Cão que ladra não fala: os animais nos romances machadianos

Vitória Saramago Pádua

Resumo


Um dos aspectos mais instigantes do romance Quincas Borba é, certamente, a relação que se estabelece entre o protagonista Rubião e o cachorro Quincas Borba. Trata-se de um misto de diálogo e monólogo, no qual Rubião parece ouvir claramente as palavras do cão que, entretanto, não fazem mais que confirmar os próprios pensamentos e sentimentos do protagonista. Ainda que com significativas diferenças, algo semelhante se dá com outros personagens machadianos: Aires atribui reflexões a cachorros e burros, Brás Cubas interage com borboletas, Bentinho com vermes. Considerando a tradição da fábula, de Esopo a La Fontaine, na qual os animais constituem um espelho invertido da mente humana, cabe perguntar em que medida Machado não repensaria e até mesmo subverteria esse gênero em sua obra. O presente trabalho investigará, portanto, as novas dimensões conferidas à fábula lafontainiana, pensada sob o prisma da configuração da subjetividade em Machado e da especificidade do narrador machadiano. Será focalizada, assim, essa função dos animais enquanto espaços de desdobramento da subjetividade humana nos romances machadianos.

Palavras-chave: Machado de Assis. La Fontaine. Animais. Fábula. Subjetividade. Narrativa.

Palavras-chave


Machado de Assis; La Fontaine; Animais; Fábula; Subjetividade; Narrativa; Machado de Assis; La Fontaine; Animals; Fable; Subjectivity; Narrative.

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E-ISSN: 1981-7886
ISSN: 0101-3505