As três interpretações da dependência

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Resumo


Nos anos 1950 dois grupos de intelectuais públicos, organizados em torno da CEPAL, em Santiago do Chile, e do ISEB, no Rio de Janeiro, pensaram a América Latina de forma pioneira de um ponto de vista nacionalista. A CEPAL criticou a lei das vantagens comparativas; o ISEB concentrou sua atenção na coalizão de classes burguesa e burocrática por trás da estratégia nacional de desenvolvimento proposta. A existência de uma burguesia nacional era fundamental para esta interpretação. Entretanto, a Revolução Cubana e os golpes militares modernizantes que se seguiram abriram espaço para a crítica dessas ideias pela interpretação marxista da dependência que se dividiu em três: a da super-exploração, a da dependência associada e a contradição nacional-dependente. A interpretação da dependência associada ignorou o caráter ambíguo e contraditório da burguesia da região proposto pela interpretação nacional-dependente, tornouse dominante, contribuiu para que os intelectuais brasileiros perdessem a ideia de nação, e representou um obstáculo à definição de uma estratégia nacional de desenvolvimento.

Palavras-chave


Burguesia nacional; Nacionalismo; Desenvolvimentismo; Dependência;

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E-ISSN: 1984-0241
ISSN: 0101-3459