Guilherme GUERRA e Juliana de Souza SILVA
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 13, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2358-4238
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v13i00.17650 11
em Pestalozzi da criança com sua própria natureza é ampliada em Montessori ao equalizar o
espaço para o público que pretende atender, esse fato é evidente se considerarmos as diferentes
formas com que os autores encaram os professores e seu papel, pois há um claro reflexo de suas
concepções nesse segundo aspecto.
Em Pestalozzi, o professor que será o mediador do aluno com sua própria natureza, pode
apenas “manter o que é bom”, quase como se fosse responsável por guiar um processo de
autoconhecimento que respeita um encaminhamento natural, deixando implícito uma obrigação
que não envolve combater o mal, mas apenas não deixá-lo florescer (Pestalozzi, s.d.). A
mudança evolucionária de Montessori foi criar ferramentas para que um professor, mediador
da criança com o espaço e não com sua própria natureza, possa moldar a natureza da criança,
reduzindo suas dificuldades e equiparando suas funções para um desenvolvimento pleno,
balanceado, em contraste com os resultados compensatórios de Pestalozzi, ou seja, mesmo
engajados no que o autor denomina “espírito do método”, apenas libertam o aluno de seu
mediador para que ele mesmo seja capaz de se relacionar com sua natureza, mas nunca alterá-
la (Soëtard, 2010).
Pestalozzi se relaciona com Freinet também em ver o professor como mediador da
experiência intuitiva da criança com o espaço, mas se afasta quando também cria condições
para que as próprias crianças sejam capazes de se monitorar no quesito conteudista (Legrand,
2010). Vê-se que Freinet considera a relação da criança com sua natureza, relegando ao contato
social esse desenvolvimento, além de considerar a relação da criança com o espaço,
introduzindo o professor como interventor, como fez Montessori (Soëtard, 2010). Percebe-se
que a grande diferença entre Freinet e os demais pedagogos foi considerar a criança, também,
como ser social (Legrand, 2010). As aulas passeio, por exemplo, foram uma forma de contornar
a interrupção brusca da vida do estudante pela rotina escolar, assim havia uma maior integração
entre a sala de aula e o mundo fora dela.
O que pode-se concluir sobre as propostas dos três pedagogos, é que a utilização correta
do espaço demanda um processo de conhecimento, por parte dos professores, de seus alunos e
de seus objetivos como educador. O ensino homogêneo, de massas, suprimiu, de certa forma,
uma atividade artesanal e personalizada dentro das salas de aula, o que faz com que as dinâmicas
realizadas em seu interior fossem cada vez mais truncadas e imobilizadas e o ensino,
aparentemente, cada vez menos eficiente.
Tais percepções já sustentavam as propostas dos autores em tela neste artigo que
pensaram em formas de romper com essas práticas. Por mais que existam críticas aos três