Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.19700 1
ALIENAÇÃO, DEPRESSÃO, DEMÊNCIA: EFEITOS DA DIGITALIZAÇÃO
DIAGNOSTICADOS PELA SOCIOLOGIA DE HARTMUT ROSA, PELA
PSICOLOGIA SOCIAL DE JEAN MARIE TWENGE E PELA NEUROCIÊNCIA DE
MANFRED SPITZER
ALIENACIÓN, DEPRESIÓN, DEMENCIA: EFECTOS DE LA DIGITALIZACIÓN
DIAGNOSTICADOS POR LA SOCIOLOGÍA DE HARTMUT ROSA, LA PSICOLOGÍA
SOCIAL DE JEAN MARIE TWENGE Y LA NEUROCIENCIA DE MANFRED SPITZER
ALIENATION, DEPRESSION, DEMENTIA: EFFECTS OF DIGITALIZATION
DIAGNOSED BY THE SOCIOLOGY OF HARTMUT ROSA, THE SOCIAL
PSYCHOLOGY OF JEAN MARIE TWENGE AND THE NEUROSCIENCE OF
MANFRED SPITZER
Jonas Ferreira de CASTRO NETO
1
e-mail: j.castro@unesp.br
Como referenciar este artigo:
CASTRO NETO, J. F. Alienação, depressão, demência: efeitos
da digitalização diagnosticados pela sociologia de Hartmut
Rosa, pela psicologia social de Jean Marie Twenge e pela
neurociência de Manfred Spitzer. Rev. Sem Aspas, Araraquara,
v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238. DOI:
10.29373/sas.v14i00.19700
| Submetido em: 25/09/2024
| Revisões requeridas em: 13/11/2024
| Aprovado em: 12/12/2025
| Publicado em: 29/12/2025
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/IFCH), Campinas SP Brasil. Mestrando em Sociologia.
Alienação, depressão, demência: efeitos da digitalização diagnosticados pela sociologia de Hartmut Rosa, pela psicologia social de Jean
Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.19700 2
RESUMO: O presente artigo pretende abordar a formação da digitalização do mundo na
modernidade contemporânea e as diferentes explicações científicas sobre suas formas e efeitos,
demonstrando como a interdisciplinaridade pode ser profícua para compreendermos este
problema social em sua totalidade. Utilizando o método interdisciplinar que conecta a
sociologia de Hartmut Rosa, a psicologia social de Jean Marie Twenge e a neurociência de
Manfred Spitzer, elaboramos uma pesquisa teórica para articularmos os diagnósticos científicos
das três áreas do conhecimento. Tomamos como eixo de análise três objetos de estudo centrais
em Rosa, Twenge e Spitzer no contexto da digitalização, respectivamente: alienação, depressão
e demência. O esforço de utilização da interdisciplinaridade advém da necessidade de
compreender a digitalização como um fenômeno social complexo, fortalecendo uma análise
sociológica capaz de captar os efeitos negativos da digitalização sob diferentes ângulos e dilatar
os sentidos da crítica da modernidade para a teoria social contemporânea.
PALAVRAS-CHAVE: Digital. Patologias. Interdisciplinaridade. Modernidade.
RESUMEN: Este artículo pretende abordar la formación de la digitalización del mundo en la
modernidad contemporánea y las diferentes explicaciones científicas de sus formas y efectos,
demostrando cómo la interdisciplinariedad puede ser útil para comprender este problema
social en su totalidad. Utilizando el método interdisciplinar que conecta la sociología de
Hartmut Rosa, la psicología social de Jean Marie Twenge y la neurociencia de Manfred
Spitzer, hemos elaborado un estudio teórico para articular los diagnósticos científicos de las
tres áreas de conocimiento. Tomamos como eje de análisis tres objetos de estudio centrales en
Rosa, Twenge y Spitzer en el contexto de la digitalización, respectivamente: alienación,
depresión y demencia. El esfuerzo por utilizar la interdisciplinariedad surge de la necesidad
de entender la digitalización como un fenómeno social complejo, fortaleciendo un análisis
sociológico capaz de captar los efectos negativos de la digitalización desde diferentes ángulos
y ampliando el significado de la crítica de la modernidad para la teoría social contemporánea.
PALABRAS CLAVE: Digital. Patologías. Interdisciplinariedad. Modernidad.
ABSTRACT: This article aims to approach the formation of the digitalization of the world in
contemporary modernity and the different scientific explanations of its forms and effects,
demonstrating how interdisciplinarity can be useful in understanding this social problem in its
totality. Using the interdisciplinary method that connects Hartmut Rosas sociology, Jean
Marie Twenges social psychology and Manfred Spitzers neuroscience, we developed a
theoretical research to articulate the scientific diagnoses of the three areas of knowledge. We
took as our axis of analysis three central objects of study in Rosa, Twenge and Spitzer in the
context of digitalization, respectively: alienation, depression and dementia. The effort to use
interdisciplinarity stems from the need to understand digitalization as a complex social
phenomenon, strengthening a sociological analysis capable of capturing the negative effects of
digitalization from different angles and expanding the senses of the critique of modernity for
contemporary social theory.
KEYWORDS: Digital. Pathologies. Interdisciplinarity. Modernity.
Jonas Ferreira de CASTRO NETO
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.19700 3
Introdução
Hartmut Rosa é um filósofo e sociólogo alemão, responsável por lecionar Sociologia na
Universidade Jena e, atualmente, é diretor da Faculdade Max-Weber-Kollegs em Erfurt. A
teoria da aceleração social, a identificação das diversas formas de alienação como efeito da
modernidade acelerada e o desenvolvimento teórico de uma sociologia de nosso relacionamento
com o mundo encontram-se no núcleo de seus interesses de pesquisa (Rosa, 2016; 2019a;
2019b).
Jean Marie Twenge é uma psicóloga social nascida nos Estados Unidos da América,
país onde leciona Psicologia na Universidade Estadual de San Diego. Suas pesquisas empíricas
sobre a caracterização psicossocial da juventude hiperconectada e sobre os efeitos
psicopatológicos do uso excessivo das mídias digitais extrapolam o campo da psicologia, dando
à Twenge credibilidade internacional no tocante a esta temática (Twenge, 2018).
Manfred Spitzer é um neurocientista e psiquiatra teutônico que atua na Alemanha
exercendo os cargos de diretor médico, professor e presidente do Hospital Psiquiátrico da
Universidade de Ulm (Universitätsklinik für Psychiatrie). Há cadas Spitzer dedica-se aos
estudos sobre os efeitos neurológicos e psíquicos das novas tecnologias, do uso da televisão ao
computador, da web ao smartphone (Spitzer, 2013; 2019).
Diante da apresentação desses cientistas de diferentes campos científicos e com
diferentes propostas de pesquisa, que apenas aparentemente não possuem relações entre si, se
impõe a seguinte questão: qual fenômeno da realidade social pode unir os três cientistas citados?
Ainda buscando maior rigor científico à elaboração desta questão: qual objeto contido no
mundo social é capaz de suscitar nexos de interdisciplinaridade entre três áreas do
conhecimento distintas, a sociologia, a psicologia social e a neurociência?
Temos como hipótese a tese de que a digitalização é este objeto. É o objeto de estudo
que, à luz da operação intelectiva do teórico social e, consequentemente, do uso adequado de
seu arcabouço teórico-metodológico, pode aguçar a integração entre essas diferentes
abordagens científicas.
A natureza e os efeitos da digitalização são observados, refletidos e analisados, sob
diferentes óticas, paradigmas, problemáticas teóricas, métodos e procedimentos de pesquisa
pelos três cientistas em questão. Do ponto de vista da orientação teórico-metodológica do
presente trabalho, no âmbito do pensamento científico complexo (Morin, 1998), partimos da
premissa de que cabe à teoria social contemporânea articular estudos interdisciplinares a
Alienação, depressão, demência: efeitos da digitalização diagnosticados pela sociologia de Hartmut Rosa, pela psicologia social de Jean
Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
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propósito da compreensão de fenômenos sociais complexos e multidimensionais, como a
digitalização o é.
Em função da construção deste objeto a digitalização a proposta deste artigo é
delinear uma pesquisa sociológica, inserida no campo da teoria sociológica, que apresente uma
crítica da modernidade digital, a partir da interdisciplinaridade entre a sociologia de Hartmut
Rosa (que trabalha com o fenômeno da alienação digital), a psicologia social de Jean Marie
Twenge (que lida com a emergência da depressão digital) e a neurociência de Manfred Spitzer
(que aponta para o surgimento da demência digital).
Digitalização do mundo: a ultra-aceleração tecnológica na modernidade contemporânea
A modernidade contemporânea, ou tardia, é expressão de um surto aceleratório que se
propulsiona a partir das últimas décadas do século XX (Rosa, 2019a, p.428).
No que tange aos
avanços da tecnologia digital, é o período histórico no qual se sedimenta a consolidação global
da internet, da construção da web e da presença generalizada dos computadores eletrônicos,
smartphones, dispositivos portáteis e gadgets na vida cotidiana, tal qual o uso massivo das redes
sociais (especialmente Facebook, WhatsApp, X, Instagram e TikTok). A revolução digital de
nosso tempo, somada à aceleração técnica dos meios de comunicação, da transmissão
instantânea e dos sistemas informáticos (big data, algoritmo, base de dados), representa um
estágio inaudito de ultra-aceleração tecnológica
2
.
Com efeito, a digitalização do mundo emerge como um processo resultante da ultra-
aceleração tecnológica engendradora das revoluções digitais atuais. Como aponta Evgeny
Morozov (2018, p.7), autor da obra Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política,
tecnologia digital
não é apenas ciência aplicada como indicam certas filosofias mais vulgares
da tecnologia , mas um emaranhado confuso de geopolítica, finança global, consumismo
desenfreado e acelerada apropriação corporativa dos nossos relacionamentos mais íntimos.
2
A aceleração técnica e tecnológica, desenvolvida na modernidade por meio de processos de racionalização e
modernização, constitui uma categoria central no pensamento sociológico de Rosa. Ela é concebida como uma
força essencial do modo de produção capitalista, transformando os valores, as mudanças sociais, o agir social e a
subjetividade humana. Entre os exemplos mais evidentes desse fenômeno, destacam-se a aceleração do transporte,
dos meios de comunicação, da produção de bens e serviços, dos dados e da tecnologia da informação. Com base
nesta abordagem, a intensificação aceleratória observada na transição do século XX para o XXI, que impulsionou
as revoluções digitais, representa um salto qualitativo nos processos de modernização e racionalização, podendo
ser classificada como uma forma de ultra-aceleração tecnológica que intensifica e aprofunda os padrões de
aceleração já existentes, sobretudo na esfera dos dados e da tecnologia da informação (Rosa, 2019a).
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Neste sentido, o conceito de digitalização do mundo diz respeito a um novo sistema
social que, do ponto de vista de sua infraestrutura tecnológica, baseia-se na formação de uma
sociedade em rede (Castells, 2005) redes digitais de dispositivos que geram, processam e
distribuem informação a partir de dados e conhecimentos acumulados nos nós dessas redes, sob
o paradigma da tecnologia da informação. A digitalização do mundo redefine o modo como a
sociedade contemporânea se organiza social, econômica, cultural e politicamente. Assenta-se
na vida social em nome da “inteligentificação da vida cotidiana”
3
e da “regulação algorítmica”
4
(Morozov, 2018, p. 8485).
Para compreendermos os efeitos negativos da digitalização sobre o indivíduo
contemporâneo, temos como pressuposto de que o digital reconfigura a forma como os seres
humanos vivenciam, sentem, pensam, agem e se relacionam consigo mesmos e com os outros.
Articulando as perspectivas do sociólogo Rosa, da psicóloga Twenge e do neurocientista
Spitzer, que serão apresentadas e explicadas posteriormente, podemos definir a digitalização
como um processo sociotécnico multifacetado: a integração progressiva das tecnologias digitais
à vida cotidiana altera os modos de interação humana, de organização social e de funcionamento
cognitivo. Como será detalhado nos capítulos subsequentes, a digitalização acompanhada pela
conectividade global, pela compulsão digital e pela dependência tecnológica, constitui um
campo abrangente de tensões, podendo ser concebida como motor de transformações sociais e
alienações, capaz de desafiar os padrões psicológicos, de comportamento e de socialização e,
ainda, ameaçar o desenvolvimento cognitivo e a saúde mental de um número sempre maior de
indivíduos.
Alienação digital: o pensamento sociológico de Hartmut Rosa
No núcleo da teoria crítica articulada pelo sociólogo alemão Hartmut Rosa (2016)
encontra-se o diagnóstico das diferentes formas de alienação. Em uma definição geral, as
manifestações alienatórias correspondem efeitos negativos da modernidade ultra-acelerada,
vinculando-se ao sofrimento humano, ao mal-estar social, à perda de autonomia, às patologias
sociais e psíquicas, ao esgotamento físico e mental dos indivíduos, ao problema da
3
Morozov relaciona o conceito à promessa de maior controle, vigilância e rastreamento simultâneo entre os
ideólogos da tecnologia digital: o plano de empresas digitais, como a Google, concernente à expansão de seu
sistema operacional a todos os objetos do mundo, se tornando o intermediário entre os seres humanos e as coisas.
4
Segundo o escritor bielorrusso, articula-se um novo modelo de governança em sintonia com o programa político
defendido pelo Vale do Silício, no qual as Big Techs são agências reguladoras da vida social que operam conforme
a profunda compreensão do resultado planejado e com base no funcionamento da inteligência artificial, dos dados,
dos metadados e do mapeamento e análise dos registros de atividade dos usuários.
Alienação, depressão, demência: efeitos da digitalização diagnosticados pela sociologia de Hartmut Rosa, pela psicologia social de Jean
Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
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dessincronização entre ser humano e mundo social e ao esgarçamento da ressonância do
indivíduo consigo mesmo, com os outros, com as coisas e, em seu ponto culminante, com o
mundo. O sentido da alienação é retratado como um estado patológico caracterizado por uma
condição de ausência de relação, ou seja, na qual o mundo não pode ser adaptativamente
modificado, e os pontos de ressonância entre o indivíduo e o mundo permanecem mudos e
surdos (Rosa, 2019b, p. 184).
O estudo sociológico de Rosa acerca do senso de alienação é complexo e dotado de
gradações, diferenciando-se, no âmbito da teoria crítica, de formulações anteriores. Sua
abordagem distingue determinadas manifestações alienatórias: alienação do espaço, alienação
das coisas, alienação das ações, alienação do tempo, alienação de si ou dos outros e alienação
do mundo (Rosa, 2016; 2019b). Estas diferentes abordagens integram a estrutura psicossocial
da alienação enraizada na modernidade ultra-acelerada.
Para alcançarmos os objetivos do presente trabalho, baseando-nos nas pesquisas
sociológicas de Rosa, concentraremos nossa atenção nessas diferentes formas fenomênicas de
experiência da alienação apenas na medida em que se correlacionam com o fenômeno da
digitalização (conforme a equação correspondente à alienação como efeito da digitalização).
Desta maneira, destacaremos as contradições sociais da ultra-aceleração tecnológica, tendo a
estrutura psicossocial da alienação indicada pelos trabalhos do sociólogo alemão como
paradigma analítico para a compreensão das consequências sociais negativas da digitalização
do mundo.
Consta refletir sociologicamente, em princípio, sobre o fenômeno da alienação do
espaço. Compreender este diagnóstico se faz possível se apreendermos o desenvolvimento
teórico da sociologia de nosso relacionamento com o mundo delineado por Rosa (2019b). O
espaço social constitui, do ponto de vista histórico, existencial e antropológico, o lócus das
experiências humanas: onde se retém energias físicas que se materializam, isto é, o meio no
qual os sujeitos se situam no mundo. Há, portanto, uma relação mútua e constitutiva entre o ser
humano e o espaço físico e geográfico: “como os seres humanos são necessariamente sujeitos
corporificados, eles experimentam inevitavelmente o mundo como espacialmente estendido e
a si próprios como espacialmente situados” (Rosa, 2016, p. 148).
Em contrapartida, na globalização digitalizada, a flexibilidade e a abnegação do espaço
físico caracterizam o fenômeno da alienação espacial, posto que se testemunha um processo de
desprendimento do ambiente físico, geográfico e material. A virtualização representação e
simulação de dados, fenômenos ou elementos geográficos no meio digital refere-se à cisão
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entre proximidades físicas e sociais: por exemplo, aqueles que estão socialmente próximos de
nós não precisam mais estar fisicamente próximos (Rosa, 2016). A alienação espacial é
consequência do fato de que o ambiente virtualizado da web não necessariamente se estende
espacialmente às experiências humanas, tampouco precisa estar espacialmente localizado.
A era da digitalização engendra outros tipos de problemas relacionados às manifestações
alienatórias de existência: a alienação das coisas. A alta admissão tecnológica na sociedade
capitalista contemporânea provê o consumo massivo de aparelhos eletrônicos e gadgets. O
aumento espiral da circulação de smartphones, computadores portáteis e dispositivos
eletrônicos está intimamente ligado à aceleração da produção e do consumo de todo o
processamento material da sociedade, bem como da velocidade de realização do capital (Rosa,
2019a). Os objetos tecnológicos circulam na roda incessante de trocas materiais, tornando-se
substituíveis e transitórios mediante a força do imperativo capitalista correspondente à
necessidade de adquirir novos produtos consequência do processo industrial conhecido
como obsolescência programada de mercadorias. Enfim, o imperativo econômico vigente inibe
a criação de vínculos perenes com coisas: não se deve reparar ou manter objetos adquiridos,
mas trocá-los por novas mercadorias que o modo de produção capitalista produz e reproduz
(Rosa, 2016).
A alienação das coisas está associada a um outro tipo de alienação abordado por Rosa:
alienação das ações. Imersos em uma sociedade de intensa admissão tecnológica, os indivíduos
contemporâneos são incapazes de assimilar as vertiginosas inovações, mudanças e informações
provenientes do ambiente digital. Os usuários das tecnologias da informação, em geral, são
incapazes de aprender a manusear integralmente as ferramentas tecnológicas que se constituem
por processos de atualização e recriação permanentes (Rosa, 2016).
É interessante notar que o problema da inabilidade do ser humano perante o uso de novas
tecnologias havia sido intuído, na década de 1940, pela teoria crítica da tecnologia do filósofo
alemão Günther Anders (2011). Ao detectar a discrepância entre o ser humano e as complexas
tecnologias da sociedade industrial, Anders chamou a atenção para a incapacidade humana de
compreender a natureza, os usos e os efeitos dos produtos fabricados pela sociedade moderna.
Diante desta incapacidade, o ser humano estaria condenado a se envergonhar por seu estado de
inferioridade perante a alta qualidade das máquinas
5
.
5
Em alusão ao Mito de Prometeu, que roubou o fogo dos deuses do Olimpo para entregar aos seres mortais, Anders
conceituou tal constrangimento como vergonha prometeica, referindo-se a um tipo de vergonha diante das coisas
produzidas (pelos próprios seres humanos), cuja alta qualidade ruboriza a limitada compreensão humana.
Alienação, depressão, demência: efeitos da digitalização diagnosticados pela sociologia de Hartmut Rosa, pela psicologia social de Jean
Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
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Outra forma de alienação, vinculada ao diagnóstico exposto no último parágrafo, deve
ser destacada: a alienação do tempo, ou mais precisamente, a alienação da experiência temporal
subjetiva. Trata-se de um tipo de alienação que incide sobre os recursos temporais da
experiência humana e a faculdade de memorização.
A difusão das atividades eletrônicas, como assistir à televisão e navegar na web, acarreta
episódios de ação que não se fixam na memória dos indivíduos devido a dois fatores
fundamentais (Rosa, 2019a). O primeiro é a dessensualização, que as telas eletrônicas
oferecem estímulos (táteis, olfativos e gustativos) limitados ou nulos, resultando em uma
resposta extremamente passiva. O segundo é a descontextualização, onde os episódios de ação
gerados e visualizados em monitores eletrônicos ou mídias digitais frequentemente não refletem
as experiências reais vivenciadas no cotidiano, tornando-se eventos a-contextuais e não
situáveis percebidos como histórias estranhas que não perduram na memória das pessoas. A
alienação da experiência temporal subjetiva reside precisamente na maneira como as atividades
eletrônicas, associadas à digitalização do mundo, produzem episódios de ação percebidos como
breves no momento da execução, proporcionando satisfação imediata, mas que não deixam uma
marca duradoura na memória dos indivíduos. Isso distorce significativamente a experiência
pessoal e, consequentemente, a capacidade de memorização humana.
Chegar-se-ia, neste ínterim, ao problema da alienação dos outros alienação social
, a forma paradigmática de estranhamento e desconexão nas relações interpessoais da era
digital. A alienação social representa um modo de existência nocivo que se desloca para a
questão social das crises de sociabilidade.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han (2018) é um dos autores que melhor descreve
o agravamento dessas crises no período da digitalização do mundo. Segundo ele, em
contraposição à ideia de massas (tipicamente inscritas às determinadas formações sociais do
século XX), a formação de aglomerados no ambiente virtual representa a constituição do
enxame digital, caracterizado pela liquidez e por sua rápida formação, fragmentação e
dissipação. Na era digital, a massa se converte em um enxame porque não se constitui como
massa, não é homogeneizante; porém, ao contrário, tende a ampliar a otimização e a
maximização da individualidade dos usuários digitais que navegam na web. O termo que
melhor traduz o sentimento dos membros do enxame digital é a solidão a solidão digital
, visto que prevalece o hiperindividualismo e o isolamento social entre os indivíduos cada vez
menos propensos a construir relações interpessoais reais.
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A compulsão à ação virtual implica o fenômeno da alienação de si. Nesse contexto, a
alienação de si corresponde à extenuação do eu, vinculando-se aos quadros clínicos
psicopatológicos característicos do tempo presente, como o vício digital, os distúrbios de
atenção, a ansiedade, a depressão e a síndrome de burnout (Rosa, 2016). Essas patologias
emergem e se proliferam na sociedade digitalizada em função da incapacidade do corpo e da
mente humana de acompanhar o ritmo vertiginosamente veloz das demandas, processamentos
e operações impostas pelos meios digitais, bem como em função de outros fatores psicossociais
que serão analisados nos próximos capítulos.
A utilização de smartphones, laptops e dispositivos tecnológicos portáteis suscita
também a sensação da alienação corpórea. Quando tais mídias são utilizadas, os olhos
permanecem fixados nas telas digitalizadas, concentrados em atividades monofocais gerando
elevados níveis de estresse e desgaste físico e mental, enquanto a tensão corporal aumenta
progressivamente devido à ausência de movimento e a uma postura física problemática diante
do mundo (Rosa, 2019b).
Em síntese, na era da digitalização do mundo revela-se uma fratura na relação entre o
ser humano e o mundo. No que se refere às relações e experiências sociais vividas no contexto
da digitalização, o mundo tende a se reduzir a um canal de ressonância que atravessa somente
a dimensão das telas digitalizadas (Rosa, 2019b). No digital, o sujeito experimenta a sensação
de estar em outro mundo, desconectando-se parcialmente do mundo do qual faz parte e
emudecendo os eixos de ressonância entre o eu e o mundo natural
6
.
Depressão digital: a psicologia social de Jean Marie Twenge
A psicóloga estadunidense Jean Marie Twenge está dedicada aos estudos dos
comportamentos geracionais, com ênfase na formação da juventude hiperconectada da
passagem do século XX ao XXI. Parte-se do pressuposto de que a geração de pessoas nascidas
a partir de 1995, conhecida como iGen
7
, possui como característica coletiva distintiva a forma
como passa seu tempo de vida: fundamentalmente online e diante das telas digitalizadas. Ao
contrário de outros meios de comunicação utilizados por gerações passadas, os smartphones e
6
Quando os eixos de ressonância entre o eu e o mundo tornam-se mudos, eleva-se a supressão das sensibilidades
existenciais (em suas formas físicas, mentais, emocionais e cognitivas) na interação do sujeito com o mundo real
(Rosa, 2019b).
7
Pode ser traduzido como Geração eu, ou Geração iphone, uma vez que a expressão iGen alude tanto ao
comportamento individualista dos jovens quanto ao uso permanente e prolongado dos smartphones entre eles. Em
relação à periodização, 1995 é um ano marcante para a formação geracional em questão porque inaugura o início
da comercialização da internet no mundo (Twenge, 2018).
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Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
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outros dispositivos digitais permeiam quase todos os momentos da vida desses jovens desde a
primeira infância (Twenge, 2018). Ao interpretar o tempo online como problema social e
geracional da iGen, alguns dados utilizados por Twenge comprovam que, em média global, os
jovens contemporâneos gastam mais de 9 horas por dia diante dos dispositivos eletrônicos
(Twenge, 2019).
O interesse de pesquisa de Twenge volta-se para os impactos negativos do uso excessivo
das mídias digitais no comportamento e na mentalidade dos jovens inseridos na era da
digitalização. Inquire-se, assim, a influência do uso constante de dispositivos eletrônicos no
processo formativo da iGen e no desenvolvimento comportamental e psíquico desses jovens.
Sua análise empírica centrada na realidade social dos Estados Unidos da América verifica
uma correlação entre o uso generalizado de smartphones e a escalada da crise de saúde mental
na juventude hiperconectada.
Segundo as pesquisas de Twenge, o aumento da infelicidade entre a juventude local
coincide com a massificação do uso de smartphones nos Estados Unidos após 2012. Os estudos
realizados pela psicóloga estadunidense, em coautoria com diversos pesquisadores, sobre os
comportamentos e o estado psicológico da iGen apontam para a seguinte conclusão: a
realização de atividades ditas presenciais (ver amigos pessoalmente, praticar esportes, se ocupar
com atividades escolares, participar de iniciativas religiosas, comunitárias ou sociais) está
correlacionada com o aumento da felicidade, de sentimentos positivos e do bem-estar
psicológico. Enquanto, inversamente, as atividades de tela que estão cada vez mais
plasmadas ao cotidiano da juventude hiperconectada estão correlacionadas com o
alavancamento da infelicidade, de sentimentos negativos e das patologias psíquicas (Twenge,
2018).
Entre muitos efeitos sociais e psicológicos nefastos, a depressão é o tema que mais
chama a atenção de Twenge para apreender as consequências negativas das mídias digitais no
desenvolvimento coletivo da iGen. É o paradigma a partir do qual se busca compreender as
causas e os efeitos do sofrimento psíquico da juventude contemporânea.
O principal fator para o aumento das taxas de depressão, ansiedade e suicídio entre os
jovens é a substituição da interação real pela interação virtual. Isto é, o problema da solidão
entre crianças e adolescentes que passam a se comunicar essencialmente através das redes
sociais mediante o declínio da interação interpessoal real.
Além disso, a presença frequente de smartphones durante as interações sociais reais
compromete a qualidade do contato interpessoal o problema da perturbação na interação
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social. Esse problema é representado pelo fenômeno denominado como phubbing: ato de
ignorar alguém por estar focado no celular.
Como efeito do isolamento social digital, podemos destacar algumas doenças psíquicas,
elencadas por Twenge e outros pesquisadores, que assolam a saúde mental da juventude
contemporânea. Em primeiro lugar, o mal-estar psicológico e o déficit de autocontrole, de
interações sociais e de demonstrações de afeto. Crianças e adolescentes que se converteram em
usuários pesados de mídias digitais apresentam problemas no processo de formação psíquica e
comportamental, bem como crises de temperamento, ansiedade e irritação (Twenge; Martin;
Campbell, 2018, p. 278).
Em segundo, a incidência dos distúrbios de sono e da insônia. Estudos apontam que os
jovens contemporâneos dormem menos do que as gerações passadas, ao passo que sofrem mais
com a interferência no sono devido ao uso desmedido dos smartphones e à luz emitida pelos
aparelhos eletrônicos: distúrbios de sono podem desencadear obesidade e patologias
psicológicas e comportamentais (Twenge; Krizan; Hisler, 2017).
Por último, o vício digital (Twenge, 2019). Vincula-se a uma série de transtornos
psíquicos que são causados pelo consumo imoderado da internet, das redes sociais e dos jogos
eletrônicos. A adicção de aparelhos digitais é um grande fator de risco para a ocorrência de
sintomas depressivos e pensamentos suicidas
8
.
As pesquisas realizadas por Twenge comprovam uma maior proliferação de sintomas
depressivos entre as adolescentes por efeito de seu padrão de uso. Isso ocorre porque elas
tendem a ser as maiores vítimas do ordenamento social perverso das redes sociais: a
comparação social, a busca incessante por prestígio através de curtidas ou seguidores, o
cyberbullying, a preocupação narcísica com a imagem e exposição corporal, a disponibilidade
de amplas informações sobre automutilação ou suicídio são consideráveis fatores de risco para
o aumento da ansiedade, angústia, depressão, automutilação e suicídio entre as jovens e
adolescentes (Twenge, 2020).
A partir do momento em que a presença generalizada dos meios de comunicação digitais
incide na propagação de casos clínicos de depressão, junto à ansiedade, automutilação, angústia,
isolamento social e suicídio entre crianças e adolescentes, passamos a designar isso como
paradoxo da era digital um dos problemas mais urgentes do tempo histórico da
digitalização. Revelam-se, então, as contradições da sociedade ultratecnológica: a crise de
8
A grave condição patológica diagnosticada como nomofobia refere-se ao temor de ficar sem o celular e pode ser
considerada um adoecimento psíquico ligado ao vício digital.
Alienação, depressão, demência: efeitos da digitalização diagnosticados pela sociologia de Hartmut Rosa, pela psicologia social de Jean
Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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saúde mental na juventude como efeito da racionalização técnica e da aceleração e expansão
tecnológica.
Demência digital: a perspectiva neurocientífica de Manfred Spitzer
O neurocientista e psiquiatra alemão Manfred Spitzer possui vastos trabalhos sobre os
efeitos neurológicos e psíquicos das novas tecnologias. Ele dedicou-se a estudar os impactos
dos computadores e smartphones no desenvolvimento de comportamentos adictivos, no
sedentarismo, no excesso de peso, na pressão alta, na diabetes, na miopia, nos distúrbios de
sono, no afastamento da natureza e do mundo real, nos problemas psicológicos, na convivência
civil e nos déficits cognitivos (Spitzer, 2013; Spitzer, 2019). Uma das suas principais
contribuições para o tema consiste na identificação e conceitualização de uma nova disfunção
neural e psíquica da era da digitalização: a demência digital.
A demência digital é uma condição neuropatológica que representa a alteração das
atividades mentais em consequência do uso abusivo da internet e dos aparelhos digitais.
Manifesta-se através da falta de pensamento crítico, da incapacidade de pensar lucidamente e
da inépcia ao se inteirar sobre o que passa ao seu redor (Spitzer, 2013, p. 294). Cristalizou-se
como um paradigma nos estudos das patologias sociais e psíquicas do tempo presente,
especialmente no que tange às transformações da ação cognitiva dos usuários das dias
digitais.
A principal causa desse problema clínico reside na terceirização da atividade mental
para as respostas imediatas fornecidas pelos meios digitais, como a Google. Spitzer explica que
a dependência tecnológica prejudica as funções neurais e o processo de aprendizagem cerebral,
uma vez que deixa de estimular o trabalho cognitivo do cérebro humano (Spitzer, 2013, p. 38).
A dependência tecnológica inibe o pleno desenvolvimento da capacidade neural porque o
cérebro, como um órgão dinâmico, se desenvolve apenas à medida que é exercitado.
Exemplificando: o uso de tecnologias, como digitar no teclado ao invés de desenvolver a escrita
e a caligrafia, leva à diminuição do número de sinapses ativadas no cérebro, reduzindo assim a
profundidade de processamento intelectual e a capacidade de aprendizagem humana (Spitzer,
2013, p. 70).
É necessário, neste ínterim, compreendermos o grupo de sintomas cognitivos que
constituem o estado de demência digital. O primeiro sintoma da demência digital que
abordaremos é a deterioração da noção espacial. Estudos empíricos citados por Spitzer
Jonas Ferreira de CASTRO NETO
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demonstram que alguns motoristas de automóveis que dependem do uso do GPS
9
para seu
deslocamento apresentam uma redução significativa do hipocampo, a parte do cérebro
responsável pela orientação da navegação espacial (Spitzer, 2013). Ao contrário, aqueles
motoristas que não dependem da tecnologia conseguem desenvolver mais essa região cerebral,
alcançando níveis cognitivos mais elevados na percepção espacial.
Outra manifestação patológica da demência digital ocorre por meio do problema da
regressão da memória. Quando terceirizamos nossa atividade mental para as máquinas, os
traços da memória não se fixam no cérebro: revela-se, portanto, a debilidade do rendimento
neural como efeito da lassidão do esforço mental (Spitzer, 2013). Em resumo, a dependência
tecnológica faz com que o esforço de memorização seja substituído pelo processamento e
armazenamento digital, enfraquecendo as capacidades cognitivas e, consequentemente, os
trabalhos mais profundos de memória.
O problema cognitivo do déficit de atenção também está associado à demência digital.
Os usuários das mídias digitais tendem a reproduzir o fenômeno da multitarefa midiática
(realizar várias atividades online e offline simultaneamente), sendo o multitasking
10
um fator
de risco para o aumento da distração entre as pessoas e para a ocorrência dos distúrbios de
atenção (Spitzer, 2013).
Além dos casos neuropatológicos mencionados anteriormente, pesquisas divulgadas por
Spitzer indicam que os smartphones geram transtornos de pensamento e sensações
alucinógenas. O primeiro problema consiste na ocorrência de quadros clínicos classificados
como evasão cerebral, resultante do uso prolongado de aparelhos celulares (Spitzer, 2017).
Mesmo quando não estão em uso, os smartphones prejudicam a alocação de recursos cognitivos
entre usuários intensos das mídias digitais, pois suas funções cognitivas operam para inibir a
atenção seletiva direcionada ao celular.
As sensações alucinógenas, por seu turno, correspondem a outros efeitos colaterais do
uso excessivo dos smartphones. Segundo os dados divulgados por Spitzer (2019), uma pesquisa
com 320 usuários de smartphones revelou que 80% desses usuários sofrem com a alucinação
auditiva e tátil, afirmando sentir seus smartphones vibrarem mesmo quando não estão ligados.
Definitivamente, a incidência de transtornos de pensamento e de sensações alucinógenas
deve ser levada em consideração para compreendermos a formação sintomática da demência
9
Global Positioning System (GPS) é um serviço que oferece aos usuários uma tecnologia de posicionamento,
navegação e temporização.
10
Na tradução do inglês para o português: multitarefa.
Alienação, depressão, demência: efeitos da digitalização diagnosticados pela sociologia de Hartmut Rosa, pela psicologia social de Jean
Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
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digital. Em ambos os casos, o uso indiscriminado dos smartphones remete ao problema da
“desordem de pensamento” (Spitzer, 2017).
Um dos indicativos da demência digital, como informa a argumentação de Spitzer, é
representado pelo declínio do quociente de inteligência (QI) entre os indivíduos nos últimos
anos (Spitzer, 2019). Sua hipótese: a integração dos dispositivos eletrônicos e das mídias
digitais à vida cotidiana é o principal fator que explica a redução da inteligência entre os seres
humanos no século XXI. Para Spitzer (2016), os avanços tecnológicos contemporâneos não
resultaram em uma sociedade inteligente (Smart Society) promessa aventada pelos lobistas
da indústria tecnológica , mas em uma alarmante prostração do rendimento intelectual
humano.
A demência digital representa casos clínicos neurológicos, psíquicos e fisiológicos que
se fundamentam nas transformações da mentalidade pessoal mediante o uso desmesurado dos
dispositivos digitais. No limite, o estado patológico da demência digital gera mudanças na
própria subjetividade humana. Buscando dar conta dessa dimensão, Spitzer introduziu o termo
smombie
11
para descrever o comportamento apático e abúlico observado em usuários de
smartphones, utilizando uma metáfora que associa essa conduta à condição débil de zumbis
(Spitzer, 2016).
Considerações finais
O presente trabalho procurou incorporar ao estudo sociológico da digitalização
contribuições de diferentes áreas do conhecimento com vistas a articular uma sociologia dos
efeitos técnico-digitais. Partimos da hipótese de que tal exercício sociológico, nos moldes
propostos neste artigo, depende do esforço teórico-metodológico da interdisciplinaridade entre
a sociologia, a psicologia social e a neurociência. O método interdisciplinar é capaz de captar
diferentes dimensões da realidade social que são impactadas pela penetração das tecnologias
digitais na vida social.
Não se trata, todavia, de assumir uma postura tecnofóbica perante os avanços
tecnológicos, mas sim de ampliar o escopo analítico da teoria crítica da modernidade
contemporânea, retomando a compreensão da unidade dialética entre progresso e barbárie
movimento conceitual fundamental para os principais expoentes da teoria crítica frankfurtiana
11
Popularizado internacionalmente após ser considerado a palavra do ano em 2015 na Alemanha, trata-se de um
neologismo crítico cunhado por Spitzer ao combinar as palavras smart” (referente ao smartphone) e zombie
(“zumbi” na língua inglesa).
Jonas Ferreira de CASTRO NETO
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da primeira geração (Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse).
Nosso esforço de análise se estendeu à apreensão de como o progresso técnico-científico das
forças produtivas produz efeitos sociais, psicológicos e neurológicos deletérios para um número
crescente de indivíduos inseridos na era da digitalização.
Assumindo que as tecnologias digitais atingem diretamente as experiências humanas e
as relações sociais repercutidas na modernidade contemporânea (Rosa, 2016, p.73), conclui-se
que a alienação, a depressão e a demência constituem-se como paradigmas na compreensão das
novas patologias da sociedade digitalizada.
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Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
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Jonas Ferreira de CASTRO NETO
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Marie Twenge e pela neurociência de Manfred Spitzer
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradeço ao meu orientador durante a graduação, o professor João
Carlos Soares Zuin, por ter despertado e fomentado meu interesse pelo tema, cujo
desenvolvimento, sob sua orientação, forneceu as bases teóricas e analíticas para a produção
do presente artigo.
Financiamento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Conflitos de interesse: Não há conflito de interesse.
Aprovação ética: O trabalho respeitou a ética durante a pesquisa. Não foi exigido que
passasse por comissão de ética.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no decorrer da
pesquisa estão disponíveis on-line e fisicamente em bibliotecas.
Contribuições dos autores: Jonas Ferreira de Castro Neto foi responsável pela leitura dos
textos citados, redação e revisão do presente trabalho.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
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ALIENATION, DEPRESSION, DEMENTIA: EFFECTS OF DIGITALIZATION
DIAGNOSED BY THE SOCIOLOGY OF HARTMUT ROSA, THE SOCIAL
PSYCHOLOGY OF JEAN MARIE TWENGE AND THE NEUROSCIENCE OF
MANFRED SPITZER
ALIENAÇÃO, DEPRESSÃO, DEMÊNCIA: EFEITOS DA DIGITALIZAÇÃO
DIAGNOSTICADOS PELA SOCIOLOGIA DE HARTMUT ROSA, PELA PSICOLOGIA
SOCIAL DE JEAN MARIE TWENGE E PELA NEUROCIÊNCIA DE MANFRED
SPITZER
ALIENACIÓN, DEPRESIÓN, DEMENCIA: EFECTOS DE LA DIGITALIZACIÓN
DIAGNOSTICADOS POR LA SOCIOLOGÍA DE HARTMUT ROSA, LA PSICOLOGÍA
SOCIAL DE JEAN MARIE TWENGE Y LA NEUROCIENCIA DE MANFRED SPITZER
Jonas Ferreira de CASTRO NETO
1
e-mail: j.castro@unesp.br
How to reference this paper:
CASTRO NETO, J. F. Alienation, depression, dementia: effects
of digitalization diagnosed by the sociology of Hartmut Rosa,
the social psychology of Jean Marie Twenge and the
neuroscience of Manfred Spitzer. Rev. Sem Aspas, Araraquara,
v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238. DOI:
10.29373/sas.v14i00.19700
| Submitted: 25/09/2024
| Revisions required: 13/11/2024
| Approved: 12/12/2025
| Published: 29/12/2025
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
University of Campinas (UNICAMP/IFCH), Campinas SP Brazil. Master’s student in Sociology.
Alienation, depression, dementia: effects of digitalization diagnosed by the sociology of Hartmut Rosa, the social psychology of Jean Marie
Twenge and the neuroscience of Manfred Spitzer
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.19700 2
ABSTRACT: This article aims to approach the formation of the digitalization of the world in
contemporary modernity and the different scientific explanations of its forms and effects,
demonstrating how interdisciplinarity can be useful in understanding this social problem in its
totality. Using the interdisciplinary method that connects Hartmut Rosa’s sociology, Jean Marie
Twenge’s social psychology and Manfred Spitzer’s neuroscience, we developed a theoretical
research to articulate the scientific diagnoses of the three areas of knowledge. We took as our
axis of analysis three central objects of study in Rosa, Twenge and Spitzer in the context of
digitalization, respectively: alienation, depression and dementia. The effort to use
interdisciplinarity stems from the need to understand digitalization as a complex social
phenomenon, strengthening a sociological analysis capable of capturing the negative effects of
digitalization from different angles and expanding the senses of the critique of modernity for
contemporary social theory.
KEYWORDS: Digital. Pathologies. Interdisciplinarity. Modernity.
RESUMO: O presente artigo pretende abordar a formação da digitalização do mundo na
modernidade contemporânea e as diferentes explicações científicas sobre suas formas e efeitos,
demonstrando como a interdisciplinaridade pode ser profícua para compreendermos este
problema social em sua totalidade. Utilizando o método interdisciplinar que conecta a
sociologia de Hartmut Rosa, a psicologia social de Jean Marie Twenge e a neurociência de
Manfred Spitzer, elaboramos uma pesquisa teórica para articularmos os diagnósticos
científicos das três áreas do conhecimento. Tomamos como eixo de análise três objetos de
estudo centrais em Rosa, Twenge e Spitzer no contexto da digitalização, respectivamente:
alienação, depressão e demência. O esforço de utilização da interdisciplinaridade advém da
necessidade de compreender a digitalização como um fenômeno social complexo, fortalecendo
uma análise sociológica capaz de captar os efeitos negativos da digitalização sob diferentes
ângulos e dilatar os sentidos da crítica da modernidade para a teoria social contemporânea.
PALAVRAS-CHAVE: Digital. Patologias. Interdisciplinaridade. Modernidade.
RESUMEN: Este artículo pretende abordar la formación de la digitalización del mundo en la
modernidad contemporánea y las diferentes explicaciones científicas de sus formas y efectos,
demostrando cómo la interdisciplinariedad puede ser útil para comprender este problema
social en su totalidad. Utilizando el método interdisciplinar que conecta la sociología de
Hartmut Rosa, la psicología social de Jean Marie Twenge y la neurociencia de Manfred
Spitzer, hemos elaborado un estudio teórico para articular los diagnósticos científicos de las
tres áreas de conocimiento. Tomamos como eje de análisis tres objetos de estudio centrales en
Rosa, Twenge y Spitzer en el contexto de la digitalización, respectivamente: alienación,
depresión y demencia. El esfuerzo por utilizar la interdisciplinariedad surge de la necesidad
de entender la digitalización como un fenómeno social complejo, fortaleciendo un análisis
sociológico capaz de captar los efectos negativos de la digitalización desde diferentes ángulos
y ampliando el significado de la crítica de la modernidad para la teoría social contemporánea.
PALABRAS CLAVE: Digital. Patologías. Interdisciplinariedad. Modernidad.
Jonas Ferreira de CASTRO NETO
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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Introduction
Hartmut Rosa is a German philosopher and sociologist who teaches Sociology at the
University of Jena and currently serves as Director of the Max Weber Kolleg in Erfurt. The
theory of social acceleration, the identification of multiple forms of alienation as effects of
accelerated modernity, and the theoretical development of a sociology of our relationship with
the world are at the core of his research interests (Rosa, 2016; 2019a; 2019b).
Jean M. Twenge is a social psychologist born in the United States of America, where
she teaches Psychology at San Diego State University. Her empirical research on the
psychosocial characterization of hyperconnected youth and on the psychopathological effects
of excessive use of digital media goes beyond the field of psychology, granting Twenge
international credibility in this area (Twenge, 2018).
Manfred Spitzer is a German neuroscientist and psychiatrist who works in Germany as
Medical Director, Professor, and President of the Psychiatric Hospital of Ulm University
(Universitätsklinik für Psychiatrie). For decades, Spitzer has devoted himself to the study of the
neurological and psychological effects of new technologies, ranging from television to
computers, from the web to smartphones (Spitzer, 2013; 2019).
In light of the presentation of these scientists from different fields and with distinct
research agendasonly apparently unrelatedthe following question arises: what
phenomenon of social reality can unite the three scholars mentioned? Seeking greater scientific
rigor in formulating this question: what object within the social world is capable of generating
interdisciplinary linkages among three distinct areas of knowledgesociology, social
psychology, and neuroscience?
Our hypothesis is that digitalization constitutes this object. It is the object of study that,
in light of the intellectual operation of the social theorist and the appropriate use of a theoretical-
methodological framework, can sharpen the integration among these different scientific
approaches.
The nature and effects of digitalization are observed, reflected upon, and analyzed
under different perspectives, paradigms, theoretical problematics, methods, and research
proceduresby the three scientists in question. From the standpoint of the theoretical-
methodological orientation of the present study, within the scope of complex scientific thought
(Morin, 1998), we start from the premise that contemporary social theory must articulate
interdisciplinary studies to comprehend complex and multidimensional social phenomena, such
as digitalization.
Alienation, depression, dementia: effects of digitalization diagnosed by the sociology of Hartmut Rosa, the social psychology of Jean Marie
Twenge and the neuroscience of Manfred Spitzer
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Based on the construction of this objectdigitalizationthe aim of this article is to
outline a sociological investigation, situated within sociological theory, that offers a critique of
digital modernity through interdisciplinarity among Hartmut Rosa’s sociology (which
addresses the phenomenon of digital alienation), Jean M. Twenge’s social psychology (which
deals with the emergence of digital depression), and Manfred Spitzer’s neuroscience (which
points to the rise of digital dementia).
Digitalization of the World: Technological Ultra-Acceleration in Contemporary
Modernity
Contemporary, or late, modernity is the expression of an acceleratory surge that has
been propelled since the final decades of the twentieth century (Rosa, 2019a, p. 428). With
regard to advances in digital technology, this is the historical period in which the global
consolidation of the internet, the construction of the web, and the widespread presence of
electronic computers, smartphones, portable devices, and gadgets in everyday life become
entrenched, alongside the massive use of social networks (especially Facebook, WhatsApp, X,
Instagram, and TikTok). The digital revolution of our time, combined with the technical
acceleration of communication media, instant transmission, and information systems (big data,
algorithms, databases), represents an unprecedented stage of technological ultra-acceleration
2
.
Indeed, the digitalization of the world emerges as a process resulting from technological
ultra-acceleration that drives contemporary digital revolutions. As Evgeny Morozov (2018, p.
7), author of Big Tech: The Rise of Data and the Death of Politics, argues, digital technology
is not merely applied scienceas suggested by more simplistic philosophies of technology
but rather a tangled web of geopolitics, global finance, unrestrained consumerism, and the
accelerated corporate appropriation of our most intimate relationships.
In this sense, the concept of digitalization of the world refers to a new social system
that, from the perspective of its technological infrastructure, is based on the formation of a
network society (Castells, 2005)digital networks of devices that generate, process, and
2
Technical and technological acceleration, developed in modernity through processes of rationalization and
modernization, constitutes a central category in Rosa’s sociological thought. It is conceived as an essential driving
force of the capitalist mode of production, transforming values, social change, social action, and human
subjectivity. Among the most evident manifestations of this phenomenon are the acceleration of transportation,
communication media, the production of goods and services, data flows, and information technology. From this
perspective, the acceleratory intensification observed in the transition from the twentieth to the twenty-first
centurywhich propelled the digital revolutionsrepresents a qualitative leap in processes of modernization and
rationalization. It can be classified as a form of technological ultra-acceleration that intensifies and deepens
preexisting patterns of acceleration, particularly in the sphere of data and information technology (Rosa, 2019a).
Jonas Ferreira de CASTRO NETO
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distribute information from data and knowledge accumulated in the nodes of these networks,
under the paradigm of information technology. The digitalization of the world redefines how
contemporary society organizes itself socially, economically, culturally, and politically. It is
grounded in social life in the name of the “intelligentization of everyday life”
3
and “algorithmic
regulation”
4
(Morozov, 2018, p.8485, our translation).
To understand the negative effects of digitalization on the contemporary individual, we
assume that the digital reconfigures how human beings experience, feel, think, act, and relate
to themselves and to others. By articulating the perspectives of the sociologist Rosa, the
psychologist Twenge, and the neuroscientist Spitzerwho will be presented and explained
laterwe can define digitalization as a multifaceted sociotechnical process: the progressive
integration of digital technologies into everyday life alters modes of human interaction, social
organization, and cognitive functioning. As will be detailed in subsequent chapters,
digitalizationaccompanied by global connectivity, digital compulsion, and technological
dependenceconstitutes a broad field of tensions. It can be conceived as a driver of social
transformations and alienations, capable of challenging psychological, behavioral, and
socialization patterns and, moreover, of threatening cognitive development and the mental
health of an ever-growing number of individuals.
Digital Alienation: Hartmut Rosa’s Sociological Thought
At the core of the critical theory articulated by the German sociologist Hartmut Rosa
(2016) lies the diagnosis of different forms of alienation. In general terms, alienatory
manifestations correspond to negative effects of ultra-accelerated modernity and are associated
with human suffering, social malaise, loss of autonomy, social and psychic pathologies,
physical and mental exhaustion, the problem of desynchronization between human beings and
the social world, and the erosion of resonance between individuals and themselves, with others,
with objects, and, ultimately, with the world. Alienation is portrayed as a pathological state
characterized by the absence of relationship, that is, a condition in which the world cannot be
3
Morozov links the concept to the promise of increased control, surveillance, and simultaneous tracking among
ideologues of digital technology. The strategy of digital corporations such as Google, aimed at expanding their
operating system to encompass all objects in the world, seeks to position these companies as intermediaries
between human beings and things.
4
According to the Belarusian writer, a new model of governance is being articulated in alignment with the political
program promoted by Silicon Valley, in which Big Tech companies function as regulatory agencies of social life.
They operate on the basis of a deep understanding of intended outcomes and rely on the functioning of artificial
intelligence, data, metadata, and the mapping and analysis of users’ activity records.
Alienation, depression, dementia: effects of digitalization diagnosed by the sociology of Hartmut Rosa, the social psychology of Jean Marie
Twenge and the neuroscience of Manfred Spitzer
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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adaptively transformed and the points of resonance between the individual and the world remain
mute and deaf (Rosa, 2019b, p. 184).
Rosa’s sociological analysis of the sense of alienation is complex and graduated,
distinguishing itself within critical theory from earlier formulations. His approach differentiates
specific alienatory manifestations: alienation from space, alienation from things, alienation
from actions, alienation from time, alienation from the self or from others, and alienation from
the world (Rosa, 2016; 2019b). These distinct dimensions constitute the psychosocial structure
of alienation rooted in ultra-accelerated modernity.
To achieve the objectives of the present study, and based on Rosa’s sociological
research, we focus on these different phenomenological forms of alienation only insofar as they
correlate with the phenomenon of digitalization (that is, alienation as an effect of digitalization).
Accordingly, we highlight the social contradictions of technological ultra-acceleration, using
the psychosocial structure of alienation identified in the work of the German sociologist as an
analytical paradigm for understanding the negative social consequences of the digitalization of
the world.
From a sociological standpoint, it is first necessary to reflect on the phenomenon of
spatial alienation. Understanding this diagnosis requires grasping the theoretical development
of the sociology of our relationship with the world as outlined by Rosa (2019b). From historical,
existential, and anthropological perspectives, social space constitutes the locus of human
experience: it is where physical energies are retained and materialized, that is, the medium in
which subjects are situated in the world. There is thus a mutual and constitutive relationship
between human beings and physical and geographical space: “as human beings are necessarily
embodied subjects, they inevitably experience the world as spatially extended and themselves
as spatially situated” (Rosa, 2016, p. 148, our translation).
By contrast, within digitized globalization, flexibility and the negation of physical space
characterize the phenomenon of spatial alienation, as one observes a process of detachment
from the physical, geographical, and material environment. Virtualizationthe representation
and simulation of data, phenomena, or geographical elements in the digital mediumrefers to
the separation between physical and social proximity: for example, those who are socially close
to us no longer need to be physically close (Rosa, 2016). Spatial alienation results from the fact
that the virtualized environment of the web does not necessarily extend spatially into human
experience, nor does it need to be spatially located.
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The era of digitalization also generates other problems related to alienatory
manifestations of existence, particularly the alienation from things. The high level of
technological incorporation in contemporary capitalist society fosters the mass consumption of
electronic devices and gadgets. The spiraling increase in the circulation of smartphones,
laptops, and electronic devices is closely linked to the acceleration of production and
consumption across the entire material processing of society, as well as to the speed of capital
realization (Rosa, 2019a). Technological objects circulate within an incessant cycle of material
exchanges, becoming replaceable and transient under the force of the capitalist imperative to
acquire new productsa consequence of the industrial process known as planned obsolescence.
In short, the prevailing economic imperative inhibits the formation of lasting bonds with things:
objects are not meant to be repaired or maintained, but replaced by new commodities
continuously produced and reproduced by the capitalist mode of production (Rosa, 2016).
The alienation from things is associated with another form of alienation addressed by
Rosa: alienation from actions. Immersed in a society marked by intense technological
incorporation, contemporary individuals are unable to assimilate the dizzying innovations,
changes, and information emanating from the digital environment. Users of information
technologies are generally incapable of fully mastering technological tools that are constituted
through permanent processes of updating and recreation (Rosa, 2016).
It is worth noting that the problem of human inadequacy in relation to new technologies
had already been anticipated in the 1940s by the critical theory of technology developed by the
German philosopher Günther Anders (2011). By identifying the discrepancy between human
beings and the complex technologies of industrial society, Anders drew attention to humanity’s
inability to comprehend the nature, uses, and effects of the products manufactured by modern
society. Faced with this incapacity, human beings would be condemned to feel shame due to
their condition of inferiority in relation to the high performance of machines
5
.
Another form of alienation, closely linked to the diagnosis outlined in the previous
paragraph, must be highlighted: the alienation of time, or more precisely, the alienation of
subjective temporal experience. This type of alienation affects the temporal resources of human
experience and the faculty of memory.
5
Alluding to the Myth of Prometheuswho stole fire from the gods of Olympus to give it to mortalsAnders
conceptualized this constraint as Promethean shame, referring to a form of shame before things produced by human
beings themselves, whose high quality exposes the limits of human understanding.
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The diffusion of electronic activities, such as watching television and browsing the web,
leads to episodes of action that do not become fixed in individuals’ memory due to two
fundamental factors (Rosa, 2019a). The first is desensualization, insofar as electronic screens
offer limited or null sensory stimuli (tactile, olfactory, and gustatory), resulting in an extremely
passive response. The second is decontextualization, whereby episodes of action generated and
viewed on electronic monitors or digital media often do not reflect real experiences lived in
everyday life, becoming a-contextual and non-situated events, perceived as alien narratives that
do not endure in people’s memory. The alienation of subjective temporal experience lies
precisely in the way electronic activities, associated with the digitalization of the world, produce
episodes of action that are perceived as brief at the moment of execution, providing immediate
satisfaction but leaving no lasting imprint on individuals’ memory. This significantly distorts
personal experience and, consequently, human mnemonic capacity.
At this point, one arrives at the problem of the alienation of otherssocial alienation
the paradigmatic form of estrangement and disconnection in interpersonal relations in the digital
age. Social alienation represents a harmful mode of existence that shifts toward the social issue
of crises of sociability.
The South Korean philosopher Byung-Chul Han (2018) is among the authors who most
incisively describe the intensification of these crises during the period of world digitalization.
According to him, in contrast to the idea of massestypically associated with specific social
formations of the twentieth centurythe formation of clusters in the virtual environment
represents the constitution of the digital swarm, characterized by liquidity and by its rapid
formation, fragmentation, and dissipation. In the digital age, the mass is transformed into a
swarm because it does not constitute itself as a mass and is not homogenizing; rather, it tends
to amplify the optimization and maximization of the individuality of digital users who navigate
the web. The term that best captures the prevailing feeling among members of the digital swarm
is lonelinessdigital lonelinesssince hyperindividualism and social isolation increasingly
prevail among individuals who are ever less inclined to build real interpersonal relationships.
Compulsion toward virtual action entails the phenomenon of self-alienation. In this
context, self-alienation corresponds to the exhaustion of the self and is associated with
psychopathological clinical conditions characteristic of the present time, such as digital
addiction, attention disorders, anxiety, depression, and burnout syndrome (Rosa, 2016). These
pathologies emerge and proliferate in a digitalized society due to the inability of the human
body and mind to keep pace with the vertiginously fast rhythm of demands, processing, and
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operations imposed by digital media, as well as due to other psychosocial factors that will be
examined in subsequent chapters.
The use of smartphones, laptops, and portable technological devices also gives rise to a
sense of bodily alienation. When such media are used, the eyes remain fixed on digitized
screens, focused on monofocal activities that generate high levels of stress and physical and
mental strain, while bodily tension progressively increases due to the lack of movement and a
problematic physical posture toward the world (Rosa, 2019b).
In summary, in the era of the digitalization of the world, a fracture in the relationship
between human beings and the world becomes evident. With regard to social relations and
experiences lived within the context of digitalization, the world tends to be reduced to a channel
of resonance that passes only through the dimension of digitized screens (Rosa, 2019b). In the
digital realm, the subject experiences the sensation of being in another world, partially
disconnecting from the world to which they belong and silencing the axes of resonance between
the self and the natural world
6
.
Digital Depression: Jean M. Twenge’s Social Psychology
The American psychologist Jean M. Twenge is dedicated to the study of generational
behavior, with particular emphasis on the formation of hyperconnected youth at the turn of the
twentieth to the twenty-first century. The starting assumption is that the generation of
individuals born from 1995 onward, known as iGen
7
, has as its distinctive collective
characteristic the way its members spend their lifetime: fundamentally online and in front of
digitized screens. Unlike other media used by previous generations, smartphones and other
digital devices permeate almost every moment of these young people’s lives from early
childhood onward (Twenge, 2018). By interpreting online time as a social and generational
problem of iGen, some of the data employed by Twenge show that, on a global average,
contemporary youth spend more than nine hours per day in front of electronic devices (Twenge,
2019).
6
When the axes of resonance between the self and the world fall silent, the suppression of existential sensibilities
in their physical, mental, emotional, and cognitive forms—intensifies in the subject’s interaction with the real
world (Rosa, 2019b).
7
The term can be translated as the “Me Generation” or the “iPhone Generation,” since the expression iGen refers
both to the individualistic behavior of young people and to their permanent and prolonged use of smartphones.
With regard to periodization, 1995 is a pivotal year for the formation of this generation, as it marks the beginning
of the commercialization of the internet worldwide (Twenge, 2018).
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Twenge’s research interest focuses on the negative impacts of excessive use of digital
media on the behavior and mentality of young people living in the era of digitalization. She
thus examines the influence of constant use of electronic devices on the formative process of
iGen and on the behavioral and psychological development of these young individuals. Her
empirical analysiscentered on the social reality of the United States of Americaidentifies
a correlation between the widespread use of smartphones and the escalation of the mental health
crisis among hyperconnected youth.
According to Twenge’s research, the increase in unhappiness among young people in
the United States coincides with the mass adoption of smartphones after 2012. Studies
conducted by the American psychologist, in coauthorship with various researchers, on the
behaviors and psychological state of iGen point to the following conclusion: engagement in so-
called in-person activities (seeing friends face-to-face, practicing sports, engaging in school
activities, and participating in religious, community, or social initiatives) is correlated with
higher levels of happiness, positive emotions, and psychological well-being. Conversely,
screen-based activitieswhich are increasingly embedded in the daily lives of hyperconnected
youthare correlated with rising unhappiness, negative emotions, and psychological disorders
(Twenge, 2018).
Among the many harmful social and psychological effects, depression is the issue that
most draws Twenge’s attention in her effort to grasp the negative consequences of digital media
for the collective development of iGen. It serves as the paradigm through which the causes and
effects of psychological suffering among contemporary youth are examined.
The primary factor behind the rising rates of depression, anxiety, and suicide among
young people is the replacement of real interaction with virtual interaction. That is, the problem
of loneliness among children and adolescents who come to communicate essentially through
social networks as a result of the decline of face-to-face interpersonal interaction.
Moreover, the frequent presence of smartphones during real social interactions
compromises the quality of interpersonal contact, giving rise to the problem of disrupted social
interaction. This issue is represented by the phenomenon known as phubbing: the act of
ignoring someone in favor of focusing on one’s cellphone.
As a consequence of digital social isolation, several psychological disorders highlighted
by Twenge and other researchers can be identified as affecting the mental health of
contemporary youth. First among these are psychological distress and deficits in self-control,
social interaction, and expressions of affection. Children and adolescents who have become
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heavy users of digital media exhibit difficulties in psychological and behavioral formation, as
well as temperamental crises, anxiety, and irritability (Twenge; Martin; Campbell, 2018, p.
278).
Second, there is the growing incidence of sleep disorders and insomnia. Studies indicate
that contemporary youth sleep less than previous generations while suffering greater sleep
disruption due to excessive smartphone use and exposure to light emitted by electronic devices.
Sleep disorders can trigger obesity as well as psychological and behavioral pathologies
(Twenge; Krizan; Hisler, 2017).
Finally, digital addiction stands out (Twenge, 2019). It is associated with a range of
psychological disorders caused by the excessive consumption of the internet, social networks,
and electronic games. Addiction to digital devices constitutes a major risk factor for the
emergence of depressive symptoms and suicidal ideation
8
.
Research conducted by Twenge demonstrates a higher prevalence of depressive
symptoms among adolescent girls as a result of their patterns of use. This occurs because they
tend to be the primary victims of the perverse social ordering of social media: social
comparison, the incessant search for prestige through likes or followers, cyberbullying,
narcissistic concern with image and bodily exposure, and the broad availability of information
about self-harm or suicide are significant risk factors for increased anxiety, distress, depression,
self-harm, and suicide among girls and adolescents (Twenge, 2020).
When the widespread presence of digital communication media contributes to the
proliferation of clinical cases of depressionalongside anxiety, self-harm, distress, social
isolation, and suicide among children and adolescentsthis phenomenon can be described as
the paradox of the digital age, one of the most urgent problems of the historical moment of
digitalization. The contradictions of an ultratechnological society thus become evident: a
mental health crisis among youth as an effect of technical rationalization and of technological
acceleration and expansion.
8
The severe pathological condition diagnosed as nomophobia refers to the fear of being without a mobile phone
and can be considered a psychological disorder associated with digital addiction.
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Digital Dementia: Manfred Spitzer’s Neuroscientific Perspective
The German neuroscientist and psychiatrist Manfred Spitzer has produced extensive
work on the neurological and psychological effects of new technologies. He has dedicated his
research to examining the impacts of computers and smartphones on the development of
addictive behaviors, sedentary lifestyles, overweight, high blood pressure, diabetes, myopia,
sleep disorders, detachment from nature and the real world, psychological problems, civil
coexistence, and cognitive deficits (Spitzer, 2013; Spitzer, 2019). One of his principal
contributions to the field lies in the identification and conceptualization of a new neural and
psychological dysfunction of the era of digitalization: digital dementia.
Digital dementia is a neuropathological condition that represents an alteration of mental
activities as a consequence of the abusive use of the internet and digital devices. It manifests
through a lack of critical thinking, an inability to think clearly, and an incapacity to remain
informed about what is happening in one’s surroundings (Spitzer, 2013, p. 294). It has
crystallized as a paradigm in the study of social and psychological pathologies of the present
time, especially with regard to transformations in the cognitive activity of digital media users.
The primary cause of this clinical problem lies in the outsourcing of mental activity to
the immediate responses provided by digital media, such as Google. Spitzer explains that
technological dependence impairs neural functions and the process of brain learning, insofar as
it ceases to stimulate the cognitive work of the human brain (Spitzer, 2013, p. 38).
Technological dependence inhibits the full development of neural capacity because the brain,
as a dynamic organ, develops only to the extent that it is exercised. By way of example, the use
of technologies such as typing on a keyboard instead of developing writing and handwriting
leads to a reduction in the number of synapses activated in the brain, thereby diminishing the
depth of intellectual processing and human learning capacity (Spitzer, 2013, p. 70).
At this point, it is necessary to understand the set of cognitive symptoms that constitute
the state of digital dementia. The first symptom addressed here is the deterioration of spatial
awareness. Empirical studies cited by Spitzer show that some automobile drivers who rely on
GPS
9
for navigation exhibit a significant reduction in the hippocampus, the region of the brain
responsible for spatial orientation and navigation (Spitzer, 2013). By contrast, drivers who do
not depend on such technology are able to develop this brain region more fully, achieving higher
cognitive levels in spatial perception.
9
The Global Positioning System (GPS) is a service that provides users with positioning, navigation, and timing
technology.
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Another pathological manifestation of digital dementia appears in the form of memory
regression. When mental activity is outsourced to machines, memory traces fail to consolidate
in the brain, revealing a weakening of neural performance as an effect of diminished mental
effort (Spitzer, 2013). In short, technological dependence causes memorization effort to be
replaced by digital processing and storage, thereby weakening cognitive capacities and,
consequently, deeper forms of memory work.
The cognitive problem of attention deficit is also associated with digital dementia. Users
of digital media tend to reproduce the phenomenon of media multitaskingperforming
multiple online and offline activities simultaneouslyand multitasking constitutes a risk factor
for increased distraction and the emergence of attention disorders (Spitzer, 2013).
Beyond the neuropathological cases mentioned above, research reported by Spitzer
indicates that smartphones can generate thought disorders and hallucinatory sensations. One
such problem involves clinical conditions classified as cerebral evasion, resulting from
prolonged use of mobile phones (Spitzer, 2017). Even when not in use, smartphones impair the
allocation of cognitive resources among heavy digital media users, as their cognitive functions
remain engaged in inhibiting selective attention oriented toward the device.
Hallucinogenic sensations, in turn, correspond to other side effects of excessive
smartphone use. According to data reported by Spitzer (2019), a study involving 320
smartphone users revealed that 80% of them experience auditory and tactile hallucinations,
claiming to feel their smartphones vibrating even when the devices are turned off.
The incidence of thought disorders and hallucinogenic sensations must therefore be
taken into account in order to understand the symptomatic formation of digital dementia. In
both cases, the indiscriminate use of smartphones points to the problem of “disordered thinking”
(Spitzer, 2017, our translation).
One indicator of digital dementia, as highlighted in Spitzer’s argument, is the decline in
intelligence quotient (IQ) observed among individuals in recent years (Spitzer, 2019). His
hypothesis is that the integration of electronic devices and digital media into everyday life is
the main factor explaining the reduction of human intelligence in the twenty-first century. For
Spitzer (2016), contemporary technological advances have not resulted in an intelligent society
(Smart Society)as promised by lobbyists of the technology industrybut rather in an
alarming decline in human intellectual performance.
Digital dementia encompasses neurological, psychological, and physiological clinical
conditions grounded in transformations of personal mentality resulting from the excessive use
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of digital devices. Ultimately, the pathological state of digital dementia produces changes in
human subjectivity itself. In an effort to address this dimension, Spitzer introduced the term
smombie
10
to describe the apathetic and abulic behavior observed among smartphone users,
employing a metaphor that associates such conduct with the debilitated condition of zombies
(Spitzer, 2016).
Final considerations
This study sought to incorporate contributions from different fields of knowledge into
the sociological analysis of digitalization, with the aim of articulating a sociology of techno-
digital effects. We started from the hypothesis that such a sociological endeavor, as proposed
in this article, depends on a theoretical and methodological commitment to interdisciplinarity
among sociology, social psychology, and neuroscience. The interdisciplinary method is capable
of capturing different dimensions of social reality that are impacted by the penetration of digital
technologies into social life.
This approach does not imply adopting a technophobic stance toward technological
advances. Rather, it seeks to expand the analytical scope of the critical theory of contemporary
modernity by revisiting the understanding of the dialectical unity between progress and
barbarisma conceptual movement that is central to the main representatives of first-
generation Frankfurt School critical theory (Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter
Benjamin, Herbert Marcuse). Our analytical effort extended to examining how the technical-
scientific progress of the productive forces generates deleterious social, psychological, and
neurological effects for a growing number of individuals situated in the age of digitalization.
Assuming that digital technologies directly affect human experiences and social
relations in contemporary modernity (Rosa, 2016, p. 73), it can be concluded that alienation,
depression, and dementia emerge as paradigmatic categories for understanding the new
pathologies of a digitalized society.
10
Popularized internationally after being named the word of the year in Germany in 2015, it is a critical neologism
coined by Spitzer by combining the words “smart” (referring to the smartphone) and “zombie.”
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: I thank my undergraduate advisor, Professor João Carlos Soares Zuin,
for awakening and fostering my interest in the topic, whose development under his
supervision provided the theoretical and analytical foundations for the production of this
article.
Funding: This study was conducted with the support of the Coordination for the
Improvement of Higher Education Personnel (CAPES).
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The study complied with ethical standards throughout the research
process. Submission to an ethics committee was not required.
Data and material availability: The data and materials used during the research are
available online and in physical library collections.
Authors’ contributions: Jonas Ferreira de Castro Neto was responsible for reading the
cited texts, drafting, and revising the present work.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, standardization and translation