Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.20515 1
HELEIETH SAFFIOTI E O DEBATE CONTEMPORÂNEO SOBRE VIOLÊNCIA DE
GÊNERO: UMA ANÁLISE DAS TESES ACADÊMICAS BRASILEIRAS
HELEIETH SAFFIOTI Y EL DEBATE CONTEMPORÁNEO SOBRE LA VIOLÊNCIA
DE GÊNERO: UN ANÁLISIS DE LAS TESIS ACADÉMICAS BRASILENÃS
HELEIETH SAFFIOTI AND THE CONTEMPORARY DEBATE ON GENDER
VIOLENCE: AN ANALYSIS OF BRAZILIAN ACADEMIC THESES
Mariana dos Reis TAUBER
1
e-mail: mariana.tauber@unesp.br
Como referenciar este artigo:
TAUBER, M. dos R. Heleieth Saffioti e o debate contemporâneo
sobre violência de gênero: uma análise das teses acadêmicas
brasileiras. Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010,
2025. e-ISSN: 2358-4238. DOI: 10.29373/sas.v14i00.20515
| Submetido em: 14/08/2025
| Revisões requeridas em: 11/12/2025
| Aprovado em: 20/12/2025
| Publicado em: 29/12/2025
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Araraquara SP Brasil. Graduanda em
Pedagogia, Faculdade Ciências e Letras.
Heleieth Saffioti e o debate contemporâneo sobre violência de gênero: uma análise das teses acadêmicas brasileiras
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.20515 2
RESUMO: Este artigo analisa como a teoria de Heleieth Saffioti é apropriada em teses
brasileiras contemporâneas sobre violência de gênero. Foram mapeadas doze teses da
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, identificando áreas do conhecimento,
frequência e formas de uso das obras da autora, referenciais teóricos mobilizados e temas
recorrentes. A pesquisa, de abordagem qualitativa, aponta que a violência contra a mulher é
concebida, segundo Saffioti, como fenômeno estrutural, atravessado por relações
interseccionais de nero, raça e classe. Em diálogo com Correia (2023) e Silva (2020), destaca-
se a perspectiva materialista que fornece instrumentos para compreender a opressão patriarcal.
Entretanto, observam-se deslizamentos teóricos em trabalhos que aproximam Saffioti de
autores como Pierre Bourdieu, modificando sua crítica marxista. Conclui-se que sua teoria
mantém-se atual e relevante, exigindo rigor metodológico para preservar sua radicalidade
analítica.
PALAVRAS-CHAVE: Heleieth Saffioti. Violência de gênero. Teoria materialista.
Interseccionalidade. Teses acadêmicas.
RESUMEN: Este artículo analiza cómo la teoría de Heleieth Saffioti es apropiada en tesis
brasileñas contemporáneas sobre violencia de género. Se mapearon doce tesis de la Biblioteca
Digital Brasileña de Tesis y Disertaciones, identificando áreas de conocimiento, frecuencia y
modos de uso de sus obras, marcos teóricos empleados y temas recurrentes. Con un enfoque
cualitativo, el estudio revela que la violencia contra la mujer se comprende, según Saffioti,
como un fenómeno estructural atravesado por relaciones interseccionales de género, raza y
clase. En diálogo con Correia (2023) y Silva (2020), se destaca la perspectiva materialista
como herramienta para entender la opresión patriarcal. Sin embargo, se observan
desplazamientos teóricos en trabajos que aproximan a Saffioti a autores como Pierre Bourdieu,
modificando su crítica marxista. Se concluye que su teoría sigue siendo actual y relevante,
requiriendo rigor metodológico para preservar su radicalidad analítica.
PALABRAS CLAVE: Heleieth Saffioti. Violencia de género. Teoría materialista.
Interseccionalidad. Tesis académicas.
ABSTRACT: This article examines how Heleieth Saffioti’s theory is appropriated in
contemporary Brazilian theses on gender-based violence. Twelve theses from the Brazilian
Digital Library of Theses and Dissertations were mapped, identifying fields of knowledge,
frequency and modes of use of her works, theoretical frameworks employed, and recurring
themes. Using a qualitative approach, the study reveals that violence against women is
understood, according to Saffioti, as a structural phenomenon shaped by the intersection of
gender, race, and class relations. In dialogue with Correia (2023) and Silva (2020), the
materialist perspective is highlighted as a tool for understanding patriarchal oppression.
However, theoretical shifts are observed in works that align Saffioti with authors such as Pierre
Bourdieu, altering her Marxist critique. The study concludes that her theory remains current
and relevant, requiring methodological rigor to safeguard its analytical radicalism.
KEYWORDS: Heleieth Saffioti. Gender-based violence. Materialist theory. Intersectionality.
Academic theses.
Mariana dos Reis TAUBER
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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Considerações iniciais
A sociedade brasileira foi construída de uma forma que beneficia alguns grupos sociais
às custas da exclusão ou desvalorização de outros. Sendo assim, a emancipação feminina, para
se dar, precisa considerar as condições materiais do sistema de produção capitalista. Tais
elaborações, pois, foram esboçadas em 1963, quando uma professora marxista fazia seus
primeiros escritos criticando essa produção com base nos marcadores sociais de classe, raça e
gênero (Pereira, 2021).
Heleieth Saffioti (19342010) foi socióloga, marxista, professora e militante feminista,
que em 1964 teve seus caminhos atravessados pela Universidade Estadual Paulista (Unesp,
campus de Araraquara), como professora do curso de Ciências Sociais. Mesmo com o golpe
militar, em um momento de perseguição política e ideológica às correntes políticas
consideradas de esquerda, ensinou seus alunos sobre Karl Marx
2
dentro da universidade. Na
ditadura militar brasileira, o governo estabeleceu uma vinculação direta entre a educação e o
modo de produção capitalista (Borges, 2014a), estabelecendo a política educacional no controle
político e ideológico da educação escolar (Germano, 1993). Por conta das ações
governamentais, as reformas educacionais do período militar deterioraram o trabalho docente,
precarizando a formação de professores por conta da falta dos conteúdos pedagógicos
fundamentais (Borges, 2014a).
Com isso, ensinar Marx após o golpe de 1964 se tornou espaço de resistência ideológica
dentro das Ciências Sociais. Mesmo sob a censura e a repressão, a persistência de debates sobre
a desigualdade, exploração e classe eram chaves do pensamento marxista (Rios, 2011) que
Heleieth Saffioti não deixou de ensinar na condição de professora. Foi também no campus da
Unesp de Araraquara que a socióloga desenvolveu estudos pioneiros na articulação entre o
marxismo e o feminismo, contribuindo para as análises de gênero, raça e classe, defendendo a
análise da condição feminina na perspectiva materialista. Também ela abordou o tema violência
de gênero (Gonçalves, 2011), relacionando-as com as relações de desigualdades que estruturam
nossa sociedade.
Assim sendo, este artigo se preocupa em mapear a forma pela qual a obra de Heleieth
Saffioti foi apropriada em teses que se ocuparam do estudo da violência contra a mulher. Para
tanto, mapeou doze teses disponíveis digitalmente na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
2
Karl Marx (18181883) foi um filósofo, economista, sociólogo alemão, teórico do materialismo histórico e
dialético, suas obras como Manifesto Comunista (com Engels) e o Capital, influenciaram profundamente as
ciências sociais. Seu método é considerado analítico e crítico ao capitalismo, com destaque para luta de classes,
tornando-se referencial nas universidades (Ferreira Junior, 2013).
Heleieth Saffioti e o debate contemporâneo sobre violência de gênero: uma análise das teses acadêmicas brasileiras
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Dissertações
3
, rastreando as áreas de conhecimento, quais e quantas obras da autora foram
utilizadas na escrita das teses, vinculação institucional do autor, referenciais teóricos
mobilizados, operacionalização das citações e quantidade de teses por assunto relacionados à
autora. Com viés qualitativo, a investida teve como objetivo selecionar teses que citavam
Heleieth Saffioti em suas produções que tiveram como tema a violência contra a mulher, sendo
ela doméstica ou não.
Sobre isso, é ainda importante lembrar que os estudos sobre violência contra a mulher
animaram, sobretudo, os estudos empreendidos por Heleieth Saffioti a partir da década de 1990.
Neste período, ela adensou a noção da ordem patriarcal de gênero que, segundo a socióloga,
almeja a exploração-dominação desvendando as relações de classe, gênero e raça, o das
contradições relacionais (Silveira, 2021). Sendo assim, para Heleieth Saffioti a violência de
gênero contra a mulher é resultado de relações decorrentes das desigualdades sociais, cujo
denominador comum, o patriarcado, evidencia a opressão.
Assim sendo, este artigo se pergunta, de que forma as teses acadêmicas aqui analisadas,
que citaram e endossaram a perspectiva de Heleieth Saffioti, estabelecem a relação entre seus
escritos e a violência de gênero nas sociedades contemporâneas. Para tanto, este escrito se
divide em dois tópicos: o primeiro, de nome A influência da teoria de Saffioti nas produções
acadêmicas contemporâneas, explicita como a violência contra a mulher não é isolada e nem
fruto de desvios individuais, mas sim, sistêmica. Para tanto, analisa teses que mostram em como
esses impactos acontecem, analisando como as autoras se interpretam dos conceitos de Heleieth
para interpretar a violência de gênero e como ocorre a presença da teoria da autora nas teses
analisadas. No segundo tópico, de nome A atualidade de Saffioti: deslizamentos teóricos e o
debate contemporâneo, explicita em como ocorreram os deslizamentos da teoria da Heleieth na
contemporaneidade, ou seja, como Heleieth foi apropriada ao ser citada com outros autores
presentes em seus escritos.
A influência da teoria de Saffioti nas produções acadêmicas contemporâneas
A presente pesquisa desenvolveu uma análise documental e bibliográfica, tendo como
descritor o nome da socióloga Heleieth Saffioti, acessando as citações de sua obra disponíveis
na Biblioteca Nacional de Teses e Dissertações, sendo selecionadas doze teses, intituladas:
3
Disponível em: https://bdtd.ibict.br/vufind/.
Mariana dos Reis TAUBER
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Pode a mulher falar? Discursos de mulheres vítimas de abusos sexuais/estupro, 2020
da autora Joana Rodriges Moreira Leite;
Abordagens da Violência contra a mulher em telenovelas brasileiras: uma análise
feminista do discurso, 2023, da autora Vanessa Correia;
Corpo- escrita das mulheres: violência memória e trauma em Conceição Evaristo e
Marcela Serrano, 2020, da autora Bruna Stéphane Oliveira Mendes da Silva;
Políticas públicas e preventivas à violência doméstica contra as mulheres
implementadas em Uberlândia MG, 2017 pela autora Danúbia Santos;
Violência doméstica contra mulheres: centro de referência da mulher Araraquara,
2008, da autora Gisele Rocha Côrtes;
Pode ser comum, mas não é normal: o ensino de História como ferramenta
pedagógica na discussão da violência de gênero, 2022, da autora Aline Cecília Jones de Lima;
Produção do conhecimento do serviço social brasileiro no campo da violência de
gênero contra a(s) mulher(es): uma abordagem feminista de(s)colonial, 2020, da autora
Catarina Nascimento de Oliveira;
Amor, poder e violência em contos de Nélida Pinõn, 2015, da autora Joyce Glenda
Barros Amorim;
O estudo como violência de gênero, 2018 da autora, Catarina Lopes Placca;
Sob o muro das convenções e as muitas faces da violência de gênero: Ribeirão
Preto/SP, 2014, da autora Michelle da Silva Borges;
A violência de gênero contra a mulher sob a perspectiva étnico racial: a relevância
do papel do Ministério Público, 2017, da autora Jaceguara Dantas da Silva;
Mulherproduto: a violência simbólica de gênero na publicidade julgada pelo Conar,
2019, da autora Beatriz Molari.
Teses que foram selecionadas com o objetivo de investigar como a obra de Heleieth
Saffioti tem sido apropriada nas teses acadêmicas brasileiras tratando da violência de gênero,
buscando compreender a profundidade do uso do referencial teórico da autora em trabalhos
contemporâneos, visando compreender a interseccionalidade entre classe, raça e gênero.
Analisando as teses escolhidas na Biblioteca Nacional de Teses e Dissertações podemos
entender que o gênero feminino tem suas lutas estabelecidas dentro de amarras. É, pois, dentro
destas amarras que as relações de poder se estabelecem. Também com base nessas teses,
podemos ver que um exemplo desta violência é o estupro, que ele acontece com fins de se
estabelecer o poder entre o homem e a mulher (Leite, 2020). O estupro, segundo Saffioti é um
Heleieth Saffioti e o debate contemporâneo sobre violência de gênero: uma análise das teses acadêmicas brasileiras
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instrumento de poder nas relações homem-mulher, com fins de provar a ideologia dominante
(Saffioti, 2001). Isso acontece porque é dado o poder ao homem pela sociedade e a cultura
genitalizada conduz o homem a concentrar a sua sexualidade nos órgãos genitais (Saffioti,
2001).
Em um país dimensional como o Brasil é preciso compreender seus desdobramentos e
especificidades de cada região, assim como as suas particularidades, enxergando a violência
contra a mulher como um fenômeno (Cerqueira; Bueno, 2024). De acordo com os registros do
Atlas da Violência de 2024, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 34,5% dos
homicídios de mulheres ocorreram em domicílios, totalizando 1.313 vítimas em 2022,
demonstrando uma prevalência de pessoas negras, que representam 58,2% das vítimas.
Meninas e mulheres brancas correspondem a 39,8% dos registros; amarelas, cerca de 1%; e
indígenas, 1%. Isso porque nossa sociedade foi construída por uma ideologia etnocêntrica,
colonizadora que se desenvolve em desigualdades e ideologias patriarcais (Correia, 2023).
O artigo intitulado Abordagens de violência contra a mulher em telenovelas brasileiras:
uma análise feminista de discurso, de Correia (2023), foi selecionado para compor a análise da
presente pesquisa por evidenciar uma apropriação dos conceitos de Saffioti sob uma perspectiva
contemporânea. Assim, é possível fazer o recorte para o objetivo desta pesquisa, percebendo a
apropriação dos conceitos de Saffioti para o entendimento dos mecanismos de exploração e
dominação de um viés contemporâneo. Segundo Correia (2023) as tecnologias e programas de
televisão, como as novelas, se tornam mecanismos que reforçam essas ideologias desiguais e
colonizadoras. Por isso, os diferentes tipos de violência se confundem e se misturam e até
mesmo se sobrepõem. Se utilizarmos as elaborações teóricas de Saffioti (2015) para
entendimento deste objeto, o significado do conceito de violência é o rompimento da
integridade do outro, seja ela física, psicológica, sexual e moral. Sendo assim, não são um caso
isolado e compõem o das contradições proposto pela autora, passando assim a apresentar uma
dinâmica especial, própria do (Saffioti, 2015). A crítica aqui iniciada gira em torno do
entendimento da violência de gênero como instrumento de controle e dominação masculina.
Assim, defende-se a ideia de que a violência contra a mulher não é isolada e nem fruto de
desvios individuais, mas sim, sistêmica e estruturada nas relações de poder. Essas estratégias
são reforçadas pela naturalização delas no cotidiano da vida feminina, sendo acompanhadas
pelo medo, vergonha e culpa. Tais tentativas de desestabilização feminina fazem com que a
mulher se sinta culpada e responsável pela violência sofrida, com o objetivo de exercer o
controle sobre a vítima, mantendo-a em estado de submissão (Correia, 2023).
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Existem discursos produzidos pelos homens em que ocorre a deslegitimação das leis de
combate à violência contra a mulher. Esse tipo de narrativa sugere que as leis não trazem
resultado significativo na redução da violência reforçando a cultura do silêncio (Correia, 2023).
Sobre isso, Saffioti (2015, p. 99) pontua que “a lei não serve para tratar de violência
doméstica, mas pior ainda é sua implementação”. Ela também disserta sobre a violência, nos
mostrando que a ordem patriarcal atravessa instituições. Dessa forma o reforçamento da
inferioridade feminina dentro desses espaços acontece por tanto ouvirem que são inferiores aos
brancos e aos homens, passando a acreditar em sua própria inferioridade.
Com isso passamos para a segunda tese analisada deste tópico, Corpo- escrita de
mulheres: violência, memória e trauma em Conceição Evaristo e Marcela Serrano (2020) da
autora Bruna Stéphane Oliveira Mendes da Silva, que têm como objetivo analisar marcas da
violência em relatos de personagens femininas nos contos de Conceição Evaristo e Marcela
Serrano. Nesta pesquisa, a autora se apropria de Saffioti enfatizando as relações de gênero como
um dos fatores que levam a submissão feminina das mulheres. Tais fatores são explicados por
Saffioti (2015) com a ajuda de Jung (1992)
4
, que apresenta dos conceitos de animus e anima.
Ambos são incorporados na tese analisada, onde animus é o princípio do masculino e anima o
princípio do feminino.
Silva (2020) se utiliza deste conceito em sua tese para analisar as obras Insubmissas
Lágrimas de Mulheres, de Conceição Evaristo, e Diez Mujeres, de Marcela Serrano. Essas obras
são marcadas por relações de poder nas quais os personagens masculinos desumanizam as
mulheres e atuam como se os corpos femininos fossem territórios sob os quais eles possuem
direitos. Sobre isso, Saffioti (2015) destaca que é comum a sociedade estimular os homens a
desenvolverem seu animus enquanto impede ou desestimula as mulheres de desenvolverem sua
anima ou seja, o processo se de forma assimétrica entre os gêneros. Por isso, é comum
que os homens transformem sua agressividade em agressão, enquanto as mulheres permanecem
na fragilidade (Silva, 2020).
Em relação ao direito dos homens sobre o corpo feminino, presente na tese de Silva
(2020) aqui analisada, Saffioti (2015) afirma que o conceito de patriarcado estabelece as
relações homem-mulher. Assim, nessa estrutura, os homens têm direito absoluto sobre o corpo
da mulher, já que se trata de uma modalidade hierarquizada das relações de poder, que facilita
as formas de opressão, ou seja, a ideologia da violência. Sendo assim, Silva (2020) ressalta que
4
Carl Gustav Jung (18751961), nascido na suíça, estudioso psiquiatra, criou a abordagem psicológica, conhecida
como psicologia analítica (Araújo, 2023).
Heleieth Saffioti e o debate contemporâneo sobre violência de gênero: uma análise das teses acadêmicas brasileiras
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a violência de gênero é o corpus de sua pesquisa e cita Saffioti para nos lembrar que a violência
de gênero ignora as fronteiras de classes sociais, grau e instituição.
Por fim, é evidente que a violência de gênero é um fenômeno estrutural e sistêmico
profundamente enraizado nas relações de poder. A partir das contribuições teóricas de Saffioti
e das reflexões propostas por Correia (2023) e Silva (2020), entendemos que a violência de
gênero não é um desvio ou exceção, e sim práticas de discursos sociais, culturais e midiáticos
reforçando a desigualdade. Dessa forma, violência como o estupro, feminicídios e as
representações das mulheres, se tornaram exemplo de como essas práticas se estabelecem em
uma ideologia que naturaliza o controle masculino diante dos corpos femininos. A isso soma-
se a culpabilização da vítima e a deslegitimação política negando a violência.
Ademais, as obras analisadas e os dados do Atlas da Violência (Cerqueira; Bueno, 2024)
demonstram como esse contexto afeta mais as mulheres negras e periféricas, comprovando o
entre gênero, raça e classe, e reforçando a necessidade de compreender a violência da mulher
de maneira não isolada, sendo parte do das contradições proposto por Saffioti. Portanto, a
partir dessas reflexões propostas compreendemos que as fronteiras da violência de gênero são
coletivas, históricas e estruturais. Assim, considerando as contribuições teóricas de Heleieth
Saffioti, este artigo se desdobra perguntando-se de que modo os deslizamentos entre sua teoria
tensionam ou atualizam a crítica das relações de poder entre os gêneros nas produções
acadêmicas contemporâneas. É este, pois, o tema do tópico seguinte.
A atualidade de Saffioti: deslizamentos teóricos e o debate contemporâneo sobre violência
de gênero
A partir das análises das teses de uma perspectiva quantitativa, entendemos que a obra
de Heleieth Saffioti passou por deslizamentos teóricos ao ser citada nas teses aqui analisadas.
Em algumas dessas ocasiões, suas obras foram relacionadas às do autor Pierre Bourdieu.
Partindo deste ponto, analisaremos teses que citaram estes autores em conjunto para fins de
propor um entendimento contemporâneo sobre a violência de gênero.
Analisaremos a tese da autora Jaceguara Dantas da Silva (2017), A violência de gênero
contra a mulher sob a perspectiva étnico-racial: a relevância do papel do Ministério Público,
cujo objetivo é problematizar a razão pela qual cresce a violência de gênero contra a mulher
negra. Para tanto, ela lança a mão de dados oficiais
5
, e os analisa, pela perspectiva de Bourdieu,
5
Dados Estatísticos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) comprovam que mais de 60% das
mulheres assassinadas no Brasil entre 2001 e 2011 eram negras (Silva, 2017).
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Scott e Butler. Silva (2017) discute a violência de gênero contra a mulher, um fenômeno
presente na sociedade contemporânea. Para ela, tal fato faz ver as relações desiguais de poder
estabelecidas entre o homem e a mulher, que como cita Saffioti (2015):
A desigualdade, longe de ser natural, é posta pela tradição cultural, pelas
estruturas de poder, pelos agentes envolvidos na trama de relações sociais.
Nas relações entre homens e entre mulheres, a desigualdade de gênero não é
dada, mas pode ser construída, e o é, com frequência (Saffioti, 2015, p. 75).
Saffioti é apropriada ao longo da tese inteira, contextualizando a trajetória da mulher ao
longo do tempo, entendendo como a tradição tem sido utilizada para justificar a desigualdade
entre os homens e as mulheres, brancos e negros, para compreendermos a subalternidade
feminina. Silva (2017) utiliza-se dos escritos de Heleieth para entendermos os componentes
sexuais e raciais da violência que, por conta dos elementos patriarcais e escravistas,
condicionam e determinam relações de gênero entre raças. Assim a autora cita Pierre Bourdieu
também para entendimento da desigualdade, mas pela via do conceito de violência simbólica.
A violência simbólica atua de forma sutil e invisível, sendo muitas vezes incorporada como
algo natural pelas próprias vítimas. Assim, sua percepção como parte da ordem social legitima
e sustenta sua continuidade, dificultando o reconhecimento de que se trata de uma forma de
dominação (Silva, 2017). Para Saffioti (2015), se utilizar da expressão de dominação masculina
proposta por Bourdieu permite entender a instituição patriarcal, minimizando as sociedades
matriarcais. Portanto, a violência de gênero contra a mulher é entendida como parte de relações
decorrentes das desigualdades sociais, tendo o patriarcado como denominador comum. Além
disso, segundo Silva (2017) apropriando-se de Saffioti, a mulher negra é discriminada por ser
mulher, negra e pobre, potencializando a violência de gênero.
Para entendermos melhor sobre os deslizamentos contemporâneos de Saffioti,
analisaremos outra tese que também combina a leitura de Heleieth Saffioti à de Pierre Bourdieu.
A tese da autora Gisele Rocha Côrtes (2008), Violência doméstica contra mulheres: Centro de
Referência da Mulher de Araraquara, tem como objetivo traçar um perfil socioeconômico das
mulheres atendidas no órgão, conhecendo e compreendendo os mecanismos estruturais da
organização social. Para Côrtes (2008), a violência é difícil de ser denunciada, que a
preservação da instituição familiar se sobrepõe sob a integridade física. Assim, a autoria se
utiliza de Saffioti (2004) para pontuar que a violência tem caráter crônico e estabilizado, ao
mesmo tempo que cita Bourdieu (1999) para entendimento da concepção da violência como
algo normal, na ordem das coisas. Côrtes (2008) se utiliza do conceito de habitus de Bourdieu,
Heleieth Saffioti e o debate contemporâneo sobre violência de gênero: uma análise das teses acadêmicas brasileiras
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sendo ele entendido como produto das aprendizagens passadas e das experiências vivenciadas,
ou seja, das instituições de socialização, funcionando como matriz de percepções de escolhas
nos domínios diferentes da prática. Além disso, a autora mobiliza Saffioti (2004) para apontar
as classificações das dominações masculinas, um fenômeno que se situa além da consciência e
que reflete a concepção de que as mulheres são cúmplices ou coniventes com a violência.
Côrtes (2008) se utiliza de Bourdieu (1999) explica que os códigos hierárquicos de
gênero não se reduzem a uma simples representação mental, mas, que são incorporados ao
habitus, convertendo-se em esquemas que alicerçam as relações dominantes. Assim, nessa
perspectiva, é estabelecida uma concordância entre a estrutura objetiva e as representações
mentais (Côrtes, 2008). Com base nessa linha de raciocínio, a autora se utiliza de Saffioti (2004)
para apontar que a inviabilidade da cumplicidade das mulheres com a própria opressão, já que
“[] para que pudessem ser cúmplices, dar seu consentimento às agressões masculinas,
precisariam desfrutar de igual poder que os homens” (Saffioti, 2015, p.85).
Portanto, Côrtes (2008), ao citar Bourdieu (1999), nos explicita que o autor entende as
estruturas de dominação em perspectiva macro-social (estado, família, escola), assim se
utilizando das representações mentais para conceber as práticas sociais. Ao incorporarmos a
perspectiva de Saffioti (2004), compreendemos que a forma como esses discursos são
construídos e reproduzidos está diretamente ligada à lógica e à manutenção da ordem patriarcal.
Portanto, ao analisarmos ambas as teses Jaceguara Dantas da Silva (2017) e a de
Gisele Rocha Côrtes (2008) podemos perceber que os conceitos de Bourdieu em conjunto
com os de Saffioti revelam encontros teóricos. Em ambas as teses, as autorias são mobilizadas
para compreender a persistência e naturalização da violência de gênero nas estruturas sociais
contemporâneas. Partindo da teoria de violência simbólica de Bourdieu, entendemos como a
dominação masculina se infiltra nas estruturas sociais de maneira invisível, sendo reproduzida
pelos próprios sujeitos envolvidos. Ampliando esse entendimento por meio de Saffioti, ao trazer
a interseccionalidade como eixo de análise, evidencia-se a opressão não apenas pelo gênero,
mas sim, potencializadora pelos fatores como raça, resultado de uma sobreposição de
desigualdade histórica e estrutural. Côrtes (2008) nos apresenta a noção de habitus, que se
articula com a ideia de uma cumplicidade feminina com a violência que é desmistificada por
Saffioti, afirmando que a cumplicidade exigiria igualdade de poder, algo inexistente nas
sociedades patriarcais.
Desse modo, a leitura contemporânea da violência de gênero proposta nas teses, indica
os deslizamentos teóricos da obra de Heleieth Saffioti, não anulando a sua relevância, mas sim,
Mariana dos Reis TAUBER
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mostrando a importância da reinterpretação e ressignificação de sua obra. Portanto, o
cruzamento de Bourdieu e Saffioti, ainda que com ênfases diferentes, contribui para
compreensão mais ampla e crítica da violência de gênero como fenômeno estrutural, histórico
e multifacetado.
Considerações finais
As informações foram organizadas identificando os padrões de citações, recorrências
temáticas e as tendências teóricas, servindo de suporte para o entendimento sobre a orientação
das obras de Heleieth Saffioti nas produções acadêmicas contemporâneas, percebendo a
frequência de suas citações e referenciações de suas obras, mas a não mobilização profunda
delas, reforçando que as suas interlocuções enriqueçam o aprofundamento das análises
observando os deslizamentos teóricos de sua obra.
A análise das teses aqui empreendida demonstrou que elas incorporam o pensamento de
Heleieth Saffioti e discutem a violência de gênero, evidenciando que sua teoria permanece atual
e rtil para compreensão das estruturas que sustentam as desigualdades sociais. Partindo das
apropriações dos seus conceitos por autoras contemporâneas, nota-se a persistência de um
sistema patriarcal operando de maneira interseccional com marcadores (raça, classe e
território), que estabelece a centralidade do das contradições proposto por Saffioti. As
análises demonstram que a violência contra a mulher não é isolada e nem acidental, mas sim
reflexos de práticas discursivas e institucionais que sustentam o domínio masculino sobre os
corpos femininos. Elementos como estupro, feminicídio e a culpa revelam a brutalidade desses
mecanismos, expondo o enraizamento cultural e histórico de opressão. Além disso, os dados do
Atlas da Violência (Cerqueira; Bueno, 2024) apontam a maior vulnerabilidade de mulheres
negras, reforçando a importância de compreender a violência a partir de uma perspectiva
interseccional, tal qual feito no entendimento do nó de contradições.
A apropriação da teoria de Saffioti nas teses dialoga com autores diversos, revelando os
deslizamentos teóricos nos quais, por um lado indicam atualizações do pensamento feminista
marxista, por outro, exige cuidado metodológico para que não se dilua as estruturas das críticas
materialistas propostas por Saffioti. Os deslocamentos teóricos, quando não problematizados,
comprometem a radicalidade da análise das relações de poder. Observamos que a perspectiva
interseccional de Saffioti que articula gênero, raça e classe como elementos estruturantes
das relações sociais permanece essencial para compreender as múltiplas camadas da
Heleieth Saffioti e o debate contemporâneo sobre violência de gênero: uma análise das teses acadêmicas brasileiras
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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violência contra a mulher. Autoras como Jaceguara Dantas da Silva (2017) e Gisele Rocha
Côrtes (2008) reafirmam a atualidade de suas categorias analíticas, ao mesmo tempo em que as
aproximam das contribuições bourdieusianas, sobretudo no que tange ao conceito de violência
simbólica e à noção de habitus.
Entendemos que Heleieth Saffioti segue como referência nos estudos sobre violência de
gênero, ou seja, sua contribuição teórica centralizada na análise estrutural da opressão feminina
é citada, mas não mobilizada na sua complexidade, revelando que embora reconhecida, é apenas
utilizada como acessório, muitas vezes ao lado de autores que diferem de seu pensamento
gerando os esvaziamentos teóricos que comprometem a crítica do seu pensamento.
Portanto, reafirma-se a importância de retomarmos Saffioti como uma referência crítica
fundamental, especialmente se tratando de compreender a violência de gênero, contribuindo
não apenas como marco teórico, mas também como ferramenta analítica para desvelar a
dominação patriarcal, cujo as teses analisadas indicam os caminhos para esse diálogo, assim
apontando a necessidade de vigilância a fim de evitar reducionismos.
Mariana dos Reis TAUBER
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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Mariana dos Reis TAUBER
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaria de agradecer a instituição Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho” Campus, Araraquara pela oportunidade da pesquisa, a minha
orientadora Profª. Drª
Carolina Cechella Philippi por ter me guiado em todo o processo e ao
meu noivo Erick Soares Henrique por me apoiar em todo o processo da pesquisa.
Financiamento: Iniciação Científica sem bolsa.
Conflitos de interesse: Não conflitos de interesse de natureza financeira, comercial ou
pessoal que possam ter influenciado este trabalho, em seus resultados, ou sua interpretação.
Aprovação ética: O presente trabalho foi constituído através das aplicações dos princípios
de ética, não envolvendo seres humanos nem animais, portanto, necessária a submissão a
um Comitê de Ética em Pesquisa.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho estão
disponíveis para acesso.
Contribuições dos autores: Contribuição da Orientadora Profª. Drª Carolina Cechella
Philippi para a correção e construção da pesquisa.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
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HELEIETH SAFFIOTI AND THE CONTEMPORARY DEBATE ON GENDER
VIOLENCE: AN ANALYSIS OF BRAZILIAN ACADEMIC THESES
HELEIETH SAFFIOTI E O DEBATE CONTEMPORÂNEO SOBRE VIOLÊNCIA DE
GÊNERO: UMA ANÁLISE DAS TESES ACADÊMICAS BRASILEIRAS
HELEIETH SAFFIOTI Y EL DEBATE CONTEMPORÁNEO SOBRE LA VIOLÊNCIA
DE GÊNERO: UN ANÁLISIS DE LAS TESIS ACADÉMICAS BRASILENÃS
Mariana dos Reis TAUBER
1
e-mail: mariana.tauber@unesp.br
How to reference this paper:
TAUBER, M. dos R. Heleieth Saffioti and the contemporary
debate on gender violence: an analysis of Brazilian academic
theses. Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010,
2025. e-ISSN: 2358-4238. DOI: 10.29373/sas.v14i00.20515
| Submitted: 14/08/2025
| Revisions required: 11/12/2025
| Approved: 20/12/2025
| Published: 29/12/2025
Editor:
Prof. Dr. Carlos Henrique Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
São Paulo State University Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Araraquara SP Brazil.
Undergraduate student
in Pedagogy, School of Sciences and Letters.
Heleieth Saffioti and the contemporary debate on gender violence: an analysis of Brazilian academic theses
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
DOI: 10.29373/sas.v14i00.20515 2
ABSTRACT: This article examines how Heleieth Saffioti’s theory is appropriated in
contemporary Brazilian theses on gender-based violence. Twelve theses from the Brazilian
Digital Library of Theses and Dissertations were mapped, identifying fields of knowledge,
frequency and modes of use of her works, theoretical frameworks employed, and recurring
themes. Using a qualitative approach, the study reveals that violence against women is
understood, according to Saffioti, as a structural phenomenon shaped by the intersection of
gender, race, and class relations. In dialogue with Correia (2023) and Silva (2020), the
materialist perspective is highlighted as a tool for understanding patriarchal oppression.
However, theoretical shifts are observed in works that align Saffioti with authors such as Pierre
Bourdieu, altering her Marxist critique. The study concludes that her theory remains current
and relevant, requiring methodological rigor to safeguard its analytical radicalism.
KEYWORDS: Heleieth Saffioti. Gender-based violence. Materialist theory. Intersectionality.
Academic theses.
RESUMO: Este artigo analisa como a teoria de Heleieth Saffioti é apropriada em teses
brasileiras contemporâneas sobre violência de gênero. Foram mapeadas doze teses da
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, identificando áreas do conhecimento,
frequência e formas de uso das obras da autora, referenciais teóricos mobilizados e temas
recorrentes. A pesquisa, de abordagem qualitativa, aponta que a violência contra a mulher é
concebida, segundo Saffioti, como fenômeno estrutural, atravessado por relações
interseccionais de gênero, raça e classe. Em diálogo com Correia (2023) e Silva (2020),
destaca-se a perspectiva materialista que fornece instrumentos para compreender a opressão
patriarcal. Entretanto, observam-se deslizamentos teóricos em trabalhos que aproximam
Saffioti de autores como Pierre Bourdieu, modificando sua crítica marxista. Conclui-se que
sua teoria mantém-se atual e relevante, exigindo rigor metodológico para preservar sua
radicalidade analítica.
PALAVRAS-CHAVE: Heleieth Saffioti. Violência de gênero. Teoria materialista.
Interseccionalidade. Teses acadêmicas.
RESUMEN: Este artículo analiza cómo la teoría de Heleieth Saffioti es apropiada en tesis
brasileñas contemporáneas sobre violencia de género. Se mapearon doce tesis de la Biblioteca
Digital Brasileña de Tesis y Disertaciones, identificando áreas de conocimiento, frecuencia y
modos de uso de sus obras, marcos teóricos empleados y temas recurrentes. Con un enfoque
cualitativo, el estudio revela que la violencia contra la mujer se comprende, según Saffioti,
como un fenómeno estructural atravesado por relaciones interseccionales de género, raza y
clase. En diálogo con Correia (2023) y Silva (2020), se destaca la perspectiva materialista
como herramienta para entender la opresión patriarcal. Sin embargo, se observan
desplazamientos teóricos en trabajos que aproximan a Saffioti a autores como Pierre Bourdieu,
modificando su crítica marxista. Se concluye que su teoría sigue siendo actual y relevante,
requiriendo rigor metodológico para preservar su radicalidad analítica.
PALABRAS CLAVE: Heleieth Saffioti. Violencia de género. Teoría materialista.
Interseccionalidad. Tesis académicas.
.
Mariana dos Reis TAUBER
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Initial Considerations
Brazilian society was structured in a way that benefits certain social groups at the
expense of the exclusion or devaluation of others. Therefore, for women’s emancipation to take
place, it must take into account the material conditions of the capitalist system of production.
Such formulations had already been outlined in 1963, when a Marxist professor produced her
first writings criticizing this mode of production based on the social markers of class, race, and
gender (Pereira, 2021).
Heleieth Saffioti (19342010) was a sociologist, Marxist, professor, and feminist
activist who, in 1964, joined São Paulo State University (Unesp, Araraquara campus) as a
professor in the Social Sciences program. Even after the military coup, during a period of
political and ideological persecution of political currents considered left-wing, she continued to
teach her students about Karl Marx
2
within the university. During the Brazilian military
dictatorship, the government established a direct link between education and the capitalist mode
of production (Borges, 2014a), grounding educational policy in the political and ideological
control of schooling (Germano, 1993). As a result of government actions, the educational
reforms of the military period deteriorated teaching work, precarizing teacher education due to
the absence of fundamental pedagogical content (Borges, 2014a).
Thus, teaching Marx after the 1964 coup became a space of ideological resistance within
the Social Sciences. Even under censorship and repression, the persistence of debates on
inequality, exploitation, and classcore elements of Marxist thought (Rios, 2011)remained
present in Heleieth Saffioti’s teaching practice. It was also at the Unesp Araraquara campus that
the sociologist developed pioneering studies articulating Marxism and feminism, contributing
to analyses of gender, race, and class and advocating the examination of women’s conditions
from a materialist perspective. She also addressed the issue of gender-based violence
(Gonçalves, 2011), relating it to the unequal social relations that structure society.
Accordingly, this article seeks to map how Heleieth Saffioti’s work has been
appropriated in doctoral theses devoted to the study of violence against women. To this end,
twelve theses available digitally in the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations
3
were analyzed, identifying areas of knowledge, which and how many of the author’s works
2
Karl Marx (18181883) was a German philosopher, economist, sociologist, and theorist of historical and
dialectical materialism. His works, such as The Communist Manifesto (with Engels) and Capital, profoundly
influenced the social sciences. His method is considered analytical and critical of capitalism, with an emphasis on
class struggle, becoming a reference in universities (Ferreira Junior, 2013).
3
Available at: https://bdtd.ibict.br/vufind/.
Heleieth Saffioti and the contemporary debate on gender violence: an analysis of Brazilian academic theses
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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were used, authors institutional affiliations, theoretical frameworks mobilized, citation
practices, and the number of theses by subject related to the author. With a qualitative approach,
the study aimed to select theses that cited Heleieth Saffioti in research addressing violence
against women, whether domestic or otherwise.
In this regard, it is also important to recall that studies on violence against women
became a central focus of Heleieth Saffioti’s work from the 1990s onward. During this period,
she deepened the notion of the patriarchal gender order which, according to the sociologist,
seeks exploitation-domination by unveiling class, gender, and race relationsthe knot of
relational contradictions (Silveira, 2021). Thus, for Heleieth Saffioti, gender-based violence
against women results from social relations rooted in social inequalities, whose common
denominatorthe patriarchal systemreveals oppression.
Therefore, this article asks how the academic theses analyzed here, which cited and
endorsed Heleieth Saffioti’s perspective, establish the relationship between her writings and
gender-based violence in contemporary societies. To this end, the text is divided into two
sections. The first, titled The Influence of Saffioti’s Theory on Contemporary Academic
Production, demonstrates that violence against women is neither isolated nor the result of
individual deviance, but rather systemic. It analyzes theses that show how these impacts occur,
examining how authors interpret Heleieth’s concepts to analyze gender-based violence and how
her theoretical framework is incorporated into the theses examined. The second section, titled
The Contemporary Relevance of Saffioti: Theoretical Shifts and the Contemporary Debate,
explains how shifts in Heleieth’s theory have occurred in contemporary contexts, that is, how
her work has been appropriated when cited alongside other authors in these studies.
The Influence of Saffioti’s Theory on Contemporary Academic Production
The present study developed a documentary and bibliographic analysis using the name
of the sociologist Heleieth Saffioti as a descriptor, accessing citations of her work available in
the National Library of Theses and Dissertations. Twelve doctoral theses were selected, titled:
Pode a mulher falar? Discursos de mulheres vítimas de abusos sexuais/estupro
(2020), by Joana Rodrigues Moreira Leite;
Abordagens da Violência contra a mulher em telenovelas brasileiras: uma análise
feminista do discurso (2023), by Vanessa Correia;
Mariana dos Reis TAUBER
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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Corpo- escrita das mulheres: violência memória e trauma em Conceição Evaristo e
Marcela Serrano (2020), by Bruna Stéphane Oliveira Mendes da Silva;
Políticas públicas e preventivas à violência doméstica contra as mulheres
implementadas em Uberlândia MG (2017), by Danúbia Santos;
Violência doméstica contra mulheres: centro de referência da mulher Araraquara
(2008), by Gisele Rocha Côrtes;
Pode ser comum, mas não é normal: o ensino de História como ferramenta
pedagógica na discussão da violência de gênero (2022), by Aline Cecília Jones de Lima;
Produção do conhecimento do serviço social brasileiro no campo da violência de
gênero contra a(s) mulher(es): uma abordagem feminista de(s)colonial (2020), by Catarina
Nascimento de Oliveira;
Amor, poder e violência em contos de Nélida Pinõn (2015), by Joyce Glenda Barros
Amorim;
O estudo como violência de gênero (2018), by Catarina Lopes Placca;
Sob o muro das convenções e as muitas faces da violência de gênero: Ribeirão
Preto/SP (2014), by Michelle da Silva Borges;
A violência de gênero contra a mulher sob a perspectiva étnico racial: a relevância
do papel do Ministério Público (2017), by Jaceguara Dantas da Silva;
Mulherproduto: a violência simbólica de gênero na publicidade julgada pelo Conar
(2019), by Beatriz Molari.
These theses were selected with the aim of investigating how Heleieth Saffioti’s work
has been appropriated in Brazilian academic theses addressing gender-based violence, seeking
to understand the depth of engagement with the author’s theoretical framework in contemporary
studies and to examine the intersectionality between class, race, and gender.
Analysis of the selected theses in the National Library of Theses and Dissertations
shows that women’s struggles are shaped within constraining structures. It is within these
constraints that power relations are established. Based on these theses, rape emerges as one
expression of this violence, as it occurs with the purpose of establishing power between men
and women (Leite, 2020). According to Saffioti, rape is an instrument of power in malefemale
relations, serving to affirm dominant ideology (Saffioti, 2001). This occurs because society
grants power to men, and a genitalized culture leads men to concentrate their sexuality in the
genital organs (Saffioti, 2001).
Heleieth Saffioti and the contemporary debate on gender violence: an analysis of Brazilian academic theses
Rev. Sem Aspas, Araraquara, v. 14, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2358-4238
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In a country as vast as Brazil, it is necessary to understand regional developments and
specificities, as well as local particularities, viewing violence against women as a social
phenomenon (Cerqueira; Bueno, 2024). According to data from the 2024 Atlas of Violence,
produced by the Institute for Applied Economic Research, 34.5% of female homicides occurred
in households, totaling 1,313 victims in 2022, with a prevalence of Black women, who
accounted for 58.2% of victims. White girls and women represented 39.8% of the records;
Asian women approximately 1%; and Indigenous women 1%. This is because Brazilian society
was built upon an ethnocentric, colonizing ideology that unfolds through inequalities and
patriarchal ideologies (Correia, 2023).
The article entitled Abordagens de violência contra a mulher em telenovelas brasileiras:
uma análise feminista de discurso, by Correia (2023), was selected to compose the analysis of
the present study because it evidences an appropriation of Saffioti’s concepts from a
contemporary perspective. This allows for a focus aligned with the objectives of this research,
identifying how Saffioti’s theoretical framework is mobilized to understand contemporary
mechanisms of exploitation and domination. According to Correia (2023), technologies and
television programs, such as soap operas, operate as mechanisms that reinforce unequal and
colonizing ideologies. As a result, different forms of violence become intertwined, overlapping
and merging. If Saffioti’s theoretical elaborations (2015) are applied to the understanding of
this object, violence is defined as the rupture of the other’s integritywhether physical,
psychological, sexual, or moral. Thus, such forms of violence are not isolated events; rather,
they constitute the knot of contradictions proposed by the author, acquiring a specific dynamic
inherent to this knot (Saffioti, 2015). The critique developed here revolves around
understanding gender-based violence as an instrument of male control and domination.
Accordingly, this study supports the argument that violence against women is neither isolated
nor the result of individual deviance, but rather systemic and structured within power relations.
These strategies are reinforced by their naturalization in women’s everyday lives and are
accompanied by fear, shame, and guilt. Such destabilizing mechanisms lead women to feel
guilty and responsible for the violence they experience, with the objective of exerting control
over the victim and maintaining her in a state of submission (Correia, 2023).
There are also discourses produced by men that delegitimize laws aimed at combating
violence against women. This type of narrative suggests that such laws do not produce
significant results in reducing violence, thereby reinforcing a culture of silence (Correia, 2023).
On this matter, Saffioti (2015, p. 99, our translation) states that “the law is no longer adequate
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to address domestic violence, but even worse is its implementation.” She also argues that
patriarchal order permeates institutions. As a result, the reinforcement of women’s inferiority
within these spaces occurs through the repeated message that they are inferior to white people
and to men, leading them to internalize this perceived inferiority.
The discussion then turns to the second thesis analyzed in this section, Corpo- escrita
de mulheres: violência, memória e trauma em Conceição Evaristo e Marcela Serrano (2020)
by Bruna Stéphane Oliveira Mendes da Silva. This study aims to analyze marks of violence in
the narratives of female characters in short stories by Conceição Evaristo and Marcela Serrano.
In this research, the author appropriates Saffioti’s framework by emphasizing gender relations
as one of the factors leading to women’s subordination. These factors are explained by Saffioti
(2015) with support from Jung (1992)
4
, who introduces the concepts of animus and anima. Both
concepts are incorporated into the thesis, with animus referring to the masculine principle and
anima to the feminine principle.
Silva (2020) employs these concepts to analyze the works Insubmissas Lágrimas de
Mulheres, by Conceição Evaristo, and Diez Mujeres, by Marcela Serrano. These works are
marked by power relations in which male characters dehumanize women and act as though
female bodies were territories over which they hold rights. In this regard, Saffioti (2015)
highlights that society commonly encourages men to develop their animus while preventing or
discouraging women from developing their anima, resulting in an asymmetric process between
genders. Consequently, men often transform aggressiveness into aggression, while women
remain positioned in fragility (Silva, 2020).
Regarding men’s claimed rights over women’s bodies, as discussed in Silva’s (2020)
thesis, Saffioti (2015) argues that the concept of patriarchy structures malefemale relations.
Within this framework, men are granted absolute rights over women’s bodies, as this represents
a hierarchical modality of power relations that facilitates forms of oppressionthat is, the
ideology of violence. Accordingly, Silva (2020) emphasizes that gender-based violence
constitutes the core of her research and cites Saffioti to remind us that gender-based violence
transcends social class boundaries, levels, and institutions.
In conclusion, it is evident that gender-based violence is a structural and systemic
phenomenon deeply rooted in power relations. Drawing on Saffioti’s theoretical contributions
and the reflections proposed by Correia (2023) and Silva (2020), gender-based violence is
4
Carl Gustav Jung (18751961), born in Switzerland, was a psychiatrist and scholar who created a psychological
approach known as analytical psychology (Araújo, 2023).
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understood not as a deviation or exception, but as a set of practices sustained by social, cultural,
and media discourses that reinforce inequality. Thus, forms of violence such as rape, femicide,
and representations of women exemplify how these practices are embedded in an ideology that
naturalizes male control over female bodies. This dynamic is compounded by victim-blaming
and political delegitimization that deny the existence of violence.
Furthermore, the works analyzed and data from the Atlas of Violence (Cerqueira; Bueno,
2024) demonstrate that this context disproportionately affects Black and peripheral women,
confirming the knot between gender, race, and class and reinforcing the need to understand
violence against women not as an isolated phenomenon, but as part of the knot of contradictions
proposed by Saffioti. Therefore, based on these reflections, it is possible to conclude that the
boundaries of gender-based violence are collective, historical, and structural. Considering
Heleieth Saffioti’s theoretical contributions, this article thus advances to question how the
theoretical shifts within her framework tension or update critiques of gendered power relations
in contemporary academic production. This is the focus of the following section.
The Contemporary Relevance of Saffioti: Theoretical Shifts and the Contemporary
Debate on Gender-Based Violence
From a quantitative analysis of the theses, it is evident that Heleieth Saffioti’s work has
undergone theoretical shifts as it has been cited in the studies examined here. In several
instances, her work has been associated with that of Pierre Bourdieu. From this standpoint, this
section analyzes theses that cite both authors jointly in order to propose a contemporary
understanding of gender-based violence.
The analysis focuses on the thesis by Jaceguara Dantas da Silva (2017), A violência de
gênero contra a mulher sob a perspectiva étnico-racial: a relevância do papel do Ministério
Público, whose objective is to problematize the reasons for the increasing incidence of gender-
based violence against Black women. To this end, the author draws on official data and
analyzes
5
them through the theoretical perspectives of Bourdieu, Scott, and Butler. Silva (2017)
discusses gender-based violence against women as a phenomenon present in contemporary
society, highlighting the unequal power relations established between men and women, which,
as cited by Saffioti (2015):
5
Statistical data from the Institute of Applied Economic Research (IPEA) show that more than 60% of women
murdered in Brazil between 2001 and 2011 were black (Silva, 2017).
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Inequality, far from being natural, is produced by cultural tradition, power
structures, and the agents involved in the web of social relations. In relations
between men and between women, gender inequality is not given; it can be
constructed, and it often is (Saffioti, 2015, p. 75, our translation).
Saffioti is mobilized throughout the entire thesis, contextualizing women’s trajectories
over time and examining how tradition has been used to justify inequality between men and
women, as well as between white and Black populations, in order to understand female
subalternity. Silva (2017) draws on Heleieth Saffioti’s writings to analyze the sexual and racial
components of violence which, due to patriarchal and slaveholding elements, condition and
determine gender relations across racial lines. In this sense, the author also cites Pierre Bourdieu
to address inequality, particularly through the concept of symbolic violence. Symbolic violence
operates in a subtle and invisible manner and is often internalized by the victims themselves as
something natural. Its perception as part of the social order legitimizes and sustains its
continuity, making it difficult to recognize it as a form of domination (Silva, 2017). For Saffioti
(2015), employing Bourdieu’s concept of male domination allows for an understanding of the
patriarchal institution while minimizing the existence of matriarchal societies. Thus, gender-
based violence against women is understood as part of social relations derived from social
inequalities, with patriarchy as their common denominator. Moreover, according to Silva
(2017), drawing on Saffioti, Black women are discriminated against for being women, Black,
and poor, which intensifies gender-based violence.
To further understand the contemporary theoretical shifts in Saffioti’s work, another
thesis that also combines readings of Heleieth Saffioti and Pierre Bourdieu is analyzed. The
thesis by Gisele Rocha Côrtes (2008), Violência doméstica contra mulheres: Centro de
Referência da Mulher de Araraquara, aims to outline the socioeconomic profile of women
assisted by the institution, seeking to identify and understand the structural mechanisms of
social organization. For Côrtes (2008), violence is difficult to report, as the preservation of the
family institution often takes precedence over physical integrity. The author draws on Saffioti
(2004) to argue that violence has a chronic and stabilized character, while also citing Bourdieu
(1999) to understand violence as something perceived as normal, part of the established order.
Côrtes (2008) employs Bourdieu’s concept of habitus, understood as the product of past
learning and lived experiencesthat is, of socialization institutionsfunctioning as a matrix
of perceptions and choices across different domains of practice. In addition, the author
mobilizes Saffioti (2004) to point out classifications of male domination, a phenomenon that
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operates beyond consciousness and reflects the notion that women are complicit in or connive
with violence.
Drawing on Bourdieu (1999), Côrtes (2008) explains that hierarchical gender codes are
not limited to mere mental representations; rather, they are incorporated into the habitus,
becoming schemas that underpin dominant relations. From this perspective, a correspondence
is established between objective structures and mental representations (Côrtes, 2008). Based on
this reasoning, the author uses Saffioti (2004) to argue for the impossibility of women’s
complicity in their own oppression, since “[…] for them to be complicit, to consent to male
aggression, they would need to enjoy equal power with men” (Saffioti, 2015, p. 85, our
translation).
Therefore, when citing Bourdieu (1999), Côrtes (2008) clarifies that the author
understands structures of domination from a macro-social perspective (state, family, school),
using mental representations to conceptualize social practices. By incorporating Saffioti’s
perspective (2004), it becomes evident that the way these discourses are constructed and
reproduced is directly linked to the logic and maintenance of the patriarchal order.
Thus, when analyzing both thesesthose of Jaceguara Dantas da Silva (2017) and
Gisele Rocha Côrtes (2008)—it is possible to observe that Bourdieu’s concepts, in conjunction
with those of Saffioti, reveal points of theoretical convergence. In both studies, these authors
are mobilized to understand the persistence and naturalization of gender-based violence within
contemporary social structures. From Bourdieu’s theory of symbolic violence, it is possible to
understand how male domination infiltrates social structures in an invisible manner, being
reproduced by the very subjects involved. Expanding this understanding through Saffioti, by
introducing intersectionality as an analytical axis, highlights oppression not only by gender, but
intensified by factors such as race, resulting from overlapping historical and structural
inequalities. Côrtes (2008) introduces the notion of habitus, which is articulated with the idea
of women’s complicity in violence—a notion deconstructed by Saffioti, who argues that
complicity would require equality of power, something nonexistent in patriarchal societies.
In this way, the contemporary readings of gender-based violence proposed in these
theses indicate theoretical shifts in Heleieth Saffioti’s work, not diminishing its relevance, but
rather underscoring the importance of reinterpreting and re-signifying her contributions.
Therefore, the intersection between Bourdieu and Saffioti, albeit with different emphases,
contributes to a broader and more critical understanding of gender-based violence as a
structural, historical, and multifaceted phenomenon.
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Final Considerations
The information was organized by identifying citation patterns, thematic recurrences,
and theoretical trends, serving as a basis for understanding the orientation of Heleieth Saffioti’s
work in contemporary academic production. This analysis reveals the frequency with which her
work is cited and referenced, while also indicating the limited depth of its theoretical
mobilization. This reinforces the argument that her intellectual contributions, when more
substantively engaged, enrich analytical depth, particularly when observing the theoretical
shifts within her body of work.
The analysis of the theses undertaken here demonstrates that they incorporate Heleieth
Saffioti’s thought in discussions of gender-based violence, evidencing that her theory remains
current and productive for understanding the structures that sustain social inequalities. Based
on contemporary authors’ appropriations of her concepts, the persistence of a patriarchal system
operating intersectionally through markers such as race, class, and territory becomes evident,
reaffirming the centrality of the knot of contradictions proposed by Saffioti. The analyses show
that violence against women is neither isolated nor accidental, but rather the result of discursive
and institutional practices that sustain male dominance over women’s bodies. Elements such as
rape, femicide, and victim-blaming expose the brutality of these mechanisms, revealing the
cultural and historical entrenchment of oppression. In addition, data from the Atlas of Violence
(Cerqueira; Bueno, 2024) point to the heightened vulnerability of Black women, reinforcing
the importance of understanding violence from an intersectional perspective, as articulated in
the concept of the knot of contradictions.
The appropriation of Saffioti’s theory in the theses engages with a range of authors,
revealing theoretical shifts that, on the one hand, signal updates to Marxist feminist thought
and, on the other, require methodological caution to avoid diluting the materialist critiques
central to Saffioti’s framework. When such theoretical displacements are not critically
examined, they risk undermining the analytical radicality necessary to interrogate power
relations. The analyses indicate that Saffioti’s intersectional perspectivearticulating gender,
race, and class as structuring elements of social relationsremains essential for understanding
the multiple layers of violence against women. Authors such as Jaceguara Dantas da Silva
(2017) and Gisele Rocha Côrtes (2008) reaffirm the contemporary relevance of her analytical
categories, while also bringing them into dialogue with Bourdieusian contributions, particularly
regarding the concept of symbolic violence and the notion of habitus.
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Heleieth Saffioti thus remains a key reference in studies on gender-based violence.
However, her theoretical contribution, centered on the structural analysis of women’s
oppression, is often cited without being fully mobilized in its complexity. This indicates that,
although widely recognized, her work is frequently treated as ancillary, often alongside authors
whose theoretical orientations diverge from hers, resulting in theoretical dilutions that
compromise the critical force of her thought.
Therefore, the importance of reclaiming Saffioti as a fundamental critical reference is
reaffirmed, especially for understanding gender-based violence. Her work contributes not only
as a theoretical framework but also as an analytical tool for unveiling patriarchal domination.
The theses analyzed point toward productive paths for this dialogue while simultaneously
highlighting the need for ongoing critical vigilance to avoid reductionism.
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: I would like to thank São Paulo State University “Júlio de Mesquita
Filho” (UNESP), Araraquara Campus, for the opportunity to conduct this research; my
advisor, Prof. Dr. Carolina Cechella Philippi, for guiding me throughout the entire process;
and my fiancé, Erick Soares Henrique, for his support during all stages of the research.
Funding: Undergraduate research (Scientific Initiation) without funding.
Conflicts of interest: There are no financial, commercial, or personal conflicts of interest
that could have influenced this work, its results, or their interpretation.
Ethical approval: This study was conducted in accordance with ethical principles and did
not involve human or animal subjects; therefore, submission to a Research Ethics
Committee was not required.
Data and material availability: The data and materials used in this study are available for
access.
Authors’ contributions: The advisor, Prof. Dr. Carolina Cechella Philippi, contributed to
the revision and development of the research.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, standardization and translation