As tessituras psicanalíticas do sujeito feminino e a linguagem do desligamento em A paixão segundo G.H, de Clarice Lispector

Rosidelma Pereira Fraga, Jorge Alves Santana

Resumo


Este artigo tem como objetivo fulcral investigar a representação psicanalítica do feminino no romance A paixão segundo G.H, a fim de ponderar como os temas angústia, prazer, sofrimento, melancolia, castração, aborto e daimonismo se processam na obra de Clarice Lispector. No romance, percebe-se uma narrativa alegórica da relação do sujeito feminino reprimido e ao mesmo tempo de uma explosão libidinosa de um sujeito múltiplo, demarcado na personagem G.H que passa pela via crucis, pois a heroína aprende que para viver era preciso morrer. A proposta será arregimentada com os pressupostos teóricos Sigmund Freud, Jacques Lacan e a estudiosa norte-americana Camille Paglia. Considerar-se-ão alguns apontamentos da crítica literária sobre o romance da autora, a saber: Nadia Gotlib, Olga Borelli, Olga de Sá, Ruth Silviano Brandão, Benedito Nunes, Benjamin Moser, a tese de doutoramento da pesquisadora Luciana Borges, Maria Rita Kehl e alguns trabalhos sobre as ondas do movimento feminista no Brasil e as considerações de Simone de Beauvoir. O artigo será dividido em duas partes. Na primeira, discutir-se-ão as cartografias da linguagem subjetiva na perspectiva pré-edipiana. Na segunda, objetiva-se analisar a representação da linguagem do desligamento e as configurações dos movimentos feministas no romance selecionado para o corpus.

Palavras-chave


Sujeito feminino; Linguagem; Psicanálise; Clarice Lispector;

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E-ISSN: 1981-7886
ISSN: 0101-3505