RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026054, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21159 1
101% AUTORAL: NARRATIVA (AUTO)BIOGRÁFICA DA DOCÊNCIA NO IFSP À
FORMAÇÃO DA BANDA MEIA BOCA
101% AUTORAL: NARRATIVA (AUTO)BIOGRÁFICA DE LA DOCENCIA EN EL IFSP
A LA FORMACIÓN DE LA BANDA MEIA BOCA
101% ORIGINAL: (AUTO)BIOGRAPHICAL NARRATIVE FROM TEACHING AT IFSP
TO THE FORMATION OF BANDA MEIA BOCA
Ivan FORTUNATO
1
e-mail: ivanfrt@yahoo.com.br
Como referenciar este artigo:
Fortunato, I. (2026). 101% autoral: narrativa (auto)biográfica da
docência no IFSP à formação da Banda Meia Boca. Revista on line
de Política e Gestão Educacional, 30, e026054.
https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.21159
| Submetido em: 18/05/2026
| Revisões requeridas em: 22/05/2026
| Aprovado em: 19/06/2026
| Publicado em: 25/06/2026
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Itapetininga São Paulo (SP) Brasil. Doutor em Humanidades, Direitos
e Outras Legitimidades (FFLCH/USP, 2022). Doutor em Desenvolvimento Humano e Tecnologias (IB/UNESP,
2018) e Doutor em Geografia (IGCE/UNESP, 2014). Professor de Educação/Pedagogia.
101% autoral: narrativa (auto)biográfica da docência no IFSP à formação da Banda Meia Boca
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026054, 2026. e-ISSN: 1519-9029
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RESUMO: O artigo discute a articulação entre docência, cidadania e criação musical no IFSP
Itapetininga, destacando a trajetória que culminou na formação da Banda Meia Boca durante a
pandemia de covid-19. O objetivo é investigar como a integração entre vida docente, prática
cidadã e expressão artística gera processos que transcendem a formação convencional. Por meio
da narrativa (auto)biográfica, reconstrói-se o percurso do autor para interpretar os sentidos
produzidos na experiência musical coletiva. A análise indica que esse processo é impulsionado
tanto pela criação como expressão de si quanto pelo convívio na banda, fortalecendo vínculos
e identidades. A narrativa evidencia, por fim, a potência da escrita de si para revelar a
inseparabilidade entre vida, ensino e educação crítica, ampliando a compreensão dos espaços
formativos na docência.
PALAVRAS-CHAVE: Narrativa (auto)biográfica. Formação docente. Música popular.
RESUMEN: El artículo analiza la articulación entre docencia, ciudadanía y creación musical
en el IFSP Itapetininga, destacando la trayectoria que culmina en la formación de la Banda
Meia Boca durante la pandemia de covid-19. El objetivo es investigar cómo la integración
entre la vida docente, la práctica ciudadana y la expresión artística genera procesos que
trascienden la formación convencional. A través de la narrativa (auto)biográfica, se
reconstruye el recorrido del autor para interpretar los sentidos producidos en la experiencia
musical colectiva. El análisis indica que este proceso es impulsado tanto por la creación como
expresión de mismo como por la convivencia en la banda, fortaleciendo vínculos e
identidades. Finalmente, la narrativa evidencia la potencia de la escritura de para revelar
la inseparabilidad entre vida, enseñanza y educación crítica, ampliando la comprensión de los
espacios formativos en la docencia.
PALABRAS CLAVE: Narrativa (auto)biográfica. Formación docente. Música popular.
ABSTRACT: The article discusses the link between teaching, citizenship, and musical creation
at IFSP Itapetininga, highlighting the trajectory that culminates in the formation of Banda Meia
Boca during the covid-19 pandemic. The objective is to investigate how the integration of
teaching life, civic practice, and artistic expression generates processes that transcend
conventional training. Through an (auto)biographical narrative, the author's path is
reconstructed to interpret the meanings produced within the collective musical experience. The
analysis indicates that this process is driven both by musical creation as a form of self-
expression and by the collective bond within the band, strengthening relationships and
identities. Finally, the narrative underscores the power of autobiographical writing to reveal
the inseparability of life, teaching, and critical education, expanding the understanding of
formative spaces in teaching.
KEYWORDS: (Auto)biographical narrative. Teacher education. Popular music.
Ivan Fortunato
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Um... dois... Um... dois... três...!
Este artigo é uma narrativa (auto)biográfica da criação da Banda Meia Boca, no ano de
2021, tendo como aporte fundamental circunstâncias formativas específicas, vividas na
educação superior no e com a infraestrutura do campus do Instituto Federal de São Paulo
(IFSP), campus Itapetininga. O texto emerge da necessidade de registrar a memória de um
grupo musical que, gestado nas tessituras complexas da formação superior, revela a potência
educativa de experiências que ultrapassam os limites curriculares formais.
A opção metodológica pela escrita (auto)biográfica se ancora em uma perspectiva que
reconhece o valor formativo da narrativa de si, entendendo-a como modo legítimo de produção
de conhecimento em educação (Nóvoa & Finger, 2014; Josso, 2020). Essa perspectiva encontra
respaldo em pesquisas que tomam a narrativa (auto)biográfica como dispositivo epistemológico
e formativo (Passeggi & Souza, 2008; Delory-Momberger, 2016), legitimando a escrita de si
não apenas como testemunho, mas como criação de conhecimento situado.
Pode-se dizer que este artigo é uma narrativa autobiográfica, pois, tendo sido um dos
seus fundadores, a história da Banda se mistura com minha própria história como docente e
pesquisador do IFSP Itapetininga, mas também como cidadão itapetiningano, brasileiro,
planetário. Ao mesmo tempo, é uma narrativa biográfica porque diz respeito à sua própria
ontogênese, isto é, ao surgimento e à consolidação da identidade-existência da Banda Meia
Boca enquanto sujeito coletivo com história própria. Inclusive, sujeito com perfil on-line e uma
trajetória instagramada. Na Figura 1, a seguir, o logo da Banda que estampa seu perfil na rede
social: https://instagram.com/bandameiaboca.
Figura 1.
Logotipo da Banda Meia Boca
Nota. Imagem circular de fundo preto contendo, em primeiro plano, o desenho estilizado de uma meia
na cor cinza. Sobreposta ao centro, a inscrição “1/2 BOCA” em letras maiúsculas brancas. Ao fundo, a
ilustração geométrica de uma boca aberta com lábios vermelhos e dentes brancos. Na base inferior,
centralizado, consta o identificador “@bandameiaboca” em caracteres brancos menores.
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Embora tenha sido concebida fora dos muros do IFSP Itapetininga, no envolvimento
direto com um lugar cultural pioneiro de economia criativa do município
2
, a concretização do
projeto da Banda foi possível graças ao trabalho pedagógico desenvolvido no curso de
Licenciatura em Física. Um trabalho pedagógico que não se limita às ementas curriculares:
manifesta-se na abertura a experiências formativas ampliadas, no incentivo à criatividade e na
valorização de iniciativas culturais que se relacionam com a vida individual e coletiva.
Eis, então, a oportunidade de enunciar o objetivo deste escrito: estabelecer o IFSP
Itapetininga como lugar de formação acadêmica e cidadã, mas também de criatividade e cultura.
Metodologicamente, a narrativa (auto)biográfica é desenvolvida por meio de uma triangulação
de vértices subjetivos: (I.) eu-docente, (II.) eu-cidadão, (III.) eu-músico. No centro desse
metafórico triângulo pulsa a Banda Meia Boca, força unificadora dessas identidades que, na
complexidade vivida, se entrelaçam. Do lado de fora do triângulo, os alcances incontroláveis
de uma sonoridade que almeja ser reconhecida como a legítima expressão de um professor que
segue esperançando por um mundo melhor.
Dessa forma, o artigo se desdobra em três seções, cada uma dedicada a um desses
metafóricos vértices. Primeiro, ainda que en passant, abordo meus primeiros 11 anos de
docência no IFSP Itapetininga, majoritariamente nos cursos de formação de professores de
Física, de Matemática e na formação pedagógica para bacharéis e tecnólogos. Em seguida,
apresento os resultados mais recentes das minhas pesquisas sobre educação, docência e
decolonialismo. Por fim, trago a gênese da Banda Meia Boca no e com o IFSP Itapetininga.
Ao final, espera-se que, ao evidenciar a importância fundamental da instituição na
criação e evolução da Banda Meia Boca, fique demonstrado como o trabalho pedagógico
desenvolvido na formação docente em Itapetininga contribui para uma educação plena de toda
a sua comunidade. Educação que, intrinsecamente, envolve razão, emoção, afetividade,
cidadania, profissionalismo e coletividade em um todo complexo, vivo e permanente.
2
Trata-se da casa colaborativa Cazulo, em funcionamento em Itapetininga entre 2021 e 2024, laureada com o
prêmio municipal Teddy Vieira de Cultura, em 2022, e com o prêmio de Ponto de Cultura, pela lei Aldir Blanc,
em 2024.
Ivan Fortunato
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VÉRTICE PRIMEIRO: EU-DOCENTE
Ao escrever a narrativa deste vértice, no último quartil de 2025, somo mais de 11 anos
como professor formador de professores em Itapetininga. Em escritos anteriores, narrei
minha trajetória formativa e os caminhos profissionais percorridos até a docência, em regime
de dedicação exclusiva, no Instituto Federal de São Paulo (Fortunato, 2025; 2022; 2021; 2020;
2018; 2017). Aqui, recordo que fui nomeado como professor de Educação/Pedagogia no mesmo
dia em que a Universidade Estadual Paulista (UNESP) homologava meu título de doutorado
em Geografia: 15 de julho de 2014. Cerca de 20 dias depois, iniciava o exercício no magistério,
com a disciplina de Prática Docente, no curso de Licenciatura em Física.
Nesses 11 anos, conforme analisado em um texto que recupero duas décadas depois de
licenciado em Pedagogia, pude identificar quatro fases do meu próprio trabalho docente no
IFSP (Fortunato, 2025). A fase inicial, reconheço, foi a fase tradicional. Afinal, ao entrar pela
primeira vez em sala de aula, tudo o que tinha para modelar minha prática pedagógica eram
décadas de estudo formal, da pré-escola ao doutorado, como estudante de aulas formatadas pelo
que se convencionou chamar de tradicional. Como registrado no texto anterior, esse modelo de
educação formal era, para mim, paradoxal, insuficiente e até mesmo repulsivo, levando-me a
negar a docência como ofício por anos, antes de ingressar como professor no IFSP.
Em linhas gerais, essa tradicionalidade se caracteriza pela centralidade do docente na
regência do currículo e pela expectativa de que o coletivo discente aprenda o que lhe é
transmitido. Periodicamente e ao final de um ciclo, uma avaliação mede o quanto foi apreendido
por cada discente. Sempre que essa triangulação docente-currículo-discente, seguida de
instrumentos de aferição, o ensino é tradicional; seja o modelo de regência o da oratória ou o
das (supostamente inovadoras, mas já centenárias) metodologias ativas.
Foi exatamente assim que iniciei o trabalho no magistério da educação superior: a
ementa era o documento norteador, a partir do qual me apropriava de seu conteúdo e
desenvolvia estratégias de transmiti-lo ao alunado. Pouco importava se tal conteúdo se inseria
na vida das pessoas envolvidas, incluindo minha própria perspectiva sobre educação, escola e
sociedade.
Ao perceber que estava justamente reproduzindo o modelo que havia rejeitado,
reconheci a necessidade de uma ruptura. Foi nesse momento que decidi me aventurar por
caminhos até então conhecidos apenas na literatura acadêmica. Uma literatura marginal,
formada por nomes que não fizeram parte do rol de autores que me foi apresentado no curso de
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Pedagogia, tais como Alexander S. Neill, cuja escola de Summerhill radicaliza a proposta de
liberdade como princípio educativo, e Paul Goodman, que denunciava a escolarização
obrigatória como processo de desumanização. Em diálogo com essas perspectivas, Célestin
Freinet e Rubem Alves ajudaram-me a vislumbrar a educação como espaço de invenção e de
sensibilidade, rompendo com os limites de uma didática exclusivamente transmissiva.
Ancorado em suas ações progressistas, passei a promover um ensino baseado
diretamente em realidades concretas de lugares de educação da cidade de Itapetininga: escolas
das redes estaduais e municipais, de ensino regular ou técnico; ONGs de educação e cultura,
museus, Fundação Casa e centro de detenção. Foi nesse movimento que se inaugurou a fase
que denominei extensionista.
Nessa fase, desafios concretos de lugares de educação eram levados para a sala de aula,
debatidos e realizados planejamentos de ações que eram efetivamente desenvolvidas em campo.
Foram diversas e variadas intervenções realizadas nesses distintos locais, desde atividades
lúdicas de ciências e aulas de reforço escolar, até palestras sobre estudos técnicos e
universitários ou mesmo sobre o mundo do trabalho. Houve atividades de educação ambiental,
de uso de computadores e de formação continuada de professores. Até mesmo cursos e práticas
de meditação e de educação para a paz.
Essas variadas atividades edificaram inúmeras relações afetivas com os lugares da
educação da cidade e com os estudantes das licenciaturas, transformando relações de ofício em
relações afetivas de amizade. Contudo, esse movimento foi interrompido de maneira abrupta
pela pandemia de covid-19, que impôs a migração compulsória para a fase remota de ensino.
Essa fase perdurou até o final do isolamento social, por ocasião da vacinação ampla da
população.
Com o retorno às atividades presenciais no primeiro semestre de 2022, abriu-se um
momento de recomeço. Mais do que lições, emergiram questionamentos trazidos pela
experiência pandêmica, que passaram a orientar os diálogos com os estudantes das
licenciaturas. Inquietações sobre a humanidade, sobre a vida na Terra e sobre o papel da
docência nessa trama complexa tomavam parte das disciplinas como elemento central: o que
teríamos aprendido com a pandemia? O que mudamos? O que deveríamos ter mudado? O que
devemos cuidar na vida?
Nesse sentido, os diálogos formativos passaram a envolver a vida por completo, dentro
e fora da sala de aula, correlacionando-se ou não com a ementa, mas com as pessoas. É a fase
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atual de trabalho, a que chamo de fase circunstancial, pois acredito que a educação tem a ver
com as circunstâncias que nos envolvem e que mobilizam a vida.
As primeiras anotações sobre esta fase foram feitas de forma incipiente em dois textos
anteriores (Fortunato, 2023a; 2023b) e, embora ainda esteja em elaboração, introduzem o
conceito de Didática Circunstancial que (des)organiza o trabalho pedagógico. Isso diz respeito
a uma Didática que se orienta pelas circunstâncias vividas em vez de planos previamente
elaborados e orientados sem a presença das pessoas que a eles se submetem, docentes e
discentes. Assim, diferentemente da fase primeira de trabalho no ofício, realizada de forma
tradicional, centrada no cumprimento da ementa e na avaliação, ou da fase extensionista,
marcada pela intervenção em espaços externos, a Didática Circunstancial emerge do aqui e
agora, tomando as situações vividas, os sonhos, as esperanças... como elementos fundantes da
formação.
Trata-se de uma Didática orientada por duas perguntas fundantes:
(I.) o que podemos fazer para que nosso tempo, aqui neste Instituto, nesta sala de aula, seja
prazeroso, divertido e significativo?” e (II.) o que vamos fazer neste semestre que pode nos
ensinar alguma coisa e como vamos atender às exigências de nosso regimento didático?
(Fortunato, 2023b, p. 2)
Em essência, a Didática Circunstancial propõe que a educação se articule com a vida
concreta dos envolvidos, mobilizando aprendizagem, afetos e experiências de forma integrada
e responsiva às situações. E, desde o retorno às atividades presenciais pós-pandemia, essa
circunstancialidade tem sido vivenciada e, ao mesmo tempo, (re)elaborada
epistemologicamente, com a esperança de que seja algo muito mais amplo e profundo do que
apenas um devaneio pedagógico. Dessa forma, a fase circunstancial não representa um ponto
de chegada definitivo, mas um processo em constante elaboração.
Assim, encerrar este vértice não é apenas concluir uma etapa. Isso porque, ao narrar
novamente este percurso da docência, que me é tão caro, reconheço outras dobras, novas
rupturas e recomeços que me constituem como educador. É desse movimento que se projeta o
vértice seguinte: o eu-cidadão, em que docência, pesquisa e a própria existência se entrelaçam
como compromisso com a humanidade.
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VÉRTICE SEGUNDO: EU-CIDADÃO
Ao iniciar a narrativa deste vértice, penso: ser docente, ser pesquisador, ser cidadão e
simplesmente ser são elementos indissociáveis. Isso porque não me reconheço como sujeitos
distintos no magistério, na vida coletiva e na vida particular: não consigo conceber a existência
de uma outra persona, apartada de quem ensina, pois se trata de uma dimensão que se enraíza
no mesmo corpo que vive, leciona e se compromete com a busca de outro mundo, quiçá mais
humanizado.
No entanto, essa compreensão não é algo que me acompanha desde sempre, pois tem
sido construída no próprio chão da docência, marcada pelas fases delineadas na seção anterior,
que vão transformando o quefazer cotidiano no magistério. Fato é que uso termos de Freire na
docência ciente de que “citar Paulo Freire não é Ser Freiriano!” (Fortunato, 2024, p. 150). Isso
implica compreender o quefazer como uma categoria fundamentalmente crítica e de atitudes,
rejeitando o fatalismo e buscando, de fato, o que fazer para transformar (Zitkoski & Streck,
2008, p. 339).
De modo análogo, a reflexão sobre o quefazer docente passou a orientar também meu
trabalho de pesquisa, que foi se transformando ao longo dos anos de ofício no IFSP. Pensava,
quando iniciei a formação de pesquisador na pós-graduação, que a produção do conhecimento
exigia um tom erudito, sustentado pela articulação rigorosa entre conceitos, dados e análises,
de modo a conferir solidez e legitimidade ao texto científico. Acreditava que esse esforço de
coesão interna era o principal critério de validação do saber, como se apenas a densidade
conceitual e a linguagem especializada fossem capazes de garantir seu valor acadêmico.
Mas o cotidiano vivido na formação docente foi me revelando outra face da pesquisa: a
da experiência do próprio cotidiano. Pesquisar o vivido como forma de compreender para
transformar. Redescobri Paulo Freire e Rubem Alves, tomando-os como referências de crítica,
libertação, humanização e ousadia. Fortaleci minhas leituras de Célestin Freinet e sua escola
moderna progressista. Visitei Summerhill, no interior da Inglaterra, que é a escola democrática
mais antiga do mundo ainda em funcionamento. Conheci os livros de Paul Goodman e a sua
ideia de deseducação obrigatória e de Everett Reimer, cujas denúncias de uma escola morta me
ajudaram a entender como o sistema neoliberal efetivamente se apossou da educação escolar
(Fortunato, 2023a).
Formei alianças basilares no campo da pesquisa educacional, tomando parte na
perspectiva decolonial (Fortunato & Rodríguez, 2024; Rodríguez & Fortunato, 2024), e
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descobri que uma docência do aconchego, que vem do fundo do coração (Araújo et al., 2023;
Fortunato et al., 2024).
Minhas pesquisas, hoje, caminham por trilhas que se entrelaçam, sem hierarquias
rígidas, mas com um compromisso ético e político com a transformação da educação. Investigo
a didática como campo de criação e resistência, refletindo sobre a formação docente e as
práticas pedagógicas que ousam romper com a lógica da reprodução e se abrem à emancipação.
Nessa caminhada, interesso-me profundamente pelas epistemologias críticas, decoloniais e do
Sul, que nascem do chão da experiência, das margens e das ausências historicamente
silenciadas.
Também volto o olhar para as políticas educacionais, entendendo-as como campo de
disputas entre projetos societários antagônicos, nos quais a racionalidade neoliberal tem
corroído sentidos e finalidades da educação. Por isso, repensar as metodologias de pesquisa em
educação tornou-se indispensável: é preciso investigar com os sujeitos, e não sobre eles; escutar
mais do que classificar; cultivar perguntas mais do que aplicar respostas. É nesse horizonte que
a pesquisa se faz com rigor e como gesto de cuidado, como resistência contra a opressão e como
reinvenção da esperança na própria humanidade.
É por isso que, para mim, ser docente, ser pesquisador e ser cidadão não são dimensões
separadas, mas expressões entrelaçadas da própria existência e de um mesmo compromisso
ético com o mundo. A pesquisa que nasce do cotidiano, a didática que se faz crítica e a formação
que aposta na emancipação são práticas profundamente cidadãs, pois se orientam pela escuta,
pelo diálogo, pela denúncia das injustiças e pela reinvenção da educação.
Assim, ser cidadão é ser inteiro. Ou seja, é não fragmentar a vida: professor de um lado,
pesquisador de outro, pessoa em casa. Trata-se de reconhecer que o mesmo corpo pensa, sente,
age, ensina e luta. Ser cidadão, nesse contexto, não é cumprir formalidades institucionais, mas
afirmar uma presença no mundo que recusa a neutralidade e escolhe, cotidianamente, estar ao
lado da vida. É no magistério vivido com inteireza, na pesquisa feita com o outro e não sobre o
outro, que descubro um modo de ser que se compromete, que se engaja e que transforma.
Esse modo de ser que entrelaça docência, pesquisa e cidadania às vezes ressoa nos
estudantes. Ao se encontrarem em uma formação marcada pelo afeto, pela escuta e pelo desejo
de transformação, muitos passam a experimentar outras formas de engajamento, a pensar
criticamente suas práticas e a produzir sentidos para além dos currículos prescritos. Essa
mobilização coletiva, que pode ser compreendida como um ato de esperançar freireano, por ser
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nascida do cotidiano e alimentada pela utopia, ocasionalmente transborda para outras
linguagens e territórios.
Nesse sentido, ao longo dos anos de efetiva prática no ofício do magistério, houve um
momento no qual a mobilização transbordou da sala de aula para a vida, encontrando na arte
um espaço de expressão. Nela, a música tornou-se veículo de transformação. Foi nesse contexto
que a experiência estética e política que me atravessa como educador encontrou, na música, um
novo canal de expressão: o rock. Primeiro como sensibilidade pedagógica, depois como prática
estética e, finalmente, como expressão política.
Como apontam Fantin e Alves dos Santos (2021), o rock não é apenas gênero musical,
mas linguagem midiática, atitude e estilo de vida, que se expressa pela divergência e pela
pluralidade de visões de mundo. Segundo os autores:
o rock, como as correntes de convecção que ajudam a equilibrar a temperatura, pode ajudar a
“equilibrar” as divergências e convergências no ambiente pedagógico, orientando posturas e
pensamentos que podem inclusive chacoalhar o sistema. (Fantin & Alves dos Santos, 2021, p.
140)
Do mesmo modo, Snyders (1994) observa que o rock não se limita ao prazer
momentâneo ou à função recreativa, pois se configura como um estilo de vida que molda
atitudes e aspirações, articulando-se com valores culturais e com o desejo de encontrar
significado e alegria pessoal. Ao mesmo tempo, explica o autor, o gênero se distingue de
músicas leves ou medíocres, apresentando uma ambição estética e social capaz de responder ao
“mal de viver” e de atuar como um grito de afirmação, sugerindo também a possibilidade de
transformação e da construção de novos caminhos.
Essa perspectiva ajuda a compreender como minha docência e minha cidadania se
entrelaçam à música como expressão de crítica, de contestação e de criação. Isso leva a
compreender que a gênese de uma banda de rock no ensino superior não foi um acaso ou um
desvio, mas uma extensão sonora da mesma ética que sustenta meu trabalho na sala de aula, na
pesquisa e no modo de ser no mundo: a recusa da neutralidade, o impulso criador, a coragem
de denunciar e anunciar e a celebração da vida.
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VÉRTICE TERCEIRO: EU-MÚSICO
Importante iniciar a narrativa deste vértice afirmando que não sou músico de formação,
muito menos herdeiro de um suposto dom divino. Muito pelo contrário, pois pouco conheço
essa arte que me encanta. Praticamente nada sei a respeito de escalas, acordes, melodias, ritmos
e harmonias. Por outro lado, descobri, ocasionalmente, que consigo fazer música. Essa
experiência pessoal, embora intuitiva e despretensiosa, me levou a perceber que a música possui
um valor que vai muito além da cnica, sendo estética, existencial, formativa e política
características que também são fundamentais à docência.
Como sugerem Freitas e Martins (2024), a sica e as artes no geral podem ser
experiências formadoras que promovem coletividade, expressividade e pertencimento cultural,
contrapondo-se à alienação de uma vida cada vez mais robotizada e mecanizada. Do mesmo
modo, Santos (2018) ressalta que a música contribui para a formação integral do indivíduo,
favorecendo sociabilidade, cooperação e valores culturais. Essa perspectiva dialoga com
Snyders (1994), que reconhece a alegria estética da música como dimensão inseparável da
educação.
Essas ideias dialogam com o que vinha experimentando em sala de aula: uma docência
que ultrapassa conteúdos e se abre para perspectivas outras, mais correlacionadas com a vida
em si.
Tudo isso acabou se misturando com um momento sombrio da nossa existência no
mundo quando, no início do ano letivo de 2020, fomos acometidos pela pandemia da covid-19
que, dentre outros efeitos, nos afastou fisicamente uns dos outros como medida sanitária. Foi,
então, durante o período mais agudo de distanciamento social da pandemia de covid-19, isolado
do mundo, mas cercado de arte e de pessoas incrivelmente brilhantes, criativas, resilientes e
resistentes (na mencionada casa colaborativa Cazulo), que descobri algo inesperado. Os
acordes elementares que havia aprendido no violão duas décadas antes poderiam ser
combinados para musicalizar versos sobre o que vivíamos cotidianamente no isolamento.
Assim, ao acaso, diversas letras foram escritas e, com muita dificuldade, acordes de
inspiração do rock soteropolitano de Raul Seixas e do grupo brasiliense Raimundos foram
incorporados, criando os primeiros rascunhos que mais tarde se tornariam músicas.
Essa passagem dos rascunhos para a forma musical contou com a parceria de um
estudante da licenciatura em Física, cuja pesquisa de Iniciação Científica eu orientava no IFSP.
Como nossos diálogos iam além da formalidade acadêmica, eu conhecia sua afinidade com
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a música, fruto de uma formação prévia em projetos socioculturais e de experiências anteriores
em bandas. Foi nesse contexto que pedi sua colaboração para organizar melhor os acordes
iniciais, elaborar linhas de baixo e expandir a harmonia das composições.
Enquanto a construção das músicas ganhava corpo, surgiu também o reencontro com
um ex-estudante da mesma licenciatura, com trajetória musical marcada pelo estudo da
percussão em projetos comunitários da região. A partir de nossas conversas, amadureceu a ideia
de transformar em rock as melodias em elaboração, proposta que foi acolhida de imediato e que
consolidou a transição da experiência individual para um processo criativo coletivo.
Mesmo assim, havia um grande obstáculo: não tínhamos local, instrumentos ou
equipamentos para formar a banda. Foi então que o IFSP se revelou mais do que o espaço onde
nos conhecemos e estabelecemos uma relação amistosa além da sala de aula. Na instituição,
havia amplificadores de guitarra e contrabaixo, além de caixas de som. existia, inclusive,
uma banda formada por professores da licenciatura em Física, que gentilmente nos emprestou
sua bateria. Por fim, devido ao mencionado e lamentável isolamento social imposto pela
pandemia, não havia aulas nem circulação contínua de pessoas no campus, o que transformou
o IFSP em espaço de ensaio e criação musical.
Tivemos, assim, nossa primeira tentativa de tocar algumas músicas no final de julho de
2021, em uma sala de aula que, como todas as demais, estava vazia por conta do modelo
emergencialmente remoto da pandemia.
Ao longo dos meses de agosto a dezembro de 2021, ocupamos vários espaços do campus
vazio. Refinamos a harmonia e a melodia das músicas e até mesmo fizemos uma composição
conjunta, chamada MusiFísica (disponível nas plataformas de música a partir de junho de
2026), homenageando o curso que nos uniu. Inclusive, essa música tornou-se uma espécie de
hino afetivo da nossa trajetória compartilhada, sintetizando em sua letra o espírito irreverente,
crítico e comprometido que marca tanto o curso de Licenciatura em Física quanto a própria
Banda Meia Boca.
Pode-se dizer que esse processo de composição e ensaio não se tratava apenas de fazer
música, mas de construir coletivamente sentidos, de experimentar linguagens e de reafirmar
vínculos fraternos e institucionais forjados na potência da criação das canções, combinando a
experimentação de sons com letras do cotidiano vivido.
Como destacam Vieira e Henning (2012), o rock é uma expressão artística capaz de
transformar gerações, rompendo com padrões conservadores e clamando por mudanças sociais.
Essa dimensão ficou evidente na gênese da Banda Meia Boca, em que os ensaios e as
Ivan Fortunato
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composições se tornaram também gestos políticos, ao desafiar padrões e propor reflexões
críticas, e pedagógicos, na medida em que promoveram aprendizagens coletivas e criativas.
Nesse sentido, a prática musical não apenas nos permitiu criar sons, mas também
reinventar modos de docência que vão além de ensinar e aprender. A coletividade dos ensaios
e a autoria das composições mostraram-se experiências pedagógicas que dialogam com uma
educação emancipatória e libertária, que são categorias de uma pedagogia freireana.
Além disso, a própria identidade sonora da Banda foi atravessada por uma estética
próxima ao punk rock, pois os compassos, os versos e os acordes eram elaborados por
inspiração de pioneiros da cena, como a já referida banda Raimundos, de Brasília, e as célebres
bandas da Grande São Paulo, como Ratos de Porão e Garotos Podres. Como lembra Marcos
(2020), o punk surgiu como subversão aos modelos musicais predominantes, valorizando o
lema do faça você mesmo, mesmo sem instrumentos caros ou formação técnica refinada.
Esse espírito também atravessou a Meia Boca, que desde o início assumiu o
compromisso de tocar apenas composições próprias, mesmo sem toda a técnica e os
conhecimentos necessários para a música. Nesse aspecto, um diálogo próximo com o que
Silva (2025) observou na cena punk paulista: riffs simples e repetitivos, batidas aceleradas e
uma sonoridade crua que reforçam a urgência da mensagem. Dessa forma, a Banda Meia Boca
também se aproxima dessa estética ao assumir sua identidade através da música autoral simples
e com várias repetições de refrão, mas que podem carregar significados profundos.
Ainda, ao reconhecer esse potencial expressivo, França (2012, p. 74) lembra que o rock
é um gênero “empolgante e de grande impacto emocional e expressivo”, capaz de dialogar com
o repertório das aulas e aproximar escola, vida e cultura. Essa perspectiva reforça como as
práticas formativas vivenciadas no IFSP podem incluir linguagens artísticas populares,
aproximando escola, vida e cultura.
Além de reunir os integrantes fundadores e servir como espaço de ensaio e criação, o
IFSP Itapetininga também acolheu importantes apresentações da recém-criada Banda Meia
Boca. Em 2022, com o retorno das atividades presenciais após a ampla vacinação da população,
ocorreu a primeira edição do Geek-IF, um grande evento que reuniu cerca de 2000 pessoas
entusiastas de cultura pop, tecnologia, games, ficção científica e fantasia. A banda se apresentou
no palco do evento e voltou a se apresentar nas edições seguintes, em 2023 e 2024.
Ao longo desses anos, a Banda Meia Boca foi buscando consolidar sua identidade, cuja
essência pode ser resumida na frase: “Rock 101% autoral, com um repertório de 30+ músicas
toscas, com trocadilhos e bom humor”. Essa identidade não surgiu de imediato, pois a própria
101% autoral: narrativa (auto)biográfica da docência no IFSP à formação da Banda Meia Boca
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dinâmica da vida trouxe mudanças esperadas e inesperadas, ocasionando idas e vindas dos
integrantes. Hoje, no ano de 2025, fazem parte da Banda Meia Boca três pessoas: Israel Leitão,
itapetiningano, advogado e contrabaixista, presente desde outubro de 2021; Nathan Chagas,
também itapetiningano, baterista, músico, filho de maestro e pianista, desde maio de 2024; e
eu, Ivan Fortunato, na voz e guitarra, professor desta instituição e compositor desde sua
fundação.
Nesse percurso, a Banda Meia Boca foi ocupando diversos espaços culturais dentro e
fora de Itapetininga, sempre com seu repertório próprio portanto, único e espírito irreverente.
Desde a estreia em 2021, tocou em vários festivais regionais, como o Weedstock e a Passeata
do Rock. Esteve presente no prestigiado Festival de Inverno de Paranapiacaba e no espigão da
Avenida Paulista. No começo deste ano de 2025, a energia foi canalizada para a gravação do
primeiro álbum, Isadora, lançado em todas as plataformas digitais
3
. Produzido em Itapetininga,
o álbum reúne 13 faixas que sintetizam a sonoridade crítica, bem-humorada e potente da banda,
reafirmando seu lugar como expressão musical de um fazer educativo, poético e coletivo.
Outros álbuns já estão sendo gestados.
Encerrar a narrativa deste vértice é também retornar ao ponto de partida: o IFSP
Itapetininga. Foi ali, em meio ao vazio dos corredores durante o isolamento social, que se
plantaram as primeiras sementes da Banda Meia Boca, germinadas a partir do encontro entre
ensino, afeto e criação.
Mais do que um espaço físico, o Instituto foi o solo fértil onde a educação se fez música,
vínculos acadêmicos se transformaram em parcerias artísticas e a práxis se ampliou em som,
em letra, em presença. A Banda é, assim, fruto direto de uma instituição que ousa formar
sujeitos críticos, complexos, capazes de ensinar, pesquisar, viver e cantar.
UM INSTITUTO, TRÊS VÉRTICES E UMA BANDA...
Como afirmei no prelúdio desta narrativa (auto)biográfica: no centro do metafórico
triângulo formado pelos vértices eu-docente, eu-cidadão e eu-músico, pulsa a Banda Meia
Boca. Foi entre formação, existência e criação que a música ganhou corpo como extensão da
3
Link para a mais famosa plataforma de streaming musical: https://open.spotify.com/intl-
pt/album/0RycR0CuMiQOS1RLuaEyzt.
Ivan Fortunato
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docência e da pesquisa. Não como adereço, mas como linguagem legítima de um fazer
educativo sensível, coletivo e crítico.
O IFSP Itapetininga foi o solo onde essa geometria formativa, afetiva e política começou
a se desenhar, possibilitando encontros, escutas e invenções que hoje ressoam muito além da
própria instituição. O campus nunca foi apenas cenário: esteve no coração de toda essa
trajetória, oferecendo vínculos inesperados, liberdade criativa e uma educação que faz sentido
na vida de quem a vive.
O processo, inicialmente solitário, logo contou com a parceria de estudantes do IFSP.
Criar músicas deixou de ser apenas um passatempo para se tornar um gesto pedagógico: uma
prática de escuta, diálogo e invenção compartilhada. O fazer musical da Banda Meia Boca
materializou-se com a mesma ética que orienta meu trabalho em sala de aula: a recusa da
neutralidade, a valorização da criação coletiva e a crença de que aprender e ensinar têm
sentido quando produzem vida, alegria e esperança.
A Banda Meia Boca, nascida dessas circunstâncias formativas, continua a ecoar vozes,
compor afetos e mostrar que transformar o mundo é possível a partir de um ensaio, de um refrão
ou de um solo improvisado. Porque educar, afinal, é isso: (re)inventar ritmos para existir. O
lema “101% autoral” tornou-se um gesto pedagógico de autonomia e criação.
Assim, ouso afirmar que essa experiência musical pode ser compreendida como prática
pedagógica em si mesma. Ao criar e tocar coletivamente, vivencia-se a aprendizagem como
processo estético e existencial, em que afetos, vínculos e saberes se entrelaçam. Ao optar pelo
“faça você mesmo”, característico da cena punk, a Banda Meia Boca traduz em música a
pedagogia da autonomia.
Afinal, como bem expressaram Fantin e Alves dos Santos (2021, p. 140): “a escola e o
rock apresentam uma característica comum: ambas sofrem com diagnósticos fatalistas, que de
tempos em tempos decretam seu fim”. Foi justamente na esteira desse movimento de
fechamento e escrita de si, após vivenciar o ofício docente, os improvisos da didática
circunstancial e o nascimento da banda, que me deparei com um diagnóstico de outra natureza:
a descoberta tardia de que estou no Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Dessa forma, a compreensão da neurodivergência funcionou como a peça que faltava
para iluminar, em retrospectiva, toda a geometria desta narrativa. Compreender-me autista deu
sentido ao meu estranhamento histórico diante das rigidezes institucionais, à minha busca quase
vital pela música como território de autorregulação e, acima de tudo, à necessidade ética de
construir uma docência baseada no aconchego. O diagnóstico revelou que o “eu-músico” não
101% autoral: narrativa (auto)biográfica da docência no IFSP à formação da Banda Meia Boca
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se separa do “eu-docente” e do “eu-cidadão”; a autoria das composições confunde-se com a
autoria pedagógica, e o fazer coletivo reforça a dimensão cidadã de uma educação
comprometida com a inteireza da vida.
A Banda Meia Boca, nesse sentido, não é apenas um projeto artístico, mas a
manifestação sonora de uma docência crítica e libertária, em que ensinar, pesquisar e compor
se tornam expressões diferentes de uma mesma proposta formativa. E que, dessa forma, entre
docência, cidadania e sica, siga reverberando nosso bordão “bora que let’s, que Rock é tudo
de bom! que, na esfera educativa, poderia ser dito bora que let’s, ensinar com alegria e
ousadia!”.
Ivan Fortunato
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I v a n F ort u n at o
R P G E R e vista o n li n e d e P oti c a e Gest ã o E d u c a ci o n al , Ar ar a q u ara, v. 3 0 , n. 0 0, e 0 2 6 0 5 4 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 1 5 1 9-9 0 2 9
D OI: 1 0. 2 2 6 3 3/r p g e. v 3 0i 0 0. 2 1 1 5 9 1 9
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : N ã o s e a pli c a.
Fi n a n ci a m e nt o : Pr o gr a m a I nstit u ci o n al d e I n c e nti v o à P arti ci p a ç ã o e m E v e nt os Ci e ntífi c os
e Te c n ol ó gi c os p ar a s er vi d or es d o I nstit ut o F e d er al de E d u c a ç ã o, Ciê n ci a e Te c n ol o gi a d e
S ã o P a ul o ( PI P E C T/I F S P) .
C o nflit os d e i nt e ress e : N ã o s e a pli c a.
A pr o v a ç ã o éti c a : N ã o s e a pli c a.
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : N ã o s e a pli c a.
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : A ut ori a ú ni c a.
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026054, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21159 1
101% ORIGINAL: (AUTO)BIOGRAPHICAL NARRATIVE FROM TEACHING AT
IFSP TO THE FORMATION OF BANDA MEIA BOCA
101% AUTORAL: NARRATIVA (AUTO)BIOGRÁFICA DA DOCÊNCIA NO IFSP À
FORMAÇÃO DA BANDA MEIA BOCA
101% AUTORAL: NARRATIVA (AUTO)BIOGRÁFICA DE LA DOCENCIA EN EL IFSP
A LA FORMACIÓN DE LA BANDA MEIA BOCA
Ivan FORTUNATO
1
e-mail: ivanfrt@yahoo.com.br
How to reference this paper:
Fortunato, I. (2026). 101% original: (auto)biographical narrative
from teaching at IFSP to the formation of Banda Meia Boca. Revista
on line de Política e Gestão Educacional, 30, e026054.
https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.21159
| Submitted: 18/05/2026
| Revisions required: 22/05/2026
| Approved: 19/06/2026
| Published: 25/06/2026
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal Institute of São Paulo (IFSP), Itapetininga São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Humanities, Rights, and
Other Legitimacies (FFLCH/USP, 2022), PhD in Human Development and Technologies (IB/UNESP, 2018), and
PhD in Geography (IGCE/UNESP, 2014). Professor of Education/Pedagogy.
101% original: (auto)biographical narrative from teaching at IFSP to the formation of Banda Meia Boca
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026054, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21159 2
ABSTRACT: The article discusses the link between teaching, citizenship, and musical creation
at IFSP Itapetininga, highlighting the trajectory that culminates in the formation of Banda Meia
Boca during the covid-19 pandemic. The objective is to investigate how the integration of
teaching life, civic practice, and artistic expression generates processes that transcend
conventional training. Through an (auto)biographical narrative, the authors path is
reconstructed to interpret the meanings produced within the collective musical experience. The
analysis indicates that this process is driven both by musical creation as a form of self-
expression and by the collective bond within the band, strengthening relationships and
identities. Finally, the narrative underscores the power of autobiographical writing to reveal the
inseparability of life, teaching, and critical education, expanding the understanding of formative
spaces in teaching.
KEYWORDS: (Auto)biographical narrative. Teacher education. Popular music.
RESUMO: O artigo discute a articulação entre docência, cidadania e criação musical no IFSP
Itapetininga, destacando a trajetória que culminou na formação da Banda Meia Boca durante
a pandemia de covid-19. O objetivo é investigar como a integração entre vida docente, prática
cidadã e expressão artística gera processos que transcendem a formação convencional. Por
meio da narrativa (auto)biográfica, reconstrói-se o percurso do autor para interpretar os
sentidos produzidos na experiência musical coletiva. A análise indica que esse processo é
impulsionado tanto pela criação como expressão de si quanto pelo convívio na banda,
fortalecendo vínculos e identidades. A narrativa evidencia, por fim, a potência da escrita de si
para revelar a inseparabilidade entre vida, ensino e educação crítica, ampliando a
compreensão dos espaços formativos na docência.
PALAVRAS-CHAVE: Narrativa (auto)biográfica. Formação docente. Música popular.
RESUMEN: El artículo analiza la articulación entre docencia, ciudadanía y creación musical
en el IFSP Itapetininga, destacando la trayectoria que culmina en la formación de la Banda
Meia Boca durante la pandemia de covid-19. El objetivo es investigar cómo la integración
entre la vida docente, la práctica ciudadana y la expresión artística genera procesos que
trascienden la formación convencional. A través de la narrativa (auto)biográfica, se
reconstruye el recorrido del autor para interpretar los sentidos producidos en la experiencia
musical colectiva. El análisis indica que este proceso es impulsado tanto por la creación como
expresión de mismo como por la convivencia en la banda, fortaleciendo vínculos e
identidades. Finalmente, la narrativa evidencia la potencia de la escritura de para revelar
la inseparabilidad entre vida, enseñanza y educación crítica, ampliando la comprensión de los
espacios formativos en la docencia.
PALABRAS CLAVE: Narrativa (auto)biográfica. Formación docente. Música popular.
Ivan Fortunato
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026054, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21159 3
One... two... One... two... three...!
This article is an (auto)biographical narrative of the creation of Banda Meia Boca in
2021, having as its fundamental basis specific formative circumstances experienced in higher
education, within and with the infrastructure of the Itapetininga campus of the Federal Institute
of São Paulo (IFSP). The text emerges from the need to record the memory of a musical group
that, conceived within the complex textures of higher education, reveals the educational
potential of experiences that transcend formal curricular boundaries.
The methodological choice of (auto)biographical writing is grounded in a perspective
that recognizes the formative value of self-narrative, understanding it as a legitimate means of
producing knowledge in education (Nóvoa; Finger, 2014; Josso, 2020). This perspective finds
support in studies that take (auto)biographical narrative as an epistemological and formative
device (Passeggi; Souza, 2008; Delory-Momberger, 2016), legitimizing self-writing not only
as testimony, but also as the creation of situated knowledge.
It may be said that this article is an autobiographical narrative because, having been one
of its founders, the history of the Band intertwines with my own history as a professor and
researcher at IFSP Itapetininga, but also as a citizen of Itapetininga, Brazilian, planetary. At the
same time, it is a biographical narrative because it concerns its own ontogenesis, that is, the
emergence and consolidation of the identity-existence of Banda Meia Boca as a collective
subject with its own history. Indeed, a subject with an online profile and an Instagrammed
trajectory. Figure 1 below presents the Bands logo displayed on its social media profile:
https://instagram.com/bandameiaboca.
Figure 1
Logo of Banda Meia Boca
Note. Circular image with a black background containing, in the foreground, a stylized gray sock.
Superimposed at the center is the inscription “1/2 BOCA” in white uppercase letters. In the background,
there is a geometric illustration of an open mouth with red lips and white teeth. At the bottom, centered,
appears the identifier “@bandameiaboca” in smaller white characters.
101% original: (auto)biographical narrative from teaching at IFSP to the formation of Banda Meia Boca
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DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21159 4
Although it was conceived outside the walls of IFSP Itapetininga, through direct
involvement with a pioneering cultural space for the creative economy in the municipality, the
realization of the Band project was only made possible thanks to the pedagogical work
developed in the Physics Teacher Education Program. A pedagogical work that is not limited
to curricular syllabi: it manifests itself in the openness to expanded formative experiences, in
the encouragement of creativity, and in the appreciation of cultural initiatives related to
individual and collective life.
Here, then, is the opportunity to state the objective of this writing: to establish IFSP
Itapetininga as a place of academic and civic formation, but also of creativity and culture.
Methodologically, the (auto)biographical narrative is developed through a triangulation of
subjective vertices: (I.) the teacher-self, (II.) the citizen-self, (III.) the musician-self. At the
center of this metaphorical triangle pulses Banda Meia Boca, the unifying force of these
identities which, within lived complexity, intertwine. Outside the triangle lie the uncontrollable
reaches of a sonority that seeks to be recognized as the legitimate expression of a professor who
continues hoping for a better world.
Thus, the article unfolds into three sections, each devoted to one of these metaphorical
vertices. First, albeit en passant, I address my first eleven years of teaching at IFSP Itapetininga,
mainly in the Physics and Mathematics teacher education programs and in the pedagogical
training program for bachelors and technological degree holders. Next, I present the most
recent results of my research on education, teaching, and decoloniality. Finally, I bring forth
the genesis of Banda Meia Boca within and with IFSP Itapetininga.
In the end, it is expected that, by highlighting the fundamental importance of the
institution in the creation and development of Banda Meia Boca, it will become evident how
the pedagogical work carried out in teacher education in Itapetininga contributes to an education
that fully embraces its entire community. An education that intrinsically involves reason,
emotion, affectivity, citizenship, professionalism, and collectivity in a complex, living, and
enduring whole.
Ivan Fortunato
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FIRST VERTEX: THE TEACHER-SELF
As I write the narrative of this vertex, in the last quarter of 2025, I have already
accumulated more than eleven years as a teacher educator in Itapetininga. In previous writings,
I have already narrated my formative trajectory and the professional paths I followed until
becoming a full-time faculty member at the Federal Institute of São Paulo (Fortunato, 2025;
2022; 2021; 2020; 2018; 2017). Here, I recall that I was appointed as a professor of
Education/Pedagogy on the very same day that São Paulo State University (UNESP) officially
conferred my doctoral degree in Geography: July 15, 2014. About twenty days later, I began
my teaching career with the course Teaching Practice in the Physics Teacher Education
Program.
Over these eleven years, as analyzed in a text that I revisit two decades after obtaining
my degree in Pedagogy, I was able to identify four phases of my own teaching work at IFSP
(Fortunato, 2025). I recognize that the initial phase was the traditional phase. After all, when I
entered the classroom for the first time, all I had to shape my pedagogical practice were decades
of formal study, from preschool to the doctorate, as a student of classes modeled according to
what has conventionally been called traditional education. As recorded in the previous text, this
model of formal education was, for me, paradoxical, insufficient, and even repulsive, leading
me to reject teaching as a profession for years before joining IFSP as a professor.
In general terms, this traditionality is characterized by the centrality of the teacher in
directing the curriculum and by the expectation that the student body will learn what is
transmitted to it. Periodically and at the end of each cycle, an assessment measures how much
has been assimilated by each student. Whenever this teacher-curriculum-student triangulation
is present, followed by assessment instruments, education is traditional, whether the mode of
instruction is based on lecturing or on (supposedly innovative, yet already century-old) active
methodologies.
This was precisely how I began my work in higher education: the syllabus was the
guiding document, from which I appropriated its content and developed strategies to transmit
it to the students. It mattered little whether such content was connected to the lives of the people
involved, including my own perspective on education, school, and society.
Upon realizing that I was precisely reproducing the model I had rejected, I recognized
the need for a rupture. It was at that moment that I decided to venture along paths that, until
then, had been known to me only through academic literature. A marginal literature, composed
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of names that had not been part of the canon of authors presented to me during my Pedagogy
degree, such as Alexander S. Neill, whose Summerhill school radicalizes the proposal of
freedom as an educational principle, and Paul Goodman, who denounced compulsory schooling
as a process of dehumanization. In dialogue with these perspectives, Célestin Freinet and
Rubem Alves helped me envision education as a space of invention and sensibility, breaking
with the limits of an exclusively transmissive pedagogy.
Grounded in these progressive actions, I began to promote an education directly based
on the concrete realities of educational settings in the city of Itapetininga: state and municipal
schools, both regular and technical; educational and cultural NGOs, museums, the Fundação
Casa juvenile detention system, and detention centers. It was through this movement that the
phase I termed extensionist was inaugurated.
During this phase, concrete challenges from educational settings were brought into the
classroom, discussed, and transformed into action plans that were effectively implemented in
the field. Numerous and varied interventions were carried out in these different locations,
ranging from playful science activities and tutoring classes to lectures on technical and higher
education studies, and even on the world of work. There were activities related to environmental
education, computer use, and continuing teacher education. There were even courses and
practices devoted to meditation and peace education.
These varied activities fostered countless affective relationships with the educational
settings of the city and with the students in the teacher education programs, transforming
professional relationships into affective bonds of friendship. However, this movement was
abruptly interrupted by the COVID-19 pandemic, which imposed a compulsory migration to
the remote teaching phase. This phase lasted until the end of social isolation, following the
widespread vaccination of the population.
With the return to in-person activities in the first semester of 2022, a moment of new
beginnings emerged. More than lessons, questions arising from the pandemic experience came
to the forefront and began to guide the dialogues with students in the teacher education
programs. Concerns about humanity, about life on Earth, and about the role of teaching within
this complex web became central elements of the courses: what had we learned from the
pandemic? What had we changed? What should we have changed? What must we care for in
life?
In this sense, formative dialogues came to embrace life in its entirety, both inside and
outside the classroom, whether or not they were related to the syllabus, but always related to
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people. This is the current phase of my work, which I call the circumstantial phase, because I
believe that education has to do with the circumstances that surround us and that mobilize life.
The first notes on this phase were made in an incipient manner in two previous texts
(Fortunato, 2023a; 2023b) and, although it is still under development, they introduce the
concept of Circumstantial Didactics, which (dis)organizes pedagogical work. This refers to a
Didactics guided by lived circumstances rather than by previously elaborated plans devised
without the presence of the people who are subject to them, teachers and students alike. Thus,
unlike the initial phase of work in the profession, carried out in a traditional manner and
centered on compliance with the syllabus and assessment, or the extensionist phase, marked by
interventions in external settings, Circumstantial Didactics emerges from the here and now,
taking lived situations, dreams, hopes… as foundational elements of formation.
It is a Didactics guided by two foundational questions:
(I.) What can we do so that our time here, in this Institute, in this classroom, may be enjoyable,
fun, and meaningful?” and (II.) “What are we going to do this semester that might teach us
something, and how are we going to meet the requirements of our teaching regulations?
(Fortunato, 2023b, p. 2)
In essence, Circumstantial Didactics proposes that education be articulated with the
concrete lives of those involved, mobilizing learning, affections, and experiences in an
integrated and responsive manner. Since the return to post-pandemic in-person activities, this
circumstantiality has been lived and, at the same time, epistemologically (re)elaborated, with
the hope that it may become something much broader and deeper than merely a pedagogical
reverie. Thus, the circumstantial phase does not represent a definitive point of arrival, but rather
a process under constant elaboration.
Thus, concluding this vertex is not merely bringing a stage to an end. For, in narrating
once again this journey of teaching, which is so dear to me, I recognize other folds, new
ruptures, and new beginnings that constitute me as an educator. It is from this movement that
the following vertex emerges: the citizen-self, in which teaching, research, and existence itself
intertwine as a commitment to humanity.
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SECOND VERTEX: THE CITIZEN-SELF
As I begin the narrative of this vertex, I think: being a teacher, being a researcher, being
a citizen, and simply being are inseparable elements. This is because I do not recognize myself
as distinct subjects in the teaching profession, in collective life, and in private life: I cannot
conceive of the existence of another persona, separated from the one who teaches, for it is a
dimension rooted in the same body that lives, teaches, and commits itself to the search for
another world, perhaps a more humanized one.
However, this understanding is not something that has accompanied me forever, for it
has been constructed on the very ground of teaching, marked by the phases outlined in the
previous section, which have gradually transformed the everyday what-to-do of the teaching
profession. The fact is that I use Freirean terms in my teaching, aware that “quoting Paulo Freire
does not make one Freirean!” (Fortunato, 2024, p. 150). This implies understanding the what-
to-do as a fundamentally critical category of attitudes, rejecting fatalism and seeking, in fact,
what can be done to bring about transformation (Zitkoski & Streck, 2008, p. 339).
In an analogous way, reflection on the teaching what-to-do also came to guide my
research work, which has been transformed over the years of professional practice at IFSP.
When I began my training as a researcher in graduate school, I believed that the production of
knowledge required an erudite tone, sustained by the rigorous articulation of concepts, data,
and analyses, so as to confer solidity and legitimacy upon scientific writing. I believed that this
effort toward internal cohesion was the main criterion for validating knowledge, as if conceptual
density and specialized language alone were capable of guaranteeing its academic value.
But lived experience in teacher education gradually revealed to me another face of
research: that of the experience of everyday life itself. Researching lived experience as a way
of understanding in order to transform. I rediscovered Paulo Freire and Rubem Alves, taking
them as references for critique, liberation, humanization, and boldness. I strengthened my
engagement with the works of Célestin Freinet and his progressive modern school. I visited
Summerhill, in the English countryside, which is the oldest democratic school in the world still
in operation. I became acquainted with the books of Paul Goodman and his idea of compulsory
miseducation, as well as with Everett Reimer, whose denunciations of a dead school helped me
understand how the neoliberal system has effectively taken possession of school education
(Fortunato, 2023a).
Ivan Fortunato
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I forged foundational alliances in the field of educational research, embracing the
decolonial perspective (Fortunato & Rodríguez, 2024; Rodríguez & Fortunato, 2024), and
discovered that there is a pedagogy of warmth, one that comes from the depths of the heart
(Araújo et al., 2023; Fortunato et al., 2024).
Today, my research follows intertwining paths, without rigid hierarchies, but with an
ethical and political commitment to the transformation of education. I investigate didactics as
a field of creation and resistance, reflecting on teacher education and pedagogical practices that
dare to break with the logic of reproduction and open themselves to emancipation. Along this
journey, I am deeply interested in critical, decolonial, and Southern epistemologies, which
emerge from the ground of experience, from the margins, and from historically silenced
absences.
I also turn my attention to educational policies, understanding them as a field of disputes
among antagonistic societal projects, in which neoliberal rationality has been eroding the
meanings and purposes of education. For this reason, rethinking research methodologies in
education has become indispensable: it is necessary to investigate with subjects, rather than
about them; to listen more than to classify; to cultivate questions more than to apply answers.
It is within this horizon that research is conducted with rigor and as a gesture of care, as
resistance against oppression, and as the reinvention of hope in humanity itself.
This is why, for me, being a teacher, being a researcher, and being a citizen are not
separate dimensions, but intertwined expressions of existence itself and of a shared ethical
commitment to the world. Research that emerges from everyday life, didactics that becomes
critical, and formation that is committed to emancipation are profoundly civic practices, for
they are guided by listening, dialogue, the denunciation of injustices, and the reinvention of
education.
Thus, being a citizen means being whole. That is, it means not fragmenting life: teacher
on one side, researcher on another, person at home. It means recognizing that the same body
thinks, feels, acts, teaches, and struggles. In this context, being a citizen is not about fulfilling
institutional formalities, but about affirming a presence in the world that refuses neutrality and
chooses, on a daily basis, to stand on the side of life. It is in the teaching profession lived in its
wholeness, in research conducted with others rather than about them, that I discover a way of
being that commits, engages, and transforms.
This way of being, which intertwines teaching, research, and citizenship, sometimes
resonates with students. As they encounter a form of education marked by affection, listening,
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and the desire for transformation, many begin to experience other forms of engagement, to think
critically about their practices, and to produce meanings beyond prescribed curricula. This
collective mobilization, which may be understood as a Freirean act of hope, for it is born from
everyday life and nourished by utopia, occasionally overflows into other languages and
territories.
In this sense, throughout the years of effective practice in the teaching profession, there
came a moment when this mobilization overflowed from the classroom into life itself, finding
in art a space for expression. There, music became a vehicle for transformation. It was in this
context that the aesthetic and political experience that traverses me as an educator found, in
music, a new channel of expression: rock. First as pedagogical sensibility, then as aesthetic
practice, and finally as political expression.
As Fantin and Alves dos Santos (2021) point out, rock is not merely a musical genre,
but also a media language, an attitude, and a way of life, expressed through divergence and the
plurality of worldviews. According to the authors:
rock, like the convection currents that help balance temperature, can help to “balance”
divergences and convergences within the pedagogical environment, guiding attitudes and ways
of thinking that may even shake up the system. (Fantin & Alves dos Santos, 2021, p. 140)
Likewise, Snyders (1994) observes that rock is not limited to momentary pleasure or
recreational purposes, since it constitutes a way of life that shapes attitudes and aspirations,
articulating itself with cultural values and with the desire to find meaning and personal joy. At
the same time, the author explains, the genre distinguishes itself from light or mediocre music,
displaying an aesthetic and social ambition capable of responding to the “mal de vivre” and
acting as a cry of affirmation, while also suggesting the possibility of transformation and the
construction of new paths.
This perspective helps to understand how my teaching and my citizenship intertwine
with music as an expression of critique, contestation, and creation. It leads to the understanding
that the genesis of a rock band in higher education was not an accident or a deviation, but rather
a sonic extension of the same ethics that sustains my work in the classroom, in research, and in
my way of being in the world: the refusal of neutrality, the creative impulse, the courage to
denounce and announce, and the celebration of life.
Ivan Fortunato
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THIRD VERTEX: THE MUSICIAN-SELF
It is important to begin the narrative of this vertex by stating that I am not a formally
trained musician, much less the heir to some supposed divine gift. Quite the contrary, for I know
very little about this art that fascinates me. I know practically nothing about scales, chords,
melodies, rhythms, and harmonies. On the other hand, I discovered, almost by chance, that I
am capable of making music. This personal experience, although intuitive and unpretentious,
led me to realize that music possesses a value that goes far beyond technique, being aesthetic,
existential, formative, and politicalcharacteristics that are also fundamental to teaching.
As Freitas and Martins (2024) suggest, music and the arts in general can be formative
experiences that foster collectivity, expressiveness, and cultural belonging, counteracting the
alienation of an increasingly robotic and mechanized life. Likewise, Santos (2018) emphasizes
that music contributes to the integral formation of the individual, fostering sociability,
cooperation, and cultural values. This perspective resonates with Snyders (1994), who
recognizes the aesthetic joy of music as an inseparable dimension of education.
These ideas resonated with what I had been experiencing in the classroom: a form of
teaching that goes beyond content and opens itself to other perspectives, more closely connected
to life itself.
All of this eventually became intertwined with a dark moment in our existence in the
world when, at the beginning of the 2020 academic year, we were struck by the COVID-19
pandemic, which, among other effects, physically separated us from one another as a public
health measure. It was during the most acute period of social distancing brought about by the
COVID-19 pandemic, isolated from the world yet surrounded by art and by incredibly brilliant,
creative, resilient, and resistant people (in the previously mentioned collaborative house,
Cazulo), that I discovered something unexpected. The elementary chords I had learned on the
guitar two decades earlier could be combined to set to music verses about what we were
experiencing in our daily lives during isolation.
Thus, almost by chance, several lyrics were written and, with great difficulty, chords
inspired by the rock of Salvador-born Raul Seixas and by the Brasília-based band Raimundos
were incorporated, creating the first sketches that would later become songs.
This transition from sketches to musical form took place with the collaboration of a
student from the Physics Teacher Education Program, whose Undergraduate Research project
I supervised at IFSP. Since our dialogues extended beyond academic formality, I was already
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familiar with his affinity for music, stemming from previous training in sociocultural projects
and earlier experiences in bands. It was in this context that I asked for his collaboration in better
organizing the initial chords, creating bass lines, and expanding the harmonic structure of the
compositions.
As the songs gradually took shape, a reunion also emerged with a former student from
the same teacher education program, whose musical trajectory had been marked by the study
of percussion in community projects in the region. Through our conversations, the idea of
transforming the developing melodies into rock matureda proposal that was immediately
embraced and that consolidated the transition from an individual experience to a collective
creative process.
Even so, there was a major obstacle: we had neither a place, nor instruments, nor
equipment to form the band. It was then that IFSP revealed itself to be more than the place
where we had met and established a friendly relationship beyond the classroom. The institution
had guitar and bass amplifiers, as well as speakers. There was even a band formed by professors
from the Physics Teacher Education Program, which kindly lent us its drum set. Finally, due to
the already mentioned and regrettable social isolation imposed by the pandemic, there were no
classes and no continuous circulation of people on campus, which transformed IFSP into a
space for rehearsals and musical creation.
Thus, we had our first attempt at playing a few songs at the end of July 2021, in a
classroom that, like all the others, stood empty because of the emergency remote model adopted
during the pandemic.
From August to December 2021, we occupied several spaces on the empty campus. We
refined the harmony and melody of the songs and even composed a piece together, called
MusiFísica (available on music streaming platforms from June 2026 onward), as a tribute to
the program that had brought us together. Indeed, this song became a kind of affective anthem
of our shared trajectory, synthesizing in its lyrics the irreverent, critical, and committed spirit
that characterizes both the Physics Teacher Education Program and Banda Meia Boca itself.
It may be said that this process of composition and rehearsal was not merely about
making music, but about collectively constructing meanings, experimenting with languages,
and reaffirming fraternal and institutional bonds forged in the power of songwriting, combining
the experimentation of sounds with lyrics drawn from everyday lived experience.
As Vieira and Henning (2012) point out, rock is an artistic expression capable of
transforming generations, breaking with conservative patterns and calling for social change.
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This dimension became evident in the genesis of Banda Meia Boca, in which rehearsals and
compositions also became political gestures, insofar as they challenged established patterns and
proposed critical reflections, and pedagogical gestures, insofar as they promoted collective and
creative forms of learning.
In this sense, musical practice not only enabled us to create sounds, but also to reinvent
forms of teaching that go beyond teaching and learning. The collectivity of the rehearsals and
the authorship of the compositions proved to be pedagogical experiences that resonate with an
emancipatory and libertarian education, which are categories of a Freirean pedagogy.
Furthermore, the Bands very sonic identity was shaped by an aesthetic close to punk
rock, since the rhythms, verses, and chords were crafted under the inspiration of pioneers of the
scene, such as the aforementioned Brasília-based band Raimundos and the celebrated bands
from Greater São Paulo, such as Ratos de Porão and Garotos Podres. As Marcos (2020) reminds
us, punk emerged as a subversion of dominant musical models, valuing the do-it-yourself ethos
even without expensive instruments or refined technical training.
This spirit also permeated Meia Boca, which from the outset committed itself to
performing only original compositions, even without all the technique and knowledge required
for music. In this regard, there is a close dialogue with what Silva (2025) observed in the São
Paulo punk scene: simple and repetitive riffs, accelerated beats, and a raw sound that reinforces
the urgency of the message. In this way, Banda Meia Boca also approaches this aesthetic by
assuming its identity through simple original music and repeated choruses, which nevertheless
may carry profound meanings.
Furthermore, in recognizing this expressive potential, França (2012, p. 74) reminds us
that rock is an “exciting genre with great emotional and expressive impact,” capable of
dialoguing with the repertoire of classroom activities and bringing school, life, and culture
closer together. This perspective reinforces how the formative practices experienced at IFSP
can incorporate popular artistic languages, bringing school, life, and culture closer together.
In addition to bringing together the founding members and serving as a space for
rehearsal and creation, IFSP Itapetininga also hosted important performances by the newly
formed Banda Meia Boca. In 2022, with the return of in-person activities following the
widespread vaccination of the population, the first edition of Geek-IF took place, a major event
that brought together around 2,000 enthusiasts of pop culture, technology, games, science
fiction, and fantasy. The band performed on the event stage and returned to perform in
subsequent editions, in 2023 and 2024.
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Over the years, Banda Meia Boca gradually sought to consolidate its identity, whose
essence may be summarized in the phrase: “101% original rock, with a repertoire of 30+ cheesy
songs, full of puns and good humor.” This identity did not emerge immediately, as the dynamics
of life itself brought both expected and unexpected changes, resulting in members coming and
going. Today, in the year 2025, Banda Meia Boca consists of three people: Israel Leitão, a
native of Itapetininga, lawyer and bass player, present since October 2021; Nathan Chagas, also
from Itapetininga, drummer, musician, and son of a conductor and pianist, since May 2024; and
myself, Ivan Fortunato, on vocals and guitar, a professor at this institution and songwriter since
its foundation.
Along this journey, Banda Meia Boca has occupied several cultural spaces both within
and beyond Itapetininga, always with its own repertoireand therefore a unique oneand with
its irreverent spirit. Since its debut in 2021, it has performed at several regional festivals, such
as Weedstock and the Passeata do Rock. It has also appeared at the prestigious Paranapiacaba
Winter Festival and on the Avenida Paulista promenade. At the beginning of this year, 2025,
our energy was channeled into recording the first album, Isadora, released on all digital
platforms. Produced in Itapetininga, the album brings together thirteen tracks that synthesize
the bands critical, humorous, and powerful sound, reaffirming its place as a musical expression
of an educational, poetic, and collective endeavor. Other albums are already in the making.
Concluding the narrative of this vertex also means returning to the point of departure:
IFSP Itapetininga. It was there, amid the emptiness of the hallways during social isolation, that
the first seeds of Banda Meia Boca were planted, germinating from the encounter between
teaching, affection, and creation.
More than a physical space, the Institute was the fertile soil where education became
music, academic bonds were transformed into artistic partnerships, and praxis expanded into
sound, lyrics, and presence. Thus, the Band is the direct fruit of an institution that dares to
educate critical and complex subjects, capable of teaching, researching, living, and singing.
ONE INSTITUTE, THREE VERTICES, AND A BAND...
As I stated in the prelude to this (auto)biographical narrative, at the center of the
metaphorical triangle formed by the teacher-self, the citizen-self, and the musician-self pulses
Banda Meia Boca. It was at the intersection of formation, existence, and creation that music
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took shape as an extension of teaching and research. Not as an ornament, but as a legitimate
language of a sensitive, collective, and critical educational endeavor.
IFSP Itapetininga was the soil where this formative, affective, and political geometry
began to take shape, making possible encounters, acts of listening, and inventions that now
resonate far beyond the institution itself. The campus was never merely a setting: it stood at the
heart of this entire trajectory, offering unexpected bonds, creative freedom, and an education
that makes sense in the lives of those who experience it.
The process, initially solitary, soon came to rely on the partnership of IFSP students.
Creating songs ceased to be merely a pastime and became a pedagogical gesture: a practice of
listening, dialogue, and shared invention. The musical endeavor of Banda Meia Boca
materialized through the same ethics that guide my work in the classroom: the refusal of
neutrality, the appreciation of collective creation, and the belief that learning and teaching only
make sense when they produce life, joy, and hope.
Banda Meia Boca, born from these formative circumstances, continues to echo voices,
compose affections, and demonstrate that transforming the world is possible through a
rehearsal, a chorus, or an improvised solo. For, after all, to educate is this: to (re)invent rhythms
for existence. The motto “101% original” has become a pedagogical gesture of autonomy and
creation.
Thus, I dare to affirm that this musical experience may be understood as a pedagogical
practice in itself. In creating and performing collectively, learning is experienced as an aesthetic
and existential process in which affections, bonds, and forms of knowledge intertwine. By
embracing the do-it-yourself ethos characteristic of the punk scene, Banda Meia Boca translates
the pedagogy of autonomy into music.
After all, as Fantin and Alves dos Santos (2021, p. 140) aptly stated: “school and rock
share a common characteristic: both suffer from fatalistic diagnoses that, from time to time,
proclaim their end.” It was precisely in the wake of this movement of closure and self-writing,
after experiencing the teaching profession, the improvisations of Circumstantial Didactics, and
the birth of the band, that I encountered a diagnosis of another kind: the late discovery that I am
on the Autism Spectrum (ASD).
Thus, the understanding of my neurodivergence functioned as the missing piece that, in
retrospect, illuminated the entire geometry of this narrative. Understanding myself as autistic
gave meaning to my longstanding sense of estrangement in the face of institutional rigidities,
to my almost vital search for music as a territory of self-regulation, and, above all, to the ethical
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necessity of building a pedagogy grounded in warmth. The diagnosis revealed that the
musician-self is not separate from the teacher-self and the citizen-self; the authorship of the
compositions merges with pedagogical authorship, and collective endeavor reinforces the civic
dimension of an education committed to the wholeness of life.
In this sense, Banda Meia Boca is not merely an artistic project, but the sonic
manifestation of a critical and libertarian pedagogy, in which teaching, researching, and
composing become different expressions of the same formative endeavor. And may our motto
continue to resonate through the intersections of teaching, citizenship, and music: “Come on,
let’s, because Rock is all good!” which, in the educational sphere, could be expressed as “Come
on, let’s teach with joy and boldness!”
Ivan Fortunato
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I v a n F ort u n at o
R P G E R e vista o n li n e de P oti c a e G est ã o E d u c a ci o n al , Ar ar a q u ar a, v. 3 0 , n. 0 0, e 0 2 6 0 5 4 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 1 5 1 9-9 0 2 9
D OI: 1 0. 2 2 6 3 3/r p g e. v 3 0i 0 0. 2 1 1 5 9 1 9
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g m e nts : N ot a p pli c a bl e .
F u n di n g : I nstit uti o n al Pr o gr a m t o S u p p ort P arti ci p ati o n i n S cie ntifi c a n d Te c h n ol o gi c al
E v e nts f or E m pl o y e es of t h e F e d er al I nstit ut e of E d u c ati o n, S ci e n c e a n d Te c h n ol o g y of S ã o
P a ul o ( PI P E C T/I F S P ).
C o nfli cts of i nt e r est : N o n e d e cl ar e d .
Et hi cs a p p r o v al : N ot a p pli c a bl e .
A v ail a bilit y of d at a a n d m at e ri als : N ot a p pli c a bl e .
A ut h o rs c o nt ri b uti o ns : S ol e a ut h or .
P r o c essi n g a n d e diti n g : E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vi e w, f or m atti n g, st a n d ar di z ati o n, a n d Tr a nsl ati o n
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101% AUTORAL: NARRATIVA (AUTO)BIOGRÁFICA DE LA DOCENCIA EN EL
IFSP A LA FORMACIÓN DE LA BANDA MEIA BOCA
101% AUTORAL: NARRATIVA (AUTO)BIOGRÁFICA DA DOCÊNCIA NO IFSP À
FORMAÇÃO DA BANDA MEIA BOCA
101% ORIGINAL: (AUTO)BIOGRAPHICAL NARRATIVE FROM TEACHING AT IFSP
TO THE FORMATION OF BANDA MEIA BOCA
Cómo citar este artículo:
Fortunato, I. (2026). 101% autoral: narrativa (auto)biográfica de la
docencia en el IFSP a la formación de la Banda Meia Boca. Revista
on line de Política e Gestão Educacional, 30, e026054.
https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.21159
| Enviado el: 18/05/2026
| Revisiones requeridas el: 22/05/2026
| Aprobado el: 19/06/2026
| Publicado el: 25/06/2026
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Editor ejecutivo adjunto:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Itapetininga São Paulo (SP) Brasil. Doctorado en Humanidades,
Derechos y Otras Legitimidades (FFLCH/USP, 2022). Doctorado en Desarrollo Humano y Tecnologías
(IB/UNESP, 2018) y Doctorado en Geografía (IGCE /UNESP, 2014). Profesor de Educación/Pedagogía.
101% autoral: narrativa (auto)biográfica de la docencia en el IFSP a la formación de la Banda Meia Boca
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RESUMEN: El artículo analiza la articulación entre docencia, ciudadanía y creación musical
en el IFSP Itapetininga, destacando la trayectoria que culmina en la formación de la Banda Meia
Boca durante la pandemia de covid-19. El objetivo es investigar cómo la integración entre la
vida docente, la práctica ciudadana y la expresión artística genera procesos que trascienden la
formación convencional. A través de la narrativa (auto)biográfica, se reconstruye el recorrido
del autor para interpretar los sentidos producidos en la experiencia musical colectiva. El análisis
indica que este proceso es impulsado tanto por la creación como expresión de mismo como
por la convivencia en la banda, fortaleciendo vínculos e identidades. Finalmente, la narrativa
evidencia la potencia de la escritura de sí para revelar la inseparabilidad entre vida, enseñanza
y educación crítica, ampliando la comprensión de los espacios formativos en la docencia.
PALABRAS CLAVE: Narrativa (auto)biográfica. Formación docente. Música popular.
RESUMO: O artigo discute a articulação entre docência, cidadania e criação musical no IFSP
Itapetininga, destacando a trajetória que culminou na formação da Banda Meia Boca durante
a pandemia de covid-19. O objetivo é investigar como a integração entre vida docente, prática
cidadã e expressão artística gera processos que transcendem a formação convencional. Por
meio da narrativa (auto)biográfica, reconstrói-se o percurso do autor para interpretar os
sentidos produzidos na experiência musical coletiva. A análise indica que esse processo é
impulsionado tanto pela criação como expressão de si quanto pelo convívio na banda,
fortalecendo vínculos e identidades. A narrativa evidencia, por fim, a potência da escrita de si
para revelar a inseparabilidade entre vida, ensino e educação crítica, ampliando a
compreensão dos espaços formativos na docência.
PALAVRAS-CHAVE: Narrativa (auto)biográfica. Formação docente. Música popular.
ABSTRACT: The article discusses the link between teaching, citizenship, and musical creation
at IFSP Itapetininga, highlighting the trajectory that culminates in the formation of Banda Meia
Boca during the covid-19 pandemic. The objective is to investigate how the integration of
teaching life, civic practice, and artistic expression generates processes that transcend
conventional training. Through an (auto)biographical narrative, the author's path is
reconstructed to interpret the meanings produced within the collective musical experience. The
analysis indicates that this process is driven both by musical creation as a form of self-
expression and by the collective bond within the band, strengthening relationships and
identities. Finally, the narrative underscores the power of autobiographical writing to reveal
the inseparability of life, teaching, and critical education, expanding the understanding of
formative spaces in teaching.
KEYWORDS: (Auto)biographical narrative. Teacher education. Popular music.
Ivan Fortunato
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Uno... dos... ¡Uno... dos... tres...!
Este artículo es una narrativa (auto)biográfica sobre la creación de la Banda Meia Boca
en 2021, basada fundamentalmente en circunstancias formativas específicas vividas en la
educación superior en y con la infraestructura del campus Itapetininga del Instituto Federal de
São Paulo (IFSP). El texto surge de la necesidad de dejar constancia de la memoria de un grupo
musical que, gestado en el complejo entramado de la educación superior, revela el potencial
educativo de experiencias que trascienden los límites curriculares formales.
La elección metodológica de la escritura (auto)biográfica se fundamenta en una
perspectiva que reconoce el valor formativo de la narrativa de sí, entendiéndola como un modo
legítimo de producción de conocimiento en la educación (Nóvoa & Finger, 2014; Josso, 2020).
Esta perspectiva encuentra respaldo en investigaciones que consideran la narrativa
(auto)biográfica como un dispositivo epistemológico y formativo (Passeggi & Souza, 2008;
Delory-Momberger, 2016), legitimando la autoescritura no solo como testimonio, sino como
creación de conocimiento situado.
Se puede decir que este artículo es una narrativa autobiográfica, ya que, al ser uno de
sus fundadores, la historia de la banda se entrelaza con mi propia historia como docente e
investigador en el IFSP Itapetininga, pero también como ciudadano de Itapetininga, Brasil y el
mundo. Al mismo tiempo, es una narrativa biográfica porque se refiere a su propia ontogénesis,
es decir, el surgimiento y consolidación de la identidad-existencia de Banda Meia Boca como
sujeto colectivo con su propia historia. Incluso, un sujeto con un perfil en línea y una trayectoria
instagramada. En la Figura 1, abajo, está el logo de la banda que aparece en su perfil en la red
social: https://instagram.com/bandameiaboca .
Figura 1.
Logotipo de la banda Meia Boca
Nota. Imagen circular con fondo negro que contiene, en primer plano, un dibujo estilizado de un calcetín
gris. Superpuesta en el centro, la inscripción 1/2 BOCA en mayúsculas blancas. Al fondo, una
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ilustración geométrica de una boca abierta con labios rojos y dientes blancos. En la parte inferior,
centrada, aparece el identificador @bandameiaboca en caracteres blancos más pequeños.
Aunque concebido fuera de los muros del IFSP Itapetininga, en colaboración directa
con un espacio cultural pionero de la economía creativa en el municipio
2
, la realización del
proyecto de la Banda solo fue posible gracias al trabajo pedagógico desarrollado en la carrera
de Licenciatura en Física. Este trabajo pedagógico no se limita a los programas de estudio: se
manifiesta en la apertura a experiencias formativas ampliadas, en el fomento de la creatividad
y en la valoración de iniciativas culturales relacionadas con la vida individual y colectiva.
He aquí, entonces, la oportunidad de exponer el objetivo de este escrito: consolidar el
IFSP Itapetininga como un espacio de formación académica y cívica, pero también de
creatividad y cultura. Metodológicamente, la narrativa (auto)biográfica se desarrolla mediante
una triangulación de vértices subjetivos: (I) el yo-docente, (II) el yo-ciudadano, (III) el yo-
músico. En el centro de este triángulo metafórico late la Banda Meia Boca, fuerza unificadora
de estas identidades que, en la complejidad de la experiencia vivida, se entrelazan. Fuera del
triángulo, se extiende el alcance incontrolable de un sonido que aspira a ser reconocido como
la expresión legítima de un docente que sigue esperanzando un mundo mejor.
Así, el artículo se estructura en tres secciones, cada una dedicada a uno de estos vértices
metafóricos. En primer lugar, aunque en passant, abordo mis primeros once años de docencia
en el IFSP Itapetininga, principalmente en cursos de formación docente en Física y
Matemáticas, y en formación pedagógica para bachilleres y tecnólogos. A continuación,
presento los resultados más recientes de mi investigación sobre educación, docencia y
descolonialismo. Finalmente, analizo la génesis de la Banda Meia Boca dentro y con el IFSP
Itapetininga.
En definitiva, se espera que, al resaltar la importancia fundamental de la institución en
la creación y evolución de Banda Meia Boca, se demuestre cómo la labor pedagógica
desarrollada en la formación docente en Itapetininga contribuye a una educación integral para
toda su comunidad. Esta educación implica intrínsecamente razón, emoción, afecto, ciudadanía,
profesionalismo y colectividad en un todo complejo, vivo y permanente.
2
Esto hace referencia a la casa colaborativa Cazulo, que funcionó en Itapetininga entre 2021 y 2024, y que fue
galardonada con el Premio Municipal de Cultura Teddy Vieira en 2022 y con el premio Ponto de Cultura en el
marco de la Ley Aldir Blanc en 2024.
Ivan Fortunato
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VÉRTICE PRIMERO: YO-DOCENTE
Al escribir esta narración desde el último trimestre de 2025, ya habré pasado más de 11
años como formador de docentes en Itapetininga. En escritos anteriores, ya he narrado mi
trayectoria formativa y los caminos profesionales que he recorrido hasta convertirme en
profesor en régimen de dedicación exclusiva del Instituto Federal de São Paulo (Fortunato,
2025; 2022; 2021; 2020; 2018; 2017). Aquí, recuerdo que fui nombrado profesor de
Educación/Pedagogía el mismo día en que la Universidad Estatal de São Paulo (UNESP)
ratificó mi doctorado en Geografía: el 15 de julio de 2014. Aproximadamente 20 días después,
comencé a impartir clases, con la asignatura de Práctica Docente, en el programa de
Licenciatura en Física.
En esos 11 años, como analicé en un texto que revisé dos décadas después de graduarme
en Pedagogía, pude identificar cuatro fases de mi propia labor docente en el IFSP (Fortunato,
2025). La fase inicial, lo reconozco, fue la tradicional. Después de todo, cuando entré por
primera vez al aula, lo único que tenía para moldear mi práctica pedagógica eran décadas de
estudio formal, desde preescolar hasta doctorado, como estudiante de clases estructuradas según
lo que se conoce como tradicional. Como consta en el texto anterior, este modelo de educación
formal fue, para mí, paradójico, insuficiente e incluso repulsivo, lo que me llevó a rechazar la
docencia como profesión durante años antes de incorporarme al IFSP como profesor.
En términos generales, esta tradicionalidad se caracteriza por el papel central del
docente en la guía del currículo y por la expectativa de que el alumnado aprenda lo que se
enseña. Periódicamente, al final de cada ciclo, se realiza una evaluación para medir el
aprendizaje de cada estudiante. Siempre que existe esta triangulación docente-currículo-
alumno, seguida de instrumentos de medición, la enseñanza es tradicional, ya sea que el modelo
pedagógico sea el de la oratoria o el de metodologías activas (supuestamente innovadoras, pero
con siglos de antigüedad).
Así fue precisamente como comencé mi carrera docente en la educación superior: el
programa de estudios era el documento guía, del cual extraía su contenido y desarrollaba
estrategias para transmitirlo a los estudiantes. Poco importaba si ese contenido era relevante
para la vida de las personas involucradas, incluyendo mi propia perspectiva sobre la educación,
la escuela y la sociedad.
Al darme cuenta de que simplemente estaba reproduciendo el modelo que había
rechazado, reconocí la necesidad de un cambio. Fue en ese momento cuando decidí
101% autoral: narrativa (auto)biográfica de la docencia en el IFSP a la formación de la Banda Meia Boca
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aventurarme por caminos conocidos hasta entonces solo en la literatura académica. Una
literatura marginal, formada por nombres que no figuraban en la lista de autores que me
presentaron en mi curso de Pedagogía, como Alexander S. Neill, cuya escuela Summerhill
radicaliza la propuesta de la libertad como principio educativo, y Paul Goodman, quien
denunció la escolarización obligatoria como un proceso de deshumanización. En diálogo con
estas perspectivas, Célestin Freinet y Rubem Alves me ayudaron a concebir la educación como
un espacio para la invención y la sensibilidad, rompiendo con los límites de una didáctica
exclusivamente transmisiva.
Anclado en sus acciones progresistas, comencé a promover la enseñanza basada
directamente en las realidades concretas de los entornos educativos de la ciudad de Itapetininga:
escuelas estatales y municipales, tanto regulares como técnicas; ONG educativas y culturales,
museos, la Fundação Casa (un centro de detención juvenil) y un centro de detención. Fue en
este movimiento que comenzó la fase que denominé extensionista.
En esta etapa, se abordaron en el aula desafíos concretos del ámbito educativo, se
debatieron y se elaboraron planes de acción que se implementaron eficazmente sobre el terreno.
Se llevaron a cabo intervenciones diversas y variadas en diferentes lugares, desde actividades
científicas lúdicas y tutorías hasta conferencias sobre estudios técnicos y universitarios, e
incluso sobre el mundo laboral. Se realizaron actividades de educación ambiental, informática
y formación continua del profesorado. Incluso se incluyeron cursos y prácticas de meditación
y educación para la paz.
Estas diversas actividades propiciaron numerosas relaciones afectivas con las
instituciones educativas de la ciudad y con estudiantes universitarios, transformando las
relaciones profesionales en amistades entrañables. Sin embargo, este proceso se vio
interrumpido abruptamente por la pandemia de COVID-19, que obligó a adoptar la enseñanza
remota. Esta fase se prolongó hasta el fin del aislamiento social, coincidiendo con la vacunación
generalizada de la población.
Con el regreso a las actividades presenciales en el primer semestre de 2022, se abrió un
nuevo comienzo. Más allá de las lecciones aprendidas, surgieron preguntas de la experiencia
de la pandemia, que comenzaron a guiar los diálogos con los estudiantes de pregrado. Las
inquietudes sobre la humanidad, sobre la vida en la Tierra y sobre el papel de la docencia en
esta compleja red se convirtieron en temas centrales para las disciplinas: ¿qué habíamos
aprendido de la pandemia? ¿Qué hemos cambiado? ¿Qué deberíamos haber cambiado? ¿Qué
debemos cuidar en la vida?
Ivan Fortunato
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En este sentido, los diálogos formativos han llegado a abarcar la vida en su totalidad,
tanto dentro como fuera del aula, con o sin relación con el programa de estudios, pero siempre
con las personas. Esta es la fase actual del trabajo, que denomino fase circunstancial, porque
creo que la educación está ligada a las circunstancias que nos rodean y que movilizan la vida.
Las primeras notas sobre esta fase se hicieron de manera incipiente en dos textos
anteriores (Fortunato, 2023a; 2023b) y, aunque aún en desarrollo, introducen el concepto de
Didáctica Circunstancial que (des)organiza el trabajo pedagógico. Se refiere a una Didáctica
que se guía por las circunstancias vividas en lugar de planes preelaborados guiados sin la
presencia de las personas que están sujetas a ellas, docentes y estudiantes. Así, a diferencia de
la primera fase del trabajo en la profesión, llevada a cabo de manera tradicional, centrada en el
cumplimiento del programa y la evaluación, o la fase extensionista, marcada por la intervención
en espacios externos, la Didáctica Circunstancial emerge del aquí y ahora, tomando las
situaciones vividas, los sueños, las esperanzas... como elementos fundamentales de la
formación.
Se trata de una Didáctica orientada por dos preguntas fundamentales:
(I) ¿Qué podemos hacer para que nuestro tiempo aquí en este Instituto, en esta aula, sea
agradable, divertido y significativo? y (II) ¿Qué vamos a hacer este semestre que nos pueda
enseñar algo y cómo vamos a cumplir con los requisitos de nuestro reglamento de enseñanza?
(Fortunato, 2023b, p. 2)
En esencia, la Didáctica Circunstancial propone que la educación se articule con la vida
concreta de quienes participan en ella, movilizando el aprendizaje, las emociones y las
experiencias de forma integrada y responsiva a las situaciones. Desde el regreso a las
actividades presenciales tras la pandemia, esta circunstancialidad se ha vivido y, al mismo
tiempo, se ha (re)elaborado epistemológicamente, con la esperanza de que se convierta en algo
mucho más amplio y profundo que una mera fantasía pedagógica. De este modo, la fase
circunstancial no representa un punto final definitivo, sino un proceso en constante elaboración.
Así pues, concluir este capítulo no es simplemente finalizar una etapa. Al relatar este
recorrido docente, tan querido para mí, reconozco otros matices, nuevas rupturas y nuevos
comienzos que me definen como educador. De este movimiento surge el siguiente capítulo: el
yo como ciudadano, en el que la docencia, la investigación y la existencia misma se entrelazan
como un compromiso con la humanidad.
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VÉRTICE SEGUNDO: YO-CIUDADANO
Al comenzar a narrar esta perspectiva, reflexiono: ser docente, ser investigador, ser
ciudadano y simplemente ser son elementos inseparables. Esto se debe a que no me reconozco
como sujeto distinto en la docencia, en la vida colectiva y en la vida privada: no puedo concebir
la existencia de otra persona, separada de quien enseña, puesto que es una dimensión arraigada
en el mismo cuerpo que vive, enseña y se compromete con la búsqueda de otro mundo, quizás
uno más humanizado.
Sin embargo, esta comprensión no me ha acompañado siempre, ya que se ha forjado
sobre la base misma de la enseñanza, marcada por las fases descritas en la sección anterior, que
transforman la práctica docente cotidiana. De hecho, utilizo términos freireanos en la enseñanza
consciente de que ¡citar a Paulo Freire no es ser freireano! (Fortunato, 2024, p. 150). Esto
implica entender el quehacer como una categoría fundamentalmente crítica y de actitudes,
rechazando el fatalismo y buscando activamente qué hacer para transformar (Zitkoski & Streck,
2008, p. 339).
De igual modo, la reflexión sobre la profesión docente también comenzó a guiar mi
trabajo de investigación, que se ha transformado a lo largo de los años de mi labor en el IFSP.
Al iniciar mi formación de posgrado en investigación, pensaba que la producción de
conocimiento requería un tono erudito, sustentado en la articulación rigurosa entre conceptos,
datos y análisis, para conferir solidez y legitimidad al texto científico. Creía que este esfuerzo
de cohesión interna era el criterio principal para validar el conocimiento, como si solo la
densidad conceptual y el lenguaje especializado fueran capaces de garantizar su valor
académico.
Pero la experiencia diaria de la formación docente me reveló otra faceta de la
investigación: la de la experiencia de la vida cotidiana misma. Investigar la experiencia vivida
como una forma de comprender para transformar. Redescubrí a Paulo Freire y Rubem Alves,
tomándolos como referencias para la crítica, la liberación, la humanización y la audacia.
Fortalecí mis lecturas de Célestin Freinet y su escuela moderna progresista. Visité Summerhill,
en la campiña inglesa, que es la escuela democrática más antigua del mundo que aún sigue en
funcionamiento. Me familiaricé con los libros de Paul Goodman y su idea de la deseducación
obligatoria, y con Everett Reimer, cuyas denuncias de una escuela muerta me ayudaron a
comprender cómo el sistema neoliberal se apoderó efectivamente de la educación escolar
(Fortunato, 2023a).
Ivan Fortunato
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Formé alianzas fundamentales en el campo de la investigación educativa, participando
en la perspectiva decolonial (Fortunato & Rodríguez, 2024; Rodríguez & Fortunato, 2024), y
descubrí que hay una docencia del acogimiento, que viene del fondo del corazón (Araújo et al.,
2023; Fortunato et al., 2024).
Mi investigación actual sigue caminos entrelazados, sin jerarquías rígidas, pero con un
compromiso ético y político con la transformación de la educación. Investigo la didáctica como
un campo de creación y resistencia, reflexionando sobre la formación docente y las prácticas
pedagógicas que se atreven a romper con la lógica de la reproducción y se abren a la
emancipación. En este recorrido, me interesan profundamente las epistemologías críticas,
decoloniales y del Sur global, que nacen de la experiencia, de los márgenes y de las ausencias
históricamente silenciadas.
También me centro en las políticas educativas, entendiéndolas como un campo de
disputas entre proyectos sociales antagónicos, donde la racionalidad neoliberal ha erosionado
los significados y propósitos de la educación. Por lo tanto, repensar las metodologías de
investigación en educación se ha vuelto indispensable: es necesario investigar con los sujetos,
no sobre ellos; escuchar más que clasificar; cultivar preguntas más que aplicar respuestas. Es
dentro de este horizonte que la investigación se lleva a cabo con rigor y como un gesto de
cuidado, como resistencia contra la opresión y como una reinvención de la esperanza en la
humanidad misma.
Por eso, para mí, ser docente, investigador y ciudadano no son dimensiones separadas,
sino expresiones entrelazadas de la existencia misma y de un mismo compromiso ético con el
mundo. La investigación que surge de la vida cotidiana, la enseñanza crítica y la educación que
apuesta por la emancipación son prácticas profundamente cívicas, porque se guían por la
escucha, el diálogo, la denuncia de las injusticias y la reinvención de la educación.
Así pues, ser ciudadano es ser íntegro. Es decir, no se trata de fragmentar la vida:
docente por un lado, investigador por otro, persona en casa. Se trata de reconocer que un mismo
cuerpo piensa, siente, actúa, enseña y lucha. Ser ciudadano, en este contexto, no es cumplir con
formalidades institucionales, sino afirmar una presencia en el mundo que rechaza la neutralidad
y elige, día a día, estar del lado de la vida. Es en la enseñanza vivida con plenitud, en la
investigación realizada con el otro y no sobre el otro, donde descubro una forma de ser que
compromete, involucra y transforma.
Esta forma de ser, que entrelaza docencia, investigación y ciudadanía, a veces resuena
en los estudiantes. Cuando se encuentran en un entorno educativo marcado por el afecto, la
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escucha activa y el deseo de transformación, muchos comienzan a experimentar otras formas
de compromiso, a reflexionar críticamente sobre sus prácticas y a generar significado más allá
de los currículos establecidos. Esta movilización colectiva, que puede entenderse como un acto
de esperanzar freireano, nacido de la vida cotidiana y alimentado por la utopía, ocasionalmente
se extiende a otros idiomas y territorios.
En este sentido, a lo largo de mis años de práctica docente efectiva, hubo un momento
en que la movilización trascendió el aula y se extendió a la vida cotidiana, encontrando en el
arte un espacio de expresión. En ella, la música se convirtió en un vehículo de transformación.
Fue en este contexto que la experiencia estética y política que me acompaña como educador
halló, en la música, un nuevo canal de expresión: el rock. Primero como sensibilidad
pedagógica, luego como práctica estética y, finalmente, como expresión política.
Como señalan Fantin y Alves dos Santos (2021), el rock no es solo un género musical,
sino un lenguaje mediático, una actitud y un estilo de vida, expresados a través de la divergencia
y la pluralidad de visiones del mundo. Según los autores:
La música rock, al igual que las corrientes de convección que ayudan a equilibrar la temperatura,
puede contribuir a equilibrar las divergencias y convergencias en el entorno pedagógico,
guiando actitudes y pensamientos que incluso pueden sacudir el sistema. (Fantin & Alves dos
Santos, 2021, p. 140)
De igual modo, Snyders (1994) observa que el rock no se limita al placer momentáneo
ni a la función recreativa, sino que constituye un estilo de vida que moldea actitudes y
aspiraciones, articulándose con valores culturales y el deseo de encontrar sentido y alegría
personal. Al mismo tiempo, explica el autor, el género se distingue de la música ligera o
mediocre, presentando una ambición estética y social capaz de responder al «malestar
existencial» y actuando como un grito de afirmación, sugiriendo además la posibilidad de
transformación y la construcción de nuevos caminos.
Esta perspectiva me ayuda a comprender cómo mi docencia y mi ciudadanía se
entrelazan con la música como expresión de crítica, protesta y creación. Esto me lleva a
entender que el surgimiento de una banda de rock en la educación superior no fue un accidente
ni una desviación, sino una extensión sonora de la misma ética que sustenta mi trabajo en el
aula, en la investigación y en mi forma de estar en el mundo: el rechazo a la neutralidad, el
impulso creativo, el coraje para denunciar y proclamar, y la celebración de la vida.
Ivan Fortunato
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VÉRTICE TERCERO: YO-MÚSICO
Es importante comenzar esta narración aclarando que no soy músico profesional, ni
mucho menos heredero de un supuesto don divino. Todo lo contrario, pues sé muy poco sobre
este arte que me fascina. Prácticamente no sé nada de escalas, acordes, melodías, ritmos ni
armonías. Sin embargo, he descubierto, en ocasiones, que puedo hacer música. Esta experiencia
personal, aunque intuitiva y sencilla, me ha llevado a comprender que la música posee un valor
que trasciende la técnica, al ser estética, existencial, formativa y política; características que
también son fundamentales para la enseñanza.
Como sugieren Freitas y Martins (2024), la música y las artes en general pueden ser
experiencias formativas que promueven la colectividad, la expresividad y el sentido de
pertenencia cultural, contrarrestando la alienación propia de una vida cada vez más robotizada
y mecanizada. De igual modo, Santos (2018) subraya que la música contribuye a la formación
integral del individuo, fomentando la sociabilidad, la cooperación y los valores culturales. Esta
perspectiva coincide con la de Snyders (1994), quien reconoce el placer estético de la música
como una dimensión inseparable de la educación.
Estas ideas coinciden con lo que había estado experimentando en el aula: un estilo de
enseñanza que va más allá del contenido y se abre a otras perspectivas, más relacionadas con la
vida misma.
Todo esto terminó mezclándose con un momento oscuro de nuestra existencia en el
mundo cuando, al comienzo del año escolar 2020, nos golpeó la pandemia de Covid-19 que,
entre otros efectos, nos obligó a distanciarnos físicamente como medida sanitaria. Fue entonces,
durante el período más crítico de distanciamiento social de la pandemia de Covid-19, aislado
del mundo, pero rodeado de arte y de personas increíblemente brillantes, creativas, resilientes
y resistentes (en la mencionada casa colaborativa Cazulo), que descubrí algo inesperado. Los
acordes elementales que había aprendido en la guitarra dos décadas antes podían combinarse
para poner música a versos sobre lo que vivíamos a diario en aislamiento.
Así, por casualidad, se escribieron varias letras y, con gran dificultad, se incorporaron
acordes inspirados en el rock soteropolitano, concretamente en Raúl Seixas y el grupo
Raimundos, afincado en Brasilia, creando los primeros borradores que más tarde se convertirían
en canciones.
Esta transición de los borradores a la forma musical implila colaboración con un
estudiante de la licenciatura en Física cuya investigación de iniciación científica supervisaba en
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el IFSP. Dado que nuestros diálogos trascendieron las formalidades académicas, ya conocía su
afinidad por la música, derivada de su formación previa en proyectos socioculturales y su
experiencia en bandas musicales. Fue en este contexto que le pedí su colaboración para
organizar mejor los acordes iniciales, desarrollar las líneas de bajo y ampliar la armonía de las
composiciones.
A medida que la música tomaba forma, también retomé el contacto con un antiguo
alumno del mismo programa de estudios, cuya formación musical estaba marcada por el estudio
de la percusión en proyectos comunitarios de la región. De nuestras conversaciones surgió la
idea de transformar las melodías en música rock, una propuesta que fue inmediatamente acogida
y que consolidó la transición de una experiencia individual a un proceso creativo colectivo.
Aun así, existía un gran obstáculo: no teníamos lugar, instrumentos ni equipo para
formar la banda. Fue entonces cuando el IFSP (Instituto Federal de São Paulo) demostró ser
mucho más que un simple espacio donde nos reuníamos y entablábamos amistades fuera del
aula. La institución contaba con amplificadores de guitarra y bajo, así como altavoces. Incluso
había una banda formada por profesores de la carrera de Física, quienes amablemente nos
prestaron su batería. Finalmente, debido al mencionado y lamentable aislamiento social
impuesto por la pandemia, no había clases ni circulación constante de personas en el campus,
lo que transformó el IFSP en un espacio para ensayar y crear música.
Así pues, a finales de julio de 2021 hicimos nuestro primer intento de tocar música en
un aula que, como todas las demás, estaba vacía debido al modelo de aprendizaje remoto de
emergencia impuesto por la pandemia.
Durante los meses de agosto a diciembre de 2021, ocupamos diversos espacios en el
campus vacío. Perfeccionamos la armonía y la melodía de las canciones e incluso creamos una
composición conjunta, titulada MusiFísica (disponible en plataformas musicales desde junio de
2026), en homenaje al curso que nos unió. De hecho, esta canción se convirtió en una especie
de himno para nuestro camino compartido, sintetizando en su letra el espíritu irreverente, crítico
y comprometido que caracteriza tanto al curso de Licenciatura en Física como a la propia Banda
Meia Boca.
Se puede decir que este proceso de composición y ensayo no se trataba solo de hacer
música, sino de construir colectivamente significado, experimentar con lenguajes y reafirmar
los lazos fraternales e institucionales forjados en el poder de la creación de canciones,
combinando la experimentación sonora con letras sobre la vida cotidiana.
Ivan Fortunato
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Como señalan Vieira y Henning (2012), el rock es una expresión artística capaz de
transformar generaciones, rompiendo con patrones conservadores y exigiendo un cambio
social. Esta dimensión se hizo patente en la génesis de la Banda Meia Boca, donde los ensayos
y las composiciones se convirtieron también en gestos políticos, desafiando las normas y
proponiendo reflexiones críticas, y pedagógicos, en la medida en que promovían el aprendizaje
colectivo y creativo.
En este sentido, la práctica musical no solo nos permitió crear sonidos, sino también
reinventar métodos de enseñanza que van más allá de la mera enseñanza y aprendizaje. La
naturaleza colectiva de los ensayos y la autoría de composiciones demostraron ser experiencias
pedagógicas que se comprometen con una educación emancipadora y liberadora, categorías
propias de la pedagogía freireana.
Además, la identidad sonora de la banda estuvo influenciada por una estética cercana al
punk rock, ya que los compases, las estrofas y los acordes se desarrollaron inspirándose en
pioneros de la escena, como la ya mencionada banda Raimundos de Brasilia, y las célebres
bandas de la capital São Paulo, como Ratos de Porão y Garotos Podres. Como recuerda Marcos
(2020), el punk surgió como una subversión de los modelos musicales predominantes,
valorando el lema del hazlo mismo, incluso sin instrumentos costosos ni una formación
técnica refinada.
Este espíritu también impregnó a Meia Boca, que desde sus inicios se comprometió a
interpretar únicamente sus propias composiciones, incluso sin contar con toda la técnica y los
conocimientos necesarios para la música. En este sentido, existe un diálogo cercano con lo que
Silva (2025) observó en la escena punk de São Paulo: riffs simples y repetitivos, ritmos rápidos
y un sonido crudo que refuerza la urgencia del mensaje. De esta manera, Banda Meia Boca
también se acerca a esta estética asumiendo su identidad a través de música original y sencilla
con varias repeticiones del estribillo, pero que puede transmitir significados profundos.
Además, al reconocer este potencial expresivo, França (2012, p. 74) recuerda que el
rock es un género apasionante con gran impacto emocional y expresivo, capaz de integrarse en
el repertorio escolar y tender puentes entre la escuela, la vida y la cultura. Esta perspectiva
refuerza cómo las prácticas formativas vividas en IFSP pueden incorporar lenguajes artísticos
populares, acercando así la escuela, la vida y la cultura.
Además de reunir a los miembros fundadores y servir como espacio de ensayo y
creación, el IFSP Itapetininga también acogió importantes actuaciones de la recién formada
Banda Meia Boca. En 2022, con el regreso a las actividades presenciales tras la vacunación
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generalizada de la población, tuvo lugar la primera edición de Geek-IF, un gran evento que
congregó a cerca de 2000 personas entusiastas de la cultura pop, la tecnología, los videojuegos,
la ciencia ficción y la fantasía. La banda actuó en el escenario del evento y regresó para
presentarse en ediciones posteriores, en 2023 y 2024.
A lo largo de estos años, Banda Meia Boca ha buscado consolidar su identidad, cuya
esencia se puede resumir en la frase: Rock 101% original, con un repertorio de más de 30
canciones rudimentarias, llenas de juegos de palabras y buen humor. Esta identidad no surgió
de inmediato, ya que la propia dinámica de la vida trajo cambios esperados e inesperados,
provocando que los miembros entraran y salieran. Hoy, en el año 2025, Banda Meia Boca está
formada por tres personas: Israel Leitão, de Itapetininga, abogado y bajista, presente desde
octubre de 2021; Nathan Chagas, también de Itapetininga, baterista, músico, hijo de un director
de orquesta y pianista, desde mayo de 2024; y yo, Ivan Fortunato, en voz y guitarra, profesor
en esta institución y compositor desde su fundación.
A lo largo de su trayectoria, Banda Meia Boca ha ocupado diversos espacios culturales
en Itapetininga y sus alrededores, siempre con su propio repertorio, por lo tanto, único e
irreverente en espíritu. Desde su debut en 2021, ha tocado en varios festivales regionales, como
Weedstock y Passeata do Rock. También se ha presentado en el prestigioso Festival de Invierno
de Paranapiacaba y en la parte alta de la Avenida Paulista. A principios de 2025, canalizó su
energía en la grabación de su primer álbum, Isadora, lanzado en todas las plataformas digitales
3
.
Producido en Itapetininga, el álbum reúne 13 temas que sintetizan el sonido crítico, humorístico
y potente de la banda, reafirmando su lugar como expresión musical de un esfuerzo educativo,
poético y colectivo. Ya se encuentran trabajando en otros álbumes.
Concluir esta narración también significa volver al punto de partida: IFSP Itapetininga.
Fue allí, en medio del vacío de los pasillos durante el aislamiento social, donde se sembraron
las primeras semillas de Banda Meia Boca, germinando del encuentro entre la enseñanza, el
afecto y la creación.
Más que un simple espacio físico, el Instituto fue el terreno fértil donde la educación se
convirtió en música, los lazos académicos se transformaron en colaboraciones artísticas y la
práctica se expandió en sonido, letras y presencia. Por lo tanto, la Banda es el resultado directo
de una institución que se atreve a formar individuos críticos y complejos, capaces de enseñar,
investigar, vivir y cantar.
3
Enlace a la plataforma de streaming de música más famosa: https://open.spotify.com/intl-
pt/album/0RycR0CuMiQOS1RLuaEyzt .
Ivan Fortunato
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UN INSTITUTO, TRES VÉRTICES Y UNA BANDA...
Como indiqué en el preludio de esta narración (auto)biográfica: en el centro del
triángulo metafórico formado por mis vértices como docente, ciudadano y músico, late la Banda
Meia Boca. Fue entre la formación, la existencia y la creación que la música tomó forma como
una extensión de la docencia y la investigación. No como un accesorio, sino como un lenguaje
legítimo de una práctica educativa sensible, colectiva y crítica.
El IFSP Itapetininga fue el lugar donde esta geometría formativa, afectiva y política
comenzó a tomar forma, propiciando encuentros, escuchas e invenciones que hoy resuenan
mucho más allá de la propia institución. El campus nunca fue un mero telón de fondo: estuvo
en el corazón de todo este recorrido, ofreciendo conexiones inesperadas, libertad creativa y una
educación que cobra sentido en la vida de quienes la experimentan.
El proceso, inicialmente solitario, pronto involucró la colaboración de estudiantes del
IFSP. Crear música dejó de ser un simple pasatiempo para convertirse en un gesto pedagógico:
una práctica de escucha, diálogo e invención compartida. La creación musical de la Banda Meia
Boca se materializó con la misma ética que guía mi trabajo en el aula: el rechazo a la
neutralidad, la valoración de la creación colectiva y la convicción de que aprender y enseñar
solo tienen sentido cuando generan vida, alegría y esperanza.
La banda Meia Boca, nacida de estas circunstancias formativas, sigue haciendo eco de
voces, componiendo emociones y demostrando que transformar el mundo es posible partiendo
de un ensayo, un coro o un solo improvisado. Porque educar, al fin y al cabo, es esto:
(re)inventar ritmos para existir. El lema «101% original» se ha convertido en un gesto
pedagógico de autonomía y creación.
Así pues, me atrevo a afirmar que esta experiencia musical puede entenderse como una
práctica pedagógica en misma. Al crear e interpretar colectivamente, el aprendizaje se vive
como un proceso estético y existencial, en el que se entrelazan afectos, vínculos y
conocimientos. Al optar por el enfoque del «hazlo tú mismo», característico de la escena punk,
Banda Meia Boca traduce la pedagogía de la autonomía a la música.
Después de todo, como bien expresaron Fantin y Alves dos Santos (2021, p. 140): la
escuela y la música rock comparten una característica común: ambas sufren diagnósticos
fatalistas que, de vez en cuando, decretan su fin. Fue precisamente a raíz de este proceso de
cierre y autodescubrimiento, tras experimentar la profesión docente, las improvisaciones de
métodos de enseñanza circunstanciales y el nacimiento de la banda, que me encontré con un
101% autoral: narrativa (auto)biográfica de la docencia en el IFSP a la formación de la Banda Meia Boca
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diagnóstico de otra índole: el tardío descubrimiento de que estoy dentro del Trastorno del
Espectro Autista (TEA).
Así, comprender la neurodivergencia fue la pieza clave que me permitió, en
retrospectiva, comprender la geometría completa de esta narrativa. Entenderme como autista
dio sentido a mi distanciamiento histórico de las rigideces institucionales, a mi búsqueda casi
vital de la música como espacio de autorregulación y, sobre todo, a la necesidad ética de
construir una práctica docente basada en el acogimiento. El diagnóstico reveló que el yo
músico es inseparable del yo docente y del yo ciudadano; la autoría de las composiciones
se fusiona con la autoría pedagógica, y la acción colectiva refuerza la dimensión cívica de una
educación comprometida con la plenitud de la vida.
En este sentido, Banda Meia Boca no es solo un proyecto artístico, sino la manifestación
sonora de un enfoque pedagógico crítico y liberador, donde enseñar, investigar y componer se
convierten en distintas expresiones de una misma propuesta formativa. Y así, entre la
enseñanza, la ciudadanía y la música, que nuestro lema siga resonando: ¡Bora que let's, que el
Rock es lo máximo!, que, en el ámbito educativo, podría traducirse como: ¡Bora que let's, a
enseñar con alegría y osadía!.
Ivan Fortunato
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I va n F ort u n at o
R P G E R e vista o n li n e d e P oti c a e G est ã o E d u c a ci o n al , Ar ar a q u ar a, v. 3 0, n. 0 0, e 0 2 6 0 5 4, 2 0 2 6. e -I S S N: 1 5 1 9-9 0 2 9
D OI: 1 0. 2 2 6 3 3/ r p g e. v 3 0i 0 0. 2 1 1 5 9 1 9
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d e ci mi e nt os : N o a pli c a.
Fi n a n ci a ci ó n : Pr o gr a m a I nstit u ci o n al p ar a F o m e nt ar l a P arti ci p a ci ó n e n E v e nt os
Cie ntífi c os y Te c n ol ó gi c os p ar a l os e m pl e a d os d el I nstit ut o F e d er al d e E d u c a ci ó n, Ci e n ci a
y Te c n ol o a d e S ã o P a ul o (PI P E C T /I F S P).
C o nfli ct os d e i nt e r és: N o a pli c a.
A p r o b a ci ó n éti c a : N o a pli c a.
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al es : N o a pli c a bl e.
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o r es : A ut o a e x cl usi v a.
P r o c es a mi e nt o y e di ci ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
C orr e c ci ó n d e pr u e b as, f or m at o, est a n d ari z a ci ó n y tr a d u c ci ó n