INGESTÃO DIETÉTICA DE COBALAMINA E TIAMINA EM GESTANTES DO VALE DO JEQUITINHONHA, MINAS GERAIS


INGESTA DIETÉTICA DE COBALAMINA Y TIAMINA EN MUJERES EMBARAZADAS DE VALE DO JEQUITINHONHA, MINAS GERAIS


DIETARY INTAKE OF COBALAMIN AND THIAMINE IN PREGNANT WOMEN FROM VALE DO JEQUITINHONHA, MINAS GERAIS


Humberto Gabriel RODRIGUES1 Bruna Cristina Figueira GUEDES2 Nair Amélia Prates BARRETO3


RESUMO: O estado nutricional da gestante, mediante consumo das vitaminas B12 e B6, influencia diretamente na saúde e na mortalidade do feto. Nesse sentido, objetivou-se estudar a prevalência do consumo desses micronutrientes na alimentação por gestantes do Vale do Jequitinhonha - MG. A pesquisa foi realizada em uma amostra de 492 gestantes atendidas em maternidades de 15 municípios do Vale do Jequitinhonha. A prevalência de ingestão insuficiente (AI) da vitamina B12 e da vitamina B6 foi verificada em 42 gestantes (8,6%) e em 66 gestantes (13,5%), respectivamente. O nível máximo tolerado de vitamina B6 (UL) foi encontrado acima do valor de referência em 81 gestantes (16,5%). Identifica-se fundamental um programa de educação nutricional mais intenso durante o pré-natal e o pós-parto.


PALAVRAS-CHAVE: Cobalamina. Tiamina. Gestante. Nutrição.


RESUMEN: El estado nutricional de la mujer embarazada, a través del consumo de vitaminas B12 y B6, influye directamente en la salud y mortalidad del feto. En este sentido, el objetivo fue estudiar la prevalencia del consumo de estos micronutrientes en la dieta de las mujeres embarazadas en Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. La investigación se llevó a cabo en una muestra de 492 mujeres embarazadas atendidas en hospitales de maternidad en 15 municipios de Vale do Jequitinhonha. La prevalencia de ingesta insuficiente (AI) de vitamina B12 y vitamina B6 se encontró en 42 mujeres embarazadas (8,6%) y 66 mujeres embarazadas (13,5%), respectivamente. El nivel máximo tolerado de vitamina B6 (UL) se encontró por encima del valor de referencia en 81 mujeres embarazadas (16,5%). Es esencial un programa de educación nutricional más intenso durante el período prenatal y posparto.


PALABRAS CLAVE: Cobalamina. Tiamina. Embarazada. Nutrición.


1 Centro Universitário FIPMoc (UNIFIPMoc), Montes Claros – MG – Brasil. Professor. Doutorado em Ciências da Saúde (UnB). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9257-8082. E-mail: humbertogabriel@unimontes.br

2 Centro Universitário FIPMoc (UNIFIPMoc), Montes Claros – MG – Brasil. Graduanda em Odontologia. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1662-4144. E-mail: brunacristinafg@hotmail.com

3 Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Montes Claros – MG – Brasil. Docente. Mestrado em Saúde Coletiva (UNIFESP). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6036-252X. E-mail: nair.barreto@unimontes.br



ABSTRACT: The nutritional status of pregnant women, through the consumption of vitamins B12 and B6, directly influences the health and mortality of the fetus. In this sense, the objective was to study the prevalence of consumption of these micronutrients in the diet of pregnant women in Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. The research was carried out in a sample of 492 pregnant women assisted in maternity hospitals in 15 municipalities in Vale do Jequitinhonha. The prevalence of insufficient intake (AI) of vitamin B12 and vitamin B6 was found in 42 pregnant women (8.6%) and 66 pregnant women (13.5%), respectively. The maximum tolerated level of vitamin B6 (UL) was found above the reference value in 81 pregnant women (16.5%). A more intense nutritional education program during the prenatal and postpartum period is essential.


KEYWORDS: Cobalamin. Thiamine. Pregnant. Nutrition.


Introdução


Para Gomes et al. (2019), o estudo dos hábitos alimentares na gestação é de fundamental importância nessa etapa do ciclo de vida, uma vez que se relaciona à saúde da mãe e do feto que está sendo gerada. Dessa forma, o monitoramento nutricional pode ser visto como fator positivo na promoção de saúde, evitando morbidade e mortalidade das gestantes, com melhora dos desfechos na saúde materno-infantil e no pós-parto, promovendo um bom prognóstico nos primeiros anos de vida na saúde da criança e para a mulher.

Segundo Werutsky et al. (2008), a gestação é um período de maior necessidade nutricional no ciclo de vida da mulher, já que ocorrem ajustes fisiológicos na gestante e em demandas de nutrientes para o crescimento fetal, como a rápida divisão celular e desenvolvimento de novos tecidos e órgãos. As gestantes que apresentaram uma reserva inadequada de nutrientes, aliada a uma ingestão dietética insuficiente de vitaminas, podem ter um comprometimento do crescimento fetal e, consequentemente, redução do peso do feto ao nascer.

Para Paniz et al. (2005), a vitamina B12 ou cianocobalamina participam de uma família de compostos denominados genericamente de cobalaminas, já que é uma vitamina hidrossolúvel, sintetizada exclusivamente por microrganismos, na qual é encontrada na maioria dos tecidos animais e estocada no sistema hepático na forma de adenosilcobalamina. A fonte natural de vitamina B12 na dieta humana se restringe a alimentos de origem animal, como leite, carne e ovos.

Para Painz et al. (2005), a vitamina B12 é liberada pela digestão de proteínas de origem animal, sendo absorvido pela haptocorrina (transcobalamina), uma proteína R produzida na saliva e no estômago, sendo fundamental para que posteriormente seja



degradada pelas proteases pancreáticas com consequente transferência da molécula de vitamina B12 para um fator intrínseco gástrico (FI), uma glicoproteína de 44kDa produzida pelas células parietais do estômago. A ligação da vitamina B12 ao FI forma na mucosa um complexo que deve resistir às enzimas proteolíticas da luz intestinal e que, posteriormente, adere-se a receptores específicos das células epiteliais do íleo terminal, em que a vitamina B12 é absorvida e ligada a um transportador plasmático e lançada na circulação sanguínea.

Para Silva (2018), os marcadores biológicos para diagnóstico de deficiência de vitamina B12 incluem concentrações circulantes reduzidas de B12 plasmática, níveis aumentados de homocisteína, metilmalônil-Coa. Nesse sentido, para obter doses eficazes na gestação de vitamina B12 é necessário que a gestante tenha uma alimentação rica em carnes, ovos e leite. No entanto, ao decorrer da gestação, as concentrações de vitamina B12 reduzem significativamente, uma vez que no terceiro trimestre as concentrações dessa vitamina no plasma podem atingir concentrações mínimas causando a deficiência de vitamina B12. Essa redução acontece devido à hemodiluição fisiológica gestacional, aumento da filtração glomerular, demandas fetais e maternas aumentadas e alterações nas proteínas de ligação a vitamina.

De acordo com Refsum (2001), a deficiência de vitamina B12 leva à anemia perniciosa ou megaloblástica, podendo causar sinais e sintomas neurológicos relacionados aos sinais de anemia, como perda da memória, parestesias, diminuição da sensibilidade em membros inferiores e, em casos avançados, desmielinização da medula espinal.

Para Maihara et al. (2006), a piridoxina, conhecida como vitamina B6, faz parte do complexo B, sendo necessária para a função do cérebro e a formação das células vermelhas, envolvidas na função imunológica e na atividade hormonal do corpo humano. As fontes de vitaminas B6 são encontradas no fígado, aves, peixes, nozes e frutas, sendo que a falta dessa pode causar sintomas perceptíveis como feridas na pele, língua e boca, náuseas, nervosismo e convulsões.

Segundo Futterleib e Cherubini (2005), a deficiência de piridoxina e da cobalamina pode ocasionar hiper-homocisteinemia, em que o bebê nasce com a doença hereditária e pode desenvolver a clássica síndrome de homocisteinúria, incluindo doença vascular prematura e trombose, deficiência intelectual e anormalidades esqueléticas.

Para o Ministério da Saúde (2002), em termos de desenvolvimento neonatal, no planejamento dietético, a gestante deve receber orientação nutricional de acordo com a idade, o estado nutricional, sintomas da gravidez, atividade física e patologias associadas. Nesse sentido, faz-se necessário a ingestão diária recomendada de vitamina B12 para gestantes, que



é de 2,6 µg, e de vitamina B6, que é de 1,9 mg, mediante parâmetros do Ministério de Saúde (2002)

Além disso, Melo et al. (2007) afirmam que o diagnóstico nutricional precoce, principalmente no período pré-natal, é necessário para a promoção de ações que contribuam para melhores resultados nutricionais, garantindo um bom estado de saúde para a mãe e para o bebê.

Tendo em vista que a dieta equilibrada é de extrema relevância tanto na restrição como o excesso de determinados nutrientes no período gestacional pode interferir no crescimento e desenvolvimento do feto, o presente trabalho tem por objetivo estimar a ingestão de vitamina B6 e B12 por gestantes do Vale do Jequitinhonha-MG, uma das regiões mais pobres do Brasil.


Metodologia


O cenário estudado foi o Vale do Jequitinhonha, uma região que ocupa 14,5% da área do Estado de Minas Gerais, totalizando aproximadamente 85.000 km2 de extensão territorial situado geograficamente no Nordeste de Minas Gerias, fazendo fronteiras com o Mucuri e o Norte de Minas. De acordo com pesquisas do Sistema de Informações hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) do Ministério da Saúde realizada em 2010, o Vale do Jequitinhonha possui 80 municípios e destes, vinte e nove possuem registro de parto.

A amostragem para coleta de dados primários foi obtida contemplando como universo da pesquisa o número total de partos no Vale do Jequitinhonha - MG. No ano de 2010, ocorreram aproximadamente 12.500 partos, o que, consequentemente, representou o número de gestantes dessa macrorregião, consoante a levantamentos disponíveis no DATASUS – Tabnet.

A investigação em campo foi realizada nas maternidades de 15 municípios selecionados com índice de partos superior a um por dia ou 30 partos ao mês e que realizam 78% dos partos na região. Além disso, duas a três unidades de saúde foram selecionadas para cada município em que a pesquisa foi realizada.

Houve aplicação de questionário padronizado de Frequência Alimentar Semi- quantitativo para quantificação das vitaminas B12 e B6 entre as gestantes. Esse questionário foi estabelecido como padrão, antecipadamente testado por mediação de estudo-piloto, preenchido durante entrevista e após a obtenção do consentimento das mulheres para a coleta de dados.



Para analisar a ingestão de vitamina B12 e B6 foi consultado o Recomended Dietary Allowances (RDA), que aponta que a ingestão diária de vitamina B12 recomendada é de aproximadamente 2,6 microgramas (µg). Em relação à vitamina B6, o RDA afirma que a ingestão adequada diária para gestantes é de aproximadamente 1,9 mg por dia.

De acordo com Padovani et al. (2006), não é possível estabelecer o valor de UL (limite superior de maior ingestão de um nutriente) para a vitamina B12. Porém, nesse estudo, o valor de UL para a vitamina B6 foi de 80 mg para gestantes com menos de 18 anos de idade e 100 mg para gestantes entre 19 a 50 anos de idade.

Os entrevistadores foram orientados a aplicar os questionários, acompanhados por pesquisador mais experiente em pesquisa de campo, mediante análise metodológica quantitativa. Dessa forma, foi aplicado também um questionário sociodemográfico com as seguintes variáveis: cor da pele (auto referida); a situação conjugal da mulher (com companheiro e sem companheiro); renda familiar (em reais); participação no Programa Bolsa Família; escolaridade (em anos); e idade (em anos completos) da mãe.

Além disso, houve a pesquisa de variável de conduta: se a gestação foi planejada (sim ou não), gravidez na adolescência (sim para menor de 18 anos), número de gestações. Além das variáveis do pré-natal consistem na realização do mesmo (sim ou não), número de consultas e local de ocorrência e se a gestante recebeu orientações nutricionais durante esse período, caso positivo, por quem foram realizadas tais orientações, motivo e período da mesma. O critério de inclusão para a pesquisa entre as gestantes foi que estas deveriam estar no terceiro trimestre de gestação no momento da aplicação do questionário, devendo consentir a participar da pesquisa e habitar em um dos oitenta Municípios do Vale do Jequitinhonha e foi solicitada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Os dados do questionário foram digitados no Excel e posteriormente transferidos para o Epiinfo (2007) para a análise estatística. No caso das variáveis discretas, como idade e consumo alimentar, calcularam-se as médias, medianas e desvio padrão. Quando necessário, a comparação de médias foi realizada pelo teste ANOVA utilizando programa Origin 6.0 (Microcal Software Inc.). Para as variáveis categóricas, foram calculadas frequências, desvio padrão, Intervalos de Confiança (95%) e, para os testes de associação quando apropriado, a Razão de Prevalência (RP), considerando-se o Limite de Confiança de 95%.

Dentre os alimentos presentes no questionário de Frequência Alimentar Semi- quantitativo, 57 deles possuem vitamina B12 em sua composição e 130 possuem vitamina B6. Dessa forma, na análise da concentração de vitamina B12 na dieta, 87 alimentos foram excluídos por não conterem cobalamina e 14 foram excluídos por não conterem piridoxina.



O projeto de pesquisa foi apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros via Plataforma Brasil, sob parecer consubstanciado nº 2.890.870/2018.


Resultados


Foram realizadas 492 entrevistas com gestantes que se encontravam no último trimestre de gestação e que realizavam pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde estudadas, pertencentes ao Sistema Único de Saúde (SUS) de 15 municípios do Vale do Jequitinhonha - MG. Nesse sentido, observa-se que a renda familiar das gestantes era de até um salário mínimo (66,7%), com uma média geral de 1,44 salários mínimos. Houve uma proporção de 45,7% das gestantes que participavam do programa de transferência de renda “Bolsa Família” do Governo Federal Brasileiro há, em média, 3,7 anos.

Pode-se observar que a média de idade das gestantes incluídas na pesquisa foi de 25,3 anos (DP= 6,2 anos), uma vez que a idade mínima foi de 13 anos e a máxima de 43 anos. Sendo assim, a prevalência da etnia foi a parda ou negra (78,5%) e a maioria morava com companheiro (72,3%). Entre as entrevistadas, 39,8% se encontravam na primeira gestação e 66,1% haviam realizado até seis consultas pré-natais.

Aproximadamente cerca de 40,0% das gestantes (n=195) receberam orientação alimentar de profissionais de saúde, com a finalidade de proporcionar melhor qualidade de vida para a gestante e o bebê, sendo que 150 destas (76,3%) foram durante a gravidez. O objetivo da maioria das gestantes (80,0%) foi ter uma gestação saudável. No entanto, as demais apontaram que essa orientação ocorreu em razão da redução (6,7%) ou ganho de peso (7,7%) ou outros motivos (4,6%) e duas gestantes não souberam responder ao questionamento (1,0%).

Além disso, observou que a maioria das gestantes cerca de (92,7%) não fumava antes da gestação e 473 gestantes (96,1%) não fumaram enquanto gestantes. Para o consumo de álcool (etilismo), observou-se que 74,3% não ingeriam bebidas alcóolicas antes da gestação, sendo que essa proporção aumentou para 96,5% durante a gestação.

De acordo com os dados obtidos no questionário de Frequência Alimentar, a prevalência da ingestão de vitamina B12 é insuficiente (AI<2,6 mcg) e foi verificada em 42 gestantes (8,6%). Já a insuficiência de vitamina B6 esteve presente em 66 gestantes (13,5%). Assim sendo, o nível máximo tolerado de vitamina B6 (UL), sendo até 80 mg de consumo diário de vitamina B6 para gestantes com menos de 18 anos de idade e 100 mg para gestantes


de 19 a 50 anos de idade, foi encontrado acima do valor de referência em 81 gestantes (16,5%) (Tabela 1).


Tabela 1 – Características das gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde, incluídas na amostra. Vale do Jequitinhonha, Brasil, 2013.

Característica

Categoria

Nº de gestantes

Porcentagem %

Idade a

10 – 19

100

20,3

(anos)

20 – 34

346

70,3


35 – 45

43

8,8


Não responderam

3

0,6

Etnia a

Amarela

19

3,9

(auto-declarada)

Branca

86

17,5




78,6


Negra ou parda

387


Estado Civil a

Com companheiro

356

72,3


Sem companheiro

136

27,6


Não responderam

1

0,3

Escolaridade a

Fundamental

161

32,7


Médio

294

59,7


Superior

33

6,7


Não responderam

4

0,8

Renda familiar a

Até um salário mínimo

328

66,7


Mais um salário mínimo

164

33,3

Participação Bolsa Família a



Sim

225

45,7




Não

267

54,3



Número de gestações a

Uma

196

39,8




Duas

147

29,9




Três

89

18,1




Acima de três

60

12,2



Número de consultas

Menos do que seis

325

66,1



de pré-natal a

Seis ou mais

167

33,9



Planejamento da gravidez a

Sim foi planejada

210

42,7




Não foi planejada

279

56,7




Não responderam

3

0,6



Recebeu orientação alimentar

Sim

195

39,6



durante a gestação a

Não

297

60,4



Tabagismo antes da gestação a

Sim

36

7,3




Não


456


92,7

Tabagismo durante gestação a

Sim

19

3,9


Não

473

96,1

Consumo de vit. B12 (total)




(to(total (total (total) ((total (total

suficiente

450

91,4

((total)





insuficiente

42

8,6

Consumo de vit. B6 (total)

suficiente

426

86,5


insuficiente

66

13,5

Consumo de vit. B6 >UL

acima de UL

81

16,5

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelos autores

a Tamanho da amostra N= 492 b Tamanho da amostra N= 440


Há origens múltiplas da insuficiência de vitamina B12 e B6, visto que os fatores socioeconômicos e de gravidez encontrados no estudo que correlacionam a um consumo insuficiente de vitamina B12 foram: apenas três refeições por dia (RP=1,9) e seis ou mais consultas de pré-natal (RP=1,9). O consumo de até três refeições por dia também está relacionado ao consumo insuficiente de vitamina B6 (Tabela 2 e 3).


Tabela 2 – Prevalência de consumo insuficiente de vitamina B12 segundo características econômicas e gestacionais. Vale do Jequitinhonha, 2013.


Consumo de vitamina B12 (µg/dia)

Característica

UL

AI<2,6µg

AI>2,6µg

Consumo

insuficiente

RP

IC 95%



Renda familiar



Até

mínimo

um salário

ND

26

302

7,92%

1

Mais de um salário mínimo


ND


15


149


9,14%


1,2


0,6-2,1


Participação no Bolsa









Família









Sim

ND

15

210

6,66%

1




Não

ND

28

239

10,48%

1,6

0,9-2,9












Idade materna

10-19 anos



ND


8


92


8%


1


20-34 anos


ND

37

309

10,69%

1,3

0,6-2,8

35-45 anos


ND

6

37

13,95%

1,7

0,6-4,7

Etnia








Branca


ND

4

82

4,65%

1


Negra/ Parda


ND

35

352

9,04%

1,9

0,7-5,3

Amarela


ND

2

17

10,52%

2,3

0,4-11,5

Estado Civil








Com companheiro


ND

35

321

9,83%

1,2

0,6-2,3

Sem companheiro


ND

11

125

8,08%

1


Escolaridade








Fundamental


ND

15

146

9,31%

1,2

0,6-2,3

Médio


ND

22

272

7,5%

1


Superior


ND

4

29

12,12%

1,6

0,6-4,4

Planejamento

da







gravidez








Não planejada


ND

22

257

7,88%

1


Planejada


ND

20

190

9,52%

1,2

0,7-2,2

Número de gestações

Uma ND

20

176

10,20%

1,4

0,8-2,5

Acima de uma ND

22

274

7,43%

1


Número de consultas pré-natal

Menor que seis ND


21


304


6,46%


1


Igual ou maior que

ND

21

146

12,57%

1,9

1,1-3,4


seis



Número de refeições por dia

Até três


ND


18


120


13,03%


1,9


1,1-3,4



Mais de três

ND

24

329

6,79%

1



Fonte: Dados da pesquisa - Elaborado pelos autores



Tabela 3 – Prevalência de consumo insuficiente de vitamina B6 segundo características econômicas e gestacionais. Vale do Jequitinhonha, 2013.


Consumo de vitamina B6 (mg/dia)


Característica

AI<1,9mg

AI>1,9mg

Consumo

RP

IC 95%




insuficiente




Renda familiar



Até um salário mínimo

43

285

13,10%

1


Mais de um salário mínimo

22

142

13,41%

1

0,6-1,7

Participação no Bolsa Família






Sim

31

194

13,77%

1,1

0,7-1,7

Não

34

233

12,73%

1


Idade materna






10-19 anos

12

88

12%

1


20-34 anos

42

304

12,13%

1

0,6-1,8

35-45 anos

8

35

18,6%

1,6

0,7-3,5

Etnia






Branca

7

79

8,13%

1


Negra/ Parda

53

334

13,69%

1,7

0,8-3,6

Amarela

4

15

21,05%

2,6

0,8-7,9

Estado Civil






Com companheiro

45

311

12,64%

1


Sem companheiro

21

115

15,44%

1,2

0,8-1,9

Escolaridade






Fundamental

28

133

17,39%

1,9

0,6-5,9

Médio

32

262

10,88%

1,2

0,4-3,7

Superior

3

30

9,09%

1


Planejamento da gravidez







Não planejada


39


240


13,97%


1,3


0,8-2,2

Planejada

22

188

10,47%

1


Número de gestações

Uma


30


166


15,30%


1,3


0,8-2,1

Acima de uma

34

262

11,48%

1


Número de consultas pré-natal

Menor que seis


41


284


12,61%


1


Igual ou maior que seis

28

139

16,76%

1,3

0,9-2,1

Número de refeições por dia

Até três


25


113


18,11%


1,6


1,1-2,6

Mais de três

39

314

11,04%

1


Fonte: Dados da pesquisa - Elaborado pelos autores


Pode-se observar que o consumo de vitamina B6 acima do limite tolerável foi registrado em gestantes que tem por renda familiar mais de um salário mínimo (RP=2,1), gestantes que estão na faixa etária de 20-34 anos (RP=1,8), gestantes da etnia negra/parda (RP=4) e da etnia amarela (RP=4,5), gestantes que não tiveram a gravidez planejada (RP=1,5) e gestantes que consomem mais de três refeições por dia (RP=2,5) (Tabela 4).


Tabela 4 – Prevalência de consumo em relação ao que é tolerável (UL) de vitamina B6 segundo características econômicas e gestacionais. Vale do Jequitinhonha, 2013.


Consumo de vitamina B6 (mg/dia)


Característica UL<80mg UL>80mg Consumo RP IC 95% até 18 anos até 18 anos insuficiente

<100mg de <100mg de 19 a 44 anos 19 a 44 anos





Renda familiar



Até um salário mínimo 289

39

17,72%

1


Mais de um salário

123

Participação no Bolsa Família


41


15,70%


2,1


1,4-3,1

Sim


186

39

17,88%

1,3

0,8-1,9

Não


231

36

13,48%

1


Idade materna







10-19 anos


90

10

10%

1


20-34 anos


283

63

16,53%

1,8

1,0-3,4

35-45 anos


35

8

19,51%

1,9

0,8-4,4

Etnia







Branca


82

4

4,70%

1


Negra/ Parda


314

73

18,91%

4

1,5-10,8

Amarela


15

4

21,05%

4,5

1,2-16,5

Estado Civil







Com companheiro


305

51

13,74%

1


Sem companheiro


112

24

21,62%

1,2

0,8-1,9

Escolaridade







Fundamental


129

32

53,33%

1,3

0,9-2,0

Médio


250

44

15,01%

1


Superior


28

5

15,15%

1

0,4-2,4

Planejamento

da






gravidez







Não planejada


225

54

19,42%

1,5

1,0-2,3

Planejada


183

27

12,85%

1


Número de gestações







Uma


167

29

14,79%

1


Acima de uma


244

52

17,62%

1,2

0,8-1,8

mínimo



Número de consultas pré-

natal


Menor que seis

267

58

17,90%

1,3

0,8-2,0

Igual ou maior que seis

144

23

13,77%

1


Número de refeições por







dia


Até três

127

11

7,97%

1


Mais de três

283

70

19,83%

2,5

1,4-4,6

Fonte: Dados da pesquisa - Elaborado pelos autores


Discussão


Segundo Cardoso Filho et al. (2019), as vitaminas hidrossolúveis como B6 e B12 têm um papel de suma importância, uma vez que é fundamental para o desenvolvimento humano. Nesse sentido, a prevalência de ingestão da vitamina B12 encontrada nesse estudo foi de 8,6% entre as gestantes e de vitamina B6 foi entre 13,5% das gestantes. Na gravidez, a deficiência das vitaminas citadas pode associar deterioração da capacidade intelectual do recém-nascido em doses baixas, e em doses altas pode causar danos neurais graves e sérios efeitos colaterais. Segundo Cardoso Filho et al. (2019), a ingestão deficiente de vitaminas B12 e B6 poderia ser atribuída às características alimentares da população estudada, uma vez que foi registrado no estudo a associação entre poucas refeições por dia com a carência nutricional. Sendo assim, é importante ressaltar que essas vitaminas são encontradas em diversos alimentos, por exemplo: peixe, carne, ovos, queijo e leite, e são dissolvidas em água. Sendo

assim, o armazenamento no organismo é uma das principais características dessas vitaminas.

Para Santos et al. (2006), durante a gestação deve ser avaliada a presença de alterações nutricionais, como infecções parasitoses, hemopatias (anemias), síndromes hipertensivas, insuficiência placentária e obesidade. Essas alterações podem causar maiores chances de hemorragia durante o parto e infecção puerperal, assim como podem dar à luz a recém- nascidos prematuros, com crescimento intrauterino restrito (CIUR), os quais apresentam maiores possibilidades de infecções neonatais, infecções respiratórias e aumentar a estatística de mortes perinatais.

Por outro lado, neste estudo, 17,62% das gestantes que consomem mais de três refeições por dia, excederam o limite superior de maior ingestão da vitamina B6. Para Boog (1999), é fato de que as mulheres quando grávidas aumentam e incluem alimentos em sua dieta habitual e/ou modificam seus hábitos alimentares, tanto pelo aumento do apetite inerente às mudanças biológicas de seu corpo quanto por preocupação com o fato de estarem grávidas e com o nascimento de um bebê saudável. Neste estudo foi constatada ingestão insuficiente de vitamina B12 em gestantes que tiveram seis ou mais consultas de pré-natal durante a gestação. Esses dados sugerem que as alterações do estado nutricional apontam para as deficiências no conteúdo e na qualidade das atenções no pré-natal, apesar da quantidade dessas consultas.



Dessa forma, Aquino e Philippi (2002) afirmam que a assistência pré-natal é de fundamental importância do ponto de vista qualitativo que pressupõe a atuação de profissionais de saúde preparados para avaliar o estado nutricional das gestantes precocemente. Nesse sentido, ao realizar orientação nutricional individualizada, é visada a otimização do estado nutricional materno. No entanto, não se pode esquecer que as orientações sobre alimentação saudável devem ser oferecidas de acordo com as possibilidades econômicas, sociais e culturais de cada paciente.

Ao fazer uma comparação com os dados do estudo realizado por Santos et al. (2006), com gestantes do município de Ribeirão Preto, os resultados revelam que as gestantes, em vários momentos, ficaram sem receber orientações alimentares que pouco dizem sobre uma dieta saudável, completa e variada e, em outras, não recebem nenhum tipo de orientação nutricional no pré-natal. Entretanto, os estudos mostram que quando as gestantes recebem orientação sobre nutrição, consequentemente há melhora no estado nutricional, tanto as gestantes com peso abaixo ou acima do recomendado. Ou seja, a alteração alimentar está relacionada ao conhecimento sobre nutrição.

Neste estudo observou-se que as gestantes que tinham renda familiar maior de um salário mínimo excederam o limite superior de maior ingestão da vitamina B6. De maneira geral, Lacerda (2007) comenta que, à medida que aumenta a renda per capita, aumenta o grau de sofisticação no consumo de alimentos, optando-se pelos mais elaborados.

Para Kac et al. (2004), o estudo realizado no município de São Paulo infere que o registro das compras mensais de alimentos possibilitou avaliar a influência que a renda familiar e o preço dos alimentos exerceram sobre a dieta das famílias, sendo que o total de calorias adquiridas pela família aumentaram com o incremento da renda familiar. Dessa forma, observa-se que a maior renda familiar está relacionada à possibilidade de maior consumo alimentar e, consequentemente, maior oferta alimentar de micronutrientes encontrados nos alimentos.

Este estudo evidenciou que as gestantes dentro da faixa etária de 20 a 34 anos excederam o limite superior de maior ingestão da vitamina B6. Os dados sugerem que gestantes em idade adulta têm uma maior preocupação com a qualidade nutricional, ao passo que os hábitos alimentares na grande maioria das adolescentes costumam ser irregulares, já que elas escolhem alimentos mais atrativos, disponíveis, práticos e baratos, com pouca preocupação em realizar uma alimentação saudável.

Segundo Gipson, Koenig e Hindin (2008), as gestantes com etnias negra/parda e amarela excederam o limite superior de maior ingestão da vitamina B6, em comparação com a



pesquisa realizada no município do Rio de Janeiro. O estudo revelou uma série de inadequações nutricionais durante a gestação e pós-parto, com diferenças segundo a cor da pele. Além disso, demonstrou interação entre escolaridade e cor da pele para as seguintes variáveis: consumo de gorduras e de açúcar durante a gestação e consumo de cereal, carnes, frutas e bebidas alcoólicas durante o período pós-parto.

Segundo Kac et al. (2004), é plausível supor que as mulheres negras e pardas apresentem maior consumo energético que as brancas durante a gestação e o pós-parto, podendo ainda acarretar maior ganho de peso na gravidez e, consequentemente, maiores taxas de retenção de peso pós-parto. Dessa forma, demonstra-se a relação entre a etnia e o alto consumo de vitamina B6 nas gestantes com etnia negra/parda, possivelmente devido aos hábitos de vida dessas gestantes, vinculados à alimentação, sobretudo hipercalórica. Este estudo evidenciou que as gestantes que tiveram sua gestação de forma não planejada excederam o limite superior de maior ingestão da vitamina B12 e B6.


Conclusão


O presente estudo permitiu o conhecimento das prevalências de inadequação da ingestão dos níveis séricos de vitamina B12 e de vitamina B6 e do limite superior de maior ingestão da vitamina B6 entre as gestantes do Vale do Jequitinhonha-MG. As prevalências mostraram que fatores socioeconômicos e da gestação estão diretamente relacionados com a nutrição gestacional, sendo que essas alterações podem trazer repercussões para a saúde do feto. Portanto, um programa de educação nutricional mais intenso durante o pré-natal e o pós- parto, que leve em consideração os fatores econômicos e sociais de vida das pacientes são fundamentais para mudar o padrão alimentar das gestantes e proporcionar uma boa qualidade em saúde para a mãe e o bebê.


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Como referenciar este artigo


RODRIGUES, H. G.; GUEDES, B. C. F.; BARRETO, N. A. P. Ingestão dietética de

cobalamina e tiamina em gestantes do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 18, n. 00, e022005, jan./dez. 2022. e-ISSN: 2526-3471. DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v18i00.15882


Submetido em: 22/11/2021

Revisões Requeridas em: 10/01/2022 Aprovado em: 27/02/2022 Publicado em: 30/06/2022



DIETARY INTAKE OF COBALAMIN AND THIAMINE IN PREGNANT WOMEN FROM VALE DO JEQUITINHONHA, MINAS GERAIS


INGESTÃO DIETÉTICA DE COBALAMINA E TIAMINA EM GESTANTES DO VALE DO JEQUITINHONHA, MINAS GERAIS


INGESTA DIETÉTICA DE COBALAMINA Y TIAMINA EN MUJERES EMBARAZADAS DE VALE DO JEQUITINHONHA, MINAS GERAIS


Humberto Gabriel RODRIGUES1 Bruna Cristina Figueira GUEDES2 Nair Amélia Prates BARRETO3


ABSTRACT: The nutritional status of pregnant women, through the consumption of vitamins B12 and B6, directly influences the health and mortality of the fetus. In this sense, the objective was to study the prevalence of consumption of these micronutrients in the diet of pregnant women in Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. The research was carried out in a sample of 492 pregnant women assisted in maternity hospitals in 15 municipalities in Vale do Jequitinhonha. The prevalence of insufficient intake (AI) of vitamin B12 and vitamin B6 was found in 42 pregnant women (8.6%) and 66 pregnant women (13.5%), respectively. The maximum tolerated level of vitamin B6 (UL) was found above the reference value in 81 pregnant women (16.5%). A more intense nutritional education program during the prenatal and postpartum period is essential.


KEYWORDS: Cobalamin. Thiamine. Pregnant. Nutrition.


RESUMO: O estado nutricional da gestante, mediante consumo das vitaminas B12 e B6, influencia diretamente na saúde e na mortalidade do feto. Nesse sentido, objetivou-se estudar a prevalência do consumo desses micronutrientes na alimentação por gestantes do Vale do Jequitinhonha - MG. A pesquisa foi realizada em uma amostra de 492 gestantes atendidas em maternidades de 15 municípios do Vale do Jequitinhonha. A prevalência de ingestão insuficiente (AI) da vitamina B12 e da vitamina B6 foi verificada em 42 gestantes (8,6%) e em 66 gestantes (13,5%), respectivamente. O nível máximo tolerado de vitamina B6 (UL) foi encontrado acima do valor de referência em 81 gestantes (16,5%). Identifica-se fundamental um programa de educação nutricional mais intenso durante o pré-natal e o pós-parto.


PALAVRAS-CHAVE: Cobalamina. Tiamina. Gestante. Nutrição.


1 University Center FIPMoc (UNIFIPMoc), Montes Claros – MG – Brazil. Professor. Doctor in Health Sciences (UnB). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9257-8082. E-mail: humbertogabriel@unimontes.br

2 University Center FIPMoc (UNIFIPMoc), Montes Claros - MG - Brazil. Student of Dentistry. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1662-4144. E-mail: brunacristinafg@hotmail.com

3 Montes Claros State University (UNIMONTES), Montes Claros – MG – Brazil. Professor. Master in Public Health (UNIFESP). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6036-252X. E-mail: nair.barreto@unimontes.br



RESUMEN: El estado nutricional de la mujer embarazada, a través del consumo de vitaminas B12 y B6, influye directamente en la salud y mortalidad del feto. En este sentido, el objetivo fue estudiar la prevalencia del consumo de estos micronutrientes en la dieta de las mujeres embarazadas en Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. La investigación se llevó a cabo en una muestra de 492 mujeres embarazadas atendidas en hospitales de maternidad en 15 municipios de Vale do Jequitinhonha. La prevalencia de ingesta insuficiente (AI) de vitamina B12 y vitamina B6 se encontró en 42 mujeres embarazadas (8,6%) y 66 mujeres embarazadas (13,5%), respectivamente. El nivel máximo tolerado de vitamina B6 (UL) se encontró por encima del valor de referencia en 81 mujeres embarazadas (16,5%). Es esencial un programa de educación nutricional más intenso durante el período prenatal y posparto.


PALABRAS CLAVE: Cobalamina. Tiamina. Embarazada. Nutrición.


Introduction


To Gomes et al. (2019), the study of eating habits during pregnancy is of fundamental importance at this stage of the life cycle, since it is related to the health of the mother and fetus that is being generated. Thus, nutritional monitoring can be seen as a positive factor in health promotion, avoiding morbidity and mortality of pregnant women, with improvement of outcomes in maternal and child health and postpartum, promoting a good prognosis in the first years of life in the health of children and for women.

According to Werutsky et al. (2008), pregnancy is a period of greater nutritional need in the life cycle of women, since physiological adjustments occur in pregnant women and in nutrient demands for fetal growth, such as rapid cell division and development of new tissues and organs. Pregnant women who presented inadequate nutrient reserve, together with insufficient dietary intake of vitamins, may have an impairment of fetal growth and, consequently, reduction of the fetus's birth weight.

To Paniz et al. (2005), vitamin B12 or cyanocobalamin participate in a family of compounds generically called cobalamins, as it is a water-soluble vitamin, synthesized exclusively by microorganisms, in which it is found in most animal tissues and touched in the hepatic system in the form of adenosycobalamin. The natural source of vitamin B12 in the human diet is restricted to foods of animal origin, such as milk, meat and eggs.

To Painz et al. (2005), vitamin B12 is released by the digestion of proteins of animal origin, being absorbed by, in Portuguese, haptocorrina (transcobalamin), an R protein produced in saliva and stomach, being fundamental for it to be subsequently degraded by pancreatic proteases with consequent transfer of the molecule of vitamin B12 to an intrinsic gastric factor (FI), a glycoprotein of 44kDa produced by the parietal cells of the stomach. The



binding of vitamin B12 to FI forms in the mucosa a complex that must resist the proteolytic enzymes of intestinal light and which subsequently is attached to specific receptors of the epithelial cells of the terminal ileum, in which vitamin B12 is absorbed and bound to a plasma transporter and released into the bloodstream.

According to Silva (2018), biological markers for the diagnosis of vitamin B12 deficiency include reduced circulating concentrations of plasma B12, increased homocysteine, methylmalony-Coa levels. In this sense, to obtain effective doses in the pregnancy of vitamin B12 it is necessary that the pregnant woman has a diet rich in meat, eggs and milk. However, during pregnancy, vitamin B12 concentrations decrease significantly, since in the third trimester plasma vitamin concentrations may reach minimal concentrations causing vitamin B12 deficiency. This reduction occurs due to gestational physiological hemodilution, increased glomerular filtration, increased fetal and maternal demands, and changes in vitamin- binding proteins.

According to Refsum (2001), vitamin B12 deficiency leads to pernicious or megaloblastic anemia, which can cause neurological signs and symptoms related to signs of anemia, such as memory loss, paraesthesias, decreased sensitivity in the lower limbs and, in advanced cases, spinal cord demyelinization.

To Maihara et al. (2006), pyridoxine, known as vitamin B6, is part of the B complex, being necessary for brain function and red cell formation, involved in immune function and hormonal activity of the human body. Sources of B6 vitamins are found in liver, poultry, fish, nuts and fruits, and lack of this can cause noticeable symptoms such as skin, tongue and mouth sores, nausea, nervousness and convulsions.

According to Futterleib and Cherubini (2005), pyridoxine and cobalamin deficiency can cause hyperhomocysteinemia, in which the baby is born with hereditary disease and may develop the classic homocysteinuria syndrome, including premature vascular disease and thrombosis, intellectual disability and skeletal abnormalities.

For the Ministry of Health (2002), in terms of neonatal development, in dietary planning, the pregnant woman should receive nutritional guidance according to age, nutritional status, pregnancy symptoms, physical activity and associated pathologies. In this sense, it is necessary to intake recommended daily vitamin B12 for pregnant women, which is

2.6 μg, and vitamin B6, which is 1.9 mg, through parameters of the Ministry of Health (2002)

Besides, Melo et al. (2007) state that early nutritional diagnosis, especially in the prenatal period, is necessary for the promotion of actions that contribute to better nutritional results, ensuring a good health status for the mother and baby.



Considering that the balanced diet is extremely relevant both in the restriction and the excess of certain nutrients in the gestational period can interfere in the growth and development of the fetus, the present work aims to estimate the intake of vitamin B6 and B12 by pregnant women from the Vale do Jequitinhonha - MG, one of the poorest regions of Brazil.


Methodology


The scenario studied was the Vale do Jequitinhonha, a region that occupies 14.5% of the area of the State of Minas Gerais, totaling approximately 85.000 km2 of territorial extension located geographically in the Northeast of Minas Gerais, bordering the Mucuri and the North of Minas Gerais. According to research by the Hospital Information System of the Unified Health System (SIH/SUS) of the Ministry of Health conducted in 2010, the Vale do Jequitinhonha has 80 municipalities and of these, twenty-nine have a record of delivery.

The sampling for primary data collection was obtained contemplating as universe of the research the total number of deliveries in the Vale do Jequitinhonha - MG. In 2010, approximately 12,500 deliveries occurred, which consequently represented the number of pregnant women in this macro-region, according to surveys available in DATASUS - Tabnet.

The field investigation was carried out in the maternity hospitals of 15 selected municipalities with a rate of deliveries higher than one per day or 30 deliveries per month and which perform 78% of deliveries in the region. In addition, two to three health units were selected for each municipality in which the research was conducted.

A standardized semi-quantitative food frequency questionnaire was applied to quantify vitamins B12 and B6 among pregnant women. This questionnaire was established as a standard, tested in advance by pilot study mediation, completed during interviews and after obtaining the consent of women for data collection.

To analyze vitamin B12 and B6 intake, the Recommended Dietary Allowances (RDA) was consulted, which indicates that the recommended daily vitamin B12 intake is approximately 2.6 micrograms (μg). Regarding vitamin B6, the RDA states that adequate daily intake for pregnant women is approximately 1.9 mg per day.

According to Padovani et al. (2006), it is not possible to establish the UL value (upper limit of higher intake of a nutrient) for vitamin B12. However, in this study, the UL value for vitamin B6 was 80 mg for pregnant women under 18 years of age and 100 mg for pregnant women between 19 and 50 years of age.



The interviewers were instructed to apply the questionnaires, accompanied by a researcher more experienced in field research, through quantitative methodological analysis. Thus, a sociodemographic questionnaire was also applied with the following variables: skin color (self-reported); the marital status of the woman (with a partner and without a partner); family income (in Reais); participation in the Bolsa Família Program; schooling (in years); and age (in full years) of the mother.

In addition, there was research of a variable of conduct: whether the pregnancy was planned (yes or no), teenage pregnancy (yes to children under 18 years old), number of pregnancies. In addition to the prenatal variables, they consist of the same (yes or no), number of consultations and place of occurrence and whether the pregnant woman received nutritional guidance during this period, if positive, by whom such orientations, reason and period of the same were performed. The inclusion criterion for the research among the pregnant women was that they should be in the third trimester of pregnancy at the time of the questionnaire application, and must consent to participate in the research and live in one of the eighty municipalities of Vale do Jequitinhonha and the signing of the Free and Informed Consent Term was requested.

The data of the questionnaire were entered in Excel and later transferred to Epiinfo (2007) for statistical analysis. In the case of discrete variables, such as age and dietary intake, means, medians and standard deviation were calculated. When necessary, the comparison of means was performed by the ANOVA test using Origin 6.0 program (Microcal Software Inc.). For categorical variables, frequencies, standard deviation, Confidence Intervals (95%) and, for the association tests when appropriate, the Prevalence Ratio (PR) were calculated, considering the 95% Confidence Limit.

Among the foods present in the Semi-quantitative Food Frequency questionnaire, 57 of them have vitamin B12 in their composition and 130 have vitamin B6. Thus, in the analysis of vitamin B12 concentration in the diet, 87 foods were excluded because they did not contain cobalamin and 14 were excluded because they did not contain pyridoxine.

The research project was evaluated and approved by the Research Ethics Committee of the State University of Montes Claros via Plataforma Brasil, under a substantiated opinion no. 2,890,870/2018.



Results


A total of 492 interviews were conducted with pregnant women who were in the last trimester of pregnancy and who were prenatal in the Basic Health Units studied, belonging to the Unified Health System (SUS) of 15 municipalities in the Vale do Jequitinhonha - MG. In this sense, it is observed that the family income of pregnant women was up to one minimum wage (66.7%), with an overall average of 1.44 minimum wages. There was a proportion of 45.7% of pregnant women who participated in the income transfer program "Bolsa Família" of the Brazilian Federal Government for, on average, 3.7 years.

It can be observed that the mean age of the pregnant women included in the study was

25.3 years (SD= 6.2 years), since the minimum age was 13 years and the maximum was 43 years. Thus, the prevalence of ethnicity was brown or black (78.5%) and the majority lived with a partner (72.3%). Among the interviewees, 39.8% were in the first pregnancy and 66.1% had had up to six prenatal consultations.

Approximately 40.0% of the pregnant women (n=195) received food guidance from health professionals, in order to provide a better quality of life for the pregnant woman and the baby, and 150 of them (76.3%) were during pregnancy. The objective of most pregnant women (80.0%) was to have a healthy pregnancy. However, the others pointed out that this orientation occurred due to reduction (6.7%) or weight gain (7.7%) or other reasons (4.6%) and two pregnant women did not know how to answer the question (1.0%).

In addition, it was observed that most pregnant women (92.7%) did not smoke before pregnancy and 473 pregnant women (96.1%) did not smoke as pregnant women. For alcohol consumption (alcohol consumption), it was observed that 74.3% did not drink alcoholic beverages before pregnancy, and this proportion increased to 96.5% during pregnancy.

According to the data obtained in the Food Frequency questionnaire, the prevalence of vitamin B12 intake is insufficient (AI<2.6 mcg) and was verified in 42 pregnant women (8.6%). Vitamin B6 insufficiency was present in 66 pregnant women (13.5%). Therefore, the maximum tolerated level of vitamin B6 (UL), up to 80 mg of daily vitamin B6 intake for pregnant women under 18 years of age and 100 mg for pregnant women aged 19 to 50 years, was found above the reference value in 81 pregnant women (16.5%) (Table 1).



Table 1 - Characteristics of pregnant women assisted by the Unified Health System, included in the sample. Vale do Jequitinhonha, Brazil, 2013.




women


Age a

10 – 19

100

20,3

(years)

20 – 34

346

70,3


35 – 45

43

8,8


Did not answer

3

0,6

Ethnicity a

Yellow

19

3,9

(self-declared)

White

86

17,5




78,6


Black or brown

387


Civil State a

With mate

356

72,3


No mate

136

27,6


Did not respond

1

0,3

Schooling a

Fundamental

161

32,7


High School

294

59,7


Superior

33

6,7


Did not respond

4

0,8

Family income a

Up to one minimum wage

328

66,7

More than the minimum

164 33,3

wage

Bolsa Família a



Yes

225

45,7




No

267

54,3



Number of pregnancies a

One

196

39,8




Two

147

29,9




Three

89

18,1




Over three

60

12,2



Number of

Less than six

325

66,1



Prenatal queries a

Six or more

167

33,9



Pregnancy planning a

Yes it was planned

210

42,7




It wasn't planned

279

56,7




Did not respond

3

0,6



Received food guidance

Yes

195

39,6



during pregnancy a

No

297

60,4



Smoking before pregnancy a

Yes

36

7,3




No

456

92,7








Characteristic Category

Number of pregnant


Percentage %


Smoking during pregnancy a Yes 19 3,9

No 473 96,1

Vit consumption. B12 (total) (total (total (total( total (


((total)


enough 450 91,4


insufficient 42 8,6

Vit consumption. B6 (total) enough 426 86,5

insufficient 66 13,5

Vit consumption. B6 >UL above UL 81 16,5 Source: Search data. Prepared by the authors

a Sample size N= 492 b Sample size N= 440


There are multiple origins of vitamin B12 and B6 insufficiency, since the socioeconomic and pregnancy factors found in the study that correlate to insufficient vitamin B12 intake were: only three meals per day (PR=1.9) and six or more prenatal consultations (PR=1.9). The consumption of up to three meals per day is also related to insufficient vitamin B6 intake (Table 2 and 3).


Table 2 - Prevalence of insufficient vitamin B12 intake according to economic and gestational characteristics. Vale do Jequitinhonha, 2013.


Vitamin B12 intake (μg/day)

Characteristic UL Characteristic UL Characteristic UL Characteristic


Household income Up to one minimum wage

minimum wage

ND

15

149

9,14%

1,2

0,6-2,1

Participation in Bolsa Família

Yes


ND


15


210


6,66%


1


No

ND

28

239

10,48%

1,6

0,9-2,9

Maternal age

10-19 years old


ND


8


92


8%


1


More than one


ND 26


302 7,92%

1


20-34 years old

ND

37

309

10,69%

1,3

0,6-2,8

35-45 years old

ND

6

37

13,95%

1,7

0,6-4,7

Ethnicity







White

ND

4

82

4,65%

1


Black/ Brown

ND

35

352

9,04%

1,9

0,7-5,3

Yellow

ND

2

17

10,52%

2,3

0,4-11,5

Marital status







With mate

ND

35

321

9,83%

1,2

0,6-2,3

No mate

ND

11

125

8,08%

1


Schooling







Fundamental

ND

15

146

9,31%

1,2

0,6-2,3

High School

ND

22

272

7,5%

1


Superior

ND

4

29

12,12%

1,6

0,6-4,4

Pregnancy planning







Unplanned

ND

22

257

7,88%

1


Planned

ND

20

190

9,52%

1,2

0,7-2,2

Number of







pregnancies







One ND

20

176

10,20%

1,4

0,8-2,5

More than one ND

22

274

7,43%

1


Number of prenatal consultations

Less than six ND


21


304


6,46%


1


Equal to or greater

ND

21

146

12,57%

1,9

1,1-3,4

than six







Number of meals







per day







Up to three

ND

18

120

13,03%

1,9

1,1-3,4

More than three

ND

24

329

6,79%

1


Source: Research data - Prepared by the authors



Table 3 - Prevalence of insufficient vitamin B6 intake according to economic and gestational characteristics. Vale do Jequitinhonha, 2013.


Vitamin B6 intake (mg/day)


Characteristic

AI<1.9mg

AI>1.9mg

Insufficient

RP

IC 95%




consumption




Household income


285 13,10%

Up to one minimum wage 43 1

22

142

13,41%

1

0,6-1,7

wage






Participation in Bolsa Família






Yes

31

194

13,77%

1,1

0,7-1,7

No

34

233

12,73%

1


Maternal age






10-19 years old

12

88

12%

1


20-34 years old

42

304

12,13%

1

0,6-1,8

35-45 years old

8

35

18,6%

1,6

0,7-3,5

Ethnicity






White

7

79

8,13%

1


Black/ Brown

53

334

13,69%

1,7

0,8-3,6

Yellow

4

15

21,05%

2,6

0,8-7,9

Marital status






With mate

45

311

12,64%

1


No mate

21

115

15,44%

1,2

0,8-1,9

Schooling






Fundamental

28

133

17,39%

1,9

0,6-5,9

High School

32

262

10,88%

1,2

0,4-3,7

Superior

3

30

9,09%

1


Pregnancy planning






More than one minimum


Unplanned


39


240


13,97%


1,3


0,8-2,2

Planned

22

188

10,47%

1


Number of pregnancies

One


30


166


15,30%


1,3


0,8-2,1

More than one

34

262

11,48%

1


Number of prenatal consultations

Less than six


41


284


12,61%


1


Equal to or greater than six

28

139

16,76%

1,3

0,9-2,1

Number of meals per day

Up to three


25


113


18,11%


1,6


1,1-2,6

More than three

39

314

11,04%

1


Source: Research data - Prepared by the authors


It can be observed that vitamin B6 intake above the tolerable limit was recorded in pregnant women who have more than one minimum wage (PR=2.1), pregnant women who are aged 20-34 years (PR=1.8), pregnant black/brown (PR=4) and yellow ethnicgroups (PR=4.5), pregnant women who did not have planned pregnancy (PR=1.5) and pregnant women who consume more than three meals per day (PR=2.5) (Table 4).


Table 4 - Prevalence of consumption in relation to what is tolerable (UL) of vitamin B6 according to economic and gestational characteristics. Vale do Jequitinhonha, 2013.


Vitamin B6 intake (mg/day)


Characteristic UL<80mg UL>80mg Insufficient RP IC 95% up to 18 up to 18 consumption

years years

<100mg <100mg from 19 to from 19 to

44 years 44 years





Household income



Up to one minimum wage 289

39

17,72%

1


More than one minimum

123

Participation in Bolsa Família


41


15,70%


2,1


1,4-3,1

Yes

186

39

17,88%

1,3

0,8-1,9

No

231

36

13,48%

1


Maternal age






10-19 years old

90

10

10%

1


20-34 years old

283

63

16,53%

1,8

1,0-3,4

35-45 years old

35

8

19,51%

1,9

0,8-4,4

Ethnicity






White

82

4

4,70%

1


Black/ Brown

314

73

18,91%

4

1,5-10,8

Yellow

15

4

21,05%

4,5

1,2-16,5

Marital status






With mate

305

51

13,74%

1


No mate

112

24

21,62%

1,2

0,8-1,9

Schooling






Fundamental

129

32

53,33%

1,3

0,9-2,0

High School

250

44

15,01%

1


Superior

28

5

15,15%

1

0,4-2,4

Pregnancy planning






Unplanned

225

54

19,42%

1,5

1,0-2,3

Planned

183

27

12,85%

1


Number of pregnancies






One

167

29

14,79%

1


More than one

244

52

17,62%

1,2

0,8-1,8

Number of prenatal






wage



consultations

Less than six


267


58


17,90%


1,3


0,8-2,0

Equal to or greater than


23




144


13,77%

1


Number of meals per day

Up to three 127


11


7,97%


1


More than three 283

70

19,83%

2,5

1,4-4,6

six


Source: Research data - Prepared by the authors


Discussion


According to Cardoso Filho et al. (2019), water-soluble vitamins such as B6 and B12 play a major role, since it is fundamental for human development. In this sense, the prevalence of vitamin B12 intake found in this study was 8.6% among pregnant women and vitamin B6 was among 13.5% of pregnant women. In pregnancy, the deficiency of the vitamins cited may associate deterioration of the intellectual capacity of the newborn in low doses, and in high doses can cause severe neural damage and serious side effects.

According to Cardoso Filho et al. (2019), the deficient intake of vitamins B12 and B6 could be attributed to the dietary characteristics of the population studied, since the association between few meals per day with nutritional deficiency was recorded in the study. Therefore, it is important to emphasize that these vitamins are found in several foods, for example: fish, meat, eggs, cheese and milk, and are dissolved in water. Therefore, storage in the body is one of the main characteristics of these vitamins.

To Santos et al. (2006), during pregnancy, the presence of nutritional alterations such as parasitosis infections, hemopathies (anemias), hypertensive syndromes, placental insufficiency and obesity should be evaluated. These changes may cause greater chances of hemorrhage during childbirth and puerperal infection, as well as may give birth to premature newborns with restricted intrauterine growth (IU), which present greater possibilities of neonatal infections, respiratory infections and increase the statistic of perinatal deaths.

On the other hand, in this study, 17.62% of pregnant women who eat more than three meals per day exceeded the upper limit of higher vitamin B6 intake. For Boog (1999), it is a fact that women when pregnant increase and include foods in their usual diet and/or modify their eating habits, both because of the increased appetite inherent in the biological changes of their body and because of concern about the fact that they are pregnant and the birth of a healthy baby. In this study, insufficient intake of vitamin B12 was found in pregnant women who had six or more prenatal visits during pregnancy. These data suggest that changes in



nutritional status point to deficiencies in the content and quality of prenatal care, despite the amount of these consultations.

Thus, Aquino and Philippi (2002) affirm that prenatal care is of fundamental importance from the qualitative point of view that presupposes the performance of health professionals prepared to assess the nutritional status of pregnant women early. In this sense, when performing individualized nutritional guidance, the optimization of maternal nutritional status is aimed at. However, it should not be forgotten that the guidelines on healthy eating should be offered according to the economic, social and cultural possibilities of each patient.

When comparing with the data of the study conducted by Santos et al. (2006), with pregnant women from the municipality of Ribeirão Preto, the results reveal that pregnant women, at various times, were not given dietary guidelines that say little about a healthy, complete and varied diet and, in others, do not receive any type of nutritional guidance in prenatal care. However, studies show that when pregnant women receive guidance on nutrition, consequently there is an improvement in nutritional status, both pregnant women with weight below or above the recommended. That is, the dietary alteration is related to knowledge about nutrition.

In this study, it was observed that pregnant women with a family income higher than one minimum wage exceeded the upper limit of higher vitamin B6 intake. In general, Lacerda (2007) comments that, as per capita income increases, the degree of sophistication in food consumption increases, opting for the most elaborate ones.

To Kac et al. (2004), the study conducted in the city of São Paulo infers that the registration of monthly food purchases made it possible to evaluate the influence that family income and food prices had on the diet of families, and that the total calories acquired by the family increased with the increase in family income. Thus, it is observed that the higher family income is related to the possibility of higher food intake and, consequently, greater food supply of micronutrients found in food.

This study showed that pregnant women between 20 and 34 years of age exceeded the upper limit of higher vitamin B6 intake. The data suggest that pregnant women in adulthood have a greater concern with nutritional quality, while eating habits in the vast majority of adolescents tend to be irregular, since they choose more attractive foods, available, practical and cheap, with little concern to perform a healthy diet.

According to Gipson, Koenig and Hindin (2008), pregnant women with black/brown and yellow ethnicities exceeded the upper limit of higher vitamin B6 intake, compared to the research conducted in the city of Rio de Janeiro. The study revealed a series of nutritional



inadequacies during pregnancy and postpartum, with differences according to skin color. In addition, it demonstrated interaction between schooling and skin color for the following variables: consumption of fats and sugar during pregnancy and consumption of cereals, meats, fruits and alcoholic beverages during the postpartum period.

According to Kac et al. (2004), it is plausible to assume that black and brown women have higher energy consumption than white women during pregnancy and postpartum, and may also lead to greater weight gain in pregnancy and, consequently, higher rates of postpartum weight retention. Thus, the relationship between ethnicity and high vitamin B6 intake in pregnant women with black/brown ethnicity is demonstrated, possibly due to the lifestyle habits of these management so far, linked to food, especially hypercaloric. This study showed that pregnant women who had their pregnancy in an unplanned manner exceeded the upper limit of higher vitamin B12 and B6 intake.


Conclusion


The present study allowed the knowledge of the prevalence of inadequate intake of serum levels of vitamin B12 and vitamin B6 and the upper limit of higher vitamin B6 intake among pregnant women in the Vale do Jequitinhonha - MG. The prevalence showed that socioeconomic and pregnancy factors are directly related to gestational nutrition, and these alterations can have repercussions for the health of the fetus. Therefore, a more intense nutritional education program during prenatal and postpartum, which takes into account the economic and social factors of life of patients are fundamental to change the dietary pattern of pregnant women and provide a good quality of health for the mother and baby.


REFERENCES


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How to refer to this article


RODRIGUES, H. G.; GUEDES, B. C. F.; BARRETO, N. A. P. Dietary intake of cobalamin and thiamine in pregnant women from Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 18, n. 00, e022005, Jan./Dec. 2022. e-ISSN: 2526-3471. DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v18i00.15882


Submitted: 22/11/2021 Revisions required: 10/01/2022 Approved: 27/02/2022 Published: 30/06/2022