Pedro Henrique de ARAÚJO e Beatriz Leal de CARVALHO
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023009, 2023. e-ISSN: 2358-4238
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18053 5
Assim como a Antropologia Estrutural, a Francesa também buscava realizar
representações coletivas, baseando-se em dados empíricos e considerando a totalidade para
compreendê-las. De modo que esta vai além da soma das partes, considerando as consciências
individuais e coletiva (devida à coercitividade), e como resultado, há abstração tanto da
totalidade quanto das categorias representativas.
Posto isso, é possível afirmar que a Escola Francesa de Antropologia buscava a origem
social dos símbolos, tratando-se de uma teoria sociológica dos símbolos, como confirma
Merleau Ponty (1991):
Ao conceber o social como um simbolismo, conseguira o meio de respeitar a realidade
do indivíduo, a do social, e a variedade das culturas sem as tornar impermeáveis umas
às outras. Uma razão mais ampla deveria ser capaz de penetrar até o irracional da
magia e da dádiva: “É preciso antes de mais nada, dizia ele [Mauss], estabelecer o
maior catálogo possível de categorias; é preciso partir de todas aquelas de que se pode
saber terem sido utilizadas pelos homens. Veremos então que há ainda muitas luas
mortas, ou pálida, ou obscuras no firmamento da razão [...]” (MERLEAU PONTY,
1991, p. 125).
Porém, com base em Claude Lévi Strauss, embora algumas considerações tenham sido
mantidas, como a ideia da necessidade de sistematização das estruturas e consideração das
partes para compreensão da totalidade, desenvolveu-se a construção formativa dos símbolos a
partir da sistematização societária, embasado em Saussure, o mestre da Linguística, responsável
por estruturar a própria ideia, que mais tarde se tornaria uma filiação teórica. A partir desse
momento, o Estruturalismo de Saussure é incorporado à Antropologia, abrangendo alguns
postulados da Antropologia Social, como já explicitado, considerando que:
Essa concepção irá chamar de estrutura a maneira pela qual a troca é organizada num
setor da sociedade ou na sociedade inteira. Os fatos sociais não são nem coisas, nem
ideia: são estruturas. O termo, hoje excessivamente utilizado, tinha no início um
sentido preciso. [...] Em linguística também, a estrutura é um sistema concreto,
encarnado. Quando se dizia que o símbolo linguístico é diacrítico – que opera apenas
por sua diferença, por certo desvio entre ele e os outros signos, e não de início ao
evocar uma significação positiva – Saussure tornava sensível a unidade da língua
aquém da significação explícita, uma sistematização que ocorre nela antes que o seu
princípio ideal seja conhecido. Para a antropologia social, é de sistemas desse gênero
que é feita a sociedade: sistema do parentesco e da filiação (com as regras
convenientes do casamento), sistema de troca linguística, sistema de troca econômica,
da arte, do mito e do ritual... A própria sociedade é a totalidade desses sistemas em
interação. Dizendo que se trata de estruturas, distinguimo-las das “ideias
cristalizadas” da antiga filosofia social. Os indivíduos vivem numa sociedade não têm
necessariamente o conhecimento do princípio de troca que os rege, assim como o
indivíduo falante não precisa passar pela análise linguística da sua língua para falar.
A estrutura é antes praticada por eles como evidente. Se é que se pode dizer, ela antes
“os possui”, do que eles as possuem. Se a compararmos com a linguagem, que o seja
com o uso vivo da palavra, ou ainda com seu uso poético, em que as palavras parecem
falar por si mesmas e tornar-se seres... (MERLEAU PONTY, 1991, p. 126).