Tradição liberal, positivismo e pedagogia: a síntese derrotada de Rui Barbosa

Autores

  • Gisele Silva Araújo

Palavras-chave:

Rui Barbosa, Positivismo, Liberalismo, Primeira República, Brasil, Oligarquia,

Resumo

Concebe-se, freqüentemente, a Primeira República brasileira (1889-1930) como autoritária, por ser alimentada pelo ideário positivista, e oligárquica, por resultar do mau funcionamento de instituições liberais sobre uma sociedade insolidária, como no diagnóstico de Oliveira Vianna. Este artigo apresenta, ao contrário, um liberalismo que se associa doutrinariamente à oligarquização, e um positivismo que visa temperar o individualismo privatista com um senso de interesse comum. Enfatiza-se o pensamento de Rui Barbosa, tido por um liberal americanista filiado ao federalismo estadunidense. A contrario senso, mostra-se um personagem aproximado às preocupações positivistas: exaltando a família como célula formadora da pátria e clamando por alguma centralização política, como remédio contra o autoritarismo oligárquico oriundo da liberdade dos interesses particulares. Utiliza-se seus discursos de justificação política, que, tal como se depreende de conceitos tomados a Weber, Marx e Koselleck, se tornam de suma importância nos períodos de crise de legitimidade de Estados abstratos. Este era precisamente o cenário quando a Monarquia foi substituída pela República no Brasil, em 1889.

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