Propriedades do modal deôntico ought-to-be

Autores

  • Núbia Ferreira Rech Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Departamento de Língua e Literatura Vernáculas, Florianópolis, Santa Catarina
  • Giuseppe Varaschin Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Departamento de Língua e Literatura Vernáculas, Florianópolis, Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.1590/1981-5794-1807-6

Palavras-chave:

Modalidade Deôntica, Deônticos Ought-to-be, Hierarquia de Cinque, Checagem de traços,

Resumo

Neste artigo, discutimos diferentes conceitos de obrigação a partir da distinção estabelecida por feldman (1986): (i) interpretação ought-to-be, que envolve uma propriedade de um estado de coisas que deve ocorrer; e (ii) interpretação ought-to-do, que relaciona um agente a um estado de coisas. supomos que tal distinção conceitual resulta de diferenças estruturais. nessa linha, seguimos brennan (1993) e hacquard (2006, 2010). como ainda não há na literatura uma proposta de representação estrutural que dê conta da interpretação ought-to-be, buscamos evidências no português brasileiro para depreender mais precisamente a posição em que o deôntico é concatenado na estrutura para gerar essa interpetação. analisamos fatores como orientação dos deônticos, relação com outros núcleos modais e com categorias de tempo e aspecto. nossos testes apontaram para a existência de um deôntico alto (ought-to-be). este exibe propriedades de um ato de fala diretivo, é orientado para um agente na situação de fala (geralmente o addressee) e não carrega marcas de tempo ou aspecto. embora o deôntico ought-to-be não compartilhe todas essas propriedades com o modal epistêmico, há evidências de que esses modais ocupam a mesma posição na estrutura. por fim, propomos distinguir deônticos ought-to-be de epistêmicos e de deônticos ought-to-do a partir de dois traços: agentividade [ag] e asserção [assert].

Biografia do Autor

Núbia Ferreira Rech, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Departamento de Língua e Literatura Vernáculas, Florianópolis, Santa Catarina

Professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística e do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da Universidade Federal de Santa Catarina e líder do grupo de pesquisa Teoria da Gramática e o Português Brasileiro. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, investigando principalmente os seguintes temas: aspecto e modalidade.

Giuseppe Varaschin, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Departamento de Língua e Literatura Vernáculas, Florianópolis, Santa Catarina

Cursa o doutorado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua nas áreas de Semântica, Pragmática e Sintaxe. Está atualmente pesquisando a interação entre anáforas e fenômenos de transferência de referência, segundo o quadro da Semântica Conceitual de Jackendoff (1983, 1990, 2002), com o objetivo de entender a natureza das restrições que pesam sobre os fenômenos de ligação.

Publicado

08/08/2018

Edição

Seção

Artigos Originais