O papel dos conectores na co-construção de imagens identitárias: o uso do mas em debates eleitorais

Autores

  • Gustavo Ximenes Cunha UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais. FALE – Faculdade de Letras. POSLIN – Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos. Belo Horizonte - Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.1590/1981-5794-1711-6

Palavras-chave:

Conector mas, Processo de figuração, Processo de negociação,

Resumo

Este estudo se insere em uma pesquisa mais ampla cuja finalidade é investigar se o estabelecimento das relações de discurso e sua marcação por meio de conectores têm implicações para a co-construção de imagens identitárias. Buscando evidências suplementares para essa pesquisa e adotando contribuições do Modelo de Análise Modular do Discurso, este trabalho estuda o conector mas empregado por candidatos a cargos públicos em dois debates eleitorais, um municipal e o outro presidencial. O objetivo é verificar em que medida as ocorrências do mas nesses debates, ao sinalizarem manobras discursivas realizadas pelos candidatos, constituem peças importantes no jogo por meio do qual eles (des)constroem imagens identitárias. A análise dos debates revelou que as 55 ocorrências do conector identificadas sinalizam dois grupos de manobras discursivas. Com o mas em que o candidato sinaliza manobras de ataque ao adversário (mas de heteroataque), é possível a ele tentar construir uma imagem desfavorável do outro e favorável de si. Já com o mas em que o candidato sinaliza manobras em que se ataca (mas de autoataque), é possível a ele, atacando-se, atribuir a si valores como humildade e modéstia, bem como se antecipar a futuras críticas do adversário, justificando-as.

Biografia do Autor

Gustavo Ximenes Cunha, UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais. FALE – Faculdade de Letras. POSLIN – Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos. Belo Horizonte - Minas Gerais

Mestre e Doutor em Linguística pela UFMG. Professor da Faculdade de Letras da UFMG e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (POSLIN/UFMG).

Publicado

19/12/2017

Edição

Seção

Artigos Originais