Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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A EDUCAÇÃO EM GRAMSCI COMO RESULTADO HISTÓRICO DAS RELAÇÕES
SOCIAIS E SUA PROXIMIDADE COM O PENSAMENTO HEGELIANO E
MARXIANO
LA EDUCACION EM GRAMSCI COMO RESULTADO HISTÓRICO DE LAS
RELACIONES SOCIALES Y SU PROXIMIDAD CON EL PENSAMIENTO
HEGELIANO Y MARXIANO
EDUCATION IN GRAMSCI AS A HISTORICAL RESULT OF SOCIAL RELATIONS
AND ITS PROXIMITY TO HEGELIAN AND MARXIAN THOUGHT
José Antonio ESPÍNOLA1
e-mail: jose.espinola@usp.br
Como referenciar este artigo:
ESPÍNOLA, J. A. A educação em Gramsci como resultado
histórico das relações sociais e sua proximidade com o
pensamento hegeliano e marxiano. Rev. Sem Aspas,
Araraquara, v. 12, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2358-4238.
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.17643
| Submetido em: 23/01/2023
| Revisões requeridas em: 10/08/2023
| Aprovado em: 16/09/2023
| Publicado em: 17/10/2023
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo SP Brasil. Graduando em Filosofia pelo Departamento de
Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).
A educação em Gramsci como resultado histórico das relações sociais e sua proximidade com o pensamento hegeliano e marxiano
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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RESUMO: Considerando o contexto do século XX e a ascensão dos regimes totalitários, é
notório como as condições de trabalho e a liberdade humana foram desvalorizadas durante tal
período. Sabendo disso, este escrito possui como objetivo investigar as análises feitas por
Gramsci ao longo de sua vida sobre este fenômeno, de modo a compreender como ele se
encontra conectado à uma tradição filosófica que o auxilia a pensar seu contexto social e, por
conseguinte, a educação. Para atingir tais metas, foram traçadas semelhanças entre o
pensamento gramsciano, marxiano e hegeliano, de maneira a comparar e relacionar conceitos
centrais de cada filósofo, como os de crítica, ideologia, intelectual e história. Diante destas
análises, conclui-se que é plausível apontar uma proximidade entre o pensamento gramsciano
e as filosofias de Hegel e Marx, de jeito a evidenciar o porquê da educação em Gramsci é o
meio de transformação do mundo.
PALAVRAS-CHAVE: Gramsci. Hegel. Marx. Educação. Base filosófica.
RESUMEN: Considerando el contexto del siglo XX y la ascensión de los regímenes
totalitarios, es notorio como las condiciones de trabajo y la libertad humana fueron
desvalorizadas durante tal período. Sabiendo esto, este escrito tiene como objetivo investigar
los análisis hechos por Gramsci a lo largo de su vida sobre este acontecimiento, de manera a
comprender como él se encuentra conectado à una tradición filosófica que lo ayuda a pensar
su contexto social y, por consecuencia, la educación. Para alcanzar las metas, establecimos
similitudes entre el pensamiento gramsciano, marxiano y hegeliano, de forma a comparar y
relacionar conceptos claves de cada filósofo, como los de crítica, ideología, intelectual y
historia. Ante estos análisis, concluimos que es plausible indicar una proximidad entre el
pensamiento gramsciano y las filosofías de Hegel y Marx, de modo a colocar en evidencia por
qué la educación en Gramsci es el medio de transformación del mundo.
PALABRAS CLAVE: Gramsci. Hegel. Marx. Educación. Base filosófica.
ABSTRACT: Considering the context of the 20th century and the ascent of totalitarian regimes,
it is clear how work conditions and human freedom were depreciated during this period. This
essay aims to investigate Gramsci’s analysis of that event to understand how he is connected
to a philosophical tradition, which helps him think about his social context and, consequently,
education. To achieve these objectives, we delineated similarities between Gramscian,
Marxian, and Hegelian thought to compare and relate critical concepts of each philosopher,
such as critique, ideology, intellectual, and history. In view of these analyses, we conclude it is
plausible to indicate a proximity between Gramscian thought and the Hegel and Marx
philosophies in favor of showing why Gramsci’s view of education is the means of changing the
world.
KEYWORDS: Gramsci. Hegel. Marx. Education. Philosophical basis.
José Antonio ESPÍNOLA
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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Introdução
O limiar do século XX é marcado pelo surgimento de diversos regimes de cunho
totalitário na Europa que buscaram sacrificar a liberdade de pensar através de um discurso
nacionalista visando a manutenção do sistema social hegemônico desses países. Esses sistemas
legitimavam uma ordem social desigual, visto que as nações apresentavam uma forte
concentração de renda em posse de alguns poucos.
Por outro lado, uma enorme massa de trabalhadores que quanto mais produziam, mais
pobres se tornavam e mais se sujeitavam a relações de dominação. Nesse contexto, surge o
filósofo italiano Antonio Gramsci que, buscando compreender os motivos desses fenômenos,
encontra na educação uma via de modificação dessa realidade adversa.
Considerando o exposto acima, será analisada a base filosófica do pensamento de
Gramsci, haja vista que devido ao caráter historicista do autor italiano, é coerente e vital
compreender sua formação histórica e cultural para, assim, chegar a uma melhor compreensão
e clarificação de sua proposta pedagógica, capaz de transformar a realidade e tornar a liberdade
humana efetiva.
Sob essa perspectiva, será investigado conceitos centrais no pensamento gramsciano, de
modo a relacioná-los com sua história de formação. Entre eles, o seu conceito de intelectual, o
qual constitui a essência de todos os seres humanos de uma sociedade, de forma que todos os
sujeitos de um grupo social são iguais e as diferenças entre eles se explicam por condições
históricas que legitimam uma hegemonia.
Além disso, serão aprofundados os conceitos de historicidade, crítica e ideologia, e será
analisado como a educação em Gramsci representa um campo que mescla teoria, prática, cultura
e política, como aponta Attilio Monasta
(2010, p. 12). Deste jeito, evidencia-se que a educação
atual é um reflexo das condições históricas e sociais, logo, se buscamos tornar a sociedade mais
justa, devemos tornar a escola esse projeto de sociedade.
Nesse sentido, vale ressaltar que nesse ponto Gramsci se opõe a diferentes educadores
de sua época que defendiam o espontaneísmo (informação verbal)
. A pedagogia do
espontaneísmo é um termo utilizado pelo filósofo italiano para se referir aos pensadores que
defendiam que a criança deve escolher os assuntos de seu interesse para aprender, de modo que
o aprendizado ocorresse de forma natural. Nesse contexto, essas pedagogias sofriam forte
Professor de educação experimental na Universidade de Florença e coordenador da Rede de Programas
Universitários de Cooperação no âmbito das ciências da educação (Nicoped).
Informação fornecida por Boto durante as aulas da disciplina Introdução aos Estudos da Educação: Enfoque
Filosófico, São Paulo, 2022.
A educação em Gramsci como resultado histórico das relações sociais e sua proximidade com o pensamento hegeliano e marxiano
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influência do positivismo, que enxergava uma tendência natural e objetiva do mundo, ao
contrário do pensador italiano que entende que esse mundo natural é produto das nossas
relações sociais.
Sabendo disso, pretende-se, por meio da apresentação dos conceitos gramscianos,
indicar a proximidade entre eles e o pensamento de Hegel (2014) e Marx (2007, 2008, 2013),
de modo a concluir e conectar o pensamento de Gramsci a uma tradição filosófica baseada nos
filósofos supracitados. Por conseguinte, a educação do pensador italiano pode ser uma extensão
dessas bases.
À vista disso, serão realizadas leituras comparativas dos textos dos três autores, de forma
a relacionar os seguintes conceitos: 1) crítica imanente hegeliana e crítica gramsciana; 2) no
que diz respeito à historicidade, haverá uma aproximação com Hegel; 3) em relação à
concepção de sujeito como intelectual, que será comparada com a concepção marxiana de
sujeito como possuidor da força de trabalho. 4) Por fim, acerca do conceito de ideologia, será
feita uma aproximação com Marx novamente.
Para clarificar melhor, propõe-se uma divisão em duas partes, cada uma delas com
subdivisões e tratadas a partir de trechos das obras de Gramsci (2010a, 2010b, 2010c)
publicadas por Monasta (2010). Primeiramente, será analisada a comparação e semelhança da
filosofia gramsciana com a filosofia hegeliana, tomando como referência desta a obra A
Fenomenologia do Espírito, utilizando, por vezes, as interpretações de Luiz Repa
(2019),
Marco Aurélio Werle
(2022) e Pinkard (1994). Como segundo ponto, ocorrerá a comparação
do filósofo italiano em questão e o pensamento marxiano, operando a análise por meio das
seguintes obras: Manuscritos econômico-filosóficos, A Ideologia Alemã, O Capital. Tendo
sempre em vista, as diferenças que Marx apresenta nas obras supracitadas.
Desta maneira, busca-se sintetizar o pensamento de Gramsci acerca da educação como
resultado das relações sociais e históricas, de modo a atribuir a significação histórica e
filosófica, por meio deste escrito, sobre os conceitos empregados por ele.
Professor associado do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, especializado em teoria crítica,
teoria das ciências humanas e filosofia política.
Professor titular do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, especializado em filosofia clássica
alemã.
José Antonio ESPÍNOLA
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Alguns conceitos gramscianos a partir da Fenomenologia do Espírito de Hegel
Crítica imanente hegeliana e crítica gramsciana
A filosofia de Gramsci é denominada por ele como a filosofia da práxis. Esta, por sua
vez, de acordo com Monasta (2010, p. 31), é capaz de, por meio da crítica, descobrir os
fundamentos de outros pensamentos e articular de forma constante a teoria com a prática. Nesse
sentido, a crítica é responsável por tecer a unificação entre teoria, prática e por evidenciar as
raízes da realidade social vigente. Dessa forma, é fundamental expor a maneira de operação da
crítica em Gramsci.
O filósofo italiano Gramsci (2010a, p. 78) enxerga a crítica como capaz de transformar
o mundo. Todavia, é vital notar que a crítica deve ser realizada a partir da realidade atual, de
modo que o ato de criticar indica uma análise da realidade e que, a partir da análise, os
problemas podem ser superados.
Sob essa perspectiva, Gramsci acaba se contrapondo ao sentido comum de crítica
usualmente empregado, como indica Monasta (2010, p. 30), visto que no sentido usual há uma
concepção que se articula por meio da contraposição de duas teorias independentes da realidade
social e, consequentemente, independentes uma da outra. De fato, Gramsci (2010a, p. 70)
encontra na crítica a possibilidade de criar uma concepção de mundo mais coerente, unitária e
que, por conseguinte, alcance um estágio mais desenvolvido do pensamento humano.
Sabendo disso, é possível indicar traços semelhantes da concepção de crítica em
Gramsci com a crítica imanente hegeliana. A Fenomenologia do Espírito de Hegel nos
apresenta as bases da crítica logo na sua introdução, a qual encontra sua origem na filosofia
crítica de Kant (REPA, 2019, p. 274), que postulou a necessidade de examinar/criticar o que se
considera verdadeiro para, assim, atingir a verdade propriamente dita.
Hegel, por sua vez, pretende maximizar esse ato de criticar, como aponta Werle (2022,
p. 10). Essa maximização levará ao fato de que a crítica pode nos retirar do plano meramente
teórico, como era em Kant, e avançar ao plano onde teoria e prática se unificam, de modo que
o sujeito reconhece seu poder de transformar e construir o mundo (WERLE, 2022, p. 12).
Dessa forma, Hegel articula sua obra por meio de várias figuras da consciência que
podem ser compreendidas, de forma geral, como diferentes formas de vida
, cada figura é
necessariamente consequência da anterior. Nesse sentido, a transformação das diferentes
Esta expressão é utilizada por Terry Pinkard (1994) em seu livro Hegel’s Phenomenology: The sociality of
reason. De modo semelhante à ideia que pretendemos transmitir aqui, Hyppolite (1999) utiliza o termo “formas
de existir”.
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formas de ver a sociedade ocorreu devido ao colapso da forma anterior. Tal colapso foi guiado
em que Hegel denominou de crítica imanente, visto que, para ele, quando uma determinada
forma de vida foi elaborada, as contradições estavam ali presentes, isto é, imanentes
(HEGEL, 2014, p. 97). Com efeito, o sujeito apenas evidencia as contradições existentes em
sua forma de vida e, quando evidenciadas, elabora uma nova forma que busque resolver os
problemas da anterior.
Em vista disso, a crítica imanente em Hegel é a atitude de criticar a partir da própria
realidade já colocada para, a partir dela, construir uma nova forma de sociedade. Nesse ponto,
encontram-se semelhanças com a crítica de Gramsci (2010a) que postula a atitude de analisar a
partir da própria realidade, de modo a evidenciar os problemas que em Hegel seriam as
contradições e, a partir disso, transformar a sociedade.
Além do mais, parece que Hegel (2014) e Gramsci (2010a, 2010b e 2010c) entendem a
sociedade como sendo resultado da ação humana, posição contrária aos educadores
espontaneístas da época de Gramsci, que enxergavam a forma atual da sociedade como natural
e que os humanos apenas se adaptavam a esse mundo natural, de modo que a vida social apenas
seria guiada por leis da natureza. Entre esses autores, é possível citar, a modo de exemplo, o
que Decroly (2010, p. 102) chamava de instinto maternal das mulheres, que servia de
justificativa para os papéis de sacrifício e abnegação exercidos por estas. Desta maneira, o autor
belga tratava de tornar natural e necessário o que Gramsci e Hegel entenderiam como uma
realidade social construída pelos seres humanos e que, por conseguinte, pode ser alterada.
Com efeito, entende-se que o motivo da crítica em Gramsci (2010a) tece a união entre
a teoria e a prática, de modo que uma concepção semelhante de crítica pode ser encontrada na
filosofia de Hegel. Em consequência, pode-se apontar a crítica gramsciana como uma possível
derivação do que seria crítica para o autor alemão.
Conceito de historicidade em Gramsci e Hegel
Até o momento, foi apontado o movimento que a crítica faz em Gramsci, todavia, é
necessário verificar mais detidamente qual é o resultado do processo da crítica. Em vista disso,
é necessária a investigação sobre o conceito de história no pensamento gramsciano, visto que,
como indica Monasta (2010, p. 37), a filosofia da práxis é histórica e que, por isso, ela mesma
é o próprio historicismo radical.
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Desse modo, tem-se que a crítica, como forma de operar na filosofia da práxis, é a
análise da realidade para entender a história desta. Por sua vez, a verdade do objeto de estudo
se reduz à sua história de formação. Entretanto, é importante compreender como essa concepção
de verdade como história se contrapõem a diferentes correntes de pensamento, como aponta
Monasta:
Para o historicismo, a verdade não é um dado, é um horizonte fecundo e
dinamizador das energias humanas. Por isso, o historicismo frustra a aspiração
das filosofias metafísicas de alcançar a última causa através de alguma
revelação divina ou por algum método científico infalível. Para o historicismo,
em suma, o último fundamento é também o primeiro: o homem (MONASTA,
2010, p. 37).
Isso nos mostra que a filosofia da práxis coloca a ação do ser humano como seu objeto
de estudo, de modo que o resultado de toda análise historicista é o detalhamento das razões
materiais e sociais que determinaram as ações humanas para construir a cultura atual. Em
adição, o historicismo implica que o ser humano tem a capacidade de transformar o mundo por
meio dessa análise histórica caso não sinta que suas pretensões foram saciadas e representadas
por esse modelo de sociedade.
Por isso, Gramsci (2010b, p. 68) coloca que a escola deve fornecer os meios para o
esclarecimento daqueles que são oprimidos e explorados, com o fito de tornar essa camada da
população mais precisamente, os operários capaz de ser dona do seu próprio pensamento,
ação e, por conseguinte, construtora de sua própria história.
Ademais, as finalidades supracitadas são um dos principais motivos de Gramsci se opor
à pedagogia espontaneísta, visto que, na visão dele, estas apenas legitimariam a cultura existente
e, por consequência, continuariam atestando a exploração dos operários, que a educação
tradicional foi construída para zelar pela manutenção da cultura vigente.
Sob essa perspectiva, é possível encontrar um conceito de historicidade semelhante na
filosofia hegeliana, haja vista que A Fenomenologia do Espírito do filósofo alemão intenta,
inicialmente, alcançar a verdade, assim como as filosofias metafísicas apontadas acima. Por
certo, as contradições e o erro levam a obra a concluir que o que pode ser colocado como
verdade de todas essas tentativas frustradas é o fato de que as diferentes experiências constituem
uma série de figuras que a única coisa a ser dita é acerca da história de formação delas (HEGEL,
2014, p. 73). Desta forma, Hegel coloca, por exemplo, que o momento do pensamento é
resultado da sua formação ao postular: “[...] e a certeza sensível [a qual é a figura discutida até
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aquele momento da obra] mesma não é outra coisa que essa história apenas” (HEGEL, 2014,
p. 90).
Em vista disso, é possível notar semelhanças entre o conceito de história em Gramsci e
Hegel, de maneira que tal aproximação permite, novamente, compreender a história de
formação do pensamento educacional gramsciano.
Aproximações do pensamento marxiano com o de Gramsci
Concepção de sujeito em Gramsci e no O Capital de Marx
Na obra do filósofo italiano é comum ver o termo intelectual para se referir aos
indivíduos de uma sociedade. Isso se deve ao fato de que Gramsci coloca todos os seres
humanos como intelectuais para tornar todos iguais (MONASTA, 2010, p. 21). Diante disso,
as diferenças entre os humanos se devem a condições históricas que perpetuaram injustiças, de
modo que a crença historicamente consolidada de que existem indivíduos de origem baixa
(plebeus) e de origem divina (reis) é apenas uma ausência de autoconhecimento do sujeito.
Logo, por meio de uma análise histórica, o investigador concluirá que todos possuem a mesma
natureza humana (GRAMSCI, 2010c, p. 52).
Além do mais, o uso do termo intelectual é, entretanto, entendido pelo senso comum
como uma glorificação de gênios que versam sobre uma realidade diferente da realidade
material, de forma a desviar o foco das injustiças, do real e, consequentemente, acabam
perpetuando a realidade atual (GRAMSCI, 2010a, p. 72).
Ademais, nesse contexto, o trabalhador se torna um intelectual orgânico, pois apenas
reproduz de forma mecânica a ordem social vigente. Contudo, nesse ato, ele também pensa,
porém não pensa por conta própria, e sim por meio do pensamento que o coloca em posição de
dominado (GRAMSCI, 2010a, p. 72). Portanto, o trabalhador se alienado, tornando-se
apenas objeto do sistema que cria mecanicamente.
Diante disso, Gramsci (GRAMSCI, 2010c, p. 57-58) tenta demonstrar a importância da
escola do trabalho ao buscar valorizar a verdadeira massa que compõe e sustenta a sociedade,
de modo a concretizar a liberdade de pensar dos trabalhadores para que eles sejam capazes de
refletir em sua própria história e realizá-la. Portanto, o objetivo de Gramsci ao tratar todos os
sujeitos como iguais é indicar que todos possuem a capacidade de pensarem por si próprios e
construírem a sua própria realidade de forma coletiva.
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Sob essa perspectiva, pode-se comparar com a crítica da economia-política que Marx
opera no O Capital. Como modo de mobilizar os trabalhadores oprimidos pelo sistema em
questão, o filósofo alemão (MARX, 2013, p. 312) coloca que todos os homens possuem a sua
própria força de trabalho. A venda desta acaba por transformar os trabalhadores em mercadorias
apenas leia-se objeto , de jeito que essa objetificação do trabalhador permite que o modelo
atual de sociedade seja perpetuado, por conseguinte, quanto mais o trabalhador produz valor ao
comercializar sua força de trabalho, mais pobre e objetificado se torna (MARX, 2008, p. 79).
Dessa forma, nota-se que a finalidade do pensamento marxiano é evitar que o trabalhador se
torne apenas um objeto e, assim, assuma a sua posição de sujeito capaz de construir o mundo a
partir do seu próprio pensar.
A finalidade mencionada acima se assemelha em grande medida com a finalidade
gramsciana. Ademais, ambas intentam construir uma concepção de sujeito por meio de uma
tentativa de equipará-lo a uma substância comum, no caso da teoria marxiana como dono da
própria força de trabalho e no caso gramsciano como sujeito intelectual capaz de pensar.
Todavia, as diferenças entre ambos para atingir tais finalidades se dá, no caso de Marx
(2013), por meio da consciência de classe e da revolução armada contra a classe dominante.
Enquanto em Gramsci (2010b), o meio ocorre através da modificação da cultura e,
consequentemente, da escola, para que os oprimidos aprendam a filosofia da práxis como forma
de análise da realidade para, assim, transformá-la.
Ideologia em Marx e Gramsci
Outro conceito central no pensamento de Gramsci é o conceito de Ideologia. Para ele,
como aponta Monasta (2010, p. 28), ideologias são uma série de princípios que pretendem
orientar o comportamento humano, porém, o problema resulta acerca da utilização ideológica
da ideologia. Este meio de uso é baseado em uma educação doutrinária que pretende aplicar
ideias exteriores ao sujeito. Por conseguinte, a ideologia, no sentido negativo, objetifica a massa
trabalhadora, com o objetivo de tornar os trabalhadores meros reprodutores do sistema atual.
Em vista disso, Gramsci se coloca contra à educação espontaneísta, como mencionado antes.
Comparando com Marx, novamente, pode-se encontrar termo semelhante na obra A
Ideologia Alemã, quando este pretende criticar os filósofos de sua época ao acusá-los de
Ideólogos. O autor alemão fundamenta tal acusação devido à grande quantidade de autores que
formulavam suas teorias sem uma base nas condições materiais, de modo que Marx (2007)
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entendia que esse pensar, além da realidade, apenas legitimava as injustiças que ocorriam no
sistema econômico-político da época. Dessarte, é possível notar, devido ao contexto, como a
obra supracitada funda o método materialista, bastante evidente em Gramsci, ao propor a
análise das condições materiais como ponto de partida de toda teoria para, assim, alterar a
realidade.
Portanto, por meio desta rápida e superficial análise, é notório a existência de alguma
semelhança entre a concepção de ideologia marxiana e gramsciana, de forma que é plausível
apontar uma possível influência do pensamento marxiano novamente sobre o filósofo italiano,
o qual poderia estar pensando em formas de readequar e interpretar, para seu momento
histórico, os conceitos deixados por essa tradição hegeliana e marxista.
Considerações finais
Considerando o exposto acima, tem-se até aqui um apontamento de forma geral de quais
poderiam ser as bases filosóficas do pensamento gramsciano, de modo que esse apontamento é
capaz de atribuir significado histórico e cultural aos conceitos utilizados por ele. Sob essa
perspectiva, é possível ver Gramsci como conectado a uma tradição filosófica que engloba o
pensamento de Hegel e Marx.
Além disso, é notório como Gramsci enxerga na educação, por meio da reinterpretação
de pensamento anteriores, o meio para a transformação do mundo. Com efeito, posiciona-se
ativamente contra outros modelos educacionais, tornando a pedagogia de Gramsci única,
mesmo não havendo uma prescrição clara dos passos que essa pedagogia deve seguir, como
indica Monasta (2010, p. 27).
Em vista disso, o que é uma descrição das finalidades que são combinadas com
finalidades políticas, culturais, históricas e sociais. Porém, o que se pode saber é que na
pedagogia gramsciana deve haver um ensinamento da filosofia da práxis, tornando a
necessidade de um método mais minucioso um mero detalhe.
José Antonio ESPÍNOLA
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: A professora Carlota Boto pela ajuda e recomendação.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Não aplicável.
Disponibilidade de dados e material: As obras de Decroly e Gramsci são de domínio
público e podem ser encontradas no site do Ministério da Educação. Os artigos de Repa e
Werle podem ser encontrados nos sites das revistas Discurso e Contingentia,
respectivamente. Em relação às outras obras, o acesso é possível através da compra dos
livros nas respectivas editoras.
Contribuições dos autores: Contribuição única de José Antonio Espínola na redação do
escrito, análise e interpretação das obras tratadas.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2358-4238
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.17643 1
EDUCATION IN GRAMSCI AS A HISTORICAL RESULT OF SOCIAL
RELATIONS AND ITS PROXIMITY TO HEGELIAN AND MARXIAN THOUGHT
A EDUCAÇÃO EM GRAMSCI COMO RESULTADO HISTÓRICO DAS RELAÇÕES
SOCIAIS E SUA PROXIMIDADE COM O PENSAMENTO HEGELIANO E MARXIANO
LA EDUCACION EM GRAMSCI COMO RESULTADO HISTÓRICO DE LAS
RELACIONES SOCIALES Y SU PROXIMIDAD CON EL PENSAMIENTO
HEGELIANO Y MARXIANO
José Antonio ESPÍNOLA1
e-mail: jose.espinola@usp.br
How to reference this paper:
ESPÍNOLA, J. A. Education in Gramsci as a historical result of
social relations and its proximity to Hegelian and Marxian
thought. Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023006,
2023. e-ISSN: 2358-4238. DOI:
https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.17643
| Submitted: 23/01/2023
| Revisions required: 10/08/2023
| Approved: 11/09/2023
| Published: 17/10/2023
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
University of Sao Paulo (USP), Sao Paulo SP Brazil. Graduating in Philosophy from the Philosophy
Department of the Faculty of Philosophy, Languages and Human Sciences (FFLCH).
Education in Gramsci as a historical result of social relations and its proximity to Hegelian and Marxian thought
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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ABSTRACT: Considering the context of the 20th century and the ascent of totalitarian regimes,
it is clear how work conditions and human freedom were depreciated during this period. This
essay aims to investigate Gramsci’s analysis of that event to understand how he is connected to
a philosophical tradition, which helps him think about his social context and, consequently,
education. To achieve these objectives, we delineated similarities between Gramscian,
Marxian, and Hegelian thought to compare and relate critical concepts of each philosopher,
such as critique, ideology, intellectual, and history. In view of these analyses, we conclude it is
plausible to indicate a proximity between Gramscian thought and the Hegel and Marx
philosophies in favor of showing why Gramsci’s view of education is the means of changing
the world.
KEYWORDS: Gramsci. Hegel. Marx. Education. Philosophical basis.
RESUMO: Considerando o contexto do século XX e a ascensão dos regimes totalitários, é
notório como as condições de trabalho e a liberdade humana foram desvalorizadas durante tal
período. Sabendo disso, este escrito possui como objetivo investigar as análises feitas por
Gramsci ao longo de sua vida sobre este fenômeno, de modo a compreender como ele se
encontra conectado à uma tradição filosófica que o auxilia a pensar seu contexto social e, por
conseguinte, a educação. Para atingir tais metas, foram traçadas semelhanças entre o
pensamento gramsciano, marxiano e hegeliano, de maneira a comparar e relacionar conceitos
centrais de cada filósofo, como os de crítica, ideologia, intelectual e história. Diante destas
análises, conclui-se que é plausível apontar uma proximidade entre o pensamento gramsciano
e as filosofias de Hegel e Marx, de jeito a evidenciar o porquê da educação em Gramsci é o
meio de transformação do mundo.
PALAVRAS-CHAVE: Gramsci. Hegel. Marx. Educação. Base filosófica.
RESUMEN: Considerando el contexto del siglo XX y la ascensión de los regímenes
totalitarios, es notorio como las condiciones de trabajo y la libertad humana fueron
desvalorizadas durante tal período. Sabiendo esto, este escrito tiene como objetivo investigar
los análisis hechos por Gramsci a lo largo de su vida sobre este acontecimiento, de manera a
comprender como él se encuentra conectado à una tradición filosófica que lo ayuda a pensar
su contexto social y, por consecuencia, la educación. Para alcanzar las metas, establecimos
similitudes entre el pensamiento gramsciano, marxiano y hegeliano, de forma a comparar y
relacionar conceptos claves de cada filósofo, como los de crítica, ideología, intelectual y
historia. Ante estos análisis, concluimos que es plausible indicar una proximidad entre el
pensamiento gramsciano y las filosofías de Hegel y Marx, de modo a colocar en evidencia por
qué la educación en Gramsci es el medio de transformación del mundo.
PALABRAS CLAVE: Gramsci. Hegel. Marx. Educación. Base filosófica.
José Antonio ESPÍNOLA
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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Introduction
The threshold of the 20th century is marked by the emergence of several totalitarian
regimes in Europe that sought to sacrifice freedom of thought through a nationalist discourse
aimed at maintaining the hegemonic social system of these countries. These systems legitimized
an unequal social order, as nations had an intense concentration of income in the hands of a
few.
However, a vast mass of workers, the more they produced, the poorer they became and
were subject to relations of domination. In this context, the Italian philosopher Antonio Gramsci
appears, who, seeking to understand the reasons for these phenomena, finds a way to modify
this adverse reality in education.
Because of the above, we will analyze the philosophical basis of Gramsci's thought
since, due to the historicist character of the Italian author, it is coherent and indispensable to
understand his historical and cultural formation to reach a better understanding and clarification
of his pedagogical proposal capable of changing reality and making human freedom effective.
From this perspective, we will investigate the central concepts of Gramscian thought to
relate them to their genesis. These include his notion of the intellectual, which constitutes the
essence of all people in a society so that all subjects of a social group are equal, and the
differences between them are explained by historical conditions that legitimize hegemony.
Furthermore, the concepts of historicity, criticism, and ideology will be deepened, and
it will be analyzed how education in Gramsci represents a field that mixes theory, practice,
culture, and politics, as Attilio Monasta
(2010, p. 12) indicates. In this way, it is clear that
current education reflects historical and social conditions; therefore, if we seek to make society
fairer, we must make the school this societal project.
In this sense, it is worth highlighting that at this point, Gramsci opposes different
educators of his time who defended spontaneity (verbal information)
. The pedagogy of
spontaneity is a term used by the Italian philosopher to refer to thinkers who argued that children
should choose the subjects of their interest to learn so that learning occurs in a "natural" way.
In this context, these pedagogies were strongly influenced by positivism, which saw a natural
and objective tendency in the world, unlike the Italian thinker, who understands that this
"natural world" is a product of our social relations.
Professor of experimental education at the University of Florence and coordinator of the Network of University
Cooperation Programs in Educational Sciences (Nicoped).
Boto provided the information during classes in the subject Introduction to Education Studies: Philosophical
Focus, Sao Paulo, 2022.
Education in Gramsci as a historical result of social relations and its proximity to Hegelian and Marxian thought
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Knowing this, it is intended, through the presentation of Gramscian concepts, to indicate
the proximity between them and the thoughts of Hegel (2014) and Marx (2007, 2008, 2013), to
conclude and connect Gramsci's thought to a philosophical tradition based on these
philosophers. Therefore, the Italian thinker's education can extend these bases.
Given this, comparative readings of the three authors' texts will be carried out to relate
the following concepts: 1) Hegelian immanent criticism and Gramscian criticism; 2) concerning
historicity, there will be a rapprochement with Hegel; 3) in relation to the conception of the
subject as an intellectual, which will be compared with the Marxian conception of the subject
as the possessor of labor power. 4) Finally, regarding the concept of ideology, an approach will
be made to Marx again.
To clarify further, a division into two parts is proposed, each with subdivisions and
treated based on excerpts from the works of Gramsci (2010a, 2010b, 2010c) published by
Monasta (2010). Firstly, the comparison and similarity between Gramscian philosophy and
Hegelian philosophy will be analyzed, taking The Phenomenology of the Spirit as a reference,
sometimes using the interpretations of Luiz Repa
(2019), Marco Aurélio Werle
(2022) and
Pinkard (1994). As a second point, there will be a comparison of the Italian philosopher in
question and Marxian thought, operating the analysis through the following works: Economic
and Philosophic Manuscripts, The German Ideology, and Capital. Always keeping in mind, the
differences that Marx presents in these works.
In this way, we seek to synthesize Gramsci's thoughts about education because of social
and historical relations to attribute historical and philosophical significance through this writing
to the concepts he used.
Some Gramscian concepts based on Hegel's The Phenomenology of Spirit
Hegelian immanent critique and Gramscian critique
Gramsci's philosophy is called the philosophy of praxis. This, in turn, according to
Monasta (2010, p. 31), is capable of, through criticism, discovering the foundations of other
thoughts and constantly articulating theory with practice. In this sense, criticism is responsible
for weaving the unification between theory and practice and for highlighting the roots of the
current social reality. In this way, it is essential to expose how criticism operates in Gramsci.
Associate professor at the Department of Philosophy at the University of São Paulo, specialized in critical theory,
human science theory, and political philosophy.
Full professor at the Department of Philosophy at the University of São Paulo, specializing in classical German
philosophy.
José Antonio ESPÍNOLA
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The Italian philosopher Gramsci (2010a, p. 78) sees criticism as capable of transforming
the world. However, it is vital to note that complaints must be carried out based on the current
reality so that the act of criticizing indicates an analysis of reality and that, based on research,
problems can be overcome.
From this perspective, Gramsci ends up opposing the common sense of criticism usually
employed, as indicated by Monasta (2010, p. 30), since in the usual sense, there is a conception
that is articulated through the opposition of two independent theories of social reality and,
consequently, independent of each other. Gramsci (2010a, p. 70) finds in criticism the
possibility of creating a more coherent, unitary conception of the world that reaches a more
developed stage of human thought.
It is possible to indicate similar features of Gramsci's conception of criticism with
Hegel's immanent criticism. Hegel's The Phenomenology of Spirit presents us with the basis of
criticism right in its introduction, which finds its origin in Kant's critical philosophy (REPA,
2019, p. 274), which postulated the need to examine/criticize what is considered true to reach
the truth itself.
Hegel, in turn, intends to maximize this act of criticizing, as Werle (2022, p. 10)
indicates. This maximization will lead to the fact that criticism can remove us from the merely
theoretical plane, as it was in Kant, and advance to the plane where theory and practice are
unified so that the subject recognizes his power to transform and build the world (WERLE,
2022, p. 12).
In this way, Hegel articulates his work through several figures of consciousness which
can be understood, in general, as different forms of life
, each figure is necessarily a
consequence of the previous one. In this sense, the transformation of different ways of seeing
society occurred due to the collapse of the previous way.
This collapse was guided by what Hegel called immanent criticism, since for him, when
a specific form of life was elaborated, the contradictions were already present, that is, immanent
(HEGEL, 2014, p. 97). In effect, the subject only highlights the contradictions in their way of
life, and when they become evident, they create a new way that seeks to solve the problems of
the previous one.
Because of this, the immanent criticism in Hegel is the attitude of criticizing based on
the already established reality to, based on it, build a new form of society. At this point, there
This expression is used by Terry Pinkard (1994) in his book Hegel’s Phenomenology: The sociality of reason.
Like the idea we intend to convey here, Hyppolite (1999) uses the term “ways of existing”.
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are similarities with Gramsci's (2010a) criticism, which postulates the attitude of analyzing
reality itself to highlight the problems which in Hegel would be contradictions and, from
there, transform the society.
Furthermore, it seems that Hegel (2014) and Gramsci (2010a, 2010b, and 2010c)
understand society as being the result of human action, a position contrary to the spontaneity of
educators of Gramsci's time who saw the current form of organization as natural and that the
humans only adapted to this natural world, so social life would only be guided by laws of nature.
Among these authors, it is possible to cite, as an example, what Decroly (2010, p. 102) called
women's maternal instinct, which served as justification for the roles of sacrifice and self-denial
played by them. In this way, the Belgian author tried to make natural and necessary what
Gramsci and Hegel would understand as a social reality constructed by human beings and
which, therefore, can be changed.
In effect, the reason for criticism in Gramsci (2010a) is understood to weave the union
between theory and practice so that Hegel's philosophy can have a similar conception of
criticism. Consequently, one can point to Gramscian criticism as a possible derivation of what
would be criticism for the German author.
Concept of historicity in Gramsci and Hegel
So far, the movement that criticism makes in Gramsci has been pointed out, however, it
is necessary to check in more detail what the result of the criticism process is. In view of this,
it is required to investigate the concept of history in Gramscian thought since, as Monasta (2010,
p. 37) indicates, the philosophy of praxis is historical and is, therefore, historicism itself radical.
Thus, criticism analyzes reality to understand its history as a way of operating in the
philosophy of praxis. In turn, the truth of the object of study is reduced to its history of
formation. However, it is essential to understand how this conception of truth as history opposes
different schools of thought, as Monasta specifies:
For historicism, truth is not a given; it is a fruitful horizon that energizes
human energies. Therefore, historicism frustrates the aspiration of
metaphysical philosophies to reach the ultimate cause through some divine
revelation or infallible scientific method. For historicism, the last foundation
is also the first: man (MONASTA, 2010, p. 37, our translation).
This shows us that the philosophy of praxis makes people's actions the object of its
investigation, so the result of any historicist analysis is the detailed listing of the material and
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social reasons that determined people's efforts to build the present culture. Moreover,
historicism implies that people can change the world through this historical analysis when they
feel that their aspirations have not been satisfied and represented by this model of society.
Therefore, Gramsci (2010b, p. 68) states that the school must provide the means for
enlightening those who are oppressed and exploited, with the aim of making this layer of the
population more precisely, the workers capable of being owners of their thought, action
and, therefore, builders of their history.
Furthermore, the purposes are one of the main reasons why Gramsci opposed
spontaneity pedagogy since, in his view, these would only legitimize the existing culture and,
consequently, would continue to attest to the exploitation of workers, since traditional education
was built to ensure the maintenance of the current culture.
From this perspective, it is possible to find a similar concept of historicity in Hegelian
philosophy, given that the German philosopher's The Phenomenology of Spirit initially attempts
to reach the truth, as do the metaphysical philosophies mentioned above. Indeed, the
contradictions and errors lead the work to conclude that what can be stated as the truth of all
these frustrated attempts is the fact that the different experiences constitute a series of figures
that the only thing to be said is about the history of their training (HEGEL, 2014, p. 73).
In this way, Hegel states, for example, that the moment of thought is the result of its
formation when he postulates: "[...] and sensible certainty [which is the figure discussed up to
that moment in the work] itself is nothing else than this story alone" (HEGEL, 2014, p. 90, our
translation).
In view of this, it is possible to notice similarities between the concept of history in
Gramsci and Hegel so that such an approach allows, once again, to understand the history of
the formation of Gramscian educational thought.
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Approximations of Marxian thought with Gramsci
Concept of an individual in Gramsci and Marx's Capital
In the work of the Italian philosopher, it is expected to see the term intellectual to refer
to individuals in a society. Gramsci places all human beings as intellectuals to make everyone
equal (MONASTA, 2010, p. 21). In view of this, the differences between humans are due to
historical conditions that perpetuated injustices, so the historically consolidated belief that there
are individuals of low origin (commoners) and of divine origin (kings) is just an absence of the
subject's self-knowledge. Therefore, through a historical analysis, the researcher will conclude
that everyone has the exact human nature (GRAMSCI, 2010c, p. 52).
Furthermore, the use of the term intellectual is, however, understood by common sense
as a glorification of "geniuses" who deal with a reality different from material reality in a way
that diverts the focus from injustices, from reality and, consequently, finishes perpetuating the
current existence (GRAMSCI, 2010a, p. 72).
Additionally, the worker becomes an organic intellectual in this context as he merely
mechanically reproduces the current social order. However, in this act, he also thinks, but he
does not believe on his own but through thought, which puts him in the position of being
dominated (GRAMSCI, 2010a, p. 72). Therefore, the worker becomes alienated, becoming just
an object of the system he creates mechanically.
In view of this, Gramsci (GRAMSCI, 2010c, p. 57-58) attempts to demonstrate the
importance of the school of work by seeking to value the actual mass that makes up and sustains
society to realize the freedom of thought of workers so that they can be capable of reflecting on
their history and realizing it. Therefore, Gramsci's objective in treating all subjects as equal is
to indicate that everyone can think for themselves and construct their reality collectively.
From this perspective, it can be compared with the political economy critique that Marx
operates in Capital. The German philosopher (MARX, 2013, p. 312) states that all men have
their workforce to mobilize workers oppressed by the system in question. The sale of this
transforms workers into commodities read objects so that this objectification of the worker
allows the current model of society to be perpetuated.
Consequently, the more the worker produces value when commercializing his labor
power, the poorer and more objectified he becomes (MARX, 2008, p. 79). In this way, the
purpose of Marxian thought is to prevent the worker from becoming just an object and, thus,
assuming his position as a subject capable of building the world based on his thinking.
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The purpose mentioned above is mainly like the Gramscian purpose. Furthermore, both
attempts to construct a conception of an individual through an attempt to equate them to a
common substance, in the case of Marxian theory as the owner of their labor power and in the
Gramscian case as an intellectual subject capable of thinking.
However, the differences between the two to achieve these goals occur, in the case of
Marx (2013), through class consciousness and armed revolution against the dominant class. In
Gramsci (2010b), the means occurs through the modification of culture and, consequently, of
school so that the oppressed learn the philosophy of praxis to analyze reality to transform it.
Ideology in Marx and Gramsci
Another central concept in Gramsci's thought is the concept of Ideology. For him, as
Monasta (2010, p. 28) mentions, ideologies are a series of principles that aim to guide human
behavior, however, the problem arises from the ideological use of Ideology. This means of use
is based on a doctrinal education that intends to apply ideas outside the subject. Therefore,
Ideology, in the negative sense, objectifies the working mass, planning to make workers mere
reproducers of the current system. Because of this, Gramsci opposes spontaneity education, as
mentioned before.
Comparing Marx, again, a similar term can be found in the work The German Ideology,
when he intends to criticize the "philosophers" of his time by accusing them of being
Ideologists. The German author substantiates this accusation due to the large number of authors
who formulated their theories without a basis in material conditions, so Marx (2007) understood
that this thinking, in addition to reality, only legitimized the injustices that occurred in the
economic-political system of the time.
Hence, it is possible to notice, due to the context, how the work found the materialist
method, quite evident in Gramsci, by proposing the analysis of material conditions as the
starting point of all theories to alter reality.
Therefore, through this quick and superficial analysis, there is some similarity between
the conception of Marxian and Gramscian Ideology, so it is plausible to point out a possible
influence of Marxian thought again on the Italian philosopher, who could be thinking about
ways of readjusting and interpreting, for its historical moment, the concepts left by this Hegelian
and Marxist tradition.
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Final considerations
Considering the above, we have a general indication of what the philosophical bases of
Gramscian thought could be, so this observation can attribute historical and cultural meaning
to the concepts he used. From this perspective, it is possible to see Gramsci as connected to a
philosophical tradition encompassing Hegel and Marx's thought.
Furthermore, it is notable how Gramsci sees education, through the reinterpretation of
previous thoughts, as the means for transforming the world. In effect, it actively positions itself
against other educational models, making Gramsci's pedagogy unique, even though no clear
prescription of the steps that this pedagogy should follow, as indicated by Monasta (2010, p.
27).
There is, then, a description of the purposes associated with political, cultural, historical,
and social purposes. What is certain, however, is that in Gramscian pedagogy, the philosophy
of practice must be taught, making the need for a more detailed method a mere detail.
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https://seer.ufrgs.br/index.php/contingentia/article/view/113885 . Accessed in: 17 Aug. 2022.
CRediT Author Statement
Acknowledgements: To Professor Carlota Boto for her help and recommendation.
Funding: Not applicable.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: Not applicable.
Data and material availability: Decroly and Gramsci’s works are in the public domain
and can be found on the Ministry of Education website. Repa and Werle's articles can be
found on the websites of the journals Discurso and Contingentia, respectively. In relation
to other works, access is possible by purchasing the books from the respective publishers.
Authors' contributions: Unique contribution by José Antonio Espínola in writing the text,
analyzing, and interpreting the works covered.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.