A construção da norma linguística na gramática do século XVIII

Autores

  • Marli Quadros Leite USP – Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. São Paulo – SP – Brasil

Palavras-chave:

Uso linguístico, Norma linguística, Variação linguística, Gramática,

Resumo

A gramática do Pe. Jerônimo Contador de Argote, Regras da lingua portugueza, espelho da lingua latina, na sua segunda edição (1725), traz um capítulo voltado à variação linguística, que constitui um pequeno tratado de dialetologia, com minucioso estudo dos dialetos regionais e comentários importantes sobre os dialetos sociais, pelos quais se conhece não somente o estágio em que se encontravam os estudos linguísticos da época, como também pormenores sobre a norma do português praticado na época. Essa é uma obra iluminista e tem como objetivo fundamental descrever as regras da língua portuguesa de modo a identificá-la completamente com o latim, de tal maneira que tudo o que, no português, não estivesse de acordo com as regras dessa língua deveria ser posto de lado, e o mestre deveria negar-se a ensinar aos alunos as estruturas desviantes, por considerá-las idiotismos. Essa gramática constrói-se sobre dados linguísticos observados pelo autor na prática da língua e, portanto, não traz exemplos literários. Nosso objetivo é mostrar, com base em princípios e métodos da historiografia linguística, como aspectos da variação linguística foram considerados e registrados nessa gramática e como revelam aspectos da normalização do português.

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Artigos Originais