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Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17654 1
RESPONDENDO ÀS NECESSIDADES DE SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS EM
UM SERVIÇO DE SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL: O USO DA DANÇA EM UMA
INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL GRUPAL PILOTO
RESPONDIENDO A LAS NECESIDADES DE SALUD MENTAL DE LOS NIÑOS EN
UN SERVICIO PÚBLICO DE SALUD EN BRASIL: EL USO DE LA DANZA EN UNA
INTERVENCIÓN PSICOSOCIAL GRUPAL PILOTO
RESPONDING TO THE MENTAL HEALTH NEEDS OF CHILDREN IN A PUBLIC
HEALTH SERVICE IN BRAZIL: THE USE OF DANCE IN A PILOT GROUP
PSYCHOSOCIAL INTERVENTION
Marta Bartira MEIRELLES-SANTOS 1
e-mail: mb@martabartira.com.br
Joel Giglio SALES2
e-mail: joelsgiglio@gmail.com
Editores:
Profa. Dra. Luci Regina Muzzeti
Profa. Dra. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas SP Brasil. Psicóloga social e dançarina.
Prefeitura de Valinhos/SP.
2
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas SP Brasil. Professor Associado do
Departamento de Psiquiatria.
Como referenciar este artigo:
MEIRELLES-SANTOS, M. B.; GIGLIO, J. S. Respondendo
às necessidades de saúde mental de crianças em um serviço de
saúde pública no Brasil: O uso da dança em uma intervenção
psicossocial grupal piloto. Temas em Educ. e Saúde,
Araraquara, v. 19, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2526-3471.
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17654
Respondendo às necessidades de saúde mental de crianças em um serviço de saúde pública no Brasil: O uso da dança em uma intervenção
psicossocial grupal piloto
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2526-3471
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RESUMO: A pandemia da COVID-19 intensificou ainda mais a substancial demanda por
tratamento psicológico destinado a crianças. Entretanto, no Brasil e em diversas nações,
uma carência de recursos e tratamentos direcionados à saúde mental infantil que se embasem
em evidências empíricas. Diante desse cenário, foi realizado uma avaliação da eficácia de
uma abordagem psicossocial grupal piloto denominada “Grupo Operativo Lúdico” (GOL) em
um serviço público de saúde. Esse modelo visa não somente promover a saúde mental, mas
também contribuir para o incremento da equidade por meio do reconhecimento dos
determinantes sociais da saúde. No intuito de mensurar os problemas comportamentais, uma
análise fundamentada no princípio da Intenção de Tratar foi empregada. Contudo, essa análise
não evidenciou a eficácia da intervenção, no entanto, por meio de uma análise compreensiva
de casos, constatou-se que o programa teve impacto positivo sobre as problemáticas
internalizantes observadas nas crianças. O modelo GOL apresenta uma particularidade
marcante, visto que se destaca como um dos escassos métodos que incorpora a dança em sua
abordagem. A dança possui o potencial de fomentar a expressão de sentimentos e de expandir
a percepção corporal. Os achados deste estudo sugerem a viabilidade e a relevância da
utilização do movimento corporal e da dança como componentes eficazes em intervenções
psicossociais.
PALAVRAS-CHAVE: Criança. Saúde pública. Ludoterapia. Dança. Determinantes sociais
da saúde.
RESUMEN: La pandemia del COVID-19 ha intensificado aún más la ya considerable
demanda de tratamiento psicológico para niños. Sin embargo, en Brasil y en varios otros
países, faltan recursos y tratamientos dirigidos a la salud mental infantil basados en
evidencias empíricas. Ante este escenario, se realizó una evaluación de la eficacia de un
abordaje psicosocial grupal piloto denominado "Grupo Operativo Lúdico" (GOL) en un
servicio público de salud. Este modelo pretende no sólo promover la salud mental, sino
también contribuir a aumentar la equidad mediante el reconocimiento de los determinantes
sociales de la salud. Para medir los problemas de conducta, se utilizó un análisis basado en
el principio de intención de tratar. Sin embargo, este análisis no mostró la eficacia de la
intervención, sino que, mediante un análisis exhaustivo de los casos, se comprobó que el
programa tenía un impacto positivo en los problemas de interiorización observados en los
niños. El modelo GOL tiene una particularidad llamativa, ya que destaca por ser uno de los
pocos métodos que incorpora la danza en su enfoque. La danza tiene el potencial de fomentar
la expresión de sentimientos y ampliar la percepción corporal. Los resultados de este estudio
sugieren la viabilidad y pertinencia de utilizar el movimiento corporal y la danza como
componentes eficaces en las intervenciones psicosociales.
PALABRAS CLAVE: Infancia. Salud pública. Juegaterapia. Danza. Determinantes sociales
de la salud.
ABSTRACT: The COVID-19 pandemic has further intensified the substantial demand for
psychological treatment for children. However, in Brazil and various other nations, there is a
lack of resources and evidence-based treatments focused on child mental health. Given this
scenario, an evaluation of the efficacy of a pilot psychosocial group approach called
"Operative Play Group" (OPG) was conducted within a public health service. This model
aims not only to promote mental health but also to enhance equity through recognizing the
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social determinants of health. To measure behavioral problems, an analysis grounded in the
principle of Intent-to-Treat was employed. However, this analysis did not demonstrate the
effectiveness of the intervention. Nevertheless, through comprehensive research of cases, it
was found that the program positively impacted the internalizing issues observed in children.
The OPG model presents a distinctive feature as it stands out as one of the few methods
incorporating dance. Dance can foster the expression of emotions and expand bodily
perception. The findings of this study suggest the feasibility and relevance of utilizing body
movement and dance as practical components in psychosocial interventions.
KEYWORDS: Child. Public health. Play therapy. Dance. Social determinants of health.
Introdução
Um estudo de Polanczyk et al. (2015), conduziu uma revisão sistemática da literatura
por meio de métodos padronizados de avaliação, baseados em diagnósticos de acordo com o
DSM ou CID. Esse estudo estimou que a prevalência mundial de problemas de saúde mental
em crianças e adolescentes foi de 13,4%. A demanda por tratamento psicológico infantil é,
portanto, alta, mas menos da metade das pessoas que precisam recebem algum tipo de
tratamento. Além disso, no Brasil e em outros países de baixa e média renda (PBMRs), muitas
vezes falta de tratamentos empiricamente evidenciados e recursos financeiros e humanos
são escassos. Paula et al. (2012, p. 337) destacaram que no Brasil [...] uma lacuna nos
serviços para crianças e adolescentes com doenças mentais menos graves e mais comuns
(aproximadamente 90% dos casos)”.
Os problemas de saúde mental foram agravados durante a pandemia da COVID-19, e
um estudo brasileiro recente da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e do Instituto
Ayrton Senna (2022) constatou que 70% dos estudantes do ensino médio e fundamental (a
partir de 11 anos) pesquisados relataram sintomas de depressão e ansiedade. Os resultados
foram obtidos por meio de doze questões sobre sintomas de saúde mental, abordando, por
exemplo, a capacidade de concentração, sono, tomada de decisões ou satisfação com a vida. A
responsabilidade pelo tratamento desses indivíduos recai, em grande parte, no sistema de
saúde pública do Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) (PEREIRA et al., 2004).
O SUS configura-se como um dos sistemas públicos de saúde de maior magnitude e
complexidade em escala global. Seu propósito consiste em assegurar um acesso abrangente,
universal e gratuito a todos os segmentos da população nacional. Os distintos estratos de
atendimento e os serviços oferecidos pelo SUS têm como meta central a mitigação das
disparidades e a promoção da equidade, alicerçados no reconhecimento dos fatores
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determinantes de ordem social da saúde. No âmbito do SUS, a oferta de serviços de saúde
mental se concretiza por intermédio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), uma instância
que almeja garantir a disponibilidade de serviços de excelência, proporcionar cuidados
integrais e disponibilizar assistência multiprofissional mediante a adoção de um modelo
interdisciplinar. A RAPS, pautada por princípios basilares, dedica-se primordialmente a
conferir suporte alinhado às necessidades das pessoas acometidas por distúrbios mentais,
instituindo uma variedade de serviços correspondentes a distintas demandas.
A intervenção mencionada neste contexto teve sua origem em resposta a uma
solicitação específica do Centro Municipal de Atendimento Psicopedagógico e
Fonoaudiológico (CEMAP) José Natal Capovila, um órgão de assistência à saúde infantil
situado no município de Valinhos, São Paulo, Brasil. Este centro integra a rede RAPS/SUS. O
CEMAP manifestou o interesse em adotar uma abordagem psicológica em formato grupal,
com o propósito de ampliar a capacidade de tratamento e contribuir para a redução da lista de
espera destinada à atenção de determinados quadros de saúde mental em crianças. O autor
principal deste estudo possuía experiência prévia com um modelo específico de intervenção
psicossocial em formato grupal, cujos detalhes serão delineados no decorrer deste trabalho.
Essa intervenção grupal, que incorpora uma abordagem inovadora no campo da saúde
pública, utilizando a dança como recurso, foi denominada Grupo Operativo Lúdico (GOL). O
escopo desta pesquisa centrou-se na avaliação da eficácia do modelo GOL para tratar crianças
enfrentando problemáticas psicológicas no âmbito de um serviço de saúde infantil público.
O modelo do Grupo Operativo Lúdico (GOL)
O modelo GOL tem como finalidade fomentar a saúde mental e promover a equidade,
por meio do reconhecimento dos determinantes sociais de saúde, em um contexto de
atendimento infantil público no Brasil. Esta abordagem psicossocial em formato grupal se
inspira em diversas perspectivas da psicologia social (CIAMPA, 1987; PICHON-RIVIÈRE,
2000), conceitos educacionais (FREIRE, 2005) princípios da dança (LABAN, 1990). A
estruturação organizacional se fundamenta nos conceitos da teoria de sistemas complexos
desenvolvida por Itala Lofredo D'Ottaviano e Ettore Bresciane Filho (2019) e colegas do
Centro de Lógica, História da Ciência e Epistemologia da Universidade Estadual de
Campinas. Essa perspectiva complexa caracteriza-se pelas relações de elementos
interdependentes. Esta perspectiva complexa se caracteriza por meio das inter-relações entre
elementos interdependentes, categorizados em três tipos distintos: 1- internos, 2 - de fronteira
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e 3 - externos. No âmbito de nosso modelo, os elementos internos e de fronteira são
interpretados como componentes terapêuticos, em virtude da capacidade de seus mecanismos
em fomentar transformações nas identidades das crianças, ampliando assim sua autonomia e
promovendo aprimoramentos em sua saúde mental.
Os elementos terapêuticos internos compreendem o processo grupal e o processo
identitário de cada membro do grupo, dois processos que ocorrem simultaneamente. Para
compreender o processo grupal, a teoria materialista e dialética foi baseada pelo psicanalista
Enrique Pichon-Rivière, que engloba a sistematização do conceito de grupo operativo. A
expressão “operativo” denota a capacidade de instigar mudanças psicológicas. O grupo
operativo é caracterizado como um agrupamento de indivíduos reunidos por constantes de
tempo e espaço, unidos por suas representações internas mútuas, com um objetivo implícito
ou explícito de realizar uma tarefa.
A tarefa explícita envolve estimular o processo de aprendizado e pensamento em
grupo, fundamentando-se no processo de ensino e aprendizagem existente entre os
participantes, além de efetuar uma tarefa específica (seja ela educacional ou terapêutica). A
tarefa implícita consiste em abordar obstáculos de comunicação e reduzir medos
fundamentais, como o temor de ataques ou de perdas, que emergem no contexto do grupo.
Acerca disso, é pertinente mencionar o trabalho de Rosa Jaitin de Langer (1983) que utilizou
o modelo grupal operativo para tratar crianças com problemas comportamentais e de
aprendizagem na Argentina.
No modelo GOL, a tarefa explícita é engendrada mediante um processo de instrução e
aprendizagem coletivo, abarcando três competências socioemocionais - convivência grupal,
estima psicossocial e criatividade - e a expansão da conscientização da identidade individual
no seio de um grupo. Essas competências assemelham-se ao conceito de habilidades
socioemocionais delineado por Del Prette (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2013,
GUIMARÃES; COSTA; LESSA, 2022). A convivência grupal se caracteriza pela
configuração dinâmica das relações intrínsecas e extrínsecas entre indivíduos, englobando
distintas modalidades de comunicação e o processo de instrução-aprendizagem coletiva,
pautado nas semelhanças e diferenças individuais. A ênfase nessa competência é de
relevância, dado que é reconhecido que crianças enfrentando alterações significativas de
humor, perda de interesse nas atividades cotidianas ou dificuldade em controlar impulsos -
traços associados a quadros de depressão e ansiedade - frequentemente apresentam desafios
nas interações interpessoais.
Respondendo às necessidades de saúde mental de crianças em um serviço de saúde pública no Brasil: O uso da dança em uma intervenção
psicossocial grupal piloto
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A capacidade de autoestima, previamente ressaltada em estudos correlatos, está
inserida no âmbito da estima psicossocial, que se define como um processo de instrução-
aprendizagem que engloba a abrangente autogestão (mental, corporal e interpessoal) e a
gestão dos demais. Este conceito tem suas raízes nas ideias de Pichon-Rivière, a partir das três
esferas de manifestação da conduta (mental, corporal e ambiente externo). Conforme
delineado por esse autor, a criatividade está intrinsecamente ligada à saúde mental, visto que,
através da dialética interação entre o mundo interior e exterior, o indivíduo se esforça por
conceber soluções para os desafios cotidianos.
Durante as sessões do grupo GOL, as crianças são incentivadas a observar as
transformações em suas identidades e nas dos membros do grupo. Com base nas contribuições
de Ciampa (1987), a construção da identidade é concebida como um processo contínuo de
metamorfose do indivíduo em direção a oportunidades emancipatórias. É por meio das
interações sociais que o indivíduo estabelece modos singulares de interagir com o mundo. Em
termos mais diretos, sua identidade pessoal está intrinsecamente conectada à sua identidade
social. Nesse processo complexo de edificação da identidade pessoal, intrincado por diversos
fatores sociais como classe, raça e gênero, as semelhanças e divergências se manifestam nas
interações interpessoais (MEIRELLES-SANTOS, 1995).
O processo grupal, cujo objetivo primordial é fomentar o desenvolvimento da
identidade das crianças e aprimorar sua saúde mental, é mediado por diálogos inspirados no
trabalho do Instituto Paulo Freire, especialmente o conceito de diálogo problematizador. Esse
conceito envolve a percepção da realidade como sendo conflituosa e, portanto, histórica e
fluida. O processo grupal também emprega o diálogo acolhedor, assemelhando-se à
abordagem da Ludoterapia de Grupo Centrada na Criança (LGCC) (SWEENEY;
BAGGERLY; RAY, 2014), um enfoque no qual a criança é aceita incondicionalmente
durante as sessões em grupo.
Essa abordagem dialógica pode ser mediada não apenas por recursos cognitivos e
lúdicos, mas primordialmente por “recursos corporais”, como a dança. A psicologia do
desenvolvimento tem comprovado que é impossível abordar crianças sem considerar a
dimensão corpórea e suas conexões com as dimensões cognitiva, afetiva e social. No contexto
do modelo GOL, o principal recurso corporal empregado é a dança, inspirada pelas
concepções de Laban (1990). No modelo, a dança - que ocupa uma posição central -
desempenha um papel de relevância, desbravando vias para estimular a manifestação dos
sentimentos e aprofundar a consciência corporal.
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Dentro desta abordagem voltada para crianças, o ímpeto inato das crianças de
movimentar seus corpos é reconhecido como uma forma inerente de liberação. Este ponto de
vista propícia uma percepção mais aguçada do corpo e dos sentimentos, apresentando as
seguintes características: 1- preservação da espontaneidade do movimento; 2- aceitação das
próprias limitações de movimento e das limitações dos outros, sem rotulá-las como erros; 3-
promoção da expressão criativa das crianças; 4- estímulo à percepção do fluxo do movimento
corporal e à sua maestria; e 5- propiciação da apreensão das interconexões entre as dimensões
mentais (sentimentos, pensamentos, desejos, fantasias, etc.) e físicas.
Laban (1990) formulou quatro componentes do movimento humano: peso, tempo,
espaço e fluência. Estes fatores se entrelaçam, com o peso do corpo, ou de suas partes, sendo
conduzido através do espaço durante um intervalo de tempo determinado e regulado pela
fluência do movimento. Vale enfatizar que o movimento transcende a mera soma destes
fatores e deve ser vivenciado e apreendido como um todo coerente. O aprendizado destes
elementos do movimento pode elevar a consciência corporal e a expressão dos sentimentos,
permitindo a integração entre o aprendizado cognitivo e o desenvolvimento motor durante as
sessões grupais com as crianças.
No do modelo GOL fundamentado na dança, o desenvolvimento da percepção
corporal se concretiza por meio de três abordagens distintas: 1 - a compreensão da
complexidade dos componentes corpóreos, incluindo a cabeça, o tronco, os membros, os
cinco sentidos e os respectivos sistemas (como o muscular, circulatório e esquelético); 2 - a
análise dos impactos do movimento corporal no universo interior (relações intrapessoais) e no
ambiente exterior (relações interpessoais) por meio do discurso; e 3 - a exploração das
potenciais ligações entre a mente (sentimentos, pensamentos, desejos), o corpo e as interações
(seja com membros do grupo familiar, colegas escolares ou figuras institucionais, por
exemplo). Essa abordagem de exploração da dança compartilha certas similaridades com o
modelo Theraplay (SIU, 2014), no qual a autorregulação através de movimentos físicos é
cultivada. Essa capacidade fundamental de desenvolvimento em crianças instaura
experiências de corregulação que enfocam tanto a regulação física quanto emocional.
Para incentivar a expressão dos sentimentos, empregamos um diálogo centrado nos
sentimentos que emergem durante a prática de movimento corporal, contemplando tanto as
dimensões intrapessoais quanto interpessoais. Webb (2003) também adota esse movimento do
corpo como uma ferramenta para permitir que as crianças expressem seus sentimentos em
intervenções psicológicas. Por fim, a tarefa subjacente do GOL consiste em discutir com as
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crianças os obstáculos de comunicação e os receios que podem surgir dentro do grupo. A
abordagem do elemento terapêutico de fronteira, cuja dinâmica situa-se entre o âmbito interno
e externo do grupo, representa outra incumbência integrada ao papel do terapeuta em grupo.
O terapeuta desempenha o papel de intermediário da comunicação durante as sessões grupais
com as crianças e as mães, bem como entre a instituição e outros componentes externos,
atuando como uma conexão entre os distintos elementos presentes nessa abordagem.
Os elementos externos são representados pela família, escola, mídias sociais,
CEMAP/RAPS/SUS, e pelas condições sociais, econômicas e políticas. É fundamental
ressaltar que a compreensão da dinâmica dos grupos psicossociais requer um entendimento
das características da sociedade onde esses grupos operam. Por essa razão, essa intervenção
adota uma perspectiva social crítica que incorpora os efeitos dos determinantes sociais da
saúde (tais como pobreza, racismo, homofobia e violência) no comportamento das crianças.
Essas temáticas são abordadas durante as sessões grupais com as crianças. Nesse
contexto, o GOL representa um esforço para abordar e atenuar as disparidades nos recursos
disponíveis para a saúde mental infantil em um cenário de saúde pública municipal no Brasil.
Em síntese, o GOL, cujo componente central é a dança (como recurso corporal), tem como
propósito primordial promover a saúde mental infantil por meio de sessões grupais. Os
elementos terapêuticos internos se manifestam através do processo de instrução-aprendizagem
grupal das três habilidades (convivência grupal, estima psicossocial e criatividade) e das
possíveis modificações no desenvolvimento identitário de cada membro do grupo.
A dança constitui o recurso central empregado para fomentar a expressão dos
sentimentos e ampliar a consciência corporal, visando promover a saúde mental e a autonomia
da criança. Através de diálogos, que podem ser tanto problematizadores quanto acolhedores, é
possível abordar os entraves de comunicação e os temores que emergem dentro do grupo.
Esses elementos, em conjunto, têm o potencial de enriquecer a rede de associações
significativas nas crianças, fomentando uma maior capacidade de simbolização,
conscientização e aprendizado. Adicionalmente, esse modelo psicossocial pode cultivar
aspectos propícios à promoção da justiça social, pois, ao longo do processo grupal, as crianças
podem desenvolver uma consciência mais aguçada dos determinantes sociais da saúde, tais
como o racismo e a violência, os quais são vivenciados nas interações do cotidiano.
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Procedimentos Metodológicos
Para avaliar a eficácia do modelo GOL com base na dança, foi delineado um ensaio
clínico exploratório randomizado e controlado. A amostra foi constituída por 54 crianças de
ambos os sexos, com idades entre 8 e 10 anos (sendo 28 meninos - 52%), residentes em
Valinhos, juntamente com suas mães ou responsáveis legais. Essas crianças apresentavam
problemas internalizantes e externalizantes. A randomização dividiu os participantes em dois
grupos: o grupo experimental (GE, n=29) que recebeu a terapia GOL, e o grupo de controle
em lista de espera (GCLE, n=25). A avaliação dos problemas comportamentais foi conduzida
por meio do Inventário de Comportamentos da Infância e Adolescência (CBCL/6-18)
(ACHENBACH; RESCORLA, 2001) - considerando a perspectiva das mães ou responsáveis
legais. As medições foram realizadas no início do estudo (linha basal) e após um programa de
13 semanas.
Este estudo foi autorizado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências
Médicas-UNICAMP (nº 089/2009). As mães ou responsáveis legais das crianças concederam
seu consentimento livre e esclarecido antes da participação no estudo, autorizando a inclusão
de seus filhos ou tutelados na pesquisa. Adicionalmente, foi obtida autorização da Secretaria
de Saúde de Valinhos, integrante da rede RAPS/SUS. Este estudo foi registrado no Registro
Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBec); RBR-52y78f).
Os Componentes do Programa
Esta intervenção psicossocial em grupo consistiu em um programa de 13 semanas
direcionado às crianças e seus respectivos responsáveis ou mães. O programa foi dividido em
três ciclos distintos: o Ciclo 1 teve como foco a coleta de informações e compreendeu as
Sessões 1 e 2; o Ciclo 2 foi destinado ao desenvolvimento e englobou as Sessões 3 a 11; por
fim, o Ciclo 3 foi destinado à avaliação, abrangendo as Sessões 12 e 13. Antes do início do
Ciclo 1, as mães ou responsáveis participaram de um primeiro encontro, durante o qual foi
procedido o preenchimento do termo de consentimento livre e esclarecido. Além disso, foi
realizada a avaliação pré-tratamento por meio da aplicação do Inventário de Comportamentos
da Infância e Adolescência (CBCL) (ACHENBACH; RESCORLA, 2001), cujos resultados
também foram coletados. Após a conclusão do Ciclo 3, foi realizada uma avaliação pós-
tratamento por meio da reaplicação do CBCL, a fim de avaliar os efeitos da intervenção.
No decorrer do estudo, nove crianças interromperam sua participação no grupo
experimental (GE). Os motivos relatados foram os seguintes: ausência de informação
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específica (7 casos), mudança de residência para outra cidade (1 caso) e conflito de agenda (1
caso). No grupo controle em lista de espera (GCLE), quatro crianças interromperam a
intervenção devido à necessidade de atendimento de emergência.
A maioria dessas crianças pertencia a famílias com uma renda mensal média de R$
2.620,00. Todas frequentavam o ensino fundamental e foram encaminhadas exclusivamente
para o atendimento psicológico oferecido pelo Serviço de Saúde Mental (CEMAP) local. Os
encaminhamentos foram efetuados por unidades básicas de saúde, escolas públicas,
profissionais médicos privados e pelo Conselho Tutelar, uma instituição autônoma
responsável pela proteção dos direitos de crianças e adolescentes no contexto brasileiro.
A mesma psicóloga social, previamente instruída nos aspectos teóricos e técnicos
relacionados ao GOL baseado na dança, foi responsável pela condução dos sete grupos
experimentais. Cada grupo contava com um mínimo de duas crianças e um máximo de quatro,
sujeito a variações semanais. No âmbito do programa, foram executadas três sessões
específicas (1ª, e 13ª) direcionadas às mães ou responsáveis, seguindo uma abordagem
comum no contexto do atendimento psicológico infantil. A estrutura da intervenção foi
caracterizada por sessões semanais, cada uma com duração de 1 hora e 15 minutos. Os
encontros envolvendo as crianças foram organizados em dois componentes: a) reflexão sobre
os eventos da semana e b) instrução e aprendizagem em grupo acerca das três competências
socioemocionais (convívio em grupo, estima psicossocial e criatividade).
As três sessões destinadas às mães ou responsáveis foram subdivididas em três
componentes distintos: a) descrição das crianças, análise de seus problemas e pontos fortes; b)
discussão das dificuldades enfrentadas na relação com as crianças, exploração de possíveis
estratégias de apoio, bem como celebração de suas conquistas; c) avaliação da evolução
comportamental das crianças e tomada de decisão acerca da continuidade ou término do
tratamento, incluindo a possibilidade de encaminhamento para outro serviço. Uma visão geral
do processo e seus ciclos estão apresentados no Quadro 1.
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Quadro 1 Programa Grupo Operativo Lúdico: ciclo, número e título da sessão, conteúdo da
sessão e atividade da sessão.
Ciclo
Número e título da sessão
Conteúdo da sessão
Atividade da sessão
1 Coleta de
informações
1- Descrever e discutir
sobre as crianças (M)
2- Crianças descrevem a
si mesmas e ensino-
aprendizagem da
habilidade da
convivência em grupo
Apresentações, reflexões e
orientações sobre problemas e
pontos fortes das crianças.
Apresentações, problemas,
preferência* e pontos fortes das
crianças.
Definição da habilidade da
convivência em grupo
Problemas infantis e
soluções anotadas na
lousa.
Gestos com as mãos e
brincadeira com uma
bola.
2 - Desenvolvimento
3- Habilidade da
convivência em grupo
Discussão - Como você se sente
com a família e os membros do
grupo escolar? Como você lida
com as semelhanças e diferenças
entre as pessoas?
Fatores do movimento,
relaxamento corporal e
respiração.
4- Sessão livre
Atividade livre e
desenho sobre a
experiência GOL.
5- Habilidade da estima
psicossocial
Definição da habilidade da
estima psicossocial.
A estima psicossocial e o
cuidado com a mente, com o
corpo e com as relações.
Questões de estima psicossocial.
Perguntas sobre estima
psicossocial e o jogo
“mente + corpo +
relacionamentos”
6- Habilidade da estima
psicossocial
Elementos do corpo
Diálogo sobre a rotina dos
cuidados com o corpo
Leitura de livro sobre o
corpo e prática de
diferentes movimentos
7- Acolhimento dos
problemas infantis (M)
Acompanhamento dos
problemas infantis e soluções.
Orientações compartilhadas e
orientação psicológica.
Problemas infantis e
soluções anotadas na
lousa
8- Sessão livre
Atividade livre
9- Habilidade da
criatividade
Definição da habilidade da
criatividade
Dança e pintura
10- Habilidade da
criatividade
Atividade livre
11- Sessão livre
Atividade livre
3- Avaliação
12- Avaliação do
processo grupal e das
mudanças identitárias nas
crianças.
Acompanhamento de questões
da estima psicossocial (5ª
sessão).
Como foi o processo e os
resultados da ludoterapia em
grupo para você?
Discutir a continuidade ou o
término do tratamento
Perguntas e desenhos
sobre a experiência
GOL.
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psicossocial grupal piloto
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13- Avaliação do
progresso das crianças
(M)
Avaliação da evolução
comportamental das crianças
(continuação, término do
tratamento ou
encaminhamento).
Problemas infantis e
soluções anotados na
lousa
Nota: (M) = mães/responsáveis
*Este tema foi discutido apenas com as crianças. Perguntamos quais atividades e o tipo de brincadeira que elas
preferiam.
Fonte: Autoria dos autores.
Exemplos das sessões em grupo
Nesta seção, apresentaremos uma descrição dos elementos das sessões em grupo, com
o intuito de evidenciar os aspectos da intervenção GOL baseada na dança.
O cabelo da Renata é feio?
A intervenção GOL aborda os impactos dos determinantes sociais da saúde, tais como
o racismo, a homofobia, a violência, a pobreza e a opressão, sobre o comportamento de saúde
das crianças durante as sessões em grupo.
Por exemplo, na sexta sessão em grupo, foi abordado a habilidade da estima
psicossocial, com um enfoque especial nos cuidados pessoais com o corpo. Durante essa
sessão, ocorreu uma discussão sobre cabelo, na qual se explorou o receio de ter um corte de
cabelo considerado inadequado, bem como um comentário acerca de Renata, uma menina de
ascendência negra, ter cabelo visto como “feio”. Diante dessa afirmação, as crianças foram
incentivadas a refletir sobre a formação racial do Brasil, resultante da contribuição de
indígenas, portugueses e africanos, e a considerar se a observação “Renata tem cabelo feio”
constituía um ato racista, que possivelmente poderia contribuir para riscos sociais associados
ao sofrimento psicológico.
Adicionalmente, foi abordado as semelhanças e diferenças entre indivíduos,
relacionadas aos aspectos de corpo, raça, gênero e classe social. Os sentimentos negativos
decorrentes da falta de reconhecimento e valorização foram igualmente explorados. Ao
encerramento da sessão, destacou-se que a habilidade da estima psicossocial promove tanto a
autovalorização quanto a valorização dos outros, além de aprimorar a consciência sobre a
importância de cuidar tanto de si próprio quanto dos outros nas relações intrapessoais e
interpessoais. Dessa maneira, abordar a estima psicossocial com ênfase no corpo contribuiu
para o desenvolvimento da percepção corporal no contexto das relações intrapessoais e
interpessoais.
Marta Bartira MEIRELLES-SANTOS e Joel Giglio SALES
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“Ser mais forte”: mudanças identitárias durante o processo grupal por meio da dança.
Ao longo do processo grupal (3ª, 4ª, 12ª e 13ª sessões), foram observadas
transformações na identidade de uma das crianças. Na terceira sessão, que se concentrou na
habilidade de convivência em grupo, abordou-se o conceito de peso (conforme descrito por
Laban), por meio de um exercício que visava sensibilizar os participantes em relação aos
movimentos corporais leves e pesados, utilizando bolas para exemplificar essas variações.
Inicialmente, bolas de tamanhos distintos (pequenas, médias e grandes) foram empregadas
para permitir que as crianças identificassem diferentes graus de peso. Posteriormente, elas
foram encorajadas a lançar as diversas bolas contra uma parede. Tais atividades envolvendo
as bolas foram utilizadas como meio para desenvolver a compreensão do conceito de peso.
Durante essa atividade, uma das crianças compartilhou que sentia a necessidade de ser
mais forte, uma vez que, ao presenciar uma criança menor chorando, ela se identificava com
essa situação e também sentia vontade de chorar. A atividade de dança com o uso das bolas
exerceu um impacto significativo, já que ajudou a criança a conscientizar-se dos seus temores
relacionados a “uma criança chorando”. Isso se evidenciou na sessão subsequente, na qual o
desenho elaborado por ela recebeu o título “Seja mais forte”. Ao término do processo de
ludoterapia grupal (12ª e 13ª sessões), tanto a criança quanto sua mãe relataram que ela não
nutria mais o medo de ver uma criança chorando. A criança em questão foi uma das que
foram consideradas prontas para deixar os grupos experimentais.
Esses dois exemplos ilustram de que maneira as sessões em grupo contribuíram para o
desenvolvimento da capacidade de ensino-aprendizagem coletiva relacionada à estima
psicossocial, com foco na percepção do corpo, bem como à convivência em grupo. As
crianças tiveram a oportunidade de expressar e analisar sentimentos diversos, como o medo
de cortar o cabelo, a avaliação negativa do cabelo de uma criança de ascendência negra e a
identificação com um bebê chorando. Esses exemplos também demonstram que a dança,
especialmente quando se explora o conceito de peso, desempenhou um papel fundamental em
promover a percepção da criança sobre seu corpo em relação ao seu mundo interno e externo.
Tais dinâmicas no contexto do processo em grupo podem ter contribuído para ampliar a
capacidade da criança de simbolizar questões que abrangem a consciência grupal e social,
inclusive sobre o tema do racismo.
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Avaliação dos efeitos do GOL: diferentes análises estatísticas, diferentes resultados.
Os resultados do primeiro Ensaio Clínico Randomizado e Controlado (ECR) do
modelo GOL baseado em dança, conduzido em um estabelecimento público de saúde mental
no Brasil, não apresentaram diferenças significativas nos escores de melhora relacionados a
problemas emocionais e comportamentais entre o Grupo Experimental (GE) e o Grupo
Controle em Lista de Espera (GCLE). A análise foi executada conforme a abordagem de
Intenção de Tratar (ITT), considerada o padrão-ouro em ECRs. No contexto de uma ITT, o
efeito é avaliado para todos os participantes, independentemente da adesão aos critérios do
tratamento.
O delineamento do estudo ITT orientou a realização de 11 análises de regressão linear,
visando avaliar a eficácia da terapia GOL, considerando as três escalas do CBCL e suas oito
subescalas, após o devido ajuste aos escores de linha basal. A magnitude dos efeitos foi
quantificada por meio do índice d de Cohen. A estratégia de correção de Bonferroni
(ARMSTRONG, 2014) foi empregada para controlar o risco de detecção incorreta de
associações, atenuando a preocupação inerente à condução de análises múltiplas de desfechos
em uma única amostra de dados. Consequentemente, o nível de significância estabelecido foi
de 0,004, calculado como 0,05/11 (ou seja, α/número de desfechos).
A ocorrência de dados faltantes é uma situação frequentemente observada em
delineamentos longitudinais, e as Normas Consolidadas de Relatos de Ensaios Clínicos
(CONSORT) propõem técnicas para abordar essa questão. Com base nesse princípio, foi
empregado o método de imputação múltipla como parte da aplicação da abordagem ITT,
visando estimar os efeitos da intervenção. A imputação múltipla representa um dos
procedimentos primários utilizados para lidar com a falta de dados em ECR (KENWARD;
CARPENTER, 2007). A estimativa foi efetuada considerando todos os participantes,
independentemente do grau de aderência aos requisitos do tratamento. A abordagem de
imputação múltipla possibilita a inclusão de todos os participantes na análise estatística,
mesmo quando dados faltantes com um ou mais valores específicos (ENDERS, 2017; LI;
STUART; ALLISON, 2015).
O procedimento de imputação múltipla foi executado por meio da estimativa
Bayesiana em um modelo de variância-covariância irrestrita, no qual todas as variáveis do
conjunto de dados foram consideradas dependentes entre si. A formulação adotada para
abordar os dados faltantes é exposta a seguir, com base na estratégia de imputação múltipla:
um total de 40 conjuntos de dados foi imputado (RUBIN, 2004), e as variáveis incorporadas
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no modelo irrestrito compreendem a análise de grupos [controle vs. intervenção]; todas as 11
medidas contínuas de linha de base e as medidas pós-intervenção referentes às escalas de
ansiedade/depressão, retraimento/depressão, problemas somáticos, problemas sociais,
problemas de pensamento, problemas de atenção, quebra de regras, comportamento agressivo,
internalização, externalização e problemas totais.
A técnica de imputação empregada foi uma especificação totalmente condicional, sem
restrições quanto à faixa de valores contínuos imputados para os desfechos. Seguindo a
abordagem de imputação múltipla, as estimativas fornecidas foram agregadas a partir dos 40
conjuntos de dados. Todas as análises foram conduzidas utilizando o software Mplus versão
8.4 (MUTHÉN; MUTHÉN, 2017), por meio do método de máxima verossimilhança. É
fundamental salientar que a maioria das intervenções na saúde mental infantil é, de maneira
geral, caracterizada por sua complexidade e multifacetamento, sendo influenciada por
diversos fatores situacionais, como as competências e conhecimentos do terapeuta e o
contexto em que o tratamento foi executado. Esses aspectos devem ser devidamente
considerados na interpretação dos resultados de qualquer ECR.
Comparativamente à análise estatística baseada na abordagem ITT, ao interpretar os
dados referentes a todas as crianças do Grupo Experimental (GE) e ao comparar os resultados
iniciais com os avaliados após a intervenção, constatou-se resultados estatisticamente
significantes no tocante aos problemas internalizantes (ansiosos/deprimidos e
retraídos/deprimidos). Embora a análise completa dos casos não seja um método padrão-ouro,
ela indicou que o método GOL demonstra eficácia para crianças que enfrentam esses dois
problemas emocionais e comportamentais específicos, diferentemente das crianças com
problemas externalizantes (quebra de regras e comportamento agressivo).
Em trabalhos futuros, visa-se a intenção de incluir dois terapeutas em cada grupo,
conforme proposto por Langer, além de adicionar cinco sessões suplementares ao programa.
Adicionalmente, irá ser conduzido testes com amostras mais amplas para determinar se a
dimensão corpo/dança na terapia em grupo realmente promove uma maior consciência
corporal no contexto das relações intrapessoais e interpessoais, o que exigiria a mensuração
dessas duas variáveis relacionais. Deseja-se também investigar se a redução dos problemas
internalizantes (ansiedade/depressão e retraimento/depressão) está efetivamente associada a
interações interpessoais positivas, e se outros exemplos dessa associação na literatura.
Novas investigações também seriam valiosas para avaliar os efeitos da terapia sobre a
criatividade e a estima psicossocial.
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Resumo e Conclusões
A demanda por tratamento psicológico infantil, que se mostrava substancial,
atualmente encontra-se ainda mais elevada em decorrência das ramificações provocadas pela
pandemia da COVID-19. Além desse cenário, é importante destacar que, no Brasil e em
outros PBMRs, a carência de recursos e tratamentos embasados em evidências na área da
saúde mental infantil é notória. Em resposta a essas adversidades e como um esforço para
atenuar as extensas listas de espera por tratamento, um serviço público de saúde mental
infantil no Brasil empreendeu uma intervenção psicológica grupal piloto. O Grupo Operativo
Lúdico (GOL) embasado na dança, teve como base pesquisas e práticas anteriores no âmbito
das políticas públicas, almejando aprimorar a saúde mental infantil e também alavancar a
equidade por meio do reconhecimento dos determinantes sociais da saúde.
A análise dos resultados, conduzida com base no princípio da intenção de tratar, não
corroborou a eficácia da intervenção. No entanto, uma análise abrangente dos casos pré e pós-
tratamento indicou que o programa promoveu melhorias nos problemas internalizantes das
crianças, especificamente nos domínios de ansiedade/depressão e retraimento/depressão.
Apesar da amostra abordada representar apenas uma parcela limitada da população
infantil, este estudo agrega uma contribuição singular à literatura. Isso se deve ao fato de o
modelo terapêutico GOL figurar como uma das poucas abordagens que incorporam a dança
como parte de uma intervenção em grupo. Essa intervenção apresenta o potencial de favorecer
as crianças por meio de um processo de aprendizagem coletiva, que visa aprimorar
habilidades de convivência grupal, estima psicossocial e criatividade, assim como outros
aspectos associados à formação de identidade. No contexto dessa estrutura, a dança se
configura como o recurso central, especialmente direcionado para estimular a expressão de
emoções e para ampliar a percepção corporal, tanto no que se refere às relações intrapessoais
quanto interpessoais. O GOL baseado na dança também pode ser empregado para abordar os
determinantes sociais da saúde durante sessões em grupo.
No âmbito desse processo grupal, houve a promoção de diálogos voltados para a
exploração dos obstáculos à comunicação e a identificação dos medos que necessitam ser
enfrentados e superados. Cada um dos distintos elementos intrínsecos à terapia operou de
maneira sinérgica, contribuindo para ampliar a rede de associações de significado nas
crianças. Consequentemente, essa abordagem favoreceu o aprimoramento das capacidades de
simbolização, consciência e aprendizado, com um consequente aumento da neuroplasticidade
e da melhoria da saúde mental infantil. Isso assume particular importância, sobretudo no
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contexto das crianças que enfrentam desafios relacionados à ansiedade e à depressão. A
presente pesquisa ressalta a relevância das terapias que incorporam o movimento corporal e a
dança como componentes das intervenções psicossociais.
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Marta Bartira MEIRELLES-SANTOS e Joel Giglio SALES
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2526-3471
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradeço a Psicóloga Maria Lúcia Magalhães Navarro Meirelles dos
Santos, ao Analista de Sistemas Normet Olivério Piola Júnior, a Profa. Labanista Solange
Arruda, ao Prof. e Psicanalista Marco Aurélio Fernandes Veloso, a Profa. Ora. Maria Stela
Santos Graciani, ao Prof. Dr. Ettore Bresciani Filho, ao Prof. Dr. Myron Belfer e a Profa.
Ora. Maria do Carmo Meirelles Toledo Cruz entre outras pessoas. Também agradeço
alguns gestores (as), servidores (as) e usuários (as) da Prefeitura de Valinhos. Ainda
agradeço os professores do Departamento de Psiquiatria/UNICAMP, em especial, o Prof.
Dr. Egberto Ribeiro Turato. Por fim, faço meus agradecimentos aos seguintes grupos de
pesquisa: a) Saúde, Espiritualidade e Religiosidade - LASER/UNICAMP, b) Núcleo de
Estudos e Pesquisas em Identidade Metamorfose - NEPIM/PUC-SP e c) Desigualdade
Econômica e Social/CLE- UNICAMP.
Financiamento: Agradeço ao CNPQ pela bolsa recebida e a família Meirelles- Santos.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho foi aprovado pelo Comite de Ética em Pesquisa da
UNICAMP: CEP, 29/04/14 (Parecer CEP: nº089/2009).
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho estão
disponíveis para acesso irrestrito.
Contribuições dos autores: Marta Bartira realizou pesquisa de campo; coleta de dados;
análise e interpretação dos dados bem como a redação do texto e Joel Sales Giglio
contribuiu com a sistematização da abordagem de grupo estudada bem como com a
orientação de todo o trabalho.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
EDI
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17654 1
RESPONDING TO THE MENTAL HEALTH NEEDS OF CHILDREN IN A PUBLIC
HEALTH SERVICE IN BRAZIL: THE USE OF DANCE IN A PILOT GROUP
PSYCHOSOCIAL INTERVENTION
RESPONDENDO ÀS NECESSIDADES DE SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS EM UM
SERVIÇO DE SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL: O USO DA DANÇA EM UMA
INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL GRUPAL PILOTO
RESPONDIENDO A LAS NECESIDADES DE SALUD MENTAL DE LOS NIÑOS EN
UN SERVICIO PÚBLICO DE SALUD EN BRASIL: EL USO DE LA DANZA EN UNA
INTERVENCIÓN PSICOSOCIAL GRUPAL PILOTO
Marta Bartira MEIRELLES-SANTOS1
e-mail: mb@martabartira.com.br
Joel Giglio SALES2
e-mail: joelsgiglio@gmail.com
How to reference this paper:
MEIRELLES-SANTOS, M. B.; GIGLIO, J. S. Responding
to the mental health needs of children in a public health
service in Brazil: The use of dance in a pilot group
psychosocial intervention. Temas em Educ. e Saúde,
Araraquara, v. 19, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2526-3471.
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17654
| Submitted: 25/01/2023
| Revisions required: 10/05/2023
| Approved: 22/06/2023
| Published: 01/09/2023
Editors:
Prof. Dr. Luci Regina Muzzeti
Prof. Dr. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
State University of Campinas (UNICAMP), Campinas SP Brazil. Social psychologist and dancer. City Hall
of Valinhos/SP.
2
State University of Campinas (UNICAMP), Campinas SP Brazil. Associate Professor at the Department of
Psychiatry.
Responding to the mental health needs of children in a public health service in Brazil: The use of dance in a pilot group psychosocial
intervention
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2526-3471
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ABSTRACT: The COVID-19 pandemic has further intensified the substantial demand for
psychological treatment for children. However, in Brazil and various other nations, there is a
lack of resources and evidence-based treatments focused on child mental health. Given this
scenario, an evaluation of the efficacy of a pilot psychosocial group approach called "Operative
Play Group" (OPG) was conducted within a public health service. This model aims not only to
promote mental health but also to enhance equity through recognizing the social determinants
of health. To measure behavioral problems, an analysis grounded in the principle of Intent-to-
Treat was employed. However, this analysis did not demonstrate the effectiveness of the
intervention. Nevertheless, through comprehensive research of cases, it was found that the
program positively impacted the internalizing issues observed in children. The OPG model
presents a distinctive feature as it stands out as one of the few methods incorporating dance.
Dance can foster the expression of emotions and expand bodily perception. The findings of this
study suggest the feasibility and relevance of utilizing body movement and dance as practical
components in psychosocial interventions.
KEYWORDS: Child. Public health. Play therapy. Dance. Social determinants of health.
RESUMO: A pandemia da COVID-19 intensificou ainda mais a substancial demanda por
tratamento psicológico destinado a crianças. Entretanto, no Brasil e em diversas nações,
uma carência de recursos e tratamentos direcionados à saúde mental infantil que se embasem
em evidências empíricas. Diante desse cenário, foi realizado uma avaliação da eficácia de uma
abordagem psicossocial grupal piloto denominada “Grupo Operativo Lúdico” (GOL) em um
serviço público de saúde. Esse modelo visa não somente promover a saúde mental, mas também
contribuir para o incremento da equidade por meio do reconhecimento dos determinantes
sociais da saúde. No intuito de mensurar os problemas comportamentais, uma análise
fundamentada no princípio da Intenção de Tratar foi empregada. Contudo, essa análise não
evidenciou a eficácia da intervenção, no entanto, por meio de uma análise compreensiva de
casos, constatou-se que o programa teve impacto positivo sobre as problemáticas
internalizantes observadas nas crianças. O modelo GOL apresenta uma particularidade
marcante, visto que se destaca como um dos escassos métodos que incorpora a dança em sua
abordagem. A dança possui o potencial de fomentar a expressão de sentimentos e de expandir
a percepção corporal. Os achados deste estudo sugerem a viabilidade e a relevância da
utilização do movimento corporal e da dança como componentes eficazes em intervenções
psicossociais.
PALAVRAS-CHAVE: Criança. Saúde pública. Ludoterapia. Dança. Determinantes sociais da
saúde.
RESUMEN: La pandemia del COVID-19 ha intensificado aún más la ya considerable
demanda de tratamiento psicológico para niños. Sin embargo, en Brasil y en varios otros
países, faltan recursos y tratamientos dirigidos a la salud mental infantil basados en evidencias
empíricas. Ante este escenario, se realizó una evaluación de la eficacia de un abordaje
psicosocial grupal piloto denominado "Grupo Operativo Lúdico" (GOL) en un servicio público
de salud. Este modelo pretende no sólo promover la salud mental, sino también contribuir a
Marta Bartira MEIRELLES-SANTOS and Joel Giglio SALES.
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aumentar la equidad mediante el reconocimiento de los determinantes sociales de la salud.
Para medir los problemas de conducta, se utilizó un análisis basado en el principio de intención
de tratar. Sin embargo, este análisis no mostró la eficacia de la intervención, sino que,
mediante un análisis exhaustivo de los casos, se comprobó que el programa tenía un impacto
positivo en los problemas de interiorización observados en los niños. El modelo GOL tiene una
particularidad llamativa, ya que destaca por ser uno de los pocos métodos que incorpora la
danza en su enfoque. La danza tiene el potencial de fomentar la expresión de sentimientos y
ampliar la percepción corporal. Los resultados de este estudio sugieren la viabilidad y
pertinencia de utilizar el movimiento corporal y la danza como componentes eficaces en las
intervenciones psicosociales.
PALABRAS CLAVE: Infancia. Salud pública. Juegaterapia. Danza. Determinantes sociales
de la salud.
Introduction
A study by Polanczyk et al. (2015), conducted a systematic literature review using
standardized assessment methods based on diagnoses according to the DSM or ICD. This study
estimated that the global prevalence of mental health problems in children and adolescents was
13.4%. Therefore, the demand for child psychological treatment is high, but less than half of
those in need receive any treatment. Additionally, in Brazil and other low- and middle-income
countries (LMICs) there is a lack of empirically evidenced treatments, and financial and human
resources are scarce. Paula et al. (2012, p. 337, our translation) highlighted that in Brazil, "[...]
there is a gap in services for children and adolescents with less severe and more common mental
illnesses (approximately 90% of cases)."
Mental health problems have been exacerbated during the COVID-19 pandemic, and a
recent Brazilian study by the State Department of Education of São Paulo and the Ayrton Senna
Institute (2022) found that 70% of surveyed middle and high school students (starting from 11
years old) reported symptoms of depression and anxiety. The results were obtained through
twelve questions about mental health symptoms, addressing factors such as concentration
ability, sleep, decision-making, or life satisfaction. The responsibility for treating these
individuals falls upon Brazil's public health system, the Brazilian National Health System
(SUS) (PEREIRA et al., 2004).
The SUS is one of the largest and most complex public health systems globally. Its
purpose is to ensure comprehensive, universal, and unrestricted access to all segments of the
national population. The various levels of care and services offered by the SUS aim to mitigate
Responding to the mental health needs of children in a public health service in Brazil: The use of dance in a pilot group psychosocial
intervention
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disparities and promote equity, grounded in recognizing the social determinants of health.
Within the scope of the SUS, the provision of mental health services is realized through the
Psychosocial Care Network (RAPS), an entity that seeks to guarantee the availability of
excellent benefits, provide comprehensive care, and offer multi-professional assistance through
an interdisciplinary model. The RAPS, guided by foundational principles, is primarily
dedicated to providing support aligned with the needs of individuals affected by mental
disorders, establishing various services corresponding to different demands.
The intervention mentioned in this context originated in response to a specific request
from the Centro Municipal de Atendimento Psicopedagógico e Fonoaudiológico
3
(CEMAP
José Natal Capovila, an organization assisting in child health located in the municipality of
Valinhos, São Paulo, Brazil. This center is part of the RAPS/SUS network. CEMAP expressed
interest in adopting a group-based psychological approach to expand treatment capacity and
reduce the waiting list for confident children's mental health conditions. The lead author of this
study had prior experience with a specific model of group-based psychosocial intervention, the
details of which will be outlined in the course of this work. This group intervention, which
incorporates an innovative approach to public health by utilizing dance as a resource, was
named the Operative Play Group (OPG). This research focused on evaluating the efficacy of
the OPG model in treating children facing psychological issues within the context of a public
child health service.
The Operative Play Group (OPG) Model
The purpose of the OPG Model is to promote mental health and enhance equity by
recognizing the social determinants of health within the context of public child care in Brazil.
This psychosocial group approach draws inspiration from various perspectives in social
psychology (CIAMPA, 1987; PICHON-RIVIÈRE, 2000), educational concepts (FREIRE,
2005) and principles of dance (LABAN, 1990). The organizational structure is grounded in the
ideas of complex systems theory developed by Itala Lofredo DOttaviano and Ettore Bresciane
Filho (2019), and colleagues at the Center for Logic, History of Science, and Epistemology at
the State University of Campinas. This complex perspective is characterized by interdependent
element relationships, categorized into three distinct types: 1 - internal, 2 - boundary, and 3 -
external. Within our model, internal and boundary elements are interpreted as therapeutic
3
In English, the translation would be:Municipal Center for Psychopedagogical and Speech Therapy Services.
Marta Bartira MEIRELLES-SANTOS and Joel Giglio SALES.
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components due to their mechanisms' capacity to induce transformations in children's identities,
thereby enhancing their autonomy and promoting improvements in their mental health.
The internal therapeutic elements encompass the group process and the identity process
of each group member, two processes that co-occur. To understand the group process,
materialist and dialectical theory was incorporated based on the work of psychoanalyst Enrique
Pichon-Rivière, who formalized the concept of the operative group. The term "operative"
signifies the ability to instigate psychological changes. The operative group is a gathering of
individuals brought together by shared time and space, united by their mutual internal
representations, with an implicit or explicit goal of accomplishing a task.
The straightforward job involves stimulating group learning and thinking rooted in the
existing teaching and learning process among participants while also engaging in a specific
study (educational or therapeutic). The implicit job involves addressing communication
obstacles and reducing fundamental fears, such as the fear of attacks or losses, that arise within
the group context. In this regard, it is relevant to mention the work of Rosa Jaitin de Langer
(1983) who utilized the operative group model to treat children with behavioral and learning
problems in Argentina.
In the OPG model, the explicit task is generated through a process of collective
instruction and learning, encompassing three socio-emotional competencies - group
coexistence, psychosocial esteem, and creativity - and the expansion of awareness of individual
identity within a group. These competencies are akin to the concept of socio-emotional skills
outlined by Del Prette (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2013, GUIMARÃES; COSTA; LESSA,
2022). Group coexistence is characterized by the dynamic configuration of intrinsic and
extrinsic relationships among individuals, encompassing different modes of communication
and collective instruction-learning based on individual similarities and differences.
Emphasizing this competence is relevant, as it is recognized that children facing significant
mood changes, loss of interest in everyday activities, or difficulty in impulse control - traits
associated with depression and anxiety - often encounter challenges in interpersonal
interactions.
The capacity for self-esteem, previously highlighted in related studies, is embedded
within the realm of psychosocial esteem, defined as a process of instruction-learning
encompassing comprehensive self-management (mental, physical, and interpersonal) and the
management of others. This concept has its roots in the ideas of Pichon-Rivière, based on the
three spheres of conduct manifestation (mental, physical, and external environment). As
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intervention
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outlined by this author, creativity is intrinsically linked to mental health, as individuals strive
to conceive solutions to everyday challenges through the dialectical interaction between the
inner and outer worlds.
During OPG group sessions, children are encouraged to observe transformations in their
identities and those of the group members. Drawing from Ciampa contributions (1987), identity
construction is conceived as a continuous process of individual metamorphosis towards
emancipatory opportunities. It is through social interactions that individuals establish unique
ways of engaging with the world. In more direct terms, their identity is inherently linked to their
social identity. In this complex process of building personal identity, intricate with various
social factors such as class, race, and gender, similarities, and divergences manifest in
interpersonal interactions (MEIRELLES-SANTOS, 1995).
The group process, whose primary objective is to foster children's identity development
and enhance their mental health, is mediated through dialogues inspired by the work of the
Paulo Freire Institute, in São Paulo, notably the concept of problem-posing dialogue. This
concept involves perceiving reality as being conflictual and thus historical and fluid. The group
process also employs welcoming dialogue, resembling the approach of Child-Centered Group
Play Therapy (CCGPT) (SWEENEY; BAGGERLY; RAY, 2014) a system where the child is
unconditionally accepted during group sessions.
This dialogical approach can be mediated through cognitive and playful resources and
primarily through "bodily resources," such as dance. Developmental psychology has shown that
addressing children is impossible without considering the bodily dimension and its connections
with cognitive, emotional, and social dimensions. In the context of the OPG model, the primary
physical resource employed is dance, inspired by Laban's conceptions (1990). In the model,
dance - occupying a central position - plays a significant role, paving the way to stimulate the
expression of emotions and deepen bodily awareness.
Within this child-focused approach, the innate drive of children to move their bodies is
recognized as an inherent form of release. This perspective fosters a heightened perception of
the body and emotions, presenting the following characteristics: 1- preservation of the
spontaneity of movement; 2- acceptance of one's movement limitations and the limitations of
others without labeling them as mistakes; 3- promotion of children's creative expression; 4-
stimulation of the perception of the flow of bodily movement and its mastery; and 5- facilitation
of grasping the interconnections between mental dimensions (feelings, thoughts, desires,
fantasies, etc.) and physical ones.
Marta Bartira MEIRELLES-SANTOS and Joel Giglio SALES.
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Laban (1990) formulated four components of human movement: weight, time, space,
and flow. These factors intertwine, with the body's or its parts' weight being propelled through
space during a designated time interval, regulated by the flow of movement. It's crucial to
emphasize that movement transcends the sum of these factors and should be experienced and
understood as a coherent whole. Learning these movement elements can heighten bodily
awareness and the expression of feelings, enabling integration between cognitive learning and
motor development during group sessions with children.
In the dance-based OPG model, the development of bodily perception is realized
through three distinct approaches: 1 - understanding the complexity of physical components,
including the head, torso, limbs, the five senses, and their respective systems (such as muscular,
circulatory, and skeletal); 2 - analyzing the impacts of bodily movement on the inner universe
(intrapersonal relationships) and the external environment (interpersonal relationships) through
discourse; and 3 - exploring the potential connections between the mind (feelings, thoughts,
desires), the body, and interactions (with family members, school peers, or institutional figures,
for example). This approach to dance exploration shares certain similarities with the Theraplay
model (SIU, 2014), where self-regulation through physical movements is cultivated. This
foundational developmental capacity in children establishes co-regulation experiences focusing
on physical and emotional regulation.
To encourage the expression of feelings, we employ a dialogue centered around the
emotions emerging during bodily movement, encompassing both intrapersonal and
interpersonal dimensions. Webb (2003) also adopts this body movement to enable children to
express their feelings in psychological interventions. Lastly, the underlying task of the OPG
involves discussing communication obstacles and fears that may arise within the group. The
approach of the boundary therapeutic element, whose dynamics lie between the internal and
external realms of the group, represents another integrated responsibility in the group therapist's
role. The therapist serves as a communication intermediary during group sessions with children
and mothers and between the institution and other external components, acting as a connection
among the distinct elements present in this approach.
The external elements are represented by the family, school, social media,
CEMAP/RAPS/SUS, and social, economic, and political conditions. It is crucial to underscore
that comprehending the dynamics of psychosocial groups necessitates understanding the
characteristics of the society in which these groups operate. For this reason, this intervention
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adopts a critical social perspective that incorporates the effects of social determinants of health
(such as poverty, racism, homophobia, and violence) on children's behavior.
These themes are addressed during group sessions with the children. In this context, the
OPG represents an effort to address and alleviate disparities in available resources for child
mental health in a municipal public health scenario in Brazil. In summary, the OPG, whose
central component is dance (as a bodily resource), aims primarily to promote child mental
health through group sessions. The internal therapeutic elements manifest through the group
instruction-learning process of the three skills (group coexistence, psychosocial esteem, and
creativity) and potential modifications in the identity development of each group member.
Dance constitutes the central resource employed to encourage the expression of
emotions and enhance bodily awareness, intending to promote child mental health and
autonomy. It's possible to address communication barriers and fears that arise within the group
through dialogues, which can be both problem-solving and welcoming. These elements, in
conjunction, have the potential to enrich the network of meaningful associations in children,
fostering a greater capacity for symbolization, awareness, and learning. Additionally, this
psychosocial model can cultivate aspects conducive to promoting social justice, as throughout
the group process, children can develop a heightened awareness of social determinants of
health, such as racism and violence, which are experienced in everyday interactions.
Methodological Procedures
An exploratory randomized controlled trial was designed to assess the effectiveness of
the dance-based OPG model. The sample comprised 54 children of both sexes, aged between 8
and 10 years (with 28 boys - 52%), residing in Valinhos, along with their mothers or legal
guardians. These children presented internalizing and externalizing problems. Randomization
divided the participants into two groups: the experimental group (EG, n=29) received the OPG
therapy, and the waitlist control group (WLCG, n=25). The assessment of behavioral problems
was conducted using the Child Behavior Checklist (CBCL/6-18) (ACHENBACH, 2001)-
considering the perspective of mothers or legal guardians. Measurements were taken at the
study's commencement (baseline) and after a 13-week program.
This study was authorized by the Research Ethics Committee of the Faculty of Medical
Sciences-UNICAMP (No. 089/2009). The mothers or legal guardians of the children provided
their informed and voluntary consent before participating in the study, allowing the inclusion
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of their children or wards in the research. Additionally, authorization was obtained from the
Health Department of Valinhos, a part of the RAPS/SUS network. This study was registered
in the Brazilian Registry of Clinical Trials (Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos [ReBec];
RBR-52y78f).
Program Components
This psychosocial group intervention was a 13-week program directed towards the
children and their respective guardians or mothers. The program was divided into three distinct
cycles: Cycle 1 focused on information collection and included Sessions 1 and 2; Cycle 2 was
dedicated to development and encompassed Sessions 3 to 11; finally, Cycle 3 was designated
for evaluation, covering Sessions 12 and 13. Before the start of Cycle 1, the mothers or
guardians participated in an initial meeting during which the informed and voluntary consent
form was completed. Additionally, the pre-treatment assessment was conducted by
administering the Child Behavior Checklist (CBCL) (ACHENBACH; RESCORLA, 2001), the
results of which were also collected. Following the conclusion of Cycle 3, a post-treatment
assessment was conducted through the reapplication of the CBCL to evaluate the effects of the
intervention.
Nine children discontinued their participation in the experimental group (EG)
throughout the study. The reported reasons were as follows: lack of specific information (7
cases), change of residence to another city (1 case), and scheduling conflict (1 case). In the
waitlist control group (WLCG), four children discontinued the intervention due to the need for
emergency care.
Most of these children belonged to families with an average monthly income of US$
533. They all attended elementary school and were exclusively referred for psychological care
offered by the local Mental Health Service (CEMAP). Referrals were made by primary health
care units, public schools, private medical professionals, and the Guardianship Council, an
autonomous institution responsible for protecting the rights of children and adolescents in the
Brazilian context.
The same social psychologist, previously trained in the theoretical and technical aspects
of dance-based OPG, was responsible for conducting the seven experimental groups. Each
group had at least two children and four, subject to weekly variations. The program conducted
three specific sessions (1st, 7th, and 13th) for mothers or guardians, following a common
approach in child psychological care. The intervention's structure was characterized by weekly
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sessions, each lasting 1 hour and 15 minutes. The sessions involving the children were
organized into two components: a) reflection on the week's events and b) group instruction and
learning about the three socioemotional competencies (group interaction, psychosocial esteem,
and creativity).
The three sessions designated for mothers or guardians were divided into three distinct
components: a) description of the children, analysis of their issues and strengths; b) discussion
of challenges faced in the relationship with the children, exploration of potential support
strategies, as well as celebrating their achievements; c) assessment of the children's behavioral
progress and decision-making regarding the continuation or termination of treatment, including
the possibility of referral to another service. An overview of the process and its cycles is
presented in Table 1.
Panel 1 Operative Play Group program: cycle, session number and title, session content,
and session activity
Cycle
Session Number and Title
Session Content
Session Activity
1 - Information
Collection
1- Describe and discuss about
the children (M)
2- Children describe
themselves and teaching-
learning of the group
interaction skill
Presentations, reflections, and
guidance on children's issues
and strengths
Presentations, problems,
preferences*, and powers of the
children.
Definition of the group
interaction skill
Children's problems and
solutions noted on the
board
Hand gestures and
playing with a ball
2 -
Development
3- Group interaction ability
How do you feel with your
family and school group
members? How do you handle
similarities and differences
among people?
Movement factors,
body relaxation, and
breathing
4- Free session
Chosen activity and
drawing about OPG
experience.
5- Psychosocial-esteem
ability
Define psychosocial-esteem
ability
Psychosocial-esteem and the
care with mind, body, and
relationships
Psychosocial-esteem questions
Questions and “mind+
body + relationships”
game
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6- Psychosocial-esteem
ability
Body elements
Dialogue about the body care
daily routine
Reading a book about
the body and practicing
different movements
7- Support with children’s
problems (M)
Monitoring children`s problems
and solutions.
Shared guidelines and
psychological guidance.
Children`s problems
and solutions noted on
board
8- Free session
Activity chosen by the
children
9- Creativity ability
Define creativity ability
Dance and painting
10- Creativity ability
Chosen activity
11- Free session
Chosen activity
3- Assessment
12- Evaluation of group
process and identity changes
with children.
Monitoring psychosocial-
esteem questions (5th session).
How were the process and
results of group play therapy
for you?
Discuss continuing or ending
treatment
Questions and drawings
about OPG experience.
13- Assessment of children’s
progress (M)
Assessment of behavioral
progress of children
(continuing, ending treatment
or referral)
Children`s problems
and solutions noted on
board
Note: (M) = mothers/guardians
* This topic was discussed only with the children. We asked about activities and the type of play they preferred.
Source: Prepared by the authors.
Examples from the group sessions
In this section, we will describe the elements of the group sessions to highlight aspects
of the dance-based OPG intervention.
Is Renata’s hair ugly?
The OPG intervention addresses the impacts of social determinants of health, such as
racism, homophobia, violence, poverty, and oppression, on children's health behavior during
the group sessions.
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For example, in the sixth group session, the skill of psychosocial esteem was addressed,
focusing on personal body care. During this session, a discussion about hair took place,
exploring the fear of having a haircut deemed inappropriate and a comment about Renata, a girl
of Black descent, having hair labeled as "ugly". Faced with this statement, the children were
encouraged to reflect on Brazil's racial composition, resulting from the contributions of
Indigenous, Portuguese, and African peoples, and to consider whether the observation "Renata
has ugly hair" constituted a racist act that could potentially contribute to social risks associated
with psychological distress.
Additionally, individual similarities and differences were addressed, related to aspects
of body, race, gender, and social class. The negative feelings stemming from lack of recognition
and appreciation were equally explored. By the end of the session, it was emphasized that the
skill of psychosocial esteem promotes self-valuation and valuing others while enhancing
awareness of the importance of caring for oneself and others in intrapersonal and interpersonal
relationships. Thus, addressing psychosocial respect with a focus on the body contributed to
developing bodily perception within intrapersonal and interpersonal relationships.
"Be stronger": identity changes during group process through dance
Throughout the group process (3rd, 4th, 12th, and 13th sessions), transformations in the
identity of one of the children were observed. In the third session, which focused on the skill of
group interaction, the concept of weight (as described by Laban) was addressed through an
exercise aimed at sensitizing participants to light and heavy bodily movements, using balls to
exemplify these variations. Initially, balls of different sizes (small, medium, and large) were
employed to allow children to identify different degrees of weight. Subsequently, they were
encouraged to throw the various balls against a wall. Such ball-related activities were used to
develop an understanding of the concept of weight.
During this activity, one of the children shared that she felt the need to become stronger,
as she identified with a minor child crying and also felt the urge to cry. The dance activity
involving the balls had a significant impact, as it helped the child become aware of her fears
related to "a crying child." This was evident in the subsequent session, where her drawing was
titled "Be stronger." By the end of the group play therapy process (12th and 13th sessions), the
child and her mother reported that she no longer harbored the fear of seeing a child cry. The
child in question was considered ready to leave the experimental groups.
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These two examples illustrate how group sessions contributed to the development of
collective teaching and learning capacity related to psychosocial self-esteem, with a focus on
body perception and group interaction. The children had the opportunity to express and analyze
various feelings, such as the fear of getting a haircut, negative evaluations of the hair of a child
of African descent, and identification with a crying baby. These examples also demonstrate that
dance, especially when exploring the concept of weight, played a pivotal role in promoting the
child's perception of their body about their internal and external world. Such dynamics within
the context of the group process may have contributed to enhancing the child's ability to
symbolize issues encompassing group and social awareness, including racism.
Assessment of effects of OPG: different statistical analyses, different results
The results of the first Randomized Controlled Trial (RCT) of the dance-based OPG
model, conducted in a public mental health facility in Brazil, did not show significant
differences in improvement scores related to emotional and behavioral issues between the
Experimental Group (EG) and the Waiting List Control Group (WLCG). The analysis followed
the Intent-to-Treat (ITT) approach, considered the gold standard in RCTs. In the context of an
ITT, the effect is assessed for all participants, regardless of their adherence to treatment criteria.
The ITT study design guided the execution of 11 linear regression analyses to assess the
efficacy of OPG therapy, considering the three CBCL scales and their eight subscales, after
appropriate adjustment for baseline scores. The magnitude of effects was quantified using
Cohen's d index. The Bonferroni correction strategy (ARMSTRONG, 2014) was employed to
control the risk of detecting incorrect associations, mitigating concerns inherent in conducting
multiple outcome analyses on a single data sample. Consequently, the established significance
level was set at 0.004, calculated as 0.05/11 (i.e., α/number of outcomes).
The occurrence of missing data is frequently observed in longitudinal designs, and the
Consolidated Standards of Reporting Trials (CONSORT) provide techniques to address this
issue. Based on this principle, the multiple imputation method was utilized as part of the ITT
approach to estimate intervention effects. Multiple imputation is one of the primary procedures
used to handle missing data in RCTs (KENWARD; CARPENTER, 2007). The estimation
considered all participants, regardless of their adherence to treatment requirements. The
multiple imputation approach enables the inclusion of all participants in the statistical analysis,
even when there are missing data with one or more specific values (ENDERS, 2017; LI;
STUART; ALLISON, 2015)
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The multiple imputation procedure was executed through Bayesian estimation in an
unrestricted variance-covariance model, where all variables in the dataset were considered
dependent on each other. The adopted formulation to address missing data is presented below,
based on the multiple imputation strategy: a total of 40 datasets were imputed (RUBIN,2004)
and the variables incorporated in the unrestricted model encompass group analysis [control vs.
intervention]; all 11 continuous baseline measures and post-intervention measures related to
anxiety/depression, withdrawal/depression, somatic problems, social problems, thought
problems, attention problems, rule-breaking behavior, aggressive behavior, internalizing,
externalizing, and total problems scales.
The imputation technique was a wholly conditional specification without restrictions on
the range of continuous values imputed for the outcomes. Following the multiple imputation
approach, the provided estimates were aggregated from the 40 datasets. All analyses were
conducted using Mplus software version 8.4 (MUTHÉN; MUTHÉN, 2017), through maximum
likelihood estimation. It is essential to emphasize that most interventions in child mental health
are generally characterized by their complexity and multifaceted nature, influenced by various
situational factors, such as therapist competencies and knowledge, and the context in which the
treatment was carried out. These aspects should be adequately considered in the interpretation
of the results of any RCT.
In comparison to the statistical analysis based on the ITT approach, when interpreting
the data concerning all children in the Experimental Group (EG) and comparing the initial
results with those evaluated after the intervention, statistically significant effects were observed
regarding internalizing problems (anxious/depressed and withdrawn/depressed). Although
complete case analysis is not a gold standard method, the OPG method demonstrates efficacy
for children facing these two specific emotional and behavioral problems, unlike children with
externalizing problems (rule-breaking and aggressive behavior).
In future work, the intention is to include two therapists in each group, as proposed by
Langer, in addition to adding five supplementary sessions to the program. Additionally, tests
will be conducted with larger samples to determine whether the body/dance dimension in group
therapy indeed promotes greater bodily awareness in the context of intrapersonal and
interpersonal relationships, which would require the measurement of these two relational
variables. It is also intended to investigate whether the reduction in internalizing problems
(anxiety/depression and withdrawal/depression) is effectively associated with positive
interpersonal interactions and if there are other examples of this association in the literature.
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Further research would also be valuable to assess the therapy's effects on creativity and
psychosocial esteem.
Summary and Conclusions
The demand for child psychological treatment, which was already substantial, is
currently even higher due to the ramifications caused by the COVID-19 pandemic. In addition
to this scenario, it is essential to highlight that in Brazil and other LMICs, the lack of evidence-
based resources and treatments for child mental health is evident. To alleviate the extensive
waiting lists for treatment, a public child mental health service in Brazil undertook a pilot group
psychological intervention in response to these adversities and to lessen the comprehensive
waiting lists for treatment. The Operative Play Group (OPG) based on dance was rooted in
previous research and practices within the realm of public policies, aiming to enhance child
mental health and promote equity by recognizing social determinants of health.
The analysis of the results, conducted based on the intention-to-treat principle, did not
support the effectiveness of the intervention. However, a comprehensive analysis of pre-and
post-treatment cases indicated that the program brought about improvements in the
internalizing problems of the children, specifically in the domains of anxiety/depression and
withdrawal/depression.
Even though the addressed sample represents only a limited portion of the child
population, this study brings a unique contribution to the literature. This is due to the therapeutic
model OPG being one of the few approaches incorporating dance as part of a group
intervention. This intervention holds the potential to benefit children through a collective
learning process aimed at enhancing group interaction skills, psychosocial esteem, creativity,
as well as other aspects associated with identity formation. Within this framework, dance serves
as a central resource, mainly directed at stimulating the expression of emotions and expanding
bodily awareness in intrapersonal and interpersonal relationships. The dance-based OPG can
also address the social determinants of health during group sessions.
In the context of this group process, there was a promotion of dialogues focused on
exploring communication obstacles and identifying fears that need to be faced and overcome.
Each distinct element intrinsic to the therapy operated synergistically, contributing to
expanding the network of meaningful associations in children. Consequently, this approach
facilitated the enhancement of symbolic capacities, awareness, and learning, resulting in
Responding to the mental health needs of children in a public health service in Brazil: The use of dance in a pilot group psychosocial
intervention
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023006, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17654 16
increased neuroplasticity and improved child mental health. This is particularly important,
especially in the context of children facing challenges related to anxiety and depression. The
present research underscores the relevance of therapies that incorporate bodily movement and
dance as components of psychosocial interventions.
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DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17654 18
CRediT Author Statement
Acknowledgements: I would like to express my gratitude to Psychologist Maria Lúcia
Magalhães Navarro Meirelles dos Santos, Systems Analyst Normet Olivério Piola Júnior,
Prof. Labanista Solange Arruda, Prof. and Psychoanalyst Marco Aurélio Fernandes Veloso,
Prof. Ora. Maria Stela Santos Graciani, Prof. Dr. Ettore Bresciani Filho, Prof. Dr. Myron
Belfer and Prof. Ora. Maria do Carmo Meirelles Toledo Cruz among other individuals. I
would also like to thank certain administrators, employees, and users of the Valinhos City
Hall. Additionally, I appreciate the Department of Psychiatry/UNICAMP, particularly Prof.
Dr. Egberto Ribeiro Turato. Lastly, my thanks go to the following research groups: a)
Health, Spirituality, and Religiosity - LASER/UNICAMP, b) Metamorphosis Identity
Studies and Research Center - NEPIM/PUC-SP, and c) Economic and Social Inequality
/CLE- UNICAMP.
Funding: I acknowledge the financial support from CNPQ and the Meirelles-Santos family.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest to declare.
Ethical approval: This work was approved by the Research Ethics Committee of
UNICAMP: CEP, 29/04/14 (Ethics Committee Opinion: No. 089/2009).
Data and material availability: The data and materials used in this study are available for
unrestricted access.
Authors' contributions: Marta Bartira conducted field research, data collection, data
analysis, and interpretation, as well as drafted the manuscript. Joel Sales Giglio contributed
to the study group approach's systematization and provided guidance throughout the study.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.