A multifuncionalidade do advérbio "realmente" na língua portuguesa sob a perspectiva da gramaticalização de construções

Autores

  • Patrícia Fabiane Amaral da Cunha Lacerda UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora. Faculdade de Letras. Juiz de Fora – MG – Brasil.

Palavras-chave:

Gramaticalização de construções, Subjetivização, Rede construcional, Modalização epistêmica,

Resumo

Adotando a perspectiva da gramaticalização de construções (TRAUGOTT, 2003, 2009), realizamos, neste trabalho, a análise da multifuncionalidade do advérbio “realmente” na língua portuguesa, buscando instanciar seus diferentes usos e definir de que maneira seria estabelecida sua rede construcional. A partir de uma pesquisa pancrônica, que considerou corpora compreendidos entre o século XIII e o português contemporâneo, demonstramos como a multifuncionalidade de “realmente” revela um cline de gramaticalização, em que se observa uma ampliação de sua frequência de uso em contextos reconhecidamente mais subjetivos. Consideramos, portanto, que a gramaticalização pode ser concebida como um processo através do qual as construções – que primeiro expressam significados concretos/lexicais/objetivos – passariam, a partir da reiteração de seu padrão de uso, a indicar funções abstratas/pragmáticas/interpessoais baseadas na crença dos falantes (TRAUGOTT, 1995, 2010; TRAUGOTT; DASHER, 2005). Os resultados obtidos apontam, nesse sentido, que o advérbio “realmente” atuaria como um marcador epistêmico de evidência factual e subjetiva, gramaticalizando-se do factual para o subjetivo.

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Artigos Originais