Um estudo semântico enunciativo da corrupção em dicionários e documentos governamentais

Julio Cesar Machado

Resumo


Descolamos sentidos da palavra corrupção, seu funcionamento e circulação, privilegiadamente no espaço enunciativo jurídico. Abordamo-la como acontecimento, sob o foco da linguística enunciativo-discursiva, envolvendo questões de ordem histórica, política e social. A pertinência da pesquisa parte do fato de que já são aceitos (pelo povo ou pelo Estado) sentidos “não criminais” para o termo. Eles não mais condizem com a memória de desprezível, evidenciado sobremaneira no caso “mensalão”, demonstrando a não transparência da língua, a sua plasticidade polissêmica, a sua constituição política, a sua configuração opaca, bem como seu equívoco indissociável do acontecimento. Mobilizamos para esta visualização, o dispositivo teórico da Semântica do Acontecimento, ancilar à Semântica Histórica da Enunciação e à Analise de Discurso francesa. Tal postura determina a articulação entre teoria e corpus por meio do a priori da história. Nosso procedimento evidenciará uma língua erudita que pode designar a palavra “corrupção” a partir de seu funcionamento, que se pauta no rol das leis jurídicas e desvela uma performatividade.


Palavras-chave


Corrupção; História; Dicionário; Semântica; Jurídico; Enunciação;

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E-ISSN: 1981-5794