Educação libertadora segundo Antonio Gramsci e Célestin Freinet
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 2358-4238
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18040 10
em seu método, Freinet problematizava que a educação tradicional “mantinha e reforçava as
formas individuais da economia e, portanto, da cultura” (FREINET, 1974, p. 65), ao passo que
o trabalho em grupo desenvolveria a cooperação, contribuindo a uma coletividade organizada.
Além disso, argumentava que a confecção dos jornais levaria ao desenvolvimento do
pensamento crítico por parte da criança, em detrimento de somente aceitar e reproduzir o
pensamento adulto hierarquizado, bem como futuramente a imprensa:
E não é de menor importância que, com tais bases, tenhamos dado aos nossos
alunos a ideia que consideramos decisiva de que tudo o que lhes é ensinado
pode ser reconsiderado, que os pensamentos mais importantes podem e devem
ser passados ao crivo da sua própria experiência, que o conhecimento se
conquista e a ciência se faz (FREINET, 1974, p. 67).
Afirmava haver uma dualidade entre escola e aluno, marcada por uma escola de
normas, concepções, cultura e morais demasiado discrepantes do convívio de cada discente
fora do espaço pedagógico. Na sua denúncia da consequente dificuldade de adaptação da
criança, argumentava que os métodos ativos corrigem esse desnível:
Tomamos a criança tal como ela é e, usando técnicas de trabalho semelhantes
às do meio familiar e social, mas com uma maior riqueza experimental
esforçamo-nos por lhe permitir ir mais longe e mais alto nos caminhos da
verdade e da humanidade. [...] O indivíduo que trabalha e vive num meio
normalizado é descontraído, melhor equilibrado e, portanto, mais eficiente. A
ausência de normalização põe, pelo contrário, um número maior ou menor de
problemas artificiais a resolver, técnicas a dominar, barreiras a transpor e a
derrubar — o que origina nos indivíduos que são vítimas dela reações
perfeitamente imprevisíveis, conflitos ou neuroses de que a psicanálise
desvenda pouco a pouco as incidências (FREINET, 1974, p. 65).
Embora adepto da autoridade em sala de aula, e conforme já exposto, Gramsci também
lutava contra a subordinação intelectual das massas. Em suas projeções de educação, havia
intenção clara em exercer uma autoridade que visasse à libertação mental. Seu meio de combate
buscava, então, não a renovação do método autoritário, mas dos conteúdos escolares. Para ele,
a manutenção da submissão das classes populares acabava se dando pelas escolas técnicas, uma
vez que os filhos de pais proletários eram levados pela necessidade a buscar entrada imediata
no mercado de trabalho através da educação, e os jovens burgueses usufruíam do privilégio de
uma educação voltada à entrada na universidade:
O proletariado precisa de uma escola desinteressada. Uma escola na qual seja
dada à criança a possibilidade de ter uma formação, de tornar-se homem, de
adquirir aqueles critérios gerais que servem para o desenvolvimento do
caráter. [...] Uma escola que não hipoteque o futuro da criança e não constrinja
sua vontade, sua inteligência, sua consciência em formação a mover- se por