Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.19723 1
ROMANTISMO SOCIOLÓGICO: UMA CRÍTICA MARCADA PELA
RESIGNAÇÃO
ROMANTICISMO SOCIOLÓGICO: UNA CRÍTICA MARCADA POR LA RENUNCIA
SOCIOLOGICAL ROMANTICISM: A CRITICISM MARKED BY RESIGNATION
Vinícius BERNARDES
1
e-mail: bernardesociais@gmail.com
Como referenciar este artigo:
BERNARDES, V. Romantismo sociológico: uma crítica
marcada pela resignação. Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n.
00, e025011, 2025. e-ISSN: 2358-4238. DOI:
10.29373/sas.v14i00.19723
| Submetido em: 02/10/2024
| Revisões requeridas em: 13/11/2024
| Aprovado em: 20/12/2025
| Publicado em: 29/12/2025
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual Paulista lio de Mesquita Filho (UNESP/FCLAR), Araraquara São Paulo Brasil.
Discente do programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais.
Romantismo sociológico: uma crítica marcada pela resignação
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.19723 2
RESUMO: Neste artigo, procura-se relacionar a teoria social weberiana, marcada pela
resignação, com alguns traços das aspirações dos primeiros pensadores do romantismo, no
século XIX, na Alemanha. Assim como estes, Max Weber percebe uma fragmentação das
esferas nos românticos, a percepção é expressa como uma cisão no pensamento que
atomiza o indivíduo, que seus valores ético-morais confrontados por uma objetividade que
lhe é estranha. Tal aproximação é feita a partir de suas conclusões a respeito do processo de
racionalização, na medida em que também os românticos, em suas percepções sobre a divisão
do trabalho e a perda da noção de totalidade, tecem críticas a partir de um ponto de vista
resignado, que não aceita os efeitos desastrosos do capitalismo, mas não formulam uma crítica
que se propõe emancipatória.
PALAVRAS-CHAVE: Sociologia. Max Weber. Resignação. Romantismo. Capitalismo.
RESUMEN: En este artículo si estás buscando relacionar la teoría social weberiana, marcada
por la resignación, con algunas huellas de las aspiraciones de los primeros pensadores del
romanticismo, en el siglo XIX, en Alemania. Como éstos, Max Weber percibe una
fragmentación de esferas en los románticos, la percepción se expresa como una escisión en
el pensamiento que atomiza al individuo, que ve sus valores ético-morales confrontados por
una objetividad que le es ajena. Este planteamiento se realiza a partir de sus conclusiones
respecto del proceso de racionalización, en la medida en que los románticos, en sus
percepciones sobre la división del trabajo y la pérdida de la noción de totalidad, critican desde
un punto de vista resignado, que no acepta los efectos desastrosos del capitalismo, pero no
formula una crítica que proponga la emancipación.
PALABRAS CLAVE: Sociologia. Max Weber. Resignación. Romanticismo. Capitalismo.
ABSTRACT: This article seeks to relate Webers social theory, marked by resignation, with
some features of the aspirations of the first thinkers of Romanticism, in the 19th century, in
Germany. Like them, Max Weber perceives a fragmentation of spheresin the Romantics,
perception is expressed as a split in thoughtthat atomizes the individual, who sees his ethical
and moral values confronted by an objectivity that is foreign to him. This approach is made
based on his conclusions regarding the process of rationalization, to the extent that the
Romantics, in their perceptions of the division of labor and the loss of the notion of totality,
also criticize from a resigned point of view, which does not accept the disastrous effects of
capitalism, but does not formulate a critique that proposes emancipation.
.
KEYWORDS Sociology. Max Weber. Resignation. Romanticism. Capitalism.
Vinícius BERNARDES
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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Introdução
As viagens de Herder abrem o horizonte para os intelectuais alemães a partir da metade
do século XVIII. Precursor do pensamento antropológico, Herder (1984) busca compreender
as manifestações culturais de outros países de maneira democrática, na medida em que suas
pesquisas são diretamente influenciadas pelo espírito revolucionário que havia sido aceso pela
recente Revolução Francesa e, sendo assim, via positivamente o evento em função de um
princípio criador, presente nessas culturas, como forma de avançar os princípios de liberdade
e fraternidade então incutidos na França. É possível afirmar, então, que, para além de ser
precursor de um tipo antropológico de investigação, Herder marca o início do que viria a ser a
primeira geração dos grandes românticos Hölderlin (2012), Schelling (1985), os irmãos
Schlegel (1970), Tieck (2012), Novalis (19781987), Schleiermacher (2000).
Goethe, no entanto, para quem Herder até então vinha sendo um tutor intelectual, deixa
transparecer sua posição antirrevolução, por um certo medo denotado pelo romancista
das consequências autoritárias e violentas engendradas pela ação direta dos Jacobinos, e da
entrada das massas na revolução nesse sentido, o medo de Goethe em relação às massas era
de que ele acreditava que a população não-letrada, menos abastada, havia entrado na revolução
de maneira reboquista, tendo sido manipulada pela razão iluminista e revolucionária burguesa.
Goethe (1994), amigo da evolução, inimigo da revolução (Safranski, 2010, p. 38) compartilha
com Burke (2017) a opinião sobre as massas na revolução, defendendo que poderiam ter sido
arrastadas para a Revolução sem que tivessem, portanto, o devido conhecimento sobre a esfera
política (Safranski, 2010, p. 38). Tal posição crítica romântica e antirrevolução, encontrada
em Goethe, pode ser um germe da crítica à racionalidade formal desvalorizada encontrada na
sociologia alemã do século XX? A respeito dessa relação que apresento, Goethe (1994) diz em
Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister a respeito da limitação a uma função mecânica
e limitada:
O ser humano nasceu para uma situação limitada; ele está apto a perceber
determinados fins, simples e próximos, e se acostuma a usar os meios que lhe
estão à mão; tão logo ele, porém, chega à amplidão, não sabe nem o que quer
nem o que deve fazer, e nisso tanto faz se é distraído pelo número de objetos
ou se é movido para fora de si pela altivez e soberania dos mesmos. É sempre
azar seu, quando é levado a desejar algo com o qual não se pode estabelecer
elo através de uma atividade própria e regular (Goethe, 1994).
Romantismo sociológico: uma crítica marcada pela resignação
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Na esteira do pensamento de Goethe, mais tarde, Schiller (2004), com seu Homo
Ludens
2
e com sua teoria do jogo, sobre a passagem da natureza à cultura, fará uma crítica à
categoria de utilidade, definidora por excelência do espírito do capitalismo moderno, como uma
categoria que qualifica todo um sistema fechado em si mesmo, com uma lógica própria, e
guiado pela racionalidade instrumental burguesa ainda é possível encontrar em Schiller
(2004) a metáfora da jaula de ferro, que foi o leitmotiv da sociologia weberiana cem anos mais
tarde e que marca a capacidade de percepção, por parte dos românticos e, mais tarde, de Weber,
da cisão do pensamento e da fragmentação das esferas de ação. Schiller, pelas palavras de
Safranski, denota seu descontentamento com a divisão do trabalho no capitalismo, dizendo que
A utilidade é o grande ídolo da época, a quem todas as forças devem alimentar
e todos os talentos devem honrar. Sobre essa balança, o ganho espiritual da
arte não tem peso nenhum, e roubada de toda motivação, ele desaparece diante
do mercado barulhento do século (Safranski, 2010, p. 44).
O descontentamento com os efeitos do capitalismo, portanto, é algo presente na visão
romântica de mundo. Schiller deixa uma herança teórica a que Hölderlin, Hegel e algum tempo
mais tarde Marx, Weber e Simmel recorreram para falar da deformação específica da
sociedade burguesa: o sistema de distribuição de empregos (Safranski, 2010, p. 45). A
sociedade burguesa, na visão de Schiller, fez progressos na área da técnica, da ciência e do
artesanato em consequência da divisão de trabalho e da especialização (Safranski, 2010, p.
45), porém, reitera
Na mesma proporção em que torna-se mais abastada e complexa como um
todo, ela deixa que o indivíduo empobreça em relação ao desenvolvimento
dos seus talentos e forças. na medida em que o todo se mostra como uma
totalidade rica, o indivíduo deixa ser aquilo que ele, de acordo com um
pressuposto idealista da Antiguidade, deveria ser: uma pessoa como pequena
totalidade (Safranski, 2010, p. 45).
Em duas breves passagens, é possível ver a forma romântica de descontentamento com
a objetividade do capitalismo. Na primeira, o caráter fleumático assumido pelo indivíduo no
capitalismo é exacerbado:
O prazer foi separado do trabalho, o fim do meio, o esforço da recompensa.
Eternamente preso a um único pequeno fragmento do todo, o homem se forma
apenas como fragmento. Ouvindo eternamente o barulho da roda que põe em
movimento, ele jamais desenvolve a harmonia do seu ser, e em vez de
2
Mais tarde, no século XIX, o neerlandês crítico da cultura Johan Huizinga dedicaria um vasto estudo a respeito
do instinto do jogo na cultura humana, publicado sob o título de Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura,
veiculado no Brasil em uma edição de 2019 pela editora Perspectiva.
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imprimir humanidade à sua natureza, ele é apenas uma cópia do seu negócio
(Safranski, 2010, p. 45)
E uma segunda, de Hölderlin, em O eremita na Grécia [Hyperion] (2012), que denota
essa dor de compreender a situação presente da humanidade:
Você operários, mas nenhum ser humano; pensadores, mas nenhum ser
humano [] isso não é como o campo de batalha, onde mãos e braços e todos
os membros estão misturados uns aos outros, enquanto o sangue vital escorre
na areia [] mas isso seria suportável, não tivessem os homens que ser
insensíveis em relação a toda a beleza da vida (Hölderlin, 2012).
O Romantismo inaugura e relacionado ao que foi até então exposto uma nova era
para o mercado editorial na Alemanha. Entre os anos de 1790 e 1800, realiza-se uma
transformação radical nos hábitos de leitura da sociedade alemã só nessa década, aparecem
2.500 romances no mercado, tantos quanto o total nos noventa anos anteriores (Safranski,
2010, p. 48). Romances tais que alimentavam o imaginário da cultura alemã com temas sobre
sociedades secretas, tramas fascinantes e aventuras místicas, tendo em vista que a situação
geopolítica da Alemanha era a de um território que carecia de grandes centros urbanos
cosmopolitas ou de colônias ultramarinas que desse ao povo a percepção de distância e aventura
tudo se encontrava de maneira fragmentada, sem conexão e extremamente estreito, de modo
que as cidades não possuíam relevância no cenário internacional europeu e, portanto, não
possuíam uma rede de comunicação forte que tornasse o cidadão alemão um cidadão moderno.
Tais romances transformam o clima geral, as pessoas voltam a gostar do misterioso; a crença
na transparência e possibilidade de prever o mundo diminuíra (Safranski, 2010, p. 51), porque
pairava o medo de que uma razão revolucionária, que engendrou consequências tumultuadas e
terroristas na França, podia engendrar uma objetividade que fugisse ao controle e deixasse
aparecer nossa natureza escura mais do que nossa clara razão (Safranski, 2010, p. 51).
A tal gênero de romance a que, inclusive Schiller pertencia pertencem, por
exemplo, o próprio Wilhelm Meister, de Goethe (1994), que relata a sociedade secreta da torre;
O titã, de Jean Paul (2013) e William Lovell, de Tieck (2012). Todos esses romances
alimentaram esse estereótipo de uma certa ânsia pelo segredo, pelo ininteligível, pelo abstrato
e místico, bem como Novalis, ao estipular o tipo ideal do espírito romântico, postulou: ao dar
o que é comum um sentido elevado, ao que é usual uma aparência misteriosa, ao conhecido a
nobreza do desconhecido, ao que pode perecer a aparência do infinito, assim é que eu os
romantizo (Safranski, 2010, p. 54). Nessa geração de românticos, o interesse pelo misterioso
se em função de uma posição crítica em relação ao triunfo da racionalidade meramente
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formal, do agir mecânico imposto pelo capitalismo, da atomização do indivíduo em funções
parciais a forma crítica do romântico preza que a separação entre a lógica da vida cotidiana
e do trabalho e qualquer outra atividade livre, criativa, do espírito (Safranski, 2010, p. 56) deve
ser eliminada. A nostalgia por uma realidade virtuosa e paradisíaca, marca típica do
Romantismo, aparece já em Schlegel quando este se aprofunda nos estudos sobre Antiguidade
e publica, em 1795, seu ensaio intitulado Sobre o estudo da poesia grega, que ao autor o
reconhecimento como um dos grandes estudiosos a respeito da disciplina entre seus
contemporâneos.
Schlegel também foi o inventor da ironia romântica; a ironia era até então um recurso
retórico ou método literário, colocada em algum lugar entre o humor, a zombaria e a sátira
(Safranski, 2010, p. 59). A ironia era um recurso bem conhecido nos meios intelectuais da
Antiguidade e da Modernidade, o que Schlegel (1970) fez foi romantizá-la, dar-lhe um sentido
relativista, numa perspectiva muito mais ampla. A ironia romântica, ressignificada nesse
sentido, é um recurso crítico que consiste na produção de frases compreensíveis que fazem
referência a conteúdos incompreensíveis, na medida em que o incompreensível do romântico é
essa força viva que, se pudesse ser desvendada pela razão, perderia sua força criadora. Mais
uma vez, aparece a crítica à razão revolucionária burguesa da Revolução Francesa, pois, na
linguagem romântica, a ironia está em ação quando a vida em comunidade não é entendida
como uma associação direcionada a um determinado fim, como um grupo de trabalho ou até
como uma união compulsória (Safranski, 2010, p. 61). Em uma breve nota, Schlegel (1970)
escreve sobre o fato de seus leitores reclamarem da ininteligibilidade de seus fragmentos
preenchidos de ironia:
Mas a ininteligibilidade é mesmo algo tão criticável e mau? Me parece que o
bem das famílias e nações está baseado nela… Sim, o mais delicioso que o
homem tem, a satisfação interior ela mesma depende, como qualquer um pode
facilmente saber, no final em algum lugar num ponto destes que deve
permanecer incógnito, mas que para isso carrega e sustenta o todo, e essa força
seria perdida no mesmo momento em que se quisesse esclarecê-lo fazendo uso
da razão (Safranski, 2010, p. 60).
Por fim, e para passarmos a discussão da hipótese, é importante salientar: a crítica dos
primeiros românticos aos efeitos do capitalismo os irmãos Schlegel (1970), Tieck (2012),
Novalis (19781987), Schiller (2004), Schelling (1985) e mais tardiamente Schleiermacher
(2000) apresenta um evidente descontentamento. Tal descontentamento, no entanto, não
encontra resposta em um possível ultrapassar do capitalismo também se deve levar em
consideração que a crítica dos românticos ainda se encontrava num período de certa
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efervescência revolucionária e criativa pela Revolução Francesa, e que qualquer forma de fato
materialista de crítica aparece meio século depois, com Marx entre outros hegelianos de
esquerda ; pelo contrário: a crítica é sempre tecida de maneira a opor a divisão do trabalho e
o domínio da racionalidade formal a um contexto que antecede o capitalismo. Esse traço
nostálgico presente nos Românticos ecoa na sociologia alemã do século XX, sendo a relação
traçada neste trabalho construída a partir das conclusões da teoria social weberiana marcada por
um certo tipo de resignação, um descontentamento que se propõe apenas a descrever e concluir
que a racionalidade formal dominou tragicamente a forma como os seres humanos se
relacionam no capitalismo moderno.
Com uma breve introdução, é possível ver os vestígios dos princípios político-
filosóficos românticos na sociologia alemã do século XX, Tönnies (1991), Sombart (1986),
Simmel (2013) e, mais importante, Weber (1965), que é o autor central deste trabalho ,
podendo ser traçada uma linha de influência que nasce com Herder (1984) e a Sturm und
Drang
3
, percorrendo todo o idealismo alemão do século XIX, e que culmina no grande
pensamento sociológico da racionalização, da institucionalização do capitalismo via ética
protestante, da fragmentação das esferas de ação. É importante salientar, no entanto, que Weber
não poderia ser situado em qualquer posição romântica. A posição em que quero situá-lo é de
um romântico desencantado, e isso se em função da compreensão que Weber não é um autor
reacionário cuja crítica se dirige aos efeitos da Revolução Francesa, cuja função de
representante mais coerente poderia ser atribuída a Novalis, para quem, segundo Löwy, não
se trata de conservar o status quo, mas de voltar atrás, para a Idade Média católica, anterior à
Reforma, à Renascença e ao desenvolvimento da sociedade burguesa (Löwy, 2008, p. 16). As
conclusões de Weber acerca do processo de racionalização não são reacionárias e conservadoras
como veremos ao longo do ensaio.
Weber (1965) também não pode ser situado na posição de conservador, reforçando o
que foi posto acima, na medida em que o sociólogo alemão não deseja a manutenção do que ele
próprio julga, nas considerações finais da Ética protestante e o espírito do capitalismo (2004),
desastroso os efeitos do processo de racionalização, a reificação, a mecanização da ação etc.
Weber não é um crítico contra iluminista da Revolução Francesa, muito menos um partidário
da manutenção de um contexto intocado pela Revolução talvez Burke (2017), nas suas
3
Foi um movimento literário na Alemanha entre 1760 e 1780 o auge do Romantismo Alemão , que teve
Johan Gottfried Herder como uma das principais influências, mas também Johann Wolfgang von Goethe e
Friedrich Schiller. Estima-se (Safranski, 2010) que o Romantismo na Alemanha perdurou entre 1750 e a primeira
década do século XIX, tendo grande relevância para o Idealismo Alemão, com Kant, Fichte, Schelling e Hegel.
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Reflexões sobre a Revolução na França, expresse esse caráter conservador de maneira mais
explícita, alegando que a sua oposição à Revolução na França, como ele mesmo gosta de
expressar, usou métodos que atentaram contra a liberdade dos indivíduos.
Por último, Weber não é um autor revolucionário, pois nem tem uma posição
verdadeiramente crítica (emancipatória) sobre o destino da humanidade. Para o romantismo
revolucionário corrente que pode ser associada a autores como Ernst Bloch, ao jovem
Lukács (2009; 2017), anterior à sua filiação ao pensamento hegeliano-marxista e ao método
dialético principalmente em A alma e as formas, publicado originalmente em 1909 (2017),
e A teoria do romance, publicado originalmente em 1916 (2009) mas também, e talvez como
o grande precursor, a Rousseau (2011), em cuja obra não se encontra nenhuma simpatia pelo
feudalismo (Löwy, 2008, p. 13), pelo contrário, Rousseau foi um dos grandes representantes
de uma burguesia que se colocava como revolucionária, com um espírito orientado para uma
mudança que apontava para a destruição das antigas formas de exploração do ser humano.
A sociologia romântica desencantada: Max Weber e a teoria social resignada
Weber é geralmente situado entre os maiores sociólogos de seu tempo, tendo dedicado
uma extensa parte de sua obra a compreender as manifestações religiosas e a simbiose de suas
éticas com o espírito sócio-político-econômico do capitalismo. É a Weber (1965), na maioria
dos casos, mas também a Simmel (2013), a Tönnies (1991) e a Sombart (1986), que se recorre
nas ciências sociais quando na intenção de explicar o processo de racionalização que
transformou as antigas comunidades feudais pré-capitalistas em sociedades civis e o Estado
moderno, sempre com o amparo de seus estudos sobre as religiões, especificamente o
protestantismo, para fundamentar a origem de um espírito capitalista que dominou por completo
o ocidente racionalizado ou, como denomina Weber (1965), desencantado. A esse contexto
ocidental racionalizado é atribuído o adjetivo desencantado na medida em que o autor associa
a instituição de um modo de vida dominado pela ciência e pela cnica, que engendram um
modo de vida pautado no cálculo metódico entre os meios adequados para os fins visados.
Weber (1965) compreende a racionalização como a instauração desse modo de vida metódico,
extremamente previsível e calculável, ao mesmo tempo em que associa a mecanização das
ações ditas racionais a redução da possibilidade de uma ação integralmente livre à
categoria de desencantamento, que possui, de certa maneira, um sentido positivo na sociologia
de Weber.
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O termo aparece em diversas obras do autor, tendo seu sentido principal atrelado a
desmagificação a retirada de um sentido mágico da causalidade; a sua tese da perda de
sentido este complementa aquele, na medida em que a perda de sentido a que se refere Weber
é, na verdade, uma troca de legitimidade de atribuição de sentido ao mundo: enquanto que no
contexto comunitário pré-capitalista a causalidade era estritamente mística-religiosa, associada
às determinações dos profetas e líderes magos carismáticos, no contexto ocidental
racionalizado à causalidade passa a ser conhecida pelo aperfeiçoamento das técnicas de
manipulação da natureza a ciência propriamente dita e pela aplicação dessas técnicas no
novo modo de vida. Se o método científico pode tudo prever e controlar, e se ele é transposto
para a forma como os indivíduos conduzem suas ações, todas as ações se tornam previsíveis e
calculáveis. Se existe, portanto, uma associação entre a categoria de desencantamento e um
modo de vida mais previsível e calculável porém mecanizado e reificado, como o próprio
sociólogo percebe , a sociologia de Weber (1965) apresenta uma dimensão crítica que se
aproxima de um romantismo desencantado, para o qual, segundo Löwy, o retorno ao passado
é impossível, quaisquer que tenham sido as qualidades sociais e culturais das sociedades p-
capitalistas (Löwy, 2008, p. 16), sendo o capitalismo industrial um fenômeno irreversível e,
independente de seus efeitos, resta-nos a resignação.
A dimensão crítica na obra de Weber está integralmente atrelada a uma posição de mero
espectador consciente da realidade do capitalismo e de seus efeitos catastróficos, posição tal
que é apresentada por Weber como sendo a de um cientista profissional, que está à margem dos
fenômenos e que, portanto, não deve tentar teorizar (normativamente) a realidade. A crítica ao
capitalismo na obra de Weber, longe de apresentar uma alternativa que suplante o capitalismo,
ocorre mais na direção de uma apresentação da reificação aspecto que em Weber tem um
sentido negativo como algo que, por não ocorrer em comunidades anteriores ao processo de
racionalização, denota uma certa nostalgia pela ética social das relações comunitárias. Nessa
visão romântica de mundo apresentada pela sociologia alemã, esse passado pré-capitalista se
encontra ornado de uma série de virtudes (reais, parcialmente reais ou imaginárias) como, por
exemplo, a predominância de valores qualitativos (valores de uso ou valores éticos, estéticos e
religiosos) (Löwy, 2008, p. 13), ou ainda as relações afetivas reais entre os seres humanos e
os sentimentos, em oposição direta à forma de organização baseada no cálculo, no dinheiro, no
preço, de relações mediadas pelas mercadorias, de indivíduos atomizados pelo domínio
crescente do valor de troca.
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A crítica ao desencantamento seria, portanto, um descontentamento de Weber com o
capitalismo industrial, que substituiu os valores comunitários éticos (qualitativamente
superiores) pelo cálculo frio e racional? Existe, em Weber, uma tentativa de restabelecer no
nosso universo cultural esse encantamento expulso pelas máquinas e pelos livros de
contabilidade? (Löwy, 2008, p. 55). Seria um trabalho árduo constatar, a partir das conclusões
de Weber a respeito do processo de racionalização, que sua sociologia tem como finalidade a
restauração de um contexto ético-cultural do passado para substituir a realidade reificada do
capitalismo. É correto afirmar, porém, que a sociologia weberiana se apresenta como uma forma
resignada de crítica, descontente com o capitalismo, mas sem perspectiva de uma emancipação
humana da realidade que nos rodeia. A título de exemplo, apesar de partilharem uma mesma
preocupação, a saber a posição central atribuída aos problemas da sociedade capitalista na obra
de ambos (Cohn, 2023, p. 118), Marx (2017) e Weber conduzem suas críticas por caminhos
diferentes: enquanto um direciona seu descontentamento para uma tentativa de suplantar o
capitalismo, tendo o conteúdo da crítica da economia política como fonte de crítica, a partir de
seus próprios termos, o outro conduz seu descontentamento marcado por uma posição de
resignação que, apesar de apontar os defeitos, contenta-se em teorizar de maneira meramente
descritiva.
O que interessa para a aproximação de Weber com um tipo de romantismo desencantado
é, para além de suas conclusões do processo de racionalização, a sua escolha metodológica
sim, escolha, porque ele estava avisado da dialética para ordenar os segmentos da realidade
e construir suas categorias analíticas. Cohn, em um dos capítulos de Crítica e resignação: Max
Weber e a teoria social, salienta a concepção de Weber sobre a dominação, como um evento
sempre presente na vida social, mas sem qualquer perspectiva de superação (Cohn, 2023, p.
184). Weber trabalha sempre com dicotomias rígidas, entre as quais não conciliação nem
terceiro elemento intermediário (Cohn, 2023, p. 185) como é possível ver na dialética do
senhor e do escravo, de Hegel, em que as categorias de dominação e servidão, ou melhor, o
movimento dominação/servidão pode ser interpretado como sendo a mediação na unidade
desses momentos opostos, no interior do processo de constituição da consciência de si (Cohn,
2023, p. 184). As mediações em Weber, por outro lado, servem apenas como recurso
metodológico para explicar a forma pela qual os grupos dominantes legitimam a sua dominação
sobre os dominados ao longo de um tempo a categoria de quadro administrativo, apresentada
por Cohn, é uma categoria analítica que serve de instrumento externo aos termos que procura
explicar. Cohn expõe a função do quadro administrativo como mediador:
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O fato é que um mediador entre dominantes e dominados no esquema
weberiano, e com características muito peculiares. Trata-se do quadro
administrativo, que é assinalado por Weber como um componente de
qualquer tipo de dominação que tenha vigência ao longo do tempo. A
peculiaridade do quadro administrativo consiste em que, se considerarmos a
análise de Jameson citada acima, ele é um mediador não evanescente. Ao
contrário, quanto mais Weber enfatiza a eficácia de um tipo de dominação de
tipo racional-legal, cujo quadro administrativo é de tipo burocrático, mais se
acentua a consistência interna e a durabilidade desse mediador privilegiado,
que é o quadro administrativo intercalado entre dominantes e dominados
(Cohn, 2023, p. 185).
Estamos diante de uma situação em que o teórico age de maneira apática ao se deparar
com uma realidade que apresenta individualidades juridicamente (formalmente) iguais, mas
que possuem posições (status, como diria o próprio Weber) diferentes de atuação posições
de atuações legitimadas na medida em que a dominação, segundo Weber, é uma manifestação
típica de uma forma de organização que se manifesta insuperável, uma vez que as próprias
categorias analíticas do autor funcionam apenas como categorias descritivas de extrema
impassibilidade. Por diferença de status, refiro-me não ao fato de indivíduos terem diferentes
funções numa possível sociedade para além do capitalismo é obviamente explícito que
funções diferentes para indivíduos diferentes é algo do qual não se pode esquivar, mesmo após
a emancipação das relações capitalistas, ainda necessitaríamos de médicos, bombeiros,
administradores públicos e professores nas escolas públicas. O que está por trás dessa afirmação
é que, em Weber, a categoria de dominação é teorizada apenas com a intenção de compreender
superficialmente o jogo de poder entre a classe (status) que domina e a classe que é dominada,
utilizando uma categoria analítica para fundamentar a análise sociológica, ou ainda, como
aponta Sell,
Weber é, acima de tudo, um teórico da colisão de valores [Werkolision]. Ele
não divisa no horizonte nenhuma estratégia de reconciliação [Versöhnung]
possível e criticará enfaticamente as tentativas nesse sentido (Sell, 2013, p.
254).
Weber pode ser aproximado de um romantismo desencantado na medida em que a
tendência anticapitalista na sua obra tem uma atitude às vezes implícita, às vezes explícita
nostálgica (mas não apologética) com relação à Gemeinschaft pré-capitalista, às formas
mais orgânicas da vida comunitária do passado (Löwy, 2008, p. 70), em que os seres humanos
ainda estavam livres do que o próprio Weber consegue perceber na modernidade racionalizada.
Löwy ainda aponta, enaltecendo a sociologia alemã como um avanço em relação à sociologia
positivista francesa e à sociologia anglo-saxônica, que a dimensão crítica, de origem
Romantismo sociológico: uma crítica marcada pela resignação
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romântica, permanece ativa em suas obras e dá-lhes essa qualidade particular que as distingue
das apologias superficiais (Löwy, 2008, p. 71), encontradas justamente nas duas escolas
citadas acima. Este talvez seja o ápice da sociologia alemã: a capacidade de perceber os
fenômenos sem que seu conteúdo esteja preenchido de uma apologia dogmática às contradições
do capitalismo. O trabalho de Weber orbita ao redor de conferir substrato sociológico às teses
neokantianas (Sell, 2013, p. 250) e de mostrar a erosão de uma razão unificada (Sell, 2013,
p. 250), ou seja, com a razão formal da ciência seguindo sua própria lógica e operando, segundo
Sell (Sell, 2013, p. 250) apenas no campo da descrição e compreensão causal dos fenômenos.
Também aqui, na formulação de categorias sociológicas analíticas, existe a percepção da
fragmentação da lógica das esferas de ação, assim como os românticos tiveram a percepção de
uma cisão do pensamento, e se opuseram, de maneira romântica, é claro, mas sem recorrer a
uma apologia tacanha.
Weber mesmo, a quem é dirigido o maior crédito pelas contribuições à ciência da
sociedade na Alemanha, reconhece que a extrema impessoalidade da burocracia transformou
o administrador num mero (replicador) de tarefas pré-determinadas sem o seu consentimento,
e que o cumprimento de tais tarefas, independente dos valores éticos pessoais do burocrata,
implica numa reificação que torna a ação racional-formal a única ação possível. A ação cuja
intenção esteja para além do mero cálculo racional (previsível) é tida como irracional uma
ação que leva à ruína. Nos Gesammelte Aufsätze zur Wissenschaftslehre, Weber aponta que o
que resta para o indivíduo é uma opção entre a aniquilação econômica ou a obediência a
máximas muito determinadas de conduta econômica (Weber, 1965, p. 132). pois, ainda
segundo Weber no texto citado,
As leis econômicas são esquemas de ação racional que são deduzidas não da
análise psicológica dos indivíduos, mas mediante a reprodução típico-ideal do
mecanismo da luta de preços a partir da situação objetiva assim construída na
teoria. Esta, quando se exprime de maneira pura, somente deixa para o
indivíduo envolvido no mercado a opção entre a adaptação teleológica ao
mercado ou a ruína econômica (Weber, 1965, p. 140).
No que segue, a associação na obra de Weber entre o desencantamento e a ação racional
implica em que a ação racional capaz de calcular nos mais mínimos detalhes capaz, também,
de fazer uma simétrica adequação entre meios e fins é uma ação, por definição,
compreensível. Cohn aponta para essa associação, salientando que a ação perfeitamente
racional é plenamente previsível (e desencantada, diria Weber). Ela oferece a probabilidade
máxima de previsão correta de sua ocorrência (Cohn, 2023, p. 137), portanto
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A ação racional, a mais previsível, é também o caso privilegiado da ação
compreensível: basta que o observador conheça o fim visado, os meios
disponíveis e que leve em consideração que existe uma e apenas uma forma
de maximização dos resultados, nas condições dadas (Cohn, 2023, p. 137).
A ação compreensível a que se refere aqui não tem um sentido crítico-emancipatório:
refere-se apenas a um instrumento analítico recomendável porque o universo histórico-social
que rodeia os indivíduos exige que a equação entre meios necessários para fins visados seja
constantemente feita. Trata-se de um estreitamento da margem de opções disponíveis para os
agentes (Cohn, 2023, p. 128), ou seja, a ação racional com relação a fins que é a ação
compreensível por excelência implica em que podemos agir com base na ponderação das
diversas possibilidades de um decurso futuro no caso da realização de cada uma das ações (ou
omissões) pensadas como possíveis (Cohn, 2023, p. 125). Conhecemos a posição de Weber
pelas suas conclusões e pelo sentido dado às categorias analíticas em sua obra, no caso do
desencantamento, por exemplo, que configura o expurgo de meios mágicos para a salvação e
da substituição da magia pelo mecanismo causal matemático, compreendemos que Weber faz
uma associação entre o estabelecimento de um modo de vida metódico, calculável e previsível
a uma postura compreensiva, partindo do que ele chama de ação compreensível como sendo
uma ação racional, como salienta Sell:
A visão técnico-científica do mundo modifica a compreensão destes poderes
que, desta forma, perdem seu caráter extraordinário, ficando completamente
imanentizados. A realidade passa a ser orientada pela ideia da causalidade
como um mecanismo cego, guiado por uma lógica que pode ser decodificada
e controlada (Sell, 2013, p. 243).
Essa aproximação de Weber com um tipo de romantismo desencantado que
pretendemos neste ensaio se fundamenta na ocorrência de críticas, por parte do autor,
direcionadas ao mecanismo causal (racionalizado, portanto, reificado) do capitalismo, porém
sem que a sua posição crítica diante de tal mecanismo procure uma solução adequada que
esteja para além do capitalismo. A perda desse caráter extraordinário místico de um contexto
encantado pelo domínio da religião, a substituição desse caráter místico por uma relação causal
compreensível por excelência, a instituição de meios meramente técnicos e científicos, tudo isso
não deveria nos livrar dos efeitos catastróficos do capitalismo?
A hipótese é que Weber está perfeitamente disposto no que diz respeito à sua escolha
de operar com construções fictícias a pagar o preço de se opor ao método dialético, porque
a maior marca da sua preocupação é criar condições para tornar cognoscíveis e controláveis
Romantismo sociológico: uma crítica marcada pela resignação
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determinados segmentos da realidade empírica (Cohn, 2023, p. 192), na medida em que o
sociólogo alemão acredita ser apenas esse o destino de todo homem que se dedica à ciência.
Neste sentido, o homem que se dedica exclusivamente à ciência de Weber deve, por definição,
ter bem definido o seu instrumento teórico-categorial para debater/questionar aquilo que diz
respeito apenas ao que é científico, ou seja, aquilo que se manifesta em uma determinada
objetividade neste caso, o capitalismo que é estranha à subjetividade (consciência) dos
seres humanos em geral, mas que pode ser ordenada em nexos causais, analisando a
possibilidade objetiva de ocorrência de determinado evento, dado que os agentes analisados
podem ser tipificados, dotados de certas características sociais num exercício de hiperbolizar
características para encontrar supostas regras e, consequentemente, psíquicas que o impelem
a x ou y ação. A percepção do homem moderno de um desencantamento, da inexorabilidade de
operar com categorias científicas definidas, que o domínio da realidade se por meios
técnicos, tudo isso nos leva à conclusão de que a aproximação da sociologia alemã com uma
visão romântica de mundo é possível pois, como aponta Safranski, apesar de o Romantismo ser
uma época datada, o romântico é uma postura de espírito que não está limitada a um tempo.
Ela encontrou no romantismo a sua expressão mais pura, mas o romântico existe até hoje
(Safranski, 2010, p. 16).
Nesse sentido, por romantismo sociológico se deve entender a expressão de uma teoria
que se propõe científica por operar com categorias analíticas objetivas , e que, portanto,
satisfaz-se com o mero descontentamento em face ao que essa própria teoria julga catastrófico,
contentando-se apenas com a descrição dos eventos; por crítica marcada pela resignação,
entender que a percepção de Weber da reificação da consciência e da mecanização do trabalho
é marcada por uma postura que não anseia pela emancipação desses efeitos engendrados pela
objetividade do capitalismo; as conclusões a respeito do processo de racionalização nos levam
a crer não numa eupatia por parte de Weber, mas que sua tese da perda de sentido é uma
tentativa de contrapor a objetividade mecanizada engendrada pelo capitalismo a um contexto
em que, por mais que encantado, preenchido de magia, segundo Weber, possuía relações
humanas orientadas por certos valores éticos, uma certa noção de totalidade que unia os
indivíduos em laços de fraternidade e amor.
AGRADECIMENTOS: Este trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Brasil (CAPES).
Vinícius BERNARDES
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior Brasil (CAPES). Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Antonio Ianni Segatto
pelo tempo disponibilizado para orientações que, por mais que dissessem respeito
diretamente a este artigo, auxiliaram diretamente nas ideias aqui contidas.
Financiamento: CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
Conflitos de interesse: Não há.
Aprovação ética: A execução do trabalho respeitou os princípios éticos da pesquisa
científica.
Disponibilidade de dados e material: O material de consulta livros e artigos em formato
PDF pode ser encontrado on-line em sua integralidade. A confecção deste trabalho contou,
no entanto, com versões físicas dos arquivos on-line, como forma de consulta off-line.
Contribuições dos autores: Como único autor, as ideias deste trabalho surgiram no
processo de escrita de minha dissertação de mestrado, intitulada Desencantamento e
reificação: um estudo sobre História e consciência de classe, em que apresento a crítica
de Lukács ao ideal de conhecimento da sociologia de Max Weber no referenciado ensaio
hegeliano-marxista de 1923. As ideias deste artigo se apresentam como um recorte de uma
ideia maior apresentada na dissertação, mas aqui me contenho apenas em descrever uma
possível influência do Romantismo Alemão (1750-1810) no pensamento sociológico
alemão do início do século XX, enfatizando principalmente o trabalho de Max Weber, como
o grande sociólogo alemão no século.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
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SOCIOLOGICAL ROMANTICISM: A CRITICISM MARKED BY RESIGNATION
ROMANTISMO SOCIOLÓGICO: UMA CRÍTICA MARCADA PELA RESIGNAÇÃO
ROMANTICISMO SOCIOLÓGICO: UNA CRÍTICA MARCADA POR LA RENUNCIA
Vinícius BERNARDES
1
e-mail: bernardesociais@gmail.com
How to reference this paper:
BERNARDES, V. Sociological romanticism: a criticism marked
by resignation. Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00,
e025011, 2025. e-ISSN: 2358-4238. DOI:
10.29373/sas.v14i00.19723
| Submitted: 02/10/2024
| Revisions required: 13/11/2024
| Approved: 20/12/2025
| Published: 29/12/2025
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
São Paulo State University “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP/FCLAR), Araraquara São Paulo Brazil.
Graduate student in the Social Sciences Graduate Program.
Sociological romanticism: a criticism marked by resignation
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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ABSTRACT: This article seeks to relate Weber's social theory, marked by resignation, with
some features of the aspirations of the first thinkers of Romanticism, in the 19th century, in
Germany. Like them, Max Weber perceives a fragmentation of spheresin the Romantics,
perception is expressed as a split in thoughtthat atomizes the individual, who sees his ethical
and moral values confronted by an objectivity that is foreign to him. This approach is made
based on his conclusions regarding the process of rationalization, to the extent that the
Romantics, in their perceptions of the division of labor and the loss of the notion of totality,
also criticize from a resigned point of view, which does not accept the disastrous effects of
capitalism, but does not formulate a critique that proposes emancipation.
KEYWORDS: Sociology. Max Weber. Resignation. Romanticism. Capitalism.
RESUMO: Neste artigo, procura-se relacionar a teoria social weberiana, marcada pela
resignação, com alguns traços das aspirações dos primeiros pensadores do romantismo, no
século XIX, na Alemanha. Assim como estes, Max Weber percebe uma fragmentação das
esferas nos românticos, a percepção é expressa como uma cisão no pensamento que
atomiza o indivíduo, que seus valores ético-morais confrontados por uma objetividade que
lhe é estranha. Tal aproximação é feita a partir de suas conclusões a respeito do processo de
racionalização, na medida em que também os românticos, em suas percepções sobre a divisão
do trabalho e a perda da noção de totalidade, tecem críticas a partir de um ponto de vista
resignado, que não aceita os efeitos desastrosos do capitalismo, mas não formulam uma crítica
que se propõe emancipatória.
PALAVRAS-CHAVE: Sociologia. Max Weber. Resignação. Romantismo. Capitalismo.
RESUMEN: En este artículo si estás buscando relacionar la teoría social weberiana, marcada
por la resignación, con algunas huellas de las aspiraciones de los primeros pensadores del
romanticismo, en el siglo XIX, en Alemania. Como éstos, Max Weber percibe una
fragmentación de esferas en los románticos, la percepción se expresa como una escisión en
el pensamiento que atomiza al individuo, que ve sus valores ético-morales confrontados por
una objetividad que le es ajena. Este planteamiento se realiza a partir de sus conclusiones
respecto del proceso de racionalización, en la medida en que los románticos, en sus
percepciones sobre la división del trabajo y la pérdida de la noción de totalidad, critican desde
un punto de vista resignado, que no acepta los efectos desastrosos del capitalismo, pero no
formula una crítica que proponga la emancipación.
PALABRAS CLAVE: Sociologia. Max Weber. Resignación. Romanticismo. Capitalismo.
Vinícius BERNARDES
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Introduction
Herder’s travels broadened the intellectual horizon of German thinkers from the mid-
eighteenth century onward. A forerunner of anthropological thought, Herder (1984) sought to
understand the cultural expressions of other countries in a democratic manner, insofar as his
research was directly influenced by the revolutionary spirit ignited by the recent French
Revolution. Accordingly, he viewed this event positively, understanding it as a creative
principle present in these cultures and as a means of advancing the principles of freedom and
fraternity then emerging in France. It is therefore possible to argue that, beyond being a
precursor of an anthropological mode of inquiry, Herder marks the beginning of what would
later become the first generation of major Romantic thinkersHölderlin (2012), Schelling
(1985), the Schlegel brothers (1970), Tieck (2012), Novalis (19781987), and Schleiermacher
(2000).
Goethe, however, for whom Herder had until then served as an intellectual mentor,
reveals an anti-revolutionary stance, motivated by a certain fearexplicitly expressed by the
novelistof the authoritarian and violent consequences generated by the direct action of the
Jacobins and by the entry of the masses into the revolution. In this sense, Goethe’s fear of the
masses stemmed from his belief that the non-literate and less affluent population had entered
the revolution in a passive, manipulated manner, guided by bourgeois Enlightenment and
revolutionary reason. Goethe (1994), described as a “friend of evolution, enemy of revolution
(Safranski, 2010, p. 38, our translation), shares with Burke (2017) a similar assessment of the
role of the masses in the revolution, arguing that they “may have been swept into the Revolution
without therefore possessing adequate knowledge of the political sphere” (Safranski, 2010, p.
38). This Romantic and anti-revolutionary critical stance found in Goethe may be seen as an
early seed of the critique of devalued formal rationality later developed in twentieth-century
German sociology. Regarding this relationship, Goethe (1994), in Wilhelm Meister’s
Apprenticeship, reflects on the limitation of the individual to a mechanical and restricted
function:
Human beings are born for a limited condition; they are capable of perceiving
certain simple and immediate ends and of becoming accustomed to using the
means at hand. As soon as they reach a broader sphere, however, they no
longer know what they want or what they should do, whether they are
distracted by the multiplicity of objects or driven out of themselves by their
loftiness and sovereignty. It is always to their detriment when they are led to
desire something with which they cannot establish a bond through their own
regular activity (Goethe, 1994, our translation).
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In the wake of Goethe’s thought, Schiller (2004), later on, through Homo Ludens
2
and
his theory of play concerning the transition from nature to culture, develops a critique of the
category of utility, which quintessentially defines the spirit of modern capitalism. He conceives
it as a category that qualifies an entire system closed in upon itself, governed by its own logic
and guided by bourgeois instrumental rationality. In Schiller (2004), one already finds the
metaphor of the iron cage, which would become the leitmotif of Weberian sociology a century
later and which reveals the abilityshared by the Romantics and later by Weberto perceive
the split in thought and the fragmentation of spheres of action. Schiller, in Safranski’s words,
expresses his dissatisfaction with the division of labor under capitalism by stating that:
Utility is the great idol of the age, to which all powers must render service and
all talents must pay homage. On this scale, the spiritual gain of art carries no
weight, and, stripped of all motivation, it disappears before the noisy market
of the century (Safranski, 2010, p. 44, our translation).
Discontent with the effects of capitalism, therefore, is already present in the Romantic
worldview. Schiller leaves a theoretical legacy to which Hölderlin, Hegel, and later Marx,
Weber, and Simmel would turn in order to address the “specific deformation of bourgeois
society: the system of job distribution” (Safranski, 2010, p. 45, our translation). Bourgeois
society, in Schiller’s view, “made progress in technology, science, and craftsmanship as a
consequence of the division of labor and specialization” (Safranski, 2010, p. 45, our
translation); however, he emphasizes that
In the same proportion in which it becomes more affluent and complex as a
whole, it allows the individual to become impoverished with regard to the
development of their talents and capacities. As the whole presents itself as a
rich totality, the individual ceases to be what, according to an idealist
assumption of Antiquity, they should be: a person as a small totality
(Safranski, 2010, p. 45, our translation).
In two brief passages, one can observe the Romantic form of discontent with the
objectivity of capitalism. In the first, the phlegmatic character assumed by the individual under
capitalism is intensified:
Pleasure has been separated from labor, the end from the means, effort from
reward. Eternally bound to a single small fragment of the whole, the human
being develops only as a fragment. Eternally hearing the noise of the wheel
2
Later, in the 19th century, Dutch cultural critic Johan Huizinga devoted an extensive study to the “instinct to
play” in human culture, published under the title Homo Ludens: The Play Element in Culture, released in Brazil
in a 2019 edition by Perspectiva publishing house.
Vinícius BERNARDES
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that drives him, he never develops the harmony of his being, and instead of
imprinting humanity upon his nature, he becomes merely a copy of his
occupation (Safranski, 2010, p. 45, our translation).
The second passage, by Hölderlin in The Hermit in Greece (Hyperion) (2012), conveys
the pain of grasping the present condition of humanity:
You see workers, but no human beings; thinkers, but no human beings […]
this is not like a battlefield, where hands and arms and all limbs are mixed
together while the vital blood flows into the sand […] that would still be
bearable, were it not that human beings must be insensitive to all the beauty
of life (Hölderlin, 2012, our translation).
Romanticism inauguratesand in direct relation to what has been discussed so fara
new era for the German publishing market. Between 1790 and 1800, a radical transformation
took place in German reading habits. In that single decade, “2,500 novels appeared on the
market, as many as in the previous ninety years combined” (Safranski, 2010, p. 48, our
translation). These novels fueled the German cultural imagination with themes of secret
societies, intriguing plots, and mystical adventures, given that Germany’s geopolitical situation
at the time was that of a territory lacking major cosmopolitan urban centers or overseas colonies
that might offer a sense of distance and adventure. Everything appeared fragmented,
disconnected, and extremely confined; cities lacked international relevance within the European
context and therefore did not possess a strong communication network capable of shaping the
German citizen as a modern citizen. Such novels transformed the general climate: “people
began once again to enjoy the mysterious; belief in the transparency and predictability of the
world diminished” (Safranski, 2010, p. 51, our translation), because there was a pervasive fear
that a revolutionary reasonhaving produced tumultuous and terror-inducing consequences in
France—could also generate an objectivity that escaped control and allowed “our dark nature
to emerge more than our clear reason” (Safranski, 2010, p. 51, our translation).
This genre of novel, to which Schiller himself belonged, includes works such as
Goethe’s Wilhelm Meister (1994), which portrays the secret society of the tower; Jean Paul’s
Titan (2013); and Tieck’s William Lovell (2012). All these novels nurtured a stereotype marked
by a longing for secrecy, the unintelligible, the abstract, and the mystical. Novalis, in defining
the ideal type of the Romantic spirit, famously postulated: “By giving the commonplace a
higher meaning, the ordinary a mysterious appearance, the familiar the dignity of the unfamiliar,
and the finite the semblance of the infinite—this is how I romanticize” (Safranski, 2010, p. 54,
our translation). In this generation of Romantics, the interest in the mysterious arises from a
Sociological romanticism: a criticism marked by resignation
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critical stance toward the triumph of merely formal rationality, toward the mechanical action
imposed by capitalism, and toward the atomization of the individual into partial functions. The
Romantic critique values the elimination of the “separation between the logic of everyday life
and work and any other free, creative activity of the spirit” (Safranski, 2010, p. 56, our
translation). The nostalgia for a virtuous and paradisiacal realitya defining trait of
Romanticismalready appears in Schlegel, when he deepens his studies of Antiquity and
publishes, in 1795, his essay On the Study of Greek Poetry, which secured his recognition as
one of the leading scholars in the field among his contemporaries.
Schlegel was also the inventor of Romantic irony. Until then, irony had been a rhetorical
device or literary method, “situated somewhere between humor, mockery, and satire”
(Safranski, 2010, p. 59, our translation). Irony was already well known in the intellectual circles
of Antiquity and Modernity; what Schlegel (1970) did was to romanticize it, endowing it with
a relativistic meaning within a much broader perspective. Romantic irony, thus redefined,
becomes a critical device consisting in the production of intelligible statements that refer to
unintelligible contents, insofar as the Romantic notion of the unintelligible represents a living
force which, if fully unveiled by reason, would lose its creative power. Once again, a critique
of bourgeois revolutionary reason as expressed in the French Revolution emerges, since, in
Romantic language, “irony is at work when life in community is not understood as an
association directed toward a specific end, such as a work group or even a compulsory union”
(Safranski, 2010, p. 61, our translation). In a brief note, Schlegel (1970) addresses his readers
complaints about the unintelligibility of his irony-filled fragments:
But is unintelligibility really something so reprehensible and bad? It seems to
me that the well-being of families and nations is founded upon it… Yes, the
most delightful thing human beings possess, inner satisfaction itself, depends,
as anyone can easily recognize, ultimately on some point that must remain
unknown; yet it carries and sustains the whole, and this force would be lost at
the very moment one attempted to clarify it by means of reason (Safranski,
2010, p. 60, our translation).
Finally, as we move toward the discussion of the hypothesis, it is important to emphasize
that the critique developed by the early Romantics regarding the effects of capitalismthe
Schlegel brothers (1970), Tieck (2012), Novalis (19781987), Schiller (2004), Schelling
(1985), and later Schleiermacher (2000)reveals a clear sense of discontent. This discontent,
however, does not translate into a proposal to transcend capitalism. It must also be considered
that Romantic criticism still emerged within a period of revolutionary and creative
effervescence following the French Revolution, and that explicitly materialist forms of critique
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would only appear half a century later, with Marx and other Left Hegelians. On the contrary,
Romantic critique is consistently articulated by opposing the division of labor and the
dominance of formal rationality to a context that precedes capitalism. This nostalgic trait
present in Romanticism resonates within twentieth-century German sociology. The relationship
established in this study is grounded in the conclusions of Weberian social theory, marked by
a particular form of resignationa discontent that limits itself to description and to the
conclusion that formal rationality has tragically come to dominate the ways in which human
beings relate to one another in modern capitalism.
With this brief introduction, it is possible to identify traces of Romantic political-
philosophical principles in twentieth-century German sociologyTönnies (1991), Sombart
(1986), Simmel (2013), and, most importantly, Weber (1965), who is the central author of this
study. A line of influence can be traced beginning with Herder (1984) and Sturm und Drang
3
,
extending throughout nineteenth-century German Idealism, and culminating in the major
sociological thought on rationalization, the institutionalization of capitalism through the
Protestant ethic, and the fragmentation of spheres of action. It is important to stress, however,
that Weber cannot be placed in a Romantic position per se. The position proposed here is that
of a disenchanted Romantic. This classification stems from the understanding that Weber is not
a reactionary thinker whose critique is directed at the effects of the French Revolutiona stance
more coherently represented by Novalis, for whom, according to Löwy, “the goal is not to
preserve the status quo, but to move backward, to the Catholic Middle Ages prior to the
Reformation, the Renaissance, and the development of bourgeois society” (Löwy, 2008, p. 16,
our translation). Weber’s conclusions regarding the process of rationalization are neither
reactionary nor conservative, as will be demonstrated throughout this essay.
Weber (1965) also cannot be classified as a conservative thinker, reinforcing the
argument above, insofar as the German sociologist does not advocate the preservation of what
he himself deems disastrous in the concluding remarks of The Protestant Ethic and the Spirit
of Capitalism (2004)namely, the effects of the rationalization process, reification, and the
mechanization of action. Weber is not an anti-Enlightenment critic of the French Revolution,
nor a proponent of maintaining a social order untouched by it. Perhaps Burke (2017), in his
Reflections on the Revolution in France, more explicitly expresses this conservative position,
3
It was a literary movement in Germany between 1760 and 1780the height of German Romanticismwhich
had Johan Gottfried Herder as one of its main influences, but also Johann Wolfgang von Goethe and Friedrich
Schiller. It is estimated (Safranski, 2010) that Romanticism in Germany lasted from 1750 to the first decade of the
19th century, having great relevance for German Idealism, with Kant, Fichte, Schelling, and Hegel.
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arguing that his opposition to the French Revolution rested on the claim that its methods
violated individual freedoms.
Lastly, Weber is not a revolutionary author, as he does not adopt a genuinely critical
(emancipatory) stance regarding the fate of humanity. Revolutionary Romanticisma current
associated with authors such as Ernst Bloch, the early Lukács (2009; 2017) prior to his
adherence to Hegelian-Marxist thought and the dialectical method, particularly in Soul and
Form (originally published in 1909 [2017]) and The Theory of the Novel (originally published
in 1916 [2009])can also be traced back, perhaps most prominently, to Rousseau (2011). In
Rousseau’s work, “one finds no sympathy for feudalism” (Löwy, 2008, p. 13); on the contrary,
Rousseau was one of the foremost representatives of a bourgeoisie that conceived itself as
revolutionary, oriented toward a transformation aimed at dismantling the old forms of human
exploitation.
Disenchanted Romantic Sociology: Max Weber and Resigned Social Theory
Weber is generally regarded as one of the foremost sociologists of his time, having
devoted a substantial portion of his work to understanding religious manifestations and the
symbiosis between their ethical systems and the socio-political-economic spirit of capitalism.
In the social sciences, it is primarily to Weber (1965)but also to Simmel (2013), Tönnies
(1991), and Sombart (1986)that scholars turn when seeking to explain the process of
rationalization that transformed pre-capitalist feudal communities into civil societies and the
modern state. This explanation is consistently grounded in studies of religion, particularly
Protestantism, which provide the basis for understanding the emergence of a capitalist spirit
that came to dominate the fully rationalized West or, as Weber (1965) terms it, the disenchanted
West. This rationalized Western context is described as disenchanted insofar as Weber
associates it with the establishment of a way of life dominated by science and technology, which
in turn engenders a mode of existence guided by the methodical calculation of appropriate
means toward intended ends. Weber (1965) understands rationalization as the
institutionalization of this methodical, highly predictable, and calculable way of life, while
simultaneously associating the mechanization of so-called rational actionsthe reduction of
the possibility of fully free actionwith the category of disenchantment, which carries, to some
extent, a positive meaning within Weber’s sociology.
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The term appears in several of Weber’s works, with its primary meaning linked to
demagificationthe removal of magical significance from causality. His thesis of the loss of
meaning complements this notion, insofar as the loss of meaning to which Weber refers is in
fact a shift in the legitimacy of how meaning is attributed to the world. Whereas in pre-capitalist
communal contexts causality was strictly mystical-religious, associated with the determinations
of prophets and charismatic magico-religious leaders, in the rationalized Western context
causality comes to be understood through the refinement of techniques for manipulating
naturethat is, science properand through the application of these techniques to a new way
of life. If the scientific method can predict and control everything, and if it is transposed into
the manner in which individuals conduct their actions, all actions become predictable and
calculable. If there is, therefore, an association between disenchantment and a more predictable
and calculable mode of lifealbeit one that is mechanized and reified, as Weber himself
acknowledges—then Weber’s sociology (1965) contains a critical dimension that approaches a
form of disenchanted Romanticism. From this perspective, as Löwy argues, “a return to the past
is impossible, regardless of the social and cultural qualities of pre-capitalist societies” (Löwy,
2008, p. 16, our translation); industrial capitalism thus appears as an irreversible phenomenon
and, irrespective of its effects, resignation remains the only viable stance.
The critical dimension of Weber’s work is fully tied to a position of the conscious
observer of capitalist reality and its catastrophic effectsa position that Weber presents as that
of the professional scientist, who remains at the margins of social phenomena and therefore
should not attempt to theorize reality normatively. Weber’s critique of capitalism, far from
proposing an alternative capable of overcoming it, tends instead toward an exposition of
reificationan aspect that carries a negative meaning in Weber’s thought—as something that,
precisely because it did not exist in communities prior to the process of rationalization, suggests
a certain nostalgia for the social ethics of communal relations. Within this Romantic worldview
present in German sociology, “this pre-capitalist past is adorned with a series of virtues (real,
partially real, or imagined), such as the predominance of qualitative values (use values or
ethical, aesthetic, and religious values)” (Löwy, 2008, p. 13, our translation), as well as genuine
affective relations among human beings and lived emotions, in direct opposition to forms of
organization based on calculation, money, price, commodity-mediated relations, and
individuals atomized by the growing dominance of exchange value.
The critique of disenchantment can thus be understood as Weber’s discontent with
industrial capitalism, which replaced ethical communal values (qualitatively superior) with
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cold, rational calculation. Is there, in Weber’s work, an attempt to restore within our cultural
universe the enchantment “expelled by machines and accounting ledgers?(Löwy, 2008, p. 55,
our translation). It would be difficult to argue, based on Weber’s conclusions regarding the
process of rationalization, that his sociology aims to restore a past ethical-cultural context in
order to replace the reified reality of capitalism. It is, however, accurate to state that Weberian
sociology presents itself as a resigned form of critiquediscontent with capitalism, yet lacking
any prospect of human emancipation from the reality that surrounds us. By way of example,
although Marx (2017) and Weber share a common concern—namely, “the central position
attributed to the problems of capitalist society in the work of both” (Cohn, 2023, p. 118, our
translation)they pursue their critiques along different paths. Whereas Marx directs his
discontent toward an attempt to overcome capitalism, grounding his critique in political
economy and its own internal terms, Weber advances a critique marked by resignation which,
despite identifying capitalism’s flaws, confines itself to a merely descriptive mode of
theorization.
What is relevant for bringing Weber closer to a form of disenchanted Romanticism is
not only his conclusions regarding the process of rationalization, but also his methodological
choiceindeed, a deliberate choice, since he was well aware of dialecticsfor ordering
segments of reality and constructing his analytical categories. Cohn, in one of the chapters of
Critique and Resignation: Max Weber and Social Theory, highlights Weber’s conception of
domination as an ever-present phenomenon in social life, yet one “without any prospect of
being overcome” (Cohn, 2023, p. 184). Weber consistently operates with rigid dichotomies,
“between which there is no reconciliation nor any mediating third element” (Cohn, 2023, p.
185), as can be contrasted with Hegel’s dialectic of master and slave, in which the categories
of domination and servitude—or rather, “the movement domination/servitude—can be
interpreted as mediation within the unity of these opposing moments, inside the process of the
constitution of self-consciousness” (Cohn, 2023, p. 184, our translation). In Weber, by contrast,
mediations function merely as methodological devices to explain how dominant groups
legitimize their domination over the dominated across time. The category of the administrative
staff, discussed by Cohn, is an analytical construct that operates as an external instrument to the
terms it seeks to explain. Cohn describes the mediating function of the administrative staff as
follows:
The fact is that there is a mediator between dominators and dominated in the
Weberian scheme, and one with very peculiar characteristics. This mediator
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is the “administrative staff,” identified by Weber as a component of any type
of domination that remains effective over time. The peculiarity of the
administrative staff is that, if we consider the analysis cited above by Jameson,
it is a non-evanescent mediator. On the contrary, the more Weber emphasizes
the effectiveness of rational-legal domination, whose administrative staff is
bureaucratic in nature, the more the internal consistency and durability of this
privileged mediatorthe administrative staff interposed between dominators
and dominatedare reinforced (Cohn, 2023, p. 185, our translation).
We are thus faced with a situation in which the theorist adopts an apathetic stance when
confronted with a reality that presents individuals who are juridically (formally) equal, yet
occupy different positions of actionpositions of action legitimized insofar as domination,
according to Weber, is a typical manifestation of a form of organization understood as
insurmountable. This is because Weber’s own analytical categories function solely as
descriptive categories marked by extreme impassivity. By differences in status, I do not mean
the fact that individuals hold different functions in a hypothetical society beyond capitalism
it is evident that differentiated functions for different individuals would remain necessary even
after the emancipation of capitalist relations, as society would still require physicians,
firefighters, public administrators, and public school teachers. What underlies this argument is
that, in Weber, the category of domination is theorized only with the intention of superficially
understanding the power dynamics between the class (status group) that dominates and the class
that is dominated, employing an analytical category to ground sociological analysis. As Sell
observes,
Weber is, above all, a theorist of the collision of values [Wertkollision]. He
does not envisage on the horizon any possible strategy of reconciliation
[Versöhnung] and emphatically criticizes attempts in this direction (Sell,
2013, p. 254, our translation).
Weber can be associated with a form of disenchanted Romanticism insofar as the anti-
capitalist tendency in his work adoptssometimes implicitly, sometimes explicitlya
“nostalgic (but not apologetic) attitude toward the pre-capitalist Gemeinschaft, toward the more
organic forms of communal life of the past(Löwy, 2008, p. 70, our translation), in which
human beings were still free from what Weber himself perceived in rationalized modernity.
Löwy further notes, praising German sociology as an advance over French positivist sociology
and Anglo-Saxon sociology, that “the critical dimension of Romantic origin remains active in
their works and gives them that particular quality which distinguishes them from superficial
apologias” (Löwy, 2008, p. 71, our translation), precisely those found in the two traditions
mentioned above. This may well represent the apex of German sociology: the ability to
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apprehend social phenomena without filling their content with dogmatic apologetics of
capitalist contradictions. Weber’s work revolves around providing “a sociological substrate to
Neo-Kantian theses” (Sell, 2013, p. 250, our translation) and demonstrating “the erosion of a
unified reason” (Sell, 2013, p. 250, our translation), that is, showing how the formal reason of
science follows its own logic and operates, according to Sell (2013, p. 250, our translation),
“solely within the domain of description and causal understanding of phenomena.” Here again,
in the formulation of analytical sociological categories, there is a perception of the
fragmentation of the logic of spheres of action, just as the Romantics perceived a cleavage in
thought and opposed itromantically, of course, yet without resorting to simplistic apologetics.
Weber himself, to whom the greatest credit is attributed for contributions to the “science
of society” in Germany, acknowledges that the extreme impersonality of bureaucracy
transformed the administrator into a mere executor of predetermined tasks without consent, and
that the fulfillment of such tasks, regardless of the bureaucrat’s personal ethical values, entails
a reification that renders formal rational action the only possible form of action. Any action
whose intention goes beyond mere rational (predictable) calculation is deemed irrationalan
action that leads to ruin. In the Gesammelte Aufsätze zur Wissenschaftslehre, Weber states that
what remains for the individual is a choice between “economic annihilation or obedience to
very specific maxims of economic conduct” (Weber, 1965, p. 132, our translation). As Weber
further argues in the same text,
Economic laws are schemes of rational action derived not from psychological
analysis of individuals, but from the ideal-typical reconstruction of the
mechanism of price struggle based on the objectively constructed theoretical
situation. When expressed in a pure form, these laws leave the individual
involved in the market only the option between teleological adaptation to the
market or economic ruin (Weber, 1965, p. 140, our translation).
Accordingly, the association in Weber’s work between disenchantment and rational
action implies that rational action capable of calculation in the most minute detailsand of
symmetrically aligning means and endsis, by definition, an intelligible action. Cohn draws
attention to this association, emphasizing that “perfectly rational action is fully predictable (and
disenchanted, Weber would say). It offers the maximum probability of correctly predicting its
occurrence” (Cohn, 2023, p. 137, our translation). Therefore,
Rational action, the most predictable form of action, is also the privileged case
of intelligible action: it suffices for the observer to know the intended end, the
available means, and to take into account that there exists one and only one
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way of maximizing results under given conditions (Cohn, 2023, p. 137, our
translation).
The intelligible action referred to here does not carry a critical-emancipatory meaning;
it merely denotes an analytical instrument deemed advisable because the historical-social
universe surrounding individuals requires the constant calculation of the equation between
necessary means and intended ends. This entails a narrowing of the “margin of options available
to agents” (Cohn, 2023, p. 128, our translation), that is, action oriented toward endswhich is
intelligible action par excellence—implies that “we can act on the basis of weighing the various
possibilities of a future course of events in the case of the realization of each action (or
omission) conceived as possible” (Cohn, 2023, p. 125, our translation). From Weber’s
conclusions and from the meaning attributed to analytical categories in his work
disenchantment, for instance, understood as the expulsion of magical means of salvation and
the replacement of magic by mathematical causal mechanismsit becomes clear that Weber
associates the establishment of a methodical, calculable, and predictable way of life with a
stance of understanding, grounded in what he terms intelligible action as rational action, as Sell
emphasizes.
The technical-scientific worldview reshapes the understanding of these
powers, which thereby lose their extraordinary character and become fully
immanent. Reality comes to be oriented by the idea of causality as a blind
mechanism, guided by a logic that can be decoded and controlled (Sell, 2013,
p. 243, our translation).
The rapprochement between Weber and a form of disenchanted romanticism proposed
in this essay is grounded in the author’s critiques of the causal mechanism of capitalism
rationalized and therefore reifiedwithout, however, his critical stance toward this mechanism
seeking a solution that lies beyond capitalism itself. Should not the loss of the extraordinary
mystical character of a context once enchanted by the dominance of religion, the replacement
of this mysticism by a form of causality that is par excellence comprehensible, and the
establishment of purely technical and scientific means free us from the catastrophic effects of
capitalism?
The hypothesis advanced here is that Weber is fully willingregarding his choice to
operate with fictional constructionsto pay the price of opposing the dialectical method,
because the central concern of his work is to create “conditions to render certain segments of
empirical reality cognizable and controllable” (Cohn, 2023, p. 192, our translation), insofar as
the German sociologist believes this to be the sole destiny of anyone devoted to science. In this
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sense, the individual who devotes himself exclusively to science, in Weber’s view, must by
definition have his theoretical-categorical instrument clearly defined in order to debate and
question what pertains strictly to the scientific realm, that is, what manifests itself in a given
objectivityin this case, capitalismthat is foreign to the subjectivity (consciousness) of
human beings in general, but which can be ordered into causal nexuses. This ordering is
achieved by analyzing the objective possibility of the occurrence of a given event, given that
the agents under analysis can be typified, endowed with certain social characteristicsthrough
an exercise of hyperbolizing traits in order to identify supposed rulesand, consequently,
psychological characteristics that impel them toward one action or another.
The modern individual’s perception of disenchantment, of the inexorability of operating
with defined scientific categories, and of the domination of reality through technical means
leads us to conclude that an approximation between German sociology and a romantic
worldview is possible. As Safranski observes, although Romanticism is a historically delimited
period, “the romantic is an attitude of the spirit that is not confined to a specific time. It found
its purest expression in Romanticism, but the romantic persists to this day” (Safranski, 2010, p.
16, our translation).
In this sense, sociological romanticism should be understood as the expression of a
theory that presents itself as scientificby operating with objective analytical categoriesand
that therefore contents itself with mere dissatisfaction in the face of what this very theory deems
catastrophic, limiting itself to the description of events. By critique marked by resignation, one
should understand that Weber’s perception of the reification of consciousness and the
mechanization of labor is characterized by a stance that does not aspire to the emancipation
from the effects engendered by the objectivity of capitalism. The conclusions regarding the
process of rationalization lead us to infer not only a certain apathy on Weber’s part, but also
that his thesis of the loss of meaning represents an attempt to counterpose the mechanized
objectivity produced by capitalism with a context that, although enchanted and permeated by
magic, according to Weber, was marked by human relations oriented by specific ethical values
and by a certain notion of totality that bound individuals together through ties of fraternity and
love.
ACKNOWLEDGMENTS: This study was supported by the Coordination for the
Improvement of Higher Education Personnel Brazil (CAPES).
Vinícius BERNARDES
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: I acknowledge the Coordination for the Improvement of Higher
Education Personnel Brazil (CAPES). I also thank my advisor, Prof. Dr. Antonio Ianni
Segatto, for the time dedicated to supervision, which, although directly related to this article,
substantially contributed to the development of the ideas presented herein.
Funding: CAPES Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel.
Conflicts of interest: None.
Ethical approval: The conduct of this study complied with the ethical principles of
scientific research.
Data and material availability: The reference materialsbooks and articles in PDF
formatare fully available online. The preparation of this work, however, also relied on
physical copies of online files for offline consultation.
Authors’ contributions: As the sole author, the ideas developed in this work emerged
during the writing process of my master’s dissertation entitled Disenchantment and
Reification: A Study on History and Class Consciousness, in which I present Lukács’s
critique of Max Weber’s sociological ideal of knowledge as articulated in the referenced
Hegelian-Marxist essay of 1923. The arguments advanced in this article constitute a focused
excerpt from the broader dissertation. Here, I limit the analysis to describing a possible
influence of German Romanticism (17501810) on early twentieth-century German
sociological thought, with particular emphasis on the work of Max Weber as the leading
German sociologist of the period.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, standardization and translation