RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872 1
A OUTREDADE E A LIBERDADE EM PAULO FREIRE À LUZ DO CONTEXTO
BRASILEIRO
LA OLTREDADE Y LA LIBERTAD EN PAULO FREIRE A LA LUZ DEL CONTEXTO
BRASILEÑO
THE OTHERNESS AND FREEDOM IN PAULO FREIRE IN THE LIGHT OF THE
BRAZILIAN CONTEXT
Antonio Oliveira DJU1
e-mail: antoniodju@yahoo.it
Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA2
e-mail: leticia.fucuhara@gmail.com
Darcísio Natal MURARO3
e-mail: murarodnm@gmail.com
Como referenciar este artigo:
DJU, A. O.; FUCUHARA, L. R. dos S. R.; MURARO, D. N. A
outredade e a liberdade em Paulo Freire à luz do contexto brasileiro.
Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara,
v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872
| Submetido em: 23/06/2022
| Revisões requeridas em: 03/03/2023
| Aprovado em: 22/09/2023
| Publicado em: 13/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina PR Brasil. Doutorando pelo Programa de Pós-
Graduação em Educação e Bolsista pela CAPES.
2
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina PR Brasil. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação
em Educação.
3
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina PR Brasil. Professor/orientador no Programa de Pós-
graduação em Educação (Mestrado e Doutorado) da UEL.
A outredade e a liberdade em Paulo Freire à luz do contexto brasileiro
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RESUMO: Este artigo analisou os conceitos de outredade e liberdade na perspectiva de Paulo
Freire, para embasar uma educação ética de valorização humana, contrapondo-se aos discursos
e práticas egoístas, individualistas e odiosas no contexto fascista-autoritário brasileiro. O
objetivo foi analisar as obras freirianas em busca dos conceitos de outredade e liberdade, a fim
de encontrar bases para uma educação humanizadora que promova a cooperação autônoma. A
pesquisa é bibliográfica, de caráter qualitativo, fundamentada nas obras de Paulo Freire para
compreender os conceitos éticos freirianos de outro e libertação. Este arcabouço conceitual
proporcionou refletir criticamente sobre os discursos e práticas de ódio de nosso contexto
pandêmico e social, sob o crivo da ética humanizadora, que torna estes conceitos indissociáveis
e dependentes um do outro. Concluímos que esses conceitos freirianos oferecem uma
importante base para pensar o contexto social brasileiro, resgatando a práxis de um ensino
libertador que consiste em valorizar a outredade e humanização.
PALAVRAS-CHAVE: Autoritarismo fascista. Paulo Freire. Diálogo. Ética do outro.
Educação libertadora.
RESUMEN: Este artículo analizó los conceptos de oltredad y de libertad desde la perspectiva
de Paulo Freire, para fundamentar una educación ética de valorización humana, oponiéndose
a los discursos y prácticas egoístas, individualistas y de odio en el contexto brasileño fascista-
autoritario. El objetivo fue analizar la obra de Freire en busca de los conceptos de alteridad y
libertad para encontrar las bases de una educación humanizadora que promueva la
cooperación autónoma. La investigación es bibliográfica, de carácter cualitativo, basada en
las obras de Paulo Freire para comprender los conceptos éticos freirianos de oltredad y
liberación. Este marco conceptual nos permitió reflexionar críticamente sobre los discursos y
prácticas de odio de nuestro contexto pandémico y social, bajo el tamiz de la ética
humanizadora, que hace que estos conceptos sean inseparables y dependientes entre sí.
Concluimos que estos conceptos freirianos ofrecen una base importante para pensar el
contexto social brasileño, rescatando la praxis de una enseñanza liberadora que consiste en
valorar la oltredad y la humanización.
PALABRAS CLAVE: Autoritarismo fascista. Paulo Freire. Diálogo. Ética del otro. Educación
liberadora.
ABSTRACT: This paper analyzed the concepts of otherness and freedom from Paulo Freire's
perspective, to ground an ethical education of human valorization, opposing the selfish,
individualistic, and hateful speeches and practices in the fascist-authoritarian Brazilian
context. It aims at analyzing Freire's works in search of the concepts of otherness and freedom
to find the basis for a humanizing education which promotes autonomous cooperation. It is
bibliographic research, based on Paulo Freire's works to understand Freirian ethical concepts
of otherness and liberation. This conceptual framework allowed us to reflect critically on the
hate discourses and practices of our pandemic and social context, under the sieve of
humanizing ethics, which makes these concepts inseparable and dependent on each other. We
conclude that these Freirean concepts offer an important basis for thinking about the Brazilian
social context, rescuing the praxis of a liberating teaching that consists in valuing otherness
and humanization.
KEYWORDS: Fascist authoritarianism. Paulo Freire. Dialogue. Ethics of the other.
Liberating education.
Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA e Darcísio Natal MURARO
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Introdução
Nos últimos anos, a filosofia de educação tem se debruçado sobre os temas da
alteridade/outredade
4
e da liberdade
5
na perspectiva de Paulo Freire (1921-1997) como forma
de enfrentar a polarização político-social que caracteriza as relações sociais no contexto em que
vivemos. Os discursos hegemônicos e autoritários do governo Bolsonaro e sua rede de
apoiadores, ainda mesmo durante a campanha eleitoral de 2018, a serviço do sistema capitalista
neoliberal, têm adotado um caráter fascista e fazem uso da liberdade para justificar o
individualismo radical e o ódio como ideologia (CATTANI, 2022
6
; DÓRIA, 2020;
CARVALHO; PAIVA, 2022; GOLPE..., 2021). Em contrapartida, buscamos averiguar a
concepção de liberdade em Freire, que aponta para uma prática de liberdade como um agir
comunitário e voltado para a cooperação que permite um crescimento conjunto tanto pessoal
quanto social.
Esse é um estudo de natureza bibliográfica, de caráter qualitativo, fundamentado nas
seguintes obras de Freire: Pedagogia do oprimido (1987); Pedagogia da autonomia: saberes
necessários à prática Educativa (2011); Educação e atualidade brasileira (2002); Educação
como prática de liberdade (2006). Além dessas obras, fizemos uso de nossos estudos de
mestrado, feitos há dois anos, sobre a outredade e liberdade em Paulo Freire, para nos servir de
auxílio para essa discussão. A proposição do estudo é desenvolver três questões principais: o
que é o outro? O que é a liberdade? Que educação esses conceitos preconizam? Em primeiro
momento, analisamos o conceito de outredade e de liberdade na perspectiva de Paulo Freire,
buscando referências conceituais, para analisar o atual contexto brasileiro em torno do discurso
de apelo à liberdade com tendência fascista. Em segundo momento, buscamos compreender,
por essa análise, a proposta educativa que esses conceitos éticos preconizam. O artigo tem como
base o arcabouço conceitual elaborado em pesquisa acadêmica em nível de mestrado, e
4
Este artigo traz algumas reflexões da dissertação de mestrado “Alteridade e Educação: uma contribuição de Paulo
Freire e da filosofia ubuntu para uma educação humanizadora (DJU, 2021), realizada no Programa de Pós-
graduação em Educação da Universidade Estadual de Londrina (PPEDU/UEL).
5
O texto traz algumas reflexões da dissertação de mestrado “A formação da consciência moral na perspectiva de
Paulo Freire” (FUCUHARA, 2021), realizada no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade
Estadual de Londrina (PPEDU/UEL).
6
Cattani, por exemplo, falando sobre “fascistas” e “fascismo”, sendo uma relação do governante com as massas
pelo nacionalismo, surgida em alguns países da Europa nas décadas de 1920 e 1930, afirma que são
características que vem sendo atribuídos a Bolsonaro e seus apoiadores no Brasil pelo fato de serem a favor da
ditadura, da tortura e da eliminação discricionária de parte da população em nome de uma “economia liberal”, do
autoritarismo, da intolerância, do ódio, do racismo e de outras formas desumanizadas de sociabilidade. Apesar
disso, o próprio Cattani defende que as características ideais para essas pessoas no Brasil deveriam ser “maus” e
“malignidade”, atributos promovidos pelas elites econômicas poderosas dotadas de ganância sem limites.
A outredade e a liberdade em Paulo Freire à luz do contexto brasileiro
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parcialmente do doutorado, para subsidiar a análise deste fato social em torno do argumento da
liberdade individual.
A análise busca entender o pressuposto deste discurso de ódio, desvelar seus interesses
e expor as suas contradições. Estruturado na forma de um movimento de direita, este grupo faz
uma defesa categórica da liberdade para difundir um discurso de ódio defensor dos valores
tradicionais conservadores, contrapondo-se à ciência, especialmente as ciências humanas, aos
direitos humanos e trabalhistas e às minorias que reivindicam seus direitos. Esse discurso de
ódio justifica políticas voltadas para os interesses das elites e ações sociais que causam sérios
danos ao outro. Tal atitude transforma o outro em objeto do uso da fala. Assim, defendem a
liberdade para não se vacinarem contra a Covid-19; liberdade para terem a quantidade de arma
de fogo que quiserem; liberdade para reunir milhares de pessoas no espaço fechado em plena
pandemia de Covid-19 sem respeitar as normas sanitárias como o distanciamento social e o uso
de máscaras (CAVALCANTE, 2021), liberdade para explorar os recursos da natureza
(minérios, madeira, animais etc.) acima de qualquer parâmetro legal (SOUZA, 2020).
O discurso do fundamentalismo religioso e da ideologia nacionalista de pátria
homogênea expresso no slogan: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”
7
, conforme
colocado por Arruda, Costa e Magalhães (2020) e Cavalcanti e Azevedo (2022), não seriam
pressupostos para uma liberdade universal, assumido como valor tradicional para o indivíduo
pautar-se e a que todos deveriam se submeter, justificando a intolerância e a violência na relação
com a outredade? A defesa do lema “Deus, pátria, família e liberdade” da parte de Bolsonaro e
seus apoiadores mostra como o discurso do fundamentalismo religioso e apelo ao nacionalismo
dá sustentação à concepção de liberdade que eles defendem (CASTILHO, 2022). Entendemos
que essa noção de liberdade promove a competitividade para lucrar e vencer, em que vale o uso
de todas as técnicas para silenciar e para excluir o diferente e contraditório, como o apelo às
fake News, o negacionismo, a defesa do uso de armas, a eliminação dos direitos sociais e
trabalhistas, a redução da função social do Estado na subvenção dos serviços sociais. Assim, a
prevalência das condições de liberdade individualista e competitiva beneficia os privilégios das
elites, resultando na concentração de renda, na submissão das massas à empobrecimento e,
consequentemente, as tornando vítimas desse cenário.
7
Lembrando que esse slogan fascista faz parte da campanha de Bolsonaro desde as eleições de 2018. Ele é de
certa forma a imitação do slogan de Hitler, “Alemanha acima de tudo”. Segundo Cavalcanti e Azevedo (2022, p.
57), analisando esse slogan, “a expressão acima de, que sugere um movimento ascendente, para cima, remete à
ideia de superioridade, posição mais elevada, que é a ideologia do nacionalismo utópico. Nesse sentido, o bordão
Brasil acima de... e Deus acima de..., fez o jogo simbólico do sonho coletivo de seguidores do atual presidente, do
mesmo modo que fez na época dos alemães, com Hitler”.
Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA e Darcísio Natal MURARO
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Na perspectiva de Freire, buscamos compreender a postulação do uso da palavra como
prática da liberdade que implica uma relação dialógica problematizadora de outredade, que cria
a condição de sujeitos com diferentes leituras de mundo que se dispõem a pensar, com apoio
nas leituras da palavra, uma construção histórica em comunhão. Assim, a liberdade é práxis
compartilhada, solidária e democrática. As questões conceituais que buscamos auxiliam na
compreensão e no aprofundamento da educação libertadora, baseado sempre no diálogo com o
outro numa perspectiva democrática popular e contraposta ao autoritarismo das elites.
A concepção de outredade e o agir ético em Freire
Outredade é um dos temas discutidos nos últimos anos para pensar a relação de
identidade e diferença (eu/outro(s)/nós) diante do descaso com o(s) outro(s). Essa ideia é bem
expressa por Muñoz, Labrador e Ávila (2020) quando afirmam que o pensamento no atual
contexto é caracterizado pelo excesso do individualismo como lógica de competitividade, cuja
consequência é justamente a indiferença em relação ao outro, presente nas relações sociais e
nas instituições. E o outro construído por essa tendência, na visão desses autores, é
simplesmente um infame, porque seu discurso ‘egomaníaco’ se fecha em sua própria
individualidade, cujo resultado gira em torno da negação da identidade do outro. É por essa
tendência que Dju e Muraro (2021) e Téllez (2015) sustentam que a outredade não deve ser
tomada no sentido de alter ego (outro eu), porque este se torna representação do próprio eu e,
assim, o discurso não supera o ‘eucentrismo’, mas continua girando em torno do eu.
No contexto brasileiro da pandemia, provocada pelo Covid-19, essa discussão se tornou
ainda mais relevante diante dos discursos falaciosos e negacionistas com tendências egoístas.
Um desses discursos está na fala reiterada do ex-presidente da República (Jair Bolsonaro) e
seus apoiadores em defesa constante da eficácia do medicamento hidroxicloroquina para a
prevenção e combate ao Covid-19 (GAZETA DO POVO, 2020; BOLSONARO..., 2020a). É
bom lembrar que muitos estudos científicos comprovam a ineficácia desse medicamento quanto
à prevenção e combate ao Covid-19 (ESTUDO..., 2021). Essa prática colocou em risco a vida
de muitas pessoas pelo fato de terem acreditado neste discurso e tomado esse remédio. Segundo
Petry (2021), os discursos de Bolsonaro evidenciaram não ser de interesse do(s) outro(s), pelo
fato de ele ter transformado o papel de presidente como governante público, que requer
interlocução com as instituições e organizações sociais, numa atividade de cunho estritamente
pessoal. Desta forma, ele fez valer os interesses de um indivíduo particular cujas
intencionalidades não são totalmente transparentes, sobrepondo-se aos interesses da sociedade
A outredade e a liberdade em Paulo Freire à luz do contexto brasileiro
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na administração do cargo público. E isso mostra como ele vive numa ‘bolha’, privando-se da
realidade que se faz na interdependência dos seres humanos, no diálogo e na correção entre si
de suas percepções.
Para compreender o conceito de outredade freiriano, é importante primeiro
destrincharmos esse termo. Segundo Dju e Muraro (2022), o termo outredade é geralmente
traduzido do inglês otherness Other (outro(a)) e ness (dade) cuja conotação leva à qualidade
ou condição de ser algo ou alguém. Por exemplo, estes nomes: carefulness (cuidado), hardness
(dureza), candidness (candura), womaness (mulher), brazilianess (brasileiro/a), denotam a
qualidade ou a condição de ser cuidado(a), duro(a), candura, de ser mulher e de ser brasileiro(a).
O nome otherness, portanto, na visão dos autores acima mencionados, significa a qualidade, a
condição ou o estado de ser outro(a). Denota o outro como um ‘ser-sendo’, um processo de se
tornar outro, ideia contemplada por Freire em suas obras.
A outredade em Freire refere-se ao exercício da identidade, no qual os sujeitos (eu-
tu/outro) criam relações dialógicas de interdependência e de inter-constituição. Assim, o outro
aparece como um tu e como um não-eu, usados por Freire como sinônimos, que se inter-
constitui no diálogo. Diz Freire (1987, p. 165-166):
O eu dialógico, pelo contrário, sabe que é exatamente o tu que o constitui.
Sabe também que, constituído por um tu um não-eu , esse tu que o constitui
se constitui, por sua vez, como eu, ao ter no seu eu um tu. Desta forma, o eu e
o tu passam a ser, na dialética destas relações constitutivas, dois tu que se
fazem dois eu.
A partir da interdependência e inter-constituição, a outredade toma o outro como um
não-eu com quem se faz e se age para a transformação da realidade, do mundo. uma
autêntica relação dialógica aqui perante o agir ético dos sujeitos, porque não se excluem em sua
concepção e intencionalidade do mundo para o transformar. Isso quer dizer que a assumpção
de si como sujeito de relação, de pensamento, de liberdade, encontra sentido quando são
também reconhecidos no outro. A compreensão e a transformação do mundo e a busca do
desenvolvimento do próprio sujeito não se de forma isolada, mas com o outro. Segundo
Freire (2011, p. 42), “é a outredade do não-eu, ou do tu, que faz assumir a radicalidade de meu
eu”. A radicalidade é possibilidade de escolha e de opção do sujeito, feita sempre em diálogo
com a do(s) outro(s) sujeito(s). Isso equivale dizer que posso afirmar a minha radicalidade
se, mas somente se, não alieno, não oprimo, não domino, não silencio o outro e nem a mim
mesmo.
Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA e Darcísio Natal MURARO
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A outredade, então, possibilita o ser-sendo humano dos sujeitos. Na visão de Soares
(2020, p. 199), como exercício da identidade, ela “se torna fundamental para compreender como
indivíduos se tornam sujeitos, se tornar sujeito é fazer com que o ser humano se torne humano,
ou seja, o exercício de identidade é um processo de humanização”, que se com o outro. A
humanização não é privilégio para alguns, mas é um processo de pensamento como direito de
todos. É um processo que eu-tu/outro busca constantemente para “se tornar mais plenamente
humano enquanto pessoa social, histórica, pensante, comunicadora, transformadora, criativa,
que participa no mundo e com o mundo” (SALAZAR, 2013, p. 126). Isso significa que os
sujeitos (eu-tu/outro) se fazem seres humanos a cada instante.
E como agir ético, ela pressupõe a liberdade do outro para também participar, dialogar,
comunicar e decidir, isto é, para o contraditório. Não se deve fazer isso por e para ele, mas sim
com ele. A noção ética freiriana denota a busca da coerência entre o pensar e o agir consciente
e intencional, tendo a libertação dos oprimidos como processo. Segundo Freire (2001, p. 65,
supressão nossa),
[...] não é apenas conhecendo uma teoria do oprimido com suas várias e
múltiplas identidades; é necessário também saber como se posicionar -
eticamente - cara a cara com as identidades múltiplas e estratificadas geradas
pela história da opressão.
O agir ético possibilita reconhecer o outro como sujeito vocacionado a ser mais, na
perspectiva de humanizar-se na comunhão, sujeito que se constrói na relação dialógica com os
pares de forma histórica e social no mundo, fazendo o uso da palavra. Isso implica conviver e
respeitar os diferentes, imersos na realidade para transformá-la “de qualquer forma de
silenciamento ou opressão que anule o Outro, que tente condicioná-lo a um objeto” (BENTES;
MERCÊS; LOUREIRO, 2020, p. 14). A humanização freiriana leva à outredade e esta é o
processo para a primeira. A proposta de Freire é que a humanização seja um procedimento que
os seres humanos adquiram como modo de vida frente a seu oposto, que é a desumanização.
Assim, a outredade, como um não-eu e como um tu/outro, se refere ao outro que quer
assumir sua vocação ontológica no processo de humanização como sujeito de pensamento, de
liberdade que sabe de sua identidade interdependente e inter-constituinte. Abordaremos essa
discussão da liberdade diante do agir ético em relação ao outro no item seguinte. A liberdade e
a consciência dela possui o amparo e sentido no existir do outro. E todo esse processo necessita
de um agir educativo libertador e humanizador a partir do outro (DJU, 2021). A relação entre a
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identidade e diferença, que se com e para o mundo, é o fundamento para o processo
educacional.
A liberdade em Freire como ética da alteridade
Nos últimos anos, a discussão sobre a liberdade se tornou recorrente, especificamente
no Brasil, principalmente no contexto da pandemia, provocada pela Covid-19, e da política.
Aliás, não são dois contextos, mas um só, porque se resumem nos discursos com finalidade
político-econômica. É válida essa discussão, porque compreendemos que a liberdade é um dos
valores fundamentais dos seres humanos e complementar aos outros, tais como vida, justiça,
solidariedade. O problema é que ela vem sendo capitalizada a partir de uma interpretação
fascista-fundamentalista no contexto brasileiro para impor a visão de mundo de alguns sobre os
outros, de forma autoritária (PY, 2020).
A liberdade aparece em Freire como uma radicalidade do amor, do diálogo, da
humildade e da simpatia sempre com o outro, se contrapondo à opressão, à generosidade falsa
e meros assistencialismos, que não visam a uma transformação social (FREIRE, 1987). Isso
quer dizer que ela não deve ser pensada de forma isolada do outro. Sendo assim, a sua busca
não deve se pautar nos interesses individuais egoístas e alienantes, mas sim no encontro do
outro, à serviço da experiência existencial do outro. A liberdade é característica do ser humano,
isto é, o faz se tornar constantemente humano. Em outras palavras, o permite discernir, como
sujeito de sua existência, buscar o conhecimento cada vez mais como possibilidade para sua
humanização. Essa é a vocação histórica e natural do ser humano. Pela liberdade, o indivíduo
se integra a seu contexto para o transformar; vive sua vocação de decidir, escolher, recriar e ser
mais. Sem essa marca da liberdade no humano, segundo Freire (2006, p. 50), este “fica um ser
meramente ajustado ou acomodado”. Na opressão, não há essa característica humana. Por isso,
o outro não consegue exercer sua ação como também sujeito do processo.
A ideia da liberdade como radicalização na perspectiva do agir ético freiriano implica
no enraizamento e na opção crítica e comunicativa que o ser humano faz. Isso significa que a
liberdade leva o indivíduo ao diálogo com o outro. Diz Freire (2006, p. 58):
O homem radical na sua opção não nega o direito ao outro de optar. Não
pretende impor a sua opção. Dialoga sobre ela. Está convencido de seu acerto,
mas respeita no outro o direito de também julgar-se certo. Tenta convencer e
converter, e não esmagar o seu oponente. Tem o dever, contudo, por uma
questão mesma de amor, de reagir à violência dos que lhe pretendam impor
silêncio.
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Esse pensamento de Freire nos leva a analisar alguns discursos falaciosos no atual
contexto pandêmico e político sobre a liberdade, feitos por alguns indivíduos. Caracterizamo-
los de ‘falacioso’ pelo fato de maximizar as vontades despóticas sobre as do(s) outro(s).
Exemplos desses discursos são proferidos pelo ex-presidente da república, Jair Bolsonaro, e
compartilhados nas redes digitais por seus apoiadores (políticos, empresários, influenciadores
digitais). Diante da restrição de ir e vir como medida para conter a contaminação da Covid- 19,
o ex-presidente disse num discurso da entrega de espadas a guardas-marinha da Escola Naval,
datado de 12/12/2020, opondo-se a essa medida sanitária: “Nossa liberdade não tem preço, ela
vale mais que a própria vida” (BOLSONARO..., 2020b). E no começo de junho de 2022,
chamou seus apoiadores para guerrear contra o que ele chamou de “ladrões de nossa liberdade”
(SOARES, 2022). E mais recentemente, em seu discurso durante a Cúpula das Américas,
datado de 10/06/2022, o presidente disse que “No Brasil, se entende que a liberdade é um
bem maior que a própria vida(TUVUCA, 2022). É bom lembrar que esse tipo de discurso faz
parte de modus operandi do ex-presidente com seu grupo de apoiadores. Essas falas são
rapidamente colocadas nas redes, tendenciosamente, por seus apoiadores, aparentes “novos
líderes de opinião em aglutinar ideias e argumentos em torno de mensagens que têm grande
poder de alcance” (CARREIRO; SILVA; FREIRE, 2022, p. 55).
Nesses discursos, é importante analisar duas ideias para entender a concepção que se
tem de liberdade: o que o presidente se refere por ‘nossa liberdade’ e por “se entende”. “Nossa”
é um pronome possessivo com característica de adjetivo, pois acompanha o nome “liberdade”.
Esse pronome indica a posse entre a pessoa do discurso (neste caso Bolsonaro) e a coisa
possuída (liberdade). Por se falar em nome dos brasileiros, sendo presidente da república,
“nossa” designaria todos os brasileiros, isto é, a liberdade de todos os brasileiros. Contudo, na
análise feita por Azevedo (2022), ‘nossa liberdade’ do presidente refere-se à liberdade dele, de
seu grupo, de seus aliados, apoiadores, dos que pensam como ele. No que se refere a “se
entende”, é um verbo pronominal precedido de lugar ‘no Brasil’, dando a ideia que essa é a
concepção comum de liberdade que se tem no Brasil. Não seria a dele e seus grupos? Assim,
‘nossa liberdade’ não é a dos que ele e seus apoiadores relacionam como inimigos’, taxados
de comunistas’. Ou seja, negam a liberdade dos que não compartilham seus pensamentos,
interesses e valores. Logo, é uma falácia afirmar que “no Brasil, se entende a liberdade como
um bem maior que a vida”, uma vez que esse entendimento é dele e dos que compartilham seu
modo de pensar.
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Isso reflete a ideia de Petry (2021) sobre as falas de Bolsonaro, de que tais discursos
defendem interesses privados do presidente e dos grupos que o apoiam. A liberdade aqui,
adjetivada por ‘nossa’ e ‘entendida no Brasil’, é tão privatizante que chega a ser despótica,
excluindo a do(s) do(s) outro(s). Essa é a liberdade individual ilimitada, isto é, acima de
qualquer limite que serve para realizar os desejos egoístas e alienantes e manter privilégios
opressores. Ela se nega ao diálogo e impõe sua prática sem considerar evidências que a
contradizem. O autoritarismo e a sectarização o características desse modus operandi, que
Freire (1987) entende ser castrador pelo fanatismo de que se nutre; mítico, alienante, pois
transforma a realidade numa aparente realidade, que, assim, não pode ser mudada.
Freire critica essa liberdade individual, em termos de imposição, realização e
manutenção de vontades dos opressores, ao dizer que a “vontade ilimitada é a vontade
despótica, negadora de outras vontades e, rigorosamente, de si mesma. É a vontade ilícita dos
‘donos do mundo’” (FREIRE, 2000, p. 18). A liberdade que defendemos não ao
indivíduo/governante o direito de sobrepor suas vontades despóticas e subjugar as vontades do
outro. Na perspectiva ética freiriana, pode se falar da liberdade, de forma autêntica, no agir dos
sujeitos que assumem seus limites e que propõem o amadurecimento constante diante da
liberdade do(s) outro(s). No entendimento de Freire (2011, p. 103), “A liberdade amadurece no
confronto com outras liberdades, na defesa de seus direitos em face da autoridade dos pais, do
professor, do Estado”. A liberdade do indivíduo dialoga com a liberdade do outro para a
transformação da sociedade. Em outras palavras, a liberdade de um se realiza na liberdade do
outro. E não se conquista individualmente, mas sim “coletiva e socialmente. Isso não significa
que as singularidades de vivência da liberdade não sejam respeitadas, mas que, enquanto
palavra efetivamente geradora, a liberdade se concretiza nas bases sociais” (MOREIRA;
PULINO, 2021, p. 8-9).
Freire compreende que todo ser humano é um sujeito histórico e social. A constituição
de cada sujeito se dá em virtude da sociabilidade. Neste sentido, o agir humano é social, de tal
forma que as ações de uns refletem na forma de vida de outros. Freire tomou posição crítica
diante da ética normativa consubstanciada no legalismo, que pode degenerar na hipocrisia ou
farisaísmo. Para o autor, a noção de “ética universal do ser humano” constitui um princípio de
ação no mundo e as leis e regras devem estar condicionadas a ele. Neste raciocínio, o autor
reconhece a necessidade de organização social amparada em leis e normas e critica a
transgressão da eticidade, como transgressão da ética universal do ser humano. Freire não é
contrário à aplicação de punição em casos de transgressão, desde que se assegure de que a
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própria punição não viole a humanidade inerente ao ser humano.
Ressaltamos que, do ponto de vista histórico, a transgressão da eticidade humana foi
avalizada pela legislação e fomentada por deres políticos, a ponto de a população tolerar e
reforçar práticas desumanizantes em nome de um patriotismo e obediência à tradição e às leis,
perseguindo os que queriam preservar a vida, como ocorreu na escravidão, no nazismo e na
ditadura e em movimentos conservadores como a Ku Klux Klan, que suprimiram a dignidade
de liberdade humana e justificaram a violência. E, nos preocupa pensar que estas tragédias que
convenceram nações a tolerar matanças em prol de uma liberdade patriótica, iniciaram com
semelhantes discursos e recursos midiáticos difamatórios, em que grupos específicos eram
culpabilizados pela economia e problemas sociais, acusando-os de se sobrepor aos direitos das
famílias nacionais tradicionais (ALMEIDA, 2016; NOBREGA, 2018). Assim, em nome de uma
liberdade que favorece alguns, se instalam injustiças legalizadas em detrimento de outros. No
Brasil, para manter seus privilégios e opressão dos indígenas, segundo Alves-Melo (2022), as
elites brasileiras driblaram, com discursos falaciosos sobre a liberdade, as leis existentes que
defendiam a liberdade dos indígenas para continuar a escravizá-los pelo autoritarismo, isto é,
resistem em desistir de seus privilégios. Na opinião de Virginio (2021, p. 13), “tais grupos, no
passado e no presente, lutam para não deixar que a maioria da população possa superar os
efeitos de relações sociais autoritárias e desiguais que as afastaram do povo”
O autoritarismo e a prática de violência estão arraigados no comportamento social a
ponto de os próprios pais baterem em seus filhos como corretivo de conduta. Neste sentido, o
apelo a valores tradicionais remete, no senso popular, à regressão ao autoritarismo com raízes
no patriarcalismo (SANTOS, 2022). Consideramos importante, com base no postulado de
Freire, pensar a orientação das ações humanas por princípios humanizadores e libertadores de
consciência moral, contrapondo-se ao agir legalista em função da punição, barganha, adequação
social ou existencial, para adentrar uma consciência para a prática cooperativa, solidária,
dialógica e voltada à face do outro (FUCUHARA, 2021). Para Freire (1997), a imoralidade está
na voz silenciada, nos corpos interditados, na voz que falseia a verdade para mentir, enganar,
deformar, e no fato de achar que se tem direito ilimitado de dizer o que bem entende do mundo
e dos outros. O autor critica a voz irresponsável que mente sem se sentir mal e ainda espera
resultados favoráveis aos planos mentirosos.
Assim, é relevante pensar em uma educação que forme para uma consciência ética, que
considere a universalidade da valorização e dignidade humana de todas as pessoas (FREIRE,
2011, 2002). Em outras palavras, a outredade e liberdade freiriana exigem uma formação da
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consciência que oriente às ações humanizadoras, não a uma obediência moralista por mero
medo de ser punido ou por desejar adequação e prestígio pessoal, mas para enaltecer a justiça
social, fundamentada na autonomia e liberdade para orientar os próprios princípios morais
(FUCUHARA, 2021). Nosso argumento se apoia na importância de uma educação eticizadora
que se orienta pela valorização do outro, que forme para um agir de empatia mesmo quando
ninguém o esteja olhando
8
, que eduque para uma consciência que escolhe considerar a liberdade
do outro ainda que possua a liberdade para agir como desejar, pois é esta a consciência moral
que sobreviveria à posse de um anel de Giges, uma mente autônoma e consciente que considera
a liberdade intrínseca da natureza humana e da sua capacidade dialógica, respeitando o lugar
de fala na sociedade. Se o desejo de liberdade é nossa vocação, então ela deve implicar “em
mudança de paradigmas, em que a educação se faz, refletindo e agindo de maneira consciente,
na prática pedagógica cotidiana, para transformá-la” (SANTOS et al., 2021, p. 2748).
Os conceitos de outredade e de liberdade de Freire, acima vistos, provocam uma
educação que toma a realidade como objeto de estudo para a transformar com o outro. E isso
exige uma transcendência dos sujeitos para o ser mais. A educação libertadora possibilita
problematizar a realidade com o intuito de conhecê-la mais e de transformá-la. Em outras
palavras, proporciona espaço de pensamento crítico, dialógico e de participação de todos os
sujeitos no processo educativo. A transformação da realidade implica a possibilidade de
transformação do indivíduo e do outro pelo diálogo, libertando-se do sistema educativo
autoritário, cujos conteúdo e valores são impostos e servem de mecanismo para continuar a
dominação e os privilégios das elites.
Freire denomina esse último sistema educativo de ‘educação bancária’, a qual contrapõe
com a educação libertadora ou problematizadora. Na primeira, o agir pedagógico versa uma
relação vertical entre o educador(a) e os educandos, na qual o educador(a) é o detentor do
conhecimento e do pensamento e os prescreve, transmite aos educandos. E estes nada mais são
além dos objetos que recebem pacificamente o conhecimento pensado pelo educador(a), e agem
de acordo com essa prescrição. Essa ideia faz jus às pessoas que usam os discursos falaciosos
sobre a liberdade para prescrever seus pensamentos e crenças aos outros, sem possibilidade do
8
Na Grécia antiga predominava um ensino mitológico que oralmente perpassava gerações, reforçando a
obediência por temor à punição dos deuses e do destino, se valendo de discursos de causa e consequência atribuídos
conforme as atitudes. Neste contexto, Platão (2002) ressignificou a mitologia e contrapôs sua função moralizante
ao narrar o Mito de Giges, em que ressaltou a importância de uma moralidade que transcende o mero agir por
aparência e temor à punição. Giges era um exemplo de conduta e de bom cidadão para a cidade, até que encontrou
um anel que tinha o poder de deixá-lo invisível e considerou a possibilidade de não ser visto como garantia de
impunidade, e assim deu vazão a sua maldade, à própria cobiça de conquistar tudo o que desejava sem se preocupar
com as pessoas, as quais prejudicava enquanto alcançava seus objetivos.
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contraditório, da problematização. Não é à toa que essas pessoas defendem um sistema de
educação que possui esse agir pedagógico, cujo propósito é formar os indivíduos acomodados
com a situação de silenciamento das palavras, que não problematizem as falas, e assim
facilmente se submetem ao poder opressor e autoritário vigorante. Assim diz Freire (1987, p.
60): “Na verdade, o que pretendem os opressores ‘é transformar a mentalidade dos oprimidos
e não a situação que os oprime’, e isto para que, melhor adaptando-os a esta situação, melhor
os domine”. Apenas para mencionar um exemplo, sem pretensão de explorar essa discussão,
trazemos o caso do modelo de educação cívico-militar que os atuais governantes da nação têm
obsessão em implantar nas escolas brasileiras. Contrariados com a possibilidade da educação
libertadora, eles se alinham “às práticas ‘tradicionais’, ‘conservadoras’ na linha da chamada
educação ‘bancária’, na qual, sendo uma das marcas da opressão, o ato de ‘depositar’
informações/conhecimentos pelo(a) professor(as) nos(as) estudantes é a tônica” (PEREIRA;
SARTORI, 2020, p. 652).
A educação, para Freire (2006), deve ser o processo para a libertação e, por isso, é
libertadora pelo diálogo, porque possibilita um saber crítico, rigoroso e amoroso aos sujeitos
educacionais, no qual nenhum saber sobrepõe o outro. Interpretando esse entendimento
freiriano, diz Machado (2012, p. 27):
Na perspectiva da educação libertadora, a educação tem caráter político, visa
despertar a consciência crítica e promover o diálogo com os sujeitos
envolvidos no processo. Isso significa entender que os sujeitos são seres de
relação e possíveis de intervir constantemente no mundo, ou seja, não são
apenas seres no mundo, mas com o mundo. Isso pressupõe compreender a
pluralidade de saberes que se gestam nessas relações estabelecidas com o
mundo, por meio do diálogo que problematiza este estar com o mundo.
Na educação libertadora, o diálogo indica um agir ético que respeita a leitura do mundo
do outro e toma os sujeitos educacionais como seres em permanente construção. Em outras
palavras, o agir ético possibilita uma relação horizontal, tendo a dialogicidade como centro de
permanente aprendizagem para transformar a realidade. E possibilita lidar com as adversidades
que compõem o cenário da educação como processo de libertação.
Em Freire (1987, 2000), a dimensão humana é entendida como sendo dialógica e para a
liberdade, por isso, toda a formação educacional deveria ser para o “diálogo do homem com o
homem e suas circunstâncias” (FREIRE, 2002, p. 36), e não para uma massificação de
pensamento, uma dissociação de ideias, uma ‘prisão mental’. O conceito de outredade se
entrelaça com o de liberdade, quando Freire entende que a educação deveria ser um ato de amor,
e amar é compromisso, é engajar-se na luta pela liberdade, é libertar e não manipular, não tolerar
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nenhum ato de sadismo e autoritarismo. Não amor e liberdade onde não diálogo, onde
não se respeita a natureza humana, onde não se concede o direito de fala, onde não se considera
e insere o outro(a) nas relações que envolvem o mundo comum. A natureza humana se expressa
no ato dialógico, por isso o educar é o dialogar juntos, é experimentar a liberdade junto à dos
outros como possibilidade de ‘ser mais’ e preparar-se para uma postura corajosa “diante dos
problemas de seu tempo e espaço” (FREIRE, 1967, p. 93).
A liberdade eticizadora preserva o(s) outro(s). E diante dos equívocos, de dominação e
das injustiças que oprimem e contraiam nossa existência recíproca para a liberdade, uma
educação humanizadora libertadora é de fundamental importância, pois é no processo libertador
que encontramos possibilidades de construir bases para fundamentar a práxis de uma educação
humanizadora e democrática, que parte da formação de uma consciência moral dialógica e
social para um mundo eticizado que preserva a vida humana de todos e todas acima de tudo.
Considerações finais
Diante de equívocos em que a liberdade social é entendida como liberdade individual
ou de um grupo, e que a vida humana é considerada como secundária em detrimento do poder
econômico, foi possível resgatar a filosofia da educação de Paulo Freire para pensar a
importância de uma ética da “valorização universal do ser humano” e da importância de uma
educação que enalteça a vida, para que se expresse na humanização social, que envolve não só
o indivíduo, mas sua outredade.
A liberdade, de caráter autoritário e, ao mesmo tempo, licenciosa, envolve a
responsabilidade ética de compreendê-la como uma liberdade social, que não é sua, mas
envolve o outro visando um processo contínuo de libertação das opressões sociais. O
autoritarismo e a licenciosidade consideram a liberdade de forma unilateral e excluem de seu
escopo o outro como sujeito de consciência e direitos, cabendo a estes criar um processo de
libertação desta opressão, evitando reproduzi-la. Partindo da ética da outredade, centrada na
consideração pelo outro, em um cenário marcado pela opressão e pela pandemia, a busca pela
libertação implica na conscientização coletiva de pessoas dedicadas à preservação da saúde,
meio ambiente e ao bem-estar social. Estas estão comprometidas com práticas que visam
mitigar a fome, a exploração, conter a propagação do vírus, que poderia resultar em períodos
mais curtos de isolamento social, reduzindo os impactos econômicos e preservando vidas que
foram perdidas. Isso visa evitar deixar uma tristeza generalizada para familiares e amigos. Este
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olhar para um passado tão recente evidencia a fragilidade humana para resistir às ideologias e
regimes fascistas, pandemias, guerras e outras possíveis atrocidades que possam se instalar em
nossa sociedade. Mas escancara a necessidade de uma educação libertadora que se paute pela
consciência de outredade, que acreditamos ser um caminho possível para contrapor estas
barbáries.
Em contraposição à noção de liberdade individualista, competitiva e excludente como
ideologia opressora, a outredade considera a humanidade que em si e no outro. Freire
compreendeu a opressão como uma desumanização, como a negação da outredade, em que uma
classe se constrói em detrimento de outra, criando mecanismos de alienação, calando e tornando
o homem e a mulher meros espectadores e não sujeitos ativos de sua história. Somente o diálogo
conscientizador entre estes seres que coexistem poderia trazer a compreensão do contexto, a
dimensão da opressão e a noção histórica em que se encontram inseridos, para juntos se
conscientizarem em busca de sua libertação. O Outro não existe sozinho, mas socialmente,
como seres responsáveis pela libertação de seu mundo. A outredade envolve tanto o enxergar-
se no outro de forma solidária e humanizadora quanto o dialogar com ele, para juntos
problematizarem e transformarem suas histórias e seu mundo compartilhado.
A liberdade para Freire é um processo transformador da sociedade. Ele não a restringe
a uma conquista pessoal, que subjuga ou se ascende acima de outros, ao contrário, ela resgata
a própria essência humana de liberdade, considerando que o diálogo também é uma condição
existencial e isso envolve o outro. Assim, fazer o engajamento social em busca de um processo
de libertação é um processo humanizador, pois restaura as potencialidades essenciais para uma
postura emancipadora da sociedade. Da importância de um ensino que vise engajar jovens,
homens e mulheres, em busca de sua humanização, de sua libertação.
Uma educação nesses moldes possibilitaria uma sociedade que se entende como
comunidade, em que a tragédia de um é entendida como a tragédia geral, e a busca pela
segurança e emancipação é um bem comum, a ser conquistado por todos e todas. Uma educação
ética que afirma a valorização do outro, contrapõe discursos egoístas, individualistas, classistas
e odiosos para ser uma educação humanizadora, que promove a cooperação autônoma,
resgatando os princípios de outredade e liberdade humana. Assim, se aproximaria a
possibilidade de uma sociedade eticizada, que adote medidas de preservação à vida, que
dialogue sobre os riscos e busque diminuir danos, valorizando a humanidade, esteja ela em
qualquer pessoa.
A outredade e a liberdade em Paulo Freire à luz do contexto brasileiro
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-
Democracia%E2%80%9D%2C%20acontece,no%20%E2%80%9Cmundo%E2%80%9D%20e
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https://revistas.uam.es/tendenciaspedagogicas/article/view/tp2021_38_002. Acesso em: 10
abr. 2022.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: À Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI),
Fundação Araucária e Universidade Estadual de Londrina (PROPPG), como fonte de apoio
parcial, por meio de recurso para o processamento e tradução do artigo.
Financiamento: fomento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) por meio da bolsa de Doutorado a um dos autores (Antonio Oliveira
Dju).
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Não aplicável.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: A contribuição de todos os autores foi muito relevante e
decisiva desde o planejamento, estruturação, desenvolvimento até a revisão deste artigo. O
tema de outredade/alteridade é o objeto de pesquisa do primeiro autor (Ms. Antonio Oliveira
Dju) no mestrado e parcialmente agora no doutorado. E o tema de liberdade foi objeto de
estudo da segunda autora (Ms. Letícia Regina dos Santos Rodrigues Fucuhara) no mestrado.
Os dois autores trouxeram as reflexões de suas pesquisas de Mestrado em torno desses dois
conceitos caros a Paulo Freire sob a orientação do terceiro autor (Prof. Dr. Darcísio Natal
Muraro). Na banca de Mestrado, os dois foram desafiados a produzir um artigo em conjunto
sobre esses dois temas interdependentes, tão importantes na compreensão do próprio ser
humano e de seu estar no mundo. O terceiro autor, com sua vasta experiência e
conhecimento de Freire, contribuiu muito no aprimoramento da compreensão desses
conceitos diante do contexto brasileiro de discursos autoritário-fascistas sobre liberdade na
sociedade polarizada e pandêmica na qual vivemos.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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LA OLTREDADE Y LA LIBERTAD EN PAULO FREIRE A LA LUZ DEL
CONTEXTO BRASILEÑO
A OUTREDADE E A LIBERDADE EM PAULO FREIRE À LUZ DO CONTEXTO
BRASILEIRO
THE OTHERNESS AND FREEDOM IN PAULO FREIRE IN THE LIGHT OF THE
BRAZILIAN CONTEXT
Antonio Oliveira DJU1
e-mail: antoniodju@yahoo.it
Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA2
e-mail: leticia.fucuhara@gmail.com
Darcísio Natal MURARO3
e-mail: murarodnm@gmail.com
Cómo hacer referencia a este artículo:
DJU, A. O.; FUCUHARA, L. R. dos S. R.; MURARO, D. N. La
oltredade y la libertad en Paulo Freire a la luz del contexto brasileño.
Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara,
v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872
| Enviado el: 23/06/2022
| Revisiones requeridas el: 03/03/2023
| Aprobado en: 22/09/2023
| Publicado en: 13/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Estatal de Londrina (UEL), Londrina PR Brasil. Estudiante de doctorado del Programa de
Posgrado en Educación y Becaria por la CAPES.
2
Universidad Estatal de Londrina (UEL), Londrina PR Brasil. Estudiante de doctorado en el Programa de
Posgrado en Educación.
3
Universidad Estatal de Londrina (UEL), Londrina – PR – Brasil. Profesor/asesor en el Programa de Posgrado en
Educación (Maestría y Doctorado) de la UEL.
La oltredade y la libertad en Paulo Freire a la luz del contexto brasileño
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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RESUMEN: Este artículo analizó los conceptos de oltredad y de libertad desde la perspectiva
de Paulo Freire, para fundamentar una educación ética de valorización humana, oponiéndose a
los discursos y prácticas egoístas, individualistas y de odio en el contexto brasileño fascista-
autoritario. El objetivo fue analizar la obra de Freire en busca de los conceptos de alteridad y
libertad para encontrar las bases de una educación humanizadora que promueva la cooperación
autónoma. La investigación es bibliográfica, de carácter cualitativo, basada en las obras de
Paulo Freire para comprender los conceptos éticos freirianos de oltredad y liberación. Este
marco conceptual nos permitió reflexionar críticamente sobre los discursos y prácticas de odio
de nuestro contexto pandémico y social, bajo el tamiz de la ética humanizadora, que hace que
estos conceptos sean inseparables y dependientes entre sí. Concluimos que estos conceptos
freirianos ofrecen una base importante para pensar el contexto social brasileño, rescatando la
praxis de una enseñanza liberadora que consiste en valorar la oltredad y la humanización.
PALABRAS CLAVE: Autoritarismo fascista. Paulo Freire. Diálogo. Ética del otro. Educación
liberadora.
RESUMO: Este artigo analisou os conceitos de outredade e liberdade na perspectiva de Paulo
Freire, para embasar uma educação ética de valorização humana, contrapondo-se aos
discursos e práticas egoístas, individualistas e odiosas no contexto fascista-autoritário
brasileiro. O objetivo foi analisar as obras freirianas em busca dos conceitos de outredade e
liberdade, a fim de encontrar bases para uma educação humanizadora que promova a
cooperação autônoma. A pesquisa é bibliográfica, de caráter qualitativo, fundamentada nas
obras de Paulo Freire para compreender os conceitos éticos freirianos de outro e libertação.
Este arcabouço conceitual proporcionou refletir criticamente sobre os discursos e práticas de
ódio de nosso contexto pandêmico e social, sob o crivo da ética humanizadora, que torna estes
conceitos indissociáveis e dependentes um do outro. Concluímos que esses conceitos freirianos
oferecem uma importante base para pensar o contexto social brasileiro, resgatando a práxis
de um ensino libertador que consiste em valorizar a outredade e humanização.
PALAVRAS-CHAVE: Autoritarismo fascista. Paulo Freire. Diálogo. Ética do outro.
Educação libertadora.
ABSTRACT: This paper analyzed the concepts of otherness and freedom from Paulo Freire's
perspective, to ground an ethical education of human valorization, opposing the selfish,
individualistic, and hateful speeches and practices in the fascist-authoritarian Brazilian
context. It aims at analyzing Freire's works in search of the concepts of otherness and freedom
to find the basis for a humanizing education which promotes autonomous cooperation. It is
bibliographic research, based on Paulo Freire's works to understand Freirian ethical concepts
of otherness and liberation. This conceptual framework allowed us to reflect critically on the
hate discourses and practices of our pandemic and social context, under the sieve of
humanizing ethics, which makes these concepts inseparable and dependent on each other. We
conclude that these Freirean concepts offer an important basis for thinking about the Brazilian
social context, rescuing the praxis of a liberating teaching that consists in valuing otherness
and humanization.
KEYWORDS: Fascist authoritarianism. Paulo Freire. Dialogue. Ethics of the other.
Liberating education.
Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA y Darcísio Natal MURARO
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introducción
En los últimos años, la filosofía de la educación se ha centrado en los temas de la
alteridad/oltredad
4
y la libertad
5
desde la perspectiva de Paulo Freire (1921-1997) como una
forma de enfrentar la polarización político-social que caracteriza las relaciones sociales en el
contexto en el que vivimos. Los discursos hegemónicos y autoritarios del gobierno de
Bolsonaro y su red de simpatizantes, incluso durante la campaña electoral de 2018, al servicio
del sistema capitalista neoliberal, han adoptado un carácter fascista y hacen uso de la libertad
para justificar el individualismo radical y el odio como ideología (CATTANI, 2022
6
; DORIA,
2020; CARVALHO, PAIVA, 2022; GOLPE DE Estado..., 2021). Por otro lado, se busca
indagar en la concepción freirese de la libertad, que apunta a una práctica de la libertad como
una acción comunitaria y cooperativa que permite el crecimiento conjunto tanto personal como
social.
Se trata de un estudio bibliográfico, de carácter cualitativo, basado en los siguientes
trabajos de Freire: Pedagogía del oprimido (1987); Pedagogía de la autonomía: conocimientos
necesarios para la práctica educativa (2011); Educación y Actualidad Brasileña (2002); La
educación como práctica de la libertad (2006). Además de estos trabajos, nos valimos de
nuestros estudios de maestría, realizados hace dos años, sobre la oltredad y la libertad en Paulo
Freire, para ayudarnos en esta discusión. El propósito del estudio es desarrollar tres preguntas
principales: ¿cuál es la otra? ¿Qué es la libertad? ¿Qué educación defienden estos conceptos?
En primer lugar, analizamos el concepto de oltredad y libertad desde la perspectiva de Paulo
Freire, buscando referencias conceptuales, para analizar el contexto brasileño actual en torno al
discurso de apelación a la libertad con tendencia fascista. En segundo lugar, buscamos
comprender, a través de este análisis, la propuesta educativa que defienden estos conceptos
éticos. El artículo se basa en el marco conceptual elaborado en la investigación académica a
4
Este artículo trae algunas reflexiones de la tesis de maestría "Alteridad y Educación: una contribución de Paulo
Freire y la filosofía ubuntu a una educación humanizadora" (DJU, 2021, nuestra traducción), realizada en el
Programa de Posgrado en Educación de la Universidad Estatal de Londrina (PPEDU/UEL).
5
El texto trae algunas reflexiones de la tesis de maestría "La formación de la conciencia moral desde la perspectiva
de Paulo Freire" (FUCUHARA, 2021, nuestra traducción), realizada en el Programa de Posgrado en Educación de
la Universidad Estadual de Londrina (PPEDU/UEL).
6
Cattani, por ejemplo, hablando de "fascistas" y "fascismo", siendo una relación entre el gobernante y las masas
a través del nacionalismo, que surgió en algunos países europeos en las décadas de 1920 y 1930, afirma que estas
son características que se han atribuido a Bolsonaro y sus partidarios en Brasil debido a que están a favor de la
dictadura, la tortura y la eliminación discrecional de parte de la población en nombre de una "economía liberal",
el autoritarismo, la intolerancia, el odio, el racismo y otras formas deshumanizadas de sociabilidad. A pesar de
esto, el propio Cattani argumenta que las características ideales para estas personas en Brasil deberían ser "maldad"
y "malignidad", atributos promovidos por poderosas élites económicas dotadas de una codicia sin límites.
La oltredade y la libertad en Paulo Freire a la luz del contexto brasileño
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nivel de maestría, y parcialmente a nivel de doctorado, para apoyar el análisis de este hecho
social en torno al argumento de la libertad individual.
El análisis busca comprender la asunción de este discurso de odio, develar sus intereses
y exponer sus contradicciones. Estructurado en forma de movimiento de derechas, este grupo
hace una defensa categórica de la libertad para difundir un discurso de odio que defiende los
valores conservadores tradicionales en oposición a la ciencia, especialmente a las humanidades,
los derechos humanos y laborales, y las minorías que reclaman sus derechos. Este discurso de
odio justifica políticas dirigidas a los intereses de las élites y acciones sociales que causan
graves daños a otros. Tal actitud transforma al otro en el objeto del uso de la palabra. Así,
defienden la libertad de no vacunarse contra el Covid-19; libertad de tener tantas armas de fuego
como quieran; libertad para reunir a miles de personas en el espacio cerrado en medio de la
pandemia de Covid-19 sin respetar normas sanitarias como el distanciamiento social y el uso
de mascarillas (CAVALCANTE, 2021), libertad para explorar los recursos naturales
(minerales, madera, animales, etc.) por encima de cualquier parámetro legal (SOUZA, 2020).
El discurso del fundamentalismo religioso y la ideología nacionalista de una patria
homogénea expresada en la consigna: "Brasil por encima de todo. Dios por encima de
todo"
7
,como lo plantean Arruda, Costa y Magalhães (2020) y Cavalcanti y Azevedo (2022),
¿no serían presupuestos de una libertad universal, asumida como un valor tradicional por el que
el individuo debe guiarse y al que todos deberían someterse, justificando la intolerancia y la
violencia en la relación con los demás? La defensa del lema "Dios, patria, familia y libertad"
por parte de Bolsonaro y sus partidarios muestra cómo el discurso del fundamentalismo
religioso y la apelación al nacionalismo sustentan la concepción de libertad que defienden
(CASTILHO, 2022). Entendemos que esta noción de libertad promueve la competitividad para
lucrar y ganar, en la que vale la pena utilizar todas las técnicas para silenciar y excluir lo
diferente y contradictorio, como la apelación a las noticias falsas, el negacionismo, la defensa
del uso de armas, la eliminación de derechos sociales y laborales, la reducción de la función
social del Estado en el subsidio de los servicios sociales. De esta manera, como las condiciones
de libertad individualista y competitiva sirven a los privilegios de las élites, genera la
concentración del ingreso, somete a las masas al empobrecimiento y las victimiza por ello.
7
Recordando que esta consigna fascista forma parte de la campaña de Bolsonaro desde las elecciones de 2018. Es,
en cierto modo, la imitación del eslogan de Hitler: "Alemania por encima de todo". Según Cavalcanti y Azevedo
(2022, p. 57, nuestra traducción), analizando esta consigna, "la expresión anterior, que sugiere un movimiento
ascendente, remite a la idea de superioridad, a una posición superior, que es la ideología del nacionalismo utópico.
En este sentido, el eslogan Brasil de arriba... y Dios Arriba..., jugaron el juego simbólico del sueño colectivo de
los seguidores del actual presidente, de la misma manera que lo hizo en la época de los alemanes, con Hitler".
Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA y Darcísio Natal MURARO
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Desde la perspectiva de Freire, buscamos comprender la postulación del uso de la
palabra como una práctica de libertad que implica una relación dialógica que problematiza la
oltredad, lo que crea la condición de sujetos con diferentes lecturas del mundo que están
dispuestos a pensar, con el apoyo de las lecturas de la palabra, una construcción histórica en
comunión. Así, la libertad es una praxis compartida, solidaria y democrática. Las preguntas
conceptuales que buscamos ayudan en la comprensión y profundización de una educación
liberadora, siempre basada en el diálogo con el otro en una perspectiva democrática popular y
opuesta al autoritarismo de las élites.
La concepción de Freire de la oltredad y la acción ética
La oltredad es uno de los temas discutidos en los últimos años para pensar la relación
de identidad y diferencia (yo/otro(s)/nos) frente al abandono con el/los otro/s. Esta idea está
bien expresada por Muñoz, Labrador y Ávila (2020) cuando afirman que el pensamiento en el
contexto actual se caracteriza por el exceso del individualismo como lógica de la
competitividad, cuya consecuencia es precisamente la indiferencia hacia el otro, presente en las
relaciones sociales y en las instituciones. Y la otra construida por esta tendencia, en opinión de
estos autores, es simplemente infame, porque su discurso "ególatra" se cierra en su propia
individualidad, cuyo resultado gira en torno a la negación de la identidad del otro. Es por esta
tendencia que Dju y Muraro (2021) y Téllez (2015) sostienen que la oltredad no debe tomarse
en el sentido de alter ego (otro yo), porque este se convierte en una representación del propio
yo y, así, el discurso no supera el 'yocentrismo', sino que sigue girando en torno al yo.
En el contexto brasileño de la pandemia, provocada por el Covid 19, esta discusión ha
cobrado aún más relevancia frente a discursos falaces y negacionistas con tendencias egoístas.
Uno de estos discursos es el repetido discurso del expresidente de la República (Jair Bolsonaro)
y sus partidarios en constante defensa de la eficacia del fármaco hidroxicloroquina para la
prevención y lucha contra el Covid 19 (GAZETA DO POVO, 2020; BOLSONARO..., 2020a).
Cabe recordar que muchos estudios científicos demuestran la ineficacia de este rmaco para
prevenir y combatir el Covid 19 (ESTUDO..., 2021). Esta práctica puso en riesgo la vida de
muchas personas porque creyeron en este discurso y tomaron esta medicina. De acuerdo con
Petry (2021), los discursos de Bolsonaro demostraron que no eran de interés para el otro, porque
transformó el rol de presidente como gobernante público, que requiere diálogo con instituciones
y organizaciones sociales, en una actividad de carácter estrictamente personal. De esta manera,
reivindicó los intereses de un particular cuyas intenciones no son del todo transparentes, por
La oltredade y la libertad en Paulo Freire a la luz del contexto brasileño
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encima de los intereses de la sociedad en la administración de la función pública. Y esto muestra
cómo vive en una "burbuja", privándose de la realidad que se hace en la interdependencia de
los seres humanos, en el diálogo y en la corrección de sus percepciones entre sí.
Para entender el concepto de oltredad Freireano, es importante desentrañar primero este
término. De acuerdo con Dju y Muraro (2022), el término oltredad Se suele traducir del inglés
otherness Other and ness cuya connotación conduce a la cualidad o condición de ser algo o
alguien. Por ejemplo, estos nombres: carefulness (cuidado), hardness (dureza), candidness
(Candura), womaness (mujer), brasilianess (brasileño/a), denotan la cualidad o condición de
ser cuidada, dura, de franqueza, de ser mujer y de ser brasileña. El nombre otherness, Por lo
tanto, en opinión de los autores mencionados, significa la cualidad, condición o estado de ser
otro. Denota al otro como un "ser-siendo", un proceso de devenir otro, idea contemplada por
Freire en sus obras.
En Freire, la oltredad se refiere al ejercicio de la identidad, en el que los sujetos (yo-
tú/otro) crean relaciones dialógicas de interdependencia e interconstitución. Así, el otro aparece
como un y como un no-yo, utilizados por Freire como sinónimos, que se interconstituye en
el diálogo. Freire (1987, p. 165-166, nuestra traducción) dice:
El yo dialógico, en cambio, sabe que es precisamente el "tú" el que lo
constituye. Sabe también que, constituido por un tú, un no-yo, este que lo
constituye a él está a su vez constituido como yo, al tener en su "yo" un "tú".
De este modo, el "yo" y el "tú" se convierten, en la dialéctica de estas
relaciones constitutivas, en dos "tú" que se convierten en dos "yoes".
A partir de la interdependencia y la interconstitución, la oltredad toma al otro como un
no-yo con el que se hace y se actúa para la transformación de la realidad, del mundo. Hay aquí
una auténtica relación dialógica frente a la acción ética de los sujetos, porque no se excluyen
en su concepción e intencionalidad del mundo para transformarlo. Esto significa que la asunción
de mismo como sujeto de relación, de pensamiento, de libertad, sólo encuentra sentido
cuando se reconocen también en el otro. La comprensión y transformación del mundo y la
búsqueda del desarrollo del propio sujeto no se realiza de forma aislada, sino con el otro. Según
Freire (2011, p. 42, nuestra traducción), "es la oltredad del no-yo, o del tú, lo que me hace
asumir la radicalidad de mi “yo". La radicalidad es la posibilidad de elección y opción del
sujeto, siempre en diálogo con la del otro sujeto. Es decir, sólo puedo afirmar mi radicalidad sí,
pero sólo si, no alieno, no oprime, no domino, no silencio al otro ni a mí mismo.
La oltredad, entonces, habilita el ser-ser humano de los sujetos. En opinión de Soares
(2020, p. 199, nuestra traducción), como ejercicio de identidad, "se vuelve fundamental
Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA y Darcísio Natal MURARO
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entender cómo los individuos se convierten en sujetos, convertirse en sujeto es hacer que el ser
humano se haga humano, es decir, el ejercicio de la identidad es un proceso de humanización",
que se da con el otro. La humanización no es un privilegio para algunos, sino que es un proceso
de pensamiento como un derecho para todos. Es un proceso que yo-tú/otro busca
constantemente "llegar a ser más plenamente humano como persona social, histórica, pensante,
comunicadora, transformadora, creadora, que participa en el mundo y con el mundo"
(SALAZAR, 2013, p. 126, nuestra traducción). Esto significa que los sujetos (yo-tú/otro) se
convierten en seres humanos a cada momento.
Y como acto ético, presupone la libertad del otro de participar también, de dialogar, de
comunicarse y de decidir, es decir, por lo contradictorio. No debes hacerlo por y para él, sino
con él. La noción ética de Freire denota la búsqueda de coherencia entre el pensamiento y el
actuar consciente e intencional, con la liberación del oprimido como proceso. Según Freire
(2001, p. 65, nuestra supresión, nuestra traducción),
[...] No se trata solo de conocer una teoría de los oprimidos con sus diversas y
múltiples identidades; También es necesario saber posicionarse éticamente
frente a las identidades múltiples y estratificadas generadas por la historia de
la opresión.
La acción ética permite reconocer al otro como un sujeto llamado a ser más, en la
perspectiva de humanizarse en comunión, un sujeto que se construye en la relación dialógica
con los iguales de manera histórica y social en el mundo, haciendo uso de la palabra. Esto
implica vivir y respetar a los que son diferentes, inmersos en la realidad para transformarla "de
cualquier forma de silenciamiento u opresión que anule al Otro, que intente condicionarlo a un
objeto" (BENTES; MISERICORDIAS; LOUREIRO, 2020, p. 14, nuestra traducción). La
humanización de Freire conduce a la oltredad, y este es el proceso de la primera. La propuesta
de Freire es que la humanización es un procedimiento que el ser humano adquiere como forma
de vida frente a su opuesto, que es la deshumanización.
Así, la oltredad, como no-yo y como tú/otro, se refiere al otro que quiere asumir su
vocación ontológica en el proceso de humanización como sujeto de pensamiento, de libertad
que sabe de su identidad interdependiente e interconstituyente. Abordaremos esta discusión
sobre la libertad frente a la acción ética en relación con la otra en el siguiente apartado. La
libertad y su conciencia tienen el apoyo y el sentido en la existencia del otro. Y todo este proceso
requiere de una acción educativa liberadora y humanizadora desde el otro (DJU, 2021). La
La oltredade y la libertad en Paulo Freire a la luz del contexto brasileño
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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relación entre identidad y diferencia, que se produce con y para el mundo, es la base del proceso
educativo.
La libertad de Freire como ética de la alteridad
En los últimos años, la discusión sobre la libertad se ha vuelto recurrente,
específicamente en Brasil, especialmente en el contexto de la pandemia, causada por el Covid-
19, y la política. De hecho, no son dos contextos, sino uno solo, porque se resumen en discursos
con fines político-económicos. Esta discusión es válida porque entendemos que la libertad es
uno de los valores fundamentales del ser humano y complementario de otros, como la vida, la
justicia, la solidaridad. El problema es que se ha capitalizado desde una interpretación fascista-
fundamentalista en el contexto brasileño para imponer la cosmovisión de unos sobre otros, de
forma autoritaria (PY, 2020).
La libertad aparece en Freire como una radicalidad de amor, diálogo, humildad y
simpatía siempre con el otro, oponiéndose a la opresión, a la falsa generosidad y al mero
bienestar, que no apuntan a la transformación social (FREIRE, 1987). Esto significa que no
debe pensarse de forma aislada del otro. Por lo tanto, su búsqueda no debe basarse en intereses
individuales egoístas y alienantes, sino en el encuentro del otro, al servicio de la experiencia
existencial del otro. La libertad es característica del ser humano, es decir, lo hace
constantemente hacerse humano. En otras palabras, les permite discernir, como sujeto de su
existencia, buscar cada vez más el conocimiento como posibilidad de su humanización. Esta es
la vocación histórica y natural del ser humano. A través de la libertad, el individuo se integra
en su contexto para transformarlo; Vive su vocación de decidir, de elegir, de recrearse y de ser
más. Sin esta marca de libertad en lo humano, según Freire (2006, p. 50, nuestra traducción), el
humano "sigue siendo un ser meramente ajustado o acomodado". En la opresión, no existe tal
característica humana. Por esta razón, el otro no puede ejercer su acción como sujeto del
proceso.
La idea de libertad como radicalización desde la perspectiva de la acción ética de Freire
implica el arraigo y la opción crítica y comunicativa que hace el ser humano. Esto significa que
la libertad lleva al individuo al diálogo con el otro. Freire (2006, p. 58, nuestra traducción) dice:
El hombre radical en su elección no niega el derecho del otro a elegir. No
quieres imponer tu elección. Habla de ello. Está convencido de su razón, pero
respeta en el otro el derecho a creerse justo. Trata de convencer y convertir,
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no de aplastar a tu oponente. Sin embargo, tiene el deber, por amor, de
reaccionar ante la violencia de quienes pretenden imponerle el silencio.
El pensamiento de Freire nos lleva a analizar algunos discursos falaces en el actual
contexto pandémico y político sobre la libertad, realizados por algunos individuos. Los
caracterizamos como "falaces" porque maximizan las voluntades despóticas sobre las de los
demás. Ejemplos de estos discursos los da el expresidente de la república, Jair Bolsonaro, y los
comparten en redes digitales sus simpatizantes (políticos, empresarios, influencers digitales).
Frente a la restricción de entrar y salir como medida para contener la contaminación del Covid-
19, el expresidente dijo en un discurso sobre la entrega de espadas a guardiamarinas en la
Escuela Naval, de fecha 12/12/2020, oponiéndose a esta medida sanitaria: "Nuestra libertad no
tiene precio, vale más que la vida misma" (BOLSONARO..., 2020b). Y a principios de junio
de 2022, llamó a sus partidarios a librar una guerra contra lo que llamó los "ladrones de nuestra
libertad" (SOARES, 2022). Y más recientemente, en su discurso durante la Cumbre de las
Américas, de fecha 06/10/2022, el mandatario dijo que "En Brasil ya se entiende que la libertad
es un bien mayor que la vida misma" (TUVUCA, 2022). Es bueno recordar que este tipo de
discursos forman parte del modus operandi del expresidente con su grupo de simpatizantes.
Estos discursos son rápidamente colgados en las redes, de manera tendenciosa, por sus
simpatizantes, que al parecer son "nuevos líderes de opinión en aglutinar ideas y argumentos
en torno a mensajes que tienen un gran poder de alcance" (CARREIRO; SILVA; FREIRE,
2022, p. 55, nuestra traducción).
En estos discursos, es importante analizar dos ideas para entender la concepción que
tiene la libertad: a lo que el presidente se refiere como "nuestra libertad" y como "si se entiende
a mismo". "Nuestro" es un pronombre posesivo con la característica de un adjetivo, ya que
acompaña al nombre "libertad". Este pronombre indica la pose entre la persona del discurso (en
este caso Bolsonaro) y la poseída (la libertad). Hablando en nombre de los brasileños, siendo
presidente de la república, "nuestro" designaría a todos los brasileños, es decir, la libertad de
todos los brasileños. Sin embargo, en el análisis realizado por Azevedo (2022), la "nuestra
libertad" del presidente se refiere a la libertad de él, de su grupo, de sus aliados, de sus
simpatizantes y de quienes piensan como él. Con respecto a "se entiende", es un verbo
pronominal precedido por un lugar "en Brasil", dando la idea de que esta es la concepción
común de la libertad que se tiene en Brasil. ¿No serían solo los suyos y los de sus grupos? Por
lo tanto, "nuestra libertad" no es la de aquellos a quienes él y sus partidarios califican de
"enemigos", tildados de "comunistas". Es decir, niegan la libertad de quienes no comparten sus
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pensamientos, intereses y valores. Por lo tanto, es una falacia decir que "en Brasil, la libertad
es entendida como un bien superior a la vida", ya que esa comprensión es suya y de quienes
comparten su forma de pensar.
Esto refleja la idea de Petry (2021) sobre los discursos de Bolsonaro, que tales discursos
defienden los intereses privados del presidente y de los grupos que lo apoyan. La libertad aquí,
subjetivada por "nuestra" y "entendida en Brasil", es tan privatizadora que resulta despótica,
excluyendo la del otro(s). Se trata de una libertad individual ilimitada, es decir, por encima de
cualquier límite que sirva para satisfacer deseos egoístas y alienantes y mantener privilegios
opresivos. Se niega al diálogo e impone su práctica sin considerar las pruebas que la
contradicen. El autoritarismo y la sectarización son características de este modus operandi, que
Freire (1987) entiende como castrante por el fanatismo del que se nutre; mítico, alienante,
porque transforma la realidad en una realidad aparente, que, por lo tanto, no puede ser
cambiada.
Freire critica esta libertad individual, en términos de imposición, realización y
mantenimiento de las voluntades de los opresores, cuando dice que la "voluntad ilimitada es la
voluntad despótica, negando otras voluntades y, en rigor, por misma. Es la voluntad ilícita de
los 'amos del mundo'" (FREIRE, 2000, p. 18, nuestra traducción). La libertad que defendemos
no le da al individuo/gobernante el derecho de anular sus voluntades despóticas y subyugar las
voluntades de otro. Desde la perspectiva ética de Freire, se puede hablar de libertad, de manera
auténtica, en las acciones de sujetos que asumen sus límites y que proponen una maduración
constante frente a la libertad del otro(s). Según Freire (2011, p. 103, nuestra traducción), "la
libertad madura en la confrontación con otras libertades, en la defensa de sus derechos frente a
la autoridad de los padres, los maestros y el Estado". La libertad del individuo dialoga con la
libertad del otro para la transformación de la sociedad. En otras palabras, la libertad de uno se
realiza en la libertad del otro. Y no se conquista individualmente, sino "colectiva y socialmente.
Esto no significa que no se respeten las singularidades de la experiencia de la libertad, sino que,
como palabra efectivamente generativa, la libertad se concreta en las bases sociales"
(MOREIRA; PULINO, 2021, p. 8-9, nuestra traducción).
Freire entiende que todo ser humano es un sujeto histórico y social. La constitución de
cada sujeto está dada en virtud de la sociabilidad. En este sentido, la acción humana es social,
de tal manera que las acciones de unos se reflejan en la forma de vida de otros. Freire adoptó
una postura crítica frente a la ética normativa encarnada en el legalismo, que puede degenerar
en hipocresía o santurronería. Para el autor, la noción de "ética universal del ser humano"
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constituye un principio de acción en el mundo y las leyes y normas deben estar condicionadas
a ella. En este razonamiento, el autor reconoce la necesidad de una organización social apoyada
en leyes y normas y critica la transgresión de la ética, como transgresión de la ética universal
del ser humano. Freire no se opone al castigo de la transgresión, siempre y cuando se asegure
que el castigo en sí mismo no es transgresor de la humanidad del ser humano.
Destacamos que, desde un punto de vista histórico, la transgresión de la ética humana
fue avalada por la legislación y fomentada por los deres políticos, al punto que la población
toleró y reforzó prácticas deshumanizantes en nombre del patriotismo y la obediencia a la
tradición y las leyes, persiguiendo a quienes querían preservar la vida, como ocurrió en la
esclavitud, el nazismo y la dictadura. y en movimientos conservadores como el Ku Klux Klan,
que suprimieron la dignidad de la libertad humana y justificaron la violencia. Y, nos preocupa
pensar que estas tragedias que convencieron a las naciones de tolerar los asesinatos en aras de
la libertad patriótica comenzaron con discursos difamatorios y recursos mediáticos similares,
en los que se culpaba a grupos específicos de la economía y los problemas sociales, acusándolos
de anular los derechos de las familias nacionales tradicionales (ALMEIDA, 2016; NÓBREGA,
2018). Así, en nombre de una libertad que favorece a unos, se instalan injusticias legalizadas
en detrimento de otros. En Brasil, para mantener sus privilegios y la opresión de los pueblos
indígenas, según Alves-Melo (2022), las élites brasileñas eludieron, con discursos falaces sobre
la libertad, las leyes existentes que defendían la libertad de los indígenas para seguir
esclavizándolos a través del autoritarismo, es decir, se resisten a renunciar a sus privilegios. En
opinión de Virginio (2021, p. 13, nuestra traducción), "estos grupos, en el pasado y en el
presente, luchan para impedir que la mayoría de la población supere los efectos de las relaciones
sociales autoritarias y desiguales que los han alejado del pueblo"
El autoritarismo y la práctica de la violencia están arraigados en el comportamiento
social hasta el punto de que los propios padres golpean a sus hijos como correctivo de conducta.
En este sentido, la apelación a los valores tradicionales remite, en sentido popular, a la regresión
al autoritarismo arraigado en el patriarcado (SANTOS, 2022). Consideramos importante, a
partir del postulado de Freire, pensar la orientación de las acciones humanas humanizando y
liberando los principios de la conciencia moral, oponiéndose a la acción legalista en función
del castigo, la negociación, la adecuación social o existencial, para entrar en una conciencia de
práctica cooperativa, solidaria, dialógica y centrada en el rostro del otro (FUCUHARA, 2021).
Para Freire (1997), la inmoralidad está en la voz silenciada, en los cuerpos interdictos, en la voz
que falsifica la verdad para mentir, engañar, deformar, y en el hecho de pensar que uno tiene el
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derecho ilimitado de decir lo que quiera sobre el mundo y sobre los demás. El autor critica la
voz irresponsable que miente sin sentirse mal y aún espera resultados favorables para los planes
mentirosos.
Por lo tanto, es pertinente pensar en una educación que forme una conciencia ética, que
considere la universalidad del valor y la dignidad humana de todas las personas (FREIRE, 2011,
2002). En otras palabras, la oltredad y la libertad de Freire requieren de una formación de
conciencia que oriente las acciones humanizadoras, no a una obediencia moralista por mero
miedo a ser castigado o por desear la suficiencia y el prestigio personal, sino a elogiar la justicia
social, basada en la autonomía y la libertad para guiar los propios principios morales
(FUCUHARA, 2021). Nuestro argumento se basa en la importancia de una educación ética que
se guíe por la valoración del otro, que forme para un acto de empatía incluso cuando nadie lo
esté mirando, que eduque para una conciencia que elija considerar la libertad
8
del otro, aunque
tenga la libertad de actuar como quiera, porque esta es la conciencia moral que sobreviviría a
la posesión de un anillo de Giges. Una mente autónoma y consciente que considere la libertad
intrínseca de la naturaleza humana y su capacidad dialógica, respetando el lugar de la palabra
en la sociedad. Si el deseo de libertad es nuestra vocación, entonces debe implicar "un cambio
de paradigmas, en el que se haga educación, reflexionando y actuando conscientemente, en la
práctica pedagógica cotidiana, para transformarla" (SANTOS; VALENTE; CORTEZ; ASSAD;
VOGAS, 2021, p. 2748, nuestra traducción).
Los conceptos de oltredad y libertad de Freire, como se vio anteriormente, provocan una
educación que toma la realidad como objeto de estudio para transformarla con el otro. Y esto
requiere una trascendencia de los sujetos para ser más. La educación liberadora permite
problematizar la realidad para conocerla mejor y transformarla. Es decir, brinda espacio para el
pensamiento crítico, dialógico y de participación de todos los sujetos en el proceso educativo.
La transformación de la realidad implica la posibilidad de transformación del individuo y del
otro a través del diálogo, liberándose del sistema educativo autoritario, cuyos contenidos y
valores se imponen y sirven de mecanismo para continuar la dominación y los privilegios de
las élites.
8
En la antigua Grecia predominaba una enseñanza mitológica que se transmitía oralmente de generación en
generación, reforzando la obediencia por miedo al castigo de los dioses y al destino, utilizando discursos de causa
y consecuencia atribuidos según actitudes. En este contexto, Platón (2002) resignificó la mitología y contrapuso
su función moralizante narrando el Mito de Giges, en el que destacó la importancia de una moral que trascienda
el mero actuar por la apariencia y el miedo al castigo. Giges fue un ejemplo de conducta y un buen ciudadano para
la ciudad, hasta que encontró un anillo que tenía el poder de hacerlo invisible y consideró la posibilidad de no ser
visto como una garantía de impunidad, y así dio rienda suelta a su maldad, a su propia codicia por lograr todo lo
que quería sin preocuparse por las personas, que perjudicó mientras lograba sus objetivos.
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Freire denomina a este último sistema educativo "educación bancaria", lo que
contrapone a la educación liberadora o problematizante. En la primera, la acción pedagógica se
ocupa de una relación vertical entre el educador y los alumnos, en la que el educador es el
poseedor de conocimientos y pensamientos y los prescribe, los transmite a los alumnos. Y estos
no son más que objetos que reciben pacíficamente el conocimiento pensado por el educador, y
actúan de acuerdo con esta prescripción. Esta idea hace justicia a las personas que utilizan
discursos falaces sobre la libertad para prescribir sus pensamientos y creencias a los demás, sin
posibilidad de contradicción, de problematización. No es casualidad que estas personas
defiendan un sistema educativo que cuenta con esta acción pedagógica, cuyo propósito es
formar individuos acomodados a la situación de palabras silenciadoras, que no problematicen
el discurso, y así se sometan fácilmente al poder opresor y autoritario vigente. Es lo que dice
Freire (1987, p. 60, nuestra traducción): "De hecho, lo que pretenden los opresores 'es
transformar la mentalidad de los oprimidos y no la situación que los oprime', y esto para que,
adaptándolos mejor a esta situación, los domine mejor". Solo por mencionar un ejemplo, sin
pretender explorar esta discusión, traemos a colación el caso del modelo de educación cívica
militar que los actuales gobernantes de la nación están obsesionados con implementar en las
escuelas brasileñas. Molestos con la posibilidad de liberar la educación, se alinean con
"prácticas 'tradicionales', 'conservadoras', en la línea de la llamada educación 'bancaria', en la
que, siendo una de las marcas de la opresión, el acto de 'depositar' información/conocimiento
por parte del docente en los estudiantes es la nota clave" (PEREIRA; SARTORI, 2020, p. 652,
nuestra traducción).
La educación, para Freire (2006), debe ser el proceso de liberación y, por lo tanto, es
liberador a través del diálogo, porque posibilita un conocimiento crítico, riguroso y amoroso a
los sujetos educativos, en el que ningún saber sustituye al otro. Interpretando esta comprensión
freireana, Machado (2012, p. 27, nuestra traducción) dice:
Desde la perspectiva de la educación liberadora, la educación tiene un carácter
político, tiene como objetivo despertar la conciencia crítica y promover el
diálogo con los sujetos involucrados en el proceso. Esto significa entender que
los sujetos son seres relacionales y capaces de intervenir constantemente en el
mundo, es decir, no son solo seres en el mundo, sino con el mundo. Esto
presupone comprender la pluralidad de saberes que se generan en estas
relaciones que se establecen con el mundo, a través del diálogo que
problematiza este ser con el mundo.
En la educación liberadora, el diálogo indica una acción ética que respeta la lectura del
mundo del otro y toma a los sujetos educativos como seres en permanente construcción. En
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otras palabras, la acción ética posibilita una relación horizontal, con la dialogicidad como centro
de aprendizaje permanente para transformar la realidad. Y permite hacer frente a las
adversidades que conforman el escenario de la educación como proceso de liberación.
En Freire (1987, 2000, nuestra traducción), la dimensión humana es entendida como
dialógica y a favor de la libertad, por lo que toda formación educativa debe ser para el "diálogo
del hombre con el hombre y sus circunstancias" (FREIRE, 2002, p. 36, nuestra traducción), y
no para una masificación del pensamiento, una disociación de ideas, una "prisión mental". El
concepto de oltredad se entrelaza con el de libertad, cuando Freire entiende que la educación
debe ser un acto de amor, y amar es compromiso, es comprometerse en la lucha por la libertad,
es liberar y no manipular, no tolerar ningún acto de sadismo y autoritarismo. No hay amor y
libertad donde no hay diálogo, donde no se respeta la naturaleza humana, donde no se concede
el derecho a hablar, donde el otro no es considerado e insertado en las relaciones que involucran
el mundo común. La naturaleza humana se expresa en el acto dialógico, por lo que educar es
dialogar juntos, es experimentar la libertad junto con la de los demás como posibilidad de "ser
más" y de prepararse para una postura valiente "frente a los problemas del tiempo y del espacio".
(FREIRE, 1967, p. 93, nuestra traducción).
La eticización de la libertad preserva al otro. Y frente a las incomprensiones,
dominaciones e injusticias que oprimen y contraen nuestra existencia recíproca por la libertad,
una educación humanizadora liberadora es de fundamental importancia, porque es en el proceso
liberador donde encontramos posibilidades de construir bases para fundamentar la praxis de
una educación humanizadora y democrática, que parte de la formación de una conciencia moral
dialógica y social para un mundo eticizado que preserve la vida humana de todos por encima
de todo.
Consideraciones finales
Frente a los conceptos erróneos en los que la libertad social es entendida como libertad
individual o grupal, y que la vida humana es considerada secundaria en detrimento del poder
económico, fue posible rescatar la filosofía de la educación de Paulo Freire para pensar en la
importancia de una ética de "valorización universal del ser humano" y la importancia de una
educación que mejore la vida. para que pueda expresarse en la humanización social, que
involucra no solo al individuo, sino también a su oltredad.
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La libertad, autoritaria y, al mismo tiempo, licenciosa, implica la responsabilidad ética
de entenderla como una libertad social, que no es sólo propia, sino que implica al otro con el
objetivo de un proceso continuo de liberación de las presiones sociales. El autoritarismo y el
libertinaje consideran la libertad unilateralmente y excluyen de su ámbito al otro como sujeto
de conciencia y derechos, y les corresponde crear un proceso de liberación de esta opresión
evitando reproducirla. A partir de la ética de la oltredad, centrada en la consideración del otro,
en un escenario marcado por la opresión y la pandemia, la búsqueda de la liberación implica la
toma de conciencia colectiva de personas dedicadas a preservar la salud, el medio ambiente y
el bienestar social. Se comprometen con prácticas destinadas a mitigar el hambre, la
explotación, contener la propagación del virus, lo que podría resultar en períodos más cortos de
aislamiento social, reducir los impactos económicos y preservar las vidas que se han perdido.
Con ello se pretende evitar que la tristeza se extienda a familiares y amigos. Esta mirada a un
pasado tan reciente pone de relieve la fragilidad humana para resistir a las ideologías y
regímenes fascistas, a las pandemias, a las guerras y a otras posibles atrocidades que puedan
tener lugar en nuestra sociedad. Pero expone la necesidad de una educación liberadora que esté
guiada por la conciencia de la oltredad, que creemos es una forma posible de contrarrestar estas
barbaridades.
En contraste con la noción de libertad individualista, competitiva y excluyente como
ideología opresiva, la oltredad considera la humanidad que existe en uno mismo y en el otro.
Freire entendía la opresión como una deshumanización, como la negación de la oltredad, en la
que una clase se construye en detrimento de otra, creando mecanismos de alienación,
silenciando y convirtiendo a hombres y mujeres en meros espectadores y no en sujetos activos
de su historia. Solo el diálogo concienzudo entre estos seres que conviven podría traer la
comprensión del contexto, la dimensión de la opresión y la noción histórica en la que se
insertan, para que juntos tomen conciencia en busca de su liberación. El Otro no existe solo,
sino socialmente, como seres responsables de la liberación de su mundo. La oltredad implica
tanto verse a mismo en el otro de manera solidaria y humanizadora como dialogar con él,
para que juntos puedan problematizar y transformar sus historias y su mundo compartido.
Para Freire, la libertad es un proceso que transforma la sociedad. No lo restringe a una
conquista personal, que subyuga o se eleva por encima de los demás, por el contrario, rescata
la esencia misma humana de la libertad, considerando que el diálogo es también una condición
existencial y que involucra al otro. Por lo tanto, comprometerse socialmente en la búsqueda de
un proceso de liberación es un proceso humanizador, ya que restaura las potencialidades
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esenciales para una postura emancipatoria de la sociedad. De ahí la importancia de una
enseñanza que tenga como objetivo involucrar a los jóvenes en busca de su humanización, de
su liberación.
Una educación en este sentido permitiría conquistar por toda una sociedad que se
entiende a misma como una comunidad, en la que la tragedia de uno es entendida como la
tragedia general, y la búsqueda de seguridad y emancipación es un bien común. Una educación
ética que afirme la valoración del otro se oponga a los discursos egoístas, individualistas,
clasistas y de odio para ser una educación humanizadora, que promueva la cooperación
autónoma, rescatando los principios de oltredad y libertad humana. Así, se abordaría la
posibilidad de una sociedad eticizada, que adopte medidas para preservar la vida, que dialogue
sobre los riesgos y busque reducir el daño, valorando la humanidad, sea en cualquier persona.
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Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA y Darcísio Natal MURARO
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872 21
CRediT Author Statement
Reconocimientos: A la Superintendencia de Ciencia, Tecnología y Educación Superior
(SETI), Fundación Araucária y Universidad Estadual de Londrina (PROPPG), como fuente
de apoyo parcial, a través de recursos para el procesamiento y traducción del artículo.
Financiación: La Coordinación de Perfeccionamiento del Personal de Nivel Superior
(CAPES) cuenta con el apoyo de una beca de doctorado a uno de los autores (Antonio
Oliveira Dju).
Conflictos de intereses: No hay conflictos de intereses.
Aprobación ética: No aplicable.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Contribuciones de los autores: La contribución de todos los autores fue muy relevante y
decisiva desde la planificación, estructuración, desarrollo hasta la revisión de este artículo.
El tema de la alteridad/alteridad es objeto de investigación de la primera autora (Sra.
Antonio Oliveira Dju) en su maestría y parcialmente ahora en su doctorado. Y el tema de la
libertad fue objeto de estudio de la segunda autora (la Sra. Letícia Regina dos Santos
Rodrigues Fucuhara) en su maestría. Los dos autores trajeron las reflexiones de su
investigación de maestría en torno a estos dos conceptos queridos por Paulo Freire bajo la
guía del tercer autor (Prof. Dr. Darcísio Natal Muraro). En el comité de maestría, los dos
fueron desafiados a producir un artículo conjunto sobre estos dos temas interdependientes,
que son tan importantes en la comprensión de los seres humanos y su ser en el mundo. El
tercer autor, con su vasta experiencia y conocimiento de Freire, contribuyó en gran medida
a la mejora de la comprensión de estos conceptos en el contexto brasileño de discursos
autoritarios-fascistas sobre la libertad en la sociedad polarizada y pandémica en la que
vivimos.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872 1
THE OTHERNESS AND FREEDOM IN PAULO FREIRE IN THE LIGHT OF THE
BRAZILIAN CONTEXT
A OUTREDADE E A LIBERDADE EM PAULO FREIRE À LUZ DO CONTEXTO
BRASILEIRO
LA OLTREDADE Y LA LIBERTAD EN PAULO FREIRE A LA LUZ DEL CONTEXTO
BRASILEÑO
Antonio Oliveira DJU1
e-mail: antoniodju@yahoo.it
Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA2
e-mail: leticia.fucuhara@gmail.com
Darcísio Natal MURARO3
e-mail: murarodnm@gmail.com
How to reference this article:
DJU, A. O.; FUCUHARA, L. R. dos S. R.; MURARO, D. N. The
otherness and freedom in Paulo Freire in the light of the Brazilian
context. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação,
Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872
| Submitted: 23/06/2022
| Revisions required: 03/03/2023
| Approved: 22/09/2023
| Published: 13/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
State University of Londrina (UEL), Londrina PR Brazil. PhD student in the Postgraduate Program in
Education and scholarship holder at CAPES.
2
State University of Londrina (UEL), Londrina PR Brazil. PhD student in the Postgraduate Program in
Education.
3
State University of Londrina (UEL), Londrina PR – Brazil. Professor/advisor in the Postgraduate Program in
Education (Masters and Doctorate) at UEL.
The otherness and freedom in Paulo Freire in the light of the Brazilian context
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872 2
ABSTRACT: This paper analyzed the concepts of otherness and freedom from Paulo Freire's
perspective, to ground an ethical education of human valorization, opposing the selfish,
individualistic, and hateful speeches and practices in the fascist-authoritarian Brazilian context.
It aims at analyzing Freire's works in search of the concepts of otherness and freedom to find
the basis for a humanizing education which promotes autonomous cooperation. It is
bibliographic research, based on Paulo Freire's works to understand Freirian ethical concepts
of otherness and liberation. This conceptual framework allowed us to reflect critically on the
hate discourses and practices of our pandemic and social context, under the sieve of humanizing
ethics, which makes these concepts inseparable and dependent on each other. We conclude that
these Freirean concepts offer an important basis for thinking about the Brazilian social context,
rescuing the praxis of a liberating teaching that consists in valuing otherness and humanization.
KEYWORDS: Fascist authoritarianism. Paulo Freire. Dialogue. Ethics of the other. Liberating
education.
RESUMO: Este artigo analisou os conceitos de outredade e liberdade na perspectiva de Paulo
Freire, para embasar uma educação ética de valorização humana, contrapondo-se aos
discursos e práticas egoístas, individualistas e odiosas no contexto fascista-autoritário
brasileiro. O objetivo foi analisar as obras freirianas em busca dos conceitos de outredade e
liberdade, a fim de encontrar bases para uma educação humanizadora que promova a
cooperação autônoma. A pesquisa é bibliográfica, de caráter qualitativo, fundamentada nas
obras de Paulo Freire para compreender os conceitos éticos freirianos de outro e libertação.
Este arcabouço conceitual proporcionou refletir criticamente sobre os discursos e práticas de
ódio de nosso contexto pandêmico e social, sob o crivo da ética humanizadora, que torna estes
conceitos indissociáveis e dependentes um do outro. Concluímos que esses conceitos freirianos
oferecem uma importante base para pensar o contexto social brasileiro, resgatando a práxis
de um ensino libertador que consiste em valorizar a outredade e humanização.
PALAVRAS-CHAVE: Autoritarismo fascista. Paulo Freire. Diálogo. Ética do outro.
Educação libertadora.
RESUMEN: Este artículo analizó los conceptos de oltredad y de libertad desde la perspectiva
de Paulo Freire, para fundamentar una educación ética de valorización humana, oponiéndose
a los discursos y prácticas egoístas, individualistas y de odio en el contexto brasileño fascista-
autoritario. El objetivo fue analizar la obra de Freire en busca de los conceptos de alteridad y
libertad para encontrar las bases de una educación humanizadora que promueva la
cooperación autónoma. La investigación es bibliográfica, de carácter cualitativo, basada en
las obras de Paulo Freire para comprender los conceptos éticos freirianos de oltredad y
liberación. Este marco conceptual nos permitió reflexionar críticamente sobre los discursos y
prácticas de odio de nuestro contexto pandémico y social, bajo el tamiz de la ética
humanizadora, que hace que estos conceptos sean inseparables y dependientes entre sí.
Concluimos que estos conceptos freirianos ofrecen una base importante para pensar el
contexto social brasileño, rescatando la praxis de una enseñanza liberadora que consiste en
valorar la oltredad y la humanización.
PALABRAS CLAVE: Autoritarismo fascista. Paulo Freire. Diálogo. Ética del otro. Educación
liberadora.
Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA and Darcísio Natal MURARO
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872 3
Introduction
In recent years, the philosophy of education has focused on the themes of
alterity/otherness
4
and freedom
5
from the perspective of Paulo Freire (1921-1997) as a way of
confronting the political-social polarization that characterizes social relations in the context in
which we live. The hegemonic and authoritarian speeches of the Bolsonaro government and its
network of supporters, even during the 2018 electoral campaign, in the service of the neoliberal
capitalist system, have adopted a fascist character and use freedom to justify radical
individualism and hate as an ideology (CATTANI, 2022
6
; RIA, 2020; CARVALHO,
PAIVA, 2022; GOLPE..., 2021). On the other hand, we seek to investigate Freire's conception
of freedom, which points to a practice of freedom as a community action focused on cooperation
that allows for joint personal and social growth.
This is a bibliographical study, of a qualitative nature, based on the following works by
Freire: Pedagogy of the oppressed (1987); Pedagogy of autonomy: Necessary knowledge to
educational practice (2011); Brazilian education and current affairs (2002); Education as a
practice of freedom (2006). In addition to these works, we made use of our master's studies,
carried out two years ago, on otherness and freedom in Paulo Freire, to help us with this
discussion. The purpose of the study is to develop three main questions: what is the other? What
is freedom? What education do these concepts advocate? Firstly, we analyze the concept of
otherness and freedom from the perspective of Paulo Freire, looking for conceptual references,
to analyze the current Brazilian context around the discourse appealing to freedom with a fascist
tendency. Secondly, we seek to understand, through this analysis, the educational proposal that
these ethical concepts advocate. The article is based on the conceptual framework developed in
academic research at master's level, and partially at doctorate level, to support the analysis of
this social fact around the argument of individual freedom.
4
This article brings some reflections from the master's thesis “Alterity and Education: a contribution by Paulo
Freire and the ubuntu philosophy for a humanizing education” (DJU, 2021, our translation), carried out in the
Postgraduate Program in Education at the State University of Londrina (PPEDU /UEL).
5
The text brings some reflections from the master's thesis “The formation of moral conscience from the perspective
of Paulo Freire” (FUCUHARA, 2021, our translation), carried out in the Postgraduate Program in Education at the
State University of Londrina (PPEDU/UEL).
6
Cattani, for example, talking about “fascists” and “fascism”, being a relationship between the ruler and the masses
through nationalism, which emerged in some European countries in the 1920s and 1930s, states that they are
characteristics that have been attributed to Bolsonaro and its supporters in Brazil because they are in favor of
dictatorship, torture and the discretionary elimination of part of the population in the name of a “liberal economy”,
authoritarianism, intolerance, hatred, racism and other dehumanized forms of sociability . Despite this, Cattani
himself argues that the ideal characteristics for these people in Brazil should be “bad” and “malignancy”, attributes
promoted by powerful economic elites endowed with unlimited greed.
The otherness and freedom in Paulo Freire in the light of the Brazilian context
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872 4
The analysis seeks to understand the presupposition of this hate speech, uncover its
interests and expose its contradictions. Structured in the form of a right-wing movement, this
group makes a categorical defense of the freedom to spread hate speech defending traditional
conservative values, opposing science, especially the human sciences, human and labor rights
and minorities who demand their rights. This hate speech justifies policies aimed at the interests
of elites and social actions that cause serious harm to others. Such an attitude transforms the
other into an object of speech use. Thus, they defend the freedom not to be vaccinated against
Covid-19; freedom to have as many firearms as they want; freedom to gather thousands of
people in a closed space in the midst of the Covid-19 pandemic without respecting health
standards such as social distancing and the use of masks (CAVALCANTE, 2021), freedom to
explore natural resources (ore, wood, animals, etc.) above any legal parameter. (SOUZA, 2020).
The discourse of religious fundamentalism and the nationalist ideology of a
homogeneous homeland expressed in the slogan: “Brazil above all. God above all”
7
, as stated
by Arruda, Costa and Magalhães (2020) and Cavalcanti and Azevedo (2022), would not be
presuppositions for universal freedom, assumed as a traditional value for the individual to
follow and to which everyone should submit, justifying intolerance and violence in
relationships with others? The defense of the motto “God, country, family and freedom” by
Bolsonaro and his supporters shows how the discourse of religious fundamentalism and appeal
to nationalism supports the conception of freedom that they defend (CASTILHO, 2022). We
understand that this notion of freedom promotes competitiveness to profit and win, in which it
is worth using all techniques to silence and exclude what is different and contradictory, such as
the appeal to fake news, denialism, the defense of the use of weapons, the elimination of social
and labor rights, the reduction of the social role of the State in subsidizing social services. In
this way, as the conditions of individualistic and competitive freedom serve the privileges of
the elites, it generates the concentration of income, subjects the masses to impoverishment and
victimizes them for it.
From Freire's perspective, we seek to understand the postulation of the use of words as
a practice of freedom that implies a problematizing dialogical relationship of otherness, which
creates the condition of subjects with different readings of the world who are willing to think,
7
Remembering that this fascist slogan has been part of Bolsonaro's campaign since the 2018 elections. It is in a
way an imitation of Hitler's slogan, “Germany above all”. According to Cavalcanti and Azevedo (2022, p. 57, our
translation), analyzing this slogan, “the expression above, which suggests an upward movement, upwards, refers
to the idea of superiority, a higher position, which is the ideology of utopian nationalism. In this sense, the slogan
Brazil above... and God above... played a symbolic role in the collective dream of the current president's followers,
in the same way it did in the German era, with Hitler”.
Antonio Oliveira DJU; Letícia Regina dos Santos Rodrigues FUCUHARA and Darcísio Natal MURARO
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023131, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872 5
based on readings of the word, a historical construction in communion. Thus, freedom is shared,
supportive and democratic praxis. The conceptual questions we seek help in understanding and
deepening liberating education, always based on dialogue with others from a popular
democratic perspective and opposed to the authoritarianism of the elites.
The conception of otherness and ethical action in Freire
Otherness is one of the themes discussed in recent years to think about the relationship
of identity and difference (self/other(s)/us) in the face of disregard for the other(s). This idea is
well expressed by Muñoz, Labrador and Ávila (2020), when they state that thinking in the
current context is characterized by an excess of individualism as a logic of competitiveness, the
consequence of which is precisely indifference towards others, present in social relations and
institutions. And the other constructed by this tendency, in the view of these authors, is simply
infamous, because his speech 'egomaniac' closes himself in his own individuality, the result of
which revolves around the denial of the other's identity. It is because of this tendency that Dju
and Muraro (2021) and Téllez (2015) argue that otherness should not be taken in the sense of
alter ego (other self), because this becomes a representation of the self and, thus, the discourse
does not overcome 'eucentrism', but it continues to revolve around the self.
In the Brazilian context of the pandemic, caused by Covid-19, this discussion has
become even more relevant in the face of fallacious and denialist speeches with selfish
tendencies. One of these speeches is the repeated speech of the former President of the Republic
(Jair Bolsonaro) and his supporters in constant defense of the effectiveness of the drug
hydroxychloroquine for preventing and combating Covid-19 (GAZETA DO POVO, 2020;
BOLSONARO..., 2020a). It is worth remembering that many scientific studies prove the
ineffectiveness of this medicine in preventing and combating Covid-19 (ESTUDO..., 2021).
This practice put the lives of many people at risk because they believed this speech and took
this medicine. According to Petry (2021), Bolsonaro's speeches showed that he was not in the
interest of the other(s), due to the fact that he transformed the role of president as a public ruler,
which requires dialogue with institutions and social organizations, into an activity of a strictly
personal nature. In this way, he asserted the interests of a private individual whose intentions
are not completely transparent, overriding the interests of society in the administration of public
office. And this shows how he lives in a 'bubble', depriving himself of the reality that is created
in the interdependence of human beings, in dialogue and in correcting their perceptions among
themselves.
The otherness and freedom in Paulo Freire in the light of the Brazilian context
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To understand Freire's concept of otherness, it is important to first understand this term.
According to Dju and Muraro (2022), the term outredade is generally translated from the
English otherness Other (outro) and ness (dade) whose connotation leads to the quality or
condition of being something or someone. For example, these names: carefulness (care),
hardness (hardness), candidness (candor), womaness (woman), brazilianess (Brazilian), denote
the quality or condition of being careful, hard, candor, being a woman and being Brazilian. The
name otherness, therefore, in the view of the authors mentioned above, means the quality,
condition or state of being other. It denotes the other as a 'to be-being', a process of becoming
another, an idea contemplated by Freire in his works.
Otherhood in Freire refers to the exercise of identity, in which subjects (I-you/other)
create dialogical relationships of interdependence and inter-constitution. Thus, the other
appears as a you and a non-self, used by Freire as synonyms, which is inter-constituted in the
dialogue. Freire (1987, p. 165-166, our translation) says:
The dialogical I, on the contrary, knows that it is exactly the you that
constitutes it. He also knows that, constituted by a you a non-self , the you
that constitutes him constitutes himself, in turn, as me, by having a you in his
self. In this way, the I and the you become, in the dialectic of these constitutive
relationships, two you that become two I.
Based on interdependence and inter-constitution, otherness takes the other as a non-self
with whom one acts and acts to transform reality, the world. There is an authentic dialogical
relationship here regarding the ethical action of the subjects, because they do not exclude
themselves in their conception and intention of transforming the world. This means that the
assumption of oneself as a subject of relationship, of thought, of freedom, only finds meaning
when they are also recognized in the other. The understanding and transformation of the world
and the search for the subject's own development do not occur in isolation, but with others.
According to Freire (2011, p. 42, our translation), “it is the otherness of the non-self, or the you,
that makes the radicality of myself assume”. Radicality is the subject's possibility of choice and
option, always made in dialogue with that of the other subject(s). This is equivalent to saying
that I can only affirm my radicality if, but only if, I do not alienate, do not oppress, do not
dominate, do not silence others or myself.
The otherness, then, enables the human being of the subjects. In the view of Soares
(2020, p. 199, our translation), as an exercise of identity, it “becomes fundamental to
understanding how individuals become subjects, becoming a subject is making the human being
become human, that is, the exercise of identity is a process of humanization”, which occurs
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with others. Humanization is not a privilege for some, but it is a thought process as a right for
everyone. It is a process that I-you/other constantly seeks to “become more fully human as a
social, historical, thinking, communicating, transformative, creative person, who participates in
the world and with the world” (SALAZAR, 2013, p. 126, our translation). This means that the
subjects (I-you/other) become human beings at every moment.
And as an ethical act, it presupposes the freedom of the other to also participate,
dialogue, communicate and decide, that is, to contradict one another. This should not be done
by and for him, but with him. The Freirean ethical notion denotes the search for coherence
between thinking and conscious and intentional action, with the liberation of the oppressed as
a process. According to Freire (2001, p. 65, our deletion, our translation),
[...] it is not just knowing a theory of the oppressed with its various and
multiple identities; It is also necessary to know how to position oneself -
ethically - face to face with the multiple and stratified identities generated by
the history of oppression.
Ethical action makes it possible to recognize the other as a subject dedicated to being
more, with the perspective of humanizing themselves in communion, a subject that is
constructed in the dialogical relationship with peers in a historical and social way in the world,
using words. This implies living together and respecting those who are different, immersed in
reality to transform it “from any form of silencing or oppression that nullifies the Other, that
tries to condition it to an object” (BENTES; MERCÊS; LOUREIRO, 2020, p. 14, our
translation). Freirean humanization leads to otherness and this is the process for the first. Freire's
proposal is that humanization is a procedure that human beings acquire as a way of life in the
face of its opposite, which is dehumanization.
Thus, the otherness, as a non-self and as a you/other, refers to the other who wants to
assume his ontological vocation in the process of humanization as a subject of thought, of
freedom who knows his interdependent and inter-constituent identity. We will address this
discussion of freedom in the face of ethical action in relation to others in the following item.
Her freedom and consciousness have support and meaning in the existence of others. And this
entire process requires a liberating and humanizing educational action from the other (DJU,
2021). The relationship between identity and difference, which occurs with and for the world,
is the foundation for the educational process.
The otherness and freedom in Paulo Freire in the light of the Brazilian context
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Freedom in Freire as an ethics of otherness
In recent years, the discussion about freedom has become recurrent, specifically in
Brazil, mainly in the context of the pandemic, caused by Covid-19, and politics. In fact, there
are not two contexts, but one, because they are summarized in speeches with a political-
economic purpose. This discussion is valid, because we understand that freedom is one of the
fundamental values of human beings and complementary to others, such as life, justice,
solidarity. The problem is that it has been capitalized on from a fascist-fundamentalist
interpretation in the Brazilian context to impose the worldview of some on others, in an
authoritarian way (PY, 2020).
Freedom appears in Freire as a radicality of love, dialogue, humility and sympathy
always with others, opposing oppression, false generosity and mere assistance, which do not
aim at social transformation (FREIRE, 1987). This means that it should not be thought of in
isolation from the other. Therefore, your search should not be based on selfish and alienating
individual interests, but rather on meeting the other, at the service of the other's existential
experience. Freedom is characteristic of the human being, that is, it makes him constantly
human. In other words, it allows him to discern, as a subject of his existence, to seek knowledge
increasingly as a possibility for his humanization. This is the historical and natural vocation of
the human being. Through freedom, the individual integrates into their context to transform it;
lives its vocation to decide, choose, recreate and be more. Without this mark of freedom in
humans, according to Freire (2006, p. 50, our translation), this “remains a merely adjusted or
accommodated being”. In oppression, there is no such human characteristic. Therefore, the
other cannot exercise his action as also a subject of the process.
The idea of freedom as radicalization from the perspective of Freire's ethical action
implies the rootedness and critical and communicative choice that human beings make. This
means that freedom leads the individual to dialogue with others. Freire (2006, p. 58, our
translation) says:
The radical man in his choice does not deny the other's right to choose. You
do not intend to impose your choice. Talk about it. He is convinced of his
rightness, but respects the other person's right to also believe that he is right.
Try to convince and convert, not crush your opponent. However, he has a duty,
as a matter of love, to react to the violence of those who seek to impose silence
on him.
This thought by Freire leads us to analyze some fallacious speeches in the current
pandemic and political context about freedom, made by some individuals. We characterize them
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as 'fallacious' due to the fact that they maximize despotic wills over those of the other(s).
Examples of these speeches are given by the former president of the republic, Jair Bolsonaro,
and shared on digital networks by his supporters (politicians, businesspeople, digital
influencers). Faced with the restriction on coming and going as a measure to contain the
contamination of Covid-19, the former president said in a speech about the delivery of swords
to midshipmen at the Naval Academy, dated 12/12/2020, opposing this measure health: “Our
freedom is priceless, it is worth more than life itself” (BOLSONARO..., 2020b). And at the
beginning of June 2022, he called on his supporters to wage war against what he called “thieves
of our freedom” (SOARES, 2022). And more recently, in his speech during the Summit of the
Americas, dated 06/10/2022, the president said that “In Brazil, it is already understood that
freedom is a greater good than life itself” (TUVUCA, 2022). It is good to remember that this
type of speech is part of the former president's modus operandi with his group of supporters.
These speeches are quickly posted on the networks, tendentiously, by their supporters, apparent
“new opinion leaders in bringing together ideas and arguments around messages that have great
reaching power” (CARREIRO; SILVA; FREIRE, 2022, p. 55, our translation).
In these speeches, it is important to analyze two ideas to understand the conception we
have of freedom: what the president refers to as 'our freedom' and what “is understood”. “Our”
is a possessive pronoun with the characteristics of an adjective, as it accompanies the name
“freedom”. This pronoun indicates possession between the person of the speech (in this case
Bolsonaro) and the thing possessed (freedom). Speaking on behalf of Brazilians, being
president of the republic, “ours” would designate all Brazilians, that is, the freedom of all
Brazilians. However, in the analysis made by Azevedo (2022), the president's 'our freedom'
refers to his freedom, that of his group, that of his allies, supporters, of those who think like
him. With regard to “if understood”, it is a pronominal verb preceded by place 'in Brazil', giving
the idea that this is the common conception of freedom that we have in Brazil. Wouldn't it just
be him and his groups? Thus, 'our freedom' is not that of those he and his supporters classify as
'enemies', labeled 'communists'. In other words, they deny the freedom of those who do not
share their thoughts, interests and values. Therefore, it is a fallacy to state that “in Brazil,
freedom is understood as a good greater than life”, since this understanding belongs to him and
those who share his way of thinking.
This reflects Petry's (2021) idea about Bolsonaro's speeches, that such speeches defend
the private interests of the president and the groups that support him. Freedom here, referred to
as 'ours' and 'understood in Brazil', is so privatizing that it becomes despotic, excluding that of
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the other(s). This is unlimited individual freedom, that is, above any limit that serves to fulfill
selfish and alienating desires and maintain oppressive privileges. It refuses dialogue and
imposes its practice without considering evidence that contradicts it. Authoritarianism and
sectarianization are characteristics of this modus operandi, which Freire (1987) understands to
be emasculating due to the fanaticism on which it is nourished; mythical, alienating, as it
transforms reality into an apparent reality, which, therefore, cannot be changed.
Freire criticizes this individual freedom, in terms of imposing, carrying out and
maintaining the will of the oppressors, when he says that the “unlimited will is the despotic
will, denying other wills and, strictly speaking, of itself. It is the illicit will of the 'owners of the
world'” (FREIRE, 2000, p. 18, our translation). The freedom we defend does not give the
individual/ruler the right to override their despotic wills and subjugate the wills of others. From
the Freirean ethical perspective, freedom can be spoken of, authentically, in the actions of
subjects who assume their limits and who propose constant maturation in the face of the
freedom of the other(s). In Freire's understanding (2011, p. 103, our translation), “Freedom
matures in confrontation with other freedoms, in the defense of one's rights in the face of the
authority of parents, teachers, and the State”. The freedom of the individual dialogues with the
freedom of others for the transformation of society. In other words, the freedom of one is
realized in the freedom of the other. And it is not achieved individually, but “collectively and
socially. This does not mean that the singularities of experiencing freedom are not respected,
but that, as an effectively generating word, freedom is realized on social bases” (MOREIRA;
PULINO, 2021, p. 8-9, our translation).
Freire understands that every human being is a historical and social subject. The
constitution of each subject occurs due to sociability. In this sense, human action is social, in
such a way that the actions of some reflect on the way of life of others. Freire took a critical
position in the face of normative ethics embodied in legalism, which can degenerate into
hypocrisy or pharisaism. For the author, the notion of “universal human ethics” constitutes a
principle of action in the world and laws and rules must be conditioned to it. In this reasoning,
the author recognizes the need for social organization supported by laws and norms and
criticizes the transgression of ethics, as a transgression of the universal ethics of human beings.
Freire is not opposed to punishing transgression, as long as it is ensured that the punishment
itself does not transgress the humanity of the human being.
We emphasize that, from a historical point of view, the transgression of human ethics
was endorsed by legislation and encouraged by political leaders, to the point that the population
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tolerated and reinforced dehumanizing practices in the name of patriotism and obedience to
tradition and laws, persecuting those who they wanted to preserve life, as occurred in slavery,
Nazism and dictatorship, and in conservative movements such as the Ku Klux Klan, which
suppressed the dignity of human freedom and justified violence. And, we are concerned to think
that these tragedies that convinced nations to tolerate killings in favor of patriotic freedom,
began with similar defamatory speeches and media resources, in which specific groups were
blamed for the economy and social problems, accusing them of overriding human rights of
traditional national families (ALMEIDA, 2016; NOBREGA, 2018). Thus, in the name of a
freedom that favors some, legalized injustices are installed to the detriment of others. In Brazil,
to maintain their privileges and oppression of indigenous people, according to Alves-Melo
(2022), Brazilian elites circumvented, with fallacious speeches about freedom, the existing laws
that defended the freedom of indigenous people to continue to enslave them through
authoritarianism, that is, they resist giving up their privileges. In Virginio’s opinion (2021, p.
13), “such groups, in the past and present, struggle to prevent the majority of the population
from overcoming the effects of authoritarian and unequal social relations that have separated
them from the people”
Authoritarianism and the practice of violence are ingrained in social behavior to the
point where parents themselves hit their children as a corrective to their behavior. In this sense,
the appeal to traditional values refers, in the popular sense, to a regression to authoritarianism
with roots in patriarchalism (SANTOS, 2022). We consider it important, based on Freire's
postulate, to think about the orientation of human actions by humanizing and liberating
principles of moral conscience, as opposed to legalistic action based on punishment, bargaining,
social or existential adequacy, to enter into a conscience for practice cooperative, supportive,
dialogical and focused on the face of others (FUCUHARA, 2021). For Freire (1997),
immorality lies in the silenced voice, in banned bodies, in the voice that falsifies the truth to lie,
deceive, deform, and in the fact of thinking that one has an unlimited right to say what one
wants about the world and others. The author criticizes the irresponsible voice that lies without
feeling bad and still expects favorable results for the lying plans.
Thus, it is relevant to think about an education that forms an ethical awareness, which
considers the universality of human appreciation and dignity of all people (FREIRE, 2011,
2002). In other words, Freire's otherness and freedom require a formation of conscience that
guides humanizing actions, not to a moralistic obedience for mere fear of being punished or for
desiring adequacy and personal prestige, but to praise social justice, based on autonomy and
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freedom to guide one’s own moral principles (FUCUHARA, 2021). Our argument is based on
the importance of an ethical education that is guided by the appreciation of others, that trains
people to act with empathy even when no one is looking
8
, that educates them to a conscience
that chooses to consider the freedom of others even if they have the freedom to act as you wish,
as this is the moral conscience that would survive the possession of a Gyges ring, an
autonomous and conscious mind that considers the intrinsic freedom of human nature and its
dialogical capacity, respecting the place of speech in society. If the desire for freedom is our
vocation, then it must imply “a change of paradigms, in which education is carried out,
reflecting and acting consciously, in everyday pedagogical practice, to transform it” (SANTOS;
VALENTE; CORTEZ; ASSAD; VOGAS, 2021, p. 2748, our translation).
Freire's concepts of otherness and freedom, seen above, provoke an education that takes
reality as an object of study to transform it with others. And this requires a transcendence of
subjects to be more. Liberating education makes it possible to problematize reality with the aim
of knowing it more and transforming it. In other words, it provides space for critical, dialogic
thinking and participation for all subjects in the educational process. The transformation of
reality implies the possibility of transforming the individual and the other through dialogue,
freeing oneself from the authoritarian educational system, whose content and values are
imposed and serve as a mechanism to continue the domination and privileges of the elites.
Freire calls this last educational system 'banking education', which he contrasts with
liberating or problematizing education. In the first, pedagogical action involves a vertical
relationship between the educator and the students, in which the educator is the holder of
knowledge and thought and prescribes and transmits them to the students. And these are nothing
more than the objects that peacefully receive the knowledge thought by the educator, and act in
accordance with this prescription. This idea does justice to people who use fallacious speeches
about freedom to prescribe their thoughts and beliefs to others, without the possibility of
contradiction, of problematization. It is no surprise that these people defend an education
system that has this pedagogical action, whose purpose is to form individuals who are
comfortable with the situation of silencing words, who do not problematize speech, and thus
8
In ancient Greece, mythological teaching predominated that orally passed down generations, reinforcing
obedience out of fear of punishment from the gods and destiny, using cause and consequence discourses attributed
according to attitudes. In this context, Plato (2002) gave new meaning to mythology and contrasted its moralizing
function by narrating the Myth of Gyges, in which he highlighted the importance of a morality that transcends the
mere act of appearance and fear of punishment. Gyges was an example of conduct and a good citizen for the city,
until he found a ring that had the power to make him invisible and considered the possibility of not being seen as
a guarantee of impunity, and thus gave vent to his evil, to his own desire to achieve everything he wanted without
worrying about the people he harmed while achieving his goals.
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easily submit to the current oppressive and authoritarian power. This is what Freire (1987, p.
60) says: “In truth, what the oppressors intend 'is to transform the mentality of the oppressed
and not the situation that oppresses them', and this so that, by better adapting them to this
situation, the better dominate them.” Just to mention one example, without intending to explore
this discussion, we bring the case of the civic-military education model that the nation's current
rulers are obsessed with implementing in Brazilian schools. Contrary to the possibility of
liberating education, they align themselves “with 'traditional', 'conservative' practices in the line
of so-called 'banking' education, in which, being one of the marks of oppression, the act of
'depositing' information/knowledge by the (a) teacher in students is the keynote” (PEREIRA;
SARTORI, 2020, p. 652, our translation).
Education, for Paulo Freire (2006), must be the process for liberation and, therefore, it
is liberating through dialogue, because it enables critical, rigorous and loving knowledge to
educational subjects, in which no knowledge overlaps the other. Interpreting this Freirean
understanding, Machado (2012, p. 27, our translation) says:
From the perspective of liberating education, education has a political
character, aims to awaken critical consciousness and promote dialogue with
the subjects involved in the process. This means understanding that subjects
are beings of relationship and capable of constantly intervening in the world,
that is, they are not just beings in the world, but with the world. This
presupposes understanding the plurality of knowledge that is generated in
these relationships established with the world, through dialogue that
problematizes this being with the world.
In liberating education, dialogue indicates ethical action that respects the reading of the
other's world and considers educational subjects as beings in permanent construction. In other
words, ethical action enables a horizontal relationship, with dialogicity as a center of permanent
learning to transform reality. And it makes it possible to deal with the adversities that make up
the scenario of education as a process of liberation.
In Freire (1987, 2000), the human dimension is understood as being dialogical and for
freedom, therefore, all educational training should be for “man's dialogue with man and his
circumstances” (FREIRE, 2002, p. 36, our translation), and not for a massification of thought,
a dissociation of ideas, a 'mental prison'. The concept of otherness is intertwined with that of
freedom, when Freire understands that education should be an act of love, and love is
commitment, it is engaging in the fight for freedom, it is liberating and not manipulating, not
tolerating any act of sadism and authoritarianism. There is no love and freedom where there is
no dialogue, where human nature is not respected, where the right to speak is not granted, where
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the other is not considered and included in relationships that involve the common world. Human
nature is expressed in the dialogic act, which is why education is dialoguing together, it is
experiencing freedom together with others as a possibility of 'being more' and preparing oneself
for a courageous stance “in the face of the problems of one's time and space”. (FREIRE, 1967,
p. 93, our translation).
Ethical freedom preserves the other(s). And in the face of mistakes, domination and
injustices that oppress and hinder our reciprocal existence towards freedom, a liberating,
humanizing education is of fundamental importance, as it is in the liberating process that we
find possibilities to build bases to support the praxis of a humanizing and democratic, which
starts from the formation of a dialogical and social moral conscience for an ethical world that
preserves the human life of everyone above all else.
Final remarks
Faced with misconceptions in which social freedom is understood as individual or group
freedom, and that human life is considered secondary to the detriment of economic power, it
was possible to rescue Paulo Freire's philosophy of education to think about the importance of
ethics of the “universal appreciation of the human being” and the importance of an education
that enhances life, so that it can be expressed in social humanization, which involves not only
the individual, but their other people.
Freedom, which is authoritarian and, at the same time, licentious in nature, involves the
ethical responsibility of understanding it as a social freedom, which is not only yours, but
involves others aiming at a continuous process of liberation from social oppression.
Authoritarianism and licentiousness consider freedom unilaterally and exclude others from
their scope as subjects of conscience and rights, leaving it up to them to create a process of
liberation from this oppression, avoiding reproducing it. Based on the ethics of otherness,
centered on consideration for the other, in a scenario marked by oppression and the pandemic,
the search for liberation implies the collective awareness of people dedicated to preserving
health, the environment and social well-being. They are committed to practices aimed at
mitigating hunger, exploitation, containing the spread of the virus, which could result in shorter
periods of social isolation, reducing economic impacts and preserving lives that have been lost.
This aims to avoid leaving widespread sadness for family and friends. This perception at such
a recent past highlights human fragility in resisting fascist ideologies and regimes, pandemics,
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wars and other possible atrocities that could take hold in our society. But it reveals the need for
a liberating education that is guided by the awareness of otherness, which we believe is a
possible way to counter these barbarities.
In contrast to the notion of individualistic, competitive and exclusionary freedom as an
oppressive ideology, otherness considers the humanity in oneself and in others. Freire
understood oppression as dehumanization, as the denial of otherness, in which one class is
constructed to the detriment of another, creating mechanisms of alienation, silencing and
making men and women mere spectators and not active subjects of their history. Only the
awareness-raising dialogue between these beings that coexist could bring understanding of the
context, the dimension of oppression and the historical notion in which they find themselves
inserted, so that together they can become aware in search of their liberation. The Other does
not exist alone, but socially, as beings responsible for the liberation of their world. Otherness
involves both seeing oneself in others in a supportive and humanizing way and dialoguing with
them, to together problematize and transform their stories and their shared world.
Freedom for Freire is a transformative process in society. He does not restrict it to a
personal achievement, which subjugates or rises above others, on the contrary, it rescues the
very human essence of freedom, considering that dialogue is also an existential condition and
this involves the other. Thus, social engagement in search of a liberation process is a
humanizing process, as it restores the essential potential for an emancipatory stance in society.
Hence the importance of teaching that aims to engage young people, men and women, in search
of their humanization, their liberation.
An education along these lines would enable a society that understands itself as a
community, in which the tragedy of one is understood as the general tragedy, and the search for
security and emancipation is a common good, to be achieved by everyone. An ethical education
that affirms the appreciation of others, counteracts selfish, individualistic, classist and hateful
discourses to be a humanizing education, which promotes autonomous cooperation, rescuing
the principles of otherness and human freedom. Thus, the possibility of an ethical society would
come closer, which adopts measures to preserve life, which dialogues about risks and seeks to
reduce damage, valuing humanity, be it in any person.
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poderosos e suas máquinas de comunicar. [Luiz Cláudio Martino]. 2016. 441 f. Tese
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16872 20
CRediT Author Statement
Acknowledgements: To the Superintendency of Science, Technology and Higher
Education (SETI), Fundação Araucária and Universidade Estadual de Londrina (PROPPG),
as a source of partial support, through a resource for processing and translating the article.
Funding: Funding is provided by the Coordination for the Improvement of Higher
Education Personnel (CAPES) through a PhD scholarship to one of the authors (Antonio
Oliveira Dju).
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: Not applicable.
Data and material availability: Not applicable.
Authors' contributions: The contribution of all authors was very relevant and decisive
from the planning, structuring, development to the review of this article. The theme of
otherness/alterity is the object of research of the first author (Ms. Antonio Oliveira Dju) in
his master's degree and partially now in his doctorate. And the theme of freedom was the
object of study by the second author (Ms. Letícia Regina dos Santos Rodrigues Fucuhara)
in her master's degree. The two authors brought reflections from their Master's research
around these two concepts dear to Paulo Freire under the guidance of the third author (Prof.
Dr. Darcísio Natal Muraro). On the Master's committee, the two were challenged to produce
an article together on these two interdependent themes, which are so important in
understanding human beings themselves and their being in the world. The third author, with
his vast experience and knowledge of Freire, contributed greatly to improving the
understanding of these concepts in the Brazilian context of authoritarian-fascist discourses
about freedom in the polarized and pandemic society in which we live.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Review, formatting, standardization, and translation.