RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 1
NAS BATIDAS DO FUNK: SEXUALIDADE, PEDAGOGIAS CULTURAIS E A
CONSTRUÇÃO DE SUBJETIVIDADES INFANTIS NA CONTEMPORANEIDADE
EN LOS RITMOS DEL FUNK: SEXUALIDAD, PEDAGOGÍAS CULTURALES Y LA
CONSTRUCCIÓN DE SUBJETIVIDADES INFANTILES EN LA
CONTEMPORANEIDAD
IN THE BEATS OF FUNK: SEXUALITY, CULTURAL PEDAGOGIES, AND THE
CONSTRUCTION OF CHILDRENS SUBJECTIVITIES IN CONTEMPORARY TIMES
Priscila Alves COSTA
1
e-mail: priscila.a.co[email protected]
Andreza Marques de Castro LEÃO
2
e-mail: and[email protected]
Luci Regina MUZZETI
3
e-mail: luci.m[email protected]
Como referenciar este artigo:
Costa, P. A., Leão, A. M. C., & Muzzeti, L. R. (2026). Nas batidas
do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de
subjetividades infantis na contemporaneidade. Revista on line de
Política e Gestão Educacional, 30, e026090.
https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.21409
| Submetido em: 21/03/2026
| Revisões requeridas em: 18/05/2026
| Aprovado em: 30/06/2026
| Publicado em: 12/08/2026
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual Paulista (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brasil. Aluna do Programa de Pós-
graduação em Educação Sexual e Educação Escolar, Faculdade de Ciências e Letras.
2
Universidade Estadual Paulista (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brasil. Docente do Departamento de
Psicologia da Educação e dos Programas de Pós-graduação em Educação Sexual e Educação Escolar, Faculdade
de Ciências e Letras.
3
Universidade Estadual Paulista (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brasil. Docente do Departamento de
Educação e dos Programas de Pós-graduação em Educação Sexual e Educação Escolar.
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
RESUMO: A infância, compreendida como constructo social e cultural em transformação, tem
sido significativamente impactada pelas mídias contemporâneas e tecnologias digitais, que
ocupam lugar central na formação da subjetividade infantil. Este trabalho analisou como a
música, especialmente o funk, enquanto artefato cultural midiático, pode contribuir para a
erotização precoce e a reprodução de discursos sobre gênero e sexualidade na infância. Trata-
se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, cujo corpus foi composto por letras de
músicas do gênero funk, selecionadas por sua relevância temática. Fundamentado na Análise de
Conteúdo, o estudo identificou as categorias erotização precoce, violência de gênero e
identidade cultural, interpretadas à luz dos Estudos Culturais em Educação e da Educação
Sexual Crítica. Os resultados evidenciam que discursos musicais podem contribuir para
naturalizar desigualdades, violências simbólicas e processos de erotização precoce. Destaca-se,
portanto, a relevância da educação sexual crítica na escola para promover reflexões sobre as
influências midiáticas na construção da subjetividade infantil.
PALAVRAS-CHAVE: Infância. Criança. Sexualidade. Mídia. Música.
RESUMEN: La infancia, comprendida como un constructo social y cultural en
transformación, se ha visto significativamente afectada por los medios de comunicación
contemporáneos y las tecnologías digitales, que desempeñan un papel central en la formación
de las subjetividades infantiles. Este estudio analizó cómo la música, especialmente el funk,
como artefacto cultural mediático, puede contribuir a la erotización precoz y a la reproducción
de discursos sobre género y sexualidad durante la infancia. Se trata de una investigación
cualitativa, bibliográfica y documental, cuyo corpus estuvo compuesto por letras de canciones
del género funk, seleccionadas por su relevancia temática. Fundamentado en el Análisis de
Contenido, el estudio identificó las categorías de erotización precoz, violencia de género e
identidad cultural, interpretadas a la luz de los Estudios Culturales en Educación y la
Educación Sexual Crítica. Los resultados evidencian que los discursos musicales pueden
contribuir a naturalizar desigualdades, violencias simbólicas y procesos de erotización precoz.
Por lo tanto, se destaca la relevancia de la educación sexual crítica en la escuela para
promover la reflexión sobre las influencias mediáticas en la construcción de las subjetividades
infantiles.
PALABRAS CLAVE: Infancia. Niño. Sexualidad. Medios. Música.
ABSTRACT: Childhood, understood as a changing social and cultural construct, has been
significantly affected by contemporary media and digital technologies, which play a central
role in shaping children’s subjectivities. This study analyzed how music, particularly funk, as a
media cultural artifact, may contribute to the premature sexualization of children and the
reproduction of discourses on gender and sexuality during childhood. This qualitative study
employed bibliographic and documentary research, with a corpus consisting of funk song lyrics
selected for their thematic relevance. Grounded in Content Analysis, the study identified the
categories of premature sexualization, gender-based violence, and cultural identity, which were
interpreted in light of Cultural Studies in Education and Critical Sexuality Education. The
findings indicate that musical discourses may contribute to the normalization of inequalities,
symbolic violence, and processes of premature sexualization. Therefore, the study highlights the
relevance of critical sexuality education in schools as a means of fostering reflection on media
influences on the construction of children’s subjectivities.
KEYWORDS: Childhood. Child. Sexuality. Media. Music.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 3
INTRODUÇÃO
O avanço das tecnologias emergentes e as transformações nas práticas sociais
contemporâneas delinearam um novo panorama e uma perspectiva distinta em relação à
infância. Na contemporaneidade, a infância encontra-se marcada por ampla visibilidade social
e intensa exposição a conteúdos midiáticos e artefatos culturais digitais. Como discorre Ariès
(1981), a infância não é uma categoria fixa, mas uma construção social e histórica que sofre
contínuas ressignificações conforme os contextos e discursos que a cercam.
Nesse cenário de rápidas reconfigurações sociais, marcado pela aceleração do tempo,
consumo de imagens e hiperconectividade, as Tecnologias da Informação e Comunicação
(TICs), assumem papel central também na experiência infantil. Se, por um lado, ampliam o
acesso ao conhecimento, por outro, expõem precocemente crianças a discursos e representações
midiáticas, que naturalizam práticas erotizadas e, muitas vezes, violentas. O foco deste trabalho
não está em culpabilizar a tecnologia ou romantizar uma infância idealizada, mas em
problematizar os discursos que, mediados pela mídia, interferem na construção das
subjetividades infantis. É justamente nesse contexto que os Estudos Culturais constituem um
referencial teórico fundamental para compreendermos as implicações desse processo.
A subjetividade, nessa perspectiva, é compreendida como uma construção discursiva,
social e histórica. Hall (1997) e Silva (2002) sustentam que discursos midiáticos, culturais e
educacionais produzem modos de ser e agir, constituindo as subjetividades infantis. Em meio a
esta realidade, o corpo infantil tem sido frequentemente erotizado por meio dos artefatos
culturais midiáticos, tais como músicas, teatro, vídeos, propagandas, redes sociais, filmes,
programas televisivos, entre outros. Entre esses artefatos, a música destaca-se como elemento
contemporâneo que espetaculariza a sexualidade e evidencia problemáticas como violência de
gênero e pedofilização, conforme discute Jane Felipe (2006).
A presente pesquisa se justifica ao reconhecer que a educação sexual informal ocorre
em múltiplos espaços sociais, especialmente nas mídias digitais, que influenciam a construção
da subjetividade infantil. Nessa conjuntura, os Estudos Culturais em Educação possibilitam
compreender os artefatos midiáticos como pedagogias culturais, uma vez que atuam na
produção de processos de autoaprendizagem e na constituição de modos de conduta. Conquanto
a educação sexual se manifeste na família, na mídia digital e em produtos culturais, é na escola
que deve se consolidar como prática intencional, crítica e emancipatória, promovendo leituras
problematizadoras sobre sexualidade, gênero e poder.
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
INFÂNCIA, SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E SUBJETIVIDADE
Diversas formas de vivenciar a infância foram construídas social e culturalmente ao
longo da história humana. Larrosa e Veiga-Neto (2009) problematizam a noção linear e
evolutiva da infância ao afirmar que a criança não pode ser compreendida como pertencente a
um tempo cronológico ou progressivo, mas como presença, acontecimento e experiência que
escapam às categorias tradicionais de desenvolvimento. A partir dessa concepção, compreende-
se que a infância não é universal ou fixa, mas uma construção histórica e discursiva. Ariès
(1981) demonstra que a ideia de criança e o próprio conceito de infância são produções sociais
que se transformam ao longo do tempo.
Antigamente, entre os séculos XII e XVII, a infância ainda não se configurava uma
categorial social reconhecida. As crianças eram inseridas precocemente no universo adulto, em
contextos marcados por pouca diferenciação etária e limitada proteção social, inclusive frente
a práticas de natureza sexual. Posteriormente, a criança passou a ser concebida como um sujeito
em processo de desenvolvimento, digna de cuidado, afeto e proteção, além de progressivamente
reconhecida como portadora de direitos, em configurações que se transformaram ao longo do
tempo (Ariès, 1981). Essas diferentes concepções corroboram a análise de Beck (2012),
segundo a qual os processos de construção e desconstrução da infância estão intrinsecamente
vinculados aos contextos sociais em que são produzidas.
Sendo assim, torna-se fundamental refletir como a infância é concebida na
contemporaneidade e de que modo os discursos sociais incidem na constituição das
subjetividades infantis. Entre esses discursos, destaca-se a mídia, que assume papel central
como mediadora cultural e instância pedagógica informal, presente de forma marcante no
cotidiano infantil. Representações veiculadas pela televisão, internet, música, vídeos e redes
sociais difundem discursos que influenciam modos de perceber o mundo, o outro e a si mesmas.
Felipe (2012) assevera que, embora o avanço das tecnologias amplie o acesso à
informação, ao entretenimento e às formas de interação social, ele também suscita
preocupações, especialmente quanto à inserção das crianças na rede. A autora explicita que,
diante da produção e circulação de artefatos culturais digitais, torna-se fundamental
problematizar as imagens, concepções de mundo, de corpo, de relações e de ética que estamos
difundindo.
Sob esta ótica, o corpo infantil passa a ocupar lugar estratégico nas dinâmicas midiáticas
e de consumo. Segundo Sampaio et al. (2022), a naturalização dessas práticas contribui para
processos de adultização precoce e produção de estereótipos que impactam a identidade infantil.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 5
Essa erotização ocorre por meio de diferentes artefatos culturais midiáticos, os quais promovem
a aproximação do universo infantil a códigos simbólicos do mundo adulto. É nesse movimento
que se insere o que Felipe (2006) denomina de pedofilização: um processo cultural e simbólico
que transforma o corpo infantil em objeto de desejo e consumo, por meio de discursos, imagens
e práticas amplamente difundidas pela mídia e pela indústria cultural.
Diante disso, evidencia-se uma contradição: ao mesmo tempo em que políticas públicas
defendem a proteção da infância, a própria sociedade legitima a exposição de crianças a práticas
e discursos erotizados. Essa ambivalência exige uma análise crítica sobre os impactos desses
discursos na constituição da subjetividade infantil.
À luz dessas discussões, os Estudos Culturais, por meio das contribuições de Hall
(1997), Louro (1997) e Silva (2002), oferecem importantes subsídios para compreender os
processos de construção das identidades e subjetividades. Para Hall (1997), essas dimensões
não são essências fixas, mas construções discursivas e culturais: posições que os sujeitos
ocupam em relação a discursos socialmente e historicamente circulantes, moldadas pela
linguagem, pelas imagens e pelas representações que nos interpõem cotidianamente.
Louro (1997) amplia essa perspectiva ao destacar que as identidades, incluindo as
infantis, são produzidas por discursos que regulam e normatizam formas de ser, agir e
relacionar-se. Complementando esse olhar, Silva (2002) defende que os discursos educacionais,
culturais e midiáticos se configuram como campos de poder que produzem sujeitos e
subjetividades, construídas sempre de maneira histórica e relacional. Assim, a criança não surge
como sujeito acabado, mas é continuamente constituída pelas forças discursivas e culturais que
a envolvem.
Portanto, frente à exposição constante do público infantil a discursos erotizados
mediados pela mídia, torna-se urgente refletir sobre os efeitos dessas práticas na constituição
das subjetividades infantis. Como Felipe e Guizzo (2003, p. 128) argumentam:
Os corpos vêm sendo instigados a uma crescente erotização, amplamente veiculada através da
TV, do cinema, da música, em jornais, revistas, propagandas, outdoors, e, mais recentemente,
com o uso da internet, tem sido possível vivenciar novas modalidades de exploração dos corpos
e da sexualidade.
À vista do exposto, é possível compreender que a subjetividade infantil não é resultado
de uma essência natural ou de um processo puramente biológico, mas uma construção histórica,
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
social e discursiva. As crianças, desde muito cedo, são interpeladas por narrativas midiáticas
que ajudam a formar modos de perceber o mundo, o outro e a si mesmas. Como destacam Leão
et al. (2014), os veículos midiáticos não apenas produzem e disseminam discursos sobre
sexualidade, mas também atuam como instâncias que frequentemente erotizam precocemente
as crianças, seja pela exposição imagética, seja pela naturalização de conteúdos que reforçam
padrões adultos de corpo e comportamento. Esse cenário reforça a necessidade de compreender
como os discursos midiáticos atravessam a infância e participam da produção de subjetividades
marcadas pela lógica adultocêntrica, evidenciando a importância de políticas e práticas
educativas que promovam a proteção das infâncias, o debate crítico e o respeito ao direito de
ser criança.
MÍDIA, MÚSICA E SEXUALIDADE
Em contextos interpelados pela rápida transformação digital e pela expansão dos meios
de comunicação, a mídia assume papel central na formação de subjetividades relacionadas à
Infância e Sexualidade. Martín-Barbero (2001) compreende a mídia como espaço de mediação
cultural que produz sentidos sociais e participa da construção identitária. Kellner (2001) frisa o
papel pedagógico da mídia na produção de modos de ser, consumir e se comportar.Fischer
(2002) problematiza os imperativos de beleza, juventude e erotização presentes na dia, que
transformam o corpo em objeto de desejo e consumo.
No cenário atual, observa-se um aumento expressivo no consumo midiático infantil, que
tem se intensificado de forma marcante nos últimos anos. Dados do Centro Regional de Estudos
para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br, 2025), divulgada em 22 de
outubro, indicam que 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos utilizam a internet, sendo
que 28% iniciaram o acesso antes dos 6 anos de idade, quase o triplo do percentual registrado
em 2016, quando esse índice era de apenas 10%. Esse avanço precoce no acesso digital,
contudo, não pode ser analisado apenas sob a perspectiva da conectividade, mas também à luz
dos riscos que atravessam essa inserção precoce no ambiente virtual.
Costa et al. (2025) ressaltam que tem se tornado recorrente a delegação do cuidado
digital de crianças e adolescentes aos próprios dispositivos eletrônicos, criando entre os
responsáveis uma sensação de segurança que, na prática, pode ser ilusória. Segundo os autores,
a inserção pouco supervisionada no ambiente digital amplia a exposição a riscos como o
grooming, caracterizado pelo aliciamento virtual de menores. Plataformas como YouTube,
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 7
TikTok e Instagram expõem crianças e adolescentes a conteúdos frequentemente inadequados
à faixa etária. Essas redes sociais oferecem acesso livre a vídeos de danças sensuais e
coreografias sexualizadas, muitas vezes realizados por influenciadores adultos e também por
crianças, favorecendo a naturalização de discursos erotizados no cotidiano infantil. No TikTok,
vídeos curtos e virais com coreografias e gestos sensuais favorecem a incorporação precoce de
códigos do universo adulto pelas crianças, podendo contribuir para processos de erotização
precoce (Felipe, 2006). No YouTube e no Instagram, conteúdos baseados em músicas
populares, performances corporalizadas e tendências virais podem reforçar estereótipos de
gênero e ideais de sensualidade e consumo, favorecendo a antecipação de códigos do universo
adulto pelas crianças.
Dessa forma, as redes sociais operam como pedagogias culturais (Louro, 1997; Silva,
2002), produzindo valores, comportamentos e modos de ser relacionados ao corpo, à
sexualidade e às relações sociais. Essa compreensão dialoga com o que propõe Silva (2002), ao
afirmar que os Estudos Culturais em Educação permitem analisar criticamente a relação entre
cultura, poder e subjetividade, destacando que as pedagogias culturais atuam na formação dos
sujeitos por meio da circulação de práticas, imagens e discursos que orientam condutas e
definem modos de existir. Para o autor, “a pedagogia cultural é a pedagogia que se exerce fora
da escola, nas ruas, na televisão, no cinema, na publicidade, na moda, enfim, em todos os
espaços sociais nos quais somos formados como sujeitos culturais” (Silva, 2002, p. 84).
As redes sociais não apenas oferecem entretenimento, mas também produzem discursos
que moldam subjetividades sexuadas e normatizadas desde a infância, exigindo reflexão ética
e educativa sobre os limites dessa exposição. Como salientam Costa et al. (2025, p. 6162):
Atualmente, nota-se que, é inquestionável a desenvoltura das redes sociais em captar a atenção
dos jovens, sendo difícil resistir a praticidades e distrações oferecidas, a exposição perigosa da
criança no meio social, pode afetar (de maneira muito provável): o desenvolvimento; percepção;
personalidade; e sua formação como posterior adulto.
Ao reconhecer os impactos dessa exposição sobre o desenvolvimento infantil, torna-se
imprescindível compreender que tais influências não operam de maneira neutra, mas
constituem verdadeiros processos formativos. A mídia assume um papel pedagógico-cultural
ao ensinar modos de ser e agir, especialmente por meio da música. Compreendida como
artefato cultural midiático, a música enquanto linguagem simbólica e discurso cultural, carrega
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
representações, valores e normas que são apropriadas, ressignificadas e reproduzidas pelos
sujeitos, especialmente pelas crianças.
De acordo com Felipe e Guizzo (2003), a música funciona como uma pedagogia cultural
ao veicular mensagens sobre sexualidade, corpo e gênero. Para as autoras essas mensagens não
apenas refletem as concepções da sociedade, mas também contribuem ativamente para formar
subjetividades. Louro (2000) argumenta que os produtos culturais não apenas representam a
realidade, mas a constroem. Em outras palavras, as letras das músicas, os videoclipes e as
imagens veiculadas pela mídia configuram-se como práticas discursivas que atuam na produção
de sentidos, subjetividades e modos de existência. Refletir sobre como a música é vivenciada
pelas crianças na contemporaneidade implica analisar também sobre a apropriação e fruição
musical, desenvolvendo um olhar crítico sobre as letras e discursos reproduzidos, especialmente
aqueles relacionados à sexualidade.
Em relação à música, Subtil (2003) pontua que ela está amplamente presente no
cotidiano infantil, sendo vivenciada em diferentes espaços sociais, como escolas, festas, igrejas
e redes sociais, nos quais amigos, colegas e familiares atuam como mediadores culturais. Com
o advento das tecnologias audiovisuais, consolidou-se uma nova relação entre crianças e
aparatos eletrônicos, transformando as mídias em canais de circulação de informações que
modificam percepções e olhares, inclusive sobre a sexualidade.
Ao analisar o gosto musical no contexto do consumo midiático, Subtil (2003) alude que
a música midiática atende simultaneamente a demandas simbólicas e ao consumo, sendo
marcada pela popularidade momentânea de artistas e melodias. Entre crianças de 9 a 12 anos,
essas práticas não se limitam ao consumo superficial, mas influenciam a forma como percebem
e interpretam o mundo, a sociedade e as relações humanas (Subtil, 2003).
Subtil (2007) ressalta também que, na sociedade midiática, não há delimitação de tipos
de música para diferentes faixas etárias, havendo uma homogeneização do padrão do gosto
musical. Observa-se, assim, uma elevada velocidade de circulação das músicas nas mídias, em
grande medida, sem que haja autonomia estética ou análise crítica acerca do conteúdo das letras.
Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube desempenham papel decisivo na difusão
desses materiais entre crianças e jovens. Essa visão reflete as preocupações de Adorno (2011)
sobre a homogeneização e a padronização cultural na sociedade de massa ao afirmar que o gosto
musical por canções de sucesso tende a refletir mais o reconhecimento social do que uma
apreciação autêntica da obra. A partir desta lógica, a música se insere na lógica da indústria
cultural, que promove a produção massificada e homogênea, alienando o público e
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 9
transformando a arte em produto comercial desvinculado de uma experiência autônoma de
apreciação.
Na apreciação de Felipe e Guizo (2003), a música é um dos artefatos culturais que tem
trazido de forma evidenciada a espetacularização da sexualidade, indicando modos de ser, atuar,
de produzir conhecimentos e educar. Com efeito, a música denuncia, por meio de suas letras, a
concepção de mundo de uma determinada cultura, em certo contexto histórico. Ela educa e
indica modos de ser e sentir, construindo identidades, inclusive sexuais, a partir do discurso que
ela traz.
A música funk é um dos gêneros musicais com grande repercussão midiática e que
reproduz, em algumas letras, questões relacionadas à violência sexual, à violência de gênero e
à pedofilização. Na realidade, não é incomum letras em que se evidencia, de maneira explícita,
o machismo, o sexismo e a misoginia. Em seus estudos sobre o funk, Felipe (2006, p. 218) faz
algumas pontuações relevantes sobre as músicas de tal gênero:
No caso do funk, as letras se caracterizam pela referência explícita a práticas sexuais, sem
rodeios ou sutilezas, remetendo a um mero exercício sexual, onde os órgãos genitais são
mencionados, atos sexuais em suas mais variadas formas são proclamados, acompanhadas de
coreografias sensuais, que remetem à exibição dos corpos femininos. Trata-se de uma
sexualidade explícita, sem pudores, nem rodeios.
Nos dias hodiernos, devido à acessibilidade às tecnologias, o público infantil está
exposto a conteúdos que incitam a erotização precoce por meio de veículos midiáticos,
resultando na antecipação de fases e interferindo no processo natural do desenvolvimento, do
conhecimento corporal e da sexualidade. Nesse cenário, é fundamental compreender que a
música, como artefato midiático potente, atua como prática discursiva que interpela os sujeitos
e participa da constituição de suas subjetividades.
Como argumenta Hall (1997), os sujeitos são produzidos dentro de regimes de
representação e linguagem, ou seja, não são pré-formados, mas posicionados por discursos que
atribuem sentidos ao corpo, ao desejo, à sexualidade e ao lugar social. Louro (1997) reforça que
a mídia e a música, em particular, atuam como dispositivos pedagógicos não escolares,
ensinando sobre o que é ser menino ou menina, o que é desejável ou não, quem pode desejar e
quem deve ser desejado. Esses discursos atravessam os corpos infantis e participam da
constituição de subjetividades desde muito cedo, produzindo modos de ser, de sentir e de agir.
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
Dessa forma, a música não deve ser entendida apenas como entretenimento ou
manifestação artística isolada, mas como um dispositivo cultural poderoso de construção de
subjetividades infantis, cujos efeitos precisam ser analisados criticamente, sobretudo quando
perpassam os campos da sexualidade, da erotização e das relações de gênero.
Santos (2021) abaliza que as obras artísticas, como filmes, músicas e pinturas,
constituem discursos produzidos em determinado contexto histórico e cultural, refletindo
valores e estruturas sociais, mas também podendo questionar, reformular ou romper com as
estruturas vigentes. Tal compreensão aproxima-se dos fundamentos da educação sexual crítica,
que entende a sexualidade como construção histórica, social e política, atravessada por relações
de poder, gênero, classe e cultura. Assim, a música deixa de ser analisada apenas como
entretenimento e passa a ser compreendida como artefato cultural formativo, capaz tanto de
reproduzir discursos hegemônicos quanto de tensioná-los e ressignificá-los. Reconhecer esse
movimento constitui passo fundamental para a formulação de práticas pedagógicas
comprometidas com a emancipação, a equidade e a proteção integral da infância.
Diante da intensa participação das crianças nas mídias digitais, torna-se fundamental
promover práticas de leitura crítica e reflexiva da mídia (Girardello et al., 2021). Sob a ótica da
educação sexual formal, tal formação não se limita à transmissão de informações biológicas ou
preventivas, mas implica problematizar os discursos que naturalizam desigualdades de gênero,
objetificações corporais e erotizações precoces. Trata-se de promover processos educativos que
possibilitem às criaas compreenderem como tais representações são socialmente construídas
e quais interesses podem sustentar sua circulação.
A escola é espaço estratégico nas disputas contemporâneas pela produção de sentidos,
valores e concepções de mundo, sendo atravessada por interesses políticos, ideológicos e
culturais (Hage, 2011). A educação sexual, por sua vez, configura-se como prática pedagógica
intencional que visa desnaturalizar discursos, ampliar repertórios culturais e fomentar a
autonomia moral e intelectual dos estudantes. Tal necessidade torna-se ainda mais evidente
diante das questões relativas à sexualidade, que refletem disputas contemporâneas
intensificadas pelos discursos midiáticos e culturais.
Conforme afirmam Maia e Ribeiro (2011), a educação sexual realizada de forma não
intencional (informal), manifesta-se por meio de diferentes discursos sociais, incluindo os
midiáticos, que atuam na produção de sentidos sobre corpos, gênero e sexualidade. Nos Estudos
Culturais em Educação, tais processos são compreendidos como pedagogias culturais, uma vez
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 11
que produzem aprendizagens, valores e modos de subjetivação para além dos espaços formais
de ensino.
Músicas de grande alcance, como o gênero funk, podem, em determinadas produções,
veicular representações erotizadas e desigualitárias de gênero (Maia & Ribeiro, 2011). Quando
esse processo passa a ser assumido como objeto de ensino, fundamentado cientificamente e
orientado por intencionalidade pedagógica, planejamento e definição de objetivos específicos,
configura-se o que se denomina como educação sexual formal. Desenvolvida prioritariamente
no contexto escolar, essa modalidade exige organização sistemática e abordagens cuidadosas,
voltadas à construção de conhecimentos e reflees críticas sobre a sexualidade.
Diante desse cenário, a educação sexual formal, orientada por uma perspectiva crítica,
propõe-se a criar espaços de diálogo e problematização que articulem dimensões sociais,
históricas, culturais e psicológicas da sexualidade. Ao promover análises contextualizadas dos
produtos midiáticos, a escola possibilita que os estudantes questionem representações
naturalizadas, compreendam as relações de poder nelas implicadas e desenvolvam
posicionamentos mais conscientes, éticos e emancipatórios (Leão et al., 2014).
METODOLOGIA
A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de abordagem bibliográfica e documental,
sustentada em uma perspectiva sócio-histórico-cultural e crítica. A dimensão bibliográfica
envolveu a análise de referenciais sobre gênero, sexualidade, cultura e educação, com base em
Connell (1995), Giroux (2001), Hall (1997), Louro (1997) e Segato (2018).
A dimensão documental considerou letras de músicas funk como documentos culturais
(Cellard, 2008), permitindo compreender dinâmicas simbólicas, ideológicas e educativas. O
corpus incluiu duas letras selecionadas por pertinência temática, popularidade e circulação
midiática.
A análise foi realizada por meio da Análise de Conteúdo de Bardin (2011), em três
etapas: pré-análise, para identificação de temas; exploração do material, com codificação que
gerou as categorias erotização precoce, violência de gênero e identidade cultural; e
interpretação, relacionando as categorias ao referencial teórico para inferir sobre representações
de infância, gênero e sexualidade. Da análise, emergiram três categorias centrais:
Erotização Precoce: diz respeito à construção e naturalização da sexualidade precoce
de crianças e adolescentes, que, segundo Louro (1997), ocorre quando a criança é inserida em
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
um campo de significações que associa seu corpo, gestos, roupas e comportamentos a códigos
e símbolos da sexualidade adulta. Tais processos manifestam-se tanto por marcadores etários
explícitos (novinha, garota), quanto pela ampla circulação de discursos sexualizados que
banalizam e espetacularizam a sexualidade em contextos midiáticos e culturais.
Violência de Gênero: refere-se à manifestação simbólica e estrutural de dominação
masculina, operando tanto no plano físico quanto no simbólico (Segato, 2018).
Identidade Cultural: De acordo com Hall (1997) e Connell (1995), a identidade cultural
é uma construção discursiva e social, onde sujeitos se posicionam e afirmam pertencimentos,
contribuindo também para a construção de identidades sociais e culturais.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
Foram analisadas duas músicas do gênero funk por meio de uma abordagem qualitativa
ancorada nos Estudos Culturais em Educação e na Educação Sexual Crítica, com foco na leitura
crítica dos discursos que atuam como dispositivos pedagógicos informais na formação das
subjetividades infantis. A análise considerou três categorias: erotização precoce, violência de
gênero e identidade cultural para compreender como tais discursos contribuem para a
naturalização da erotização precoce, das desigualdades e das violências simbólicas.
Quadro 1.
Título da música: “Socada Botada 2”, cantada por MC MN, MC Cajá & DJ Robão
[Intro]
Esse é o DJ Robão, tá lançando a nova moda
[Verso 1: MC Cajá]
Conheço cada cheiro e defino só de olhar
Se gosta de dar de quatro ou se gosta de sentar
Conheço cada cheiro e defino só de olhar
Se gosta de dar de quatro ou se gosta de sentar
De sentar, de sentar
[Refrão: MC Cajá]
Eu já comi loira, morena, mulata, a branca e a
preta
Sou colecionador de buceta (Socada)
Sou colecionador de buceta (Com raiva, botada)
Sou colecionador de buceta (Socada, com raiva)
O Robão coleciona buceta (Botada, socada)
O Metralha colеciona buceta (Com raiva)
[Verso 2: MC MN & MC Cajá]
Vem, garota safadona, jogando a buceta na
minha dirеção
Vem, garota safadona, jogando a buceta na
minha direção
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão
(Socada, com raiva)
MC MN é galudão, ele vai te dar catucadão
(Botada, socada)
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão (Com
raiva, botada)
MC MN é galudão, ele vai te dar catucadão
(Socada, com raiva)
Nota. Mc Min (2020).
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 13
Quadro 2.
Análise da música “Socada Botada 2”
TRECHO DA MÚSICA: “vem, garota safadona, jogando a buceta na minha direção”.
ANÁLISE CRÍTICA: Expressões como “garota” podem ser associadas ao universo
adolescente ou mesmo infantil. A presença de crianças e adolescentes nesse circuito musical,
como ouvintes, dançarinos ou performers em redes sociais, demonstra como o discurso
adultocêntrico da sexualidade antecipa normas de gênero e desejo, reforçando o que Louro
(1997) chama de regulação da sexualidade infantil por meio de práticas discursivas. Não se
trata de uma erotização que parte da criança, mas sim da maneira como a linguagem, a mídia
e os discursos sociais sexualizam seus corpos.
TRECHO DA MÚSICA: “Eu comi loira, morena, mulata, a branca e a preta / Sou
colecionador de buceta”
ANÁLISE CRÍTICA: Esses trechos evidenciam a objetificação e desumanização da mulher,
reforçando relações de poder assimétricas e reproduzindo práticas misóginas, conforme
analisa Segato (2018). Tal discurso contribui para a manutenção da violência simbólica e das
desigualdades de gênero.
TRECHO DA MÚSICA: “Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão.”
ANÁLISE CRÍTICA: Nesse trecho, reafirma-se uma identidade marcada pela
masculinidade hegemônica, que reproduz relações desiguais de dominação sexual e
simbólica. O termo “galudão” funciona como um marcador hipermasculino que remete à
virilidade extrema e à prontidão sexual, alinhando-se ao modelo hegemônico de
masculinidade. Tal construção discursiva produz subjetividades baseadas em força, controle
e dominação. Como aponta Hall (1997), as identidades se constituem em sistemas culturais
de significação e poder que legitimam determinados modos de ser em detrimento de outros.
Nota. Elaborado pelas autoras.
Quadro 3.
Título da música: “Open the Checka”, cantada por Caio Alexandre Cruz (MC Lan)
E aí, R7? Tipo All Net, ladrão
Ensinando inglês, ladrão, ha
Tamo desbravando o mundo, ladrão
Vamo comer as europeia agora, as gringa
R7, quem falou que nós era burro, ladrão?
Hi, my name is Lan
Vou dar game over no seu cu, novinha
Versão brasileira, Herbert Richers
[Refrão 1]
Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka!
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Vamo ensinar inglês pras pepeca analfabeta, vai!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain, ain, ain
[Pós-Refrão]
I love you too cool
Então senta no piru
Cê não tá entendendo o que eu tô falando?
[Verso]
One, two, three, sentando
Versão brasileira, Herbert Richers
[Refrão 1]
Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka!
Four, six, seven, sentando
Seven, eight, nine
Eu não sei falar o resto
Ahn, fudeu!
Ai! One, two, three, sentando
Four, six, seven, sentando
E o resto você procura lá com o mano
Como é o nome? Wizard?
[Ponte]
Já que é pra falar Inglês
Vamo ensinar pras vagabunda
Vem de big bunda
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
I love you too cool
Então senta no piru
Ai, ai, ai
You might also like
5 Minutos de Merda
MC Lan
bad idea right?
Olivia Rodrigo
Used To Be Young
Miley Cyrus
[Interlúdio]
Excuse me! Excuse me!
Excuse me, novinha!
Faz tchaca tchaca com os mano, novinha!
Ai, a-ai!
Faz tchaca tch... Ei! Excuse me
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vai tomar piroca
Vai, vai tomar pirocation
Vai tomar piroca
Vai, vai tomar pirocation
Nota. MC Lan (2017).
Quadro 4.
Análise da música “Open the Checka”
TRECHO DA MÚSICA: “Vou dar game over no seu cu, novinha” / “Excuse me, novinha!
Faz tchaca tchaca com os mano, novinha!”
ANÁLISE CRÍTICA: O uso do termo “novinha” associado a um discurso sexual explícito
pode indicar a hipersexualização precoce e a naturalização da exploração sexual de jovens,
reforçando o olhar adulto e controlador sobre corpos.
TRECHO DA MÚSICA: “Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta / Vamo ensinar
inglês pras buceta analfabeta” / “Vamo ensinar pras vagabunda”
ANÁLISE CRÍTICA: Esse trecho apresenta linguagem vulgar e depreciativa que reduz a
mulher a objeto sexual e intelectual, perpetuando a desumanização e misoginia. Tal discurso
reforça o sistema de violência simbólica, sustentando desigualdades e práticas
discriminatórias.
TRECHO DA MÚSICA: “Tamo desbravando o mundo, ladrão / Quem falou que nós era
burro, ladrão?”
ANÁLISE CRÍTICA: Construção identitária em que o funk se apresenta como ferramenta
de contestação da marginalização social, marcada pelo orgulho de pertencimento e superação,
conforme Hall (1997) e Connell (1995). Ao mesmo tempo, esse mesmo discurso, reforça
padrões hegemônicos e misóginos ao colocar que enquanto os homens não são burros, as
mulheres são bucetas analfabetas.
Nota. Elaborado pelas autoras.
A análise das duas músicas selecionadas revela que, embora cada composição apresente
singularidades estilísticas e contextuais, os enunciados presentes nas letras compartilham
padrões discursivos recorrentes. Tais discursos revelam a reprodução de significados
relacionados à erotização precoce, à objetificação feminina e à construção de masculinidades
periféricas marcadas pela virilidade, pelo domínio e pelo poder.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 15
No que tange à erotização precoce, as músicas analisadas associam meninas e
adolescentes a códigos da sexualidade adulta, sobretudo por meio do uso recorrente de termos
como novinha e garota. Esse padrão discursivo, antecipa a sexualidade infantil ao vincular
o corpo da criança a representações erotizadas (Louro, 1997). Tal dinâmica expressa o processo
de pedofilização, descrito por Felipe (2006), frequentemente mascarado de normalidade ou
desejo. Nesse contexto, a erotização precoce passa a ensinar às crianças modelos
adultocêntricos e heteronormativos de corpo, sexualidade e desejo.
Em relação à violência de gênero, as letras evidenciam a objetificação das mulheres,
reduzidas a corpos disponíveis ao consumo sexual e a práticas marcadas por agressividade e
desrespeito. A presença de termos pejorativos e imperativos violentos naturaliza a dominação
masculina. Como alega Segato (2018), essa violência simbólica apresenta um caráter
pedagógico perverso, pois educa afetos e desejos segundo a lógica da dominação,
desumanizando as mulheres.
A categoria de identidade cultural também atravessa as duas canções, especialmente na
construção das masculinidades periféricas. A figura do malandro, do homem dominador e
sexualmente ativo, é uma constante nas músicas analisadas, configurando um padrão de
identidade masculina fortemente influenciado pela lógica da masculinidade hegemônica,
conforme discutem Connell (1995) e Hall (1997). Essas identidades são forjadas em contextos
de exclusão e resistência, mas, paradoxalmente, acabam reproduzindo valores patriarcais e
misóginos, como forma de afirmação de poder e pertencimento.
De forma geral, as duas músicas avigoram representações que contribuem para a
naturalização da erotização precoce, da violência de gênero e da desigualdade nas relações
sociais entre homens e mulheres. Mais do que simples entretenimento, essas composições
funcionam como pedagogias culturais (Giroux, 2001; Louro, 1997; Silva, 2002), moldando
subjetividades e ensinando modos de ser e de se relacionar com o mundo. A escuta repetida e
não-mediada desses discursos pelas crianças e adolescentes contribui para a internalização de
valores que colocam em risco o desenvolvimento saudável e a construção de relações
igualitárias.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo, fundamentado nos referenciais teóricos dos Estudos Culturais em
Educação e da Educação Sexual Crítica, permitiu compreender que as letras de funk analisadas
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
funcionam como artefatos culturais midiáticos que produzem e veiculam discursos
significativos sobre sexualidade, gênero e violência simbólica. Ao circularem amplamente entre
o público infantil, tais composições não apenas refletem práticas sociais naturalizadas, mas
também contribuem para sua reprodução, consolidando normas, valores e representações que
regulam corpos, comportamentos e subjetividades. As músicas analisadas articulam
simultaneamente processos de erotização precoce, violência de gênero e produção identitária,
constituindo-se como potentes pedagogias culturais que incidem sobre a infância.
Nessa conjuntura, a sexualização de corpos infantis e femininos tende a reforçar
perspectivas adultocêntricas e heteronormativas, legitimando discursos que associam o
feminino à submissão e à disponibilidade sexual. Paralelamente, o funk, enquanto expressão
cultural periférica, opera como território ambivalente: afirma pertencimentos e modos próprios
de existir, mas também reproduz estereótipos que vinculam masculinidades à virilidade e ao
controle sobre o corpo feminino, produzindo sentidos que oscilam entre resistência e
manutenção das hierarquias sociais.
Diante disso, compreende-se que os artefatos musicais analisados extrapolam a
condição de mero entretenimento, atuando como dispositivos pedagógicos que produzem
sentidos acerca da sexualidade, das masculinidades, das feminilidades e das relações de poder
desde a infância. Reconhecer a complexidade desses processos torna-se fundamental para o
desenvolvimento de práticas educativas que considerem criticamente os produtos culturais
consumidos pelas crianças e pelos adolescentes, sem deslegitimar o funk enquanto expressão
cultural, mas problematizando os discursos e efeitos que determinadas produções podem
veicular.
À luz destas considerações, a escola pode assumir papel relevante ao promover espaços
sistemáticos de educação sexual crítica, capazes de tensionar discursos naturalizados e ampliar
possibilidades de reflexão sobre gênero, sexualidade e direitos humanos. Diferentemente das
pedagogias culturais que atuam de forma difusa e não intencional por meio da mídia, a educação
sexual crítica e planejada apresenta potencial para favorecer o desenvolvimento do pensamento
crítico, da autonomia e da consciência social de crianças e adolescentes.
Por fim, destaca-se que a promoção da educação sexual crítica no contexto escolar
constitui um compromisso ético, político e pedagógico voltado à formação de sujeitos mais
conscientes de seus direitos e das desigualdades que atravessam a vida social. Para tanto, faz-
se necessário que as instituições educacionais promovam espaços dialógicos, críticos e
inclusivos, superando silenciamentos históricos em torno da sexualidade. Além disso, torna-se
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 17
indispensável o fortalecimento de políticas públicas, investimentos institucionais e processos
formativos que ofereçam aos educadores subsídios teóricos e metodológicos para a construção
de práticas pedagógicas responsáveis, críticas e sensíveis às complexidades da sexualidade na
contemporaneidade.
Ademais, é importante reconhecer as limitações deste estudo. Trata-se de uma pesquisa
de caráter teórico e documental, desenvolvida a partir de um recorte específico de músicas do
gênero funk, o que impossibilita generalizações acerca da totalidade desse movimento cultural
e de suas múltiplas manifestações. Ainda que o trabalho problematize conteúdos relacionados
à erotização precoce e à violência simbólica, não se pretende reduzir o funk a tais aspectos,
considerando sua relevância histórica, social e cultural enquanto expressão periférica e espaço
de resistência.
Desta forma, a delimitação do corpus analisado constitui um limite metodológico da
investigação, ao mesmo tempo em que aponta para a necessidade de novas pesquisas que
ampliem o universo de análise, contemplem distintas vertentes do gênero musical e aprofundem
as discussões acerca das relações entre mídia, infância, gênero e sexualidade.
Nas batidas do funk: sexualidade, pedagogias culturais e a construção de subjetividades infantis na contemporaneidade
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
REFERÊNCIAS
Adorno, T. W. (2011). Introdução à sociologia da música: Doze preleções teóricas (F. R. M.
Barros, Trad.). Editora Unesp.
Ariès, P. (1981). História social da criança e da família (D. Flaksman, Trad.). Zahar.
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo (L. S. Repa, Trad.). Edições 70.
Beck, D. Q. (2012). Com que roupa eu vou? Embelezamento e consumo na composição dos
uniformes escolares infantis [Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio Grande
do Sul]. Repositório Digital UFRGS. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/61954
Cellard, A. (2008). A análise documental. In J. Poupart, J.-P. Deslauriers, L.-H. Groulx, A.
Laperrière, R. Mayer, & Á. Pires (Orgs.), A pesquisa qualitativa: Enfoques
epistemológicos e metodológicos (A. C. Nasser, Trad.; pp. 295–316). Vozes.
Cetic.br. (2025). TIC Kids Online Brasil. https://cetic.br/pt/pesquisa/kids-online/
Connell, R. W. (1995). Masculinities. Polity Press.
Costa, H. V. A., Nascimento, L. I. M., Leão, T. D. A., & Leite, M. A. R. (2025). Erotização
infantil nas mídias sociais: As consequências sociais e jurídicas. Revista Ibero-
Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 11(5), 6160–6177.
https://doi.org/10.51891/rease.v11i5.19458
Felipe, J. (2006). Afinal, quem é mesmo pedófilo? Cadernos Pagu, (26), 201–223.
https://doi.org/10.1590/S0104-83332006000100009
Felipe, J. (2012). “Vinde a mim as criancinhas”: Pedofilização e a construção de gênero nas
mídias contemporâneas. In L. Pelúcio, L. A. F. Souza, B. R. Magalhaes, & T. T. Sabatine
(Orgs.), Olhares plurais para o cotidiano: Gênero, sexualidade e mídia (pp. 90–98).
Cultura Acadêmica.
Felipe, J., & Guizzo, B. S. (2003). Erotização dos corpos infantis na sociedade do consumo.
Pro-Posições, 14(3), 119–130.
Fischer, R. M. B. (2002). Educação, corpo e mídia: Tensões e deslocamentos. In G. L. Louro
(Org.), O corpo educado: Pedagogias da sexualidade (7ª ed.; pp. 145–166). Autêntica.
Girardello, G., Fantin, M., & Pereira, R. S. (2021). Crianças e mídias: Três polêmicas e desafios
contemporâneos. Cadernos CEDES, 41(113), 33–43.
https://doi.org/10.1590/CC231532
Giroux, H. A. (2001). Os professores como intelectuais: Rumo a uma pedagogia crítica da
aprendizagem (D. Bueno, Trad.). Artmed.
Hage, S. M. (2011). Educação, escola e políticas educacionais na perspectiva dos estudos
culturais críticos: A produção do senso comum e as disputas pela hegemonia. Cadernos
de Educação, (38), 69–93. https://doi.org/10.15210/caduc.v0i38.1543
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 19
Hall, S. (1997). A identidade cultural na pós-modernidade (T. T. Silva, Trad.). DP&A.
Kellner, D. (2001). A cultura da mídia: Estudos culturais: Identidade e política entre o moderno
e o pós-moderno (I. C. Benedetti, Trad.). EDUSC.
Larrosa, J., & Veiga-Neto, A. (2009). Educação e governamento. In M. C. Lopes & M. D. Hattge
(Orgs.), Inclusão escolar: Conjunto de práticas que governam (pp. 207–218). Autêntica.
Leão, A. M. C., Reis, F., & Muzzeti, L. R. (2014). Sexualidade e infância: Contribuições da
educação sexual em face da erotização da criança em veículos midiáticos. Contrapontos,
14(3), 634–650. https://doi.org/10.14210/contrapontos.v14n3.p634-650
Louro, G. L. (1997). Gênero, sexualidade e educação: Uma perspectiva pós-estruturalista.
Vozes.
Louro, G. L. (2000). Um corpo estranho: Ensaios sobre sexualidade e teoria queer (2ª ed.).
Autêntica.
Maia, A. C. B., & Ribeiro, P. R. M. (2011). Educação sexual: Princípios para ação. Doxa, 15(1),
75–84.
Martín-Barbero, J. (2001). Dos meios às mediações: Comunicação, cultura e hegemonia (3ª
ed.; R. Polito & S. Alcides, Trads.). UFRJ.
Sampaio, E. O., Carvalho, M. A. T., Nascimento, V. G., & Ferreira, J. M. N. (2022). Influência
das mídias sociais no processo de erotização infantil: Fator determinante para um
processo precoce da adultização? Revista Eletrônica da Estácio Recife, 8(1), 1–12.
Santos, A. (2021). A música ensina: Educação e multiculturalismo. Revista Educação e
Territorialidade, 2(2), 391–408. https://doi.org/10.30612/riet.v2i2.14565
Segato, R. L. (2018). La guerra contra las mujeres. Traficantes de Sueños.
Silva, T. T. (2002). Documentos de identidade: Uma introdução às teorias do currículo.
Autêntica.
Subtil, M. J. D. (2003). Apropriação e fruição da música midiática por crianças de quarta série
do ensino fundamental [Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina].
Repositório Institucional UFSC.
http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/85807
Subtil, M. J. D. (2007). Mídias, músicas e escola: A articulação necessária. Revista da ABEM,
(16), 75–82.
N as b ati d as d o f u n k: s e x u ali d a d e, pe d a g o gi as c ult ur ais e a c o nstr u ç ã o d e s u bj eti vi d a d es i nf a ntis n a c o nt e m p or a n ei d a d e
R P G E R e vista o n li n e d e P olític a e G est ã o E d u c a ci o n al , Ar ar a q u ar a, v. 3 0 , n. 0 0, e 0 2 6 0 9 0 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 1 5 1 9-9 0 2 9
D OI: 1 0. 2 2 6 3 3/r p g e. v 3 0i 0 0. 2 1 4 0 9 1 8
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R ec o n h e ci m e nt os : À U n es p p el o a p oi o i nstit u ci o n al e a o C N P q .
Fi n a n ci a m e nt o : N ã o s e a pli ca.
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o s e a pli c a .
A p r o v a ç ã o éti c a : O tr a b al h o r es p eit o u os as p e ct os éti c os p erti n e nt es à p es q uis a .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at eri al : N ã o s e a pli c a .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : P. A. C. p arti ci p o u d a c o n c e p ç ã o d o est u d o, d o d eli n e a m e nt o
m et o d ol ó gi c o, d a c ol et a, a n ális e e i nt er pr et a ç ã o d os d a d os, d a r e d a ç ã o d o m a n us crit o e d a
r e vis ã o fi n al d o t e xt o. A. M. C. L. p arti ci p o u d a s u p er vis ã o d a p es q uis a, d a r e vis ã o t e óri c a
e m et o d ol ó gi c a, d a r e vis ã o cti c a d o m a n us crit o e d o a pri m or a m e nt o d a v ers ã o fi n al. L. R.
M. p arti ci p o u d a r e vis ã o cti c a e a n alíti ca d o m a n us crit o e d a a pr o v a ç ã o d a v ers ã o fi n al
p ar a p u bli c a ç ã o .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u çã o
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 1
IN THE BEATS OF FUNK: SEXUALITY, CULTURAL PEDAGOGIES, AND THE
CONSTRUCTION OF CHILDRENS SUBJECTIVITIES IN CONTEMPORARY
TIMES
NAS BATIDAS DO FUNK: SEXUALIDADE, PEDAGOGIAS CULTURAIS E A
CONSTRUÇÃO DE SUBJETIVIDADES INFANTIS NA CONTEMPORANEIDADE
EN LOS RITMOS DEL FUNK: SEXUALIDAD, PEDAGOGÍAS CULTURALES Y LA
CONSTRUCCIÓN DE SUBJETIVIDADES INFANTILES EN LA
CONTEMPORANEIDAD
Priscila Alves COSTA
1
e-mail: priscila.a.co[email protected]
Andreza Marques de Castro LEÃO
2
e-mail: and[email protected]
Luci Regina MUZZETI
3
e-mail: luci.m[email protected]
How to reference this paper:
Costa, P. A., Leão, A. M. C., & Muzzeti, L. R. (2026). In the beats
of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of
childrens subjectivities in contemporary times. Revista on line de
Política e Gestão Educacional, 30, e026090.
https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.21409
| Submitted: 21/03/2026
| Revisions required: 18/05/2026
| Approved: 30/06/2026
| Published: 12/08/2026
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
São Paulo State University (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brazil. Student in the Graduate Program in
Sex Education and School Education, Faculty of Sciences and Letters.
2
São Paulo State University (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brazil. Professor in the Department of
Educational Psychology and the Graduate Programs in Sex Education and School Education, Faculty of Sciences
and Letters.
3
São Paulo State University (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brazil. Professor in the Department of
Education and the Graduate Programs in Sex Education and School Education.
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
ABSTRACT: Childhood, understood as a changing social and cultural construct, has been
significantly affected by contemporary media and digital technologies, which play a central role
in shaping children’s subjectivities. This study analyzed how music, particularly funk, as a
media cultural artifact, may contribute to the premature sexualization of children and the
reproduction of discourses on gender and sexuality during childhood. This qualitative study
employed bibliographic and documentary research, with a corpus consisting of funk song lyrics
selected for their thematic relevance. Grounded in Content Analysis, the study identified the
categories of premature sexualization, gender-based violence, and cultural identity, which were
interpreted in light of Cultural Studies in Education and Critical Sexuality Education. The
findings indicate that musical discourses may contribute to the normalization of inequalities,
symbolic violence, and processes of premature sexualization. Therefore, the study highlights
the relevance of critical sexuality education in schools as a means of fostering reflection on
media influences on the construction of children’s subjectivities.
KEYWORDS: Childhood. Child. Sexuality. Media. Music.
RESUMO: A infância, compreendida como constructo social e cultural em transformação, tem
sido significativamente impactada pelas mídias contemporâneas e tecnologias digitais, que
ocupam lugar central na formação da subjetividade infantil. Este trabalho analisou como a
música, especialmente o funk, enquanto artefato cultural midiático, pode contribuir para a
erotização precoce e a reprodução de discursos sobrenero e sexualidade na infância. Trata-
se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, cujo corpus foi composto por letras de
músicas do gênero funk, selecionadas por sua relevância temática. Fundamentado na Análise
de Conteúdo, o estudo identificou as categorias erotização precoce, violência de gênero e
identidade cultural, interpretadas à luz dos Estudos Culturais em Educação e da Educação
Sexual Crítica. Os resultados evidenciam que discursos musicais podem contribuir para
naturalizar desigualdades, violências simbólicas e processos de erotização precoce. Destaca-
se, portanto, a relevância da educação sexual crítica na escola para promover reflexões sobre
as influências midiáticas na construção da subjetividade infantil.
PALAVRAS-CHAVE: Infância. Criança. Sexualidade. Mídia. Música.
RESUMEN: La infancia, comprendida como un constructo social y cultural en
transformación, se ha visto significativamente afectada por los medios de comunicación
contemporáneos y las tecnologías digitales, que desempeñan un papel central en la formación
de las subjetividades infantiles. Este estudio analizó cómo la música, especialmente el funk,
como artefacto cultural mediático, puede contribuir a la erotización precoz y a la reproducción
de discursos sobre género y sexualidad durante la infancia. Se trata de una investigación
cualitativa, bibliográfica y documental, cuyo corpus estuvo compuesto por letras de canciones
del género funk, seleccionadas por su relevancia temática. Fundamentado en el Análisis de
Contenido, el estudio identificó las categorías de erotización precoz, violencia de género e
identidad cultural, interpretadas a la luz de los Estudios Culturales en Educación y la
Educación Sexual Crítica. Los resultados evidencian que los discursos musicales pueden
contribuir a naturalizar desigualdades, violencias simbólicas y procesos de erotización precoz.
Por lo tanto, se destaca la relevancia de la educación sexual crítica en la escuela para
promover la reflexión sobre las influencias mediáticas en la construcción de las subjetividades
infantiles.
PALABRAS CLAVE: Infancia. Niño. Sexualidad. Medios. Música.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 3
INTRODUCTION
The advancement of emerging technologies and changes in contemporary social
practices have shaped a new landscape and a distinct perspective on childhood. In contemporary
times, childhood is marked by broad social visibility and intense exposure to media content and
digital cultural artifacts. As Ariès (1981) argues, childhood is not a fixed category, but a social
and historical construct that undergoes continuous reinterpretation depending on the contexts
and discourses that surround it.
In this landscape of rapid social reconfigurations, marked by the acceleration of time,
the consumption of images, and hyperconnectivity, Information and Communication
Technologies (ICTs) also play a central role in childrens experiences. While, on the one hand,
they expand access to knowledge, on the other, they expose children at an early age to media
discourses and representations that normalize sexualized and, often, violent practices. The focus
of this work is not to blame technology or romanticize an idealized childhood, but to critically
examine the discourses that, mediated by the media, interfere with the construction of childrens
subjectivities. It is precisely in this context that Cultural Studies constitute a fundamental
theoretical framework for understanding the implications of this process.
From this perspective, subjectivity is understood as a discursive, social, and historical
construct. Hall (1997) and Silva (2002) argue that media, cultural, and educational discourses
produce ways of being and acting, thereby shaping childrens subjectivities. Amid this reality,
childrens bodies have frequently been sexualized through cultural media artifacts, such as
music, theater, videos, advertisements, social media, films, and television programs, among
others. Among these artifacts, music stands out as a contemporary element that sensationalizes
sexuality and highlights issues such as gender-based violence and the eroticization of children,
as discussed by Jane Felipe (2006).
This research is justified by the recognition that informal sex education occurs in
multiple social spaces, especially in digital media, which influence the construction of
childrens subjectivity. In this context, Cultural Studies in Education enable us to understand
media artifacts as cultural pedagogies, since they play a role in the production of self-learning
processes and the formation of modes of behavior. Although sex education manifests itself in
the family, in digital media, and in cultural products, it is in schools that it must be consolidated
as an intentional, critical, and emancipatory practice, promoting critical analyses of sexuality,
gender, and power.
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
CHILDHOOD, CONTEMPORARY SOCIETY, AND SUBJECTIVITY
Various ways of experiencing childhood have been socially and culturally constructed
throughout human history. Larrosa and Veiga-Neto (2009) challenge the linear and
evolutionary notion of childhood by asserting that a child cannot be understood as belonging to
a chronological or progressive timeframe, but rather as a presence, an event, and an experience
that defy traditional categories of development. Based on this conception, it is understood that
childhood is not universal or fixed, but rather a historical and discursive construction. Ariès
(1981) demonstrates that the idea of the child and the very concept of childhood are social
productions that transform over time.
In the past, between the 12th and 17th centuries, childhood was not yet recognized as a
distinct social category. Children were introduced to the adult world at an early age, in contexts
marked by little age differentiation and limited social protection, including against practices of
a sexual nature. Later, children came to be viewed as individuals in the process of development,
deserving of care, affection, and protection, and were progressively recognized as rights-
holders, in ways that have evolved over time (Ariès, 1981). These different conceptions support
Becks (2012) analysis, according to which the processes of constructing and deconstructing
childhood are intrinsically linked to the social contexts in which they are produced.
Therefore, it is essential to reflect on how childhood is conceived in contemporary
society and how social discourses influence the formation of childrens subjectivities. Among
these discourses, the media stands out, playing a central role as a cultural mediator and informal
educational force, with a striking presence in childrens daily lives. Representations conveyed
through television, the internet, music, videos, and social media disseminate discourses that
influence how children perceive the world, others, and themselves.
Felipe (2012) asserts that, although technological advances expand access to
information, entertainment, and forms of social interaction, they also raise concerns, especially
regarding childrens engagement with the internet. The author explains that, in light of the
production and circulation of digital cultural artifacts, it is essential to critically examine the
images and conceptions of the world, the body, relationships, and ethics that we are
disseminating.
From this perspective, the childs body comes to occupy a strategic position in media
and consumer dynamics. According to Sampaio et al. (2022), the normalization of these
practices contributes to processes of early adultification and the creation of stereotypes that
impact childrens identity. This eroticization occurs through various cultural media artifacts,
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 5
which bring the world of children closer to the symbolic codes of the adult world. It is within
this context that what Felipe (2006) terms pedophilization emerges: a cultural and symbolic
process that transforms the childs body into an object of desire and consumption through
discourses, images, and practices widely disseminated by the media and the cultural industry.
In light of this, a contradiction becomes evident: while public policies advocate for the
protection of children, society itself legitimizes the exposure of children to eroticized practices
and discourses. This ambivalence calls for a critical analysis of the impacts of these discourses
on the formation of childrens subjectivity.
In light of these discussions, Cultural Studiesthrough the contributions of Hall (1997),
Louro (1997), and Silva (2002)offers important insights for understanding the processes of
identity and subjectivity construction. For Hall (1997), these dimensions are not fixed essences,
but discursive and cultural constructions: positions that individuals occupy in relation to
socially and historically circulating discourses, shaped by the language, images, and
representations that surround us on a daily basis.
Louro (1997) expands on this perspective by emphasizing that identities, including those
of children, are produced by discourses that regulate and standardize ways of being, acting, and
relating to others. Complementing this view, Silva (2002) argues that educational, cultural, and
media discourses function as fields of power that produce subjects and subjectivities, which are
always constructed in a historical and relational manner. Thus, the child does not emerge as a
fully formed subject but is continually shaped by the discursive and cultural forces that surround
them.
Therefore, given childrens constant exposure to media-mediated eroticized discourses,
it is urgent to reflect on the effects of these practices on the formation of childrens
subjectivities. As Felipe and Guizzo (2003, p. 128) argue:
Bodies are being subjected to increasing eroticization, widely disseminated through television,
movies, music, newspapers, magazines, advertisements, billboards, and, more recently, with the
use of the internet, it has become possible to experience new forms of exploitation of bodies and
sexuality.
In light of the above, it is clear that childrens subjectivity is not the result of a natural
essence or a purely biological process, but rather a historical, social, and discursive
construction. From a very early age, children are exposed to media narratives that help shape
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
their ways of perceiving the world, others, and themselves. As Leão et al. (2014) point out,
media outlets not only produce and disseminate discourses on sexuality but also act as agents
that often prematurely sexualize children, whether through visual exposure or by normalizing
content that reinforces adult standards of body image and behavior. This scenario underscores
the need to understand how media discourses permeate childhood and contribute to the
production of subjectivities shaped by an adult-centered logic, highlighting the importance of
educational policies and practices that promote the protection of children, critical debate, and
respect for the right to be a child.
MEDIA, MUSIC AND SEXUALITY
In contexts shaped by rapid digital transformation and the expansion of communication
channels, the media plays a central role in shaping subjectivities related to childhood and
sexuality. Martín-Barbero (2001) views the media as a space for cultural mediation that
produces social meanings and contributes to the construction of identity. Kellner (2001)
emphasizes the pedagogical role of the media in shaping ways of being, consuming, and
behaving. Fischer (2002), on the other hand, critiques the imperatives of beauty, youth, and
eroticization present in the media, which transform the body into an object of desire and
consumption.
In the current landscape, there has been a significant increase in childrens media
consumption, which has intensified markedly in recent years. Data from the Regional Center
for Studies on the Development of the Information Society (CETIC.br, 2025), released on
October 22, indicate that 92% of children and adolescents aged 9 to 17 use the internet, with
28% having started using it before the age of 6, nearly triple the percentage recorded in 2016,
when that figure was only 10%. This early advancement in digital access, however, cannot be
analyzed solely from the perspective of connectivity, but also in light of the risks associated
with this early entry into the virtual environment.
Costa et al. (2025) point out that it has become increasingly common to delegate the
digital supervision of children and adolescents to the electronic devices themselves, creating a
false sense of security among caregivers that, in practice, may be illusory. According to the
authors, unsupervised access to the digital environment increases exposure to risks such as
grooming, characterized by the online enticement of minors. Platforms such as YouTube,
TikTok, and Instagram expose children and adolescents to content that is often inappropriate
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 7
for their age group. These social media platforms offer unrestricted access to videos of sensual
dances and sexualized choreography, often performed by adult influencers as well as by
children, thereby encouraging the normalization of eroticized discourse in childrens daily lives.
On TikTok, short, viral videos featuring sensual choreography and gestures encourage children
to adopt codes from the adult world at an early age, which may contribute to processes of early
eroticization (Felipe, 2006). On YouTube and Instagram, content based on popular music,
physical performances, and viral trends can reinforce gender stereotypes and ideals of
sensuality and consumerism, encouraging children to adopt codes from the adult world at an
early age.
Thus, social networks function as cultural pedagogies (Louro, 1997; Silva, 2002),
producing values, behaviors, and ways of being related to the body, sexuality, and social
relations. This understanding aligns with Silvas (2002) argument that Cultural Studies in
Education enable a critical analysis of the relationship between culture, power, and subjectivity,
emphasizing that cultural pedagogies shape individuals through the circulation of practices,
images, and discourses that guide behavior and define ways of being. For the author, cultural
pedagogy is the pedagogy practiced outside of school, on the streets, on television, in the
movies, in advertising, in fashion, in short, in all social spaces where we are shaped as cultural
subjects (Silva, 2002, p. 84).
Social media not only offers entertainment but also produces discourses that shape
gendered and normalized subjectivities from childhood onward, requiring ethical and
educational reflection on the limits of this exposure. As Costa et al. (2025, p. 6162) point out:
Currently, it is evident that social medias ability to capture young peoples attention is
unquestionable; it is difficult to resist the conveniences and distractions they offer. The
dangerous exposure of children in this social environment can (very likely) affect their
development, perception, personality, and their formation as future adults.
By recognizing the impacts of this exposure on child development, it becomes essential
to understand that such influences do not operate in a neutral manner, but rather constitute
genuine formative processes. The media assumes a pedagogical-cultural role by teaching
ways of being and acting, especially through music. Understood as a cultural media artifact,
musicas a symbolic language and cultural discoursecarries representations, values, and
norms that are appropriated, reinterpreted, and reproduced by individuals, especially children.
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
According to Felipe and Guizzo (2003), music functions as a form of cultural pedagogy
by conveying messages about sexuality, the body, and gender. For the authors, these messages
not only reflect societys conceptions but also actively contribute to shaping subjectivities.
Louro (2000) argues that cultural products do not merely represent reality but construct it. In
other words, song lyrics, music videos, and images conveyed by the media constitute discursive
practices that play a role in the production of meanings, subjectivities, and modes of existence.
Reflecting on how music is experienced by children today also involves analyzing musical
appropriation and enjoyment, developing a critical perspective on the lyrics and discourses
reproduced, especially those related to sexuality.
With regard to music, Subtil (2003) points out that it is widely present in childrens daily
lives, experienced in various social settings, such as schools, parties, churches, and social
media, where friends, classmates, and family members act as cultural mediators. With the
advent of audiovisual technologies, a new relationship between children and electronic devices
has taken hold, transforming media into channels for the circulation of information that shape
perceptions and perspectives, including those regarding sexuality.
In analyzing musical taste within the context of media consumption, Subtil (2003) notes
that media music simultaneously fulfills symbolic and consumerist demands, characterized by
the fleeting popularity of artists and songs. Among children aged 9 to 12, these practices are
not limited to superficial consumption but influence the way they perceive and interpret the
world, society, and human relationships (Subtil, 2003).
Subtil (2007) also points out that, in a media-driven society, there are no clear
boundaries between music genres for different age groups, leading to a homogenization of
musical tastes. Consequently, music circulates rapidly through the media, largely without any
aesthetic autonomy or critical analysis of the lyrics content. Platforms such as TikTok,
Instagram, and YouTube play a decisive role in disseminating this content among children and
young people. This perspective reflects Adornos (2011) concerns about cultural
homogenization and standardization in mass society, as he asserts that musical taste for hit
songs tends to reflect social recognition more than an authentic appreciation of the work. Based
on this logic, music becomes part of the logic of the culture industry, which promotes mass-
produced and homogeneous content, alienating the audience and transforming art into a
commercial product disconnected from an autonomous experience of appreciation.
According to Felipe and Guizo (2003), music is one of the cultural artifacts that has
clearly brought about the spectacularization of sexuality, indicating ways of being, acting,
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 9
producing knowledge, and educating. Indeed, through its lyrics, music reveals the worldview
of a particular culture within a specific historical context. It educates and points to ways of
being and feeling, constructing identities, including sexual identities, based on the discourse it
conveys.
Funk music is one of the musical genres that receives significant media attention and,
in some lyrics, addresses issues related to sexual violence, gender-based violence, and
pedophilia. In fact, it is not uncommon to find lyrics that explicitly highlight machismo, sexism,
and misogyny. In his studies on funk, Felipe (2006, p. 218) makes some relevant observations
about songs in this genre:
In the case of funk, the lyrics are characterized by explicit references to sexual practices, without
beating around the bush or subtleties, referring to a mere sexual act, where genitalia are
mentioned, sexual acts in their most varied forms are proclaimed, accompanied by sensual
choreography that highlights the display of female bodies. This is explicit sexuality, without
modesty or beating around the bush.
Nowadays, due to the accessibility of technology, children are exposed to content that
encourages early eroticization through media outlets, resulting in the acceleration of
developmental stages and interfering with the natural process of development, body awareness,
and sexuality. In this context, it is essential to understand that music, as a powerful media
artifact, functions as a discursive practice that engages individuals and contributes to the
formation of their subjectivities.
As Hall (1997) argues, individuals are produced within regimes of representation and
language; that is, they are not preformed but are positioned by discourses that attribute
meanings to the body, desire, sexuality, and social position. Louro (1997) emphasizes that the
mediaand music in particularfunction as non-school-based pedagogical devices, teaching
what it means to be a boy or a girl, what is desirable and what is not, who can desire, and who
should be desired. These discourses permeate childrens bodies and contribute to the formation
of subjectivities from a very early age, shaping ways of being, feeling, and acting.
Thus, music should not be understood merely as entertainment or an isolated artistic
expression, but as a powerful cultural mechanism for constructing childrens subjectivities,
whose effects must be critically analyzed, especially when they intersect with the realms of
sexuality, eroticization, and gender relations.
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
Santos (2021) argues that artistic works, such as films, songs, and paintings, constitute
discourses produced within a specific historical and cultural context, reflecting social values
and structures, but also capable of questioning, reformulating, or breaking with existing
structures. This understanding aligns with the foundations of critical sex education, which
views sexuality as a historical, social, and political construct, intersected by relations of power,
gender, class, and culture. Thus, music is no longer analyzed solely as entertainment but is
understood as a formative cultural artifact, capable of both reproducing hegemonic discourses
and challenging and reinterpreting them. Recognizing this dynamic is a fundamental step
toward developing pedagogical practices committed to emancipation, equity, and the
comprehensive protection of children.
Given childrens intense engagement with digital media, it is essential to promote
practices of critical and reflective media literacy (Girardello et al., 2021). From the perspective
of formal sex education, such education is not limited to conveying biological or preventive
information but involves challenging discourses that normalize gender inequalities, bodily
objectification, and early eroticization. The goal is to promote educational processes that enable
children to understand how such representations are socially constructed and what interests may
underpin their circulation.
Schools are strategic spaces in contemporary struggles over the production of meanings,
values, and worldviews, and are shaped by political, ideological, and cultural interests (Hage,
2011). Sex education, in turn, is an intentional pedagogical practice that aims to deconstruct
discourses, broaden cultural repertoires, and foster students moral and intellectual autonomy.
This need becomes even more evident in light of issues related to sexuality, which reflect
contemporary disputes intensified by media and cultural discourses.
As Maia and Ribeiro (2011) state, sex education carried out in an unintentional
(informal) manner manifests itself through various social discourses, including those in the
media, which shape meanings about bodies, gender, and sexuality. In Cultural Studies in
Education, such processes are understood as cultural pedagogies, since they produce learning,
values, and modes of subjectivation beyond formal educational settings.
Widespread music genres, such as funk, can, in certain productions, convey eroticized
and unequal representations of gender (Maia & Ribeiro, 2011). When this process is adopted
as a subject of instruction, scientifically grounded and guided by pedagogical intent, planning,
and the definition of specific objectives, it constitutes what is known as formal sex education.
Developed primarily in the school setting, this approach requires systematic organization and
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 11
careful methodologies aimed at building knowledge and fostering critical reflections on
sexuality.
Against this backdrop, formal sex education, guided by a critical perspective, aims to
create spaces for dialogue and critical analysis that integrate the social, historical, cultural, and
psychological dimensions of sexuality. By promoting contextualized analyses of media content,
schools enable students to question naturalized representations, understand the power relations
implied in them, and develop more conscious, ethical, and emancipatory stances (Leão et al.,
2014).
METHODOLOGY
This study is qualitative in nature, employing a bibliographic and documentary
approach, grounded in a socio-historical-cultural and critical perspective. The bibliographic
dimension involved the analysis of references on gender, sexuality, culture, and education,
based on Connell (1995), Giroux (2001), Hall (1997), Louro (1997), and Segato (2018).
The documentary dimension treated funk song lyrics as cultural documents (Cellard,
2008), enabling an understanding of symbolic, ideological, and educational dynamics. The
corpus included two song lyrics selected for their thematic relevance, popularity, and media
circulation.
The analysis was conducted using Bardins Content Analysis (2011) in three stages: pre-
analysis, to identify themes; exploration of the material, with coding that generated the
categories of early eroticization, gender-based violence, and cultural identity; and
interpretation, relating the categories to the theoretical framework to draw inferences about
representations of childhood, gender, and sexuality. Three central categories emerged from the
analysis:
Early Eroticization: This refers to the construction and normalization of early sexuality
in children and adolescents, which, according to Louro (1997), occurs when a child is placed
within a field of meanings that associates their body, gestures, clothing, and behaviors with the
codes and symbols of adult sexuality. These processes manifest themselves both through
explicit age markers (novinha, girl) and through the widespread circulation of sexualized
discourses that trivialize and sensationalize sexuality in media and cultural contexts.
Gender-based Violence: Refers to the symbolic and structural manifestation of male
domination, operating on both the physical and symbolic levels (Segato, 2018).
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
Cultural Identity: According to Hall (1997) and Connell (1995), cultural identity is a
discursive and social construction in which individuals position themselves and assert their
sense of belonging, thereby also contributing to the construction of social and cultural identities.
DATA ANALYSIS AND DISCUSSION
Two funk songs were analyzed using a qualitative approach grounded in Cultural
Studies in Education and Critical Sex Education, with a focus on a critical reading of the
discourses that function as informal pedagogical devices in the formation of childrens
subjectivities. The analysis considered three categoriesearly eroticization, gender-based
violence, and cultural identityto understand how such discourses contribute to the
normalization of early eroticization, inequalities, and symbolic violence.
Table 1.
Song title: “Socada Botada 2”, sung by MC MN, MC Cajá & DJ Robão:
[Intro]
Esse é o DJ Robão, tá lançando a nova moda
[Line 1: MC Cajá]
Conheço cada cheiro e defino só de olhar
Se gosta de dar de quatro ou se gosta de sentar
Conheço cada cheiro e defino só de olhar
Se gosta de dar de quatro ou se gosta de sentar
De sentar, de sentar
[Chorus: MC Cajá]
Eu já comi loira, morena, mulata, a branca e a
preta
Sou colecionador de buceta (Socada)
Sou colecionador de buceta (Com raiva, botada)
Sou colecionador de buceta (Socada, com raiva)
O Robão coleciona buceta (Botada, socada)
O Metralha colеciona buceta (Com raiva)
[Line 2: MC MN & MC Cajá]
Vem, garota safadona, jogando a buceta na
minha dirеção
Vem, garota safadona, jogando a buceta na
minha direção
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão
(Socada, com raiva)
MC MN é galudão, ele vai te dar catucadão
(Botada, socada)
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão (Com
raiva, botada)
MC MN é galudão, ele vai te dar catucadão
(Socada, com raiva)
Note. Mc Min (2020).
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 13
Table 2.
Analysis of the song Socada Botada 2
EXCERPT FROM THE SONG: vem, garota safadona, jogando a buceta na minha
direção.
CRITICAL ANALYSIS: Expressions such as girl can be associated with the world of
adolescents or even children. The presence of children and adolescents in this music scene,
as listeners, dancers, or performers on social media, demonstrates how adult-centered
discourse on sexuality anticipates norms of gender and desire, reinforcing what Louro (1997)
calls the regulation of childhood sexuality through discursive practices. This is not a form of
eroticization that originates with the child, but rather the way in which language, the media,
and social discourses sexualize their bodies.
EXCERPT FROM THE SONG: Eu já comi loira, morena, mulata, a branca e a preta / Sou
colecionador de buceta
CRITICAL ANALYSIS: These excerpts highlight the objectification and dehumanization
of women, reinforcing asymmetrical power relations and perpetuating misogynistic practices,
as analyzed by Segato (2018). Such discourse contributes to the perpetuation of symbolic
violence and gender inequalities.
EXCERPT FROM THE SONG: Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão.
CRITICAL ANALYSIS: In this passage, an identity marked by hegemonic masculinity is
reaffirmed, one that reproduces unequal relations of sexual and symbolic domination. The
term galudão functions as a hypermasculine marker that evokes extreme virility and sexual
readiness, aligning with the hegemonic model of masculinity. Such a discursive construction
produces subjectivities based on strength, control, and domination. As Hall (1997) points out,
identities are constituted within cultural systems of meaning and power that legitimize certain
ways of being at the expense of others.
Note. The Authors.
Table 3.
Song title: “Open the Checka”, sung by Caio Alexandre Cruz (MC Lan)
E aí, R7? Tipo All Net, ladrão
Ensinando inglês, ladrão, ha
Tamo desbravando o mundo, ladrão
Vamo comer as europeia agora, as gringa
R7, quem falou que nós era burro, ladrão?
Hi, my name is Lan
Vou dar game over no seu cu, novinha
Versão brasileira, Herbert Richers
[Chorus 1]
Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka!
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Vamo ensinar inglês pras pepeca analfabeta, vai!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain, ain, ain
[Post-Chorus]
Cê não tá entendendo o que eu tô falando?
[Line]
One, two, three, sentando
Versão brasileira, Herbert Richers
[Chorus 1]
Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka!
Four, six, seven, sentando
Seven, eight, nine
Eu não sei falar o resto
Ahn, fudeu!
Ai! One, two, three, sentando
Four, six, seven, sentando
E o resto você procura lá com o mano
Como é o nome? Wizard?
[Bridge]
Já que é pra falar Inglês
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
I love you too cool
Então senta no piru
I love you too cool
Então senta no piru
Ai, ai, ai
You might also like
5 Minutos de Merda
MC Lan
bad idea right?
Olivia Rodrigo
Used To Be Young
Miley Cyrus
[Interlude]
Excuse me! Excuse me!
Excuse me, novinha!
Faz tchaca tchaca com os mano, novinha!
Ai, a-ai!
Faz tchaca tch... Ei! Excuse me
Vamo ensinar pras vagabunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vai tomar piroca
Vai, vai tomar pirocation
Vai tomar piroca
Vai, vai tomar pirocation
Note. MC Lan (2017).
Table 4.
Analysis of the song Open the Checka
EXCERPT FROM THE SONG: Vou dar game over no seu cu, novinha / Excuse me,
novinha! Faz tchaca tchaca com os mano, novinha!
CRITICAL ANALYSIS: The use of the term novinha in the context of sexually explicit
discourse may indicate the early hypersexualization and normalization of the sexual
exploitation of young people, reinforcing an adult, controlling gaze on their bodies.
EXCERPT FROM THE SONG: Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta / Vamo
ensinar inglês pras buceta analfabeta / Vamo ensinar pras vagabunda
CRITICAL ANALYSIS: This passage contains vulgar and derogatory language that
reduces women to sexual and intellectual objects, perpetuating dehumanization and
misogyny. Such discourse reinforces the system of symbolic violence, perpetuating
inequalities and discriminatory practices.
EXCERPT FROM THE SONG: Tamo desbravando o mundo, ladrão / Quem falou que
nós era burro, ladrão?
CRITICAL ANALYSIS: A process of identity construction in which funk serves as a tool
for challenging social marginalization, characterized by a sense of pride in belonging and
overcoming adversity, according to Hall (1997) and Connell (1995). At the same time, this
same discourse reinforces hegemonic and misogynistic patterns by asserting that while men
are not stupid, women are illiterate cunts.
Note. The Authors.
An analysis of the two selected songs reveals that, although each composition exhibits
stylistic and contextual singularities, the statements present in the lyrics share recurring
discursive patterns. These discourses reveal the reproduction of meanings related to early
eroticization, the objectification of women, and the construction of peripheral masculinities
marked by virility, dominance, and power.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 15
With regard to early eroticization, the songs analyzed associate young girls and
adolescents with codes of adult sexuality, particularly through the recurring use of terms such
as novinha and garota. This discursive pattern anticipates childhood sexuality by linking the
childs body to eroticized representations (Louro, 1997). This dynamic reflects the process of
pedophilization, as described by Felipe (2006), which is often masked as normality or desire.
In this context, early eroticization teaches children adult-centered and heteronormative models
of the body, sexuality, and desire.
Regarding gender-based violence, the lyrics highlight the objectification of women, who
are reduced to bodies available for sexual consumption and to practices marked by aggression
and disrespect. The presence of pejorative terms and violent imperatives normalizes male
domination. As Segato (2018) argues, this symbolic violence has a perverse pedagogical
character, as it shapes emotions and desires according to the logic of domination, dehumanizing
women.
The category of cultural identity also runs through both songs, especially in the
construction of peripheral masculinities. The figure of the malandro, the domineering and
sexually active man, is a constant in the songs analyzed, shaping a pattern of masculine identity
strongly influenced by the logic of hegemonic masculinity, as discussed by Connell (1995) and
Hall (1997). These identities are forged in contexts of exclusion and resistance, but,
paradoxically, they end up reproducing patriarchal and misogynistic values as a means of
asserting power and belonging.
In general, both songs reinforce representations that contribute to the normalization of
early eroticization, gender-based violence, and inequality in social relations between men and
women. More than mere entertainment, these compositions function as forms of cultural
pedagogy (Giroux, 2001; Louro, 1997; Silva, 2002), shaping subjectivities and teaching ways
of being and relating to the world. Childrens and adolescents repeated and unmediated
exposure to these discourses contributes to the internalization of values that jeopardize healthy
development and the building of egalitarian relationships.
FINAL CONSIDERATIONS
This study, grounded in the theoretical frameworks of Cultural Studies in Education and
Critical Sex Education, has revealed that the funk lyrics analyzed function as cultural media
artifacts that produce and convey meaningful discourses on sexuality, gender, and symbolic
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
violence. As they circulate widely among children, these songs not only reflect naturalized
social practices but also contribute to their reproduction, reinforcing norms, values, and
representations that regulate bodies, behaviors, and subjectivities. The songs analyzed
simultaneously articulate processes of early eroticization, gender-based violence, and identity
formation, constituting powerful cultural pedagogies that impact childhood.
In this context, the sexualization of childrens and womens bodies tends to reinforce
adult-centered and heteronormative perspectives, legitimizing discourses that associate
femininity with submission and sexual availability. At the same time, funk, as a cultural
expression from the periphery, operates as an ambivalent territory: it affirms a sense of
belonging and distinct ways of being, but it also reproduces stereotypes that link masculinities
to virility and control over the female body, producing meanings that oscillate between
resistance and the maintenance of social hierarchies.
In light of this, it is clear that the musical works analyzed go beyond mere entertainment,
serving as pedagogical tools that construct meanings around sexuality, masculinities,
femininities, and power relations from childhood onward. Recognizing the complexity of these
processes is essential for developing educational practices that critically examine the cultural
products consumed by children and adolescentsnot by delegitimizing funk as a cultural
expression, but by scrutinizing the discourses and effects that certain productions may convey.
In light of these considerations, schools can play a significant role by promoting
systematic spaces for critical sex education, capable of challenging naturalized discourses and
broadening opportunities for reflection on gender, sexuality, and human rights. Unlike cultural
pedagogies that operate in a diffuse and unintentional manner through the media, critical and
planned sex education has the potential to foster the development of critical thinking, autonomy,
and social consciousness among children and adolescents.
Finally, it should be emphasized that promoting critical sex education in the school
setting constitutes an ethical, political, and pedagogical commitment aimed at fostering
individuals who are more aware of their rights and of the inequalities that permeate social life.
To this end, educational institutions must foster spaces for dialogue that are critical and
inclusive, overcoming historical silences surrounding sexuality. Furthermore, it is essential to
strengthen public policies, institutional investments, and training programs that provide
educators with theoretical and methodological resources to develop responsible, critical
teaching practices that are sensitive to the complexities of sexuality in contemporary society.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 17
Furthermore, it is important to acknowledge the limitations of this study. This is a
theoretical and documentary study based on a specific selection of funk songs, which precludes
generalizations about the entirety of this cultural movement and its multiple manifestations.
Although this study examines content related to early eroticization and symbolic violence, it
does not intend to reduce funk to these aspects, given its historical, social, and cultural relevance
as a form of expression from the periphery and a space of resistance.
Thus, the delimitation of the analyzed corpus constitutes a methodological limitation of
the investigation, while also pointing to the need for further research that broadens the scope of
analysis, considers different strands of the musical genre, and deepens discussions regarding
the relationships between media, childhood, gender, and sexuality.
In the beats of funk: Sexuality, cultural pedagogies, and the construction of childrens subjectivities in contemporary times
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
REFERENCES
Adorno, T. W. (2011). Introdução à sociologia da música: Doze preleções teóricas (F. R. M.
Barros, Trad.). Editora Unesp.
Ariès, P. (1981). História social da criança e da família (D. Flaksman, Trad.). Zahar.
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo (L. S. Repa, Trad.). Edições 70.
Beck, D. Q. (2012). Com que roupa eu vou? Embelezamento e consumo na composição dos
uniformes escolares infantis [Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio Grande
do Sul]. Repositório Digital UFRGS. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/61954
Cellard, A. (2008). A análise documental. In J. Poupart, J.-P. Deslauriers, L.-H. Groulx, A.
Laperrière, R. Mayer, & Á. Pires (Orgs.), A pesquisa qualitativa: Enfoques
epistemológicos e metodológicos (A. C. Nasser, Trad.; pp. 295–316). Vozes.
Cetic.br. (2025). TIC Kids Online Brasil. https://cetic.br/pt/pesquisa/kids-online/
Connell, R. W. (1995). Masculinities. Polity Press.
Costa, H. V. A., Nascimento, L. I. M., Leão, T. D. A., & Leite, M. A. R. (2025). Erotização
infantil nas mídias sociais: As consequências sociais e jurídicas. Revista Ibero-
Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 11(5), 6160–6177.
https://doi.org/10.51891/rease.v11i5.19458
Felipe, J. (2006). Afinal, quem é mesmo pedófilo? Cadernos Pagu, (26), 201–223.
https://doi.org/10.1590/S0104-83332006000100009
Felipe, J. (2012). “Vinde a mim as criancinhas”: Pedofilização e a construção de gênero nas
mídias contemporâneas. In L. Pelúcio, L. A. F. Souza, B. R. Magalhaes, & T. T. Sabatine
(Orgs.), Olhares plurais para o cotidiano: Gênero, sexualidade e mídia (pp. 90–98).
Cultura Acadêmica.
Felipe, J., & Guizzo, B. S. (2003). Erotização dos corpos infantis na sociedade do consumo.
Pro-Posições, 14(3), 119–130.
Fischer, R. M. B. (2002). Educação, corpo e mídia: Tensões e deslocamentos. In G. L. Louro
(Org.), O corpo educado: Pedagogias da sexualidade (7ª ed.; pp. 145–166). Autêntica.
Girardello, G., Fantin, M., & Pereira, R. S. (2021). Crianças e mídias: Três polêmicas e desafios
contemporâneos. Cadernos CEDES, 41(113), 33–43.
https://doi.org/10.1590/CC231532
Giroux, H. A. (2001). Os professores como intelectuais: Rumo a uma pedagogia crítica da
aprendizagem (D. Bueno, Trad.). Artmed.
Hage, S. M. (2011). Educação, escola e políticas educacionais na perspectiva dos estudos
culturais críticos: A produção do senso comum e as disputas pela hegemonia. Cadernos
de Educação, (38), 69–93. https://doi.org/10.15210/caduc.v0i38.1543
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 19
Hall, S. (1997). A identidade cultural na pós-modernidade (T. T. Silva, Trad.). DP&A.
Kellner, D. (2001). A cultura da mídia: Estudos culturais: Identidade e política entre o moderno
e o pós-moderno (I. C. Benedetti, Trad.). EDUSC.
Larrosa, J., & Veiga-Neto, A. (2009). Educação e governamento. In M. C. Lopes & M. D. Hattge
(Orgs.), Inclusão escolar: Conjunto de práticas que governam (pp. 207–218). Autêntica.
Leão, A. M. C., Reis, F., & Muzzeti, L. R. (2014). Sexualidade e infância: Contribuições da
educação sexual em face da erotização da criança em veículos midiáticos. Contrapontos,
14(3), 634–650. https://doi.org/10.14210/contrapontos.v14n3.p634-650
Louro, G. L. (1997). Gênero, sexualidade e educação: Uma perspectiva pós-estruturalista.
Vozes.
Louro, G. L. (2000). Um corpo estranho: Ensaios sobre sexualidade e teoria queer (2ª ed.).
Autêntica.
Maia, A. C. B., & Ribeiro, P. R. M. (2011). Educação sexual: Princípios para ação. Doxa, 15(1),
75–84.
Martín-Barbero, J. (2001). Dos meios às mediações: Comunicação, cultura e hegemonia (3ª
ed.; R. Polito & S. Alcides, Trads.). UFRJ.
Sampaio, E. O., Carvalho, M. A. T., Nascimento, V. G., & Ferreira, J. M. N. (2022). Influência
das mídias sociais no processo de erotização infantil: Fator determinante para um
processo precoce da adultização? Revista Eletrônica da Estácio Recife, 8(1), 1–12.
Santos, A. (2021). A música ensina: Educação e multiculturalismo. Revista Educação e
Territorialidade, 2(2), 391–408. https://doi.org/10.30612/riet.v2i2.14565
Segato, R. L. (2018). La guerra contra las mujeres. Traficantes de Sueños.
Silva, T. T. (2002). Documentos de identidade: Uma introdução às teorias do currículo.
Autêntica.
Subtil, M. J. D. (2003). Apropriação e fruição da música midiática por crianças de quarta série
do ensino fundamental [Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina].
Repositório Institucional UFSC.
http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/85807
Subtil, M. J. D. (2007). Mídias, músicas e escola: A articulação necessária. Revista da ABEM,
(16), 75–82.
I n t h e b e ats of f u n k: S e x u alit y, c ult ur al p e d a g o gi es, a n d t h e c o nstr u cti o n of c hil dre ns s u bje cti viti es i n c o nt e m p or ar y ti m es
R P G E R e vista o n li n e d e P olític a e G est ã o E d u c a ci o n al , Ar ar a q u ar a, v. 3 0 , n. 0 0, e 0 2 6 0 9 0 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 1 5 1 9-9 0 2 9
D OI: 1 0. 2 2 6 3 3/r p g e. v 3 0i 0 0. 2 1 4 0 9 1 8
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g m e nts : T o U n es p f or i nstit uti o n al s u p p ort a n d t o C N P q .
F u n di n g : N ot a p pli c a bl e .
C o nfli cts of i nt e r est: N ot a p pli c a bl e .
Et hi c al a p p r o v al : T his st u d y c o m pli e d wit h t h e et hi c al r e q uir e m e nts r el e v a nt t o t h e
r es ear c h.
D at a a n d m at eri als a v ail a bilt y : N ot a p pli c a bl e.
A ut h o rs c o nt ri b uti o ns : P. A. C. p arti ci p at e d i n t h e st u d y s c o n ce pti o n, m et h o d ol o gi c al
d esi g n, d at a c oll ecti o n, a n al ysis, a n d i nt er pr et ati o n, as w ell as i n t h e dr afti n g of t h e
m a n us cri pt a n d t h e fi n al r e visi o n of t h e t e xt. A. M. C. L. p arti ci p at e d i n t h e s u p er visi o n of
t h e r es e ar c h, t h e t h e or eti c al a n d m et h o d ol o gi c al r e vi e w, t h e criti c al r e vi e w of t h e
m a n us cri pt, a n d t h e r efi n e m e nt of t h e fi n al v ersi o n. L. R. M. p arti ci p at e d i n t h e criti c al a n d
a n al yti c al r e vi e w of t h e m a n us cri pt a n d t h e a p pr o v al of t h e fi n al v ersi o n f or p u bli c ati o n.
P r o c ess i n g a n d e diti n g: E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr ea di n g , f or m atti n g, n or m ali zati o n a n d tr a nsl ati o n
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 1
EN LOS RITMOS DEL FUNK: SEXUALIDAD, PEDAGOGÍAS CULTURALES Y LA
CONSTRUCCIÓN DE SUBJETIVIDADES INFANTILES EN LA
CONTEMPORANEIDAD
NAS BATIDAS DO FUNK: SEXUALIDADE, PEDAGOGIAS CULTURAIS E A
CONSTRUÇÃO DE SUBJETIVIDADES INFANTIS NA CONTEMPORANEIDADE
IN THE BEATS OF FUNK: SEXUALITY, CULTURAL PEDAGOGIES, AND THE
CONSTRUCTION OF CHILDREN’S SUBJECTIVITIES IN CONTEMPORARY TIMES
Priscila Alves COSTA
1
e-mail: priscila.a.co[email protected]
Andreza Marques de Castro LEÃO
2
e-mail: and[email protected]
Luci Regina MUZZETI
3
e-mail: luci.m[email protected]
Cómo citar este artículo:
Costa, P. A., Leão, A. M. C., & Muzzeti, L. R. (2026). En los
ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la
construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad.
Revista on line de Política e Gestão Educacional, 30, e026090.
https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.21409
| Enviado: 21/03/2026
| Modificaciones solicitadas: 18/05/2026
| Aprobado: 30/06/2026
| Publicado: 12/08/2026
Editor:
Prof. Dr. Sebastião de Souza Lemes
Editor ejecutivo adjunto:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual Paulista (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brasil. Estudiante del Programa de
Posgrado en Educación Sexual y Educación Escolar, Facultad de Ciencias y Letras.
2
Universidade Estadual Paulista (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brasil. Profesor del Departamento de
Psicología Educativa y de los Programas de Posgrado en Educación Sexual y Educación Escolar, Facultad de
Ciencias y Letras.
3
Universidade Estadual Paulista (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brasil. Profesor del Departamento de
Educación y de los Programas de Posgrado en Educación Sexual y Educación Escolar.
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
RESUMEN: La infancia, comprendida como un constructo social y cultural en transformación,
se ha visto significativamente afectada por los medios de comunicación contemporáneos y las
tecnologías digitales, que desempeñan un papel central en la formación de las subjetividades
infantiles. Este estudio analizó cómo la música, especialmente el funk, como artefacto cultural
mediático, puede contribuir a la erotización precoz y a la reproducción de discursos sobre
género y sexualidad durante la infancia. Se trata de una investigación cualitativa, bibliográfica
y documental, cuyo corpus estuvo compuesto por letras de canciones del género funk,
seleccionadas por su relevancia temática. Fundamentado en el Análisis de Contenido, el estudio
identificó las categorías de erotización precoz, violencia de género e identidad cultural,
interpretadas a la luz de los Estudios Culturales en Educación y la Educación Sexual Crítica.
Los resultados evidencian que los discursos musicales pueden contribuir a naturalizar
desigualdades, violencias simbólicas y procesos de erotización precoz. Por lo tanto, se destaca
la relevancia de la educación sexual crítica en la escuela para promover la reflexión sobre las
influencias mediáticas en la construcción de las subjetividades infantiles.
PALABRAS CLAVE: Infancia. Niño. Sexualidad. Medios. Música.
RESUMO: A infância, compreendida como constructo social e cultural em transformação, tem
sido significativamente impactada pelas mídias contemporâneas e tecnologias digitais, que
ocupam lugar central na formação da subjetividade infantil. Este trabalho analisou como a
música, especialmente o funk, enquanto artefato cultural midiático, pode contribuir para a
erotização precoce e a reprodução de discursos sobrenero e sexualidade na infância. Trata-
se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, cujo corpus foi composto por letras de
músicas do gênero funk, selecionadas por sua relevância temática. Fundamentado na Análise
de Conteúdo, o estudo identificou as categorias erotização precoce, violência de gênero e
identidade cultural, interpretadas à luz dos Estudos Culturais em Educação e da Educação
Sexual Crítica. Os resultados evidenciam que discursos musicais podem contribuir para
naturalizar desigualdades, violências simbólicas e processos de erotização precoce. Destaca-
se, portanto, a relevância da educação sexual crítica na escola para promover reflexões sobre
as influências midiáticas na construção da subjetividade infantil.
PALAVRAS-CHAVE: Infância. Criança. Sexualidade. Mídia. Música.
ABSTRACT: Childhood, understood as a changing social and cultural construct, has been
significantly affected by contemporary media and digital technologies, which play a central
role in shaping children’s subjectivities. This study analyzed how music, particularly funk, as a
media cultural artifact, may contribute to the premature sexualization of children and the
reproduction of discourses on gender and sexuality during childhood. This qualitative study
employed bibliographic and documentary research, with a corpus consisting of funk song lyrics
selected for their thematic relevance. Grounded in Content Analysis, the study identified the
categories of premature sexualization, gender-based violence, and cultural identity, which were
interpreted in light of Cultural Studies in Education and Critical Sexuality Education. The
findings indicate that musical discourses may contribute to the normalization of inequalities,
symbolic violence, and processes of premature sexualization. Therefore, the study highlights the
relevance of critical sexuality education in schools as a means of fostering reflection on media
influences on the construction of children’s subjectivities.
KEYWORDS: Childhood. Child. Sexuality. Media. Music.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 3
INTRODUCCIÓN
El avance de las tecnologías emergentes y las transformaciones en las prácticas sociales
contemporáneas han configurado un nuevo panorama y una perspectiva distinta sobre la
infancia. En la actualidad, la infancia se caracteriza por una amplia visibilidad social y una
intensa exposición a los medios de comunicación y a los artefactos culturales digitales. Como
sostiene Ariès (1981), la infancia no es una categoría fija, sino una construcción social e
histórica que experimenta constantes resignificaciones según los contextos y discursos que la
rodean.
En este escenario de rápida reconfiguración social, marcado por la aceleración del
tiempo, el consumo de imágenes y la hiperconectividad, las Tecnologías de la Información y la
Comunicación (TIC) también adquieren un papel central en la experiencia infantil. Si bien
amplían el acceso al conocimiento, también exponen prematuramente a los niños a discursos y
representaciones mediáticas que naturalizan prácticas erotizadas y, a menudo, violentas. El
objetivo de este trabajo no es culpar a la tecnología ni romantizar una infancia idealizada, sino
problematizar los discursos que, mediados por los medios de comunicación, interfieren en la
construcción de las subjetividades infantiles. Es precisamente en este contexto que los Estudios
Culturales constituyen un marco teórico fundamental para comprender las implicaciones de este
proceso.
Desde esta perspectiva, la subjetividad se entiende como una construcción discursiva,
social e histórica. Hall (1997) y Silva (2002) sostienen que los discursos mediáticos, culturales
y educativos producen formas de ser y actuar, constituyendo así las subjetividades infantiles.
Dentro de esta realidad, el cuerpo infantil ha sido frecuentemente erotizado a través de
artefactos culturales mediáticos, como la música, el teatro, los videos, la publicidad, las redes
sociales, las películas y los programas de televisión, entre otros. Entre estos artefactos, la música
destaca como un elemento contemporáneo que espectaculariza la sexualidad y pone de relieve
problemas como la violencia de género y la pedofilia, como lo analiza Jane Felipe (2006).
Esta investigación se justifica por el reconocimiento de que la educación sexual informal
se produce en múltiples espacios sociales, especialmente en los medios digitales, los cuales
influyen en la construcción de la subjetividad infantil. En este contexto, los Estudios Culturales
en Educación permiten comprender los artefactos mediáticos como pedagogías culturales, dado
que contribuyen a la producción de procesos de autoaprendizaje y a la formación de modos de
conducta. Si bien la educación sexual se manifiesta en la familia, en los medios digitales y en
los productos culturales, es en la escuela donde debe consolidarse como una práctica
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
intencional, crítica y emancipadora, que promueva lecturas problematizadoras sobre la
sexualidad, el género y el poder.
LA INFANCIA, LA SOCIEDAD CONTEMPORÁNEA Y LA SUBJETIVIDAD
A lo largo de la historia de la humanidad, se han construido social y culturalmente
diversas formas de experimentar la infancia. Larrosa y Veiga-Neto (2009) problematizan la
noción lineal y evolutiva de la infancia al afirmar que el niño no puede entenderse como
perteneciente a un tiempo cronológico o progresivo, sino como una presencia, un
acontecimiento y una experiencia que escapan a las categorías tradicionales del desarrollo.
Desde esta concepción, se entiende que la infancia no es universal ni fija, sino una construcción
histórica y discursiva. Ariès (1981) demuestra que la idea del niño y el concepto mismo de
infancia son producciones sociales que se transforman con el tiempo.
En el pasado, entre los siglos XII y XVII, la infancia aún no era una categoría social
reconocida. Los niños eran insertados prematuramente en el mundo adulto, en contextos
marcados por una escasa diferenciación por edades y una protección social limitada, incluso
frente a prácticas de naturaleza sexual. Posteriormente, el niño pasó a ser concebido como un
sujeto en proceso de desarrollo, merecedor de cuidado, afecto y protección, y progresivamente
reconocido como titular de derechos, en configuraciones que se han transformado con el tiempo
(Ariès, 1981). Estas diferentes concepciones corroboran el análisis de Beck (2012), según el
cual los procesos de construcción y deconstrucción de la infancia están intrínsecamente ligados
a los contextos sociales en los que se producen.
Por lo tanto, resulta fundamental reflexionar sobre cómo se concibe la infancia en la
actualidad y cómo los discursos sociales influyen en la constitución de las subjetividades
infantiles. Entre estos discursos, los medios de comunicación destacan, asumiendo un papel
central como mediadores culturales e instancias pedagógicas informales, con una marcada
presencia en la vida cotidiana de los niños. Las representaciones transmitidas por la televisión,
internet, la música, los vídeos y las redes sociales difunden discursos que influyen en las formas
de percibir el mundo, a los demás y a sí mismos.
Felipe (2012) afirma que, si bien los avances tecnológicos amplían el acceso a la
información, el entretenimiento y las formas de interacción social, también generan
inquietudes, especialmente en lo que respecta a la integración de los niños en internet. El autor
explica que, dada la producción y circulación de artefactos culturales digitales, resulta
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 5
fundamental problematizar las imágenes, las concepciones del mundo, del cuerpo, de las
relaciones y de la ética que difundimos.
Desde esta perspectiva, el cuerpo infantil adquiere un lugar estratégico en las dinámicas
mediáticas y de consumo. Según Sampaio et al. (2022), la naturalización de estas prácticas
contribuye a procesos de adultización precoz y a la producción de estereotipos que impactan la
identidad infantil. Esta erotización se produce a través de diversos artefactos culturales
mediáticos, que promueven la aproximación del universo infantil a los códigos simbólicos del
mundo adulto. Es dentro de este movimiento donde se inserta lo que Felipe (2006) denomina
pedofilización: un proceso cultural y simbólico que transforma el cuerpo infantil en objeto de
deseo y consumo, mediante discursos, imágenes y prácticas ampliamente difundidas por los
medios de comunicación y la industria cultural.
Ante esta situación, se hace evidente una contradicción: mientras las políticas públicas
abogan por la protección de la infancia, la propia sociedad legitima la exposición de los niños
a prácticas y discursos erotizados. Esta ambivalencia exige un análisis crítico del impacto de
estos discursos en la constitución de la subjetividad infantil.
A la luz de estos debates, los Estudios Culturales, a través de las contribuciones de Hall
(1997), Louro (1997) y Silva (2002), ofrecen importantes perspectivas sobre los procesos de
construcción de identidades y subjetividades. Para Hall (1997), estas dimensiones no son
esencias fijas, sino construcciones discursivas y culturales: posiciones que los sujetos ocupan
en relación con los discursos que circulan social e históricamente, moldeadas por el lenguaje,
las imágenes y las representaciones que nos interpelan a diario.
Louro (1997) profundiza en esta perspectiva al destacar que las identidades, incluidas
las de los niños, se construyen mediante discursos que regulan y normalizan las formas de ser,
actuar y relacionarse. Complementando esta visión, Silva (2002) sostiene que los discursos
educativos, culturales y mediáticos se configuran como campos de poder que producen sujetos
y subjetividades, siempre construidos de manera histórica y relacional. Así, el niño no emerge
como un sujeto acabado, sino que se constituye continuamente por las fuerzas discursivas y
culturales que lo rodean.
Por lo tanto, dada la constante exposición de los niños a discursos erotizados mediados
por los medios de comunicación, resulta urgente reflexionar sobre los efectos de estas prácticas
en la constitución de las subjetividades infantiles. Como argumentan Felipe y Guizzo (2003, p.
128):
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
Los cuerpos han sido cada vez más sometidos al erotismo, ampliamente difundido a través de
la televisión, el cine, la música, los periódicos, las revistas, la publicidad, las vallas publicitarias
y, más recientemente, con el uso de Internet, ha sido posible experimentar nuevas formas de
explotación de los cuerpos y la sexualidad.
En vista de lo anterior, es posible comprender que la subjetividad infantil no es el
resultado de una esencia natural ni de un proceso puramente biológico, sino una construcción
histórica, social y discursiva. Desde muy temprana edad, los niños están expuestos a narrativas
mediáticas que contribuyen a moldear sus formas de percibir el mundo, a los demás y a
mismos. Como señalan Leão et al. (2014), los medios de comunicación no solo producen y
difunden discursos sobre sexualidad, sino que también actúan como instancias que
frecuentemente erotizan prematuramente a los niños, ya sea mediante la exposición a imágenes
o la naturalización de contenidos que refuerzan patrones corporales y de comportamiento
adultos. Este escenario subraya la necesidad de comprender cómo los discursos mediáticos
impregnan la infancia y participan en la producción de subjetividades marcadas por una lógica
centrada en el adulto, destacando la importancia de políticas y prácticas educativas que
promuevan la protección de la infancia, el debate crítico y el respeto al derecho a ser niño.
MEDIOS DE COMUNICACIÓN, MÚSICA Y SEXUALIDAD
En contextos marcados por la rápida transformación digital y la expansión de los medios
de comunicación, estos adquieren un papel central en la configuración de las subjetividades
relacionadas con la infancia y la sexualidad. Martín-Barbero (2001) entiende los medios como
un espacio de mediación cultural que produce significados sociales y participa en la
construcción de la identidad. Kellner (2001) subraya el papel pedagógico de los medios en la
producción de formas de ser, consumir y comportarse. Fischer (2002) problematiza los
imperativos de belleza, juventud y erotismo presentes en los medios, que transforman el cuerpo
en objeto de deseo y consumo.
En el escenario actual, hay un aumento significativo en el consumo de medios por parte
de los niños, que se ha intensificado notablemente en los últimos años. Datos del Centro
Regional de Estudios sobre el Desarrollo de la Sociedad de la Información (CETIC.br, 2025),
publicados el 22 de octubre, indican que el 92% de los niños y adolescentes de entre 9 y 17
años utilizan internet, y el 28% comenzó a acceder a él antes de los 6 años, casi el triple del
porcentaje registrado en 2016, cuando esa tasa era solo del 10%. Sin embargo, este temprano
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 7
acceso digital no puede analizarse únicamente desde la perspectiva de la conectividad, sino
también considerando los riesgos asociados a esta temprana inserción en el entorno virtual.
Costa et al. (2025) destacan que la delegación del cuidado digital de niños y adolescentes
a los propios dispositivos electrónicos se ha vuelto recurrente, creando una sensación de
seguridad entre los cuidadores que, en la práctica, puede ser ilusoria. Según los autores, la
inserción sin supervisión en el entorno digital aumenta la exposición a riesgos como el
grooming, caracterizado por la seducción engañosa virtual de menores. Plataformas como
YouTube, TikTok e Instagram exponen a niños y adolescentes a contenido frecuentemente
inapropiado para su edad. Estas redes sociales ofrecen acceso gratuito a videos de bailes
sensuales y coreografías sexualizadas, a menudo interpretadas por influencers adultos y
también por niños, favoreciendo la naturalización de discursos erotizados en la vida cotidiana
infantil. En TikTok, los videos cortos y virales con coreografías y gestos sensuales favorecen
la temprana incorporación de códigos del mundo adulto por parte de los niños, contribuyendo
potencialmente a procesos de erotización precoz (Felipe, 2006). En YouTube e Instagram, el
contenido basado en sica popular, performances y tendencias virales puede reforzar los
estereotipos de género y los ideales de sensualidad y consumismo, lo que anima a los niños a
anticipar códigos del mundo adulto.
Así, las redes sociales funcionan como pedagogías culturales (Louro, 1997; Silva,
2002), produciendo valores, comportamientos y modos de ser relacionados con el cuerpo, la
sexualidad y las relaciones sociales. Esta comprensión coincide con la propuesta de Silva
(2002), quien afirma que los Estudios Culturales en Educación permiten un análisis crítico de
la relación entre cultura, poder y subjetividad, destacando que las pedagogías culturales
intervienen en la formación de los sujetos mediante la circulación de prácticas, imágenes y
discursos que guían la conducta y definen las formas de existir. Para el autor, la pedagogía
cultural es la pedagogía que se ejerce fuera de la escuela, en las calles, en la televisión, en el
cine, en la publicidad, en la moda; en resumen, en todos los espacios sociales en los que nos
formamos como sujetos culturales (Silva, 2002, p. 84).
Las redes sociales no solo ofrecen entretenimiento, sino que también producen discursos
que moldean subjetividades normalizadas y de género desde la infancia, lo que exige una
reflexión ética y educativa sobre los mites de esta exposición. Como señalan Costa et al. (2025,
p. 6162):
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
Actualmente, es innegable que las redes sociales captan eficazmente la atención de los jóvenes,
dificultando su resistencia a las ventajas y distracciones que ofrecen. La peligrosa exposición
de los niños en entornos sociales puede afectar significativamente su desarrollo, percepción,
personalidad y formación como adultos.
Al reconocer el impacto de esta exposición en el desarrollo infantil, resulta fundamental
comprender que tales influencias no operan de forma neutral, sino que constituyen auténticos
procesos formativos. Los medios de comunicación asumen un rol pedagógico-cultural al
enseñar formas de ser y actuar, especialmente a través de la música. Entendida como un
artefacto cultural mediático, la música, como lenguaje simbólico y discurso cultural, conlleva
representaciones, valores y normas que son apropiados, reinterpretados y reproducidos por los
individuos, en particular por los niños.
Según Felipe y Guizzo (2003), la música funciona como una pedagogía cultural al
transmitir mensajes sobre sexualidad, cuerpo y género. Para estas autoras, dichos mensajes no
solo reflejan concepciones sociales, sino que también contribuyen activamente a la formación
de subjetividades. Louro (2000) sostiene que los productos culturales no solo representan la
realidad, sino que también la construyen. En otras palabras, las letras de las canciones, los
videoclips y las imágenes difundidas por los medios se configuran como prácticas discursivas
que intervienen en la producción de significados, subjetividades y modos de existencia.
Reflexionar sobre cómo los niños experimentan la música en la actualidad implica también
analizar la apropiación y el disfrute musical, desarrollando una perspectiva crítica sobre las
letras y los discursos reproducidos, especialmente aquellos relacionados con la sexualidad.
En cuanto a la música, Subtil (2003) señala que está ampliamente presente en la vida
cotidiana de los niños, quienes la experimentan en diferentes espacios sociales, como escuelas,
fiestas, iglesias y redes sociales, donde amigos, compañeros y familiares actúan como
mediadores culturales. Con la llegada de las tecnologías audiovisuales, se ha consolidado una
nueva relación entre los niños y los dispositivos electrónicos, transformando los medios en
canales para la circulación de información que modifica las percepciones y perspectivas,
incluidas las relacionadas con la sexualidad.
Al analizar el gusto musical en el contexto del consumo de medios, Subtil (2003) sugiere
que la música en los medios satisface simultáneamente demandas simbólicas y de consumo,
marcadas por la popularidad momentánea de artistas y melodías. Entre los niños de 9 a 12 años,
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 9
estas prácticas no se limitan al consumo superficial, sino que influyen en cómo perciben e
interpretan el mundo, la sociedad y las relaciones humanas (Subtil, 2003).
Subtil (2007) también destaca que, en la sociedad mediática, no existe una delimitación
de los tipos de música para los diferentes grupos de edad, lo que resulta en una homogeneización
de los patrones de gusto musical. Así, se observa una rápida circulación de la música en los
medios, en gran medida sin autonomía estética ni análisis crítico del contenido lírico.
Plataformas como TikTok, Instagram y YouTube desempeñan un papel decisivo en la difusión
de este material entre niños y jóvenes. Esta perspectiva refleja las preocupaciones de Adorno
(2011) sobre la homogeneización y estandarización cultural en la sociedad de masas, al afirmar
que el gusto musical por las canciones de éxito tiende a reflejar más el reconocimiento social
que una apreciación auténtica de la obra. Siguiendo esta lógica, la música se inserta en la lógica
de la industria cultural, que promueve la producción masiva y homogénea, alienando al público
y transformando el arte en un producto comercial desvinculado de una experiencia autónoma
de apreciación.
Según Felipe y Guizzo (2003), la música es uno de los artefactos culturales que ha
propiciado la espectacularización de la sexualidad, indicando formas de ser, actuar, producir
conocimiento y educar. De hecho, la música, a través de sus letras, revela la cosmovisión de
una cultura particular dentro de un contexto histórico específico. Educa e indica formas de ser
y sentir, construyendo identidades, incluidas las sexuales, a partir del discurso que transmite.
El funk es uno de los géneros musicales con mayor impacto mediático y que, en algunas
letras, reproduce temas relacionados con la violencia sexual, la violencia de género y la
pedofilización. De hecho, no es raro que las letras destaquen explícitamente el machismo, el
sexismo y la misoginia. En sus estudios sobre el funk, Felipe (2006, p. 218) hace algunas
observaciones relevantes sobre la música de este género:
En el caso de la música funk, las letras se caracterizan por referencias explícitas a prácticas
sexuales, sin rodeos ni sutilezas, aludiendo a un mero acto sexual, donde se mencionan los
genitales y se proclaman actos sexuales en sus más variadas formas, acompañados de una
coreografía sensual que alude a la exhibición de cuerpos femeninos. Es una sexualidad explícita,
sin vergüenza ni circunloquios.
Hoy en día, debido a la accesibilidad de la tecnología, los niños están expuestos a
contenidos que incitan a la sexualización precoz a través de los medios de comunicación, lo que
provoca la anticipación de etapas del desarrollo e interfiere con el proceso natural de desarrollo,
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
la conciencia corporal y la sexualidad. En este contexto, es crucial comprender que la música,
como poderoso artefacto mediático, actúa como una práctica discursiva que involucra a los
individuos y participa en la constitución de sus subjetividades.
Como argumenta Hall (1997), los sujetos se construyen dentro de regímenes de
representación y lenguaje; es decir, no están preformados, sino que son posicionados por
discursos que atribuyen significado al cuerpo, al deseo, a la sexualidad y al lugar social. Louro
(1997) refuerza la idea de que los medios de comunicación y la música, en particular, actúan
como herramientas pedagógicas extraescolares, enseñando sobre lo que significa ser niño o
niña, lo que es deseable o no, quién puede desear y quién debe ser deseado. Estos discursos
impregnan los cuerpos de los niños y participan en la constitución de las subjetividades desde
muy temprana edad, produciendo formas de ser, sentir y actuar.
Por lo tanto, la música no debe entenderse simplemente como entretenimiento o una
expresión artística aislada, sino como un poderoso instrumento cultural para la construcción de
la subjetividad infantil, cuyos efectos deben analizarse críticamente, especialmente cuando se
manifiestan en los ámbitos de la sexualidad, el erotismo y las relaciones de género.
Santos (2021) sostiene que las obras artísticas, como el cine, la música y la pintura,
constituyen discursos producidos en un contexto histórico y cultural específico, que reflejan
valores y estructuras sociales, pero que también son capaces de cuestionar, reformular o romper
con las estructuras existentes. Esta comprensión se acerca a los fundamentos de la educación
sexual crítica, que entiende la sexualidad como una construcción histórica, social y política,
atravesada por relaciones de poder, género, clase y cultura. Así, la música deja de ser analizada
simplemente como entretenimiento y comienza a ser comprendida como un artefacto cultural
formativo, capaz tanto de reproducir discursos hegemónicos como de desafiarlos y
resignificarlos. Reconocer este movimiento es un paso fundamental hacia la formulación de
prácticas pedagógicas comprometidas con la emancipación, la equidad y la protección integral
de la infancia.
Dada la intensa participación de los niños en los medios digitales, resulta fundamental
promover prácticas de alfabetización mediática crítica y reflexiva (Girardello et al., 2021).
Desde la perspectiva de la educación sexual formal, esta formación no se limita a la transmisión
de información biológica o preventiva, sino que implica problematizar discursos que
naturalizan las desigualdades de género, la objetivación corporal y la erotización temprana. Se
trata de promover procesos educativos que permitan a los niños comprender cómo se
construyen socialmente estas representaciones y qué intereses pueden sustentar su difusión.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 11
La escuela constituye un espacio estratégico en las disputas contemporáneas sobre la
producción de significados, valores y cosmovisiones, al estar impregnada de intereses políticos,
ideológicos y culturales (Hage, 2011). La educación sexual, a su vez, se configura como una
práctica pedagógica intencional que busca desnaturalizar discursos, ampliar repertorios
culturales y fomentar la autonomía moral e intelectual del alumnado. Esta necesidad se hace
aún más evidente ante las cuestiones relacionadas con la sexualidad, que reflejan las disputas
contemporáneas intensificadas por los discursos mediáticos y culturales.
Según Maia y Ribeiro (2011), la educación sexual no intencional (informal) se
manifiesta a través de diversos discursos sociales, incluidos los discursos mediáticos, que
contribuyen a la construcción de significados sobre el cuerpo, el género y la sexualidad. En los
Estudios Culturales de la Educación, estos procesos se entienden como pedagogías culturales,
ya que generan aprendizaje, valores y modos de subjetivación que trascienden los espacios de
enseñanza formal.
La música popular, como el género funk, puede, en ciertas producciones, transmitir
representaciones erotizadas y desiguales del género (Maia & Ribeiro, 2011). Cuando este
proceso se adopta como objeto de enseñanza, con fundamentos científicos y guiado por la
intencionalidad pedagógica, la planificación y la definición de objetivos específicos, constituye
lo que se denomina educación sexual formal. Desarrollada principalmente en el ámbito escolar,
esta modalidad requiere una organización sistemática y enfoques cuidadosos, orientados a la
construcción de conocimiento y a la reflexión crítica sobre la sexualidad.
Ante este panorama, la educación sexual formal, guiada por una perspectiva crítica,
busca crear espacios de diálogo y problematización que articulen las dimensiones sociales,
históricas, culturales y psicológicas de la sexualidad. Al promover análisis contextualizados de
los productos mediáticos, la escuela permite a los estudiantes cuestionar las representaciones
naturalizadas, comprender las relaciones de poder involucradas y desarrollar posturas más
conscientes, éticas y emancipadoras (Leão et al., 2014).
METODOLOGÍA
Esta investigación se caracteriza por su carácter cualitativo, con un enfoque
bibliográfico y documental, fundamentado en una perspectiva sociohistórica, cultural y crítica.
La dimensión bibliográfica incluyó el análisis de referencias sobre género, sexualidad, cultura
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
y educación, basadas en Connell (1995), Giroux (2001), Hall (1997), Louro (1997) y Segato
(2018).
La dimensión documental consideró las letras de la música funk como documentos
culturales (Cellard, 2008), lo que permitió comprender las dinámicas simbólicas, ideológicas y
educativas. El corpus incluyó dos letras seleccionadas por su relevancia temática, popularidad
y difusión en los medios.
El análisis se llevó a cabo utilizando el Análisis de Contenido de Bardin (2011) en tres
etapas: preanálisis, para identificar temas; exploración del material, con codificación que
generó las categorías de erotización temprana, violencia de género e identidad cultural; e
interpretación, relacionando las categorías con el marco teórico para inferir sobre las
representaciones de la infancia, el género y la sexualidad. Del análisis surgieron tres categorías
centrales:
Erotización temprana: Se refiere a la construcción y naturalización de la sexualidad
precoz en niños y adolescentes, que, según Louro (1997), ocurre cuando el niño se inserta en
un campo de significados que asocia su cuerpo, gestos, vestimenta y comportamientos con
códigos y símbolos de la sexualidad adulta. Estos procesos se manifiestan tanto a través de
marcadores de edad explícitos (novinha, garota) como a través de la amplia circulación de
discursos sexualizados que trivializan y sensacionalizan la sexualidad en los medios de
comunicación y los contextos culturales.
Violencia de género: se refiere a la manifestación simbólica y estructural de la
dominación masculina, que opera tanto en el plano físico como en el simbólico (Segato, 2018).
Identidad cultural: Según Hall (1997) y Connell (1995), la identidad cultural es una
construcción discursiva y social, donde los sujetos se posicionan y afirman su pertenencia,
contribuyendo también a la construcción de identidades sociales y culturales.
ANÁLISIS Y DISCUSIÓN DE LOS DATOS
Se analizaron dos canciones de funk mediante un enfoque cualitativo basado en los
Estudios Culturales en Educación y la Educación Sexual Crítica, centrándose en una lectura
crítica de los discursos que actúan como herramientas pedagógicas informales en la formación
de las subjetividades infantiles. El análisis consideró tres categorías: erotización temprana,
violencia de género e identidad cultural, para comprender cómo dichos discursos contribuyen
a la naturalización de la erotización temprana, las desigualdades y la violencia simbólica.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 13
Cuadro 1.
Título de la canción: “Socada Botada 2”, cantada por MC MN, MC Cajá & DJ Robão:
[Intro]
Esse é o DJ Robão, tá lançando a nova moda
[Verso 1: MC Cajá]
Conheço cada cheiro e defino só de olhar
Se gosta de dar de quatro ou se gosta de sentar
Conheço cada cheiro e defino só de olhar
Se gosta de dar de quatro ou se gosta de sentar
De sentar, de sentar
[Refrão: MC Cajá]
Eu já comi loira, morena, mulata, a branca e a
preta
Sou colecionador de buceta (Socada)
Sou colecionador de buceta (Com raiva, botada)
Sou colecionador de buceta (Socada, com raiva)
O Robão coleciona buceta (Botada, socada)
O Metralha colеciona buceta (Com raiva)
[Verso 2: MC MN & MC Cajá]
Vem, garota safadona, jogando a buceta na
minha dirеção
Vem, garota safadona, jogando a buceta na
minha direção
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão
(Socada, com raiva)
MC MN é galudão, ele vai te dar catucadão
(Botada, socada)
Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão (Com
raiva, botada)
MC MN é galudão, ele vai te dar catucadão
(Socada, com raiva)
Nota. Mc Min (2020).
Cuadro 2.
Análisis de la canción Socada Botada 2
FRAGMENTO DE LA CANCIÓN: “vem, garota safadona, jogando a buceta na minha
direção”. [“ven aquí, niña traviesa, me estás ofreciendo tu coño.]
ANÁLISIS CRÍTICO: Expresiones como garota pueden asociarse con el mundo
adolescente o incluso infantil. La presencia de niños y adolescentes en este circuito musical,
como oyentes, bailarines o performers en redes sociales, demuestra mo el discurso de la
sexualidad, centrado en el adulto, anticipa las normas de género y deseo, reforzando lo que
Louro (1997) denomina la regulación de la sexualidad infantil a través de prácticas
discursivas. No se trata de una erotización que se origine en la infancia, sino más bien de la
manera en que el lenguaje, los medios de comunicación y los discursos sociales sexualizan
sus cuerpos.
LETRA DE LA CANCIÓN: “Eu comi loira, morena, mulata, a branca e a preta / Sou
colecionador de buceta” [Ya me acosté con rubias, morenas, mulatas, mujeres blancas y
mujeres negras / Soy un coleccionista de coños”]
ANÁLISIS CRÍTICO: Estos fragmentos ponen de manifiesto la objetivación y
deshumanización de las mujeres, reforzando las relaciones de poder asimétricas y
reproduciendo prácticas misóginas, tal como analiza Segato (2018). Este tipo de discurso
contribuye al mantenimiento de la violencia simbólica y las desigualdades de género.
FRAGMENTO DE LA CANCIÓN: “Tô galudo, galudão, vou te dar catucadão”. [“Estoy
cachondo, muy cachondo, te voy a dar un buen empujón”.]
ANÁLISIS CRÍTICO: En este fragmento, se reafirma una identidad marcada por la
masculinidad hegemónica, reproduciendo relaciones desiguales de dominación sexual y
simbólica. El término galudão funciona como un marcador hipermasculino que alude a una
virilidad extrema y una gran disposición sexual, alineándose con el modelo hegemónico de
masculinidad. Esta construcción discursiva genera subjetividades basadas en la fuerza, el
control y la dominación. Como señala Hall (1997), las identidades se constituyen en sistemas
culturales de significado y poder que legitiman ciertas formas de ser en detrimento de otras.
Nota. Elaborado por los autores.
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
Cuadro 3.
Título de la canción: “Abre la Checka”, cantada por Caio Alexandre Cruz (MC Lan):
E aí, R7? Tipo All Net, ladrão
Ensinando inglês, ladrão, ha
Tamo desbravando o mundo, ladrão
Vamo comer as europeia agora, as gringa
R7, quem falou que nós era burro, ladrão?
Hi, my name is Lan
Vou dar game over no seu cu, novinha
Versão brasileira, Herbert Richers
[Refrão 1]
Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka!
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Vamo ensinar inglês pras pepeca analfabeta, vai!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain, ain, ain
[Pós-refrão]
I love you too cool
Então senta no piru
I love you too cool
Então senta no piru
Ai, ai, ai
[Interlúdio]
Excuse me! Excuse me!
Excuse me, novinha!
Faz tchaca tchaca com os mano, novinha!
Ai, a-ai!
Faz tchaca tch... Ei! Excuse me
Cê não tá entendendo o que eu tô falando?
[Verso]
One, two, three, sentando
Versão brasileira, Herbert Richers
[Refrão 1]
Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta
Vamo ensinar inglês pras buceta analfabeta
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka, ain!
Open the Tcheka, vai!
Open the Tcheka!
Four, six, seven, sentando
Seven, eight, nine
Eu não sei falar o resto
Ahn, fudeu!
Ai! One, two, three, sentando
Four, six, seven, sentando
E o resto você procura lá com o mano
Como é o nome? Wizard?
[Ponte]
Já que é pra falar Inglês
Vamo ensinar pras vagabunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem de big bunda
Vem de big, big bunda
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vem, vem, vem de bundation
Vai tomar piroca
Vai, vai tomar pirocation
Vai tomar piroca
Vai, vai tomar pirocation
Nota. MC Lan (2017).
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 15
Cuadro 4.
Análisis de la canción Open the Checka
LETRA DE LA CANCIÓN: “Vou dar game over no seu cu, novinha” / “Excuse me,
novinha! Faz tchaca tchaca com os mano, novinha!” [“Voy a dar un fin de juego a tu culo,
niñita / ¡Disculpa, niñita! ¡Ve a bailar el tchaca tchaca con los chicos, niñita!”]
ANÁLISIS CRÍTICO: El uso del término novinha (na pequeña) asociado con un
discurso sexual explícito puede indicar una hipersexualización temprana y la normalización
de la explotación sexual de los jóvenes, reforzando una visión adulta y controladora de los
cuerpos.
FRAGMENTO DE LA CANCIÓN: “Vamo ensinar língua pras pepeca analfabeta / Vamo
ensinar inglês pras buceta analfabeta” / “Vamo ensinar pras vagabunda” [“Enseñemos el
idioma a los coños analfabetos / Enseñemos inglés a las vaginas analfabetas / Enseñemos a
las putas”]
ANÁLISIS CRÍTICO: Este fragmento presenta un lenguaje vulgar y despectivo que reduce
a las mujeres a objetos sexuales e intelectuales, perpetuando la deshumanización y la
misoginia. Dicho discurso refuerza el sistema de violencia simbólica, manteniendo las
desigualdades y las prácticas discriminatorias.
FRAGMENTO DE LA CANCIÓN: “Tamo desbravando o mundo, ladrão / Quem falou
que nós era burro, ladrão?” [Estamos conquistando el mundo, hermano / ¿Quién dijo que
éramos estúpidos, hermano?”]
ANÁLISIS CRÍTICO: La construcción de la identidad, en la que el funk se presenta como
una herramienta para combatir la marginación social, se caracteriza por el orgullo de
pertenencia y superación, según Hall (1997) y Connell (1995). Al mismo tiempo, este mismo
discurso refuerza patrones hegemónicos y misóginos al afirmar que, si bien los hombres no
son estúpidos, las mujeres son vaginas analfabetas.
Nota. Elaborado por los autores.
El análisis de las dos canciones seleccionadas revela que, si bien cada composición
presenta singularidades estilísticas y contextuales, las afirmaciones presentes en las letras
comparten patrones discursivos recurrentes. Estos discursos revelan la reproducción de
significados relacionados con la erotización temprana, la objetivación de la mujer y la
construcción de masculinidades periféricas marcadas por la virilidad, la dominación y el poder.
En cuanto a la erotización temprana, las canciones analizadas asocian a niñas y
adolescentes con códigos de sexualidad adulta, especialmente mediante el uso recurrente de
términos como novinha y garota. Este patrón discursivo anticipa la sexualidad infantil al
vincular el cuerpo de la niña con representaciones erotizadas (Louro, 1997). Esta dinámica
expresa el proceso de pedofilización, descrito por Felipe (2006), frecuentemente disfrazado
de normalidad o deseo. En este contexto, la erotización temprana enseña a los niños modelos
heteronormativos y centrados en el adulto sobre el cuerpo, la sexualidad y el deseo.
En cuanto a la violencia de género, la letra resalta la cosificación de la mujer, reducida
a cuerpos disponibles para el consumo sexual y a prácticas marcadas por la agresión y la falta
de respeto. La presencia de términos peyorativos e imperativos violentos naturaliza la
dominación masculina. Como argumenta Segato (2018), esta violencia simbólica tiene un
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
carácter pedagógico perverso, ya que educa afectos y deseos según la lógica de la dominación,
deshumanizando a las mujeres.
La categoría de identidad cultural también está presente en ambas canciones,
especialmente en la construcción de masculinidades periféricas. La figura del malandro (el
astuto estafador callejero), el hombre dominante y sexualmente activo, es una constante en las
canciones analizadas, configurando un patrón de identidad masculina fuertemente influenciado
por la lógica de la masculinidad hegemónica, como lo discuten Connell (1995) y Hall (1997).
Estas identidades se forjan en contextos de exclusión y resistencia, pero, paradójicamente,
terminan reproduciendo valores patriarcales y misóginos como una forma de afirmar poder y
pertenencia.
En general, ambas canciones refuerzan representaciones que contribuyen a la
naturalización de la sexualización precoz, la violencia de género y la desigualdad en las
relaciones sociales entre hombres y mujeres. Más que simple entretenimiento, estas
composiciones funcionan como pedagogías culturales (Giroux, 2001; Louro, 1997; Silva,
2002), moldeando subjetividades y enseñando formas de ser y relacionarse con el mundo. La
escucha repetida y directa de estos discursos por parte de niños y adolescentes contribuye a la
internalización de valores que ponen en peligro el desarrollo saludable y la construcción de
relaciones igualitarias.
CONSIDERACIONES FINALES
Este estudio, fundamentado en los marcos teóricos de los Estudios Culturales en
Educación y la Educación Sexual Crítica, nos permitió comprender que las letras de funk
analizadas funcionan como artefactos culturales mediáticos que producen y difunden discursos
significativos sobre sexualidad, género y violencia simbólica. Al circular ampliamente entre
niños y niñas, estas composiciones no solo reflejan prácticas sociales naturalizadas, sino que
también contribuyen a su reproducción, consolidando normas, valores y representaciones que
regulan cuerpos, comportamientos y subjetividades. Las canciones analizadas articulan
simultáneamente procesos de erotización temprana, violencia de género y construcción de la
identidad, constituyendo poderosas pedagogías culturales que impactan la infancia.
En este contexto, la sexualización de los cuerpos infantiles y femeninos tiende a reforzar
las perspectivas heteronormativas y centradas en el adulto, legitimando discursos que asocian
la feminidad con la sumisión y la disponibilidad sexual. Simultáneamente, el funk, como
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 17
expresión cultural periférica, opera como un territorio ambivalente: afirma la pertenencia y las
formas únicas de existir, pero también reproduce estereotipos que vinculan la masculinidad con
la virilidad y el control sobre el cuerpo femenino, generando significados que oscilan entre la
resistencia y el mantenimiento de las jerarquías sociales.
Por lo tanto, se entiende que los artefactos musicales analizados van más allá del mero
entretenimiento, actuando como herramientas pedagógicas que generan significados sobre la
sexualidad, las masculinidades, las feminidades y las relaciones de poder desde la infancia.
Reconocer la complejidad de estos procesos resulta fundamental para el desarrollo de prácticas
educativas que consideren críticamente los productos culturales consumidos por niños y
adolescentes, sin deslegitimar el funk como expresión cultural, sino problematizando los
discursos y efectos que ciertas producciones pueden transmitir.
En vista de estas consideraciones, las escuelas pueden desempeñar un papel relevante al
promover espacios sistemáticos para la educación sexual crítica, capaces de cuestionar los
discursos naturalizados y ampliar las posibilidades de reflexión sobre género, sexualidad y
derechos humanos. A diferencia de las pedagogías culturales que operan de forma difusa e
involuntaria a través de los medios de comunicación, la educación sexual crítica y planificada
tiene el potencial de fomentar el desarrollo del pensamiento crítico, la autonomía y la conciencia
social en niños, niñas y adolescentes.
Finalmente, es importante destacar que promover la educación sexual crítica en el
ámbito escolar constituye un compromiso ético, político y pedagógico orientado a formar
personas más conscientes de sus derechos y de las desigualdades que impregnan la vida social.
Para ello, es necesario que las instituciones educativas promuevan espacios dialógicos, críticos
e inclusivos, superando los silencios históricos en torno a la sexualidad. Asimismo, es
fundamental fortalecer las políticas públicas, las inversiones institucionales y los procesos de
formación que ofrezcan a los educadores apoyo teórico y metodológico para la construcción de
prácticas pedagógicas responsables, críticas y sensibles que aborden las complejidades de la
sexualidad en la sociedad contemporánea.
Además, es importante reconocer las limitaciones de este estudio. Se trata de una
investigación teórica y documental, desarrollada a partir de una selección específica de música
funk, lo que imposibilita generalizar sobre la totalidad de este movimiento cultural y sus
múltiples manifestaciones. Si bien el trabajo aborda cuestiones relacionadas con la
sexualización temprana y la violencia simbólica, no pretende reducir el funk a estos aspectos,
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
considerando su relevancia histórica, social y cultural como una expresión periférica y un
espacio de resistencia.
Así pues, la delimitación del corpus analizado constituye un límite metodológico de la
investigación, al tiempo que señala la necesidad de nuevas investigaciones que amplíen el
universo de análisis, contemplen diferentes aspectos del género musical y profundicen en los
debates sobre las relaciones entre los medios de comunicación, la infancia, el género y la
sexualidad.
Priscila Alves Costa, Andreza Marques de Castro Leão & Luci Regina Muzzeti
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 19
REFERENCIAS
Adorno, T. W. (2011). Introdução à sociologia da música: Doze preleções teóricas (F. R. M.
Barros, Trad.). Editora Unesp.
Ariès, P. (1981). História social da criança e da família (D. Flaksman, Trad.). Zahar.
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo (L. S. Repa, Trad.). Edições 70.
Beck, D. Q. (2012). Com que roupa eu vou? Embelezamento e consumo na composição dos
uniformes escolares infantis [Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio Grande
do Sul]. Repositório Digital UFRGS. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/61954
Cellard, A. (2008). A análise documental. In J. Poupart, J.-P. Deslauriers, L.-H. Groulx, A.
Laperrière, R. Mayer, & Á. Pires (Orgs.), A pesquisa qualitativa: Enfoques
epistemológicos e metodológicos (A. C. Nasser, Trad.; pp. 295–316). Vozes.
Cetic.br. (2025). TIC Kids Online Brasil. https://cetic.br/pt/pesquisa/kids-online/
Connell, R. W. (1995). Masculinities. Polity Press.
Costa, H. V. A., Nascimento, L. I. M., Leão, T. D. A., & Leite, M. A. R. (2025). Erotização
infantil nas mídias sociais: As consequências sociais e jurídicas. Revista Ibero-
Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 11(5), 6160–6177.
https://doi.org/10.51891/rease.v11i5.19458
Felipe, J. (2006). Afinal, quem é mesmo pedófilo? Cadernos Pagu, (26), 201–223.
https://doi.org/10.1590/S0104-83332006000100009
Felipe, J. (2012). “Vinde a mim as criancinhas”: Pedofilização e a construção de gênero nas
mídias contemporâneas. In L. Pelúcio, L. A. F. Souza, B. R. Magalhaes, & T. T. Sabatine
(Orgs.), Olhares plurais para o cotidiano: Gênero, sexualidade e mídia (pp. 90–98).
Cultura Acadêmica.
Felipe, J., & Guizzo, B. S. (2003). Erotização dos corpos infantis na sociedade do consumo.
Pro-Posições, 14(3), 119–130.
Fischer, R. M. B. (2002). Educação, corpo e mídia: Tensões e deslocamentos. In G. L. Louro
(Org.), O corpo educado: Pedagogias da sexualidade (7ª ed.; pp. 145–166). Autêntica.
Girardello, G., Fantin, M., & Pereira, R. S. (2021). Crianças e mídias: Três polêmicas e desafios
contemporâneos. Cadernos CEDES, 41(113), 33–43.
https://doi.org/10.1590/CC231532
Giroux, H. A. (2001). Os professores como intelectuais: Rumo a uma pedagogia crítica da
aprendizagem (D. Bueno, Trad.). Artmed.
Hage, S. M. (2011). Educação, escola e políticas educacionais na perspectiva dos estudos
culturais críticos: A produção do senso comum e as disputas pela hegemonia. Cadernos
de Educação, (38), 69–93. https://doi.org/10.15210/caduc.v0i38.1543
En los ritmos del funk: sexualidad, pedagogías culturales y la construcción de subjetividades infantiles en la contemporaneidad
RPGE Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 30, n. 00, e026090, 2026. e-ISSN: 1519-9029
DOI: 10.22633/rpge.v30i00.21409 18
Hall, S. (1997). A identidade cultural na pós-modernidade (T. T. Silva, Trad.). DP&A.
Kellner, D. (2001). A cultura da mídia: Estudos culturais: Identidade e política entre o moderno
e o pós-moderno (I. C. Benedetti, Trad.). EDUSC.
Larrosa, J., & Veiga-Neto, A. (2009). Educação e governamento. In M. C. Lopes & M. D. Hattge
(Orgs.), Inclusão escolar: Conjunto de práticas que governam (pp. 207–218). Autêntica.
Leão, A. M. C., Reis, F., & Muzzeti, L. R. (2014). Sexualidade e infância: Contribuições da
educação sexual em face da erotização da criança em veículos midiáticos. Contrapontos,
14(3), 634–650. https://doi.org/10.14210/contrapontos.v14n3.p634-650
Louro, G. L. (1997). Gênero, sexualidade e educação: Uma perspectiva pós-estruturalista.
Vozes.
Louro, G. L. (2000). Um corpo estranho: Ensaios sobre sexualidade e teoria queer (2ª ed.).
Autêntica.
Maia, A. C. B., & Ribeiro, P. R. M. (2011). Educação sexual: Princípios para ação. Doxa, 15(1),
75–84.
Martín-Barbero, J. (2001). Dos meios às mediações: Comunicação, cultura e hegemonia (3ª
ed.; R. Polito & S. Alcides, Trads.). UFRJ.
Sampaio, E. O., Carvalho, M. A. T., Nascimento, V. G., & Ferreira, J. M. N. (2022). Influência
das mídias sociais no processo de erotização infantil: Fator determinante para um
processo precoce da adultização? Revista Eletrônica da Estácio Recife, 8(1), 1–12.
Santos, A. (2021). A música ensina: Educação e multiculturalismo. Revista Educação e
Territorialidade, 2(2), 391–408. https://doi.org/10.30612/riet.v2i2.14565
Segato, R. L. (2018). La guerra contra las mujeres. Traficantes de Sueños.
Silva, T. T. (2002). Documentos de identidade: Uma introdução às teorias do currículo.
Autêntica.
Subtil, M. J. D. (2003). Apropriação e fruição da música midiática por crianças de quarta série
do ensino fundamental [Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina].
Repositório Institucional UFSC.
http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/85807
Subtil, M. J. D. (2007). Mídias, músicas e escola: A articulação necessária. Revista da ABEM,
(16), 75–82.
Pris cil a Alv es C ost a, A n dr ez a M ar q u es d e C astr o Le ã o & L u ci R e gi n a M uzz eti
R P G E R e vista o n li n e d e P olític a e G est ã o E d u c a ci o n al , Ar ara q u ar a, v. 3 0, n. 0 0, e 0 2 6 0 9 0, 2 0 2 6. e -I S S N: 1 5 1 9-9 0 2 9
D OI: 1 0. 2 2 6 3 3/r p g e. v 3 0i 0 0. 2 1 4 0 9 2 1
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d eci mi e nt os : A U n es p p or el a p o y o i nstit u ci o n al y a C N P q.
Fi n a n ci a ci ó n : N o a pli c a.
C o nfli ct os d e i nt e r és : N o a pli c a.
A p r o b a ci ó n étic a : El tr a b aj o r es p et ó l os as p e ct os éti c os r ele v a nt es p ar a l a i n v esti g a ci ó n.
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al es : N o a pli c a bl e .
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o r es : P A C p arti ci p ó e n l a c o n c e p ci ó n d el est u di o, el dis e ñ o
m et o d ol ó gi c o, l a r ec o pil a ci ó n, el a n álisis y l a i nt er pr et a ci ó n d e l os d at os, l a r e d a c ci ó n d el
m a n us crit o y l a r e visi ó n fi n al d el t e xt o. A M C L p arti ci p ó e n l a s u p er visi ó n d e l a
i n v esti g a ci ó n, l a r e visi ó n t e óri c a y m et o d ol ó gi c a, l a r e visi ó n críti c a d el m a n us crit o y l a
m ej or a d e l a v ersi ó n fi n al. L R M p arti ci p ó e n l a r e visi ó n ctic a y a n ati c a d el m a n us crit o y
e n l a a pr o b aci ó n d e la v ersi ó n fi n al p ar a s u p u bli c a ci ó n.
P r o c es a mie nt o y e di ci ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e visi ó n, dia gr a m a ci ó n , n or m ali za ci ó n y tr a d u c ci ó n