Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025008, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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OS RISCOS DA CAPTURA NEOLIBERAL DO LEGADO EDUCACIONAL DE
PESTALOZZI: NOTAS PARA O DEBATE
LOS RIESGOS DE LA CAPTURA NEOLIBERAL DEL LEGADO EDUCATIVO DE
PESTALOZZI: NOTAS PARA EL DEBATE
THE RISKS OF THE NEOLIBERAL CAPTURE OF PESTALOZZI'S EDUCATIONAL
LEGACY: NOTES FOR DEBATE
Joana Haase Almeida TOMASINI
1
e-mail: joanahaase@usp.br
Eduardo Donizeti GIROTTO
2
e-mail: egirotto@usp.br
Como referenciar este artigo:
GIROTTO, E. D.; TOMASINI, J. H. A. Os riscos da captura
neoliberal do legado educacional de Pestalozzi: notas para o
debate. Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025008,
2025. e-ISSN: 2358-4238. DOI: 10.29373/sas.v14i00.20164
| Submetido em: 14/04/2025
| Revisões requeridas em: 20/04/2025
| Aprovado em: 20/12/2025
| Publicado em: 29/12/2025
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo SP Brasil. Graduanda em Geografia na Faculdade de Filosofia
Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH). Licencianda em Geografia na Faculdade de Educação da USP
(FE/USP).
2
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo SP Brasil. Professor Associado do Departamento de Geografia
da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH).
Os riscos da captura neoliberal do legado educacional de Pestalozzi: notas para o debate
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025008, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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RESUMO: Este artigo analisa o impacto do neoliberalismo nas políticas educacionais
brasileiras e mostra como as diretrizes educacionais, embora se apresentem como promessas de
emancipação e liberdade, reforçam a lógica capitalista e a reprodução social. A partir da análise
do legado de Johann Heinrich Pestalozzi, discute-se como a pedagogia de Pestalozzi vem sendo
apropriada pela lógica neoliberal. Mesmo com suas contribuições inovadoras para a educação,
como a valorização da afetividade e da autonomia, o contexto contemporâneo da educação
relativizou esses princípios, tornando-os instrumentos que servem para perpetuar ideais
capitalistas, com foco na reprodução das desigualdades e na formação para o trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Pestalozzi. Neoliberalismo.
RESUMEN: Este artículo analiza el impacto del neoliberalismo en las políticas educativas
brasileñas, destacando cómo las directrices educativas, aunque se presentan como promesas
de emancipación y libertad, refuerzan la lógica capitalista y la reproducción social. A partir
del legado de Johann Heinrich Pestalozzi, se discute cómo la pedagogía de Pestalozzi ha sido
apropiada por la lógica neoliberal. A pesar de sus innovadoras contribuciones a la educación,
como la valorización de la afectividad y la autonomía, el contexto educativo contemporáneo
ha relativizado estos principios, transformándolos en herramientas que perpetúan los ideales
capitalistas, centrándose en la reproducción de desigualdades y la formación para el mercado
laboral.
PALABRAS CLAVE: Educación. Pestalozzi. Neoliberalismo.
ABSTRACT: This article examines the impact of neoliberalism on Brazilian educational
policies, highlighting how educational guidelines, despite being presented as promises of
emancipation and freedom, reinforce the capitalist logic and social reproduction. Drawing on
the legacy of Johann Heinrich Pestalozzi, the discussion explores how Pestalozzi's pedagogy
has been appropriated by the neoliberal framework. Although his innovative contributions to
education, such as valuing affectivity and autonomy, remain relevant, the contemporary
educational context has relativized these principles, transforming them into tools that
perpetuate capitalist ideals, with a focus on reproducing inequalities and preparing individuals
for the labor market.
KEYWORDS: Education. Pestalozzi. Neoliberalism.
Joana Haase Almeida TOMASINI e Eduardo Donizeti GIROTTO
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Introdução
O debate em torno das diretrizes educacionais e sua relação com as perspectivas
neoliberais tem se intensificado, especialmente diante da crescente influência dessas ideologias
no campo da educação. Nesse contexto, o legado educacional de Pestalozzi e sua apropriação
pela lógica neoliberal de educação emergem como objetos de análise crítica, evidenciando o
mascaramento neoliberal na construção das políticas educacionais.
A partir disso, este ensaio propõe uma reflexão sobre como as finalidades da educação
propostas pelo pedagogo suíço Johann Heinrich Pestalozzi, tais como emancipação, liberdade
e igualdade, podem ser capturados pela lógica de reprodução do capitalismo dentro do ambiente
educacional, em especial, com o avanço da lógica neoliberal, revelando as nuances desse
fenômeno e suas implicações para a formação da sociedade contemporânea.
O ensaio encontra-se organizado da seguinte forma: na primeira parte, fazemos uma
breve discussão sobre como a lógica de reprodução capitalista afeta as políticas educacionais
no contexto brasileiro atual. Após isso, discutimos o contexto de produção da obra de
Pestalozzi, seguido de um debate sobre o legado do autor e suas possíveis contribuições para o
entendimento da realidade contemporânea. Em seguida, tecemos algumas análises com o intuito
de localizar a obra de Pestalozzi em relação aos outros autores e autoras que produziram ideias
educacionais no mesmo contexto, mostrando a complexa rede de relações entre ideias, autores
e contextos. Por fim, apresentamos algumas considerações com o intuito de problematizar a
importância do legado educacional de Pestalozzi e a necessidade de uma constante vigilância
para que o mesmo não seja capturado pelo discurso neoliberal que visa fagocitar as políticas
educacionais contemporâneas.
Instrumento de reprodução do capitalismo: uma análise crítica das diretrizes
educacionais brasileiras
Como podemos compreender a contemporaneidade sem uma análise crítica do processo
de formação do sujeito? Como podemos avaliar a naturalização dos processos sociais na
dinâmica capitalista contemporânea? Em nossa análise, partimos do pressuposto de que a
fetichização de diferentes aspectos da vida humana em sociedade, diretamente relacionados ao
desenvolvimento do capitalismo, está intrinsecamente ligada à formação dos sujeitos,
especialmente na internalização e naturalização de uma ideia de trabalho, o trabalho abstrato.
A centralidade que a lógica do trabalho abstrato assume na reprodução social contemporânea
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leva a maioria dos sujeitos sociais a não conseguirem se imaginar fora da lógica da exploração
do trabalho. Em certa medida, isso ocorre porque o sistema escolar, de forma predominante,
não estimula a crítica a esta lógica. Ao contrário, o que vemos é um reforço ideológico dela,
mesmo que com o uso de outros termos, como empreendedorismo, protagonismo, entre outros.
A reprodução intrínseca desta lógica se reflete na elaboração de documentos governamentais
que fundamentam o sistema educacional brasileiro, como a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) (Brasil, 2018), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação LDB (Brasil, 1996) e o
Plano Nacional de Educação PNE 20142024 (Brasil, 2014), sendo que em todos está
presente a ideia de uma educação para formação ao trabalho.
Em nossa perspectiva, tais documentos promovem um falso discurso da educação para
a liberdade, autonomia e humanização do sujeito quando na verdade o que se espera é a
formação de cidadãos prontos para realizar, ao longo de sua existência, a produção e reprodução
do trabalho e consequentemente do capital. A seguir temos alguns exemplos de como
isso aparece nas principais legislações educacionais do país:
Art. 1º, § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à
prática social (Brasil, 1996).
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de
liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o trabalho (Brasil, 1996).
Art. 35, II a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando,
para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com
flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores
(Brasil, 1996).
Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e
procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para
resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo
do trabalho (Brasil, 2018).
Art. 2º, V formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos
valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade; (Brasil, 2014).
Como vimos, são diversas as menções à chamada preparação para o mundo do trabalho
nestes documentos, o que nos leva a seguinte questão: como chegamos nesse lugar em que a
educação cumpre o papel indireto de manutenção do sistema capitalista por meio da
centralidade da reprodução da força de trabalho?
Joana Haase Almeida TOMASINI e Eduardo Donizeti GIROTTO
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É fato que a educação forma os sujeitos e se coloca em uma posição da reprodução
social que historicamente é disputada principalmente pela burguesia e elite brasileira, como
indicam o trecho a seguir:
Consideramos, de partida, que a educação é um processo que não pode ser
eliminado do desenvolvimento humano e uma das condições pelas quais o ser
humano adquire seus atributos fundamentais ao longo do processo histórico-
social. Nesse sentido podemos considerá-la uma das principais constituintes
do “corpo inorgânico”, isto é, conjunto de objetivações socialmente
construídas, tais como objetos, usos, costumes, significações, conhecimentos
etc. (Martins, p.49, 2012).
O acesso à educação no Brasil, inicialmente restrito àqueles nas mais altas classes
sociais, mostra-se necessário às demais classes dentro do mundo capitalista, uma vez que é
preciso também formar a classe trabalhadora, mas não como se formam as elites. É preciso
formá-los para o trabalho, para a reprodução do capitalismo sem questioná-lo.
A perpetuação da ideia de um indivíduo livre, com liberdade de escolhas e que o é
educado para se perceber dentro desse sistema é parte do projeto de educação da burguesia. É
no próprio discurso e na prática pedagógica que se perpetuam esses ideais fetichizados. A teoria
pedagógica do chamado escolanovismo desenvolvida pela e para a burguesia tem em seu cerne
ideológico uma idealização que embasa esse discurso opressor. Sua gênese está em Johann
Heinrich Pestalozzi no século XVIII. Na próxima seção deste ensaio, analisaremos o contexto
socioeconômico no qual emergem as ideias de Pestalozzi.
O contexto histórico e filosófico de Johann Heinrich Pestalozzi: uma análise sob a luz das
revoluções e ideais iluministas
Johann Heinrich Pestalozzi nasceu em 1746 na cidade de Zurique, Suíça. Foi um escritor
prolífico, produzindo um total de 40 volumes. Teve grande contribuição aos estudos da prática
pedagógica e realizou diferentes testes e experimentos educativos ao longo de sua vida,
buscando métodos de ensino efetivos e que fossem condizentes com sua percepção de mundo.
Uma análise das bases do pensamento de Pestalozzi à luz de uma perspectiva que busca
inseri-lo em seu espaço-tempo nos indica algumas possíveis interpretações de sua construção
teórica. Essa distinção é necessária considerando-a base do que hoje se apresenta como uma
das abordagens pedagógicas estruturantes dos documentos que regem a educação brasileira.
A Suíça está localizada na Europa Central. Nas configurações fronteiriças e de Estados-
Nação atuais, faz fronteira com Alemanha ao norte, França ao oeste, Itália ao sul, e Áustria e o
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Principado de Liechtenstein ao leste. Quando o autor nasceu há um culo, a Suíça havia sido
reconhecida formalmente como independente por potências europeias vizinhas. Em 1798, as
forças armadas da França revolucionária assumiram o controle da Suíça. Durante esse período,
houve confrontos militares em território suíço, com os exércitos austríacos e russos também
participando dessas batalhas. A França apoiou a formação da República Helvética, um governo
parlamentar centralizado, modelado com base no sistema francês.
Esse período interessantemente definido como Era das Revoluções por Eric
Hobsbawm é marcado por diferentes tensões geopolíticas, revoluções técnico-científicas que
alteram o meio de maneira desigual e combinada pela Revolução Francesa, Revolução
Industrial e Guerras Napoleônicas. Mesmo sendo um dos pioneiros dos ideais escolanovistas é
importante salientar que essa nomenclatura e o aspecto mundial que o movimento alcança é
posterior ao pensador aqui discutido (Arce, 2015).
A Revolução Industrial marcou um processo de reconfiguração das estruturas sociais e
econômicas, enquanto a Revolução Francesa promoveu ideais de liberdade, igualdade e
fraternidade. O primeiro aponta para a reconfiguração das relações entre a humanidade e os
domínios da natureza, consumo e trabalho; o segundo, denota a introdução progressiva de ideais
recém-incorporados na realidade do homem branco, burguês e europeu do século XVIII. O
Iluminismo, que permeou o século XVIII ou seja, fazia parte da mentalidade humana
europeia no nascimento de Pestalozzi promovia a crença no progresso, na razão científica e
econômica, e no ideal liberal do indivíduo como arquiteto de seu próprio destino. Como
veremos, estas concepções irão influenciar diretamente a obra educacional de Pestalozzi.
A ambiguidade do legado de Johann Heinrich Pestalozzi: entre a inovação pedagógica e
a reprodução das estruturas de poder
Dentre as experiências pedagógicas desenvolvidas pelo autor, inserem-se diversas
escolas, sendo uma delas particularmente notável. A Escola de Yverdon, localizada em um
castelo cedido para Pestalozzi, tornou-se um centro de referência para a educação na Europa.
Nessa instituição, o autor implementou uma abordagem inovadora, caracterizada por uma
relação afetiva com as crianças. Na Escola de Yverdon, os professores ministravam aulas e
participavam de atividades ao ar livre com os estudantes. Pestalozzi valorizava a conexão com
a natureza como parte integrante da educação. A escola era construída para ser esse ambiente
estimulante e afetivo. Semanalmente as crianças tinham a oportunidade de conversar
Joana Haase Almeida TOMASINI e Eduardo Donizeti GIROTTO
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diretamente com Pestalozzi que também realizava reuniões com os educadores, ou seja,
participava ativamente do processo educativo.
Pestalozzi carrega em si a herança de Rousseau que, aliada à sua fé protestante, moldou
sua visão sobre a educação e a importância da natureza na formação integral das crianças. A
abordagem de Pestalozzi influenciou não apenas a prática educacional de seu tempo, mas
também serviu como base para movimentos educacionais subsequentes.
A maneira pela qual Pestalozzi percebe e idealiza a escola envolve originalidade e
diferenciais em relação aos métodos educacionais de sua época. Sua abordagem inovadora e
focada na afetividade desempenhou um papel crucial na formação da base para o movimento
escolanovista. Uma das contribuições mais marcantes de Pestalozzi foi sua ênfase no papel da
afetividade no processo educativo: o vínculo afetivo entre educador e estudante se torna ponto
fundamental para o sucesso do processo pedagógico. Para o autor, o amor deveria ser
transparente e claro, constituindo uma parte essencial da relação educativa.
A tríade coração, cabeça e mãos marca a visão de Pestalozzi sobre o desenvolvimento
humano e permeia toda a construção de seu pensamento sobre o processo educativo. As
habilidades do ser humano emocionais, cognitivas e práticas devem ser desenvolvidas no
ambiente escolar (e fora dele) simultaneamente, garantindo uma formação integral e
equilibrada. A obra também se destaca por seus estudos sobre a infância, reconhecendo essa
fase como fundamental para o desenvolvimento humano. Suas experiências educativas sempre
centradas na criança buscavam proporcionar um ambiente que estimulasse, ao mesmo tempo,
o crescimento físico, cognitivo e emocional, novamente se relacionando com a tríade. O autor
rejeita a simples exposição teórica do educador e procurava desenvolver experiências práticas
que envolvessem os estudantes de maneira significativa (Pestalozzi, 2010).
A trajetória do autor em questão foi marcada por diferentes desafios e frustrações, com
diferentes tentativas de aplicação de seu processo pedagógico sem sucesso, mas que
culminaram na citada Escola de Yverdon. A originalidade de seu método reside no
desenvolvimento da liberdade e autonomia dos estudantes. É reconhecido como o criador do
método intuitivo embora haja críticas que sugerem que a ideia é mais associada à percepção
do que à intuição. Essa abordagem inovadora para sua época foca na compreensão natural das
crianças, adaptando o ensino às suas necessidades individuais e valorizando os conhecimentos
adquiridos de maneira espontânea, através da percepção e vontade do educando.
O discurso idealizado do escolanovismo, que destaca o estudante como um agente
autônomo com liberdade e desejos próprios, pode ser visto como uma manifestação da teoria
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pedagógica do aprender a aprender. Assim como muitas outras características dessa teoria
pedagógica que surge na segunda metade do século XX e que bebem da fonte do escolanovismo
de Pestalozzi, também está presente na Base Nacional Comum Curricular, como podemos
verificar no trecho a seguir:
Requer o desenvolvimento de competências para aprender a aprender, saber
lidar com a informação cada vez mais disponível, atuar com discernimento e
responsabilidade nos contextos das culturas digitais, aplicar conhecimentos
para resolver problemas, ter autonomia para tomar decisões, ser proativo para
identificar os dados de uma situação e buscar soluções, conviver e aprender
com as diferenças e as diversidades. (Brasil, 2018, p. 15)
Essa visão romântica muitas vezes ignora as estruturas de poder subjacentes do
capitalismo, perpetuando assim um sistema opressivo e desigual. Enquanto ambas as
abordagens enfatizam a autonomia do estudante, é importante reconhecer como essas ideias
podem ser cooptadas e instrumentalizadas para manter as hierarquias existentes e reforçar a
desigualdade social e econômica. Além disso, essa abordagem para um país como o Brasil
desconsidera o caráter de manutenção das desigualdades estruturais e históricas, que permeiam
o sistema educacional e a sociedade como um todo. A ênfase na autonomia do estudante,
embora louvável em sua intenção de promover a emancipação individual, muitas vezes não leva
em conta as disparidades de acesso a recursos educacionais, as condições socioeconômicas
desfavoráveis e as políticas públicas deficientes que limitam as oportunidades de
desenvolvimento pleno para todos os estudantes.
Assim, enquanto reconhecemos a importância do legado de Pestalozzi na promoção de
uma educação centrada no estudante e na valorização da afetividade e da natureza no processo
educativo, é essencial compreender as limitações e contradições de suas ideias dentro de um
contexto mais amplo. Devemos buscar uma abordagem crítica que não apenas empodere os
estudantes, mas também questione e desafie as estruturas de poder e as injustiças sociais que
perpetuam as desigualdades. Somente assim poderemos avançar em direção a uma educação
verdadeiramente emancipatória e inclusiva, capaz de transformar não apenas indivíduos, mas
também as estruturas sociais que os circundam.
Tecendo conexões rizomáticas: Pestalozzi e sua influência na complexa rede do
pensamento educacional
Gilles Deleuze e Félix Guattari em sua obra Mil Platôs (1995) discutem a ideia de
rizoma em contrapartida à tradicional arborização do pensamento que busca por raízes. Uma
Joana Haase Almeida TOMASINI e Eduardo Donizeti GIROTTO
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análise rizomática considera a multiplicidade de fatores que se conectam entre si em relações
complexas e não hierárquicas, permitindo uma compreensão mais fluida e não linear dos
fenômenos. O rizoma sugere uma abordagem que valoriza a interconexão, a heterogeneidade e
a transversalidade, em contraste com a estrutura hierárquica e linear da árvore do conhecimento.
Nesse contexto, uma análise rizomática busca explorar as conexões horizontais e as
ramificações múltiplas que caracterizam a natureza não-linear e imprevisível dos sistemas
complexos (Deleuze; Guattari, 1995).
É a partir dessa intersecção e diálogo entre autores que se faz necessário compreender
quais as influências do pensamento de Pestalozzi para aqueles outros filósofos da educação. Tal
fato nos traz a seguinte indagação: como as ideias de Pestalozzi dialogam com as diferentes
teorias da educação, delineando suas contribuições únicas e as conexões que permeiam
concepções pedagógicas póstumas ou contemporâneas a ele? A interlocução entre pensadores
abre caminho para compreender Pestalozzi como um ponto nodal em uma rede complexa de
influências, evidenciando a riqueza e a diversidade presente na construção do pensamento
educacional e no fazer científico. Nesse sentido, a abordagem rizomática proposta por Deleuze
e Guattari (1995) pode lançar luz sobre essa dinâmica, ao enfatizar a multiplicidade de conexões
e influências que permeiam o desenvolvimento das teorias educacionais. Sob essa ótica, as
ideias de Pestalozzi não se limitam a uma estrutura linear de influência, mas se ramificam e
entrelaçam com outros pensadores e correntes de pensamento, formando uma teia complexa e
interconectada de concepções pedagógicas. Essa perspectiva rizomática permite uma
compreensão mais fluida e holística das influências de Pestalozzi e de seu papel na construção
do pensamento educacional contemporâneo.
A influência de seu pensamento é inegável quando consideramos a relação entre seus
princípios pedagógicos e os de outros destacados educadores, como John Dewey, Friedrich
Froebel, Maria Montessori e Celestin Freinet. Pestalozzi compartilhava com Jean-Jacques
Rousseau a contradição presente na busca por uma educação libertadora que, paradoxalmente,
acaba por aprisionar os sujeitos. Em sua obra desenvolveu o conceito de recusa ao verbalismo,
algo que Rousseau teorizou, destacando a importância de uma abordagem mais prática e
centrada no desenvolvimento integral das crianças.
Ao dialogar com as diferentes teorias da educação, Pestalozzi ecoa em outros grandes
educadores dos séculos XIX e XX. Montessori, influenciada por Pestalozzi, Freinet e Rousseau,
observa também o desenvolvimento das crianças e realiza práticas inovadoras que valorizam a
autonomia e a individualidade, assim como postulado por Pestalozzi. A contribuição do autor
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também se reflete no movimento da Escola Nova, especialmente no Brasil nas décadas de 20 e
30, onde suas ideias foram fundamentais para a criação de práticas como a Aula Passeio,
incentivando a saída e pesquisa no ambiente para uma aprendizagem mais contextualizada.
Considerações Finais
Johann Pestalozzi, figura central na história da pedagogia, desenvolveu uma abordagem
educacional inovadora baseada na afetividade, na busca pela formação integral do indivíduo e
na ênfase no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças sua tríade coração,
cabeça e mãos. Porém, ao confrontar suas ideias com a realidade contemporânea, emergem
contradições profundas. O contexto neoliberal, permeado pelo capitalismo e liberalismo,
distorce e instrumentaliza os princípios de Pestalozzi, transformando-os em ferramentas de
manutenção do status quo.
A crescente influência do neoliberalismo nas políticas educacionais tem promovido uma
educação que, ao invés de emancipar, perpetua as desigualdades sociais e econômicas. O
surgimento da educação infantil, alinhado às ideias escolanovistas, mascara a verdadeira
natureza da educação, servindo como mero braço ideológico do sistema econômico vigente.
Nesse sentido, as diretrizes educacionais são moldadas não para promover a emancipação,
liberdade e igualdade, mas para perpetuar e legitimar as estruturas de poder existentes.
Diante das transformações sociais e econômicas da Era das Revoluções, Pestalozzi e
outros educadores enfrentaram o desafio de conciliar suas ideias pedagógicas com as realidades
da sociedade industrial em crescimento. No entanto, a cooptação de suas ideias pelo
neoliberalismo transforma a educação em uma ferramenta de reprodução das desigualdades
estruturais e históricas. O discurso da autonomia do estudante, tão presente nas teorias
inspiradas por Pestalozzi, muitas vezes mascara as disparidades de acesso a recursos
educacionais e as condições socioeconômicas desfavoráveis que limitam as oportunidades de
desenvolvimento pleno para todos os estudantes.
Assim, a herança de Pestalozzi, embora seminal na história da pedagogia, é distorcida e
instrumentalizada pelo neoliberalismo, servindo aos interesses da elite dominante em
detrimento da verdadeira emancipação e igualdade. Diante desse cenário, é imperativo adotar
uma abordagem crítica e reflexiva sobre o legado de Pestalozzi, desmascarando as estratégias
do neoliberalismo na educação e lutando por uma educação verdadeiramente emancipatória e
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inclusiva, capaz de promover a transformação não apenas de indivíduos, mas também das
estruturas sociais que os circundam.
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Joana Haase Almeida TOMASINI e Eduardo Donizeti GIROTTO
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não gostaria de fazer agradecimentos.
Financiamento: Não houve financiamento.
Conflitos de interesse: Não há conflito de interesse.
Aprovação ética: O trabalho respeitou a ética dentro de seus parâmetros, sem necessidade
de passar pelo comitê.
Disponibilidade de dados e material: Todos os dados materiais estão disponíveis para
acesso.
Contribuições dos autores: Joana Haase Almeida Tomasini: A contribuição foi composta
pela redação do texto, análise e interpretação de documentos múltiplos, desde aqueles
relacionados à História do Pensamento em Educação até documentos oficiais da Federação.
Eduardo Donizeti Girotto: A contribuição foi composta pela revisão e participação na
elaboração do texto.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
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THE RISKS OF THE NEOLIBERAL CAPTURE OF PESTALOZZIS
EDUCATIONAL LEGACY: NOTES FOR DEBATE
OS RISCOS DA CAPTURA NEOLIBERAL DO LEGADO EDUCACIONAL DE
PESTALOZZI: NOTAS PARA O DEBATE
LOS RIESGOS DE LA CAPTURA NEOLIBERAL DEL LEGADO EDUCATIVO DE
PESTALOZZI: NOTAS PARA EL DEBATE
Joana Haase Almeida TOMASINI
1
e-mail: joanahaase@usp.br
Eduardo Donizeti GIROTTO
2
e-mail: egirotto@usp.br
How to reference this paper:
GIROTTO, E. D.; TOMASINI, J. H. A. The risks of the
neoliberal capture of Pestalozzis educational legacy: notes for
debate. Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025008,
2025. e-ISSN: 2358-4238. DOI: 10.29373/sas.v14i00.20164
| Submitted: 14/04/2025
| Revisions required: 20/04/2025
| Approved: 20/12/2025
| Published: 29/12/2025
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
University of São Paulo (USP), São Paulo SP Brazil.
Undergraduate student in Geography at the Faculty of
Philosophy, Letters and Human Sciences of USP (FFLCH). Pre-service teacher in Geography at the Faculty of
Education of USP (FE/USP).
2
University of São Paulo (USP), São Paulo SP Brazil.
Associate Professor in the Department of Geography at
the Faculty of Philosophy, Letters and Human Sciences of USP (FFLCH).
The risks of the neoliberal capture of Pestalozzi’s educational legacy: notes for debate
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025008, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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ABSTRACT: This article examines the impact of neoliberalism on Brazilian educational
policies, highlighting how educational guidelines, despite being presented as promises of
emancipation and freedom, reinforce the capitalist logic and social reproduction. Drawing on
the legacy of Johann Heinrich Pestalozzi, the discussion explores how Pestalozzi’s pedagogy
has been appropriated by the neoliberal framework. Although his innovative contributions to
education, such as valuing affectivity and autonomy, remain relevant, the contemporary
educational context has relativized these principles, transforming them into tools that perpetuate
capitalist ideals, with a focus on reproducing inequalities and preparing individuals for the labor
market.
KEYWORDS: Education. Pestalozzi. Neoliberalism.
RESUMO: Este artigo analisa o impacto do neoliberalismo nas políticas educacionais
brasileiras e mostra como as diretrizes educacionais, embora se apresentem como promessas
de emancipação e liberdade, reforçam a lógica capitalista e a reprodução social. A partir da
análise do legado de Johann Heinrich Pestalozzi, discute-se como a pedagogia de Pestalozzi
vem sendo apropriada pela lógica neoliberal. Mesmo com suas contribuições inovadoras para
a educação, como a valorização da afetividade e da autonomia, o contexto contemporâneo da
educação relativizou esses princípios, tornando-os instrumentos que servem para perpetuar
ideais capitalistas, com foco na reprodução das desigualdades e na formação para o trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Pestalozzi. Neoliberalismo.
RESUMEN: Este artículo analiza el impacto del neoliberalismo en las políticas educativas
brasileñas, destacando cómo las directrices educativas, aunque se presentan como promesas
de emancipación y libertad, refuerzan la lógica capitalista y la reproducción social. A partir
del legado de Johann Heinrich Pestalozzi, se discute cómo la pedagogía de Pestalozzi ha sido
apropiada por la lógica neoliberal. A pesar de sus innovadoras contribuciones a la educación,
como la valorización de la afectividad y la autonomía, el contexto educativo contemporáneo
ha relativizado estos principios, transformándolos en herramientas que perpetúan los ideales
capitalistas, centrándose en la reproducción de desigualdades y la formación para el mercado
laboral.
PALABRAS CLAVE: Educación. Pestalozzi. Neoliberalismo.
Joana Haase Almeida TOMASINI and Eduardo Donizeti GIROTTO
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025008, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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Introduction
The debate surrounding educational guidelines and their relationship with neoliberal
perspectives has intensified, particularly in light of the growing influence of these ideologies
within the field of education. In this context, the educational legacy of Pestalozzi and its
appropriation by the neoliberal logic of education emerge as objects of critical analysis,
revealing the neoliberal masking involved in the construction of educational policies.
Based on this premise, this essay proposes a reflection on how the purposes of education
articulated by the Swiss pedagogue Johann Heinrich Pestalozzisuch as emancipation,
freedom, and equalitycan be captured by the logic of capitalist reproduction within the
educational environment. This process is especially evident with the advance of neoliberal
rationality, exposing the nuances of this phenomenon and its implications for the formation of
contemporary society.
The essay is organized as follows. In the first section, we briefly discuss how the logic
of capitalist reproduction affects educational policies in the current Brazilian context. We then
examine the context in which Pestalozzi’s work was produced, followed by a discussion of the
author’s legacy and its possible contributions to understanding contemporary reality.
Subsequently, we offer analyses aimed at situating Pestalozzi’s work in relation to other authors
who developed educational ideas within the same historical context, highlighting the complex
network of relationships among ideas, authors, and contexts. Finally, we present concluding
considerations intended to problematize the importance of Pestalozzi’s educational legacy and
to emphasize the need for constant vigilance so that it is not captured by neoliberal discourse,
which seeks to engulf contemporary educational policies.
An Instrument for the Reproduction of Capitalism: A Critical Analysis of Brazilian
Educational Guidelines
How can we understand contemporaneity without a critical analysis of the process of
subject formation? How can we assess the naturalization of social processes within
contemporary capitalist dynamics? In our analysis, we begin from the assumption that the
fetishization of different aspects of human life in societydirectly related to the development
of capitalismis intrinsically linked to the formation of subjects, particularly through the
internalization and naturalization of a specific conception of labor: abstract labor. The centrality
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that the logic of abstract labor assumes in contemporary social reproduction leads most social
subjects to be unable to imagine themselves outside the logic of labor exploitation.
To a certain extent, this occurs because the school system, in a predominant manner,
does not encourage criticism of this logic. On the contrary, what we observe is its ideological
reinforcement, even when expressed through other terms, such as entrepreneurship,
protagonism, among others. The intrinsic reproduction of this logic is reflected in the drafting
of governmental documents that underpin the Brazilian educational system, such as the
National Common Core Curriculum (BNCC) (Brazil, 2018), the Law of Guidelines and Bases
of EducationLDB (Brasil, 1996), and the National Education PlanPNE 20142024 (Brasil,
2014), all of which incorporate the idea of education as preparation for work.
From our perspective, these documents promote a false discourse of education oriented
toward freedom, autonomy, and the humanization of the subject, when in fact what is expected
is the formation of citizens prepared to carry out, throughout their lives, the production and
reproduction of laborand, consequently, of capital. Below are some examples of how this
appears in the country’s main educational legislation:
Art. 1, §2. School education shall be linked to the world of work and to social
practice (Brasil, 1996).
Art. 2. Education, a duty of the family and the State, inspired by the principles
of freedom and the ideals of human solidarity, aims at the full development of
the learner, preparation for the exercise of citizenship, and qualification for
work (Brasil, 1996).
Art. 35, II. Basic preparation for work and citizenship, enabling learners to
continue learning in order to adapt flexibly to new conditions of occupation
or subsequent professional development (Brasil, 1996).
In the BNCC, competence is defined as the mobilization of knowledge (concepts and
procedures), skills (practical, cognitive, and socioemotional), attitudes, and values to address
complex demands of everyday life, the full exercise of citizenship, and the world of work
(Brasil, 2018).
Art. 2, V. Education for work and citizenship, with an emphasis on the moral
and ethical values upon which society is founded (Brasil, 2014).
As demonstrated, there are numerous references to so-called preparation for the world
of work in these documents, which leads us to the following question: how did we arrive at a
point where education fulfills the indirect role of maintaining the capitalist system through the
centrality of reproducing labor power?
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It is a fact that education shapes subjects and occupies a position within social
reproduction that has historically been disputed primarily by the bourgeoisie and the Brazilian
elite, as indicated in the excerpt below:
We consider, from the outset, that education is a process that cannot be
eliminated from human development and is one of the conditions through
which human beings acquire their fundamental attributes throughout the
historical-social process. In this sense, it can be considered one of the main
constituents of the “inorganic body,” that is, the set of socially constructed
objectifications, such as objects, uses, customs, meanings, knowledge, among
others (Martins, 2012, p. 49, our translation).
Access to education in Brazil, initially restricted to those in the highest social classes,
became necessary for other classes within the capitalist world, since it is also necessary to
educate the working classbut not in the same way as the elites. They must be educated for
work, for the reproduction of capitalism without questioning it.
The perpetuation of the idea of a free individual, endowed with freedom of choice and
not educated to perceive themselves within this system, is part of the bourgeois educational
project. It is within discourse itself and pedagogical practice that these fetishized ideals are
reproduced. The pedagogical theory of so-called escolanovismo, developed by and for the
bourgeoisie, has at its ideological core an idealization that underpins this oppressive discourse.
Its genesis can be traced back to Johann Heinrich Pestalozzi in the eighteenth century. In the
next section of this essay, we analyze the socioeconomic context in which Pestalozzi’s ideas
emerged.
The Historical and Philosophical Context of Johann Heinrich Pestalozzi: An Analysis in
Light of the Revolutions and Enlightenment Ideals
Johann Heinrich Pestalozzi was born in 1746 in the city of Zurich, Switzerland. He was
a prolific writer, producing a total of 40 volumes. He made significant contributions to studies
of pedagogical practice and conducted various educational tests and experiments throughout
his life, seeking effective teaching methods consistent with his worldview.
An analysis of the foundations of Pestalozzi’s thought, from a perspective that situates
him within his space and time, points to possible interpretations of his theoretical construction.
This distinction is necessary, given that his work constitutes one of the pedagogical approaches
that currently structure the documents governing Brazilian education.
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Switzerland is located in Central Europe. Under current border and nation-state
configurations, it borders Germany to the north, France to the west, Italy to the south, and
Austria and the Principality of Liechtenstein to the east. When Pestalozzi was born, Switzerland
had already been formally recognized as independent by neighboring European powers. In
1798, the armed forces of revolutionary France took control of Switzerland. During this period,
military confrontations took place on Swiss territory, with Austrian and Russian armies also
participating in these battles. France supported the formation of the Helvetic Republic, a
centralized parliamentary government modeled on the French system.
This periodinterestingly defined by Eric Hobsbawm as the Age of Revolutionsis
marked by diverse geopolitical tensions and by technical-scientific revolutions that transformed
society in an unequal and combined manner, including the French Revolution, the Industrial
Revolution, and the Napoleonic Wars. Although Pestalozzi is considered one of the pioneers of
escolanovista ideals, it is important to note that this terminology and the global scope the
movement later achieved postdate the thinker discussed here (Arce, 2015).
The Industrial Revolution marked a process of reconfiguration of social and economic
structures, while the French Revolution promoted ideals of liberty, equality, and fraternity. The
former points to the reconfiguration of relationships between humanity and the domains of
nature, consumption, and labor; the latter denotes the progressive introduction of newly
incorporated ideals into the reality of the white, bourgeois, European man of the eighteenth
century. The Enlightenment, which permeated the eighteenth centuryand was therefore
already part of the European human mentality at the time of Pestalozzi’s birth—promoted belief
in progress, scientific and economic reason, and the liberal ideal of the individual as the
architect of their own destiny. As will be shown, these conceptions directly influenced
Pestalozzi’s educational work.
The Ambiguity of Johann Heinrich Pestalozzi’s Legacy: Between Pedagogical Innovation
and the Reproduction of Power Structures
Among the pedagogical experiences developed by Pestalozzi were several schools, one
of which stands out in particular. The Yverdon School, located in a castle granted to Pestalozzi,
became a reference center for education in Europe. At this institution, he implemented an
innovative approach characterized by an affective relationship with children. At the Yverdon
School, teachers taught classes and participated in outdoor activities with students. Pestalozzi
valued connection with nature as an integral part of education. The school was designed to be
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a stimulating and affective environment. Weekly, children had the opportunity to speak directly
with Pestalozzi, who also held meetings with educatorsthat is, he actively participated in the
educational process.
Pestalozzi carried the legacy of Rousseau which, combined with his Protestant faith,
shaped his views on education and the importance of nature in the integral formation of
children. His approach influenced not only the educational practice of his time but also served
as a foundation for subsequent educational movements.
The way Pestalozzi perceived and idealized the school involved originality and
distinctiveness in relation to the educational methods of his era. His innovative, affectivity-
centered approach played a crucial role in laying the groundwork for the escolanovista
movement. One of Pestalozzi’s most significant contributions was his emphasis on the role of
affectivity in the educational process: the affective bond between educator and student becomes
a fundamental element for the success of the pedagogical process. For Pestalozzi, love should
be transparent and explicit, constituting an essential part of the educational relationship.
The triad of heart, head, and hands marks Pestalozzi’s view of human development and
permeates his entire conception of the educational process. Human abilitiesemotional,
cognitive, and practicalshould be developed simultaneously within (and beyond) the school
environment, ensuring integral and balanced formation. His work also stands out for its studies
on childhood, recognizing this stage as fundamental to human development. His educational
experiences, always child-centered, sought to provide an environment that stimulated physical,
cognitive, and emotional growth simultaneously, once again relating to the triad. Pestalozzi
rejected mere theoretical exposition by the educator and sought to develop practical experiences
that engaged students in meaningful ways (Pestalozzi, 2010).
Pestalozzi’s trajectory was marked by various challenges and frustrations, with several
unsuccessful attempts to apply his pedagogical process, which nevertheless culminated in the
aforementioned Yverdon School. The originality of his method lies in fostering students’
freedom and autonomy. He is recognized as the creator of the intuitive methodalthough there
are critiques suggesting that the concept is more closely associated with perception than
intuition. This innovative approach, for its time, focused on children’s natural understanding,
adapting teaching to individual needs and valuing knowledge acquired spontaneously through
learners’ perception and will.
The idealized discourse of escolanovismo, which emphasizes the student as an
autonomous agent endowed with freedom and personal desires, can be understood as a
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manifestation of the pedagogical theory of “learning to learn.” Like many other characteristics
of this pedagogical theory, which emerged in the second half of the twentieth century and draws
from Pestalozzi’s escolanovista foundations, this perspective is also present in the National
Common Core Curriculum (BNCC), as illustrated in the following excerpt:
It requires the development of competencies to learn how to learn, to manage
the increasingly available information, to act with discernment and
responsibility in digital culture contexts, to apply knowledge to solve
problems, to have autonomy in decision-making, to be proactive in identifying
the elements of a situation and seeking solutions, and to coexist and learn from
differences and diversity (Brasil, 2018, p. 15, our translation).
This romanticized view often ignores the underlying power structures of capitalism,
thereby perpetuating an oppressive and unequal system. While both approaches emphasize
student autonomy, it is important to recognize how these ideas can be co-opted and
instrumentalized to maintain existing hierarchies and reinforce social and economic inequality.
Moreover, in a country such as Brazil, this approach disregards the role of maintaining
structural and historical inequalities that permeate the educational system and society as a
whole. The emphasis on student autonomy, although commendable in its intent to promote
individual emancipation, often fails to account for disparities in access to educational resources,
unfavorable socioeconomic conditions, and deficient public policies that limit opportunities for
full development for all students.
Thus, while recognizing the importance of Pestalozzi’s legacy in promoting student-
centered education and valuing affectivity and nature in the educational process, it is essential
to understand the limitations and contradictions of his ideas within a broader context. A critical
approach is requiredone that not only empowers students but also questions and challenges
power structures and social injustices that perpetuate inequality. Only then can we move toward
a truly emancipatory and inclusive education, capable of transforming not only individuals but
also the social structures that surround them.
Weaving Rhizomatic Connections: Pestalozzi and His Influence within the Complex
Network of Educational Thought
Gilles Deleuze and Félix Guattari, in A Thousand Plateaus (1995), discuss the concept
of the rhizome in contrast to the traditional arborescent model of thought that seeks roots. A
rhizomatic analysis considers the multiplicity of factors that connect with one another through
complex, non-hierarchical relations, allowing for a more fluid and non-linear understanding of
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phenomena. The rhizome suggests an approach that values interconnection, heterogeneity, and
transversality, in contrast to the hierarchical and linear structure of the tree of knowledge. In
this sense, a rhizomatic analysis seeks to explore the horizontal connections and multiple
branching pathways that characterize the non-linear and unpredictable nature of complex
systems (Deleuze; Guattari, 1995).
It is through this intersection and dialogue among authors that it becomes necessary to
understand the influences of Pestalozzi’s thought on other philosophers of education. This leads
us to the following question: how do Pestalozzi’s ideas engage with different educational
theories, delineating their unique contributions and the connections that permeate pedagogical
conceptions that are either subsequent to or contemporary with him? The dialogue among
thinkers opens a pathway to understanding Pestalozzi as a nodal point within a complex network
of influences, highlighting the richness and diversity involved in the construction of educational
thought and scientific practice. In this sense, the rhizomatic approach proposed by Deleuze and
Guattari (1995) can shed light on this dynamic by emphasizing the multiplicity of connections
and influences that permeate the development of educational theories. From this perspective,
Pestalozzi’s ideas are not confined to a linear structure of influence but rather branch out and
intertwine with other thinkers and currents of thought, forming a complex and interconnected
web of pedagogical conceptions. This rhizomatic perspective enables a more fluid and holistic
understanding of Pestalozzi’s influences and of his role in shaping contemporary educational
thought.
The influence of his thinking is undeniable when we consider the relationship between
his pedagogical principles and those of other prominent educators, such as John Dewey,
Friedrich Froebel, Maria Montessori, and Célestin Freinet. Pestalozzi shared with Jean-Jacques
Rousseau the contradiction inherent in the pursuit of a liberating education that, paradoxically,
ends up confining subjects. In his work, he developed the concept of rejecting verbalisman
idea theorized by Rousseauemphasizing the importance of a more practical approach
centered on the integral development of children.
By engaging with different educational theories, Pestalozzi’s ideas resonate in the work
of other major educators of the nineteenth and twentieth centuries. Montessori, influenced by
Pestalozzi, Freinet, and Rousseau, also focused on child development and implemented
innovative practices that value autonomy and individuality, in line with Pestalozzi’s postulates.
The author’s contribution is likewise reflected in the New School movement, particularly in
Brazil during the 1920s and 1930s, where his ideas were fundamental to the creation of practices
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such as the Aula Passeio (Educational Field Trip), which encouraged leaving the classroom and
conducting inquiry in the surrounding environment in order to promote more contextualized
learning.
Final Considerations
Johann Pestalozzi, a central figure in the history of pedagogy, developed an innovative
educational approach grounded in affectivity, the pursuit of integral human formation, and an
emphasis on children’s physical, cognitive, and emotional developmenthis triad of heart,
head, and hands. However, when his ideas are confronted with contemporary reality, profound
contradictions emerge. The neoliberal context, permeated by capitalism and liberalism, distorts
and instrumentalizes Pestalozzi’s principles, transforming them into tools for maintaining the
status quo.
The growing influence of neoliberalism on educational policies has promoted an
education that, rather than emancipating, perpetuates social and economic inequalities. The
emergence of early childhood education, aligned with escolanovista ideas, masks the true nature
of education by serving as a mere ideological arm of the prevailing economic system. In this
sense, educational guidelines are shaped not to promote emancipation, freedom, and equality,
but to perpetuate and legitimize existing power structures.
Faced with the social and economic transformations of the Age of Revolutions,
Pestalozzi and other educators confronted the challenge of reconciling their pedagogical ideas
with the realities of a growing industrial society. However, the co-optation of their ideas by
neoliberalism transforms education into a tool for reproducing structural and historical
inequalities. The discourse of student autonomyso prevalent in theories inspired by
Pestalozzioften masks disparities in access to educational resources and unfavorable
socioeconomic conditions that limit opportunities for full development for all students.
Thus, Pestalozzi’s legacy, although seminal in the history of pedagogy, is distorted and
instrumentalized by neoliberalism, serving the interests of the dominant elite at the expense of
genuine emancipation and equality. In light of this scenario, it is imperative to adopt a critical
and reflective approach to Pestalozzi’s legacy, exposing neoliberal strategies in education and
advocating for a truly emancipatory and inclusive educationone capable of transforming not
only individuals, but also the social structures that surround them.
Joana Haase Almeida TOMASINI and Eduardo Donizeti GIROTTO
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: The author does not wish to include acknowledgments.
Funding: No external funding was received.
Conflicts of interest: The authors declare no conflicts of interest.
Ethical approval: The study complied with ethical standards within its scope, and
submission to an ethics committee was not required.
Data and materials availability: All data and materials are available for access.
Authors’ contributions: Joana Haase Almeida Tomasini contributed through manuscript
writing, as well as the analysis and interpretation of multiple documents, ranging from those
related to the History of Educational Thought to official Federation documents. Eduardo
Donizeti Girotto contributed through manuscript review and participation in the drafting of
the text.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, standardization and translation