Interação corporificada: multimodalidade, corpo e cognição explorados na análise de conversas envolvendo sujeitos com Alzheimer

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1981-5794-1704-3

Palavras-chave:

Interação corporificada, Patologias, Gestos, Vídeo-análises, Ecologia, Corpo, Cognição,

Resumo

Este artigo procura explorar, teórica e analiticamente, como construímos os espaços interacionais multimodalmente, ou seja, como uma ação (verbal ou não) é construída graças a uma ecologia (GOODWIN, 2010a,b) de sistemas de signos, estruturalmente distintos entre si, mas intrinsecamente relacionados. Para isso, trazemos alguns referencias teóricos do campo dos estudos interacionais que concebem a interação social e a cognição humana de forma corporificada (embodied interaction, STRECK et al., 2011), como uma organização temporal, espacial, corporal e materialmente coletiva. Propomos essa discussão com base na análise de dois excertos de conversas envolvendo sujeitos com Alzheimer. Os dados analisados foram extraídos do corpus audiovisual DALI (Doença de Alzheimer, Linguagem e Interação). Inspiradas nas pesquisas em vídeo-análises (MONDADA, 2008, KNOBLAUCH et al., 2012), as análises trazidas permitem destacar o papel do corpo e dos gestos na construção de um espaço interacional. O enfoque analítico recai sobre os chamados gestos mínimos localizados no curso da interação e sobre os momentos em que é possível apontar uma sincronia entre a cadeia da fala e os gestos. Como potencial contribuição, a discussão promovida aqui procura refletir sobre uma infinidade de recursos cognitivos que são ou podem ser mobilizados e analisados na construção de nossa fala-em-interação.

Biografia do Autor

Fernanda Miranda Cruz, UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo. Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Guarulhos – SP

Professora Adjunta do Departamento de Letras da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de Sao Paulo, Campus Guarulhos-SP. Possui graduação em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP (2001), onde também obteve seu titulo de mestre e doutora. Doutora em Lingüística pela UNICAMP (2008) e em Sciences du Langage (2008) pela École Normale Supérieur en Lettres et Sciences Humaines (ENS-LSH), Lyon, França

Publicado

02/05/2017

Edição

Seção

Artigos Originais