Damiana Ramos BOMFIM; Maria Lúcia Oliveira Suzigan DRAGONE e Dirce Charara MONTEIRO
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100 3
Introdução
Com a Pandemia do Coronavírus, aconteceram mudanças na rotina da vida de todo
cidadão e, principalmente, dos educandos. O ser humano não estava preparado para esse
momento atípico que provocou a necessidade de uma mudança em sua rotina, pois a pandemia
desestruturou muitos lares, profissões e, principalmente, o ambiente escolar. A escola exerce
um papel fundamental na vida de um indivíduo, pois oferece a possibilidade de torná-lo mais
solidário e mais humano (HONORO; FRIZANCO, 2008).
Considerando que a aquisição da linguagem é um processo evolutivo no qual as crianças
constroem hipóteses e fazem reorganização discursiva, a responsabilidade da escola é marcante,
indicando que aqueles que atuam neste espaço precisam realizar ações que favoreçam o
desenvolvimento da linguagem da criança de forma ampla (LACERDA, 2015, p. 7).
Nesse contexto, destaca-se que a escola é o meio principal de interação no
desenvolvimento de uma criança e a língua é a chave para o convívio da comunidade escolar.
Portanto, foi importante manter-se consciente da necessidade de redobrar os esforços para
atingir a ativa participação da criança no ensino e na sociedade, principalmente a participação
da criança surda. Por essa razão, foi primordial uma análise da situação em que se encontravam
os alunos que têm como meio de comunicação a articulação da mão, a expressão corporal e
facial, o olhar empático, prejudicados pela obrigatoriedade do uso de máscara como proteção
pessoal e evitando a propagação do vírus. No entanto, esse cuidado dificultou o meio de
expressão dos surdos, uma vez que a expressão facial faz parte da gramática da língua de sinais,
provocando um isolamento expressivo da comunidade surda.
Diante do exposto, a escola não poderia silenciar-se, pois os Surdos, mesmo com todos
os obstáculos vividos na história das lutas pelos seus direitos, nunca ficaram “calados”,
expunham-se perante a família e perante a sociedade. Quadros (2017) relatou que, mesmo com
a proibição do uso da língua de herança dentro do ambiente escolar, no percurso de sua luta
histórica educacional, os surdos resistiram, marcavam encontros, se reuniam e socializavam
através da Libras, não impedindo a interação a partir dela.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei n.º 13.146/2015 (BRASIL,
2015), prevê em seu Art. 28, Inciso II “aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a
garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de
serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão
plena.” Para os surdos, prevê-se a comunicação pela Língua de Sinais – Libras, favorecendo a
escolarização e a construção da cidadania e inclusão social desses alunos. A Língua de Sinais,