Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023008, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17998 1
PERSPECTIVAS DE ESTUDANTES ACERCA DO ENSINO DA CIÊNCIA DE ANIMAL DE
LABORATÓRIO
PERSPECTIVAS DE LOS ESTUDIANTES SOBRE LA ENSEÑANZA DE LA CIENCIA DE LOS
ANIMALES DE LABORATORIO
PERSPECTIVES OF STUDENTS ON TEACHING LABORATORY ANIMAL SCIENCE
Natalie Emanuelle Ribeiro RODRIGUES1
e-mail: natalie.rodrigues@upe.br
Marcos Aurélio de Morais de AZEVEDO2
e-mail: moraisaurelio.m@gmail.com
Daniel Medeiros NUNES3
e-mail: daniel.medeirosnunes@upe.br
Cintia CHAVES4
e-mail: cintiachavesvet@hotmail.com
Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA5
e-mail: thulio.nilson13@gmail.com
José de Castro Souza NETO JÚNIOR6
e-mail: netojrcastro@hotmail.com
Mariza Brandão PALMA7
e-mail: mariza.palma@ufrpe.br
Anísio Francisco SOARES8
e-mail: anisio.soares@ufrpe.br
Como referenciar este artigo:
RODRIGUES, N. E. R.; AZEVEDO, M. A. de M. de; NUNES, D.
M.; CHAVES, C.; PEREIRA, T. N. do N.; NETO JÚNIOR, J. de C.
S.; PALMA, M. B.; SOARES, A. F. Perspectivas de estudantes
acerca do ensino da ciência de animal de laboratório. Temas em
Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023008, 2023. e-ISSN:
2526-3471. DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17998
| Submetido em: 25/04/2023
| Revisões requeridas em: 28/07/2023
| Aprovado em: 11/09/2023
| Publicado em: 13/11/2023
Editores:
Profa. Dra. Luci Regina Muzzeti
Profa. Dra. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade de Pernambuco (UPE), Garanhuns PE Brasil. Docente do curso de Medicina e Ciências Biológicas.
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife PE Brasil. Discente do curso de medicina veterinária.
Universidade de Pernambuco (UPE), Garanhuns PE Brasil. Discente do curso de Medicina.
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife PE Brasil. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biociência Animal.
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife PE Brasil. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Biociência Animal.
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife PE Brasil. Responsável Técnico do Biotério do Departamento de Morfologia Fisiologia
Animal.
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife PE Brasil. Docente do Departamento de Morfologia Fisiologia Animal.
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife PE Brasil. Docente do Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal.
Perspectivas de estudantes acerca do ensino da ciência de animal de laboratório
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023008, 2023. e-ISSN: 2526-3471
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RESUMO: Durante o estudo das ciências biológicas, o convívio com o uso animal e a
experimentação é constante. Entretanto, muitas universidades carecem de disciplinas voltadas
a essa temática. Sendo assim, o objetivo da pesquisa foi avaliar indicadores que revelassem a
necessidade da implantação da disciplina “Bioterismo e Biossegurança” como componente
obrigatório da matriz curricular do Curso de Ciências Biológicas. Para isso, foram
entrevistados 192 estudantes entre os quatro anos de duração da graduação. De maneira geral,
a maioria expressou interesse pela temática de Bioética e Bem-estar animal. Ademais, foi
verificado que grande parte tinha deficiência em temáticas relacionadas com bioterismo e
senciência animal. Pôde-se perceber que a adição de uma disciplina capaz de abarcar os temas
da senciência, bioética e bem-estar animal desponta como uma iniciativa promissora para
capacitar e instigar a diminuição dos abusos cometidos com animais experimentais, além de
formar profissionais conscientes e formadores de opinião.
PALAVRAS-CHAVE: Biossegurança. Bioterismo. Educação. Ensino.
RESUMEN: Durante el estudio de las ciencias biológicas, la convivencia con el uso y la
experimentación animal es una constante. Sin embargo, muchas universidades carecen de
disciplinas enfocadas en este tema. Por lo tanto, el objetivo de la investigación fue evaluar
indicadores que revelaran la necesidad de implementar la disciplina Bioterismo y
Bioseguridad” como componente obligatorio de la matriz curricular de la Carrera de
Ciencias Biológicas. Para ello, se entrevistó a 192 estudiantes durante los cuatro años de
graduación. En general, la mayoría manifestó interés en el tema de Bioética y Bienestar
Animal. Además, se verificó que la mayoría presentaba deficiencia en temas relacionados con
el bioterismo y la sintiencia animal. Se pudo notar que la incorporación de una disciplina
capaz de abarcar los temas de sintiencia, bioética y bienestar animal surge como una
iniciativa promisoria para capacitar e instigar a la reducción de los abusos cometidos con
animales de experimentación, además de formar profesionales conscientes y formadores de
opinión.
PALABRAS CLAVE: Bioseguridad. Bioterismo. Educación. Enseñando.
ABSTRACT: Living with animal use and experimentation is constant during the study of
biological sciences. However, many universities lack disciplines focused on this theme.
Therefore, the research objective was to evaluate indicators that would reveal the need to
implement the discipline “Biotherism and Biosafety” as a mandatory component of the
curricular matrix of the Biological Sciences Course. For this, 192 students were interviewed
during the four years of graduation. In general, the majority expressed interest in the
Bioethics and Animal Welfare theme. In addition, it was verified that most of them had a
deficiency in articles related to biotherism and animal sentience. It could be noticed that
adding a discipline capable of covering the themes of sentience, bioethics, and animal welfare
emerges as a promising initiative to train and instigate the reduction of abuses committed
with experimental animals, in addition to training conscious professionals and trainers of
opinion.
KEYWORDS: Biosecurity. Biotherism. Education. Teaching.
Natalie Emanuelle Ribeiro RODRIGUES; Marcos Aurélio de Morais de AZEVEDO; Daniel Medeiros NUNES; Anísio Francisco SOARES;
Cintia CHAVES; Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA; José de Castro Souza NETO JÚNIOR e Mariza Brandão PALMA
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Introdução
A utilização de animais para a experimentação é uma prática antiga e comumente
utilizada nas ciências biológicas, apresentando resultados positivos e, consequentemente,
avanços na qualidade de vida humana, acabando assim por tornar-se essenciais no
desenvolvimento de tecnologias como medicamentos e vacinas (BASTOS; DA SILVA;
SOARES, 2021; PEREIRA et al., 2017). Para suprir a alocação desses animais surgiram
então os biotérios, que, de acordo com Polit et al. (2008, p. 18), são definidos como “[...]
áreas destinadas à criação e à manutenção de animais de laboratório em condições sanitárias,
dentro de padrões rigorosamente estabelecidos, respeitando as normas éticas e as leis de
manipulação e vivissecção”.
Por mais que, na maioria das vezes, as instalações físicas e os equipamentos
destinados aos animais não atendam os requisitos de segurança necessários no Brasil, a
exigência de padrões sanitários conhecidos vem estimulando a melhoria de instalações
brasileiras, com a adoção de barreiras sanitárias adequadas, garantindo a diminuição dos
riscos de contaminação e contribuindo ao bem-estar e saúde desses animais (GUILLEN,
2012). Sem dúvidas, a padronização e a manutenção de um biotério adequado são fatores
imprescindíveis para garantir a confiabilidade e o controle dos resultados obtidos em uma
experimentação (HUBRECH; CARTER, 2019).
Entretanto, a utilização de animais na elaboração de pesquisas e ensino encontra
problemas inerentes relacionados a questões de condutas em bioética, tendo em vista que
qualquer utilização de animais em pesquisa ou ensino, essencialmente, sempre resultará em
impactos no bem-estar desses. Seja pela alteração comportamental natural e de hábito desses
animais, pelo enclausuramento e alocação em ambientes padronizados, ou por questões de
manipulações e alterações genéticas (BRASIL, 2016).
A maneira como esses animais são utilizados tem sido fonte de grandes discussões em
diversos países, incluindo o Brasil. A fim de evitar que o uso desses animais seja
negligenciado, princípios éticos, códigos e legislações sobre o tema tem sido criados em
atividades que venham comprometer seu bem-estar. Atualmente, a Lei Federal 11.794/08, que
em seu capítulo II, artigo 4°, ao criar o Concea, Conselho Nacional de Controle de
Experimentação Animal, possibilita a regulamentação, assim como a aplicação de diretrizes
para a prática de utilização de animais pertencentes ao filo Chordata, subfilo Vertebrata
(BRASIL, 2008).
Perspectivas de estudantes acerca do ensino da ciência de animal de laboratório
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É também buscando minimizar tais danos que pesquisas vêm se debruçando na área,
visando a substituição do uso de animais por métodos alternativos. Atualmente, o
desenvolvimento de simuladores computadorizados, principalmente aqueles voltados ao
estudo de fisiologia e farmacologia, por exemplo, além de modelos e o uso de realidade
virtual com softwares 3D, vem se tornando uma realidade em instituições de ensino europeias
(PEREIRA et al., 2017). Entretanto, o alto custo da implementação desses materiais em
instituições de ensino brasileiras torna-se um impeditivo financeiro na adição dessas
ferramentas às matrizes curriculares brasileiras, que acabam por ter como único recurso a
utilização de animais.
Paralelamente às legislações de regulamentação do uso de animais em laboratórios,
são implantadas normas de biossegurança voltadas à prevenção, minimização ou eliminação
de riscos expostos à atividade de ensino e pesquisa. A biossegurança, por sua vez, apresenta-
se em um conjunto de ações que visam prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos
inerentes às atividades que comprometam a saúde humana, animal e vegetal (POLITI et al.,
2008).
A conscientização de grande parte dos pesquisadores e professores para a adoção de
alguns princípios considerados básicos e regras para a promoção de um ambiente de trabalho
seguro em biotérios. Na opinião dos profissionais da área de ciência de animais de
laboratório, o treinamento em biossegurança deveria ser um requisito para a prática nesses
espaços, preferencialmente de forma contínua, ao invés da capacitação única (STEELMAN;
ALEXANDER, 2016). A biossegurança, por esses meios, passa a ser considerada um
aprendizado cuja prática e capacitação devem ser sempre reforçadas.
Nesse âmbito, a inclusão de uma matriz curricular sobre os conteúdos da área de
ciência de animal de laboratório (biossegurança e bioterismo) para os cursos de ciências
agrárias, biológicas e da saúde, acabam por se tornarem capazes de oferecer aos estudantes
um conhecimento científico necessário na utilização de animais em aulas práticas, com o uso
de animais e projetos de pesquisa. Isso possibilita a diminuição dos riscos, de abusos e
controvérsias no que diz respeito ao uso de animais, sem prejudicar o avanço tecnocientífico,
pois ambas se preocupam com a qualidade de vida dos indivíduos que os manipulam, bem
como do bem-estar dos animais cobaias (SILVA; SANTORI; MIRANDA, 2016).
Dado o exposto, faz-se necessário o entendimento da percepção dos estudantes sobre a
inclusão da disciplina de Biossegurança e Bioterismo na matriz curricular. Estima-se por meio
disso, além de identificar as deficiências e conhecimentos prévios acerca da temática, como as
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impressões sobre a área da ciência de animal de laboratório e suas ramificações, a
oportunidade de encontrar caminhos para uma efetiva introdução da disciplina, de modo a
corresponder aos anseios e expectativas dos alunos.
Metodologia
A elaboração do trabalho é referente a uma pesquisa, de cunho qualitativo, acerca da
opinião sobre questões relacionadas à prática da experimentação animal, na pesquisa
científica, e a importância das disciplinas de Bioterismo e Biossegurança no curso de
Licenciatura e Bacharelado de Ciências Biológicas, ofertado pela Universidade Federal Rural
de Pernambuco.
De acordo com Demo (2000), a pesquisa teórica acarreta expressiva desenvoltura
argumentativa, mas dados e informações concretas advindas de trabalhos empíricos agregam
valor significativo às teorias e favorecem uma intervenção competente. Ademais, para
Lankshear e Knobel (2008), uma pesquisa bem estruturada e embasada pode apontar
tendências e padrões educacionais interessantes.
Nesse sentido, foi elaborado um questionário contendo 12 questões objetivas, nas
quais foi possível escolher dentre as três alternativas presentes: sim, não ou nunca pensou. As
questões buscaram identificar o conhecimento científico sobre o tema, a opinião do discente
sobre o uso de animais em pesquisas e aulas práticas e o interesse sobre a implementação da
referida disciplina na matriz curricular do curso.
Considerando o total de alunos matriculados no curso, foi definido um grupo
representativo para a amostra de estudantes distribuídos entre o primeiro (CB1), segundo
(CB2), terceiro (CB3) e quarto (CB4) ano, nos turnos matinal, vespertino e noturno, para a
aplicação do questionário. Os entrevistados foram previamente apresentados ao projeto, o
qual concordaram com a participação. Posteriormente, os dados computados foram analisados
e aplicados em testes estatísticos, quando necessário.
Perspectivas de estudantes acerca do ensino da ciência de animal de laboratório
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Tabela 1 Questionário aplicado aos alunos de Bacharelado e Licenciatura em Ciências
Biológicas
Item
Perguntas
1
Você tem algum conhecimento sobre bioética e biossegurança?
2
Você sabe o que é um biotério e sua importância nas áreas de ensino das ciências biológicas e da
saúde?
3
Você tem conhecimento dos níveis de senciência entre animais?
4
Você concorda com a utilização de animais em pesquisas científicas e aulas práticas em instituição de
ensino superior?
5
Você trabalha ou já trabalhou com pesquisas que utilizassem animais?
6
Em uma pesquisa você levaria em consideração o número de animais utilizados no projeto?
7
Em uma pesquisa você levaria em consideração o bem-estar dos animais?
8
Você acha correto o uso de animais em testes de produtos cosméticos?
9
Você assistiria a uma aula onde os animais fossem submetidos à dor e ao sofrimento?
10
Você já participou de aula prática onde foram utilizados animais?
11
Você acha que os animais poderiam ser substituídos por métodos alternativos em aulas práticas e
projetos de pesquisa?
12
O que acha da inclusão da disciplina de Bioterismo e Biossegurança nos cursos de Bacharelado e
Licenciatura em Ciências Biológicas em caráter obrigatório?
Fonte: Elaboração própria (2023)
Resultados e Discussões
O questionário foi respondido por 192 universitários, sendo estes divididos entre
(n= 42), 2º (n= 58), 3º (n=64) e 4º ano (n=28) do curso de Ciências Biológicas (Figura 1).
Figura 1 Número de entrevistados em cada cano de curso de Ciências Biológicas
Fonte: Elaboração própria (2023)
De acordo com as respostas obtidas entre os alunos do ano (CB1) do curso de
Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas, foi observado que apenas 30,9 % dos
estudantes afirmaram possuir um conhecimento prévio sobre o tema “bioética e
biossegurança”. No entanto, pôde ser observado um crescimento significativo no
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Cintia CHAVES; Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA; José de Castro Souza NETO JÚNIOR e Mariza Brandão PALMA
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conhecimento acadêmico sobre o tema com o avançar do segundo, terceiro e quarto ano de
graduação (77,5%, 93,7% e 100%, respectivamente), conforme Figura 2. Cabe ressaltar que,
por mais que se constate um desenvolvimento natural do conhecimento no decorrer da
graduação, é prudente reafirmar a importância de uma capacitação à medida que essa encoraja
uma diminuição do falso senso de invulnerabilidade que surge com a prática corriqueira.
Figura 2 Evolução do conhecimento dos alunos de Bacharelado e Licenciatura em Ciências
Biológicas sobre a bioética e a biossegurança de acordo com os anos de vivência nos cursos
Fonte: Elaboração própria (2023)
Em um estudo desenvolvido por Pinto e Paixão (2018), foram analisados 350 projetos
pedagógicos de curso (PPC) de 261 Instituições de Ensino Superior públicas que possuíam o
curso de Ciências Biológicas nos graus acadêmicos de bacharelado, licenciatura plena ou
ambos. Foi observado que 69% dos PPC não possuíam a disciplina de Bioética na matriz
curricular dos projetos e nenhuma disciplina intitulada de Ética Animal ou Ética Ambiental
foi encontrada nas grades curriculares analisadas na pesquisa em questão.
Apesar disso, Lima et al. (2021) verificaram que 78% dos discentes que iniciaram o
curso de medicina veterinária afirmaram ter muito interesse em questões de ética e bem-estar
na relação com os animais e que a grande maioria (92,9%) acredita que a disciplina de ética e
bem-estar animal deveria ser obrigatória nas matrizes curriculares. O mesmo pôde ser
averiguado em pesquisa com docentes universitários da área biomédica, os quais concordaram
que é importante e necessário o tema bioética ser abordado de maneira transversal nas
disciplinas de graduação que fazem uso de animais em aulas práticas (MELGAÇO;
MEIRELLES; CASTRO, 2011).
Perspectivas de estudantes acerca do ensino da ciência de animal de laboratório
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Segundo dados colhidos no presente estudo, os estudantes apresentaram uma
sensibilidade à dor e ao sofrimento animal, que constitui um sentimento fundamental para o
desenvolvimento de uma percepção sobre a ética animal, prezando pelo seu bem-estar. Um
percentual significativo de discentes demonstrou percepção quanto ao bem-estar, ao número
de animais utilizados e a não utilização para fins cosméticos (98,9 %, 92,7% e 96,3%,
respectivamente). Nesses valores, é possível observar que uma sensibilização da temática
ética animal, em que os alunos passam a se preocupar com uma quantidade abusiva de animais
utilizados sem necessidade, além da dor e sofrimento que podem lhes ser causados, levando
em conta o bem-estar deles.
Tendo em vista a proximidade de tais questões com a teoria dos três “Rs” proposta por
Russel e Burch, onde os animais devem ser utilizados somente em situações extremamente
necessárias, cabe aos cientistas sempre buscar alternativas, não apenas no desenvolvimento de
seus experimentos, mas também no ensino (PEREIRA et al., 2017).
Em contrapartida, poucos alunos ao decorrer dos quatro anos de curso responderam ter
conhecimento sobre os níveis de senciência animal, uma vez que apenas 7,1 % (CB1), 17,2%
(CB2), 25% (CB3) e 28,5% (CB4) demonstraram ter conhecimento amplo sobre a temática
(Figura 3). Como exposto, é alarmante que apenas 19,8% dos entrevistados apontem conhecer
os níveis de consciência. Essa defasagem pode ser justificada pelo fato de que a “senciência”,
como estudo, ainda encontra ceticismo em alguns setores do ambiente científico.
Ao se considerar a vida emocional dos animais, alguns são bastantes críticos, alegando
que se fazem necessárias provas científicas irrefutáveis, por outro lado, felizmente, vários
cientistas vêm se debruçando sobre a questão da senciência animal e alegam que raramente
temos um conhecimento completo das questões envolvidas em qualquer assunto. Por isso,
nada impede de fazermos predições corretas acerca da senciência animal (GREEK; GREEK,
2010).
Natalie Emanuelle Ribeiro RODRIGUES; Marcos Aurélio de Morais de AZEVEDO; Daniel Medeiros NUNES; Anísio Francisco SOARES;
Cintia CHAVES; Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA; José de Castro Souza NETO JÚNIOR e Mariza Brandão PALMA
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Figura 3 Posicionamento dos alunos no segundo ano de Ciências Biológicas a respeito da
utilização de animais em aulas práticas
Fonte: Elaboração própria (2023)
A respeito da participação na utilização de animais em atividades práticas, 56,2% dos
discentes do curso afirmaram terem utilizado animais nessas aulas. Tal fato demanda
atenção, considerando a pouca experiência desses alunos no manejo e cuidado necessário
nessas atividades, além de questionamentos na comunidade científica quanto à validade do
uso de animais em atividades práticas de ensino (SILVA; SANTORI; MIRANDA, 2016).
De acordo com os dados obtidos, cerca de 52,3 % dos alunos do primeiro ano do curso
se posicionaram a favor do uso de animais em pesquisas e em aulas práticas e, por mais que
estivessem ainda no primeiro ano, 19% afirmaram ter trabalhado com pesquisas animais,
enquanto 30,9% já haviam participado de aulas práticas que utilizam animais como cobaias.
No segundo ano, cerca de 53,4% já haviam participado de atividades em que houve a
utilização de cobaias, no terceiro e quarto ano, 56,2% e 100%, respectivamente, haviam
participado de aulas práticas com animais. Apesar disso, no que concerne à substituição de
animais por métodos alternativos, 69% dos alunos do primeiro ano se posicionaram a favor.
Nos anos subsequentes, também pôde ser observado um número significativo de discentes
que apoiam os métodos substitutivos, como verificado em 56,8% dos alunos do segundo ano,
87,9% do terceiro e 67,8% do quarto ano.
De maneira geral, pode-se considerar que uma grande parcela dos discentes
posicionou-se a favor da substituição de animais por métodos alternativos no ensino (73,4%),
contrastando com cerca de 25% que discordaram que métodos alternativos poderiam ser
aplicados com a finalidade de substituir os números de cobaias utilizados nas universidades.
1º Utilização de animais em
aulas práticas
2º Substituição de animais em
aulas práticas
3º Conhecimento sobre Bioética
e Biossegurança
4º Conhecimento acerca do
biotério e sua importância
5º Conhecimento sobre os níveis
de senciência animal
6º Posicionamento dos alunos
quanto a inclusão da disciplina
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Resultados semelhantes foram obtidos em diversos estudos, como no desenvolvido
por Lima et al. (2021), com discentes do curso de Medicina Veterinária, dos quais 72,3%
afirmaram que alternativas deveriam ser sempre utilizadas na medida do possível e no
trabalho de Tréz e Nakada (2008), o qual observou, através de relatos, que grande parte dos
estudantes de biologia consideravam que animais o deveriam ser usados se existissem
alternativas substitutivas.
Apesar de certas áreas terem difícil substituição do uso de modelos animais, a
tendência é que, com o avançar de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias, novos
modelos substitutos venham a ser encontrados de maneira a possibilitar oportunidades
impressionantes para promover os Três Rs. (HUBRECHT; CARTER, 2019). Contudo, faz-se
necessário saber que a aplicação desses métodos tem um custo inicial bastante significativo,
porém a longo prazo torna-se viável, tendo em vista que, uma vez implementados, podem ser
reutilizados inúmeras vezes.
Sobre o conhecimento acerca do que viria a ser um biotério, um baixo número de
estudantes sabia sobre o tema em questão nos anos iniciais do curso, como verificado nos
21,4% dos entrevistados no primeiro ano e 18,9% no segundo ano. No entanto, foi perceptível
a tendência crescente na aquisição do conhecimento, chegando a 50% no terceiro ano e 100%
no quarto ano.
Apesar disso, analisando de maneira geral, apenas 56,5% dos discentes entrevistados
sabiam o que era um biotério e sua importância para os cursos da área da Saúde, fazendo-se
notar uma deficiência às informações tanto administrativas quanto operacionais, observadas
nas questões que dizem respeito ao biotério e suas funções no âmbito da universidade desde
os períodos iniciais do curso.
Ainda, a falta de conhecimento desses espaços e suas rotinas podem possibilitar risco
de comprometimento da padronização e manutenção desses espaços de modo adequado, o que
é imprescindível para a garantia da confiabilidade e controle dos resultados obtidos em uma
experimentação (POLITI et al., 2008).
Boa parte dos discentes (71,8%) respondeu ser a favor da integração de uma disciplina
voltada para o estudo da bioética e do bem-estar animal, necessidade não suprida durante a
formação do profissional, uma vez que o Bioterismo, assim como a Biossegurança, são áreas
em grande expansão e colaboram diretamente para o desenvolvimento correto e seguro de
pesquisas científicas e tecnológicas. Desses, 61,9% encontravam-se no primeiro ano, 67,2%
no segundo, 81,25% no terceiro e 60,7% no quarto ano do curso de Ciências Biológicas.
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Um fato que chama atenção é que uma quantidade considerável dos discentes que se
encontravam no final do curso exibiram posicionamento contrário à implantação. Todavia, em
entrevista realizada por Bastos, Da Silva e Soares (2021), quando indagados sobre a
capacidade da disciplina de Bioterismo e Biossegurança aumentar o interesse sobre a matéria,
apenas 18,8% dos entrevistados do curso de ciências biológicas afirmaram negativamente a
assertiva ao fim da disciplina.
Desse modo, ainda que o constante contato, em projetos de pesquisa, por exemplo,
possivelmente tem causado um senso de conhecimento da área em alunos no quarto ano de
curso, a implementação da disciplina ainda se faz pertinente por despertar o interesse de
discentes sobre a temática da ciência de animais de laboratório.
Considerações finais
O convívio com o uso animal durante o processo de formação profissional é constante,
tendo que a pesquisa realizada com os estudantes de biológicas elucida como a temática da
ciência de animais de laboratório, bioética e bem-estar é exposta durante o período de
graduação. É perceptível, desse modo, como a familiarização com a temática é gradual,
mesmo essa sendo de grande importância no meio acadêmico e, consequentemente, no
desenvolvimento profissional, tendo em vista o uso de animais na experimentação e no ensino
ser uma necessidade apenas parcialmente sanada pelos métodos alternativos atuais. Por esse
motivo que se faz obrigatória a introdução de cursos sobre o ensino de bioética e
biossegurança visando a minimização de danos causados a esses animais em tais práticas.
É nesse âmbito que a adição de uma disciplina capaz de abarcar os temas bioética e
bem-estar teria a responsabilidade de capacitar e instigar esses alunos a buscarem diminuir os
abusos cometidos com animais experimentais, sem prejudicar os avanços tecnocientíficos.
A implantação da disciplina no primeiro ano do curso esclarecerá os conflitos morais
inerentes ao uso de animais em pesquisa e docência com uma teoria fundamentada nos
conceitos que envolvem a bioética, formando assim profissionais conscientes e formadores de
opinião.
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REFERÊNCIAS
BASTOS, I. V. G. A.; DA SILVA, T. B. L.; SOARES, A. F. Percepção dos estudantes do
curso de ciências biológicas de uma universidade pública quanto à importância da disciplina
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Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023008, 2023. e-ISSN: 1519-9029
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: A todos que se empenharam na realização deste trabalho.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Respeitou a regras, tendo em vista os questionários terem sido
aplicados aos alunos matriculados na disciplina, alvo da pesquisa.
Disponibilidade de dados e material: Em posse dos autores.
Contribuições dos autores: Todos os signatários contribuíram igualmente no
desenvolvimento do trabalho e na construção desta obra.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023008, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17998 1
PERSPECTIVES OF STUDENTS ON TEACHING LABORATORY ANIMAL SCIENCE
PERSPECTIVAS DE ESTUDANTES ACERCA DO ENSINO DA CIÊNCIA DE ANIMAL DE
LABORATÓRIO
PERSPECTIVAS DE LOS ESTUDIANTES SOBRE LA ENSEÑANZA DE LA CIENCIA DE LOS
ANIMALES DE LABORATORIO
Natalie Emanuelle Ribeiro RODRIGUES1
e-mail: natalie.rodrigues@upe.br
Marcos Aurélio de Morais de AZEVEDO2
e-mail: moraisaurelio.m@gmail.com
Daniel Medeiros NUNES3
e-mail: daniel.medeirosnunes@upe.br
Cintia CHAVES4
e-mail: cintiachavesvet@hotmail.com
Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA5
e-mail: thulio.nilson13@gmail.com
José de Castro Souza NETO JÚNIOR6
e-mail: netojrcastro@hotmail.com
Mariza Brandão PALMA7
e-mail: mariza.palma@ufrpe.br
Anísio Francisco SOARES8
e-mail: anisio.soares@ufrpe.br
How to reference this paper:
RODRIGUES, N. E. R.; AZEVEDO, M. A. de M. de; NUNES, D.
M.; CHAVES, C.; PEREIRA, T. N. do N.; NETO JÚNIOR, J. de C.
S.; PALMA, M. B.; SOARES, A. F. Perspectives of students on
teaching laboratory animal science. Temas em Educ. e Saúde,
Araraquara, v. 19, n. 00, e023008, 2023. e-ISSN: 2526-3471. DOI:
https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17998
| Submitted: 25/04/2023
| Revisions required: 28/07/2023
| Approved: 11/09/2023
| Published: 13/11/2023
Editors:
Prof. Dr. Luci Regina Muzzeti
Prof. Dr. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
University of Pernambuco (UPE), Garanhuns - PE - Brazil. Professor at Medical School and of Biological Sciences.
Rural Federal University of Pernambuco (UFRPE), Recife - PE - Brazil. Veterinary Medicine student.
University of Pernambuco (UPE), Garanhuns - PE - Brazil. Medical student.
Rural Federal University of Pernambuco (UFRPE), Recife - PE - Brazil. PhD student in the Postgraduate Program in Animal Bioscience.
Rural Federal University of Pernambuco (UFRPE), Recife - PE - Brazil. PhD student in the Postgraduate Program in Animal Bioscience.
Rural Federal University of Pernambuco (UFRPE), Recife - PE - Brazil. Technical Manager of the Animal Morphology and Physiology Department's
Vivarium.
Rural Federal University of Pernambuco (UFRPE), Recife - PE - Brazil. Professor in the Department of Morphology and Animal Physiology.
Rural Federal University of Pernambuco (UFRPE), Recife - PE - Brazil. Professor in the Department of Animal Morphology and Physiology.
Perspectives of students on teaching laboratory animal science
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023008, 2023. e-ISSN: 2526-3471
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ABSTRACT: Living with animal use and experimentation is constant during the study of
biological sciences. However, many universities lack disciplines focused on this theme.
Therefore, the research objective was to evaluate indicators that would reveal the need to
implement the discipline “Biotherism and Biosafety” as a mandatory component of the
curricular matrix of the Biological Sciences Course. For this, 192 students were interviewed
during the four years of graduation. In general, the majority expressed interest in the Bioethics
and Animal Welfare theme. In addition, it was verified that most of them had a deficiency in
articles related to biotherism and animal sentience. It could be noticed that adding a discipline
capable of covering the themes of sentience, bioethics, and animal welfare emerges as a
promising initiative to train and instigate the reduction of abuses committed with
experimental animals, in addition to training conscious professionals and trainers of opinion.
KEYWORDS: Biosecurity. Biotherism. Education. Teaching.
RESUMO: Durante o estudo das ciências biológicas, o convívio com o uso animal e a
experimentação é constante. Entretanto, muitas universidades carecem de disciplinas
voltadas a essa temática. Sendo assim, o objetivo da pesquisa foi avaliar indicadores que
revelassem a necessidade da implantação da disciplina “Bioterismo e Biossegurança” como
componente obrigatório da matriz curricular do Curso de Ciências Biológicas. Para isso,
foram entrevistados 192 estudantes entre os quatro anos de duração da graduação. De
maneira geral, a maioria expressou interesse pela temática de Bioética e Bem-estar animal.
Ademais, foi verificado que grande parte tinha deficiência em temáticas relacionadas com
bioterismo e senciência animal. Pôde-se perceber que a adição de uma disciplina capaz de
abarcar os temas da senciência, bioética e bem-estar animal desponta como uma iniciativa
promissora para capacitar e instigar a diminuição dos abusos cometidos com animais
experimentais, além de formar profissionais conscientes e formadores de opinião.
PALAVRAS-CHAVE: Biossegurança. Bioterismo. Educação. Ensino.
RESUMEN: Durante el estudio de las ciencias biológicas, la convivencia con el uso y la
experimentación animal es una constante. Sin embargo, muchas universidades carecen de
disciplinas enfocadas en este tema. Por lo tanto, el objetivo de la investigación fue evaluar
indicadores que revelaran la necesidad de implementar la disciplina “Bioterismo y
Bioseguridad” como componente obligatorio de la matriz curricular de la Carrera de
Ciencias Biológicas. Para ello, se entrevistó a 192 estudiantes durante los cuatro años de
graduación. En general, la mayoría manifestó interés en el tema de Bioética y Bienestar
Animal. Además, se verificó que la mayoría presentaba deficiencia en temas relacionados con
el bioterismo y la sintiencia animal. Se pudo notar que la incorporación de una disciplina
capaz de abarcar los temas de sintiencia, bioética y bienestar animal surge como una
iniciativa promisoria para capacitar e instigar a la reducción de los abusos cometidos con
animales de experimentación, además de formar profesionales conscientes y formadores de
opinión.
PALABRAS CLAVE: Bioseguridad. Bioterismo. Educación. Enseñando
Natalie Emanuelle Ribeiro RODRIGUES; Marcos Aurélio de Morais de AZEVEDO; Daniel Medeiros NUNES; Anísio Francisco SOARES;
Cintia CHAVES; Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA; José de Castro Souza NETO JÚNIOR and Mariza Brandão PALMA
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Introduction
The use of animals for experimentation is an ancient and commonly used practice in
biological sciences, presenting positive results and, consequently, advances in the quality of
human life, thus ending up becoming essential in the development of technologies such as
medicines and vaccines (BASTOS; DA SILVA; SOARES, 2021; PEREIRA et al., 2017).
To supply the allocation of these animals, vivariums emerged, which, according to
Polit et al. (2008, p. 18, our translation), are defined as “[...] areas intended for the creation
and maintenance of laboratory animals in sanitary conditions, within strictly established
standards, respecting ethical standards and the laws of manipulation and vivisection”.
Even though, in most cases, physical facilities and equipment intended for animals do
not meet the necessary safety requirements in Brazil, the requirement for known sanitary
standards has been stimulating the improvement of Brazilian facilities, with the adoption of
appropriate sanitary barriers, ensuring the reduction of contamination risks and contributing to
the well-being and health of these animals (GUILLEN, 2012). Without a doubt, the
standardization and maintenance of an adequate vivarium are essential factors to guarantee
the reliability and control of the results obtained in an experiment (HUBRECH; CARTER,
2019).
However, the use of animals in research and teaching encounters inherent problems
related to issues of conduct in bioethics, considering that any use of animals in research or
teaching, essentially, will always result in impacts on their well-being. Whether due to the
natural behavioral and habit changes of these animals, enclosure, and placement in
standardized environments or due to manipulations and genetic alterations (BRASIL, 2016).
The way these animals are used has been the source of great discussion in several
countries, including Brazil. To prevent the use of these animals from being neglected, ethical
principles, codes, and legislation on the subject have been created in activities that may
compromise their well-being. Currently, Federal Law 11,794/08, which in its chapter II,
article 4, when creating Concea, the National Council for the Control of Animal
Experimentation, enables regulation, as well as the application of guidelines for the practice
of using animals belonging to the phylum Chordata, subphylum Vertebrata (BRASIL, 2008).
It is also seeking to minimize such damage that research has been focusing on the area,
aiming to replace the use of animals with alternative methods. Currently, the development of
computerized simulators, especially those aimed at studying physiology and pharmacology,
for example, in addition to models and virtual reality with 3D software, is becoming a reality
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in European educational institutions (PEREIRA et al., 2017). However, the high cost of
implementing these materials in Brazilian educational institutions becomes a financial
impediment to adding these tools to Brazilian curricular matrices, which end up using animals
as their only resource.
In parallel, legislation regulating the use of animals in laboratories has implemented
biosafety standards aimed at preventing, minimizing, or eliminating risks exposed to teaching
and research activities. Biosafety, in turn, presents itself as a set of actions that aim to prevent,
control, reduce, or eliminate risks inherent to activities that compromise human, animal, and
plant health (POLITI et al., 2008).
The awareness of most researchers and teachers regarding the adoption of some
principles considered basic and rules for promoting a safe work environment in vivariums. In
the opinion of professionals in the field of laboratory animal science, biosafety training should
be a requirement for practice in these spaces, preferably on an ongoing basis rather than as a
one-off training (STEELMAN; ALEXANDER, 2016). Biosafety, through these means, is
now considered a learning experience whose practice and training must constantly be
reinforced.
In this context, the inclusion of a curricular matrix on the contents of the area of
laboratory animal science (biosafety and biotherism) for agricultural, biological, and health
sciences courses ends up being able to offer students the necessary scientific knowledge in the
use of animals in practical classes, with the use of animals and research projects.
This makes it possible to reduce risks, abuses, and controversy regarding the use of
animals without harming techno-scientific advancement, as both are concerned with the
quality of life of the individuals who handle them, as well as the well-being of the guinea pig
animals. (SILVA; SANTORI; MIRANDA, 2016).
Given the above, it is necessary to understand students’ perceptions regarding
including the Biosafety and Biotherism discipline in the curriculum. It is estimated through
this, in addition to identifying deficiencies and previous knowledge on the subject, such as
impressions about the area of laboratory animal science and its ramifications, the opportunity
to find ways for a practical introduction of the discipline to meet students’ desires and
expectations.
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Cintia CHAVES; Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA; José de Castro Souza NETO JÚNIOR and Mariza Brandão PALMA
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Methodology
The preparation of the work refers to the research of a qualitative nature, about the
opinion on issues related to the practice of animal experimentation in scientific research and
the importance of the disciplines of Biotherism and Biosafety in the Major's and Bachelor's
Degree Biological Sciences course, offered by the Rural Federal University of Pernambuco.
According to Demo (2000), theoretical research results in significant argumentative
resourcefulness, but data and concrete information from empirical work add significant value
to theories and favor competent intervention. Furthermore, for Lankshear and Knobel (2008),
well-structured and grounded research can point out interesting educational trends and
patterns.
In this sense, a questionnaire was prepared containing 12 objective questions, in which
it was possible to choose between the three alternatives present: yes, no, or never thought. The
questions sought to identify scientific knowledge on the topic, the student's opinion on using
animals in research and practical classes, and the interest in implementing said discipline in
the course's curricular matrix.
Considering the total number of students enrolled in the course, a representative group
was defined for the sample of students distributed between the first (CB1), second (CB2),
third (CB3), and fourth (CB4) year, in the morning, afternoon, and night shifts for the
application of the questionnaire. The interviewees were previously introduced to the project
and agreed to participate. Subsequently, the computed data were analyzed and applied to
statistical tests when necessary.
Table 1 Questionnaire applied to Bachelor and Major students in Biological Sciences
Item
Questions
1
Do you have any knowledge about bioethics and biosafety?
2
Do you know what a vivarium is and its importance in the areas of teaching biological sciences and
health?
3
Are you aware of the levels of sentience among animals?
4
Do you agree with the use of animals in scientific research and practical classes in higher education
institutions?
5
Do you work or have you worked with research that uses animals?
6
In a survey, would you consider the number of animals used in the project?
7
In a survey, would you consider the welfare of animals?
8
Do you think it is correct to use animals in testing cosmetic products?
9
Would you attend a class where animals were subjected to pain and suffering?
10
Have you ever participated in a practical class where animals were used?
11
Could animals be replaced by alternative methods in practical classes and research projects?
12
What do you think about including Biotherism and Biosafety in the Bachelor and Major courses in
Biological Sciences on a mandatory basis?
Source: Own authorship (2023)
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Results and Discussions
The questionnaire was answered by 192 university students, divided between 1st (n=
42), 2nd (n= 58), 3rd (n=64), and 4th year (n=28) of the Biological Sciences course (Figure
1).
Figure 1 Number of respondents in each Biological Sciences course stream
Source: Own authorship (2023)
According to the responses obtained among 1st-year students (CB1) of the Major’s
and Bachelor’s Degree in Biological Sciences, it was observed that only 30.9% of students
stated that they had prior knowledge on the topic “bioethics and biosafety”. However, a
significant growth in academic expertise could be observed as the second, third, and fourth
year of graduation progressed (77.5%, 93.7%, and 100%, respectively), as shown in Figure 2.
It is worth highlighting that, even though there is a natural development of knowledge during
graduation, it is prudent to reaffirm the importance of training as it encourages a reduction in
the false sense of invulnerability that arises with everyday practice.
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Cintia CHAVES; Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA; José de Castro Souza NETO JÚNIOR and Mariza Brandão PALMA
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Figure 2 Evolution of knowledge of Bachelor and Major students in Biological Sciences
about bioethics and biosafety according to years of experience in the courses
Source: Own authorship (2023)
In a study developed by Pinto and Paixão (2018), 350 pedagogical course projects
(PCP) from 261 public Higher Education Institutions with a Biological Sciences course in
academic degrees of bachelor’s degree, full degree, or both were analyzed. It was observed
that 69% of the PCP did not have the Bioethics discipline in the projects’ curriculum matrix,
and no discipline entitled Animal Ethics or Environmental Ethics was found in the curriculum
analyzed in the research in question.
Despite this, Lima et al. (2021) found that 78% of students who started the veterinary
medicine course stated that they were very interested in issues of ethics and well-being in their
relationships with animals and that the vast majority (92.9%) believed that the discipline of
ethics and animal welfare should be mandatory in the curriculum. The same could be verified
in research with university professors in the biomedical field, who agreed that it is essential
and necessary for the topic of bioethics to be addressed in a transversal way in undergraduate
courses that use animals in practical classes (MELGAÇO; MEIRELLES; CASTRO, 2011).
According to data collected in the present study, the students showed a sensitivity to
animal pain and suffering, constituting a fundamental feeling for developing a perception of
animal ethics valuing their well-being. A significant percentage of students demonstrated
awareness regarding well-being, the number of animals used, and the non-use for cosmetic
purposes (98.9%, 92.7%, and 96.3%, respectively). In these values, it is possible to observe an
awareness of animal ethics, in which students begin to worry about an abusive number of
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animals used unnecessarily, in addition to the pain and suffering that can be caused to them,
considering their well-being.
Given the proximity of such issues to the theory of the three “Rs” proposed by Russel
and Burch, where animals should only be used in essential situations, it is up to scientists to
always look for alternatives, not only in the development of their experiments but also in
teaching (PEREIRA et al., 2017).
However, few students throughout the four years of the course responded that they
knew the levels of animal sentience, since only 7.1% (CB1), 17.2% (CB2), 25% (CB3), and
28, 5% (CB4) demonstrated that they had extensive knowledge on the topic (Figure 3). As
stated, it is alarming that only 19.8% of those interviewed indicate that they know the levels of
consciousness. This lag can be justified by the fact that “sentience”, as a study, still encounters
skepticism in some sectors of the scientific environment.
When considering the emotional life of animals, some are very critical, claiming that
irrefutable scientific proof is necessary. On the other hand, fortunately, several scientists have
been looking into the issue of animal sentience and claim that we rarely have complete
knowledge of the problems. Involved in any matter. Therefore, nothing prevents us from
making correct predictions about animal sentience (GREEK; GREEK, 2010).
Figure 3 Positioning of students in the second year of Biological Sciences regarding the use
of animals in practical classes
Source: Own authorship (2023)
Regarding participation in using animals in practical activities, 56.2% of the course
students stated that they had already used animals in these classes. This fact demands
attention, considering the little experience of these students in the management and care
1º Use of animals in practical
classes
2º Replacing animals in
practical classes
Knowledge of Bioethics and
Biosafety
4º Knowledge about the
vivarium and its importance
5º Conhecimento sobre os níveis
de senciência animal
6º Posicionamento dos alunos
quanto a inclusão da disciplina
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Cintia CHAVES; Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA; José de Castro Souza NETO JÚNIOR and Mariza Brandão PALMA
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required in these activities, in addition to questions in the scientific community regarding the
validity of using animals in practical teaching activities (SILVA; SANTORI; MIRANDA,
2016).
According to the data obtained, around 52.3% of students in the first year of the course
were in favor of the use of animals in research and practical classes, and even though they
were still in the first year, 19% said they had already worked with animal research, while
30.9% had already participated in practical classes that use animals as guinea pigs.
In the second year, around 53.4% had already participated in activities that used
guinea pigs, in the third and fourth years, 56.2% and 100%, respectively, had already attended
in practical classes with animals. Despite this, when it comes to replacing animals with
alternative methods, 69% of first-year students were in favor. In subsequent years, a
significant number of students supported substitutive methods could also be observed, as seen
in 56.8% of second-year students, 87.9% of third-year students, and 67.8% of fourth-year
students.
In general, a large portion of students favored replacing animals with alternative
teaching methods (73.4%), contrasting with around 25% who disagreed that alternative
methods could be applied to replace the number of test subjects used in universities.
Similar results were obtained in several studies, such as the one developed by Lima et
al. (2021), with students from the Veterinary Medicine course, of which 72.3% stated that
alternatives should always be used as far as possible and in the work of Tréz and Nakada
(2008), who observed, through reports, that a large some biology students considered that
animals should not be used if there were substitute alternatives.
Although certain areas find it difficult to replace the use of animal models, the
tendency is that, as research and technology development advances, new replacement models
will be found to provide impressive opportunities to promote the Three Rs. (HUBRECHT;
CARTER, 2019). However, it is necessary to know that applying these methods has a very
high initial cost, but in the long term, it becomes viable, considering that, once implemented,
they can be reused countless times.
Regarding knowledge about what would become a vivarium, a few students knew
about the topic in question in the initial years of the course, as seen in 21.4% of those
interviewed in the first year and 18.9% in the second year. However, an increasing trend in
knowledge acquisition was noticeable, reaching 50% in the third year and 100% in the fourth
year.
Perspectives of students on teaching laboratory animal science
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Despite this, analyzing in general, only 56.5% of the students interviewed knew what a
vivarium was and its importance for courses in the health area, highlighting a deficiency in
both administrative and operational information observed in the questions that they concern
the vivarium and its functions within the university since the initial periods of the course.
Furthermore, the lack of knowledge about these spaces and their routines can
compromise the standardization and maintenance of these spaces appropriately, which is
essential to guarantee the reliability and control of the results obtained in an experiment
(POLITI et al., 2008).
A good part of the students (71.8%) responded that they were in favor of the
integration of a discipline focused on the study of bioethics and animal welfare, a need not
met during professional training since Biotherism, as well as Biosafety, are areas that are
undergoing great expansion and directly contribute to the correct and safe development of
scientific and technological research. Of these, 61.9% were in the first year, 67.2% in the
second, 81.25% in the third, and 60.7% in the fourth year of the Biological Sciences course.
A fact that draws attention is that a considerable number of students at the end of the
course exhibited a position contrary to the implementation. However, in an interview
conducted by Bastos, Da Silva, and Soares (2021), when asked about the ability of the
Biotherism and Biosafety discipline to increase interest in the subject, only 18.8% of
respondents from the biological sciences course stated the statement negatively at the end of
the discipline.
Thus, even though the constant contact in research projects, for example, has possibly
caused a sense of knowledge of the area in students in the fourth year of the course, the
implementation of the discipline is still relevant as it arouses the interest of students in the
laboratory animal science theme.
Final considerations
The experience with animal use during the professional training process is constant,
with research conducted with biological students elucidating how the subject of laboratory
animal science, bioethics, and well-being is exposed during the undergraduate period. It is
noticeable, therefore, how familiarization with the subject is gradual, even though it is of great
importance in the academic world and, consequently, in professional development, given that
the use of animals in experimentation and teaching is a need that is only partially resolved by
Natalie Emanuelle Ribeiro RODRIGUES; Marcos Aurélio de Morais de AZEVEDO; Daniel Medeiros NUNES; Anísio Francisco SOARES;
Cintia CHAVES; Thúlio Nilson do Nascimento PEREIRA; José de Castro Souza NETO JÚNIOR and Mariza Brandão PALMA
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023008, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.17998 11
current alternative methods. For this reason, it is mandatory to introduce courses on teaching
bioethics and biosafety to minimize damage caused to these animals in such practices.
In this context, the addition of a discipline capable of covering the themes of bioethics
and well-being would have the responsibility of training and encouraging these students to
seek to reduce abuse committed with experimental animals without harming techno-scientific
advances.
Implementing the discipline in the first year of the course will clarify the moral
conflicts inherent to the use of animals in research and teaching with a theory based on
bioethics concepts, thus training conscious professionals and opinion-makers.
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: To everyone who committed to carrying out this work.
Funding: Not applicable.
Ethical approval: There are no conflicts of interest.
Aprovação ética: Respected the rules, given that the questionnaires were administered to
students enrolled in the subject, the target of the research.
Data and material availability: In possession of the authors.
Authors' contributions: All signatories contributed equally to the development of the
work and the construction of this work.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.