EDI
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100 1
PROJETO DE INCENTIVO AO PROTAGONISMO DO ALUNO SURDO
PROYECTO PARA FOMENTAR EL DESARROLLO DEL PROTAGONISMO DEL
ESTUDIANTE SORDO
PROJECT TO STIMULATE THE DEAF STUDENT'S PROTAGONISM
Damiana Ramos BOMFIM1
e-mail: dimiinirb@gmail.com
Maria Lúcia Oliveira Suzigan DRAGONE2
e-mail: mldragone@uniara.com.br
Dirce Charara MONTEIRO3
e-mail: dcmonteiro@uniara.com.br
Como referenciar este artigo:
BOMFIM, D. R.; DRAGONE, M. L. O. S.; MONTEIRO, D.
C. Projeto de incentivo ao protagonismo do aluno surdo.
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009,
2023. e-ISSN: 2526-3471. DOI:
https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100
| Submetido em: 25/05/2023
| Revisões requeridas em: 09/08/2023
| Aprovado em: 21/10/2023
| Publicado em: 14/11/2023
Editores:
Profa. Dra. Luci Regina Muzzeti
Profa. Dra. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade de Araraquara (UNIARA), Araraquara SP Brasil. Mestranda no Programa de Pós-Graduação
em Processos de Ensino, Gestão e Inovação, UNIARA. Professora (Intérprete de LIBRAS) em Escola Municipal
de Educação Básica (EMEB) Senhora Aparecida e Paulo Freire, Jaboticabal, São Paulo, Brasil.
Universidade de Araraquara (UNIARA), Araraquara SP Brasil. Docente de Ensino Superior no Programa de
Pós-Graduação em Processos de Ensino, Gestão e Inovação, UNIARA.
Universidade de Araraquara (UNIARA), Araraquara SP Brasil. Docente de Ensino Superior no Programa de
Pós-Graduação em Processos de Ensino, Gestão e Inovação, UNIARA.
Projeto de incentivo ao protagonismo do aluno surdo
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RESUMO: Este é um relato de experiência de um projeto de inclusão de alunos surdos,
realizado no período da Pandemia do Coronavírus, em duas escolas de Ensino Fundamental em
município do interior do Estado de São Paulo. A finalidade do projeto foi minimizar barreiras
de comunicação, ampliar o vocabulário da língua oral e da ngua de sinais, e promover ações
educativas para efetivar a inclusão de alunos surdos. Os alunos surdos realizavam gravações de
vídeos temáticos curtos na escola a cada 15 dias, que eram editados por uma professora
especializada em Libras (TILS). Os vídeos eram encaminhados para a direção das escolas que,
por sua vez, os repassavam aos professores para utilizarem nas aulas. O projeto ofereceu aos
alunos surdos a oportunidade de desenvolvimento por meio da Libras durante o período de
pandemia e garantiu o estabelecimento de sua identidade. Além disso, os alunos ouvintes
tiveram contato e utilizaram Libras na escola. Considerando sua eficácia, o projeto tornou-se
permanente.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva. Pandemia. Surdez. Libras.
RESUMEN: Este es el relato de experiencia de un proyecto para la inclusión de estudiantes
sordos, realizado durante el período de la Pandemia de Coronavirus en dos escuelas primarias
de un municipio del interior del Estado de São Paulo. Su finalidad fue minimizar barreras
comunicacionales, ampliar el vocabulario de la lengua oral y de señas, promover acciones
educativas para hacer efectiva la inclusión de los estudiantes sordos. Los estudiantes sordos
grababan videos temáticos cortos en la escuela a cada 15 días con una edición del profesor
especializado en Libras. Los videos eran enviados a la dirección de las escuelas que los
pasaron a los maestros para utilizarlos en las clases. El proyecto ofreció a los estudiantes
sordos la oportunidad de desarrollarse a través de Libras durante el período de pandemia y
asegurar el establecimiento de su identidad; los estudiantes oyentes tuvieron contacto y
utilizaran Libras en la escuela. Considerando su eficacia, el proyecto se ha convertido en
permanente.
PALABRAS CLAVE: Educación inclusiva. Pandemia. Sordera. Libras.
ABSTRACT: This is an experience report of an inclusion project for deaf students conducted
during the Coronavirus pandemic in two elementary schools in a municipality in the interior of
the State of São Paulo. The project aimed to minimize communication barriers, expand the
vocabulary of both spoken and sign language, and promote educational actions to facilitate the
inclusion of deaf students. Deaf students recorded short thematic videos at school every 15
days, edited by a specialized Libras (Brazilian Sign Language) teacher. The videos were then
sent to the school administration, which, in turn, distributed them to teachers for use in their
classes. The project provided deaf students with the opportunity for development through
Libras during the pandemic and ensured the establishment of their identity. Additionally,
hearing students had contact with and used Libras at school. Considering its effectiveness, the
project became a permanent initiative.
KEYWORDS: Inclusive education. Pandemic. Deafness. Libras.
Damiana Ramos BOMFIM; Maria Lúcia Oliveira Suzigan DRAGONE e Dirce Charara MONTEIRO
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Introdução
Com a Pandemia do Coronavírus, aconteceram mudanças na rotina da vida de todo
cidadão e, principalmente, dos educandos. O ser humano não estava preparado para esse
momento atípico que provocou a necessidade de uma mudança em sua rotina, pois a pandemia
desestruturou muitos lares, profissões e, principalmente, o ambiente escolar. A escola exerce
um papel fundamental na vida de um indivíduo, pois oferece a possibilidade de torná-lo mais
solidário e mais humano (HONORO; FRIZANCO, 2008).
Considerando que a aquisição da linguagem é um processo evolutivo no qual as crianças
constroem hipóteses e fazem reorganização discursiva, a responsabilidade da escola é marcante,
indicando que aqueles que atuam neste espaço precisam realizar ações que favoreçam o
desenvolvimento da linguagem da criança de forma ampla (LACERDA, 2015, p. 7).
Nesse contexto, destaca-se que a escola é o meio principal de interação no
desenvolvimento de uma criança e a língua é a chave para o convívio da comunidade escolar.
Portanto, foi importante manter-se consciente da necessidade de redobrar os esforços para
atingir a ativa participação da criança no ensino e na sociedade, principalmente a participação
da criança surda. Por essa razão, foi primordial uma análise da situação em que se encontravam
os alunos que têm como meio de comunicação a articulação da mão, a expressão corporal e
facial, o olhar empático, prejudicados pela obrigatoriedade do uso de máscara como proteção
pessoal e evitando a propagação do vírus. No entanto, esse cuidado dificultou o meio de
expressão dos surdos, uma vez que a expressão facial faz parte da gramática da língua de sinais,
provocando um isolamento expressivo da comunidade surda.
Diante do exposto, a escola não poderia silenciar-se, pois os Surdos, mesmo com todos
os obstáculos vividos na história das lutas pelos seus direitos, nunca ficaram “calados”,
expunham-se perante a família e perante a sociedade. Quadros (2017) relatou que, mesmo com
a proibição do uso da língua de herança dentro do ambiente escolar, no percurso de sua luta
histórica educacional, os surdos resistiram, marcavam encontros, se reuniam e socializavam
através da Libras, não impedindo a interação a partir dela.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei n.º 13.146/2015 (BRASIL,
2015), prevê em seu Art. 28, Inciso II aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a
garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de
serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão
plena.” Para os surdos, prevê-se a comunicação pela Língua de Sinais Libras, favorecendo a
escolarização e a construção da cidadania e inclusão social desses alunos. A Língua de Sinais,
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no Brasil, foi legalmente reconhecida no Art.1º, assegurando a garantia de seu uso como meio
de comunicação da comunidade surda pelo poder público, no Art. da Lei da Língua Brasileira
de Sinais, Lei da Libras n.º 10.436/2002 (BRASIL, 2002).
Deve-se considerar, segundo Dias (2004), que o homem define sua particularidade
produzindo e transmitindo símbolos devido à capacidade de manipular a comunicação. Nesta
vertente, ele acumula informações e, para se organizar no mundo, desenvolve meios
diferenciados de relações, sob essas perspectivas podemos perceber que o surdo vive
constantemente em um ambiente manipulador da comunicação, descrito pelo autor como “[...]
um ciclo vicioso de complexidade-simplificação-complexidade [...]" (p. 26), faz-se necessário
adequar-se a esta realidade, e fazer-se presente na sociedade. Para tanto, as interações sociais
precisam acontecer por um conjunto versátil de ações que estabelece e direciona os processos
comunicativos.
Pensando nesta realidade interacional voltada ao surdo, torna-se possível enxergar a
importância da sua língua estar em interação no âmbito escolar e, principalmente, no âmbito
social, no qual predomina o uso da Língua Portuguesa.
A modalidade de ensino tradicional é a presencial, modalidade em que as aulas são
planejadas, adequadas de acordo com a identificação das necessidades dos alunos e, muitas
vezes, contam com a presença de assistentes, auxiliares, estagiários para acompanhar o
professor. Para atuar no contexto pandêmico do vírus Covid-19, foi necessária a implantação
imediata de uma nova modalidade na educação básica, o ensino remoto, tornando possível a
reestruturação do calendário anual, improvisando as aulas de acordo com os dias e períodos da
aula presencial, sendo elas síncronas ou assíncronas e reajustando os horários. Tornou-se
essencial descobrir novos caminhos para que os surdos pudessem permanecer em processos
educativos independentemente das limitações impostas pela pandemia.
Este relato de experiência expõe um projeto estruturado e desenvolvido em uma rede
municipal de ensino do interior do estado de São Paulo no período de março de 2021 a dezembro
de 2021, durante a pandemia. Com o destaque conquistado neste período, o projeto passou a
ser um projeto permanente.
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Histórico do projeto
A educação é a maior fonte instrumental de formação do cidadão e, segundo o Art. 205
da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), a educação é “direito de todos”. A
Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), que teve como objetivo o fornecimento das
diretrizes básicas para elaboração e transformação das políticas e sistema educacionais em
conformidade com a ação da inclusão social, determina a concepção da inclusão como princípio
de uma “escola para todos”. Comparando os dois documentos, não dúvidas de que a
educação deve ser fornecida pela escola para todos, em um ambiente que envolva participação
integral de toda comunidade escolar.
Em uma escola de ensino fundamental de um município do interior do estado de São
Paulo com inclusão de surdos, antes da pandemia, em situação presencial, os únicos contatos
dos surdos eram com os alunos ouvintes, além da professora e da intérprete de Libras
educacional em sala de aula. Os demais contatos com seus pares eram em períodos curtos,
muitas vezes apenas nos intervalos das aulas, sem a presença da intérprete de Libras.
É necessário destacar que o Intérprete Educacional (IE) é importante para suprir a maior
necessidade do aluno surdo: a comunicação dentro do ambiente escolar. A atuação do
profissional IE na sala de aula não é fazer o papel do professor, ensinar, pois esse profissional
apresenta práticas diferenciadas” favorecendo a aprendizagem do aluno surdo (Lacerda,
2015), podendo contribuir também com a comunicação do aluno surdo em todo ambiente
escolar.
No final do ano de 2017 e início do ano de 2018, estimulada pelo interesse e curiosidade
apresentada pelos alunos ouvintes em conhecer os alunos surdos, sua cultura, sua ngua e,
pensando em minimizar a necessidade de interação entre eles, a autora deste relato desenvolveu
um projeto, com o auxílio da direção da escola, intitulado “Libras na Arte”, tendo como objetivo
promover a inclusão educacional, social e disseminar a Libras em várias práticas, tais como
canto, teatro e literatura.
O desenvolvimento do projeto, fora do horário de aula, se dava a partir do estudo de
Libras, ampliando o conhecimento de sinais (ampliação de vocabulário, interpretação, outros)
através de textos musicais, poemas e textos teatrais. Assim, os alunos ouvintes passaram a
desempenhar o papel de mediadores quando não houvesse a presença do intérprete responsável,
com auxílio até de funcionários da escola, contando inclusive com a participação de uma
funcionária surda, modelo de representatividade surda ativa na escola.
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Tais ações foram embasadas em consonância com os argumentos de Honoro e Frizanco
(2008), segundo os quais a criança surda adquire linguagem por experiências obtidas ao se
relacionar com outra pessoa. Deve-se ressaltar que a aquisição da linguagem da criança surda
acontece, preferencialmente, por seu convívio com quem domina a língua de sinais, um surdo
adulto (GOLDFELD, 2002) ou por pessoas fluentes em Libras. Com a acessibilidade à língua
mãe do surdo, Libras, acontecendo dentro da comunidade escolar, a prática da linguagem passa
a fluir, permitindo um pouco mais as interações dos alunos ouvintes ou surdos e professores.
No entanto, a partir de 2020, devido às limitações de contatos sociais em razão da
pandemia do coronavírus, as atividades desse projeto ficaram bastante prejudicadas. Os alunos
surdos passaram a visualizar um mundo mascarado, interferindo muito nos processos de
comunicação.
Nas adaptações iniciais, para cumprir o distanciamento social imposto pela pandemia,
o professor regente foi o responsável por estruturar e elaborar os materiais e as atividades mais
adequadas para os alunos, na maioria das vezes com atividades remotas. Nesse contexto, mais
uma vez, o surdo se tornou vítima da realidade, sendo prejudicado nos aspectos linguísticos,
emocionais e sociais.
A tecnologia usada para transmitir as aulas não possibilitava a interpretação simultânea,
pois a maioria dos professores filmava apenas a atividade a ser realizada pela criança e oferecia
explicação através de áudio na própria filmagem, para encaminhar em seguida a filmagem pelas
redes sociais alguns minutos antes de iniciar as aulas, dificultando o acesso à informação, ao
conhecimento dos alunos surdos.
Apesar do esforço dos professores, houve dificuldade na acessibilidade, pois nem toda
criança tinha acesso à internet, celular, maturidade para manusear o aparelho tecnológico e,
principalmente, não era toda criança surda que tinha um integrante da família que se
comunicasse em língua de sinais. Os surdos ficaram em seus lares suprindo suas necessidades
de se relacionar com seus pares, com o próximo, e com o mundo.
Na tentativa de transpor essas dificuldades, formaram-se grupos de salas nas redes
sociais para trabalhar com os alunos da rede municipal, principalmente, pelo aplicativo
WhatsApp. Era possível visualizar o aluno surdo ao acessar a lista dos alunos participantes do
grupo, porém a criança estava agregada ao grupo, mas não estava incluída.
Sendo assim, surgiu a busca por uma forma de incluir esse público procurando estimular
a prática da Libras com os alunos/funcionários/familiares e sociedade através de seus usuários,
os alunos e o funcionário surdo, para o fortalecimento da identidade da criança surda através
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do desenvolvimento da base linguística. Com essa premissa estruturou-se um novo projeto para
viabilizar a integração do aluno surdo com seus pares e na sociedade em tempo de pandemia.
Projeto Libras: Caminhos que não param
O projeto “Libras: caminhos que não param” foi idealizado pela autora deste relato para
minimizar obstáculos e barreiras na comunicação, estimulando a participação dos surdos no
período de pandemia e contribuindo para o desenvolvimento da sua identidade.
necessidade de compreender que a função da ngua não se limita ao ato de se
comunicar e expressar pensamentos, podendo a mesma expressar emoções e sentimentos
(QUADROS; KARNOOP, 2004). As autoras denominam de “Comunicação Fática”, a
comunicação que propicia o contato com a sociedade, pois neste momento a primeira pessoa
do discurso tem necessidade de manter contato com o receptor, e vice-versa. Para os surdos
essa manutenção de comunicação fica muito prejudicada, visto que são poucas as pessoas que
dominam Libras.
A premissa para a elaboração e desenvolvimento do novo projeto “Libras: caminhos
que não param” foi de que a disseminação da Libras criaria condições para que os alunos
superassem a situação pandêmica vivida pela sociedade. O principal objetivo deste projeto foi
possibilitar, em tempo de pandemia, aos alunos surdos com necessidades educacionais especiais
e aos funcionários(as) surdos(as), alguma verdadeira interação entre eles, seus colegas ouvintes
e familiares, eliminando barreiras educacionais e sociais nesse período de isolamento social.
Como objetivos secundários, foram propostos: minimizar os obstáculos da
comunicação; explorar e garantir o desenvolvimento das competências e habilidades; ampliar
os conhecimentos adquiridos; garantir o desenvolvimento na construção de novos
conhecimentos; ampliar o vocabulário da língua oral e da ngua de sinais; promover um
trabalho coletivo, ações educativas com vários setores para efetivar a inclusão de alunos surdos
no período de pandemia.
2.1 Organização e desenvolvimento do projeto
O projeto foi estruturado com atividades voltadas a eventos, datas comemorativas e
categorias semânticas, com frequência preferencialmente quinzenal e com a carga horária de
aula de 30 minutos cedidos pelos professores regentes das salas remotas. Com o projeto
estruturado, uma série de etapas foram necessárias para iniciarmos a apresentação aos demais
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responsáveis para a sua efetivação.
As gravações eram feitas pelo aparelho celular da idealizadora do projeto em encontros
realizados, inicialmente, duas vezes ao mês para as respectivas organizações e distribuições do
cronograma (período do evento, datas comemorativas), conforme descrito nas etapas a seguir.
Etapa I
Apresentação do projeto para os pais dos alunos, primeiramente pelo aplicativo
WhatsApp e depois retransmitido no início dos encontros. Eles seriam responsáveis por garantir
a presença dos alunos nos dias de gravação, e consentir com o uso das imagens para as
apresentações, contribuindo no desenvolvimento de seus filhos.
Etapa II
Apresentação do projeto aos professores regentes da sala, pois eles precisariam ceder
um período de meia hora, aproximadamente, para trabalhar com cada apresentação do projeto.
A etapa com os professores foi realizada em uma reunião via Google Meet e contou com grande
participação e apoio.
Etapa III
Após essas duas etapas, a autora deste relato entrou em contato com a assessoria de
imprensa do projeto “Grandes Pequeninos” projeto musical da família do músico Jair Oliveira
que visa trabalhar a comunicação inicial do ser humano através da música – para solicitar o uso
e adaptação em Libras do clipe musical “Normal é Ser Diferente” como clipe de abertura do
projeto (para o projeto se desenvolver em conformidade a Lei 9.610 de fevereiro de 1998,
que regula os direitos autorais) (BRASIL, 1998). Após o retorno, obteve-se a autorização das
solicitações quanto ao uso e adaptação do clipe musical como sendo específico para este projeto
e no período de abril de 2021 até o mês de dezembro de 2021.
Etapa IV
Elaboração dos temas e do cronograma para a realização dos encontros. A elaboração
ocorreu de acordo com as datas comemorativas e temas de eventos anuais que fazem parte do
calendário educacional do município. Cada um dos eventos recebeu o nome de “MOMENTO”,
e se encontram organizados por ordem numérica e especificadas suas datas de acordo com o
mês e sua ocorrência. Sendo assim, por exemplo, o Dia do Meio Ambiente é comemorado no
mês de junho, logo, o tema estava planejado para apresentar no mesmo mês e no mesmo dia, o
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que ajudou a manter uma organização na rotina de estudo dos alunos, conforme o Quadro 1 a
seguir:
Quadro 1 – Cronograma dos momentos e temas abordados no projeto
ANO
ATIVIDADE
TEMA
Abril
MOMENTO I
Apresentação.
Maio
MOMENTO II
Dia dos trabalhadores.
Maio
MOMENTO III
Dia das Mães.
Junho
MOMENTO IV
Dia do Meio Ambiente.
Junho
MOMENTO V
Festa Junina.
Julho
MOMENTO VI
Festa do Quitute.
Agosto
MOMENTO VII
Dia dos Pais.
Agosto
MOMENTO VIII
Dia do Folclore.
Setembro
MOMENTO IX
Independência do Brasil.
Setembro
MOMENTO X
Dia do Surdo.
Outubro
MOMENTO XI
Dia das Crianças.
Outubro
MOMENTO XII
Dia dos Professores.
Novembro
MOMENTO XIII
Dia da Proclamação da República.
Novembro
MOMENTO XIV
Dia da Consciência Negra.
Dezembro
MOMENTO XV
Natal.
Fonte: Arquivos do projeto (2021)
Etapa V
Organizada a sequência do projeto, iniciaram-se os encontros na escola, respeitando-se
todos os cuidados exigidos na pandemia, inicialmente a cada quinze dias, porém, para conciliar
com os horários de trabalho dos pais, foi necessário reorganizar os períodos passando a ocorrer
uma vez por mês. A funcionária surda também participou dos encontros, auxiliando na
comunicação entre os alunos surdos e demais participantes.
Os encontros não se destinaram apenas para realizar a gravação, pois era necessário
estudar e compreender a razão para estar comemorando determinado evento. Assim, eles
estiveram voltados para:
Estudos sobre a origem da data histórica a ser apresentada;
Síntese da leitura;
Interpretação de textos musicais;
Estudo de sinais;
Ampliação do vocabulário;
Pesquisa na internet para ampliar conhecimento;
Interação entre os alunos e alunos com funcionários;
Gravação e visualização das gravações pelos alunos.
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Etapa VI
Edição dos vídeos para encaminhar para os professores. Os vídeos foram estruturados
seguindo a sequência abaixo para edição:
1. Abertura: clipe “Normal é ser diferente” com a adequação da Libras com os
participantes do projeto e a apresentação do MOMENTO;
2. Apresentação do tema: contexto histórico;
3. Sinalário: glossário dos respectivos sinais de acordo com o tema;
4. Atividade: as atividades eram variadas, tais como um desenho, o acompanhamento de
um texto musical ou questões objetivas com gabarito no final da interação do projeto
com os participantes secundários (alunos e sociedade);
5. Encerramento: na despedida de cada atividade do projeto, era feito o encerramento com
os dados de todos os participantes e fontes daquele momento.
Etapa VII
Início da distribuição dos vídeos realizados para a comunidade escolar e para a
sociedade. Para tanto, no dia da data comemorativa e/ou evento, o professor responsável por
cada sala realizava a postagem nos grupos de WhatsApp.
2.2 Efeitos do projeto “Libras: caminhos que não param” – durante a pandemia
No início do projeto, era possível perceber a baixa autoestima dos participantes, pois já
não se viam há um ano, não tiveram mais contato e apresentavam-se inseguros para realizar sua
comunicação, praticamente sem identidade. Com o decorrer dos encontros, foram se soltando
e apresentando melhora na autoestima, a comunicação entre eles voltou a fluir. Era notória essa
evolução por parte dos participantes a cada encontro nos dias de gravações.
A realização do projeto contribuiu para além da comunicação entre surdos e ouvintes,
mas, sobretudo, para repensar, reestruturar e valorizar propostas diferenciadas para o
desenvolvimento desses alunos surdos, muitas vezes somente expostos no processo de ensino-
aprendizagem, com docentes sem nenhuma ou pouca experiência em Libras e que se defrontam
com o plano curricular oferecido pelo sistema a ser trabalhado dentro da perspectiva da
educação inclusiva. Essas dificuldades são também experienciadas pelos alunos, visto que, “[...]
a grosso modo, o aluno surdo é incluído nas salas regulares de ensino, junto com os ouvintes,
acreditando-se que assim estariam resguardando o princípio de igualdade de direitos
(GESSER, 2012, p. 90). Portanto, necessidade de se abrirem novos caminhos que favoreçam
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as interações entre alunos surdos, ouvintes e professores.
A participação de professores, alunos e funcionários no projeto abriu novas perspectivas
de aprendizado da Libras para todos os participantes, favorecendo o convívio comunicativo
com os alunos surdos, contribuiu para conhecimentos diversos nas relações interpessoais de
todos os participantes.
Considerações finais
Nesse relato, foi possível descrever uma experiência de inclusão, a partir da realização
do Projeto “Libras: caminhos que não param”, vivenciada em duas escolas municipais de ensino
fundamental I e II no interior do estado de São Paulo, no período de pandemia do coronavírus.
A divulgação ocorreu em redes sociais, difundindo a Língua Brasileira de Sinais – Libras, para
garantir a acessibilidade dos alunos surdos, bem como promovendo o desenvolvimento da sua
identidade.
Para que pudéssemos alcançar nosso objetivo, foi necessário lançar mão de todos os
recursos possíveis, tecnológicos e sociais; os encontros, no início, eram quinzenais e depois
mensais, para estudo das temáticas a serem abordadas em vídeos pelos alunos surdos, e houve
muita parceria com a comunidade escolar. É importante ressaltar que, para o planejamento e a
elaboração do projeto, houve a necessidade de envolver familiares, profissionais da Educação,
alunos surdos e ouvintes, entre outros participantes com domínio nas tecnologias utilizadas na
filmagem e na divulgação para o ambiente escolar e social. O registro das atividades por meio
de imagens foi fundamental, uma vez que os surdos se comunicam visualmente.
Este projeto possibilitou um trabalho diferenciado e inclusivo, reunindo toda a
comunidade escolar e a sociedade com o mesmo propósito de construir uma sociedade
igualitária e inclusiva em um tempo atípico.
Finalizamos esse relato apontando a necessidade de implementação de mais estudos e
projetos para otimizar a comunicação com o aluno surdo. Dentre as sugestões, considerando a
importância do profissional intérprete na sala de aula, seria relevante um estudo aprofundando
a relação do professor regente com o intérprete da língua de sinais, focalizando as
particularidades linguísticas da linguagem do surdo, pois, para traduzir para a Libras tudo que
é dito em língua portuguesa, esse profissional deve dominar ambas as nguas. Também são
necessários mais estudos propondo, no planejamento de ensino, atividades que contemplem as
especificidades dos alunos surdos e que promovam a integração com seus companheiros de
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classe.
REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Brasília, DF: Presidência da República, 2016. Disponível em:
http://www2.camara.leg.br/legin/fed/consti/1988/constituicao-1988-5-outubro-1988-322142-
publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em: 10 dez. 2022.
BRASIL. Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação
sobre direitos autorais e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1998.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm. Acesso em: 6 out.
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Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100 13
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https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000139394. Acesso em: 07 nov. 2023.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Aos diretores, professores, funcionários, alunos e seus familiares que
tornaram possível este projeto.
Financiamento: Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular
FUNADESP.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Não se aplica.
Disponibilidade de dados e material: Não se aplica.
Contribuições dos autores: Profª Damiana Ramos Bomfim, primeira autora deste relato
de experiência, idealizou, realizou o projeto “Libras: caminhos que não param”, e redigiu
este texto Profª Drª Maria Lúcia Oliveira Suzigan Dragone, coautora, colaborou com a
redação deste relato no papel de orientadora da autora no PPG PEGI- Uniara Profª Drª
Dirce Charara Monteiro, coautora, colaborou com as traduções dos resumos em inglês e
espanhol e com a redação e correção do texto.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
EDI
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100 1
PROJECT TO STIMULATE THE DEAF STUDENT'S PROTAGONISM
PROJETO DE INCENTIVO AO PROTAGONISMO DO ALUNO SURDO
PROYECTO PARA FOMENTAR EL DESARROLLO DEL PROTAGONISMO DEL
ESTUDIANTE SORDO
Damiana Ramos BOMFIM1
e-mail: dimiinirb@gmail.com
Maria Lúcia Oliveira Suzigan DRAGONE2
e-mail: mldragone@uniara.com.br
Dirce Charara MONTEIRO3
e-mail: dcmonteiro@uniara.com.br
How to reference this article:
BOMFIM, D. R.; DRAGONE, M. L. O. S.; MONTEIRO, D.
C. Project to stimulate the deaf student's protagonism. Temas
em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009, 2023.
e-ISSN: 2526-3471. DOI:
https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100
| Submitted: 25/05/2023
| Revisions required: 09/08/2023
| Approved: 21/10/2023
| Published: 14/11/2023
Editors:
Prof. Dr. Luci Regina Muzzeti
Prof. Dr. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
University of Araraquara (UNIARA), Araraquara SP Brazil. Master's candidate in the Graduate Program in
Teaching Processes, Management, and Innovation, UNIARA. Teacher (Brazilian Sign Language Interpreter) at
the Municipal Basic Education School (EMEB) Senhora Aparecida and Paulo Freire, Jaboticabal, São Paulo,
Brazil.
University of Araraquara (UNIARA), Araraquara SP Brazil. Higher Education Instructor in the Graduate
Program in Teaching Processes, Management, and Innovation, UNIARA.
University of Araraquara (UNIARA), Araraquara SP Brazil. Higher Education Instructor in the Graduate
Program in Teaching Processes, Management, and Innovation, UNIARA.
Project to stimulate the deaf student's protagonism
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100 2
ABSTRACT: This is an experience report of an inclusion project for deaf students conducted
during the Coronavirus pandemic in two elementary schools in a municipality in the interior of
the State of São Paulo. The project aimed to minimize communication barriers, expand the
vocabulary of both spoken and sign language, and promote educational actions to facilitate the
inclusion of deaf students. Deaf students recorded short thematic videos at school every 15
days, edited by a specialized Libras (Brazilian Sign Language) teacher. The videos were then
sent to the school administration, which, in turn, distributed them to teachers for use in their
classes. The project provided deaf students with the opportunity for development through
Libras during the pandemic and ensured the establishment of their identity. Additionally,
hearing students had contact with and used Libras at school. Considering its effectiveness, the
project became a permanent initiative.
KEYWORDS: Inclusive education. Pandemic. Deafness. Libras.
RESUMEN: Este es el relato de experiencia de un proyecto para la inclusión de estudiantes
sordos, realizado durante el período de la Pandemia de Coronavirus en dos escuelas primarias
de un municipio del interior del Estado de São Paulo. Su finalidad fue minimizar barreras
comunicacionales, ampliar el vocabulario de la lengua oral y de señas, promover acciones
educativas para hacer efectiva la inclusión de los estudiantes sordos. Los estudiantes sordos
grababan videos temáticos cortos en la escuela a cada 15 días con una edición del profesor
especializado en Libras. Los videos eran enviados a la dirección de las escuelas que los
pasaron a los maestros para utilizarlos en las clases. El proyecto ofreció a los estudiantes
sordos la oportunidad de desarrollarse a través de Libras durante el período de pandemia y
asegurar el establecimiento de su identidad; los estudiantes oyentes tuvieron contacto y
utilizaran Libras en la escuela. Considerando su eficacia, el proyecto se ha convertido en
permanente.
PALABRAS CLAVE: Educación inclusiva. Pandemia. Sordera. Libras.
RESUMO: Este é um relato de experiência de um projeto de inclusão de alunos surdos,
realizado no período da Pandemia do Coronavírus, em duas escolas de Ensino Fundamental
em município do interior do Estado de São Paulo. A finalidade do projeto foi minimizar
barreiras de comunicação, ampliar o vocabulário da língua oral e da língua de sinais, e
promover ações educativas para efetivar a inclusão de alunos surdos. Os alunos surdos
realizavam gravações de vídeos temáticos curtos na escola a cada 15 dias, que eram editados
por uma professora especializada em Libras (TILS). Os vídeos eram encaminhados para a
direção das escolas que, por sua vez, os repassavam aos professores para utilizarem nas aulas.
O projeto ofereceu aos alunos surdos a oportunidade de desenvolvimento por meio da Libras
durante o período de pandemia e garantiu o estabelecimento de sua identidade. Além disso, os
alunos ouvintes tiveram contato e utilizaram Libras na escola. Considerando sua eficácia, o
projeto tornou-se permanente.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva. Pandemia. Surdez. Libras.
Damiana Ramos BOMFIM; Maria Lúcia Oliveira Suzigan DRAGONE and Dirce Charara MONTEIRO
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009, 2023. e-ISSN: 1519-9029
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Introduction
With the Coronavirus Pandemic, changes occurred in the daily lives of every citizen,
especially students. Humanity was unprepared for this atypical moment that necessitated a
change in its routine, as the pandemic disrupted many homes, professions, and, most notably,
the school environment. School plays a fundamental role in an individual's life, as it offers the
possibility of making them more compassionate and humane (HONORO; FRIZANCO, 2008).
Considering that language acquisition is an evolutionary process in which children
construct hypotheses and engage in discursive reorganization, the school's responsibility is
significant, indicating that those who work in this space need to take actions that promote the
child's language development broadly (LACERDA, 2015, p. 7).
In this context, it is essential to emphasize that school is the primary means of interaction
in a child's development, and language is the key to the community's coexistence. Therefore, it
was essential to remain aware of the need to double efforts to achieve active participation by
children in education and society, especially the participation of deaf children. For this reason,
it was crucial to analyze the situation of students whose means of communication involve hand
articulation, body and facial expressions, and empathetic gaze but who were hindered by the
mandatory use of masks for personal protection and to prevent the spread of the virus. However,
this caution complicated the means of expression for people who are deaf or hard of hearing,
as facial expression is part of sign language grammar, leading to expressive isolation within the
deaf community.
Given the above, the school could not remain silent because deaf people, even with all
the obstacles they have faced in the history of their rights struggles, have never been "silent."
Quadros (2017) reported that, even with the prohibition of using heritage language within the
school environment, during their historical, educational struggle, the deaf resisted, organized
meetings, gathered, and socialized through Libras, not preventing interaction.
The Brazilian Law for Inclusion of Persons with Disabilities, Law No. 13,146/2015
(BRASIL, 2015), provides in its Article 28, Item II for "improvement of educational systems,
aiming to ensure conditions of access, permanence, participation, and learning through the
provision of services and accessibility resources that eliminate barriers and promote full
inclusion." For the deaf, communication through Brazilian Sign Language - Libras is provided,
favoring these students' education and social inclusion. Brazilian Sign Language was legally
recognized in Brazil, ensuring its use as a means of communication for the deaf community by
Project to stimulate the deaf student's protagonism
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the government in Article 1 of the Brazilian Sign Language Law, Law No. 10,436/2002
(BRASIL, 2002).
According to Dias (2004), one should consider that humans define their particularity by
producing and transmitting symbols due to their ability to manipulate communication. In this
regard, they accumulate information and develop differentiated means of relationships to
organize themselves in the world. From these perspectives, we can perceive that the deaf person
constantly lives in a communication-manipulating environment, described by the author as "[...]
a vicious cycle of complexity-simplification-complexity [...]" (p. 26, our translation). Adapting
to this reality and being present in society becomes necessary. Therefore, social interactions
must occur through a versatile set of actions that establish and direct communicative processes.
Considering this interactive reality focused on people who are deaf or hard of hearing,
it is possible to see the importance of their language in interaction in the school environment
and, especially, in the social environment, where the Portuguese language predominates.
The traditional teaching mode is in-person, a modality in which classes are planned and
adjusted according to the identification of students' needs, and often involves the presence of
assistants, aides, and interns to support the teacher. To operate in the pandemic context of the
COVID-19 virus, the immediate implementation of a new modality in basic education was
necessary: remote teaching. This made it possible to restructure the annual calendar,
improvising classes according to the days and periods of in-person courses, whether
synchronous or asynchronous, and readjusting schedules. It became essential to discover new
ways for people who are deaf or hard of hearing to remain in educational processes regardless
of the limitations imposed by the pandemic.
This experiential report presents a project structured and developed in a municipal
education network in the interior of the state of São Paulo from March 2021 to December 2021
during the pandemic. With the recognition gained during this period, the project became
permanent.
Damiana Ramos BOMFIM; Maria Lúcia Oliveira Suzigan DRAGONE and Dirce Charara MONTEIRO
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Project History
Education is the primary instrumental source of citizen formation, and according to
Article 205 of the Federal Constitution of 1988 (BRASIL, 1988), education is the "right of all."
The Salamanca Declaration (1994), which aimed to provide basic guidelines for developing
and transforming educational policies and systems in line with social inclusion, defines the
concept of inclusion as a principle of an "inclusive school." Comparing the two documents,
there is no doubt that the school should provide education for all in an environment that involves
the full participation of the entire school community.
In an elementary school in a municipality in the interior of the state of São Paulo that
included deaf students, before the pandemic, in face-to-face situations, the only contact the deaf
students had was with hearing students, in addition to the teacher and the educational Libras
interpreter in the classroom. Other interactions with their peers were brief, often only during
breaks between classes, without the presence of the Libras interpreter.
It is necessary to highlight that the Educational Interpreter (IE) is important to meet the
greatest need of deaf students: communication within the school environment. The role of the
IE in the classroom is not to take on the role of the teacher or to teach, as this professional
provides "differentiated practices" to support the learning of deaf students (LACERDA, 2015)
and can also contribute to the communication of deaf students throughout the school
environment.
At the end of 2017 and the beginning of 2018, encouraged by the interest and curiosity
shown by hearing students in getting to know deaf students, their culture, and their language
and thinking about minimizing the need for interaction between them, the author of this report
developed a project, with the assistance of the school's administration, titled "Libras in Art,"
aiming to promote educational and social inclusion and disseminate Libras in various practices,
such as singing, theater, and literature.
The project, conducted outside of regular class hours, involved the study of Libras to
expand knowledge of signs (vocabulary expansion, interpretation, and more) through musical
texts, poems, and theatrical texts. Thus, hearing students began to play the role of mediators
when the responsible interpreter was not present, with the assistance of school staff, including
the participation of a deaf staff member, a model of active deaf representation in the school.
Such actions were based on the arguments of Honoro and Frizanco (2008), according to
whom deaf children acquire language through experiences obtained by interacting with another
person. It should be emphasized that the acquisition of language by deaf children preferably
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occurs through interaction with someone proficient in sign language, such as an adult deaf
person (GOLDFELD, 2002), or by people fluent in Libras. With accessibility to the deaf child's
mother tongue, Libras, happening within the school community, language practice begins to
flow, allowing for more interactions between hearing or deaf students and teachers.
However, starting in 2020, due to limitations on social contact due to the coronavirus
pandemic, the activities of this project were severely affected. Deaf students began to perceive
a masked world, significantly interfering with communication processes.
In the initial adaptations to comply with social distancing imposed by the pandemic, the
classroom teacher was responsible for structuring and developing materials and activities that
were most suitable for the students, often with remote activities. In this context, once again,
people who are deaf or hard of hearing became victims of reality, being harmed in linguistic,
emotional, and social aspects.
The technology used to transmit classes did not allow for simultaneous interpretation
because most teachers filmed only the activity to be performed by the child and provided
explanations through audio in the same recording, which was then sent via social media a few
minutes before the start of the classes, making access to information and knowledge difficult
for deaf students.
Despite the teachers' efforts, there were difficulties in accessibility because not every
child had access to the internet, a cellphone, the maturity to handle technological devices, and
especially, not every deaf child had a family member who could communicate in sign language.
Deaf students remained in their homes, meeting their needs to interact with their peers, others,
and the world.
To overcome these difficulties, groups were formed on social media to work with
students in the municipal network, mainly through the WhatsApp application. It was possible
to see the deaf student by accessing the list of participants in the group, but the child was part
of the group without being truly included.
Therefore, there was a search to include this public by seeking to stimulate the practice
of Libras with students/employees/family members and society through its users, the deaf
students and staff, to strengthen the identity of deaf children through the development of their
linguistic foundation. With this premise, a new project was structured to facilitate the
integration of deaf students with their peers and society during the pandemic.
Damiana Ramos BOMFIM; Maria Lúcia Oliveira Suzigan DRAGONE and Dirce Charara MONTEIRO
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Project Libras: Paths that Never Stop
The "Libras: Paths that Never Stop" (Libras: caminhos que não param) project was
conceived by the author of this report to minimize communication barriers and stimulate the
participation of the deaf during the pandemic, contributing to the development of their identity.
It is necessary to understand that language's role goes beyond communicating and
expressing thoughts; it can also convey emotions and feelings (QUADROS; KARNOOP,
2004). The authors refer to this as "Phatic Communication," which is communication that
facilitates contact with society. In this context, the first person in the discourse must maintain
contact with the receiver and vice versa. For people who are deaf or hard of hearing, this
maintenance of communication is greatly hindered, as few people are proficient in Libras.
The premise for the elaboration and development of the new project "Libras: Paths that
Never Stop" was that the dissemination of Libras would create conditions for deaf students and
employees to overcome the pandemic situation experienced by society. This project's main
objective was to enable interaction among deaf students with special educational needs, deaf
employees, their hearing peers, and family members during the pandemic, thereby eliminating
educational and social barriers in this period of social isolation.
As secondary objectives, the following were proposed: minimizing communication
obstacles, exploring and ensuring the development of skills and competencies, expanding
acquired knowledge, promoting the development of new knowledge, expanding vocabulary in
oral and sign languages, and facilitating collective work and educational actions across various
sectors to include deaf students during the pandemic period effectively.
2.1 Project Organization and Development
The project was structured with activities focused on events, commemorative dates, and
semantic categories, with a preferred biweekly frequency and a class duration of 30 minutes
provided by the lead teachers of the remote classrooms. With the project structured, a series of
steps were necessary to initiate the presentation to other stakeholders for its implementation.
The recordings were made using the project initiator's cell phone in meetings held
initially twice a month for the respective organization and distribution of the schedule (event
period, commemorative dates), as described in the following steps.
Step I
Project to stimulate the deaf student's protagonism
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Presentation of the project to the student’s parents, initially through the WhatsApp
application, and then retransmitted at the beginning of the meetings. They would be responsible
for ensuring the student’s presence on recording days and consenting to the use of images for
presentations, contributing to the development of their children.
Step II
Presentation of the project to the classroom lead teachers, who needed to allocate
approximately half an hour to work on each project presentation. The step with the teachers was
conducted in a meeting via Google Meet and received significant participation and support.
Step III
After these two steps, the author of this report contacted the press office of the Grandes
Pequeninosproject – a musical project of musician Jair Oliveira’s family that aims to work on
the initial communication of humans through music to request the use and adaptation of the
music video Normal é Ser Diferentein Libras as the opening video of the project (for the
project to develop in compliance with Law No. 9,610 of February 1998, which regulates
copyright) (BRASIL, 1998). After the response, authorization was obtained for the requests
regarding the use and adaptation of the music video, specifically for this project, from April
2021 to December 2021.
Step IV
Development of themes and the schedule for the meetings. The development was carried
out in accordance with commemorative dates and themes of annual events that are part of the
educational calendar of the municipality. Each event was named "MOMENT," organized in
numerical order, and their dates were specified according to the month and occurrence. For
example, World Environment Day is celebrated in June; therefore, the theme was planned to be
presented in the same month and on the same day, which helped maintain organization in the
students' study routine, as shown in Table 1 below:
Table 1 – Schedule of project milestones and topics addressed
YEAR
ACTIVITY
THEME
April
MOMENT I
Presentation.
May
MOMENT II
Labor Day.
May
MOMENT III
Mother's Day.
June
MOMENT IV
Environment Day.
June
MOMENT V
June Festival (traditional Brazilian celebration)
July
MOMENT VI
Quitute Festival
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DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100 9
August
MOMENT VII
Father's Day.
August
MOMENT VIII
Folklore Day.
September
MOMENT IX
Brazil's Independence Day.
September
MOMENT X
Deaf Awareness Day.
October
MOMENT XI
Children's Day.
October
MOMENT XII
Teacher's Day.
November
MOMENT XIII
Proclamation of the Republic Day.
November
MOMENT XIV
Black Consciousness Day.
December
MOMENT XV
Christmas.
Source: Project Files (2021)
Step V
Once the project sequence was organized, meetings at the school began, with all the
necessary precautions for the pandemic being observed. Initially, these meetings took place
every fifteen days, but to accommodate parents' work schedules, it became essential to
reschedule them to occur once a month. The deaf staff member also participated in the meetings,
assisting in communication between the deaf students and other participants.
The meetings were not only intended for recording purposes; it was also necessary to
study and understand the reason for celebrating a particular event. Thus, they were focused on:
Studies on the origin of the historical data to be presented.
Summarizing readings.
Interpreting musical texts.
Studying signs.
Expanding vocabulary.
Researching on the internet to enhance knowledge.
Interaction among students and between students and staff.
Recording and viewing the recordings by the students.
Step VI
Editing the videos to send to the teachers. The videos were structured according to the
following sequence for editing:
1. Opening: a clip titled "Normal is to be different" with the adaptation of sign language
(Libras) by the project participants and the presentation of the MOMENT
2. Presentation of the theme: historical context.
3. Sign vocabulary: glossary of the respective signs related to the theme.
4. Activity: the activities varied, such as drawing, following a musical text, or objective
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questions with answers at the end of the project's interaction with secondary participants
(students and the community).
5. Closing: at the end of each project activity, closure was done with the data of all
participants and sources from that moment.
Step VII
Commencement of the distribution of the videos created to the school community and
society. To do so, on the date of the commemorative event, each classroom's responsible teacher
posted the videos in WhatsApp groups.
2.2 Effects of the "Libras: Paths that Never Stop" Project - During the Pandemic
At the beginning of the project, it was possible to observe the low self-esteem of the
participants because they had not seen each other for a year, had no more contact, and felt
insecure in their communication, almost without identity. As the meetings progressed, they
began to open up and improve their self-esteem, and their communication started flowing again.
This evolution was evident in the participants with each meeting on the recording days.
The implementation of the project contributed not only to communication between deaf
and hearing individuals but, above all, to rethinking, restructuring, and valuing different
approaches to the development of these deaf students. They are often only exposed to the
teaching and learning process, with teachers who have little or no experience in Libras and who
face the curriculum offered by the system within the perspective of inclusive education. These
difficulties are also experienced by the students, as "[...] in general, deaf students are included
in regular classrooms with hearing students, believing that this would safeguard the principle
of equal rights" (GESSER, 2012, p. 90, our translation). Therefore, there is a need to open new
paths that facilitate interactions among deaf students, hearing students, and teachers.
The participation of teachers, students, and staff in the project opened new perspectives
for learning Libras for all participants, fostering communicative interactions with deaf students,
contributing to diverse knowledge, and enhancing interpersonal relationships among all
participants.
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Final considerations
In this account, it was possible to describe an inclusive experience through
implementing the "Libras: Paths that Never Stop" Project, which took place in two municipal
primary and secondary schools in the interior of the state of São Paulo during the coronavirus
pandemic. The project's dissemination occurred through social media, spreading Brazilian Sign
Language (Libras) to ensure accessibility for deaf students and promote their identity
development.
We needed to utilize all available technological and social resources to achieve our goal.
Initially, meetings were held bi-weekly and monthly to study the topics to be addressed in
videos by deaf students. It required a strong partnership with the school community. It is
important to emphasize that planning and developing the project required the involvement of
family members, education professionals, both deaf and hearing students and other participants
with expertise in the technologies used in filming and dissemination within the school and social
environments. Recording activities through images was fundamental since deaf individuals
communicate visually.
This project enabled a differentiated and inclusive approach, bringing together the entire
school community and society to build an egalitarian and inclusive society during an
unprecedented time.
We conclude this account by highlighting the need for further studies and projects to
optimize communication with deaf students. Considering the importance of the interpreter in
the classroom, it would be relevant to conduct in-depth research on the relationship between
the regular teacher and the sign language interpreter, focusing on the linguistic specificities of
the deaf language. To translate everything said in Portuguese into Libras, this professional must
master both languages. Additionally, more studies are needed to propose activities in teaching
planning that address the specific needs of deaf students and promote integration with their
classmates.
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Damiana Ramos BOMFIM; Maria Lúcia Oliveira Suzigan DRAGONE and Dirce Charara MONTEIRO
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023009, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18100 13
CRediT Author Statement
Acknowledgments: To the directors, teachers, staff, students, and their families who made
this project possible.
Funding: National Foundation for the Development of Private Higher Education -
FUNADESP.
Conflicts of Interest: There are no conflicts of interest.
Ethical Approval: Not applicable.
Data and Material Availability: Not applicable.
Contributions of the authors: Prof. Damiana Ramos Bomfim, the first author of this
experience report, conceived and conducted the "Libras: Paths that Never Stop" project and
wrote this text. Prof. Dr. Maria Lúcia Oliveira Suzigan Dragone, co-author, contributed to
the writing of this report as the author's advisor in the PPG PEGI- Uniara. Prof. Dr. Dirce
Charara Monteiro, co-author, contributed to the translations of the abstracts into English
and Spanish and to the writing and editing of the text.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation