Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023014, 2023. e-ISSN: 2358-4238
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18069 1
AS TONALIDADES DO AMOR
LOS TONOS DEL AMOR
THE SHADES OF LOVE
Milena Diamantino PESSI1
e-mail: milena.pessi@unesp.br
Como referenciar este artigo:
PESSI, M. D. As Tonalidades do Amor. Rev. Sem Aspas,
Araraquara, v. 12, n. 00, e023014, 2023. e-ISSN: 2358-4238.
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18069
| Submetido em: 17/05/2023
| Revisões requeridas em: 27/07/2023
| Aprovado em: 22/10/2023
| Publicado em: 30/12/2023
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Araraquara SP Brasil. Graduanda em Ciências Sociais.
As Tonalidades do Amor
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RESUMO: O artigo tem como objetivo apresentar uma análise comparativa sobre a concepção
do amor por sociólogos clássicos, como Émile Durkheim, e por contemporâneos, como Danilo
Martuccelli, entre outros, com foco em uma perspectiva masculina e majoritariamente branca.
A partir dessa comparação, o texto explora como essa perspectiva é distinta da realidade
amorosa vivida por mulheres negras, que, muitas vezes, são impedidas de experimentar o amor
de forma plena, como pode ser observado na música “Normal Girl”, da cantora SZA. Na letra,
a artista expressa as suas angústias ao relatar que nunca se sentiu verdadeiramente amada, uma
vez que esse sentimento é percebido como um privilégio negado devido à sua cor de pele.
PALAVRAS-CHAVE: Amor. Mulheres. Privilégio. Social. Cor.
RESUMEN: El artículo tiene como objetivo presentar, a través de una revisión bibliográfica,
cómo el amor era visto por sociólogos clásicos como Émile Durkheim, y cómo es visto por
contemporáneos como Danilo Martuccelli, entre otros, desde una perspectiva masculina y
predominantemente blanca, y compararlo con la realidad amorosa de las mujeres negras,
quienes se les niega experimentar el amor, como se puede apreciar en la canción "Normal
Girl" de la cantante SZA. En la producción musical, la artista relata sus dolores al nunca haber
sido amada, pues este es un privilegio que su color de piel no le permite.
PALABRAS CLAVE: Amor. Mujeres. Privilegio. Social. Color.
ABSTRACT: The article aims to present a comparative analysis of the conception of love by
classical sociologists such as Émile Durkheim and contemporary scholars like Danilo
Martuccelli, among others, focusing on a predominantly white and male perspective. Through
this comparison, the text explores how this perspective differs from the romantic reality
experienced by black women, who are often hindered from fully experiencing love, as
exemplified in the song "Normal Girl" by singer SZA. The artist expresses her anguish in the
lyrics by recounting that she has never felt truly loved, as this emotion is perceived as a denied
privilege due to her skin color.
KEYWORDS: Love. Women. Privilege. Social. Color.
Milena Diamantino PESSI
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 12, n. 00, e023014, 2023. e-ISSN: 2358-4238
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Introdução
O amor tem sido um tema presente na realidade humana ao longo do tempo, encontrado
em diversas formas de expressão, como mídia, literatura e ciência. No entanto, é notório que o
estudo desse sentimento foi historicamente abordado predominantemente a partir de uma
perspectiva dominante, que reflete a visão daqueles com poder de escrever e criar tais narrativas
e teorias, ou seja, uma perspectiva majoritariamente masculina e branca. Somente recentemente
é que essa realidade começou a se modificar. As histórias de relacionamentos amorosos estão
ganhando novos rostos e vozes, mas ainda não constituem a maioria. As mulheres negras, em
particular, ainda são frequentemente excluídas, sendo tratadas apenas como objeto de desejo,
levando a situações de relacionamentos tóxicos devido a questões de baixa autoestima e medo
de se sentirem sozinhas. A solidão negra é uma realidade, principalmente aquela com face
negra.
Com o intuito de comparar os dois discursos, o artigo proposto realizará uma
apresentação de autores e estudiosos em cinco partes distintas. A primeira parte será voltada
para o estudo do amor a partir da perspectiva da ciência, com ênfase na teoria de Theodor Reik.
Na segunda parte, serão apresentados sociólogos e pesquisadores clássicos que não se
concentraram diretamente no amor, mas abordaram o tema em maior ou menor medida, como
Georg Simmel, Platão, Werner Sombart e Norbert Elias. A terceira parte do artigo trará as
teorias de pesquisadores que dedicaram maior atenção e importância ao tema do amor,
utilizando-o como objeto de pesquisa ou como uma variável relevante. Essas teorias serão
divididas em duas categorias: o amor Ágape e Eros. O primeiro é descrito como incondicional
e genuíno, e contará com autores como Danilo Martuccelli, Émile Durkheim, Marcel Mauss e
Henri Hubert, enquanto o segundo, aquele passional e individualizado, possui argumentos de
Zygmunt Bauman, Ulrich Beck, Michel Maffessoli, Niklas Luhmann, Luc Boltanski, Axel
Honneth, Anthony Giddens, Pierre Bourdieu e Eva Illouz.
A seguir, serão apresentados os pensamentos de autores nacionais e contemporâneos,
como a pesquisadora e professora Larissa Pelúcio, Antônio Cerdeira Pilão e Túlio Cunha Rossi.
E por fim, será conduzida uma revisão bibliográfica sobre a realidade da mulher negra e sua
intensa luta contra o racismo estrutural e o sexismo gritante presentes nas sociedades modernas.
O objetivo é examinar o tema do amor e suas nuances. Observa-se que as mulheres brancas são
frequentemente retratadas como merecedoras de vivenciar o amor, uma ideia que é cada vez
mais perpetuada pela mídia, através do ideal do belo e das protagonistas em filmes de romances.
Por outro lado, a mulher negra é frequentemente vista como objeto de trabalho ou de desejo.
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Seu corpo é fetichizado, e quando o desejo é alcançado, ela muitas vezes é descartada,
enfrentando, assim, a solidão. Essa realidade pode ser exemplificada na música da cantora
norte-americana SZA, uma mulher negra que aspira a ser digna de um relacionamento sério.
Portanto, o artigo visa investigar e compreender por que esse público, em pleno século XXI, é
ainda visto com olhares hierarquizados e objetificados.
As teorias sobre o amor
O amor sempre tem sido uma presença constante na vida humana, seja através da
literatura, como visto na Grécia Antiga com Platão, ou nas expressões artísticas como música,
cinema, teatro, ensaios e novelas. A arte, como um todo, tem servido como palco para esse
sentimento, especialmente quando abordado sob uma perspectiva romântica. Sua concepção
teve origem no movimento romântico, que propagou a ideia de ser uma emoção avassaladora,
mágica, ideal e fundamental, algo que deveria ser vivenciado por todos. O desejo de amar e ser
amado é incentivado tanto pela indústria cultural como pela família, e tornou-se um dos
principais temas no campo da literatura. No entanto, na ciência, tanto a psicologia quanto a
sociologia demoraram a considerar o amor como objeto de reflexão. Somente na década de
quarenta, o amor, não apenas o romântico, passou a ser estudado no campo da psicologia como
uma variável nos estudos sobre o ser humano, com o trabalho de Reik (1944). Nos anos setenta,
o amor também passou a ser abordado em trabalhos sociológicos de forma mais rigorosa,
embora tivesse sido estudado por grandes autores, como Simmel, Platão, Sombart e Elias,
principalmente sob a vertente do amor Eros, passional.
O psicanalista Theodor Reik, de origem austríaca, teve uma grande influência freudiana
e desempenhou um papel importante na sociologia das emoções, proporcionando os primeiros
insights sobre o amor. Segundo ele, o narcisismo desempenha um papel fundamental na
construção dos relacionamentos amorosos, pois o parceiro ou parceira é escolhido com base
nas carências vividas pelo indivíduo ao longo de sua trajetória. Contudo, é importante notar
que essa tese se fundamenta principalmente em insights do autor e não em pesquisas
aprofundadas sobre o assunto. Atualmente, a psicologia ainda discute se o amor deve ser
considerado uma emoção e se merece ser tratado como uma variável de influência relevante o
suficiente para se tornar objeto de estudos.
De acordo com a abordagem de Reik, o narcisismo emerge como uma das principais
variáveis durante a construção de relacionamentos amorosos, pois o parceiro ou parceira é
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escolhido com base naquilo que faltou ao indivíduo ao longo de sua vida, em sua trajetória.
Contudo, é importante salientar que essa tese se fundamenta principalmente em percepções do
autor e não em uma pesquisa aprofundada sobre o tema. Atualmente, a psicologia continua
debatendo se o amor é ou não uma emoção e se deve ou não ser considerado uma variável de
influência relevante o suficiente para se tornar objeto de estudos.
Por outro lado, a sociologia, apesar de ter demorado a reconhecer a importância desse
tema como objeto de pesquisa, indiretamente, estuda o amor desde seus clássicos. Georg
Simmel, um sociólogo e muito respeitado professor universitário alemão, inicialmente defende
que a emoção está diluída na sociedade, precisa ser encontrada. Ela é um não lugar entre
lugares, além de se preocupar com o anestesiamento presente em Berlim, a não sensibilidade
pela dor alheia. E em 1993, lançou seu livro “Filosofia do Amor”, no qual argumentou que o
amor é como uma práxis empírica, ou seja, um elemento responsável pela sociabilidade do ser
humano, uma parte importante no desenvolvimento da psicologia humana, mas vista como um
jogo de sedução. Ele possibilitaria o conhecimento do outro, a sua integração com seu parceiro,
e resultaria na formação de um ser único. Existe o eu, o ele, e nós. E tudo seria possível e
suportado, a sua fragmentação inclusive, em nome do amor.
Para Platão, por outro lado, em seu livro “Banquete”, o amor é sentido individualmente,
sem que haja o contato ou a interação com um parceiro, abstrai-se do outro para conseguir
alcançar a transcendência do que é belo em si próprio. para o sociólogo e economista alemão
Werner Sombart, em seu livro “Amor, Luxo e Capitalismo”, publicado no ano de 1990, este
sentimento foi secularizado com o fim das Cruzadas, resultando no luxo, no prazer,
principalmente, dos homens, no amor como aquilo que se vive fora do casamento, no sexo, e
incentivada pela burguesia europeia através das relações com as mulheres cortesãs.
Para o autor, a secularização do amor começaria após o fim das cruzadas,
quando três acontecimentos concorreram para uma profunda mudança na
relação entre os sexos: a formação das cortes europeias, a necessidade de
esbanjamento dos burgueses enriquecidos e a criação das cidades como
centros de consumo. Sombart acrescente a participação ativa da mulher
cortesã, que, com uma impetuosidade refinada, contribuiu para desvincular
encantos e gozos do amor da instituição casamento, colocando-os em um outro
espaço, o da legalidade e da concubinagem. Sombart deu destaque ao prazer
proporcionado por mulheres cortesãs de diversas origens (mulheres casadas e
abandonadas por seus maridos, moças enganadas por seus noivos), enfim,
mulheres que tinham e que possuíam o bom gosto, que teria se difundido pela
Europa. Para o autor, o amor secularizado, lócus dos impulsos das paixões,
realizava-se na legitimidade, em paralelo com os casamentos formais para a
reprodução biológica e social da burguesia (JARDIM; SOUZA, p. 5-6, no
prelo).
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Em 1994, Norbert Elias publicou o livro "O Processo Civilizatório", no qual sustentava
que o amor e as subjetividades desenvolvidas nos seres humanos são fatores de grande
relevância para a constituição do Estado Nacional e suas configurações mais complexas, uma
vez que são moldadas pelas interações sociais e humanas. O amor é visto como uma fuga
temporária do jogo calculista que pode caracterizar as interações sociais. Nesse sentido, essa
forma de encantamento, na qual o ser humano busca escapar temporariamente da realidade,
representa uma liberdade e expressão genuína do sentimento, sendo incentivada, em parte, pela
arte da literatura.
A formação de um universo individual em contraponto a um mundo “exterior"
no princípio natural e, depois, social contribuiu também para o
desenvolvimento de modos de classificar e avaliar os próprios sentimentos em
face da crescente demanda pelo autocontrole das pulsões, frente a possíveis
sanções mais ou menos sutis (JARDIM; SOUZA, p. 6, no prelo).
Na vertente do amor ágape, que se caracteriza por ser incondicional, desinteressado,
genuíno e, sobretudo, não egoísta e coletivo, destacam-se quatro principais autores: Danilo
Martuccelli, Émile Durkheim, Marcel Mauss e Henri Hubert. Martuccelli (2016), um sociólogo
francês, sustenta que tal forma de amor pode ser encontrada na tradição cristã e na construção
de uma fraternidade universal, cujo exemplo ideal seria representado pelo bom samaritano.
Aquele que vive pelo altruísmo, abnegação e sacrifício, encontra-se imerso no amor ágape.
Émile Durkheim, também sociólogo francês e considerado um dos maiores expoentes das
Ciências Humanas, defende a tese da solidariedade orgânica, construída por meio do freio
moral da humanidade, ou seja, o altruísmo. Esse conceito é responsável por nutrir, desenvolver
e fortalecer os laços sociais entre indivíduos desconhecidos. Segundo Durkheim (1893, p. 215),
“onde quer que haja sociedade, há altruísmo, porque há solidariedade.”
para Marcel Mauss e Henri Hubert (1895), estudiosos franceses de sociologia, o amor
ágape é vivenciado através do sacrifício. Nesse contexto, um objeto originalmente comum e
profano é consagrado religiosamente por ser considerado a representação divina mais próxima
na terra, e é utilizado como oferenda para estabelecer uma conexão e uma relação com Deus,
atuando como intermediário entre os mundos. O sacrifício é, dessa forma, uma maneira de
preservar e se redimir perante a figura religiosa mais importante de uma cultura.
Portanto, ao analisarmos os diversos autores mencionados, percebe-se a distinção entre
o amor Eros, egoísta, sexual e passional, geralmente estudado com maior ênfase pelos alemães,
como Sombart, e o amor ágape, de origem francesa, que busca o altruísmo e coloca o bem
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coletivo acima de tudo. É importante notar que esse tema não era o foco principal dos estudos
em Ciências Sociais desses grandes autores, mas sim um aspecto relevante e presente em suas
pesquisas. Contudo, a partir dos anos setenta, essa realidade se modificou, e outros autores
como Bauman, Beck, Maffesoli, Luhmann, Boltanski, Honneth, Giddens, Bourdieu e Illouz
ganharam notoriedade neste campo.
No livro intitulado "Amor Líquido", publicado em 2004, o filósofo polonês Zygmunt
Bauman sustenta a tese de que, assim como o capitalismo e o mercado, que buscam
constantemente novidades e variedades, as relações sociais também funcionam de forma
semelhante, pautadas pela efemeridade. Segundo Bauman, os parceiros e o amor romântico
não possuem laços sociais sólidos e se tornaram mercadorias substituíveis, prontamente
descartadas quando algo novo surge. Por sua vez, o sociólogo polonês Ulrich Beck, em sua
obra “Caos Totalmente Normal do Amor”, escrita em colaboração com sua esposa Elisabeth
Beck-Gernsheim e lançada em 2017, argumenta que esse sentimento humano assumiu a forma
de um investimento arriscado, visto que a modernidade trouxe consigo novos arranjos afetivos,
mais individualizados e não tradicionais, além de ter modificado o conceito de família tal como
era conhecido.
De acordo com Michel Maffesoli, pensador francês em seu trabalho de 2014, o amor
pós-moderno, na verdade, tem transformado os seres humanos em indivíduos que perderam
suas identidades e se conectam com seus instintos animalescos. Em outras palavras, ele
descreve essa realidade como irracional, caracterizada por uma consumação total. Por outro
lado, Niklas Luhmann, sociólogo alemão em sua obra de 1991, defende que esse sentimento
humano é um fenômeno histórico e um código social vivenciado por todos, o qual possibilita
ao ser humano entrar em contato com sua individualidade, caráter e essência. Enquanto isso, o
sociólogo de origem francesa Luc Boltanski (1990) acredita que o amor é a única maneira de
transcender a busca por justiça e alcançar um estado de paz interior.
Axel Honneth (1992), filósofo alemão e uma das principais figuras da Teoria Crítica,
por sua vez, considera que esse sentimento representa um dos primeiros estágios para o
reconhecimento do ser humano. Ao nascer, a criança entra em contato com sua família,
especialmente a figura materna, e experimenta uma forma de relacionamento baseada em
empatia e cuidado. Essa fase é de extrema importância para o desenvolvimento da criança, pois
o amor contribui para a formação das esferas de direitos e solidariedade.
O pensador britânico Anthony Giddens, em sua obra de 1993, argumenta que o estudo
do amor romântico é de extrema relevância para a organização social do século XIX, uma vez
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que esse fenômeno é fundamental para fomentar e incentivar a liberdade individual. O amor
romântico está intrinsecamente ligado à ideia de autodescoberta e realização pessoal, tanto para
o indivíduo como para o parceiro. Ao se relacionar com o outro, cria-se a possibilidade de
formação de um nós”, que envolve o crescimento mútuo e a construção de uma história
compartilhada. Além disso, Giddens relaciona o amor romântico à emancipação feminina,
destacando que a expressão genuína dos sentimentos e uma comunicação real entre os parceiros
podem resultar em sujeitos mais críticos e, sobretudo, autônomos. Em contrapartida, Pierre
Bourdieu, um dos sociólogos franceses mais citados do século XX, tem uma visão
completamente distinta. Segundo sua perspectiva, o amor romântico não atua como uma força
emancipatória para as mulheres, mas sim como um instrumento dominador e um fator que pode
contribuir para a violência simbólica.
O amor romântico seria o ajustamento inconsciente das mulheres a uma
estrutura de dominação, que se expressaria em um discurso que coloca o amor
romântico como norma para a felicidade. Bourdieu entende que a cultura
androcêntrica prescreve uma fórmula de amor que leva à submissão feminina.
Por conseguinte, o amor romântico seria uma forma de violência simbólica,
tornando-se um fardo para as mulheres, que passam a conceber o mundo
afetivo a partir desse sistema de dominação masculina (JARDIM; SOUZA, p.
14, no prelo).
De fato, o autor apresenta a ideia de que o verdadeiro engajamento no amor pode levar
a uma revolução simbólica, quebrando com a dominação masculina historicamente presente.
Essa transformação ocorre por meio da sensibilização e do desenvolvimento de
relacionamentos profundos, sinceros, igualitários e respeitosos, onde todos os envolvidos
assumem compromisso mútuo. Portanto, o amor romântico pode ser tanto uma força que
perpetua a opressão e a violência, como também pode ser uma maneira de promover uma
revolução representativa quando vivida de forma crítica, honesta e correta.
A socióloga francesa Eva Illouz, uma das principais referências nesse campo de estudo,
expõe em sua obra “O amor em tempos de capitalismo”, publicada em 2011, a ideia de que o
amor romântico passou por um colapso. Ela atribui esse colapso à proliferação de sites e
aplicativos voltados para a busca de afeto, o que levou os relacionamentos a se tornarem mais
racionais e a romperem com o romantismo tradicional. Illouz argumenta que os
relacionamentos amorosos atuais estão cada vez mais fundamentados na lógica econômica do
mercado, resultando no capitalismo afetivo. Para ela, existem “repertórios culturais baseados
no mercado, que moldam e impregnam as relações interpessoais e afetivas, sendo que as
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relações interpessoais se encontrariam no epicentro das relações econômicas” (ILLOUZ, 2011,
p. 8).
Após a apresentação dos autores internacionais da França, Alemanha e Inglaterra, é de
extrema importância conhecer o desenvolvimento da sociologia das emoções no Brasil. Essa
área de estudo foi reconhecida no território brasileiro somente em 1990, vinte anos após sua
consolidação nos Estados Unidos. Dentre os principais autores brasileiros nessa área, destacam-
se Pelúcio, Goldenberg, Pilão e Rossi. Pelúcio (2017) argumenta que as relações sociais
contemporâneas se assemelham à lógica de mercado, onde o ingresso requer um perfil do
usuário, uma espécie de investidor emocional em busca do amor, resultando em um processo
racionalizado de algo essencialmente sentimental.
A antropóloga brasileira Mirian Goldenberg (1997), professora aposentada da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, destaca a escassez de homens no mercado afetivo,
relacional e, principalmente, no âmbito do casamento. Esses homens são altamente valorizados,
especialmente aqueles que buscam iniciar relacionamentos. Essa realidade gera um sentimento
de superioridade social nas mulheres casadas, enquanto as solteiras são mais propensas a aceitar
o papel de amante ou “outra”. A ideia predominante é de que é melhor ter um amante fixo e fiel
do que não estar envolvido romanticamente com alguém.
Com formação em Sociologia e Antropologia, Antônio Cerdeira Pilão (2017) direciona
suas pesquisas para o poliamor. Para o autor, essa forma de relacionamento representa uma
crítica à monogamia e às transformações sociais ao longo da história. Seu principal argumento
é o de eliminar a ideia de amor romântico presente nos relacionamentos monogâmicos, pois
essa concepção cria e incentiva a noção de posse entre os parceiros e perpetua o ideal familiar
historicamente propagado pela burguesia.
Neste sentido, tal cenário de transformações possibilitaram a emergência de
novos arranjos afetivos, como o poliamor, e é neste contexto que o poliamor
é vislumbrado como possibilidade de se tornar hegemônico na modernidade
tardia. Para o autor, o poliamor se mostra como ambíguo, pois busca conciliar
a intimidade, o aprofundamento das relações e a autonomia dos envolvidos
(JARDIM; SOUZA, p. 19, no prelo).
O sociólogo brasileiro Túlio Cunha Rossi (2016) possui os seus estudos sobre o amor
baseado nas pesquisas que realizou a partir do cinema de Hollywood, com o objetivo de difundir
as referências e as influências que os seres humanos sofrem a todo tempo sobre o amor. Com
foco nas comédias românticas, ele argumenta que elas conferem a maneira universal de se
vivenciar o amor, as relações afetivas, e ainda fazem uma ligação com a feminilidade. Como é
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natural da mulher querer se apaixonar, a ponto de se tornar o ideal, a maneira de se sentirem
realizados de fatos.
Qual a cor do amor?
A partir de uma extensa bibliografia que abrange diversos autores que estudam o amor
sob diferentes perspectivas, como o seu fim, a sua consolidação, a forma como funcionava no
passado em contraste com a realidade pós-moderna, sua comparação com o mercado e sua
fluidez, é possível afirmar que esse campo de estudo ainda não foi completamente explorado e
possui muitos aspectos a serem aprofundados. O amor não é meramente uma variável; é um
objeto de estudo rico e influente que constantemente impacta a vida dos seres humanos. No
entanto, surge a questão se o amor é realmente universal para todos.
Com a chegada dos europeus no Brasil e o início do processo de dominação, escravidão
e violência, a vida da população negra que foi trazida para nunca mais foi a mesma. A Lei
Áurea, assinada em 13 de maio de 1888, declarava que todos os escravos estavam livres a partir
dessa data, não mais sendo propriedade de seus senhores. Entretanto, essa lei representou uma
falsa liberdade, pois, na prática, “não significou mudanças reais na forma de tratamento para
com a população negra, já que ela permaneceu condenada a não ser tratada como ser humano
ou como igual para a outra parte da população” (SILVA, 2021, p. 6).
Após a “libertação”, quando saíram das fazendas dos senhores de engenho, a população
negra, desamparada pelo governo brasileiro na busca por uma reintegração justa e digna à
sociedade, não tinha acesso a terras ou moradias para se estabelecerem. Eles foram relegados
ao abandono pela sociedade. Consequentemente, muitos se tornaram mendigos ou começaram
a construir suas próprias casas nas áreas de morros e comunidades mais próximas, onde
surgiram as favelas, improvisadamente e sem condições adequadas de habitação. Essas
residências não dispunham de espaços amplos, saneamento básico ou garantias de qualidade
de vida. Assim, o processo de desigualdade social, econômica e psicológica continuou após a
abolição, perpetuando o racismo estrutural, a desvalorização, a ideologia do embranquecimento
e, principalmente, a objetificação dos corpos negros.
A mulher negra, de fato, tem sido uma das principais vítimas ao longo da história. Além
de enfrentar as consequências devastadoras do colonialismo e do racismo, ela se depara com a
necessidade de combater o machismo, sexismo, misoginia e a discriminação cultural que a
coloca em posições desprivilegiadas. Ainda, precisa lidar com a hipersexualização de seu
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corpo, resultado de uma cultura que historicamente o via como um objeto para satisfazer os
desejos dos homens brancos, que outrora foram seus senhores, e que, infelizmente, muitas
vezes as descartam após o uso.
Essa cultura de objetificação gera graves consequências para as vidas afetivas e
emocionais das mulheres negras, impactando diretamente em sua autoimagem. A solidão
enfrentada por elas, muitas vezes, decorre de uma falta de opções, resultado de uma herança
histórica que relegou seus corpos apenas a dois propósitos: o sexual e o trabalho.
O corpo se sobressai ao sujeito e a subjetividade que o constitui. O enaltecer
do corpo preto e sexual se sobrepõe aos sentimentos e falar sobre a solidão
deixa mais visível as preferências que não parte somente do homem, em
relações heterossexuais, mas também da sociedade com essas mulheres, onde
ressaltar sobre a população de mulheres que se encontram em situação de
solidão afetiva seria ir contra as estruturas estabelecidas pelo sistema desde a
sua formação em oprimir as mulheres e as reduzir a objetos para as realizações
sexuais e também como criadas servis às objetivando mais uma vez (SILVA,
2021, p. 10).
No entanto, é importante salientar que a solidão presente nas relações afetivas e sexuais
dessas mulheres não representa a única forma de exclusão que enfrentam ao longo de suas
vidas. Ao contrário, essa solidão tem suas raízes na falta de encaixe social e na fragilização de
suas identidades, submetidas a determinados padrões e normas para serem aceitas. Ao longo
da história, a cultura estabeleceu que a beleza estava intrinsicamente ligada à cor branca, e as
mulheres negras de pele clara, frequentemente referidas como mulatas (termo sexista e racista
que objetifica a mulher mestiça), foram hiperssexualizadas. A mídia desempenhou um papel
crucial na reprodução desse discurso, através de músicas, filmes, peças teatrais, ensaios e na
ausência de representação da mulher negra como protagonista e símbolo de beleza e desejo.
Essa realidade resulta em danos emocionais, exclusão social e baixa autoestima para as vítimas.
Originado em um legado escravista e colonialista, estabeleceu-se uma hierarquia
baseada nas tonalidades de pele, onde as mulheres negras de pele mais escura foram relegadas
a papéis domésticos e de prestação de serviços, enquanto as de pele mais clara foram
objetificadas para o desejo sexual do homem branco. Seus corpos são desejados, usados e
descartados, sem que recebam afeto ou carinho. O amor, portanto, é influenciado pelas
tonalidades de cores e hierarquias de gênero, perpetuando-se pelo culto à beleza branca como
forma de poder, opressão e delimitação de espaços e status. A ênfase na beleza branca é um
dos fatores que contribuem para a solidão experimentada pelas mulheres negras, sendo
propagada pela cultura industrial.
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A beleza como valor é cruel com todas as mulheres e impiedosa com as negras
de pele retinta. Sant’Ana escreveu que as publicidades descreviam a cor de
pele escura como sujeita. Nesse contexto, uma mulher preta ser considerada
bela é uma quebra do paradigma construída pela branquitude, porque os
fenótipos das pretas retintas são incompatíveis com a ditadura da beleza
branca. E, ser feia, no cenário patriarcalista em que a aparência física é um
valor, faz com que as pretas, em número expressivos, tenham menos
oportunidades de conseguir a estabilidade afetiva na concorrência marital em
desvantagem com as mulheres brancas (SILVA et al., 2022, p. 525-526).
Um fator adicional que perpetua a ideia da solidão entre as pessoas negras é a
preferência, por parte de homens da mesma etnia, por se relacionarem com mulheres brancas
ou, pelo menos, de pele mais clara. Isso ocorre porque essas mulheres são vistas como um meio
de ascensão social. Mesmo que de forma involuntária, esses relacionamentos inter-raciais são
interpretados como uma forma de inserção no meio sociocultural. Como mencionado pelas
autoras Silva et al (2022, p. 533), um símbolo da mobilidade social e símbolo da integração
do mundo branco para garantia do embranquecimento da descendência que não ficará sujeita a
discriminação.” Esse desejo de se identificar e viver entre os brancos, adotando seus modos de
agir, falar e se comportar, representa uma vida idealizada e desejada após a desumanização do
colonialismo. Portanto, ocorre um processo de “branqueamento psicológico” por parte do
gênero masculino, termo comumente chamado de “palmitagem” no senso comum. Essa
palmitagem se refere à decisão de não escolher mulheres negras para construir famílias, casar-
se, apresentar aos pais e manter relacionamentos duradouros, fortalecendo, assim, o discurso
racista.
As mulheres negras enfrentam quase ou total falta de amor em suas vidas, levando à
aceitação de serem vistas como amantes ou até mesmo a permanecerem em relacionamentos
tóxicos com seus parceiros por medo de enfrentar a solidão caso fiquem solteiras. Elas anseiam
por serem amadas, desejadas, cobiçadas e valorizadas o suficiente para terem casamentos e
serem assumidas publicamente por seus companheiros. O que é considerado comum para
mulheres brancas é uma conquista para as mulheres negras. Uma pesquisa conduzida pela
socióloga brasileira Maria Chaves Jardim e pela antropóloga Renata Medeiros Paoliello, que
abordou as realidades afetivas de mulheres negras, evidenciou a hipersexualização desses
corpos e a falta de compromisso por parte dos homens. Ou seja, essas mulheres eram utilizadas
para satisfazer os desejos dos homens, mas nunca consideradas para serem esposas.
O trabalho de campo mostra que, apesar de conscientes de que não estão sendo
assumidas, algumas mulheres declararam aceitar a situação e fazer sexo em
troca de algum feto. Também encontramos no trabalho de campo o desejo de
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andar de mãos dadas com o parceiro. “Meu sonho é ter um namorado para
andar de mãos dadas, beijar publicamente. Não precisar ficar escondida. (35
anos, solteira, dos filhos, balconista, segundo grau completo. Mãe e pai
trabalhadores rurais na ativa), expressando que o trivial para uma mulher
branca se torna uma grande conquista para essas mulheres (JARDIM;
PAOLIELLO, 2022, p. 110).
A mulher negra que não se contenta em ser a amante, objeto de desejo descartável ou
permanecer em um relacionamento tóxico, apenas buscando afeto, muitas vezes se depara com
a falta de opções para iniciar sua vida sexual de forma mais tardia. Elas desejam apaixonar-se,
envolver-se em relacionamentos saudáveis e duradouros, anseiam pelo matrimônio e pelo
carinho, porém, enfrentam a escassez de parceiros dispostos a oferecer esse tipo de amor. Isso
sugere que o amor é percebido de maneira diferenciada, e que ele parece estar direcionado
principalmente às mulheres brancas, enquanto as de pele escura são relegadas apenas à
satisfação das necessidades das pessoas ao seu redor, seja no âmbito sexual ou por meio do
trabalho. Infelizmente, parece que a concepção predominante do amor está associada à cor
branca.
Garota normal
A artista norte-americana Solána Imani Rowe, conhecida artisticamente como SZA, é
uma cantora e compositora negra, que alcançou reconhecimento e sucesso, incluindo uma
vitória no Grammy. Ela se destaca no cenário do R&B contemporâneo. Seu álbum “Ctrl”,
lançado em 2017, traz a música “Normal Girl” como a quinta faixa, onde ela relata o desejo de
se tornar uma mulher normal, ou seja, uma pessoa digna de ser apresentada à família e ser vista
como uma parceira, e não apenas alguém cujo corpo é objeto de desejo quando veste uma blusa
justa. Nessa música, ela expressa o drama enfrentado pelas mulheres negras, que mesmo no
século XXI, ainda sofrem as consequências do colonialismo.
Essa canção exemplifica as informações apresentadas anteriormente neste trabalho
acadêmico. Apesar de o amor ter sido objeto de estudo por grandes pensadores, como
Martucelli, Baumann e Eva Illouz, nenhum deles abordou como esse sentimento possui diversas
realidades, dependendo de quem o sente ou deseja. SZA é apenas um exemplo dentro de um
sistema racista e machista, que sonhou com um grande amor, casamento e a sensação de ser
verdadeiramente amada, mas com o passar dos anos, aprendeu que provavelmente não terá isso.
Ela será desejada, mas não amada. No verso “wish i was the type of girl that you take over to
mama” (2017), que traduzido para o português significa “gostaria de ser o tipo de garota que
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você apresenta à sua mãe”, a cantora revela o desejo de ser como aquelas que podem ter o que
sempre sonhou, ou seja, brancas.
O racismo estrutural presente nas diversas áreas da sociedade, como na economia,
política, social, cultural e até mesmo no âmbito afetivo, leva a população negra a desejar se
embranquecer de alguma maneira, para serem considerados seres humanos, e não tratados como
animais. Isso ocorre porque, infelizmente, muitos acreditam que esse seja o único caminho para
se sentirem pertencentes e dignos de respeito e amor. A exclusão social do negro afeta sua
existência, autoestima e entendimento de si mesmo como ser humano. Portanto, como
mencionado anteriormente e confirmado pela música de SZA, o amor possui sim tonalidades
de cores, e não é vivenciado da mesma forma para as pessoas negras.
Considerações finais
O amor não é um conceito uniforme em todas as áreas do conhecimento, como
evidenciado neste artigo. Na ciência, por exemplo, teóricos como Theodor Reik abordaram o
amor a partir do narcisismo, sugerindo que os parceiros são escolhidos com base no que falta
em suas vidas e trajetórias. No entanto, é importante ressaltar que essa abordagem não resultou
de uma pesquisa substancial sobre o amor como objeto de estudo, e ainda debates sobre a
viabilidade de considerar o amor como uma variável com poder de influência suficiente para
ser objeto de pesquisas científicas.
Da mesma forma, na sociologia, o amor não foi imediatamente aceito como uma
variável de estudo significativa. No passado, ele era considerado apenas um detalhe nas teorias
sociológicas de autores clássicos, como Georg Simmel, Platão, Werner Sombart e Norbert
Elias. Cada um desses teóricos abordou o amor de maneiras distintas. Platão atribuía ao amor
um sentido individual que leva à transcendência do belo. Werner Sombart argumentava que o
amor se desenvolvia fora dos casamentos, especialmente entre homens e cortesãs, e tinha raízes
históricas após as Cruzadas, visto que o matrimônio era visto como um acordo político e
econômico entre as famílias. para Norbert Elias, o amor era associado ao encantamento e à
busca por uma nova realidade, incentivada pela literatura e pela arte.
Ao ser visto em pesquisas como um objeto de estudo ou variável de grande importância,
o amor é dividido em duas categorias: o Ágape, incondicional e genuíno, e o Eros, aquele
passional e sexual. Para a primeira ordem, autores como Danilo Martuccelli, Émile Durkheim,
Marcel Mauss e Henri Hubert são os principais estudiosos. Segundo Martuccelli, o amor é
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aquele encontrado no cristianismo, na representação do bom samaritano, no sacrifício e no
altruísmo. Para Émile Durkheim, está presente na solidariedade orgânica, com base no
altruísmo e no desenvolvimento do coletivo, com o objetivo de ajudar a fomentar o sentimento
do social entre os homens desconhecidos de sua sociedade. Enquanto para Marcel Mauss e
Henri Hubert, o amor ágape é sinônimo de sacrifício, redenção e prova do sentimento diante a
figura religiosa da cultura em questão. Ou seja, o Ágape ultrapassa o indivíduo, ele possui um
sentido maior que o homem, ele é algo coletivo e social.
No entanto, o amor Eros, aquele de natureza passional e sexual, é abordado por diversos
autores de forma individualizada, como explicado por Zygmunt Bauman, Ulrich Beck, Michel
Maffesoli, Niklas Luhman, Luc Boltanski, Axel Honneth, Anthony Giddens, Pierre Bourdieu e
Eva Illouz. Bauman argumenta que os relacionamentos e o mercado funcionam de maneira
semelhante, com os parceiros tornando-se substituíveis e descartáveis, assemelhando-se a
mercadorias. Para Ulrich Beck e Elisabeth Gernsheim Beck, o objeto de estudo é o risco em
uma sociedade tradicional e individualista. Michel Maffesoli apresenta o amor como um
elemento que racionaliza o homem, permitindo-o entrar em contato com suas facetas
animalescas e perder suas identidades. Luhmann o concebe como um fenômeno capaz de
guiar o ser humano em direção à sua verdadeira essência e individualidade. Para Boltanski, o
amor é sinônimo de paz para o homem. Axel Honneth, por sua vez, vê esse sentimento como o
primeiro estágio para o desenvolvimento do reconhecimento humano, estabelecendo um laço
de empatia, cuidado, solidariedade e, futuramente, fundamentando a esfera do direito. Segundo
Anthony Giddens, o amor cultiva a liberdade individual e a realização pessoal. Pierre Bourdieu
argumenta que o amor pode assumir duas formas: a de dominador, sendo o principal fator para
as violências simbólicas, ou a de revolucionário, se vivenciado de forma correta e honesta. Por
último, Eva Illouz defende a teoria de que, com a internet e os aplicativos, o amor segue uma
lógica econômica de mercado, moldando as relações afetivas.
Em relação aos autores e estudiosos brasileiros, encontramos as teorias de Larissa
Pelúcio, Antônio Cerdeira Pilão e Túlio Cunha Rossi. Pelúcio argumenta que ocorre uma alta
valorização dos homens no mercado dos relacionamentos amorosos, gerando uma falsa
superioridade social masculina, e, especialmente, no matrimônio, das mulheres. Segundo
Antonio Cerdeira Pilão, a monogamia incentiva a concepção de posse, uma ideia enraizada no
pensamento social pela burguesia e ainda presente na contemporaneidade. Enquanto Túlio
Cunha Rossi alega que o cinema hollywoodiano propagou o desejo de amar e ser amado pelas
mulheres, tornando-se um ideal e a única maneira de se sentirem realizadas.
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Entretanto, é importante ressaltar que a maioria das teorias sobre o amor foi
desenvolvida por estudiosos, em sua grande maioria, homens brancos e de elite. Eles não
experimentaram a dor de ter seus corpos hipersexualizados apenas por causa da cor da pele,
uma realidade vivenciada por mulheres negras. Para elas, o amor é um ideal, um desejo, um
anseio, uma vantagem. O que é comum para as mulheres brancas não se aplica às mulheres
negras, pois, como afirmam Maria Chaves Jardim e Renata Medeiros Paoliello, elas enfrentam
a hipersexualização de seus corpos e a falta de compromisso. Essa triste realidade pode ser
confirmada na música Normal Girl, da cantora SZA, na qual ela anseia por ser vista com
olhos apaixonados. Ou seja, o amor possui tonalidades claras.
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaria de agradecer à professora Maria Aparecida Chaves Jardim por
ministrar a disciplina Sociologia do Amor, o qual este artigo foi baseado.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho em todo o seu processo respeitou a ética e não foi preciso
passar pelo comitê.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho foram
textos de fácil acesso no Google Acadêmico, em bibliotecas e revistas.
Contribuições dos autores: A contribuição da autora Milena Diamantino Pessi baseou-se
na leitura dos textos, coleta de dados e escrita de tal artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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THE SHADES OF LOVE
AS TONALIDADES DO AMOR
LOS TONOS DEL AMOR
Milena Diamantino PESSI1
e-mail: milena.pessi@unesp.br
How to reference this paper:
PESSI, M. D. As The Shades of Love. Rev. Sem Aspas,
Araraquara, v. 12, n. 00, e023014, 2023. e-ISSN: 2358-4238.
DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18069
| Submitted: 17/05/2023
| Revisions required: 27/07/2023
| Approved: 22/10/2023
| Published: 30/12/2023
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
São Paulo State University (UNESP), Araraquara SP Brazil. Undergraduate student in Social Sciences.
The Shades of Love
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ABSTRACT: The article aims to present a comparative analysis of the conception of love by
classical sociologists such as Émile Durkheim and contemporary scholars like Danilo
Martuccelli, among others, focusing on a predominantly white and male perspective. Through
this comparison, the text explores how this perspective differs from the romantic reality
experienced by black women, who are often hindered from fully experiencing love, as
exemplified in the song "Normal Girl" by singer SZA. The artist expresses her anguish in the
lyrics by recounting that she has never felt truly loved, as this emotion is perceived as a denied
privilege due to her skin color.
KEYWORDS: Love. Women. Privilege. Social. Color.
RESUMO: O artigo tem como objetivo apresentar uma análise comparativa sobre a
concepção do amor por sociólogos clássicos, como Émile Durkheim, e por contemporâneos,
como Danilo Martuccelli, entre outros, com foco em uma perspectiva masculina e
majoritariamente branca. A partir dessa comparação, o texto explora como essa perspectiva é
distinta da realidade amorosa vivida por mulheres negras, que, muitas vezes, são impedidas
de experimentar o amor de forma plena, como pode ser observado na música “Normal Girl”,
da cantora SZA. Na letra, a artista expressa as suas angústias ao relatar que nunca se sentiu
verdadeiramente amada, uma vez que esse sentimento é percebido como um privilégio negado
devido à sua cor de pele.
PALAVRAS-CHAVE: Amor. Mulheres. Privilégio. Social. Cor.
RESUMEN: El artículo tiene como objetivo presentar, a través de una revisión bibliográfica,
cómo el amor era visto por sociólogos clásicos como Émile Durkheim, y cómo es visto por
contemporáneos como Danilo Martuccelli, entre otros, desde una perspectiva masculina y
predominantemente blanca, y compararlo con la realidad amorosa de las mujeres negras,
quienes se les niega experimentar el amor, como se puede apreciar en la canción "Normal
Girl" de la cantante SZA. En la producción musical, la artista relata sus dolores al nunca haber
sido amada, pues este es un privilegio que su color de piel no le permite.
PALABRAS CLAVE: Amor. Mujeres. Privilegio. Social. Color.
Milena Diamantino PESSI
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Introduction
Love has been a prevalent theme in human reality throughout history, found in various
forms of expression such as media, literature, and science. However, the study of this emotion
has historically been predominantly approached from a dominant perspective, reflecting the
views of those with the power to write and create such narratives and theories that is, a
perspective shaped mainly by male and white voices. Only recently has this reality begun to
change. Stories of romantic relationships are gaining new faces and voices, but they still do not
constitute the majority. Black women, in particular, are often excluded and treated merely as
objects of desire, leading to toxic relationships due to low self-esteem and fear of feeling alone.
Black loneliness is a reality, especially one with a black face.
The proposed article will present authors and scholars in five distinct parts to compare
these two discourses. The first part will focus on the study of love from a scientific perspective,
with an emphasis on the theory of Theodor Reik. In the second part, classical sociologists and
researchers who did not directly focus on love but addressed the theme to a greater or lesser
extent, such as Georg Simmel, Platão, Werner Sombart and Norbert Elias, will be presented.
The third part of the article will introduce the theories of researchers who dedicated greater
attention and importance to the theme of love, using it as an object of research or as a relevant
variable. These theories will be divided into two categories: Agape and Eros love. The former
is described as unconditional and genuine and will include authors such as Danilo Martuccelli,
Émile Durkheim, Marcel Mauss and Henri Hubert, while the latter, passionate and
individualized, is supported by arguments from Zygmunt Bauman, Ulrich Beck, Michel
Maffessoli, Niklas Luhmann, Luc Boltanski, Axel Honneth, Anthony Giddens, Pierre Bourdieu
and Eva Illouz.
Next, the thoughts of national and contemporary authors, such as researcher and
professor Larissa Pelúcio, Antônio Cerdeira Pilão and Túlio Cunha Rossi. Lastly, a
bibliographic review will be conducted on the reality of black women and their intense struggle
against structural racism and blatant sexism in modern societies. The aim is to examine the
theme of love and its nuances. It is observed that white women are often portrayed as deserving
of experiencing love, an idea increasingly perpetuated by the media through the ideal of beauty
and the protagonists in romantic films. On the other hand, black women are frequently seen as
objects of labor or desire. Their bodies are fetishized, and when desire is fulfilled, they are often
discarded, facing loneliness. This reality can be exemplified in the music of American singer
SZA, a black woman aspiring to be worthy of a serious relationship. Therefore, the article aims
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to investigate and understand why this audience, in the 21st century, is still viewed with
hierarchical and objectified lenses.
Theories about Love
Love has always been a constant presence in human life, whether through literature, as
seen in Ancient Greece with Plato, or in artistic expressions such as music, cinema, theater,
essays, and novels. Art, as a whole, has served as a stage for this emotion, especially when
approached from a romantic perspective. Its conception originated in the romantic movement,
which propagated the idea of being an overwhelming, magical, ideal, and fundamental emotion
that everyone should experience. The desire to love and be loved is encouraged both by the
cultural industry and the family, and it has become one of the main themes in literature.
However, in the realm of science, both psychology and sociology were slow to consider love
as an object of reflection. Only in the 1940s did love, not just romantic love, start to be studied
in psychology as a variable in studies about human beings, with the work of Reik (1944). In
the 1970s, love also began to be addressed in more rigorous sociological works, although it had
already been studied by great authors such as Simmel, Plato, Sombart, and Elias, mainly under
passionate love, Eros.
The psychoanalyst Theodor Reik, of Austrian origin, had a significant Freudian
influence and played an essential role in the sociology of emotions, providing the first insights
about love. According to him, narcissism plays a fundamental role in the construction of
romantic relationships, as the partner is chosen based on the individual's deficiencies
experienced throughout their trajectory. However, it is important to note that this thesis is
mainly based on the author's insights and not on in-depth research. Psychology still discusses
whether love should be considered an emotion and if it deserves to be treated as a variable of
significant influence worthy of becoming an object of study.
According to Reik approach, narcissism emerges as one of the main variables during
the construction of romantic relationships, as the partner is chosen based on what the individual
lacked throughout their life in their trajectory. However, it is essential to emphasize that this
thesis is mainly based on the author's perceptions and not on in-depth research. Psychology
continues to debate whether love is an emotion and whether it should be considered a variable
of significant influence worthy of becoming an object of study.
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On the other hand, despite taking time to recognize the importance of this theme as a
research object, sociology indirectly studies love since its classical works. Georg Simmel, a
German sociologist, and highly respected university professor, initially argues that emotion is
diluted in society and needs to be found. It exists in a non-place between places, and he is
concerned with the anesthesia present in Berlin and the lack of sensitivity to the pain of others.
In 1993, he published his book "Philosophy of Love," in which he argued that love, as an
empirical praxis, is a significant element responsible for human sociability and plays a vital
role in the development of human psychology, although it is viewed as a game of seduction. It
enables knowledge of the other and their integration with the partner and forms a unique being.
There is the self, the other, and us. And everything, even fragmentation, is possible and
supported in the name of love.
For Plato, in his book "The Republic," love is felt individually, without the need for
contact or interaction with a partner; it abstracts the other to achieve the transcendence of what
is beautiful in itself. As for the German sociologist and economist Werner Sombart, in his book
"Luxury and capitalism," published in 1990, this feeling was secularized with the end of the
Crusades, resulting in luxury, pleasure, especially for men, love as something experienced
outside of marriage, in sexuality, and encouraged by the European bourgeoisie through
relationships with courtesan women.
According to the author, the secularization of love began after the end of the
Crusades, when three events contributed to a profound change in the
relationship between sexes: the formation of European courts, the need for the
extravagance of the enriched bourgeoisie, and the emergence of cities as
centers of consumption. Sombart also emphasizes the active participation of
courtesan women, who, with their refined allure, contributed to dissociating
charms and pleasures of love from the institution of marriage, placing them
in a different sphere, that of legality and concubinage. Sombart highlighted
the pleasure provided by courtesan women from various backgrounds
(married women abandoned by their husbands, young women deceived by
their fiancés), in short, women who possessed and embodied good taste,
which had spread throughout Europe. For the author, secularized love, the
locus of passionate impulses, manifested within the realm of legitimacy
alongside formal marriages for the biological and social reproduction of the
bourgeoisie (JARDIM; SOUZA, p. 5-6, our translation).
In 1994, Norbert Elias published the book "The Civilizing Process," arguing that love
and the subjectivities developed in human beings are factors of great relevance in forming the
Nation-State and its more complex configurations, as social and human interactions shape
them. Love temporarily escapes the calculating game that can characterize social interactions.
In this sense, this form of enchantment, in which human beings seek to escape reality
The Shades of Love
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temporarily, represents a freedom and genuine expression of sentiment, partly encouraged by
the art of literature.
The development of an individual universe in contrast to an "external" world
initially natural and later social also contributed to the development of
ways to classify and evaluate one's feelings in the face of the growing demand
for self-control of impulses amid possible more or less subtle sanctions
(JARDIM; SOUZA, p. 6, our translation).
In agape love, characterized as unconditional, selfless, genuine, and above all, non-
egoistic and collective, four primary authors stand out: Danilo Martuccelli, Émile Durkheim,
Marcel Mauss, and Henri Hubert. Martuccelli (2016), a French sociologist, argues that this
form of love can be found in the Christian tradition and the construction of universal
brotherhood, exemplified ideally by the good Samaritan. One who lives through altruism, self-
denial, and sacrifice is immersed in agape love. Émile Durkheim, also a French sociologist and
considered one of the greatest exponents of the Social Sciences, advocates the thesis of organic
solidarity built through the moral restraint of humanity, that is, altruism. This concept nurtures,
develops, and strengthens social ties among unknown individuals. According to Durkheim
(1893, p. 215, our translation), "wherever there is society, there is altruism because there is
solidarity."
Marcel Mauss and Henri Hubert (1899), French sociology scholars, see agape love as
experienced through sacrifice. In this context, an originally common and profane object is
religiously consecrated because it is considered the closest divine representation on earth and
is offered as an offering to establish a connection and relationship with God, acting as an
intermediary between worlds. Sacrifice is thus a way to preserve and redeem oneself before the
culture's most important religious figure.
Therefore, when analyzing the various mentioned authors, a distinction between the
selfish, sexual, and passionate love known as Eros, usually studied with greater emphasis by
German authors like Sombart, and the altruistic love known as agape, of French origin, which
prioritizes collective well-being, becomes apparent. It is essential to note that this theme was
not the primary focus of the studies in Social Sciences by these prominent authors but rather a
relevant aspect of their research. However, starting from the seventies, this reality changed, and
other authors such as Bauman, Beck, Maffesoli, Luhmann, Boltanski, Honneth, Giddens,
Bourdieu, and Illouz gained prominence in this field.
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In the book "Liquid Love," published in 2004, the Polish philosopher Zygmunt Bauman
argues that, just like capitalism and the market, constantly seeking novelties and varieties,
social relationships also function similarly, driven by transience. According to Bauman,
partners, and romantic love no longer possess solid social bonds but have become replaceable
commodities, readily discarded when something new emerges. Similarly, the Polish sociologist
Ulrich Beck, in his work "The Normal Chaos of Love," written in collaboration with his wife
Elisabeth Beck-Gernsheim and released in 2017, argues that this human sentiment has taken
on the form of a risky investment. Modernity has brought forth new, more individualized, non-
traditional affective arrangements, ultimately altering the concept of family as it was once
known.
Michel Maffesoli, the French thinker, in his 2014 work, suggests that post-modern love
has transformed human beings into individuals who have lost their identities and are now driven
by their animalistic instincts. In other words, he describes this reality as irrational, characterized
by complete consummation. On the other hand, Niklas Luhmann, the German sociologist, in
his 1991 work, contends that this human sentiment is a historical phenomenon and a social
code experienced by all, enabling human beings to connect with their individuality, character,
and essence. Meanwhile, the French sociologist Luc Boltanski (1990) believes that love is the
only way to transcend the pursuit of justice and attain inner peace.
Axel Honneth (1992), a German philosopher and one of the central figures in Critical
Theory, considers that this sentiment represents one of the first stages for recognizing human
beings. At birth, a child comes into contact with their family, especially the maternal figure,
and experiences a relationship based on empathy and care. This phase is of utmost importance
for the child's development, as love contributes to forming spheres of rights and solidarity.
In his work of 1993, the British thinker Anthony Giddens argues that the study of
romantic love is highly relevant to the social organization of the 19th century, as this
phenomenon is fundamental in fostering and encouraging individual freedom. Romantic love
is intrinsically linked to self-discovery and personal fulfillment for the individual and their
partner. By relating to each other, the possibility of forming an "us" is created, involving mutual
growth and the construction of a shared history. Additionally, Giddens relates romantic love to
women's emancipation, emphasizing that genuine expression of feelings and honest
communication between partners can lead to more critical and autonomous individuals. In
contrast, Pierre Bourdieu, one of the most cited French sociologists of the 20th century, has an
entirely different view. According to his perspective, romantic love does not act as an
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emancipatory force for women but rather as a dominating instrument and a factor that can
contribute to symbolic violence.
According to Bourdieu, romantic love would be the unconscious adjustment
of women to a structure of domination, expressed in a discourse that places
romantic love as the norm for happiness. He believes that the androcentric
culture prescribes a formula of love that leads to female submission.
Consequently, romantic love becomes a form of symbolic violence, burdening
women and shaping their affective world based on this system of male
domination (JARDIM; SOUZA, p. 14, our translation).
Indeed, Bourdieu presents the idea that authentic engagement in love can lead to a
symbolic revolution, breaking free from historically present male domination. This
transformation occurs through sensitization and developing deep, sincere, equal, and respectful
relationships where all parties commit mutually. Therefore, romantic love can both perpetuate
oppression and violence and promote a transformative revolution when experienced critically,
honestly, and correctly.
The French sociologist Eva Illouz, one of the leading figures in this field of study,
expounds in her work "Love in the Time of Capitalism," published in 2011, that romantic love
has collapsed. She attributes this collapse to the proliferation of websites and apps focused on
seeking affection, leading relationships to become more rational and break away from
traditional romanticism. Illouz argues that contemporary romantic relationships are
increasingly rooted in the economic logic of the market, resulting in what she calls "emotional
capitalism." According to her, "cultural repertoires based on the market, which shape and
impregnate interpersonal and affective relationships, with interpersonal relationships at the
epicenter of economic relations" (ILLOUZ, 2011, p. 8, our translation).
After introducing international authors from France, Germany, and England, it is
essential to explore the development of the sociology of emotions in Brazil. This field of study
was only recognized in Brazil in 1990, twenty years after its consolidation in the United States.
Pelúcio, Goldenberg, Pilão, and Rossi stand out among the principal Brazilian authors in this
area. Pelúcio (2017) argues that contemporary social relationships resemble the logic of the
market, where engagement requires a user profile, a kind of emotional investor seeking love,
resulting in a rationalized process of something essentially sentimental.
The Brazilian anthropologist Mirian Goldenberg (1997), a retired professor from the
Federal University of Rio de Janeiro, highlights the scarcity of men in the affective and
relational market, especially in the context of marriage. These men are highly valued, especially
those seeking to initiate relationships. This reality generates a feeling of social superiority
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among married women, while single women are more inclined to accept the role of a lover or
"other." The prevailing idea is that having a fixed and faithful lover is better than not being
romantically involved with anyone.
With a background in Sociology and Anthropology, Antônio Cerdeira Pilão (2017)
focuses his research on polyamory. According to the author, this form of relationship represents
a critique of monogamy and the social transformations throughout history. His main argument
is to eliminate the idea of romantic love present in monogamous relationships, as this
conception creates and encourages the notion of possession between partners and perpetuates
the family ideal historically propagated by the bourgeoisie.
In this sense, such a scenario of transformations has enabled the emergence of
new affective arrangements, such as polyamory, and it is in this context that
polyamory is envisioned as a possibility to become hegemonic in late
modernity. For the author, polyamory appears ambiguous because it seeks to
reconcile intimacy, the deepening of relationships, and the autonomy of those
involved (JARDIM; SOUZA, p. 19, our translation).
The Brazilian sociologist Túlio Cunha Rossi (2016) bases his studies on love on
research conducted through Hollywood cinema to disseminate the references and influences
that human beings constantly undergo regarding love. Focusing on romantic comedies, he
argues that they confer a universal way of experiencing love and affective relationships and
establish a connection with femininity. As it is natural for women to want to fall in love, to the
point of becoming an ideal, it is how they feel fulfilled.
What is the color of love?
Based on an extensive bibliography that encompasses various authors studying love
from different perspectives, such as its end, its consolidation, how it functioned in the past
contrasted with the postmodern reality, its comparison with the market, and its fluidity, it is
possible to assert that this field of study has not been fully explored and has many aspects to
be further deepened. Love is not merely a variable but a rich and influential object of study that
constantly impacts human life. However, the question arises about whether love is universal
for everyone.
With the arrival of Europeans in Brazil and the beginning of the process of domination,
slavery, and violence, the lives of the black population brought here were never the same. The
Lei Áurea (Golden Law), signed on May 13, 1888, declared that all slaves were free from that
date, no longer being the property of their masters. However, this law represented a false
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freedom because, in practice, "it did not mean real changes in the treatment of the black
population, as they remained condemned not to be treated as human beings or as equals to the
other part of the population" (SILVA, 2021, p. 6, our translation).
After "liberation," when they left the plantations of the masters, the black population,
abandoned by the Brazilian government in their quest for a fair and dignified reintegration into
society, had no access to land or housing to settle down. They were relegated to abandonment
by society. Consequently, many became beggars or started building their own houses in the
hillside areas and nearby communities, where slums (favelas) emerged, improvised, and
without proper housing conditions. These residences lacked spacious areas, basic sanitation, or
guarantees of quality of life. Thus, social, economic, and psychological inequality continued
after abolition, perpetuating structural racism, devaluation, the ideology of whitening, and,
especially, the objectification of black bodies.
Black women, in particular, have been among the primary victims throughout history.
Besides facing the devastating consequences of colonialism and racism, they must also combat
machismo, sexism, misogyny, and cultural discrimination that place them in underprivileged
positions. Moreover, they have to deal with the hypersexualization of their bodies, a result of
a culture that historically saw their bodies as objects to satisfy the desires of white men, who
were once their masters and, unfortunately, often discard them after use.
This culture of objectification leads to severe consequences for black women's affective
and emotional lives, directly impacting their self-image. The loneliness they face stems from a
lack of options due to a historical legacy that relegated their bodies to only two purposes: sexual
and labor.
The body takes precedence over the subject and the subjectivity that
constitutes it. The glorification of the black and sexual body supersedes
feelings, and discussing loneliness makes more visible the preferences that
arise not only from men in heterosexual relationships but also from society
towards these women. Emphasizing the population of women experiencing
affective loneliness would go against the structures established by the system
since its formation, oppressing women and reducing them to objects for
sexual fulfillment and as subservient servants once again (SILVA, 2021, p.
10, our translation).
However, it is essential to note that the loneliness present in the affective and sexual
relationships of these women does not represent the only form of exclusion they face
throughout their lives. On the contrary, this loneliness has its roots in the lack of social fit and
the weakening of their identities, subjected to specific standards and norms to be accepted.
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Throughout history, culture established that beauty was intrinsically linked to whiteness, and
light-skinned black women, often referred to as "mulatas" (a sexist and racist term that
objectifies mixed-race women), were hypersexualized. The media played a crucial role in
perpetuating this discourse through songs, films, plays, essays, and the absence of
representation of black women as protagonists and symbols of beauty and desire. This reality
results in emotional damage, social exclusion, and low self-esteem for the victims.
Originating from a legacy of slavery and colonialism, a hierarchy based on skin tones
was established, where darker-skinned black women were relegated to domestic and service
roles, while lighter-skinned ones were objectified for the sexual desire of white men. Their
bodies are desired, used, and discarded without receiving affection or care. Love, therefore, is
influenced by color tones and gender hierarchies, perpetuated by the worship of white beauty
as a form of power, oppression, and space and status delimitation. The emphasis on white
beauty is one of the factors contributing to the loneliness experienced by black women,
propagated by industrial culture.
Beauty as a value is cruel to all women and merciless to dark-skinned black
women. Sant’Ana wrote that advertisements described dark skin color as
undesirable. In this context, a black woman being considered beautiful breaks
the paradigm constructed by whiteness because the phenotypes of dark-
skinned black women are incompatible with the dictatorship of white beauty.
And being deemed unattractive in the patriarchal scenario where physical
appearance is a value means that in significant numbers, black women have
fewer opportunities to achieve emotional stability in marital competition,
disadvantaged compared to white women (SILVA et al., 2022, p. 525-526,
our translation).
An additional factor perpetuating the idea of loneliness among black individuals is the
preference, on the part of men of the same ethnicity, to have relationships with white women
or at least lighter-skinned women. This occurs because these women are seen as a means of
social ascension. Even if involuntary, these interracial relationships are interpreted as a way to
be integrated into the sociocultural environment. As mentioned by the author Silva et al (2022,
p. 533, our translation), "a symbol of social mobility and integration into the white world to
ensure the whitening of the offspring that will not be subjected to discrimination." This desire
to identify with and live among whites, adopting their ways of acting, speaking, and behaving,
represents an idealized life desired after the dehumanization of colonialism. Therefore, a
process of "psychological whitening" occurs on the part of the male gender, commonly referred
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to as "palmitagem,"
in widespread usage. This palmitagem relates to the decision not to choose
black women to build families, marry, introduce to parents, and maintain lasting relationships,
thus reinforcing the racist discourse.
Black women face almost or complete lack of love in their lives, leading to acceptance
of being seen as mistresses or even staying in toxic relationships with their partners out of fear
of loneliness if they remain single. They yearn to be loved, desired, coveted, and valued enough
to have marriages and be publicly acknowledged by their partners. What is considered typical
for white women is an achievement for black women. Research conducted by Brazilian
sociologist Maria Chaves Jardim and anthropologist Renata Medeiros Paoliello, which
addressed the affective realities of black women, highlighted the hypersexualization of their
bodies and the lack of commitment from men. In other words, these women were used to satisfy
men's desires but were never considered wives.
The fieldwork shows that, despite being aware that they are not being
acknowledged, some women declared accepting the situation and engaging in
sex in exchange for some affection. The fieldwork also revealed the desire to
walk hand in hand with their partners. "My dream is to have a boyfriend to
walk hand in hand, to kiss publicly. Not needing to hide" (35 years old, single,
mother of two, store clerk, completed high school. Mother and father are
active rural workers), expressing that what is trivial for a white woman
becomes a significant achievement for these women (JARDIM;
PAOLIELLO, 2022, p. 110, our translation).
The black woman who is not content with being a mistress, a disposable object of desire,
or remaining in a toxic relationship, merely seeking affection, often faces a lack of options to
start her sexual life later. They desire to fall in love, engage in healthy and lasting relationships,
and yearn for marriage and affection, but they encounter a scarcity of partners willing to offer
this kind of love. This suggests that love is perceived differently, and it seems to be primarily
directed towards white women, while those with darker skin are relegated only to satisfying the
needs of those around them, whether in the sexual realm or through labor. Unfortunately, the
prevailing conception of love appears to be associated with whiteness.
This term is often used in Brazil to point out when a black man relates only to white women.
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Normal Girl
The American artist Solána Imani Rowe, known artistically as SZA, is a black singer
and songwriter who achieved recognition and success, including a Grammy win. She stands
out in the contemporary R&B scene. Her album "Ctrl," released in 2017, features the song
"Normal Girl" as the fifth track, where she recounts the desire to become a normal woman, that
is, someone worthy of being introduced to the family and seen as a partner, and not just
someone whose body is an object of desire when wearing a tight shirt. In this song, she
expresses the struggle faced by black women, who, even in the 21st century, still suffer the
consequences of colonialism.
This song exemplifies the information presented earlier in this academic work.
Although love has been studied by great thinkers such as Martucelli, Baumann, and Eva Illouz,
none of them addressed how this feeling has diverse realities depending on who feels or desires
it. SZA is just one example within a racist and sexist system, who dreamed of great love,
marriage, and the feeling of being truly loved, but over the years, learned that she probably
won't have that. She will be desired but not loved. In the verse "wish I was the type of girl that
you take over to mama" (2017), the singer reveals the desire to be like those who can have what
she has always dreamed of, in other words, white.
The structural racism in various areas of society, such as economy, politics, society,
culture, and even in the affective sphere, leads the black population to desire some form of
whitening to be considered human beings and not treated as animals. This happens because,
unfortunately, many believe this is the only way to feel belonging and worthy of respect and
love. The social exclusion of black people affects their existence, self-esteem, and
understanding of themselves as human beings. Therefore, as mentioned earlier and confirmed
by SZA's music, love does have shades of colors, and it is not experienced in the same way by
black individuals.
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Final considerations
Love is not a uniform concept across all areas of knowledge, as evidenced in this article.
In science, for example, theorists like Theodor Reik approached love from narcissism,
suggesting that partners are chosen based on what is missing in their lives and trajectories.
However, it is essential to note that this approach did not result from substantial research on
love as an object of study, and there are still debates about the feasibility of considering love as
a variable with enough influence to be the subject of scientific research.
In the same way, love was not immediately accepted as a significant subject of study in
sociology. In the past, it was considered merely a detail in the sociological theories of classical
authors such as Georg Simmel, Plato, Werner Sombart, and Norbert Elias. Each of these
theorists approached love in distinct ways. Plato attributed an individual sense to love that leads
to the transcendence of beauty. Werner Sombart argued that love developed outside marriages,
especially between men and courtesans, and had historical roots after the Crusades, as marriage
was seen as a political and economic arrangement between families. Meanwhile, for Norbert
Elias, love was associated with enchantment and the search for a new reality, encouraged by
literature and art.
When viewed in research as an object of study or a variable of great importance, love is
divided into two categories: Agape, unconditional and genuine, and Eros, passionate and sexual.
Authors such as Danilo Martuccelli, Émile Durkheim, Marcel Mauss, and Henri Hubert are the
leading scholars in the first category. According to Martuccelli, Agape love is found in
Christianity, represented by the Good Samaritan, sacrifice, and altruism. For Émile Durkheim,
it is present in organic solidarity, based on philanthropy and the development of the collective,
to help foster a sense of social among individuals unfamiliar with each other in their society.
On the other hand, for Marcel Mauss and Henri Hubert, Agape love is synonymous with
sacrifice, redemption, and proof of sentiment before the religious figure of the culture in
question. In other words, Agape transcends the individual; it has a more significant meaning
than the individual, being something collective and social.
However, Eros's love, of a passionate and sexual nature, is addressed by various authors
in an individualized manner, as explained by Zygmunt Bauman, Ulrich Beck, Michel Maffesoli,
Niklas Luhmann, Luc Boltanski, Axel Honneth, Anthony Giddens, Pierre Bourdieu, and Eva
Illouz. Bauman argues that relationships and the market function similarly, with partners
becoming interchangeable and disposable, resembling commodities. For Ulrich Beck and
Elisabeth Gernsheim Beck, the object of study is the risk in a traditional and individualistic
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society. Michel Maffesoli presents love as an element that rationalizes man, allowing him to
connect with his animalistic facets and lose his identity. Luhmann conceives it as a phenomenon
capable of guiding the human being toward his true essence and individuality. For Boltanski,
love is synonymous with peace for man. Axel Honneth, on the other hand, sees this feeling as
the first stage for the development of human recognition, establishing a bond of empathy, care,
and solidarity and, eventually, laying the foundation for the sphere of rights. According to
Anthony Giddens, love cultivates individual freedom and personal fulfillment. Pierre Bourdieu
argues that love can take two forms: one as a dominator, the main factor for symbolic violence,
or the other as revolutionary if experienced correctly and honestly. Finally, Eva Illouz defends
the theory that love follows a market economic logic with the internet and apps, shaping
affective relationships.
In relation to Brazilian authors and scholars, we find the theories of Larissa Pelúcio,
Antônio Cerdeira Pilão, and Túlio Cunha Rossi. Pelúcio argues that there is a high valuation of
men in the market of romantic relationships, creating a false male social superiority, particularly
in marriage, over women. According to Antonio Cerdeira Pilão, monogamy encourages the
concept of possession, an idea deeply rooted in social thought by the bourgeoisie and still
present in contemporary times. Meanwhile, Túlio Cunha Rossi claims that Hollywood cinema
propagated women's desire to love and be loved, becoming an ideal and the only way for them
to feel fulfilled.
it is essential to emphasize that most theories about love were developed by scholars,
primarily white and elite men. They did not experience the pain of having their bodies
hypersexualized solely because of the color of their skin, a reality lived by black women. For
them, love is an ideal, a desire, a longing, and a disadvantage. What is typical for white women
does not apply to black women because, as Maria Chaves Jardim and Renata Medeiros Paoliello
stated, they face the hypersexualization of their bodies and a lack of commitment. This sad
reality can be confirmed in the song "Normal Girl" by singer SZA, where she longs to be seen
with loving eyes. In other words, love has light shades.
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DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v12i00.18069 18
CRediT Author Statement
Acknowledgments: I would like to thank Professor Maria Aparecida Chaves Jardim for
teaching the Sociology of Love course on which this article is based.
Funding: There was no financial support from any institution for this research.
Conflicts of Interest There are no conflicts of interest.
Ethical Approval: The research adhered to ethical standards, and obtaining approval from
an ethics committee was unnecessary.
Data and Material Availability: The data and materials used in this research were obtained
from readily accessible sources, such as Google Scholar, libraries, and journals.
Authors' Contributions: Milena Diamantino Pessi contributed to reading texts, collecting
data, and writing this article.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.