Notas e apontamentos sobre o protocolo de leitura do epistolar

Vanessa Massoni da Rocha

Resumo


Partindo-se da confissão de Clarice Lispector, que define sua personagem Macabéa de A Hora da Estrela como alguém que “nunca recebera uma carta em sua vida”, este texto se propõe a promover interfaces teóricas e literárias capazes de nortear as vicissitudes do fazer epistolar e de sua recepção na contemporaneidade. As cartas são ferramentas que se oferecem essencialmente à escrita autobiográfica e aproximam ficção do que entendemos por realidade. Para além da função fática inerente à correspondência, nossas reflexões sobre escrita e leitura de cartas privilegiam a lógica da reciprocidade imaginada por Foucault, o dispositivo de camaradagem sugerido por Helene Hanff, o processo de presentificação elaborado por Landowski e a construção de um espaço singular e a metonímia do corpo definidos por Arrou-Vignod. Busca-se, assim, analisar os meandros que sobrepõem remetente e destinatário, privado e público, presença e ausência e verdade e ficção. Pretende-se, igualmente, reconhecer cotejamentos entre diário e missivas a partir de leituras de Philippe Lejeune e de Blanchot com o intuito de questionar a propriedade de uma carta, as estratégias de busca pelo anonimato e as especificidades da prática discursiva das correspondências.

Palavras-chave


Escrita epistolar; Protocolo de leitura; Presentificação; Diário;

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E-ISSN: 1981-7886
ISSN: 0101-3505