Ouro Preto: barroquismo e representação urbana, arquitetônica e estética da linguagem dos afetos

Rubem Barboza Filho

Resumo


O artigo busca revisitar a cidade de Ouro Preto, na sua construção, na sua imaginação e na sua vida cotidiana, para compreender a sociabilidade que nasce “de baixo”, sintetizando a experiência passada de portugueses, indígenas, africanos, mestiços e de gente de todo o império e fora dele, para a edificação de uma cidade e de uma sociedade originais. Ao lançar luz sobre Ouro Preto, este texto ambiciona contribuir para o resgate da complexidade e das potencialidades democráticas de uma tradição barroca de três séculos, sem esconder o que nela havia também de perverso e limitante. Com isso, procura também demonstrar que o tipo de modernização que seguimos no Brasil não era a única alternativa possível, mas uma escolha com consequências nefastas. Desse modo, através da análise da estrutura urbana, arquitetônica e visual de Ouro Preto busca-se responder à questão de como foi possível a uma multidão turbulenta, aparentemente entregue a uma desregrada linguagem dos interesses, lançar-se à edificação de uma cidade como obra de arte. E, conclui-se que Ouro Preto é, e foi, de fato o equivalente urbano, arquitetônico e estético de uma versão característica da linguagem dos afetos, a do barroquismo brasileiro e de sua tradução especial em Minas Gerais.


Palavras-chave


Ouro Preto; Barroquismo brasileiro; Linguagens do pensamento ocidental; Sentimentos; Modernização;

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E-ISSN: 1984-0241
ISSN: 0101-3459