Análise argumentativa de um acórdão: quadro institucional, doxa e representações sociais em um gênero judicial

Autores

  • Maysa de Pádua Teixeira Paulinelli Doutorado em Letras. PUC Minas – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pósgraduação em Letras. Belo Horizonte – MG – Brasil.
  • Adriana dos Reis Silva Doutorado em Letras e Linguística. PUC Minas – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-graduação em Letras. Belo Horizonte – MG – Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.1590/1981-5794-1509-3

Palavras-chave:

Análise do discurso, Discurso jurídico, Argumentação, Doxa, Representações sociais,

Resumo

Neste artigo, propomos a elaboração de uma análise linguístico-discursiva de um acórdão, produzido no interior de um processo criminal instaurado para apurar suposta prática de aborto voluntário por uma mulher. Para isso, apoiamo-nos principalmente nos constructos teóricos de Amossy (2006), de estudo da argumentação no discurso, em paralelo com a Teoria da Argumentação de Perelman e Olbrechts-Tyteca (1996), conhecida como Nova Retórica. Ao empreendermos essa análise, objetivamos a compreensão do objeto de pesquisa em sua estrutura argumentativa, buscando identificar e correlacionar aspectos como o quadro institucional que modela o exercício da argumentação nesse proferimento, os canais de entrada dos elementos dóxicos, as manifestações de heterogeneidade mostrada, a presença das representações sociais, a construção e a circulação de imagens de si e do outro no discurso e os processos de estereotipia. Concluímos que o gênero acórdão está sujeito a um quadro de fortes restrições genéricas e institucionais, que modela e determina as condições do dizer. Concluímos, ainda, que se trata de um gênero formado a partir de vozes provenientes do próprio campo jurídico (discurso da norma, discurso da ciência do Direito e discursos produzidos em outros tribunais), e de elementos dóxicos circulantes no meio social. Portanto, por mais que se postule uma pretensa neutralidade das instâncias julgadoras diante dos casos que lhes são submetidos, esse é um ideal inatingível, pois os membros do judiciário também estão sujeitos às crenças compartilhadas, às ideias recebidas, aos estereótipos circulantes, como qualquer outro sujeito que viva em dada sociedade, em certo momento histórico.

Biografia do Autor

Maysa de Pádua Teixeira Paulinelli, Doutorado em Letras. PUC Minas – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pósgraduação em Letras. Belo Horizonte – MG – Brasil.

Doutora em Letras e Linguística, Mestre em Linguística e graduada em Direito. Professora da PUC Minas em Arcos  e da Rede Pitágoras de Ensino.

Adriana dos Reis Silva, Doutorado em Letras e Linguística. PUC Minas – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-graduação em Letras. Belo Horizonte – MG – Brasil.

Doutoranda em Letras e Linguística. Mestre em Letras e Linguística. Graduada em Letras. Professora da Rede Pitágoras.

Publicado

23/09/2015

Edição

Seção

Artigos Originais