EDI
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 1
O ENSINO REMOTO NA PANDEMIA CAUSADA PELA COVID-19: PERCEPÇÕES
DE PROFESSORES DE UMA ESCOLA NO CAMPO
LA ENSEÑANZA A DISTANCIA EN LA PANDEMIA POR COVID-19:
PERCEPCIONES DE LOS PROFESORES DE UNA ESCUELA DE CAMPO
REMOTE TEACHING IN THE PANDEMIC CAUSED BY COVID-19: PERCEPTIONS
OF TEACHERS AT A COUNTRYSIDE SCHOOL
Ana Paula de OLIVEIRA1
e-mail: anapaulinhaoliveira2016@gmail.com
Emerson Augusto de MEDEIROS2
e-mail: emerson.medeiros@ufersa.edu.br
Vanessa de França Almeida GURGEL3
e-mail: vanessaalmeida_rn@hotmail.com
Como referenciar este artigo:
OLIVEIRA, A. P.; MEDEIROS, E. A.; GURGEL, V. F. A. O
Ensino Remoto na Pandemia causada pela COVID-19: Percepções
de professores de uma escola no campo. Temas em Educ. e Saúde,
Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471. DOI:
https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719
| Submetido em: 11/05/2023
| Revisões requeridas em: 20/07/2023
| Aprovado em: 05/09/2023
| Publicado em: 28/11/2023
Editores:
Profa. Dra. Luci Regina Muzzeti
Profa. Dra. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró RN Brasil. Mestranda no Programa de Pós-
Graduação em Ensino (POSENSINO/UFERSA/UERN/IFRN).
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró RN Brasil. Professor Adjunto do
Departamento de Ciências Humanas. Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino
(POSENSINO/UFERSA/UERN/IFRN). Doutor em Educação pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró RN Brasil. Mestranda no Programa de Pós-
Graduação em Ensino (POSENSINO/UFERSA/UERN/IFRN).
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 2
RESUMO: Este estudo centraliza-se para a experiência com o ensino remoto em uma escola
na Comunidade Rural de São Lourenço, Felipe Guerra RN, no período da pandemia causada
pela COVID-19 (2020 2022). Dessa forma, o estudo tem como objetivo central analisar as
percepções de professores da Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe
Guerra RN, a respeito do ensino remoto. Em parâmetros metodológicos, o estudo fez uso da
abordagem qualitativa e se tipificou como uma pesquisa de campo. Do estudo, participaram
três professores que lecionam na escola referenciada na Educação Infantil e nos anos iniciais
do Ensino Fundamental. Como técnica para a construção dos dados, utilizou-se de entrevistas
semiestruturadas, as quais foram realizadas no mês de junho de 2022. Conclui-se que a prática
pedagógica com o objetivo de alfabetizar crianças no período da pandemia causada pela
COVID-19, mais especificamente entre os anos de 2020 e 2022, intensificou a rotina laboral
dos docentes. Destacou-se, ainda, a ausência de formação continuada para o uso das tecnologias
digitais, porém, os docentes, por meio do planejamento contínuo, produziram estratégias
pedagógicas que somaram aos processos de ensino-aprendizagem com os estudantes no
contexto da pandemia.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino Remoto. Escola no Campo. Pandemia. Educação do Campo.
RESUMEN: Este estudio se centra en la experiencia con la enseñanza a distancia en una
escuela de la Comunidad Rural de São Lourenço, Felipe Guerra RN, durante el período de
pandemia provocada por el COVID-19 (2020 2022). Así, el objetivo central del estudio es
analizar las percepciones de los docentes de la Unidad Escolar X Profesor Antônio Amarildo
de Souza, Felipe Guerra RN, sobre la enseñanza a distancia. En parámetros metodológicos,
el estudio utilizó un enfoque cualitativo y se clasificó como investigación de campo. En el
estudio participaron tres docentes que imparten docencia en el colegio referenciado en
Educación Infantil y en los primeros años de Educación Primaria. Como técnica de
construcción de los datos se utilizó entrevistas semiestructuradas, las cuales se realizaron en
junio de 2022. Se concluye que la práctica pedagógica con el objetivo de enseñar a leer y
escribir a los niños durante el período de pandemia provocada por el COVID-19, más
específicamente entre los años 2020 y 2022, la rutina laboral de los docentes se intensificó.
También se destacó la falta de capacitación continua para el uso de las tecnologías digitales,
sin embargo, los docentes, a través de una planificación continua, produjeron estrategias
pedagógicas que sumaron a los procesos de enseñanza-aprendizaje con los estudiantes en el
contexto de la pandemia.
PALABRAS CLAVE: Enseñanza remota. Escuela en el Campo. Pandemia. Educación Rural.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 3
ABSTRACT: This study focuses on the experience with remote teaching in a school in the Rural
Community of São Lourenço, Felipe Guerra RN, during the pandemic period caused by
COVID-19 (2020 2022). Thus, the study's central objective is to analyze teachers' perceptions
of the School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, regarding
remote teaching. The study used a qualitative approach and was classified as field research in
methodological parameters. Three teachers who teach at the referenced school in Early
Childhood Education and in the early years of Elementary School participated in the study. As
a technique for constructing the data, semi-structured interviews were used, which were carried
out in June 2022. It is concluded that the pedagogical practice with the objective of teaching
children to read and write during the pandemic period caused by COVID-19, more specifically
between the years 2020 and 2022, intensified the work routine of teachers. The lack of
continued training for the use of digital technologies was also highlighted, however, teachers,
through continuous planning, produced pedagogical strategies that added to the teaching-
learning processes with students in the context of the pandemic.
KEYWORDS: Remote Teaching. School in the Countryside. Pandemic. Rural Education.
Introdução
O Ministério da Saúde (BRASIL, 2021) assinalou que a COVID-19 é caracterizada por
uma doença de síndrome respiratória aguda grave causada pelo vírus SARS-CoV-2, o qual
surgiu na China no fim do ano de 2019. Com a disseminação do vírus, foram necessárias
medidas de distanciamento social, em virtude da proteção da sociedade e como forma de
impedir sua proliferação.
Com isso, vários setores da sociedade foram atingidos, a começar pela saúde e também
a educação. Em virtude dessa realidade, as escolas foram “obrigadas” a parar suas atividades
presenciais. Diante desse quadro, foi orientada, pelo Ministério da Educação (MEC), a
modificação da organização educacional, em que o ensino remoto emergencial foi aderido,
seguindo as medidas recomendadas pelas ordens sanitárias com o afastamento social, como
forma de proteção frente às necessidades emergenciais diante do quadro de pandemia causada
pela COVID-19.
É de conhecimento geral a gravidade da pandemia provocada pelo vírus. Com a
paralisação das atividades presenciais, entende-se que os estudantes do campo se desengajaram
do ambiente escolar. O fato de vivenciar essa nova realidade fez com que a escola, professores
e estudantes se readaptassem a uma nova maneira de construir aulas. Mediante a isso, a
mudança adotada nas escolas nos fez pensar sobre os processos de ensino-aprendizagem de
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 4
forma remota, especialmente em se tratando de escolas no campo. Pensando nisso, esta pesquisa
buscou investigar os efeitos da pandemia causada pela COVID-19 em uma escola circunscrita
em um perímetro rural a partir das percepções dos professores.
Assim, este estudo condiz sobre a experiência da Unidade Escolar X Professor Antônio
Amarildo de Souza com o ensino remoto no período da pandemia causada pela COVID-19,
mais especificamente entre os anos de 2020 e 2022
. Dessa forma, o estudo se ancorou no
seguinte problema investigativo: Quais as percepções dos professores da Unidade Escolar X
Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, sobre o ensino remoto?
No tocante ao objetivo geral da investigação, enfatizou-se analisar as percepções de
professores da Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN
a respeito do ensino remoto”. Dialogar sobre essa temática é imprescindível, uma vez que se
entende a necessidade de pensar sobre os processos de ensino-aprendizagem em escolas no
campo, considerando a pandemia e seus efeitos na Educação do Campo.
Em parâmetros metodológicos, apoiou-se na abordagem qualitativa e foi ressaltado que
o estudo se tipificou como uma pesquisa de campo. A pesquisa teve como lócus de investigação
a Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, localizada na comunidade de São
Lourenço, Felipe Guerra RN. Do estudo, participaram três professores que lecionam na escola
referenciada (dois do sexo feminino e um do sexo masculino
), na Educação Infantil e nos anos
iniciais do Ensino Fundamental. Como técnica para a construção dos dados, utilizaram-se de
entrevistas semiestruturadas, as quais foram realizadas presencialmente no espaço no mês de
junho do ano de 2022.
Após dialogar sobre os aspectos introdutórios deste estudo (primeira seção), ressalta-se
que o restante do texto foi organizado em mais três seções e as considerações finais. Na seção
seguinte, o leitor é situado acerca de conceitos como educação rural e educação do campo, e é
apresentado uma breve discussão sobre o ensino remoto e a pandemia causada pela COVID-
19. Na sequência, referenciam-se os procedimentos metodológicos do estudo. Na quarta seção,
foram expostos os resultados apreendidos na pesquisa. Nas considerações finais, foram listadas
sobre as principais reflexões produzidas ao longo do texto, com base no que foi erguido de
compreensão acerca do objeto em investigação.
Em maio de 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o fim da pandemia causada pela COVID-
19. Assim, demarcamos que este estudo, engloba os anos de 2020 a 2022, como recorte de tempo.
Não definimos critérios, no que toca ao sexo dos sujeitos da pesquisa, para participação no estudo. Os docentes
compõem o quadro total de professores na escola.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 5
Educação do Campo e ensino remoto: notas conceituais
Esta seção teórica aborda o conceito de Educação do Campo e o ensino remoto em duas
subseções. A primeira subseção explora brevemente o conceito da Educação do Campo e a
diferença entre ela e a Educação Rural.
Na segunda subseção, dialoga-se a respeito da pandemia causada pela COVID-19.
Como o objeto de estudo se direciona à experiência com o ensino remoto em uma escola no
campo, viu-se necessário debater ainda sobre a sala de aula na reconfiguração do modelo de
ensino presencial para o ensino remoto.
Educação do Campo: de qual educação falamos?
A Educação do Campo remete a um conceito novo no cenário educacional brasileiro,
pois não faz muito tempo que o que havia nos espaços campesinos era a designação da
Educação Rural. Distinguir essas modalidades de ensino é relevante, uma vez que a Educação
Rural e a Educação do Campo possuem princípios pedagógicos diferentes, ambas se referem à
educação dos povos do campo, porém, com perspectivas distintas, as quais surgem em períodos
históricos diferentes. No que tange à Educação Rural, Ribeiro (2012, p. 295) reforça:
Trata-se dos camponeses, ou seja, daqueles que residem e trabalham nas zonas
rurais e recebem os menores rendimentos por seu trabalho. Para estes sujeitos,
quando existe uma escola na área onde vivem, é oferecida uma educação na
mesma modalidade da que é oferecida às populações que residem e trabalham
nas áreas urbanas, não havendo nenhuma tentativa de adequar a escola rural
às características dos camponeses ou dos seus filhos, quando estes a
frequentam.
Ressalta-se que a Educação Rural foi, por muitos anos, resultante de um modelo
econômico de base capitalista e que, historicamente, os povos do campo tiveram seus direitos
educacionais negados. No que se refere à Educação Rural e ao modelo educacional por esta
ofertado, Azevedo (2007) nos conduz à defesa de uma realidade a ser superada, num padrão
escolar evidenciado em uma educação atrelada a modelos políticos econômicos comprometidos
com elites e oligarquias.
Observa-se que, na trajetória da Educação Rural, o campo foi relegado a espaços
marginais em um processo de construção e efetivação de políticas educacionais na realidade
brasileira, e que o sujeito do campo foi idealizado como parâmetro de atraso, onde a política
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 6
educacional organizou-se em compatibilidade com os interesses capitalistas predominantes na
conjuntura social (MEDEIROS; FORTUNATO; ARAÚJO, 2022).
A escola no campo, durante esse período, não considerava a diversidade social do
campo, uma vez que seu enfoque se limitava apenas a oferecer à população do campo uma
proposta pedagógica que se fundamentava em uma concepção urbana. Em outras palavras, essa
perspectiva de escola postulava a cidade como referência central, norteando uma educação
conduzida pela cidade vinculada ao setor mercantil industrial.
Em paralelo a esta realidade, as populações do campo que vinham sendo excluídas desse
processo começaram a se mobilizar por meio de articulações. Dessas articulações surgiu um
modelo educacional diferente do proposto pelo governo e, em meio a esse cenário, nasceu a
Educação do Campo (MEDEIROS; FORTUNATO; ARAÚJO, 2022). Essa modalidade
educativa tem como finalidade se contrapor à Educação Rural, e surgiu por meio da organização
de movimentos sociais na intenção de lutar e reivindicar pelo direito de os sujeitos estudarem
no campo. Conforme Caldart (2012, p. 259):
A Educação do Campo nomeia um fenômeno da realidade brasileira atual,
protagonizado pelos trabalhadores do campo e suas organizações, que visa
incidir sobre a política de educação desde os interesses sociais das
comunidades camponesas. Objetivo e sujeitos a remetem às questões do
trabalho, da cultura, do conhecimento e das lutas sociais dos camponeses e ao
embate (de classe) entre projetos de campo e entre lógicas de agricultura que
têm implicações no projeto de país e de sociedade e nas concepções de política
pública, de educação e de formação humana.
Compreende-se que a Educação do Campo nasceu mediante as necessidades dos sujeitos
que vivem do e no campo, os quais, por meio da luta organizada pelos movimentos sociais,
buscaram pensar um novo paradigma educacional. Os povos do campo buscavam em suas lutas
produzir uma política de educação condizente com suas realidades. Em outras palavras, uma
educação voltada para a classe trabalhadora que tem o campo como instrumento e referência de
vida.
Reafirma-se que a Educação do Campo surgiu para quebrar paradigmas, a começar pelas
transformações no plano da Educação Básica para a população rural, de maneira que garantisse
melhorias para os sujeitos, na oferta de uma Educação Básica que promovesse no sistema de
ensino a adaptação necessária conforme as peculiaridades da vida dos povos do campo. Assim,
a consolidação da Educação do Campo é um resultado de lutas de povos protagonistas que se
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 7
depararam com a ausência do direito à educação para os seus próprios sujeitos. O embate desses
atores frente a esta realidade buscou construir alternativas que acolhessem suas necessidades.
É por meio da realização de duas conferências nacionais que a Educação do Campo e
os movimentos sociais encontraram espaço. Com essas conferências se deu o surgimento da
expressão Educação do Campo, a qual nasceu, inicialmente, como Educação Básica do Campo
por meio da I Conferência Nacional por uma Educação Básica do Campo, realizada em
Luziânia, Goiás, em 1998. No ano de 2002, no mês de novembro, no seminário nacional em
Brasília, ela passou a ser nominada de Educação do Campo, deliberação reafirmada na II
Conferência Nacional realizada em julho de 2004 (CALDART, 2012).
No que fundamenta o conceito da Educação do Campo, Caldart (2012, p. 259), outra
vez, salienta:
Como conceito em construção, a Educação do Campo, sem se descolar do
movimento específico da realidade que a produziu, pode configurar-se
como uma categoria de análise da situação ou de práticas e políticas de
educação dos trabalhadores do campo, mesmo as que se desenvolvem em
outros lugares e com outras denominações.
Assim, compreende-se que o conceito de Educação do Campo está associado a uma
modalidade educativa com características próprias, bem como a um movimento nacional de
educação produzido pelos diferentes povos e organizações sociais do campo. A partir disso,
entende-se que quando discutido o conceito de Educação do Campo, temos que creditar em
uma educação construída a partir das lutas dos movimentos sociais do campo, de maneira que
se reafirme o processo de educação emancipatória, o qual incorpora a formação humana e
crítica dos sujeitos do campo.
Ensino remoto e pandemia causada pela COVID-19
Segundo se dialogou em momento anterior, a COVID-19 é o nome dado à doença
associada a um vírus que acometeu milhões de pessoas em todo o mundo. De acordo com a
descrição do Ministério da Saúde (BRASIL, 2021, p. 7), a COVID-19 é caracterizada como
uma “infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, potencialmente
grave, de elevada transmissibilidade e de distribuição global”. No fim do ano de 2019,
ocorreram os primeiros casos de transmissão do coronavírus (SARS-CoV-2), o qual foi
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 8
inicialmente identificado na China. No entanto, em um ato contínuo, o vírus foi se disseminando
de forma rápida por todo o planeta, por meio da transmissão de uma pessoa infectada para outra.
Mediante essa realidade, vivenciada pela sociedade, devido ao grande crescimento de
contaminação pela doença, foi sugerida pelo âmbito governamental a adoção de medidas
emergenciais, a fim de tentar reduzir a propagação da doença. Nesse sentido, com a
disseminação do vírus, foi necessário adotar o isolamento, bem como o distanciamento social,
com o objetivo de evitar a propagação em massa, em que a implementação dessa deliberação
atingiu consequentemente muitos setores, especialmente o educacional.
De acordo com a concepção de Aquino et al. (2020, p. 2425-2426), foram adotadas
várias medidas para deter a transmissão do vírus, as quais incluíram “o fechamento de escolas
e locais de trabalho, a suspensão de alguns tipos de comércio e o cancelamento de eventos para
evitar aglomeração de pessoas”.
Nesse fluxo, dentre as mudanças na vida social, a rotina escolar foi uma das mais
impactadas, uma vez que as escolas suspenderam as atividades presenciais por tempo
indeterminado. Considerando o cenário pandêmico, foi orientada, pelo Ministério da Educação
(MEC), a modificação do ensino presencial pelo modelo de ensino remoto emergencial, em
que, por meio da portaria n.º 343, de 17 de março de 2020, ficou estabelecida a substituição
das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar [durasse] a situação de
pandemia do Novo Coronavírus COVID-19” (BRASIL, 2020, p. 1). Em razão disso,
professores e alunos se encontraram de forma repentina diante de outro formato de ensino.
No tocante à discussão, Moreira, Henrique e Barros (2020, p. 352) salientam que com
o ensino remoto:
Os professores se transformaram em youtubers gravando videoaulas e
aprenderam a utilizar sistemas de videoconferência, como o Skype, o Google
Hangout ou o Zoom e plataformas de aprendizagem, como o Moodle, o
Microsoft Teams ou o Google Classroom. No entanto, na maioria dos casos,
estas tecnologias foram [...] utilizadas numa perspectiva meramente
instrumental, reduzindo as metodologias e as práticas a um ensino apenas
transmissivo.
A maneira com que o ensino remoto foi organizado deixou evidente que essa
modalidade chegou de forma inesperada, fazendo com que professores e alunos migrassem para
outra realidade. Essa migração fez com que se incorporassem tecnologias digitais, as quais
convocaram a transformação de práticas pedagógicas e metodologias de ensino-aprendizagem,
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 9
fazendo com que professores repensassem novas formas de ensinar e se conectar com as
pessoas.
É sabido que o ensino remoto passou a ser a solução diante da crise sanitária que
vivenciamos em outrora, com essa perspectiva se deliberou o uso urgente das tecnologias
digitais. Nessas circunstâncias, houve para os educadores a necessidade de transformar os
modos de pensar a educação, sendo preciso instaurar novos instrumentos pedagógicos,
impulsionados por essa realidade, em que foi demarcado o uso de ferramentas digitais como
home office, as plataformas digitais, as reuniões virtuais, a gravação de videoaulas, dentre
outros, isso com o intuito de diminuir os malefícios provocados aos estudantes afetados nos
processos de ensino-aprendizagem.
Frente às mudanças impostas no modo de ensinar-aprender, emergiu a necessidade de
reconhecer que existem dificuldades peculiares nessa modalidade de ensino, conforme
fundamentam Ferreira e Santos (2021, p. 2):
O sistema educacional não estava preparado para enfrentar uma pandemia,
não apenas na questão voltada à saúde, mas também no acesso ao ensino.
Muitas escolas e seus alunos, principalmente nas zonas rurais não possuem
[possuíam] acesso à internet ou falta-lhe equipamento tecnológico para
utilizá-lo. Tendo em vista que professores não tinham conhecimento do que
eram aulas remotas, faltando-lhes assim uma qualificação, pois na grande
maioria não utilizavam recursos tecnológicos para ministrar suas aulas.
Destaca-se que a mudança repentina no modelo de ensino trouxe desafios pedagógicos,
devido à falta de habilidade e experiência de professores para o uso das tecnologias digitais em
sala de aula, pois com o início do isolamento social, muitos docentes não tiveram a formação
continuada necessária para o uso de ferramentas tecnológicas no ensino remoto. Não obstante,
também se depararam com a indisposição dos próprios estudantes para lidar com aulas nessa
perspectiva, especialmente os estudantes que vivem no campo.
Partiu-se da premissa de que as populações do campo foram uma das mais atingidas
pela forma como o ensino remoto se desenvolveu, uma vez que manter o vínculo com esse
público foi um desafio, haja vista que muitos estudantes não possuíam computador, internet,
celular e um ambiente favorável aos estudos.
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 10
Metodologia do estudo
Para a realização desta pesquisa, foi feito o uso da abordagem qualitativa. De acordo
com Medeiros, Varela e Nunes (2017), esse tipo de abordagem tem como referência a
interpretação e compreensão do mundo social, isso significa que o pesquisador qualitativo
enfoca nos fenômenos sociais na perspectiva dos atores sociais envolvidos, visando a
compreensão.
Para corroborar esse entendimento, Chizzotti (2006, p. 28) afirma que “o termo
qualitativo implica uma partilha densa com pessoas, fatos e locais que constituem objetos de
pesquisa, para extrair desse convívio os significados visíveis e latentes que somente são
perceptíveis a uma atenção sensível”.
Buscando alcançar o objetivo traçado para este trabalho, fundamentaram-se na pesquisa
de campo. Entende-se que esta pesquisa se tipificou como uma pesquisa de campo por ter
possibilitado adentrarem no ambiente social em que foi realizado o estudo com a finalidade de
observar o fenômeno que foi proposto analisar. Para argumentar a concepção, Piana (2009, p.
169) diz: “a pesquisa de campo é o tipo de pesquisa que pretende buscar a informação
diretamente com a população pesquisada. Ela exige do pesquisador um encontro mais direto”.
Para a produção dos dados, foram utilizadas entrevistas semiestruturadas. Segundo
Fraser e Gondim (2004), esse tipo de entrevista é compreendido no meio acadêmico como uma
técnica de investigação flexível. O pesquisador desenvolve a entrevista a partir de um roteiro
composto por perguntas (abertas e fechadas) previamente estabelecidas, porém, constrói um
diálogo horizontal entre pesquisador e pesquisado. Assim, podem ser incluídas novas questões
a partir da realidade vivida no momento.
Nessa investigação, foi elaborado um roteiro composto pelo conjunto de 12 questões
abertas, das quais seis serão analisadas neste texto por atenderem, diretamente, o objetivo
central do estudo. Elencou-se que a realização das entrevistas ocorreu durante o mês de junho
do ano de 2022. As entrevistas foram agendadas com contato prévio, tendo o seu dia e horário
marcados de acordo com a disponibilidade dos entrevistados.
Para participar da pesquisa, foram convidados três professores que lecionam na Unidade
Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, localizada na comunidade de São Lourenço,
Felipe Guerra RN. Registra-se que, para participarem do estudo, os docentes assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, documento elaborado por nós, o qual autorizou
a divulgação das informações disponibilizadas pelos participantes.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 11
Visando resguarda a identidade dos professores que contribuíram com a pesquisa,
nominaram-se os docentes no decorrer deste escrito como Professor “A”, Professora “B” e
Professora “C”. Destaca-se que para realização do estudo foi obtida uma autorização da escola,
por meio de um contato informal, especificamente com a diretora. Além disso, registra-se que
os três professores representam a totalidade dos docentes da instituição (a escola se constitui
apenas com os três professores no seu corpo docente. É uma escola multisseriada).
A seguir, apresentam-se reflexões de cunho analítico a partir dos diálogos produzidos
com os professores, participantes do estudo.
Percepções de professores de uma escola no campo sobre o ensino remoto
Esta seção tem a intenção de apresentar a análise acerca dos resultados construídos na
pesquisa. Nessa perspectiva, parte do que foi realizado na produção dos dados com as
entrevistas semiestruturadas será analisada nessa seção. Das 12 questões que compuseram as
entrevistas semiestruturadas, seis serão dialogadas a partir de agora.
No que confere à primeira questão, frisou-se acerca do que os professores entendem
por ensino remoto. Vejamos suas declarações:
O ensino remoto são aquelas aulas gravadas, onde o professor não tem o
contato pessoalmente com o aluno, o professor pode tanto gravar suas aulas
e colocar no sistema para os alunos visualizarem, como também pode fazer
aulas síncronas que são aulas ao vivo onde estamos vendo os alunos e eles
podem receber a aula no momento em que estamos gravando
(Professor “A”,
Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra
RN, 2022).
É um ensino a distância de professor e aluno, nele o professor fica repassando
os seus conteúdos e recebendo as atividades que solicita aos alunos
(Professora “B”, Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza,
Felipe Guerra RN, 2022).
Eu vejo o ensino remoto como uma adaptação do ensino/aprendizagem com
a tecnologia. Nele, os conteúdos são desenvolvidos de forma on-line e o
contato cara a cara do professor com o aluno se distancia (Professora “C”,
Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra
RN, 2022).
Os três professores que participaram da pesquisa declararam que o ensino remoto pode
ser entendido como uma modalidade de ensino on-line, cujos conteúdos e atividades são
Informamos que após a gravação e transcrição das entrevistas realizamos a revisão de alguns aspectos
relacionados à linguagem, visando adequar os registros produzidos à norma culta da língua portuguesa.
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 12
realizados em ambientes virtuais, com o uso de ferramentas tecnológicas. O professor “A”
ressaltou que no ensino remoto não o contato pessoalmente do professor com o aluno. Na
prática, as aulas são ministradas de duas maneiras, sejam por meio de transmissões ao vivo ou
gravadas.
A professora “B” pontuou que o ensino remoto se trata de um ensino pautado no
distanciamento físico entre professor e aluno. Dessa maneira, o professor consegue
remotamente trabalhar os conteúdos curriculares e, ao mesmo tempo, receber as atividades
pedagógicas.
A professora “C”, por sua vez, afirmou que o ensino remoto pode ser visto como o
processo de ensino-aprendizagem adequado à tecnologia, no qual todo conteúdo elaborado é
disponibilizado de forma on-line. Sendo assim, o contato entre professor e aluno se mantém
distante.
Nas três declarações, é possível ver aproximações no entendimento sobre o ensino
remoto no que toca à sua realização de forma não presencial. Atrelando-se a isso, há a distância
física e a tecnologia como instrumentos de mediação na relação professor-aluno.
Conforme Moreira e Shlemmer (2020, p. 8), o modelo de educação, denominado de
ensino remoto, pode ser considerado como “uma modalidade de ensino ou aula, que pressupõe
o distanciamento geográfico de professores e estudantes [...]”. Ele se configura a partir do uso
da tecnologia para a transmissão de conteúdos curriculares e atividades pedagógicas dos
professores para os alunos. Assim, esse formato de ensino utiliza as tecnologias digitais,
principalmente, para que as pessoas, em locais diferentes e distantes, possam acessar e interagir
ao mesmo tempo, por meio de plataformas digitais, como maneira de se comunicar e dialogar.
Em relação à questão dois, foi encaminhado para que os professores descrevessem como
eram planejadas as atividades de ensino-aprendizagem, desenvolvidas no período da pandemia
causada pela COVID-19, por meio do ensino remoto na escola no campo. Eles pontuaram:
Muito dificultosa essa questão de planejar as aulas, principalmente porque a
gente não podia ter o momento presencial. A coordenadora pedagógica da
escola foi estudando alguns materiais na busca de informações sobre como
seguiríamos diante da pandemia e reuniu todos os professores de maneira
virtual e passou para a gente como deveríamos fazer o planejamento e
prosseguir com as aulas. Ficou decidido que os conteúdos seguiriam pelo
livro didático e gravávamos os deos a partir desses conteúdos para
disponibilizarmos para os alunos. Eu, particularmente, não segui os
conteúdos do livro didático, pois os alunos estavam passando por uma grande
dificuldade em termos de aprendizagem, muitos não sabiam ler, então decidi
que passaria conteúdos relacionados a essa deficiência deles na leitura e
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 13
escrita, eu pesquisava os conteúdos na internet e gravava videoaulas. E foi
com esse planejamento que consegui me sobressair durante esses dois anos
de pandemia (Professor “A”, Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo
de Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
As atividades eram planejadas pensando no aluno, a gente fazia todo dia o
plano de aula vendo como que ia executar aquela aula e repassar os
conteúdos para os alunos. A gente fazia o máximo para eles entenderem. Os
conteúdos planejados eram através do livro didático e desse conteúdo a gente
gravava vídeos e passava atividades sobre o conteúdo para eles responderem.
Se a gente visse que a grande maioria não conseguiria e ia ter dificuldades
de responder, a gente replanejava as atividades (Professora “B”, Unidade
Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
O planejamento era feito através do livro didático, em que tinham que ser
trabalhados mesmo on-line através de ligações via WhatsApp, com a ajuda
de alguns pais fomos conseguindo realizar as atividades propostas
(Professora “C”, Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza,
Felipe Guerra RN, 2022).
Ao analisar o registro do professor “A”, percebe-se que a perspectiva pedagógica de
seguir o livro didático foi direcionada pela coordenadora pedagógica da escola, porém, o
professor salientou que seguiu outra forma de planejar e gerir as aulas remotas, creditando a
necessidade dos seus alunos, buscando atender as particularidades de cada estudante. Assim,
validou a leitura e a escrita como aspecto central das atividades propostas. A complexidade de
ensinar de forma remota é desafiadora para todos, exige que o mediador da sala tenha
conhecimentos e habilidades para trabalhar com metodologias que facilitem o ensino-
aprendizagem.
Sobre o exposto, Kato (2020, p. 20-21) aponta:
Estamos imersos em tantas informações e ampla comunicação em tempo real
que adotar práticas pedagógicas consistentes e específicas são imprescindíveis
para que estudantes, ainda mais quando estão no ciclo de alfabetização e
letramento, e professores permaneçam em contato diário.
É através do planejamento que o professor conseguiu pensar e desenvolver práticas
pedagógicas que viabilizassem a assistência diária do aluno, no momento pandêmico vivido.
As professoras “B” e “C” seguiram perspectivas pedagógicas próximas no que toca ao
planejamento e à execução. Tomaram como referência o livro didático com a ajuda de recursos
tecnológicos para gravar os conteúdos, bem como atender as necessidades de cada turma.
Entende-se que com a emergência das aulas remotas, a criação e adaptação das aulas na
realidade educacional no âmbito da COVID-19 aflorou a criatividade de vários professores.
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 14
Assim, por meio do planejamento, novas metodologias foram sendo desenvolvidas. Cordeiro
(2020, p. 6) registra:
A criatividade dos professores brasileiros em se adaptar à nova realidade é
indescritível no que se trata da criação de recursos midiáticos: criação de
videoaulas para que os alunos possam acessar de forma assíncrona, além das
aulas através de videoconferência para a execução de atividades ncronas
como em sala de aula.
Compreende-se que o planejamento de novas estratégias pedagógicas para as aulas foi
primordial frente ao contexto vivido, bem como o compromisso que os professores tiveram
para com a educação. A adaptação da sala de aula para as plataformas digitais promoveu um
esforço coletivo nunca pensado na educação em termos de materializar os processos de ensinar-
aprender, mas com a criatividade, zelo e responsabilidade dos professores, as dificuldades não
foram suficientes para a educação não se promover.
Na continuidade da análise, os professores foram conduzidos a narrarem sobre suas
experiências em lecionar aulas na modalidade de ensino remoto. Na mesma questão, enfatiza-
se a respeito das principais metodologias de ensino desenvolvidas por eles. Leiamos seus
registros:
Difícil, viu! Muito difícil! Tive muitas dificuldades, assim como a grande
maioria dos professores, mas acredito que consegui me sobressair. Me
sobressaí justamente porque eu sempre não deixava as deficiências me
derrubarem. Durante esse período, eu consegui alfabetizar crianças, o que
foi para mim uma grande conquista e espero continuar nessa perspectiva na
escola. Eu procurava usar as metodologias mais simples possíveis, eu usava
muito o WhatsApp para falar com os alunos e mandar os conteúdos, visto que
se eu fizesse pelo Google Meet, eu não ia ter tanta participação. Eu consegui
bons resultados, justamente, porque ia pela metodologia mais fácil, eu
conheço a realidade de cada um, então não adiantava usar métodos
avançados. Eu gravava os vídeos simples e curtos, usando uma linguagem
fácil para os alunos aprenderem, postava fotos sobre o conteúdo e mesmo
com a pandemia, eu ia na casa dos meus alunos entregar as atividades
impressas para aqueles que não tinham acesso ao celular (Professor “A”,
Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra
RN, 2022).
A experiência foi desafiadora, foi complicado, a gente trabalhou o dobro do
que no presencial porque, como era na zona rural, a realidade era bem difícil
e diferente da cidade. Se a gente quisesse atingir o objetivo, tinha que ter
disponibilidade. Eu, particularmente, passava o dia trabalhando e atendendo
aos alunos e pais dos alunos. Fomos orientados a ter o horário certo para
começar e terminar a aula, mas como conhecemos a realidade dos alunos,
para eles acompanharem as aulas, eu fazia videochamadas em outros
horários que não eram meus horários de trabalho. Nesse período, eu também
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 15
trazia alunos que tinham mais dificuldades para ensinar em minha casa. As
metodologias que eu usava eram videoaulas, eu gravava os vídeos explicando
a aula e passava para eles, algumas vezes fazia chamada de vídeo pelo
WhatsApp para interagir, retirar dúvidas, também gravava e postava alguns
áudios no grupo da turma sobre os conteúdos. O WhatsApp era nosso meio
de comunicação, era por ele que eu recebia as fotos com algumas das
atividades dos alunos, então basicamente a metodologia era essa (Professora
“B”, Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe
Guerra RN, 2022).
Desafiadora [...], foi uma adaptação bem difícil, eu diria que uma das mais
difíceis que já tive como professora, pois era um dia todo para atender todas
as crianças. Nem todas tinham acesso à internet, nem todos os pais sabiam
ensinar os filhos nas atividades propostas. As metodologias eram aulas on-
line, enviávamos videoaula para os alunos que tinham acesso ao celular, fazia
chamada de vídeo pelo WhatsApp para dialogar. Para os que não tinham o
celular, eu imprimia as atividades e ia entregar na escola (Professora “C”,
Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra
RN, 2022).
A prática de experienciar aulas na modalidade de ensino remoto é narrada pelos
professores como algo difícil, complicado e desafiador. Sabe-se que as mudanças
organizacionais muitas vezes são difíceis e surgem em contextos dolorosos, como é o caso da
pandemia causada pela COVID-19. Essas mudanças implicam em grandes desafios
institucionais, pessoais e coletivos (MOREIRA; HENRIQUE; BARROS, 2020). Elas exigem
do profissional novos esforços e habilidades em sua jornada de trabalho.
No que se refere às metodologias para realização das aulas, observou-se que a prática
de aulas gravadas foi utilizada pelos professores para exibição e explicação dos conteúdos
curriculares. Assim, as aulas passaram a ser assíncronas, em que vídeos, fotos e atividades
avaliativas eram produzidas pelos professores e enviadas para os alunos por meio do aplicativo
de mensagem WhatsApp.
Ao abordar as metodológicas de ensino, o professor “A” afirmou que buscou simplificar
ao máximo os conteúdos curriculares para tornar possível a aprendizagem dos alunos, além de
nos informar que mesmo com a pandemia, ia aos seus domicílios entregar as atividades
escolares daqueles que não possuíam acesso à internet (e celular). As professoras “B” e “C”
apontaram a necessidade contínua de interatividade, diariamente se comunicavam de forma
síncrona com os alunos por meio de chamadas de vídeo pelo WhatsApp para dialogar e retirar
as dúvidas caso tivessem alguma dificuldade de entendimento do conteúdo curricular.
Nessa perspectiva, observou-se que houve momentos síncronos (ao vivo) e assíncronos
(aulas gravadas) para possibilitar aos estudantes uma participação mais ativa nas aulas, isso
porque quando uma interação acerca da discussão dos temas estudados, contribui-se para
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 16
que os alunos possam apresentar suas ideias e construir os conhecimentos que são importantes
para potencializar suas habilidades cognitivas.
Considerando os procedimentos metodológicos empregados pelos professores, nota-se
que estão inspirados no que Moran (2018, p. 2) denomina de metodologias ativas, as quais são
“estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do
processo de aprendizagem”. A partir do que depõem os participantes, visualizou-se que
buscaram trabalhar na perspectiva dessas estratégias metodológicas. Interpretou-se também que
foram priorizados a flexibilidade dos conteúdos curriculares e o diálogo com os alunos, a fim
de que houvesse sua participação ativa no processo de ensino-aprendizagem.
Ainda em relação aos registros dos professores, foi observado que o uso do aplicativo
de mensagens WhatsApp foi utilizado pelos participantes com a funcionalidade de um Ambiente
Virtual de Aprendizagem (AVA), visto que se tornou uma ferramenta de mediação do processo
de aprendizagem e que, desse modo, contribuiu para a difusão do ensino que acontecia
remotamente.
As percepções dos professores nos permitem pensar que esse recurso pode ser útil não
como meio de comunicação, mas para realização de diversas atividades, uma vez que
oportuniza “[...] a criação de grupos de contatos para troca de mensagens, a realização de
chamadas de voz, bem como o compartilhamento de arquivos de textos, áudios, fotos e vídeos”
(LUCENA; OLIVEIRA; SANTOS JUNIOR, 2017, p. 263).
Refletiu-se que por mais difícil que tenha sido vivenciar a experiência de aulas com a
modalidade de ensino remoto, os professores deram prosseguimento ao seu trabalho
pedagógico, mostrando empenho, dedicação e comprometimento ao criarem novas
metodologias e recursos que viessem dar seguimento ao ensino e procurassem manter o aluno
em um processo de aprendizagem mais ativo.
A quarta questão se referiu às principais ferramentas digitais utilizadas pelos professores
no ensino remoto durante a pandemia causada pela COVID-19. Eles notificaram:
No início do ano de 2021, tivemos uma semana pedagógica bem interessante,
onde foi apresentado um pouco sobre as tecnologias digitais, mas veja bem,
em um dia não era possível ensinar a todos os professores como usar essas
ferramentas. Foi uma coisa muito bonita, porém, não atingiu o objetivo
durante o ano porque a nossa realidade é outra e os professores não têm todas
as ferramentas necessárias. Mesmo se tivessem, não tinham conhecimento
para usá-las corretamente na sala de aula. Então, eu não usava essas
tecnologias, a principal ferramenta que eu usei e foi bastante efetiva ao
período foi o celular que me ajudou a gravar vídeos e conversar com os
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 17
alunos (Professor “A”, Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de
Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
A principal ferramenta que eu usei foi o celular para transmitir as aulas e
enviar os materiais (Professora “B”, Unidade Escolar X Professor Antônio
Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
O Celular, usando a chamada de vídeo (Professora “C”, Unidade Escolar X
Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
A partir dos depoimentos orais, identificou-se que o celular foi a principal ferramenta
utilizada pelos professores para auxiliar no ensino remoto durante a pandemia. Conforme
destacado na fala dos professores, o uso pedagógico desse aparelho foi relevante para realizar
chamadas de vídeo, transmitir as aulas, enviar os materiais e manter a comunicação com os
alunos. Alencar et al. (2015, p.789) ao tratarem do uso das tecnologias no ensino afirmam que
o celular se transformou em um aliado para o professor, sendo utilizado como ferramenta de
suporte à aula”. Especialmente no período das aulas remotas, o celular possibilitou, em muitos
casos, a continuidade das aulas e atividades pedagógicas que tiveram que migrar para internet
em virtude da pandemia causada pela COVID-19.
Frente ao exposto, avaliou-se que o celular foi escolhido como ferramenta por esse
recurso contribuir com o trabalho do professor no momento em que ele não pôde estar
fisicamente com seus alunos, além dele ser conhecido e utilizado mesmo antes do quadro
pandêmico instaurado e do ensino remoto. A preferência por essa ferramenta pode se associar
ao fato dessa tecnologia fazer parte do dia a dia e pela sua multifuncionalidade, tendo em vista
que permite “[...] filmar, tirar fotos, produzir montagens, gravar o áudio que o usuário desejar,
além de oferecer uma grande variedade de acesso aos aplicativos, programas criados por
pessoas jurídicas para atender necessidades de todo tipo, inclusive, educativas” (LOPES;
PIMENTA, 2017, p. 60).
Em sequência às questões, os professores foram questionados sobre as principais
estratégias pedagógicas utilizadas para sanar as dificuldades encontradas no processo de ensino-
aprendizagem com os alunos durante o período das aulas remotas. Obtiveram-se as seguintes
considerações:
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 18
As estratégias foram as mais simples como relatei nas metodologias, eu
não determinava um horário fixo para os alunos me enviarem as atividades,
porque se eu determinasse o horário, poucos iam me enviar, justamente
porque eu não podia determinar um horário sem conhecer a realidade dos
alunos. Eu também usava a estratégia de mandar pouco conteúdo com uma
linguagem simples. Quando os alunos tinham alguma dúvida, a gente fazia
uma ligação através de uma videochamada no WhatsApp, então eu acho que
usar essas estratégias simples, de acordo com a realidade do meu aluno, fez
com que eu obtivesse um bom resultado nas aulas remotas (Professor “A”,
Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo Souza, Felipe Guerra RN,
2022).
As estratégias, a gente fazia pensando em como a gente dava a aula e recebia
as atividades dos alunos, tinha dia que a gente não recebia as atividades,
então era preciso renovar as estratégias para ver se dava certo a continuidade
de recebermos as atividades. Uma estratégia que eu usava bastante era fazer
atividades xerocadas e ir deixar na escola para os alunos irem pegar,
principalmente para aqueles alunos que não tinham o acesso à internet e ao
celular (Professora “B”, Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de
Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
Em minhas estratégias, eu procurava fazer atividades didáticas para eles
conseguirem responder e os pais conseguirem ajudar. Também usava a
estratégia de imprimir as atividades para aqueles alunos que não tinham
acesso a nenhum tipo de tecnologia (Professora “C”, Unidade Escolar X
Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
A partir dos depoimentos dos professores sobre as estratégias pedagógicas para ajudar
os alunos nas dificuldades encontradas durante o período com aulas remotas, identificou-se que
foram utilizadas estratégias tanto para os estudantes que possuíam acesso às ferramentas
tecnológicas e à internet, como para aqueles que não dispuseram desses recursos. O professor
“A” notificou que sua principal referência para ajudar os alunos foi realizar estratégias de
acordo com as suas realidades, ele afirmou que investiu em estratégias simples, procurava não
determinar horários fixos para o envio das atividades, direcionava poucos conteúdos
curriculares e usava uma linguagem de fácil compreensão. As professoras “B” e “C”, seguindo
a mesma estratégia, referenciam que, em virtude da continuidade do recebimento das atividades
dos alunos que não tinham acesso à internet e ao celular, disponibilizavam atividades impressas
para serem entregues na instituição escolar.
A pandemia e o ensino remoto incidiram a necessidade de pensar em estratégias
pedagógicas que se adaptassem à realidade de cada aluno, tornando-se dever da escola observar
os limites de acesso às tecnologias digitais dos estudantes, em vista de considerar propostas
inclusivas que não reforçassem as desigualdades sociais.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 19
Comungando com esse pensamento, Cardoso, Ferreira e Barbosa (2020, p. 45),
ressaltam que são necessárias práticas inclusivas, a denominada inclusão digital, que permita
que a educação chegue a todos os que dela dependem, ou mesmo alternativas de educação à
distância que não contem com a imprescindibilidade de acesso às tecnologias”.
Pensar em estratégias pedagógicas que incluam os estudantes é de suma importância
para respeitar as especificidades de cada aluno e garantir que todos participem dos processos
de ensino-aprendizagem em tempos e espaços diversos.
A última questão que dialoga neste texto, indagou aos professores se durante o período
com o ensino remoto na escola no campo, eles receberam apoio da instituição ou da secretaria
de educação do município, uma vez que se refere a uma escola da esfera municipal. Ainda nessa
questão, foi salientado se eles participaram de alguma atividade de formação para atuar com o
ensino remoto e as tecnologias digitais. Seus registros são esclarecedores:
A secretaria de educação do município sempre nos instigou sobre as
prerrogativas que a gente iria trabalhar. Diariamente, se tivéssemos alguma
dúvida, poderíamos chegar a entrar em contato com a coordenadora
pedagógica da instituição, então da parte pedagógica tivemos apoio sim,
claro que um pouco deficiente, pois ninguém estava ambientado para esse
tipo de ensino remoto, mas tivemos sim um acompanhamento tanto por parte
da secretaria de educação do município como da instituição. Em relação
algum tipo de treinamento e formação específica para atuar com o ensino
remoto e usar as tecnologias, não tivemos! Até porque não tínhamos essa
tecnologia avançada, o que tivemos foi uma orientação básica sobre como
usar o celular, mas não tivemos nenhum ensinamento na prática para atuar
com o ensino remoto e usar as tecnologias digitais (Professor “A”, Unidade
Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
Recebemos, sim, apoio pedagógico, tanto da secretaria como da escola.
Ambos sempre nos orientavam e nos davam o apoio necessário para lidarmos
com a situação. Nossa sede e apoio pedagógico se dava na secretaria de
educação do município com a diretora e coordenadora pedagógica da escola,
a gente ia para a sede e nos reuníamos, elas nos orientavam de todas as
formas possíveis. Não participei de nenhuma formação para atuar com o
ensino remoto, o que eu tive foi algumas orientações sobre como que íamos
trabalhar e usar as tecnologias que a gente tinha, que no nosso caso era o
celular (Professora “B”, Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de
Souza, Felipe Guerra RN, 2022).
Sim, a secretaria de educação e a escola trabalharam nesse período com
muita responsabilidade, dando apoio em nosso trabalho pedagógico. Por
parte da escola, a coordenadora e a diretora apoiaram com orientações sobre
como planejar e dar aulas remotas, claro que uma ajuda escassa, que todos
estavam no mesmo barco com as mesmas dificuldades. Quanto à formação e
prática para dar as aulas, não participei, tive que com muitas dificuldades
aprender a me familiarizar com as tecnologias, fiz o meu trabalho a partir
das orientações passadas e com as ferramentas que eu tinha (Professora “C”,
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 20
Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra
RN, 2022).
As declarações dos professores são similares, visto que os três concordaram que a
instituição e a secretaria de educação do município apoiaram, pedagogicamente, com
orientações sobre como eles se organizariam para desenvolver o ensino remoto. Sabe-se que o
ensino remoto trouxe uma nova perspectiva para pensar os processos educativos, estudantes e
professores precisaram de apoio para lidar com as incertezas tão recorrentes da pandemia e pelo
que os professores registraram, foi observado que houve esse apoio no comprometimento da
gestão escolar, especialmente da diretora e da coordenadora pedagógica que buscaram dar o
suporte possível, nas condições existentes, para que a escola no campo, os professores e os
alunos resistissem no contexto da pandemia causada pela COVID-19.
Sobre a formação continuada direcionada ao ensino a distância e às tecnologias digitais,
os professores narraram não ter realizado algum tipo de formação para atuar nesse contexto.
Entende-se que nesse momento excepcional na educação, as tecnologias digitais ocuparam uma
posição de destaque, porém, por si só, não promoveram condições para fazer com que o
processo educativo ocorresse. Foi necessário que o professor detivesse conhecimentos e
habilidades para uma prática pedagógica efetiva em um ambiente equipado com as tecnologias
digitais. À vista disso, Rocha et al. (2020) acreditam que “[...] o professor que utilizou TD
[tecnologias digitais] com o objetivo de alterar seus modos de ensino acabou necessitando de
constantes processos formativos, que repercutissem em uma ressignificação de sua prática
pedagógica” (ROCHA et al., 2020, p. 65).
Compreende-se que mudar a prática pedagógica de uma hora para outra não é tarefa
fácil, as constantes transformações e o surgimento acelerado dos novos aparatos tecnológicos
têm exigido que o profissional se mantenha em um processo de formação contínua, para
construir com a tecnologia digital uma ação capaz de agregar novas perspectivas e
possibilidades para a aprendizagem. Isso é refletido a partir do que informam os professores,
participantes do estudo, que, com início inesperado do isolamento e distanciamento social, não
receberam a formação continuada necessária para o uso das tecnologias digitais no ensino
remoto emergencial na escola no campo.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 21
Considerações finais
O estudo se deteve para a experiência com o ensino remoto em uma escola municipal,
na zona rural de Felipe Guerra, Rio Grande do Norte, Brasil. O objetivo geral foi analisar as
percepções dos professores sobre o ensino remoto no período da pandemia causada pela
COVID-19. A pesquisa contou, como participantes, com três professores da Educação Infantil
e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Utilizou-se da abordagem qualitativa, da pesquisa
de campo e de entrevistas semiestruturadas para a produção dos dados. Como conclusão, foi
demarcado que o ensino remoto exigiu reinvenção e adaptação de práticas pedagógicas dos
professores na escola no campo.
Frisou-se ainda que os professores precisaram reorganizar suas metodologias de ensino
e criar estratégias personalizadas a partir do alunado pertencente a cada turma. Além disso, o
ensino remoto evidenciou as desigualdades sociais, especialmente no ensino público em áreas
rurais, em que a falta de infraestrutura tecnológica excluiu alguns estudantes. O estudo
contribuiu para compreender, parcialmente, a escolarização durante a pandemia causada pela
COVID-19, destacando a necessidade de enfrentar esses desafios educacionais.
A partir da pesquisa, observou-se que o ensino remoto destacou a fragilidade do sistema
de ensino, revelando lacunas como a falta de qualificação profissional dos professores para o
uso de ferramentas tecnológicas e a necessidade de maior investimento na política educacional
para equipar as escolas e oferecer formação com esse fim aos professores. Frente a isso, foi
destacado que outro efeito foi a dificuldade do acompanhamento e apoio familiar, visto que os
pais e responsáveis pelos estudantes não conseguiam conciliar o trabalho com as aulas on-line
dos (as) filhos (as).
Por fim, percebeu-se que as dificuldades enfrentadas ultrapassaram a configuração do
ensino na escola e estão ligados a diversos fatores pré-existentes que impediram tanto os
professores quanto os alunos de terem acesso a recursos essenciais.
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 22
REFERÊNCIAS
ALENCAR, G. A. et al. WhatsApp como ferramenta de apoio ao ensino. IV Congresso
Brasileiro de Informática na Educação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO, 4., 2015. Anais [...]. [S. l.: s. n.], 2015. DOI:
10.5753/cbie.wcbie.2015.787. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/300237146_WhatsApp_como_ferramenta_de_apoio
_ao_ensino. Acesso em: 15 jul. 2023.
AQUINO, E. M. L. et al. Medidas de distanciamento social no controle da pandemia de
COVID-19: potenciais impactos e desafios no Brasil. Ciênc. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,
v. 25, supl. 1, p. 2423-2446, 2020. DOI: 10.1590/1413-81232020256.1.10502020. Disponível
em: https://www.scielo.br/j/csc/a/4BHTCFF4bDqq4qT7WtPhvYr/?lang=pt. Acesso em: 15
jul. 2023.
AZEVEDO, M. A. Política de Educação do Campo: concepções processos e desafios. In:
CABRAL NETO, A. C. et al. Pontos e contrapontos da política educacional: uma leitura
contextualizada de iniciativas governamentais. Brasília, DF: Liber Livros, 2007.
BRASIL. Portaria n. 343, de 17 de março de 2020. Dispõe sobre a substituição das aulas
presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo
Coronavírus - COVID-19. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 2020.
BRASIL. Guia de vigilância epidemiológica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.
Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2021/03/Guia-de-
vigila%CC%82ncia-epidemiolo%CC%81gica-da-covid_19_15.03_2021.pdf . Acesso em: 15
jul. 2023.
CALDART, R. S. Educação do Campo. In: CALDART, R. S. et al. Dicionário da Educação
do Campo. Rio de Janeiro, São Paulo: Expressão Popular, 2012.
CARDOSO, C. A.; FERREIRA, V. A.; BARBOSA, F. C. G. (Des)igualdade de acesso à
educação em tempos de pandemia: uma análise do acesso às tecnologias e das alternativas de
ensino remoto. Revista Com Censo: Estudos Educacionais do Distrito Federal, [S. l.], v.
7, n. 3, p. 38-46, 2020. Disponível em:
https://periodicos.se.df.gov.br/index.php/comcenso/article/view/929. Acesso em: 15 jul. 2023.
CHIZZOTTI, A. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. Rio de Janeiro:
Editora Vozes, 2006.
CORDEIRO, K. M. A. O impacto da pandemia na educação: a utilização da tecnologia
como ferramenta de ensino. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Pedagogia) Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2020.
FRASER, M. T. D.; GONDIM, S. M. G. Da fala do outro ao texto negociado: discussões
sobre a entrevista na pesquisa qualitativa. Paidéia, [S. l.], v. 14, n. 28, p. 139-152, 2004. DOI:
10.1590/S0103-863X2004000200004. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/paideia/a/MmkPXF5fCnqVP9MX75q6Rrd/?lang=pt. Acesso em: 15
jul. 2023.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS e Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 1519-9029
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 23
FERREIRA, S. F.; SANTOS, A. G. M. Dificuldades e Desafios Durante o Ensino Remoto na
Pandemia: um estudo com professores do Município de Queimadas PB. Revista Científica
Semana Acadêmica, Fortaleza, v. 207. n. 9, 2021. DOI: 10.35265/2236-6717-207-9177.
Disponível em:
https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/94_dificuldades_e_desafios_durante_o_e
nsino_remoto_na_pandemia_um_estudo_com_professores_do_municipio_de_queimadas_pb_
ver_artigo_online.pdf. Acesso em: 15 jul. 2023.
KATO, E. H. Um relato sobre a experiência de aulas remotas em uma turma do 5º Ano
do ensino fundamental durante o período de pandemia por Covid-19. 2020. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de
Ensino) Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2020.
LOPES, P. A.; PIMENTA, C. C. C. O uso do celular em sala de aula como ferramenta
pedagógica: Benefícios e Desafios. Revista Cadernos de Estudos e Pesquisas na Educação
Básica, Recife, v. 3, n. 1, p.52-66, 2017. Disponível em:
file:///C:/Users/sbed/Downloads/suportenti,+4A+52-66%20(1).pdf. Acesso em: 15 jul. 2023.
LUCENA, S.; OLIVEIRA, A. A. D.; JUNIOR SANTOS, G. P. WhatsApp e Educação: entre
mensagens, imagens e sons. Salvador: EDUFBA, 2017.
MEDEIROS, E. A.; FORTUNATO, I.; ARAÚJO, O. H. A. A escola na atualidade – ensaio a
partir de Paulo Freire e Alexander Neill. Ensino em Re-Vista, [S. l.], v. 29, 2022. DOI:
10.14393/ER-v29a2022-52. DOI: 10.14393/ER-v29a2022-52. Disponível em:
https://seer.ufu.br/index.php/emrevista/article/view/67370. Acesso em: 27 dez. 2021.
MEDEIROS, E. A.; VARELA, S. B. L.; NUNES, J. B. C. Abordagem Qualitativa: estudo na
Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (2004 2014). Holos, [S.
l.], v. 2, p. 174189, 2017. DOI: 10.15628/holos.2017.4457. Disponível em:
https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/4457. Acesso em: 14 nov. 2022.
MOREIRA, J. A.; SCHELMMER, E. Por um novo conceito e paradigma de uma educação
digital on-line. Revista UFG, Goiânia, v. 20, n. 26, 2020. DOI: 10.5216/revufg.v20.63438.
Disponível em: https://revistas.ufg.br/revistaufg/article/view/63438. Acesso em: 15 jul. 2023.
MOREIRA, J. A. M.; HENRIQUE, S.; BARROS, D. Transitando de um ensino remoto
emergencial para uma educação digital em rede, em tempos de pandemia. Revista Dialogia,
São Paulo, n. 34, p. 351-364, 2020. DOI: 10.5585/dialogia.n34.17123. Disponível em:
https://periodicos.uninove.br/dialogia/article/view/17123. Acesso em: 15 jul. 2023.
MORAN, J. Metodologias ativas e modelos híbridos na educação. 2018. Disponível em:
https://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2018/03/Metodologias_Ativas.pdf.
Acesso em: 15 jul. 2023.
PIANA, M. C. A Pesquisa de Campo. In: PIANA, M. C. A construção do perfil do
assistente social no cenário educacional. São Paulo: Editora UNESP; Cultura Acadêmica,
2009.
O ensino remoto na pandemia causada pela COVID-19: Percepções de professores de uma escola no campo
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 24
RIBEIRO, M. Educação Rural. In: CALDART, R. S., et al. Dicionário da Educação do
Campo. Rio de Janeiro, São Paulo: Expressão Popular, 2012.
ROCHA, F. S. M. et. al. O uso de tecnologias digitais no processo de ensino durante a
pandemia da COVID-19. Revista Interacções, [S. l.], v. 16, n. 55, p. 58-82, 2020. DOI:
10.25755/int.20703. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/interaccoes/article/view/20703.
Acesso em: 15 jul. 2023.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradecemos à Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de
Souza por ter permitido e ter contribuído com a realização da pesquisa.
Financiamento: Sem financiamento.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho não passou pelo comitê de ética em pesquisa com seres
humanos. Fizemos uso do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE).
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho estão
disponíveis para acesso no texto.
Contribuições dos autores: Ana Paula de Oliveira: escreveu e realizou a pesquisa,
Emerson Augusto de Medeiros e Vanessa de França Almeida Gurgel: escreveram e
revisaram o artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
EDI
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 1
REMOTE TEACHING IN THE PANDEMIC CAUSED BY COVID-19:
PERCEPTIONS OF TEACHERS AT A COUNTRYSIDE SCHOOL
O ENSINO REMOTO NA PANDEMIA CAUSADA PELA COVID-19: PERCEPÇÕES DE
PROFESSORES DE UMA ESCOLA NO CAMPO
LA ENSEÑANZA A DISTANCIA EN LA PANDEMIA POR COVID-19:
PERCEPCIONES DE LOS PROFESORES DE UNA ESCUELA DE CAMPO
Ana Paula de OLIVEIRA1
e-mail: anapaulinhaoliveira2016@gmail.com
Emerson Augusto de MEDEIROS2
e-mail: emerson.medeiros@ufersa.edu.br
Vanessa de França Almeida GURGEL3
e-mail: vanessaalmeida_rn@hotmail.com
How to reference this paper:
OLIVEIRA, A. P.; MEDEIROS, E. A.; GURGEL, V. F. A. Remote
Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of
teachers at a countryside school. Temas em Educ. e Saúde,
Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471. DOI:
https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719
| Submitted: 11/05/2023
| Revisions required: 20/07/2023
| Approved: 05/09/2023
| Published: 28/11/2023
Editors:
Prof. Dr. Luci Regina Muzzeti
Prof. Dr. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Federal Rural University of the Semi-Arid (UFERSA), Mossoró RN Brazil. Master's student in the
Postgraduate Program in Teaching (POSENSINO/UFERSA/UERN/IFRN).
Federal Rural University of the Semi-Arid (UFERSA), Mossoró RN Brazil. Adjunct Professor at the
Department of Human Sciences. Permanent Professor of the Postgraduate Program in Teaching
(POSENSINO/UFERSA/UERN/IFRN). PhD in Education from the State University of Ceará (UECE).
Federal Rural University of the Semi-Arid (UFERSA), Mossoró RN Brazil. Master's student in the
Postgraduate Program in Teaching (POSENSINO/UFERSA/UERN/IFRN).
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 2
ABSTRACT: This study focuses on the experience with remote teaching in a school in the
Rural Community of São Lourenço, Felipe Guerra RN, during the pandemic period caused
by COVID-19 (2020 2022). Thus, the study's central objective is to analyze teachers'
perceptions of the School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN,
regarding remote teaching. The study used a qualitative approach and was classified as field
research in methodological parameters. Three teachers who teach at the referenced school in
Early Childhood Education and in the early years of Elementary School participated in the
study. As a technique for constructing the data, semi-structured interviews were used, which
were carried out in June 2022. It is concluded that the pedagogical practice with the objective
of teaching children to read and write during the pandemic period caused by COVID-19, more
specifically between the years 2020 and 2022, intensified the work routine of teachers. The lack
of continued training for the use of digital technologies was also highlighted, however, teachers,
through continuous planning, produced pedagogical strategies that added to the teaching-
learning processes with students in the context of the pandemic.
KEYWORDS: Remote Teaching. School in the Countryside. Pandemic. Rural Education.
RESUMO: Este estudo centraliza-se para a experiência com o ensino remoto em uma escola
na Comunidade Rural de São Lourenço, Felipe Guerra RN, no período da pandemia causada
pela COVID-19 (2020 2022). Dessa forma, o estudo tem como objetivo central analisar as
percepções de professores da Unidade Escolar X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe
Guerra RN, a respeito do ensino remoto. Em parâmetros metodológicos, o estudo fez uso da
abordagem qualitativa e se tipificou como uma pesquisa de campo. Do estudo, participaram
três professores que lecionam na escola referenciada na Educação Infantil e nos anos iniciais
do Ensino Fundamental. Como técnica para a construção dos dados, utilizou-se de entrevistas
semiestruturadas, as quais foram realizadas no mês de junho de 2022. Conclui-se que a prática
pedagógica com o objetivo de alfabetizar crianças no período da pandemia causada pela
COVID-19, mais especificamente entre os anos de 2020 e 2022, intensificou a rotina laboral
dos docentes. Destacou-se, ainda, a ausência de formação continuada para o uso das
tecnologias digitais, porém, os docentes, por meio do planejamento contínuo, produziram
estratégias pedagógicas que somaram aos processos de ensino-aprendizagem com os
estudantes no contexto da pandemia.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino Remoto. Escola no Campo. Pandemia. Educação do Campo.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 3
RESUMEN: Este estudio se centra en la experiencia con la enseñanza a distancia en una
escuela de la Comunidad Rural de São Lourenço, Felipe Guerra RN, durante el período de
pandemia provocada por el COVID-19 (2020 2022). Así, el objetivo central del estudio es
analizar las percepciones de los docentes de la Unidad Escolar X Profesor Antônio Amarildo
de Souza, Felipe Guerra RN, sobre la enseñanza a distancia. En parámetros metodológicos,
el estudio utilizó un enfoque cualitativo y se clasificó como investigación de campo. En el
estudio participaron tres docentes que imparten docencia en el colegio referenciado en
Educación Infantil y en los primeros años de Educación Primaria. Como técnica de
construcción de los datos se utilizó entrevistas semiestructuradas, las cuales se realizaron en
junio de 2022. Se concluye que la práctica pedagógica con el objetivo de enseñar a leer y
escribir a los niños durante el período de pandemia provocada por el COVID-19, más
específicamente entre los años 2020 y 2022, la rutina laboral de los docentes se intensificó.
También se destacó la falta de capacitación continua para el uso de las tecnologías digitales,
sin embargo, los docentes, a través de una planificación continua, produjeron estrategias
pedagógicas que sumaron a los procesos de enseñanza-aprendizaje con los estudiantes en el
contexto de la pandemia.
PALABRAS CLAVE: Enseñanza remota. Escuela en el Campo. Pandemia. Educación Rural.
Introduction
The Ministry of Health (BRASIL, 2021) pointed out that COVID-19 is characterized by
a severe acute respiratory syndrome disease caused by the SARS-CoV-2 virus, which emerged
in China at the end of 2019. With the spread of the virus, social distancing measures were
necessary for the protection of society and to prevent its proliferation. As a result, several
sectors of society were affected, starting with health and education.
Due to this reality, schools were “forced” to stop their in-person activities. Given this
situation, the Ministry of Education (MEC) guided the modification of the educational
organization, in which emergency remote teaching was adhered to, following the measures
recommended by health orders with social distancing as a form of protection in the face of
emergency needs given the pandemic caused by COVID-19.
It is common knowledge how serious the pandemic caused by the virus has become.
With the suspension of face-to-face activities, we understand that rural students have become
disengaged from the school environment. Experiencing this new reality made the school,
teachers, and students adapt to a new way of building classes.
Therefore, the change adopted in schools made us think about teaching-learning
processes remotely, especially when it comes to rural schools. This research sought to
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 4
investigate the effects of the pandemic caused by COVID-19 in a school located in a rural
perimeter based on the teachers’ perceptions.
Thus, this study is about the experience of School Unit X Professor Antônio Amarildo
de Souza with remote teaching during the period of the pandemic caused by COVID-19, more
specifically between the years 2020 and 2022
. Thus, the study was anchored in the following
investigative problem: What are the perceptions of teachers at the School Unit X Professor
Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, about remote teaching?
Regarding the general objective of the investigation, we emphasize “analyzing the
perceptions of teachers from the School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe
Guerra RN regarding remote teaching”. For us, talking about this topic is essential, since we
understand the need to think about teaching-learning processes in rural schools, considering the
pandemic and its effects on Rural Education.
In methodological parameters, we rely on the qualitative approach and note that the
study was classified as field research. The research locus was the School Unit X Professor
Antônio Amarildo de Souza, located in the community of São Lourenço, Felipe Guerra RN.
The study involved three teachers who teach at the referenced school (two females and one
male
), in Early Childhood Education and in the early years of Elementary School. As a
technique for constructing the data, we used semi-structured interviews which were carried out
in person in the space in June 2022.
After discussing the introductory aspects of this study (first section), we emphasize that
we have organized the rest of the text into three more sections and final considerations. In the
following section, we introduce the reader to concepts such as rural education and rural
education, as well as presenting a brief discussion about remote teaching and the pandemic
caused by COVID-19.
Next, we reference the methodological procedures of the study. In the fourth section,
we present the results learned in the research. In the final considerations, we list the main
reflections produced throughout the text, based on our understanding of the object under
investigation.
In May 2023, the World Health Organization (WHO) declared the end of the COVID-19 pandemic. Therefore,
this study covers 2020 to 2022 as a time frame.
We did not define any criteria for participation in the study in terms of the gender of the subjects. The teachers
make up the total teaching staff at the school.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 5
Rural education and remote teaching: conceptual notes
This theoretical section addresses the concept of Rural Education and remote teaching
in two subsections. The first subsection briefly explores the idea of Rural Education and the
difference between it and Rural Education.
In the second subsection, we discuss the pandemic caused by COVID-19. As the object
of study focuses on the experience with remote teaching in a rural school, we saw it necessary
to discuss the classroom further in reconfiguring the face-to-face teaching model for remote
teaching.
Rural Education: what education are we talking about?
Rural Education refers to a new concept in the Brazilian educational scenario, as it
wasn't long ago that what existed in rural areas was the designation of Rural Education.
Distinguishing these teaching modalities is relevant, since Rural Education and Countryside
Education have different pedagogical principles, both refer to the education of rural people,
however, with different perspectives, which emerge in different historical periods. Regarding
Rural Education, Ribeiro (2012, p. 295, our translation) reinforces:
These are peasants, that is, those who live and work in rural areas and receive
the lowest income for their work. For these subjects, when there is a school in
the area where they live, education is offered in the same way as that offered
to populations that live and work in urban areas, with no attempt being made
to adapt the rural school to the characteristics of the peasants or their
familieschildren, when they attend
We emphasize that Rural Education was the result of a capitalist-based economic model
for many years and that, historically, rural people had their educational rights denied. Regarding
Rural Education and its educational model, Azevedo (2007) leads us to defend a reality to be
overcome in a school standard evidenced in an education linked to political-economic models
committed to elites and oligarchies. We observed that in the trajectory of Rural Education, the
countryside was relegated to marginal spaces in the process of construction and implementation
of educational policies in the Brazilian reality and that the subject of the countryside was
idealized as a parameter of delay, where educational policy was organized in compatibility with
the predominant capitalist interests in the social situation (MEDEIROS; FORTUNATO;
ARAÚJO, 2022).
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 6
The school in the countryside, during this period, did not consider the social diversity
of the countryside, since its focus was limited to offering the rural population a pedagogical
proposal that was based on an urban conception. In other words, this school perspective
postulated the city as a central reference, guiding an education led by the city linked to the
commercial-industrial sector.
In parallel to this reality, rural populations that had been excluded from this process
began to mobilize through articulations. From these articulations emerged an educational model
different from that proposed by the government, and, during this scenario, Rural Education was
born (MEDEIROS; FORTUNATO; ARAÚJO, 2022). This educational modality aims to
oppose Rural Education; it emerged through the organization of social movements with the
intention of fighting and demanding the right of individuals to study in the countryside.
According to Caldart (2012, p. 259, our translation):
Rural Education is a phenomenon in the current Brazilian reality, led by rural
workers and their organizations, which aims to influence education policy
from the social interests of peasant communities. Objectives and subjects refer
to issues of work, culture, knowledge, and social struggles of peasants and the
(class) clash between field projects and between agricultural logic that has
implications for the country and society project and the conceptions of public
policy, education, and human formation.
We understand that rural education was born based on the needs of individuals living in
and around the countryside and seeking a new educational paradigm through the struggle
organized by social movements. Rural people sought in their struggles to produce an education
policy consistent with their realities. In other words, it is an education aimed at the working
class that has the countryside as an instrument and reference for life.
We reaffirm that Rural Education emerged to break paradigms, starting with
transformations in the Basic Education plan for the rural population in a way that guaranteed
improvements for the subjects in the offering of Basic Education that promoted the necessary
adaptation in the education system as per the peculiarities of the lives of rural people. Thus, the
consolidation of Rural Education results from the struggles of protagonist people who were
faced with the absence of the right to education for their subjects. The struggle of these actors
in the face of this reality sought to build alternatives that met their needs.
Through the holding of two national conferences, Rural Education and social
movements found space. These conferences gave rise to the expression Rural Education,
initially born as Basic Rural Education through the 1st National Conference for Basic Rural
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 7
Education, held in Luziânia, Goiás 1998. In the year 2002, in November, at the national seminar
in Brasília, it came to be called Rural Education, a deliberation reaffirmed at the II National
Conference held in July 2004 (CALDART, 2012).
Regarding what underpins the concept of Rural Education, Caldart (2012, p. 259, our
translation) once again, highlights:
As a concept under construction, Rural Education, without detaching itself
from the specific movement of the reality that produced it, can now be
configured as a category of analysis of the situation or educational practices
and policies of rural workers, even those that are developed in other places
and with other denominations.
Thus, we understand that the concept of Rural Education is associated with an
educational modality with its characteristics, as well as with a national education movement
produced by different people and social organizations in the countryside. From this, we
understand that when we discuss the concept of Rural Education, we have to believe in an
education built from the struggles of rural social movements in a way that reaffirms the process
of emancipatory education, which incorporates the human and critical formation of the subjects
in the field.
Remote teaching and the pandemic caused by COVID-19
As we discussed earlier, COVID-19 is the name given to the disease associated with a
virus that has affected millions of people worldwide. According to the description of the
Ministry of Health (BRASIL, 2021, p. 7), COVID-19 is characterized as an “acute respiratory
infection caused by the coronavirus SARS-CoV-2, potentially serious, highly transmissible and
globally distributed”.
At the end of 2019, the first cases of transmission of the coronavirus (SARS-CoV-2),
initially identified in China, occurred. However, in a continuous act, the virus spread rapidly
across the planet through transmission from one infected person to another.
Given this reality experienced by society, due to the large increase in contamination by
the disease, the government suggested adopting emergency measures to try to reduce the spread
of the disease. In this sense, with the spread of the virus, it was necessary to adopt isolation and
social distancing to prevent mass spread, and the implementation of this deliberation
consequently affected many sectors, especially the educational sector.
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 8
According to the conception of Aquino et al. (2020, p. 2425-2426, our translation),
several measures were adopted to stop the transmission of the virus, which included “the closure
of schools and workplaces, the suspension of some types of commerce and the cancellation of
events to avoid crowding of people".
In this flow, among the changes in social life, the school routine was one of the most
impacted, as schools suspended face-to-face activities for an indefinite period. Considering the
pandemic scenario, the Ministry of Education (MEC) advised the modification of face-to-face
teaching by the emergency remote teaching model, in which, through ordinance no. 343, of
March 17, 2020, it was established “the replacement of face-to-face classes by digital classes
for as long as the New Coronavirus - COVID-19 pandemic situation lasts” (BRASIL, 2020, p.
1, our translation). As a result, teachers and students suddenly found themselves faced with
another teaching format.
Regarding the discussion, Moreira, Henrique and Barros (2020, p. 352, our translation)
emphasize that with remote teaching:
Teachers became YouTubers recording video classes and learned to use video
conferencing systems like Skype, Google Hangout, or Zoom and learning
platforms like Moodle, Microsoft Teams, or Google Classroom. However, in
most cases, these technologies were [...] used from a purely instrumental
perspective, reducing methodologies and practices to merely transmissive
teaching.
The way remote teaching was organized made it clear that this modality arrived
unexpectedly, causing teachers and students to migrate to another reality. This migration led to
the incorporation of digital technologies, which called for transforming pedagogical practices
and teaching-learning methodologies, making teachers rethink new ways of teaching and
connecting with people.
It is known that remote teaching became the solution in the face of the health crisis we
experienced. With this perspective in mind, the urgent use of digital technologies was decided
upon. In these circumstances, there was a need for educators to transform the ways of thinking
about education, with the need to introduce new pedagogical instruments driven by this reality,
in which the use of digital tools such as home office, digital platforms, virtual meetings were
demarcated, the recording of video classes, among others, to reduce the harm caused to students
affected in the teaching-learning processes.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 9
Faced with the changes imposed in the way of teaching-learning, the need to recognize
that there are peculiar difficulties in this type of teaching emerged, as stated by Ferreira and
Santos (2021, p. 2, our translation):
The educational system was not prepared to face a pandemic, not only in terms
of health but also regarding access to education. Many schools and their
students, especially in rural areas, do not have access to the internet or lack
the technological equipment to use it. Considering that teachers had no
knowledge of remote classes, they lacked qualifications, as the vast majority
did not use technological resources to teach their classes.
We highlight that the sudden change in the teaching model brought pedagogical
challenges due to the lack of skill and experience of teachers to use digital technologies in the
classroom, as with the beginning of social isolation, many teachers did not have the necessary
continuing training to the use of technological tools in remote teaching. However, they also
faced the students' unwillingness to deal with classes from this perspective, especially students
who live in the countryside.
We start from the premise that rural populations were among the most affected by how
remote teaching developed since maintaining links with this public was a challenge, given that
many students did not have a computer, internet, cell phone, and a favorable environment for
studies.
Study methodology
To carry out this research, we used a qualitative approach. According to Medeiros,
Varela and Nunes (2017), this type of approach has as its reference the interpretation and
understanding of the social world, this means that the qualitative researcher focuses on social
phenomena from the perspective of the social actors involved, aiming for understanding.
To corroborate this understanding, Chizzotti (2006, p. 28, our translation) states that
“the term qualitative implies a dense sharing with people, facts and places that constitute objects
of research, to extract from this coexistence the visible and latent meanings that are only
perceptible to a sensitive attention.”
Seeking to achieve the objective set for this work, we based ourselves on field research.
We understand that this research was classified as field research because it allowed us to enter
the social environment where we carried out the study to observe the phenomenon we proposed
to analyze. To argue our conception, Piana (2009, p. 169, our translation) says: “field research
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 10
is the type of research that intends to seek information directly from the researched population.
It demands a more direct encounter from the researcher.”
To produce the data, we used semi-structured interviews. According to Fraser and
Gondim (2004), this type of interview is understood in academia as a flexible investigation
technique. The researcher develops the interview based on a script composed of previously
established questions (open and closed). However, he builds a horizontal dialogue between the
researcher and the researcher. Thus, new questions can be included based on the reality
experienced at the time.
In this investigation, we developed a script composed of 12 open questions, six of which
will be analyzed in this text as they directly meet our central objective of the study. We note
that the interviews took place during June 2022. The interviews were scheduled with prior
contact, with the day and time scheduled according to the availability of the interviewees.
Three teachers who teach at the X Professor Antônio Amarildo de Souza School Unit,
located in the community of São Lourenço, Felipe Guerra RN, were invited to participate in
the research. We note that to participate in the study, the teachers signed the Free and Informed
Consent Form, a document prepared by us that authorizes the disclosure of the information
provided by the participants.
To protect the identity of the teachers who contributed to the research, we name the
teachers throughout this writing as Professor “A”, Professor “B” and Professor “C”. We
highlight that we had authorization from the school to carry out the study through informal
contact, specifically with the director. Furthermore, we note that the three teachers represent all
the teaching staff at the institution (the school only has three teachers on its teaching staff. It is
a multi-grade school).
Below, we present analytical reflections based on the dialogues produced with the
study's teachers and participants.
Perceptions of teachers from a rural school about remote teaching
This section intends to present the analysis of the results constructed in the research.
From this perspective, part of the data we produced with semi-structured interviews will be
analyzed in that section. Six of the 12 questions that made up the semi-structured interviews
will be discussed from now on.
Regarding the first question, we emphasize what teachers understand by remote
teaching. Let's look at your statements:
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 11
Remote teaching is those recorded classes where the teacher does not have
personal contact with the student, the teacher can either record their classes
and put them on the system for the students to view, or they can also do
synchronous classes which are live classes where we are watching students
and they can receive the class at the time we are recording
(Teacher “A”,
School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN,
2022, our translation).
It is a distance learning between teacher and student, in which the teacher
goes over his content and receives the activities he requests from the students
(Teacher “B”, School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe
Guerra RN, 2022, our translation).
Remote teaching is an adaptation of teaching/learning with technology. The
contents are developed online, and the teacher's face-to-face contact with the
student becomes distant (Teacher “C”, School Unit X Professor Antônio
Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
The three teachers who participated in the research stated that remote teaching can be
understood as an online teaching modality whose contents and activities are carried out in
virtual environments using technological tools. Teacher “A” highlighted that there is no
personal contact between the teacher and the student in remote teaching. In practice, classes are
taught in two ways, either through live or recorded broadcasts.
Teacher “B” pointed out that remote teaching involves teaching based on physical
distance between teacher and student. In this way, the teacher can remotely work on curricular
content while receiving pedagogical activities.
Teacher “C”, in turn, stated that remote teaching could be seen as a teaching-learning
process suited to technology, in which all prepared content is made available online. Therefore,
contact between teacher and student remains distant.
In the three statements, we saw approaches to the understanding of remote teaching in
terms of its implementation in a non-face-to-face manner. Linked to this are physical distance
and technology as mediation instruments in the teacher-student relationship.
According to Moreira and Shlemmer (2020, p. 8, our translation), the education model,
called remote teaching, can be considered “a type of teaching or class, which presupposes the
geographic distance of teachers and students [...]”. It is configured using technology to transmit
curricular content and pedagogical activities from teachers to students. Thus, this teaching
format mainly uses digital technologies so that people in different and distant locations can
We inform you that after recording and transcribing the interviews, we reviewed some aspects related to language,
aiming to adapt the records produced to the standard of the Portuguese language.
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 12
access and interact simultaneously, through digital platforms, to communicate and dialog.
Regarding question two, we asked teachers to describe how the teaching-learning
activities carried out during the pandemic caused by COVID-19 were planned through remote
teaching at a school in the countryside. They scored:
This issue of planning classes was very difficult, mainly because we couldn’t
have face-to-face time. The school’s pedagogical coordinator studied
materials for information about how we would continue in the face of the
pandemic brought together all the teachers virtually, and told us how to plan
and continue with classes. It was decided that the content would follow the
textbook, and we would record videos based on this content to make it
available to students. I did not follow the contents of the textbook, as the
students were experiencing great difficulty in terms of learning; many did not
know how to read, so I decided that I would provide content related to their
deficiency in reading and writing, I researched the contents on the internet
and recorded video classes. And it was with this planning that I managed to
stand out during these two years of the pandemic (Teacher “A”, School Unit
X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our
translation).
The activities were planned with the student in mind, we made the lesson plan
every day to see how we would carry out that class and pass on the content to
the students. We did our best to make them understand. The planned content
was through the textbook, and from this content, we recorded videos and gave
them activities about the content for them to respond to. If we saw that the vast
majority would not be able to do so and would have difficulty responding, we
would replay the activities (Teacher “B”, School Unit X Professor Antônio
Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
The planning was done through the textbook, which had to be worked on even
online through calls via WhatsApp, with the help of some parents we were
able to carry out the proposed activities (Teacher “C”, School Unit X
Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our
translation).
When analyzing the record of teacher “A”, we realized that the school's pedagogical
coordinator directed the pedagogical perspective of following the textbook. However, the
teacher highlighted that he followed another way of planning and managing remote classes,
crediting the needs of his students and seeking to meet the particularities of each student. Thus,
he validated reading and writing as a central aspect of the proposed activities. The complexity
of teaching remotely is challenging for everyone, it requires the classroom mediator to have
knowledge and skills to work with methodologies that facilitate teaching-learning.
Regarding the above, Kato (2020, p. 20-21, our translation) indicates:
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 13
We are immersed in so much information and extensive communication in
real time that adopting consistent and specific pedagogical practices is
essential for students, even more so when they are in the alphabetization and
literacy cycle, and for teachers to remain in daily contact.
Through planning, the teacher was able to think and develop pedagogical practices that
would enable daily assistance to the student during the pandemic. Teachers “B” and “C”
followed similar pedagogical perspectives regarding planning and execution. They took the
textbook as a reference with the help of technological resources to record the content and meet
each class's needs.
We understand that with the emergence of remote classes, the creation and adaptation
of classes to the educational reality within the scope of COVID-19 brought out the creativity of
several teachers. Thus, through planning, new methodologies were developed. Cordeiro (2020,
p. 6, our translation) records:
The creativity of Brazilian teachers in adapting to the new reality is
indescribable when it comes to creating media resources: creating video
classes so that students can access asynchronously in addition to classes
through videoconferencing to carry out synchronous activities as in the
classroom.
We understand that planning new pedagogical strategies for classes was essential given
the context experienced and the commitment teachers had to education. The adaptation of the
classroom to digital platforms promoted a collective effort never thought of in education in
terms of materializing the teaching-learning processes, but with the creativity, zeal, and
responsibility of teachers, the difficulties were not enough for education not to be resolved or
promoted.
In the continuity of the analysis, we led the teachers to narrate their experiences in
teaching classes in the remote teaching modality. In the same question, we emphasize the main
teaching methodologies they developed. Let's read your records:
Difficult! Very difficult! I had many difficulties, like the vast majority of
teachers, but I managed to stand out. I stood out precisely because I always
didn't let my deficiencies bring me down. During this period, I taught children
literacy, which was a great achievement for me, and I hope to continue this
perspective at school. I used the simplest methodologies possible, I used
WhatsApp a lot to talk to students and send content since if I did it via Google
Meet, I wouldn't have as much participation. I achieved good results,
precisely, because I used the easiest methodology, I know each person's
reality, so there was no point in using advanced methods. I recorded simple
and short videos, using language that was easy for students to learn, posted
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 14
photos about the content and even with the pandemic, I went to my students'
homes to deliver printed activities to those who didn't have access to a cell
phone (Teacher “A”, School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza,
Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
The experience was challenging and complicated; we worked twice as hard
in person because, as it was in rural areas, the reality was very difficult and
different from the city. If we wanted to achieve the objective, we had to be
available. I, personally spent the day working and serving students and
parents of students. We were instructed to have the right time to start and end
the class, but as we know the students' reality, so they could follow the classes,
I made video calls at other times than my work hours. During this period, I
also brought students with more difficulties teaching at home. The
methodologies I used were video classes; I recorded videos explaining the
class and passed them on, and sometimes I made video calls via WhatsApp to
interact and answer questions, I also recorded and posted some audio in the
class group about the content. WhatsApp was our means of communication, it
was through it that I received photos of some of the students' activities, so
basically, the methodology was this (Teacher “B”, School Unit X Professor
Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
Challenging [...], it was a very difficult adaptation, I would say one of the
most difficult I have ever had as a teacher, as it took a whole day to serve all
the children. Not all had access to the internet, and not all parents knew how
to teach their children the proposed activities. The methodologies were online
classes, we sent video classes to students who had access to their cell phones
and made video calls via WhatsApp to talk. For those who didn't have a cell
phone, I printed the activities and delivered them to school (Teacher “C”,
School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN,
2022, our translation).
Teachers describe the practice of experiencing classes in remote teaching as something
difficult, complicated, and challenging. We know that organizational changes are often difficult
and arise in painful contexts, such as the pandemic caused by COVID-19. These changes imply
major institutional, personal, and collective challenges (MOREIRA; HENRIQUE; BARROS,
2020). They require new efforts and skills from professionals during their workday.
Regarding methodologies for conducting classes, we observed that teachers used
recorded classes to display and explain curricular content. Thus, classes became asynchronous,
in which teachers produced videos, photos, and assessment activities and sent them to students
via the WhatsApp messaging application.
When addressing teaching methodologies, teacher “A” stated that he sought to simplify
the curricular contents as much as possible to make learning possible for students, in addition
to informing us that even with the pandemic, he went to their homes to deliver the school
activities of those who did not have access to the internet (and cell phone). Teachers “B” and
“C” highlighted the continuous need for interactivity, they communicated synchronously with
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 15
students daily through video calls via WhatsApp to discuss and resolve doubts if they had any
difficulty understanding the curricular content.
From this perspective, we observed that there were synchronous (live) and
asynchronous (recorded classes) moments to enable students to participate more actively in
classes, this is because when there is an interaction regarding the discussion of the topics
studied, it helps students to be able to present your ideas and build the knowledge that is
important to enhance your cognitive skills.
Considering the methodological procedures used by teachers, we see that they are
inspired by what Moran (2018, p. 2, our translation) calls active methodologies, which are
“teaching strategies centered on the effective participation of students in the construction of the
learning process”. Based on what the participants said, we can see that we sought to work from
the perspective of these methodological strategies. We also interpret that the flexibility of
curricular content and dialogue with students were prioritized, so that there was their active
participation in the teaching-learning process.
Still in relation to the teachers' records, we observed that the use of the WhatsApp
messaging application was used by the participants with the functionality of a Virtual Learning
Environment (VLE), as it became a tool for mediating the learning process and, therefore, in
this way, it contributed to the dissemination of teaching that took place remotely.
The teachers' perceptions allow us to think that this resource can be useful not only as a
means of communication, but for carrying out various activities, as it provides opportunities for
“[...] the creation of groups of contacts to exchange messages, carrying out voice calls, as well
as sharing text, audio, photo and video files” (LUCENA; OLIVEIRA; SANTOS JUNIOR,
2017, p. 263, our translation).
We reflect that no matter how difficult it was to experience classes using remote
teaching, the teachers continued their pedagogical work, showing commitment and
commitment by creating new methodologies and resources that would continue teaching and
seek to maintain the student in a more active learning process.
The fourth question referred to the main digital tools used by teachers in remote teaching
during the COVID-19 pandemic. They notified:
At the beginning of 2021, we had an exciting pedagogical week, where a little
about digital technologies was presented, but you see, in one day, it was not
possible to teach all teachers how to use these tools. It was a very beautiful
thing; however, it did not reach its objective during the year because our
reality is different, and teachers do not have all the necessary tools. Even if
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 16
they did, they didn't know how to use them correctly in the classroom. So, I
didn't use these technologies. The main tool I used, and it was quite influential
during the period, was the cell phone that helped me record videos and talk
to the students (Teacher “A”, School Unit X Professor Antônio Amarildo de
Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
The main tool I used was my cell phone to broadcast classes and send
materials (Teacher “B”, School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza,
Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
The cell phone, using video calling (Teacher “C”, School Unit X Professor
Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
From the oral statements, we identified that cell phones were the main tool used by
teachers to assist in remote teaching during the pandemic. As highlighted in the teachers'
speech, the pedagogical use of this device was relevant for making video calls, transmitting
classes, sending materials, and maintaining communication with students. Alencar et al. (2015,
p.789), when dealing with the use of technologies in teaching state that “the cell phone has
become an ally for the teacher, being used as a tool to support the class”. Especially during the
period of remote classes, cell phones made it possible, in many cases, to continue classes and
educational activities that had to migrate to the internet due to the COVID-19 pandemic.
Given the above, we assess that the cell phone was chosen as a tool because this resource
contributes to the teacher's work at a time when he could not be physically with his students, in
addition to being known and used even before the pandemic situation and remote teaching. The
preference for this tool can be associated with the fact that this technology is part of everyday
life and its multifunctionality, considering that it allows “[...] filming, taking photos, producing
montages, recording the audio that the user desires, in addition to offering a wide variety of
access to applications, programs created by legal entities to meet all types of needs, including
educational ones” (LOPES; PIMENTA, 2017, p. 60, our translation).
Following the questions, we asked teachers about the main pedagogical strategies used
to resolve the difficulties encountered in the teaching-learning process with students during
remote classes. We obtained the following considerations:
The strategies were the simplest, as I already mentioned in the methodologies,
I did not determine a fixed time for students to send me the activities, because
if I determined the time, few would send them to me, precisely because I could
not determine a time without knowing the reality from the students. I also used
the strategy of sending little content in simple language. When the students
had any questions, we made a call via a video call on WhatsApp, so I think
that using these simple strategies, according to my student's reality, made me
get a good result in remote classes (Teacher “A”, School Unit X Professor
Antônio Amarildo Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 17
The strategies, we created thinking about how we taught the class and
received the students' activities, there were days when we didn't receive the
activities, so it was necessary to renew the strategies to see if it would work
for us to continue receiving the activities. A strategy that I used a lot was to
do xeroxed activities and leave them at school for students to pick up,
especially for those students who did not have access to the internet or cell
phones (Teacher “B”, School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza,
Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
In my strategies, I tried to do didactic activities so that they could respond and
the parents could help. It also used the strategy of printing the activities for
those students who did not have access to any type of technology (Teacher
“C”, School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra
RN, 2022, our translation).
Based on the teachers' testimonies about pedagogical strategies to help students with the
difficulties encountered during the period with remote classes, we identified that strategies were
used for students with access to technological tools and the internet and those who did not have
these. resources. Teacher “A” reported that his main reference for helping students was to carry
out strategies according to their realities, he stated that he invested in simple strategies, tried
not to determine fixed times for sending activities, directed few curricular contents, and used
an easy-to-understand language. Teachers “B” and “C”, following the same strategy, mentioned
that due to the continued receipt of activities from students who did not have internet or cell
phones, they made printed activities available to be delivered to the school institution.
The pandemic and remote teaching resulted in the need to think about pedagogical
strategies that adapted to the reality of each student, making it the school's duty to observe the
limits of students' access to digital technologies and to consider inclusive proposals that did not
reinforce social differences.
Sharing this thought, Cardoso, Ferreira, and Barbosa (2020, p. 45), emphasize that
“inclusive practices are necessary, the so-called digital inclusion, which allows education to
reach all who depend on it, or even educational alternatives to distance that does not include
the essential access to technologies”.
We realize that thinking about pedagogical strategies that include students is extremely
important to respect the specificities of each student and ensure that everyone participates in
the teaching-learning processes at different times and spaces.
The last question we discussed in this text asked teachers whether, during remote
teaching at the school in the countryside, they received support from the institution or the
municipality's education department since it refers to a municipal school. Still, on this issue, we
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 18
highlight whether they participated in any formation activities to work with remote teaching
and digital technologies. Your records are enlightening:
The municipality's education department always taught us about the
prerogatives that we would work on. Every day, if we had any questions, we
could get in touch with the institution's pedagogical coordinator, so on the
pedagogical side, we did have support, of course, a little deficient, as no one
was used to this type of remote teaching, but we did have support both by the
municipal education department and the institution. Regarding any training
and specific formation to work with remote teaching and use technologies, we
didn't have it! Because we didn't have this advanced technology, what we had
was basic guidance on how to use a cell phone, but we didn't have any
practical teaching on how to work with remote teaching and use digital
technologies (Teacher “A”, School Unit Amarildo de Souza, Felipe Guerra –
RN, 2022, our translation).
We did receive pedagogical support, both from the secretariat and the school.
Both always guided us and gave us the support we needed to deal with the
situation. Our headquarters and pedagogical support took place at the
municipality's education department with the school's director and
pedagogical coordinator, we went to the headquarters and met, and they
guided us in every possible way. I did not participate in any training to work
with remote teaching, what I did receive was some guidance on how we were
going to work and use the technologies we had, which in our case was the cell
phone (Teacher “B”, School Unit Antônio Amarildo de Souza, Felipe Guerra
RN, 2022, our translation).
Yes, the education department and the school worked very responsibly during
this period, supporting our pedagogical work. On the school's side, the
coordinator and director supported us with guidance on planning and
teaching remotely, which was little help, as everyone was in the same boat
with the same difficulties. As for training and practice to teach classes, I did
not participate, I had to struggle with many challenges to learn to familiarize
myself with technologies, I did my work based on past guidance and with the
tools I had (Teacher “C”, School Unit X Professor Antônio Amarildo de
Souza, Felipe Guerra RN, 2022, our translation).
The teachers' statements are similar, as all three agreed that the institution and the
municipality's education department supported, pedagogically, with guidance on how they
would organize themselves to develop remote teaching. We know that remote teaching brought
a new perspective to thinking about educational processes, students and teachers needed support
to deal with the recurring uncertainties of the pandemic, and from what teachers recorded, we
observed that there was this support in the commitment of school management, especially the
director and the pedagogical coordinator who sought to provide as much support as possible,
under existing conditions, so that the rural school, teachers and students could resist in the
context of the pandemic caused by COVID-19.
Regarding continued training aimed at remote teaching and digital technologies,
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 19
teachers reported not having undertaken any training to work in this context. We understand
that in this exceptional moment in education, digital technologies occupy a prominent position;
however, they do not promote conditions to make the educational process occur. The teacher
needed knowledge and skills for effective pedagogical practice in an environment with digital
technologies. Given this, Rocha et al. (2020) believe that “[...] the teacher who used DT [digital
technologies] to change their teaching methods ended up needing constant training processes,
which resulted in a new meaning of their pedagogical practice” (ROCHA et al., 2020, p. 65,
our translation).
We understand that changing pedagogical practice from one moment to the next is not
an easy task, the constant transformations and the accelerated emergence of new technological
devices have required the professional to remain in continuous training to build a capable action
with digital technology. To add new perspectives and possibilities for learning. This is reflected
in the teacher participants in the study report, who, with the unexpected start of isolation and
social distancing, did not receive the necessary continuing training to use digital technologies
in emergency remote teaching at a rural school.
Final considerations
The study focused on remote teaching experience in a municipal school in the rural area
of Felipe Guerra, Rio Grande do Norte, Brazil. The general objective was to analyze teachers'
perceptions about remote teaching during the COVID-19 pandemic. The research included
three teachers from Early Childhood Education and the initial years of Elementary School as
participants. We used a qualitative approach, field research, and semi-structured interviews to
produce data. In conclusion, we demarcate that remote teaching requires reinvention and
adaptation of teachers' pedagogical practices at schools in the countryside.
We also emphasize that teachers needed to reorganize their teaching methodologies and
create personalized strategies based on the students belonging to each class. Furthermore,
remote education highlighted social inequalities, especially in public education in rural areas
where the lack of technological infrastructure excluded some students. The study contributed
to partially understanding schooling during the pandemic caused by COVID-19, highlighting
the need to face these educational challenges.
From the research, we observed that remote teaching highlighted the fragility of the
education system, revealing gaps such as the lack of professional qualifications of teachers to
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 20
use technological tools and the need for greater investment in educational policy to equip
schools and offer training for this purpose to teachers. Given this, we highlight that another
effect was the difficulty of monitoring and family support, as parents and guardians of students
could not balance work with their children's online classes.
Finally, we realized that the difficulties faced went beyond the teaching configuration
at school and are linked to several pre-existing factors that prevented teachers and students from
accessing essential resources.
REFERENCES
ALENCAR, G. A. et al. WhatsApp como ferramenta de apoio ao ensino. IV Congresso
Brasileiro de Informática na Educação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO, 4., 2015. Anais [...]. [S. l.: s. n.], 2015. DOI:
10.5753/cbie.wcbie.2015.787. Available at:
https://www.researchgate.net/publication/300237146_WhatsApp_como_ferramenta_de_apoio
_ao_ensino. Accessed in: 15 July 2023.
AQUINO, E. M. L. et al. Medidas de distanciamento social no controle da pandemia de
COVID-19: potenciais impactos e desafios no Brasil. Ciênc. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,
v. 25, supl. 1, p. 2423-2446, 2020. DOI: 10.1590/1413-81232020256.1.10502020. Available
at: https://www.scielo.br/j/csc/a/4BHTCFF4bDqq4qT7WtPhvYr/?lang=pt. Accessed in: 15
July 2023.
AZEVEDO, M. A. Política de Educação do Campo: concepções processos e desafios. In:
CABRAL NETO, A. C. et al. Pontos e contrapontos da política educacional: uma leitura
contextualizada de iniciativas governamentais. Brasília, DF: Liber Livros, 2007.
BRASIL. Portaria n. 343, de 17 de março de 2020. Dispõe sobre a substituição das aulas
presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo
Coronavírus - COVID-19. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 2020.
BRASIL. Guia de vigilância epidemiológica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.
Available at: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2021/03/Guia-de-
vigila%CC%82ncia-epidemiolo%CC%81gica-da-covid_19_15.03_2021.pdf . Accessed in: 15
July 2023.
CALDART, R. S. Educação do Campo. In: CALDART, R. S. et al. Dicionário da Educação
do Campo. Rio de Janeiro, São Paulo: Expressão Popular, 2012.
CARDOSO, C. A.; FERREIRA, V. A.; BARBOSA, F. C. G. (Des)igualdade de acesso à
educação em tempos de pandemia: uma análise do acesso às tecnologias e das alternativas de
ensino remoto. Revista Com Censo: Estudos Educacionais do Distrito Federal, [S. l.], v.
7, n. 3, p. 38-46, 2020. Available at:
https://periodicos.se.df.gov.br/index.php/comcenso/article/view/929. Accessed in: 15 July
2023.
Ana Paula de OLIVEIRA, Emerson Augusto de MEDEIROS and Vanessa de França Almeida GURGEL
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 21
CHIZZOTTI, A. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. Rio de Janeiro:
Editora Vozes, 2006.
CORDEIRO, K. M. A. O impacto da pandemia na educação: a utilização da tecnologia
como ferramenta de ensino. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Pedagogia) Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2020.
FRASER, M. T. D.; GONDIM, S. M. G. Da fala do outro ao texto negociado: discussões
sobre a entrevista na pesquisa qualitativa. Paidéia, [S. l.], v. 14, n. 28, p. 139-152, 2004. DOI:
10.1590/S0103-863X2004000200004. Available at:
https://www.scielo.br/j/paideia/a/MmkPXF5fCnqVP9MX75q6Rrd/?lang=pt. Accessed in: 15
July 2023.
FERREIRA, S. F.; SANTOS, A. G. M. Dificuldades e Desafios Durante o Ensino Remoto na
Pandemia: um estudo com professores do Município de Queimadas PB. Revista Científica
Semana Acadêmica, Fortaleza, v. 207. n. 9, 2021. DOI: 10.35265/2236-6717-207-9177.
Available at:
https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/94_dificuldades_e_desafios_durante_o_e
nsino_remoto_na_pandemia_um_estudo_com_professores_do_municipio_de_queimadas_pb_
ver_artigo_online.pdf. Accessed in: 15 July 2023.
KATO, E. H. Um relato sobre a experiência de aulas remotas em uma turma do 5º Ano
do ensino fundamental durante o período de pandemia por Covid-19. 2020. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de
Ensino) Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2020.
LOPES, P. A.; PIMENTA, C. C. C. O uso do celular em sala de aula como ferramenta
pedagógica: Benefícios e Desafios. Revista Cadernos de Estudos e Pesquisas na Educação
Básica, Recife, v. 3, n. 1, p.52-66, 2017. Available at:
file:///C:/Users/sbed/Downloads/suportenti,+4A+52-66%20(1).pdf. Accessed in: 15 July
2023.
LUCENA, S.; OLIVEIRA, A. A. D.; JUNIOR SANTOS, G. P. WhatsApp e Educação: entre
mensagens, imagens e sons. Salvador: EDUFBA, 2017.
MEDEIROS, E. A.; FORTUNATO, I.; ARAÚJO, O. H. A. A escola na atualidade – ensaio a
partir de Paulo Freire e Alexander Neill. Ensino em Re-Vista, [S. l.], v. 29, 2022. DOI:
10.14393/ER-v29a2022-52. DOI: 10.14393/ER-v29a2022-52. Available at:
https://seer.ufu.br/index.php/emrevista/article/view/67370. Accessed in: 27 Dec. 2021.
MEDEIROS, E. A.; VARELA, S. B. L.; NUNES, J. B. C. Abordagem Qualitativa: estudo na
Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (2004 2014). Holos, [S.
l.], v. 2, p. 174189, 2017. DOI: 10.15628/holos.2017.4457. Available at:
https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/4457. Accessed in: 14 Nov.
2022.
MOREIRA, J. A.; SCHELMMER, E. Por um novo conceito e paradigma de uma educação
digital on-line. Revista UFG, Goiânia, v. 20, n. 26, 2020. DOI: 10.5216/revufg.v20.63438.
Available at: https://revistas.ufg.br/revistaufg/article/view/63438. Accessed in: 15 July 2023.
Remote Teaching in the Pandemic caused by COVID-19: Perceptions of teachers at a countryside school
Temas em Educ. e Saúde, Araraquara, v. 19, n. 00, e023011, 2023. e-ISSN: 2526-3471
DOI: https://doi.org/10.26673/tes.v19i00.18719 22
MOREIRA, J. A. M.; HENRIQUE, S.; BARROS, D. Transitando de um ensino remoto
emergencial para uma educação digital em rede, em tempos de pandemia. Revista Dialogia,
São Paulo, n. 34, p. 351-364, 2020. DOI: 10.5585/dialogia.n34.17123. Available at:
https://periodicos.uninove.br/dialogia/article/view/17123. Accessed in: 15 July 2023.
MORAN, J. Metodologias ativas e modelos híbridos na educação. 2018. Available at:
https://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2018/03/Metodologias_Ativas.pdf.
Accessed in: 15 July 2023.
PIANA, M. C. A Pesquisa de Campo. In: PIANA, M. C. A construção do perfil do
assistente social no cenário educacional. São Paulo: Editora UNESP; Cultura Acadêmica,
2009.
RIBEIRO, M. Educação Rural. In: CALDART, R. S., et al. Dicionário da Educação do
Campo. Rio de Janeiro, São Paulo: Expressão Popular, 2012.
ROCHA, F. S. M. et. al. O uso de tecnologias digitais no processo de ensino durante a
pandemia da COVID-19. Revista Interacções, [S. l.], v. 16, n. 55, p. 58-82, 2020. DOI:
10.25755/int.20703. Available at: https://revistas.rcaap.pt/interaccoes/article/view/20703.
Accessed in: 15 July 2023.
CRediT Author Statement
Acknowledgements: We thank the School Unit X Professor Antônio Amarildo de Souza
for allowing and contributing to the research.
Funding: No funding.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The work did not pass the human research ethics committee. We used
the Informed Consent Form (TCLE).
Data and material availability: The data and materials used in the work are available for
access in the text.
Authors' contributions: Ana Paula de Oliveira: wrote and carried out the research,
Emerson Augusto de Medeiros and Vanessa de França Almeida Gurgel: wrote and revised
the article.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, standardization and translation.