Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18040 1
EDUCAÇÃO LIBERTADORA SEGUNDO ANTONIO GRAMSCI E CÉLESTIN
FREINET
EDUCACIÓN LIBERTADORA SEGÚN ANTONIO GRAMSCI Y CÉLESTIN FREINET
EMANCIPATORY EDUCATION ACCORDING TO ANTONIO GRAMSCI AND
CÉLESTIN FREINET
Júlia Loffreda COSTA1
e-mail: julialoffreda@gmail.com
Waldemar Ferreira NETTO2
e-mail: waffneto@usp.br
Como referenciar este artigo:
COSTA, J. L; NETTO, W. F. Educação libertadora segundo
Antonio Gramsci e Célestin Freinet. Rev. Sem Aspas,
Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238.
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18040
| Submetido em: 15/03/2023
| Revisões requeridas em: 22/05/2023
| Aprovado em: 11/06/2023
| Publicado em: 07/08/2023
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo SP Brasil. Graduanda em Letras Português, DLCV, Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo SP Brasil. Professor Titular, DLCV, Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas. Doutorado em Linguística (USP).
Educação libertadora segundo Antonio Gramsci e Célestin Freinet
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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RESUMO: Antonio Gramsci e Célestin Freinet conceberam uma educação democrática e
libertadora, voltada para atender às necessidades das classes populares. Embora
compartilhassem o mesmo objetivo, a escola moderna de Freinet e a escola unitária de Gramsci
apresentavam metodologias distintas. Este artigo analisa e compara seus escritos, além de
recorrer a outras pesquisas para destacar seus métodos pedagógicos em relação à realidade de
sua aplicação. O presente estudo explora como as críticas de ambos os autores se
complementam em suas propostas. Os desafios práticos, bem como a relevância de seus
critérios educacionais, são abordados em consonância com a realidade histórica brasileira e suas
necessidades sociais, para que a educação possa fornecer apoio efetivo. Reflete-se sobre as
teorias de Gramsci e Freinet com base em seu objetivo comum de identificar na educação um
caminho para uma sociedade igualitária, alcançando a libertação através do desenvolvimento
do senso crítico.
PALAVRAS-CHAVE: Célestin Freinet. Antonio Gramsci. Escola moderna. Escola unitária.
Método pedagógico.
RESUMEN: Antonio Gramsci y Célestin Freinet concibieron una educación democrática y
liberadora, destinada a satisfacer las necesidades de las clases populares. Aunque compartían
el mismo objetivo, la escuela moderna de Freinet y la escuela unitaria de Gramsci tenían
metodologías distintas. Este artículo analiza y compara sus escritos, además de basarse en
otras investigaciones para poner de relieve sus métodos pedagógicos en relación con la
realidad de su aplicación. El presente estudio explora cómo las críticas de ambos autores se
complementan en sus propuestas. Se abordan los desafíos prácticos, así como la pertinencia
de sus criterios pedagógicos, en consonancia con la realidad histórica brasileña y sus
necesidades sociales, para que la educación pueda prestar un apoyo eficaz. Se reflexiona sobre
las teorías de Gramsci y Freinet a partir de su objetivo común de identificar en la educación
un camino hacia una sociedad igualitaria, alcanzando la liberación a través del desarrollo del
sentido crítico.
PALABRAS CLAVE: Célestin Freinet. Antonio Gramsci. Escuela moderna. Escuela unitaria.
Método pedagógico.
ABSTRACT: Antonio Gramsci and Célestin Freinet conceived a democratic and liberating
education aimed at meeting the needs of the working classes. Despite sharing the same
objective, Freinet's modern and Gramsci's unitary schools presented different methodologies.
This article analyzes and compares their writings, drawing on other research to highlight their
pedagogical methods about their practical application. The study explores how the criticisms
of both authors complement each other in their proposals. The practical challenges and the
relevance of their educational criteria are addressed in line with the historical reality of Brazil
and its social needs so that education can provide adequate support. The reflections on the
theories of Gramsci and Freinet are based on their shared goal of identifying education as a
path towards an egalitarian society, achieving liberation through the development of critical
thinking.
KEYWORDS: Célestin Freinet. Antonio Gramsci. Modern school. Unitary school. Teaching
methods.
Júlia Loffreda COSTA e Waldemar Ferreira NETTO
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Introdução
Célestin Freinet e Antonio Gramsci foram pensadores europeus do século 20,
preocupados com uma educação democrática e voltada à vida prática, que fornecesse uma
formação edificante e libertadora às classes populares. Apesar de terem atribuído objetivos
semelhantes à educação, ligados aos seus ideais marxistas e ao objetivo de uma sociedade
igualitária, eles se opunham pelos métodos educacionais que julgavam mais adequados para
essa finalidade.
Uma teoria via a outra como uma abordagem pedagógica que poderia comprometer o
desenvolvimento crítico dos alunos, impedindo sua verdadeira libertação e autonomia.
Enquanto Freinet defendeu a centralização do aluno e o acompanhamento lateral do docente no
seu processo intuitivo de descobrimento do mundo, Gramsci criticava o distanciamento do
professor como característica de uma educação retórica, que não cumpria a promessa de uma
formação essencial. Por sua vez, conforme Gramsci defendia a necessidade de uma base forte
e instruída para a fundamentação de ideias críticas, Freinet criticava a autoridade na figura do
professor como retrógrada, acreditando no benefício da liberdade e da autoexpressão ao
aprendizado e desenvolvimento.
Como ambos visavam o mesmo objetivo - a libertação das classes populares, por meio
do desenvolvimento do senso crítico e um sentimento de comunidade - é muito valioso pensar
em caminhos para contornar seus desencontros, e entender a forma única que as respectivas
ideias contribuem para a área da educação. A discussão do presente artigo visa contrastar seus
métodos, e através disso, investigar uma espécie de acordo, que valorize simultaneamente os
critérios priorizados por ambos na elaboração de suas práxis. Identificamos, assim, uma
bagagem de preparo que suas contribuições oferecem para um potencial projeto pedagógico.
A princípio, pretende-se contextualizar a ideia do senso crítico como objetivo
educacional, conforme Gramsci, e introduzir o conflito entre os autores. Faremos uma análise
comparativa de seus métodos pedagógicos, a partir de seus escritos, estendendo o conflito entre
a autoridade docente tradicional e a metodologia ativa. Nas Considerações Finais, pretendemos
relacionar a relevância de suas ideias à realidade brasileira, cristalizando o que podemos
aprender a partir das carências que um autor identifica na teoria do outro. Assim, extraímos da
reflexão o panorama geral que combina as necessidades da educação às ideias de Gramsci e
Freinet.
A crítica válida ao excesso de autoridade em sala de aula pode ser simultânea à
importância da figura do professor para a transmissão do conhecimento e a formação de um
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repertório sólido, como defendeu Gramsci. De outro lado, a crítica fundamental à carência de
método científico pode coexistir com um método ativo, interessado na ciência, mas também
focado em atender as necessidades psicossociais dos alunos, engajando-os em um aprendizado
ligado à vida prática e coletiva, como aplicou Freinet. Em suma, as críticas mútuas entre as
teorias de Gramsci e Freinet prepararam terreno para pensarmos uma forma de conciliação, que
previna os riscos alienantes de um método exclusivamente expositivo e também de uma
participação reduzida do professor.
Entendendo os ideais pedagógicos de Gramsci e Freinet
O sendo crítico segundo Gramsci
Nos “Cadernos do cárcere”, Gramsci nomeou de hegemonia cultural a ordem de ideias
que impõem controle cultural e social sobre uma dada sociedade, utilizando-se de recursos
diversos para a propagação contínua de sua universalidade. Tal hegemonia pode ser identificada
com uma ideologia própria, utilizada, conforme abordado adiante, como ferramenta de
dominação.
Em seu estudo, Perrusi (2015) afirma que a ideologia segundo Gramsci, além de não se
dispor de uma estrutura teórica, é identificável em sua obra por meio de outras palavras que
alcançam, no contexto, uma equivalência de sentido conceitual. Isso se deve ao fato de ter
elaborado sua obra subjugada à censura do fascismo, buscando contorná-la. (p. 419) Assim,
através das definições de Williams, Perrusi explica que a concepção de Gramsci sobre ideologia
varia entre “o sistema de crenças de uma classe ou grupo” e a noção do “processo geral da
produção de significados e ideias” (WILLIAMS, 1979 apud PERRUSI 2015, p. 418).
A ideologia para Gramsci compõe o “campo ideativo e axiológico da sociedade e, ao
mesmo tempo, estaria fundamentada nas posições de classe” (PERRUSI, 2015, p. 418), ou seja,
abrange inúmeras categorias de ideias e valores culturais, ligados à sua materialidade histórica.
O conceito amplo se estende às suas mais variadas manifestações e funções sociais, próprias do
ser humano em sua relação consigo mesmo e a realidade:
Ideologia não é, na verdade, “forma” da estrutura material, e sim uma
dimensão ontológica que reproduz, por meio de práticas e ações sociais, a
estrutura da sociedade. Gramsci postula um sentido positivo à ideologia ao
percebê-la como dimensão ontológica, embora ressalte, em rias passagens
de sua obra, o caráter negativo da ideologia (PERRUSI, 2015, p. 420).
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Quando empregada pela classe dominante em nome de seus interesses, a ideologia se
faz hegemônica, e sustenta as relações de poder (PERRUSI, 2015, p. 419) entre diferentes
grupos, ao reforçar crenças que mantém a lógica de dominação. A partir de Gramsci, Forti
(2023) expressa a importância da liberdade de ensinar - como condição - para o potencial da
educação incentivar o pensamento crítico e a possibilidade de enfrentar os problemas do mundo,
ao transformá-lo socialmente. Assim, afirma que a hegemonia (enquanto conjunto de ideais que
organiza a sociedade) poderia vir a se tornar:
[...] uma nova hegemonia de base popular, ou seja, [...] alicerçada nos
interesses do povo e não somente nos interesses de uma pequena parcela de
pessoas que se beneficia da exploração degradante de uma imensa maioria.
(FORTI, 2023, p. 237).
No capitalismo, crenças hegemônicas servem a classe burguesa, visando a manutenção
das desigualdades sociais; e assim distorcem as causas desses males, dificultando ou
comprometendo seu entendimento. Uma das formas de sustentação e continuidade de crenças
se dá pela reprodução irrefletida, que Gramsci descreveu como “senso comum”, para o qual o
“senso crítico” seria, então, um contraponto. Ao passo que o senso crítico é a investigação da
origem de concepções aprendidas social e culturalmente, o senso comum para Gramsci é um
conjunto de concepções concebidas socialmente e reproduzidas sem contestação, “quando a
conduta não é independente e autônoma, mas sim submissa e subordinada” (GRAMSCI, 2010,
p. 73). O esforço de compreender a formação passada de um pensamento vigente, combinado
ao entendimento de si como elemento da sociedade, bem como da conexão intrínseca de suas
próprias ideias com o desenvolvimento histórico e filosófico do pensamento coletivo, contribui
para uma autoanálise crítica:
O início da elaboração crítica é a consciência daquilo que somos realmente,
isto é, um “conhece-te a ti mesmo” como produto do processo histórico até
hoje desenvolvido, que deixou em cada pessoa uma infinidade de traços
recebidos “sem benefício do inventário” [=sem saber sua origem]. Deve- se
fazer, inicialmente, este inventário (GRAMSCI, 2010, p. 71).
Ao passo que a ideologia é usada como mecanismo de poder, e assim garante a
permanência de hierarquias, Gramsci apontou à educação como um papel fundamental de
combate ao aprisionamento ideológico em questão.
A força analítica e normativa da noção gramsciana de ideologia reside,
justamente, na sua capacidade descritiva das práticas sociais de dominação.
Permite, assim, a descrição concreta das relações de poder, por meio do
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mapeamento das construções hegemônicas, na sociedade contemporânea.
(PERRUSI, 2015, p. 416).
Fuga da subordinação: problemas do excesso e da carência de autoridade
Uma das principais críticas da teoria Freinetiana à abordagem pedagógica Gramsciana
trata logo do que caracteriza sua aplicação prática: a autoridade. Segundo Gramsci, para a
construção do senso crítico, seria fundamental que o professor ocupasse uma posição de
autoridade em relação ao aluno, pois seria responsável por transmitir-lhe conhecimentos
científicos para a formação de uma bagagem crítica. Pelo mesmo motivo Gramsci era contra o
princípio intuitivo da escola nova, que visava abrandar a intervenção do professor,
centralizando a criança em sua educação. Gramsci pautava seus objetivos na construção de um
senso crítico, entretanto, para tal, era fundamental a participação do professor no processo
pedagógico.
A cultura, fundamental em sua teoria, seria o repertório adquirido pelo jovem a se
desenvolver criticamente, e o professor, seu transmissor. Sem que o professor intervisse, o
jovem acabaria por reproduzir passivamente o senso comum, sem entendimento do seu lugar
na sociedade, justamente o que seu ideal de escola visava combater.
A criança, por exemplo, levaria à escola a sua bagagem de vivência, e seria papel do
professor desmistificá-la, fornecendo-lhe uma base sólida. Por isso, seria fundamental a
comunhão de instrução e educação, em que a educação contasse essencialmente com tal
condução, administrando o viés de cada aluno, e sem a qual o conhecimento fundamentado não
seria decantado do senso comum.
Em contramão, Freinet defendeu uma educação ativa e intuitiva, por meio da qual se
alcançaria uma formação voltada à vida, em que todo ensinamento científico fosse pautado na
prática. Seu método pedagógico era, portanto, uma união do ensino popular e da escola nova.
Identificou problemas nos princípios da educação, como a condenação do trabalho e a aplicação
de métodos educativos dissociados de qualquer libertação da criança. A revisão metodológica
e de valores deveria basear-se, então, na noção de que é “pelo trabalho que se prepara para o
trabalho, numa escola e numa sociedade do trabalho” (FREINET, 2010a, p. 48).
Ambos os autores reconheciam que o adulto e a criança tinham diferentes repertórios e,
portanto, condições de aprendizagem, mas abordaram essa discrepância de maneira oposta.
Enquanto, para Gramsci, esse pressuposto apontaria a necessidade da autoridade do docente,
para Freinet, a distância entre professor e aluno deveria ser diminuída para favorecer o
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aprendizado. A empatia com a criança em sua respectiva posição seria então o meio para
corrigir essa hierarquia, possibilitando uma relação de igualdade e entendimento mútuo.
Revivendo a própria infância, o docente relembraria suas condições anteriores à luz da
comparação com as atuais, e com ajuda desse entendimento, somado ao da infância
contemporânea, possibilitaria e elaboraria uma educação apropriada, por meio de técnicas que
melhor favorecessem o aprendizado da criança (FREINET, 2010a).
Essa abordagem acompanhava a sugestão da superação da pedagogia autoritária, através
de “uma reconsideração do problema das relações professor-aluno, uma reconsideração do
respeito e do trabalho, um novo ajustamento da atmosfera da sala de aula” (FREINET, 2010a,
p. 49). Cabia revisar, enquanto herança dos antigos métodos escolares, a verticalidade do
ensino, em que o professor detinha todo o conhecimento e não cedia à criança o espaço da
crítica, tratada como um vetor passivo do processo.
A insistência, que Gramsci considerava elementar na renovação de antigas concepções
“a repetição é o meio didático mais eficaz para agir sobre a mentalidade popular” (GRAMSCI,
2010, p. 88) –, para Freinet, poderia acompanhar a brutalidade e suscitar “uma espécie de
aversão fisiológica pelo alimento intelectual” (FREINET, 2010a, p. 43). Para ele, ao invés de
forçar a criança a um caminho que não lhe é natural, dever-se-ia acompanhá-la de acordo com
suas necessidades, e inspirá-la a desejar o conhecimento. Comparou tal pedagogia à alegoria de
não forçar um cavalo a beber água sem sede, mas sim deixá-lo galopar em direção ao
bebedouro, e para tal encaminhamento, no caso da criança, seria primordial um método “que
abra o apetite de saber e estimule a poderosa necessidade de trabalho.” (FREINET, 2010a, p.
43). A aspiração, segundo ele, guiaria o processo de aquisição em um ritmo inigualável aos das
normas clássicas.
Gramsci defendia o esforço espontâneo e autônomo do aluno apenas na última fase da
escola unitária: “na fase criativa, sobre a base atingida de ‘coletivização’ do tipo social, tende-
se a expandir a personalidade, tornada autônoma e responsável, mas com uma consciência
moral e social sólida e homogênea” (GRAMSCI, 2010, p. 112). Isto é, para ele, essa busca não
poderia ocorrer sem a lapidação anterior, por parte do docente, do senso comum em
conhecimento fundamentado, constituinte do senso crítico do aluno: “escola criativa não
significa escola de ‘inventores e descobridores’; ela indica uma fase, um método de
investigação e de conhecimento, e não um ‘programa’ predeterminado que obrigue à inovação
e à originalidade a todo custo” (GRAMSCI, 2010, p. 112). Para ele, a escola ativa precisava
superar sua então fase romântica para suprir uma carência de método.
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Por sua vez, Freinet defendia que a experiência, acompanhada do desenvolvimento do
físico e dos sentidos, não poderia ser substituída por uma falsa imagem da vida, uma vez que
mera teoria; e esta acaba desempenhando função de barreira entre a criança e o aprendizado
verdadeiramente útil, para ele prático. Argumentava-se que o docente que antecipasse o contato
do aluno com o mundo por meio de excessos teóricos e cientificistas acabaria por introduzir
preocupações que poderiam obstruir o processo de aprendizado, tanto para ele próprio, na
compreensão de seus discípulos, quanto para as próprias crianças.
Sua intenção era possibilitar a interação e a incorporação ativa da criança ao meio, por
meio das quais ela amadureceria tendendo a continuar participando no seu entorno com impulso
de progresso e melhora. Assim, argumentava que o conhecimento científico deveria ser uma
consequência da experimentação, não a causa, ou um antecedente, mas se dando a partir da
necessidade (FREINET, 2010b). A ciência não deveria recortar o ensino, mas florescer dele, e
juntamente a ele, através do exercício e do trabalho. Defendia que o cenário ideal o deveria
ser anterior à formação da consciência, e que esse daria imediatamente ao exercício dos
métodos ativos pela criança.
Gramsci concordava com a noção de um conhecimento científico levantado à luz da
prática, criticando igualmente o intelectualismo pedante, voltado ao capricho de pequenos
grupos. Acreditava que um movimento filosófico merecia este nome somente na condição em
que ultrapassava o senso comum, por meio de um pensamento cientificamente coerente e
unificado, sem nunca perder o contato com os “simples” e suas necessidades, partindo delas
para a investigação e resolução de problemas (GRAMSCI, 2010). Apesar de considerar todos
os homens filósofos, ainda julgava necessário filtrar a filosofia intelectual da filosofia vulgar:
Poder-se-ia reagrupar essas expressões populares juntamente com as
expressões similares dos escritores de caráter popular; [...] e se poderá
perceber que estes têm um significado muito preciso, a saber, o de superação
das paixões puramente animais e elementares por uma concepção da
necessidade que fornece à própria ação uma direção consciente. Este é o
núcleo sadio do senso comum; o que poderia ser chamado justamente de bom
senso, merecendo ser desenvolvido e transformado em algo unitário e
coerente. Tornam-se evidentes, assim, as razões que fazem impossível a
separação entre a chamada filosofia 'científica' e a filosofia 'vulgar' e popular,
que é apenas um conjunto desagregado de ideias e de opiniões (GRAMSCI,
2010, p. 75).
Concomitantemente, conforme a pedagoga Michele Costa investiga, seria possível
identificar em Freinet um risco de distanciamento de seu objetivo de libertação popular, pela
proximidade prática e metodológica com a escola nova esta, por sua vez, criticada inclusive
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por ele pela manutenção de interesses burgueses. Uma vez que prioriza o desenvolvimento das
potencialidades da criança para a sua formação, tirando de foco a transmissão de conhecimentos
construídos historicamente pela humanidade, configura um meio sinuoso e dúbio para atingir
os ideais marxistas. Costa argumenta, ao problematizar a desarmonia entre os ideais
pedagógicos e políticos de Freinet:
Cabe ainda destacar que a Pedagogia de Freinet, em consonância com a Escola
Nova, acabam por produzir concepções negativas sobre o ato de ensinar. E a
transmissão de cultura, o ensino são fundamentais quando pensamos a
formação humana a partir do materialismo histórico-dialético, do marxismo.
[...] O objetivo de superação de uma educação alienadora pressupõe a
transmissão de conhecimentos, num processo de atualização histórico-cultural
dos seres humanos. Assim, podemos conceber que o processo educativo está
aliado à luta por uma reestruturação radical da sociedade quando permitirmos
que os indivíduos se apropriem do conjunto de conhecimentos produzidos ao
longo da história, garantindo o progresso do desenvolvimento humano na
produção de sua própria existência (COSTA, 2008, p. 150-151).
Apesar da crítica à adesão destes princípios, e precisamente por meio destes Freinet
também se preocupava com a emancipação intelectual de seus discentes, ao passo que
acreditava que uma educação autoritária tinha como consequências o emburrecimento, a
passividade e a conformidade, sendo, portanto, contrária à libertação das classes populares. Em
seus escritos, denunciava que uma educação preocupada com a rigidez e a repressão da
liberdade preparava os alunos para encarar a servidão em sociedade com a mesma obediência
e tolerância:
E mais tarde você se admirará ao vê-las oferecer miseravelmente os braços à
exploração e o corpo ao sofrimento e à guerra, como as ovelhas se oferecem
ao matadouro! É a servidão que nos torna fracos, é a experiência vivida,
mesmo perigosamente, que forma os homens capazes de trabalhar e de viver
como homens (FREINET, 2010a, p. 50).
Denunciava o risco de uma pedagogia difícil, que não priorizasse a psicologia da
criança, não em seus fins, mas na aplicação de seus métodos. Fazendo uma analogia com a
religião, o canto nas marchas dos soldados acusava que o sofrimento das crianças iria acabar
sendo apaziguado com distrações que não encarassem as causas reais dos problemas de sua
educação (FREINET, 2010a). O entorpecimento seria apenas um paliativo, então, de uma falha
pedagógica cujas consequências teriam continuidade, culminando na alienação.
O comprometimento da criança com a própria formação, por sua vez favorecido pela
adaptação do método a ela, projetar-se-ia futuramente no seu empenho para com a luta social,
e a construção de uma sociedade melhor. Em seus escritos sobre a imprensa escolar, adotada
Educação libertadora segundo Antonio Gramsci e Célestin Freinet
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em seu método, Freinet problematizava que a educação tradicional “mantinha e reforçava as
formas individuais da economia e, portanto, da cultura” (FREINET, 1974, p. 65), ao passo que
o trabalho em grupo desenvolveria a cooperação, contribuindo a uma coletividade organizada.
Além disso, argumentava que a confecção dos jornais levaria ao desenvolvimento do
pensamento crítico por parte da criança, em detrimento de somente aceitar e reproduzir o
pensamento adulto hierarquizado, bem como futuramente a imprensa:
E não é de menor importância que, com tais bases, tenhamos dado aos nossos
alunos a ideia que consideramos decisiva de que tudo o que lhes é ensinado
pode ser reconsiderado, que os pensamentos mais importantes podem e devem
ser passados ao crivo da sua própria experiência, que o conhecimento se
conquista e a ciência se faz (FREINET, 1974, p. 67).
Afirmava haver uma dualidade entre escola e aluno, marcada por uma escola de
normas, concepções, cultura e morais demasiado discrepantes do convívio de cada discente
fora do espaço pedagógico. Na sua denúncia da consequente dificuldade de adaptação da
criança, argumentava que os métodos ativos corrigem esse desnível:
Tomamos a criança tal como ela é e, usando técnicas de trabalho semelhantes
às do meio familiar e social, mas com uma maior riqueza experimental
esforçamo-nos por lhe permitir ir mais longe e mais alto nos caminhos da
verdade e da humanidade. [...] O indivíduo que trabalha e vive num meio
normalizado é descontraído, melhor equilibrado e, portanto, mais eficiente. A
ausência de normalização põe, pelo contrário, um número maior ou menor de
problemas artificiais a resolver, técnicas a dominar, barreiras a transpor e a
derrubar o que origina nos indivíduos que são vítimas dela reações
perfeitamente imprevisíveis, conflitos ou neuroses de que a psicanálise
desvenda pouco a pouco as incidências (FREINET, 1974, p. 65).
Embora adepto da autoridade em sala de aula, e conforme já exposto, Gramsci também
lutava contra a subordinação intelectual das massas. Em suas projeções de educação, havia
intenção clara em exercer uma autoridade que visasse à libertação mental. Seu meio de combate
buscava, então, não a renovação do método autoritário, mas dos conteúdos escolares. Para ele,
a manutenção da submissão das classes populares acabava se dando pelas escolas técnicas, uma
vez que os filhos de pais proletários eram levados pela necessidade a buscar entrada imediata
no mercado de trabalho através da educação, e os jovens burgueses usufruíam do privilégio de
uma educação voltada à entrada na universidade:
O proletariado precisa de uma escola desinteressada. Uma escola na qual seja
dada à criança a possibilidade de ter uma formação, de tornar-se homem, de
adquirir aqueles critérios gerais que servem para o desenvolvimento do
caráter. [...] Uma escola que não hipoteque o futuro da criança e não constrinja
sua vontade, sua inteligência, sua consciência em formação a mover- se por
Júlia Loffreda COSTA e Waldemar Ferreira NETTO
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um caminho cuja meta seja prefixada. Uma escola de liberdade e de livre
iniciativa, não uma escola de escravidão e de orientação mecânica
(GRAMSCI, 2010, p. 66).
Desta forma, a práxis, para Gramsci, verificaria os interesses das massas para então se
auto verificar:
A filosofia da práxis não busca manter os “simples” na sua filosofia primitiva,
do senso comum, mas busca, ao contrário, conduzi-los a uma concepção de
vida superior. Se ela afirma a exigência do contato entre os intelectuais e os
simples não é para limitar a atividade científica e para manter uma unidade no
nível inferior das massas, mas justamente para forjar um bloco intelectual-
moral, que torne politicamente possível um progresso intelectual de massa e
não apenas de pequenos grupos intelectuais (GRAMSCI, 2010, p. 80).
O ensinamento filosófico e científico não vigoraria, na escola, sem propósitos voltados
ao benefício do próprio discente e da coletividade, sintonizados com suas necessidades reais,
em função da evolução pessoal e social. Portanto, para Gramsci, a função do professor
ultrapassava mera autoridade, atuando como um intelectual das massas, e efetiva o ideal
marxista de sua proposta:
[...] na escola, o nexo instrução-educação somente pode ser representado pelo
trabalho vivo do professor, na medida em que o mestre é consciente dos
contrastes entre o tipo de sociedade e de cultura que ele representa e o tipo de
sociedade e de cultura representado pelos alunos [...]. Se o corpo docente é
deficiente e o nexo instrução-educação vem dissolvido, visando resolver a
questão do ensino de acordo com esquemas no papel nos quais se exalta a
educabilidade, a obra do professor se tornará ainda mais deficiente: ter-se-á
uma escola retórica, sem seriedade, pois faltará a corporeidade material do
certo, e o verdadeiro será verdadeiro de palavra, ou seja, retórico (GRAMSCI,
2010, p. 117).
Educação libertadora segundo Antonio Gramsci e Célestin Freinet
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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Considerações Finais
Genuinamente, é inviável pensar uma educação libertadora sem o professor como
mediador sólido de um repertório contra hegemônico - independente do seu nível de
participação nas atividades didáticas. Sem esse contraponto, o aluno é vulnerável a todas as
construções sociais que o aprisionam sem que ele saiba ou compreenda. O entendimento de
como o mundo funciona é resultado possível apenas como consequência do esforço de
demonstrá-lo.
Conforme o jovem engatinha para acumular esse conhecimento, é cercado pelo quadro
de noções alienantes que a escola unitária visa combater, sempre vulnerável à estagnação de
seu senso comum. A participação do professor na elucidação do aluno é indispensável e
Gramsci demonstra a importância de pensar em suas responsabilidades e competências com
rigor, justamente a fim do objetivo educacional visado, em sua qualidade desafiadora, mas rica.
Como vimos, a manutenção das relações de poder e do capitalismo se por meios
diversos e estende raízes profundas no senso comum de modo que não revela suas intenções.
Deste modo, demonstra-se a relevância de Gramsci para os educadores que ocupam ou irão
ocupar a escola. A escola, por sua vez, é um terreno de disputas ideológicas, o que pede preparo
por parte do docente. Perrusi explica que, para Gramsci, as pessoas tomam consciência dos
conflitos de sua sociedade através do contato de seu plano cognitivo com o plano ideológico, e
afirma: “Afirmar o papel da consciência é, como consequência, estabelecer uma função para o
conhecimento” (PERRUSI, 2015, p. 421).
Forti (2023, p. 237) realça a importância da autonomia para a prática escolar, em função
da possibilidade de fornecer ao aluno a construção de seu senso crítico:
[...] na vigência do capitalismo, com a centralidade que, historicamente, a
escola ganha na formação das pessoas, [...] garantir a liberdade de ensinar
dos/as professores/as é condição sine qua non para que haja uma nova
hegemonia ou, nas palavras de Semeraro, a “elevação social, cultural e política
das massas e dos excluídos, até sua transformação em protagonistas
autônomos duma sociedade verdadeiramente democrática” (SEMERARO,
1999, p. 15).
Considerando as frentes conservadoras que hoje buscam impor valores à escola,
propondo (e chegando a aprovar) projetos de lei que abrem margem para a punição arbitrária e
deliberada de professores, a realidade brasileira enfrenta dificuldades nesse quesito. Silva,
Dutra Júnior e Santos, ao analisarem tais projetos, identificam evidente similaridade entre estes
com os decretos aprovados durante a ditadura militar brasileira (SILVA; DUTRA JÚNIOR;
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SANTOS, 2023, p. 12-14). Ao apontarem que a redemocratização brasileira se dera “dentro da
ordem estabelecida pelas elites, com acomodações e acordos que redundaram na não punição
dos responsáveis [pela ditadura militar]”, e também identificarem a adoção de leis
comprometedoras à “implementação de políticas sociais, projeto esse tocado pela elite”,
concluem que “o recrudescimento do ultraconservadorismo no Brasil no início deste século traz
em si rupturas e continuidades com o período de vigência da ditadura civil-militar” (SILVA;
DUTRA JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 11).
Isto é: hoje, movimentos perigosamente semelhantes ao antecedente autoritário no país
ganham força ao mesmo tempo em que se apresentam como ideologicamente neutros - mesmo
todo posicionamento sendo ideológico, ou seja, dotado de valores e ideias próprias. Trata-se de
uma estratégia que sugere uma suposta moralidade universal em seus interesses, opondo-os
contra aquilo que acusam de “doutrinatório”, e omitindo assim a intenção de sua própria agenda,
visando torná-la hegemônica. Silva, Dutra Júnior e Santos, explicam, a partir de Chauí, que:
[...] a ideologia é o exercício da dominação social e política por meio das
ideias; não um ideário, mas o conjunto das ideias da classe dominante de uma
sociedade que não se apresenta como tal, ocultando sua particularidade e
impondo sua universalidade como valor geral para todas as classes (CHAUÍ,
2014, apud SILVA; DUTRA JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 18).
O fenômeno das notícias falsas, presente em escândalos eleitorais não só no Brasil, mas
no mundo, é mais um exemplo de como as classes dominantes reinventam estratégias e
apropriam-se de novas ferramentas tecnológicas para reforçar suas representações ideológicas
e preservar seus interesses. Hoje, a tecnologia atravessa a realidade, incorporando-lhe tamanha
rapidez que o fluxo de informações consumidas, produzidas e compartilhadas é ininterrupto.
Freinet expressa um interesse sensível e cauteloso sobre a participação da tecnologia na
formação das pessoas:Não é [...] que eu tenha preconceito contra as novidades: sou contra o
mau uso que se pode fazer delas. Essas técnicas, afinal, não são um aperfeiçoamento, ou melhor,
um prolongamento das mãos do homem?” (FREINET, 2010b, p. 74) Para além disso, ele afirma
a importância de aliar esses novos recursos ao trabalho pedagógico, e o deixar os alunos
reféns das inovações, mas a par do impacto delas em seu próprio desenvolvimento:
Se as crianças, se os adolescentes, se os homens não foram habituados,
levados à utilização humanamente desejável desses meios a serviço do
conhecimento e dos progressos da mente; se não foram alertados contra esses
prolongamentos mecânicos de suas mãos; se o pior deve aniquilar o bom,
quanto não temos de desconfiar dessas possibilidades que a ciência pôs à nossa
disposição sem nos indicar seu uso, como máquinas delicadas e perigosas que
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fossem entregues sem o indispensável manual de instruções? (FREINET,
2010b, p. 74).
Considerando a centralidade que a tecnologia hoje ocupa na vida dos jovens, e diante
da volta da ascensão de discursos extremistas, marcados pela banalização da violência e pelos
desafios da desinformação, faz-se absolutamente necessária uma educação que não apenas
defenda o aluno dessas forças, mas também as combata. Forti, ao analisar as imposições sobre
a escola e o exercício docente, descreve:
[...] é forte a investida para limitar a atuação dos/das professores/as [...] e isso
implica a tarefa premente de se conhecer mais profundamente tanto as
condições objetivas quanto as subjetivas desse processo [...] [e] de não se
eximir em face do investimento que permita a consideração de que a História
é construída pelos sujeitos concretos em situações concretas, necessária à
projeção e à efetivação de qualquer diretriz profissional substancialmente
referenciada em uma nova hegemonia, pertinente e eficaz, em prol dos reais
interesses das classes subalternizadas e, portanto, em prol do gênero humano
(FORTI, 2023, p. 236).
Silva, Dutra Júnior e Santos demonstram, também, como o ódio e a ignorância o
atrelados quando observam que os primeiros grupos avistados nos EUA condenando o
aprendizado do marxismo também foram, simultaneamente, identificados como negadores da
ciência e discriminadores de grupos minoritários:
[...] cristãos fundamentalistas, ultraconservadores e supremacistas. O
movimento Iluminismo Sombrio, antítese assumida do Iluminismo, prega a
moral vitoriana do século XIX, uma ordem tradicionalista e teocrática; declara
guerra aberta a todo conhecimento científico e ao marxismo cultural (SILVA;
DUTRA JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 16).
A condenação parte de uma definição imprecisa e generalizada do marxismo, que não
se baseia na teoria realmente, mas de estigmas construídos socialmente, em função de distanciar
as pessoas dos estudos marxistas. Trata-se de um desincentivo a acessar uma produção
específica de conhecimento que oferece margem de reflexão e compreensão sobre o
funcionamento da sociedade:
O chão do irracionalismo pós-moderno demonstra-se terreno fértil para o
avanço de políticas e práticas conservadoras e reacionárias, respondendo à
urgente necessidade de produzir indivíduos atomizados, isolados, partes de
uma engrenagem que não pode aparecer aos seus integrantes (SILVA;
DUTRA JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 16, grifo nosso).
Silva, Dutra Júnior e Santos apontam a troca do logos pela doxa, (SILVA; DUTRA
JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 17) isto é, a rejeição do conhecimento fundamentado em nome
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de ideias rasas, que se disfarçam de verdades naturais e óbvias. Este processo corresponde, por
exemplo, à adesão de conspirações em detrimento da ciência, na forma de discursos ou crenças
sem embasamento que são rapidamente disseminadas e aprendidas, além de também apoiarem-
se na base identitária que reforça a união de grupos conspiracionistas.
Podemos entender que a relação - entre comportamento discriminatório, e a rejeição da
ciência, a exemplo da redução de ideias (como o marxismo) à superfície e a convicções não
fundamentadas - se com a maximização de visões e valores aprendidos, acima da razão, e
frequentemente, também acima de vidas humanas, marcados, portanto, por forte individualismo
e alienação. Silva, Dutra Júnior e Santos reiteram a importância de priorizar o logos em
detrimento da doxa (que podemos chamar, a partir do que vimos, de “senso comum”):
[...] o conhecimento, que se preocupa em ultrapassar minimamente a
aparência, em buscar as conexões racionais entre as mediações da produção
social, sustentado na razão (logos), é capaz de produzir um encontro fecundo
com o lugar concreto do ser-estar no mundo e seu devir (SILVA; DUTRA
JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 17).
A educação voltada à cidadania pensa simultaneamente a acumulação dos saberes
científicos, e também o entendimento, pelo indivíduo, do lugar que ocupa socialmente, em
relação à sua comunidade e também ao mundo, local e temporalmente. Ao apropriar-se dos
conhecimentos produzidos pela humanidade no decorrer da história, o indivíduo desenvolve
entendimento de como se forma o saber científico, além de discernimento acerca das
informações que recebe (o que se mostra crucial, diante da atual força desafiadora da
desinformação); também torna-se mais propenso a interpretar criticamente concepções que
constroem e levam a preconceitos, raciocínio também encorajado por atividades pedagógicas
que estimulam a convivência social solidária.
No Brasil, o sucateamento e a desvalorização da educação, bem como do professor e
seu papel, comprometem a infraestrutura da escola e também a forma como é ocupada pelos
alunos, dificultando engajá-los na relação pedagógica. O desafio de executar o potencial
libertador da educação se estende desde toda a conjuntura social e política, à esfera individual,
em que nem sempre é garantido que o aluno reconheça a importância de seu aprendizado. Esse
é um dos motivos pelos quais a metodologia ativa se mostra uma ferramenta aliada, apesar das
críticas à sua margem de esvaziamento.
Aliás, mais do que aliados, é possível afirmar que métodos pedagógicos envolventes das
dimensões lúdica e cognitiva são indispensáveis, uma vez encarado o desafio de pôr em prática
intenções educativas que, naturalmente, contam com a participação e colaboração dos alunos
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(fator externo ao controle do professor e como tal, mais um desafio). Sobre o esforço de
condicionar as crianças visando a disciplina inerte acima da autonomia investigadora, e noções
hipotéticas do que o professor “deveria” em teoria fazer, Freinet (2010b, p. 112, grifo nosso)
afirma: Não gosto muito de falar do que deveria ser. Prefiro considerar o que é, e depois, tendo
sempre em vista a realidade, avançar sem ilusão, mas sem apriorismo”.
Perrusi (2015, p. 423) analisa que a teoria de Gramsci, apesar de relacionar o
inconsciente à ideologia, dá prioridade ao aspecto consciente, e desse modo, “seria insuficiente
para dar conta de alguns problemas enfrentados pela sociologia da dominação”, porque não
cobre “as condições institucionais da mistificação” e também “tolhe a compreensão dos
mecanismos inconscientes e dissimulados de dominação”, não chegando a alcançar
entendimento sobre quando as crenças alienantes são incorporadas a ponto de serem
naturalizadas (e vice-versa). Ressalva, porém, que Gramsci considera essa dimensão:
A ideologia [a partir de Gramsci], portanto, é "relação vivida" que conecta
visão de mundo com normas de conduta. Tal conexão traz à tona o núcleo
afetivo da ideologia ou seu aspecto passional, o que permite, com eficácia, sua
difusão (o caráter de massa da ideologia) (BURAWOY, 2011, BOURDIEU,
1997 apud PERRUSI, 2015, p. 423).
Quanto a Freinet, conforme vimos, a participação lateral do professor levantou dúvidas
sobre o resultado prático, mais precisamente no ponto da formação do senso crítico. Contudo,
também lida com obstáculos circunstanciais da sala de aula, que são um desafio para qualquer
método pedagógico. Isto é, as condições para aplicá-los - ou seja, dar aulas - não são isolados
dos resultados, e pelo contrário, os influenciam, ao determinar suas condições de realização. O
tempo hábil e o amparo estrutural para lançar e alcançar objetivos educacionais são limitados,
e inclusive para sequer pensar e desenvolver um projeto próprio ou interdisciplinar.
Neste sentido, é possível questionar igualmente os resultados de práticas docentes pouco
e muito autoritárias, assim como o espaço possível à construção do senso crítico pelo método
de Freinet e pelo método de Gramsci. Embora Gramsci esteja certo ao defender a importância
do professor à criação de um repertório crítico, seu método encontra um limite na prática, mais
precisamente no “lado receptor” da relação pedagógica - os alunos -, o que remete à superação
da abordagem da escola tradicional, ao questionar-se a sua eficácia.
Ao mesmo tempo em que Gramsci pôs em evidência um critério fundamental para
desenvolver senso crítico, a partir do entendimento e da superação da ideologia dominante,
Freinet, ao atuar como professor e incrementar mutuamente sua teoria e prática, se aproximou
estreitamente das condições reais de aprendizado de cada aluno. Estas marcam mais uma
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variável que atravessa e influencia a aplicação efetiva do método pedagógico: a particularidade
intrapessoal e interpessoal de cada aluno em desenvolvimento.
Freinet (2010b) reflete sobre a importância do professor abraçar a responsabilidade de
sua posição, tamanho o seu alcance sobre o desenvolvimento das vidas humanas de cujo
aprendizado se encarrega, e não devendo negligenciar, assim, o poder formativo de seus atos:
Qualquer gesto, qualquer ato, qualquer treinamento adquirem em vocês uma
importância excepcional, justamente por causa da sensibilidade extrema dos
seres de que são encarregados. Não se deve proceder irrefletidamente, ao
sabor das modas e das teorias, e depois se desculpar das consequências de sua
intervenção, ou tentar corrigi-las com prédicas inúteis e punições supérfluas
(FREINET, 2010b, p. 75).
Ao comparar o trabalho pedagógico com o plantio, dirige-se aos professores: “Vocês
também não têm o direito de jogar a semente sem saber o que lhe acontecerá.” (FREINET,
2010b, p. 75) Esmiuçando a metáfora, Freinet descreve o ato de praticar agricultura sem
preocupação com as condições sazonais de cada cultivo, e a consequência das estações
climáticas destruírem as vegetações. A partir disso, reflete sobre a importância de avaliar e
tratar cuidadosamente o encontro didático com os alunos, afirmando que a recepção do ensino
não é imediatamente clara aos professores, que correm o risco de não considerá-la:
[...] as reações ao nosso ensino são mais complexas e menos luminosamente
probatórias do que as reações da natureza aos erros e às manobras erradas de
vocês, e podemos, com a melhor boa-fé do mundo, não lhes ser sensíveis
(FREINET, 2010b, p. 75).
Vimos que Gramsci resgata e reforça a importância e indispensabilidade da apreensão
do conhecimento teórico para a formação crítica - e libertadora - da juventude. Entretanto,
podemos reiterar a partir dos escritos de Freinet que aprender não é um objetivo simples,
tampouco uma consequência imediata do ato de ensinar; uma vez que para o aluno ser engajado
em sala acima de todos os ruídos circunstanciais e conjunturais, além do conteúdo, é preciso ter
didática. A superação do método tradicional envolveu, justamente, questionar a efetividade da
transmissão expositiva do conhecimento pelo professor.
Na realidade brasileira, em que a lotação de alunos preenche as salas de aula, atribuindo
um único professor para dezenas de jovens imersos em seu próprio microcosmo, é valioso
repensar os meios para os fins intencionados por Gramsci. A garantia dos saberes do professor
ocuparem uma posição de autoridade e centralidade não é sinônimo da garantia desses
conhecimentos serem devidamente absorvidos e processados criticamente pelos alunos.
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Em suma, Gramsci demonstrou a importância do professor como intelectual orgânico,
que dialoga com seus alunos e participa de sua transformação; cabe agarrar-nos a esse fato, e
pensar em formas de mobilizar a autoridade do conhecimento científico aos alunos, sem, ainda,
perdê-los à distração, ao desinteresse, ou até mesmo ao fastio, em relação à escola.
Da mesma forma, a ausência de um método expositivo, centralizado nos conhecimentos
do professor, não aponta em Freinet uma carência em relação a fornecer bagagem para o
pensamento crítico - ele construiu e aplicou seu método conforme esse objetivo. Apesar da
pertinência da crítica ao método intuitivo, no sentido de dispensar ou desfazer-se de um
ensinamento expositivo para a construção do conhecimento científico, também vimos o seu
contraponto imediato: a preocupação afirmada e consolidada de Freinet com relação a esses
mesmos conteúdos, ao mesmo tempo em que centraliza o aluno na aquisição de seus saberes.
Quem dera os educadores também soubessem, em seu ensino, romper e
dissolver o verniz de uma falsa cultura para chegar ao âmago das verdades
essenciais, deixar agir seu poderoso fermento e colocar humildemente a
ciência a serviço de suas revelações! (FREINET, 2010b, p. 68).
Isto é, em Freinet, a metodologia ativa não entra em contradição com o objetivo de
concretizar um saber científico, que libertaria através do senso crítico. Kanamaru (2014) aponta
como a presença do ideal marxista é um aspecto pouco explorado no método pedagógico de
Freinet, ao mesmo tempo em que está presente em toda sua base, “[em aspectos] relacionados
às centralidades dos conceitos de livre trabalho, bem como de livre expressão, que, junto com
a livre cooperação, a livre pesquisa e as respectivas técnicas (técnicas de vida) constituem, em
seu conjunto, os meios e fins da pedagogia freinetiana” (KANAMARU, 2014, p. 769).
Combinada a isso, sua práxis levou muito a dimensão cognitiva em consideração; e
assim, fornece uma perspectiva para complementar o entendimento gramsciano de como
prevenir e transformar, pedagogicamente, crenças inconscientes de subordinação nos alunos.
Kanamaru (2014) exemplifica:
Freinet defendeu o conceito psicológico de trabalho-jogo cujo fundamento
está no objetivo concreto do labor, da construção do conhecimento sensível,
do trabalho como meio lúdico em si mesmo, baseado na necessidade natural
na psicologia do educando (KANAMARU, 2014, p. 773).
O método freinetiano, ao mesmo tempo em que centraliza o aluno, é norteado por seus
ideais libertadores, também incentivando o desenvolvimento de uma coletividade unida e
integrada entre os jovens, marcada pela solidariedade e a condução da própria autonomia. O
empirismo experimental, que mobilizou a descoberta por meio do trabalho, e a consequente
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criação da autonomia, se trata de “um método natural consoante às necessidades, intuições,
interesses, impulsos e motivações do educando” (FREINET, 1977 apud KANAMARU, 2014,
p. 774).
Encontramos respostas a muitas perguntas pedagógicas em sua metodologia, enquanto
uma união entre forma e essência, em que busca incorporar os valores de libertação ao próprio
processo de aquisição de saberes em si. Convergiu o objetivo de uma educação voltada à vida
prática com o saber científico, sempre tendo criticado a “separação, de caráter intelectualista e
dogmática, entre conteúdo e forma didáticas de um lado e, de outro, das necessidades reais de
educandos” (KANAMARU, 2014, p. 773). Defendeu, assim, que não deveriam ser vias
separadas, “uma vez que uma deveria conduzir à outra para deixá-la mais potente e mais clara”
(FREINET, 2010b, p. 67).
A escola é um espaço em que é possível pensar, de fato, em um projeto contra a
alienação e a fragmentação social - para o qual as ideias de Gramsci e Freinet têm a
contribuir. Cada um salienta pontos fundamentais no plano de uma educação libertadora. O fato
de discordarem oferece, na verdade, uma cobertura ainda mais ampla do problema social que
desejam enfrentar através da escola, e também dos problemas da própria escola, no caminho de
formar jovens solidários e dotados de uma autonomia crítica.
REFERÊNCIAS
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aos Ideais do Movimento da Escola Nova. 2008. Dissertação (Mestrado em Educação
Escolar) Universidade Estadual Paulista, Araraquara, SP, 2008.
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hegemonia. Revista GESTO-DEBATE, Campo Grande -MS, v. 23, n. 11, p. 226-240, 2023.
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Educação libertadora segundo Antonio Gramsci e Célestin Freinet
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https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8670426. Acesso em: 23
jul. 2023.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradecemos à professora Carlota Boto pelo apoio à publicação.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não é necessário.
Aprovação ética: Não aplicável.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Declaro, na qualidade de autora do manuscrito Educação
libertadora segundo Antonio Gramsci e Célestin Freinet, que minha contribuição consistiu
na análise do material de estudo e na redação do texto. Declaro, também, que o coautor
Waldemar Ferreira Netto contribuiu à revisão gramatical, conteudista e da formatação do
texto.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18040 1
EMANCIPATORY EDUCATION ACCORDING TO ANTONIO GRAMSCI AND
CÉLESTIN FREINET
EDUCAÇÃO LIBERTADORA SEGUNDO ANTONIO GRAMSCI E CÉLESTIN
FREINET
EDUCACIÓN LIBERTADORA SEGÚN ANTONIO GRAMSCI Y CÉLESTIN FREINET
Júlia Loffreda COSTA1
e-mail: julialoffreda@gmail.com
Waldemar Ferreira NETTO2
e-mail: waffneto@usp.br
How to reference this paper:
COSTA, J. L; NETTO, W. F. Emancipatory education according
to Antonio Gramsci and lestin Freinet. Rev. Sem Aspas,
Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238.
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18040
| Submitted: 15/03/2023
| Revisions required: 22/05/2023
| Approved: 11/06/2023
| Published: 07/08/2023
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
University of São Paulo (USP), São Paulo SP Brasil. Undergraduate student in Languages Portuguese,
DLCV, School of Philosophy, Languages, and Human Sciences.
University of São Paulo (USP), São Paulo SP Brasil. Full Professor, DLCV, School of Philosophy, Languages,
and Human Sciences. Doctorate in Linguistics (USP).
Emancipatory education according to Antonio Gramsci and Célestin Freinet
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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ABSTRACT: Antonio Gramsci and Célestin Freinet conceived a democratic and liberating
education aimed at meeting the needs of the working classes. Despite sharing the same
objective, Freinet's modern and Gramsci's unitary schools presented different methodologies.
This article analyzes and compares their writings, drawing on other research to highlight their
pedagogical methods about their practical application. The study explores how the criticisms
of both authors complement each other in their proposals. The practical challenges and the
relevance of their educational criteria are addressed in line with the historical reality of Brazil
and its social needs so that education can provide adequate support. The reflections on the
theories of Gramsci and Freinet are based on their shared goal of identifying education as a path
towards an egalitarian society, achieving liberation through the development of critical
thinking.
KEYWORDS: Célestin Freinet. Antonio Gramsci. Modern school. Unitary school. Teaching
methods.
RESUMO: Antonio Gramsci e Célestin Freinet conceberam uma educação democrática e
libertadora, voltada para atender às necessidades das classes populares. Embora
compartilhassem o mesmo objetivo, a escola moderna de Freinet e a escola unitária de
Gramsci apresentavam metodologias distintas. Este artigo analisa e compara seus escritos,
além de recorrer a outras pesquisas para destacar seus métodos pedagógicos em relação à
realidade de sua aplicação. O presente estudo explora como as críticas de ambos os autores
se complementam em suas propostas. Os desafios práticos, bem como a relevância de seus
critérios educacionais, são abordados em consonância com a realidade histórica brasileira e
suas necessidades sociais, para que a educação possa fornecer apoio efetivo. Reflete-se sobre
as teorias de Gramsci e Freinet com base em seu objetivo comum de identificar na educação
um caminho para uma sociedade igualitária, alcançando a libertação através do
desenvolvimento do senso crítico.
PALAVRAS-CHAVE: Célestin Freinet. Antonio Gramsci. Escola moderna. Escola unitária.
Método pedagógico.
RESUMEN: Antonio Gramsci y Célestin Freinet concibieron una educación democrática y
liberadora, destinada a satisfacer las necesidades de las clases populares. Aunque compartían
el mismo objetivo, la escuela moderna de Freinet y la escuela unitaria de Gramsci tenían
metodologías distintas. Este artículo analiza y compara sus escritos, además de basarse en
otras investigaciones para poner de relieve sus métodos pedagógicos en relación con la
realidad de su aplicación. El presente estudio explora cómo las críticas de ambos autores se
complementan en sus propuestas. Se abordan los desafíos prácticos, así como la pertinencia
de sus criterios pedagógicos, en consonancia con la realidad histórica brasileña y sus
necesidades sociales, para que la educación pueda prestar un apoyo eficaz. Se reflexiona sobre
las teorías de Gramsci y Freinet a partir de su objetivo común de identificar en la educación
un camino hacia una sociedad igualitaria, alcanzando la liberación a través del desarrollo del
sentido crítico.
PALABRAS CLAVE: lestin Freinet. Antonio Gramsci. Escuela moderna. Escuela unitaria.
Método pedagógico.
Júlia Loffreda COSTA and Waldemar Ferreira NETTO
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18040 3
Introduction
Célestin Freinet and Antonio Gramsci were European thinkers of the 20th century,
concerned with democratic education aimed at practical life, providing an uplifting and
liberating formation to the working classes. Despite attributing similar goals to education,
linked to their Marxist ideals and the objective of an egalitarian society, they opposed each
other regarding the educational methods they deemed most appropriate for this purpose.
One theory saw the other as a pedagogical approach that could compromise the critical
development of students, hindering their true liberation and autonomy. While Freinet advocated
for student-centeredness and the teacher's lateral support in their intuitive process of
discovering the world, Gramsci criticized the teacher's detachment as a characteristic of
rhetorical education that failed to fulfill the promise of essential formation. Conversely, as
Gramsci emphasized the need for a solid and educated foundation for grounding critical ideas,
Freinet criticized the teacher's authority as regressive, believing in the benefit of freedom and
self-expression in learning and development.
As both are aimed at the same objective - the liberation of the working classes through
the development of critical thinking and a sense of community - it is precious to consider ways
to reconcile their disagreements and understand the unique contribution of their respective ideas
to the field of education. The discussion in this article seeks to contrast their methods and,
through that, investigate a kind of agreement that simultaneously values the criteria both
prioritize in elaborating their praxis. We identify, thus, a wealth of preparation that their
contributions offer for a potential pedagogical project.
The aim is to contextualize the idea of critical thinking as an educational objective, as
Gramsci advocates, and introduce the conflict between the authors. We will compare their
pedagogical methods based on their writings, extending the conflict between traditional
teaching authority and active methodology. In conclusion, we intend to relate the relevance of
their ideas to the Brazilian reality, crystallizing what we can learn from the shortcomings that
one author identifies in the theory of the other. Thus, we extract from this reflection a general
panorama that combines education needs with the ideas of Gramsci and Freinet.
The valid critique of excessive authority in the classroom can coexist with the
importance of the teacher's role in transmitting knowledge and providing a solid repertoire, as
advocated by Gramsci. On the other hand, the fundamental critique of the lack of scientific
method can coexist with an active way, interested in science but also focused on addressing the
psychosocial needs of students, engaging them in learning connected to practical and collective
Emancipatory education according to Antonio Gramsci and Célestin Freinet
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life, as applied by Freinet. In summary, the mutual criticisms between the theories of Gramsci
and Freinet have laid the groundwork for considering a way of reconciliation that prevents the
alienating risks of an exclusively expository method and also avoids reduced teacher
participation.
Understanding the Pedagogical Ideals of Gramsci and Freinet
Critical thinking according to Gramsci
In the "Prison Notebooks," Gramsci referred to cultural hegemony as the order of ideas
that impose cultural and social control over a given society, using various resources to
propagate its universality continuously. This hegemony can be identified with its ideology, used
as a tool for domination, as discussed later.
In his study, Perrusi (2015, p. 419) asserts that ideology, according to Gramsci, lacks a
specific theoretical structure but can be identified in his work through other words that achieve
an equivalent conceptual meaning in context. This is because Gramsci elaborated his work
under the censorship of fascism, seeking to circumvent it. Thus, through Williams' definitions,
Perrusi explains that Gramsci's conception of ideology varies between "the system of beliefs of
a class or group" and the notion of the "general process of producing meanings and ideas"
(WILLIAMS, 1979, apud PERRUSI 2015, p. 418, our translation).
For Gramsci, ideology constitutes the "ideative and axiological field of society and, at
the same time, is grounded in class positions" (PERRUSI, 2015, p. 418, our translation), ou
encompassing numerous categories of ideas and cultural values, linked to their historical
materiality. The broad concept extends to its various manifestations and social functions
inherent to the human being about oneself and reality:
Ideology is not, in fact, a "form" of the material structure but rather an
ontological dimension that reproduces, through social practices and actions,
the system of society. Gramsci attributes a positive sense to ideology when
perceiving it as an ontological dimension, although he highlights the negative
character of doctrine in several passages of his work (PERRUSI, 2015, p. 420,
our translation).
When employed by the ruling class in pursuit of their interests, ideology becomes
hegemonic, supporting power relations (PERRUSI, 2015, p. 419) among different groups by
reinforcing beliefs that maintain the logic of domination. Building on Gramsci's ideas, Forti
(2023) emphasizes the importance of freedom in teaching as a prerequisite for education to
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foster critical thinking and the ability to confront the world's problems, thereby transforming it
socially. Hence, she argues that hegemony (as a set of ideals organizing society) could
potentially evolve into:
[...] a new hegemony based on popular support, that is, [...] grounded in the
interests of the people rather than solely benefiting a small fraction of
individuals who profit from the degrading exploitation of an immense
majority (FORTI, 2023, p. 237, our translation).
In a capitalist system, hegemonic beliefs serve the bourgeois class, aiming to maintain
social inequalities, thus distorting the causes of these problems and hindering or compromising
their understanding. These beliefs are sustained and perpetuated through unreflective
reproduction, which Gramsci described as "common sense," while "critical thinking" would be
its counterpoint. While critical thinking involves investigating the origin of socially and
culturally learned conceptions, common sense, for Gramsci, is a set of socially conceived and
reproduced conceptions without challenge "when conduct is not independent and autonomous,
but submissive and subordinate" (GRAMSCI, 2010, p. 73, our translation). The effort to
understand the past formation of prevailing thoughts, combined with an understanding of
oneself as a part of society and the intrinsic connection of one's ideas with the historical and
philosophical development of collective thinking, contributes to critical self-analysis:
The beginning of critical elaboration is the consciousness of what we are, that
is, a 'know thyself' as a product of the historical process developed until today,
which has left in each person an infinity of traces received 'without a detailed
account' [=without knowing their origin]. This inventory must be made
initially (GRAMSCI, 2010, p. 71, our translation).
As ideology is used as a mechanism of power to ensure the persistence of hierarchies,
Gramsci pointed to education as a crucial role in combating the ideological imprisonment at
hand:
The analytical and normative strength of Gramsci's notion of ideology lies
precisely in its descriptive capacity of social practices of domination. It
allows, therefore, the concrete description of power relations through mapping
hegemonic constructions in contemporary society (PERRUSI, 2015, p. 416,
our translation).
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Escape from subordination: issues of excess and lack of authority
One of the main critiques of the Freinetian theory towards the Gramscian pedagogical
approach addresses the characteristic of its practical application: authority. According to
Gramsci, for the construction of critical thinking, it would be essential for the teacher to hold a
position of power over the student, as they would be responsible for imparting scientific
knowledge to foster critical thinking. For the same reason, Gramsci opposed the intuitive
principle of the new school, which aimed to soften the teacher's intervention by centralizing the
child in their education. Gramsci's objectives were centered on the construction of critical
thinking, and for this purpose, the active participation of the teacher in the pedagogical process
was fundamental.
Culture, which is fundamental in his theory, would represent the repertoire acquired by
the young to develop critically, and the teacher would serve as its transmitter. Without the
teacher's intervention, the young would end up passively reproducing common sense without
understanding their place in society, precisely what his ideal of education sought to combat.
For example, the child would bring their own life experiences to school, and it would
be the teacher's role to demystify them, providing them with a solid foundation. Hence, the
communion of instruction and education was crucial, where education relied essentially on such
guidance, managing each student's bias, without which well-founded knowledge would not be
separated from common sense.
In contrast, Freinet advocated for an active and intuitive education to achieve a
formation focused on life, where all scientific teaching was based on practice. His pedagogical
method, therefore, was a combination of popular education and the new school approach. He
identified problems in educational principles, such as the condemnation of work and the
application of academic methods detached from any liberation of the child. The methodological
and values revision should be based on the notion that "preparation for work occurs through
work, in both school and a society of work" (FREINET, 2010a, p. 48, our translation).
Both authors acknowledged that adults and children had different repertoires and
conditions for learning, but they approached this discrepancy differently. While this assumption
pointed to the necessity of the teacher's authority for Gramsci, for Freinet, the distance between
teacher and student should be diminished to favor learning. Empathy with the child in their
respective position would then be the means to correct this hierarchy, enabling a relationship
of equality and mutual understanding. By reliving their childhood, the teacher would recall their
previous conditions in light of a comparison with the present and, with the help of this
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understanding, combined with that of contemporary childhood, would enable the development
of appropriate education through techniques that best facilitate the child's learning (FREINET,
2010a).
This approach suggested overcoming authoritarian pedagogy through "reconsidering
the problem of teacher-student relationships, a reconsideration of respect and work, and a new
adjustment of the classroom atmosphere" (FREINET, 2010a, p. 49, our translation). It was
necessary to revise, as an inheritance of old school methods, the verticality of teaching, in which
the teacher held all the knowledge and did not allow space for the child's criticism, treating
them as a passive vector of the process.
The insistence that Gramsci considered elementary in the renewal of old conceptions -
"repetition is the most effective didactic means to act on popular mentality" (GRAMSCI, 2010,
p. 88, our translation) , could, for Freinet, lead to brutality and elicit "a kind of physiological
aversion to intellectual nourishment" (FREINET, 2010a, p. 43, our translation). For him,
instead of forcing the child into an unnatural path, they should be accompanied according to
their needs and inspired to desire knowledge. He compared such pedagogy to the allegory of
not forcing a horse to drink water without thirst but letting it gallop towards the watering hole,
and for such guidance, in the case of the child, a method that "stimulates the appetite for
knowledge and encourages the powerful need for work" would be essential (FREINET, 2010a,
p. 43, our translation). According to him, this aspiration would guide the acquisition process at
a pace unmatched by classical norms.
Gramsci advocated spontaneous and autonomous effort from the student only in the
final phase of the unitary school: "In the creative phase, based on the already achieved
'collectivization' of the social type, one tends to expand the personality, making it autonomous
and responsible but with a solid and homogeneous moral and social conscience" (GRAMSCI,
2010, p. 112, our translation). For him, this pursuit could not occur without the prior shaping,
by the teacher, of common sense into well-founded knowledge, which constitutes the student's
critical sense: "A creative school does not mean a school of 'inventors and discoverers'; it
indicates a phase, a method of investigation and knowledge, and not a predetermined 'program'
that forces innovation and originality at any cost" (GRAMSCI, 2010, p. 112, our translation).
He believed active schooling needed to overcome its then-romantic phase to address a lack of
method.
On the other hand, Freinet argued that experience, coupled with physical and sensory
development, could not be replaced by a false image of life as mere theory, as it would act as a
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barrier between the child and genuinely helpful learning, which, for him, was practical. It was
argued that a teacher who anticipated a student's contact with the world through excessive
theoretical and scientific approaches would introduce concerns that could obstruct the learning
process, both for the teacher in understanding his pupils and the children themselves.
The intention was to enable interaction and active incorporation of the child into their
environment, through which they would mature, tending to continue participating in their
surroundings with the impulse for progress and improvement. Thus, it was argued that scientific
knowledge should be a consequence of experimentation, not the cause or an antecedent but
arising from necessity (FREINET, 2010b). Science should not cut across education but flourish
within it, together with it, through exercise and work. It was advocated that the ideal scenario
should not precede the formation of consciousness; instead, it would happen immediately
through the child's active use of the methods.
Gramsci agreed with scientific knowledge arising from practical experience, equally
criticizing pedantic intellectualism focused on the whims of small groups. He believed a
philosophical movement deserved this name only when it went beyond common sense through
scientifically coherent and unified thinking, without ever losing contact with the "simple" and
their needs, using them as the starting point for investigation and problem-solving (GRAMSCI,
2010, our translation). Despite considering all men as philosophers, he still deemed it necessary
to distinguish intellectual philosophy from vulgar philosophy:
"These popular expressions could be grouped with similar expressions of
popular writers; [...] and it can be seen that these have an exact meaning,
namely the overcoming of purely animal and elementary passions through a
conception of necessity that gives action itself conscious direction. This is the
sound core of common sense, what could rightly be called good sense,
deserving to be developed and transformed into something unitary and
coherent. Thus, the reasons that make the separation between so-called
'scientific' philosophy and 'vulgar' and popular philosophy impossible become
evident, the latter being only a disaggregated set of ideas and opinions"
(GRAMSCI, 2010, p. 75, our translation).
Simultaneously, as the pedagogue Michele Costa investigates, it is possible to identify
in Freinet a risk of drifting away from his goal of popular liberation due to the practical and
methodological proximity to the new school - which, in turn, is criticized by him for
maintaining bourgeois interests. By prioritizing the development of children's potential for their
formation, shifting the focus from transmitting historically constructed knowledge of humanity,
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it becomes a circuitous and ambiguous means to achieve Marxist ideals. Costa argues, by
problematizing the disharmony between Freinet's pedagogical and political objectives:
It is worth noting that Freinet's Pedagogy, in line with the New School,
generates negative conceptions about teaching. And the transmission of
culture and education is fundamental when we think about human formation
from historical-dialectical materialism from Marxism. [...] The goal of
overcoming an alienating education presupposes the transmission of
knowledge in the historical-cultural updating of human beings. Thus, we can
conceive that the educational process is allied with the struggle for a radical
restructuring of society when we allow individuals to appropriate the set of
knowledge produced throughout history, ensuring the progress of human
development in the production of their existence (COSTA, 2008, p. 150-151,
our translation).
Despite the criticism of adherence to these principles, and precisely through them,
Freinet was also concerned with the intellectual emancipation of his students, as he believed
that authoritarian education resulted in dullness, passivity, and conformity and was, therefore,
contrary to the liberation of the working classes. In his writings, he denounced that an education
focused on rigidity and repression of freedom prepared students to face servitude in society
with exact obedience and tolerance:
Later, you will be amazed to see them miserably offering their arms to
exploitation and their bodies to suffering and war, just like sheep offer
themselves to the slaughterhouse! Servitude makes us weak; it is lived
experience, even dangerously, that forms men capable of working and living
as human beings (FREINET, 2010a, p. 50, our translation).
He denounced the risk of a problematic pedagogy that did not prioritize the child's
psychology, not only in its goals but also in applying its methods. Making an analogy with
religion, soldiers' marching songs, he accused that the suffering of children could be appeased
with distractions that did not address the natural causes of their educational problems
(FREINET, 2010a). The numbing effect would only be a palliative of a pedagogical failure
whose consequences would continue, culminating in alienation.
The child's commitment to their education, facilitated by adapting the method to them,
would project itself in the future through their dedication to social struggle and the construction
of a better society. In his writings about the school newspaper, adopted in his method, Freinet
problematized that traditional education "maintained and reinforced the individual forms of the
economy and, therefore, of culture" (FREINET, 1974, p. 65, our translation), while group work
would develop cooperation, contributing to an organized collectivity. Furthermore, he argued
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that the creation of newspapers would lead to the development of critical thinking by the child,
rather than just accepting and reproducing hierarchical adult thinking, as well as future
journalism:
And it is not of minor importance that, with such foundations, we have given
our students the decisive idea that everything they are taught can be
reconsidered, that the most important thoughts can and must be subjected to
the test of their own experience, that knowledge is conquered, and science is
made (FREINET, 1974, p. 67, our translation).
He claimed there was a duality between school and student, marked by a school with
norms, conceptions, culture, and morals too different from the student's experiences outside
the pedagogical space. In his denunciation of the consequent difficulty of the child's
adaptation, he argued that active methods correct this disparity:
We take the child as they are and, using work techniques similar to those of
the family and social environment but with greater experimental richness, we
strive to enable them to go further and higher on the paths of truth and
humanity. [...] The individual who works and lives in a normalized
environment is relaxed, better balanced, and, therefore, more efficient. The
absence of normalization, on the other hand, poses a greater or lesser number
of artificial problems to solve, techniques to master, and barriers to overcome
and break down - which gives rise to perfectly unpredictable reactions,
conflicts, or neuroses in the individual who are victims of it, of which
psychoanalysis gradually uncovers the incidences (FREINET, 1974, p. 65, our
translation).
Although a proponent of authority in the classroom, as already explained, Gramsci also
fought against the intellectual subordination of the masses. In his educational projections, there
was a clear intention to exercise an authority aimed at mental liberation. His method of combat
sought not the renewal of the authoritarian approach but of the school curriculum. According
to him, the perpetuation of the submission of the working classes occurred through technical
schools, where the children of proletarian parents were driven by necessity to seek immediate
entry into the labor market through education, while young bourgeois individuals enjoyed the
privilege of an education geared towards university entrance:
The proletariat needs a disinterested school. A school in which the child is
given the possibility of acquiring an education, becoming a human being, and
acquiring those general criteria that serve for character development. [...] A
school that does not mortgage the child's future nor constrains their will,
intelligence, and developing consciousness to move along a path with a
predefined goal. A school of freedom and free initiative, not a school of
slavery and mechanical guidance (GRAMSCI, 2010, p. 66, our translation).
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Thus, for Gramsci, praxis would verify the interests of the masses and then self-verify:
The philosophy of praxis does not seek to keep the 'simple' in their primitive
philosophy of common sense but, on the contrary, seeks to lead them to a
higher conception of life. Suppose it affirms the need for contact between
intellectuals and the simple. In that case, it is not to limit scientific activity and
maintain unity at the lower level of the masses but precisely to forge an
intellectual-moral bloc that makes mass intellectual progress politically
possible, not just for small intellectual groups (GRAMSCI, 2010, p. 80, our
translation).
Philosophical and scientific instruction in school would not hold without purposes
aimed at the benefit of the student and the collective, in line with their real needs, for personal
and social development. Therefore, for Gramsci, the role of the teacher went beyond mere
authority, acting as an intellectual of the masses, effectively realizing the Marxist ideal of his
proposal.
[...] in school, the instruction-education nexus can only be represented by the
living work of the teacher, to the extent that the teacher is conscious of the
contrasts between the type of society and culture they represent and the type
of society and culture represented by the students [...]. If the teaching staff is
deficient and the instruction-education nexus is dissolved, aiming to resolve
the issue of teaching according to paper schemes that exalt educability, the
work of the teacher will become even more deficient: it will be a rhetorical
school, without seriousness, as the material corporeity of the true will be
lacking, and the truth will be valid only in words, that is, rhetorical
(GRAMSCI, 2010, p. 117, our translation).
Final Considerations
Genuinely, it is unfeasible to think of a liberating education without the teacher as a
solid mediator of a counter-hegemonic repertoire - regardless of their level of participation in
didactic activities. Without this counterpoint, the student is vulnerable to all social constructions
that imprison them without their knowledge or understanding. Understanding how the world
works is only possible due to the effort to demonstrate it.
As the young student crawls to accumulate this knowledge, they are surrounded by a
framework of alienating notions that the unitary school aims to combat, always vulnerable to
the stagnation of their common sense. The teacher's participation in enlightening the student is
indispensable, and Gramsci demonstrates the importance of thinking about their responsibilities
and competencies rigorously, precisely for the intended educational goal, in its challenging yet
rich quality.
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As we have seen, the maintenance of power relations and capitalism occurs through
various means and extends deep roots in common sense in a way that does not reveal its
intentions. Thus, the relevance of Gramsci for educators who currently occupy or will occupy
the school becomes evident. The school, in turn, is a terrain of ideological disputes, which
requires preparation on the part of the teacher. Perrusi explains that, for Gramsci, people
become aware of the conflicts in their society through the contact of their cognitive plane with
the ideological plane, and he states: "Affirming the role of consciousness is, as a consequence,
establishing a function for knowledge" (PERRUSI, 2015, p. 421, our translation).
Forti (2023, p. 237) emphasizes the importance of autonomy for school practice, as it
allows providing the student with the construction of their critical thinking:
[...] under the dominance of capitalism, with the historical centrality that the
school gains in people's education, [...] ensuring the freedom to teach for
teachers is a sine qua noncondition for the emergence of a new hegemony or,
in the words of Semeraro, the "social, cultural, and political elevation of the
masses and the excluded, until their transformation into autonomous
protagonists of a truly democratic society" (SEMERARO, 1999, p. 15, our
translation).
Considering the conservative fronts that currently seek to impose values on schools,
proposing (and even approving) bills that open the door to arbitrary and deliberate punishment
of teachers, the Brazilian reality faces difficulties. Silva, Dutra Júnior, and Santos, in their
analysis of such bills, identify apparent similarities between these and the decrees approved
during the Brazilian military dictatorship (SILVA, DUTRA JÚNIOR, SANTOS, 2023, p. 12-
14). By pointing out that Brazilian re-democratization occurred "within the order established
by the elites, with accommodations and agreements that led to no punishment for those
responsible [for the military dictatorship]," and also identifying the adoption of laws
compromising the "implementation of social policies, a project undertaken by the elite," they
conclude that "the resurgence of ultra-conservatism in Brazil at the beginning of this century
carries within it ruptures and continuities with the period of the civil-military dictatorship"
(SILVA; DUTRA JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 11, our translation).
Today, movements dangerously similar to the authoritarian antecedent in the country
are gaining strength while presenting themselves as ideologically neutral - even though every
stance is ideological, endowed with its values and ideas. It is a strategy that suggests a supposed
universal morality in its interests, opposing them to what they accuse of being "doctrinaire,"
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thus concealing the intention of their agenda, aiming to make it hegemonic. Silva, Dutra Júnior,
and Santos explain, based on Chauí:
[...] ideology is the exercise of social and political domination through ideas;
not an ideology per se, but the set of ideas of the ruling class of a society that
does not present itself as such, concealing its particularity and imposing its
universality as a general value for all classes (CHAUÍ, 2014, apud SILVA;
DUTRA JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 18, our translation).
The phenomenon of fake news, present in electoral scandals not only in Brazil but
worldwide, is another example of how the ruling classes reinvent strategies and appropriate
new technological tools to reinforce their ideological representations and preserve their
interests. Today, technology permeates reality, incorporating such speed that the flow of
information consumed, produced, and shared is uninterrupted.
Freinet expresses a sensitive and cautious interest in the role of technology in people's
education: "It's not [...] that I have prejudices against innovations: I am against the misuse that
can be made of them. After all, aren't these techniques an improvement, or rather, an extension
of human hands?" (FREINET, 2010b, p. 74, our translation) Moreover, he emphasizes the
importance of combining these new resources with pedagogical work and not leaving students
at the mercy of innovations but informed about their impact on their development:
If children, teenagers, men have not been accustomed, led to the humanly
desirable use of these means in the service of knowledge and progress of the
mind; if they have not been alerted against these mechanical extensions of
their hands; if the worst must annihilate the good, then how much suspicion
should we have of these possibilities that science has placed at our disposal
without indicating their use, like delicate and dangerous machines delivered
without the necessary instruction manual? (FREINET, 2010b, p. 74, our
translation).
Considering the centrality that technology occupies in the lives of young people today,
and in the face of the resurgence of extremist discourses marked by the trivialization of violence
and the challenges of misinformation, an education that not only defends students from these
forces but also combats them becomes necessary. Forti, in analyzing the impositions on schools
and teaching practice, describes:
[...] there is a strong attack to limit the actions of teachers [...], and this implies
the pressing task of deeply understanding both the objective and subjective
conditions of this process [...] [and] not shying away from the investment that
allows the consideration that History is built by concrete subjects in concrete
situations, necessary for the projection and realization of any professional
guideline substantially referenced in a new hegemony, pertinent and effective,
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in favor of the real interests of subalternized classes and, therefore, in favor of
humanity (FORTI, 2023, p. 236, our translation).
Silva, Dutra Júnior, and Santos also demonstrate how hatred and ignorance are linked
when they observe that the first groups in the US condemning the teaching of Marxism were
also simultaneously identified as deniers of science and discriminators of minority groups:
[...] Christian fundamentalists, ultraconservatives, and supremacists. The Dark
Enlightenment movement, an avowed antithesis of the Enlightenment,
advocates for the Victorian moral values of the 19th century, a traditionalist
and theocratic order; it openly declares war on all scientific knowledge and
cultural Marxism (SILVA; DUTRA JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 16, our
translation).
The condemnation comes from an imprecise and generalized definition of Marxism,
which is not based on the actual theory but on socially constructed stigmas, aiming to distance
people from Marxist studies. This represents a discouragement to access a specific body of
knowledge that offers room for reflection and understanding of how society functions:
The ground of postmodern irrationalism is fertile terrain for advancing
conservative and reactionary policies and practices, responding to the urgent
need to produce atomized, isolated individuals, parts of machinery that cannot
appear to its members (SILVA; DUTRA NIOR; SANTOS, 2023, p. 16,
emphasis ours, our translation).
Silva, Dutra Júnior, and Santos point to the replacement of logos with doxa (SILVA,
DUTRA JÚNIOR, SANTOS, 2023, p. 17) that is, the rejection of knowledge based on ideas
that are shallow and disguise themselves as natural and apparent truths. This process
corresponds, for example, to the adherence to conspiracies over science, in the form of
unfounded discourses or beliefs that are rapidly disseminated and learned, supported by the
identity-based foundation that reinforces the unity of conspiracy groups.
We can understand that the relationship between discriminatory behavior and the
rejection of science, as seen in the reduction of ideas (like Marxism) to the surface and the
acceptance of unfounded convictions, is associated with the maximization of learned views and
values above reason and often, also above human lives, marked, therefore, by solid
individualism and alienation. Silva, Dutra Júnior, and Santos emphasize the importance of
prioritizing logos over doxa (which we can call, based on what we have seen, "common sense"):
[...] Only knowledge, which is concerned with transcending minimally the
appearance, in seeking the rational connections between the mediations of
social production, sustained by reason (logos), is capable of producing a
fruitful encounter with the concrete place of being in the world and its
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becoming (SILVA; DUTRA JÚNIOR; SANTOS, 2023, p. 17, our
translation).
Education focused on citizenship simultaneously considers the accumulation of
scientific knowledge and the individual's understanding of their social position in relation to
their community and the world, both locally and temporally. By appropriating the knowledge
produced by humanity throughout history, the individual develops an understanding of how
scientific knowledge is formed and gains discernment about the information they receive
(which is crucial given the current challenge of misinformation). They also become more
inclined to critically interpret conceptions that construct and lead to prejudices, a reasoning also
encouraged by pedagogical activities that stimulate social solidarity.
In Brazil, the underfunding and devaluation of education, as well as the teacher and their
role, compromise the school infrastructure and how it is experienced by students, making it
difficult to engage them in the pedagogical relationship. The challenge of implementing the
liberating potential of education extends from the entire social and political context to the
individual sphere, where it is not always guaranteed that the student recognizes the importance
of their learning. This is one of the reasons why active methodology proves to be an ally, despite
the criticisms of its potential emptiness.
Furthermore, more than being allies, it is possible to affirm that pedagogical methods
that involve both the ludic and cognitive dimensions are indispensable, given the challenge of
putting educational intentions into practice, which naturally depend on the participation and
collaboration of the students (an external factor beyond the control of the teacher and, as such,
another challenge). Regarding the effort to condition children aiming for inert discipline above
investigative autonomy, and hypothetical notions of what the teacher "should" do in theory,
Freinet (2010b, p. 112, emphasis ours, our translation) states: "I don't like to talk about what
should be. I prefer to consider what is, and then, always keeping reality in mind, advance
without illusion, but without apriorism."
Perrusi (2015, p. 423, our translation) analyzes that Gramsci's theory, despite relating
the unconscious to ideology, gives priority to the conscious aspect and, therefore, "would be
insufficient to address some problems faced by the sociology of domination" because it does
not cover "the institutional conditions of mystification" and also "limits the understanding of
unconscious and concealed mechanisms of domination," failing to grasp when alienating
beliefs are incorporated to the point of being naturalized (and vice versa). However, it should
be noted that Gramsci considers this dimension:
Emancipatory education according to Antonio Gramsci and Célestin Freinet
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Ideology [according to Gramsci], therefore, is a "lived relationship" that
connects worldview with norms of conduct. This connection brings to the fore
the affective core of ideology or its passionate aspect, which effectively allows
for its diffusion (the mass character of ideology) (BURAWOY, 2011,
BOURDIEU, 1997 apud PERRUSI, 2015, p. 423, our translation).
As for Freinet, as we have seen, the teacher's lateral participation raised doubts about
the practical outcome, specifically concerning the development of critical thinking. However,
it also deals with circumstantial obstacles in the classroom, which are a challenge for any
pedagogical method. The conditions for applying them - teaching - are not isolated from the
results and, on the contrary, influence them by determining their realization requirements. The
available time and structural support to launch and achieve educational goals are limited, even
to the extent of thinking and developing one's own or interdisciplinary projects.
In this sense, it is possible to question equally the results of less and more authoritarian
teaching practices and the space available for building critical thinking through Freinet's and
Gramsci's methods. Although Gramsci is correct in emphasizing the importance of the teacher
in creating a crucial repertoire, his method encounters a limitation in practice, specifically at
the "receiving end" of the pedagogical relationship - the students - which calls into question the
effectiveness of the traditional school approach.
At the same time, while Gramsci highlighted a fundamental criterion for developing
critical thinking, based on understanding and overcoming dominant ideology, Freinet, by acting
as a teacher and mutually enhancing his theory and practice, closely approached the actual
learning conditions of each student. These factors constitute additional variables that cut across
and influence the practical application of pedagogical methods: each student's intrapersonal and
interpersonal particularities in development.
Freinet (2010b) reflects on the importance of the teacher embracing the responsibility
of their position, given the extent of their influence on the development of the human lives they
are entrusted with educating. They should not neglect the formative power of their actions:
Any gesture, any act, any training becomes exceptionally important in you,
precisely because of the extreme sensitivity of the beings they are responsible
for. One must not act thoughtlessly, following fashions and theories, and then
excuse oneself from the consequences of one's intervention or try to correct
them with useless sermons and superfluous punishments (FREINET, 2010b,
p. 7, our translation).
Comparing pedagogical work to planting, Freinet addresses the teachers: "You also do
not have the right to sow the seed without knowing what will happen to it" (FREINET, 2010b,
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p. 75) Elaborating on the metaphor, Freinet describes the act of practicing agriculture without
concern for the seasonal conditions of each crop and the consequence of climatic seasons
destroying the vegetation. Based on this, he reflects on the importance of carefully evaluating
and treating the didactic encounter with students, asserting that the reception of teaching is not
immediately apparent to teachers, who risk not taking it into account:
[...] reactions to our teaching are more complex and less clearly probative than
nature's reactions to your mistakes and wrong maneuvers, and we can, with
the best goodwill in the world, not be sensitive to them (FREINET, 2010b, p.
75, our translation).
We have seen that Gramsci retrieves and reinforces the importance and indispensability
of grasping theoretical knowledge for youth's critical - and liberating - formation. However, we
can reiterate from Freinet's writings that learning is not a simple goal nor an immediate
consequence of the act of teaching; for the student to be engaged in the classroom beyond all
circumstantial and conjunctural noises, in addition to the content, practical didactics are
required. The overcoming of the traditional method precisely involved questioning the
effectiveness of the teacher's expository transmission of knowledge.
In the Brazilian reality, where overcrowded classrooms assign a single teacher to dozens
of young people immersed in their microcosms, it is valuable to rethink the means for the ends
intended by Gramsci. Ensuring that the teacher's knowledge occupies a position of authority
and centrality is not synonymous with ensuring that this knowledge is absorbed correctly and
critically processed by the students.
In summary, Gramsci demonstrated the importance of the teacher as an organic
intellectual who engages in dialogue with their students and participates in their transformation.
It is essential to hold on to this fact and think of ways to mobilize the authority of scientific
knowledge to students without losing them to distraction, disinterest, or even boredom about
school.
The absence of an expository method, centered on the teacher's knowledge, does not
indicate a lack in Freinet's approach to providing a foundation for critical thinking - he built
and applied his method with this objective in mind. Despite the pertinence of the criticism of
the intuitive process, in the sense of dispensing or getting rid of expository teaching for the
construction of scientific knowledge, we also saw its immediate counterpoint: Freinet's
affirmed and consolidated concern regarding these same contents while centralizing the student
in the acquisition of their ability.
Emancipatory education according to Antonio Gramsci and Célestin Freinet
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If only educators also knew how to break and dissolve the veneer of a false
culture in their teaching, to reach the core of essential truths, to let its powerful
ferment act, and humbly put science at the service of its revelations!
(FREINET, 2010b, p. 68, our translation).
In Freinet's approach, the active methodology does not contradict the objective of
realizing scientific knowledge that would liberate through critical thinking. Kanamaru (2014)
points out how the presence of the Marxist ideal is a little-explored aspect in Freinet's
pedagogical method, even though it is present in its foundation, "[in aspects] related to the
centralities of the concepts of free work, as well as free expression, which, along with free
cooperation, free research, and their respective techniques (life techniques) constitute, as a
whole, the means and ends of Freinet's pedagogy" (KANAMARU, 2014, p. 769, our
translation).
Combined with this, his praxis gave significant consideration to the cognitive
dimension, providing a perspective to complement the Gramscian understanding of how to
prevent and pedagogically transform unconscious beliefs of subordination in students.
Kanamaru (2014) exemplifies this:
Freinet advocated for the psychological concept of work-play, whose
foundation lies in the concrete objective of labor, the construction of sensible
knowledge, and work as a playful means in itself, based on the natural needs
in the psychology of the student (KANAMARU, 2014, p. 773, our
translation).
The Freinetian method, while centralizing the student and guided by its liberating ideals,
also encourages the development of a united and integrated collectivity among young people,
marked by solidarity and the exercise of their autonomy. Experimental empiricism, which
mobilized discovery through work, and the consequent creation of independence, is a "natural
method by the needs, intuitions, interests, impulses, and motivations of the learner" (FREINET,
1977, apud KANAMARU, 2014, p. 774, our translation).
His methodology answers many pedagogical questions as a union between form and
essence, seeking to incorporate liberating values into acquiring knowledge. He constantly
criticized the "separation, of an intellectual and dogmatic nature, between didactic content and
form on one side and the real needs of learners on the other" (KANAMARU, 2014, p. 773, our
translation). He argued that they should not be separate paths "since one should lead to the other
to make it more powerful and clearer" (FREINET, 2010b, p. 67, our translation).
The school is a space where it is possible to honestly think about a project against
alienation and social fragmentation, to which the ideas of Gramsci and Freinet have much to
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contribute. Each one highlights fundamental points in the plan for a liberating education. The
fact that they disagree provides an even broader coverage of the social problem they seek to
address through education, as well as the issues within the school itself, in the path of forming
supportive young people who possess critical autonomy.
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23 July 2023.
CRediT Author Statement
Acknowledgments: We thank Professor Carlota Boto for her support in the publication.
Funding: There was no funding for this work.
Conflicts of Interest: No conflicts of interest are present.
Ethical Approval: Ethical approval is not required for this work.
Data and Material Availability: Data and materials are not applicable.
Authors' Contributions: As the author of the manuscript Emancipatory education
according to Antonio Gramsci and Célestin Freinet, I declare that my contribution
consisted of analyzing the study material and writing the text. I also declare that the co-
author, Waldemar Ferreira Netto, contributed to the text's grammatical, content-related, and
formatting review.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.