Arquitetura da lembrança
imagens do tempo e vocação em Du côté de chez Swann, de Marcel Proust
Palavras-chave:
Mise en abyme, Memória e escrita, Construção do tempo, Du côté de chez Swann, Vocação literáriaResumo
Este artigo analisa o uso de imagens em abismo (mises en abyme) no volume Du côté de chez Swann, de Marcel Proust (1871–1922), mostrando como tais figuras funcionam como miniaturas simbólicas da experiência memorial do narrador e como expressões do próprio procedimento narrativo da obra. A partir da leitura da lanterna mágica, da madeleine-vieira, dos vitrais e das tapeçarias da igreja de Combray, observa-se que esses elementos organizam, em escala reduzida, mecanismos de projeção, repetição, sobreposição temporal e transfiguração estética característicos da escrita proustiana. Em cada uma dessas imagens, um espaço determinado torna-se suporte para a emergência de múltiplos tempos, recompostos pela memória e pela imaginação. A análise mostra, ainda, que Combray constitui um microcosmo do romance, no qual o jogo das digressões, das leituras e das evocações antecipa o nascimento da vocação literária do narrador. Conclui-se, assim, que a mise en abyme ultrapassa a condição de recurso formal e se afirma como princípio compositivo da arquitetura da lembrança em Proust.
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