Raça, trabalho e classe

a abordagem de Florestan Fernandes sobre a não inserção da população negra na ordem social competitiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29373/sas.v14i00.19924

Palavras-chave:

Florestan Fernandes, Movimento negro, Segunda abolição, Ordem social competitiva

Resumo

Para Florestan Fernandes, a sociedade brasileira constituiu-se a partir da subalternização de determinados grupos sociais, especialmente da população negra, cuja posição social resultou de um longo processo histórico de silenciamento e dominação. Com o fim do regime escravista, não houve um projeto político voltado à inserção efetiva dessa população na emergente sociedade de classes, preservando-se, sob novas formas, a lógica excludente da antiga ordem estamental. Desprovidos de acesso à escolarização e à especialização exigidas pelo processo de modernização, os negros foram sistematicamente relegados do desenvolvimento econômico e social. Este artigo analisa a contribuição de Florestan Fernandes para compreender como a estrutura de classes no Brasil se consolidou de maneira excludente, destinando à população negra funções subalternas, dissociadas do trabalho livre, republicano e capitalista em formação. A partir das análises de Fernandes, busca-se evidenciar a complexidade que moldou a desigual inserção da população negra na ordem social competitiva.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Marco Aurelio de Oliveira Leal, Universidade Federal de Pernambuco

    Universidade Federal de Pernambuco (PPGS-UFPE), Recife – PE – Brasil. Mestre e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia do PPGS-UFPE.

  • Sérgio Roberto Veloso Filho, Universidade Federal de Pernambuco

    Universidade Federal de Pernambuco (PPGS-UFPE), Recife – PE – Brasil. Graduado em Ciências Sociais, com interesse em sociologia da comunicação, das emoções e do consumo.

Referências

CALDAS, A.; SILVA, N. G. P. A democracia racial no pensamento de Guerreiro Ramos: um balanço dos comentadores. Tematicas, Campinas, SP, v. 29, n. 57, p. 88–116, 2021. DOI: 10.20396/tematicas.v29i57.13921. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/13921. Acesso em: 15 ago. 2022.

FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade de classes (no limiar de uma nova era). São Paulo: Globo, 2008b.

FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade de classes (o legado da “raça branca”). São Paulo: Globo, 2008a.

FERNANDES, F. A sociologia no Brasil: contribuição para o estudo de sua formação e desenvolvimento. Petrópolis: Vozes, 1976a.

FERNANDES, F. Circuito fechado: quatro ensaios sobre o “poder institucional”. São Paulo: HUCITEC, 1976b.

FERNANDES, F. O negro no mundo dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007.

FERNANDES, F. Significado do protesto negro. São Paulo: Expressão Popular, 2017.

FREITAG, B. Florestan Fernandes: revisitado. Estudos Avançados, São Paulo, v. 19, n. 55, p. 229–243, 2005. DOI: 10.1590/S0103-40142005000300016.

NASCIMENTO, A. do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

PASTORE, J.; SILVA, N. do V. Mobilidade social no Brasil. São Paulo: Makron Books, 2000.

SCHWARCZ, L. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

SCHWARCZ, L. M.; GOMES, F. dos S. Dicionário da Escravidão e Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

WEBER, M. Classe, estamento, partido. In: GERTH, H.; MILLS, W. (org.). Max Weber – Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1974. p. 211-228.

Publicado

29/12/2025

Como Citar

Raça, trabalho e classe: a abordagem de Florestan Fernandes sobre a não inserção da população negra na ordem social competitiva. Revista Sem Aspas , v. 14, n. 00, p. e025013, 29 dez.2025.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)