise do DCMA evidencia lacunas significativas na abordagem das mudanças
climáticas e na valorização das comunidades tradicionais. A ausência explícita da temática
climática compromete a formação de sujeitos críticos diante da crise socioambiental, enquanto
a inserção superficial das comunidades tradicionais no currículo limita a valorização de seus
saberes e modos de vida, fundamentais para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Embora o DCMA reconheça a importância de um currículo contextualizado e da
educação ambiental, observa-se que sua implementação enfrenta desafios, como a
fragmentação do conhecimento e a dificuldade de consolidação de uma abordagem
interdisciplinar e transversal. Ademais, os conteúdos relacionados à educação ambiental e
climática não são tratados de forma complementar e estão pouco articulados às vivências
comunitárias.
A inserção do componente curricular EASC no currículo das escolas municipais de
Abaetetuba representou um importante avanço, ao passo que evidenciou o papel da educação
ambiental na promoção da conscientização e no estímulo a ações voltadas a solução da crise
climática e ambiental. Mas entende-se que o caráter disciplinar em que foi organizada deve
reduzir a possibilidade do desenvolvimento de práticas integradas, contínuas e permanentes no
ambiente escolar, entre os diferentes componentes curriculares.
Esse aspecto se configura como um dos principais desafios para a consolidação de uma
abordagem transversal que seja realmente significativa para os estudantes. Assim, a mera
inclusão de temas não garante sua efetivação, sendo necessário um processo formativo que
possibilite aos professores compreenderem a complexidade socioambiental e climática por
meio de uma abordagem contextualizada e dialógica.
Ao relacionar a unidade temática Mudanças Climáticas com a realidade amazônica,
torna-se imprescindível reconhecer que seus impactos não se manifestam de forma homogênea,
mas afetam de maneira mais intensa as populações tradicionais, que dependem diretamente dos
recursos naturais para sua sobrevivência. Nesse contexto, a efetivação da educação ambiental
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climática no currículo exige a valorização dos saberes, práticas, valores éticos e estratégias
históricas de convivência com o meio ambiente dessas comunidades, fundamentais para a
formação de sujeitos críticos, responsáveis e conscientes de sua inserção socioambiental.
Contudo, apesar do reconhecimento da relevância da temática, observa-se a ausência de
estratégias claras e efetivas para sua implementação nas escolas, evidenciando a necessidade
de políticas curriculares mais integradas, contextualizadas e comprometidas com a realidade
dos territórios amazônicos.
Por fim, as limitações neste estudo, como a inexistência de entrevistas com professores
e alunos, apontam para a necessidade de investigações futuras de caráter qualitativo, que
possibilitem a observação participante e a valorização de relatos de experiências como forma
de aprofundar as análises. Além disso, a necessidade de ampliar a análise incorporando
outros componentes curriculares e etapas de ensino que também dialoguem com as questões
climáticas e ambientais.
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Programa de Pós-graduação em Cidades, Territórios, Identidades e
Educação (PPGCITE/UFPA).
Financiamento: O desenvolvimento da pesquisa não contou com fonte financiadora.
Conflitos de interesse: Os autores informam não haver conflito de interesses.
Aprovação ética: O trabalho respeitou a ética durante a pesquisa, sendo aprovado pelo
Comitê de Ética Institucional.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho estão
disponíveis para acesso público.
Contribuições dos autores: Primeira autora: conceitualização, coleta, análise de dados e
escrita. Segundo e terceiro autor: revisão e acompanhamentos nos ajustes finais. Quarto
autor: orientação, conceitualização, análise de dados, escrita e revisão.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026036, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.20960 1
ENVIRONMENTAL EDUCATION AND CLIMATE CHANGE: A STUDY OF THE
ELEMENTARY SCHOOL CURRICULUM IN THE AMAZONIAN CONTEXT OF
ABAETETUBA, PARÁ
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: UM ESTUDO SOBRE O
CURRICULO DO ENSINO FUNDAMENTAL NO CONTEXTO AMAZÔNICO DE
ABAETETUBA, PARÁ
EDUCACIÓN AMBIENTAL Y CAMBIO CLIMÁTICO: UN ESTUDIO SOBRE EL
CURRÍCULO DE LA ESCUELA PRIMARIA EN EL CONTEXTO AMAZÓNICO DE
ABAETETUBA, PARÁ
Edma Maués FRANCO
1
e-mail: edmaf[email protected]
Marilena Loureiro da SILVA
2
e-mail: mar[email protected]
Vilmar ALVES PEREIRA
3
e-mail: vilmar[email protected]
Pedro Chaves BAÍA JÚNIOR
4
e-mail: ped[email protected]
How to reference this paper:
Franco, E. M., Silva, M. L., Pereira, V. A., & Baía Júnior, P. C.
(2026). Environmental education and climate change: A study of
the elementary school curriculum in the Amazonian context of
Abaetetuba, Pará. Revista on line de Política e Gestão Educacional,
30, e026036. https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.20960.
| Submitted: 15/02/2026
| Revisions required: 10/03/2026
| Approved: 16/04/2026
| Published: 22/04/2026
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Pará (UFPA), Abaetetuba Pará (PA) Brazil. Master’s student in the Graduate Program
in Cities, Territories, Identities, and Education (PPGCITE).
2
Federal University of Pará (UFPA), Belém Pará (PA) Brazil. Professor in the Graduate Program in Sustainable
Development of the Humid Tropics (PPGDSTU) at the Center for Advanced Amazonian Studies (NAEA/UFPA).
3
Mato Grosso State University (UNEMAT), Cárceres Mato Grosso (MT) Brazil. Visiting Professor in the
Graduate Program in Education (PPGEdu/UNEMAT). FAPEMAT/CNPq Productivity Fellowship recipient.
4
Federal Institute of Pará (IFPA), Abaetetuba Pará (PA) Brazil. Full Professor in the Graduate Program in
Cities, Territories, Identities, and Education (PPGCITE) at the Federal University of Pará (UFPA).
Environmental education and climate change: A study of the elementary school curriculum in the Amazonian context of Abaetetuba, Pará
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DOI: 10.22633/rpge.v30i00.20960 2
ABSTRACT: Environmental education is a key component in building critical pedagogical
practices. In the Amazonian context, it becomes even more complex and urgent, especially
facing the impact of climate change. This documentary research analyzed the official
Curriculum of the municipality of Abaetetuba, for the initial years of elementary education. The
results reveal significant gaps in relation to climate change and traditional communities. These
gaps are worrying, as they show lack of urgency in training critical, active individuals, facing a
climate crisis that affects, above all, traditional communities. The discussion about these
communities is restricted to specific skills, without consolidating an intercultural and
contextualized perspective that values their knowledge and way of life. The recent creation of
the curricular component Environmental Education, Sustainability and Climate creates
challenges related to interdisciplinarity, scarcity of didactic materials contextualized to the
Amazonian reality, and teacher training.
KEYWORDS: Basic education. Environmental Education. Curriculum. Traditional
communities.
RESUMO: A educação ambiental constitui-se um campo fundamental para a construção de
práticas pedagógicas críticas. No contexto amazônico, torna-se ainda mais complexa e
urgente, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas. Esta pesquisa, de caráter
documental, analisou o Documento Curricular do município de Abaetetuba, referente aos anos
iniciais do ensino fundamental. Os resultados evidenciam lacunas significativas em relação às
mudanças climáticas e às comunidades tradicionais. Essa ausência revela-se preocupante, pois
desconsidera a urgência da formação de sujeitos críticos e atuantes diante da crise climática
que afeta, sobretudo, as comunidades tradicionais. A discussão sobre estas comunidades está
restrita a habilidades específicas, sem consolidar uma perspectiva intercultural e
contextualizada que valorize seus saberes e modos de vida. Com a criação do componente
curricular Educação Ambiental, Sustentabilidade e Clima, emergem desafios relacionados à
interdisciplinaridade, à escassez de materiais didáticos contextualizados à realidade
amazônica e à formação docente.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Básica. Educação Ambiental. Currículo. Comunidades
tradicionais.
RESUMEN: La educación ambiental es un campo fundamental para el desarrollo de prácticas
pedagógicas críticas. En el contexto amazónico, la situación se torna aún más compleja y
urgente, especialmente a la luz de los impactos del cambio climático. Esta investigación
documental anali el Documento Curricular del municipio de Abaetetuba, referente a los
primeros años de educación primaria. Los resultados resaltan brechas importantes en relación
con el cambio climático y las comunidades tradicionales. Esta ausencia es preocupante porque
desconsidera la urgente necesidad de formar individuos críticos y activos frente a la crisis
climática que afecta particularmente a las comunidades tradicionales. La discusión sobre estas
comunidades se limita a competencias específicas, sin consolidar una perspectiva intercultural
y contextualizada que valore sus conocimientos y formas de vida. Con la creación del
componente curricular Educación Ambiental, Sostenibilidad y Clima, surgen desafíos
relacionados con la interdisciplinariedad, la escasez de materiales didácticos contextualizados
a la realidad amazónica y la formación docente.
PALABRAS CLAVE: Educación básica. Educación Ambiental. Currículo. Comunidades
tradicionales.
Edma Maués Franco, Marilena Loureiro da Silva, Vilmar Alves Pereira, & Pedro Chaves Baía Júnior
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INTRODUCTION
In the current context, climate change is the most serious problem facing humanity, with
impacts on health, employment, food production, access to resources, housing, forced
migration, and, consequently, the maintenance of quality of life (Saxena, 2025). In the Amazon
region, extreme events associated with the effects of climate change are already becoming
increasingly frequent, with direct and indirect repercussions on local communities, such as
riverine communities, quilombolas, and family farmers, whose livelihoods are based primarily
on extractive activities and traditional agricultural practices (Fearnside, 2009).
This is a cause for concern, as traditional communities play an important role in
preserving the environment and biodiversity through their traditional natural resource
management practices (Hudson & Vodden, 2020; Salick & Ross, 2009), making it urgent to
adopt strategies that help address climate change, such as environmental education.
Environmental education plays an essential role in addressing the climate crisis, as it is
through this education that individuals develop a critical awareness of their individual and
collective responsibility in this context. In this regard, authors such as Carniatto et al. (2025)
advocate for the need to develop climate-focused environmental education which, by
contributing to the formation of citizens who are more critical and better prepared to confront
the current environmental crisis, “can promote changes in habits, increase social engagement,
and support the creation of public policies aimed at sustainability” (p. 313).
The relevance of climate environmental education as a strategy for building more
resilient communities, that are better prepared to face climate challenges, is directly related to
how this knowledge is organized, systematized, and internalized within the educational context.
In this sense, the curriculum plays a central role, as it organizes and selects the knowledge that
society considers important within a given historical context. By defining what and how to
teach, it expresses collective values and needs, characterizing itself as a social construction of
knowledge and guiding the way in which this knowledge is transmitted and assimilated in
schools. Therefore, production, transmission, and assimilation constitute processes that make
up a methodology for the collective construction of school knowledge, that is, the curriculum
itself (Veiga-Neto, 2002).
Curriculum design must take into account the specific territorial and sociocultural
characteristics of the contexts in which it is implemented, especially in regions such as the
Amazon region of Pará, where sociocultural diversity, environmental complexity, and territorial
Environmental education and climate change: A study of the elementary school curriculum in the Amazonian context of Abaetetuba, Pará
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challenges call for educational approaches that are contextualized within the framework of
“Amazonizing” education (Alves Pereira et al., 2024).
However, the formulation of educational curriculum policies reveals the persistence of
an epistemological and Eurocentric universalism that limits the possibility of recognizing
individuals in their sociocultural diversity and their plural and multifaceted identities (Lopes,
2018), disregarding, for example, the “heterogeneity” of the Amazon region, which is expressed
in the daily lives, work, and social, cultural, and educational relationships of the people who
live here, and which must be valued and incorporated into the processes and spaces for the
development and implementation of educational proposals for the region (Hage, 2005).
Accordingly, this article, based on the first authors masters thesis, aims to investigate
how the elementary school curriculum in the early grades of the municipality of Abaetetuba
incorporates environmental education and discussions on climate change, thereby contributing
to reflections on pedagogical practices that are contextualized and aligned with the real needs
of traditional communities in the Amazonian context.
METHODOLOGICAL PROCEDURES
This study adopted a qualitative approach (Moura et al., 2021) and employed the
Document Analysis method (Lima-Júnior et al., 2021), which serves as an important tool for
understanding the historical and social aspects of the phenomenon under study (Sá-Silva et al.,
2009). To this end, we analyzed the guidelines pertaining to the early years of elementary school
from the following instruments of the Abaetetuba municipal public education system: i)
Abaetetuba Municipal Curriculum Document (DCMA): early childhood education and
elementary school (early years) (Abaetetuba, 2019); and, ii) the Environmental Education,
Sustainability, and Climate (EASC) (Abaetetuba, 2025a) curriculum component for the early
and final years of elementary school and Youth and Adult Education (EJA).
The DCMA, developed in accordance with the National Common Core Curriculum
(Brazil, 2017) and the Pará State Curriculum Document (Pará, 2018), is structured into 13
sections: a) 1–7: present the concepts, principles, and guidelines that guide the teaching-
learning process; and b) 8–13: define the essential content and skills that should be developed
with students in each curricular component (Abaetetuba, 2019).
The EASC curriculum component was incorporated into the Abaetetuba municipal
school system’s curriculum framework as a specialized component in 2025, pursuant to
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Resolution No. 3/2025 of the Municipal Board of Education (Abaetetuba, 2025b), replacing the
“Aspects of Civic Life” component. This change is linked to the municipality’s adoption of the
Formal Education Policy for the Environment, Sustainability, and Climate, created by the state
of Pará under State Law No. 9,981/2023 (Pará, 2023). The curriculum framework for
elementary school, early grades, presents, for each two-month term, four thematic units (Planet
Earth: getting to know our home; Water and sanitation; Biodiversity; Climate Change), the
subjects of study, and the skills to be developed.
The document analysis of the DCMA and the EASC curriculum component was
conducted in the following stages:
a) Reading, selecting, and interpreting excerpts from sections 1 through 7 of the DCMA to
identify the concepts, principles, and guidelines related to the theoretical and
methodological foundations of environmental education and the thematic units “Climate
Change” and “Traditional Communities.”
b) Analysis of the DCMA curriculum components (sections 8 through 13) and the EASC
curriculum component, with an emphasis on its skills for the thematic unit Climate
Change, seeking to verify “whether” and “howthis document addresses environmental
education in relation to climate change and traditional peoples and communities, as well
as to identify any gaps or weaknesses in the approach to these themes. To this end, a
keyword search was conducted (“environmental education,” “climate change,” and
“traditional communities,” as well as related expressions such as “extreme weather
events” and “local knowledge”) using a text search tool, with the aim of verifying the
number of mentions in the document and extracting excerpts for analysis. Next, the
contexts in which the terms appeared were analyzed to understand the approaches
attributed to these themes within the document.
RESULTS AND DISCUSSION
An analysis of sections 1 through 7 of the DCMA (Abaetetuba, 2019) identified key
elements related to the theoretical and methodological foundations of environmental education
and the thematic units “Climate Change” and “Traditional Communities,” presented under the
following categories: i) Curriculum Design; ii) Education for Environmental, Social, and
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Economic Sustainability; and, iii) Territorial Dimensions and Traditional Quilombola
Knowledge.
Curriculum design
The DCMAs approach to curriculum design is grounded in a “critical perspective,”
according to which the curriculum should “guide the pedagogical practices to be developed
within municipal schools” (Abaetetuba, 2019, p. 9). However, the presence of the following
was also identified: i) critical curriculum theory, supported by authors such as Apple (1996),
Freire (1996), Libâneo (1998), Sacristán and Gómez (1998), and Veiga-Neto (2002), who view
the curriculum as a social and political practice aimed at the democratization of knowledge and
the formation of critical subjects capable of transforming reality, where the school not only
transmits knowledge but also problematizes it in relation to inequalities and power relations;
and, ii) the post-critical approach, supported by authors such as Moreira (1998) and Moreira
and Silva (2009), who understand the curriculum as a cultural construction marked by disputes
over meaning, emphasizing themes such as identity, difference, gender, ethnicity, and critical
multiculturalism.
The simultaneous use of critical and post-critical theories gives rise to conceptual and
methodological contradictions, since they are based on different foundations. Furthermore,
without consistent theoretical reflection, this practice results in fragmented or incoherent
proposals that sometimes treat the curriculum as a political instrument for social awareness and
at other times as a space for the symbolic construction of identities, without clearly articulating
these dimensions. Thus, the risk is a loss of analytical depth and clarity in educational
objectives, weakening the transformative power that each theory, within its own field, could
offer.
Furthermore, the DCMA views the curriculum as a process of collective construction, a
perspective supported by authors such as Freire (1996) and Sacristán (2000). In this sense, it
highlights the importance of developing a curriculum proposal collectively, arguing that rather
than merely guiding school practices, the curriculum should emerge from the realities of
communities, valuing their knowledge, their ways of teaching and learning, and their ways of
understanding the world, namely:
The curriculum should prioritize the organization and development of a collective effort, in
which all those involved in the school environment, including school administrators, educators,
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and scholars, can collaboratively develop a document in an ethical and democratic manner,
fostering meaningful learning that expands and solidifies constructive knowledge. This
approach contributes to critical, creative, active, politically engaged, and inclusive learning,
while respecting and valuing the unique characteristics, the regional, local, and community
culture in which the student is embedded, through actions that enable the student to be an
integral and active participant in the educational process. (Abaetetuba, 2019, p. 19)
Education for environmental, social, and economic sustainability
The DCMA emphasizes that schools should provide opportunities to discuss socio-
environmental issues with their students, highlighting:
Neglect, crime, environmental degradation, and disregard for the environment at the national,
regional, municipal, and local levels (cities, rural areas–roads and side roads–islands), the
conflicts and consequences of the realities experienced due to the inappropriate use of natural
resources, as well as the introduction of industries and their impacts on the social, economic,
and cultural life of these communities/villages, and finally, working together to create strategies
to improve the quality of life of these populations. (Abaetetuba, 2019, p. 25)
Furthermore, it emphasizes the need for schools to provide a space for studies on the
development of sustainability, considering the need for “students to learn about, discuss, and
re-educate themselves and, consequently, their families, and the school and surrounding
communities, regarding the social context of the neighborhood, community, and village, and
what each area needs or is doing differently” (Abaetetuba, 2019, p. 26). All of this is grounded
in the following three pillars: i) Environmental: refers to the planet’s natural resources and how
they are used by society, communities, or companies; ii) Social: discusses the individual’s
relationships and living conditions, particularly regarding education, health, violence, leisure,
and other aspects; and, iii) Economic: related to the production, distribution, and consumption
of goods and services; the economy must take social and environmental issues into account.
However, it is observed that this approach is limited to the transmission of information,
without achieving the depth necessary to foster critical awareness that examines the socio-
environmental conflicts resulting from the unchecked exploitation of natural resources and
territorial inequalities (Costa & Loureiro, 2024; Tozoni-Reis, 2006).
It is considered that, although the document contains passages that highlight respect for
the environment, it fails to address issues related to climate change, as it does not provide for
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the creation of spaces for reflection and/or training on the subject, building capacities and
fostering social and individual attitudes to promote mitigation and adaptation to its effects. In
this regard, the assertion by Monroe et al. (2017) is corroborated, according to which effective
education on climate change must integrate active and participatory pedagogical approaches
centered on themes that are meaningful and relevant to students. Furthermore, it should
encourage engagement in deliberative discussions, deconstruct misconceptions about the topic,
and foster participation in school or community projects. In this regard, it is essential to broaden
the debate on climate change within the school context, linking it to the curriculum.
Territorial dimensions and traditional quilombola knowledge
In this category, the DCMA highlights the quilombo territories of Abaetetuba:
these territories are marked by the symbols, myths, and rituals associated with natural resources,
as well as Afro-Brazilian and African religious rituals. These territories embody the
mythological imaginary, a deep understanding of nature and its cycles, which are reflected in
the development of strategies for the use and management of natural resources and in the
recognition of the territory as collective property. (Abaetetuba, 2019, p. 75)
To this end, the document emphasizes that quilombola communities have “a close
relationship with nature, and a way of life and culture that are directly linked to it,” developing
sustainable practices within their territories based on family farming, in which work is carried
out collectively by parents, children, and close relatives, grounded in traditional and empirical
knowledge, especially in the field of agroecology “such as types of vegetables, planting
methods, knowledge of fruit harvests, measures used to gauge crop yields, and the ability to
determine the moon’s phase for planting” (Abaetetuba, 2019, p. 77). The document also
highlights as fundamental the adoption of practices that enable “respecting and prioritizing the
traditions and local knowledge” of these groups, since “this knowledge has been developed
through the daily practice of resistance and the maintenance and reproduction of their
characteristic ways of life, which reflect their identities” (Abaetetuba, 2019, p. 78).
Based on this analysis and recognizing that, through their long-standing and close
relationship with the environment, traditional communities have developed, over generations,
a body of knowledge and practices focused on the use and management of natural resources,
which also enables them to identify the effects of climate change, the DCMA should build on
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this relationship by proposing a curriculum that values traditional knowledge. For one of the
ways to understand the effects of climate change on traditional communities is through
traditional knowledge, whose potential for understanding climate change and for developing
adaptive strategies has been increasingly recognized (Brook & McLachlan, 2008; Joa et al.,
2018). However, incorporating this knowledge into curriculum discussions faces a series of
challenges, such as the lack of recognition and appreciation of this knowledge, the difficulty of
integrating it into the curriculum, and the very heterogeneity and diversity of this traditional
knowledge (Pereira & Diegues, 2010).
It is worth noting that education in quilombola communities is not limited to the
occasional inclusion of specific content, but rather aims to develop a curriculum understood as
a document of identity. This implies recognizing fundamental ethnic-racial, political, historical,
and geographical dimensions (Pinar et al., 1995) as the structural pillars of curricular proposals
that engage with the reality of these communities. However, upon analyzing the DCMA, it is
observed that such perspectives appear in a timid and fragmented manner. This absence reveals
that while there is a demand for a curriculum that serves as a space for resistance and the
affirmation of memories and territorialities, the DCMA tends to reproduce a curricular
framework that offers little recognition of the specificities of the quilombola and Amazonian
communities.
Skills covered by the DCMA curriculum components
Table 1 shows the frequency and citation context of the terms “environmental
education,” “climate change,” and “traditional communities,” as well as related expressions
such as “extreme weather events” and “local knowledge,” highlighting a low frequency of
themes central to the debate on environmental education and climate change in the context of
traditional communities.
The absence of any mention of the terms “climate change” and “extreme weather
events” reveals a silence surrounding an urgent and central issue for the critical development
of individuals, running counter to current socio-environmental debates and the development of
an education focused on sustainability and climate justice (Kapranov, 2024), especially in the
Amazon, where extreme events associated with the effects of climate change are already
becoming increasingly frequent, with direct and indirect impacts on local subsistence activities,
particularly among highly vulnerable populations, such as traditional communities, whose
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livelihoods are based, for the most part, on extractive activities and traditional agricultural
practices (Santos et al., 2023).
The term “traditional communities” appears twice in the document within the
Geography curriculum component (Abaetetuba, 2019), indicating that the skills proposed in the
curriculum under study do not take into account the knowledge, ways of life, cultural values,
and challenges faced by traditional communities. As a result, the document ends up
contradicting the very principles it claims to value, such as inclusion, diversity, and respect for
Amazonian cultural identities.
Table 1
Frequency and context of search term citations in the DCMA
Term
No. of
citations
Curricular Component
Skills
Climate change
0
-
-
Environmental education
2
4th Grade/2nd Bimester.
Subject Area: Religious
Education. Curriculum
Component: Religious
Education
(EF04ERAB) Understand that
religiosity shapes education in all
its forms, including
environmental education.
5th Grade/2nd Bimester.
Subject Area: Religious
Education. Curriculum
Component: Religious
Education
(EF04ERAB) Understand that
religiosity shapes education in all
its forms, including
environmental education.
Traditional communities
2
1st Grade/4th Bimester.
Subject Area: Social Studies.
Course Component:
Geography.
(EF03GE03) Recognize the
different ways of life of
traditional peoples and
communities in various places.
3rd Grade/1st Bimester.
Subject Area: Social Studies.
Course Component:
Geography
(EF03GE03) Recognize the
different ways of life of
traditional peoples and
communities in various places.
Local knowledge
0
-
-
Extreme weather events
0
-
-
Note. Prepared by the authors based on data from Abaetetuba (2019).
Although the inclusion of this skill is a positive sign of an effort to value sociocultural
diversity, its limited occurrence (only two mentions in specific years and semesters) indicates
that such recognition is not a core component of the curriculum, but rather a one-off topic.
Studies such as those by Furtado and Carmo (2020) and Santos and Andrade (2020) indicate
that the school curriculum often diverges from the practices, knowledge, and lived realities in
Amazonian contexts, especially in riverine and quilombola communities, where national and
local curricula engage little with the traditional cultures and ways of life of these territories.
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Thus, it is understood that the superficial treatment of traditional communities in the
skills outlined in the DCMA points to the need for a curriculum revision that places these
communities and their knowledge at the center of educational processes. As argued by authors
such as Arroyo (2017) and Hage (2005), the curriculum must recognize the historical subjects
inhabiting educational territories and incorporate their knowledge and practices as constitutive
elements of the educational process.
The term “environmental education” appears exclusively in the learning objectives of
the Religious Education curriculum component for 4th and 5th grades. This objective, present
in both grades, aims to help students understand that religiosity can foster educational
relationships across various dimensions, including environmental education. This is a limited
approach, as it restricts the environmental discussion to a symbolic and subjective realm,
without delving into the scientific, political, and social dimensions that surround it, revealing a
gap in the interdisciplinarity expected of environmental education, which should cut across
various areas of knowledge in a more integrated and critical manner, in accordance with the
guidelines of the national curriculum and international documents on education for
sustainability (Brasil, 2012).
In this regard, environmental education plays a fundamental role in raising public
awareness and promoting actions aimed at adapting to and mitigating the effects of climate
change—not only in preserving ecosystems and protecting the general population, but above
all in defending socially vulnerable groups, who are the most severely affected by these changes
(Carniatto et al., 2025).
The EASC curriculum component
The inclusion of the EASC curriculum component in the curriculum of Abaetetuba’s
municipal schools represents a significant step forward, as it recognizes its ability to raise
awareness and encourage action. However, from both a legal (Brazil, 1999) and a theoretical-
methodological (Morin, 2015; Veiga-Neto, 2008) perspective, environmental education is
conceived as an integrated, continuous, and permanent practice that should be present at all
levels and in all forms of formal education, without, however, being implemented as a specific
subject in the curriculum.
According to Morin (2015), a systematic and progressive approach to environmental
education enables the development of a society that is aware, engaged, and capable of
addressing socio-environmental challenges. It should be noted that transversality, in this
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context, does not imply a lack of organization, but rather the possibility of integrating
knowledge and practices across different fields of study, as observed by Veiga-Neto (2008).
This perspective requires a reorganization of the curriculum to view environmental education
not as a marginal subject, but as a central pillar for building an education system committed to
critical sustainability.
A key feature of this curriculum component is the thematic unit on Climate Change
(Table 2), as it recognizes that education on this topic represents an innovation in the
educational context. By addressing, in a more direct manner, the causes, consequences, and
social dimensions of the climate crisis, it encourages reflection on the modes of production and
consumption that intensify ecological imbalances. By proposing skills aimed at understanding
local impacts and promoting mitigation and adaptation actions, these skills reflect an effort to
integrate climate environmental education into everyday school life.
Table 2
Skills required for the Climate Change thematic unit
Grade
Skills
1st
grade
(EF01EASC10): Learn about the concept of climate change through educational videos, discussion
groups, group activities, games, and other activities; (EF01EASC12): Identify the impacts of climate
change in the municipality where you live using images, drawings, accounts from residents of affected
areas, discussion groups, cut-and-paste projects, and other methods.
2nd
grade
(EF02EASC10): To learn about the concept of climate change and the human activities directly linked
to it, through games, group activities, videos, and discussion circles; (EF02EASC11): Understand the
impacts of climate change on water, air, and soil, as well as on the lives of people in urban and rural
areas, through images, collages, parents’ accounts, and field trips.
3rd
grade
(EF03EASC10): To identify the impacts of climate change on communities in the Brazilian Amazon,
particularly in the areas of health and housing, through photographs, maps, documentaries, and
community discussions with residents; (EF03EASC11): Identify the main drivers of climate change
such as the excessive burning of fossil fuels, water waste, deforestation, and pollution using
images, videos, documentaries, short films, and interviews with representatives of social and
environmental movements, among other resources; (EF03EASC12): Learn about the renewable
energy sources used by humans in the past and present through classroom lessons, field trips,
conversations with elders in the community or neighborhood, and research in libraries or online.
4th
grade
(EF04EASC12): Share experiences of sustainable practices developed in the municipality through
dialogues with nature conservationists, artistic and cultural exhibitions, and accounts of experiences
with miriti and bio-jewelry artisans, gourd craftspeople, and others; (EF04EASC11) Understanding
changes in the rhythms of nature as a result of global climate change; visiting sites that have been
affected by environmental impacts.
5th
grade
(EF05EASC10) To identify and describe the main impacts of climate change on food security among
the Amazonian populations of Brazil, through reflections, discussions, texts, images, and news reports;
(EF05EASC11) Identify and discuss the environmental impacts caused by large-scale food
production, drawing on documentaries, research from books and/or websites, among other sources.
Note: Prepared by the authors based on data from Abaetetuba (2025a).
Among the skills outlined in the Climate Change thematic unit, the following stand out:
i) engaging in listening sessions with community or neighborhood elders; ii) listening to
representatives of social and environmental movements; and iii) holding dialogue circles with
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residents and hearing accounts from residents of affected areas. This approach makes it possible
to gather information that bridges scientific knowledge and local knowledge, fostering the
development of new understandings.
Another point worth highlighting is the recognition of the need to address climate
change not only as a scientific phenomenon, but also as a social, ethical, and political issue,
whose causes and consequences disproportionately affect different populations and territories.
In this sense, the educational approach to climate change must go beyond the transmission of
information, promoting critical, participatory education committed to transforming the social
practices that intensify the environmental crisis, in order to encourage student agency in the
face of environmental crises, transforming the school into a space for resistance, awareness,
and the construction of collective solutions (Costa & Loureiro, 2024; Souza & Andrade, 2026).
Therefore, discussing climate change in schools requires recognizing that children’s
education during the early years of elementary school is a crucial stage in the development of
environmental values, attitudes, and perceptions. Thus, by introducing this topic at this
educational level, the possibility arises to develop critical awareness from an early age,
fostering pedagogical practices that engage with both scientific knowledge and the local
knowledge of the communities in which the school is situated.
This process occurs through the integration of science and traditional knowledge,
drawing on the repertoire that students already bring with them to jointly develop learning
experiences focused on the sustainability of the local environment. From this perspective, even
though popular knowledge often lacks scientific validation and is therefore marginalized by
academia, it can be considered a legitimate source of knowledge, capable of engaging in a
complementary dialogue with formal education when mediated by scientific knowledge
(Chassot, 2006).
The local knowledge of traditional communities serves as an educational resource that
can affirm not only a historically, socially, and culturally distinct territory, but also an
educational space that values traditional knowledge. Recognizing and valuing the cultural
knowledge that students bring to the classroom creates concrete conditions for the appropriation
of academic knowledge by enabling meaningful connections with the content being studied
(Xavier & Flor, 2015). Thus, the school setting becomes a privileged space for the exchange of
experiences and knowledge, fostering the development of civic and responsible attitudes toward
environmental issues.
Environmental education and climate change: A study of the elementary school curriculum in the Amazonian context of Abaetetuba, Pará
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The integration of environmental education practices into the local community where
the school is located is a central aspect of developing transformative approaches, as it allows
the educational process to be grounded in local realities, valuing local culture, economy, and
traditional knowledge (Sauvé, 1996). By starting from the students’ lived environment, the
exploration of environmental issues becomes more meaningful and engaging. In Brazil, this
perspective has been evident in initiatives developed with indigenous peoples and riverine
communities, as highlighted by Silva’s (2020) studies in the Amazon.
The inclusion of the EASC curriculum component within the Abaetetuba municipal
school system reflects an effort to integrate social, environmental, and climate dimensions in
dialogue with the realities of the Amazon. This component aims to address socio-environmental
issues, such as biodiversity loss, climate change, and sustainability challenges (Abaetetuba,
2024). However, in addition to the need to incorporate climate environmental education into
the formal elementary school curriculum, it is essential to make financial investments in the
development of teaching materials on the subject and in teacher training, considering that such
investments must be ongoing to foster the country’s educational development.
Given this, it is worth asking whether this curricular component, as outlined in the
framework, breaks with the fragmented disciplinary approach or whether it risks remaining
merely theoretical. As critics of the curriculum point out (Apple, 1996; Moreira & Silva, 2009;
Sacristán, 2000), the mere inclusion of topics does not guarantee their implementation; rather,
a training process is necessary to enable teachers to understand socio-environmental and climate
complexity through a contextualized and dialogic approach.
The debate on climate change is of great importance in today’s world, given its alarming
and, in many respects, irreversible nature. In this context, education serves as a fundamental
tool for fostering students’ understanding and awareness of the climate crisis, encouraging
critical and responsible engagement. Moreira and Silva (2009) emphasize that, when designing
a curriculum intended to be effective in the teaching and learning process, it is essential to
consider certain factors. After all, it would make no sense to select content without taking into
account the students for whom it is intended, the current state of scientific knowledge, and the
reality in which they are embedded.
After all, as Fuertes et al. (2020) emphasize, climate environmental education guides
the development of various teaching strategies aimed at fostering the understanding, awareness,
and skills necessary to address climate change at both the local and global levels. Thus,
integrating climate change into the curriculum requires an approach that goes beyond simply
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incorporating the topic, involving the integration of concepts, attitudes, values, and skills that
promote a critical understanding of the relationships between society and the environment.
FINAL CONSIDERATIONS
The DCMA analysis highlights significant gaps in the approach to climate change and
in the recognition of traditional communities. The explicit absence of climate-related topics
undermines the development of critical thinking regarding the socio-environmental crisis, while
the superficial inclusion of traditional communities in the curriculum limits the recognition of
their knowledge and ways of life, which are fundamental to addressing climate change.
Although the DCMA recognizes the importance of a context-based curriculum and
environmental education, its implementation faces challenges, such as the fragmentation of
knowledge and the difficulty of establishing an interdisciplinary and cross-cutting approach.
Furthermore, content related to environmental and climate education is not treated in a
complementary manner and is poorly integrated with community experiences.
The inclusion of the EASC curriculum component in the curriculum of Abaetetuba’s
municipal schools represented a significant step forward, while highlighting the role of
environmental education in raising awareness and encouraging actions aimed at addressing the
climate and environmental crisis. However, it is understood that the disciplinary nature in which
it was organized may limit the possibility of developing integrated, continuous, and permanent
practices within the school environment across different curricular components.
This issue represents one of the main challenges to the development of a cross-curricular
approach that is truly meaningful for students. Thus, simply including these topics does not
guarantee their effective implementation; rather, an educational process is needed that enables
teachers to understand socio-environmental and climate complexity through a contextualized
and dialogic approach.
When linking the thematic unit on Climate Change to the reality of the Amazon, it is
essential to recognize that its impacts do not manifest uniformly, but affect traditional
populations, who depend directly on natural resources for their survival, more intensely. In this
context, the implementation of climate environmental education in the curriculum requires
valuing the knowledge, practices, ethical values, and historical strategies for coexisting with
the environment in these communities, elements that are fundamental to fostering critical,
responsible individuals who are aware of their socio-environmental context. However, despite
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recognition of the topic’s relevance, there is a lack of clear and effective strategies for its
implementation in schools, highlighting the need for curriculum policies that are more
integrated, contextualized, and committed to the reality of Amazonian territories.
Finally, the limitations of this study, such as the absence of interviews with teachers and
students, point to the need for future qualitative research that allows for participant observation
and the consideration of experiential accounts as a means of deepening the analysis.
Furthermore, there is a need to broaden the analysis by incorporating other curricular
components and educational stages that also address climate and environmental issues.
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: Graduate Program in Cities, Territories, Identities, and Education
(PPGCITE/UFPA).
Funding: The research was not funded by any external source.
Conflicts of interest: The authors declare that they have no conflicts of interest.
Etchical approval: The study adhered to ethical standards throughout the research process
and was approved by the Institutional Ethics Committee.
Data and materials availability: The data and materials used in this study are available to
the public.
Authors contributions: First author: conceptualization, data collection, data analysis, and
writing. Second and third authors: review and assistance with final revisions. Fourth author:
supervision, conceptualization, data analysis, writing, and review.
Processing e editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Review, formatting, standardization, and translation